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SUMÁRIO
1 JUSTIFICATIVA ....................................................................................................... 4

2 OBJETIVO ............................................................................................................... 5
2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS. ................................................................................ 5

3 QUADRO TEÓRICO ................................................................................................ 6

4 MÉTODO .................................................................................................................. 9

5 CRONOGRAMA .................................................................................................... 10

6 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA ........................................................................... 11

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1 JUSTIFICATIVA

Atualmente, a adoção por casais homoafetivos ainda é visivelmente
obstaculizada pelo preconceito. Nesse ínterim, a discriminação em relação aos
pares homossexuais se deve principalmente com base nos preceitos tradicionais do
instituto familiar, entretanto nota-se que a evolução social indica cada vez mais esse
tipo de situação, levando em consideração principalmente os interesses do menor.
No mesma corrente, assim se manifesta a doutrinadora Maria Berenice Dias:

Há que reconhecer a coragem de ousar quando se ultrapassam os
tabus que rondam o tema da sexualidade e se rompe o preconceito
que persegue as entidades familiares homoafetivas. Houve um
verdadeiro enfrentamento a toda uma cultura conservadora e uma
oposição à jurisprudência ainda apegada a um conceito sacralizado
de família. Essa nova orientação mostra que o Judiciário tomou
consciência de sua missão de criar o direito. Não é ignorando certos
fatos, deixando determinadas situações a descoberto do manto da
juridicidade, que se faz justiça. Condenar à invisibilidade é a forma
mais cruel de gerar injustiças e fomentar a discriminação, afastando-
se o Estado de cumprir com sua obrigação de conduzir o cidadão à
felicidade. (BERENICE DIAS, p.17)

Em que pese não tenha nenhuma disposição legal que regule a união de
pessoas homossexuais, é cediço que o Supremo Tribunal Federal, por meio do
julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4277, reconheceram a
licitude de união estável homoafetiva.
Na mesma medida, não há qualquer norma que verse a respeito da adoção
por casais homoafetivos, à medida que o tema fica amparado pelo entendimento
jurisprudencial e doutrinário, ressaltando que legislação alguma proíbe a adoção.
É fundamental a adoção por casais homoafetivos com base nos interesses
do menor, já que haverá um aumento significativo de adoções, questão que retira
crianças das ruas, orfanatos, etc, e lhes proporciona uma educação de maior
qualidade. Obviamente a constatação para a capacidade do casal para adotar será
avaliada.

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2 Objetivo Geral

Analisar a possibilidade da realização de adoção por casais homoafetivos,
em razão de ausência de proibição legal, com base nos princípios fundamentais
constante na constituição e, principalmente, no interesse do menor.

2.1 Objetivos específicos

a) Identificar e conceituar os princípios constitucionais norteadores do Direito
de Família.
b) Demonstrar o reconhecimento jurisprudencial e doutrinário da
possibilidade de união entre pessoas do mesmo sexo
c) Expor os requisitos legais para a adoção.
d) Analisar as características que cercam a adoção por casais homoafetivos,
com a finalidade de investigar a possibilidade de um par homossexual
suprir as necessidades afetivas, emocionais e financeiras na mesma
medida dos casais heterossexuais e sem detrimento do interesse do
menor.
e) Efetuar um paralelo com outros ramos do direito, especialmente a
Psicologia Jurídica, com o fim de constatar se as condições que serão
proporcionadas a criança será condizentes com a tutela asseguradas aos
menores.

















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3 QUADRO TEÓRICO

A Constituição Federal de 1988 assim normatizou em seu art. 226, §3º:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do
Estado.
(...)
§ 3º. Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união
estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a
lei facilitar sua conversão em casamento.
(...) (BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil, 1988).

No mesmo sentido o art. 1723, caput do Código Civil:

Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável
entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública,
contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição
de família. (BRASIL, Lei nº 10.406 de Janeiro de 2002, 2002).

Desta forma, a carta constitucional equiparou a união estável entre o homem
e mulher ao casamento formal, com a finalidade de proteção familiar por parte do
Estado.
Adiante, em que pese seja taxativo o rol exposto na disposição supra, ou
seja, a formação de união estável se configura apenas por pessoas de sexos
diferentes, o Supremo Tribunal Federal, mediante o julgamento da ADI nº 4277,
confirmou que o entendimento deve ser abrangido a casais homossexuais, sob a
pena de interpretação discriminatória do art. 1723, caput do CC, consoante se
demonstra por parte do julgado:

Ante a possibilidade de interpretação em sentido preconceituoso ou
discriminatório do art. 1.723 do Código Civil, não resolúvel à luz dele
próprio, faz-se necessária a utilização da técnica de interpretação
conforme à Constituição”. Isso para excluir do dispositivo em causa
qualquer significado que impeça o reconhecimento da união
contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como
família. Reconhecimento que é de ser feito segundo as mesmas
regras e com as mesmas consequências da união estável
heteroafetiva. (BRASIL, Supremo Tribunal Federal, ADI 4277, Relator
Ayres Brito, 2011).

