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I Jornada Científica de

Ferramentas de Gestão Ambiental para
Competitividade e Sustentabilidade
JCGA 2009
“Os desafios da incorporação da gestão ambiental e social em
organizações empresariais”
IFRN – Miniauditório
Natal-RN, 25 a 27 de novembro de 2009
Anais


DESCRIÇÃO/OBJETIVOS

O tema sustentabilidade empresarial é inovador e ainda pouco explorado no
Brasil e no mundo. Destaca-se que, o conceito desenvolvimento sustentável foi
apresentado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente, em 1987, durante
a Assembléia Geral das Nações Unidas, através do Documento Relatório
Nosso Futuro Comum. Este modelo de desenvolvimento foi definido através
deste relatório como o desenvolvimento que preenche as necessidades do
presente, sem comprometer a habilidade das gerações futuras de preencherem
suas próprias necessidades. O conceito de desenvolvimento sustentável, em
função de sua abrangência, pode ser aplicado a diferentes segmentos da
sociedade moderna. Ele denota interdisciplinaridade, na medida que trabalha
com a sinergia das três macro dimensões que compõem o chamado triple
bottom line, ou seja, aspectos ambientais, sociais e econômicos. A inclusão do
conceito de desenvolvimento sustentável no mundo corporativo foi definida
pelo World Business Council for Sustainable Development - WBCSD, como o
alcance do equilíbrio entre as três dimensões que balizam a sustentabilidade –
economia (diferencial competitivo); meio ambiente (ecoeficiencia das
operações) e a sociedade (responsabilidade social). A sustentabilidade
empresarial deve incluir “entre seus objetivos, o cuidado com o meio ambiente,
o bem-estar das partes interessadas e a constante melhoria da sua própria
reputação”.
Devido a grandes pressões seja da mídia, do governo (através de seus
mecanismos de controle e coerção) ou mesmo do mercado consumidor, a
questão ambiental e social começa a cada vez mais tornar parte das decisões
empresariais. Entretanto, ainda há um considerável desconhecimento de quais
ferramentas de gestão podem ser utilizadas para se obter ganhos de
competitividade. Ainda, poucos são aqueles profissionais e tomadores de
decisão que, mesmo conhecendo tais ferramentas, não se sentem seguros em
saber qual o momento mais adequado e de que forma tais ferramentas podem
ser implementadas sem que haja uma perturbação no ambiente corporativo.
Desta forma, a I Jornada Científica sobre Ferramentas de Gestão Ambiental
para Competitividade e Sustentabilidade (JFGA 2009), evento científico
pioneiro no Estado do Rio Grande do Norte pretendem estimular a divulgação
de pesquisas científicas sobre ferramentas de gestão ambiental e social
voltadas para alavancagem de competitividade e sustentabilidade em
organizações privadas e públicas.
O evento visa ainda, disseminar práticas de sustentabilidade empresarial;
aproximar o conhecimento acadêmico da experiência corporativa e aprofundar
a discussão das ferramentas de gestão ambiental nos negócios corporativos.


COMITÊ ORGANIZADOR / REALIZAÇÃO

- Prof. Handson Claudio Dias Pimenta (IFRN / NESE) - handson@cefetrn.br
- Prof. Renato Samuel Barbosa (IFRN / NESE / TGIS) - renato@cefetrn.br
- Profa. Dyanna Karla Pinheiro Tavares (SENAI / NESE) - dyanna@rn.senai.br







COMITÊ DE APOIO ORGANIZACIONAL E LOGÍSTICO

- Prof. Luis Antonio Soares de Araújo (Departamento de Interação com a
Sociedade do IFRN)
- Maria Soares de Macedo (Departamento de Interação com a Sociedade do
IFRN)
- Leísia Galvão de Azevedo Costa (Departamento de Interação com a
Sociedade do IFRN)
- Prof. José Yvan Pereira Leite (Pró-reitoria de Pesquisa do IFRN)
- Paulo Pereira da Silva (Pró-reitoria de Pesquisa do IFRN)
- Prof. Ricardo Alexsandro de M. Valentim (Diretoria de Pesquisa e Inovação do
Campus Central do IFRN)
- André Luis Firmino de Brito Barros (Diretoria de Educação e Tecnologia de
Recursos Naturais do IFRN)
- Tânia Carvalho (Coordenação de Comunicação Social do IFRN)
- Adriana Figueiredo da Silva (Estudante do Curso Superior de Tecnologia em
Gestão Ambiental do IFRN – CSTGA)
- Ana Kalina da Silva Costa (Estudante do CSTGA do IFRN)
- Bruna Barreto Lourenço (Estudante do CSTGA do IFRN)
- José Rinaldo Fernandes Júnior (Estudante do CSTGA do IFRN)
- Larisse Santos Cabral de Oliveira (Estudante do CSTGA do IFRN)
- Thatiana Cristina Pereira de Macedo (Estudante do CSTGA do IFRN)



COMITÊ AVALIADOR/CIENTÍFICO


- Pesquisadora Adriana Margarida Zanbotto Ramalho (UFRN)
- Prof. Andre Luis Calado de Araujo (IFRN)
- Profa. Anna Paula Lima Costa (IFRN)
- Prof. Aristides Felipe Santiago Junior (IFRN)
- Profa. Ciliana Regina Colombo (UFRN)
- Profa. Cláudia Reges Gomes Tavares (IFRN)
- Prof. Eder Junior Cruz de Souza (IFAL)
- Profa. Erika A. da Cunha Pegado (IFRN)
- Profa. Erineide da Costa e Silva (IFRN)
- Profa. Fabiola Gomes de Carvalho (IFRN)
- Profa. Gerda Lúcia Pinheiro Camelo (IFRN)
- Prof. Jailton Barbosa dos Santos (IFRN)
- Prof. Júlio Justino de Araújo (IFRN)
- Prof. Leão Xavier da Costa neto (IFRN)
- Profa. Leci Martins Menezes Reis (IFRN)
- Pesquisadora Lúcia de Fátima Lúcio Gomes da Costa (UFRN)
- Prof. Marco Antonio Calazans Duarte (IFRN)
- Prof. Mário Tavares de Oliveira Cavalcanti Neto (IFRN)
- Profa. Marli de Fátima Ferraz da Silva Tacconi (IFRN)
- Prof. Maurício Façanha Pinheiro (IFRN)
- Prof. Mauro Froes (IFRN)
- Prof. Reidson Pereira Gouvinhas (UFRN)
- Prof. Renato Alencar (IFRN)
- Profa. Rose Mary Rosa de Lima (FAP)
- Profa. Rosiney Araújo Martins (IFRN)
- Profa. Vanda Maria Saraiva (IFRN)
- Prof. Vicente Rodolfo Santos Cezar (IFAL)

















GESTÃO DE RESÍDUOS
SÓLIDOS













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Lixo eletrônico e as perspectivas de uma sociedade de consumo: um
estudo exploratório na cidade de Natal-RN

Lorena Albuquerque Adriano da Silva (IFRN) lore_laas@hotmail.com
Kátia Regina Brandão de Miranda (IFRN) krdocinho@hotmail.com
Sabrina Silva de Araújo (IFRN) ssa_brina@hotmail.com
Adriana de Morais Soares (IFRN) adrianamoraiss@hotmail.com

RESUMO
O processo da industrialização e urbanização modificou a demanda de lixo produzido, de
forma que as diversas regiões do mundo tiveram de se adaptar à nova realidade em que a
produção de novos produtos e a conseqüente inovação e descartabilidade de materiais e
alimentos geravam uma grande quantidade de lixo orgânico e inorgânico. Dentre os resíduos
sólidos gerados, há um tipo específico que requer atenção especial. Os resíduos de
Equipamentos Eletro e Eletrônicos (EEE). Assim, o presente estudo teve como propósito
analisar o conhecimento dos consumidores da cidade de Natal-RN à respeito da problemática
do lixo eletrônico, bem como a disponibilidade de informações fornecidas.Foi aplicado um
questionário, no mês de outubro de 2009, com uma amostra de 100 pessoas. Ao final do
estudo pode-se notar que boa parte da população (88%) sente necessidade de maiores
informações, de modo que apenas 83% conhecem pontos de coleta de lixo eletrônico.
PALAVRAS-CHAVE: lixo eletrônico, consumidor, impactos.

1 INTRODUÇÃO
A dinâmica populacional imposta pelo processo da urbanização e industrialização trouxe à
tona uma demanda de lixo produzido diferente da capacidade de suporte das cidades pré-
industrializadas. Assim, as diversas regiões do mundo tiveram de se adaptar à nova realidade
em que a produção de novos produtos e a conseqüente inovação e descartabilidade de
materiais e alimentos geravam uma grande quantidade de lixo orgânico e inorgânico.
Diante desta realidade, a geração de resíduos nos centros urbanos representa uma grande
preocupação para as instituições e governos, trazem inúmeros transtornos para a população e
demandam cada vez mais espaço e recursos para seu tratamento e destinação final, no Brasil.
Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) realizada pelo IBGE, no
ano 2000 foram produzidos 149 mil toneladas de resíduos, o que corresponde há uma geração
de 0,88 kg/dia por habitante.
Dentre os resíduos sólidos gerados, há um tipo específico que requer atenção especial. Os
resíduos de Equipamentos Eletro e Eletrônicos (EEE). Por outro lado o aumento na produção
também representa aumento na demanda de matérias primas e no consumo de recursos
naturais o que pode levar a extrapolação dos limites ecológicos caso os recursos sejam
explorados de forma não sustentável.
No Brasil, atualmente, não existem sistemas adequados para a coleta ou tratamento dos
resíduos de EEE. No Brasil há uma breve declaração de como tratar os resíduos de EEE, no



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Projeto de Lei PL nº 4.344/98 que dispõe sobre a coleta e disposição final de baterias usadas
de telefones celulares e da outras providencias, há também a Resolução 257 do CONAMA,
que trata do mesmo tema.
Diante da posição consumista da sociedade contemporânea e da contínua inovação
tecnológica das empresas, o lixo eletrônico surge como um obstáculo ao desenvolvimento
sustentável e posiciona a sociedade frente à necessidade da sensibilização ambiental no que
diz respeito ao consumo de aparelhos eletro-eletrônicos e sua destinação final.
Assim, o presente estudo teve como propósito analisar o conhecimento dos consumidores da
cidade de Natal-RN à respeito da problemática do lixo eletrônico, bem como a
disponibilidade de informações fornecidas a respeito de pontos de coleta e reciclagem.
Visando assim, construir alicerces para a instauração de políticas públicas adequadas para a
coleta e reciclagem do lixo eletrônico, sem esquecer a participação da sociedade na questão
da sensibilização ambiental.

2 METODOLOGIA
Os procedimentos metodológicos empregados basearam-se em uma pesquisa empírica
realizada em artigos, livros e sites informativos; fornecendo assim os pilares para a construção
da pesquisa.
Em relação aos procedimentos técnicos utilizou-se o estudo de caso através de um
questionário aplicado em diversos pontos da cidade voltado aos consumidores da cidade de
Natal (Rio Grande do Norte).
O questionário foi estruturado com perguntas fechadas contemplando a temática do lixo
eletrônico e o perfil sócio-econômico do respondente. As questões específicas envolveram o
nível de conhecimento, nível de busca por informações de descarte do lixo eletrônico e a
necessidade de mais informações a respeito. Em relação ao perfil socioeconômico, as
variáveis contempladas foram: sexo, idade, nível de instrução e renda mensal.
A entrevista e o questionário foram aplicados durante o mês de outubro do ano de 2009, sendo
o questionário realizado em horários alternados (matutino e vespertino), tendo uma amostra
de 100 pessoas.

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
3.1 Lixo eletrônico e sociedade consumista
A sociedade contemporânea adquire produtos eletro-eletrônicos com extrema facilidade e
rapidez, incorporando imediatamente ao seu ritmo de vida novos produtos com tecnologia
avançada e utilidade diversificada. A mesma rapidez com que se adquirem produtos se
descartam e assim são produzidos grandes volumes de tecnologia obsoleta em comunidades
desenvolvidas e subdesenvolvidas, tornando-se inviável sua absorção e incorporação pelo
meio ambiente, sem que haja danos ambientais irreversíveis.
Diante da nova “moda tecnológica”, jovens e adultos são agentes ativos responsáveis pelos
amontoados de televisores, celulares e diversos outros produtos que se acumulam em locais
inapropriados formando gigantescos “cemitérios tecnológicos”. Sem destino apropriado, o
lixo eletrônico apenas acumula e por conseqüência afeta toda a diversidade biológica em sua
volta. A questão se torna mais grave graças à presença de substâncias tóxicas não
biodegradáveis na maioria dos produtos que constituem o lixo eletrônico (FAVERA, 2008).



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Define-se então, como lixo eletrônico ou lixo tecnológico, de acordo como a Lei nº
8.876/2008, do Estado do Mato Grosso:
“Entende-se como lixo tecnológico os equipamentos de informática obsoletos,
danificados e outros que contenham resíduos ou sobras de dispositivos
eletroeletrônicos que são descartadas, fora de uso ou obsoletos, que possam ser
reaproveitados ou ainda que contenha integrada em sua estrutura, elementos
químicos nocivos ao meio ambiente e ao ser humano, mas passíveis de serem
reciclados”.
Assim, produtos como celulares, computadores, máquinas fotográficas, rádios, televisores,
eletrodomésticos, lâmpadas fluorescentes e outros, podem ser considerados como eletro-
eletrônicos com grande potencial de se transformar em sucata eletrônica. Outras
denominações podem ser atribuídas, como por exemplo, e-lixo.
Para se ter uma idéia do consumo desses eletro-eletrônicos, em países desenvolvidos as
pessoas passam cada vez menos tempo com os aparelhos adquiridos. O tempo médio para
troca dos celulares (que já são mais de 102 milhões em uso no nosso país) é de menos de dois
anos. Já os computadores, cuja base instalada é estimada em 33 milhões, são substituídos a
cada quatro anos nas empresas e a cada cinco anos pelos usuários domésticos (MOREIRA,
2007). Este fato realça a descartabilidade dos aparelhos produzidos, de modo que os
consumidores preferem obter um novo aparelho a ter de reparar pequenos defeitos, custo esse
que pode vir a ser superior ao de um novo equipamento.
Em relação à crescente produção de lixo eletrônico no mundo, Doyle (2007) afirma:
“Os detritos elétricos e eletrônicos estão entre as categorias de lixo de mais alto
crescimento no mundo, e em breve devem atingir a marca dos 40 milhões de
toneladas anuais, o suficiente para encher uma fileira de caminhões de lixo
que se estenderia por metade do planeta.”
Além da necessidade de se obter novos aparelhos, a sociedade moderna se depara com a
fragilidade e curto tempo de vida dos equipamentos produzidos. Hoje se pode dizer que
televisores e celulares, por exemplo, são descartáveis devido à sua propensão a defeitos em
um curto prazo de tempo. Sendo assim, o avanço da tecnologia não permite que certo
aparelho permaneça por muito tempo no mercado, dificultando o conserto de alguns aparelhos
que saíram de linha e contribuindo para o armazenamento e descarte de produtos que ainda
poderiam ter utilidade para seus usuários. Assim, percebe-se que três fatores contribuem para
o crescimento de lixo eletrônico no mundo: o avanço da tecnologia, a fragilidade dos
aparelhos e o consumismo da sociedade.

3.2 Impactos do lixo eletrônico
O resíduo descartado que é classificado como lixo eletrônico tem um potencial poluidor
diferenciado dos resíduos sólidos comuns, principalmente pela sua composição química que
normalmente contem muitas substancias tóxicas, o que pode acarretar sérios impactos
ambientais se o descarte desses materiais não for feito de maneira adequada.
Os impactos com maior custo ambiental provocados pelo lixo eletrônico se devem
principalmente a contaminação pelos metais pesados contidos na composição desses
aparelhos (Mercúrio, Cádmio, Arsênico e etc), que além de poderem causar um grande dano à
saúde humana contribuindo para a manifestação de inúmeras patologias, podem causar
poluição no solo, aquática e até mesmo poluição atmosférica. Isso tudo mostra o perigo



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eminente no descarte desse tipo de lixo, pois se o descarte não for adequado pode provocar
tanto danos ao meio ambiente, quanto à saúde humana.

3.2.1 Aparelhos eletro-eletrônicos e seus elementos
Na definição de lixo eletrônico cabem vários tipos de produto, como pilhas baterias,
computadores, eletrodomésticos e etc. cada um deles possui uma composição química
diferente que apresenta um potencial poluidor distinto, alguns exemplos mais comuns são:
PILHAS E BATERIAS: As pilhas e baterias apresentam inúmeros compostos químicos,
porém dentre eles os que mais apresentam riscos são o cádmio e o mercúrio que se encontram
em maior quantidade em sua composição. Nos dias de hoje, as grandes empresas têm uma
preocupação maior com a dosagem desse tipo de material em virtude das novas legislações
vigentes como por exemplo a CONAMA 257.
COMPUTADOR: Os computadores são os campeões em variedade de elementos químicos
perigosos dentre os vários componentes incluídos podemos destacar principalmente grandes
quantidades de chumbo, berílio, mercúrio e cádmio. Curiosamente nem de resíduos perigosos
são feitos os computadores, no hardware é possível encontrar uma gama de metais com
grande valor de mercado como cobre, prata e até mesmo ouro que com uma reciclagem
correta podem ser extraídos e reaproveitados.
CELULARES: Os celulares que estão cada dia mais descartáveis, também apresentam em sua
composição elementos tóxicos que preocupam principalmente pela alta quantidade, os mais
relevantes são o chumbo e o arsênico que é altamente tóxico principalmente para a saúde
humana.
TV’S E MONITORES DE TELA PLANA: Na fabricação de telas planas e de LCD também
são usados componentes potencialmente tóxicos como, por exemplo, uma quantidade
significativa de mercúrio e PVC. Porem como acontece nos computadores também é possível
encontrar materiais reaproveitáveis como, por exemplo, o elemento índio que ultimamente
teve sua cotação aumentada de forma considerável.

3.2.2 Impactos ambientais
Em termos ambientais o prejuízo causado pelo lixo eletrônico é bem significativo, segundo
Cremonesi (2007), os efeitos mais sérios da contaminação ambiental são: a bioacumulação
pelos organismos vivos, a capacidade da fauna e flora de concentrarem metais em níveis
milhares de vezes maiores que os presentes no meio ambiente e o alcance em todos os níveis
tróficos. Todos esses impactos são conseqüência da contaminação do meio provocada pelas
substancias tóxicas liberadas, sendo ela na água, no solo ou no ar.
– Poluição do solo: o solo é atingido pela contaminação quando o lixo eletrônico é disposto de
forma indevida em aterros e lixões, quando isso acontece, pode haver um vazamento de
produtos químicos se infiltrando no solo e lençóis freáticos, o mercúrio, por exemplo, se
infiltra quando os produtos que são compostos por ele são destruídos, já o PBDE e o cádmio
ao serem depositados já possuem grandes chances de se infiltrarem também (MACOHIN,
2007).
– Poluição da água: além da contaminação dos lençóis freáticos, provocada pela lixiviação
dos poluentes através do solo, a água também pode ser contaminada através da disposição



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direta dos resíduos nas proximidades de algum corpo d’água, ocasionando uma poluição
direta e possíveis danos aos ecossistemas marinhos e terrestres que venham a fazer uso dessa
água contaminada (fauna e flora ribeirinhas).
– Poluição do ar: o meio atmosférico é contaminado tanto de forma direta como indiretamente
pelo lixo eletrônico, a contaminação direta acontece quando materiais particulados são
liberados pelos aparelhos ou substâncias gasosas (os temidos CFC’S, por exemplo), já a
indireta ocorre quando esse tipo de material é incinerado, segundo Macohin quando é
incinerado um componente eletrônico, não se está apenas queimando um tipo de elemento
químico e sim vários, o que acaba tornando a incineração perigosa.

3.2.3 Danos à saúde humana
As contaminações sofridas pelo meio ambiente resultam, além dos danos a fauna e flora,
danos diretos a saúde humana, pois cada elemento tóxico jogado no meio ambiente representa
um malefício especifico ao bem estar das pessoas. Abaixo, a tabela 1 representa os
componentes e seus efeitos na saúde:














Tabela 1 – Componentes químicos e seus efeitos na saúde humana
Fonte: FAVERA, 2008

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Perfil dos entrevistados
A amostra de pessoas entrevistadas consta de 100 pessoas, sendo que destas 68% são do sexo
feminino e 32% são do sexo masculino. Em termos de faixa etária a maior concentração ficou



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entre pessoas com idade entre 15 a 25 anos (59%) e entre 26 a 35 anos (16%), mostrando os
dados bem concentrados, visto que quase 60% da amostra é bastante jovem (gr.












Gráfico 1 – Gênero da amostra

4.2 Conduta frente ao lixo eletrônico
Quando realizadas perguntas específicas sobre o lixo eletrônico, os dados obtidos foram que
64% dos entrevistados dizem ter conhecimento sobre a problemática do lixo eletrônico,
enquanto 36% afirmam que desconhece o problema. Apesar de a maioria afirmar ter
conhecimento, uma parcela significativa de 83% não conhece nenhum ponto de coleta de lixo
eletrônico em Natal ( gráfico 2). Como conseqüência da falta de conhecimento de pontos de
coleta, 58% afirmaram ter em casa um eletro-eletrônico sem uso apenas esperando um destino
adequado (gráfico 3).















Nos últimos 6 meses 41% diz ter descartado algum aparelho e no momento de dar um destino
36% vêem como melhor opção a doação, 34% deixam em casa e 29% destina ao lixo comum
(gráfico 4). Esses resultados expressam bem a falta de informação do natalense quanto ao
problema do destino final, visto que alguns que doam os eletro-eletrônicos têm o objetivo de
se desfazer do problema e repassá-lo à outra pessoa, enquanto outros podem estar
contribuindo de maneira significativa para a inclusão digital na cidade. Esses dados podem se
relacionar com o nível de instrução da amostra (gráfico 5), visto que boa parte se concentra
em ensino médio completo (30%), ensino superior incompleto (37%) e ensino superior
Gráfico 2 – Conhecimento de ponto de coleta Gráfico 3 – Pessoas que possuem eletro-
eletrônicos em casa, sem uso.



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completo (15%) . Assim, os 60% (doação mais armazenamento) podem ser explicados pela
parcela que tem um entendimento razoável dos problemas ambientais acarretados pelo lixo
eletrônico.













Em relação ao motivo de compra de um novo aparelho, 56% só o fazem quando o aparelho
antigo não funciona mais e há necessidade de um novo, enquanto 32% realizam a compra de
um novo aparelho apenas pelos novos atributos tecnológicos (gráfico 6). Este fato pode ter
relação com a renda familiar da amostra que se concentra em torno de até 03 salários mínimos
(35%) e de 04 a 06 salários mínimos (30%). Entre os entrevistados, 82% afirmam ter
computador em casa e a maioria de 47,6% diz que o tempo de vida do seu computador chega
a atingir 5 anos, mas uma parcela ainda significativa de 31,7% diz que o computador não
chega a atingir mais que 2 anos (gráfico 7). Observou-se que apesar de a maioria ter
conhecimento sobre a problemática do lixo eletrônico, apenas 34,1% da amostra costuma
reutilizar as peças do seu computador.











Tendo em vista o perfil dos entrevistados (pessoas mais jovens com um grau de escolaridade
avançado), podemos perceber que a situação sobre o descarte de materiais eletro-eletrônicos é
precária, a falta de informação e serviço ao consumidor dos eletrônicos é gritante, já que uma
maioria esmagadora dos entrevistados (88%) sente carência nos informes sobre o descarte do
resíduo, acompanhada de uma outra maioria (83%) que não tem conhecimento algum sobre
pontos de coleta do lixo na própria cidade em que vivem. Destinos alternativos até são feitos
(armazenamento e doação), mas uma parcela significativa da população entrevistada (quase
um terço) despeja o lixo eletrônico junto com o lixo comum sem qualquer noção do perigo
Gráfico 4 – Destino de lixo eletro-eletrônico
Gráfico 5 – Nível de instrução da amostra.
Gráfico 6 – Motivo de compra
Gráfico 7 – tempo médio de vida útil dos
computadores



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eminente que o resíduo apresenta. Essa necessidade de informação se torna cada vez mais
necessária, tendo em vista a crescente inclusão digital, que pode ser notada nas respostas do
questionário, onde a grande maioria dos entrevistados possui computador em casa (82%).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O lixo eletrônico é um tipo específico de resíduo com alto potencial poluidor que se mal
gerenciado e tratado pode ocasionar diversos problemas desde ambientais até relacionados à
saúde humana. Assim, é de extrema importância a participação da sociedade na cobrança de
políticas públicas eficientes, bem como na participação ativa através da minimização de
geração deste tipo de resíduo.

Deste modo, o presente estudo teve como objetivo analisar o conhecimento de consumidores
e empresas, identificando assim que a população se mostra carente de informação e de
serviços oferecidos ao gerenciamento desse tipo de resíduo, dando os mais variados fins ao
lixo por falta de destinação correta.
Outro problema apontado foi o crescente consumismo dos aparelhos eletrônicos em passos
largos junto com a tecnologia, aumentando ainda mais a quantidade de resíduo produzido e a
dificuldade em se dar um destino adequado, fato comprovado pela pesquisa em que 83% não
conhece nenhum ponto de coleta na cidade e 88% desta amostra sente a real necessidade de
mais informações.
É claro e evidente que nossa visão de “lixo” precisa evoluir. É preciso um olhar clinico e uma
visão critica apurada para definir o que realmente não tem mais utilidade para o homem ou
possibilidade de retorno ao ciclo produtivo. A Reciclagem, o Reuso e a Remanufatura se
mostram técnicas viáveis e eficientes, capazes de gerar um incremento de bilhões na
economia e criar milhares de empregos. Além de proporcionar o reaproveitamento de
produtos, agregando valor aos resíduos, diminuindo a necessidade de matérias primas e
protegendo nossos recursos.
Essas alternativas são economicamente mais baratas do que depositar os resíduos de EEE em
aterros sanitários ou incinerá-los. Aumentando a quantidade de resíduos reciclados,
diminuiremos a quantidade de resíduos que terão que ser depositados em aterro, o que por sua
vez, aumentará a sua vida útil, diminuindo também a quantidade de recursos financeiros para
o gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos, levando o consumidor a pagar menos taxa de
lixo e as populações poderão até mesmo ver sua qualidade de vida melhorada.

6 REFERÊNCIAS
CREMONESI, Flavia; GUIMARÃES, Ricardo. Abrindo a caixa preta. Disponível em:
http://www.slideshare.net/andrebenedito/impacto-ambiental-do-lixo-eletroeletrnico. Acessado em: 17
de outubro de 2009
DOYLE, A. Nova aliança para combater as montanhas de lixo eletrônico. Reuters, 2007.
Disponível em: http://www.hsm.com.br/canais/notic. php?marcabusca =reciclagem#marcabusca .
Acessado em: 14 de outubro de 2009.
FAVERA, E.C.D. Lixo eletrônico e a Sociedade. Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Setembro, 2008.
IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 2000. Disponível em: www.ibge.com.br



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LEI N° 8.876/2008 do Estado do Mato Grosso. Disponível em:
http://www.ondacultural.ufba.br/index.php?option=com_content&view=article&id=34&Itemid=71
MACOHIN, Aline. A sustentabilidade na informática – reciclagem e eliminação dos produtos
tóxicos das peças de computadores, 2007.
MOREIRA, D. Brasil tem problema de estrutura e legislação para enfrentar lixo eletrônico.
2007.Disponível em: http://idgnow.uol.com.br/ computacao_pessoal /2007/04/26/ idgnoticia.2007-04-
25. 2669597646/.Acessado em: 14 de outubro de 2009.







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Análise do Conhecimento de Profissionais da Saúde, Estimativa nas
Cidades de Itaguatins (To) e Sítio Novo (To) Relativo aos Resíduos
Hospitalares

Antonio Moreira de Carvalho Filho

(INESPO – Imperatriz-MA)
tonifilho@professor.to.gov.br
Dany Geraldo Kramer Cavalcanti e Silva (FACISA – UFRN dgkcs@yahoo.com.br
Geraldo Barroso Cavalcanti Júnior (DACT – UFRN) gbcjunior@hotmail.com
Bianca Caroline Da Cunha Germano (INSS-RN) bccgermano@yahoo.com.br

RESUMO
O crescimento populacional tem levado a uma demanda crescente de pacientes em busca de
serviços de saúde e, conseqüentemente, a um aumento na produção de resíduos desse setor.
Refugos estes, que passaram a ser motivos de preocupação das secretárias de saúde e meio
ambiente dos municípios brasileiros, devido à suas propriedades químicas, físicas e biológicas
que podem acarretar riscos à saúde pública e ao meio ambiente. No Brasil é possível se
observar inúmeras cidades que apresentam práticas inadequadas para gestão de resíduos
hospitalares, incluso despreparo / desconhecimento dos profissionais de saúde relativo a esta
problemática. Nesta conjuntura, o presente estudo teve como objetivo avaliar o nível de
conhecimento destes profissionais referente à gestão de resíduos hospitalares em cidades da
região do Bico do Papagaio em dois hospitais locais. Sendo para tanto realizada uma pesquisa
tipo survey, exploratória e descritiva utilizando-se um questionário, estruturado no modelo
escala de likert. Observou-se que a maioria dos profissionais nas duas cidades desconhece
legislações e medidas de gerenciamentos de resíduos hospitalares. Relativo aos perfuro
cortantes, detectou-se um comportamento inadequado quanto às práticas pós-acidente,
estando predominante apenas a lavagem da lesão, embora a maioria tenham alegado recebido
treinamento para lidar com este material no último semestre. As duas áreas, resíduos
hospitalares e perfuro cortantes, podem ser tratadas em conjunto nas unidades de saúde,
através de práticas e biossegurança, utilizando-se da educação e treinamento dos profissionais
de saúde, determinação de responsabilidades, produção de leis específicas e envolvimento da
comunidade como um todo.
PALAVRAS-CHAVE: Itaguatins, Sítio Novo, Perfuro cortantes, Resíduos Hospitalares

1 INTRODUÇÃO
O crescimento populacional tem levado a uma demanda crescente de pacientes em busca de
serviços de saúde e, conseqüentemente, a um aumento na produção de resíduos desse setor.
Entre as unidades que mais sofreram esta pressão encontram-se os hospitais, os quais
inicialmente apresentavam procedimentos manuais para diagnóstico e tratamento, passaram
por intensa modernização nas últimas décadas, atuando com maior credibilidade e segurança,
bem como no atendimento cada vez mais crescente destes pacientes (WEILERT, 1994;
SILVA et al., 2003).



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Entretanto, essa demanda gera consumo e conseqüente produção de refugos, contribuindo
para ações impactantes ao meio ambiente, demandando, por exemplo, combustíveis fósseis,
energia elétrica, água, borrachas, plásticos e produtos do papel. Sendo que este setor
representa refugos de classe especial, uma vez que podem ocorrer contaminação biológica,
química ou radioativa em acordo com as atividades desenvolvidas na instituição
(CAMPONOGARA, 2008).
Refugos estes conhecidos por Resíduos do Serviço de Saúde, gerados por unidades
prestadoras de serviços de saúde, como farmácias, laboratórios, hospitais, clínicas e áreas
correlatas, apresentam grande importância por visto apresentar riscos que possa carrear
aqueles que os manipulam, pois apresentam variada natureza, sendo, contudo em sua maioria
resíduos comuns e de grande importância econômica, uma vez que os custos operacionais de
gestão do mesmo (RSS) são de responsabilidade da unidade geradora em muitas cidades do
país (IPT, 2000; WHO, 1999).
Estes resíduos apresentam crescente produção e grande preocupação junto às secretárias de
saúde e meio ambiente dos municípios brasileiros, segundo Silva et al. (2003), é devido a suas
propriedades químicas, físicas e biológicas que podem acarretar riscos à saúde pública e ao
meio ambiente, bem como, a comunidade hospitalar (os funcionários, pacientes,
manipuladores e catadores de lixo, e o público em geral), seja pela exposição direta ou
indireta.
No Brasil é possível se observar inúmeras cidades que apresentam práticas inadequadas para
gestão de resíduos hospitalares, desde a segregação até o descarte final. No Estado do
Tocantins inúmeros estudos demonstram este perfil, como citado por Carvalho et al (2005),
que observaram falhas na coleta, segregação, descarte final, desconhecimento ou despreparo
dos profissionais de saúde para lidar com esta problemática, em cidades na Região Norte do
Estado. Nesta conjuntura, o presente estudo teve como objetivo avaliar o nível de
conhecimento destes profissionais referente à gestão de resíduos hospitalares em cidades da
região do Bico do Papagaio em dois hospitais locais.

2 ESTABELICIMENTOS DE SAÚDE
A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) define estabelecimentos de saúde,
incluindo-se hospitais, sanatórios, maternidades, como todo estabelecimento onde se prática
atendimento humano ou animal, em qualquer nível, como locais para fins de prevenção,
diagnóstico, tratamento e reabilitação. Incluindo-se ainda àqueles onde são realizadas
pesquisas. Dentre estes, propõe-se neste estudo avaliar os hospitais, por serem unidades mais
complexas e representativas do universo amostral.
Um hospital pode ser definido como uma instituição complexa, onde atividades industriais
são mescladas com ciência, tecnologia e procedimentos utilizados diretamente em humanos,
com componentes sociais, culturais e educacionais, ou ainda como todos os estabelecimentos
com leitos, para internação de pacientes, que garantem um atendimento básico de diagnóstico
e tratamento, com equipe clínica organizada e com prova de admissão e assistência
permanente prestada por médicos. Além disso, considera-se a existência de serviço de
enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas, com
disponibilidade de serviços de laboratório e radiologia, serviço de cirurgia e/ou parto, bem
como registros médicos organizados para a rápida observação e acompanhamento dos casos
(OLIVEIRA, 2002).



16 | P á g i n a

No Brasil há 5178 unidades hospitalares de atendimento geral, credenciadas junto ao
Ministério da Saúde, segundo dados do DATASUS de 2008, variando em complexidade,
tamanho, categoria de gestão e localidade. Possuindo 25 municípios, a região Norte do
Tocantins também conhecida como Bico do Papagaio, possuindo 74 estabelecimentos de
saúde desta região.
Nas últimas décadas, houve um crescimento na preocupação com o estabelecimento da saúde
populacional, envolvendo o consumo de alimentos, medicamentos, produtos químicos,
equipamentos e instrumentos para o tratamento de pacientes, seja estes intra ou extra-
hospitalares, levando a uma produção de resíduos cada vez mais complexa e em maior
quantidade (PATIL, 2001). Paralelo aos estudos sobre a proteção ao meio ambiente e a
qualidade de vida.
Muitos destes, demonstrando o risco advindo dos refugos sólidos ou líquidos de vários
setores, inclusive os hospitalares gerados do tratamento de pacientes, podendo propagar
infecções pelo contato indireto ou direto através do meio ambiente entre outros riscos. No
mundo esse problema tem sido seriamente considerado, e apropriados sistemas de
gerenciamento de resíduos e programas de treinamento e conscientização profissional estão
sendo desenvolvidos e instalados (PATIL, 2001).
No Brasil e em diversos países em desenvolvimento, este setor vem recebendo maior atenção
desde o início dos anos 80, quando as autoridades de saúde despertaram para os riscos
potenciais de seus detritos, devido a sua natureza infecciosa e tóxica. Entretanto, as ações
preventivas têm-se demonstrado insuficientes, pois em muitos locais, ocorre falhas na atenção
ambiental, como descarte inadequado de resíduos, ausência de programas de conscientização
e treinamento profissional, dentre outros, que acarreta em riscos (infecciosos, químicos e
tóxicos) à saúde pública e ao meio ambiente (LEONEL, 2002).
Sujeitos a estes riscos estão os funcionários de unidades de saúde, pacientes, manipuladores e
catadores de lixo, e o público em geral (HNP, 2000), seja pela exposição direta ou indireta,
podendo sofrer efeitos carcinogênicos, mutagênicos e teratogênicos (anomalias fetais), danos
ao sistema reprodutivo, efeitos respiratórios, efeitos no sistema nervoso central e muitos
outros.

3 METODOLOGIA
A pesquisa pode ser caracterizada como exploratória e descritiva do tipo survey, o qual visa à
obtenção de dados ou informações sobre as características, ações ou opiniões de determinado
grupo de pessoas, indicado como representante de uma população alvo por meio de
instrumento de pesquisa, normalmente um questionário (FREITAS et al., 2000; GIL, 1991 e
SILVA et al., 2001).
Para se atingirem o objetivo desta pesquisa, optou-se por estudar dois hospitais de cidades na
região do Bico do Papagaio no Tocantins, variando quanto à complexidade, localização e
atividades desenvolvidas, tamanho e categoria de gestão.
As perguntas utilizadas no questionário aplicado foram do tipo ―fechada‖ (uma única resposta
entre várias opções possíveis), formuladas em um modelo do tipo ―escala de Likert‖, ou seja,
aquelas que devem ser analisadas dentro de um tipo de escala de mensuração, pois as
prioridades variam de acordo com o posicionamento do entrevistado. (CHIAMENTI, 2003).



17 | P á g i n a

O objetivo principal de se utilizar a análise descritiva e exploratória dos valores absolutos e
dos percentuais obtidos é o de apresentar a percepção dos entrevistados sobre os fatores
direcionadores de consciência ambiental, abordando na forma de tabelas e gráficos baseados
em dados da amostra coletada, considerando os vários atributos e suas dimensões.
O trabalho foi desenvolvido em duas etapas, a primeira com um levantamento e confirmação
dos dados, seguida da distribuição e posterior coleta dos questionários junto à população
estudada, totalizando-se 17 funcionários na cidade de Sítio Novo e 15 funcionários em
Itaguatins entrevistados.

4 CONTEXTO LOCAL
As duas cidades em que se desenvolveu o presente estudo localizam—se no extremo Norte do
Estado do Tocantins denomina Bico do Papagaio, sendo respectivamente:
* Itaguatins: localizada a uma latitude 05º46'08" sul e a uma longitude 47º29'00" oeste e área
territorial de 740 km
2
, apresentava em 2007 uma população estimada em 6.074 habitantes
(IBGE, 2007), sendo atendida por uma unidade de saúde constituída de 16 leitos de internação
(figura 01);
* Sítio Novo: localizada latitude 05º36'00" sul e a uma longitude 47º38'29" oeste, (figura 01)
área territorial de 340 km
2
, apresentava em 2006 uma população estimada em 9.302
habitantes, sendo atendida por uma unidade de saúde constituída de 20 leitos de internação
(IBGE, 2007).

Sítio Novo Itaguatins
Figura 01: Municípios de realização do estudo.


5 RESULTADOS E DISCUSSÕES
No presente estudo foram entrevistados 32 funcionários em duas unidades de saúde nos
municípios de Itaguatins (15) e Sítio Novo do Tocantins (17), abordando-se variáveis
inerentes à gestão de resíduos hospitalares e dados socioeconômicos.



18 | P á g i n a

Foram entrevistados funcionários em sua maioria que trabalham em instituições de saúde
como enfermeiros, enfermeiros-chefe, diretores, agentes de saúde, auxiliares de serviços
gerais, médicos. De tal forma, detecta-se vários níveis de escolaridade como ensino
fundamental até ensino superior completo. Variando assim a renda salarial de cada um: em
sua maioria de um salário mínimo até quatro salários mínimos. Relativo ao tempo de serviço
verificou-se que em Itaguatins 39% dos profissionais apresentam sete anos ou mais, enquanto
em Sítio Novo 36% no mesmo tempo de atividade (Figura 02). Neste ramo de atuação tende a
refletir maior conhecimento das atividades desenvolvidas, minimizando falhas e riscos,
incluso maior convívio com materiais perfuro cortantes e resíduos hospitalares.

7%
27%
27%
7%
32%
7%
28%
29%
7%
29%
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
1 2 3
SÍTIO NOVO ITAGUATINS
< 1 ANO
1 A 3 ANOS
4 A 6 ANOS
7 A 10 ANOS
MAIS DE 10 ANOS

Figura 02: Tempo de serviço dos profissionais de saúde.

O gerenciamento de resíduos hospitalares encontra-se falho em várias cidades do país,
sendo maior a problemática em regiões menos favorecidas como a região Norte do país.
Estando a produção na América Latina por unidade de saúde entre 1 kg a 4,5 kg/leito/dia,
variando quanto ao tipo de serviço prestado (BRITO, 2000).
Assim, buscou-se avaliar a qualidade da gestão de resíduos hospitalares nas unidades
de saúde em Itaguatins e Sítio Novo sob a ótica dos funcionários delas. Observando-se que a
maioria considera de qualidade insatisfatória, para 71% dos funcionários em Sítio Novo e
79% em Itaguatins (Figura 03).

24%
47%
29%
21%
58%
21%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
1 2 3
SITIO NOVO ITAGUATINS
BAIXA QUALIDADE
QUALIDADE REGULAR
BOA QUALIDADE

Figura 03: Qualidade da Gestão dos Resíduos Hospitalares.



19 | P á g i n a


Uma das alternativas para mitigar a problemática dos resíduos refere-se às ações de
educação ambiental junto à comunidade hospitalar, buscando-se a conscientização desta de
forma a reduzir consumo, instruir sobre procedimentos e legislações especificas, de forma a se
obter ganhos sociais, ambientais e econômicos (BRITO, 2000).
Nesta conjuntura questionou-se os entrevistados quanto à importância de ofertar
cursos voltadas à temática dos resíduos. A maioria citou como importante à oferta desses
cursos / treinamentos uma vez que poderia melhorar suas ações no processo de gestão dos
mesmos, sendo respectivamente apontado por 78% (Sítio Novo) e 79% (Itaguatins) (Figura
04).

22%
55%
23% 21%
50%
29%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
1 2 3
SÍTIO NOVO ITAGUATINS
POUCO IMPORTANTE
IMPORTANTE
MUITO IMPORTANTE

Figura 04: Nível de importância quanto à oferta de cursos sobre lixo hospitalar.

Tendo-se em vista o tempo de serviço prestado pela maioria dos entrevistados infere-se que
tenham conhecimento sobre vários aspectos ligados aos resíduos sólidos, dentre eles,
categoria, legislação especifica, riscos a saúde e práticas de segregação. Conhecimentos
importantes para um adequado gerenciamento dos refugos, com posterior acondicionamento,
armazenamento, tratamento, transporte e descarte seguro.
Quando questionados sobre algumas destas variáveis observou-se que um pequeno percentual
de entrevistados alegam conhecimento sobre legislações aplicadas aos resíduos hospitalares,
tipos de resíduos produzidos nas unidades de saúde e práticas de segregação (Figura 05).

13%
15%
19%
15%
14%
17%
0%
2%
4%
6%
8%
10%
12%
14%
16%
18%
20%
1 2 3
SÍTIO NOVO ITAGUATINS
Resíduos produzidos
Legislação
Segregação

Figura 05: Percentual de entrevistados que alegam conhecer classes, leis e práticas de segregação sobre
resíduos hospitalares.



20 | P á g i n a


Os dados anteriores foram confirmados quando se questionou o nível de conhecimento dos
entrevistados sobre resoluções no âmbito nacional em vigência atualmente, sendo elas: a RDC
N° 306 / 2004 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Dispõe sobre o Regulamento
Técnico para o gerenciamento de resíduos de serviços de saúde) e a N 358 / 2005 do Conselho
Nacional de Meio Ambiente (Dispõe sobre o tratamento e a disposição final dos resíduos dos
serviços de saúde).
A maioria dos entrevistados (Sítio Novo – 63% e Itaguatins – 72%) alegaram ter baixo
conhecimento destes aspectos legais. Sendo regulamentos importantes, pois tratam do aspecto
gerencial, tratamento e a disposição final dos resíduos dos serviços de saúde. Demonstrando-
se necessidade de treinamento destes profissionais, afim de atualização da referida temática.


38%
56%
6%
72%
28%
0%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
1 2 3
SÍTIO NOVO ITAGUATINS
BAIXO
REGULAR
BOM/ÓTIMO

Figura 06: Grau de conhecimento dos entrevistados sobre legislações aplicadas aos resíduos
hospitalares.

Quando questionados sobre a facilidade de desenvolverem um plano de gestão de resíduos
hospitalares para suas instituições, 67% (Sítio Novo) e 93% (Itaguatins), alegaram ter alguma
dificuldade para execução desta atividade (Figura 06), o que reforça os dados anteriores
quanto à importância de implantação de programas de qualificação sobre a temática.

47%
20%
33%
79%
14%
7%
0%
10%
20%
30%
40%
50%
60%
70%
80%
1 2 3
SÍTIO NOVO ITAGUATINS
DIFICIL
FACILIDADE INTERMEDIÁRIA
FÁCIL

Figura 07: Nível de dificuldade apontada pelos entrevistados para elaborar um plano de gestão de
resíduos hospitalares.



21 | P á g i n a


Quanto às práticas adequadas de segregação, acondicionamento, identificação, reciclagem ou
tratamento dos resíduos em suas unidades de saúde, a maioria dos entrevistados, em média de
70% nas duas cidades, alega não desenvolver estas atividades na sua unidade de saúde.
Podendo-se inferir que a gestão dos resíduos, sob a ótica dos dados coletados não são
adequadamente gerenciados.
Outra variável abordada na pesquisa relacionou-se aos materiais perfuro cortantes, quanto aos
que sofreram acidentes, condutas tomadas e treinamento para a manipulação destes materiais.
Uma vez que, o risco de trabalhadores da área da saúde adquirirem patógenos veiculados pelo
sangue já está bem documentado e demonstra que a Aids e a hepatite B e C, adquiridas de
maneira ocupacional, em especial por estes materiais (CANINI at al, 2002).
Relativo à ocorrência de acidentes com estes materiais observou-se, 29% em Sítio Novo e
33% em Itaguatins (Figura 08), semelhante a outros estudos, como Cabine at. al (2002), que
encontraram dentro das categorias de acidentes ocupacionais 30,40% com perfuro cortantes.


29%
33%
27%
28%
29%
30%
31%
32%
33%
Percentual de
Acidentes
1
SÍTIO NOVO
ITAGUATINS

Figura 08: Percentual de acidentes com perfuro cortantes.

Nos casos de acidentes com perfuro cortantes, as condutas pós-acidentes são essenciais para
minimizar o risco de contaminação, sendo lavagem local, notificação do acidente, busca de
centros de referência, tomar vacina ou medicação específica para HIV quando for o caso,
sendo em muitos estudos relatado que os acidentados se preocupam apenas com a lavagem
local (TEIXEIRA at al, 2008).
No presente estudo observou-se que 46% dos entrevistados (Sítio Novo) apenas lavaram o
local do ferimento, enquanto em Itaguatins 32% realizaram esta conduta (Figura 09). Dados
semelhantes aos apontados por Teixeira at al (2008), na qual 69,5% dos entrevistados
alegaram só ter lavado o local do ferimento. Embora, pôde-se observar uma busca
maior assistência especializada em Itaguatins, perfazendo 42% dos entrevistados.




22 | P á g i n a

46%
24%
18%
12%
32%
42%
18%
8%
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
40%
45%
50%
1 2 3
SÍTIO NOVO ITAGUATINS
LAVAGEM
CENTRO DE SAÚDE
VACINAS
NENHUMA

Figura 09: Condutas pós-acidente.

A incidência de acidentes dessa natureza é grande como citam Teixeira et al (2008), sendo
necessário o treinamento e conscientização dos profissionais de saúde quanto às condutas
adequadas na manipulação de perfuro cortantes, minimizando o risco de acidentes. Neste
contexto, questionou-se os entrevistados quanto à freqüência com que recebem alguma
orientação ou treinamento para lidar com estes materiais. Pelo observado na Figura 10, infere-
se que a maioria dos entrevistados nas duas cidades recebem treinamento ao menos uma vez
por semestre, fato que pode contribuir para reduzir os níveis, ainda altos de acidentes com
esses materiais.

7%
13%
35%
32%
13%
8%
15%
33%
29%
15%
0%
5%
10%
15%
20%
25%
30%
35%
1 2 3
SÍTIO NOVO ITAGUATINS
NUNCA
ANUALMENTE
SEMESTRALMENTE
MENSALMENTE
SEMANALMENTE

Figura 10: Freqüência de treinamento para manipulação de perfuro cortantes.


6 CONCLUSÕES
Tendo-se em vista as informações coletadas na cidade de Itaguatins e Sítio Novo, no Estado
do Tocantins, pode-se concluir que apesar dos funcionários apresentarem um bom tempo de
serviço em sua maioria, estes precisam passar por um programa de treinamento voltados a
gestão de resíduos sólidos e manejo de material perfuro cortantes.



23 | P á g i n a

Isto contribuiria para melhoria da gestão destes refugos e mitigação dos níveis de acidentes
com material perfuro cortante, mitigando riscos ocupacionais e ambientais nas referidas
unidades de saúde. O desconhecimento sobre as legislações ou procedimentos na
manipulação dos refugos demonstra essa necessidade.
Relativo aos perfuro cortantes, os hospitais necessitam voltar maior atenção ao problema,
buscando melhorar a notificação dos acidentes, o encaminhamento dos profissionais
trabalhadores acidentados aos centros especializados e adotar medidas para a prevenção dos
acidentes nos locais de trabalho. Isto se torna importante pois, as condutas pós-acidente não
são totalmente eficazes, sendo necessário ações educativas permanentes associadas a
campanhas de vacinação, uso de Precauções Padrão e de equipamentos de proteção individual
(EPI).
As duas áreas, resíduos hospitalares e perfuro cortantes, podem ser tratadas em conjunto nas
unidades de saúde, através de práticas e biossegurança, utilizando-se da educação e
treinamento dos profissionais de saúde, determinação de responsabilidades, produção de leis
específicas e envolvimento da comunidade como um todo.


7 REFERÊNCIAS

BRITO, M.A.G.M. - Considerações sobre resíduos sólidos de serviços saúde. Revista Eletrônica de
Enfermagem, Goiânia, v.2, n.2, jul. - dez. 2000.
CAMPONOGARA, SILVIAMAR. Um estudo de caso sobre a refletividade ecológica de
trabalhadores hospitalares. Tese, 160f. 2008. Doutorado. (Programa de Pós-Graduação em
Engenharia de Produção – Universidade Federal de Santa Catarina).
CANINI, Silvia Rita Marin da Silva; GIR, Elixir; HAYASHIDA, Miyeko e MACHADO, Alcyone
Artioli. Acidentes perfuro cortantes entre trabalhadores de enfermagem de um hospital universitário
do interior paulista. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 2002, vol. 10, no. 2, pp. 172-178.
CHIAMENTI, A. M. M. Gestão ambiental na agricultura: um estudo sobre fatores associados à
conscientização ambiental em estudantes de uma escola agrotécnica. Dissertação. (Programa de
Engenharia de Produção). Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 120p. 2003.
DATASUS – Departamento de Informática do SUS. Disponível em: http://www.datasus.gov.br.
Acessado em 12/2008.
FREITAS, H.; OLIVEIRA, M.; SACCOL, A. Z.; MOSCAROLA, J. O método da pesquisa survey.
Revista de Administração da USP. V 35, n 3, pp 105-112, 2000.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa.3. ed. São Paulo: Atlas, 1991.
HNP – Health, Nutrition and Population Discussion Paper / The World Bank. JOHANNESSEN, L.
M.; DIJKMAN, M.; BARTONE, C.; HANRAHAN, D.; BOYER, M. G.; CHANDRA, C. Health care
waste management guidance note. Washington, 2000.
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cidades - Tocantins.
2007. Disponível em: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/topwindow.htm?1. Acessado em 02/09.
IPT - Instituto de Pesquisa e Tecnologia. Manual de gerenciamento integrado de lixo municipal. 2
a

Ed. São Paulo, 2000.
LEONEL, M. Proteção ambiental: uma abordagem através da mudança organizacional relacionada
aos resíduos sólidos para qualidade em saúde. Dissertação de Mestrado, UFSC, Florianópolis, 2002,
109p.



24 | P á g i n a

OLIVEIRA, J. M. DE. Análise do Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde nos Hospitais
de Porto Alegre. Dissertação de Mestrado – UFRGS, Porto Alegre, 2002.
PATIL, A. D. AND SHEKDAR, A. V. Health-care waste management in India. Journal of
Environmental Management 63, pp 211–220, 2001.
SILVA, D. G. K. C. E; AVELINO, W. DE S.; COSTA, B. K. Responsabilidade Social e
Competitividade como Fatores Estratégicos: Um Estudo no Setor de Laboratórios de Análises
Clínicas. Revista Saúde, v 17, n 1, pp 41 – 48, 2003.
SILVA, E. L. DA. E MENEZES, E. M. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação. 3 ed.
Florianópolis: rev. atual. Laboratório de Ensino a Distância da UFSC, 2001. 121p.
TEIXEIRA, C. S.; PASTERNAK – JUNIOR, B.; SOUSA, Y. T. C. S.; CORREA SILVA, S. R.
Medidas de prevenção pré e pós-exposição a acidentes perfuro cortantes na prática odontológica. Rev.
Odonto Ciênc. 2008;23(1):10-14.
WEILERT, M. The clinical laboratory is in the information business. Clinica Chimica Acta, 224, p 1-
7, 1994.
WHO - World Health Organization. Prüss, A.; Giroult, E.; Rushbrook, P. Safe management of
wastes from health-care activities. Geneva, 1999.

25 | P á g i n a



Importância Socioambiental do Trabalho dos Catadores de Materiais
Recicláveis na Cidade do Natal

Andréia Castro de Paula Nunes (IFRN) andreiacpnunes@hotmail.com
Daniel Rodrigo de Macedo Magalhães (IFRN) danielrmm@gmail.com
Giobert Antonio Brito Lopes (IFRN) giobertgouvea@gmail.com
Luara Musse de Oliveira (IFRN) luaramusse@gmail.com
Marília de Araújo Costa Rodrigues (IFRN) marilia85@terra.com.br

RESUMO
O Brasil, não diferindo de sociedades menos desenvolvidas, apresenta como fonte de renda de
uma grande parcela da sua população a coleta informal de resíduos sólidos inorgânicos que
segundo Leite (2003) é uma das formas de coleta seletiva. Em Natal os catadores de lixo
retiravam seu sustento do antigo lixão, sem as mínimas condições para a realização de tal
trabalho. No ano de 2003, após seis anos da implementação do projeto de coleta seletiva na
cidade, foi efetuado um acordo entre a Urbana, órgão municipal responsável pela coleta do
lixo, e a ASCAMAR, associação de catadores de materiais recicláveis, realizando um
programa de coleta porta a porta. Esse programa teve como objetivo diminuir os impactos a
respeito do fechamento do lixão de Cidade Nova, oferecendo um destino adequado aos
resíduos sólidos recicláveis, prolongando a vida do novo aterro sanitário e encaminhando os
catadores do lixão para esse novo programa, implementando mudanças significativas na vida
desses trabalhadores. O objetivo deste artigo foi analisar a experiência acerca do sistema de
reciclagem implantado no município do Natal a partir do fechamento do antigo lixão da
cidade após inauguração do aterro sanitário de Ceará Mirim. Assim, foi avaliado o papel do
catador de lixo que, com a sua ação, passou a fazer parte de uma cadeia produtiva na
qualidade de fornecedor para o setor industrial, direta ou indiretamente. O trabalho em pauta
foi feito por meio de pesquisa exploratória e bibliográfica com coleta e análise de dados na
URBANA e secundários, e levantamento bibliográfico.
PALAVRAS-CHAVE:
Coleta Seletiva, catadores, reciclagem.

1 INTRODUÇÃO
A coleta informal de resíduos sólidos inorgânicos, como o papel, vidro, metal e plástico é
característica intensa de sociedades menos desenvolvidas. O Brasil, no entanto, não se difere
desta realidade; apesar de tantas conquistas sociais já alcançadas, a renda de muitos
brasileiros provém da arrecadação de resíduos tanto de lixões quanto de associações de
reciclagem que vendem os materiais coletados para indústrias que reaproveitam o material
acolhido pelos catadores.
Segundo o Instituto Ethos (2007), os materiais que podem ser recolhidos para a reciclagem
são o Papel (de escritório – branco –, de arquivos, formulários contínuos, revistas, jornais,

26 | P á g i n a

papelão, papel misto, envelopes, cartolina, cartazes, papelão misto), o Plástico (garrafas PET
de refrigerantes e de óleo, brinquedos plásticos, copos, potes, capas de CD, garrafas, chinelos,
embalagens de produtos de limpeza, sacos, pallets, canos, tubos, mangueiras, pias, cartazes), o
Metal/Alumínio (latas, marmitex limpo, chapas de alumínio, panelas), o Aço (latas, arquivos,
barras, sucata, chapas, arame, pregos, inox), o Cobre (fios, peças, cabos), o Vidro (garrafas de
todos os tipos e cores, garrafões, potes, copos, cacos, embalagens de perfume) e Outros
(embalagens longa vida, chapas de raio X, sacos de Ráfia, cartuchos de impressão, baterias
automotivas, óleo comestível, pallets de madeira, caixotes, bandejas e embalagens de isopor,
embalagens de equipamentos eletroeletrônicos).
A denominação “coleta seletiva” segundo Leite (2003) “é normalmente reservada à operação
que compreende a coleta seletiva de porta a porta, tanto em domicílios como no comércio, à
coleta seletiva nos chamados pontos de entrega voluntária (PEV), remunerada ou não, e à
coleta em locais específicos, sendo dirigida principalmente aos produtos descartáveis.”
A coleta seletiva em Natal iniciou como na maioria das cidades do país, a partir da década de
90 com experiências voltadas para iniciativa voluntária da população, mas que não obtiveram
o sucesso desejado. Só em 2003, com a modalidade de coleta porta a porta é que se
conseguiu um maior envolvimento dos habitantes do município e uma efetiva inclusão social
dos catadores, que em algumas literaturas são valorizados com a classificação de agentes
ambientais.
Este artigo terá como foco a experiência acerca do sistema de reciclagem, implantada no
município do Natal a partir do fechamento do antigo lixão da cidade em virtude da
inauguração do aterro sanitário de Ceará Mirim. Será avaliado o papel do catador de lixo, que
com a sua ação, passa a fazer parte de uma cadeia produtiva na qualidade de fornecedor para
o setor industrial, direta ou indiretamente. Com isso, há uma melhoria tanto na qualidade de
vida dos envolvidos com a reciclagem, que antes eram mendigos ou viviam em péssimas
condições de vida, quanto uma melhoria ambiental, uma vez que muitos dos inorgânicos
retirados dos ciclos dos lixões demoram centenas de anos para se degradar. O trabalho em
pauta foi feito por meio de pesquisa exploratória e bibliográfica com coleta e análise de dados
secundários e levantamento bibliográfico.
Para realizar uma estimativa dos benefícios ambientais da reciclagem, utilizaram-se dados
secundários, dentre os quais a quantidade, em toneladas, de resíduos recicláveis que são
coletados no município. Dados referentes à composição do lixo de natal, em porcentagem,
para o ano de 2001 (RAMOS, 2009). E quantidades médias de recursos economizados para
tonelada de resíduo reciclado conforme Tabela 1. (WWF, 2008).










27 | P á g i n a

Tabela 1 – Valores médios de recursos e resíduos economizados com a reciclagem
Resíduo Unidade Valor Variável Unidade Valor
Papel
Ton. 28 Área de floresta Hectares 1
Ton. 1 Arvores Unid. 30
Ton. 1 CO2 Ton. 2,5
Plástico Ton. 100 Petróleo Ton. 1
Metal
Ton. 1 Minérios de ferro Kg 1140
Ton. 1 Carvão Kg 155
Ton. 1 Cal Kg 18
Ton. 1 Bauxita Ton. 5
Ton. 1 Área de aterro sanitário m³ 200
Vidro Ton. 1 Areia Ton. 1,3
Fonte: WWF, 2008.

2 A COLETA SELETIVA EM NATAL E SEUS CATADORES
O Sistema de Coleta Seletiva de Lixo em Natal iniciou em 1996, quando foi elaborado um
projeto nos quais tanques de combustíveis sem uso foram transformados em lixeiras, cada
espaço do tanque com sua cor delimitada a partir do tipo de resíduo que ali seria depositado.
Os locais onde eram instaladas as lixeiras foram denominados Postos de Entrega Voluntária –
PEV´s, que tinham por objetivo principal a educação ecológica do cidadão a respeito da coleta
seletiva. No entanto, existiram diversas dificuldades em função do pouco conhecimento da
população sobre o programa, além da utilização equivocada dos depósitos com a deposição de
matéria orgânica e animais mortos nos recipientes destinados a receber o material reciclável.
Além disso, houve também o vandalismo e o clima de Natal favoreceu a corrosão dos PEV’s
devido à maresia intensa no litoral.
Após seis anos do início da coleta seletiva em Natal, o projeto foi reformulado e os recipientes
foram produzidos pela URBANA – órgão da Prefeitura destinado à limpeza pública. As
lixeiras eram de aço, pintados de acordo com a resolução do CONAMA e localizados em 20
locais distintos nas quatro zonas administrativas da cidade. Segundo LOPES (2005) “Todo o
material recolhido nestes coletores era repassado em forma de doação para a Associação de
Catadores de Materiais Recicláveis – ASCAMAR, primeira associação organizada que
realizava a sua seleção, beneficiamento e a comercialização, gerando emprego e renda para os
associados.
De acordo com o artigo de Lopes, Pinheiro e Paiva (2005):

“Em Natal, a partir de dezembro de 2003 foi implantado o programa de
coleta seletiva porta a porta numa parceria da Prefeitura com Associações de
Catadores. Esse programa teve por objetivo minimizar os impactos sociais
decorrentes do fechamento do lixão de Cidade Nova, diminuir os custos para
a administração municipal na disposição em aterro sanitário e oferecer um
destino adequado aos resíduos recicláveis, gerando renda as famílias dos
catadores que sobrevivem dessa atividade e prolongando a vida do aterro
sanitário da Região Metropolitana e Natal que entrou em operação
recentemente.”


