Fundação Universidade Regional de Blumenau

LIGAS DE ALUMÍNIO E COBRE






Blumenau
Novembro - 2013





LIGAS DE ALUMÍNIO E COBRE





















Trabalho apresentado à Professora Deyse
Carpenter da disciplina Ciência dos
materiais, quarto período do
curso de Engenharia Química.





FURB - Blumenau
Novembro -2013

1. INTRODUÇÃO
O alumínio e o cobre são bons condutores de corrente elétrica e
dois dos metais mais abundantes na natureza, além disso, apresentam
baixo custo no mercado. Devido a tudo isso, esses metais e suas ligas têm
várias aplicações na indústria eletrotécnica como fios condutores,
transporte e distribuição de energia elétrica, construção de máquinas e
aparelhos elétricos, entre outros.
Essa importância faz com que seu estudo seja muito interessante,
este trabalho abordará os diferentes tipos de liga, as ligas mais
significativas, as diferenças entre elas, sua obtenção e também possíveis
aplicações.




















3. COBRE E SUAS LIGAS
O cobre é normalmente usado em sua forma pura, mas também
pode ser combinado com outros metais para produzir uma enorme
variedade de ligas. Cada elemento adicionado ao cobre permite obter ligas
com diferentes características tais como: maior dureza, resistência a
corrosão, resistência mecânica, usinabilidade ou até para obtermos uma
cor especial para combinar com certas aplicações.

Relação das ligas de cobre – Fig. (1)

3.1 Principais ligas
3.1.1 Cobre e Zinco (Latões)
Essa combinação pertence ao grupo dos latões e o conteúdo de
zinco varia de 5% a 45%. Os elementos Al, Sn, Si, Fe, Mn, Ni, As, P e Pb são
usuais neste tipo de liga. O alumínio aumenta a consistência e a
resistência à corrosão. Adições de estanho e silício garantem melhores
propriedades de deformação. Arsênico e fósforo ajudam em relação à
resistência à corrosão, sendo que o fósforo, adicionalmente, aumenta
também a fluidez do metal. Ferro e manganês são adicionados para
refinar o grão. O níquel possui com ponto positivo, a melhora da
resistência à corrosão e uma melhora na resistência mecânica a altas
temperaturas. Ligas de latão podem conter até 3,0% de chumbo, pois este
elemento favorece a operação de corte do metal.
APLICAÇÕES - Esta liga é utilizada em moedas, medalhas, bijuterias,
radiadores de automóvel, ferragens, cartuchos, diversos componentes
estampados e conformados, peças de uso naval, mancais, cartuchos,
parafusos, entre outros.
3.1.2 Cobre e Estanho (Bronzes)
A combinação desses metais forma o grupo dos bronzes e o
conteúdo do estanho pode chegar a até 20%. Essas ligas contém chumbo
na faixa de 5% a 18% e adições de Sb, Zn, Fe e Ni.
APLICAÇÕES – Ligas de cobre e estanho são boas para fundições, sendo
sua maior utilização na confecção de mancais e engrenagens especiais,
que possuem uma vida útil longe e boa resistência à pressões. Entretanto
também são utilizadas em tubos flexíveis, torneiras, varetas de soldagem,
válvulas, buchas, engrenagens, entre outros.
3.1.3 Cobre e níquel (Cuproníquel)
Esta liga é conhecida como cuproníquel e o conteúdo de níquel
pode variar de 10% a 30%. São resistentes à corrosão e apresentam
propriedades de resistência a altas temperaturas, as quais são similares
àquelas obtidas com aços inoxidáveis. Adições de 2% de manganês e 1,5%
de ferro aumentam a resistência à corrosão.
APLICAÇÕES – São utilizadas para tubos, resistências, moedas, cultivos
marinhos, bijuterias, armações lentes, entre outros.

3.2 Obtenção do cobre
O cobre no seu estado natural é encontrado sob a forma de
“sulfuro” com uma pureza que varia em torno de 1 a 5%. São encontrados
em minas a céu aberto e subterrâneo, cuja extração se realiza por meio de
processos específicos. Das minas se extrai o minério, contendo de 1 a 2%
de cobre, que posteriormente é britado e moído, passando por células
de flotação, que por sua vez o separam e o convertem num concentrado,
cujo teor médio de cobre é de 30%.
Posteriormente é submetido ao processo de ustulação onde é
fundido e se constitui num produto líquido intermediário chamado matte,
com 60% de cobre. Após passar por um conversor, é transformado
em cobre blister, com 98,5% de cobre, que ao passar pelo refino se molda,
chegando ao ânodo com 99,5% de pureza. Após, por meio de eletrólise,
constitui o cátodo, cuja pureza chega a 99,99%. Esse cátodo é moldado
sob diferentes formas e submetido a processos de transformação,
resultando em diversos produtos sob a forma de vergalhões, fios, barras e
perfis, chapas, tiras, tubos e outros.