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Assim, notório demonstra-se a equiparação dos casais heteroafetivos e
homoafetivos para os fins legais, questão está ratificada jurisprudencialmente pelo
Supremo Tribunal Federal.
Em outro norte, o §2º do artigo 42 do Estatuto da Criança e do Adolescente
(ECA) assim dispõe: “Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam
casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da
família”.
A uniformidade gerada pela decisão do STF suscitou se a equiparação se
estenderia aos casais homoafetivos no que cerne a adoção de criança, levando em
consideração que a norma não veda esta possibilidade nos parágrafos incluídos
junto ao artigo 42 do ECA.
No melhor entendimento doutrinário, tem-se:

Em suma, deve ficar claro que estes autores não veem problemas
quanto à possibilidade de adoção homoafetiva, na linha das ações
interdisciplinares aqui expostas. Ademais, conforme os julgados
recentes transcritos, a tendência é o seu pleno deferimento.
(TARTUCE; SIMÃO, 2012 p. 377)

Cabe expor que o instituto da filiação não está restrita apenas ao vínculo
entre seres humanos biologicamente interligados, já que o art. 227, §6º da
Constituição Federal determina que os filhos podem ser originários de adoção.
A união homossexual é uma atração afetiva, social, sexual e etc, de duas
pessoas que possuem o mesmo sexo, assim, se tratando de uma relação presente
em nossa sociedade, que deverão, portanto, gerar efeitos legais, considerando que
é o direito que acompanha as relações sociais.
Nesse sentido, é claro que a Constituição Federal busca efetivamente a
proteção da criança e do adolescente, à medida que à adoção deve se levar em
consideração principalmente, além do direito exercido pelo adotante, o
desenvolvimento social, moral, intelectual, educacional, etc., do adotado.
O artigo 227, caput da CF assim dispõe, após a modificação dada pela
Emenda Constitucional nº 65 de 2010:

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à
criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o
direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à
profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
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convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de
toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão. (BRASIL, Constituição da República
Federativa do Brasil, 1988).

A adoção homoafetiva busca assegurar o direito das crianças e dos
adolescentes, já que não há qualquer impedimento que obste esta questão.
Para arrematar, segue o entendimento de:

Temos, no Brasil, cerca de 200 mil crianças em abrigos e orfanatos.
A esmagadora maioria delas permanecerá nesses espaços de
mortificação e desamor até completarem 18 anos porque estão fora
da fixa de adoção provável. Tudo o que essas crianças esperam e
sonham é o direito de terem uma família no interior das quais sejam
amadas e respeitadas. Graças ao preconceito e a tudo aquilo que ele
oferece de violência e intolerância, entretanto, essas crianças não
poderão, em regra, ser adotadas por casais homossexuais. Alguém
poderia dizer por quê? Será possível que a estupidez histórica
construída escrupulosamente por séculos de moral lusitana seja forte
o suficiente para dizer: -- “Sim, é preferível que essas crianças não
tenham qualquer família a serem adotadas por casais
homossexuais? (ROLIM, 2002 p.1)

Portanto, observa-se que a adoção por homossexuais é um tema de
abrangente discussão, em razão, principalmente, da ausência de previsão legal. A
despeito de deve ser considerado que a relação homossexual possui como base a
afetividade, questão que gera uma cognição considerando os princípios
fundamentais da Constituição Federal especialmente o da proteção integral da
criança e do adolescente.











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4 Método

O estudo metodológico procederá por meio de pesquisas e estudos
doutrinárias, legislativas e jurisprudenciais com o fim de levantar dados bibliográficos
que amparem a dissertação, sendo a análise dos materiais realizadas com base no
método hipotético dedutivo.
Desta forma, a primeira etapa se pautará na colheita de documentos que
abordem o tema, à medida que estes serão analisados em um segundo planos para
serem utilizados para a textualização do trabalho de conclusão de concurso.
Por fim, após o levantamento bibliográfico e análise integral de todos os
dados obtidos, será efetuada a última etapa, qual seja a esquematização e
textualização do trabalho.
































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5 Cronograma

1 2 3 4 5 6
Revisão de
literatura
x x x
Levantamento
de dados
x
Redação do
trabalho final
x
Defesa em
banca
x

































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6 REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

TARTUCE, Flávio; SIMÃO, José Fernando. Direito Civil: Direito de Família. Rio
de Janeiro: Método, 2012.

VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil: Direito de Família. São Paulo: Atlas,
2006.

DIAS, Maria Berenice. A família homoafetiva e seus direitos. Revista do
Advogado, São Paulo, Editora AASP, ano XVII, maio 2007.

DIAS, Maria Berenice. A família homoafetiva. Disponível em:
http://www.mariaberenice.com.br/uploads/44_-_a_fam%EDlia_homoafetiva.
Acesso em 11 Jun 2014.

ROLIM, Marcos. Casais homossexuais e adoção. Crônica a respeito da decisão
judicial da guarda do filho de Cássia Eller. Disponível em:
www.rolim.com.br/cronic162.html. Acesso em 13 jun 2014.

BRASIL. Supremo Tribunal de Justiça. Ação direta de Inconstitucionalidade
4277 DF, do Tribunal Pleno, 13 de outubro de 2011. Disponível em:
http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?incidente=11872
. Acesso em: 16 Jun 2014.

Brasil. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de
1988. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 13
de Jun 2014.

BRASIL. Lei nº 10.406 de 10 de Janeiro de 2002: Código Civil. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm. Acesso em: 11 de Jun
2014.