28 | P á g i n a

Como colocado na citação, os impactos sociais do fechamento do lixão foram atenuados. Isso
foi possível a partir do encaminhamento dos catadores do lixão para o sistema de coleta de
porta a porta implantado. Ramos ressalta ainda que

“foram cadastrados pela URBANA cerca de 500 catadores que retiravam seu
sustento a partir do antigo lixão, sem as mínimas condições para a realização
daquele trabalho, disputando espaço com animais como porcos e urubus,
além de estarem submetidos a um ambiente insalubre.”

Para a inserção dos antigos catadores do lixão no programa de coleta seletiva de porta a porta,
a URBANA realizou uma capacitação através de um curso com 10 horas, abordando temas
como: relacionamento humano, limpeza pública, saúde e segurança do catador, trabalhando
no trânsito, reciclagem e principalmente cooperativismo. Assim, começou-se a perceber o
início das mudanças na vida desses catadores. Além de condições muito mais dignas de
trabalho, foram inseridos em suas rotinas valores éticos como respeito, higiene, compromisso
e cooperação que são imprescindíveis ao dia-a-dia do ser humano e na conduta profissional.
Nas figuras 1 e 2 pode-se observar o trabalho de uma catadora na porta de uma cidadã e ao
colocar o material coletado no caminhão de coleta.

Figura 1 – Catadora de resíduo reciclável em serviço
Fonte: URBANA, 2008



29 | P á g i n a


Figura 2 – Colocando o material coletado no caminhão de transporte
Fonte: URBANA, 2008.

3 A IMPORTÂNCIA SOCIOAMBIENTAL DOS CATADORES DE RESÍDUOS
SÓLIDOS RECICLÁVEIS DE NATAL
A partir do exposto, podem-se destacar alguns indicadores da importância desse sistema de
coleta seletiva para os catadores. Um desses é o de que os catadores antes eram vistos como
marginalizados e hoje eles tem um trabalho mais digno, saudável, com uma renda fixa
mensal. Outro indicador e ainda muito importante é o que se trata do trabalho, os catadores
eram quase invisíveis aos olhos da sociedade, hoje, para quem tem conhecimento da
importância do seu trabalho no dia-a-dia de quem reside em Natal, sabe que esses catadores
são colaboradores e atores sociais de influência direta para o desenvolvimento sustentável.
Um bom exemplo disso está no fato de que para a fabricação de uma tonelada de papel são
consumidas 17 árvores, porém com 40kg de papel usado se evita o corte de uma árvore.
Pode-se observar, no Gráfico 1 uma tendência do crescimento da quantidade total de resíduos
coletados. Tendo, no período de janeiro a setembro, ocorrido um acréscimo de 30% no
montante de lixo reciclável, considerando a coleta porta a porta e a de grandes produtores
(PIC).

Gráfico 1 – Quantidade de lixo reciclável coletado no
município de Natal no período de janeiro a setembro de 2009
Fonte: Compilado de URBANA, 2009


30 | P á g i n a

Conforme dados da URBANA (2009), existem atualmente no município, quatro associações
de catadores de resíduos recicláveis, que são a: ABRESOL, ACRRN, ASCAMAR e a
ASTRA. Dentre essas associações a ASTRA é a responsável pela coleta da maior quantidade
dos resíduos gerados na cidade. A ASTRA coletou de janeiro até setembro de 2009, 1288,57
toneladas de resíduos, seguida pela ASCAMAR, que coletou 849,38 toneladas, e pela
ACRRN, que coletou 847 toneladas, e em ultimo lugar pela ABRESOL, que coletou 253,4
toneladas, conforme Gráfico 2.

Gráfico 2 – Quantidade de resíduo coletado por tipo e associação,
de janeiro a setembro de 2009, no município de Natal
Fonte: Compilado de URBANA, 2009

Ao analisar o Gráfico 3, constata-se que a maior parte dos resíduos coletados vem da coleta
porta a porta, que correspondem a 62% do total de resíduos coletados. Isso mostra que a
decisão do município de adotar a coleta porta a porta foi acertada e que esse é o caminho a se
seguir. Outro ponto importante ressaltado pelo gráfico 3 é a enorme quantidade de rejeito
coletado, que chega a 29% do montante total, o que caracteriza falta de informação da
população que não faz a correta separação do lixo em suas residências.

Gráfico 3: Média mensal de resíduo coletado, por tipo e
fonte, no município do Natal, em 2009.
Fonte: Compilado de URBANA, 2009
Conforme explícito na metodologia, nessa seção do artigo foi realizada uma estimativa da
economia de recursos naturais advindos da reciclagem.

31 | P á g i n a

Utilizando-se valores médios característicos dos resíduos de natal para o ano de 2001
(RAMOS, 2009), chegou-se aos valores de resíduos recicláveis coletados de janeiro a
setembro de 2009, conforme o Gráfico 4.

Gráfico 4: Estimativa das toneladas de resíduos recicláveis
coletados entre janeiro e setembro de 2009 por tipo de
resíduo no município do Natal.
Fonte: Compilado de URBANA, 2009

Com base na quantidade de resíduos coletados na cidade de Natal e partindo da premissa que
todo o resíduo coletado é reciclado, chega-se aos benefícios ambientais da reciclagem no
município para este ano, considerando os valores até setembro, conforme a Tabela 2.
Observa-se que só neste ano a reciclagem do papel já se impediu o desmatamento de 9,65
hectares de florestas, o desmatamento de 8.105 árvores, e a emissão de 675 toneladas de CO
2

para a atmosfera.
A reciclagem do plástico foi responsável pela economia de 2,05 toneladas de petróleo. E a
reciclagem do vidro economizou mais de 30 toneladas de areia que seriam utilizadas na
produção desse mesmo material.
Por fim, a reciclagem do metal foi responsável por evitar a extração de 56 toneladas de
minério de ferro, 7,6 toneladas de carvão, 884,2Kg de Cal, 245 toneladas de bauxita, e por
disponibilizar 9.824m³ de volume em aterros sanitários que seriam utilizados caso esse
resíduo fosse descartado.









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Resíduo Variável Unidade Valor
Papel
Área de floresta Hectares 9,65
Arvores Unid. 8.105
CO
2
Tonelada 675,43
Plástico Petróleo Tonelada 2,05
Metal
Minérios de ferro Toneladas 56
Carvão Kg 7613,93
Cal Kg 884,2
Bauxita Toneladas 245,61
Área de aterro sanitário m³ 9824,42
Vidro Areia Tonelada 31,93
Tabela – 2: Estimativa de economia de recursos naturais de janeiro a setembro de 2009 para o município
de Natal.

4 CONCLUSÃO
Através do sistema de reciclagem implantada no município de Natal, podemos concluir que a
participação dos catadores no programa de Coleta Seletiva gerou uma atividade digna às
pessoas anteriormente á margem da sociedade e hoje passa a fazer parte de uma cadeia
produtiva, além da melhoria tanto na qualidade de vida como também uma melhoria
ambiental, visto que o reaproveitamento do lixo gera ocupação e renda e contribui para
redução de problemas sociais e ambientais.
É importante a continuidade do programa de coleta seletiva como forma de preservação
ambiental, geração de renda e diminuição de volumes aterrados, tendo como perspectivas o
desenvolvimento de uma sociedade sustentável e a inclusão social dos agentes que hoje se
apresentam como os principais interessados nesse processo - os catadores.

5 REFERÊNCIAS
BRASILEIRO DE ENGENHARIA SANITÁRIA E AMBIENTAL, 2005, Campo Grande.
INSTITUTO ETHOS. Vínculos de negócios sustentáveis em resíduos sólidos. São Paulo: novembro
de 2007
LOPES, Régia Lúcia et.al. Coleta Seletiva em Natal- Avaliação de implantação sob o ponto de
vista da comunidade e dos catadores.In: 23º CONGRESSO
RAMOS, Silva Ivanilde. et al. O papel sócio-ambiental da coleta seletiva no município do Natal-
RN/Brasil. [????].
CONVIVENDO com o lixo: a experiência dos catadores da ASCAMAR. Natal, [2005].
BRASIL PROFISSÕES. Catadores de material reciclável. Disponível em:
http://www.brasilprofissoes.com.br/verprof.php?codigo=103. Acessado em: 18 de out. de 2009.
WWF. Conheça os benefícios da coleta seletiva. 2008. Disponível em: <
http://www.wwf.org.br/participe/acao/dicas/?uNewsID=14001>. Acesso em 19 de out. de 2009.
URBANA. Coleta seletiva. Natal, 2009
Notas de aula de Gestão deresíduos sólidos do IFRN. Natal, 2009.

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LEITE, P Roberto: Logística Reversa Meio Ambiente e Competitividade; pag. 69; Prentice Hall;
São Paulo; 2003.




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Estudo Comparativo do Gerenciamento do Lixo Hospitalar
Entre Duas Unidades de Saúde: uma Pública e Outra Privada, na
Cidade do Natal - RN

Ana Clézia Simplício de Morais (IFRN) clezia_ecologia@yahoo.com.br
Rosiana Clara Viana (IFRN) rosianaclara@yahoo.com.br
Juciara da Costa Tavares de Oliveira (IFRN) juciara_dacosta@yahoo.com.br
Layse Elaynne Silva de Lima (IFRN) layse206@yahoo.com.br
Ana Paula de Jesus Carneiro Cavalcanti (IFRN) paula_jesusc@hotmail.com

RESUMO
Para solucionar problemas relacionados à gestão dos resíduos sólidos, é necessário construir,
no processo do gerenciamento, uma visão de sustentabilidade que vise à minimização dos
impactos ambientais relacionados a uma menor geração desses resíduos e manejo adequado
dos mesmos. Nesse contexto, a temática dos Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde – RSSS,
é assunto preocupante devido ao seu potencial de contaminação humana, requerendo cuidados
extras no que se refere ao seu sistema de gestão, compreendido aqui pelas diversas etapas que
vão desde a geração do resíduo até a sua disposição final. Assim sendo, surge o seguinte
questionamento: há diferença entre o processo de gerenciamento dos resíduos sólidos de
serviços de saúde de estabelecimentos públicos e privados? Para responder tal questão é que o
presente artigo tem o objetivo de avaliar comparativamente os sistemas de gestão de resíduos
de serviços de saúde de dois hospitais localizados no município de Natal-RN, sendo um
público e outro privado, buscando levantar discussões sobre as semelhanças e divergências
encontradas nos dois ambientes e sugerir formas de atuação para a promoção de uma melhor
gestão dos resíduos sólidos hospitalares, visando um caminho para a sustentabilidade.
PALAVRAS-CHAVE: Gestão de Resíduos Sólidos, Resíduos Sólidos de Serviço de Saúde,
Resíduo Hospitalar, Hospital Publico, Hospital Privado.

1 INTRODUÇÃO
No Brasil, há uma precária condição de gerenciamento de resíduos sólidos. Isso se deve à
ausência de áreas adequadas para a destinação do lixo e pelo elevado nível de geração de
resíduos. Tal situação traz diversos problemas para a população, como, por exemplo, doenças
decorrentes da contaminação da água, do solo e do ar, além da proliferação de vetores devido
o mau acondicionamento do lixo (GARCIA & RAMOS, 2004).
Dessa forma, a questão de uma efetiva gestão de resíduos sólidos é urgente e envolve
atualmente um componente essencial para o bom e adequado funcionamento dos sistemas de
condicionamento, coleta e destino dos resíduos sólidos: a sustentabilidade. Estratégias de
sustentabilidade ambiental, segundo Naime, Sartor & Garcia (2004), devem ser desenvolvidas
a fim de minimizar os impactos ambientais pela menor geração e manejo adequado de
resíduos sólidos.
A gestão dos resíduos de serviços de saúde é tema preocupante, visto o seu potencial de
contaminação humana devido à exposição direta ao contato com tais rejeitos. Assim, são



35 | P á g i n a

necessários cuidados extras em cada etapa do sistema, que envolve a geração, a segregação, o
acondicionamento interno e externo, a coleta, o transporte, o armazenamento, tratamento e
disposição final destes resíduos.
Frente a tal problemática, o presente artigo tem o objetivo de avaliar comparativamente os
sistemas de gestão de resíduos de serviços de saúde de dois hospitais localizados no
município de Natal-RN, sendo um público e outro privado. Com isso, pretende-se levantar
discussões sobre as semelhanças e divergências encontradas nos dois ambientes e sugerir
formas de atuação para a promoção de uma melhor gestão dos resíduos sólidos hospitalares,
visando um caminho para a sustentabilidade.

2 RESÍDUOS SÓLIDOS E RESÍDUOS DE SERVIÇOS DE SAÚDE
2.1 Definição de Resíduos Sólidos
Os resíduos sólidos são definidos, segundo CONAMA n° 308/02, como:

Art. 2º Para fins desta Resolução consideram-se como resíduos sólidos urbanos, os
provenientes de residências ou qualquer outra atividade que gere resíduos com
características domiciliares, bem como os resíduos de limpeza pública urbana.

Os resíduos sólidos também podem ser entendidos como aqueles que se encontram nos
estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica,
hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os
lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e
instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades
tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam,
para isso, soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia
disponível (ABNT NBR 10.004 - 2004).
Segundo CONAMA nº 358/05, resíduos de serviços de saúde são definidos como:

[...] todos aqueles resultantes de atividades exercidas nos serviços relacionados com
o atendimento à saúde humana ou animal, inclusive os serviços de assistência
domiciliar e de trabalhos de campo; laboratórios analíticos de produtos para saúde;
necrotérios, funerárias e serviços onde se realizem atividades de embalsamamento
(tanatopraxia e somatoconservação); serviços de medicina legal; drogarias e
farmácias inclusive as de manipulação; estabelecimentos de ensino e pesquisa na
área de saúde; centros de controle de zoonoses; distribuidores de produtos
farmacêuticos; importadores, distribuidores e produtores de materiais e controles
para diagnóstico in vitro; unidades móveis de atendimento à saúde; serviços de
acupuntura; serviços de tatuagem, entre outros similares; que, por suas
características, necessitam de processos diferenciados em seu manejo, exigindo ou
não tratamento prévio à sua disposição final.

Já segundo Garcia & Ramos (2004), os resíduos de serviços de saúde são todos aqueles
resíduos gerados por: hospitais, farmácias, clínicas odontológicas e veterinárias, assistência
domiciliar, necrotérios, instituições de cuidado para idosos, hemocentros, laboratórios clínicos
e de pesquisa, instituições de ensino na área da saúde, entre outros. Observa-se, entretanto,
que não há uma consciência do potencial de geração de resíduos infecto-contagiosos destes



36 | P á g i n a

geradores anteriormente citados, sendo considerado, muitas vezes, resíduos de serviços de
saúde apenas aqueles gerados pelos hospitais. Estes, são comumente chamados de “lixo
hospitalar” e pode ser definido, como expõe Rodrigues et. al (2007, p.2):

[...] os resíduos produzidos em unidades de saúde, constituídos de lixo comum
(papel, restos de jardim, restos de comida de refeitórios, cozinhas, etc.), resíduos
infectantes ou de risco biológico (sangue, gaze, curativos, agulhas, etc.) e resíduos
especiais (químicos farmacêuticos e radioativos).

2.2 Classificação dos Resíduos de Serviços de Saúde
Os resíduos de serviços de saúde foram classificados segundo as Resoluções CONAMA
05/93 e CONAMA 283/01, tendo esta acrescentado novos elementos àquela. Os resíduos são
divididos por estas resoluções em quatro grupos, a saber, conforme Schneider (2004):
Grupo A – resíduos que apresentam risco potencial à saúde em ao meio ambiente devido à
presença de agentes biológicos (sangue e hemoderivados, excreções, secreções e líquidos
orgânicos, resíduos de laboratório, tecidos, órgãos, fetos, objetos perfurocortantes, etc.);
Grupo B – resíduos que apresentam risco potencial à saúde pública e ao meio ambiente
devido às suas caractterísticas químicas (drogas quimioterápicas, resíduos farmacêuticos e
demais produtos considerados perigosos – tóxicos, corrosivos, inflamáveis e reativos);
Grupo C – rejeitos radioativos como materiais radioativos ou contaminados com
radionuclídeos.
Grupo D – resíduos comuns, considerando todos os demais que não se enquadram nos grupos
anteriores.
A NBR 12808/93 apresenta somente três grupos e cria outras classes dentro dos grupos A e B,
conforme descrito abaixo por Schneider (2004):
Classe A – Resíduos Infectantes
Tipo A.1. biológicos: cultura, inoculo, mistura de microrganismo e meio de cultura, vacina
vencida ou inutilizada, filtro de gases e outros resíduos contaminados.
Tipo A.2. sangue e hemoderivados: bolsa de sangue após transfusão, com prazo de validade
vencido ou sorologia positiva, amostra de sangue para análise, soro, plasma, e outros
subprodutos.
Tipo A.3. cirúrgico, anatomopatológico e exsudato: tecido, órgão, feto, peça anatômica,
sangue e outros líquidos orgânicos resultante de cirurgia, necropsia e resíduos contaminados
por esses materiais.
Tipo A.4. perfurante ou cortante: agulha, ampola, pipeta, lâmina de bisturi e vidro.
Tipo A.5. animal contaminado: carcaça ou parte de material inoculado, exposto à
microrganismos patogênicos ou portador de doença infecto-contagiosa, e resíduos em contato
com estes.
Tipo A.6. assistência ao paciente: secreções, excreções e demais líquidos orgânicos
procedentes de pacientes, bem como resíduos contaminados por esses materiais, inclusive
restos de refeições.
Classe B – Resíduos Especiais



37 | P á g i n a

Tipo B.1. rejeito radioativo: material radioativo ou contaminado com radionuclideos.
Tipo B.2. resíduo farmacêutico: medicamento vencido, contaminado, interditado ou não
utilizado.
Tipo B.3. resíduo químico perigoso: resíduo tóxico, corrosivo, inflamável, explosivo, reativo,
genotóxico ou mutagênico, conforme NBR 10004/84.
Classe C – Resíduo Comum: todos os resíduos que não se enquadram nos tipos A e B e que,
por sua semelhança aos resíduos domésticos, não oferecem adicionam à saúde pública, por
exemplo, resíduos de atividades administrativas, dos serviços de varrição e limpeza de jardins
e restos alimentares que não entraram em contato com pacientes.

2.3 Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS)
O Sistema de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde deve ser construído de modo
que ocorra a redução da geração, dos impactos ambientais produzidos em nosso meio e o
melhor reaproveitamento de resíduos. Sobre o gerenciamento dos resíduos sólidos de serviços
de saúde, Coelho (2001) diz o seguinte:

A melhor forma de tratamento para os resíduos sólidos de serviço de saúde (RSSS),
antes denominado lixo hospitalar, é o seu gerenciamento. O gerenciamento dos
resíduos sólidos de serviços de saúde (RSSS) tem por objetivo minimizar a sua
produção e de proporcionar aos resíduos gerados, um encaminhamento seguro, de
forma eficiente, visando à proteção dos profissionais que ali trabalham, a
preservação da saúde pública, dos recursos naturais e do meio ambiente.

Schneider et al. (2004), diz que o plano de gerenciamento deve ser elaborado observando-se
os seguintes itens: as características particulares do estabelecimento, a regulamentação e
normas que estão em vigor, os recursos indispensáveis e o pessoal necessário e responsável
pela sua implementação.
“O gerenciamento dos RSSS compreende duas etapas: gerenciamento interno (todo o
processo se passa dentro da instituição que o gerou) e gerenciamento externo (aquele que se
passa fora da instituição que o gerou)” (Coelho, 2001).
Para que houvesse uma facilidade na elaboração dos planos de gerenciamento interno dos
RSSS, Schneider et al. (2004) considerou alguns aspectos a serem seguidos, são eles:
- Quantificação e classificação dos resíduos produzidos nos setores médicos e nas unidades de
apoio, com base nas normas vigentes e/ou padrões internos.
- Seleção de alternativas técnicas e procedimentos apropriados para o gerenciamento interno
dos resíduos, acondicionamento, separação interna, tratamento e disposição dos resíduos
tratados, com a identificação dos responsáveis por cada etapa.
- Elaboração de um plano de emergencial para prevenção de acidentes que possam acontecer,
como por exemplo: situações como derramamento de líquidos infecciosos, ruptura de bolsas
plásticas e recipientes, falhas de equipamentos, etc.
- Elaboração de programas de treinamento e de capacitação permanente para os profissionais
responsáveis pelo gerenciamento e também para os geradores.
- Organização de normas e procedimentos para a execução das etapas do plano de



38 | P á g i n a

gerenciamento.
- Execução de programas de fiscalização interna.
Com base no gerenciamento externo dos RSSS, Schneider et al. (2004, p.58) ressaltou que o
mesmo deverá contar com a participação dos diferentes setores da sociedade que se
encontram envolvido no processo, obedecendo às seguintes etapas:

- Realização de estudos sobre a localização dos estabelecimentos dos serviços de
saúde, características dos serviços proporcionados, considerando e respeitando os
planos de expansão dos estabelecimentos existentes e os projetos de novas unidades.
- Avaliação técnica e econômica para o estabelecimento de planos de soluções
centralizadas, conjuntas ou individuais, levando-se em conta a capacidade dos
equipamentos existentes para o tratamento e a possibilidade de otimização do seu
aproveitamento, considerando, ainda, os aspectos sanitário-ambientais e de
segurança na operação e de continuidade de serviços.
- Definição de uma política clara que envolva o gerador, o setor público e o setor
privado. Convém ressaltar: qualquer etapa do gerenciamento externo, tanto pelo
setor público como pelo setor privado. Em ambos os casos, há vantagens e
desvantagens que devem ser avaliados em função das condicionantes específicas
locais.
- Elaboração de regulamento de acordo com a política definida e com o esquema de
solução adotado, que inclua aspectos sanitário-ambientais, sistemas tarifários,
responsabilidade de cada instituição, setor envolvido e mecanismos necessários à
vigilância e a fiscalização.

3 ESTUDO DE CASO – Hospital Público X Hospital Privado
3.1 Hospital Público
O hospital público visitado é uma instituição de saúde pública terciária de âmbito federal,
vinculada ao Ministério da Saúde, tendo como objetivo, de acordo com seu Regimento
Interno “promover o ensino e a assistência à saúde, com qualidade, ética e sustentabilidade, e
servir de campo de aprendizagem para o ensino de nível técnico, de graduação e pós-
graduação das profissões da área da saúde e áreas afins.”
De acordo com informações prestadas pelo diretor do hospital, o mesmo é uma referência no
Sistema Único de Saúde – SUS, tendo sido certificado duas vezes pelos Ministérios da
Educação e da Saúde. Além disso, o hospital fará parte da Rede Nacional de Pesquisa Clínica,
junto com mais 19 instituições espalhadas pelo país e se destaca por possuir ambulatórios de
ponta para o tratamento da hemodiálise, controle da hepatite viral e pacientes com Esclerose
Lateral Amiotrófica – ELA, sendo o único no Estado que oferece esse serviço.
3.2 Hospital Privado
O hospital particular visitado presta serviço para as mais diversas áreas, incluindo unidade de
internação, centro cirúrgico, CTI adulto, hemodinâmica/cirurgia cardíaca, centro de imagem e
exames complementares.
Este hospital tem como missão “promover a saúde, de forma eficiente e humanizada, com alta
tecnologia e conhecimento, buscando a satisfação e a melhoria da qualidade de vida de nossos
clientes e colaboradores.” Trabalha com uma visão de futuro procurando “ser a melhor opção
em assistência à saúde para clientes e profissionais no RN.”



39 | P á g i n a

A Política da Qualidade do hospital fundamenta-se na prontidão do atendimento humanizado,
através da confiabilidade dos equipamentos e melhoria contínua da eficácia do Sistema de
Gestão da Qualidade, recursos humanos e tecnológicos, visando à satisfação dos clientes. Para
tanto, o hospital baseia-se nos seguintes valores e princípios:
- Respeito incondicional ao ser humano;
- Conduta ética em todos os relacionamentos;
- Desenvolvimento contínuo de competências e conhecimentos;
- Valorização e desenvolvimento dos recursos humanos;
- Aprimoramento permanente de serviços e processos;
- Responsabilidade e disposição em servir;
- Equilíbrio e austeridade econômico-financeira; e
- Inovação em todas as áreas do hospital.
Vale salientar que este hospital de caráter privado apresenta certificação ISO- 9001:2000 nas
áreas de emergência (cardiologia, neurologia, ortopedia e traumatologia), farmácia, centro
cirúrgico, higienização e desinfecção, atendimento ao cliente e unidade de terapia intensiva.
3.3 Metodologia da Pesquisa
A realização da pesquisa utilizou-se de revisão bibliográfica, pesquisas direcionadas em meio
eletrônico, a prática de visitas in loco, realizadas nos dias 06 e 07 de outubro de 2009, além de
registros fotográficos e aplicação de um questionário avaliativo com os responsáveis pelo
setor de higienização e limpeza dos respectivos hospitais.
Após realizadas tais atividades, os dados coletados foram analisados e inferidas as devidas
conclusões a respeito do sistema de gestão dos resíduos de serviços de saúde, baseadas nos
relatos feitos pelos funcionários entrevistados.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1 Dados gerais dos Hospitais
Tabela 1: Descrição dos dados gerais dos hospitais analisados.
PÚBLICO PRIVADO
Número de funcionários 1.272 funcionários 700 funcionários em média
(rotatividade), sendo 78
funcionários da limpeza;
Número de alas / leitos Divide-se em três setores:
enfermaria, centro cirúrgico e
centro de imagem (exames
radiológicos).
144 leitos divididos entre:
unidade de internação, centro
cirúrgico, CTI adulto,
hemodinâmica/cirurgia
cardíaca, centro de imagem e
exames complementares.
Ocupação média mensal Cerca de mil atendimentos
ambulatoriais por mês, na alta
e média complexidade, sendo
60% desses pacientes
oriundos de Natal.
Ocupação média mensal é
sempre máxima, com
ocupação dos 144 leitos.



40 | P á g i n a


De acordo com os dados coletados, os hospitais apresentam fluxo e porte diferentes. Isso
ocorre devido o diferencial do público atendido e à demanda de pacientes nos hospitais. O
hospital público apresenta uma maior demanda devido aos pacientes virem não somente de
Natal, mas também de outras regiões circunvizinhas e também pela alta rotatividade dos
pacientes, enquanto que o hospital privado atende mais comumente pacientes que residem em
Natal e com um período maior de internamento.
O hospital público apresenta um quadro funcional de 1.272 funcionários entre efetivos,
terceirizados e estagiários, além de receber anualmente cerca de 900 alunos da graduação, 80
mestres, doutores e alunos de pós-graduação para estágios e pesquisas acadêmicas, e mais 88
alunos residentes de várias especialidades. Em relação aos atendimentos, chega-se a mil a
média mensal, além da realização anual de 6.500 cirurgias e 176 mil exames.
O hospital privado possui um quadro com um total médio de funcionários igual a 700. Esse
valor médio é explicado por não existir um número fixo no quadro oficial de funcionários
devido à alta rotatividade dos profissionais que prestam serviços ao hospital, segundo
informações do setor administrativo. Quanto à ocupação média mensal dos leitos, este mesmo
setor afirma que os leitos encontram-se sempre ocupados, sendo, portanto, a ocupação média
mensal de 100%.
4.2 Caracterização dos resíduos sólidos hospitalares
Tabela 2: Caracterização dos resíduos sólidos dos hospitais analisados.
PÚBLICO PRIVADO
Composição Lixo comum (comida, papel,
embalagens, plásticos etc) e
lixo infectante (seringas,
agulhas, ampolas, luvas).
Lixo comum (papel,
embalagens, plásticos etc),
lixo biológico/infectante e
lixo radioativo.
Separação dos resíduos resíduos urbanos (comum) e
infectantes.
Lixo comum, lixo biológico,
lixo reciclável e lixo
radioativo.
Plano de gerenciamento O responsável pelo setor não
soube informar.
Há uma sistemática de
procedimentos, no entanto
não há um documento
definido.

A caracterização dos resíduos produzidos nos dois hospitais apresentou-se relativamente
semelhante quanto à sua composição, dividindo-se em lixo comum e biológico ou infectante,
com a diferença de que o hospital privado separa também o lixo radioativo. Segundo
informações da supervisora do setor de higienização e limpeza do hospital privado, são
gerados aproximadamente 500kg de lixo comum por dia e 250kg de lixo biológico, também
diariamente, sendo gerados um total médio diário de 750kg de resíduos neste hospital.
Quanto à separação o hospital público (que produz em média 180 bombonas/mês) separa seus
resíduos em urbano (lixo comum) e resíduos infectantes (que podem causar contaminação e
precisam de destinação especial), enquanto que o privado separa o lixo em: comum,
biológico, reciclável e radioativo.
Já em relação ao Plano de Gerenciamento dos Resíduos Sólidos do hospital público, o
responsável pelo setor de Higienização e Limpeza do Hospital não soube informar sobre a
existência do mesmo, fato este comprovado por CAMACHO (2008), que em sua dissertação



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de mestrado aplicou questionário com servidores do local e a maioria de cada classe
entrevistada, entre médicos, enfermeiros e auxiliares de limpeza, afirmaram não ter
conhecimento de um Plano de Gestão de RSS.
No hospital privado, uma das supervisoras do setor de Higienização e Limpeza afirmou que
não existe um Plano de Gerenciamento dos Resíduos Sólidos como um documento descrito
detalhadamente. Ela informa que este documento está em fase de elaboração, mas que apesar
disso são seguidos procedimentos rigorosos no que diz respeito à sistemática de limpeza e
coleta de resíduos, com treinamentos periódicos.
4.3 Acondicionamento e armazenamento interno
Tabela 3: Forma de acondicionamento e armazenamento dos resíduos dos hospitais analisados.
PÚBLICO PRIVADO
Acondicionamento interno Sacos plásticos e bombonas Sacos plásticos e bombonas
Identificação dos resíduos Sim Sim
Armazenamento interno Após a coleta, os resíduos
urbanos e infectantes são
armazenados em “casas de
lixo” específicas.
Após a coleta, os resíduos
comuns e infectantes são
armazenados em “casas de
lixo” específicas.

Em relação ao acondicionamento interno, os resíduos do hospital público são armazenados em
sacos plásticos identificados, recolhidos e armazenados em salas diferentes, localizadas na
parte de trás do hospital e denominadas “casas de lixo”, sendo uma para os resíduos urbanos e
outra para os resíduos infectantes. No privado, os resíduos são acondicionados internamente
nos corredores e salas de preparação em coletores pequenos identificados e com sacos de
cores diferenciadas, sendo branco para saco de lixo biológico e azul para lixo comum. Ainda
observou-se que internamente um carrinho coletor de cor vermelha, com capacidade média de
100 litros, passa para recolher juntamente tanto lixo comum quanto resíduo biológico. Isso
pode ser identificado como uma possível irregularidade, uma vez que mesmo estando
separados por sacos diferentes os lixos, comum e biológico, ainda mantém um contato no
momento do transporte interno, podendo constituir-se uma via de contaminação já que o lixo
comum é separado, posteriormente, do lixo biológico e acondicionados em “casas de lixo”
diferentes.
4.4 Coleta e transporte
De acordo com o setor de Higienização e Limpeza de ambos os Hospitais, apenas um
funcionário realiza o recolhimento dos resíduos, porém, há uma equipe maior atuando na
limpeza geral dos hospitais e que a mesma recebeu treinamentos sobre o manuseio dos
resíduos produzidos, sendo estes transportados até as “casas de lixo” em carrinhos de
transporte fechados. A coleta é feita uma vez a cada turno (manhã, tarde e noite) no hospital
público e de 3 a mais vezes no hospital privado, sendo os resíduos infectantes acondicionados
em bombonas identificadas e com capacidade de 25 litros cada nas “casas de lixo”, em ambos
os hospitais. Já as empresas prestadoras de serviços coletam os resíduos nas segundas, quartas
e sextas-feiras, tanto lixo comum quanto lixo infectante/biológico. Durante a visita aos locais,
observou-se que os serventes de limpeza usavam equipamentos de proteção individual
adequados.



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Tabela 4: Forma de coleta e transporte dos resíduos dos hospitais analisados.
PÚBLICO PRIVADO
Funcionários 1 (um) funcionário recolhe os
resíduos e encaminha para as
“casas de lixo” e funcionários
da empresa prestadora de
serviços realizam o destino
final.
1 (um) funcionário recolhe os
resíduos e encaminha para as
“casas de lixo” e funcionários
da empresa prestadora de
serviços realizam o destino
final.
Uso de EPI’s Botas, luvas, máscaras,
capote.
Botas, luvas, máscaras,
capote.
Treinamento Houve treinamento sobre o
manuseio dos resíduos.
Houve treinamento sobre o
manuseio dos resíduos.
Freqüência da coleta 3 vezes por dia no ambiente
do hospital; 3 vezes por
semana para o destino final.
3 ou mais vezes diariamente,
de acordo com a necessidade;
e 3 vezes por semana para o
destino final.
Forma de coleta Carrinhos de transporte
fechados.
Carrinho de transporte
fechados.
Transporte de resíduos Empresas prestadoras de
serviços de limpeza: Líder
(urbano) e Serquip
(infectantes). Utilizam
caminhões tipo baú.
Empresas prestadoras de
serviços de limpeza: Líder
(urbano) e Serquip
(infectantes). Utilizam
caminhões tipo baú.
Equipamentos de coleta Bombonas de 25 litros (200
Kg)
Bombonas de 25 litros (200
Kg)

4.5 Tratamento e destino final
Tabela 5: Tratamento e destino final dos resíduos dos hospitais analisados.
PÚBLICO PRIVADO
Tipo de tratamento O hospital apenas separa os
resíduos em urbano e
infectante, não realiza
tratamento.
O hospital separa os resíduos
em urbano, infectante e
reciclável, não realiza
tratamento.
Reciclagem Alguns recipientes de
material de limpeza são
separados e vendidos pelos
funcionários do hospital.
Há reciclagem de material
como papelão, plástico e
vidro além dos recipientes de
material de limpeza que são
separados e vendidos.
Destino final Resíduo urbano: aterro
sanitário de Ceará-Mirim.
Resíduo infectante:
incineração
Resíduo urbano: aterro
sanitário de Ceará-Mirim.
Resíduo infectante:
incineração e Resíduo
reciclável: venda.

Em relação ao tratamento e destino final dos resíduos do hospital público, como já detalhado
anteriormente, este separa os resíduos apenas em infectante e urbano, sendo o destino final
dos mesmos coletados pelas empresas Líder, que encaminha o urbano para o aterro sanitário



43 | P á g i n a

de Ceará-Mirim e a Serquip encaminha o infectante para incineração. Quanto ao destino por
parte das duas empresas e se as mesmas ainda fazem algum outro tipo de processamento, o
responsável pelo setor no hospital público não soube informar. Já alguns servidores do local
fazem a reciclagem de alguns recipientes de material de limpeza e os vendem com o objetivo
de comprar outros materiais para a limpeza dos ambientes, uma vez que há necessidade de
produtos (cera) específicos e nem sempre há disponibilidade.
No hosital privado já observa-se um diferencial quanto à separação de material reciclável para
a venda. Dessa forma, segundo nos informou a supervisora do setor, são gerados no hospital
diariamente uma média de 50kg de papelão, 35kg de plástico e de 9 a 10kg de vidro que são
comprados por uma empresa externa que vai periodicamente (2 a 3 vezes por semana) ao
hospital coletar o material armazenado. O destino final dos resíduos comum e infectante é o
mesmo dos resíduos do hospital público.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No presente trabalho foi possível observar que os hospitais, público e privado, apresentam
uma boa semelhança quanto ao gerenciamento dos resíduos. Entretanto, existem pontos
divergentes a se considerar.
O primeiro ponto diferente e importante a se destacar é a coleta de resíduos radioativos, onde
o hospital privado deixa evidente a presença de coletores específicos para tal resíduo,
enquanto que o hospital público diz gerar resíduo radioativo, mas não foi identificado durante
a visita coletores especiais para esse resíduos perigoso. O segundo diferencial é observado na
etapa de destinação, em que o hospital privado realiza a coleta seletiva e vende os resíduos
coletados. Outro ponto não tão relevante, mas expressivo, é a freqüência de coleta,
observando-se que no hospital privado há uma maior preocupação com a manutenção da
limpeza, o que não quer dizer que a limpeza do hospital público seja deficiente.
Entre os pontos semelhantes podemos destacar o destino dos resíduos, sendo o lixo comum
coletado pela empresa de coleta pública municipal que o encaminha ao Aterro Sanitário de
Ceará-Mirim, e os resíduos biológicos/infectantes por uma empresa terceirizada, a Serquip,
que realiza a incineração e destina as cinzas também ao aterro sanitário.
No geral, os dois hospitais não afirmaram ter de fato um plano de gerenciamento dos resíduos,
mas afirmam que executam uma sistemática de procedimentos aprendidos pelos funcionários
através de treinamentos. No entanto, apesar disso, é notório que existem pontos deficientes e
que necessitam ser melhorados tanto no hospital público como no privado. Dessa maneira, é
necessário que ambos os hospitais criem e implantem efetivamente um Plano de
Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS) e que esteja de acordo com todas
as medidas propostas nas resoluções CONAMA nº05/1993 e nº283/2001, com a NBR
12.808/1993 e a RDC nº 33/2003 da ANVISA, sobre a classificação dos resíduos.
Por fim, salientamos que o Sistema de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde deve
ser construído de modo que se objetive a redução da geração, dos impactos ambientais
produzidos em nosso meio e visando o melhor reaproveitamento de resíduos, a fim de atender
as atuais necessidades ambientais e proporcionando o bem estar da população através da
melhoria da qualidade de vida de todos.




44 | P á g i n a

6 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. 2004. Resíduos sólidos –
Classificação. Rio de Janeiro, 71 p. (NBR-10.004).
CAMACHO, Carlos Leon. Gestão ambiental na saúde pública: um estudo sobre a percepção ambiental
de gerenciamento de resíduos sólidos de serviços de saúde, dos servidores do Hospital. H. L.
Dissertação de Mestrado, UFRN, Natal, RN, 2008,102 pág.
COELHO, Hamilton. Manual de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde. Editado
pela Fundação Oswaldo Cruz, 2001. Disponível em: <
http://www.biossegurancahospitalar.com.br/pagina1.php?id_informe=59&id_texto=51>. Acesso em
16 de outubro de 2009.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA. 2002. Resolução Conama nº 308.
Disponível em:<http://www.mma.gov.br/port/conama/legiano.cfm?codlegitipo=3> Acesso em
15/10/2009.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA. 2005. Resolução Conama nº 358.
Disponível em: < http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=462 > Acesso em
15/10/2009.
GARCIA, Leila Posenato; RAMOS, Betina Giehl Zanetti. Gerenciamento dos resíduos de serviços de
saúde: uma questão de biossegurança. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 20 (3):744-752, mai-jun,
2004.
NAIME, Roberto; SARTOR, Ivone; GARCIA, Ana Cristina. Uma abordagem sobre a gestão de
resíduos de serviço de saúde. Revista Espaço para a Saúde, Londrina, v. 5, n. 2, p. 17-27, jun. 2004.
RODRIGUES, Aline, et. al.Gerenciamento dos resíduos sólidos dos serviços da saúde – análise de um
hospital público e um privado de Teresina-PI. II Congresso de Pesquisa e Inovação da Rede Norte
Nordeste de Educação Tecnológica. João Pessoa – PB, 2007.
SCHNEIDER, Vania Elisabete, et. al. Manual de gerenciamento de resíduos sólidos de serviços de
saúde. 2ª ed. rev. e ampl., Caixias do Sul, RS: Educs, 2004.














45 | P á g i n a


Práticas de Gestão de Resíduos de Construção e Demolição em
Empresas Construtoras de Natal/RN

Catiane Rodrigues de Freitas (IFRN) catianefreitas@gmail.com
Renato Samuel Barbosa de Araújo (IFRN) renasam@pep.ufrj.br


RESUMO
Os problemas relacionados aos resíduos sólidos são cada vez mais significativos, nesse
contexto destaca-se a relevância dos resíduos de construção e demolição . Este artigo, de
caráter quali-quantitativo e realizado por meio de pesquisa bibliográfica e de campo, objetiva
conhecer os atuais modelos de gestão adotados por quatro empresas construtoras da cidade de
Natal/RN, comparando suas práticas com com as indicações presentes na revisão bibliográfica
documental e legal. Discutem-se itens julgados essenciais na gestão de RCD, como os
processos de redução, reutilização, reciclagem e destinação final e revela-se variabilidade das
práticas adotadas nesse gerenciamento, traçando um cenário inicial sobre a gestão de RCD na
cidade de Natal/RN.
PALAVRAS-CHAVE: Resíduos, Gestão, Construção e Demolição, Impactos Ambientais.

1 INTRODUÇÃO
A Gestão de Resíduos Sólidos é um dos atuais desafios tanto para a gestão pública como para
a iniciativa privada. Cada vez mais cresce a quantidade de lixo e demais resíduos gerados
pelas diversas atividades humanas o que requer práticas de gerenciamento eficazes sob pena
de serem depositados em locais inadequados trazendo danos ao meio ambiente e a saúde
humana.
Na indústria da Construção Civil não é diferente, além de se caracterizar como um dos
segmentos que mais consomem recursos naturais, os resíduos gerados por esta atividade
produtiva envolvem custos significativos para as empresas e são uns dos mais expressivos em
impactos para sociedade, seja pelo volume gerado ou pela ausência de procedimentos de
gestão que acarretam em sua disposição inadequada e falta de tratamento ou reuso.
A Construção Civil representa uma atividade de grande importância no Brasil e no Rio
Grande do Norte e “os resíduos da construção civil representam um significativo percentual
dos resíduos sólidos produzidos nas áreas urbanas dos municípios” (BRASIL, 2002). A
adoção de processos de gerenciamento de resíduos que sejam capazes de coletar, transportar e
dar destinação final, bem como reduzi-los e reutilizá-los se mostra essencial nesse cenário.
No presente estudo, apresenta-se uma análise comparativa das práticas de gestão de Resíduos
de Construção e Demolição - RCD adotadas por quatro empresas construtoras com atuação no
município de Natal/RN, que atualmente se destacam na construção de edifícios, tendo por
base uma pesquisa bibliográfica e de campo de caráter quali-quantitativo, valendo-se de
questionário estruturado com entrevistas a gestores de construtoras de pequeno, médio e
grande porte, comparando suas práticas com as determinações da resolução CONAMA
307/2002, com as indicações de práticas de gestão encontradas na revisão bibliográfica e com
as utilizadas pela empresa referência em gestão ambiental na construção civil do Rio Grande
do Norte.

46 | P á g i n a


2 REVISÃO DA LITERATURA
2.1 A construção no Brasil e no Rio Grande do Norte
A atividade da construção civil é uma das mais antigas da humanidade sendo responsável
desde os primórdios, pela transformação do ambiente natural. Este segmento é reconhecido
como um dos mais importantes para o desenvolvimento econômico e apesar disso ainda
apresenta-se como um dos grandes geradores de impactos ambientais, consumindo recursos
naturais e gerando resíduos (PINTO, 2005).
A relevância do macro setor da construção civil, que compõem os sub-setores de materiais de
construção, máquinas e equipamentos, construção e serviços, é relatada por Dacol (1996)
quando afirma este segmento produtivo tem papel fundamental no processo de
desenvolvimento do Brasil sendo responsável pela formação das bases da moderna sociedade
industrial, por meio da montagem da infra-estrutura indispensável ao prosseguimento do
processo de industrialização.
Comprovando a importância do setor de construção, a Câmara Brasileira da Indústria da
Construção – CBIC apresenta em seu banco de dados um detalhamento da composição da
cadeia produtiva da
construção civil no ano de
2007.









Figura 1: Perfil da Cadeia Produtiva da Construção e da Indústria de Materiais Fonte: CBIC -
Junho/2008.

O setor da Construção Civil (edificações e construção pesada) ocupa um papel importante no
panorama econômico brasileiro, sendo responsável por gastos salariais de R$ 15,5 bilhões,
correspondendo a um salário médio mensal de 2,7 salários mínimos, 5,2% do PIB e
aproximadamente 9 % do pessoal ocupado (IBGE, 2005).
De acordo com o sistema de contas trimestrais de 2006 do IBGE a construção civil é
responsável por 5,1 % do PIB do Brasil. Nessa parcela, o estado do Rio Grande do Norte tem
participação de 1,1 % ficando na frente de estados como Piauí, Paraíba, Alagoas e Sergipe. De
acordo com Cadastro Industrial da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte – FIERN
existem no estado 430 indústrias de Construção Civil especializadas em construções de
edifícios. Na cidade de Natal, campo de atuação deste estudo, esse setor industrial apresenta
em sua maioria empresas de pequeno porte, sendo essa distribuição caracterizada de acordo
com o gráfico abaixo:

47 | P á g i n a












Figura 2: Empresas Construtoras na Cidade de Natal/RN - FIERN/2009. Elaboração dos autores.

2.2 Resíduos de Construção e Demolição – RCD
Na Agenda 21 o conceito de resíduos sólidos compreende todos os restos domésticos e
resíduos não perigosos, tais como os resíduos comerciais e institucionais, o lixo da rua e os
entulhos da construção.
Assim como nas atividades humanas, a indústria da construção civil gera em todas as suas
etapas produtivas os mais variados tipos de resíduos, comumente denominados entulhos. Os
resíduos de construção e demolição (RCD) fazem parte do grupo dos resíduos sólidos urbanos
(RSU) que são conceituados pela NBR 10.004 (ABNT, 2004) como: “resíduos nos estados
sólidos e semi-sólidos, que resultam de atividade da comunidade de origem: industrial,
doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição, radioativa e outros
(perigosos e ou tóxicos)” e segundo Pinto (1999) os RCD representam de 40 a 71% da massa
total dos resíduos sólidos urbanos.
A conceituação sobre RCD utilizada como base para práticas de gerenciamento no Brasil e
adotada neste estudo é a da Resolução CONAMA 307/2002 que os define como:
Aqueles provenientes de construção, reformas, reparos e demolições de obras de
construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos tais
como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas,
colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassas, gessos, telhas,
pavimento asfáltico, vidros, plásticos tubulações, fiação elétrica etç, comumente
chamados de entulho de obras, caliça ou metralha (BRASIL,2002, pág. 1).
Nesse conceito verifica-se a diversidade de subprodutos encontrados no RCD o que o
caracteriza como um resíduo heterogêneo e de alta variabilidade, requerendo o uso de
diversas técnicas de gestão de acordo com sua composição.
Ainda de acordo com a CONAMA 307/2002, os resíduos de construção e demolição são
classificados da seguinte forma:
 Classe A: são os resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados (materiais que
podem ser agregados em argamassas ou concretos).
 Classe B: são os resíduos recicláveis para outras destinações (plásticos, papel,
papelão, vidros, madeiras e outros).

48 | P á g i n a

 Classe C: são os resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou
aplicações economicamente viáveis que permitam sua reciclagem e/ou recuperação.
 Classe D: são os resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como
tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolições,
reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações industriais e outros. (BRASIL,
2002)
Diversas são as fontes geradoras de resíduos de construção e demolição, essa geração se dá
seja por falhas de elaboração ou execução de projetos, qualidade dos materiais utilizados,
escolha das técnicas de construção e demolição, transporte e armazenamento ou má
manipulação e desperdício pela mão-de-obra.
Barreto (2005) define como geradores de RCD as pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou
privadas responsáveis por atividades ou empreendimentos que geram resíduos de construção
civil, reformas reparos e demolições de estruturas e estradas.
John e Agopyan (2000) afirmam que os resíduos da construção são gerados em vários
momentos do ciclo de vida das construções: a fase do canteiro de obras (construção), fase de
manutenção e reforma e fase de demolição de edifícios.
A quantidade de resíduos gerados ainda se agrava pela ausência de práticas de reuso ou
reciclagem no próprio canteiro de obras.
Souza (2005) definiu a perda como sendo a quantidade de material utilizada a mais que a
quantidade necessária. Essa variação na geração dos RCD tem um caráter peculiar, pois está
mais diretamente relacionada aos custos envolvidos visto que os desperdícios de materiais de
construção se relacionam aos insumos adquiridos para a execução da obra e que por algum
motivo deixaram de ser utilizados.
A questão das perdas em processos construtivos vem sendo tratada de forma suficiente no
Brasil, em processos de pesquisa cada vez mais abrangentes, sendo aceitável a afirmação de
que para a construção empresarial a intensidade da perda se situe entre 20 e 30% da massa
total de materiais, dependendo do patamar tecnológico do executor (Pinto, 1999).
Em relação à composição dos resíduos de construção e demolição, os materiais predominantes
são restos de tijolos e revestimentos cerâmicos, materiais provenientes de demolição de
concreto e alvenaria, sucata metálica, madeiras e embalagens em geral (PHILIPPI, 2005, p.
301).
De acordo com Filho (2005) os RCD são compostos dos mais diversos tipos de materiais
como brita, areia, materiais cerâmicos, argamassas, concretos, madeiras, metais, papéis,
plásticos, pedras, tijolos, tintas, entre outros.
Essa composição ainda pode ser alterada de acordo com as técnicas e metodologias de
produção utilizadas e pela presença de controle de qualidade ou métodos de gestão.
Segundo CARNEIRO et al. (2001) os resíduos de construção e demolição são extremamente
heterogêneos e basicamente compostos por: concretos, argamassas e rochas, materiais
cerâmicos como blocos tijolos e lajotas, solos areia e argila, asfalto, metais ferrosos, madeiras
e outros materiais como papel, papelão, plásticos e borrachas. O autor ainda acrescenta que o
nível de desenvolvimento da indústria da construção civil do local, as técnicas de construção e
demolição utilizadas, a qualidade da mão de obra disponível, a demanda por novas
construções e a adoção de processos de reciclagem com reutilização dos materiais nos
canteiros são aspectos que interferem nas características, na composição e na quantidade dos
resíduos.

49 | P á g i n a

2.3 Legislação, Normatização e Certificação Associada
Com a necessidade de se criar modelos específicos de gestão dos resíduos da construção
atrelado à magnitude dos impactos ambientais ocasionados por esta atividade e à ineficiência
das práticas já adotadas pelas empresas e pela gestão pública, foi criada uma série de
legislação e certificações associadas aos RCD a fim de padronizar e normatizar o seu
gerenciamento.
Na lei 9.605 de 1998, a Lei de Crimes Ambientais a questão dos resíduos sólidos é citado em
seu artigo 54 de maneira genérica, quando afirma que quando a poluição ambiental “ocorrer
por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias
oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos” se
caracteriza como crime ambiental passível de multas e sanções penais. (BRASIL, 1998, pág.
11).
Porém somente com a Resolução CONAMA 307/2002 o Brasil passou a ter um dispositivo
legal voltado especificamente à questão dos resíduos de construção e demolição,
estabelecendo diretrizes, critérios e procedimentos para o seu gerenciamento. Esta resolução
tem status de lei e define com clareza as responsabilidades dos atores envolvidos na geração
dos resíduos além de classificar os RCD de acordo com o seu potencial de reutilização e
reciclagem e de estabelecer a obrigatoriedade da elaboração do Plano Integrado de
Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil.
Na esfera local, além do Código do Meio Ambiente (Lei 4.100/1992) que regula os deveres,
direitos e obrigações de ordem pública e privada concernentes ao meio ambiente e aos
recursos naturais no âmbito municipal, a cidade do Natal conta com a Lei Complementar nº
55 de 27 de Janeiro de 2004 que institui o Código de Obras e Edificações do município
definindo entre outros aspectos os condicionantes para expedição de alvarás de construção,
para o licenciamento ambiental e especificamente na questão de resíduos de construção define
os aspectos de acondicionamento, armazenamento e destinação final.
No que se refere à normatização, a ABNT possui cinco normas técnicas voltadas para os
resíduos da construção civil, estes instrumentos visam viabilizar o manejo em áreas
específicas, descritas no quadro a seguir:
Tabela 1: Normas Técnicas Relacionadas a Gestão de Resíduos na Construção Civil
NBR 15.112/04 Resíduos da construção civil e resíduos volumosos – Áreas de transbordo
e triagem – Diretrizes para o projeto, implantação e operação;
NBR 15.113/04 Resíduos da construção civil e resíduos inertes – Aterros – Diretrizes para
o projeto, implantação e operação;
NBR 14.114/04 Resíduos sólidos da construção civil – Áreas de Reciclagem - Diretrizes
para o projeto, implantação e operação;
NBR 14.115/04 Agregados recicláveis de resíduos sólidos da construção civil. Execução
de camadas de pavimentação. Procedimentos;
NBR 14.116/04 Agregados recicláveis de resíduos sólidos da construção civil. – Utilização
em pavimentação e preparo de concreto sem função estrutural –
Requisitos.
Fonte: Associação Brasileira de Norma Técnicas - ABNT

2.4 Gestão de RCD
Segundo Lima (2000), existe uma diferenciação entre o conceito de gestão e gerenciamento
de resíduos sólidos em que o primeiro abrange atividades de tomada de decisões estratégicas
com relação à organização do setor para esse fim, evolvendo políticas e instrumentos e o

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ultimo refere-se aos aspectos tecnológicos e operacionais, abordando aspectos de
produtividade, qualidade, redução, segregação reutilização, acondicionamento, coleta,
transporte e tratamento.
A gestão de RCD abrange tantos aspectos estratégicos como operacionais e envolve diversos
atores, para tanto uma gestão eficaz deve envolver estratégias capazes de integrar o poder
público municipal, responsável pela fiscalização quando a destinação final dos resíduos; o
geradores sejam ele empresas construtoras ou pessoas físicas para que façam a gestão interna
e externa e os transportadores de resíduos para que atendam os critérios quanto ao uso de
locais de destinação licenciados.
Segundo Barreto (2005) a gestão de resíduos é “um sistema que visa reutilizar ou reciclar
resíduos, incluindo planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos e recursos para
desenvolver e implementar as ações necessárias ao cumprimento das etapas previstas em
programas e planos”.
A adoção de um modelo de gestão de resíduos da construção civil pode se dá de várias
maneiras. De acordo com a Caixa Econômica Federal (2005) um plano de gerenciamento de
RCD deve se dar em três fases: diagnóstico, ações estruturantes (com definições de pontos de
entrega, destinação de áreas de manejo de grandes volumes, informação ambiental,
fiscalização, usinas de reciclagem e licenciamentos de operações) e ações complementares
como as de educação ambiental.
Filho (2005, p. 75) afirma que “os aspectos que devem ser levados em conta para uma correta
gestão ambiental são a redução dos resíduos na fonte, reutilização do material produzido, e a
reciclagem e o reaproveitamento”.
Contribuindo com o esse entendimento, John et al (2004) cita que as estratégias adotadas no
gerenciamento de RCD podem ser resumidas em (a) evitar deposições ilegais, (b) segregar os
tipos de materiais do RCD na fonte e (c) estimular reciclagem.
Segundo Bardella e Camarini (2008), apesar da Resolução CONAMA nº 307 ter representado
um avanço e um marco inicial pra a regulamentação da redução dos impactos ambientais
gerados pelos RCD, na prática o que se verifica é o desconhecimento por parte dos setores
responsáveis por sua implementação e/ou falta de vontade política para seu atendimento.
Ainda sobre a gestão dos resíduos de construção e demolição os autores ainda acrescentam
que:
é preciso tomar providências para que os profissionais da indústria da construção
civil se preparem para a implementação de processos, desenvolvimentos de
pesquisas e de ensino, que sejam capacitados a divulgar as mudanças necessárias e
que estejam dispostos a derrubar os paradigmas existentes no setor da construção
civil brasileira. (BARDELLA, CAMARINI, 2008, pág. 9)
Dessa forma as empresas construtoras devem se responsabilizar pelos resíduos gerados e
adotar práticas específicas para a sua gestão, que podem abranger aspectos de redução,
reutilização, reciclagem e disposição final.
Vázques (2001) acrescenta o conceito de construção sustentável afirmando que esta se baseia
na redução dos resíduos de construção pelo desenvolvimento de tecnologias limpas, na
utilização de materiais recicláveis ou secundários, e na coleta e deposição de inertes, sendo
essas medidas capazes de transformar resíduos em recursos reutilizáveis.
Buscando esse conceito de sustentabilidade que a gestão de RCD se insere se mostra
complexa reúne um conjunto de processos pertinentes a diversas esferas da sociedade. Se por
um lado cabe a gestão pública o estabelecimento de diretrizes e técnicas para programas

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municipais de gestão os processos de licenciamento, incentivos fiscais à reinserção dos
resíduos reutilizáveis ou reciclados no ciclo produtivo, ações de educação ambiental que
visem reduzir a geração de resíduo e estimular a segregação entre outras, a iniciativa privada
(construtores) considerada como geradores deverão ter como objetivo prioritário a não
geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação
final. (CONAMA 307/2002).
A redução de geração, a segregação, o reaproveitamento, a reciclagem, bem como a
disposição final adequada de RCD é de fundamental importância para o meio ambiente, que
deixará de receber milhares de toneladas anuais de resíduos, TAVARES (2007). Dessa forma
estes objetivos serão aqui abordados como processos de gestão de RCD para empresas de
construção civil.
2.4.1 Redução
Roth (2008) defende a idéia de que a minimização de RCD se dá, seja por meio da
reutilização de material já empregado em outras obras ou pela reciclagem, transformando-o
como matéria-prima na manufatura de novos produtos.
Inicialmente para buscar atingir a redução da geração de resíduos na fonte é importante
conhecer quais os principais motivos das perdas que levam a essa geração. Agopyan et all
(2003) lembra que para isso é conveniente notar que as perdas e o consumo excessivo de
determinados materiais pode ocorrer em diferentes fases do empreendimento: na concepção
quando a estimativa de consumo de determinado material é muito elevado, na execução
quando acontece a quebra de materiais estocados inadequadamente e na utilização quando há
variação entre a quantidade prevista para manutenção da obra, como a re-pintura de paredes, e
a quantidade efetivamente consumida.
2.4.2 Segregação, Acondicionamento e Armazenamento e Transporte
Junior (2005) descreve uma proposta de projeto de gerenciamento de resíduos da construção
no qual alguns procedimentos devem ser realizados: segregação dos resíduos na origem,
armazenamento e acondicionamento de com base na classe/tipo de resíduo a fim de garantir a
integridade dos materiais, identificação, em planta, dos locais destinados a cada tipo de
resíduo e identificação dos responsáveis pela coleta e transporte dos resíduos gerados no
empreendimento, tendo atenção para aspectos como tipos de equipamentos e veículos a serem
utilizados, freqüência e itinerário.
A segregação dos resíduos de construção e demolição é definida por Junior (2005, pag. 9)
como “a triagem dos resíduos da construção civil no local de origem ou em áreas licenciadas
para esta atividade, segundo a classificação exigida por norma regulamentadora”.
A segregação dos resíduos por classes e tipos bem como a identificação dos materiais
acondicionados proporciona maior organização na obra facilitando o transporte interno e
externo desses resíduos se mostrando como processos de apoio essenciais à gestão de RCD.
2.4.3 Reuso
Diante da escassez de recursos naturais não-renováveis fonte da maioria dos materiais usados
na indústria da construção edificações buscam-se cada vez mais alternativas para se reduzir o
desperdício.
A resolução CONAMA 307/2002 traz o termo reutilização como “o processo de reaplicação
de um resíduo, sem a transformação do mesmo”. (BRASIL, 2002, pág. 2). Junior (2005)
apresenta uma visão mais abrangente e voltada para a proteção ao meio ambiente,
conceituando reutilização como:

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O aproveitamento dos resíduos da construção civil sem transformação física ou
físico-química, assegurando, quando necessário, o cumprimento dos padrões de
saúde pública e meio ambiente. (pag.9).
Ainda sobre essa conceituação temos que, a reutilização de resíduos da construção civil é uma
opção de valorização que implica na recuperação de elementos construtivos completos, mais
facilmente reutilizáveis, com as mínimas transformações. (ITEC 1995, apud Pinto 1999)
O reuso de certos materiais dentro do próprio canteiro de obras pode acontecer de maneira
simples. Fagury e Grande (2007) afirmam que blocos, tijolos e cerâmicas possuem um bom
potencial de reutilização, sem necessitar de sofisticação no seu tratamento, assim como o
asfalto que pode ser reutilizado em obras viárias. John e Agopyan (2000) afirmam que a
desmontagem e reutilização de componentes não mais necessários podem ser incrementadas
pela adoção de projetos flexíveis que permitam modificações substanciais nos edifícios.
As técnicas e os processos empregados nas demolições também influenciam a qualidade dos
resíduos gera e conseqüentemente na possibilidade de reuso dos RCD’s. Alguns sistemas de
demolição e construtivos podem produzir resíduos com maior potencial que outros, por isso a
mistura de materiais e componentes ou sua contaminação pode favorecer a reutilização e
reciclagem do resíduo. (Zordan, 2000).
2.4.4 Reciclagem
Os estudos sistemáticos iniciais sobre reciclagem de resíduos de construção e demolição são
datados da década de 80, com a colaboração de PINTO (1986), ZORDAN (1997) e LIMA
(1999), destacando-se também estudos pontuais realizados pelo Sindicato das Indústrias de
Construção Civil - SINDUSCON de estados como São Paulo e Minas Gerais e por diversas
instituições de pesquisa do país.
Atualmente, a reciclagem de resíduos tem sido incentivada em todo o mundo, seja por questões de
ordens políticas, econômicas ou ambientais. Porém comparativamente a países do primeiro
mundo, a reciclagem de resíduos no Brasil como materiais de construção é ainda tímida, com
a possível exceção da intensa reciclagem praticada pelas indústrias de cimento e de aço,
Angulo, Zordan e John (2001).
A reciclagem de RDC pode ser entendida como:
a opção de valorização que implica tornar a utilizar um resíduo em um processo de
produção, originando-se desse processo produtos análogos ou diversos, usados para
a mesma finalidade ou para usos diferenciados. (Pinto, 1999, pág. 177).
Barros (2005), ressalta a importância dessa técnica de minimização de resíduos, pois com a
reciclagem de RCD haverá uma diminuição do impacto ambiental nos grandes centros, o
crescimento da vida útil dos aterros sanitários, a redução de pontos clandestinos de descarte,
contribuindo assim para o gerenciamento dos problemas relacionados ao alto volume
diariamente produzido e minimizando os custos dessa gestão.
A reciclagem de resíduos de construção e demolição apresenta diversas possibilidades
enquanto solução para a gestão de RCD e para produção de subprodutos de baixo custo para a
construção civil. Santos (2007) afirma que a indústria da construção civil apresenta grande
potencial para a reciclagem, podendo incorporar aos seus processos não só os seus resíduos
como também os provenientes de outros setores da economia.
Zordan (1997, pág. 140) acrescenta que “a reciclagem representa muito mais que uma
maneira de diversificar e aumentar a oferta de materiais de construção, viabilizando eventual
emente reduções de preço”

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Do ponto de vista técnico existem diversas possibilidades para a reciclagem de RCD. Quase a
totalidade da cerâmica encontrada no RCD pode ser beneficiada como agregado com
diferentes aplicações e que as frações de resíduos compostas por concretos estruturais e
rochas naturais podem ser recicladas como agregado para produção de concretos estruturais
(John e Agopyan, 2000).
Outras formas de reciclagem de entulho vêm sendo estudadas por Zordan (1997), com a
utilização de britas corridas ou mistura dos resíduos com solo em pavimentação e por Barros
(2005) com a possibilidade de utilização do agregado reciclado miúdo como material
substitutivo dos agregados naturais nos sistemas de cobertura final de aterros apresentando
comportamento semelhante à um solo granular e se mostrando como uma boa opção para um
sistema de cobertura de aterros sanitários em cidade pequenas e médias de clima semi-árido.
Apesar do aumento das possibilidades de reciclagem de RCD ainda se percebe barreiras
quanto à produção e principalmente comercialização de produtos reciclados. Roth (2008)
afirma que fatores tecnológicos relacionados às técnicas e meios de reciclagem ainda são
incipientes ou insuficientes e que normalmente os produtos reciclados são mais caros que os
convencionais e que a falta informações sobre os produtos que faz com que sua procura seja
pequena.
2.4.5 Destinação Final
Um dos processos de gestão de resíduos de construção e demolição consiste na destinação
final adequada para aqueles materiais que não podem ou não são reutilizados ou destinados a
reciclagem. De maneira geral a destinação final correta para os RCD’s são os aterros
sanitários, podendo existir em algumas cidades bancos de resíduos.
A resolução CONAMA 307/2002 determina que os resíduos de construção e demolição “não
poderão ser dispostos em aterros de resíduos domiciliares, em áreas de “bota-fora”, em
encostas, corpos d’água, lotes vagos e em áreas protegidas por lei” (BRASIL, 2002, pag. 02)
Neto (2005) ressalta a limitação de áreas destinadas ao descarte desses resíduos, lembrando
que muitas vezes as empresas coletoras comumente chamadas de Disk Entulho não utilizam
as áreas legais de descarte de RCD descartando-os em áreas urbanas livres. O autor ainda
reforça a importância da instalação de diversos postos de recebimento de RCD a fim de
reduzir a deposição irregular e incentivar sua reciclagem.