Fios de cobre – Fig. (2)












4. ALUMÍNIO E SUAS LIGAS
Existem inúmeras possibilidades de combinações de elementos
químicos com o alumínio.Essas combinações denominadas de ligas de
alumínio têm como objetivo principal melhorar propriedades mecânicas e
conferir outras propriedades de uso ou características de fundição.

Ligas de Alumínio – Fig. (3)

4.1 Principais ligas
As ligas de alumínio podem ser classificadas em ligas trabalhadas ou
para tratamento mecânico e ligas para fundição.
Abaixo temos alguns dos principais elementos de liga, sua
percentagem típica e vantagens.
Cu – O cobre tem uma percentagem típica de 3% a 11% na liga, esse
elemento confere alta resistência mecânica e facilita o trabalho de
usinagem.
Si - O silício tem uma percentagem típica de 12% a 13% na liga, suas
vantagens são reduzir o coeficiente de dilatação, melhorar a soldabilidade
e aumentar a fluidez na fundição.
Mg – Sua percentagem típica é de mais de 8%, confere alta soldabilidade,
aumenta a resistência à corrosão em meio salino e possibilita tratamento
térmico.
Zn – A percentagem típica do zinco é de 0,05% a 2,2%, ele confere alta
resistência mecânica e aumenta a ductilidade.
Mn – 0,5% a 10,7% é a percentagem típica, atua como corretor e aumenta
a resistência mecânica.
As ligas tratáveis termicamente são: Al-Cu, Al-Zn-Mg, Al-Si-Mg. As
endurecidas por trabalho mecânico são: Al-Mg e Al-Si.
A seguir temos uma visão geral de alguns exemplos das séries das
ligas de alumínio mais empregadas, onde são empregas e sua classificação
pelo AA (Aluminium Association).
4.1.1 Al > 99,0%
Essas ligas são tratáveis termicamente, tem ótima resistência à
corrosão, ótima soldabilidade e ótima conformabilidade.
CLASSIFICAÇÃO: 1XXX
APLICAÇÕES: Condutores elétricos, revestimentos em Alclads,
equipamentos químicos e alimentares, embalagens, refletores, utensílios
domésticos e aeronáuticos.
4.1.2 Al-Mn
Ligas tratáveis termicamente, com boa ductilidade, média
resistência e excelente soldabilidade.
CLASSIFICAÇÃO: 3XXX
APLICAÇÕES: Tubos soldados, calderaria e peças fabricadas por
embutimento.
4.1.3 Al-Si
Possuem boa resistência mecânica e média soldabilidade.
CLASSIFICAÇÃO: 4XXX
APLICAÇÕES: Peças forjadas.

4.1.4 Al – Mg
Tratáveis por encruamento, essas ligas possuem ótima
resistência à corrosão salina e boa soldabilidade.
CLASSIFICAÇÃO: 5XXX
APLICAÇÕES: Formas arquitetônicas e estruturais, equipamentos
químicos, alimentares, têxteis e de mineração, depósitos de gás liquefeito,
navios e ferragens.
Estes são alguns exemplos, agora seguem mais alguns, agora de
ligas para fundição:
4.1.5 Al > 99%
São tratáveis termicamente, apresentam ótima resistência à
corrosão, ótima soldabilidade e ótima conformabilidade.
CLASSIFICAÇÃO: 1XX.X
APLICAÇÕES: Utensílios domésticos, acessórios para indústria química,
rotores para motores de indução e ferragens elétricas.
4.1.6 Al-Si-Cu/Mg
Ligas tratáveis termicamente, de fácil fabricação inclusive fundição
sob pressão, boa resistência e boa resistência à corrosão.
CLASSIFICAÇÃO: 3XX.X
APLICAÇÕES: Automóveis, navios, carcaças de ventiladores e bombas,
peças fundidas em geral (sujeitas a solicitações de carga).
4.1.7 Al-Sn
Tratáveis termicamente e que apresentam excelente resistência à
corrosão a óleos lubrificantes.
CLASSIFICAÇÃO: 8XX.X
APLICAÇÕES: Mancais e buchas em eixos de caminhões e laminadores.
4.2 Obtenção do Alumínio
A obtenção do alumínio é feita a partir da bauxita, um minério que
pode ser encontrado em três principais grupos climáticos: o
Mediterrâneo, o Tropical e o Subtropical. A bauxita deve apresentar no
mínimo 30% de alumina aproveitável para que a produção de alumínio
seja economicamente viável. O processo de obtenção de alumínio
primário divide-se em três etapas: mineração, refinaria e redução,
conforme a imagem abaixo:

Fluxo da cadeia de produção do alumínio primário – Fig. (4)









5. Processos para obtenção de uma liga:
As ligas metálicas podem ser obtidas por diversos processos, eis
aqui alguns deles:
5.1 Processos da fusão
Fundem-se quantidades adequadas dos componentes da liga, a fim
de que estes se misturem perfeitamente no estado líquido. A fusão é feita
em cadinhos de ferro, de aço ou de grafite, em fornos de revérbero ou
em fornos elétricos. A massa fundida, homogênea, é resfriada lentamente
em formas apropriadas. São tomadas precauções especiais para evitar a
separação dos componentes da liga durante o resfriamento, para evitar
a oxidação dos metais fundidos, para minimizar as perdas dos
componentes voláteis, etc. Esse processo também pode ser efetuado na
superfície de um corpo. Assim, mergulhando-se folhas de ferro
em estanho fundido, forma-se na sua superfície uma liga de ferro e
estanho. Obtém-se, assim, a folha de flandres, também chamada lata.
5.2 Compressão
O processo de compressão consiste em submeterem-se misturas
em proporções adequadas dos componentes a altíssimas pressões. Esse
processo é de importância na preparação de ligas de alto ponto de fusão e
àquelas cujos componentes são imiscíveis no estado líquido.
5.3 Processo Eletrolítico
O processo eletrolítico consiste na eletrólise de uma mistura
apropriada de sais, com o fim de se efetuar deposição simultânea de dois
ou mais metais sobre cátodos.
5.4 Processo de Metalurgia Associada
O processo de metalurgia associada consiste na obtenção de uma
liga constituída de dois ou mais metais, submetendo-se ao mesmo
processo metalúrgico uma mistura de seus minérios.

6. CONCLUSÃO
Essa pesquisa mostrou que realmente, tanto o cobre quanto o
alumínio são importantes para o mundo moderno e que suas aplicações
estão por toda parte, coisa que muitas vezes nem percebemos.
O cobre faz parte de nosso sistema elétrico e é extraído cada vez
mais, entretanto suas jazidas são finitas e é preciso nos conscientizarmos
de que se continuarmos a extraí-lo sem reciclá-lo, em pouco tempo ele se
tornará um metal raro e de difícil acesso.
Já o alumínio vem obtendo cada vez mais espaço, afinal é um metal
leve, macio, resistente, condutor de eletricidade, entre outras
características muito importantes que não podemos dispensar.
Como engenheiros, temos um grande campo de trabalho e muitas
coisas a aprender envolvendo esse assunto.



1.








7. REFERÊNCIAS
Cobre e suas ligas - César Luiz Canata Júnior
http://www.eletrica.ufpr.br/piazza/materiais/CesarCanata.pdf
Acessado em 03/11/2013
Cobre: Ocorrência, obtenção industrial, propriedades e utilização-
Erivanildo Lopes da Silva
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/quimica/cobre-ocorrencia-
obtencao-industrial-propriedades-e-utilizacao.html
Acessado em 03/11/2013
Liga metálica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Liga_met%C3%A1lica
Acessado em 03/11/2013
Ligas de Alumínio
http://www.aluinfo.com.br/novo/materiais/ligas-aluminio
Acessado em 03/11/2013
Cobre e Alumínio – Thuanny Lima
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAUVMAH/cobre-aluminio
Acessado em 03/11/2013
Alumínio cobre e suas ligas – Everson Carneiro
http://pt.scribd.com/doc/95703994/Aluminio-cobre-e-suas-ligas
Acessado em 03/11/2013
Alumínio e suas ligas – Helder Fonseca
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAUZkAF/aluminio-suas-
ligas?part=5
Acessado em 03/11/2013
Cobre- alumínio, Cobre- Silício e Cobre- berílio
http://www.infomet.com.br/metais-e-ligas-
conteudos.php?cod_tema=10&cod_secao=12&cod_assunto=65
Acessado em 03/11/2013