3 METODOLOGIA
Este trabalho foi elaborado por meio de uma pesquisa exploratória de caráter quali-
quantitativo, realizada com a revisão da bibliografia documentais e legais, tendo a
contribuição de artigos científicos publicados em revistas e anais de congressos, dissertações
de mestrado, bem como sites de internet. Posteriormente foi realizada pesquisa de campo por
meio de entrevista com aplicação de questionário estruturado aos gestores de empresas de
construção civil de Natal/RN, objetivando conhecer sobre o entendimento e uso das práticas
de gestão de RCD nessas empresas.

4 RESULTADOS E ANÁLISES
Foram analisadas quatro empresas que se encontram em diferentes estágios quanto à gestão
ambiental e adoção de processos de gerenciamento de resíduos de construção e demolição.
Diante do comprometimento de sigilo quanto às informações cedidas, estas serão
identificadas nesse estudo como empresas A, B, C e D.

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O perfil das empresas analisadas é demostrado de acordo com o quadro abaixo:
Tabela 2: Perfil da Empresas Pesquisadas

EMPRESA
“A”
EMPRESA
“B”
EMPRESA
“C”
EMPRESA
“D”
TAMANHO Médio Porte Grande Porte Pequeno
Porte
Médio Porte
ÁREA DE
ATUAÇÃO
Atuação
Regional
Atuação
Nacional
Atuação
Local
Atuação Local
TEMPO DE
MERCADO
Mais de 10 anos Mais de 10
anos
Mais de 10
anos
Mais de 10 anos
CERTIFICAÇÕES ISO 9001
ISO 14001
ISO 9001
ISO 14001
OSHAS
18OO1
-- --
INFORMAÇÕES
ADICIONAIS

Sistema
Integrado de
Gestão


Analisando as práticas de gestão de RCD das empresas aqui estudadas percebe-se que em
todas as construtoras existe um setor responsável pela gestão de resíduos, sendo estes em sua
nomenclatura voltados para a área de qualidade e nesse gerenciamento verifica-se uma
predominância de profissionais de nível superior.
Existe uma variabilidade quanto ao principal motivo que levou as empresas a iniciarem o
gerenciamento dos RCD’s sendo aquelas mais avançadas quanto aos processos de gestão
ambiental e de qualidade motivadas pela redução de custos/desperdícios e pelo atendimento à
legislação.
No que concerne a Resolução CONAMA 307/2002 percebe-se que o nível de conhecimento
das empresas cresce de acordo com seu tamanho e a campo de atuação, sendo que quanto
menor a empresa, mais básico seu grau de entendimento quanto à esta legislação.
Não existe concordância na percepção das causas mais significativas de geração de RCD’s,
apresentando entre as empresas estudadas total variabilidade em apontar as razões mais
relevantes. Porém estas se mostraram conscientes em relatar que a falta de conscientização,
normas internas, treinamento para procedimentos operacionais e mudança cultural são outras
possíveis causas dessa geração.
A destinação final adequada e a minimização são os processos de gestão de resíduos de
construção e demolição mais utilizados pelas empresas, entretanto comparando a realidade
adotada por cada uma com o julgamento de quais seriam as ações mais importantes a serem
tomadas, a maioria reconheceu não adotar como em sua realidade os processos julgados mais
importantes e apontaram como ideal os processos de não-geração, minimização e reciclagem.
Existe entre as empresas, significativa similaridade sobre os aspectos de organização interna
das obras, onde a segregação dos resíduos por classe e tipo e o uso de depósitos específicos
(baias, caçambas e bags) para cada tipo de resíduo são, respectivamente, as práticas mais
utilizadas.
Sobre a prática de reciclagem na gestão de RCD, observa-se que os materiais mais reciclados
ou destinados para esse fim são os papéis, plásticos e metais, e que o resíduo de gesso é
apontado pela maioria das empresas com um dos mais difíceis de serem alocados para este

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fim. A ausência de usinas de reciclagem atrelada e a falta de tecnologias apropriadas foram
consideradas pela maioria das empresas como as principais barreiras para a utilização de
práticas de gestão de RCD.
As formas de reuso dos resíduos de construção e demolição mais utilizadas pelas construtoras
aqui estudadas são o nivelamento de espaços nas obras e a venda dos materiais à terceiros.
Porém o percentual de reuso relacionado ao total de resíduo gerado apresenta variabilidade
entre as empresas, onde as melhores posicionadas no mercado reutilizam parcelas menores de
seus RCD.
Os chamados “disk-entulho” são predominantemente a alternativa de destinação final mais
adotada, sendo também utilizado, pelas empresas o aterro sanitário e estas, em sua totalidade
apresentam procedimentos formalizados e controlados para o transporte e destinação final de
resíduos.
Para as empresas analisadas a redução de custos, a organização e limpeza dos canteiros e a
adequação à legislação são predominantemente os benefícios e vantagens mais identificados
oriundos da gestão de RCD.
As construtoras apresentaram diversidade em escalar a significância dos aspectos e impactos
ambientais que podem estar relacionados aos resíduos de construção, porém a poluição da
água, ar e solo foi considerada como um dos mais significativos pela maioria das empresas
que em sua totalidade visualizam a adoção de práticas gerenciais mais sustentáveis e
consideram a gestão de RCD como relevante ou muito relevante para a organização.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O setor da construção civil no Rio Grande do Norte é diversificado e significativo para o
estado. O crescente aumento das quantidades de RCD’s e os impactos causados por eles
revelam a importância da gestão para reduzir, reciclar e destinar corretamente esses resíduos.
Nesse sentido cabe a cada construtora adotar modelos de gestão capazes de atender à
legislação em vigor, melhorar seu controle de qualidade e garantir a preservação dos recursos
naturais.
A sofisticação do mercado da construção civil e o aumento do grau de exigência dos clientes
atrelado a introdução de empresas de nível nacional no mercado local, forçam as empresas
locais a melhorarem seus processos internos, controlarem melhor os custos e repensarem sua
postura em relação ao meio ambiente.
De acordo com resultados obtidos na análise comparativa conclui-se que as práticas de gestão
de resíduos de gestão e demolição das empresas estudadas não obedecem a uma
padronização, ficando a escolha dos processos utilizados à critério de cada construtora, que irá
variar de acordo com seu foco de negócio.
Vale salientar que as empresas aqui analisadas encontram-se em diferentes estágios quanto à
gestão de RCD e a disseminação de informações, o incentivo a reciclagem, o
desenvolvimento de novas tecnologias são as bases para a consolidação desses processos.
Revela-se que mesmo as empresas de maior porte e com técnicas de gestão organizacionais
mais desenvolvidas não adotam todas as exigências da Resolução CONAMA 307/2002 e que
suas práticas de gerenciamento de RCD têm como base processos de “fim de tubo” estando
mais preocupadas com a adequação a legislação e redução de custos.
É fundamental reconhecer que essa gestão é uma tarefa complexa e envolve não só a
responsabilidade dos geradores. Do ponto de vista do poder público, a fiscalização e acima

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disso o apoio e incentivo para a redução e reciclagem de resíduos e a criação locais
regularizados de descartes como banco de resíduos e aterros sanitários para RCD’s, são
essenciais para apoiar as ações das construtoras.

6 REFERÊNCIAS
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2007. 140f. (Tese de Mestrado), UNICAMP, São Paulo. 1997.





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Consumismo x desperdício: uma abordagem crítica da gestão dos
resíduos gerados na praça de alimentação de um shopping da cidade
de Natal-RN

Larisse Santos Cabral de Oliveira (IFRN) larisse.cabral@gmail.com
Thatiana Cristina Pereira de Macedo (IFRN) thatirn@gmail.com
Adriana Figueredo da Silva (IFRN) afrodrica@hotmail.com
Bruno César Dias de Albuquerque (IFRN) bruno.bcda@gmail.com
Ana Kalina da Silva Costa (IFRN) anakalina20@hotmail.com

RESUMO
Diante do crescimento desordenado dos grandes centros urbanos e do aumento da população, o
consumismo tem se intensificado e com isso há um aumento na produção de resíduos sólidos. Esses
resíduos popularmente conhecidos como lixo são um dos maiores problemas enfrentados pela
humanidade atualmente devido ao grande acúmulo e gerenciamento ineficiente como, por exemplo, a
falta de destinação final adequada e a falta da política nacional de resíduos sólidos. Os objetivos deste
trabalho são analisar a gestão dos resíduos sólidos de um shopping da cidade de Natal,
especificamente os gerados na praça de alimentação, com a finalidade de compreender como é feito o
gerenciamento dos resíduos desde sua coleta até a destinação final. Para tanto foram feitas entrevistas
por meio de questionários com funcionários e consumidores, que em sua maioria afirmaram acreditar
que a gestão do shopping, para aquilo que eles enxergam, é boa.
PALAVRAS-CHAVE: resíduos sólidos; consumo; gerenciamento.

1 INTRODUÇÃO
A intensa exploração da natureza que ocorreu após o surgimento da sociedade industrial
trouxe diversos problemas no âmbito ambiental, decorrente das intensas atividades humanas.
Entretanto, a preocupação com os problemas ambientais emergiram somente na segunda
metade do século XX, quando a contaminação das águas, do solo, do ar, a crise energética, a
diminuição das florestas e a ocupação desenfreada do solo começaram a ser questionados e
debatidos nos fóruns mundiais como, por exemplo, a divulgação do relatório do clube de
Roma e a realização da conferência mundial sobre o meio ambiente humano em Estocolmo.
Todavia, com a industrialização houve um aumento da população dos grandes centros urbanos
o que provocou um maior consumo de alimentos e produtos industrializados contribuindo
assim, para a o aumento da geração de resíduos sólidos, que nos dias de hoje é um dos
problemas mais sérios enfrentados pela humanidade.
Diariamente a situação dos resíduos se agrava visto que, há um aumento desordenando das
cidades que leva tanto ao aumento da população, quanto do número de resíduos devido à
necessidade constante de o homem satisfazer os seus anseios cotidianos. Com isso surgem às
indústrias, o comércio em geral, os serviços de saúde e transporte e cada um desses segmentos
leva a produção de resíduos sólidos.



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Diante deste contexto Natal/ RN aparece como uma cidade que também enfrenta os
problemas dos resíduos sólidos devido ao aumento desordenado da população e um
gerenciamento que ainda precisa ser levado com seriedade. O presente trabalho traz como
proposta a avaliação da gestão dos resíduos sólidos gerados na praça de alimentação do
shopping localizado na cidade de Natal/ RN, caracterizando e apontando as etapas utilizadas
para o gerenciamento adequado dos resíduos.
A metodologia utilizada foi de caráter teórico, com pesquisas em sites, livros, artigos, além de
entrevistas aos consumidores da praça de alimentação e aos encarregados dos setores de
manutenção e serviços gerais, sendo necessária a utilização de questionários com perguntas
abertas e fechadas para obtenção mais precisa dos dados.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 O consumismo no Brasil
O Brasil apresenta um histórico industrial com a presença de diversas fases de
desenvolvimento e de foco em relação ao mercado. Pode-se afirmar que a industrialização em
nosso país teve início a partir da indústria do café e começou a ser impulsionada no governo
de Getúlio Vargas. Porém o impulso nessa época foi restrito aos grandes centros e as regiões
sul e sudeste do Brasil.
Muitos outros acontecimentos, como a criação da PETROBRAS e mudanças de regimes
políticos, bem como dos próprios políticos no poder, foram extremamente relevantes para
estabelecer a configuração atual da indústria brasileira. Após passar por fases de estagnação
em função de algumas crises e ainda apresentar dependência externa de alguns setores, como
é o caso da área de tecnologia da informação, hoje a indústria brasileira se mostra mais forte,
fato que está em consonância (oferta e demanda) com o crescimento do poder de consumo da
população brasileira, formando a chamada “sociedade de consumo”.
Segundo reportagem da revista EXAME:

O consumo anual no Brasil deve crescer de 780 bilhões de dólares em 2007 para 1
trilhão em 2012. Com esse aumento de 220 bilhões de dólares, o mercado brasileiro
será o terceiro entre os que mais contribuirão para o crescimento do consumo no
mundo nos próximos cinco anos, um adicional calculado em 3,5 trilhões de dólares.
Segundo os especialistas da Bain e da Euromonitor, apenas Estados Unidos e China
darão contribuições maiores (STEFANO; SANTANA; ONAGA, 2008).

Dessa forma, deve-se relacionar o consumo com a geração de resíduos já que quanto mais
produtos são adquiridos, mais lixo será gerado e serão necessários mais lugares para a
destinação final. Nesse contexto, o consumidor verde e o consumo sustentável se apresentam
como prováveis soluções para que a poluição ambiental relacionada ao consumismo diminua
e que o meio ambiente apresente condições cada vez melhores.

2.1.1 O consumidor verde e o consumo sustentável
A tendência de mercado que se difunde no senso comum é a de que as empresas estão
investindo em um novo tipo de consumidor, aquele que assume seu compromisso com o meio
ambiente e transparece isso no momento da aquisição de um produto. Dá-se o nome de verde



60 | P á g i n a

a este tipo de consumidor. Apesar disso, não há uma definição que venha caracterizar
fielmente esse tipo de consumidor, uma vez que ele vem a se adaptar a conjuntura local. Em
outras palavras, a cultura e ideologias existentes no espaço estudado irão influenciar
totalmente o modo de agir e o comportamento dos consumidores (SANTOS 1993).
Se for considerada a situação atual, pode-se expor que o consumo sustentável é moldado de
acordo com as necessidades do consumidor. MICHAELIS (2003) discute essa questão
argumentando que é a sociedade de forma organizada que deve exercer pressão sobre o setor
governamental e este por sua vez, na forma de políticas e taxações, deve pressionar as
corporações a fim de fazê-las adotar uma conduta ambiental justa. O mesmo autor ainda
comenta que:

O despertar das empresas podem ter que esperar por mudanças nas políticas e ações
do governo, da mídia e da sociedade civil, forçando as corporações a entrar em
diálogo para desenvolver uma nova história sobre a prosperidade do meio ambiente
e o papel da classe empresarial em promovê-la. Os governos necessitam reformar
suas taxas e leis ambientais, bem como também necessitam mudar as leis acerca da
competição e dos investimentos para criar um sistema que recompense o
comportamento (moral) da corporação. Mas finalmente, a cultura empresarial só
parece mudar como parte de uma mudança ampla, exigida e promovida pela
sociedade civil (MICHAELIS, 2003, p.921).

De forma esquemática, pode-se expor a citação acima, assim como mostra a figura 1 a seguir:


Figura 1- esquema do funcionamento do consumo sustentável
Fonte: Adaptado de (MICHAELIS, 2009)
Tanto a citação quanto o esquema exposto nos indicam que a sociedade exerce um papel
fundamental na mudança de comportamento das empresas. Porém é necessário que o governo
entenda os anseios da população para assim fazer valer sua autoridade, cobrando das
empresas uma conduta ambientalmente esperada. Assim, todos saem beneficiados: a
sociedade satisfeita por terem seus desejos atendidos; o governo, com suas políticas eficazes;
e as empresas, por dar retorno à sociedade e ter retribuídos destes a preferência por seus
produtos/serviços.





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2.1.2 A realidade brasileira
O consumo indiscriminado, fundamentado no crescimento econômico anual de
aproximadamente 4% do país, traz além da ótica política e econômica, o retrato dos impactos
ambientais causados. Isso acontece, pois, quanto maior o consumo, maior será a geração de
resíduos, uso de matérias primas e conseqüentemente dos impactos ambientais. Impactos estes
que se acumulam em toda a história industrial brasileira como elenca Young e Lustosa (2009),
ao afirmar que a política do governo nos anos 60, o “venha nos poluir”, atraiu uma série de
indústrias com potencial poluidor.
Na maioria das vezes os impactos não estão internalizados nos preços dos produtos,
principalmente os bens de exportação, em função de uma falsa competitividade empresarial.
O que coloca o Brasil como uma emergente potência econômica e geradora de impactos
ambientais e chama atenção para o contexto que está por trás dos números crescentes da
economia e do consumo no país.
No contexto de uma sociedade cada vez mais consumista e de uma produção cada vez mais
impactante, os consumidores verdes se apresentam como uma das melhores formas de se
estimular que empresas de diversos ramos passem a adotar ações que diminuam os impactos
ao meio ambiente, contribuindo com o desenvolvimento sustentável.
Mesmo com essa relevância da temática ambiental relacionada ao setor econômico, ressalta-
se que a maior parte da sociedade diz considerar as questões ambientais como influenciadoras
do consumo, entretanto na prática isso não vem a se concretizar. Isso pode ser confirmado se
analisarmos os resultados da entrevista realizada no estado de São Paulo, expostos por LIMA,
A. (2009) que diz,

74% dos entrevistados consideram-se consumidores preocupados com questões
ambientais e 59% afirmam que produtos com apelo ecológico influenciam sua
decisão de compra. Apesar das boas intenções, na prática o comportamento desse
grupo é outro. A pesquisa revela, por exemplo, que 70% dos entrevistados desistem
de comprar produtos com selo ambiental caso eles custem mais do que similares sem
a certificação verde. Além disso, 47% dos consumidores afirmam que não deixam
de comprar um produto mesmo sabendo que ele é prejudicial à natureza.

Portanto, os consumidores verdes ainda não podem ser considerados como maioria no cenário
brasileiro. Muito ainda precisa ser feito para que, de fato, os consumidores utilizem as
questões ambientais como limitadoras do consumo e como fator de decisão na hora da
compra.

2.2 Resíduos Sólidos: breves explanações
Além da questão do consumidor, torna-se necessário realizar a descrição do conceito que
envolve os resíduos sólidos, fazendo a caracterização, a análise da composição do lixo e os
impactos gerados por ele.
Os resíduos sólidos, conforme LIMA, são materiais heterogêneos (inertes, minerais e
orgânicos) resultantes das atividades humanas e da natureza, os quais podem ser
parcialmente utilizados, gerando, entre outros aspectos, proteção à saúde pública e
econômica de resíduos naturais (1998, p. 32).



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Usualmente chamado de lixo, os resíduos sólidos podem ter como origem os domicílios, as
indústrias, o setor de saúde, a agricultura, a construção civil, o comércio, entre outros. Para
que se obtenha um bom resultado em qualquer projeto no que se refere ao gerenciamento de
resíduos sólidos é importante que se faça a caracterização do lixo baseando-se em três
principais características sendo elas físicas, químicas, e biológicas.
Segundo FONSECA (2001) as características físicas podem ser definidas por:
compressividade identificado no grau de compactação do lixo, teor de umidade que analisa a
quantidade de água na massa dos resíduos, composição gravimétrica compreendendo o
percentual de cada componente comparando com o peso total do lixo, volume per capita que é
a quantidade gerada de lixo por pessoa e o peso específico onde é feito a relação do peso do
lixo ao volume.
Com relação às características químicas pode ser determinado pelo poder calorífico que indica
a quantidade de calor durante a combustão de 1 (um) quilo de resíduos sólidos, os teores de
matéria orgânica e o Potencial Hidrogeniônico dos resíduos. Já as características biológicas
são apresentadas através da ação de fungos e bactérias que realizam a decomposição do lixo,
causando à população diversos transtornos de ordem sanitária.
Além disso, para um gerenciamento eficiente, é importante ter o conhecimento sobre os
impactos causados pelo lixo, como a poluição do solo, das águas e do ar, que causam
transtornos e problemas sócio-ambientais. Devido à valorização do lixo, que é, por muitos,
considerado algo sem valor, o volume de resíduos gerados vem aumentando cada vez mais
(mesmo os reaproveitáveis), sendo necessário construir mais lixões, aumentando os impactos
visuais e estéticos.

3 MATERIAIS E MÉTODOS DA PESQUISA
3.1 Recorte espacial: caracterização do local
O shopping em questão está localizado na região administrativa leste da cidade de Natal, no
bairro Tirol. A origem desse bairro permeia ao processo de crescimento da cidade, o qual
inicia sua tímida ocupação pelas casas de campo da elite republicana, consolidando-se com a
chegada da linha do bonde (SEMURB, 2009).
Com uma população de 15.968 pessoas e 4.768 domicílios permanentes (IBGE, 2007), os
quais se caracterizam como classe média alta e classe alta, o bairro tem por tradição o
comércio de alto padrão, com seus cafés e boutiques de grife.
Focando na área de estudo, o empreendimento vem desde a sua inauguração, em 2006,
dinamizando o espaço social, econômico e cultural da cidade, sendo o shopping mais
freqüentado, com um fluxo de cerca de 60.000pessoas/dia. Com a recém inauguração do seu
terceiro piso (primeiro semestre do ano de 2009), o estabelecimento conta com 300 lojas que
oferecem os mais variados serviços: supermercado, perfumarias, artefatos de decoração,
roupas, calçados, alimentação, entre outros (MIDWAY MALL, 2009).
Para este ultimo item será detida uma maior atenção, uma vez que é na área reservada para
esse serviço evidente a problemática do nosso estudo: a geração de resíduos sólidos e seu
gerenciamento.
Estão distribuídos na praça de alimentação 33 estabelecimentos comerciais, classificados em,
entre outros, fast foods, cafés, pizzarias, sorveterias, especializados em frutos do mar e
culinária internacional.



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3.2 Instrumentos de coleta de dados
A pesquisa executada para a elaboração do presente artigo constitui-se de 3 etapas: pesquisa
bibliográfica e definição de técnicas e estratégias de ação, pesquisa de campo e análise e
interpretação dos dados.
Detalhando as etapas, na primeira foram feitas pesquisas de caráter bibliográfico e
documental em busca de informações para embasar e contextualizar as discussões e resultados
provenientes das etapas posteriores. Para isso, foram consultados sites, livros, periódicos,
entre outros meios de informação. Nesta etapa ainda foram definidos os meios de coleta de
dados in loco, os quais foram dois questionários: um voltado aos consumidores e
freqüentadores da praça de alimentação com a intenção de sondar o comportamento e suas
preferências por serviços naquele espaço; e outro destinado a identificar o modo como é feito
o gerenciamento dos resíduos produzidos naquela área do shopping.
A segunda etapa da pesquisa foi a pesquisa de campo, a qual consistiu na observação da
dinâmica na área de estudo e da aplicação dos questionários. Para o questionário destinado
aos consumidores foi definida uma amostragem intencional, pois se buscou saber a opinião de
um grupo específico, no caso os consumidores que freqüentam aquele lugar específico do
shopping. Nesse tipo de amostragem, de acordo com determinado critério, é escolhido
intencionalmente um grupo de elementos que irão compor a amostra. O investigador se dirige
intencionalmente a grupos de elementos dos quais deseja saber a opinião (SILVA, 2002).
Sendo assim, foram aplicados os questionários a 50 pessoas. As entrevistas foram feitas entre
os dias 12 e 17 de outubro de 2009.
Para a terceira e ultima etapa tem-se a análise dos dados colhidos em campo. Para isso, foram
usados métodos estatísticos básicos de caráter descritivo.

4 ANÁLISE E DISCUSSÕES DOS RESULTADOS
4.1 Descrição da Gestão dos resíduos sólidos na área em estudo
Como citado anteriormente, o shopping objeto de estudo é o de maior movimento na cidade
de Natal. Com isso, a produção de resíduos sólidos também se destaca, visto que o volume de
lixo gerado está diretamente relacionado ao número de pessoas que freqüentam um
determinado local. Isso se confirma se considerarmos FONSECA que afirma: (...) enquanto
houver homem, haverá lixo. Assim sendo, o lixo é inesgotável e aumenta de forma contínua
conforme o crescimento populacional (2001, p. 19).
Nesse contexto, a gestão de resíduos do shopping tem que dispor de uma gestão mais eficaz
que, inclusive, apresente em seu fluxograma a destinação final visto que a coleta de resíduos
gerados por grandes estabelecimentos não é atribuição dos Serviços de Limpeza Pública
(LIMA, J. 1998).
Após o consumo, pelos clientes, das refeições, se inicia a fase da obrigação do
empreendimento de limpeza e asseio do ambiente. Para tanto, é necessária uma gestão que
atribua quais as fases do procedimento de coleta e destinação dos resíduos e os responsáveis
por cada etapa. De forma específica, a gestão dos resíduos na praça de alimentação é realizada
seguindo o fluxograma abaixo (figura 2):



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Figura 2- fluxograma do processo de gerenciamento

Conforme o fluxograma, inicialmente é realizado o recolhimento do lixo na praça de
alimentação. Esse serviço é feito pelos servidores de uma empresa terceirizada, que conta com
cerca de 29 funcionários com funções pré-determinadas. Eles se dividem em equipes que são
responsáveis por: recolher as bandejas e limpar as mesas, transportar os resíduos até o
estacionamento, limpar o piso, distribuir aos estabelecimentos comerciais seus pratos e
talheres usados.
Com essa logística de trabalho, o esvaziamento das lixeiras é feito constantemente, não
havendo um horário específico para a retirada dos “obrigados” (móveis que servem como
coletores, conforme observa-se na figura 3). Esse serviço é feito por um funcionário
específico que chega a trabalhar cerca de doze horas por dia só retirando o depósito da praça
de alimentação e transferindo para outro coletor do tipo “gaiola”, que pode ser observado
conforme a figura 4.


Figura 3- Recipientes de coleta dos rejeitos



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Figura 4 - “gaiolas”
Nas “gaiolas” ficam depositados tanto os resíduos da praça de alimentação quanto os das lojas
do mesmo piso. Ressalta-se que são os próprios comerciantes responsáveis por retirar o lixo
das lojas e levá-lo as “gaiolas”.
Em seguida, uma empilhadeira transporta as “gaiolas” (ver figura 5) até uma área específica,
onde o lixo é novamente transferido para grandes contentores (no formato “disk entulho”,
como pode-se observar na Figura 6). Nessa área, o papelão e o plástico são separados e
destinados a empresa Guararapes; e os demais rejeitos são encaminhados ao aterro sanitário
de ceará mirim, conforme contrato com empresa terceirizada (BRASECO), onde é realizada a
destinação final dos resíduos.

Figura 5- empilhadeira usada para transporte das “gaiolas”

Figura 6- separação do lixo gerado no shopping



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Conforme funcionário responsável, estima-se que sejam gerados no shopping e encaminhados
ao aterro, diariamente, cerca de 10 contentores com capacidade para cinco metros cúbicos de
lixo, em períodos normais. Essa quantidade é visivelmente maior em feriados e no final do
ano. Não se sabe, ao certo, quanto de papelão e plástico são produzidos e separados.
De forma geral, esse é o caminho pelo qual os resíduos seguem até serem, finalmente,
depositados no aterro. Conforme servidor do próprio empreendimento, não é feita a separação
de todos os resíduos, pois a manutenção não dispõe de equipe suficiente para isso. Portanto,
pode-se citar que não é de interesse da alta administração o desenvolvimento desse tipo de
atividade, visto que, caso contrário, seriam contratados mais funcionários para o desempenho
dessa função.

4.2 Análise Descritiva e Caracterização do consumidor
A praça de alimentação do shopping dispõe de lojas dos mais variados tipos, desde
lanchonetes Fast food, Self Service a cafeterias. Considerando que algumas delas produzem
um volume maior de resíduos que outras (pois em praticamente todas as refeições utilizam
material que é todo descartado), considerou-se importante fazer a caracterização do
consumidor em relação ao tipo de refeição que procuram. O resultado pode ser observado
conforme Figura 7, a seguir:

Figura 7- Gráfico da preferência conforme tipo de restaurantes/refeições
Dentre os tipos de restaurantes citados na pesquisa, percebe-se o uso massivo dos fast foods,
que notadamente detêm o maior fluxo das pessoas que usam os serviços da praça de
alimentação. Ressaltamos, ainda, que esses empreendimentos são, também os que geram
maior resíduo, já que para o fornecimento de uma refeição desse tipo, apenas a bandeja
plástica retorna para o processo produtivo.
Feita a caracterização dos consumidores conforme o tipo de alimentação que consomem, foi
feito também um questionamento sobre a freqüência que essas pessoas utilizam os serviços da
praça de alimentação. Os resultados estão expostos, conforme figura 8:

Figura 8- Gráfico de freqüência do uso dos serviços da praça de alimentação



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Com o gráfico percebe-se que a maior parte apresenta uma freqüência considerável e apenas
10% dos entrevistados nunca utilizam os serviços fornecidos pela área em estudo. Feita a
caracterização do consumo, buscou-se obter informações sobre qual a opinião em relação ao
gerenciamento dos resíduos. Foram obtidos como resultados:


Figura 9- Gráfico da opinião dos consumidores em relação a gestão dos resíduos sólidos do shopping

Além dos resultados da pesquisa, os entrevistados forneceram outras informações relevantes
e, dessa forma, percebe-se que aquelas que conhecem a rotina da praça à nível do
gerenciamento dos resíduos a considera ruim ou péssima, diferentemente daqueles que são
espectadores ou somente freqüentadores do shopping, que dão boas qualificações para tal
gerenciamento. Isso pode ser resultado da limpeza e conservação do ambiente, que, de fato,
apresentam boas condições.
Fazendo uma análise de correlação entre duas vaiáveis questionadas aos freqüentadores da
praça de alimentação, que são o tipo de refeição (TIP_REF) e a faixa etária (FAI_ETA)
percebeu-se que uma influencia na outra. A seguir, pode-se observar a análise de correlação
entre as duas variáveis:


Figura 10- Análise de correlação entre as variáveis FAIX_ETA e TIP_REF
Assim, apesar da baixa correção r = 0,4 (para o estudo tal valor se mostra satisfatório para a
análise) percebe-se que quanto a faixa etária que mais consome fast food é a jovem
(classificada entre 0-25 anos). Ainda pode-se inferir que quanto maior o fluxo de pessoas
jovens com a intenção de consumir ou fazer uma refeição no shopping, maior será a geração
de resíduos, uma vez que notadamente são os fast foods os grandes potenciais de geração de
resíduos. Esse fato se dá pela utilização massiva de copos descartáveis e embalagens de papel
ou plástico para os sanduíches. Além disso, ainda existem as propagandas em papel que



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forram as bandejas, este que na opinião do grupo são um desperdício, pois na maioria das
vezes o consumidor não se atenta ao que está escrito ou exposto no cartaz.

4.3 Outras questões
Com as observações in loco da área de estudo, o grupo percebeu que há uma grande falta de
conscientização da população, que se acomoda e deixa os resíduos oriundos do consumo de
sua refeição em cima das mesas. Apesar da existência de funcionários no local para manter o
ambiente asseado, não é por isso que o consumidor deve ter tal atitude. No ambiente familiar
se recolhe os pratos e se leva-os até a pia, para posterior limpeza. E se a mesma atitude feita
no shopping fosse feita em casa? Com certeza haveria um certo incomodo frente ao acúmulo
de resíduos e pratos na mesa.
Com relação a análise gravimétrica dos resíduos do estabelecimento, não se obteve
autorização para realizar o procedimento de avaliação. Porém, com a simples observação do
local se percebe notoriamente que a maioria dos resíduos são de papel e plástico devido ao
tipo de refeição mais consumida (os fast foods, os quais já foram abordados anteriormente).
Ao considerar o shopping como um todo, a parcela de geração de resíduos da praça de
alimentação é menor que a dos demais estabelecimentos (lojas). Porém, o tipo de resíduo
gerados por estes são em sua maioria papelão, os quais podem ser reciclados.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resíduos sólidos são responsáveis por problemas ambientais, como a contaminação do solo
e da água; por problemas de saúde pública; além de outros que nos fazem refletir sobre a
importância da diminuição da geração de lixo e da boa gestão pública e privada dos rejeitos.
Grandes empreendimentos deixam de depender do serviço público de coleta e tem por
obrigação destinar de forma correta os seu resíduos. Isso se aplica aos shoppings, que reúnem
um grupo de empresas de vários ramos, gerando, portanto, resíduos dos mais variados tipos.
O Shopping apresenta uma gestão que visa apenas a destinação dos rejeitos sem qualquer
programa de reciclagem em sua Gestão dos Resíduos Sólidos. Os únicos materiais que são
separados e seguem um destino diferente dos demais são os plásticos e os papéis.
Os consumidores e usuários da praça de alimentação desse shopping acreditam, em sua
grande maioria, que o mesmo dispõe de uma boa gestão dos resíduos. Entretanto, essa visão
deve ser associada a questão da limpeza do ambiente e não a gestão como um todo, já que a
maior parte deles não têm nem busca informações desse tipo, refletindo, assim, os resultados
da quase não existência de consumidores verdes no Brasil.
Ressalta-se que para a elaboração deste trabalho, algumas limitações foram enfrentadas, o que
dificultou a caracterização dos resíduos de forma específica. Entretanto, somente a observação
nos fez perceber que a maior parte dos resíduos era composta por papel e plásticos,
principalmente da praça de alimentação.
Nesse cenário, na busca de melhorar a gestão do shopping em estudo e tentar mudar o modo
de agir dos consumidores, apresentamos algumas sugestões que caso forem levadas em
consideração, podem contribuir com a melhoria das condições do meio ambiente. São elas:
que seja inserido, no shopping, um sistema de coleta seletiva no qual a separação já seja feita
na própria praça de alimentação; que sejam realizados eventos e utilizadas placas para



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conscientização da população e dos lojistas; que o shopping tente desenvolver políticas
internas para que as lojas apresentem uma mínima geração de resíduos (com a eliminação dos
papéis de bandeja que tem apenas caráter publicitário e nem sequer são eficazes, por
exemplo); e que seja feita uma gestão centrada e específica, já que, com isso, não somente a
população e o meio ambiente terão benefícios, como também a empresa, caso os resultados
sejam utilizados com inteligência e da maneira correta.

REFERÊNCIAS

FONSECA, Edmilson Montenegro. Iniciação ao estudo dos resíduos sólidos e da limpeza urbana.
João Pessoa: JRC Gráfica e Editora, 2001.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Contagem da População
2007. Rio de Janeiro: IBGE, 2007.
_____. Censo demográfico 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2002, V. 1.
LIMA, José Dantas de. Gestão de resíduos sólidos urbanos no brasil. João Pessoa: ABES, 1998.
LIMA, Angélica. O problema é o preço. Revista EXAME (edição on line – Guia Exame de
Sustentabilidade 2008). 2008. Disponível em:
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/desenvolvimento/conteudo_404813.shtml. Acesso em:
03 out. 2009.
MICHAELIS, Laurie. The role of business in sustainable consuption. Journal of Cleaner
Production, vol.11, p.915-921 – October 2003.
MIDWALL MALL. Midway Mall: muito mais shopping (home page). 2009. Disponível em:
www.midwaymall.com.br. Acesso em: 03 out. 2009.
SANTOS, Milton. O espaço cidadão. São Paulo: Nobel, 1993.
SECRETARIA MUNICIPAL DE MEIO AMBIENTE E URBANISMO DE NATAL – SEMURB.
Natal: meu bairro, minha cidade. Natal: SEMURB, 2009.
SILVA, Paulo Cézar Ribeiro. Introdução a estatística econômica. 2002. Disponível em:
http://www.geocities.com/pcrsilva_99/2A3.HTM. Acesso em: 10 set. 2009.
STEFANO, Fabiane; SANTANA, Larissa; ONAGA, Marcelo. O retrato dos novos consumidores
brasileiros. Revista EXAME (edição on line - 17.04.2008). 2008. Disponível em:
http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0916/economia/m0157294.html. Acesso em: 17
out. 2009.
YOUNG, Carlos Eduardo Frickmann; LUSTOSA, Maria Cecília Junqueira. Meio ambiente e
competitividade na indústria brasileira. Disponível em :
www.ie.ufrj.br/gema/pdfs/meioambient.pdf. Acesso em: 18 de out. de 2009.





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Análise Preliminar do Gerenciamento de Resíduos Sólidos Produzidos
pela Construção Civil na Cidade do Natal/RN.

Gabrieli Oliveira (FACEX) gabi_oliver@hotmail.com
Daniele Bezerra dos Santos (FACEX) danielebezerra@facex.net.br

RESUMO
O presente trabalho objetivou avaliar os procedimentos que contribuam para o
desenvolvimento da gestão sustentável de resíduos sólidos da construção civil, tendo como
base para pesquisa as empresas de construção civil da cidade de Natal/RN, visando a
identificação da implementação ou não por parte das empresas de projetos para uma gestão
sustentável dos resíduos sólidos da construção civil de acordo com a Resolução nº 307/2002
CONAMA. A pesquisa foi desenvolvida em 6 empresas da construção civil, através de visitas
técnicas e entrevistas com os gestores e a equipe técnica. O check-list foi aplicado nas
construtoras enfocava: 1) se a Resolução 307, CONAMA/2002, é aplicada nos projetos da
construtora; 2) Há plano de reciclagem e/ou reutilização dos resíduos; 3) Como é realizada a
disposição desses resíduos e o tempo; 4) Presença de campanha de conscientização para os
funcionários; 5) Formas de segregação de resíduos e a maneira como é realizada; 6) Se existe
empenho da diretoria da empresa para com a gestão sustentável dos resíduos; 7) Presença de
locais de armazenados os resíduos gerados e da coleta; 8) Presença de limpeza de
armazenamento temporário. Dentre as construtoras pesquisadas, apenas 3 empresas fazem a
aplicação da Resolução em seus projetos. As outras empresas pesquisadas não possuem um
plano de reciclagem da maioria dos resíduos gerados por suas obras, sendo estes
encaminhados a aterros sanitários e/ou terrenos baldios por empresas de transporte
terceirizadas. Os dados apresentados indicam que o processo de reaproveitamento dos
resíduos gerados pela construção civil ocorre ainda lentamente em Natal/RN.
PALAVRAS-CHAVE: Resíduos sólidos. Construção civil. Plano de gerenciamento.

1 INTRODUÇÃO
A urbanização acelerada e o crescente adensamento das cidades de médio e grande porte têm
provocado inúmeros problemas para a destinação do grande volume de resíduos gerados em
atividades de construção, renovação e demolição de edificações (PINTO, 1999). Uma
proposta de gestão sustentável de resíduos sólidos urbanos deve priorizar sempre a redução da
geração de resíduos na fonte.
Atualmente, o setor de construção civil tem o importante desafio de como conciliar uma
atividade produtiva desta magnitude com as condições que conduzam a um desenvolvimento
sustentável consciente, menos agressivo ao meio ambiente. Sem dúvida, por ser uma questão
bastante complexa, requerendo grandes mudanças culturais e ampla conscientização.
No entanto, quando existir a geração dos resíduos, deve-se buscar a reutilização ou a
reciclagem (JONH, 2000). Somente quando não existir possibilidade de reciclá-los é que os
resíduos devem ser incinerados (com recuperação de energia) ou aterrados. De acordo com o



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SindusCon/SP (2009), a falta de efetividade ou, em alguns casos, a inexistência de políticas
públicas que disciplinam e ordenam os fluxos da destinação dos resíduos da construção civil
nas cidades, associada ao descompromisso dos geradores no manejo e, principalmente, na
destinação dos resíduos, provocam os seguintes impactos ambientais: degradação das áreas de
manancial e de proteção permanente; proliferação de agentes transmissores de doenças;
assoreamento de rios e córregos; obstrução dos sistemas de drenagem, tais como piscinões,
galerias, sarjetas, etc.; ocupação de vias e logradouros públicos por resíduos, com prejuízo à
circulação de pessoas e veículos, além da própria degradação da paisagem urbana; existência
e acúmulo de resíduos que podem gerar risco por sua periculosidade.
Após a publicação da Resolução nº 307/2002 (CONAMA), o setor da construção civil
começou a integrar as discussões a respeito do controle e da responsabilidade sobre os
resíduos gerados e a sua destinação. Neste contexto, a interação entre o empresário, a
sociedade civil e a gestão pública é extremamente importante para tentar minimizar os
impactos causados ao meio ambiente.
Um processo de reciclagem de qualidade requer um resíduo de qualidade, o que implica
segregar os resíduos junto à fonte geradora, ou seja, nos próprios canteiros de obra. Para que
este ciclo da reciclagem se estabeleça, é fundamental que o construtor/gerador tenha
consciência da importância do seu papel neste processo.
O presente trabalho teve como objetivo avaliar os procedimentos que contribuam para o
desenvolvimento da gestão sustentável de resíduos sólidos da construção civil, tendo como
base para pesquisa as empresas de construção civil da cidade de Natal/RN, visando a
identificação da implementação ou não por parte das empresas de projetos para uma gestão
sustentável dos resíduos sólidos da construção civil de acordo com a Resolução nº 307/2002 -
CONAMA, que possibilitem à redução, a reutilização e a reciclagem de materiais.

2 METODOLOGIA
O trabalho foi iniciado com a realização de pesquisas bibliográficas (livros e páginas de
internet), sobre a necessidade urgente da atuação das empresas de construção civil nas
questões ambientais visando a minimização de impactos ambientais, responsabilidade social e
respeito ao meio ambiente.
Em seguida, a pesquisa foi desenvolvida através de visitas técnicas e entrevistas com os
gestores e equipe técnica de 6 (seis) empresas de construção civil que atuam na cidade do
Natal. As empresas foram denominadas por nomes fictícios: a) Constuir1; b) Construir 2; c)
Construir 3; d) Construir 4; e) Construir 5; f) Construir 6. Os dados foram coletados através
da elaboração de um check-list, tendo por base a resolução nº 307 CONAMA/2002.
Avaliando as construtoras instaladas na capital, para obtenção de dados sobre vantagens e
desvantagens a cerca da reciclagem desses resíduos e como está sendo feita à disposição final
desses materiais.
O check-list observado nas construtoras abordavam os seguintes dados: 1) A Resolução 307
do CONAMA é aplicada nos projetos da construtora; 2) Há plano de reciclagem e/ou
reutilização dos resíduos; 3) Como é realizada a disposição desses resíduos e o tempo; 4)
Presença de campanha de conscientização para os funcionários; 5) Formas de segregação de
resíduos e a maneira como é realizada; 6) Se existe empenho da diretoria da empresa para
com a gestão sustentável dos resíduos; 7) Presença de locais de armazenados os resíduos
gerados e da coleta; 8) Presença de limpeza de armazenamento temporário.



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3 RESULTADOS
Dentre as construtoras pesquisadas, apenas as empresas “Construir 1”, “Construir 3”,
“Construir 6”, fazem a aplicação da Resolução 307 do CONAMA em seus projetos. Na
construtora "Construir 3" os resíduos são segregados no canteiro de obras, inicialmente em
cada pavimento do projeto em construção e no final do expediente são transportados para
baias no andar térreo. Semanalmente o caminhão da própria construtora leva os resíduos de
classes “A” (tijolos, telhas, blocos, cerâmicas) e “C” (gesso) até o lixão de cidade nova com a
autorização da Companhia de Serviços Urbanos de Natal (URBANA) e os de classe “B”
(vidros, madeiras, papelão, embalagens de saco de cimento, canos de PVC) são retirados de
acordo com o acumulo de volume e revendidos para empresas terceirizadas de reciclagem. A
construtora adotou esta medida para transportar seus resíduos devido aos problemas anteriores
sofridos com a empresa que prestava-lhe serviços, onde a anterior transportadora retirava os
resíduos do canteiro de obras e dispunha-os em aterros sanitários ou terrenos baldios
indevidamente. A mesma disponibiliza para seus funcionários palestras sobre o Programa de
Gestão de Resíduos Sólidos da Construção (PGRSC), no inicio de cada obra e uma vez por
ano de acordo com a duração do projeto em andamento para balanço de resultados. Para
melhor assimilação sobre o PGRSC, a construtora trabalha com método de incentivo para os
funcionários, onde é lançada uma meta de diminuição da geração de resíduos e reciclagem
dos mesmos. Quando a meta é atingida os funcionários são recompensados com produtos,
como televisores e som.
A empresa de construção "Construir 3" está especulando a possibilidade de a mesma reciclar
os resíduos de classe “A” para serem utilizados nas próprias obras. Atualmente, estão sendo
feitos estudos e investimentos para a produção de lajotas através dos resíduos cerâmicos
gerados, para serem utilizadas no calçamento das obras.
A empresa “Construir 1” é certificada pela Organização Internacional para Padronização
("International Organization for Standardization) ISO 9001:2000 e pelo Programa Brasileiro
de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H). Possui plano de reutilização de materiais
de classe “B” em suas obras, como por exemplo, ocorre com a madeira que é reutilizada na
fabricação de baias para acondicionamento de resíduos e as sobras do traço de concreto é
utilizada na fabricação de placas para piso de canteiro na pavimentação. A empresa também
criou um filtro para reaproveitamento da água que é utilizada para a lavagem das betoneiras.
Tem projetos para redução do consumo de água, além disso a água é filtrada e, em seguida,
reutilizada em novas lavagens dos equipamentos de produção, na cura do concreto das peças
estruturais e para agüação dos viveiros, colaborando efetivamente com a preservação do meio
ambiente. Além disso, para cada obra iniciada é elaborado um projeto de gerenciamento de
resíduos sólidos, baseado no artigo 3º, da Resolução nº 307/2002 - CONAMA. A disposição
final é realizada em locais licenciados e transportados por empresas de também licenciadas. O
registro da disposição final é feito através de um documento elaborado pela construtora: O
Controle de Transporte de Resíduos – CTR. Além dos treinamentos de rotina, são realizadas
palestras e ações de conscientização do colaborador e também da sociedade, através de
campanhas em escolas e instituições.
Na empresa “Construir 6”, cerca de 80% dos resíduos são reutilizados, como ocorre com a
madeira, ferragem e cerâmica e somente o que não possui mais utilização é lançado como
resíduo. Neste estudo, um exemplo observado está na preparação para o reboco das paredes,
antes da execução limpa-se bem o piso para que o material acumulado no chão seja



73 | P á g i n a

reutilizado para o chapisco, assim como a madeira que após ser utilizada como forma é
manejada para a fabricação de andaime. A disposição dos resíduos da empresa é realizada
através de terceirizadas, ou seja, os materiais são separados no pavimento da obra e, de acordo
com o acúmulo de volume, empresas transportadoras são requisitadas para a retirada desses
resíduos. E havendo material para reutilização, são separados conforme as classes de
materiais segundo a Resolução 307 do CONAMA. Também são realizadas reuniões com os
funcionários para uma melhor utilização dos materiais e para evitar desperdícios.
As empresas “Construir 5”, “Construir 2” e “Construir 4” não possuem um planos
gerenciamento de resíduos nem de reciclagem da maioria dos resíduos gerados por suas obras,
sendo estes encaminhados diretamente a aterros sanitários e/ou terrenos baldios por empresas
de transporte terceirizadas. Os materiais comumente reutilizados são a madeira e ferragem
para construção de vigas e como ancoras de lajes.
Nestas três construtoras, a disposição dos materiais nos canteiros de obras são feitas no
pavimento térreo e posteriormente acondicionados em caçambas sem nenhuma segregação
prévia destes materiais. A retirada desses resíduos é feita de acordo com a demanda de
acúmulo dos mesmos nas obras, tendo como parâmetro o estágio em que a obra se encontra,
sendo em estágio inicial a demanda decorre de mais necessidade de retiradas e conforme a
progressão da construção a quantidade tende a diminuir assim como também os tipos de
resíduos lançados são diferentes. Na fase inicial das obras, comumente são gerados resíduos
diversos oriundos de aterramento, entulhos, madeiras, ferragens, canos de PVC e, nas fases do
acabamento, geralmente são encontrados com mais facilidade resíduos de gesso, cerâmica e
argamassas.
Diagnosticou-se que estas empresas não realizam campanha de conscientização ambiental
para seus funcionários. Na opinião da equipe técnica das três construtoras consultadas, apesar
destas empresas, ao iniciarem uma obra, realizarem reuniões onde o assunto gestão de
resíduos sólidos, o mesmo é pouco debatido, sendo o enfoque maior na visão da equipe a
economia de recursos financeiros da empresa.
As três empresas apresentaram como justificativa para a não implementação da Resolução
307/2002 – CONAMA, a falta de conhecimento da mesma e/ou divulgação, bem como falta
de incentivo da prefeitura para a reciclagem e/ou transporte dos resíduos gerados pelas
empresas de construção civil. Porém, de acordo com a Resolução acima citada, “é de
responsabilidade dos municípios juntamente a definição de uma política para a gestão de
resíduos sólidos pelos grandes geradores bem como os pequenos geradores, possibilitando o
exercício das responsabilidades”. E de acordo com Art 6º, desta mesma resolução, deverão
constar do Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil:
“I - as diretrizes técnicas e procedimentos para o Programa Municipal de Gerenciamento de
Resíduos da Construção Civil e para os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da
Construção Civil a serem elaborados pelos grandes geradores, possibilitando o exercício
das responsabilidades de todos os geradores.
II - o cadastramento de áreas, públicas ou privadas, aptas para recebimento, triagem e
armazenamento temporário de pequenos volumes, em conformidade com o porte da área
urbana municipal, possibilitando a destinação posterior dos resíduos oriundos de
pequenos geradores às áreas de beneficiamento;
III - o estabelecimento de processos de licenciamento para as áreas de beneficiamento e de
disposição final de resíduos;
IV - a proibição da disposição dos resíduos de construção em áreas não licenciadas;



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V - o incentivo à reinserção dos resíduos reutilizáveis ou reciclados no ciclo produtivo;
VI - a definição de critérios para o cadastramento de transportadores;
VII - as ações de orientação, de fiscalização e de controle dos agentes envolvidos;
VIII - as ações educativas visando reduzir a geração de resíduos e possibilitar a sua
segregação.
Art 7º O Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil será
elaborado, implementado e coordenado pelos municípios e pelo Distrito Federal, e deverá
estabelecer diretrizes técnicas e procedimentos para o exercício das responsabilidades dos
pequenos geradores, em conformidade com os critérios técnicos do sistema de limpeza
urbana local.
Art. 8º Os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil serão elaborados e
implementados pelos geradores não enquadrados no artigo anterior e terão como objetivo
estabelecer os procedimentos necessários para o manejo e destinação ambientalmente
adequados dos resíduos.
§ 1º O Projeto“I - as diretrizes técnicas e procedimentos para o Programa Municipal de
Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil e para os Projetos de Gerenciamento de
Resíduos da Construção Civil a serem elaborados pelos grandes geradores, possibilitando o
exercício
das responsabilidades de todos os geradores.
II - o cadastramento de áreas, públicas ou privadas, aptas para recebimento, triagem e
armazenamento temporário de pequenos volumes, em conformidade com o porte da área
urbana municipal, possibilitando a destinação posterior dos resíduos oriundos de
pequenos geradores às áreas de beneficiamento;
III - o estabelecimento de processos de licenciamento para as áreas de beneficiamento e de
disposição final de resíduos;
IV - a proibição da disposição dos resíduos de construção em áreas não licenciadas;
V - o incentivo à reinserção dos resíduos reutilizáveis ou reciclados no ciclo produtivo;
VI - a definição de critérios para o cadastramento de transportadores;
VII - as ações de orientação, de fiscalização e de controle dos agentes envolvidos; de
Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil, de empreendimentos e atividades não
enquadrados na legislação como objeto de licenciamento ambiental, deverá ser apresentado
juntamente com o projeto do empreendimento para análise pelo órgão competente do poder
público 2º O Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil de atividades e
empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental, deverá ser analisado dentro do
processo de licenciamento, junto ao órgão ambiental competente. (Resolução nº307
CONAMA, 2002) municipal, em conformidade com o Programa Municipal de
Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil.
§ 2º O Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil de atividades e
empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental, deverá ser analisado dentro do
processo de licenciamento, junto ao órgão ambiental competente.


Quase todas as políticas adotadas para diminuir o impacto dos resíduos da construção civil ao
meio ambiente, incluem a reciclagem dos resíduos por meio da redução de sua geração, visto
que a redução também reduz a utilização de aterros, a ocorrência de depósitos irregulares, o
consumo de recursos naturais não renováveis e impactos ambientais das atividades de
mineração (PINTO, 1999).



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Quando se fala em sustentabilidade, fala-se em produzir de maneira a minimizar os possíveis
impactos que ocorram no meio ambiente. A construção sustentável não é diferente, é se
construir evitando desperdícios que prejudiquem a natureza, em outras palavras, ter respeito e
compromisso com o meio ambiente, evitar gastos energéticos, a má disposição dos resíduos
gerados, clandestinidade em seu destino final, alto consumo de recursos naturais, a
ineficiência dos mesmos, o descumprimento das legislações vigentes ao setor, ou seja, atender
a demanda habitacional da cidade sem agredir ao meio ambiente (IDHEA, 2008).
Para Pinto (1999) os processos de gestão de resíduos em canteiros de obra, por meio da
sofisticação de procedimentos de demolição e de especialização no tratamento e reutilização
de resíduos, podem se tornar um novo ramo da engenharia civil.

5 CONCUSÃO
Os dados apresentados indicam que o processo de reaproveitamento dos resíduos gerados pela
construção civil ocorre ainda lentamente na cidade do Natal/RN. Faz-se necessário que ocorra
uma mudança cultural no setor, tendo em vista a conservação dos recursos naturais existentes,
a diminuição da poluição ocasionada pelo depósito dos resíduos irregularmente.
Constatou-se através dos resultados que nem sempre os agentes envolvidos atendem a
resolução do CONAMA, devido muitas vezes pela falta de informação das empresas ou por
falta de busca por informações essas acabam por não terem como parâmetro a resolução na
implementação de suas obras.
Entretanto algumas das construtoras pesquisadas apresentaram projetos que deveriam receber
incentivo para serem utilizados em larga escala através de um gerenciamento liderado pelo
órgão responsável no município juntamente com as construtoras para que estes projetos se
estendam a toda a cidade e futuramente ao estado do Rio Grande do Norte.
Embora a resolução nº 307/2002 - CONAMA tenha representado um grande avanço para a
reutilização dos resíduos gerados pela construção civil e a redução dos impactos gerados pela
deposição irregular desses resíduos, na prática o que se tem visto é o desconhecimento por
parte dos setores envolvidos pela implementação e/ou falta de interesse política para seu
atendimento. Além disso, a falta de fiscalização é um grave problema que vem ocorrendo,
pois muitas obras que estão sendo viabilizadas vem sendo implementadas sem respaldo da
resolução do CONAMA.
Assim sendo, são necessárias ações que efetivem um planejamento para o gerenciamento
desses resíduos, desde os grandes até os pequenos geradores, para só assim a mudança de
pensamento seja o mais abrangente possível.

6 REFERÊNIAS
CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente). Resolução nº 307. 05 de julho de 2002.
IDHEA (Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica). Materiais ecológicos e
tecnologias sustentáveis: teoria e prática das construções sustentáveis. IDHEA, 2008.
JOHN, V. M. Reciclagem de resíduos na construção civil – contribuição à metodologia de
pesquisa e desenvolvimento. São Paulo: Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, Tese (livre
docência), 2000. 102 p.



76 | P á g i n a

Pinto, T. P. Metodologia para a gestão diferenciada de resíduos na construção urbana.
São Paulo: Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Tese (Doutorado), 1999. 189 p.
SINDUSCON/SP. Sindicato da Construção. Disponível em: http://www.sindusconsp.com.br/.
Acesso em 27 ago 2009.













GESTÃO DE RECURSOS
HÍDRICOS




78 | P á g i n a

Proposta de Auditoria Ambiental como Ferramenta para Identificar
os impactos ambientais na Lagoa do Apodi - RN


Jorge Luis de Oliveira Pinto Filho (UERN) jorgefilho-uern@bol.com.br
Eudelânia da Silva Nepomuceno (UERN) delania_2sn@yahoo.cm.br
Lizandra de Melo Atanázio (UERN) lizandramt@hotmail.com
Simone Barbosa da Silva (UERN) simonesbss@yahoo.com.br
Luanna Lívia de Sousa Gurgel (UERN) luannagurgel@hotmail.com



RESUMO
O presente trabalho foi desenvolvido na Lagoa do Apodi e seu entorno, localizada no
município de Apodi/RN. Tendo com objetivo mostrar a auditoria ambiental como ferramenta
de identificação de degradação ambiental. Como procedimentos metodológicos utilizaram-se
de pesquisas bibliográficas, em sites de pesquisa cientificas, tais como: scielo e periódicos da
cappes. Num segundo momento realizou-se um registro fotográfico e posteriormente aplicou-
se questionários as empresas e a população do entorno. Constatou-se com base nas visitas na
área de estudo a ocupação irregular na lagoa e no entorno, bem como o lançamento de
efluentes e resíduos. Verificou-se a falta de conhecimento e de aplicação da legislação
pertinente por parte das empresas pesquisadas, fazendo com que seja considerada uma
evidência para a degradação desse ambiente aquático. Evidenciou-se também a inexistência
por parte da prefeitura de projetos para evitar a poluição e degradação deste ambiente.
Conclui-se pela necessidade de que medidas sejam tomadas como o saneamento da região, a
fiscalização por parte dos órgãos responsáveis, como o IDEMA e que haja uma auditoria no
local para que sejam identificadas e comprovadas as observações deste trabalho.
PALAVRAS-CHAVE: Lagoa do Apodi, Degradação Ambiental, Auditoria Ambiental.