2. LIGA COBRE-ALUMÍNIO
Essas ligas também são conhecidas como bronzes de alumínio, o
diagrama de fases Cu-Al de um modo geral apresenta muitas semelhanças
com o diagrama Cu-Zn. A solubilidade do alumínio no cobre é
relativamente alta e para teores mais elevados de alumínio se formam
diversos tipos de compostos intermetálicos, alguns dos quais possuem a
mesma estrutura cristalina e estequiometria de alguns compostos
intermetálicos do sistema Cu-Zn. Como a diferença entre os tamanhos dos
átomos é grande e a solubilidade máxima do alumínio no cobre é
relativamente alta, espera-se boa resistência mecânica para as ligas Cu-Al
mesmo como soluções sólidas. De fato o alumínio é um eficiente agente
de endurecimento e existem duas ligas comerciais, com teores de 5 e 8 %
de alumínio, que são soluções sólidas, então seu tratamento térmico
resume-se à homogeneização convencional da liga fundida e o
recozimento da liga trabalhada.
No sistema Cu-Al as fases estáveis a 500 ºC são praticamente as
mesmas presentes em temperaturas mais baixas, a não ser que tempos de
recozimentos extremamente longos sejam empregados. As ligas com teor
de alumínio acima de 8 % em temperatura relativamente alta apresentam
a formação de fase beta, que durante o resfriamento lento sofre uma
transformação eutetóide para formar uma mistura de fases alfa e gama 2.
A fase beta das ligas Cu-Al é cúbica de corpo centrado (CCC) como a
fase beta do sistema Cu-Zn, enquanto a fase gama 2 é semelhante à fase
gama. A composição química do ponto eutetóide corresponde a um teor
de alumínio de 11,8 %, e durante o resfriamento lento (50 ºC/h, por
exemplo) da liga com essa composição, após homogeneização adequada
(por exemplo 1h a 800 ºC), as fases alfa e gama 2 formam-se em camadas
alternadas, de forma semelhante à perlita das ligas ferrosas, sendo que o
mesmo termo (estrutura perlítica) pode ser aplicado a essa microestrutura
eutetóide das ligas Cu-Al.
O resfriamento rápido a partir do campo monofásico beta deveria
suprimir a reação eutetóide e resultar em fase beta retida à temperatura
ambiente. Essa fase se decomporia muito lentamente e praticamente
seria estável a essa temperatura, de modo que as propriedades da fase
beta poderiam ser utilizadas para o desenvolvimento dessas ligas.
Entretanto, do mesmo modo que nas ligas ferrosas, na prática a fase beta
sofre uma transformação de não equilíbrio para uma outra fase (beta’),
mesmo quando o resfriamento é extremamente rápido. Essa fase, que
não é de equilíbrio e, portanto, não aparece no diagrama de fases, possui
uma estrutura cristalina hexagonal (HCP) e é ordenada. Do mesmo modo
que ocorre com os aços, a fase beta’ se forma por uma transformação
martensítica, com a decomposição da fase beta em longas agulhas.
Durante o resfriamento rápido, ao se atingir uma temperatura da ordem
de 380 ºC (temperatura de início da transformação martensítica, também
conhecida como MS), as agulhas começam a aparecer em grande
velocidade na fase beta e à medida que o resfriamento até a temperatura
ambiente prossegue, a fase beta remanescente se decompõe nessas finas
agulhas.
Entretanto, enquanto nos aços a martenista é a estrutura mais dura,
muito mais do que a perlita, nas ligas Cu-Al acontece fenômeno inverso, já
que a fase beta’ martensítica (70 HRB) sensivelmente mais macia do que a
mistura alfa e gama 2 perlítica (80 HRB). Essa diferença de dureza reflete a
influência da fase gama 2 muito dura, que confere maior dureza à
estrutura perlítica.
Também de forma surpreendente, em comparação com os aços, o
aquecimento da fase beta’ martensítica a uma temperatura inferior à
temperatura eutetóide (565 ºC), leva ao endurecimento da liga, ao
contrário do que ocorre durante o revenimento dos aços. O aquecimento
a 500 ºC por 30 minutos, por exemplo, aumenta a dureza da fase beta’ de
70 HRB para 90 HRB.
No caso da liga Cu-Al com 10 % de alumínio, o aquecimento a uma
temperatura superior a 850 ºC resulta numa microestrutura constituída
unicamente por fase beta, e o resfriamento rápido leva à formação de
uma microestrutura totalmente martensítica, com dureza Brinell de cerca
de 250. Ao ser mantida a uma temperatura inferior a 850 ºC essa liga
passa a conter crescentes quantidades de fase alfa coexistindo com a fase
beta, e como a fase alfa é menos dura, a dureza Brinell da liga cai para
valores em torno de 120. Se em vez do resfriamento rápido for feito um
resfriamento lento (em forno, por exemplo) na mesma liga Cu-10Al, uma
grande quantidade (cerca de 50 %) de fase alfa primária se forma, e o
restante da microestrutura é constituída por perlita eutetóide. Embora no
caso dessas ligas a microestrutura perlítica proporcione maior dureza do
que a microestutura martensítica, a grande quantidade de fase alfa
presente faz com que a liga seja relativamente macia nesse caso. Ou seja,
á medida que o resfriamento torna-se mais lento, aumenta a presença de
fase alfa macia e diminui a presença da martensita dura, fazendo com que
se reduza a dureza da liga. O revenimento da liga Cu-10Al temperada
resulta em aumento de dureza se esse tratamento for feito em
temperaturas em torno de 350 ºC, mas resulta em decréscimo de dureza
quando é feito em temperaturas mais elevadas. O aumento de dureza se
deve à formação de uma fina dispersão de fase gama 2 dura na fase alfa
mais macia. Porém, quando a temperatura é suficientemente alta (ou seja,
acima de 400 º), o tempo de revenimento é suficiente para promover o
coalescimento das partículas de fase gama 2, promovendo o decréscimo
de dureza.
A dureza dessas ligas Cu-Al é máxima quando se forma a
microestrutura alfa + gama 2 dispersa ou quando se forma a martensita
pelo resfriamento rápido. Entretanto, ainda não foi esclarecido o motivo
que leva à redução da formação da martentista quando o teor de alumínio
da liga aumenta. De qualquer modo, a dureza da liga é máxima quando se
minimiza a presença da fase alfa macia e se maximiza a presença da
martensita. É necessário tomar cuidado quanto à fragilização que pode
resultar do recozimento dessas ligas, levando a uma queda de tenacidade
considerável. Para evitar esse problema, a liga Cu-10 Al deve ser recozida
à temperatura de 650 ºC, e de um modo geral as ligas Cu-Al devem ser
recozidas a uma temperatura igual ou superior a 570 ºC, sendo que
também deve ser evitado o resfriamento muito lento a parir da
temperatura de recozimento. As propriedade mecânicas das ligas Cu-Al
que contêm fase alfa dependem muito da forma e do tamanho dos grãos
de fase alfa., que por sua vez dependem muito das condições de
resfriamento. Do mesmo modo, as condições de resfriamento influem
muito na decomposição da fase beta. Evidentemente, quanto mais finos
os grãos de fase alfa, maior a resistência mecânica e a dutilidade, embora
a dureza seja menos afetada. O resfriamento lento também favorece a
decomposição da fase beta em uma mistura de alfa e gama 2, que embora
dura, também é frágil.
2.1 Aplicações das ligas cobre-alumínio
2.1.1 Liga 95% cobre e 5% alumínio – É uma liga com microestrutura
monofásica (fase alfa), que contém pequenos teores de arsênio, níquel ou
manganês, que são adicionados com o objetivo de melhorar a resistência
á corrosão e a resistência mecânica. É uma liga que apresenta boa
resistência à corrosão, mesmo em ambientes agressivos, além de boa
conformabilidade a frio. Em geral é produzida sob a forma de
semimanufaturados planos e também tubos. É utilizada na indústria
química, em peças que estão em contato com água, ácidos e soluções
salinas, em tubos de condensadores, evaporadores e trocadores de calor,
componentes de equipamentos usados na indústria de papel, em caixas
d’água e reservatórios.
2.1.2 Liga 92% cobre e 8% alumínio – Esta liga é bifásica e pode conter