1 INTRODUÇÃO
A tão alardeada crise ambiental, supostamente agravada nas últimas décadas do século XX,
ocasionou o acirramento das preocupações com a questão ambiental, em nível mundial,
provocando um redirecionamento no pensar e no fazer de alguns segmentos sociais, em
relação ao meio ambiente (CABRAL, 2006).
A partir da década de 70 o ser humano passou a preocupar-se com a crescente utilização dos
recursos naturais, fato este que atualmente alteram a qualidade de vida da população mundial.
A necessidade de uma utilização racional dos recursos naturais associado às novas exigências
de mercado faz com que cada vez mais as empresas adotem práticas produtivas que respeitam
os aspectos ambientais nos seus processos produtivos (SANTOS et al, 2007).
Neste contexto, o objetivo deste trabalho é mostrar como a auditoria ambiental pode ser
aplicada numa determinada área para verificar as condições de degradação ambiental. Para
efeito deste estudo foram analisadas as condições da área da Lagoa do Apodi, inclusive
quanto ao uso e ocupação do solo, assim definindo quais tipos de auditoria melhor se aplica




79 | P á g i n a

ao local que são: auditoria de sítio, de descomissionamento, de responsabilidade e de
conformidade legal.
Logo, esta pesquisa justifica-se em função da relevância da auditoria ambiental como
ferramenta a ser utilizada pela gestão ambiental para minimizar os efeitos da degradação no
meio ambiente.
Assim, demonstraremos que durante a visita ao local constatamos o uso e ocupação irregular
das margens da lagoa, desde a construção de equipamentos de lazer pelo poder público
municipal, como a existência de empreendimentos como granjas e lavajatos que dispõem seus
resíduos e efluentes na lagoa.
Deste modo, ratificando a relevância da auditoria ambiental como instrumento valioso para a
gestão ambiental auxiliando no planejamento adequado tanto de áreas púbicas como privadas,
através da identificação dos aspectos negativos encontrados em determinada área ou processo
produtivo, indicando as soluções necessárias para a resolução dos problemas.
A literatura traz vários conceitos sobre Auditoria Ambiental, como uma ferramenta que pode
e deve ser utilizada pela gestão ambiental para auxiliar as empresas quanto ao conhecimento
do funcionamento de seu processo produtivo e das conseqüências geradas ao meio ambiente.
Afirma D’avignon (2001, p.13):


Auditoria ambiental é um instrumento usado por empresas para auxiliá-las a
controlar o atendimento a política, práticas e procedimentos e/ou requisitos
estipulados com o objetivo de evitar a degradação ambiental.


De acordo com Pasqual et al (2006) a auditoria ambiental pode ser conceituada como um
conjunto de atividades organizadas para verificação e avaliação da relação entre a produção e
meio ambiente. É uma ferramenta que permite, a partir dos resultados de seus exames, a
administração o uso de medidas corretivas para problemas ambientais eventualmente
detectados.
Com a finalidade de reduzir os impactos ambientais provenientes dos seus processos
produtivos, as empresas estão adotando ferramentas capazes de equilibrar o binômio meio
ambiente - desenvolvimento econômico. “A auditoria ambiental é a avaliação sistemática,
periódica, documentada e objetiva das operações e práticas realizadas em uma organização
em relação às exigências ambientais, resultando em uma opinião ou julgamento” (NORTH &
BRAGA apud OLIVEIRA FILHO, 2002).
Completando a afirmação acima citada, a grande vantagem das auditorias ambientais é que
estas permitem que as organizações tenham maior cuidado com o processo de produção,
identificando áreas de risco, apontando vantagens e desvantagens e encorajando melhorias
continuas. Neste sentido as auditorias induzem ao uso de tecnologias limpas, a utilização
prudente dos recursos disponíveis (matéria-prima), lixo industrial e a identificação de perigos
e riscos potenciais, ou seja, buscar uma harmonização entre natureza e meio ambiente.
(SANTOS, 2007).
Para fins legais a auditoria ambiental tem a seguinte definição:





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Auditoria ambiental processo sistemático e documentado de verificação,
executado para obter e avaliar, de forma objetiva, evidências que
determinem se as atividades, eventos, sistemas de gestão e condições
ambientais especificados ou as informações relacionadas a estes estão em
conformidade com os critérios de auditoria estabelecidos nesta Resolução, e
para comunicar os resultados desse processo. (RESOLUÇÃO CONAMA n°
306/2002).

A Norma ISO 14 010 estabelece o seguinte conceito de auditoria ambiental:
Auditoria ambiental é o processo sistemático e documentado de verificação,
executado para obter e avaliar, de forma objetiva, evidências de auditoria
para determinar se as atividades, eventos, sistema de gestão e condições
ambientais especificados ou as informações relacionadas a estes estão em
conformidade com os critérios de auditoria, e para comunicar os resultados
deste processo ao cliente.
Em meados da década de 1990, tais projetos de norma são alçados à categoria de normas
internacionais, sendo adotadas pelos países participantes da ISO. No Brasil, a Associação
Brasileira de Normas Técnicas - ABNT apresentou, em dezembro de 1996, as NBR ISO
14010, 14011 e 14012, referentes à auditoria ambiental. A NBR ISO 14010 envolve as
diretrizes para Auditoria Ambiental - Princípios Gerais; NBR ISO 14011 são as diretrizes para
Auditoria Ambiental - Procedimentos de Auditoria - Auditoria de Sistemas de Gestão
Ambiental e a NBR ISO 14012 apresenta diretrizes para Auditoria Ambiental - Critérios de
Qualificação para Auditores Ambientais (PHILIPPI JR, 2005).
Essa Norma contempla alguns dos termos específicos para auditoria ambiental como:
conclusão de auditoria, critérios de auditoria, evidência de auditoria, constatação de auditoria,
equipe de auditoria, auditado, auditor ambiental, cliente, auditoria ambiental, auditor-lider
ambiental, organização, objeto da auditoria e especialista técnico, que constam também na
ISO 14050 (SANTOS et al, 2007).
Segundo o autor Rodrigues (2007) a auditoria ambiental, para um empreendimento
habitacional, pode ser interna ou externa.
• A auditoria interna, executada pelos moradores, por meio de uma
associação representativa e, se necessário por auditores independentes
contratados, tem seus resultados (conclusão da auditoria) de uso interno ou
condominial.
• A auditoria externa é realizada, necessariamente, por auditores
independentes externos à organização, sendo seus resultados avaliados por
terceiros, como organização de certificação, e seu uso deve ser atinente ao
Poder Público, por meio de órgãos responsáveis por políticas habitacionais
e/ou ambientais, e mesmo disponibilizados para consulta pública,
principalmente no caso de determinadas leis.




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A falta de uniformidade de conceitos e a falta de clareza na definição da qualificação dos
auditores vêm a ser uma das principais dificuldades que tem contribuído para retardar a
aplicação da prática desses instrumentos (PHILIPPI JR, 2005).
Como foi visto os diversos autores não tem uma unanimidade quanto à definição da auditoria
ambiental, entretanto, percebe-se que todos eles estão voltados para a preocupação com os
impactos que são causados ao meio ambiente, na tentativa de buscar ferramentas cada vez
mais eficazes no controle da degradação da natureza.
Vista pelas empresas norte americanas como uma ferramenta de gerenciamento utilizada para
identificar, de forma antecipada, os problemas provocados por suas operações. Essas
empresas consideravam a auditoria ambiental como um meio de minimizar os custos
envolvidos com reparos, reorganizações, saúde e reivindicações (D’AVIGNON, 2001).
“Em 1986, num esforço para encorajar o uso das auditorias ambientais, a United States
Environmental Protection Agency (USEPA), a agência ambiental norte-americana, publicou
sua Declaração de política de autoria ambiental (51fr 25004). Esse documento declara que: é
política da EPA encorajar o uso de auditorias ambientais pelas indústrias reguladas para
ajudar a atingir e manter o comprimento da legislação ambiental e regulamentos, bem como
ajudar a identificar e corrigir perigos ambientais não regulados.” (PHILIPPI JR, 2005).
A auditoria ambiental surgiu nos Estados Unidos da América na década de 1970, com
objetivo principal de verificar o cumprimento da legislação, principalmente por empresas
americanas, sendo em vista por essas empresas como uma ferramenta de gerenciamento
utilizada para identificar, de forma antecipada, os problemas provocados por suas operações.
Essas empresas consideravam a auditoria ambiental como um meio de minimizar os custos
envolvidos com reparos, reorganizações, saúde e reivindicações, em virtude dos graves
acidentes ambientais ocorridos decorrentes de algumas organizações (PIVA, 2004). Maimon
(1992) apud Santos et. al., (2007) ” explica que a auditoria ambiental iniciou-se,
voluntariamente, na segunda metade da década de 70, em várias empresas americanas, tais
como General Motors, Olin e Alhied Signal.”
Segundo Piva (2004) na Europa ocidental as primeiras iniciativas das empresas de realizar a
auditoria ambiental tiveram início na década de 80; pelas filiais de grandes corporações norte
americanas. A Holanda, no ano de 1985, foi o primeiro país europeu que realizou alguns
projetos experimentais de implantação da auditoria ambiental, a seguir outros paises como
Reino Unido, Alemanha, Escandinávia, adotaram esse mesmo procedimento.
Segundo Philippi Jr (2005) no Brasil, a prática de auditoria ambiental é relativamente recente.
Os primeiros programas de auditoria ambiental foram iniciados no final dos anos 80 e início
dos anos 90, como resultado de iniciativas de grandes corporações multinacionais,
principalmente aquelas de origem norte-americana, canadense e européia.
No âmbito da legislação brasileira, vários estados e municípios criaram leis exigindo
auditorias ambientais. Como é o caso dos estados de Rio de Janeiro e Espírito Santo e a
cidade de Vitória. Existem algumas iniciativas de incorporação de auditorias ambientais,
como a Lei n. 1.898/91 do Rio de Janeiro, regulamentada pelo Decreto n. 21.470ª/95; a Lei n.
10.627/92 de Minas Gerais; a Lei n. 3.968/93 de Vitória-ES e a Resolução do CONAMA n.
306/02, que disciplina o art. 9º da Lei n. 9.966/00, ambas prevêem a periodicidade da
auditoria de um, dois ou três anos, exigindo que a auditoria seja externa e disponibilizem os
documentos da auditoria para consulta pública (PHILIPPI JR, 2005).




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De acordo com o autor supracitado a auditoria ambiental ainda é incipiente no Brasil e foi
implantada de acordo com os padrões estabelecidos na maior parte do mundo. Os primeiros
programas de auditoria foram iniciados no final da década de 80 e início da década de 90,
normalmente por empresas multinacionais de grande porte. Após esse período, alguns
estados, que posteriormente serão mencionados, tiveram a iniciativa de legislar a matéria a
fim de determinar a obrigatoriedade da realização da auditoria ambiental por alguns setores
econômicos.
Como toda ferramenta, a auditoria ambiental não se configura em um instrumento perfeito,
por isso apresenta vantagens e desvantagens que segundo Pfitscher et. al (2008) como pode
ser mostrado abaixo:

Vantagens
 Verificação da conformidade ou não com regulamentação e normas e com a política
ambiental da própria empresa;
 Prevenção de acidentes;
 Imagem;
 Provisão de informação;
 Assessoria de gestão;
 Assessoria para alocação de recursos à gestão ambiental;
 Avaliação, controle e redução de impactos ambientais;
 Minimização de resíduos gerados e recursos naturais utilizados;
 Informação do desempenho ambiental;
 Facilitação para comparações e intercâmbios.


Desvantagens
 Recursos adicionais para implantar programa de auditoria;
 Recursos adicionais para medidas corretivas;
 Indicar sensação de falsa segurança;
 Sofrer pressões sociais e governamentais.

De acordo com o objetivo que a organização (cliente) pretende alcançar, existem vários tipos
de auditoria, aplicadas as diferentes situações, conforme Piva [2004 a 2008] existe a
“Auditoria privada, utilizada como instrumento de uso interno das empresas” [...] e “Auditoria
privada, utilizada como instrumento externo por terceiros” [...].
D’avignon (2001), apresenta os seguintes tipos de auditoria ambiental segundo o seu objetivo:




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 Auditoria de desempenho ambiental avalia se a empresa está em conformidade com a
legislação e/ou regulamentos aplicáveis;
 Auditora de Sistema de Gestão Ambiental - SGA, avalia se a empresa cumpre com as
normas estabelecidas no SGA;
 Auditoria de certificação avalia se a empresa cumpre com as normas de certificação;
 Auditoria pontual, destinada a melhorar a eficiência dos processos produtivos e minimizar
a geração de resíduos;
 Auditoria de sítios avalia a contaminação de um determinado local;
 Auditoria de conformidade legal avalia se a empresa está adequada à legislação ou as
normas aplicadas;
 Auditoria de descomissionamento avalia os prejuízos ao ecossistema e a população do
entorno em consequência da desativação de uma empresa;
 Auditoria de responsabilidade tem como objetivo avaliar o passivo ambiental das
organizações é importante, pois demonstra os riscos e as responsabilidades para o futuro
compradores neste tipo de auditoria também são valorados os custos ambientais que podem
vir a ocorrer caso não cumpra com as normas estabelecidas.
A auditoria ambiental como já foi mencionado anteriormente, por suas várias aplicações pode
ser utilizada, por exemplo, para avaliar as condições de degradação de uma determinada área.
Portanto, estando o objetivo determinado o próximo passo é definir que tipo de auditoria deve
ser aplicado no local. Para avaliar a degradação ambiental pode-se aplicar alguns tipos de
auditorias, sendo necessário anteriormente um levantamento das características físicas,
químicas, biológicas e socioeconômicas da área a ser auditada (D’AVIGNON, 2001).
De acordo com o autor supracitado, os melhores tipos de auditoria ambiental a serem
aplicadas quando se pretende auditar um local que esteja ou tenha sofrido algum tipo de
degradação, sendo antes estabelecido o objetivo, ou seja, se é a infração a legislação
ambiental, se a área está contaminada, quais são os prejuízos causados a este local
consequentemente a população ou o passivo deixado no meio ambiente os quatros últimos
tipos de auditorias citados anteriormente são os mais indicados para estes fins.
Quanto à classificação (D’avignon, 2001), as auditorias ambientais podem ser:
 Auditoria de primeira parte, quando sob sua inteira responsabilidade a empresa comprova
que um produto processo ou serviço está em conformidade com as normas especificadas;
 Auditoria de segunda parte trata-se do ato pelo qual o comprador avalia seu fornecedor;
verificando se o produto processo ou serviço está em conformidade com as normas
especificadas;
 Auditoria de terceira parte, independentemente das partes envolvidas uma terceira parte da
garantias de que um produto processo ou serviço está de acordo com as exigências
especificadas.







84 | P á g i n a

2 MATERIAL E MÉTODOS
Baseado em Gil (2006), o presente estudo classifica-se de acordo com a sua finalidade como
exploratório. Quanto aos meios utilizados essa pesquisa enquadra-se como estudo de campo e
bibliográfico.
Para efeito de realização desse estudo os dados coletados foram por meio de procedimentos
metodológicos do tipo estudo bibliográfico, reunindo materiais como livros, artigos,
dissertações entre outros para obter o embasamento teórico e coletas de dados em campo,
através de visitas de campo com registros fotográficos para comprovar a teoria.
O processo envolveu na pesquisa, visitas as empresas, bem como, entrevistas com os gestores
e colaboradores, que teve como objetivo conhecer os problemas, oportunidades, ameaças e
fraquezas para com o meio ambiente.
Por fim foram aplicados questionários semi-estruturados contendo perguntas abertas e
fechadas, in loco junto à população ribeirinha e aos empresários do entorno da Lagoa do
Apodi, o que possibilitou atingir os resultados esperados nesse trabalho.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A visita ao local passível de ser objeto de auditoria, a Lagoa do Apodi, localizada no
município de Apodi/RN, aconteceu em aula de campo realizada no dia 21 de março de 2009.
O que se pode perceber ao longo da visita in loco é o desenvolvimento de atividades
agropastoris, como a criação de animais com a existência de granjas instaladas nas
proximidades. Como podemos observar na Figura 01, foi encontrado um posto de lavagem
que pelo visto está desativado, há também muitas residências em uma das suas margens.
O posto de lavagem desativado pode representar um risco potencial de poluição e
contaminação, pois os seus efluentes provavelmente eram lançados sem nenhum tratamento
no esgoto, indo depositar-se diretamente na Lagoa, contribuindo deste modo para modificar a
dinâmica natural deste ecossistema.

Figura 01: Posto de lavagem desativado.




85 | P á g i n a

Foto: Lizandra de Melo Atanázio, 2009.

No decorrer da visita podemos verificar a existência de algumas construções que servirão para
estabelecimentos de lazer, como bares e restaurantes estas demonstram a ocupação irregular
que ocorreu nas margens, inclusive pelo poder público que construiu estas edificações, as
quais se localizam as margens da referida Lagoa (Figura 02).
Esta construção civil não respeita os limites mínimos de distância que a legislação prever para
ocupação em margens de cursos d’água, sendo este um fator que colabora para a degradação e
o impacto na área, pois pode interferir na dinâmica do ecossistema prejudicando seu
funcionamento adequado.


Figura 02: Construções de equipamentos de lazer.
Foto: Lizandra de Melo, 2009.

Todas as atividades encontradas às margens da Lagoa e em seu entorno, como a ocupação que
pelo fato de ser irregular, já se configura um impacto, contribuindo negativamente com o
lançamento de efluentes e de resíduos sólidos que têm como destino a Lagoa do Apodi.
Como podemos observar o processo de urbanização desta área, não aconteceu de forma
planejada, o que pode ocasionar diversos transtornos. Considerando a ocupação irregular, as
atividades que são desenvolvidas em seu entorno e nas proximidades, além da inexistência de
um saneamento básico, juntos podem contribuir para um quadro de degradação ambiental
acentuado. Além disto, o fato de que o espaço da Lagoa ser limitado pela ocupação
desordenada, dependendo da quantidade de água que deságüe na mesma, com o aumento do
fluxo poderá ocorrer alagamentos, em virtude de o seu espaço ter sido ocupado de forma
inadequada.
Em questionário aplicado a uma empresa (granja) situada no entorno da Lagoa. Foram obtidas
as seguintes respostas, quanto à legislação ambiental pertinente, não conhece e nem trabalha
de acordo com a mesma. Não faz reuso de matéria-prima, insumos ou energia em seus
processos produtivos, nem adota tecnologias limpas e os resíduos da produção são destinados
à lagoa.




86 | P á g i n a

A pesquisa revelou que a população da área afirma a não existência de fiscalização por parte
do poder público em relação ao uso e ocupação da Lagoa. Portanto, as empresas estão
causando algum tipo de poluição? Responderam, sim, também observam modificações que
podem ser constatadas através do processo de eutrofização, como pode ser mostrado na
(Figura 03). Além disso, não há projetos por parte da prefeitura envolvendo a população e as
empresas para evitar a poluição e a degradação da Lagoa.


Figura 03: Processo de eutrofização
Foto: Jorge Luís Filho, 2008.

Diante do que foi constatado durante a visita ao local através da observação in loco, como da
aplicação do questionário e baseado na literatura estudada sobre o assunto, pode-se dizer que
algumas auditorias que poderão ser realizadas na lagoa e no entorno, são as seguintes:
auditoria de sítios para verificar se há contaminação do local; auditoria de conformidade legal
para verificação se a legislação está sendo cumprida; auditoria de descomissionamento para
avaliar os prejuízos causados pela desativação de uma empresa e auditoria de
responsabilidade para a avaliação do passivo ambiental que poderá ter sido deixado por uma
empresa que não mais funcione.
Como vimos à auditoria ambiental pode ser aplicada neste local para saber, por exemplo, se a
lagoa está contaminada, seja pelos efluentes que foram lançados pelo lava jato, seja pelos
resíduos do processo produtivo da granja que continuam a ser depositados no local. Como
também em relação à legislação de Área de Preservação Permanente (APP) que diz que a
vegetação contida nas margens de cursos d’água devem ser preservadas e a ocupação dever
ocorrer, por exemplo, num corpo d’água de até 10m de largura, a partir de 30m de distância,
essa área de 30m deve conter vegetação e só após esta distância deve existir ocupação.
Então como foi observado o entorno da lagoa está sofrendo com as pressões das atividades
que são desenvolvidas, bem como pelas pessoas que habitam esta área, pois os impactos
decorrentes do uso e ocupação do solo vão se materializar na lagoa, como o processo de
eutrofização identificado, que advém do excedente de nutrientes que chegam através dos




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resíduos e efluentes que são destinados à lagoa, demonstrando deste modo que a mesma está
poluída. Além do que a retirada da vegetação do entorno facilita o processo de chegada de
resíduos até a lagoa, bem como de sedimentos provocando ainda mais danos a este
ecossistema.

4 CONCLUSÕES
Atualmente os impactos são provocados principalmente pelas atividades antrópicas
especialmente decorrentes dos processos produtivos industriais. A crescente conscientização
acerca dos limites dos recursos naturais demonstra que as empresas precisam adotar políticas
e programas de gestão ambiental inclusive para se manterem competitivas no mercado, para
tanto a auditoria ambiental configura-se num importante instrumento que pode e deve ser
utilizado pelas organizações que tenham como propósito considerar a variável ambiental.
Sendo assim, existe para cada tipo de objetivo uma auditoria ambiental específica, para que se
possam saber as reais condições da área determinada para sua aplicação e deste modo elaborar
um plano de ação no sentido de solucionar as necessidades identificadas.
No caso da área de estudo a Lagoa do Apodi, faz-se mister a utilização não só de uma, mas
como de vários tipos de auditorias em função da população ribeirinha que vive no entorno da
lagoa, bem como de algumas empresas que atualmente estão desativadas, no entanto no
passado devido aos seus processos produtivos causaram impactos que permanecem até os dias
atuais.
Portanto é importante que o poder público municipal regularize o uso e ocupação desta área
de acordo com a legislação pertinente, como meio de mitigar os impactos existentes e evitar
que outros ocorram. Além disto, deve ser realizado o saneamento dando um destino adequado
aos efluentes que são produzidos no entorno da área, evitando assim que a lagoa continue
sendo poluída.
Ainda é necessário que os órgãos como IDEMA fiscalizem esta área de forma eficaz e façam
cumprir a legislação existente e que exija do poder público e das pessoas que ocupam as
margens e entorno da lagoa com seus empreendimentos medidas de controle para evitar que
os resíduos dos seus processos produtivos poluam esta área.
Deste modo corrobora-se que é essencial que seja realizada uma auditoria no local, para que a
mesma sirva de instrumento ao poder público para o uso adequado e menos impactante da
área, tomando as medidas necessárias para resolver os problemas que poderão ser
comprovados com as auditorias realizadas.

5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR ISO 14.001 Sistemas de Gestão
Ambiental – Requisitos com Orientações para Uso. Rio de Janeiro. ABNT, 2004.
CABRAL, Eugênia Rosa. Institucionalização da questão ambiental e exploração mineral
no Pará e Minas Gerais: valorização da natureza e inversão da imagem da mineração?
Doutoranda Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Revista de La Red
Iberoamericana de Economia Ecológica. 2006.




88 | P á g i n a

CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE – CONAMA. Resolução CONAMA nº
306, de 5 de julho de 2002. Estabelece os requisitos mínimos e o termo de referência para
realização de auditorias ambientais.
D´ AVIGNON, A. et. al.; ROVERE, E. Lèbre La ( coordenador). Manual de auditoria
ambiental. Rio de Janeiro: Quality – mark, 2001.
GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2006
PASQUAL, Dino Luiz. Auditoria ambiental de conformidade legal: um enfoque à
legislação ambiental federal e do Estado de Santa Catarina. XXVI ENEGEP - Fortaleza, CE,
Brasil, 9 a 11 de Outubro de 2006.
PFITSCHER, E.D. et al. Contabilidade e auditoria ambiental como forma de gestão: um
estudo de caso de um hospital. 18° congresso brasileiro de contabilidade. Anais dos
trabalhos científicos. Gramado RS, 2008. Disponível em Acesso: 27-03-2008 às 3:30 hs.
PIVA. A.L. Auditoria ambiental: um enfoque sobre a auditoria ambiental compulsória e
a aplicação dos princípios ambientais. 2004.
PHILIPPI JR., Arlindo; ALVES, Alaôr Caffé. Curso interdisciplinar de direito ambiental.
Barueri, SP: Manole, 2005.
RODRIGUES, William Costa. Auditoria e Certificação Ambiental Sistema de Gestão
Ambiental ISO 14.001. São Paulo, 2007.
SANTOS, J.A. et al. A importância da auditoria ambiental nas organizações. 2007.
OLIVEIRA FILHO, M.L. A auditoria ambiental como ferramenta de apoio para o
desempenho empresarial e a preservação do meio ambiente: uma abordagem contábil e
gerencial em indústrias químicas. (dissertação de mestrado) Faculdade de Economia,
Administração e Contabilidade – USP São Paulo, 2002.














ECONOMIA E CONTABILIDADE
AMBIENTAL



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Economia Ambiental como Fator de Competitividade Organizacional

Lúcia de Fátima Lúcio Gomes da Costa (UFRN) lucialucio@gmail.com
Jaciratan das Graças de Aguiar Ramos Filho (UnP) diretoria@jaciratanramos.com.br
Jane Karoline Carvalho de Aguiar Ramos (UFRN) janekcar@hotmail.com

RESUMO
Os efeitos gerados pela manutenção do atual padrão de consumo sustentado pelo homem
tornam cada vez mais evidentes a inviabilidade dos meios de produção em garantir a frenética
mudança dos mercados. A pressão exercida sobre os recursos naturais enquanto fatores de
produção e sumidouros depositários de resíduos oriundos da utilização desses fazem com que
as questões referentes a possíveis limites à sua utilização sejam discutidas. A teoria
econômica vem buscando, através de seu arcabouço, determinar formas eficientes e
sustentáveis para a utilização dos recursos ambientais. Tais teorias apresentam argumentos
sobre o limite, as características, as finalidades dadas aos recursos naturais, entre outros. A
Economia Ambiental e a Economia Ecológica são correntes metodológicas que buscam
interpretar o problema ambiental e determinar ações que busquem resultados eficientes,
partindo de considerações acerca das características de tais recursos. Este trabalho busca
analisar os principais fundamentos das referidas correntes metodológicas, com vistas a
contribuir para o debate a respeito da problemática ambiental. Dessa maneira as organizações
podem desenvolver sistemas pautados nos conceitos apregoados na Economia Ambiental de
forma a promover vantagem competitiva.
PALAVRAS-CHAVE: Economia ambiental; Marketing societal, Desenvolvimento
sustentável.

1 INTRODUÇÃO
É cada vez mais comum o investimento em marketing societal com campanhas institucionais
de empresas que primam pela questão sócio-ambiental na divulgação de seus produtos e
serviços. Essa tendência existe principalmente pelo desenvolvimento de uma cultura mais
humanizada das organizações, “fugindo” da perspectiva tecnicista observada na nas teorias
clássicas da administração. Essa mudança, no entanto, não se deu meramente de forma
automática, ou seja, à medida que as teorias da administração evoluem ao longo dos anos,
acompanhando desenvolvimento da sociedade, ocorre uma mudança de postura voltada para
as demandas não produtivas e econômicas, mas também sociais e ambientais.
A partir dos anos 30 no Brasil, depois da criação das leis trabalhista, organizações passaram a
tratar seu recurso mais precioso, “recurso humano” de forma diferenciada. Depois dos anos
70, notadamente nas décadas de 80 e 90 após o surgimento dos sistemas de padronização de
bibliotecas como a ITIL e de processos como a ISO 9000 a questão da qualidade do produto e
de processos produtivos passam a ser padrão e não mais um diferencial.
É nesse momento em que a questão ambiental assume papel estratégico nas organizações. A
sociedade de uma forma geral, ou seja, a demanda consumidora, agora (após a abertura dos
portos brasileiros nos anos 90) tem uma série de opções para aquisição de sues produtos, e
passa a ser cada vez mais exigente em termos de qualidade. Assim o consumidor passa



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observar não só o produto acabado, mas principalmente a empresa que o produz. Surge a
partir de então um novo perfil de consumidor: o consumidor consciente. Nessa perspectiva as
áreas de marketing e de pesquisa e desenvolvimento passam a enfatizar a questão sócio-
ambiental na produção dos seus produtos. Pois observaram que esse tipo de atividade,
marketing societal, passou a ser visto como algo positivo e rentável.
Assim observamos que as campanhas que surgiram não tinham apenas a questão social como
“pano de fundo”, mas também a perspectiva financeira na iniciativa de agregar valor ao
produto, ou seja, valorizar ainda mais aquele bem que já comercializado. A nova postura das
organizações optarem por esse tipo de investimento é nada mais nada menos que uma ação
inteligente em assumir a bandeira ambiental como algo produtivo e lucrativo e é nesse sentido
que Moura (2006) explica a importância a empresa em primar pela economia e pela ecologia
fazendo com que as duas vertentes possam caminhar de forma complementar e não
concorrentes.
A presente investigação visa apresentar uma abordagem econômica dobre os conceitos
apregoados pela literatura em economia. “A economia é a ciência que trata dos fenômenos
relativos a produção, distribuição e consumo dos bens materiais”. (MOURA, 2006).
Observado o conceito de economia explicado pelo autor podemos entender que a economia
está diretamente relacionada com as etapas que envolvem o desenvolvimento de ações que
retroalimentam os processos produtivos de uma economia. Segundo Moura (2006) em
qualquer uma dessas etapas, seja de distribuição, produção e etc. as ações inerentes ao
processo resultam invariavelmente em um determinado impacto ambiental.
Ao interagir com o meio ambiente, os componentes produtivos: empresas, sociedade e
governo originam o conceito conhecido como Economia Ecológica, esse conceito se torna
bastante complexo quando se entende que cada agente provoca uma via de mão dupla na
interação com o meio-ambiente, em outras palavras, a economia ambiental é fruto das
relações do homem com o meu ambiente sob uma perspectiva produtiva e econômica.

2 A ECONOMIA AMBIENTAL NO AMBIENTE ORGANIZACIONAL
O valor de um ativo de uma empresa depende não só de seu resulto financeiro ao final de um
exercício, mas também uma série de aspectos subjetivos que determinam sua valorização no
mercado. De forma geral uma empresa pode está apresentando prejuízo no fim do exercício,
porém ela tem um potencial relevante no mercado, ao passo que outra possa apresentar lucro,
mas sua atividade apresenta índices de estagnação.
Perceber essa diferença é fundamental para que possamos inserir o valor de bem ambiental
como pauta das decisões da área financeira das organizações. Vale do Rio Doce, a exemplo,
em meados de 2006, iniciou uma campanha publicitária voltada para o desenvolvimento
nacional e preservação do meio ambiente. Isso ocasionou elevação na valorização de sua
imagem no mercado fazendo com que suas ações subissem no mercado financeiro mais do
que a empresa de fato teria em recursos Em outras palavras, a campanha publicitária teve
condições de alavancar recursos que aumentassem temporariamente a riquezas da empresa.
Nesse sentido se justifica um estudo direcionado para o que se entende como valor de bens
ambientais e o que sua condução na organização pode gerar em termos de vantagem
competitiva. O valor do bem ambiental significa bens relacionados ao meio ambiente. Sua
definição depende basicamente de três fatores básicos: a) valor de uso, ou seja, o significado
de utilização de um bem direto ou indiretos; b) valor de opção: entende-se o valor de opção
como a idéia de não uso, ou seja de preservação. Opta-se por não utilizar para geração de algo



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futuro; c) Valor de existência: esse valor é de difícil precisão, pois avalia o valor do bem em
decorrência do seu desaparecimento como uma espécie, um a floresta.
A natureza, segundo Moura (2006) é considerada a maior fonte de matéria-prima e por essa
razão não podemos desvencilhar a questão ambiental da questão econômica é o que se chama
de “capital natural”. Muitos bens ambientais são considerados bens públicos ou bens comuns
e por essa razão não podem pertencer exclusivamente a alguém.
Segundo Gitman (2001) o principal objetivo de uma organização não é simplesmente auferir
lucro, mas sim desenvolver condições que proporcionem a riqueza de uma organização.
Embora esse dois conceitos riqueza e lucro sejam muito semelhantes é importante reconhecer
suas diferenças. Lucro é o resultado financeiro positivo de um determinado período, ou seja,
as receitas de uma empresa foram superiores as despesas durante um exercício. O conceito de
riqueza é mais amplo e está inteiramente relacionada à questão econômica. A riqueza de uma
organização é soma de todos os ativos tangíveis e intangíveis e seu potencial econômico e
financeiro.
Os bens de valor ambiental são recursos de difícil mensuração haja vista que muitos deles são
subestimados em detrimento dos valores econômicos de produção. A economia ambiental, no
entanto tem o propósito de compreender o valor do bem ambiental economicamente, mas
também ecologicamente.
Como os bens ambientais são de difícil precisão a literatura aborda quatro conceitos
interessantes para melhor explicar o valor do bem: a) o valor de uso refere-se à aplicabilidade
do bem propriamente dito; b) o valor de opção, que imprime ao bem um valor potencial, ou
seja, de utilização futura; c) o valor de existência: é basicamente o valor de preservação, ou
seja, o bem é muito valioso em função das conseqüências causadas pela sua não existência; d)
valor bem de uso comum: são bens que possuem valor superior a sua utilização exclusiva,
pois possuem atribuições coletivas.
A determinação do valor do bem ambiental é de fundamental importância na elaboração de
projetos financeiros de gestão ambiental, pois o conceito deve ser aplicado não só aos bens
inseridos no processo, mas sim, da iniciativa (o projeto) como um todo.
O Projeto do protocolo de Kyoto é tido como um projeto que prima pelo bem público, ou seja,
a redução da emissão do CO2 está acima dos interesses de determinados indivíduos da
sociedade, pois as conseqüências inerentes a sua emissão atinge a sociedade de uma forma
geral (MOURA 2006).

3 DESENVOLVIMENTO DE ECONOMIA SUSTENTÁVEL
O desenvolvimento sustentável é uma das matérias importantes que compõe a elaboração de
projetos de financeiros, principalmente quando se trata de alavancagem financeira junto aos
bancos.Os projetos de viabilidade financeira também são compostos pelo capítulo de
impactos ambientais, já que, se uma empresa apresenta viabilidade em projeto e seus impactos
ambientais forem tão caros quanto o projeto, podemos entender que de fato o projeto não é
viável.
É nessa perspectiva que a economia ecológica vem compilar interesse da gestão financeira e
da gestão ambiental. Segundo Moura (2006) a sustentabilidade imprime a idéia de
manutenção dos estoques da natureza, ou de garantia de reposição por processos naturais e/ou
artificiais dos bens de valor ambiental, o que comumente é chamado pelos economistas de
“capacidade de suporte”



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O prolongamento produtivo dos recursos naturais, observando os critérios relativos ao valor
do bem comum é em que devem está pautados os projetos desenvolvidos nas organizações.
Essa política, no entanto não tem sido observada pela sociedade com o devido rigor.
Por se tratar de difícil mensuração os impactos ambientais é uma temática que por muitas
vezes inviabiliza realização de projetos por não se conseguir prever as conseqüências de
determinada ação. Geralmente são órgãos fiscalizadores e reguladores que identificam o
“erro” nos projetos. É muito comum projetos de edificações que ultrapassam a altura
permitida de determinado empreendimento; na cacinicultura, o adequado tratamento e o
destino da água utilizada é uma demanda recorrente em infrações dentre outras questões.
Em outras décadas, como as proporções de população e de poluição eram bem menores não
havia uma preocupação tão presente na realidade das empresas sobre a sustentabilidade. A
palavra de ordem desenvolvimentos nem sempre implica em crescimento econômico, mas é a
tônica desenvolvimentista que deve nortear as nossas estratégias e decisões para projetos
ambientais.

4 AGENTES DA OBTENÇÃO DA QUALIDADE AMBIENTAL
Embora sejam muitos os fatores intervenientes na manutenção e preservação de condições
aceitáveis, Moura (2006) elege três agentes importantes para a manutenção da qualidade
ambiental:
a) Governo: o governo é o agente econômico que mais tem condições de contribuir em forma
direta no controle da sociedade e das empresas para que estes cumpram as regras necessárias a
sustentabilidade econômica. O governo age diretamente através da deliberação de leis e da
gestão de recursos auferidos através do contribuinte para que dentro das suas políticas
públicas, possa gerar os projetos que beneficiem a questão ambiental.
b) Os consumidores: a sociedade de uma forma geral tem papel preponderante em aspectos
econômicos intervenientes no processo de gestão ambiental. Moura (2006) buscou tratar essa
camada como consumidores visto que é através do consumo que a sociedade tem condições
de “impor”, ou melhor, estabelecer regras em relação ao tipo de produto ou serviço a ser
consumidor. O autor identifica ainda um problema bem peculiar aos consumidores, de fato a
classe consumidora busca produtos que de fato tenham a questão ambiental como prioridade,
no entanto, poucos estão dispostos a pagar mais para ter acesso a esse tipo de produto. O
argumento evidenciado por essa categoria é de que assim como a Qualidade, a questão
ambiental é uma condição obrigatória na realidade de todas as empresas e não diferencial. O
fato é que a questão ambiental ainda está longe de ser unanimidade na realidade de todas as
empresas.
c) Empresas: as organizações são na verdade o ambiente de estudo da nossa disciplina é nesse
agente que o gestor ambiental terá que desenvolver os conteúdos apreendidos. As empresas
são vistas geralmente como contrárias a bandeira das questões ambientais, a prioridade ao
lucro de certa forma deturpou a imagem geradas por elas, mas é importante lembrar que é
nesses agentes o poder econômico de produção é desenvolvido. A fim de equilibrar questões
normativas legitimadas pelo governo e de atender o mercado consumidor cada vez mais
exigente, as empresa tiveram que redesenhar o conceito de produção e de venda do produto a
ISO 14.001, por exemplo, é uma cerificação de padronização de processos voltados para
questão ambiental que têm apresentado alto índice entre as empresas.O tripé acima
estabelecido de governo – empresa – sociedade tendem buscar equilíbrio na utilização dos
bens ambientais para o desenvolvimento econômico sustentável.



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Segundo Moura (2006) a Economia é a ciência que se preocupa em perceber como a
sociedade administra seus recursos naturais e escassos a fim de atender as necessidades
humanas. Assim como a economia a ecologia também busca o equilíbrio do fluxo de recursos
naturais e produtivos. Nesse sentido, podemos observar que essas duas vertentes convergem
para pontos em comum.
A teoria de Thomas Malthus (19766-1834) apresentava uma visão pessimista de consumos
dos recursos naturais à longo prazo. O autor defendia que com a lei de retornos decrescente
que a terra agricultável era finita e por essa razão, mesmo que empenhado muito trabalho a
terra produtiva não teria mais condições de produzir. Malthus e David Ricardo (1772-1823)
falharam de certa forma nesses postulados haja vista que foram desconsiderados os ganhos
obtidos com os avanços tecnológicos.
Assim, o cartesiano montado pelos teóricos assumiu outra condição conforme mostrado na
linha pontilhada:


















Figura1-Produção agricóla X Trabalho
Fonte: Moura (2006)
Através do uso de fertilizantes, nutrientes e técnicas de irrigação foi possível se ter maior
produtividade da terra protegendo de forma artificial as plantações de pragas e doenças,
dessa forma ainda se observava uma produção otimizada e com poucas perdas.
Em seguida Stuart Mill (1806-1873) é famoso por considerar aspectos produtivos e questões
laborais relacionadas ao lazer e por essa razão considerava o meio ambiente que poderia
proporcionar o lazer as pessoas. Segundo Moura (2006) o sistema tradicional de produção
considera apenas os pilares na produção conforme esquema abaixo:




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Figura2- Sistema Tradicional de Produção
Fonte: Moura (2006)
Nessa linha de pensamento, o circuito de interesses econômicos a serem satisfeitos segue a
seguinte ordem:
a) satisfação dos acionistas e proprietários de empresas (lucro)
b) satisfação dos distribuidores (margem de lucro)
c) satisfação dos fornecedores (conseguir bons preços de compra)
d) satisfação dos empregados (salários)
e) satisfação dos consumidores (valor de uso do produto)
No sistema atual as organizações tiveram que redesenharem seu posicionamento estratégico
diante da demanda do mercado nesse sentido a ordem de prioridade assume outra seqüência:
a) satisfação dos consumidores (valor de uso e qualidade do produto)
b) satisfação dos empregados (justos salários)
c) satisfação dos fornecedores (conseguir bons preços de compra)
d) satisfação dos distribuidores (margem de lucro)
e) satisfação dos acionistas e proprietários de empresas (lucro)
Nesse sentido o sistema de produção adequado a realidade de mercado atual deve seguir a
seguinte disposição:

Figura3-Sistema de produção contemporâneo
Fonte: Moura (2006)

É nesse sentido que economistas e ecologistas passaram a observar a gestão dos recursos
naturais pontuando como foco norteador o equilíbrio entre a produção e preservação
ocasionando assim o desenvolvimento sustentável.






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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao propor como objetivos principais a alocação eficiente de recursos naturais, sua
distribuição justa e a preocupação com a escala de utilização, a Economia Ecológica
evidencia a importância da preocupação com os limites de utilização dos recursos naturais e,
principalmente, a adoção de fatores éticos nos processos decisórios.
A conservação dos recursos naturais e, principalmente, das relações existentes entre os
membros que constituem o ecossistema (inclusive o homem) faz com que se torne possível a
convivência harmônica entre os mesmos. Além disso, a redução da geração de externalidades,
que também são causas da redução do bem-estar não-econômico da sociedade, depende da
conscientização sobre reais impactos causados pela má utilização do patrimônio ambiental.

6 REFERÊNCIAS
CARVALHO, N. L.; MATOS, E. R. J.; MORAES R. O. Contabilidade Ambiental. Pensar Contábil.
Rio de Janeiro, 2000.
DIELL, C. A. Proposta de um sistema de avaliação de custos intangíveis. UFRS. Porto Alegre,
1997.
GITMAN, Laurence G. Princípios de Administração Financeira. São Paulo: Harbra, 2001.
HALL. Richard H. Organizações processo e resultados. São Paulo: Printice Hall do Brasil, 2004.
MOURA, Luiz Antônio Absala. Economia Ambiental: gestão de custos e investimentos. São Paulo:
Juarez de Oliveira, 2006.
PORTER, Michel E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de
Janeiro: Campus, 1989.



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Gestão de Custos Ambientais: Classificação e Ferramentas para
Mensuração dos Recursos Ambientais

Lúcia de Fátima Lúcio Gomes da Costa (UFRN) lucialucio@gmail.com
Jaciratan das Graças de Aguiar Ramos Filho (UnP) diretoria@jaciratanramos.com.br
Jane Karoline Carvalho de Aguiar Ramos (UFRN) janekcar@hotmail.com

RESUMO
O marketing societal aliado ao papel estratégico que a questão ambiental desempenha nas
organizações tem levado os gestores a observar temática de forma a adaptá-la ao conteúdo
pragmático organizacional. Nesse sentido, o presente artigo visa abordar conteúdos relativos à
economia ambiental e a contabilidade aplicada a empresas com o intuito de observar a
alocação dos custos e investimentos ambientais de forma a gerar a real compreensão dos
gastos da empresa oportunizando a avaliação competitiva dos ativos organizacionais bem
como a redução de custos oriundos da falta de controle sobre esses recursos. A gestão de
recursos financeiros é uma das competências empresarias que traduz aspetos de eficiência
operacional que segundo Porter (1989) é condição necessária para que qualquer organização
possa estabelecer um planejamento estratégico com vistas ao alcance de geração de riqueza.
Assim o estudo observa as propostas estabelecidas pela literatura (MOURA, 2006,
DIELL,1997) nas compreensão da gestão de recursos financeiros aplicados na área ambiental
promovendo vantagem competitiva a organização.
PALAVRAS-CHAVE: Gestão de custos; Custos ambientais, Classificação de custos.

1 INTRODUÇÃO
No desenvolvimento de suas estratégias muitas organizações admitem que a maioria dos seus
insumos parta de origem natural e admitem que a preservação e o consumo consciente seja a
única forma de se fazer perdurar a manutenção dos recursos naturais a fim de dar
continuidade as atividades comerciais das organizações.
Segundo Hall (2008) a dependência de recursos valiosos promove o desenvolvimento de
alianças estratégicas fazendo com que empresas que por ventura não tenha acesso a
determinado recursos passe a ter através da troca de outra vantagem competitiva. Da mesma
forma, nenhuma organização realiza investimento sem que tenha o devido controle
administrativo sobre seu retorno. Embora essas duas premissas sejam verdadeiras, o que se
observa é que segundo Moura (2006) as empresas não conseguem precisar o que de fato
gastam ou investem com bens ambientais. O autor explica ainda que todo investimento em
melhoria ambiental deve ser visto da mesma forma que qualquer investimento da empresa e
deve ser submetido a uma analise de viabilidade técnica-econômica.
A temática ambiental é cada vez mais presente na realidade de todas as organizações. Na área
financeira, na econômica e na área contábil. Assim se percebe a necessidade em eleger
prioridades voltadas para essa área reconhecendo os devidos centos de custos que o compõe
afim de identificar aspectos estratégicos da gestão de custos ambientais.



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Os custos são todos os bens gastos ou recursos investidos na produção de outros bens serviços
ou utilidades. A utilização dos recursos naturais a produção do capital em função desses bens
fez com que as empresas tivessem o cuidado de mensurar o que se apropriam do ambiente e o
que gastam ao longo do processo produtivo, a fim de mensurar as suas riquezas. De acordo
com Gitman (2003) riqueza é o propósito maior das organizações, e que a sua evolução não
depende necessariamente do indicador “lucro”, mas também de tantas outras variáveis
inerentes ao processo de geração de riqueza.
Dessa forma os custos ambientais se diferem da forma convencional de observarmos sua
aplicação em função de sua finalidade, ou seja, os custos ambientais eles tem a condição de
gerar riqueza para as organizações, porém não relacionada diretamente ao lucro Carvalho
(2000) explica que custos ambientais são todos os gastos feitos pelas organizações utilizados
na preservação do meio-ambiente em sua utilização sustentável, tais como: amortização,
exaustão e depreciação; aquisição de insumos para a redução de poluentes; tratamento de
resíduos de produtos, mão de obra utilizadas na manutenção ou recuperação do meio
ambiente dentre outros.
Para a devida compreensão da terminologia a ser utilizada, se faz necessário qual a aplicação
do recurso. Se o dispêndio de recurso está destinado exclusivamente à produção de bens,
provavelmente ele se caracterizará como um custo, mas se esse dispêndio poderá oportunizar
a geração de recurso, podemos considerá-lo como investimento. Para nos ajudar com essas
definições, Moura (2006) apresenta uma classificação dos custos ambientais para que
possamos verificar a sua aplicação na realidade das empresas. São os custos ambientais de
controles e custos ambientais da falta de controle.
Nessa perspectiva o presente artigo visa realizar uma analise conceitual sobre a gestão de
custo ambientais através do conteúdo já consolidados a literatura observando a perspectiva
estratégica da devida alocação desses custos e compreendendo a gestão da dependência de
recursos ambientais.

2 CLASSIFICAÇÕES DE CUSTOS AMBIENTAIS
Para tanto se faz necessário elencar critérios de classificação do investimento ambiental como
no caso do “método ABC” que define prioridades sobre os tipos de custos e investimentos que
devem ser contemplados de acordo com a realidade da empresa, ou seja, fazer o devido
levantamento sobre os custos ambientais que envolvem a atividade da empresa.
Outra ferramenta que pode ser muito importante é o Sistema de Gerenciamento Ambiental –
SGA. Esse sistema realiza a seleção de informações sobre recursos ambientais e ajuda a
orientar a ordem de prioridade e de volume de investimentos. Em alguns sistemas gerenciais
dessa natureza já se utiliza alguns indicadores importantes como:
1. A quantidade de CO² (gás carbônico) e SO² (dióxido de enxofre) emitido pelas chaminés
das fábricas;
2. Quantidade de resíduos sólidos estocada; quantidade produzida de resíduo por kg por
produto acabado;
3. Percentual de resíduos recuperados ou reciclados;
4. Percentual de material reciclado utilizados nos produtos; quantidade de água utilizada por
unidade de produto,
5. Percentual de colaboradores treinados em questões ambientais;
6. Percentual de melhorias ambientais em relação ao orçamento;



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7. Número de queixas registradas relativas a problema ambiental (ano);
8. Custo para empresa resultante de incidentes ambientais (ano);
9. Valor das multas recebidas no ano como resultados de problemas ambientais;
10. Custo dos dias parados por ano em decorrência de problemas ambientais.
Nos itens anteriormente citados observamos que todas as empresas têm algo em sua atividade
relacionada à questão ou a problemas ambientais. Por essa razão é tão relevante o
monitoramento desses indicadores para a gestão eficiente dos recursos, já que os custos altos e
indicadores de desempenho podem significar problemas na gestão.
Alguns dos indicadores citados podem representar investimentos de retorno mais demorado,
no entanto buscam ações e projetos que possam gerar retorno em curto espaço de tempo. É
importante lembrar que a não realização de determinado projeto de alto custo ou de retorno
demorado, poderá trazer mais danos à empresa.
O consumidor de uma geral tem buscado produtos oriundos de processos limpos, , mas a
repactuação de preços em função de processos mais caros pode fazer com que a
empresa produtora perca competitividade por arcar com o ônus. O papel do gestor ambiental
nesse caso é de gerar alternativas compensáveis que possam agregar valor ao produto da
empresa em questão. Nesse sentido vamos observam-se algumas ferramentas importantes para
a mensuração dos custos ambientais.

3 SISTEMA DE GESTÃO AMBIENTAL
O sistema de gestão de custos ambientais é uma ferramenta tecnológica que visa alocar da
melhor forma informações relativa aos gastos tidos com questões de cunho ambiental. O SGA
envolve desde questões de mão-de-obra até os ativos circulantes da empresa. O sistema pode
ser melhor utilizado na implementação de um plano de ação corretivo ou preventivo. Para
tanto se faz necessário observar alguns critérios importantes como: a) aspectos ambientais que
impõem os maiores custos para organização; b) requisitos legais que impõe os maiores custos
a empresa; c) atividades de maior risco de ocorrência e quais fatores compõem esse risco; d)
elementos (treinamento, comunicação, auditorias, planos específicos para cumprir objetivos e
metas) do SGA que acarretam os maiores custos; e) quais os elementos que apresentam
melhor possibilidade financeira de ser executado.
O sistema de gestão ambiental implementado atualmente nas empresas tende a seguir as
normas técnicas apresentadas pela ISO 1400, à adoção da norma representa inúmeras
vantagens, pois ela prevê a realização de um processo estruturado através de uma ferramenta
simples e eficaz. Se faz necessário um estudo rigoroso sobre as atividades da empresa de
forma que a empresa terá de readequar seu sistema gerencial para que os custos ambientais
sejam alocados de maneira satisfatória. Moura (2006) propõe que devem ser observados os
seguintes aspectos: a)interesse dos clientes para que a empresa tenha um bom desempenho
ambiental e ou obtenha a certificação ISO 14001;b) identificação dos custos, logo na
implementação do SGA; c) iniciar uma análise qualitativa sobre o investimento atual em bens
ambientais; d) examinar os custos intangíveis inerentes ao processo (de difícil identificação);
e) aplicar as técnicas de análise financeira para selecionar a opção de melhorias; f) identificar
indicadores de desempenho quantificáveis. A questão ambiental deve ser vista como
qualquer outra área de negócios da empresa, nesse caso observando maior ênfase na
responsabilidade social. No entanto deve-se adotar a melhor técnica gerencial disponível,
porém não incorrendo em custos excessivos.



100 | P á g i n a

Avaliação de desempenho da empresa depende principalmente da devida alocação contábil de
seus custos por essa razão a função da qualidade ambiental funciona como conjunto de todas
as atividades da empresa realizadas para obtenção ou realização de produto e serviço que
estejam condizentes com a regulamentação ambiental vigente. Custo da qualidade ambiental é
quantia despendida com a conformidade da regulamentação ambiental, dessa maneira o
Sistema de Custos da Qualidade Ambiental “é o conjunto de procedimentos e atividades
devidamente estruturado que visa organizar a coleta de dados e permitir a determinação dos
custos de qualidade ambiental (MOURA, 2006). Esses custos então relacionados a existência
de uma sistema de qualidade que incluem custos de controle e de falhas. A GEMI (Global
Envirolment Management Initiative) entidade forma da por 28 grandes companhias prevês a
seguinte divisão dos custos:
a) Custos diretos: são custos visivelmente associados ao produto, processo ou serviço.
b) Custos ocultos: são custos que não sou diretamente relacionados com a produção do bem
ou serviço.
c) Custos menos tangíveis: São custos de difícil identificação contábil para de fácil
visualização como no caso de desgaste de uma marca em decorrência de problemas
ambientais
d) Custo de responsabilidade por eventos: são custos decorrentes de problemas ambientais
ocasionados pela empresa.
Outra forma desenvolvida para classificação dos custos é o critério de custo de controle ou de
falta de controle.
a) Custos de controle: são os que estão diretamente ligados a atividades de diárias da empresa
como custos de prevenção (pesquisas, programas de implementação, treinamentos, controle
de processos dentre outros) e custos de avaliação e monitoramento de níveis adequados da
qualidade ambiental (avaliação de processos, monitoramento da produção e etc.)
b) Custos de falta de controle: são os custos decorrentes de falhas ou de faltas de controles.
Esses custos podem ser inúmeras vezes maior que os demais. Esses custos podem ser
considerados por falhas internas (correção de conformidades, problemas de saúde
ocupacional e etc.) e custos de falhas externas que são relativos a problemas ambientais
ocorridos fora do alcance dos limites da empresa (recuperação de imagem da empresa,
reclamações dentre outros). Há ainda os custos intangíveis que também pode ser gerado por
falhas de controle.

4 MÉTODO ABC PARA APROPRIAÇÃO CONTÁBIL DOS CUSTOS AMBIENTAIS
O método também conhecido por custeio por atividade tem como principio a classificação dos
custos pelo maior comprometimento de recurso da empresa. É a identificação detalhada de
todos os recursos por classificação de departamentalização. Observa-se ainda que a
manutenção corretiva no tratamento secundário é algo bastante oneroso e que provavelmente
apresenta problemas em ações preventivas. Nesse tipo de método pode-se observar de forma
mais clara onde estão sendo empregados os recursos e realizar ações que possam resolver o
problema de alto custo da empresa. Os custos ambientais de controle estão relacionadas as
atividades rotineiras de prevenção e manutenção e avaliação conforme descritos a seguir:



101 | P á g i n a

Custos de prevenção: são os custos que visam prevenir as ações do processo produtivo para
que não cometam danos ambientais. Além disso, a área de prevenção está relacionada a
manutenção dos processo e cumprimentos de normas ambientais.
Custo avaliação: tem a finalidade de manter a qualidade ambiental do ambiente
organizacional através de avaliação formal das atividades da empresa estão inclusas nessa
categoria como auditorias, testes de laboratórios e inspeções. Os sistemas de gestão ambiental
são bastante utilizados pata verificar se os recursos ambientais estão empregados
adequadamente.Os custos ambientais por falta de controle são os dispêndios relacionados
geralmente com a correção de determinados eventos que por ventura tenham causado dando
ao meio ambiente. Esses custos estão subdivididos em:
- Custos de falhas internas: esses custos geralmente são oriundos por falha no controle e por
essa razão são computados custos de desperdício de material, água luz recursos naturais
dentre outros.
-Custos de falhas externas: são custos ambientais geralmente fora do ambiente da organização
devido a uma gestão ambiental inadequada que por sua vez origina reclamações ambientais,
recuperação de áreas externas degradadas ou contaminadas pela atividade da empresa,
pagamentos de multas e indenizações conseqüentes de ações inadequadas por parte das
organizações danosas ao ambiente.
-Custos intangíveis: são custos de difícil mensuração, mas que sua existência é evidente,
normalmente não pode ser associado diretamente ao um processo ou produto. Eles são
identificados através de um somatório de fatores que originam o dano como uma política
ambiental inadequada ou perda de valor da empresa diante do mercado por uma má imagem
por questões ambientais dentre outro.
Nesse sentido também pode ser identificados identificação para resultos contáveis afim de
alocar devidamento os investimentosambientais no balanço patromonial e demonstração de
resultados das organizações . Para isso se estabelece conceitos da contabilidade
correspondente a classificação de investimentos ambientais. As despesas e perdas ambientais
são os dispêndios relacionados a prevenção ambiental, como insumos inerentes no processo.
O conceito é muito semelhante aos custos ambientais, mas é importante você observar que no
conceito de custos os dispêndios estão relacionados à produção de bens ou serviços, a despesa
não. Ao passo que os ativos ambientais são bens e fatores de produção ambiental que são
consumidos com o propósito de preservar o meio ambiente, é o caso de investimento em
tecnologias de preservação, compras de reservas legais dentre outros.
Os passivos ambientais são as obrigação que as empresas têm com o ambiente que podem ser
legais, ou seja, previstas em leis, as obrigações construtivas, ou seja obrigações que a empresa
define em seus relatórios que deve realizar um determinado empreendimento ambiental ao
longo de um período (descontaminação de um lago por exemplo) e as obrigações equitativas,
que são obrigações de mora e multas pagas pelas organizações. Nesse sentido percebe-se
quem embora essas conta contábeis estejam intimamente ligadas a contabilidade comum e
devida alocação permitirá que a empresa não mensure erroniamente o destino dos recursos
financeiros em matéria ambiental.

5 MENSURAÇÃO DOS CUSTOS AMBIENTAIS INTANGÍVEIS



102 | P á g i n a

As as nomenclaturas teóricas quando passam para o enfoque ambiental modificam até mesmo
sentido ou finalidade. Esse entrave, no entanto não reside apenas na nomenclatura, mas
também na própria concepção empresarial sobre a questão ambiental. Os custos ambientais
necessitam de controle e acompanhamentos para que não se tornem onerosos a organização.
Os custos podem ser classificados de forma que tenhamos a forma sob a qual ele gera renda
para organização, como no caso do método de classificação ABC. Isso se torna simples
quando através de critério de alocação depende de um indicador financeiro ou contábil. No
caso dos custos intangíveis existem particularidades isso porque apesar de se reconhecer a sua
existência não se consegue definir ao certo suas proporções financeiras. Diante desta
dificuldade Diell (1997) apresenta um modelo genérico para identificação e mensuração de
custos intangíveis. Esse modelo observa algumas etapas como:
a) Identificar os fatores intangíveis relacionados com o processo produtivo da organização
direta ou indiretamente;
b) Identificar as atividades necessárias envolvidas com a atividade que resulte na ação cujas
atividades estejam relacionadas ao meu ambiente;
c) Relacionar os recursos utilizados nessas atividades sejam estes, recursos financeiros e
naturais;
d) Relacionar o recurso a uma medida de uso, ou seja, relacionar pela variável tempo o
consumo de um determinado período;
e) Selecionar um método de atividade e de medição ao recurso de acordo com a unidade de
medição apropriada;
f) Medir os custos identificando ainda as perdas relacionadas à utilização (desperdícios);
g) Totalizar os custos associados, ou seja, organizar os dispêndios através de centos de custos
(centros de custos é uma modalidade contábil que veremos adiante);
h) Associar os custos intangíveis a níveis de utilização dos recursos relacionando com os
benefícios (e/ou esperado) sobre os ativos intangíveis;
i) Gerenciar o uso dos recursos buscando a melhoria continua dos processos.
Outra forma também utilizada para classificação de custos inatingíveis é o estabelecimento de
um valor, podem essa metodologia se torna um tanto quanto subjetiva haja vista que “valor” é
um conceito relativo dependendo de um referencial de valor que pode ser valor de uso, valor
potencial, valor ambiental dentre outro.
Moura (2006) propõe para o controle de custos ambientais o emprego do TCQ (Total Contro
Quality) que é um sistema de qualidade total. A principal base conceitual dessa política na
organização reside na redução de falhas para que as ações possam ser desenvolvidas de forma
adequada. Ganhos significativos podem ser obtidos podem ser obtida com programas de
monitoramento na gestão da qualidade da água e do ar, redução do custo de matérias-primas.
A manutenção de equipamentos também pode ser útil para que se evitem falhas que originem
custos ambientais.
O autor acrescenta que o grande ganho identificado pela gestão de custos oportunizando a
redução de custos de falhas internas e de falhas externas e na redução de custo de avaliação.
Nesse sentido pode-se observar que os custos ambientais mais onerosos são os oriundos por
falha de controle. Dessa forma é mais conveniente investir em formas de controle, que
realizar atividades corretivas, mais onerosas, dessa forma o custo global será de fato reduzido.



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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
As despesas e os investimentos na área ambiental constituem itens que não podem ser
alocados de forma convencional na gestão financeira das organizações, haja vista que a mtéria
demanda aspectos diferenciados para sua empreenção e devida gestão. Da mesma forma os
custos da qualidade ambiental, funcionam como ferramentas pelas quais as mesmas estão
usufruindo para atingir as metas do desafio do crescimento econômico, da administração dos
passivos ambientais, da análise do ciclo de vida e da contribuição para o desenvolvimento
sustentável organizacional.
Para se ter um efetivo controle dos investimentos e gastos na área do meio ambiente, o
sistema de custos da qualidade ambiental pode auxiliar a competitividade e sobrevivência das
organizações, porque aponta deficiências na gestão da qualidade, contribuindo para a
melhoria contínua no desempenho ambiental da organização.
Os custos ambientais, na sua maioria são compostos por atividade indireta, e para apuração
ser mais eficiente o custeio por atividade retrata a realidade, uma vez que o foco está na
atividade, podendo com isto proporcionar eliminação de custos de falhas e desperdícios,
melhorias no processo produtivo e conseqüente aumento da competitividade.

REFERÊNCIAS
CARVALHO, N. L.; MATOS, E. R. J.; MORAES R. O. Contabilidade Ambiental. Pensar Contábil.
Rio de Janeiro, 2000.
DIELL, C. A. Proposta de um sistema de avaliação de custos intangíveis. UFRS. Porto Alegre,
1997.
GITMAN, Laurence G. Princípios de Administração Financeira. São Paulo: Harbra, 2001.
HALL. Richard H. Organizações processo e resultados. São Paulo: Printice Hall do Brasil, 2004.
MOURA, Luiz Antônio Absala. Economia Ambiental: gestão de custos e investimentos. São Paulo:
Juarez de Oliveira, 2006.
PORTER, Michel E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior. Rio de
Janeiro: Campus, 1989.