pequenas adições de níquel, ferro ou manganês. Possui boa resistência à
oxidação e boa conformabilidade a quente. É utilizada na forma de
produtos planos e barras em aplicações na indústria química, semelhantes
às da liga 95-5, e, além disso, em recipientes para a indústria química, em
autoclaves, instalações criogênicas, recipientes e ganchos para instalações
de decapagem, componentes de torres de resfriamento, em instalações
para tratamento de esgoto urbano, sendo também usada para a
fabricação de moedas e medalhas, eletrodos de soldagem, em
componentes usados na indústria naval, como instrumentos não
magnéticos para bússolas girostáticas, em revestimentos protetores e em
tubulações para água do mar.
2.1.3 Liga 89% cobre, 8% alumínio e 3% ferro – Possui a mesma
microestrutura bifásica, porém o ferro é adicionado para inibir o
crescimento de grão, melhorando a resistência mecânica da liga. Pode
conter pequenas adições de níquel ou de manganês. É uma liga que
apresenta alta resistência à corrosão e boa conformabilidade a quente,
sendo produzida em geral sob a forma de chapas e barras. É utilizada em
placas de tubos de condensadores, evaporadores e trocadores de calor
nas indústrias química e naval, em instalações criogênicas e de decapagem
e em ferramental antifaiscante para a indústria de gás, de petróleo, de
carvão e de explosivos.
2.1.4 Liga 89% cobre, 9% alumínio e 2% manganês – É uma liga bifásica
(fases alfa e beta) que contém manganês para aumentar a
trabalhabilidade a quente e também a soldabilidade. Pode conter também
pequenos teores de fero ou níquel. É usada na forma de produtos planos,
barras e forjados, sendo utilizada em instalações criogênicas, filtros e
placas perfuradas, componentes de máquinas da indústria alimentícia,
engrenagens helicoidais, elementos de fixação de máquinas e ferramentas
de conformação de plásticos.
2.1.5 Liga 87% cobre, 10% alumínio e 3% ferro – Esta liga apresenta
microestrutura bifásica, sendo o ferro adicionado para inibir o
crescimento de grão e melhorar a resistência, contendo também níquel ou
manganês. Possui alta resistência à corrosão e à oxidação, mantendo a
resistência mecânica à temperatura ambiente a temperaturas
relativamente altas. Sob a forma de barras, perfis e forjados é usada em
instalações criogênicas e de decapagem, como componentes de bombas,
acessórios e elementos de fixação na construção naval, em ferramentas
antifaiscantes, engrenagens, peças resistentes ao desgaste, peças forjadas
para máquinas, peças forjadas para máquinas e linhas elétricas,
ferramentas de conformação de plásticos e diversos componentes
conformados.
2.1.6 Liga 80% cobre, 10% alumínio ,5% ferro e 3% níquel – Esta liga
quaternária também possui estrutura bifásica (fases alfa e kappa),
podendo adicionalmente conter pequenos teores de manganês. A
presença de níquel e de ferro confere à liga uma boa combinação de
resistência à corrosão e à oxidação, resistência mecânica, à fadiga e ao
desgaste. Além disso, possui boa conformabilidade a quente e mantém a
resistência mecânica a temperaturas razoavelmente altas. Produzida sob a
forma de barras e forjados, é usada em componentes de equipamentos
trocadores de calor, de decapagem, de tratamento de águas, esgotos e
ácidos, na construção naval, em ferramentas antifaiscantes e em
acessórios mecânicos diversos.
2.1.7 Liga 82% cobre, 9% alumínio, 6% níquel e 3% ferro – Possui
microestrutura bifásica (fases alfa e kappa), contendo pequenos teores de
manganês, sendo assim uma alternativa para aplicações semelhantes às
da liga 80-10-5-3 anterior.
2.1.8 Ligas cobre-alumínio para fundição: são fundidas em areia e usadas
em cestos de decapagem, sapatas de laminador, engrenagens internas,
bombas resistentes a álcalis, assentos de válvulas, hastes, hélices navais,
mancais, buchas e peças em geral que necessitam de boa resistência à
corrosão.









Fundação Universidade Regional de Blumenau





METALURGIA DO PÓ
LAURA MARCHI RANIERI






Blumenau
Novembro - 2013


LAURA MARCHI RANIERI


METALURGIA DO PÓ





















Trabalho apresentado à Professora Deyse
Carpenter da disciplina Ciência dos
materiais, quarto período do
curso de Engenharia Química.




FURB - Blumenau
Novembro -2013
1. INTRODUÇÃO

Metalurgia do pó, também chamada de sinterização, é um processo
de fabricação de metais que cresceu muito durante os anos, atualmente
está bastante competitiva com os processos de metalurgia convencionais
por motivos tecnológicos e econômicos, sendo vantajoso principalmente,
na produção de grandes quantidades de peças e com formatos complexos.
O objetivo deste trabalho será conhecer um pouco mais sobre esse
processo, sua definição, processo produtivo e o que se pode produzir a
partir do mesmo.
















2. DEFINIÇÃO

Metalurgia do Pó é uma técnica de fabricação de produtos
metálicos, que podem ser ferrosos ou não ferrosos, obtidos através da
conformação de pós metálicos seguido de tratamento térmico de
sinterização, onde o material é submetido a temperaturas abaixo do
ponto de fusão sob atmosfera controlada.























3. PROCESSO PRODUTIVO

O processo produtivo da metalurgia do pó consiste basicamente,
em obter o pó, prensar e depois aquecer (sinterização) para melhorar a
coesão da estrutura interna. As grandes características desse processo
seriam a temperatura, que permanece sempre abaixo do ponto de fusão e
também sua elevada economia em grandes produções.

3.1 Características do pó a serem controladas
A primeira característica que deve ser controlada é o tamanho das
partículas, que devem ter de 0,1 a 400 microns, para a seleção de
tamanhos é utilizado peneiramento.
A segunda é as formas das partículas, já que as mesmas podem ser
esféricas, gotas, angular, entre outras. A porosidade da partícula também
deve ser observada, assim como sua estrutura (tamanho de grãos
cristalinos).
Outras características são, sua superfície específica (número de
pontos de contato entre partículas), densidade aparente, velocidade de
escoamento (maior velocidade indica maior possibilidade de enchimento
completo da matriz), compressibilidade e por último, composição química
e pureza.

3.2 Métodos para obtenção do pó metálico
Existem diversas maneiras de obter o pó. O método escolhido vai
definir algumas características dos grãos de pó, como tamanho, forma e
distribuição.

3.2.1 Atomização
Na atomização, o metal fundido é vazado através de um orifício
apropriado a essa operação, formando um filete líquido que é agredido
por jatos de água, ar ou gás. Esses jatos provocam a pulverização do filete
e seu imediato resfriamento. O pó recolhido é reduzido e peneirado,
estando pronto para ser usado.
O tamanho e a forma das partículas variam em função de vários
parâmetros, entre os quais se destacam; a espessura do filete, a pressão
da água ou gás, a geometria do conjunto de pulverização e,
evidentemente, o tipo de atomização. A atomização à água normalmente
conduz a partículas irregulares e angulosas, enquanto que a atomização à
ar produz partículas mais esferoidais.

Atomização vertical e horizontal – Fig. (1)

3.2.2 Eletrólise
Usada principalmente para se obter pó de cobre. O metal é
colocado no estado sólido dentro de um tanque e dissolvido em uma
solução eletrolítica, onde passa uma corrente elétrica. Os pós obtidos
dessa forma, tem alto grau de pureza.

3.2.3 Outros processos
Vários outros processos podem ser utilizados para a obtenção de
pós metálicos, por exemplo:
Métodos mecânicos: trituração e moagem;
Métodos físico-químicos: pirólise (usa-se para obter pós de ferro e níquel
de alta pureza);
Métodos químicos: redução de óxidos por hidrogênio ou monóxido de
carbono.
Moinho de bolas, utilizado na
moagem – Fig. (2)

3.3 Compactação
Certa quantidade de pó é colocada dentro de uma matriz montada
em uma prensa de compressão. Os punções se movimentam fazendo os
pós se grudarem uns aos outros com uma espécie de solda fria, até que a
densidade do material chegue ao ponto desejado. Esse pó prensado é
chamado de compactado verde e deve ser manuseado com cuidado, pois
não possui ligações fortes entre as partículas.
Fig.(3)

3.4 Sinterização
Nesta etapa o compactado verde é aquecido, mas sem chegar ao
ponto de fusão do metal base, que é o principal metal do processo, e é
quem determina as características básicas do produto final.
A sinterização é feita normalmente em fornos contínuos com três
zonas de atuação: aquecimento, manutenção da temperatura e
resfriamento. É nessa parte que acontecem as ligações químicas e
metalúrgicas do pó, fazendo com que seja reduzida ou até eliminada a
porosidade do compactado verde. Esse compactado está agora com as
propriedades típicas de um produto sinterizado.