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A Instituição do ICMS Ecológico no Rio Grande do Norte:
Perspectivas e Desafios

Allen Azevedo de Andrade (IFRN) allenandrade@gmail.com
Erika Araújo da Cunha Pegado (IFRN) erika@cefetrn.br

RESUMO
Em 2008 o projeto de lei n° 002/2008 foi proposto visando a adoção do ICMS Ecológico no
Rio Grande do Norte, seguindo uma tendência que já está presente em grande parte dos
estados do Brasil, e que objetiva incentivar a conservação ambiental. No presente artigo
analisaram-se as perspectivas e desafios que serão enfrentados na implantação da futura lei,
baseado nas experiências brasileiras, utilizando como metodologia a pesquisa na doutrina e
normatização ambiental brasileira com destaque para normas de unidades da Federação que já
avançaram no tema. A elaboração deste trabalho deu-se inicialmente por meio de uma
pesquisa exploratória realizada com levantamentos bibliográficos, documentais e legais, como
o projeto de lei nº 002/2008, a Constituição Federal de 1988, etc., além da contribuição de
artigos científicos de anais e revistas, dissertações, livros e sites da Internet que discutem o
tema da instituição do ICMS Ecológico. Em seguida, foi abordado o tema do ICMS, a sua
função fiscal e extrafiscal, com ênfase ao ICMS Ecológico na perspectiva do projeto de lei
para o RN, analisando os critérios sugeridos no projeto. Conclui-se que a implementação do
ICMS Ecológico no Rio Grande do Norte trará benefícios para o desenvolvimento dos
municípios que colaborarem para a conservação ambiental, sendo uma importante ferramenta
de gestão pública ambiental.
PALAVRAS-CHAVE: ICMS Ecológico, conservação ambiental, políticas públicas,
perspectivas e desafios.

1 INTRODUÇÃO
A preocupação com as questões ambientais há muito tempo ultrapassou o campo das paixões
ideológicas, e já se encontra presente de forma intensa no ordenamento jurídico brasileiro. A
conservação do meio ambiente é um fator que rege os mais diversos segmentos da sociedade,
inclusive o político e o econômico. A cada dia surgem novas idéias para tentar aliar a
conservação ambiental ao cotidiano da população, especialmente por parte do poder público.
Neste cenário, pode o ICMS Ecológico atuar na melhoria das condições sociais, econômicas e
ambientais dos municípios do Rio Grande do Norte como uma ferramenta de gestão pública?
Baseado nas experiências brasileiras pretende-se com o presente trabalho analisar o projeto de
lei n° 002/2008 que implementa o ICMS Ecológico no Rio Grande do Norte como um
instrumento de gestão ambiental na política pública para o desenvolvimento sustentável,
assim como os critérios adotados para a distribuição do imposto e a sua importância para o
estado.

2 O TEMA AMBIENTAL NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA
A Constituição Federal de 1988 inovou o cenário legislativo do país ao dedicar um capítulo



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exclusivo ao meio ambiente, que ganhou status de bem protegido constitucionalmente, em seu
artigo 225. Porém, a preocupação ambiental não se resume apenas a esse artigo da
Constituição, que trata do assunto em diversos outros momentos ao longo de seus
regramentos (ANTUNES, 2006). O destaque dado ao meio ambiente reflete os anseios de
uma sociedade preocupada com o direcionamento de desenvolvimento da nação, e que
precisava desta proteção em sua lei maior o mais rápido possível.
O ordenamento jurídico brasileiro é guiado por diversos princípios que servem de fonte para
os mais diversos ramos do direito, tanto nas etapas de formação quanto de aplicação,
possibilitando que a interpretação se dê de forma acertada, sem sofrer variações
desencontradas de acordo com cada intérprete que esteja operando as leis. Leuzinger e Cureau
(2008, p. 13) dizem que os princípios são importantes por delimitar “o espaço dentro do qual
um determinado sentido é aceito, evitando-se, assim, graves conflitos”.
No direito ambiental, diversos são os princípios, expressos na Constituição ou implícitos em
suas entrelinhas. De maneira didática, e visado facilitar a visualização, Milaré (2007) lista
onze princípios fundamentais, que são:
 Princípio do ambiente ecologicamente equilibrado como direito fundamental da pessoa
humana;
 Princípio da solidariedade intergeracional;
 Princípio da natureza pública da proteção ambiental;
 Princípios da precaução e prevenção;
 Princípio da consideração da variável ambiental no processo decisório de políticas de
desenvolvimento;
 Princípio do controle do poluidor pelo Poder Público;
 Princípio do poluidor-pagador (pollueter pays principle);
 Princípio do usuário-pagador;
 Princípio da função socioambiental da propriedade;
 Princípio da participação comunitária; e
 Princípio da cooperação entre povos.Notas de rodapé: não devem ser utilizadas notas de
rodapé.
Dentre os princípios elencados acima, destacam-se neste trabalho os da prevenção e
precaução, do poluidor-pagador e do usuário-pagador.
Os da prevenção e da precaução tratam dos riscos que as atividades humanas podem causar ao
meio ambiente. Apesar de semelhantes, diferenciam-se na medida em que a precaução é
quando não se conhece a certeza científica dos danos que a atividade pode causar, porém,
devido aos riscos e a fundada preocupação, deve-se agir de maneira a evitar as possíveis
conseqüências negativas. Já o da prevenção é quando o dano é conhecido, e tenta-se evitá-los
ou minimizá-los.
Conjuntamente com o princípio da prevenção, o princípio do poluidor-pagador formou a base
do Direito Ambiental, sendo acrescentados, em seguida, os demais princípios (LEUZINGER;
CUREAU 2008). Esse princípio obriga o poluidor a pagar pela poluição causada por sua
atividade, como uma forma de compensar à coletividade os prejuízos que todos sofrem com
os impactos ambientais. Não se trata, porém, de uma permissão para poluir, e sim de evitar
que o dano ocorra ou, ocorrendo, o poluidor deve arcar com os custos necessários. Com
relação ao princípio do usuário-pagador, Machado (2009) diz que o simples fato de utilizar o
recurso natural, que é um bem de todos, implica no enriquecimento ilegítimo do usuário, por



106 | P á g i n a

isso a necessidade de pagar por ele, mesmo que esteja agindo de forma legal e não o esteja
poluindo.
Milaré (2007) ensina que, como o meio ambiente é dinâmico e está em contínua mutação, o
direito ambiental acompanha tais características, aperfeiçoando os princípios já existentes, ou
criando novos. E que
o direito é uma ciência de coisas e fatos estabelecidos; não se ocupa de
prognósticos e do futuro, mas deve inevitavelmente estar aberto às mudanças
que, geração após geração, se introduzem na vida planetária e na realidade
fluente da nossa própria espécie (MILARÉ, 2007, p. 780)
Portanto, os diversos princípios estão em constante adaptação aos tempos modernos, às
descobertas científicas e necessidades sociais. Nesse cenário, visando a inversão da esfera
punitiva do poluidor-pagador e do usuário-pagador para a esfera compensatória,
conjuntamente com os princípios da precaução e da prevenção, surge o princípio do protetor-
recebedor, que prevê uma forma de compensar financeiramente aquele que protege o meio
ambiente.
Esse princípio expressa
que aquele agente público ou privado que protege um bem natural em
benefício da comunidade deve receber uma compensação financeira como
incentivo pelo serviço de proteção ambiental prestado. O princípio protetor-
recebedor incentiva economicamente quem protege uma área, deixando de
utilizar seus recursos, estimulando assim a preservação (RIBEIRO 2005,
p.1).
Assim, a discussão sobre o ICMS Ecológico torna-se relevante em virtude de sua importância
para efetivar os princípios destacados anteriormente.

3 O ICMS ECOLÓGICO
O Código Tributário Nacional – CTN (lei n° 5.172/66), define tributo em seu artigo 3°,
quando diz que “tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor
nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada
mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (BRASIL, 2009). Imposto, assim
como taxa, contribuição de melhoria, etc., são espécies do gênero tributo. O artigo 36 da lei
5.172/66 conceitua imposto como “tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação
independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte”.
O Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de
Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) é de
competência estadual e do Distrito Federal, como determina a Constituição Brasileira. Incide
sobre a circulação de produtos como gêneros alimentícios, utilidades domésticas,
eletrodomésticos dentre outros, e também sobre serviços de transporte interestadual e
intermunicipal e de comunicação. Loureiro (2002, p. 48) diz que “o ICMS é o tributo mais
importante em nível estadual, representando sempre acima de 90% das receitas tributárias dos
Estados”.
O ICMS tem como função principal arrecadar recursos para sustentar as atividades
governamentais, ou seja, função fiscal. Porém, ele também tem função extrafiscal, que é
aquela em que o Poder Público não tem apenas o papel de arrecadação de fundos, mas sim



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estimular a prática de determinadas condutas e desestimular outras indesejáveis
(GONÇALVES, 2008). Scaff e Tupiassu (2005, p. 732) ressaltam a importância da
extrafiscalidade dos tributos,
que podem ser amplamente utilizados em benefício dos interesses coletivos
administrados pelo Estado. De fato, os tributos, em função de sua própria
natureza, devem exercer uma finalidade eminentemente voltada ao bem
comum, devendo ser otimizada sua utilização como instrumento de
implementação das políticas de proteção ao meio ambiente e ao
desenvolvimento sustentável.
A Constituição Federal, em seu artigo 158, IV, determina que 25% do produto arrecadado
através do ICMS pelos estados pertencem aos municípios. A distribuição desta quota se dá, de
acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, conforme dois critérios:
I - três quartos, no mínimo, na proporção do valor adicionado nas operações relativas à circulação de
mercadorias e nas prestações de serviços, realizadas em seus territórios; II - até um quarto, de acordo
com o que dispuser lei estadual ou, no caso dos Territórios, lei federal (BRASIL 2009).
Os ¾ de que trata o inciso I do artigo supracitado são repassados através do valor adicionado
fiscal (VAF), que, de forma simplificada, Scaff e Tupiassu (2005) explicam como sendo a
diferença entre as notas fiscais de venda e as de compra do município. Ou seja, as saídas
menos as entradas. É um valor agregado, resultado do faturamento bruto de comercialização
de mercadorias. A soma dos VAF de todas as empresas será o valor municipal; e a soma dos
VAF de todos os Municípios será o VAF geral estadual.
A relação percentual entre o VAF do Município e o VAF geral do Estado resultará no índice
de repasse do ICMS.
A Figura 1 ilustra a distribuição do ICMS arrecadado, sendo 75% do total destinado ao estado
e 25% aos municípios. Da quota destinada aos municípios, 75% de acordo com o valor
adicionado e os 25% restantes como dispuser a lei estadual.
Estado: 75% do ICMS arrecadado
Município: no mínimo 3/4 distribuido
pelo VAF
Município: até 1/4 distribuído de acordo
com legislação estadual

Figura 1 – Gráfico da distribuição do ICMS nos estados
Fonte: Dados da pesquisa
Assim sendo, a lógica da distribuição destes 75% das receitas do ICMS beneficia os
municípios mais ricos, que são aqueles que produzem mais e, por isso, são capazes de gerar
mais receitas tributárias. Barros (2001, p. 70) escreve que
os Municípios pobres, formados por pessoas pobres, pagam
proporcionalmente mais ICMS, já que as pessoas pobres gastam maior parte
da sua renda com consumo. Posteriormente, os Municípios pobres recebem
proporcionalmente menos transferências de ICMS, gastando todo o seu



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orçamento em serviços assistenciais à sua população pobre, oferecendo,
muito possivelmente, menos e piores serviços do que os Municípios ricos.
Finalmente, sem sobras orçamentárias, a Prefeitura do Município pobre não
investe no desenvolvimento, tornando-se incapaz de atrair qualquer tipo de
novos empreendimentos econômicos. Como não atrai novas empresas, não
tem chance de elevar sua participação no rateio do ICMS, o que perpetua a
sua pobreza.
Aliado a isso, Barros (2001) relaciona ainda que a situação tende a piorar quando o
trabalhador apenas dorme em sua residência, mas trabalha em município vizinho, onde há
mais oportunidades de sustento. Ou então quando compra produtos em outras cidades mais
desenvolvidas, devido a maior variedade de opções e preços, estimulados pela concorrência.
Tais fatos acabam enriquecendo mais os outros municípios em detrimento de onde o cidadão
reside, pois acabam tendo uma circulação maior de mercadorias e, por conseqüência, maior
participação sobre o ICMS.
Com relação aos 25% restantes que tratam o artigo 158, parágrafo único, inciso II, são
legislados pelos estados em suas Constituições, obedecendo a critérios próprios, pré-
determinados. Esta permissão dos estados para legislar em até ¼, conjuntamente com o
princípio do protetor-recebedor, são as raízes do denominado ICMS Ecológico que, em linhas
gerais, é uma maior destinação desta parcela do ICMS aos municípios em função de sua
adequação às metas de conservação ambiental estabelecidas em lei, trazendo ganhos ao meio
ambiente e à qualidade de vida dos habitantes. Ou seja, o município que proteger o meio
ambiente, receberá por isso.
Trata-se, portanto, de uma ferramenta de gestão ambiental que a administração pública
estadual pode utilizar para beneficiar os municípios que colaborem com a conservação do
meio ambiente. Não se cria um novo tributo, não havendo ônus financeiro para o estado nem
para os contribuintes, apenas apresenta uma nova alternativa para a sua distribuição.
Importante também frisar que não é um financiamento para programas ambientais, e sim uma
compensação por atingir as metas técnicas e legalmente estipuladas.
O estado pioneiro a aprovar o ICMS Ecológico foi o Paraná, quando dispôs sobre o tema em
sua Constituição Estadual de 1989, regulamentando-o em 1991 através da lei complementar
nº 59. Esta ferramenta surgiu, especialmente, por alguns dos municípios paranaenses
sentirem-se limitados para desenvolverem-se economicamente devido às restrições na
exploração de seus territórios, tanto pela existência de unidades de conservação, quanto pela
necessidade de preservação de mananciais que abastecem as cidades vizinhas (LOUREIRO,
2008). Estes foram, assim, os critérios adotados pelo estado paranaense, destinando 2,5% do
montante para cada um dos critérios.
Outros estados passaram, então, a seguir a iniciativa do Paraná, modificando alguns critérios
para se adequarem às suas necessidades. Loureiro (2002) escreve que, em 1993, São Paulo era
o segundo estado a implementar o ICMS Ecológico, destinando 0,5% dos recursos para os
municípios que possuem Unidades de Conservação e 0,5% aos que têm em sua área
reservatórios de águas para a geração de energia elétrica. Outros estados também já
implementaram o ICMS Ecológico, como mostra a Tabela 1 a seguir:





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Tabela 1 – ICMS Ecológico nos estados brasileiros e os critérios de redistribuição.
ESTADO ANO CRITÉRIO PARTICIPAÇÃO
PR 1991
Unidades de Conservação Ambiental 2,5%
Mananciais de abastecimento público de águas 2,5%
SP 1993
Unidades de Conservação Ambiental 0,5%
Reservatório de água destinados à geração de energia elétrica 0,5%
MG 1995
Unidades de Conservação Ambiental 0,5%
Sistema de tratamento de lixo e/ou esgoto sanitário 0,5%
RO 1996 Unidades de Conservação Ambiental 5,0%
AP 1996 Unidades de Conservação Ambiental 1,4%
RS 1998
Unidades de Conservação Ambiental e áreas inundadas por
barragens
7,0%
MT 2001 Unidades de Conservação Ambiental e terras indígenas 5,0%
MS 2001
Unidades de Conservação Ambiental, áreas de terras
indígenas e manancias de abastecimento público
5,0%
PE 2001
Unidades de Conservação Ambiental 1,0%
Unidades de compostagem ou aterro sanitário 5,0%
TO 2002
Unidades de Conservação Ambiental e terras indígenas 2,0%
Política Municipal de meio ambiente 1,5%
Controle e combate a queimadas 1,5%
Conservação dos solos 1,5%
Saneamento básico e conservação da água 2,0%
AC* 2004
Unidades de Conservação (inclusive as comunidades
indígenas)
20,0%
CE 2007
Índice Municipal de Qualidade do Meio Ambiente (resíduos
sólidos urbanos)
2,0%
* Denominado ICMS Verde
Fonte: adaptada de HEMPEL (2008).
Conforme demonstra a Tabela 1, a participação do ICMS Ecológico nos estados varia de 1% à
8,5%, com exceção do estado do Acre, que inovou destinando 20% dos 25% passiveis de
regulamentação. Quase todos os estados utilizam o critério das unidades de conservação,
exceto o Ceará, e grande parte incluiu alguma forma de proteção da qualidade das águas.
Alguns estados dedicaram parte desta destinação para os municípios que preservam as
comunidades indígenas, incluindo como unidades de conservação em determinados casos.
Diversos estados estão em processo de discussão do ICMS Ecológico, alguns em etapas mais
avançadas, enquanto outros estão dando os primeiros passos, tais como Alagoas, Bahia,
Espírito Santo, Santa Catarina, Goiás, Amazônia, Pará, Sergipe, Piauí, Rio Grande do Norte e
Paraíba (LOUREIRO, 2008).

4 O ICMS ECOLÓGICO NO RIO GRANDE DO NORTE
No Rio Grande do Norte, o projeto de lei nº 002/2008 espera votação para incluir o estado na
lista dos que utilizam esta permissão constitucional em favor do desenvolvimento sustentável.
O projeto, proposto pelo Deputado Estadual Robinson Faria, prevê que, dos recursos que
podem ser legislados, 5% sejam destinados para os municípios que possuam em seus



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territórios uma ou mais unidades de preservação ambiental pública e/ou particular, e outros
5% para àqueles que façam o tratamento de pelo menos 50% do volume de seu lixo domiciliar
(RIO GRANDE DO NORTE, 2008).
O proponente deste projeto justificou a importância do assunto enaltecendo, principalmente,
os pontos positivos alcançados no estado do Paraná, além da importância da biodiversidade
do país e os problemas que o crescimento urbano traz. Apesar de a proposta limitar-se apenas
aos dois critérios já mencionados, na justificativa também foi abordada a questão da
destinação do esgotamento sanitário, citando o exemplo dos problemas ambientais do Rio
Potengi e do Rio Apodi-Mossoró, além das lagoas do estado (RN, 2008).
Com relação ao critério relacionado aos resíduos sólidos, a justificativa diz que pretende, com
a aprovação da lei,
incentivar projetos de coleta seletiva, reciclagem, reutilização e criação e
manutenção de sistema de destinação final daqueles resíduos, o que poderá,
também, ser um fator gerador de empregos e renda, com a instalação de
usinas de reciclagem e destinação finais, estrategicamente localizadas (RIO
GRANDE DO NORTE 2008, p. 8).

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
No Rio Grande do Norte, atualmente, segundo os dados do site da Secretaria de Estado da
Tributação – SET (2009), são utilizados 3 critérios para definir o repasse do ICMS aos
municípios no estado. Além dos 75% obrigatórios, o RN destina mais 5% utilizando o critério
do valor adicionado, totalizando 80%. Os demais 20% são distribuídos utilizando índices de
população e distribuição equitativa, sendo 10% para cada um dos critérios, de acordo com a
lei estadual no 7.105/1997.
Observa-se que a permissão Constitucional de os estados poderem legislar sobre até 25% do
ICMS destinado aos municípios possibilita que eles atuem diretamente no desenvolvimento
das cidades, contribuindo, quando bem utilizada, como um considerável fator de
desenvolvimento econômico para as cidades. Porém, tradicionalmente, os estados brasileiros
não se utilizam desta ferramenta de forma eficiente, chegando a destinar a parte que os cabe
legislar da mesma forma dos outros ¾, ou através de critérios demográficos, e até mesmo em
partes iguais entre as cidades (SCAFF; TUPIASSU, 2005). É o que acontece atualmente no
Rio Grande do Norte, visto que a distribuição aumenta o critério do valor adicionado e inclui
os 2 outros fatores indicados pelos autores acima citados, não inovando nem utilizando de
formas criativas e eficientes para destinação destes recursos.
O projeto de lei 002/08 surge como uma forma de corrigir estes critérios ultrapassados, tendo
como alicerces as experiências bem sucedidas que aparecem por todo o país. Ao propor
destinar 5% para os municípios que protejam suas unidades de conservação, e outros 5% para
àqueles que tratam os seus resíduos sólidos domiciliares, o RN toma a frente dos demais
estados em percentual de destinação do denominado ICMS Ecológico, ficando atrás apenas do
estado do Acre, colocando-se em local de destaque.
Com relação aos critérios descritos no projeto de lei, o proponente acompanhou os demais
estados com relação às unidades de conservação, visto que praticamente todos repetiram tal
parâmetro. Segundo o Anuário Estatístico do 2008 do site do IDEMA (2008), o RN tem uma
área superior a 800.000 ha de unidades de conservação, compreendendo mais de 20
municípios, conforme pode ser visto na Tabela 2.



111 | P á g i n a

Tabela 2 – Unidades de Conservação do Rio Grande do Norte
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DA
NATUREZA
ÁREA TOTAL
(ha)
MUNICÍPIOS
ABRANGIDOS
Área de Proteção Ambiental (APA)
Recifes de Corais 180.000
Maxaranguape, Rio do Fogo e
Touros
Bonfim/Guaraíra 42.000
Arês, Goianinha, Nísia
Floresta, São José de Mipibu,
Senador Georgino Avelino e
Tibau do Sul
Genipabu 1.881 Extremoz e Natal
Piquiri - Una 12.019,66
Canguaretama, Espírito Santo e
Pedro Velho
Reserva Biológica Marinha
Atol das Rocas (1) 36.249
144 milhas náuticas da cidade
do Natal
Estação Ecológica
Seridó 1.166,38 Serra Negra do Norte
Floresta Nacional
FLONA de Açu 518,18 Açu
FLONA de Nísia Floresta 175 Nísia Floresta
Parque Estadual
Ecológico do Cabugi 2.228,70 Angicos
Dunas do Natal "Jornalista Luís Maria Alves" 1.172 Natal
Florêncio Luciano –– Parelhas
Reserva Particular do Patrimônio Natural
Mata Estrela Senador Antônio Faria 2.365 Baía Formosa
Sernativo 156 Acari
Stoessel de Brito 755,95 Jucurutu
Reserva de Desenvolvimento Sustentável
Parque Estadual Mata da Pipa 290,88 Tibau do Sul
Ponta do Tubarão 12.946,03 Guamaré e Macau
Reserva Faunística Costeira de Tibau do Sul 535.600 Tibau do Sul
(1): A área compreende o Atol e as águas que o circundam.
Fonte: IDEMA (2008)
De acordo com os dados de 2007 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD
do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 77,38% dos domicílios do Rio
Grande do Norte tinham seus resíduos sólidos coletados diretamente pelo serviço público,
enquanto 6,98% eram feitas de forma indireta. Estes números tornam-se ainda mais
preocupantes ao se constatar que 92% dos municípios do estado tem como destinação para
seus resíduos sólidos os lixões à céu aberto (SEMARH, 2009).
Apesar de o autor não utilizar como um dos critérios no projeto de lei 002/08, a justificativa
da proposta incluiu a problemática da falta de tratamento adequado para os esgotos sanitários,
e cita exemplos de rios e lagoas potiguares.



112 | P á g i n a

Muitos dos estados que já utilizam o ICMS Ecológico em suas legislações incluíram algum
critério relacionado à água, seja nos cuidados com os mananciais para abastecimento, seja na
preocupação com o destino das águas servidas municipais. Tal atenção reflete a necessidade
de conservação deste bem tão escasso em todo o mundo, com destaque para o Nordeste
brasileiro.
No Rio Grande do Norte, a maior parte dos municípios utiliza sistemas precários para dar
destinação aos seus efluentes. Segundo dados da PNAD, em 2007 apenas 56,84% dos
domicílios do RN dão alguma destinação conhecida para os seus efluentes sanitários, sendo a
maioria utilizando o sistema de fossa séptica (40,38%) e apenas 16,46% das residências do
estado têm ligação com a rede coletora de esgotos (IBGE, 2007). Quando contabilizado a
quantidade deste esgoto coletado que é tratado, o número é ainda mais preocupante: de acordo
com os dados da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte – CAERN, em
2008 eram coletados em Natal 10.739.614 metros cúbicos de esgotos diariamente, dos quais
apenas 5.109.908 metros cúbicos eram tratados por dia (CAERN, 2008), o que representa
menos de 50% do volume coletado na capital.
Apesar de não abranger todos os problemas ambientais encontrados no estado, os critérios
escolhidos para compor o ICMS Ecológico no RN são satisfatórios, visto que além de
acompanhar as experiências já implementadas pelo país, estes critérios englobam grandes
desafios para os municípios, e que o incentivo para solucioná-los pode ser de grande valia
para toda a sociedade.
A implementação do ICMS Ecológico no Rio Grande do Norte pode trazer inúmeros
benefícios para os municípios, pois além de compensá-los por adotarem medidas de
conservação, também podem contribuir para preservar a biodiversidade e os recursos hídricos,
buscar soluções para o saneamento básico, incentivar a implantação de unidades de
conservação, despertando o interesse pelas questões ambientais na sociedade e a possibilidade
de geração de novos empregos em segmentos do mercado ainda não explorados na área
ambiental. Além disso, ainda despertam a consciência ambiental para as futuras gerações.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se com a breve análise desenvolvida, que o ICMS Ecológico pode ser utilizado para a
melhoria das condições sócio-ambientais nos municípios, como instrumento de política
pública.
A aprovação do projeto de lei 002/2008 se faz necessária o mais breve possível, devido a sua
importância para o desenvolvimento sustentável dos municípios, possibilitando que o Rio
Grande do Norte possa igualar-se ao patamar dos demais estados no que se refere à atenção
com a conservação ambiental. Mesmo com o atraso com relação às demais unidades
federativas, a existência do projeto de lei é um grande avanço, mas não pode ficar parado
esperando uma data para votação.
Importante ressaltar que apenas a instituição do ICMS Ecológico não garante que os
municípios resolverão o dilema: economia versus meio ambiente. Além da aprovação da lei,
impõe-se aos estados que consigam difundir as vantagens desta importante ferramenta, para
que os gestores públicos municipais, em conjunto com a sociedade, possam agir de forma
engajada para alcançar os objetivos pretendidos. Caso contrário, a lei pode, como tantas
outras no nosso ordenamento jurídico, não passar de simples palavras escritas, sem aplicação
concreta, ou com resultados insignificantes.



113 | P á g i n a

Destaca-se também a necessidade de especialistas em gestão ambiental, tanto na etapa das
discussões que antecedem a criação da lei, para avaliar os problemas e necessidades
encontradas nos municípios e estabelecendo critérios técnicos precisos, adequando-se à
realidade do estado, quanto no momento de implantação e acompanhamento, quando
aprovada, visando analisar se os objetivos propostos estão sendo alcançados, e ajudando os
municípios a adequarem-se à nova realidade.

7 REFERÊNCIAS
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>. Acesso em: 09 jul. 2009.

115 | P á g i n a


Valoração Econômica do Dano Ambiental Ocasionado pela Extração
Ilegal da Orquídea Cattleya Granulosa no Parque Natural Dom
Nivaldo Monte, Natal/RN.

Adriana Margarida Zanbotto Ramalho (IFRN) zanbotto@hotmail.com
Handson Cláudio Dias Pimenta (IFRN) handson@cefetrn.br
Gustavo Soares de Araújo (SEMURB) gustavosoarescn@gmail.com
Wagner de França Alves (SEMURB) wagnerfrancaa@yahoo.com.br

RESUMO
A Mata Atlântica vem sendo alvo de biopirataria e coleta predatória de plantas ornamentais
como orquídeas que alcançam um alto valor de mercado em função das características
estéticas e beleza cênica. O Parque Natural Dom Nivaldo Monte é um fragmento de Mata
Atlântica de 64 ha, inserido na Zona de Proteção Ambiental-1 (ZPA-1) do município de
Natal, que vem sendo alvo deste mercado ilegal devido à extração vegetal da Cattleya
Granulosa, uma orquídea endêmica ameaçada de extinção. O objetivo geral deste trabalho é
valorar economicamente o dano ambiental ocasionado pela extração ilegal da orquídea C.
granulosa. A metodologia utilizada na pesquisa contemplou as seguintes etapas:
levantamento amostral da orquídea na área em estudo; cálculo de densidade e freqüência
absolutas; valoração econômica do dano ambiental associado à extração indevida; proposição
de políticas públicas. Como resultado, foi observada uma densidade de 1,17
indivíduos/parcela e freqüência absoluta de 8,33%, sendo estimando 1493 indivíduos no
Parque, durante o período analisado. Os serviços ambientais oferecidos por todos os
indivíduos de C. granulosa a sociedade, na área estudada, representa monetariamente um
valor de R$ 9.555.200,00. Assim, para manutenção destes serviços propõem-se como
políticas públicas municipais para preservação da espécie: aumento da fiscalização na área,
educação ambiental com a comunidade circunvizinha, cobrança de indenização ao infrator,
investir na interligação da ZPA-1 com a ZPA -3 a fim de propiciar fluxo gênico entre estes
fragmentos, assim como incentivar a utilização técnicas de biotecnologia vegetal como a
micropropagação de clones e semeadura in vitro para reintrodução na natureza.
PALAVRAS-CHAVE: valoração econômica, dano ambiental, biopirataria e coleta
predatória, políticas públicas ambientais e orquídea Cattleya granulosa.

1 INTRODUÇÃO
As tecnologias ambientais têm feito muitos prodígios como remediar os impactos sobre os
aqüíferos e solos contaminados, entretanto um elemento que ainda não está ao alcance da
ciência é recuperar a perda de biodiversidade. Não há como recuperar e nem mesmo reparar o
desaparecimento de uma espécie e os serviços ambientais oferecidos por ela. Desta forma,
faz-se necessária a aplicação de mecanismos ambientais para valorar os danos ocorridos em
detrimento de ações predatórias.
Geralmente, a valoração econômica dos recursos naturais estima o valor monetário dos
benefícios proporcionados pelos ativos naturais e ambientais, os quais se referem aos fluxos
de bens e serviços oferecidos pela natureza às atividades econômicas e humanas (MOTA,
2001). Quando os valores dos bens e recursos naturais e dos impactos ambientais, não são
captados na esfera de funcionamento de mercado, devido a falhas em seu funcionamento,

116 | P á g i n a

podem ser estimados, na medida em que se possa descobrir qual a disposição da sociedade e
dos indivíduos a pagar pela preservação ou conservação dos recursos e serviços ambientais
(MARQUES, 2009). Em algumas metodologias de valoração ambiental utiliza-se como base
de cálculo o valor de exploração comercial do recurso natural, ou a disposição a pagar pelo
infrator pela degradação ambiental.
Em um bioma tão degradado quanto o da Mata Atlântica, a diversidade florística é essencial
para manutenção do ecossistema. Por este motivo, o município de Natal criou o Parque
Natural Municipal Dom Nivaldo Monte, para integrar a Sub-Zona de Conservação da Zona de
Proteção Ambiental 1 ao Grupo de Unidades de Proteção Integral, na categoria Parque
segundo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC. A área de 64 hectares que
abrange este Parque é composta predominantemente por um ecossistema de Dunas, com
vegetação caracterizada por Floresta Estacional Semidecidual, Restinga Arbustiva densa e
esparsa e vegetação de Campo-cerrado. É hoje desprovida de ocupação por habitações,
todavia, é possível a identificação de indícios de uso que caracterizam o conflito entre a
desejada conservação e a constatada pressão antrópica, dentre as quais destacam-se: o
desmatamento, as queimadas, a disposição irregular de resíduos sólidos, exploração comercial
de sedimentos para construção civil, abertura de trilhas clandestinas, sendo ainda alvo
constante de biopirataria e coleta predatória de plantas ornamentais (NATAL, 2008).
A orquídea endêmica Cattleya granulosa, espécie endêmica e ameaçada de extinção, tem sido
a espécie mais visada pelos infratores por ser rara e com alto valor mercado pelos
colecionadores. Destaca-se que as extrações constantes têm comprometido a integridade do
ecossistema e conseqüentemente a quebra dos serviços ambientais oferecidos pela espécie, em
especial, sua função como bioindicador, pois são sensíveis às interferências em matas
primárias em virtude da ocupação de nichos especializados. Este dano ambiental é de difícil
reparação e valoração por se tratar de uma espécie ameaçada de extinção. Isso porque quanto
mais escasso for o recurso natural, dificilmente se retorna ao estado original e mais árduo será
o cálculo da indenização (GUIMARÃES, 2009).
Assim, o objetivo geral deste trabalho é valorar economicamente o dano ambiental
ocasionado pela extração ilegal da orquídea C. granulosa, no Parque Natural Municipal Dom
Nivaldo Monte (conhecido como Parque da Cidade). Já os objetivos específicos foram:
coletar informações de campo através de levantamento amostral; calcular a densidade e
freqüência absolutas; aplicar um método de valoração econômica do dano ambiental; e,
propor políticas públicas para preservação da espécie.
A pesquisa classifica-se como descritiva e aplicada com ênfase quantitativa nos resultados,
pois descreve, qualifica e classifica o dano ambiental por meio da observação, do
levantamento de dados de campo e da pesquisa bibliográfica a fim de obter informações que
serão subsídios para aplicação de um método de valoração econômica do dano ambiental. O
método escolhido para valorar economicamente o dano ambiental foi o proposto pelo
Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais – DEPRN, da Secretaria de Meio
Ambiente do estado de São Paulo (GALLI, 1996). Trata-se de um método descritivo que
qualifica e classifica os agravos do dano a flora para dar subsídios a base de cálculo do valor
monetário do dano multiplicando pelo valor de exploração da espécie.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Valoração Econômica dos Recursos Naturais
Segundo Brasil (2009a), a necessidade de atribuir o valor de determinado recurso natural, de
estimar por meio de uma medida monetária o valor de um dano ecológico é fundamental, na

117 | P á g i n a

medida em que se pretenda compatibilizar o artigo 170 com o artigo 225 da Constituição
Federal de 1988, disciplinando a apropriação dos recursos naturais, trabalhando com os
princípios do poluidor-pagador, da responsabilidade por danos e do desenvolvimento
sustentável. Uma gestão responsável e eficiente dos recursos naturais, a busca de uma
poupança ou preservação desses recursos para as gerações futuras só poderá ser alcançada
quando forem mais amplamente conhecidos os limites de sua utilização e os custos do
consumo de tais recursos.
Ainda Brasil (2009a) afirma que a valoração dos recursos naturais está fundada no fato da
legislação ambiental básica estar centrada no princípio da responsabilidade que impõem a
reparação do equivalente após a ocorrência do dano. O próprio princípio do poluidor-pagador
obriga ao conhecimento dos custos, dos valores que o poluidor potencial pagará para
desenvolver a atividade. Por fim, algumas propostas, envolvendo alteração constitucional
sugeriam a introdução no texto do artigo 145 da Constituição Federal de 1988 de um tributo
ambiental, propondo alíquotas diferentes em função do grau de danosidade ambiental da
atividade.
O artigo 19 da Lei nº 9.605/1998 recomenda que na constatação do dano ambiental, sempre
que possível, fixará o montante do prejuízo causado para efeitos de prestação de fiança e
cálculo de multa. O Decreto nº 3.179/1999, ao especificar as sanções aplicáveis às condutas
lesivas ao meio ambiente, fixou o valor das multas administrativas, fornecendo também
elementos para uma avaliação, para a valoração dos danos. Por fim, explica que há outra
vertente a exigir a avaliação econômica dos recursos naturais: justificar a soma de recursos da
sociedade gastos para preservar e recuperar o meio ambiente, ou seja, se exigimos que o poder
público gaste recursos para recuperar e preservar é algo crucial que os bens a serem
preservados devem representar um valor (BRASIL, 2009b).
A valoração de recursos naturais resume-se em um conjunto de métodos úteis para mensurar
os benefícios proporcionados pelos ativos naturais e ambientais, os quais se referem aos
fluxos de bens e serviços oferecidos pela natureza às atividades econômicas e humanas
(MOTA, 2001).
Esses métodos são baseados na teoria neoclássica ou economia do bem-estar, pois estimam os
valores que as pessoas atribuem aos recursos ambientais, com base em suas preferências
individuais pela preservação, conservação ou utilização de um bem ou serviço ambiental
(NOGUEIRA et al., 1998). Os economistas iniciam o processo de mensuração distinguindo
entre valor de uso e valor de não-uso do bem ou serviço ambiental:
 Valor de uso refere-se ao uso potencial que o recurso pode prover. Este é subdividido em:
-Valor de uso propriamente dito;
-Valor de opção que se refere ao valor da disponibilidade do recurso ambiental para uso
futuro;
-Valor de quase-opção que representa o valor de reter as opções de uso futuro do recurso
sobre as possibilidades futuras do recurso ambiental sob investigação científica.
 Valor de não-uso ou valor de existência reflete um valor que reside nos recursos
ambientais, independentemente de uma relação com os seres humanos, de uso efetivo no
presente ou de possibilidades de uso futuro.
Para Nogueira et al. (1998) o Valor Econômico Total (VET) de um bem ou serviço ambiental
é definido com o somatório a variáveis: valor de uso, valor de opção, valor de quase-opção e
valor de existência.


118 | P á g i n a

Ainda para Nogueira não existe uma classificação universalmente aceita sobre as técnicas de
valoração econômica ambiental. Desta forma, Nogueira et al. (1998) analisa as características
básicas dos seis principais métodos de valoração de bens e serviços ambientais, conforme,
descrição a seguir:
 Método de Valoração Contingente (MVC): O MVC busca extrair a disposição a pagar
(DAP) ou a disposição a receber compensação – DAC por uma mudança no nível do fluxo
do serviço ambiental de uma amostra de consumidores através de questionamento direto,
supondo um mercado hipotético cuidadosamente estruturado.
 Método Custos de Viagem (MCV): A idéia do MCV é que os gastos efetuados pelas
famílias para se deslocarem a um lugar, geralmente para recreação, podem ser utilizados
como uma aproximação dos benefícios proporcionados por essa recreação. Esses gastos de
consumo incluem as despesas com a viagem e preparativos (equipamentos, alimentação,
etc.), bilhetes de entrada e despesas no próprio local.
 Método de Preços Hedônicos (MPH): Quando uma pessoa vai ao mercado imobiliário
comprar um imóvel, ela considera também as suas características locacional e ambiental
para fazer a sua escolha. Ao tomar a sua decisão, ela está “valorando” essas
particularidades do imóvel. O método tem aplicação apenas nos casos em que os atributos
ambientais possam ser capitalizados nos preços de residências ou imóveis.
 Método Dose-Resposta (MDR): O MDR é um método que trata a qualidade ambiental
como um fator de produção. Mudanças na qualidade ambiental levam a mudanças na
produtividade e custos de produção, os quais levam por sua vez a mudanças nos preços e
níveis de produção, que podem ser observados e mensurados. O MDR se caracteriza por
utilizar preços de mercado (ou o ajustamento de preço-sombra) como aproximação.
 Método Custo de Reposição (MCR): O Método Custo de Reposição (MCR) apresenta uma
das idéias intuitivas mais básicas quando se pensa em prejuízo: reparação por um dano
provocado. Assim, o MCR se baseia no custo de reposição ou restauração de um bem
danificado e entende esse custo como uma medida do seu benefício. Por também utilizar
preços de mercado (ou preço-sombra) também se inclui na abordagem de mercado.
 Método de Custos Evitados (MCE): A idéia do MCE é de que gastos em produtos
substitutos para alguma característica ambiental podem ser utilizados como aproximações
para mensurar monetariamente a “percepção dos indivíduos” das mudanças nessa
característica ambiental. Seria o caso de um indivíduo comprar água mineral engarrafada
para se proteger de uma contaminação da água no local onde reside. Assim, ao tomar a
decisão individual de comprar esses bens substitutos, ele está “valorando” essa perda na
qualidade do recurso água potável em termos do valor de comprar a água engarrafada,
mais as despesas médicas e o aborrecimento inerente por contrair uma doença.
2.2 A Orquídea Cattleya Granulosa
A orquídea Cattleya granulosa é uma espécie endêmica do bioma Mata Atlântica
ameaçada de extinção (BRASIL, 2009b) em decorrência de fatores antrópicos que
degradaram a floresta original em 8% e fragmentaram em corredores ecológicos ao longo do
litoral brasileiro. Essa redução do total de habitats disponíveis à espécie aumentou o seu grau
de isolamento entre suas populações, diminuindo o fluxo gênico, o que acarreta em perdas de
variabilidade genética e, conseqüentemente, implica em ameaça de extinção da espécie
(BRASIL, 2009c).

119 | P á g i n a

Dentre as orquídeas apreendidas pela Guarda Ambiental Municipal no Parque Natural Dom
Nivaldo Monte, está C. granulosa. Esta espécie é muito visada em ações de biopirataria e
coleta predatória em função de sua beleza singular (CASTRO, 2008).
Caracterização Fitogeográfica: Esta orquídea desenvolve-se melhor na região
compreendida numa faixa de 2 a 20 quilômetros próximos à orla marítima, sendo encontrada
desde o nível do mar até o topo de algumas dunas especialmente no Rio Grande do Norte,
mas também em Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Paraíba (NATAL, 2008).
A orquídea C. granulosa é uma espécie epifita que se ambientou em um regime vegetativo de
Restinga Arbustiva associada à Restinga Arbórea, apresentando-se em grupamentos
espaçados, bem característicos (MARTINS et al., 2009). A ventilação constante é marcante e,
aliada ao período de insolação, à temperatura e à umidade relativa, elementos climáticos com
certa homogeneidade, indicam ser determinantes para caracterizar todo o entorno. Quanto à
ocorrência da Cattleya granulosa associa-se a um grupamento vegetal caracterizado pela
presença dominante de representantes da família Myrtaceae, onde elas se fixam, e de
representantes terrestres da família Bromeliaceae que cobrem boa parte do solo.
Características Morfológicas: A espécie atinge de 40 a 60 cm de altura. As cores de suas
flores variam de verde amarelado a várias tonalidades de marrom, dependendo da
luminosidade do ambiente, possuindo ou não pintas na cor castanho-avermelhada, tendo suas
inflorescências constituídas por cinco a nove flores com perfume adocicado e diâmetro entre 8
a 10 cm.
Serviços Ambientais da Família Orchidaceae: Parte da diversidade florística em florestas
tropicais úmidas advém de espécies epífitas que perfazem 10% de todas as plantas vasculares
que influenciam positivamente nos processos e na manutenção dos ecossistemas (MARRARA
et al., 2007). A Família Orchidaceae abrange 70% do número total de epífitos vasculares
típicos de florestas tropicais e subtropicais úmidas. No entanto, a abundância e a diversidade
são fortemente influenciadas pela mudança de condições ecológicas ao longo de gradientes
altitudinais, latitudinais e continentais, sendo a distribuição de chuvas ao longo do ano,
combinadas com as variações de temperaturas, os fenômenos mais importantes para o sucesso
destes epífitos. Orquídeas constituem excelentes bioindicadores, pois são sensíveis às
interferências em matas primárias em virtude da ocupação de nichos especializados. Quando
extraídas do seu ambiente natural, perdesse diversidade florística e a característica de
indicador ambiental fica comprimento pela interferência desta infração ambiental.

3 METODOLOGIA
3.1 Descrição da Área de Estudo
O presente estudo foi realizado no Parque Natural Municipal Dom Nivaldo Monte, um
fragmento de Mata Atlântica inserido na Zona de Proteção Ambiental 1 do município de
Natal/RN (Figura 1), no período de abril a setembro de 2009. O par de coordenadas central
em UTM UPS deste Parque é: 0252757 L e 9353478 N, que possui uma área de 64 ha e é
constituído por formações dunares cobertas predominantemente por vegetação de restinga
(UFRN, 2008). O clima local é tropical úmido com temperatura média anual de 26°C e
precipitação pluviométrica anual em torno de 2.481,6mm no ano de 2008, com período
chuvoso mais intenso entre os meses de março e julho (EMPARN, 2009).


120 | P á g i n a


Figura 1: Delimitação do Parque da Cidade dentro ZPA-1.
Fonte: NATAL, 2008.
Esta área é um fragmento de Mata Atlântica que tem sofrido pressão antrópica devido ao
crescimento urbano do seu entorno, como: desmatamento, queimadas, disposição irregular de
resíduos sólidos, abertura de trilhas clandestinas e extração de espécies vegetais como
bromélias e orquídeas (NATAL, 2008).
3.2 Etapas da Pesquisa
A pesquisa de campo foi dividida nas seguintes etapas: levantamento amostral, de densidade e
freqüência absoluta da C. granulosa; entrevista com o gestor responsável pelo parque Dom
Nivaldo Monte; aplicação do modelo de valoração de dano proposto pelo Departamento
Estadual de Proteção de Recursos Naturais (DEPRN) e proposição de políticas públicas para a
preservação da C. granulosa.
3.2.1 Caracterização da espécie na área estudada – Levantamento amostral de
Densidade e freqüência absoluta
Inicialmente foi utilizado no interior do Parque um protocolo de amostragem para
identificação e quantificação da C. granulosa. Esse protocolo consistiu na demarcação de 12
parcelas, medindo 50 m x 10 m cada uma, totalizando 0,6 hectares (aproximadamente 1% da
área do Parque)
As coordenadas geográficas das parcelas (latitude e longitude) foram registradas com auxílio
de um receptor GPS (Global Positioning System) de navegação GARMIN, modelo 60CSx
(erro de 20 metros). Para localizar no mapa o centro de cada parcela amostrado foi utilizado o
software TerraView 3.2.0 (Sistema para Processamento de Informações Georreferenciadas),
conforme a Figura 2.
A densidade absoluta expressa o número de indivíduos de C. granulosa com relação a uma
unidade de área e é dado por (MARACAJÁ et al, 2003):
DAt = nS/A
equação (1)

Onde,
DAt: densidade absoluta;
n: número de indivíduos do táxon;
S: área da parcela;
A: área amostral total.

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Já a freqüência absoluta, de acordo com Maracajá et al (2003), expressa o percentual
calculado:
FAt = 100 x Pt/P
equação (2)

Onde,
Pt: número de parcelas em que determinado táxon ocorre;
P: número total de parcelas amostradas.


Figura 2: Mapa de localização das parcelas.
3.2.2 Entrevistas com funcionários do Parque Natural Dom Nivaldo Monte
O objetivo das entrevistas com funcionários teve por finalidade investigar o valor alcançado
na comercialização ilegal da C. granulosa em feiras e comércio a partir da exploração,
extraindo em denuncias feitas ao Parque Natural Dom Nivaldo Monte. O intuito é utilizar as
informações obtidas como base de cálculo da valoração ambiental da espécie.

122 | P á g i n a

3.2.3 Método de Valoração de Danos Ambientais
O método de valoração adotado neste trabalho foi proposto pelo Departamento Estadual de
Proteção de Recursos Naturais (DEPRN/ SP), da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de
São Paulo, no ano de 1992 (GALLI, 1996). Este modelo relaciona um conjunto de fatores
ambientais (ar; água; solo e subsolo; fauna; flora e paisagem) com potenciais danos em cada
um dos fatores, no intuído de se estabelecer uma quantificação dos agravos de acordo com
critérios quantitativos pré-estabelecido que variam de 0 a 3 unidades.
Desta forma, o fator ambiental enquadrado neste estudo foi a Fauna, o qual tem como danos
aos indivíduos (espécies) os seguintes critérios: localização em relação às áreas protegidas;
ocorrências de espécies ameaçadas de extinção; ocorrências de espécies endêmicas;
favorecimento à erosão; dano ao patrimônio histórico ou monumento natural e objetivando a
comercialização (detalhamento na Tabela 1).
A partir do somatório dos critérios de agravos e usando a Tabela 2, se define o fator de
multiplicação para definição do cálculo da indenização. Logo, a indenização foi definida pelo
produto do fator de multiplicação com valor de exploração (Equação 3). Destaca-se que o
valor de exploração compreende o valor de mercado obtido pela comercialização da extração
irregular da espécie.
Indenização = (Fator de multiplicação) x Valor de Exploração
equação (3)

Contudo, o valor da indenização representa o valor monetário para reparar o dano provocado,
que em linhas gerais assemelha se a idéia do Método Custo de Reposição (MCR). E o valor
de exploração (preço sombra) assemelha-se ao Método de Valoração Contingente (MVC) que
é a disposição a pagar (DAP) pelo comprador da espécie
Tabela 1: Classificação dos Agravos
Agravos Valoração
Localização em relação às áreas protegidas
Totalmente inserido = 3
Parcialmente inserido = 2
Ocorrências de espécies ameaçadas de
extinção
Comprovada = 3
Suposta = 2
Ocorrências de espécies endêmicas
Real ocorrência = 3
Suposta ocorrência = 2
Favorecimento à erosão
Comprovada = 3
Fortes indícios = 2
Suposta = 1
Dano ao patrimônio cultural histórico,
artístico, arqueológico e turístico e/ou a
monumentos naturais, decorrente do dano à
flora
Comprovado = 2
Suposto = 1
Objetivando a comercialização
Atividade principal = 2
Atividade secundária = 1
Fonte: GALLI, 1996.
Tabela 02: Índice numérico de qualificação dos agravos.
Aspecto do
ambiente
Intervalo do índice numérico correspondente à qualificação dos agravos
Flora ≤ 6,6 ≤ 13,2 ≤ 19,8 ≤ 26,4 ≤ 33,0
Fator de
multiplicação
≤ 1,6 ≤ 3,2 ≤ 6,4 ≤ 12,8 ≤ 25,6
Fonte: GALLI, 1996.



123 | P á g i n a

3.2.4 Proposição de Políticas Públicas
Finalmente, nesta etapa, foi efetuado um levantamento bibliográfico, visando a proposição de
políticas públicas municipais voltadas à preservação da orquídea Cattleya Granulosa.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 Caracterização da espécie estudada na área – Levantamento amostral, de densidade
e freqüência absoluta
A partir do levantamento amostral das 12 parcelas foram identificafos 14 indivíduos vivos da
espécie C. granulosa (Figura 3).
Com isso, a densidade e a freqüência absolutas desta orquídea foram 1,17 indivíduos/parcela e
8,33% (FAt = 100.1/12), respectivamente. Desta forma, pode-se estimar uma população de
1493 indivíduos de C. granulosa na área do Parque. Em cada parcela foram contados todos os
indivíduos vivos de C. granulosa

Figura 3: Indivíduos da espécie C. granulosa encontrados na área em estudo (setembro/ 2009).
Apesar da C. granulosa estar ameaçada de extinção, observa-se a partir dos resultados da
freqüência e densidade absolutas, que o grau de endemismo da espécie, na área em estudo, é
significante. Porém esta endemia pode estar comprometida devido a três fatores: a supressão
vegetal ilegal acontece em todos os estágios de desenvolvimento da espécie; as mudanças
climáticas, devido ao aquecimento global; e a interferência de nichos especializados que
exploram os recursos do ambiente, como nutrientes do solo, prejudicando o nicho da C.
granulosa (ou seja, o modo de vida desta espécie no seu habitat). Estes fatores podem levar ao
desaparecimento da espécie na área.
Durante a construção do Parque, piçarro não esterilizado foi utilizado nas trilhas
pavimentadas, o que introduziu um banco de sementes exóticas a mata nativa. Estas
germinaram e se proliferaram na Unidade de Conservação. A ocupação destes nichos
especializados pode interferir negativamente na abundância e densidade absoluta das
orquídeas na Zona de Proteção Ambiental 1 (ZPA-1).
Outra informação que pode-se obter da freqüência absoluta é que a C. Granulosa não ocorre
isolada, mas agrupadas. Isto significa que o infrator não irá extrair apenas uma, mas todas

124 | P á g i n a

quantas forem possíveis levar. Ou seja, se o infrator encontrar esta parcela que contenha as 14
orquídeas e extrair todas, a perda será de aproximadamente 1% deste patrimônio ambiental.
4.2 Entrevistas com os Funcionários do Parque Natural Dom Nivaldo Monte
Como resultado da entrevista com os funcionários do parque e outros os funcionários foi
possível extrair três valores de comercialização da C. granulosa. Dois destes valores advêm
de denúncias feitas ao Parque que relatam que as orquídeas são comercializadas,
clandestinamente, em feiras no valor de R$ 20,00 e até mesmo oferecidas de casa em casa
pelo valor de R$ 10,00. O terceiro de venda possa chegar até R$ 2.000,00 para o mercado
exterior. Este valor de venda dependerá de critérios e gabarito de beleza. Assim, para o
estabelecimento do Valor de exploração será utilizado o montante de R$ 2.000,00
4.3 Valoração do dano ambiental ocasionado pela extração da C. granulosa
Para o cálculo do fator de multiplicação da indenização de cada indivíduo de C. granulosa
extraído, foram considerados os seguintes agravos:
Localizada em Unidade de Conservação de Proteção Integral:
Neste caso a C. granulosa está totalmente inserida em uma unidade de conservação,
pontuando assim como “totalmente inserido”, ou seja, peso 3 (Tabela 1).
Espécie ameaçada de extinção:
A Instrução Normativa nº 06/2008 do Ministério de Meio ambiente cita a Cattleya granulosa
como espécie ameaçada de extinção, por isso deve pontuar com o peso 3 (comprovada)
(Tabela 1).
Espécie endêmica:
A orquídea C. granulosa é endêmica do Estado do Rio Grande do Norte, mas pode ser
encontrada ocasionalmente nos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Paraíba. Assim, o
critério atribuído é “real ocorrência”, peso 3 (Tabela 1).
Objetivando a comercialização:
No mês de novembro de 2008, em uma única apreensão da Guarda Ambiental Municipal
(GAM) no Parque da Cidade foram retidos 21 indivíduos da orquídea Cattleya granulosa.
Assim, foi estabelecido o critério “atividade principal”, peso 2 (Tabela 1).
Por falta de evidências objetivas, os agravos favorecimento à erosão e dano ao patrimônio
cultural e histórico não foram considerados nesta avaliação.
De posse, da caracterização dos agravos, o passo seguinte foi estabelecer o fator de
multiplicação, considerando o somatório dos pesos dos agravos e usando a tabela 2. Assim, o
somatório foi igual a 11, e fator de multiplicação igual a 3,2. Logo, utilizando a equação 3, o
valor do dano ambiental da extração de um exemplar de C. granulosa é de R$ 6.400,00,
conforme observa-se a seguir:
Índice numérico = 3 + 3 + 3 + 2 + = 11,0
Fator de multiplicação (Tabela 2) = 3,2
Indenização = 3,2 x 2.000,00 = 6.400,00
Assim, observa-se que com a implantação desta metodologia pode-se quantificar os danos
financeiros relativos à extração dessa espécie. Nesta proposta, a ponderação dos agravos
permite alcançar valores de R$ 6.400,00 (ou 13,77 x salário mínimo vigente) de indenização
para a extração de cada indivíduo de C. granulosa com fins de comercialização no mercado
ilegal.

125 | P á g i n a

Destaca-se ainda, que pela analise da freqüência absoluta, foi observado que a C. Granulosa
não ocorre isolada, mas agrupadas. Assim, se o infrator encontrar uma parcela que contenha
as 14 orquídeas, conforme foi possível constatar no estudo, a indenização poderia chegar a R$
89.600,00.
Assim, seguindo esta linha de raciocínio, e considerando a valoração econômica do dano
ambiental da extração foi possível calcular o valor dos serviços ambientais oferecidos por
todos os indivíduos de C. granulosa no Parque Natural Dom Nivaldo Monte.
O valor dos serviços ambientais representa o produto do valor indenizatório pelo número total
de indivíduos vivos estimados. Desta forma, o valor monetário dos benefícios ambientais
oferecidos pela C. granulosa representa um patrimônio ambiental de R$ 9.555.200,00.
Enfatiza-se que esta espécie funciona como bioindicador, além de contribuir para a
diversidade florística.
Pela importância da manutenção dos serviços ambientais, além de considerar que a espécie já
se encontra em extinção, além do seu alto valor, vale a pena refletir sobre a necessidade de
implementar políticas publicas mais efetivas para preservação desta importante espécie
vegetal.
4.4 Proposição de Políticas Públicas
Em virtude de inibir a prática ilegal de supressão vegetal da orquídea C. granulosa no Parque
Natural Dom Nivaldo Monte e investir na preservação desta espécie ameaçada de extinção,
propõe-se as seguintes políticas públicas municipais:
 Desenvolver programas de educação ambiental nos centros comunitários, escolas e rádios
da comunidade circunvizinha a ZPA-1 dos bairros Cidade Nova e Candelária. Estas ações
podem ser realizadas pelo Departamento de Ação Sócio-Ambiental da Secretaria de Meio
Ambiente e Urbanismo (SEMURB), órgão ambiental municipal;
 Otimizar os veículos e ferramentas de fiscalização ambiental, alocando recursos
financeiros para contratação e melhoria na infra-estrutura, no entorno da área a ser
realizado pelos fiscais da SEMURB e pela Guarda Ambiental Municipal (GAM). Nas
fiscalizações, também recomenda-se que os infratores sejam encaminhados a Delegacia
Especializada em Proteção ao Meio Ambiente (DEPREMA) para serem aplicadas as penas
e multas previstas pela legislação ambiental vigente enquadrando-os na Lei dos Crimes
Ambientais, o órgão ambiental municipal (SEMURB) deve penalizar o infrator exigindo
um valor indenizatório para compensar ou reparar o dano ambiental;
 Implementar corredores ecológicos, interligando a ZPA 1 com a ZPA 3, a fim de propiciar
fluxo gênico entre estes fragmentos, diminuir a taxa de endogamia, aumentar a resistência
a distúrbios e diminuir os riscos de extinção (Anexo A). Nesta ação, sugere-se evitar o
licenciamento de obras que fragmente ainda mais estas áreas, como o prolongamento de
rodovias;
 Utilizar técnicas de biotecnologia vegetal como a micropropagação de clones in vitro e
semeadura in vitro para reintrodução da espécie na natureza. De acordo com Martini
(2009) a micropropagação é feita a partir de pequenos fragmentos da orquídea contendo
eristemas, estruturas onde as células dividem-se ativamente, proporcionando o crescimento
da planta. Esses fragmentos são colocados em um meio nutritivo, composto de gelatina de
alga, onde a planta vai germinar. Quando a planta apresentar várias raízes, período de três
anos, ela será reintroduzida na natureza. Já a semeadura in vitro, preserva a diversidade
genética da orquídea, pois proporciona diferenciações nas tonalidades de cor e tamanho
das flores. O cientista deve polinizar as flores para obter as sementes. O pólen das flores da
C. granulosa deve ser introduzido no estigma, parte feminina da flor. Depois de formadas

126 | P á g i n a

as sementes, estas devem ser cultivadas no laboratório, em um tubo de ensaio contendo as
substâncias necessárias ao seu desenvolvimento. As plântulas obtidas, quando atingirem a
idade, seriam encaminhadas as áreas de repovoamento no Parque Natural Municipal Dom
Nivaldo Monte.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através da observação, do levantamento de dados de campo e da pesquisa bibliográfica foi
possível valorar economicamente os danos ambientais provocados pela extração ilegal da
orquídea C. granulosa aplicando o método proposto pelo Departamento Estadual de Proteção
de Recursos Naturais (DEPRN/ SP).
A metodologia aplicada mostrou-se adequada ao levantamento e valoração do dano ambiental
ocasionado a cada indivíduo C. granulosa extraído na área em estudo, como também estimar
o valor monetário dos benefícios ambientais oferecidos por todos os indivíduos vivos na área
do Parque Natural Dom Nivaldo Monte.
A partir da análise da freqüência absoluta foi possível observar que C. granulosa não ocorre
isolada, mas próximas uma das outras. Esta freqüência favorece ao infrator, que em uma única
oportunidade, extrair aproximadamente 1% de todos os indivíduos da área em questão. Uma
quebra de serviços ambientais na ordem de R$ 89.600,00.
A pesquisa encontrou-se limitada diante da estimativa real do valor de exploração da
orquídea, pois está baseado em um preço sombra (custo de oportunidade). Mas, independente
do valor no mercado ilegal os serviços ambientais oferecidos pela C. granulosa continuam
sendo quebrados. Sendo necessário fomentar políticas públicas preventivas que evitem o
dano, mantendo a integridade do ecossistema e os serviços ambientais oferecidos por esta
espécie.
O método de valoração econômica proposto pelo DEPRN/SP poderá ser utilizado também
para valorar o dano ambiental ocasionado pela extração ilegal de outras espécies ornamentais,
como bromélias que teriam implicações mais agravantes por se tratar de um micro
ecossistema para micro fauna.
Contudo, considerando que a C. granulosa é uma espécie ameaçada de extinção e responsável
por serviços ambientais representativos, observa-se, através do modelo de valoração
ambiental aplicado, que o valor máximo de comercialização ilegal desta espécie por indivíduo
é de R$ 2000,00, enquanto que a sua manutenção em ambiente natural representa R$ 6400,00.
Coletivamente, os serviços ambientais oferecidos por todos indivíduos vivos de C. granulosa
representam um patrimônio ambiental de R$ 9.555.200,00. Para tanto, foram propostas
políticas publicas tanto punitivas quanto de caráter preventivos.
No que diz respeito às políticas públicas, entende-se que sejam tomadas medidas preventivas
e não apenas reparatórias, como o aumento da fiscalização na área, educação ambiental com a
comunidade do bairro de Cidade Nova e Candelária e investimento em pesquisas científicas
que possam salvar a espécie da extinção.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Editora Mandruvá. Disponível em: <http://www.hottopos.com/harvard1/politicas_publicas_em_biodiversi.htm>
Acessado em: 22 set. 2009.
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ambiental__ufrgs_out_2004.pdf>. Acessado em: 9 set. 2009a.