Material sinterizado – Fig. (4)
3.5 Processos complementares
Após a sinterização a peça pode passar por processos
complementares ou já ser utilizada. Uma delas é recompactação, que
serve para garantir tolerâncias apertadas ou rugosidades previstas. Deve
ser feita quando a redução do tamanho da peça ultrapassar os padrões
pré-estabelecidos.
Elas também podem ser tratadas termicamente para garantir
algumas características mecânicas ou passar por usinagem, se for
impossível conseguir a configuração geométrica da peça na compactação
(furos transversais, roscas, reentrâncias transversais, etc.)

3.6 Esquema geral

As etapas básicas da metalurgia do pó, podem ser encadeadas e
repetidas de diversas maneiras conforme a necessidade de obtenção de
melhores propriedades mecânicas, melhores tolerâncias dimensionais,
entre outras. Deve-se lembrar, porém, que a repetição de etapas aumenta
o custo de obtenção da peça.



Esquema geral com alguns processos da metalurgia do pó – Fig. (5)





4. APLICAÇÕES/PRODUTOS
Segue abaixo alguns exemplos de aplicações da metalurgia do pó:
4.1 Filtros
Uma das primeiras aplicações práticas da técnica da metalurgia do
pó é a fabricação de filtros sinterizados. Esses elementos filtrantes são
superposições de monocamadas de partículas esféricas ou arredondadas
de pós metálicos. Esta superposição resulta em malhas que se
interceptam e constituem os poros. O volume de poros nestes filtros pode
representar até 60% do volume total.
4.2 MAL: Mancais Auto Lubrificantes
Estes mancais fazem parte de uma das mais antigas aplicações
industriais das peças metálicas porosas obtidas pela metalurgia do pó. A
porosidade existente nas peças sinterizadas atua como reservatório de
óleo que irá formar o filme lubrificante da região eixo-mancal, evitando-se
assim o desgaste prematuro destas superfícies.
4.3 Peças estruturais
Nessa classe estão compreendidas diversas formas e geometrias
simples ou complexas para inúmeras aplicações da Metalurgia do Pó (linha
automotiva, eletrodomésticos, linha branca, ferramentas elétricas, entre
outras). Densidade, dureza, tolerâncias dimensionais e grande gama de
solicitações podem ser combinadas de forma a atender especificações
amplas contempladas em inúmeras destas aplicações. Tratamentos
térmicos, superficiais, impregnações e usinagens posteriores fazem parte
das operações complementares que permitem o custo-benefício da
técnica quando comparada a processos mecânicos convencionais.
4.4 Metal duro
São fundamentais nas ferramentas de corte, peças de desgaste e
brocas. É adaptado nas partes cortantes na forma de pastilhas. Essas
pastilhas são quase tão duras quanto diamante e resistem a altas
temperaturas sem sofrer perda de corte.
5. CONCLUSÃO
A grande vantagem da metalurgia do pó e o que determina o
crescimento de sua indústria é seu custo menor para a fabricação de
componentes. Existem sim vantagens técnicas associadas à sua
porosidade intrínseca, como lubrificação e filtragem, mas seu custo é
mesmo sua grande vantagem quando comparada a outros processos de
fabricação.
A capacidade desse tipo de produção de substituir as outras
tecnologias como fundição e usinagem, ainda está longe de ser
totalmente alcançada. Cada vez mais, novidades vão surgindo nesse
campo, sejam novos pós, prensas ou fornos, tudo isso promove novos
avanços nesta tecnologia, o que permite que continue crescendo com
vantagens econômicas aos seus consumidores.


















6. REFERÊNCIAS
Metalurgia do pó – Pedro Antônio Milanez e Vinicius Búrigo Neto
http://www.nepet.ufsc.br/introducao/seminarios/2011_1/metalurgia
Acessado em 03/11/2013
http://pt.scribd.com/doc/2406400/MODELO-DE-TRABALHOS-
ACADEMICOS
Acessado em 03/11/2013
Metalurgia do pó (Sinterização)
http://www3.fsa.br/mecanica/arquivos/04%20Sinteriza%C3%A7%C3%A3o
.pdf
Acessado em 03/11/2013
O que é metalurgia do pó?
http://www.bsmetalurgica.com.br/o-que-e
Acessado em 03/11/2013
Documento- Metalurgia do pó – Gustavo Santos Ribeiro
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAWa4AJ/documento-
metalurgia-po?part=3
Acessado em 03/11/2013
THINGS- coisas que acontecem
http://rishivadher.blogspot.com.br/2010/02/prototipos-de-cad.html
Acessado em 03/11/2013