127 | P á g i n a


_______. Ministério de Meio Ambiente. Instrução Normativa MMA n° 06, de 23 de setembro de 2008.
Reconhece como espécies da flora brasileira ameaçada de extinção aquelas constantes no Anexo I e reconhece
como espécies da flora brasileira com deficiência de dados aquelas constantes no Anexo II a esta instrução
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_______. Ministério de Meio Ambiente. Espécies Brasileiras Ameaçadas de Extinção, Sobreexplotadasou
Ameaçadas de Sobreexplotação. Disponível em:
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_______. Decreto 3.179 de 21 de setembro de 1999. Dispõe sobre as infrações e sanções administrativas ao meio
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MARRARA, Murilo; BRESCANSIN, Rafael Luiz; ZAMBOM, Rafael Itacir; GAGLIARDO, Vitor Cranek;
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NOGUEIRA, Jorge Madeira; MEDEIROS, Marcelino Antonio Asano; ARRUDA, Flávia Silva Tavares.
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Embrapa, Brasília, v.17, n.2, p.81-115, maio/ago. 2000. Disponível em:
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Mantiqueira. 2002. 174 f. Dissertação (Mestrado em sensoriamento Remoto). Instituto de nacional de Pesquisas
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128 | P á g i n a

SILVA JÚNIOR, José Petronilo. Valor de exploração da orquídea Cattleya granulosa. SEMURB. Entrevista
concedida a Adriana Margarida Zanbotto Ramalho em 2 set. 2008.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE - UFRN. Diagnóstico Ambiental da Zona de
Proteção Ambiental 1. Natal, 2008. Disponível em: <http://www.natal.rn.gov.br/semurb/>. Acessado 15 out.
2008.
VIANNA JR., A. Populações, Territórios e Recursos Naturais. IEA - Instituto de Estudos Amazônicos e
Ambientais, 1994.


129 | P á g i n a

ANEXO
Anexo A – Alocação do corredor ecológico entre a ZPA-1 e ZPA-3















FERRAMENTAS DE GESTÃO
AMBIENTAL



131 | P á g i n a


O Licenciamento Ambiental dos Condomínios Horizontais e seus
Aspectos Jurídicos no Município de Mossoró/RN.

Adriano Lucena da Silva (IFRN/ Campus Apodi) adriano.lucena@cefetrn.br

RESUMO
O processo de industrialização e urbanização da humanidade transformou o meio ambiente,
sobretudo, os espaços urbanos. Tornando-se necessário equalizar o uso desse espaço através
de uma nova racionalidade pautada no respeito ao meio ambiente. O licenciamento ambiental
se reveste de importância dentro desse contexto por se tratar de um mecanismo jurídico de
prevenção e proteção do meio ambiente urbano. O presente trabalho visou apreender o papel
jurídico do licenciamento ambiental a partir do estudo dos aspectos inerentes,
especificamente, aos condomínios horizontais na cidade de Mossoró por seu reconhecido e
elevado grau de impacto ambiental na cidade. Ao abordar o licenciamento ambiental dos
condomínios horizontais, o trabalho lança luz sobre uma faceta do crescimento da cidade de
Mossoró e discute como esses empreendimentos atingem o espaço urbano local As análises
presentes no trabalho foram resultados de pesquisa bibliográfica e entrevista, em que
discutimos teoricamente a construção jurídica do licenciamento ambiental e sua importância
enquanto instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente, afunilando essa análise no
tocante ao licenciamento de empreendimentos como os condomínios, no caso os horizontais,
na cidade de Mossoró. Essa abordagem contribuiu para entendermos o quanto é significativo
para o desenvolvimento presente e futuro da cidade de Mossoró instituir e implementar o
referido licenciamento ambiental, afinal, trata-se de um instrumento jurídico de grande
efetividade com reflexo na gestão ambiental.
PALAVRAS-CHAVE: Licenciamento ambiental, condomínios horizontais.

1 INTRODUÇÃO
A inserção no espaço urbano de Mossoró de empreendimentos, como os condomínios
horizontais, redefiniu seu perfil arquitetônico e atrelado a essa nova redefinição desencadeou-
se uma série de problemas ambientais inerentes a sua construção como: adensamento
populacional, sobrecarga em seus sistemas viários de abastecimento de água e esgotos, por
exemplo. Essa conjuntura contribuiu para o entendimento da necessidade de se regulamentar
tal atividade.
Assim, o licenciamento ambiental dos condomínios horizontais se reveste de importância,
tendo em vista seu papel de instrumento de preservação e controle do meio ambiente,
sobretudo, o urbano. Trata-se de uma ferramenta de ação imprescindível do Poder Público
municipal para garantir o direito fundamental ao meio ecologicamente equilibrado, como bem
destaca nossa Constituição Federal.
Podemos perceber que o tema é rico e se desdobra em discussões possuindo o maior grau de
relevância por debater possibilidades de preservação e proteção do espaço urbano. O
licenciamento ambiental não é uma formalidade qualquer, é um instrumento de reconhecida
eficácia delineado pela Política Nacional do Meio Ambiente. O estudo de seus aspectos gerais
e, sobretudo, das modalidades distintas de licenciamento ambiental é imperioso.



132 | P á g i n a

Diante desse contexto, o presente trabalho objetiva analisar os aspectos jurídicos-ambientais
do licenciamento ambiental dos condomínios horizontais na cidade de Mossoró/RN através do
estudo da Lei municipal 026/08 que instituiu o sistema municipal do meio ambiente do
município de Mossoró, bem como, a Lei 6.938/81 que regulamenta a Política Nacional do
Meio Ambiental e as Resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA que
dispõem sobre o tema. O estudo dos institutos jurídicos em destaque foi realizado com base
nos ensinamentos de doutrinadores como: Paulo de Bessa Antunes, Celso Antônio Pacheco
Fiorillo e Talden Farias. Usamos também o recurso da entrevista junto a Gerência de Gestão
Ambiental – GGA, órgão competente no município de Mossoró pelo licenciamento ambiental,
visando formatar uma visão analítica de suas práticas licenciatória.
Para tanto, sem pretender esvaziar a temática, o trabalho apresenta uma análise sucinta do
desenvolvimento do licenciamento ambiental dentro do ordenamento jurídico brasileiro, para
em seguida, destacar a importância do licenciamento ambiental dos condomínios horizontais
para formatação de um ambiente urbano, no município de Mossoró, menos impactado
negativamente pelas atividades do homem.
Destarte, o Licenciamento ambiental dos condomínios horizontais no presente trabalho, será
tomado a partir da perspectiva de um novo paradigma de mundo, no qual o homem contribuir
para resguardar o ambiente de sua moradia com normas com objetivos claros de preservação
do meio ambiente e controle das atividades poluidoras ou potencialmente poluidoras.

2 ASPECTOS GERAIS DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL
No mundo contemporâneo vivenciamos um grau de mudanças cada vez mais acelerado com
reflexos marcantes na vida da população. A sofisticação dos processos de transformação da
natureza pela força de trabalho do homem criou ao longo dos séculos uma série de alterações
no meio ambiente. A natureza não foi capaz de absorver as transformações ambientais
provocadas pela rapidez dos processos impostos pela força do trabalho humano.
Com a industrialização e o aumento constante da população mundial, as demandas por um
número cada vez maior de recursos naturais tornaram-se mais evidentes e junto com a
necessidade de consumir e usar os recursos naturais surgiu a necessidade de controlar para
manter o meio ambiente. O uso irrestrito dos recursos naturais se mostrou perigoso para os
lucros e fundamentalmente para a própria manutenção da espécie humana na terra.
Diante desse quadro, a concepção de uso dos recursos naturais conheceu um novo
direcionamento, principalmente na segunda metade do século XX, quando eclodem as
questões ambientais e a comunidade internacional é chamada a discutir a temática ambiental.
Diversos governos pelo mundo editaram normas de cunho ambiental e apresentaram
mecanismos jurídicos de controle do uso dos recursos naturais, dentre os quais se destaca o
Licenciamento Ambiental objetivando respostas efetivas para essas questões.
Os Estados Unidos foram pioneiros nesse processo, foi a partir da Promulgação da Lei da
Política Ambiental Americana (National Environmental Policy Act - NEPA) no final da
década de 1960, que o licenciamento ambiental é alçado a instrumento de controle jurídico e
ambiental das atividades impactante em território norte-americano. Todavia, é partir da
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (CNUMAH) em Estocolmo
– Suécia no ano de 1972, que o mundo reconhece a necessidade de se construir uma solução
aos grandes problemas impostos pelas atividades humanas. Assim, além de criar um programa
especifico das Nações Unidas para o tema ambiental, a Conferência de Estocolmo lança luz à



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necessidade de se desenvolver um aparato legal de proteção ao meio ambiente. Diante dessa
constatação, a idéia de regulação das atividades impactantes, por um instrumento legal, como
o licenciamento ambiental, ganha o mundo.
No Brasil, o licenciamento ambiental foi alçado à importante instrumento da Política Nacional
do Meio Ambiente, pelo qual o Estado exercendo seu poder de polícia impõe regras para o
uso dos recursos naturais numa tentativa efetiva de manter o ambiente ecologicamente
equilibrado; direito garantido na Constituição Federal.
Entretanto, a idéia inicial do licenciamento ambiental no Brasil começou a ser delineada nos
Estados do Rio de Janeiro pelo Decreto-Lei n° 134/75 e o Decreto n° 1633/77, em São Paulo
pela Lei n° 997/76 e o Decreto n° 8468/76. Esses conjuntos de normas que regulamentaram os
primeiros entendimentos do licenciamento ambiental no Brasil possuíam em comum a
compreensão que o objeto a ser licenciado seria a fonte de poluição, ou seja, a legislação
fluminense e a paulista tinham como foco somente os empreendimentos que pudessem poluir
a água, o ar, o solo. Sánchez (2008) explica: ao focar nas fontes de poluição estaríamos
restringindo sua ação basicamente às atividades industriais e certos projetos urbanos como
aterro de resíduos e loteamentos, limitando a ação do licenciamento ambiental e tornando-o
bastante vulnerável.
Na década de 1980, o licenciamento ambiental se reveste de suas feições atuais através da Lei
6.938/81, na qual dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos
de formulação e aplicação. O licenciamento ambiental torna-se um instrumento da Política
Nacional do Meio Ambiente e amplia seu campo de ação abarcando, além das atividades
poluidoras, todas as atividades que utilizam recursos ambientais ou que possam causar
degradação ambiental. Esse entendimento é destacado no art. 10 da referida lei:

A construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e
atividades utilizadoras de recursos ambientais, considerados efetiva e
potencialmente poluidores, bem como os capazes, sob qualquer forma, de causar
degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento de órgão estadual
competente, integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, e do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA,
em caráter supletivo, sem prejuízo de outras licenças exigíveis.

Como é possível constatar a partir do dispositivo em destaque, o alcance do licenciamento
ambiental é substancialmente alargado. Os empreendimentos ou atividades de efetivo
potencial poluidor, os potencialmente poluidores ou ainda, os que de qualquer forma possam
vir a degradar o meio ambiente são passíveis de serem licenciados. Os Estados brasileiros
passaram também a configurar como grandes responsáveis pelo processo do licenciamento
ambiental. Com a edição dessa lei, Talden Farias (2007, p. 34) registrou que o licenciamento
ambiental tornou-se obrigatório para todas as atividades que pudessem interferir na qualidade
do meio ambiente e de competência prioritária dos Estados da Federação.
Após a promulgação da Constituição Federal em 1988, com a exigência de cada Estado da
Federação construir sua Constituição Estadual, o licenciamento ambiental tornou-se
instrumento constitucional em algumas Cartas estaduais, como é o caso do Estado do
Amazonas (art. 234, 1°), Mato Grosso (art. 265 e 266) e São Paulo (art.192). A Constituição
potiguar não faz referência ao licenciamento ambiental como tal, entretanto, aborda a questão
na Lei Complementar nº 272, de 3 de março de 2004, instituindo o licenciamento ambiental



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como um instrumento da Política Ambiental do Estado do Rio Grande do Norte.
Hoje, o Licenciamento Ambiental é disciplinado em âmbito nacional pelo Decreto Federal
99.247/90 que regulamentou a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 e dispõe,
respectivamente sobre a criação de Estações Ecológicas e Áreas de Proteção Ambiental e
sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. Quanto aos Estados, alguns, como os citados
anteriormente, incorporaram em suas Constituições o licenciamento ambiental, outros, como
o Rio Grande do Norte, o disciplinaram através de uma Lei Complementar. O licenciamento
ambiental ganhou, ao longo do tempo, o entendimento amplo, funciona para o Estado e a
sociedade como verdadeira ferramenta de efetivação do direito ao ambiente ecologicamente
equilibrado, como bem apregoa a Constituição Federal.

3 CONDOMÍNIOS HORIZONTAIS E O LICENCIAMENTO AMBIENTAL.
3.1 Decifrando as características dos condomínios horizontais: seus aspectos legais e
impactos ao ambiente urbano.
A definição de condomínio está intimamente relacionada à idéia de divisão de um bem
material por mais de uma pessoa, nas palavras de César Fiuza (2006) dá-se o nome de
condomínio quando a mesma coisa pertencer a mais de uma pessoa, cabendo a cada uma igual
direito, idealmente, sobre o todo e a cada uma de suas partes.
O entendimento básico da acepção de condomínio é de fácil apreensão, entretanto, quando
trazemos essa definição para o mundo jurídico é necessário abordar a questão do exclusivismo
dos direitos de propriedade. E partindo desse ponto é possível elencar quatro teorias que
apontam a natureza jurídica do condomínio.
A primeira delas é denominada de teoria da propriedade integral ou total. O condomínio é
formado por uma propriedade só, no qual os condôminos exercem seu poder indistintamente.
O exercício de cada um se limita pelo exercício dos demais. A segunda, a teoria das
propriedades plúrimas parciais, o condomínio guardaria em sua composição várias situações
de propriedade sobre frações ideais da coisa comum. A terceira aponta o condomínio como
pessoa jurídica colegiada, uma quarta, aponta o condomínio como categoria sui generis.
Diante desse quadro chegamos ao seguinte entendimento geral: condomínio é uma
propriedade em que todos os condôminos têm igualmente a propriedade das coisas por inteiro.
Sendo assegurada a cada um deles uma cota ou fração ideal. Ou seja, o condômino possui ao
mesmo tempo o direito de propriedade pleno, mas compartilhado.
Partindo desse conceito geral básico dos condomínios podemos destacar diversas
modalidades. Assim, tendo em vista a origem podemos destacar: os condomínios
convencionais resultantes de contratos em que grupos de pessoas adquirem ou colocam uma
coisa em comum para dela usufruir ou usar, e os condomínios acidentais ou eventuais em que
não resulta de contrato como a sucessão hereditária. Quanto à abrangência os condomínios
podem ser: universal ou particular. Será universal quando disser respeito a toda a coisa sem
limitação e quando incidir somente em parte distinta como nos edifícios de apartamentos, será
particular. Por fim, quanto a seu modo de exercer, o condomínio pode ser pro diviso e pro
indiviso. O condomínio será pro diviso quando a coisa pertencer a um grupo de pessoas e for
tomada em partes, por exemplo: um grupo que adquiri uma propriedade e cada pessoa se
assenhorear de pedaço limitado. Por outro lado, o condomínio será pro indiviso quando todos
compartilharem indistintamente dos espaços da propriedade, no dizer de Venosa (2007) a
propriedade é exercida em comum, sob a égide das cotas ideais.



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Com base no entendimento conceitual geral dos condomínios e sua classificação básica
podemos localizar os condomínios horizontais como uma modalidade especial de condomínio
regulada pela Lei 4.591/64 e suas alterações pela Lei 4.864/65 e de modo genérico pelos
artigos 1.331 e 1.358 do Código Civil de 2002.
Desse modo, quando nos referimos aos condomínios horizontais, estamos nos reportando ao
condomínio especial horizontal regulamentado. Em que suas principais características são: ser
dividido por um elemento que esteja disposto em um plano horizontal e coexistam ao mesmo
tempo espaços de coletividade como o parque das crianças, piscina, elevador entre outros e os
espaços de referência individualizada e autônoma da propriedade de um condômino.
O condomínio horizontal é um importante equipamento urbano, sua existência foi motivada
pelo aumento constante da pressão populacional, o preço do solo urbano e as modernas
técnicas da construção civil. O uso do espaço urbano é intensificado e agilizado com os
condomínios horizontais viabilizando a reunião em um mesmo espaço de pessoas e inúmeros
serviços.
Por outro lado, o adensamento populacional trazido pelo maior número de pessoas e
empreendimentos a um mesmo local pode gerar uma série de impactos ambientais negativos a
uma localidade, impactada ou não por urbanização anterior. É bastante comum em áreas de
adensamento urbano provocado pelas construções de novos edifícios o aumento da população
e com ela toda gama de impactos negativos gerados pela demanda do aumento repentino da
população no local. Podemos citar o maior aumento do lixo urbano, a sobrecarga ao uso da
rede de esgotos e das vias de acesso, o aumento do fluxo de automóveis, gerando maior
liberação de gases tóxicos na localidade, alteração da paisagem e geração de ruídos
potencializando a poluição visual e sonora. Tudo isso em uma área já fortemente alterada.
Quando esses condomínios são construídos nos limites da massa urbana ou até mesmo fora
dos limites da cidade, já na área rural, podemos identificar impactos ambientais negativos
como supressão da vegetação nativa gerando forte pressão na flora e fauna local, destruição
ou contaminação de fontes hídricas.
Os condomínios horizontais são empreendimentos impactantes em nossa contemporaneidade
marcada pelos conceitos da vida urbana. Assim conhecer sua regulamentação e seus impactos
ao meio ambiente é de suma importância para que tal empreendimento possa ser
implementado com respeito ao direito ao ambiente ecologicamente equilibrado.

3.2 O licenciamento ambiental dos condomínios horizontais no município de Mossoró
A cidade de Mossoró é o segundo maior núcleo urbano do Rio Grande do Norte e um dos
mais dinâmicos centros urbanos do Nordeste brasileiro. Segundo o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística – IBGE, sua população corresponde a mais de 234.000 habitantes. Sua
posição geográfica privilegiada a menos de 45 Km do litoral e entre duas importantes cidades
nordestinas, Natal capital potiguar e Fortaleza capital do Ceará, motivou o geógrafo Lacerda
(1988) afirmar que Mossoró se posiciona entre o litoral e o sertão nordestino, posição
geográfica que ao longo de muito tempo foi suficiente para gerar riqueza e desenvolvimento
econômico para a cidade através das trocas entre as mercadorias do sertão e as oriundas do
litoral realizadas em seu território.
Somado a sua importante posição geográfica, Mossoró encontrou ao longo do tempo
caminhos econômicos responsáveis pela manutenção de seu papel de liderança no Rio Grande
do Norte e na região Nordeste. Hoje, a cidade responde por significativa parcela do



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desenvolvimento do Estado do Rio grande do Norte, diferente setores da economia são
desenvolvidos em seu espaço. Atividades variadas, desde a agricultura irrigada até a extração
de petróleo, passando pelo turismo. São atividades que vitalizam economicamente a cidade e
possibilita toda gama de transformação espacial e social que o desenvolvimento econômico
pode gerar.
Diante desse quadro, o arranjo urbano da cidade passou por diversas alterações em seu perfil,
atualmente vive um processo de verticalização, diversos empreendimentos habitacionais e de
negócios estão sendo construídos no meio urbano mossoroense provocando uma verdadeira
revolução no perfil da cidade, que até meados de 1990 era predominantemente horizontal.
Trata-se de empreendimentos de impactos relevantes para o espaço urbano, pois seu poder de
alteração é significativo.
O dinamismo econômico, o crescimento populacional e o adensamento urbano na cidade de
Mossoró motivaram o Poder Público local a responder com urgência as demandas oriundas do
atual estágio de pujança da economia, que traz consigo desenvolvimento, e atrelado a ele
impactos ambientais negativos ao tecido urbano. Ou seja, é tarefa fundamental do Poder
Público ordenar, planejar e implementar mecanismos de efetivação para garantir uma
estruturação espacial urbana aos seus cidadãos com crescimento econômico, mas com
respeito aos aspectos sociais e ambientais.
Nesse sentido, a criação da Lei Complementar municipal 026/2008 que institui o Código
Ambiental Municipal, Mossoró implementou do ponto de vista legal a adequação do
desenvolvimento da cidade ao direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, ditado
pela nossa Lei Maior em seu art. 225, através da fixação da política municipal do meio
ambiente e a criação do sistema municipal do meio ambiente do município.
A Lei municipal em comento instituiu uma série de instrumentos legais tendo em vista a
efetivação de uma política ambiental garantidora do direito ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado na cidade. O art. 11 da referida Lei complementar municipal destaca em um rol os
seguintes instrumentos:
I – Plano Municipal de Educação Ambiental;
II – Plano Municipal de Gestão Ambiental Urbana e Rural;
III – Avaliação Ambiental Estratégica;
IV – Avaliação de Impacto Ambiental;
V – Planejamento Ambiental Estratégico;
VI – Agenda 21 local;
VII – Zoneamento Ecológico Econômico Territorial;
Como é possível constatar o licenciamento ambiental não consta no rol como um instrumento
de efetivação da política municipal do meio ambiente no município, isso ocorre porque a Lei
6.938/81 que dispõem sobre a Política Nacional do Meio Ambiente não determina sua
colocação formal no rol exemplificativo dos instrumentos da política ambiental dos entes da
federação.
Assim o município de Mossoró desloca o licenciamento ambiental para a subseção II, no qual
fica incluído na avaliação de impacto ambiental, esse sim, o instrumento da política ambiental
municipal. É o que dispõe o § 4° do art. 32 da Lei Complementar Municipal 026/2008.
O licenciamento ambiental é um instrumento componente da Avaliação de Impacto
Ambiental, baseada em critérios e parâmetros aprovados pelo CONDEMA,
CONEMA e CONAMA, cuja aplicação se dá em função do enquadramento dos
empreendimentos ou atividades de relevante impacto ambiental segundo o seu porte
e potencial poluidor.



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O entendimento do licenciamento ambiental contido no referido parágrafo em nada altera seu
caráter dado pela Lei 6.938/81 e recepcionado pelo §1° do art.225 da Constituição Federal de
1988. Assim, a despeito do conteúdo legal exposto na Lei complementar municipal 026/08
sobre o licenciamento ambiental, seu reconhecimento e importância não é negligenciado, ou
seja, o Licenciamento ambiental é reconhecidamente, um instrumento para efetivação da
política municipal do meio ambiente.
Paulo de Bessa Antunes (2002) expõe de forma clara o grau de importância dado ao
licenciamento ambiental para efetivação do direito constitucional ao ambiente ecologicamente
equilibrado. Tratando-se do:
mais importante dentre todos os mecanismos de controle é o licenciamento
ambiental. Através do licenciamento ambiental, a Administração Pública, no uso de
suas atribuições, estabelece condições e limites para o exercício de determinadas
atividades.
Desse modo, o licenciamento ambiental se caracteriza como um importante instrumento de
efetivação da política ambiental nacional, do modo mais amplo, em decorrência, sobretudo,
do caráter de prevenção e proteção do meio ambiente. A Administração Pública possui no
licenciamento ambiental a legítima e mais eficaz forma de impor limites e condições ao
exercício de atividades efetivas e potencialmente poluidoras. É exatamente nesses termos que
a Lei complementar municipal 026/08 estrutura o licenciamento ambiental no âmbito da
jurisdição do município de Mossoró.
Assim, poderemos constatar na subseção II do Capítulo V, em que dispõe dos instrumentos da
Política Municipal de Meio Ambiente, a Lei municipal em tela, constituir legalmente o
licenciamento ambiental e estabelecê-lo como importante instrumento de prevenção e
proteção do meio ambiente no município.
Para tanto, verificaremos no art. 44 a necessidade do Estudo de Impacto Ambiental – EIA, o
Relatório de Impacto no Meio Ambiente – RIMA e a Avaliação Ambiental Estratégia – AAE.
O dispositivo em destaque caracteriza-os como instrumentos constitutivos do licenciamento
ambiental, sua importância reside no fato de ser, através deles que será possível a
Administração Pública e a coletividade se resguardar de todas as informações a cerca do
empreendimento e das atividades que serão desenvolvidas na jurisdição do município
assegurando a população mossoroense o direito ao ambiente ecologicamente equilibrado.
No artigo 35 da Lei municipal em tela, ocorre o reconhecimento do licenciamento ambiental
como um processo administrativo, essa visão moderna não é encontrada na Lei n° 6.938/81 e
o Decreto n° 99. 247/90 que a regulamenta, nem tão pouco, na Resolução n° 237/97 do
CONAMA, diplomas responsáveis pelo regramento básico do licenciamento ambiental em
âmbito nacional, no qual aponta o licenciamento ambiental como um procedimento. Talden
Farias (2007, p.193) assevera
Por ser um dos importantes instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, e
provavelmente o mais eficaz, não é admissível que o licenciamento ambiental
continue sendo tratado como um procedimento administrativo e não como um
processo administrativo. Na verdade, as características do licenciamento ambiental
correspondem perfeitamente às do processo administrativo, a exemplo da
obrigatoriedade do estabelecimento de publicidade, de acesso aos autos, de
contraditório, de ampla defesa, de motivação e do dever de decidir.
A Lei complementar municipal 026/08 atribui ao licenciamento ambiental às características
do processo administrativo, isso implica em um entendimento jurídico que vai além até
mesmo do existente na Política Nacional do Meio Ambiente. Em Mossoró o licenciamento



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ambiental se reveste das características de processo administrativo.
Quanto aos tipos de licença e seus referidos prazos de validade contido no Código de Meio
Ambiente de Mossoró estão em consonância com o regulamento padrão existente da
Resolução 237/97 do CONAMA. Encontraremos nos incisos I, II e III do art. 35 da Lei
complementar municipal 026/08 a Licença prévia (LP), a Licença de instalação (LI) e a
Licença de operação (LO), atos administrativos análogos nos dois diplomas legais em
destaque.
A novidade está contida nos incisos IV, V, VI e VII do art. 35 da referida Lei municipal que
especificam licenças de naturezas especiais em razão da característica do empreendimento ou
atividade a ser licenciada. É o caso da Licença simplificada (LS) voltada para
empreendimento de baixo potencial poluidor; da Licença de regularização de operação (LRO)
voltada para empreendimentos e atividades que, na data da publicação da lei municipal,
estejam em operação e ainda não tenham sido licenciados; da Licença de alteração (LA)
voltada para o atendimento de alteração, modificação e ampliação de empreendimentos ou
atividades regularmente existente e que implique em possíveis alterações no grau ou tipo de
impacto ambiental que venha a provocar; da Licença de instalação e operação (LIO)
direcionada a empreendimentos que sua instalação e operação ocorram simultaneamente. O
diploma municipal em análise, destaca ainda outras modalidades de licenças ambientais
referente as atividades petrolíferas e seus respectivos estudos ambientais, disciplinadas no art.
36 e seus incisos.
O licenciamento ambiental municipal pode ser requerido a Gerência de Gestão Ambiental –
GGA, que também é a responsável direta pela fiscalização e o licenciamento dos projetos e
atividades no âmbito do território do município de Mossoró. A Lei Complementar Municipal
27/2008 dispõe no art. 32, inciso IV a regulamentação da competência da Gerência de Gestão
Ambiental – GGA para licenciar e fiscalizar projetos e atividades no âmbito municipal. Essa
determinação é nova e só foi possível a partir da reestruturação organizacional da
administração pública do município de Mossoró em 2008.
É imprescindível destacar ainda que o licenciamento ambiental no âmbito municipal tocasse
especificamente as atividades e os empreendimentos de impacto local, ou seja, o impacto das
atividades passíveis de licenciamento municipal são aqueles referentes a um raio de ação
incluído no território do município. Não existe uma definição legal para impacto ambiental
local, sua referência é unicamente suscitada para definir a predominância do interesse do
município face o interesse do Estado e da União. Do ponto de vista legal é um conceito não
formatado. O art. 32 da Lei 026/2008 exemplificar algumas dessas atividades ou
empreendimentos, trata-se de um rol exemplificativo e não taxativo.
Art. 32. Todas as atividades industriais, comerciais, de serviços, recreativas,
administrativas ou congêneres, de parcelamento do solo, incluindo loteamentos,
loteamentos fechados, condomínios e conjuntos habitacionais, de instalação de redes
de infra-estrutura realizadas por pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou
pessoas físicas, e de pesquisa e prospecção de gás e petróleo localizada no território
municipal, que se desenvolvam ou venham a se implantar no Município, dependerão
de prévio licenciamento ambiental para a sua localização, instalação e
funcionamento, a ser requerida ao órgão responsável pela gestão ambiental do
município.
O rol de atividades indicadas no artigo anterior diz respeito especificamente às atividades
desenvolvidas na jurisdição do município de Mossoró e não tem a pretensão de exaurir a
identificação das atividades passíveis de licenciamento ambiental, pelo fato de ser impossível



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uma Lei identificar por tempo indeterminado todas as atividades passíveis de licenciamento
ambiental. Pode ocorrer com o avanço tecnológico o surgimento de atividades que suscitarão
a necessidade do licenciamento ambiental que anteriormente não era contemplada no rol
especificado pela Lei.
Por fim, é imperioso observar que o licenciamento ambiental municipal não exime a
possibilidade do mesmo ser exigido por órgão de ente federativo distinto, ou seja, o Estado ou
mesmo a União pode exigir através de seus órgãos competentes o licenciamento ambiental de
atividade previamente licenciada por órgão municipal. Afinal, é de competência de todos os
entes da federação o dever de preservar e defender o meio ambiente, observando o princípio
da predominância do interesse e o princípio da subsidiariedade.
Depois da apresentação dos aspectos legais da Lei Complementar Municipal 026/08 que
instituiu o Código do Meio Ambiente de Mossoró e estabeleceu as regras para o processo de
licenciamento no âmbito municipal, cumpri-se delinear algumas observações ligadas a
operacionalidade do licenciamento ambiental na cidade. Porque, segundo Talden Farias
(2007, p.160), de nada adianta uma lei legitimando a realização legal do processo de
licenciamento ambiental se não existir uma estrutura que garanta uma efetividade dos
trabalhos no mundo concreto.
Diante dos dados obtidos a partir da entrevista realizada no dia 09 de julho de 2009 (anexo a)
com o Sr. Tiago Marcel Cavalcanti Falcão que exerce a função de chefe do Departamento de
Licenciamento Ambiental do município de Mossoró, ficou claro os seguintes pontos: 1. O fato
do processo de licenciamento ambiental na cidade ser um elemento novo no cotidiano da
Administração Pública municipal, desde dezembro de 2008, ainda encontra-se em fase de
ajustes, do ponto de vista operacional; 2. Ainda não há uma fiscalização atuante das licenças
emitidas; 3. A equipe é formada ao todo por seis pessoas de diferentes formações e 4. Não
existem acordos com outros órgãos de entes da federação.
O processo de licenciamento ambiental em Mossoró é um fenômeno para administração
pública local muito recente, afinal a Lei 026/2008 que autorizou o licenciamento ambiental
estar a menos de um ano em vigor. Desse modo, tecer comentários de resultados a um
processo tão recente e de tamanha envergadura, seria em demasia pretensioso. Por outro lado,
é conveniente observar que o fato do processo de licenciamento ambiental na cidade ser
relativamente novo não justifica a fragilização da fiscalização, pois é com a fiscalização das
licenças obtidas ao final do processo do licenciamento ambiental, que serão aferidos o grau de
comprometimento dos projetos de empreendimentos e atividades licenciados, com o espaço
de sua atuação.
Assim seria conveniente perguntar: Será que a equipe existente é suficiente para o processo de
emissão das licenças ambientais e ao mesmo tempo fiscalizar? Certamente que não, pois se
assim o fosse, não teríamos como ponto negativo apontado pelo Chefe do Departamento de
Licenciamento Ambiental, a fiscalização das licenças ambientais.
Como podemos observar, o licenciamento ambiental na cidade de Mossoró realizado pelo
Poder Municipal é recente e em fase de ajuste do ponto de vista operacional. Por outro, lado a
Lei Complementar Municipal 026/08 apresenta-se com elemento jurídico de forte conotação
participativa. A definição legal de processo administrativo para o licenciamento ambiental no
âmbito do município de Mossoró nos garante esse entendimento.
Assim, a despeito de uma visão moderna da visão do licenciamento ambiental, problemas
referentes ao reduzido número de pessoal e a pouca efetividade na fiscalização precisam de



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soluções imediatas, tendo em vista aprimorar o licenciamento ambiental no âmbito da
municipalidade e garantir efetividade na preservação e proteção do meio ambiente do
município de Mossoró.

3.3 Licenciamento ambiental dos condomínios horizontais no município de Mossoró:
Identificação legal e procedimentos.
O processo de licenciamento ambiental para os condomínios horizontais em Mossoró assim
como, todos os outros empreendimentos ou atividades passíveis de licenciamento ambiental
no município, é regulado pela Lei 026/2008. Encontraremos no art. 32 da referida Lei
complementar municipal a referência ao condomínio como empreendimento passível de
licenciamento ambiental.
A visão da Lei acerca dos condomínios se faz de forma genérica, não se preocupando com as
especificidades dos diferentes tipos de condomínios, seja o regulado pelo atual código civil ou
o contido na Lei 4.591/64 que regulamenta os condomínios horizontais.
O mesmo ocorre com o Decreto Municipal n° 3.368/2009 que regulamenta a Lei 026/08, e
dispõe sobre preço, classificação e enquadramento de atividades e dá outras providências para
o licenciamento ambiental no Município de Mossoró-RN. O termo condomínio aparece
inserido no texto legal enquadrado como porte médio em conjunto com empreendimentos de
características urbanística ligada a moradia. É possível visualizar esse entendimento a partir
do inciso II do art. 1° do referido Decreto:

Art. 1º - Ficam classificados segundo o seu porte para efeito de licenciamento
ambiental os seguintes empreendimentos e atividades:
I - Pequeno porte: terminais turísticos, parques temáticos, estruturas de lazer,
pousadas, hotéis, flats, empreendimentos de urbanização, pontes, viadutos, adutoras
e canais de adução, centros de pesquisas e escolas.
II - Médio porte: resorts, complexos turísticos e imobiliários, condomínios,
conjuntos habitacionais, loteamentos, loteamentos fechados e desmembramentos,
acessos, estradas e ferrovias, extração de sal marinho, extração mineral, extração de
gemas, supermercados e shopping centers e indústrias gráficas.
III - Grande porte: extração de minérios, hospitais e clínicas médicas com
procedimentos cirúrgicos.
Diante desse quadro, é fácil aferir que os condomínios horizontais possuem reconhecimento
legal e estão incluídos genericamente nas normas de alcance municipal, não poderia ser
diferente, a capacidade impactante dos empreendimentos se revestem das características
inerentes ao impacto ambiental negativo na circunscrição do território do município. Assim a
colocação do termo condomínio abarca no texto legal municipal todos os tipos de
condomínios, inclusive os horizontais, e classifica-o como de porte médio.
Quanto ao porte, é necessário explicar que a colocação do empreendimento em destaque,
enquadrado pelo Decreto Municipal 3.368/09 como médio, não é uma definição rígida. O
porte do empreendimento ou da atividade passível de licenciamento estar adstrito a
parâmetros quantitativos (tamanho) e qualitativos (impactos) em unidades de medidas que são
especificados pelo Decreto municipal em destaque. Ou seja, segundo a própria normatização
contida no art. 4° do Decreto municipal 3.368/09, o porte pode sofre alteração segundo as
exigências do órgão licenciador ou do próprio empreendedor. Na prática, abre-se para a
possibilidade legal de enquadrar o empreendimento por sua potencialidade real de impactos



141 | P á g i n a

ambientais negativos no meio ambiente.
Assim, não seria correto afirmar que o porte dos condomínios horizontais é necessariamente
médio, poderíamos nos deparar com um condomínio horizontal de pequeno porte, por sua
pequena capacidade de impacto ambiental negativo no meio ambiente, por outro lado,
poderíamos ter a necessidade de enquadrar um determinado condomínio horizontal em porte
grande, por sua grande capacidade de impacto ao meio ambiente. Isso se deve pela
flexibilidade que o Decreto Municipal 3.368/09 criou ao definir o porte dos diferentes
empreendimentos ou das atividades a serem licenciados. Nesses termos, o condomínio
horizontal, embora seja classificado como de porte médio pelo art. 1° do Decreto 3.368/09,
pode, a depender da situação fática de agressão ao meio ambiente, ser elevado a categoria de
grande ou ser rebaixado a categoria de pequeno porte.
Desse modo, fica o condomínio horizontal, nos termos legais que trata a Lei Complementar
Municipal 026/08 e o Decreto municipal 3.368/09, regulamentado como empreendimento
passível de licenciamento ambiental.
Quanto ao procedimento do licenciamento ambiental dos condomínios horizontais na cidade
de Mossoró, Tiago Marcel Cavalcanti Falcão, chefe do Departamento de Licenciamento
Ambiental, em entrevista concedida no dia 09 de julho do corrente ano, explica que o
procedimento se dar da seguinte forma:
O empreendedor procura a GGA onde é fornecido ao mesmo o um requerimento
(anexo) para licenciamento ambiental que é preenchido e a partir daí, enquadrado de
acordo com o tipo e porte de atividade a ser desenvolvida, a GGA emite uma relação
de documentos (check-list) básicos para obtenção da licença ambiental, é feito a
análise dessa documentação e emitido um parecer favorável ou não, no caso de falta
de documentação, estudos incompletos e solicitação de novos estudos. Estando tudo
em conformidade, é emitida a Licença Ambiental com validade definida pela GGA.
A explicação dada ao procedimento do licenciamento ambiental dos condomínios horizontais
não possui nada de específico do ponto de vista da operacionalidade do processo em si, o que
diferencia o licenciamento ambiental dos condomínios horizontais dos demais é exatamente o
check-list, um conjunto de exigência específica para o empreendimento condomínio.
Todavia, é necessário entender que o porte do empreendimento é oriundo de uma
determinação atribuída legalmente a partir de estudos ambientais previstos em Lei municipal,
não é mera formalidade de locação de um empreendimento em um determinado porte. Outro
equivoco cometido pelo entendimento do chefe do Departamento de Licenciamento
Ambiental refere-se à validade da licença, não é a Gerência de Gestão Ambiental – GGA que
determina seu prazo e sim a Lei Complementar Municipal 026/08.
Podemos apreender que a identificação do porte do empreendimento ou atividade é situação
primordial na definição do procedimento do processo do licenciamento ambiental. Assim, o
processo do licenciamento ambiental dos condomínios horizontais pode ser constituído por
um procedimento simples, quando o empreendimento condomínio horizontal for enquadrado
na categoria porte pequeno ou médio. Como é possível constatar, existe uma simplificação no
procedimento.
O licenciamento ambiental do condomínio horizontal quando apresenta baixo poder de
impacto negativo ao meio ambiente pode ser requerido em um único procedimento
objetivando a Licença Simplificada (LS). Na qual a localização, instalação, implantação e
operação serão licenciadas ao mesmo tempo em um único ato administrativo, assim dispõe o
inciso IV do art.35 da Lei municipal 026/08. Entretanto, o §1° do art. 5° do Decreto 3.368/09,



142 | P á g i n a

abre para possibilidade da Licença Simplificada (LS) ser dividida em Licença Simplificada
Prévia (LSP) e a Licença Simplificada de Instalação e Operação (LSIO).
Por outro lado, se o empreendimento condomínio horizontal se revestir de impactos
ambientais de grande negatividade para o meio ambiente, o procedimento do processo de
licenciamento ambiental será necessariamente de maior complexidade, em que o
procedimento padrão descrito pela Lei municipal 026/08 com base na Resolução 237/97 do
CONAMA será rigorosamente obedecido.
Primeiro a licença prévia (LP) e subseqüentemente, a licença de instalação (LI) e a licença de
operação (LO). Perfazendo um procedimento básico e necessário para obtenção de cada uma
das licenças ambientais necessárias, essas exigências são imperiosas quando estamos diante
de empreendimento de impactos ambientais de difícil reparação. A Administração Pública
visa resguardar o direito da coletividade a um ambiente ecologicamente equilibrado e por essa
razão cerca-se de todas as garantias para permitir a realização do empreendimento
adequadamente.
Os diferentes estudos ambientais, tanto nos casos de menor impacto quanto nos de maiores
efeitos negativos ao meio ambiente, devem permear todo o procedimento de licenciamento
ambiental dos condomínios horizontais, não é possível imaginar a realização de qualquer que
seja o procedimento para obtenção das licenças ambientais sem a presença dos estudos
ambientais especificados no inciso II do art.2° do Decreto Municipal 3.368/09.

3.4 O licenciamento ambiental dos condomínios horizontais: importante instrumento de
preservação e controle do espaço urbano.
O espaço urbano global é ocupado por mais da metade de toda a população terrestre, e
segundo o IBGE o Brasil é um país majoritariamente urbano desde a década de 1980, a muito
superamos a marca de 50% da população absoluta brasileira residente em cidades. Esse
elemento é o suficiente para suscitarmos os problemas ambientais provocados pelo aumento
excessivo do contingente populacional em um espaço reduzido, as cidades ocupam espaços
territoriais bastante reduzidos para suportar o número cada vez maior de pessoas.
Outro elemento importante é o fato das cidades serem complexos sistemas baseado em
modelos de desenvolvimentos que não são sustentáveis. Marques (2005) pontua:
As cidades desgastam, saturam o meio ambiente natural adjacente, seja a água, o ar,
o solo, a fauna ou a flora, lançando resíduos no meio natural, que o degradam, e
ainda consomem recursos minerais e vegetais, voltados para o consumo direto ou
transformação para produção de bens considerados necessários pelo homem.
Esse quadro potencializa problemas como a pobreza, o adensamento do trânsito, a falta de
habitação, a poluição sonora, a poluição visual, a poluição do solo, da água, do ar. O
crescimento desordenado das cidades é muito maior do que a capacidade da sociedade e dos
governos para darem uma resposta sustentável ao acelerado crescimento urbano.
Em Mossoró não foi diferente, o meio ambiente mossoroense sofreu um longo e contínuo
desgaste provocado pelo uso predatório. O rio está poluído, a mata ciliar de carnaúbas foi
totalmente alterada e é muito certo que com ela uma parte da fauna local desapareceu.
Por possui uma posição geográfica privilegiada, capaz de diferenciá-la das demais cidades da
região Nordeste. Mossoró se transformou em empório comercial, possibilitando seu
crescimento urbano e sua posição de destaque dentro do contexto econômico e espacial



143 | P á g i n a

norteriograndense. A partir, sobretudo, desse momento a relação entre homem/natureza na
cidade de Mossoró será pautada na dominação do meio natural. Assim o rio foi retificado para
melhorar a navegação e diminuir a distância do porto Franco ao centro da cidade. Mais tarde,
quando o comércio já não respondia economicamente por motivo da chegada da estrada de
ferro, força produtiva nova, que certamente forçou o redirecionamento dos transportes
locais/regionais foi construída sete barragens submersíveis na tentativa de perenizar o rio e dá
suporte ao surgimento e fortalecimento das agroindústrias/ algodoeiras, fábricas de óleo de
caroço de algodão, de óleo de oiticica, de beneficiamento da cera de carnaúba e as moedeiras,
tudo isso nos idos dos anos 1960.
Mossoró experimenta, nos dias atuais, um novo e surpreendente vulto de desenvolvimento
econômico movido principalmente pelo petróleo, fruticultura irrigada e pelo recente
incremento do turismo, somando-se a isso, a cidade ver sua população crescer. Inúmeros
problemas de ordem social, econômicos e ecológicos são evidenciados nesse quadro que uni
desenvolvimento econômico desigual e crescimento populacional desordenado.
A verticalização da cidade de Mossoró é um reflexo visível desse novo momento de
desenvolvimento econômico, seu perfil urbano se verticaliza fazendo surgir os condomínios
horizontais, empreendimentos que contribuem para o adensamento desses problemas e a visão
caótica de um espaço urbano cada vez mais saturado pelo uso demasiadamente predatório da
cidade.
Um condomínio horizontal pode em muitos casos gerar impactos negativos de ordem muitas
vezes irreversível, como o soterramento de uma área de mangue. Possui capacidade de poluir
mesmo em uma área distante, pois o lixo que a comunidade residente ou utiliza do
condomínio irá gerar, provavelmente irá compor a paisagem de um espaço bem distante do
empreendimento, causando em muitos casos, poluição do solo e devastação da flora e fauna
no entorna das cidades.
Diante desse quadro, os governos e a própria sociedade civil necessitam reconstruir o espaço
urbano, regulando e fiscalizando os empreendimentos e as atividades poluidoras ou
potencialmente poluidoras, como os condomínios horizontais. O direito como sistema de
limites ao individuo e regulador das relações sociais, pode agregar importante contribuição, e
através do direito ambiental, ramo contemporâneo do direito, o instituto do licenciamento
ambiental, possui papel imperioso na prevenção e uso ecologicamente adequado do meio
ambiente urbano. Quando regulado pelo poder público, sobretudo, o poder mais próximo dos
moradores, os municípios, empreendimentos como os condomínios horizontais, pode até
mesmo contribui para o uso sustentável do meio ambiente urbano.
Partindo desse entendimento, podemos visualizar na figura do licenciamento ambiental,
instrumento da maior importância para regularização urbanística e ambiental de
empreendimentos como os condomínios horizontais no espaço urbano mossoroense, pois o
adensamento de construções dessa natureza no sítio urbano de Mossoró é inevitável, em
decorrência do atual estágio de desenvolvimento econômico e crescimento populacional.
Nesse contexto, o licenciamento ambiental dos condomínios horizontais se mostra como um
instrumento de grande valia para a adequação do espaço urbano da cidade de Mossoró à sua
população. Trata-se de um instrumento de regulação legal de empreendimento de grande
impacto ao meio urbano. Sua adequada utilização, no caso dos condomínios horizontais,
contribuirá ao longo do tempo para uma construção de um urbano ecologicamente mais
equilibrado no município de Mossoró.



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4 CONCLUSÃO
As análises realizadas ao longo do trabalho contribuíram para confirmação do entendimento
que o licenciamento ambiental dos condomínios horizontais é um instrumento de importância
central para preservação e adequação do uso do espaço urbano.
A Lei complementar municipal 026/08 regulamentou a possibilidade licenciatória do
município e atribuiu ao licenciamento ambiental um caráter de processo. Esse entendimento
vigente nas normas municipais é uma visão moderna do importante instrumento de efetivação
da Política Nacional do Meio Ambiente, isso abre um leque de possibilidade de ação da
população local.
Por outro lado, constatamos dificuldades existentes na efetividade do licenciamento ambiental
dos condomínios horizontais na cidade de Mossoró, em decorrência de sua realização por
parte da Administração Pública municipal ser relativamente nova. O licenciamento ambiental
dos condomínios horizontais é realizado pelo Poder Público municipal a menos de um ano.
A pequena estrutura de atendimento existente não é capaz de licenciar e fiscalizar os
empreendimentos satisfatoriamente, de modo que o licenciamento das atividades em questão
fica comprometido. A fiscalização é um elemento de composição do processo de
licenciamento ambiental, sua realização é fundamental para a garantia dos pontos firmados no
processo do licenciamento ambiental para preservar e proteger o meio ambiente.
É na circunscrição municipal que os efeitos da degradação ambiental são sentidos
primeiramente, é nele também, que as primeiras ações devem ser tomadas na tentativa de
prevenir e controlar a degradação do meio ambiente. O município é o ente da federação mais
próximo dos problemas e da população que dele é atingida.
Diante desse quadro, é possível empreender que o espaço urbano da cidade de Mossoró terá
com o licenciamento dos condomínios horizontais uma redefinição considerável do uso dos
espaços da cidade, agora não mais pautada exclusivamente nas forças econômicas, mas,
sobretudo, sintonizada aos ditames do direito constitucional ao ambiente ecologicamente
equilibrado na cidade.

5 REFERÊNCIAS
ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. Rio de Janeiro: Lumen Juris, p.126, 2002.
BRASIL. Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981. Dispõe sobre a Política Nacional de Meio Ambiente, seus fins
e mecanismos de formulação e aplicação, e dá outras providências. In ANGHER, Anne Joyce (org). Vade
Mecum Acadêmico de Direito. 8 ed. São Paulo. Rideel, p. 1534 – 1538. 2009.
FARIAS, Talden. Licenciamento Ambiental: Aspectos teóricos e práticos. Rio de Janeiro: Editora Fórum,
2007. 249 p.
FELIPE. José Lacerda Alves. Elementos de Geografia do RN. Natal: Editora Universitária – UFRN, p.52,
1988.
FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Curso de Direito Ambiental Brasileiro. São Paulo: Saraiva, p.81 – 94.
2006.
FIUZA, César. Direito Civil – curso completo. Belo Horizonte: DelRey, p.820 – 831, 2006.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Disponível em http://www.ibge.gov.br/home/ instituto
brasileiro de geografia e estatística. Acesso em 01/11/2009.



145 | P á g i n a

MARQUES, José Roberto. Meio ambiente urbano. Rio de Janeiro: Forense Universitária, p. 89. 2005.
MOSSORÓ. DECRETO Nº 3.368/ 2009. Dispõe sobre preços, classificação e enquadramento de atividades e dá
outras providências para o licenciamento ambiental no Município de Mossoró-RN. Jornal Oficial de Mossoró:
Mossoró, RN, 31 de jan de 2009.
MOSSORÓ. LEI COMPLEMENTAR Nº 026/ 2008. Institui o código de meio ambiente, fixa a política
municipal do meio ambiente e cria o sistema municipal do meio ambiente do município de Mossoró. Jornal
Oficial de Mossoró: N° 21 A, Mossoró, RN, 10 de dez de 2008.
RESOLUÇÃO CONAMA N° 237. 22/12/1997. Regulamenta os aspectos de licenciamento ambiental
estabelecidos na Política Nacional do Meio Ambiente. Publicação DOU nº 247, p 30.841-30.843. 22/12/1997.
SÁNCHEZ, Luis Enrique. Avaliação de Impacto Ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de
Textos, p 81, 2008.
VENOZA, Sílvio de Salvo. Direito Civil – Direitos Reais. São Paulo: Atlas, p. 303, 2007.


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Diagnóstico de Desenvolvimento Sustentável do Município de
Carnaúba dos Dantas: Meio Ambiente, Vida e Bem-Estar Social

Jessicleide da Guia Dantas Fernandes (Pós graduação em Gestão e Perícia Ambiental –
FARN) jessicleide@hotmail.com

RESUMO
Analisam-se aspectos relacionados à estabilidade sócio econômica e ambiental necessária ao
desenvolvimento sustentável no município de Carnaúba dos Dantas – RN. Comprova-se, a
partir das condições estruturais relacionadas à produção, comercialização, emprego, renda e
condições de vida da população, a forte viabilidade no município para desenvolvimento de
projetos voltados para superar as principais dificuldades atuais e contribuir para a melhoria da
qualidade de vida da sua população. Destaca-se, a elevada preocupação com o futuro
ambiental, principalmente em se tratando do elevado índice de desertificação do solo e da
busca de alternativas para a manutenção da indústria ceramista.
PALAVRAS-CHAVE: Desenvolvimento sustentável, Condições da população, Política de
gestão.

1 INTRODUÇÃO
A preocupação com o desenvolvimento sustentável dos municípios constitui uma das mais
fortes e decisivas manifestações da atualidade, principalmente em se tratando da região
nordeste, na qual se verificam elevadas situações de desemprego, pobreza, exclusão, injustiça
social e demais manifestações que agridem a dignidade da pessoa humana. Além disso, trata-
se de uma região historicamente comprometida com os aspectos ambientais, resultantes da
seca e da semi-aridez.
Neste contexto, o presente estudo discute as bases de um Plano de Desenvolvimento
Sustentável para o município de Carnaúba dos Dantas, visando promover um diagnóstico para
subsidiar um local integrado, a partir de ações de base e de desenvolvimento comunitário.
Estes propósitos resultaram da constatação histórica de que o atual modelo de gestão
municipal tem provocado enormes desequilíbrios, considerando a dicotomia das riquezas
naturais, e a degradação ambiental. Diante desta constatação discute-se o desenvolvimento
sustentável enquanto proposta para equilibrar as atividades econômicas, sociais e ambientais
do local (DESENVOLVIMENTO, 2008).
O propósito do Diagnóstico dá-se na busca de um crescimento econômico do município, que
visa ao desenvolvimento nos setores de educação, saúde, turismo e meio ambiente. Para tanto,
faz-se necessário a implementação de políticas públicas que se preocupem com os problemas
citados, pois os mesmo são elementos importantes para qualidade de vida e elevação do nível
de renda da população.
A principal atividade econômica do município de Carnaúba dos Dantas é resultante do
funcionamento da indústria ceramista, e o cenário turístico destaca a importância do turismo
religioso realizado no „Monte do Galo’, local de devoção da cultura religiosa que recebe
visitantes da região, e de outros estados. Carnaúba dos Dantas detém um destacado e rico
tesouro arqueológico, com a existência de 63 ‘Sítios Arqueológicos’. Os mesmos estão

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catalogados pelo GEPS (Grupo de Estudos em Patrimônio e Arqueologia do Seridó), em toda
sua zona rural, sendo que alguns são explorados turisticamente (MACEDO; BRITO, 2000).
A busca pelo desenvolvimento sustentável pressupõe uma maior participação cooperativa dos
governos e da sociedade organizada, na qual os governantes por sua vez não têm conseguido
resolver eqüitativamente os problemas relacionados à pobreza, saúde, desemprego e sub-
emprego (exploração). Além dos aspectos que caracterizam o desenvolvimento sustentável, o
estudo, ora proposto, destaca entre outras questões, a preocupação com o grave processo de
desertificação do solo da região, cujo índice é atualmente identificado como um dos maiores
no Brasil. (INSTITUTO DE DESENVOLVIMENTO..., 2006). Esse problema é, a priori,
resultante do desmatamento de plantas nativas no município, destinadas à geração de energia
(combustível) para a produção de cerâmicas. As indústrias locais são providas da queimação
de lenha, obtidas com o desmatamento da vegetação local, o que resulta no elevado índice de
desertificação do solo, assoreamento dos rios e de grave desequilíbrio ecológico da região do
Seridó.
Justifica-se o presente estudo, considerando que a atividade econômica, o meio ambiente e o
bem-estar da sociedade formam o tripé básico no qual se apóia a idéia de desenvolvimento
sustentável e que a aplicação do conceito à realidade requer, no entanto, uma série de medidas
tanto por parte do poder público como da iniciativa privada.
Quanto ao material e método da pesquisa a fim de elaborar o Diagnóstico Municipal de
Desenvolvimento Sustentável: uma proposta para Carnaúba dos Dantas – RN, desenvolvemos
uma pesquisa descritiva que segundo Silva & Menezes (2000, p.21), visa descrever as
características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre
as variáveis. Portanto, desenvolveu-se a pesquisa descritiva, abordando aspectos de
investigação, registro, análise e interpretação da condição de vida da população local, com
intuito de assegurar os dados econômicos, ambientais e sociais do município.
Os dados da pesquisa de campo foram obtidos a partir de questionários previamente
elaborados; os dados primários por sua vez foram coletados através de pesquisa documental e
bibliográfica.
O universo da pesquisa é formado pela população do município de Carnaúba dos Dantas no
total de 6.572 pessoas da qual escolhemos uma amostra. Foram aplicados de forma aleatória
um total de 180 questionários. A pesquisa constante do universo supra citado, envolve pessoas
da comunidade, lideranças, autoridades e representantes de entidades de base e de
organização comunitária.

2 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Existem muitas formas de definir o desenvolvimento sustentável, sendo a grande maioria
centrada na questão ambiental, podendo o mesmo ser descrito como o desenvolvimento que
não esgota os recursos para o futuro.
Segundo Cavalcanti (1995, p.33), desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento que
satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações
satisfazerem as suas próprias necessidades. Cabe dizer que existem várias interpretações para
o termo Desenvolvimento Sustentável, tendo em vista que estas sintetizam as propostas de
sustentabilidade de diferentes grupos sociais e referem-se principalmente às conseqüências
que a falta do desenvolvimento equilibrado pode afetar a qualidade de vida e o bem-estar da
sociedade, tanto no presente quanto no futuro.

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Em contrapartida a esse movimento Latouch (2005), fala que o desenvolvimento sustentável
não é portando um princípio de solução. Ao contrário, diz ele, é a decadência. O modelo de
desenvolvimento seguido hoje por todos os países é fundamentalmente pouco durável.

O desenvolvimento sustentável é aterrorizante e desesperador. Ao menos,
com o desenvolvimento insustentável, poder-se-ia manter uma esperança de
que esse processo perverso chegasse, um dia, a seu fim. Ele, um dia,
acabaria vítima de suas próprias contradições, de seus fracassos, de seu
caráter insuportável e, em decorrência, do esgotamento dos recursos
naturais. (LATOUCHE, 1996, p. 29).

Nesse estudo segue-se o pensamento de Cavalcanti e outros escritores que defendem o
modelo de Desenvolvimento Sustentável levando em consideração fatores sociais, ecológicos
e econômicos, que visam um crescimento econômico que favoreça a outras instâncias sociais,
que por fim é também a preocupação de Latouche, inclusive com o meio ambiente.

2.1 Desertificação e Desequilíbrio Ambiental
O maior desafio do município de Carnaúba dos Dantas, segundo o IDEMA, está relacionado
ao desequilíbrio ambiental, cujo desmatamento da vegetação nativa vem resultando no
elevado índice de desertificação do solo, assoreamento dos rios e de grave desequilíbrio
ecológico da região do Seridó, como vimos. Entre os fatores naturais está o clima semi-árido
com a ocorrência das secas, geralmente no segundo semestre de todos os anos; e as secas
periódicas, que não têm ano certo para ocorrer e caracterizam-se pela irregularidade ou falta
de precipitações durante a estação chuvosa. A distribuição de chuva irregular coopera para a
escassez de água.

O planeta Terra vive um período de intensas transformações técnico-
científicas, em contrapartida das quais engendram-se fenômenos de
desequilíbrios ecológicos que, se não forem remediados, no limite,
ameaçam a implantação da vida em sua superfície. Paralelamente (ou
imbricadamente?) a tais perturbações, os modos de vida humanos
individuais e coletivos evoluem no sentido de uma progressiva deterioração.
(GUATTARI, 1993, p. 7).

De acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, 2006
(PNUMA), as terras semi-áridas representam quase um terço da superfície terrestre, abrigam
cerca de um bilhão de pessoas e são responsáveis por quase 20% da produção mundial de
alimentos. Trata-se de uma área de grande importância social e econômica, mas que podem
provocar, quando mal manejadas, graves desequilíbrios no clima e na biodiversidade. Cerca
de dois terços das terras áridos destinados à agricultura já estão degradados. (INSTITUTO
BRASIL PNUMA, 2006).
A Agenda 21, o principal documento gerado pela Conferência Rio 1992, definiu
desertificação como sendo a degradação da terra nas regiões áridas, semi-áridas, sub-áridas e
sub-úmidas secas, resultantes de vários fatores, entre eles as variações climáticas e as
atividades humanas.

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Segundo o Ministério do Meio Ambiente (BRASIL, 2005), os núcleos de desertificação são
áreas limitadas nas quais os danos são de profunda gravidade, identificando-se quatro núcleos
principais, onde tais processos podem ser considerados extremamente graves. São eles:
Gilbués-PI, Irauçuba-CE, Seridó-RN e Cabrobó-PE, totalizando cerca de 15.000 km². As
atividades que mais degradam os recursos naturais da região são a extração de lenha e argila
que são usadas pelas cerâmicas na fabricação de telhas, a fabricação da cal nas caieiras, o
carvão nas carvoarias, o sobrepastoreio (super população de animais em áreas muito restritas),
além da mineração que está presente em alguns municípios. Essas atividades juntas
provocam um imenso desequilíbrio ambiental na região que vem afetando tanto a
biodiversidade local quanto à população residente

3 PRINCIPAIS PROBLEMAS DO MUNICÍPIO
Com o intuito de diagnosticar a realidade e conhecer as dificuldades enfrentadas atualmente,
buscamos identificar os maiores problemas sentidos pela população, cujas informações foram
tabuladas e classificadas por ordem de prioridade, conforme descreve a Tabela 1.

Tabela 1 – Principais problemas do município

Problemas
Número de Pessoas
Absoluto Relativo
Saúde 50 28%
Falta de água - seca 45 25%
Desemprego 29 16%
Meio Ambiente 29 16%
Educação 15 8%
Turismo 8 4%
Alcoolismo 4 2%
Total 180 100%
Fonte: Pesquisa de campo set. 2008.


3.1 Serviço de Saúde
As condições de saúde no município, a exemplo do que ocorre no Rio Grande do Norte, ainda
apresentam sérias deficiências. Os baixos rendimentos, associados às precárias condições de
vida (abastecimento d‟água inadequado e ausência de saneamento básico), definem o quadro
da saúde deficiente da sociedade local. Questionados sobre ações necessárias para melhoria
nas condições de saúde a população diagnosticou e sugeriu melhorias, como pode ser
percebido na Tabela 2.








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Tabela 2 – Propostas de melhoria do serviço de saúde
Classificação
Número de Pessoas
Absoluto Relativo
Hospital Público 49 26%
Médicos de plantão 47 25%
Médicos especializados 35 19%
Medicamentos 20 11%
Equipamentos hopitalares 20 11%
Profissionais de enfermagem
capacitados
18 10%
Total 189 100%
Fonte: Pesquisa de campo set. 2008.

3.2 Seca e Falta de Água
A seca é um fenômeno ecológico que se manifesta na redução da produção agropecuária,
provocando uma crise social e política em toda a região nordestina, trata-se de um fenômeno
natural, caracterizado pelo atraso na precipitação de chuvas ou a sua distribuição irregular.
Além desse problema o município enfrenta um grave problema de desertificação do solo e
desmatamento de sua vegetação devido à queima da lenha para os fornos cerâmicos. Estes
assuntos foram abordados no questionário com a seguinte pergunta: quais os maiores
problemas ambientais do município? As respostas constam na Tabela 3.

Tabela 3 – Problemas ambientais
Avaliação
Número de Pessoas
Absoluto Relativo
Falta de água - Seca 70 28%
Desertificação 65 26%
Não há reflorestamento 62 25%
Depósito do lixo 32 13%
Fumaça 20 8%
Total 249 100%
Fonte: Pesquisa de campo set. 2008.


3.3 Desemprego no Município
Carnaúba dos Dantas não foge a realidade do resto do país no que diz respeito à questão do
emprego, possuindo um grande número de desempregados e subempregados cuja maioria não
tem perspectivas de um futuro melhor. Devido a essa realidade, houve a preocupação em
identificar e levantar informações a partir da comunidade sobre alternativas viáveis para a
geração de emprego. Conforme nos corrobora a Tabela 4.













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Tabela 4 – Geração de Emprego
Propostas
Número de Pessoas
Absoluto Relativo
Turismo 50 28%
Cursos profissionalizantes 28 16%
Indústria 26 14%
Artesanato 25 14%
Incentivo Agricultura 23 13%
Adutora 19 11%
Serviço Público 9 5%
Total 180 100%
Fonte: Pesquisa de campo set. 2008.

3.4 Meio Ambiente
O Município é hoje reconhecido pelos organismos nacionais e internacionais responsáveis
pela preservação ambiental, como uma das cidades que mais avança no processo de
desertificação no país, conscientes do grave problema enfrentado no município, perguntamos
aos atores locais o que poderia ser feito para minimizar esse processo de degradação. Os
dados podem ser visualizados na tabela 5.

Tabela 5 – Propostas de equilíbrio ambiental

Propostas
Número de Pessoas
Absoluto Relativo
Implantação o gás natural 100 45%
Reflorestamento 78 35%
Educação ambiental 42 19%
Total 220 100%
Fonte: Pesquisa de campo set. 2008.

3.5 Serviço de Educação
Existem atualmente 16 estabelecimentos escolares no município, sendo 4 estaduais, 11
municipais e 1 particular. O corpo docente é formado por 103 professores, sendo 12 no ensino
infantil, 75 no fundamental e 16 no ensino médio. Os estabelecimentos escolares estão
divididos por nível escolar, constituído de 11 escolas de ensino fundamental, uma de ensino
médio e 5 pré-escola. O número total de alunos matriculados, no ano de 2004, foi de 1.258 no
ensino médio, 551 matrículas no ensino médio e 228 no ensino infantil (INSTITUTO DE
DESENVOLVIMENTO..., 2006). Durante aplicação dos questionários foi perguntada a
comunidade como classificaria a educação no município, e que melhorias a população
gostaria que fossem realizadas nesse setor, as respostas constam nas Tabelas 6 e 7.








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Tabela 6 – Avaliação do serviço de educação

Classificação
Número de Pessoas
Absoluto Relativo
Ótima 9 5%
Boa 70 39%
Regular 79 44%
Ruim 20 11%
Péssima 2 1%
Total 180 100%
Fonte: Pesquisa de campo set. 2008.


Tabela 7 – Proposta para melhoria do serviço de educação

Propostas
Número de Pessoas
Absoluto Relativo
Capacitação dos professores 85 47%
Plano de carreira para professores 36 20%
Incentivo ensino infantil 23 13%
Tranporte escolar 21 12%
Rigor nas escolas 9 5%
Incentivo a leitura 6 3%
Total 180 100%
Fonte: Pesquisa de campo set. 2008.

3.6 Turismo Municipal
Ressaltou-se ao longo do diagnóstico que o município de Carnaúba dos Dantas é portador de
uma demanda turística natural e histórica, fruto de referências culturais da região, em termos
da religiosidade popular e cultural. O Monte do Galo tem revelado uma densidade econômica
de elevado efeito multiplicador na geração de emprego e renda, não sendo totalmente
orientado para receber essa demanda que semanalmente dirige-se à localidade.
A população tem consciência dessa importância do seguimento turístico como estratégia para
o desenvolvimento, então foi solicitado que informassem no questionário quais as principais
propostas para o desenvolvimento do turismo municipal. As respostas podem ser observadas
na Tabela 8.


Tabela 8 - Propostas para melhoria do turismo municipal

Propostas
Número de Pessoas
Absoluto Relativo
Contrução de hotel 85 47%
Transporte 36 20%
Incentivo 33 18%
Abertura de trilhas 26 14%
Total 180 100%
Fonte: Pesquisa de campo set. 2008.

4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
A deficiência dos serviços de saúde constitui um aspecto normalmente identificado em todos
os municípios do nordeste brasileiro (RIO GRANDE DO NORTE, 2004). No município em

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questão foi identificado um quadro defasado no que se refere à disponibilidade de instalações
físicas; profissionais especializados; inexistência ou insuficiência de médicos residentes;
medicamentos; leitos e demais elementos que fazem parte do referido sistema de saúde.
Através do diagnóstico, pode-se perceber que a saúde pública é fragilizada e caótica no
município, os pacientes que recorrem aos hospitais públicos da cidade, não encontram
médicos de plantão, nem tão pouco, enfermeiros graduados para exercer tal função; precisam
recorrer a municípios vizinhos, e dependendo da gravidade do problema são encaminhados
para a cidade do Natal/RN que fica a 219 km.
O município em questão dispõe de três postos de saúde: PSF I - localizado no posto de saúde
do Bairro Dom Jose Adelino Dantas (Monte do Galo); PSF II – localizado no posto de saúde
Parteira Elita Dantas; PSF III - localizado no centro de saúde Dr. Odilon Guedes da Silva, e
um hospital em fase de construção; porém a saúde é tida como o principal problema a ser
enfrentado, pois não atende às necessidades da população. A solução para esses problemas
exige um amplo programa de melhorias das condições de saúde por parte das autoridades
responsáveis. Um programa que valorize a melhoria do meio ambiente físico social,
utilizando os recursos da comunidade, com o objetivo de permitir, a seus cidadãos, melhor
qualidade de vida.
Quanto à falta de água, pode-se dizer que Carnaúba dos Dantas situa-se em uma área onde os
históricos problemas de abastecimento para a população, somados à escassez da mesma, são
particularmente graves. Existe uma enorme deficiência para atendimento aos múltiplos usos
da água, que continuam sendo um desafio a ser enfrentado pela sociedade e pelas políticas
públicas do município que regulam as atividades governamentais relacionadas às tarefas de
interesse público, na busca de uma eficaz gestão de recursos hídricos. A solução encontrada
até os dias atuais foi a construção de açudes para o abastecimento, porém com a falta de
chuvas a água chega para população por meio de carros pipa, havendo assim a necessidade de
uma adutora no município.
Na região semi-árida brasileira, a ocorrência de secas não é novidade, existindo registro deste
fenômeno desde 1559. Só nas últimas décadas, a região já sofreu os efeitos de quatro secas
severas, sendo que uma delas durou cinco anos (1979-1983). Portanto, é necessária a
introdução de tecnologias para conviver em harmonia com este cenário (SOUZA;
MEDEIROS FILHO, 1983, p. 46).
Tendo consciência desse problema, a ADESE – Agência de Desenvolvimento Sustentável do
Seridó trabalha com um Projeto Básico do Sistema Adutor de Carnaúba dos Dantas e
comunidades rurais denominadas de Cobra e Juazeirinho no Estado do Rio Grande do Norte.
O projeto em pauta tem a finalidade de abastecer com água potável as localidades acima
mencionadas utilizando o reservatório da Barragem Ministro João Alves, conhecida como
Boqueirão de Parelhas, localizada próximo à cidade de Parelhas – RN. Esse projeto até os dias
atuais não saiu do papel, mostrando que a “indústria da seca” ainda predomina na região
nordeste.
É importante salientar que a questão da seca não se resume à falta de água. A rigor, não falta
água no Seridó-RN, faltam soluções para resolver a sua má distribuição e as dificuldades de
seu aproveitamento, é preciso desmistificar a idéia de que a seca, sendo um fenômeno natural,
é responsável pela fome e pela miséria que dominam a região.
Quanto à educação, podemos afirmar que ela pode moldar o mundo do amanhã,
instrumentalizando indivíduos e sociedades com perspectivas, conhecimento e valores para se
viver e trabalhar de maneira sustentável; o conhecimento só pode ser gerado quando há

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pessoas capacitadas para desenvolvê-lo. Segundo Jickling (1992, p.8) "a educação deve
permitir que os indivíduos pensem por si”. A educação deve objetivar o desenvolvimento
ideal da humanidade, com ênfase na autonomia e no pensamento crítico.
Dada a importância da educação para o futuro da população, observa-se nos dados que 88%
das respostas avaliam positivamente o referido serviço prestado no município, embora um
olhar mais apurado, não coincida com esta opinião. Esta é uma informação relevante para a
formulação do diagnóstico de desenvolvimento sustentável, considerando que seus efeitos
traduzem-se em investimento intangível para o planejamento estrutural da localidade. Mesmo
assim, os dados indicam ainda que as melhorias do setor educacional do município passam
pela atenção dedicada ao corpo docente, considerando que 67% das respostas são dedicadas à
capacitação e plano de carreira dos seus professores.
Enfatizamos que as escolas do município não possuem laboratórios de informática, assim
como não dispõe de livros para um ensino de melhor qualidade. Os estudantes não têm acesso
à tecnologia o que desencadeia um grave processo de exclusão social e digital, tendo como
base que o acesso à informação é imprescindível, pois é necessário que os estudantes saibam
operar novas tecnologias de informação e através delas possam traçar caminhos viáveis para
um futuro melhor.
Ladislau Downbor, (1998), após descrever as facilidades que as novas tecnologias oferecem
ao professor, se pergunta: o que eu tenho a ver com tudo isso, se na minha escola não tem
biblioteca e com o meu salário eu não posso comprar um computador? Ele mesmo responde
que será preciso trabalhar em dois tempos: o tempo passado e o tempo do futuro. Fazer tudo
hoje para superar as condições do atraso, e ao mesmo tempo, criar as condições para
aproveitar amanhã as possibilidades das novas tecnologias.
Tratando-se da geração de emprego, pode-se diagnosticar que o subdesenvolvimento é uma
marca do município, por isso é fundamental repensar as grandes questões locais e trabalhar
um plano de desenvolvimento sustentável consistente, que contemple o incentivo aos jovens e
a disponibilidade de cursos profissionalizantes como: a qualificação na área de informática e
idiomas, qualificação voltada para o desenvolvimento turístico, qualificação dos artesãos;
capacitação em atividades industriais, assim como a implantação de indústrias que gerem
emprego e renda.
O desemprego e o subemprego tornaram-se preocupantes, pois o nível de emprego e,
consequentemente, o volume do mesmo surge a partir da interação entre a sociedade, que
deve estar propensa a consumir o nível de investimento que por sua vez, depende das
expectativas dos empresários. Sendo assim, se os governantes buscarem melhorias para o
município, tendo em vista seu elevado valor cultural e religioso, haverá empresários dispostos
a investir capital e como conseqüência um aumento no índice de oferta de emprego.
O setor turístico poderia constituir um forte segmento de geração de renda e emprego,
considerando a elevada demanda do turismo religioso. Observa-se, porém, que a oferta de
bens e serviços voltada para o atendimento é incipiente, existindo apenas uma precária
pousada no município para hospedagem dos turistas, faltam banheiros adequados para os
visitantes durante a romaria, lanchonetes e, principalmente, transporte. Isso permite sugerir
políticas públicas e privadas, voltadas para a qualificação de mão de obra e criação de
pequenas e micro empresas, destinadas à produção e comercialização de toda a cadeia
produtiva de bens e serviços.


155 | P á g i n a

Para Kindlembergwe (1976, p.95), quanto mais bem servida e quanto melhor qualidade tiver
uma região, de meios de transporte ou em fatores de produção, mais oportunidades terá a
região de crescer e elevar o nível de vida da população.
O turismo religioso não é necessariamente um turismo feito por religiosos, pode ser
considerado como um setor turístico capaz de manifestar algum dado de religiosidade, mas
que pode atrair turistas, conseqüentemente tornar-se potencial econômico, para o local. As
festividades religiosas como: a encenação da paixão de cristo e festas de padroeiros, somadas
às pinturas rupestres e à cultura do município são poucos exploradas, o incentivo nesse setor
poderia contribuir consideravelmente para aumentar o fluxo de turistas e conseqüentemente o
desenvolvimento econômico local.
Atualmente, para Ansarah,
O estudo do turismo deve ser direcionado para o desenvolvimento sustentável,
conceito essencial para alcançar metas de desenvolvimento sem esgotar os
recursos naturais e culturais nem deteriorar o meio ambiente. Entende-se que
a proteção do meio ambiente e o êxito do desenvolvimento turístico são
inseparáveis.“ (2001, p.406).

Para o Bando do Nordeste (BNB), o programa de Desenvolvimento do Turismo para o
Nordeste brasileiro define-se como uma política pública regional; o turismo visa ao
desenvolvimento da atividade na região, através da geração de emprego e renda.
Um dos objetivos da primeira etapa do programa foi de acordo com o Bando do Nordeste
(BNB):

Promover, de forma sistêmica, o desenvolvimento do setor de turismo na
Região Nordeste, a partir da disponibilização de infra estrutura de apoio ao
turismo, priorizando ações que mantenham e expandam a atividade
turística, bem como estimulando a participação da iniciativa privada, com a
conseqüente geração de ocupação produtiva e renda. (BNB,2008.b).

A cidade também é conhecida como terra da música, título esse que poderia divulgar a cultura
musical do município tendo em vista que possui um grande potencial de músicos e
compositores locais, tendo como ícones Tonheca Dantas e Felinto Lúcio Dantas.
Historicamente, tem merecido destaque no estado e em todo o país, no que se refere à
musicalidade clássica e religiosa, destacando nos dias atuais Márcio Dantas, compositor do
CD “Cruzeta revela Márcio Dantas” e maestro da banda de música do município, Filarmônica
11 de dezembro.
No que se refere ao meio ambiente, é possível diagnosticar que o desmatamento aliado à falta
de reflorestamento das áreas devastadas está transformando-se no maior desafio do município
de Carnaúba dos Dantas, tendo como causa principal a forma insustentável do uso dos seus
recursos naturais, tornando evidente a necessidade de um programa de conservação ambiental
que inclua projetos que visem à implantação de planos de recuperação do solo e manejo dos
recursos ambientais, objetivando administrar a utilização dos recursos naturais do município,
de forma sustentável, indicando modelos alternativos que harmonizem o desenvolvimento
econômico com a indispensável proteção do meio ambiente voltada para a preservação e
conservação do mesmo.

156 | P á g i n a


A região semi-árida Nordestina pela própria característica do clima, por
possuir solos rasos, pedregosos ou arenosos, pobres em matéria orgânica, e
pela ação devastadora do homem ao longo do tempo apresenta elevado grau
de vulnerabilidade ao fenômeno de desertificação. O Estado do Rio Grande
do Norte, em particular, apresenta 80,5% do seu território afetado por
diversos níveis de degradação, dos quais 58% em estágio grave,
notadamente, no denominado Núcleo do Seridó, nos municípios de
Equador, Parelhas, Carnaúba dos Dantas, São José do Seridó e Caicó.
(RECURSOS..., 2006).

A região está localizada dentro do chamado “polígono das secas” reconhecida pela legislação
como sujeita à repetidas crises de prolongamento das estiagens e, conseqüentemente, objeto
de especiais providências do setor público. Esse fator contribui cada vez mais e de forma
decisiva para o problema ambiental do município, no qual o desmatamento indiscriminado
contribui fortemente para a degradação do solo, mostrando o total descaso dos órgãos
ambientais que não fiscalizam as áreas devastadas.
Para a população, uma forma de minimizar a ação das indústrias ceramistas, seria a união de
órgãos responsáveis na implantação do gás natural junto com o reflorestamento e a educação
ambiental, promovendo simultaneamente o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e
de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental, buscando assim
recuperar e salvar a vegetação do município.
Ao relacionar desertificação e indústrias ceramistas, os habitantes percebem o problema
desertificação, sentem-se ameaçados por ele e ainda consideram a indústria como um dos
responsáveis em causar tais problemas ambientais. Apesar disso, acreditam que os benefícios
trazidos por essas indústrias superam os problemas causados pela atividade, principal fonte de
emprego e renda para o município. Em decorrência das limitações de grande parte da
comunidade no que diz respeito a questões básicas como educação, alimentação e saúde,
problemas sérios, como o da desertificação, não recebe a devida importância, mesmo porque a
atividade ceramista preenche a necessidade de trabalho e renda para os moradores locais.
Entretanto, pode-se afirmar que a educação ambiental seria uma das ferramentas existentes
para a sensibilização da população em geral sobre os problemas ambientais, e a possível
reversão da situação atual. No Capítulo 36 da Agenda 21, ela é definida como o processo que
busca:

“(...) desenvolver uma população que seja consciente e preocupada com o
meio ambiente e com os problemas que lhes são associados. Uma
população que tenha conhecimentos, habilidades, atitudes, motivações e
compromissos para trabalhar, individual e coletivamente, na busca de
soluções para os problemas existentes e para a prevenção dos novos (...)”.

O grande desafio da educação ambiental rumo ao desenvolvimento sustentável é a tomada de
medidas efetivas que garantam a conservação ambiental, proporcionando uma visão crítica da
sociedade através de um processo pedagógico que busque a responsabilidade coletiva e
consequentemente contribua para a democratização das decisões ambientais.



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6 CONCLUSÃO
A pesquisa confirma a urgente necessidade de repensar o planejamento municipal a médio e
longo prazo, contando com a efetiva e continua participação da comunidade. O diagnóstico de
desenvolvimento sustentável, conforme ressaltado ao longo do presente estudo, procura
orientar e conduzir o processo de planejamento, execução e avaliação das ações macro-
municipais, principalmente no que se refere à adoção de projetos econômicos, culturais,
ambientais e sociais, todos com vistas à justiça social e ao bem comum.
Meio ambiente e desenvolvimento não constituem desafios separados, estão sempre
interligados; o desenvolvimento não se mantém se os recursos naturais se deterioram e o meio
ambiente não pode ser protegido se o crescimento econômico não leva em conta as
conseqüências da destruição ambiental. Para que uma sociedade seja sustentável é preciso
haver integração do desenvolvimento econômico e social com a conservação ambiental.
Carnaúba dos Dantas é um município rico em belezas naturais, com grande potencial
econômico, povo sábio e resistente, que encontram dificuldades em sua sobrevivência, devido
aos problemas gerados pela má administração dos recursos naturais e econômicos. As saídas
para esses entraves passam por um processo de conscientização dos órgãos responsáveis a fim
de tomar providências para o desenvolvimento sustentável do município, valorizando suas
riquezas turísticas, introduzindo tecnologias simples, eficientes e apropriadas a região.
O desenvolvimento sustentável pode sim, reduzir as desigualdades sociais e fazer surgir o
crescimento econômico, basta para isso construir uma base de apoio com a adoção de ações
de política administrativa que valorize a iniciativa popular, de grupos e comunidades. Espera-
se que o presente estudo sirva de instrumento de planejamento e gestão comunitária,
contribuindo na segmentação técnica constante no Plano de Desenvolvimento Sustentável da
Região do Seridó-RN, atualmente em execução no estado.

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159 | P á g i n a

Gestão Ambiental no Setor de Telecomunicação: Impactos Ambientais
da Inovação Tecnológica no Setor de Telecomunicações

Célio Guedes da Silva (FARN) celio.guedes.silva@hotmail.com
Tereza Lúcia Mendes Rocha Suassuna (FARN) terezalucia@yahoo.com.br

RESUMO
Este artigo tem por objetivo realizar uma análise do atual gerenciamento ambiental de baterias
de celulares dos fornecedores e operadoras de celular, na cidade de Natal/RN, e avaliar a
adequação dos mesmos aos critérios e padrões estabelecidos na Resolução CONAMA nº
401/2008. Busca identificar a cadeia da logística reversa de cada fornecedor, identificar o
marketing ambiental realizado por cada fornecedor e operadoras de telefonia móvel, descreve
os programas de reutilização e reciclagem e disposição final dos produtos. A metodologia
tem por base uma amostra exploratória, qualitativa realizada nas assistências técnicas e
estabelecimentos comerciais de cada fornecedor na Cidade de Natal no estado do Rio Grande
do Norte.
PALAVRA-CHAVE: Logística reversa, Marketing verde, Educação ambiental,
Telecomunicação, Impactos ambientais

1 INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, é crescente a demanda por bens de consumo duráveis. Cada vez, mas a
inserção de novos produtos aumenta e o tempo de vida média dos produtos diminuiu.
Na maioria dos casos, os fabricantes não se sentem responsáveis pelos produtos pós-
consumos que são descartados com consideráveis danos ao meio ambiente. Atualmente, as
maiores consciências dos consumidores e dos empresários estão levando as empresas a
repensarem sua responsabilidade sobre os produtos ao final do ciclo de vida. (ROGERS &
TIBBEN-LEMBKE, 1990).
As indústrias tradicionalmente responsáveis pela maior produção de resíduos perigosos são as
metalúrgicas, as indústrias de equipamentos eletro-eletrônicos, as fundições, a indústria
química e a indústria de couro e borracha.
Nas indústrias cuja carga poluidora é elevada, fazem-se necessários altos investimentos em
controle ambiental para evitar a emissão de poluentes, do lançamento de efluentes e do
depósito irregular uma vez que, o lançamento dos resíduos industriais perigosos em lixões,
nas margens das estradas ou em terrenos baldios compromete a qualidade ambiental e de vida
da população.
A indústria de telefonia móvel é uma indústria que demanda por novos modelos de aparelhos
celulares influenciada pela introdução de novas tecnologias, preços atrativos, abertura de
novos mercados, concorrência acirrada, entre outros fatores. A cada novo lançamento os
aparelhos celulares são substituídos por uma nova geração de tecnologia e em alguns casos
com preços menores que o aparelho antigo. Conseqüentemente, o setor de telefonia móvel
vem se tornando responsável por uma grande geração de resíduos sólidos – as baterias de
celulares.






160 | P á g i n a

2 DEFINIÇÕES DO PROBLEMA
O mercado de telefonia móvel no Brasil tem crescido muito nos últimos anos. O descarte das
baterias de celular é considerado uma questão ambiental, pois feita de maneira incorreta pode
causar danos ao meio ambiente. São classificadas como resíduos perigosos pela Associação
Brasileira de Normas Técnicas – ABNT NBR/1987.
Apresentam em sua composição substâncias tóxicas como o cádmio, o níquel e o lítio.
Quando armazenadas ou descartadas de forma inadequada, é liberando produtos tóxicos e
corrosivos, onde acaba contaminando o solo e a água. A indústria de telefonia móvel é uma
indústria de modelos de aparelhos constantemente, influenciada, pela introdução de novas
tecnologias. Este estudo visará mostrar como os fabricantes de celular no Brasil descartam o
produto quando chega ao final da vida útil. As empresas fabricantes de telefones celulares,
por lei, são responsáveis pelo descarte de suas baterias de maneira correta. A Resolução
CONAMA 257/99 obriga os estabelecimentos que comercializam os produtos, bem como a
rede de assistência técnica autorizada pelos fabricantes e importadores a aceitar dos usuários a
devolução das unidades usadas. Alem disso, são obrigados a implantar, método de estudo de
casos múltiplos com as assistências técnicas e estabelecimentos comerciais dos fornecedores
de celulares – Gradiente, LG, Motorola, Nokia, Sony-Ericson e Samsung.
Diante desse contexto, a pesquisa será norteada pelo seguinte problema:
De que forma as empresas brasileiras estão tratando o problema do celular descartado no
Brasil, uma vez que o descarte inadequado das baterias usadas pode trazer sérios riscos ao
meio ambiente?

3 OBJETIVO
3.1 Geral
O objetivo desse estudo é identificar o atual gerenciamento ambiental de baterias de celulares
dos fornecedores e operadoras de celular, na cidade de Natal/RN, e avaliar a adequação dos
mesmos aos critérios e padrões estabelecidos na Resolução CONAMA nº 401/2008.

3.2 Específicos
- Definir a cadeia da logística reversa de cada fornecedor;
- Descrever as instruções recebidas pelo consumidor sobre o descarte das baterias inservíveis;
- Identificar as técnicas de marketing ambiental realizadas por cada fornecedor e operadoras
de telefonia móvel para maior efetividade do retorno das baterias de celulares;
- Determinar o procedimento adotado pelas assistências técnicas de Natal/RN em relação à
logística reversa de seus produtos;
- Descrever os programas de reutilização, reciclagem e disposição final dos produtos de cada
fornecedor.

4 JUSTIFICATIVA
O mercado de telefonia celular vem crescendo muito no mundo inteiro e, sobretudo no Brasil.
Embora com ritmos diferentes de crescimento entre as regiões, a perspectiva é que o número
total de terminais no Brasil deverá somar cada vez mais.
De acordo com a ANATEL (2009), a população brasileira praticamente parou de adquirir
novas linhas de telefone fixo, mas continua interessada em aparelhos celulares.




161 | P á g i n a

O Brasil produz cerca de 800 milhões de pilhas comuns por ano, o que representa seis
unidades por habitante. Energia que circula no Brasil:
- 10 milhões de baterias de celular.
- 12 milhões de baterias automotivas.
- 200 mil baterias industriais.
O descarte inadequado das baterias usadas pode trazer sérios riscos ao meio ambiente.
Segundo Barbosa (1999) as baterias de telefone celular têm como principais constituintes o
cádmio, o níquel e o lítio que conferem as propriedades de armazenamento de energia.
Considerando a necessidade de minimizar impactos negativos causados ao meio ambiente
pelo descarte inadequado das baterias, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA),
estabelece, na Resolução n 401/2008, os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para
pilhas e baterias comercializadas no território nacional que visam propiciar ações no sentido
de reduzir a geração de resíduos, conscientizarem o consumidor sobre os riscos à saúde e ao
meio ambiente decorrentes do descarte inadequado e estimular a substituição de substâncias
tóxicas e o desenvolvimento de técnicas e processos limpos.
Neste sentido, torna-se relevante investigar que tipo de gerenciamento ambiental vem sendo
promovidas pelos fornecedores, assistências técnicas e operadoras de celulares em relação às
baterias de celulares descartadas pelos consumidores na cidade de Natal/RN.

5 REVISÕES BIBLIOGRÁFICAS
Será apresentada uma pesquisa bibliográfica sobre o crescimento e a evolução da inovação
tecnológica no segmento de telefonia móvel, sobre o impacto ambiental causado pelas
baterias de celular e sobre os canis reversos de distribuição, com o objetivo de servir de
referencial teórico para a análise e dos casos estudados.

5.1 A Logística
A logística atualmente é responsável pelo sucesso e o insucesso das organizações. Porém, o
que se pode perceber no mercado é que muito pouco se sabe sobre essas atividades. É
importante também lembrar que essa situação de modismo pode acarretar pelo uso errado da
palavra. Portanto, o que significa realmente à logística?
Segundo Ballou (1992:5) define a missão da logística como sendo: “entregar o produto certo e
na condição desejada, realizando a maior contribuição para a empresa”.
O sistema logístico inclui o fluxo total dos materiais, desde o ponto de aquisição de matéria-
prima até o da entrega ao consumidor. De acordo com Dias et al. (2003, p. 216), “[...] a
logística foi definida na década de 1970, num livro pioneiro da área no Brasil, como a arte de
administrar o fluxo de materiais, produtos e pessoas de determinados locais para outros, onde
estes são necessários.”
Uelze (1974) definiu a logística como o processo de planejamento, implementação, controle
eficiente e eficaz do fluxo de matérias-primas, estoques de produtos semi-acabados e
acabados, bem como do fluxo de informações a eles relativas, desde a origem até o consumo,
com o propósito de atender aos requisitos dos clientes. Segundo este mesmo autor, anos mais
tarde, essa definição foi ampliada, incorporando a responsabilidade pelo planejamento de todo
o processo da cadeia de suprimentos. A logística encara suas funções sob o ângulo de uma




162 | P á g i n a

empresa, ao passo que o olhar da cadeia de suprimentos é panorâmico e estende- se de ponta a
ponta do mercado.
De acordo com o Dicionário Aurélio, ao termo logístico vem do francês logistique e tem
como uma de suas definições a “parte da arte da guerra que trata do planejamento e da
realização de: projeto e desenvolvimento, obtenção, armazenamento, transporte, distribuição,
reparação, manutenção e evacuação de material (para fins operativos ou administrativos)”.
A logística pode ser vista como o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, a
movimentação e a armazenagem de materiais, peças e produtos acabados (e os fluxos de
informações correlatas), por meio da organização e de seus canais de marketing, de modo a
maximizar, pelo atendimento dos pedidos a baixo custo, as lucratividades presente e futura.
(CHRISTOPHER, 2001).
Portanto, a Logística busca repor os clientes, seja eles externos ou internos a uma
organização. Para isso, é preciso que as organizações obtenham disponibilidade de produto
certo (com qualidade), na quantidade certa, ao preço certo, na hora certa, sem avarias e
acompanhado da documentação correta.
No entanto, a Logística é o processo de planejar, implementar e controlar o fluxo eficiente de
materiais e informações, desde o ponto de origem até o ponto de consumo (cadeia de
suprimento), com o propósito de atender às necessidades dos clientes.
De acordo com Dias et al. (2003, p. 217), adotando a definição de Christopher (2001),
existem três subdivisões naturais da logística na empresa:
1) A logística de entrada, que se refere ao suprimento dos insumos;
2) A logística interna, que focaliza a movimentação dos materiais dentro do estabelecimento;
3) A logística de saída, quando a perspectiva se volta à jusante, enfocando-se a distribuição
dos produtos acabados ao consumidor final.
Ballou (1992:7) divide, operacionalmente, o escopo da logística numa empresa individual em
atividades-chave e de apoio, conforme mostra o quadro 1.






















163 | P á g i n a

ATIVIDADES CHAVE ATIVIDADES DE APOIO
Padrões de serviço aos clientes cooperando com
marketing:
 Determinar as necessidades e desejos dos
clientes com relação serviços logísticos;
 Determinar a resposta do cliente ao
serviço;
 Estabelecer os níveis de serviço aos
clientes.
Armazenagem
 Determinação de espaço;
 Layout de estocagem e projeto de docas (dock);
 Configuração de armazém;
 Localização de estoques.
Transporte
 Seleção do modo e serviços de
transportes;
 Consolidação de cargas;
 Roteirização de transportadores;
 Programação de veículos;
 Seleção dos equipamentos;
 Processamento de reclamações e;
 Auditoria de taxas.
Manuseio de materiais
 Seleção de equipamentos;
 Políticas de substituição de equipamentos;
 Procedimentos de realização (picking) de
pedidos;
 Armazenamentos e recuperação de estoque.
Gerenciamento de inventário
 Políticas de estocagem de matérias-
primas e produtos acabados;
 Previsão de venda de curto prazo;
 Composto (mix) de produtos nos pontos
de estocagem;
 Número, tamanho e localização dos
pontos de estocagem;
 Estratégias de just-in-time, “empurrar” e
“puxar” produção.
Compras
 Seleção da fonte de suprimento;
 Oportunidade (timing) de suprimento;
 Quantidade de compra.
Embalamentos de proteção. Projeto para
 Manuseio;
 Estocagem;
 Proteção contra perdas e danos.
Processamento de pedidos
 Procedimentos de interface entre vendas e
pedidos de inventário;
 Métodos de transmissão de informações
de pedidos;
 Regras de elaboração de pedidos.
Cooperação com a produção para
 Especificação de quantidades agregadas;
 Sequenciamento e tempo do resultado da
produção.
Manutenção da informação
Coleta, armazenamento e manipulação e informações;
 Análise de dados;
 Procedimentos de controle.
Quadro 1: Atividades logísticas empresariais:
Fonte: Adaptado de BALLOU, 1992

As interfaces das atividades de logística com as de produção e marketing são apresentadas por
Ballou (1992:24), conforme mostra o quadro 2. O autor coloca que, além de suas atividades
especificas a logística, operacionalmente, se relaciona com as funções de marketing e
operação de forma decisiva.
Interfaces das atividades típicas da logística com as de produção e marketing, conforme
observa-se no quadro 2.
Ross (1198:26) divide a administração da logística em dois segmentos, a partir de sua visão
mais tradicional, o que pode auxiliar o atendimento do seu conceito atual de logística
integrada.




164 | P á g i n a

A Administração de materiais identifica com os fluxos de informações e materiais para a
produção e composto pelo conjunto de funções que os apóiam, ou seja, o planejamento, a
aquisição e o controle de estoques, da fabricação à entrega de produtos acabados ao sistema
de canais de distribuição. Essas funções podem, por sua vez, ser divididas em:
- Aquisição de produtos, englobando a administração de fornecedores, a compra, o
recebimento, a garantia de qualidade;
- Administração de estoques, incluindo o recebimento e manuseio de materiais e seu
armazenamento, o estoque em processo, o processamento de adição de valor e a entrega dos
bens aos canais de distribuição.

Produção/
Operações
Logística &
produção
Logística Logística &
Marketing
Marketing
Controle de qualidade Programação
de produto
Transporte Padrões de
serviços aos
clientes
Promoção
Programação detalhada da
produção
Localização
da fábrica
Manutenção de
estoques
Precificação Pesquisa de
mercados
Manutenção de equipamentos Compras Processamento
de pedidos
Embalamento Composto de
produtos
Planejamento da Capacidade Armazenamento Localização do
varejo
Administração da
força de vendas
Projeto de trabalho Manuseio de
materiais

Medidas de padrões de trabalho
Quadro 2: Interfaces das atividades típicas da logística com as de produção e marketing:
Fonte: Adaptado de BALLOU, 1992:24.

Já a Administração da distribuição física, associada ao armazenamento e à movimentação de
produtos acabados, incluindo:
- Armazenagem;
- Transporte;
- Análise de localização de armazéns ou centros de distribuição;
- Embalamento de produtos;
- Expedição (embarques) e;
- Gerenciamento de devoluções.
Essa separação, considerada artificial por Ross, (1998) possibilita uma visualização das
possibilidades da adição de valor no processo logístico e exprime uma visão em que, no
primeiro segmento, se apresentam atividades tradicionalmente voltadas para a área de
produção, e no segundo, para a área de marketing.
Um ciclo de atividade envolve não apenas as atividades ou a tarefa, e sem a todos os
procedimentos decisórios e trocas de informações entre o departamento de Marketing,
operações e logística na empresa.
Através destas informações é possível que uma empresa avalie um processo logístico de sua
eficiência (produtividade no uso de recursos) e sua eficácia (atendimento das metas).




165 | P á g i n a

Os ciclos de uma empresa podem ser divididos em diversas etapas, onde se destaca as
atividades de distribuição física, onde pode ocorre desde a colocação do pedido pelo cliente
no departamento de vendas, até a entrega do mesmo ao cliente pela logística.
No entanto, um dos atributos mais valorizados pelos clientes são a pontualidade, na entrega, o
percentual de pedidos completos e o nível de disponibilidade de produto. Através destas
informações é que a empresa consegue identificar os gaps de serviços.

5.2 Logística Reversa
Com a globalização, as empresas perceberam que seus clientes-alvo podiam estar espalhados
numa ampla área geográfica e que somente com um sistema de logística eficiente conseguiria
entregar os seus produtos de forma adequada. Entende-se então que ter um bom canal de
distribuição formado é ter uma vantagem competitiva.
Empresas com um bom sistema logístico conseguiriam uma grande vantagem competitiva
sobre aquelas que não o possuem. Sua grande contribuição é na ampliação do serviço ao
cliente, satisfazendo exigências e expectativas.
Canais de distribuição diretos são constituídos pelas diversas etapas pelas quais os bens
produzidos são comercializados até chegar ao consumidor final (LEITE, 2003).
Do ponto de vista logístico, a vida de um produto não termina com sua entrega ao cliente. Os
produtos se tornam obsoletos, danificados, ou não funcionam e devem retornar ao seu ponto
de origem (LACERDA, 2001).
De acordo com o grupo ReyLog, um grupo de trabalho internacional para o estudo da
Logística Reversa, envolvendo pesquisadores de varias Universidades em todo o mundo e sob
a coordenação da Erasmus University Rotterdam, na Holanda, principais razões que levam as
firmas a atuarem mais fortemente na Logística Reversa são:
(1) Legislação ambiental, que força as empresas a retornarem seus produtos e cuidar do
tratamento necessário;
(2) Beneficio econômicos do uso de produtos que retornam ao processo de produção, ao invés
dos altos custos do correto descarte do lixo;
(3) A crescente conscientização ambiental dos consumidores.
A Logística Reversa não é um processo interno das empresas, ela envolve toda a cadeia de
canal de distribuição.
As diferenças entre os sistemas de logística com fluxo normal e a Logística Reversa são
quatro, de acordo com KRIKKE (1998). A primeira diferença é que a logística tradicional à
frente é um sistema onde os produtos são puxados (pull system), enquanto que na Logística
Reversa existe uma combinação entre puxar e empurrar os produtos pela cadeia de
suprimentos. Em segundo lugar, os fluxos tradicionais de logísticas são basicamente
divergentes, enquanto que os fluxos reversos podem ser fortemente convergentes e
divergentes ao mesmo tempo. Terceiro, os fluxos de retorno seguem um diagrama de
secundários, componentes e materiais. No fluxo normal esta transformação acontece em uma
unidade de produção, que serve como fornecedora da rede. Por último, na Logística Reversa,
os processos de transformação tendem a ser incorporados na rede de distribuição, cobrindo
todo o processo de produção, da oferta (descarte) à demanda (reutilização).




166 | P á g i n a

Lambert et A l (1998) relacionam as seguintes atividades como parte da administração
logística em uma empresa: serviço ao cliente, processamento de pedidos, comunicações de
distribuição, controle de inventario, previsão de demanda, tráfego e transporte, armazenagem
e estocagem, localização de fábrica e depósitos, movimentação de materiais, suprimentos,
suporte de peças de reposição e serviços, embalagem , reaproveitamento e remoção de refugo
e administração de devoluções. De todas estas atividades fazem parte diretamente da logística
reversa o reaproveitamento e remoção de refugo e a administração de devoluções.
Leite (2003) define logística reversa como a área da logística empresarial que planeja, opera e
controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos bens de pós-
venda e pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo por meio de canais de
distribuição reverso, agregando-lhes valor de diversas naturezas: ecológico, econômico, legal,
logístico, de imagem corporativa, entre outros.
Leite (2003) cita duas categorias de canais de distribuição reversos: os de pós-consumo e os
de pós-venda. Os canais de distribuição reverso de pós-venda são constituídos pela a
devolução de produtos, com pouco ou nenhum uso, para as fabricantes pelas mais diversas
razões, por exemplo: por não atender as expectativas do cliente, produtos com defeitos ainda
em garantia, excessos de estoques nos distribuidores, compras erradas, entre outras. Já os
canais de distribuição de pós-consumo são constituídos pelo fluxo reverso de uma parcela de
produtos após a sua utilidade original ter chegado ao fim e que retornam ao ciclo produtivo.

5.3 O Impacto Ambiental de Baterias de Aparelhos Celulares
Segundo Schio (2005) as pilhas dividem-se em duas classes: as primarias e as secundarias. As
pilhas primárias são utilizadas apenas uma vez e substituídas, pois a reação química que
ocorre é irreversível. As pilhas secundárias são compostas por sistemas eletroquímicos, nos
quais não ocorre a dissolução dos materiais ativos no eletrólito alcalino, permitindo que essas
pilhas possam ser recarregadas e reutilizadas.
Segundo Barbosa (1999) as baterias de telefone celular têm como principais constituintes o
cádmio, o níquel e o lítio que conferem as propriedades de armazenamento de energia. A
tabela abaixo apresenta os principais componentes e aplicações das baterias.
As baterias armazenadas ou descartadas de forma inadequada podem vazar liberando produtos
tóxicos e corrosivos. Quando dispostas em aterros de resíduos sólidos urbanos, o níquel e o
cádmio presentes nas baterias de telefone celular contaminam o solo, a água, as plantas pelos
seres vivos e através da cadeia alimentar chegam ao homem, conforme quadro abaixo:

TIPO COMPONENTES USOS DANOS AO MEIO-
AMBIENTE
Níquel-cádmio Níquel, cádmio,
hidróxido de potássio.
Aparelhos eletrônicos,
eletroportateis sem fio,
brinquedos, telefones
celulares.
Contaminam o solo, a água, as
plantas e os seres vivos através
da cadeia alimentar.
Níquel Vários metais raros. Computadores,
telefones celulares,
filmadoras.
Contaminam o solo, a água, as
plantas e os seres vivos através
da cadeia alimentar.
Grafite Lítio, óxido de cobalto. Computadores,
telefones celulares,
filmadoras, relógios
Contaminam o solo, a água, as
plantas e os seres vivos através
da cadeia alimentar.
Quadro 3 – principal Componente e aplicações de baterias
Fonte: Autor adaptado WWW.ambientebrasil.com.br





167 | P á g i n a

5.4 Legislações sobre o Descarte de Baterias
O governo do brasileiro foi pioneiro na America Latina a regulamentação o descarte de pilhas
e baterias, por meio do Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama. O Conselho
considerando a necessidade de se disciplinar o descarte e o gerenciamento ambiental
adequado de pilhas e baterias usadas, no que tange à coleta, reutilização, reciclagem,
tratamento ou disposição final; considerando que tais resíduos contaminam o ambiente
estabeleceu a regulamentação para a gestão de baterias esgotadas, pela Resolução CONAMA
257, 03/06/99 e em vigor desde 22/07/2000. Os principais aspectos da Resolução são
apresentados a seguir:
As pilhas e baterias que contenham em suas composições chumbo, cádmio,
mercúrio e seus compostos, necessárias ao funcionamento de quaisquer tipos de
aparelhos, veículos ou sistemas, móveis ou fixos, bem como os produtos-eletrônicos
que as contenham integradas em sua estrutura de forma não substituível, após seu
esgotamento energético, serão entregues pelos usuários aos estabelecimentos que as
comercializam ou a rede de assistência técnica autorizada pelas respectivas
indústrias, que repasse aos fabricantes ou importadores, para que estes adotem,
diretamente ou por meio de terceiros, os procedimentos de reutilização, reciclagem,
tratamento ou disposição final ambientalmente adequada.
(...) Ficam proibidas as seguintes formas de destinação final de pilhas e baterias
usadas de quaisquer tipos ou características:
I – lançamento “in natura” a céu aberto, tanto em áreas urbanas como rurais;
II – queimam a céu aberto ou em recipientes, instalações ou equipamentos não
adequados, conforme legislação vigente:
III – lançamento em corpos d’água, praias, manguezais, terrenos baldios, poços ou
cacimbas, cavidades subterrânea, em redes de drenagem de águas pluviais, esgotos,
eletricidade ou telefone, mesmo que abandonadas, ou em áreas sujeitas à inundação.
(CONAMA, 2005).

Além disso, os fabricantes, os importadores, a rede autorizada de assistência técnica e os
comerciantes de pilhas e baterias ficam obrigados a aceitar dos usuários a devolução das
unidades usadas, implantarem a coleta, o transporte e o armazenamento, os sistemas de
reutilização, reciclagem, tratamento ou disposição final.
Segundo a Resolução CONAMA nº 257/99:
Estabelecem os limites máximos de chumbo, cádmio e mercúrio para pilhas e
baterias comercializadas no território nacional e os critérios e padrões para o seu
gerenciamento ambientalmente adequado, e dão outras providencias.
É preciso que as fábricas viabilizem a necessidade de minimizar os impactos negativos
causados ao meio ambiente pelo descarte inadequado de pilhas e baterias, em especial as que
contenham em suas composições chumbo, cádmio, mercúrio e seus compostos, no que tange à
coleta, reutilização, reciclagem, tratamento ou disposição final;
É preciso que reduza a geração de resíduos, como parte de um sistema integrado de Produção
Mais Limpa para que possa estimular o desenvolver as técnicas e os processos limpos na
produção de pilhas e baterias e conscientizar o consumidor sobre os riscos à saúde e ao meio
ambiente do descarte inadequado.

5.5 Marketing Verde
O marketing verde é bastante utilizado para designar ações ambientais em determinados
espaços geográficos, como gestão ambiental de bacias hidrográficas, gestão ambiental de




168 | P á g i n a

parques e reservas florestais, gestão de áreas de proteção ambiental, gestão ambiental de
reservas de biosfera e outras tantas modalidades de gestão que incluam aspectos ambientais.
A gestão ambiental empresarial está essencialmente voltada para organizações, ou seja,
companhias, corporações, firmas, empresas ou instituições e pode ser definida como sendo
um conjunto de políticas, programas e práticas administrativas e operacionais que levam em
conta a saúde e a segurança das pessoas e a proteção do meio ambiente através da eliminação
ou minimização de impactos e danos ambientais decorrentes do planejamento, implantação,
operação, ampliação, realocação ou desativação de empreendimentos ou atividades,
incluindo-se todas as fases do ciclo de vida de um produto.
Ao considerar a gestão ambiental no contexto empresarial, percebe-se de imediato que ela
pode ter e geralmente tem uma importância muito grande, inclusive estratégica. Isso ocorre
porque, dependendo do grau de sensibilidade para com o meio ambiente demonstrado e
adotado pela alta administração, já pode perceber e antever o potencial que existe para que
uma gestão ambiental efetivamente possa ser implantada.
De qualquer modo, estando muitas ou pouco vinculadas a questões ambientais, as empresas
que já estão praticando a gestão ambiental ou aquelas que estão em fase de definição de
diretrizes e políticas para iniciarem o seu gerenciamento ambiental devem ter em mente os
princípios e os elementos de um SGA e as principais tarefas e atribuições que normalmente
são exigidas para que seja possível levar a bom termo a gestão ambiental.
Segundo a norma NBR-ISO 14.001, os objetivos da gestão ambiental são:
- Programar, manter e aprimorar um sistema de gestão ambiental;
- Assegurar-se de sua conformidade com sua política ambiental definida;
- Demonstrar tal conformidade a terceiros;
- Buscar certificação/registro do seu sistema de gestão ambiental por uma organização
externa;
- Realizar uma auto-avaliação e emitir auto-declaração de conformidade com esta Norma.
Princípios e elementos de um SGA:
Comprometimento e política - é recomendado que uma organização defina sua política
ambiental e assegure o comprometimento com o seu SGA.
Planejamento - é recomendado que uma organização formule um plano para cumprir sua
política ambiental.
Implementação - para uma efetiva implementação, é recomendado que uma organização
desenvolva a capacitação e os mecanismos de apoio necessários para atender sua política,
seus objetivos e metas ambientais.
Medição e avaliação - é recomendado que uma organização mensure, monitore e avalie seu
desempenho ambiental.
Análise crítica e melhoria - é recomendado que uma organização analise criticamente e
aperfeiçoe continuamente seu sistema de gestão ambiental, com o objetivo de aprimorar seu
desempenho ambiental global.






169 | P á g i n a


Figura 1 – Modelo de Sistema de Gestão Ambiental
Fonte: Adaptado da NBR-ISO 14001



Figura 2 – Fluxo do Sistema de Gestão Ambiental
Fonte: WRUK, Hans-Peter. Kapitel 4.3: Normative Vorgaben In: Praxishandbuch
Umweltmanagement – System. Tradução livre.

5.6 Agenda 21
Em 1992, por ocasião da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Rio-92 ou
Eco-92), foi criada a Agenda 21. Este documento possui uma importância para que cada país
se comprometa e reflita, global e localmente, ou seja, trata-se de uma forma onde o governo,
empresas, organizações não governamentais e todos os setores da sociedade, inclusive a
própria comunidade, poderiam cooperar no estudo de soluções para problemas
socioambientais. Sendo assim, cada país pode desenvolver sua Agenda 21, e no Brasil existe




170 | P á g i n a

uma comissão para coordenar as discussões conhecidas como Comissão de Políticas de
Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional (CPDS).
De acordo com (Correa..., 2004, p.1 apud COSTA 2004, p.21):
A Agência 21 é resultado de um acordo firmado em 179 países durante a
Confederação das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, em
1992, e se constituiu num poderoso instrumento de reconservação da sociedade
industrial rumo a um novo paradigma, processo, contemplando maior harmonia e
equilíbrio holístico entre o todo e as partes, promovendo a qualidade, não apenas a
quantidade do crescimento.
A educação ambiental é definida pelo CONAMA (Conselho Nacional para o Meio
Ambiente), como “processo de formação e informação, orientado para o desenvolvimento da
consciência crítica sobre as questões ambientais, e de atividades que levem à participação das
comunidades na preservação do equilíbrio ambiental”.
Por isso foi criada a Educação ambiental, para ensinar aquele cidadão que esta em plena
formação de idéias e ideologias e poder conter em seu raciocínio crítico, uma visão mais
ampla e produtiva, quando se trata de desenvolvimento e bem estar social, tanto para a sua
família quanto para suas próximas gerações.
Segundo GUATTARI (1989 p.23):
As relações da humanidade com o socius, com a psique e com a natureza tendem,
com efeito, a se deteriorar cada vez mais, não só em razão de novidades e
populações objetivas, mas também pela existência de fato de um desconhecimento e
de uma passividade fatalista dos indivíduos e dos poderes com relação a essas
questões consideradas em seu conjunto.
Todo o processo de colonização no Brasil, desde a época do descobrimento se deu de uma
forma exploratória, no qual as ideologias dos grandes navegadores assim como seus
conselheiros europeus eram sem dúvida destinada para a enorme diversidade dos recursos
naturais existentes na “terra dos papagaios”. Este um dos primeiros nomes que o Brasil
recebeu, que por fim deve-se aos milhares destas espécies de aves que se destinaram para o
continente europeu como símbolo do Novo Mundo.
Com isso os aglomerados urbanos instalados pelos europeus aqui no Brasil foram cada vez
mais se adensando e se expandindo tanto horizontalmente como verticalmente, até o momento
em que, o aspecto menos preocupante na época, a distribuição das terras, tornou-se mundo
atual, motivos de grandes rebeldias, repressões e desigualdades sociais.
E em conseqüência destas expansões, a paisagem constituída na época do descobrimento
vinha sendo alterada radicalmente, deixando de se caracterizar por grandiosas florestas
tropicais, cerrados dourados, rios espelhados, riachos cristalinos, morros imperturbados e
campos tirante mente verdes etc.
Portanto, a Educação Ambiental surgiu no final do século XX, justamente com a idéia de
transformar estes locais em seres motivadores das sociedades urbanas, que passam por uma
grande dificuldade nos dias de hoje, com a escassez dos recursos naturais, quando se dizem
em água as próximas gerações, um ambiente mais limpo e mais saudável. Lembrando que este
ambiente limpo é só as próximas gerações que possuem o direito e sim, nós, cidadãos
brasileiros, também temos este pleno direito neste mesmo momento.
A preservação do meio ambiente depende de todos: governo, educadores, empresas,
Organizações não-governamentais (ONGs), meios de comunicação e de cada cidadão. A




171 | P á g i n a

educação ambiental é fundamental na resolução desses problemas, pois vai incentivar os
cidadãos a conhecerem e fazerem sua parte, entre elas: evitar desperdício de água, luz e
consumos desnecessários (REDUZIR, RECUSAR e RECICLAR), fazer coleta seletiva,
adquirir produtos de empresas preocupadas com o meio ambiente, cobrarem as autoridades
competentes para que apliquem a lei, tratem o lixo e o esgoto de forma correta, protejam áreas
naturais, façam um planejamento da utilização do solo, incentivem a reciclagem entre outros.

6 METODOLOGIA DA PESQUISA
6.1 Tipos de Pesquisa
A pesquisa será realizada através de Estudos de Casos nas assistências técnicas e
estabelecimentos comerciais de cada fornecedor. Segundo YIN (2005), o estudo de caso é
“uma inquisição empírica que investiga um fenômeno contemporâneo dentro de um contexto
da vida real”, no qual os componentes relevantes não podem ser manipulados, mas onde é
possível se fazer observações diretas e entrevistas sistemáticas.
Em Gil (1999), o estudo de caso pode ser utilizado em pesquisas com propósitos tais como
explorar situações da vida real cujos limites não estão claramente definidos, descrever a
situação do contexto em que está sendo feita determinada investigação, ou então explicar as
variáveis causais de determinado fenômeno em situações muito complexas que não
possibilitam a utilização de levantamentos e experimentos.

6.2 Universo e Amostra
O universo em questão abrange a todas as assistências técnicas e os estabelecimentos
comerciais de cada fornecedor localizado na Cidade de Natal no estado do Rio Grande do
Norte.
Para Lakatos (1999, p.43), universo ou população “é o conjunto de seres animados e
inanimados que apresenta pelo menos uma característica em comum”.

6.3 Coletas de Dados
A coleta de dados será nas assistências técnicas e nos estabelecimentos comerciais de cada
fornecedor. Após a aplicação os dados obtidos com as respostas serão analisados, com base
no referencial teórico e nos objetivos de pesquisa, sendo que o tratamento utilizado para a
análise dos dados irá ser qualitativos descritivo.

6.4 Tratamentos de Dados
Os dados coletados serão tabulados e trabalhados no Microsoft Excel, através de tabelas e
gráficos pertinentes.


7 REFERÊNCIAS
ANATEL –Agencia Nacional de Telecomunicações. Dados da telefonia móvel no Brasil.
Disponível em:
<http://sistemas.anatel.gov.br/smp/consulta/acompanhamentosestacoes/trelaanual.asp>.Acess
o em : 22 Mar 2009.
Ambiente Brasil. Pilhas e Baterias. Disponível em:
<http://ambientes.ambientebrasil.com.br/residuos/artigos/algumas_informacoes_sobre_dispos
icao_de_pilhas_e_baterias.html>. Acesso em: 28 Mar 2009.




172 | P á g i n a

BARBOSA, Jorge F. ET al. Estudo sobre o impacto de baterias de telefone celular no
meio ambiente. Monografia, Escola Politécnica< departamento de Hidráulica e Saneamento,
1999.
CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente. Ministério do Meio Ambiente.
Resolução Conama 257. Disponível em:
<http://www.mma.gov.br/port/conama/legianol.cfm?codlegitipo=3&ano=1999>. Acesso em:
22 Mar 2009.
DIAS, Reinaldo. Turismo Sustentável e Meio Ambiente. São Paulo, Editora Atlas, 2003.
GUATTARI, Félix. As três ecologias. Campinas, Editora Papyrus,1989.
LACERDA, Leonardo. Logística Reversa. Revista Tecnológica, v. 74, p. 46-50, jan 2002.
LAMBERT, D M. ET al. Administração Estratégica da Logística. São Paulo: Vantine
Consultoria, 1998.
LAKATOS, Eva Maria, MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Cientifica. São
Paulo, Editora Atlas, 1999.
LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo:
Prentice Hall, 2003.
LEITE, Paulo Roberto. Logística reversa: panorama brasileiro: Revista Tecnológica. São
Paulo, v. 76, n.104, jul.2004.
REVISTA MINUSPORT, número 2, ano 1 – p. 12 a 15. Seção Novidades “Los móviles de
última generación”.
REVISTA TELECOM NEGÓCIOS, abril de 2002, ano 3, número 9 p. 36 a 44 – Reportagem
de Capa “A Hora da Decisão”, por Ediane Tiago.
REVISTA TELETIME, Ano 4, nº 30 – Março de 2001 – O novo tempo das
telecomunicações. Por Luciano Oliveira – p. 22 – 28 Seções “Ponto de Vista – 3G popular
vai demorar aqui”.
REVISTA TELETIME, Ano 5, nº 49 – Outubro de 2002 – O novo tempo das
telecomunicações. Por Luis Moura – p. 26 – 28 “Quando o Cliente Paga para Ver”.
VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Relatórios de pesquisa em administração. São
Paulo, Editora Atlas, 1998.
WALLAVER, J.P., ABC do meio ambiente, fauna brasileira. Brasília, Editora IBAMA,
2000.








173 | P á g i n a


A Estratégia da Ecoeficiêcia Aplicada à Atividade de Mineração

Wildma Micheline da Câmara Ribeiro (IFRN) wildmaribeiro@hotmail.com
Karine dos Anjos (IFRN) karine_anjoss@hotmail.com

RESUMO
Ecoeficiência implica em maior e melhor qualidade ambiental no processo produtivo a partir
do uso racional de recursos naturais, do controle dos aspectos e minimização dos impactos
ambientais. Para alcançar a eco-eficiência as organizações tem buscado soluções inovadoras
interna ou externamente de forma a agregar valor ambiental ao seu processo.
As empresas que possuem visão holística e são comprometidas com as questões ambientais já
trabalham nesse sentido e resultados significativos podem ser observados na gestão de
resíduos, tratamento de efluentes, emissões atmosféricas, uso de recursos naturais etc.
Este trabalho objetiva apresentar práticas ambientais utilizadas na atividade de mineração bem
como alguns os resultados alcançados pela aplicação dessa estratégia na gestão ambiental
organizacional.
PALAVRAS-CHAVE: Ecoeficiência, Gestão Ambiental, Mineração.

1 INTRODUÇÃO
Apesar de a questão relacionada à degradação do meio ambiente não se configurar como um
problema recente, é atual a preocupação e o envolvimento da comunidade internacional com o
tema. Andrade, Tachizawa e Carvalho (2006) observam que a internacionalização do
movimento ocorreu definitivamente no século XX e teve como marcos a publicação do
Relatório Limites do Crescimento, elaborado pelo Clube de Roma e a Conferência de
Estocolmo, em 1972 (I CNUMAD).
A partir da conferência de Estocolmo, o tema meio ambiente foi inserido de forma prioritária
e definitiva na agenda internacional, os problemas ambientais que, até então, eram tratados de
forma secundária mudaram de significado e importância, e estão cada vez mais presentes
influenciando nas decisões governamentais e empresariais.
Nesse sentido, a questão passou a não mais ser tratada, apenas como uma "agenda negativa” .
Ao longo dos anos, sobretudo a partir da década de 80, ocorreu o surgimento de novos
conceitos como o Desenvolvimento Sustentável, o Eco-desenvolvimento e a Produção Mais
Limpa. Logo, foram acentuados os vínculos positivos entre preservação ambiental,
crescimento econômico e atividade empresarial. Assim, a questão, crescentemente
incorporada aos mercados e às estruturas sociais e regulatórias da economia, passou a ser um
elemento cada vez mais considerado nas estratégias de crescimento das grandes empresas que,
seja por temerem ameaças ou visualizarem oportunidades, buscam atingir os melhores
resultados ambientais em suas operações de forma a alcançar a excelência do processo
produtivo aliada à excelência ambiental.



174 | P á g i n a


2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Ecoeficiência
O conceito de ecoeficiência foi inicialmente introduzido pelo World Business Council for
Sustainable Development (WBCSD), no seu relatório de preparação da Conferência das
Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, que se realizou no Rio de Janeiro em
1992 que a conceituou como a maneira de "proporcionar bens e serviços a um preço
competitivo, que satisfaça as necessidades humanas e a qualidade de vida ao mesmo tempo
que reduz progressivamente o impacto ambiental e a intensidade de utilização dos recursos
naturais ao longo do ciclo de vida até um nível compatível com a capacidade de carga
estimada do planeta"(WBCSD). A ecoeficiência nada mais é do que é um método de
abordagem que integra uma estratégia econômica, tecnológica e ambiental aos processos e
produtos, com a finalidade de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas e insumos
básicos, através da redução dos desperdícios, não-geração, minimização e reciclagem,
proporcionando benefícios econômicos e ambientais para a empresa e seus clientes
(Nascimento,2002).
O Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável, no documento denominado
“Mudando o Curso” definiu o que seriam empresas ecoeficientes como “Empresas que
alcancem de forma contínua maiores níveis de eficiência, evitando a contaminação mediante a
substituição de materiais, tecnologias e produtos mais limpos [...] através de uma boa gestão.

2.2 Atividade de Mineração
A atividade de mineração abrange os processos, cujo objetivo é a extração de substâncias
minerais economicamente viáveis a partir de depósitos ou massas minerais.
A mineração indispensável para a manutenção da qualidade de vida e avanço das sociedades
modernas, Apesar de não darmo-nos conta, sem tal atividade, a civilização atual, tal como a
conhecemos não existiria já que desde os cosméticos passando pelos equipamentos
eletrônicos e outros produtos que usamos têm sua origem nessa atividade.
A atividade é composta por um conjunto de etapas que envolve : Pesquisa, prospecção,
planejamento, estudo de viabilidade econômica, exploração e por fim a recuperação da
áreadegradada.
As minas podem ser subterrâneas ou a céu aberto e o método de lavra depende principalmente
da localização e forma do depósito mineral
O beneficiamento mineral ou tratamento de minérios, consiste de uma série de processos que
têm em vista a separação física dos minerais e a obtenção do produto final, com um teor
elevado de minerais úteis. Os métodos utilizados podem ser físicos ou químicos







175 | P á g i n a


3 ECOEFICIÊNCIA COMO ESTRATÉGIA ORGANIZACIONAL NA MINERAÇÃO
A atividade de mineração é modificadora do meio ambiente e detentora de significativos
impactos ambientais que se apresentam desde a fase de lavra até a estocagem do produto
final.
As mineradoras são obrigadas a cumprir normas ambientais bastante rígidas. Algumas
companhias se limitam ao cumprimento da legislação aplicável, outras já visualizam os
ganhos obtidos com a implantação de métodos ambientalmente corretos, para estas a
ecoeficiência tornou-se sinônimo de evolução industrial e uma das principais ferramentas para
melhor colocação no mercado e alcance de um nível de excelência operacional superior,
incrementando assim sua competitividade nos mercados nacional e internacional.
Com a abordagem ecoeficiente as empresas obtem vantagens tangíveis e intangíveis tais
como:
1- Financiamentos;
2- Preferência dos mercados nacionais e internacionais por produtos com o mínimo de
impacto ambiental;
3- Desenvolvimento de competências empresariais voltadas para a redução do consumo
de matéria prima e energia;
4- Estabelecimento de garantias de segurança ambiental, aumentando a confiança dos
investidores;
5- Melhoria nas relações com a comunidade do entorno;
6- Melhoria no ambiente empresarial;
7- Facilidade de adequação frente ao aumento das exigências da legislação ambiental;
8- Redução dos custos do “poluidor pagador”.

4 MEDIDAS OPERATIVAS DA ECOEFICIÊNCIA NA MINERAÇÃO
4.1 Boas práticas utilizadas na Vale
A Vale é a maior mineradora diversificada das Américas e a segunda empresa do mundo em
mineração de metais. Suas principais áreas de atuação são as de minério de ferro, manganês,
bauxita, ouro, caulim e cobre. Ela é líder mundial no mercado de minério de ferro e pelotas,
segunda maior produtora global de manganês e ferroligas, além de maior prestadora de
serviços de logística do Brasil. A empresa está presente em 13 estados brasileiros e em países
das Américas, Europa, África e Ásia.
Algumas práticas apontadas a seguir são utilizadas pela Vale na unidade de Carajás como
parte da abordagem ambiental de seu processo.






176 | P á g i n a

4.1.1 Efluentes
Os Programas de Gestão da Qualidade dos Efluentes Líquidos visam garantir a manutenção
dos padrões de qualidade dos corpos hídricos receptores das águas residuárias oriundas das
atividades industriais e contempla a implantação, operação e manutenção de estruturas de
controle e tratamento, bem como o monitoramento dos parâmetros de qualidade dos seus
efluentes líquidos, estabelecidos na resolução CONAMA 357/05.
São etapas da implementação do programa de gestão da qualidade das águas e efluentes
líquidos:
-Identificação das tarefas geradoras de efluentes líquidos e de demais fontes potenciais de
contaminação dos recursos hídricos;
-Elaboração de projetos e implementação de sistemas de tratamento de efluentes e de controle
das demais fontes de poluição hídrica;
-Definição de procedimentos de amostragem, análise laboratorial, tratamento e interpretação
dos dados;
-Acompanhamento do desempenho dos sistemas de controle e manutenção;
-Controle dos efluentes líquidos e programas de manutenção e/ou melhorias dos parâmetros
de qualidade das águas.
- Como ação ecoeficiente tem-se a utilização do efluente tratado para a lavagem de
equipamentos de pequeno porte.

4.1.2 Uso racional de Água
Um exemplo de prática ecoeficiente na mineração é o sistema de recuperação de água
implantado no processo produtivo da Vale na unidade de Carajás-PA que permite a avaliação
da densidade da polpa nos espessadores de rejeito, possibilitando a otimização na recuperação
de água, esta otimização gera uma economia de 143 m3/h de água nova para o
processo,proporcionando também uma redução de 8 % no consumo de energia elétrica
necessária para o bombeamento de água nova.
Foi instalada também uma torre de resfriamento, para recuperar a água utilizada na formação
de vácuo no processo de filtragem. A instalação desta torre eliminou a perda de 100 m3 de
água por hora proporcionando também uma redução do consumo de energia elétrica do
bombeamento da água da Barragem

4.1.3 Reutilização de Pneumáticos
Nas atividades inerentes à mineração são utilizados, pneumáticos de grande porte, as grandes
mineradoras reutilizam os pneus que seriam descartados, na contenção de taludes em
viadutos, formação de leiras fixas nas vias da mina, proteção lateral dos canais de drenagem
dentro da área de mina e construção de muros de arrimo em substituição a estruturas de
concreto, gerando com isso uma considerável economia no custo de obras civis, propiciando a
destinação ambientalmente correta para um resíduo de tão difícil reciclagem.
Além de destinar adequadamente os pneumáticos de grande algumas empresas de mineração
trabalham principalmente no sentido de diminuir o consumo dos mesmos, promovendo o



177 | P á g i n a

aumento da vida útil quando de sua utilização nas atividades de mineração diminuindo desta
forma, custos e geração deste tipo de resíduo sólido.
Visando o aumento do tempo de vida útil dos pneumáticos de grande porte utilizados em pás
carregadeiras, a Vale/Carajás adotou a utilização de um sistema de blindagem com correntes
metálicas.
Antes da utilização deste sistema o tempo máximo de vida útil de um pneumáticos deste tipo
era de 3.500 horas, isto implicava em custo elevado para a companhia devido as constantes
trocas e contribuía para o aumento da quantidade de pneumáticos usados no pátio de
estocagem, donde são destinados para reciclagem e/ou reutilização. Após ser adotado, este
sistema de blindagem dobrou a vida útil do pneu, ou seja, passou para 7.000 horas de uso
contínuo, reduzindo o custo em US$ 120.000,00 / ano.

4.1.4 Reutilização de Correias transportadoras
O resíduo proveniente de correias transportadoras retiradas de operação, é utilizado como
material de revestimento em peneiras , na confecção de trechos da calha de rejeito de minério
e calhas de pellet feed (minério super-fino) e na confecção da cerca do aterro sanitário como
alternativa para controle do fluxo de animais na área.
Em pontos estratégicos da usina de beneficiamento de minério de ferro são instalados
extratores de sucata como forma de prevenção de rasgos nas correias transportadoras
minimizando assim a geração deste tipo de resíduo.

4.1.5 Reutilização de Bordas de Tratores de Esteira
A Vale possui uma frota de equipamentos de terraplanagem, são tratores utilizados para
manutenção dos acessos da mina. Foi desenvolvida pela equipe de manutenção de
equipamentos de terraplanagem um método que substitui a base do trator D9R para de D11,
reutilizando as bordas de 854G e dos D11N/R (ver figura 1) , com esta reutilização, tem-se
além da economia de US$ 2.491,78 por troca, uma redução considerável na geração de sucata
metálica.
Para os tratores D11N a cada 1.000 horas trabalhadas eram descartadas 5 bordas cortantes e 4
cantos de lâmina e para os D9R a cada 600 horas trabalhadas eram descartadas 3 bordas
cortantes e 4 cantos de lâmina, num total de 12.557 kg/ano de sucata que seriam descartadas
e atualmente são reaproveitadas .
Para a troca de material de desgaste original do trator D9R, o custo é na ordem de US$
3.047,84, mas com a troca de material de desgaste adaptado o custo cai para US$ 556,06.











178 | P á g i n a








Figura 1 – Reutilização de bordas

4.1.6 Revestimento Especial em Capa de Dente de Caçamba de Escavadeiras
As capas de dente de caçamba de escavadeiras são revestidas com eletrodo de alta resistência
ao desgaste, reduzindo assim consideravelmente a geração de sucata metálica com isso houve
uma economia de US$ 7.688,30/ano, considerando que o equipamento trabalhe em áreas de
remoção de estéril. Se o equipamento trabalhar em área de remoção de minério, esse ganho
subirá para US$ 10.369,00/ano.

4.1.7 Utilização de Caçamba Leve em Caminhões Fora-de-Estrada
Consiste no emprego de materiais mais resistentes e de menor peso para aumentar o período entre
reformas das básculas (caçambas) dos caminhões fora de estrada, e ao mesmo tempo, chapas de menor
espessura para aumentar a massa de minério de ferro (ver figura 1), transportado por viagem, sem
prejuízo estrutural da báscula. Com este conceito, aumenta-se significativamente a massa de minério
transportando representando um aumento da carga útil de aproximadamente 5.150.000 ton/ano
em torno de 4,16% da produção anual de minério de ferro,
Com este trabalho tem-se uma redução considerável da geração de sucata metálica, pois a projeção de
reforma das básculas aumentou de um ano a oito meses para dois anos e seis meses e as chapas são
muito menores em sua espessura.
Além da redução na geração de resíduos, o trabalho possibilitou a substituição do uso de um gás
inflamável (Oxi-Acetileno) para corte da chapa pelo uso de energia elétrica e gás comprimido.



179 | P á g i n a



AR360 1/2”
A 36 1/2”
CDP 4666
AR360 7/8”
Revestimento normal Revestimento leve

AR360 1/2”
A 36 1/2”
CDP 4666
AR360 7/8”

AR360 1/2”
A 36 1/2”
CDP 4666
AR360 7/8”

AR360 1/2”
A 36 1/2”
CDP 4666
AR360 7/8”
Revestimento normal Revestimento leve

Figura 2 – Revestimento das básculas dos caminhões fora de estrada

4.1.1.8 Uso racional de energia elétrica
A usina de beneficiamento de minério de Ferro opera por batelada, ou seja, toda a operação é
automatizada, e utiliza o maior número de linhas possível, maximizando a utilização dos
transportadores de correia, parando os equipamentos quando o nível de silo anterior a estes
estiver baixo ou o posterior estiver alto. Desta forma, durante o período em que o silo anterior
estiver baixo ou o posterior alto, a instalação e os transportadores desta ficam parados,
retornando a operação sempre com o máximo de equipamentos. Esta automatização permitiu
redução de 7,1% no consumo específico de energia elétrica e um aumento de produtividade de
8,7% das instalações.

5 CONCLUSÃO
A gestão ecoeficiente inserida no Sistema de Gestão Ambiental constitui garantia adicional
para os clientes, acionistas, investidores, órgãos e demais partes envolvidas no negócio.
Cada vez mais as empresas aguçam a percepção de que a variável ambiental pode afetar os
negócios a curto, médio e longo prazo e assim, buscam agregar valor aos seus negócios
inserindo tal variável em seus empreendimentos desde a fase de projeto até o
descomissionamento.
As empresas de mineração, possuidoras de significativo potencial de degradação ambiental e
que há muito tempo eram vistas pela sociedade como vilãs nas questões relacionadas ao meio
ambiente tem, de forma progressiva, adotado mudado a postura e adotado medidas
ambientalmente corretas permitindo dessa forma a observação de que existe a real
possibilidade de um desenvolvimento sustentável.



180 | P á g i n a

Assim, os exemplos apresentados constituem demonstração de que é possível aliar o
crescimento econômico à proteção ambiental de forma favorável ao desempenho financeiro e
mercadológico.

6 REFERÊNCIAS
SOUZA, Renato. S. Evolução e condicionantes da Gestão Ambiental nas Empresas. Santa Maria,
2002. 23 p.
DIAS, Reinaldo.Gestão Ambiental : Responsabilidade Social e Sustentabilidade. 6 ed. São Paulo:
Atlas, 2008. 130 p.
ANDRADE, Rui Otávio Bernardes de; TACHIZAWA, Takeshy; CARVALHO, Ana Barreiros
de.Gestão Ambiental; Gestão estratégica aplicada ao desenvolvimento sustentável. São Paulo : ed.
Pearson Education do Brasil, 2006 240 p.
Golder Associates. Estudos Ambientais do complexo minerador de Carajás, v. 3, pp. 13-15.
BROWN, David; GREEN Josephine; HALL Freeman; ROCCHI Simona; RUTTER Paul; DEARING
Andrew. “Building a Better Future: Innovation, Technology and Sustainable Development”.
Genebra; WBCSD, 2000.49 p.
<http://wapedia.mobi/pt/Minera%C3%A7%C3%A3o> Acesso em 7 nov. 2009
<http://www.vale.com> Acesso em 2 nov. 2009
<http://www.dnpm.gov.br/> Acesso em 2 nov. 2009




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Indústria do Petróleo no Brasil: Minimização dos Impactos
Ambientais

André Luís Firmino de Brito Barros (IFRN) andreluis@cefetrn.br

RESUMO
O petróleo é a principal fonte de energia utilizada pela sociedade moderna. Desde sua
descoberta em território nacional, o petróleo transformou profundamente a economia e a
sociedade brasileira, gerando além de crescimento econômico, muitos problemas ambientais.
A exploração deste recurso no Brasil gera impactos ao meio ambiente, prejudicando a fauna e
a flora, e exige um processo de licenciamento ambiental que determina medidas para
minimizar esses impactos. O objetivo deste artigo é expor quais medidas estão sendo tomadas
pelas empresas para diminuir os impactos causados ao meio ambiente do nosso país,
discutindo a legislação ambiental brasileira e o licenciamento ambiental. A pesquisa revela
que as empresas estão trabalhando para amenizar os impactos ambientais na indústria
petrolífera brasileira, seja através de programas e projetos, da elaboração de novas
tecnologias, da revisão dos sistemas de automação, da formação e capacitação de pessoal, da
execução de treinamentos sobre educação ambiental aos trabalhadores, etc.; permitindo assim,
o crescimento socioeconômico e a qualidade ambiental conjugados ao desenvolvimento
sustentável.
PALAVRAS-CHAVE: impacto ambiental. petróleo. legislação ambiental.

1 INTRODUÇÃO
As atividades de prospecção de petróleo são potencialmente causadoras de impacto ambiental
negativo, tanto nos aspectos naturais como socioeconômicos. Dessa forma, se faz necessária à
adoção de medidas para evitar ou minimizar o impacto ambiental negativo dessa atividade.
Sendo o recurso mais importante para geração de energia atualmente, a busca pelo petróleo é
muito intensa. Onde há petróleo, há interesse das nações em investir em pesquisa e
exploração, mesmo que isso signifique gerar impactos ambientais. O modo de produção e de
consumo de recursos naturais, fundado na lógica de consumo ilimitado, gera uma acelerada
degradação do ambiente, com o esgotamento dos recursos ambientais e impactos como a
rápida liberação do carbono fóssil para a atmosfera, elevando a temperatura do planeta.
Até há pouco tempo restritas à Petrobras, as atividades de exploração e produção ganharam
amplitude com a abertura do mercado para companhias privadas, através da Emenda
Constitucional Nº. 9/95 e da Lei 9.478/97 – Lei do Petróleo. Como consequência, aumentou a
preocupação com os impactos ambientais que as atividades da indústria do petróleo causam.
Nunca o conceito de desenvolvimento sustentável tinha sido tão discutido no setor petrolífero
brasileiro.
Mudanças são necessárias para viabilizar o efetivo controle ambiental das atividades
petrolíferas no Brasil, de modo que estas possam ser realizadas em harmonia com o meio



182 | P á g i n a

ambiente, levando sempre em consideração o já consagrado princípio do desenvolvimento
sustentável.
Com o intuito de buscar maneiras para diminuir os impactos causados ao meio ambiente do
nosso país, utilizando-se de uma metodologia de pesquisa bibliográfica: livros, revistas,
artigos, teses, dissertações e monografias sobre o assunto, o presente artigo faz um breve
histórico das atividades petrolíferas no Brasil e comenta sobre os impactos ambientais dessas
atividades, discutindo sobre o licenciamento ambiental, a legislação ambiental e a necessidade
de sua efetiva implementação. Além também, de mostrar a elaboração de programas e
projetos de proteção ambiental, desenvolvidos com o apoio da indústria petrolífera brasileira.

2 A INDÚSTRIA PETROLÍFERA BRASILEIRA: breve histórico
As primeiras referências sobre procura de petróleo no Brasil foram as concessões outorgadas
por D. Pedro II, em 1858, para a exploração de carvão, turfa e folhelho betuminoso às
margens dos rios Mauá e Acarai, área hoje conhecida como Bacia de Camamu, no sul da
Bahia. Nessa região, já eram conhecidas algumas exsudações de óleo e a ocorrência de
folhelho betuminoso. Os primeiros concessionários foram José de Barros Pimentel e
Frederico Hamiltom Southworth.
Em 1864, Thomas Dennys Sargent requereu e recebeu concessão do Imperador para pesquisa
e lavra de turfa e “petróleo” na mesma região de Ilhéus e Camamu. As primeiras concessões e
os primeiros poços - sempre rasos - eram mais escavações, que tinham por objetivo procurar
material para iluminação. A primeira sondagem profunda de que se tem notícia foi realizada
no final do século IXX, entre 1892 e 1987, na localidade de Bofete, no Estado de São Paulo,
pelo fazendeiro de Campinas Eugênio Ferreira de Camargo. Este, considerado o primeiro
poço perfurado para a exploração de petróleo no Brasil, atingiu quase 500 metros de
profundidade e deixou uma grande dúvida: relatos da época dizem que o poço teria
recuperado dois barris de petróleo, fato que nunca foi confirmado.













Figura 1: Primeira sondagem profunda
Fonte: Site http://blog.planalto.gov.br/o-petroleo-no-brasil/





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Em 1930, depois de vários poços perfurados sem sucesso em alguns estados brasileiros, o
engenheiro agrônomo Manoel Inácio Barros tomou conhecimento de que os moradores de
Lobato, na Bahia, usavam uma “lama preta” oleosa para iluminar suas residências.
A partir dessa informação, realizou várias pesquisas e coletas de amostra da lama oleosa,
contudo não obteve êxito em chamar a atenção de pessoas influentes, sendo considerado
“maníaco”. Manoel Inácio Barros não desistiu e, no ano de 1932, foi recebido pelo presidente
Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro.
Durante essa década de 30, a questão da nacionalização dos recursos do subsolo entrou na
pauta das discussões indicando uma tendência que viria a ser adotada. Em 1938, toda
atividade petrolífera passou, por lei, a ser obrigatoriamente realizada por brasileiros.
Ainda nesse ano, em 29 de abril de 1938, foi criado o Conselho Nacional do Petróleo (CNP),
para avaliar os pedidos de pesquisa e lavra de jazidas de petróleo. O decreto que instituiu o
CNP também declarou de utilidade o abastecimento nacional de petróleo e regulou as
atividades de importação, exportação, transporte, distribuição e comércio de petróleo e
derivados e o funcionamento da indústria do refino. Mesmo ainda não localizadas, as jazidas
passaram a ser consideradas como patrimônio da União. A criação do CNP marca o início de
uma nova fase da história do petróleo no Brasil.















Figura 2: Criação do Conselho Nacional do Petróleo (CNP)
Fonte: Site http://blog.planalto.gov.br/o-petroleo-no-brasil/

Em 1941, um dos poços perfurados em Lobato deu origem ao campo de Candeias, o primeiro
a produzir petróleo no Brasil. As descobertas prosseguiram na Bahia, enquanto o CNP
estendia seus trabalhos a outros estados. A indústria nacional do petróleo dava seus primeiros
passos. Após as descobertas na Bahia, as perfurações prosseguiram em pequena escala, até
que, em 3 de outubro de 1953, depois de uma campanha popular, o presidente Getúlio Vargas
assinou a lei Nº. 2004, que instituiu o monopólio estatal da pesquisa e lavra, refino e
transporte do petróleo e seus derivados e criou a Petróleo Brasileiro S.A. - Petrobras, empresa



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estatal de petróleo para execução do monopólio, incluindo a execução de quaisquer
atividades correlatas ou afins àquelas monopolizadas.









Figura 3: Assinatura da Lei que cria a Petrobras
Fonte: Site http://blog.planalto.gov.br/o-petroleo-no-brasil/

No ano de 1963, o monopólio foi ampliado, abrangendo também as atividades de importação
e exportação de petróleo e seus derivados. Um marco na história da Petrobras foi a decisão de
explorar petróleo no mar.
Em 1968, a companhia iniciou as atividades de prospecção off-shore. No ano seguinte, era
descoberto o campo de Guaricema, no estado de Sergipe. Entretanto, foi em Campos, no
litoral fluminense, que a Petrobras encontrou a bacia que se tornou a maior produtora de
petróleo do país. O campo inicial foi o de Garoupa, em 1974, seguido pelos campos gigantes
de Marlim, Albacora, Barracuda e Roncador. A partir de 2002, a Petrobras ampliou sua área
de prospecção, buscando novas frentes exploratórias nas bacias de Santos e Espírito Santo e
bacias ainda pouco exploradas em suas águas profundas, como as da costa sul da Bahia,
Sergipe, Alagoas e da margem equatorial brasileira.
O ano de 2003 é considerado um marco na história da Petrobras. Além do expressivo volume
de petróleo descoberto, foram identificadas novas províncias de óleo de excelente qualidade,
gás natural e condensado, permitindo que as reservas e a produção da Companhia
começassem a mudar de um perfil de maior valor no mercado mundial de petróleo. A
produção doméstica de petróleo atingiu a marca de 1,54 milhão de barris por dia,
representando cerca de 91% da demanda de derivados do país.
O ano de 2006 marca a auto-suficiência do Brasil na produção de petróleo. Após a abertura do
mercado, a competição encontra-se cada vez mais acirrada, com a introdução de um elevado
contingente de novas empresas, somando hoje um total de duzentas e cinqüenta e três
distribuidoras autorizadas a operar, das quais cerca de setenta já em plena atividade.
Em 2 de setembro de 2008, o navio-plataforma P-34 extraiu o primeiro óleo da camada Pré-
Sal, no Campo de Jubarte, na Bacia de Campos (RJ). Em 1o. de maio de 2009, deu-se início à
produção de petróleo na descoberta de Tupi, por meio do Teste de Longa Duração (TLD).






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Figura 4: Extração do primeiro óleo da camada Pré-Sal
Fonte: Site http://blog.planalto.gov.br/o-petroleo-no-brasil/

Ressalte-se que, no contexto atual, revela-se insustentável qualquer tentativa de obnublar o
caráter marcadamente econômico perseguido por grandes corporações quanto no âmbito das
distribuidoras, como dos postos revendedores de combustíveis, e até mesmo as implicações
cotidianas que essas atividades impõem ao meio no qual estão inseridas, reclamam a análise
da proteção ambiental pretendida no seu processo de desenvolvimento, à luz dos princípios
fundamentais consagrados na Constituição Federal, com o fim de ser assegurado,
concretamente, o direito do ambiente ecologicamente equilibrado.
3 IMPACTO AMBIENTAL
A expressão “impacto ambiental” teve uma definição mais precisa, nos anos 70 e 80, quando
diversos países perceberam a necessidade de estabelecer diretrizes e critérios para avaliar
efeitos adversos das intervenções humanas na natureza.
A definição jurídica de impacto ambiental no Brasil vem expressa no art. 1º da Resolução
001, de 23.1.86 do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, nos seguintes termos:
“considera-se impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e
biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das
atividades humanas, que direta ou indiretamente, afetam-se: a saúde, a segurança e o bem-
estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e
sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos recursos naturais”.
Romeiro (2004) apresenta o conceito de externalidades negativas, as quais estão diretamente
ligadas aos impactos ambientais negativos, como sendo os impactos negativos das atividades
de um agente econômico sobre o nível de bem-estar de outro, por meio da degradação de um
recurso ambiental de uso coletivo, sem que, na ausência de direitos de propriedade definidos
sobre esse recurso, o agente prejudicado possa ser compensado ou indenizado por isso.
Segundo Santos (1995), os impactos ambientais apresentam características específicas que
definem os impactos em positivo ou negativo; direto ou indireto; local ou regional; e
imediato, a médio e longo prazo, temporário, permanente e cíclicos.
De acordo com Tinoco e Kraemer (2004), os impactos ambientais estão associados ao
desenvolvimento econômico de uma região, pois a maioria deles é devido ao rápido



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desenvolvimento econômico, sem o controle e a manutenção dos recursos naturais. A
conseqüência pode ser poluição, uso incontrolado de recursos como água e energia etc.
Os principais impactos ambientais identificados no processo de produção de petróleo e seus
derivados são apresentados no Quadro 1.

Fase

Impactos


Sondagem
Terrestre e
Marítima

Contaminação do solo pela disposição inadequada de resíduos nocivos provenientes do processo
de levantamento sísmico, similar com a fase de sondagem marítima, onde os impactos ambientais
negativos são os danos causados ao ecossistema marinho.

Perfuração
e
Cimentação
Marítima

Contaminação da água do mar pelos resíduos resultantes destas fases.

Extração
Marítima

Contaminação da água do mar pelo processo de extração do petróleo e pelos resíduos
resultantes desta fase, além da poluição do ar pela queima de gases pela plataforma de extração
do petróleo.

Transporte

Contaminação da água do mar, via dutos ou navios-tanques, e pela poluição do ar pela queima de
combustíveis pelos navios-tanques no processo de transporte do petróleo.

Refino

Poluição do ar; desperdício de recursos naturais; e descarte de resíduos.
Distribuição
e Descarte


Contaminação do solo por vazamento, em função do risco do transporte de petróleo por
caminhões e por vazamento do tanque-reservatório do próprio distribuidor; Poluição do ar,
devido à emissão de gases pelo consumo de gás carbônico, desta vez por todos os consumidores
na sociedade motorizados; Geração de lixo pelo descarte de embalagens que não recebem
destinação adequada.

Quadro 1: Impactos ambientais identificados nas fases de exploração de petróleo
Fonte: Barcellos (1986) e Santos (1985)

O Impacto ambiental é a alteração no meio ou em algum de seus componentes por
determinada ação ou atividade. Estas alterações precisam ser quantificadas, pois apresentam
variações relativas, podendo ser positivas ou negativas, grandes ou pequenas.
O que caracteriza o impacto ambiental, não é qualquer alteração nas propriedades do
ambiente, mas as alterações que provoquem o desequilíbrio das relações constitutivas do



187 | P á g i n a

ambiente, tais como as alterações que excedam a capacidade de absorção do ambiente
considerado.
Porém o impacto ambiental é entendido como qualquer alteração produzida pelos homens e
suas atividades, nas relações constitutivas do ambiente, que excedam a capacidade de
absorção desse ambiente. Em suma, os impactos ambientais afetam a estabilidade preexistente
dos ciclos ecológicos, fragilizando-a ou fortalecendo-a.
Antes de se colocar em prática um projeto, seja ele público ou privado, precisamos antes saber
mais a respeito do local onde tal projeto será implementado, conhecer melhor o que cada área
possui de ambiente natural (atmosfera, hidrosfera, litosfera e biosfera) e ambiente social
(infraestrutura material constituída pelo homem e sistemas sociais criados).
A maioria dos impactos é devido ao rápido desenvolvimento econômico, sem o controle e
manutenção dos recursos naturais. Na indústria do petróleo, a conseqüência pode ser:
transformação visual, supressão de vegetação, aumento de ruído e emissões atmosféricas,
poeira, geração de resíduos sólidos e efluentes, uso incontrolado de recursos como água e
energia etc. Outras vezes as áreas são impactadas por causa do subdesenvolvimento que traz
como conseqüência a ocupação urbana indevida em áreas protegidas e falta de saneamento
básico.
Cabe aos governos estaduais e municipais promover uma ampla fiscalização sobre as práticas
da indústria petrolífera, de forma a fazer valer o aparato normativo já existente. Nesse sentido,
no Brasil, já existem algumas leis que visam orientar as atuações da indústria e também impor
sanções àqueles que as descumpram.

3.1 Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA)
O CONAMA é presidido pelo Ministro do Meio Ambiente (MMA) e integrado pelo
presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(IBAMA), representantes de ministérios e de entidades da administração federal envolvidas
com a questão ambiental, bem como de órgãos ambientais estaduais, de entidades de classe e
organizações não-governamentais.
As competências de caráter deliberativo são correspondentes ao estabelecimento de critérios
segundo os quais serão exigidos estudos de impacto ambiental e normas para o licenciamento
ambiental, padrões de qualidade ambiental, unidades de conservação, áreas críticas de
poluição e sobre o controle de poluição veicular, todos de alcance nacional.
Também compete ao CONAMA a determinação de realização de estudos ambientais sobre as
conseqüências de projetos públicos ou privados, podendo apreciar estudos de impacto
ambiental, em casos especiais.
No campo do controle ambiental, cabe ao CONAMA o exame das penalidades aplicadas pelo
IBAMA, em grau de recurso, a homologação de acordos sobre as medidas de interesse para a
proteção ambiental e a perda, pelos infratores da legislação ambiental, de benefícios fiscais e
incentivos de crédito.
O CONAMA teve sua implantação efetiva a partir de 1984, com a formulação de resoluções
que regulamentaram e operacionalizaram os instrumentos previstos na Política Nacional de
Meio Ambiente. Uma das principais deliberações do CONAMA foi a aprovação da Resolução
no 001/86, que regulamentou os procedimentos para a execução dos Estudos de Impacto
Ambiental – EIA e respectivo Relatório de Impacto ao Meio Ambiente – RIMA,



188 | P á g i n a

condicionantes para o licenciamento ambiental de atividades potencialmente causadoras de
significativa degradação do meio ambiente.
A partir de 1988, o Estudo de Impacto Ambiental ganhou patamar constitucional, sendo
consagrado pelo artigo 225 §, 1o inciso IV, que determinou como garantia da efetividade do
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, a incumbência ao Poder Público de
“exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade causadora de significativa
degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará
publicidade.”
Mais recentemente, a Resolução CONAMA n° 237/97, que também disciplina o
licenciamento ambiental, trouxe importantes contribuições ao processo de licenciamento, nos
seus aspectos de conteúdo e competências.

4 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
Os principais órgãos ambientais do Ministério do Meio Ambiente responsáveis pela proteção
do meio ambiente são: CONAMA e o IBAMA. Ambos fazem parte do Sistema Nacional do
Meio Ambiente (SISNAMA) e são responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade
ambiental, conforme a Lei 6.938/81. Dentro da estrutura do SISNAMA, o CONAMA é um
órgão consultivo e deliberativo e o IBAMA é um órgão executor.
No que diz respeito à atividade de exploração e produção de petróleo no Brasil, vale observar
o parágrafo 1º, inciso IV, que exige a realização de estudos ambientais prévios e o parágrafo
4º, que trata da preservação ambiental da Zona Costeira, classificando-a como patrimônio
nacional. Ainda quanto ao texto constitucional de proteção ambiental, merece destaque o
parágrafo 3º do artigo 225 que deixa clara a responsabilidade penal e administrativa por danos
ao meio ambiente, somando-se a essas duas a responsabilização ambiental na esfera civil, de
forma a perfazer as três esferas de responsabilidade por dano ambiental. Merece destaque,
ainda, a legislação concernente aos Crimes Ambientais, representada pela Lei 9.605/98,
conhecida como a Lei de Crimes Ambientais, e seu decreto regulamentador, Decreto
3.179/99. Atenção especial deve ser dada às disposições gerais da Lei de Crimes Ambientais,
especialmente aos artigos 2º e 3º, que tratam dos agentes sujeitos às penalidades dessa lei e da
responsabilização da pessoa jurídica, merecendo destaque o artigo 6017, que comina pena de
detenção ou multa àqueles que exercerem atividade econômica sem a devida licença
ambiental.
A Lei 9.996/2000, que estabelece os princípios básicos a serem obedecidos na movimentação
de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em portos organizados, instalações
portuárias, plataformas e navios em águas sob jurisdição nacional, não pode ser esquecida
pelos empreendedores que exercem atividades de exploração e produção de petróleo. Merece
destaque, ainda, a resolução CONAMA 265/2000, que levou a ações de controle e prevenção
e à análise do processo de licenciamento ambiental das instalações industriais de petróleo e
derivados localizadas no território nacional, propiciando a elaboração do Plano de
Contingência no caso de derramamentos de óleo; e a Resolução 293/2001, que dispõe sobre o
conteúdo mínimo do Plano de Emergência Individual para incidentes de poluição por óleo
originados em portos organizados, instalações portuárias ou terminais, dutos e plataformas,
bem como suas respectivas instalações de apoio.
Vale mencionar, por fim, importantes convenções internacionais que foram ratificadas pelo
Brasil e que interessam à proteção ambiental nas atividades de exploração e produção de



189 | P á g i n a

petróleo, a saber: Convenção Internacional sobre Responsabilidade Civil em Danos Causados
por Óleo no mar (Decreto nº. 79.347/77, regulamentada pelo Decreto nº. 83.540/79);
Convenção Internacional para Prevenção da Poluição Causada por Navios - MARPOL
(Decreto nº. 2.508/98); Convenção sobre Prevenção da Poluição Marinha por Alijamento de
Resíduos e outras matérias (London Convention LC-72) (Decreto nº. 87.566/82) e Convenção
para Prevenção, resposta e Cooperação em Caso de Poluição por Óleo (OPRC-90) (Decreto
nº. 2.870/98).

5 PROGRAMAS E PROJETOS REALIZADOS PELAS EMPRESAS
No Brasil, os dois últimos graves acidentes em oleodutos da Petrobras aconteceram no ano de
2000 e causaram grandes vazamentos na Baía da Guanabara e na Paraná.








Fotografia 1: Vazamento de óleo ocorrido na Baía da Guanabara
Fonte: Site http://www.sidneyrezende.com/
Naquele mesmo ano, a Petrobras criou o Programa de Excelência em Gestão Ambiental e
Segurança Ocupacional (PEGASO) e várias universidades brasileiras desenvolvem pesquisas
para criar formas eficientes para a limpeza de áreas degradadas.
O programa engloba cerca de três mil projetos em todas as unidades da empresa. As
atividades acontecem desde a revisão de sistemas, construção e ampliação de instalações, até
a automação de todos os dutos da companhia. Também foram criados nove Centros de Defesa
Ambiental (CDA) nas principais áreas de atuação, em vários estados do país, para o
aprimoramento dos sistemas de redução de resíduos e emissão de poluentes na atmosfera.
Para evitar a repetição dos últimos acidentes ambientais nos oleodutos, esse programa inclui a
revisão, substituição de peças e automação. O trabalho de monitoramentos dos oleodutos
envolve também a avaliação das condições geotécnicas das faixas de terra por onde passam os
dutos, que podem ser afetados por condições climáticas como chuva, erosão e marés.
Para minimizar os efeitos dos acidentes e vazamentos criou-se também no Brasil a
RECUPETRO (Rede Cooperativa em Recuperação de Áreas Contaminadas por Atividades
Petrolíferas). Com a coordenação do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade Federal
da Bahia (UFBA), a RECUPETRO reúne 13 Redes Cooperativas de Pesquisa do Setor de
Petróleo e Gás Natural nas Regiões Norte e Nordeste financiadas pelo CT-Petro, CNPq e a
Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).
Ao todo, são 226 pesquisadores e cerca de 2,2 mil participantes indiretos, a maioria atuando
em universidades federais. A RECUPETRO começou a se formar após o edital da FINEP, em



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julho de 2001, convocando grupos para a formação da rede. Os trabalhos de pesquisa
começaram em setembro.
O objetivo é contribuir com avanços tecnológicos para auxiliar nos impactos ambientais
causados pela atividade da indústria petrolífera. Além disso, a rede se propõe a realizar a
formação e capacitação de recursos humanos especializados para gerenciar os problemas do
meio ambiente causados pelas atividades de exploração, produção, refino e transporte de
petróleo e seus derivados nas regiões do país onde acontecem estas atividades.
A rede formada nas regiões Norte e Nordeste é oportuna, porque essas são regiões grandes
produtoras de petróleo e onde ocorrem desastres ecológicos com certa freqüência. O
coordenador da rede é o professor Antônio Fernando Queiroz da UFBA. "Na Bahia, há vários
derramamentos de óleo nas regiões de produção de petróleo, como em São Francisco do
Conde", afirma Queiroz. Ele diz que cada um dos grupos desenvolve trabalhos específicos,
como por exemplo, pesquisas com microorganismos para a limpeza de óleo despejado na
natureza.
Alguns projetos estão inseridos na RECUPETRO, como por exemplo: o projeto de Protocolos
de Avaliação e Recuperação de Ambientes Impactados por Atividades Petrolíferas
(PROAMB), que tem como objetivo a definição de valores de background, com fins de
estabelecimento de níveis de contaminação em águas, sedimentos/solos e biota, assim como a
elaboração e publicação de protocolos de relacionamento social e de recuperação, associados
a áreas impactadas por atividades petrolíferas; o de Biorremediação de Ambiente Poluído por
Petróleo ou seus Derivados (BAPPD), que surgiu da necessidade de desenvolver tecnologia
para o tratamento de resíduos oleosos recalcitrantes gerados na indústria do Petróleo; o de
Identificação e Imobilização de Microrganismos para Recuperação de Ambientes
Contaminados com Petróleo e Derivados (BIOPETRO), que tem como objetivo geral a
estruturação de uma equipe multidisciplinar de pesquisadores, visando o desenvolvimento de
produtos e processos relacionados com o uso de microrganismos livres e imobilizados para a
recuperação de áreas afetadas por derramamentos de petróleo ou seus derivados; e por fim, o
de Resíduos Líquidos do Nordeste (RELINE), que tem por objetivo geral o de é aprofundar o
estudo de alternativas de tratamento, remediação, descontaminação ou minimização de
efluentes líquidos ou derramamentos, com base em processos físico-químicos e naturais ou
biológicos, com uso de bactérias, fungos e outros microrganismos.
Há alguns projetos de responsabilidade social e ambiental imposta pela Petrobras. Entre esses
projetos, está o da água bem tratada na Refinaria de Paulínia (REPLAN), que começou em
1999, reduzindo o consumo de água e a geração de efluentes. O trabalho continua em
andamento, mas já tem resultados expressivos. Nos últimos seis anos, o volume de efluentes
caiu de 785 m³ por hora para 550 m³/h – cerca de 30%. A redução é ainda mais significativa
se for considerado que no período o volume de petróleo processado pela refinaria aumentou
quase 20%, indo de 296 mil barris por dia para 351 mil b/d. Segundo o coordenador de meio
ambiente da REPLAN, Luís Tadeu Furlan, o objetivo é ainda mais ambicioso: perseguir o
“descarte zero”.
A Petrobras está utilizando também um método pioneiro que elimina a necessidade de
construção de diques de resíduos próximos aos poços de petróleo em terra. O processo
diminui expressivamente o impacto ambiental e, ao mesmo tempo, reduz o custo da
perfuração, pois permite a recuperação do cascalho e de quase 50% do fluido de perfuração
descartados durante a atividade.



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A experiência começou com a perfuração do poço 7-RI-43D-BA pela sonda SC-94, em
Buracica, no Recôncavo Baiano, em 2003. Os resultados foram tão bons que, atualmente, as
três sondas terrestres que atuam na Unidade de Negócios da Bahia (UN-BA) usam o sistema,
que está sendo implantado por outras unidades da companhia.
O Programa Petrobras Ambiental confirma o compromisso da Companhia em contribuir para
a implementação do desenvolvimento sustentável, estratégia que se evidencia no enfoque
integrado dos processos produtivos e do meio ambiente. Por meio de sua política de
patrocínio ambiental, a Petrobras investe em iniciativas que visam à proteção ambiental e à
difusão da consciência ecológica.
O Programa se caracteriza por atuar em temas ambientais relevantes para a Petrobras e para o
país, articulando iniciativas que contribuem para criar soluções e oferecer alternativas com
potencial transformador e em sinergia com políticas públicas. O novo tema do Programa é
“Água e Clima: contribuições para o desenvolvimento sustentável”. De 2003 a 2007, o
Programa Petrobras Ambiental investiu mais de R$ 150 milhões em projetos de pequeno,
médio e grande portes desenvolvidos em parceria com organizações da sociedade civil de
todo o País, abrangendo dezenas de bacias, ecossistemas e paisagens na Amazônia, Caatinga,
Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Mais de 5 mil espécies nativas foram estudadas em uma
área de influência direta de 9 mil hectares, atendendo a 23 milhões de pessoas direta e
indiretamente em 129 municípios de 17 estados brasileiros.

5.1 Medidas Mitigadoras
Devido ao crescimento da indústria do petróleo dos últimos anos e como consequência da
expansão, o segmento sentiu a necessidade de apresentar medidas de segurança básicas e
específicas e de adotar procedimentos de atendimento a emergências ambientais e como
consequência a gestão dos residuos originados por estes ocorridos.
Mas para que isso se torne eficaz e prático, é necessário que se faça uma identificação dos
principais impactos ambientais gerados no desenvolvimento das atividades, visto que o setor
tanto do dowstream e do upstream possuem atividades potencialmente perigosas que
impactam negativamente no meio ambiente.
Com o intuito de melhor avaliar o cenário da ocorrência, adotar e orientar as ações corretivas
necessárias para reduzir os riscos, bem como minimizar os impactos ao meio ambiente e
incômodos à população é uma condição fundamental um estudo completo de cada setor que
participa desta cadeia longa e complexa que se estende desde o processo de sismica até ao
produto final no posto de combustíveis.
De acordo com a Norma ISO14001, a organização deve analisar e revisar, onde necessário,
seus procedimentos de preparação e atendimento a emergências, em particular após
ocorrência ou situações de emergência.
Nesta perspectiva, o setor da industria do petróleo, pela variedade de serviços
prestados geram impactos ambientais significantes no que se refere a qualidade da água, do
solo e do ar nas áreas próximas e que podem ocasionar grandes acidentes ambientais.
As empresas precisam fazer um levantamento de seus aspectos críticos para que possam
identificar suas atividades. Feito uma avaliação dos aspectos e impactos críticos que podem
levar a situações de emergências ambientais, as empresas necessitam elaborar procedimentos



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para atender acidentes e situações de emergências e planos de gerenciamento de residuos,
bem como para prevenir e mitigar os impactos ambientais decorrentes de suas atividades.
Os vários componentes de um programa de preparação a emergências requerem que sejam
vistos diariamente na rotina da empresa e que seja feito uma análise identificando as
fraquezas do programa, para que se façam as devidas correções.O número de acidentes no
setor vem aumentando nos últimos anos. Embora, com uma legislação ambiental rigorosa,
espera-se, a médio prazo, a redução do número de ocorrências.
É importante que se inclua situações que não são encontrados normalmente nos programas de
emergências. Como prever os planos de provisão de emergências e os procedimentos tomados
até a sua ocorrência; outro, é a necessidade de generalizar uma condição específica que ocorre
sobre uma condição de treinamento a uma condição potencial muito diferente da situação de
emergência real, e por fim, é a necessidade para desenvolver mecanismos efetivos da equipe,
sobre as condições que limitam as retenções e generalizações.
As considerações apresentadas dão uma amostra de que os esforços pela preservação do meio
ambiente podem ser incorporados no planejamento de um programa de atendimento
emergencial na industria do petróleo. E conhecendo e controlando os aspectos e seus
potenciais impactos, investindo em conscientização, educação e treinamento ambiental, pode-
se pensar em uma mudança coletiva de conduta.
Visto que este setor pode acarretar grandes prejuízos ao meio ambiente e à saúde humana,
faz-se necessário a implantação de um modelo eficaz de medidas de atendimento a
emergências ambientais e gerenciamento de seus resíduos.

6 LICENCIAMENTO AMBIENTAL
O licenciamento das atividades marítimas de petróleo é de responsabilidade do IBAMA e
executado pela Coordenação Geral de Licenciamento de Petróleo e Gás (CGPEG), instalada
nas dependências da Superintendência do IBAMA no Rio de Janeiro.
Os procedimentos para o licenciamento ambiental de atividades de Exploração e Produção
Marítima de Petróleo estão regulamentados pelas Resoluções CONAMA n° 237/97, nº 23/94
e nº 350/04.
A CGPEG está constituída por duas coordenações, sendo uma de Exploração, responsável
pelo licenciamento das atividades de sísmica e perfuração, e outra de Produção.
O licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer
empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente e
possui como uma de suas mais expressivas características, a participação social na tomada de
decisão, por meio da realização de Audiências Públicas como parte do processo de análise da
licença de operação - LO.
Segundo o Guia para licenciamento ambiental, o licenciamento ambiental é um procedimento
administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação,
ampliação e a operação de empreendimentos ou atividades que utilizam recursos ambientais
considerados efetiva ou potencialmente poluidores ou daqueles que, sob qualquer forma,
possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares
bem como as normas aplicáveis ao caso.



193 | P á g i n a

Na área de Petróleo, esse licenciamento é orientado por um Guia oriundo de um esforço
conjunto da ANP e IBAMA e disponibilizado em site de ambas instituições.
O Guia de Licenciamento do Setor de Petróleo é direcionado aos responsáveis pela
implementação de empreendimentos de perfuração, pesquisa e produção de petróleo e ao
público em geral, para os quais a legislação ambiental prevê a aplicação do licenciamento
ambiental pelo IBAMA e os Órgãos Estaduais de Meio Ambiente - OEMAs, cabendo
ressaltar que os OEMA’s são responsáveis pelo licenciamento ambiental das atividades de
exploração e produção no âmbito do seus respectivos estados.
Este guia é organizado em sete seções, sendo elas:
- Licenciamento Ambiental (trata da exigência legal do licenciamento ambiental.);
- Tipos de Licença, exigências e autorizações (especifica os tipos de licenças existentes e a
exigência técnica de cada uma);
- Documentos Técnicos para o Licenciamento (relaciona os estudos, projetos e relatórios
necessários para a obtenção das licenças);
- Validade e Renovações (trata dos prazos de validade das licenças e de suas renovações);
- Procedimentos para o Licenciamento Ambiental (detalha, passo a passo, os procedimentos a
serem realizados, pelo empreendedor, para a obtenção de cada licença, dando compreensão e
transparência a todo o processo de licenciamento ambiental e permitindo seu adequado
acompanhamento);
- Cobrança dos Serviços (trata dos custos arcados pelo empreendedor no que se refere ao
processo de licenciamento);
- Fiscalização e Penalidades (apresentam as principais referências legais, utilizadas para o
desenvolvimento deste guia, vigentes nas quais se baseiam o processo de licenciamento
ambiental de petróleo e a atuação do IBAMA).
Em 1997, o monopólio do petróleo foi retirado da Petrobras e devolvido a União, e com isso,
foi instituída a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o
Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
A ANP, autarquia federal de regime especial, vinculada ao Ministério de Minas e Energia,
passou a ser o órgão responsável por promover a regulação, a contratação e a fiscalização das
atividades econômicas integrantes da indústria do petróleo, ou seja, passou a outorgar
concessões e autorizações para atuar no setor. Os contratos de concessões são precedidos de
licitação e permitem as atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e
gás natural. Os concessionários devem submeter os empreendimentos ao licenciamento
ambiental para exercerem suas atividades, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras.
O IBAMA é responsável pela fiscalização e licenciamento ambiental. O Instituto licencia os
empreendimentos e atividades com significativo impacto ambiental de âmbito nacional e
interestadual, enquanto os órgãos ambientais dos Estados realizam o licenciamento em seus
respectivos territórios – os OEMAs.
Os empreendimentos e atividades a serem analisados pelo IBAMA devem conter uma das
seguintes características: (a) localizadas ou desenvolvidas conjuntamente no Brasil e em país
limítrofe; (b) no mar territorial; (c) na plataforma continental; (d) na zona econômica
exclusiva; (e) em terras indígenas; (f) em unidade de conservação de domínio da União; (g)
assim como em seu subsolo e espaço aéreo, sempre que influírem no ecossistema ou quando



194 | P á g i n a

integrados dos seus limites; (h) ou localizadas e desenvolvidas em dois ou mais Estados; (i)
ou cujos impactos ambientais ultrapassem os limites territoriais do país ou de um ou mais
Estados; (j) ou em bases ou empreendimentos militares, quando couber.
Quando tratamos de licenciamento ambiental das atividades relacionadas à exploração e lavra
de jazidas de combustíveis líquidos e gás natural ocorrerá um procedimento específico,
regulamentado pela Resolução CONAMA número 23, de 07 de dezembro de 1994. Esta
resolução considera como atividade de exploração e lavra de jazidas de combustíveis líquidos
e gás natural as seguintes atividades: perfuração de poços para identificação das jazidas e suas
extensões; produção para pesquisa sobre viabilidade econômica; produção efetiva para fins
comerciais.
As licenças, exigências e autorizações das atividades de exploração e produção de petróleo e
gás natural são de cinco tipos diferentes. Sendo elas, licença prévia para perfuração, licença
prévia de produção para pesquisa, licença de instalação, licença de operação para atividade de
exploração e produção marítima e para atividade sísmica.
A seguir, a definição de cada uma segundo a ANP:
- Licença prévia para perfuração – LPper, para sua concessão é exigida a elaboração do
Relatório de Controle Ambiental – RCA e após a aprovação do RCA, é autorizada a atividade
de perfuração.
- Licença prévia de produção para pesquisa – LPpro: Para sua concessão é exigida a
elaboração do Estudo de Viabilidade Ambiental – EVA e, após a aprovação do EVA é
autorizada a atividade de produção para pesquisa da viabilidade econômica da jazida;
- Licença de instalação – LI: Para sua concessão é exigida a elaboração do Estudo de Impacto
Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental. Após a aprovação do Estudo de
Impacto Ambiental – EIA com a respectiva realização de Audiência Pública é autorizada a
instalação de novos empreendimentos de produção e escoamento ou, para sua concessão é
exigida a elaboração do Relatório de Avaliação Ambiental – RAA e após a aprovação do
RAA são autorizadas novas instalações de produção e escoamento, onde já se encontra
implantada a atividade;
- Licença de operação – LO para atividade de exploração e produção marítima: Para sua
concessão é exigida a elaboração do Projeto de Controle Ambiental – PCA e após a aprovação
do PCA é autorizado o início da operação de produção.
- Licença de Operação – LO para atividade sísmica: Para sua concessão é exigida a
elaboração do Estudo Ambiental – EA e após a aprovação do EA é autorizada a atividade de
levantamento de dados sísmicos marítimos”.
As licenças possuem como parte integrante as condicionantes, estas são divididas em dois
grupos: as condicionantes gerais, que compreendem o conjunto de exigências legais
relacionadas ao licenciamento ambiental, e as condicionantes específicas, que compreendem
um conjunto de restrições e exigências técnicas associadas, particularmente, à atividade que
está sendo licenciada.
A licença ambiental terá um prazo de validade, sendo mandatório o cumprimento das
condicionantes discriminadas na mesma, que deverão ser atendidas dentro dos respectivos
prazos estabelecidos, e nos demais anexos constantes no processo de licenciamento que,
embora não estejam transcritos no corpo da licença, são partes integrantes da mesma. Todos



195 | P á g i n a

os documentos referentes ao processo de licitação deverão ser escritos na língua portuguesa,
por ser o idioma oficial da República Federativa do Brasil.
Os documentos técnicos para o licenciamento exigidos são os seguintes:
Estudo Ambiental (EA) realizado de acordo com a Lei número 6.938/81 regulamentado pelo
Decreto número 99.274/90 art. 10 visa a emissão de LO para as atividades de levantamento de
dados sísmicos marítimos; Relatório de Controle Ambiental (RCA) realizado de acordo com a
Resolução CONAMA número 23/94, que visa a emissão da LPper para a atividade de
perfuração marítima; Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA) realizado de acordo com a
Resolução CONAMA número 23/94, e visa à emissão de LPpro, para a atividade de produção
para pesquisa; Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental
(EIA/RIMA) realizado de acordo com as diretrizes das Resoluções CONAMA número
001/86, 23/94 e 237/97, visando à emissão de LI para as atividades de instalação do sistema
de produção e escoamento de petróleo e gás natural; Projeto de Controle ambiental (PCA)
contendo os projetos executivos de minimização dos impactos ambientais, segundo Resolução
CONAMA número 23/94, que visa a emissão da LO para as atividades de produção e
escoamento de petróleo e gás natural; Relatório de Avaliação Ambiental (RAA) realizado de
acordo com a Resolução CONAMA número 23/94, visando à emissão de LI para as novas
instalações de produção e escoamento de petróleo e gás natural nas áreas onde já se encontra
implantada a atividade.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Através deste artigo, podemos observar que as empresas estão trabalhando para amenizar o
impacto ambiental na indústria petrolífera do nosso país. A legislação, além de ser um
importante instrumento de controle e fiscalização, contribui para a melhoria da gestão das
empresas, inclusive para implantação de medidas que resultam em prevenção ambiental.
A Petrobras é uma Companhia considerada referência mundial em ética e sustentabilidade,
estratégia que se evidencia no enfoque integrado dos processos produtivos e do meio
ambiente conforme demonstrado ao longo do trabalho. Ela investe em programas e projetos
para diminuir a emissão de poluentes, reduzir o consumo de água e geração de efluentes,
recuperar áreas degradadas, recuperar ou conservar espécies e ambientes costeiros, marinhos e
de água doce etc., e também incentiva a participação das universidades em seus projetos de
desenvolvimento de novas tecnologias, possuindo atualmente convênios com cerca de
cinquenta universidades brasileiras.
A educação ambiental, em treinamentos direcionados para os trabalhadores envolvidos,
também vem sendo utilizada como instrumento para a mitigação dos impactos ambientais
pelas empresas.
A função de uma empresa não se resume mais a dar lucro e emprego, pagar impostos e
respeitar a lei. Ela deve entender que ao produzir interage com o meio ambiente e consome
recursos naturais, patrimônio de todos. Por isso, é seu dever prestar contas à sociedade quanto
ao impacto de suas atividades sobre a biosfera.
Considerando os riscos de acidentes e o tipo de empreendimento, cabe às empresas a função
de demonstrar através das melhores metodologias de avaliação de risco que os perigos
diagnosticados foram administrados de modo a permitir o melhor gerenciamento,
considerando inclusive medidas de mitigação de comando e controle de situações de
emergência.



196 | P á g i n a

Este processo é a forma de gerenciamento de acidentes, onde o governo aufere às pesquisas
que foram devidamente credenciadas, o direito de exploração de petróleo após um rigoroso
processo de análise do estudo ambiental.
Vale lembrar que a manutenção e o aprimoramento das técnicas usadas para combater
acidentes que causem danos ao meio ambiente não são mais que obrigação da empresa
responsável. Essa prática, além de contribuir para viabilizar a licença ambiental, favorece a
implementação das políticas direcionadas à manutenção e conservação dos ambientes
costeiros brasileiros.

8 REFERÊNCIAS
AMBIENTE BRASIL. Pégaso. Disponível em:
http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./energia/petroleo/index.html&conteudo=./en
ergia/petroleo/artigos/pegaso.html Acesso em: 25 Set. 2009
ANP. Agência nacional do petróleo, gás natural e biocombustíveis. Disponível em:
http://www.anp.gov.br/ Acesso em: 25 Set. 2009
BARCELLOS, P. P. Impactos ambientais da indústria do petróleo – da produção ao consumo
final. Tese de M.Sc., COPPE/UFRJ, Rio de Janeiro, RJ, Brasil 1986.
COM CIÊNCIA. O petróleo e a agressão ao meio ambiente. Disponível em:
http://www.comciencia.br/reportagens/petroleo/pet09.shtml Acesso em: 20 Set. 2009
CONAMA. Resoluções CONAMA 1984-1991. 4 ed., Brasília, 1991.
CONAMA/MMA. Conselho nacional do meio ambiente. Disponível em:
http://www.mma.gov.br/port/conama/estr.cfm Acesso em: 23 Set. 2009
HACK, E. O dano ambiental e sua reparação: ações coletivas e a class action americana. Revista de
Direito Ambiental, v. 50, p. 54-65, 2008.
IBAMA. Licenciamento ambiental federal. Disponível em http://www.ibama.gov.br/licenciamento
Acesso em: 27 Set. 2009
MONIÉ, F. Petróleo, industrialização e organização do espaço regional. In: Piquet, R. (Org).
Petróleo, royalties e região. Rio de Janeiro: Garamond, 2003.
PETROBRAS. Meio ambiente. Disponível em:
http://www2.petrobras.com.br/portugues/ads/ads_MeioAmbiente.html Acesso em: 20 Set. 2009
PIQUET, R. (org.). Petróleo, royalties e região. Rio de Janeiro: Garamond, 2003.
ROMEIRO, A. R.. Avaliação e contabilização de impactos ambientais. São Paulo:Imprensa Oficial
do Estado de São Paulo, 2004.
SANTOS, Marcio O. dos Indústria do petróleo “off-shore”e seus impactos ambientais: o caso da
Bacia de Campos. Tese de Mestrado em planejamento Energético, COPPE, UFRJ, 1995.



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Proposta Metodológica Participativa para Implantação da Gestão
Ambiental em Micro e Pequenas Empresas

Soraya Giovanetti El-Deir (Grupo Gestão Ambiental em Pernambuco –
GAMPE/UFRPE) sorayael-deir@ig.com.br
Valdinete Lins e Silva (Grupo Gestão Ambiental em Pernambuco – GAMPE/UFRPE)
leaq_val@yahoo.com.br
Itamar Dias e Cordeiro (Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos –
CPRH do Governo do Estado de Pernambuco e Grupo Gestão Ambiental em
Pernambuco – GAMPE/UFRPE) itamar_cordeiro@yahoo.com.br
Cleber Gomes de Albuquerque (Grupo Gestão Ambiental em Pernambuco –
GAMPE/UFRPE) cle.ber@live.com
Robéria Karine Lemos Gomes (Grupo Gestão Ambiental em Pernambuco –
GAMPE/UFRPE) roberia5@hotmail.com

RESUMO
A Gestão Ambiental nas Micro e Pequenas Empresas, tem como objetivos a redução dos
impactos ambientais associados à produção de bens e serviços; a definição de estratégias
empresariais e governamentais para práticas ambientais sustentáveis; a identificação de
instrumentos de planejamento e gestão ambientais; o delineamento de instrumentos
econômicos que possam dar sustentação às práticas de gestão ambiental e a elevação da
consciência ambiental por parte dos empresários de cada setor. Face tal iniciativa ser pioneira,
buscou-se o desenho de metodologia para o cumprimento dos resultados esperados. Usou-se a
construção dialógica por meio de discussões com especialistas da área e os contratantes,
visando realizar desenho metodológico mais próximo das necessidades do Sebrae e da forma
mais ágil de levantamento dos dados necessários para a estruturação de tal modelo gerencial e
de 5 produtos: diagnóstico setorial, planejamento estratégico, instrumentos econômicos,
indicadores de monitoramento e instrumento de socialização das informações. A construção
da metodologia foi arquitetada de maneira a responder, ao longo de 6 meses, este desafio.
Para a realização da presente proposta, foram selecionadas 400 micros e pequenas empresas
dos setores de Pousadas de Porto de Galinhas (Ipojuca), Lavanderias (Caruaru, Riacho das
Almas e Toritama) e Panificação (Região Metropolitana do Recife). Em parceria com o
Grupo Gestão Ambiental em Pernambuco – GAMPE do Departamento de Tecnologia Rural
da Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE, foi estruturada esta metodologia,
que está vinculada ao projeto “Gestão Ambiental em Micro e Pequenas Empresas de
Pernambuco”.
PALAVRAS-CHAVE: Gestão Ambiental. Metodologia Participativa. Micro e Pequenas
Empresas.



198 | P á g i n a


1 INTRODUÇÃO
A Gestão Ambiental no campo empresarial já foi foco de diversos trabalhos (CERUTI &
SILVA, 2009; FARIAS, 2009) os quais tratavam principalmente da implementação do
sistema ISO 14.000. Observou-se que as empresas brasileiras de porte grande apresentaram
esforço inicial para a incorporação das normas internacionais ambientais, buscando agregar
valor aos seus produtos, melhoria nos processos de produção e respondendo a demandas dos
consumidores e do mercado internacional (CAJAZEIRA, 1997). Entretanto este esforço não
foi similar no setor das Micro e Pequenas Empresas – MPEs, ora pelos custos de
implementação das normas, ora por incompreensão de que estas denotariam diminuição de
custos processuais, sendo tal temática retratada genericamente em publicação apoiada pelo
Serviço de Apoio as Micro e Pequenas Empresas – Sebrae (MAINON, 1999).
Para as MPEs, o foco da Gestão Ambiental refletiu a busca de implementação de boas
práticas e a identificação de perdas processuais que denotassem desperdícios (ALMEIDA,
2002; BARBIERE, 2007). Mas mesmo esta visão não foi assumida por este segmento
empresarial como um todo, sendo adotada apenas por algumas empresas líderes,
transformando-as em exemplos de benchmarking. Por compreender a necessidade da adoção
de práticas ambientalmente sustentáveis pelas MPEs, por meio de iniciativas pró-ativas
empresariais e governamentais, a unidade de Pernambuco do Sebrae apoiou pesquisa nos
setores de Pousadas de Porto de Galinhas (Ipojuca), Lavanderias (Caruaru, Riacho das Almas
e Toritama) e Panificação (Região Metropolitana do Recife).
Esta iniciativa teve como propósito a redução dos impactos ambientais associados à produção
de bens e serviços; a definição dos parâmetros gerais para o delineamento de estratégias
empresariais e governamentais voltadas à adoção de práticas ambientais, à sustentabilidade; à
identificação de instrumentos de planejamento e gestão ambientais; ao delineamento de
instrumentos econômicos que possam dar sustentação às práticas de gestão ambiental e para a
elevação da consciência ambiental por parte dos empresários de cada setor. Em face a esta
iniciativa ser pioneira, buscou-se o desenho inicial de metodologia para o cumprimento dos
resultados esperados. Desta forma, em parceria com o Grupo Gestão Ambiental em
Pernambuco – GAMPE do Departamento de Tecnologia Rural da Universidade Federal Rural
de Pernambuco – UFRPE, foi estruturada a metodologia do projeto “Gestão Ambiental em
Micro e Pequenas Empresas de Pernambuco”.

2 METODOLOGIA PROPOSTA
Visando o desenvolvimento de proposta metodológica de Gestão Ambiental para as MPEs,
usou-se a construção dialógica via discussões com especialistas da área e os contratantes,
estruturando desenho metodológico mais próximo as necessidades dos setores e levantamento
dos dados necessários para a estruturação de tal modelo gerencial. A metodologia proposta
buscou alcançar o desenho de 5 produtos: diagnóstico setorial, planejamento estratégico,
instrumentos econômicos, indicadores de monitoramento e instrumento de socialização das
informações. A construção da metodologia foi arquitetada de maneira a responder, ao longo
de 6 meses, este desafio.




199 | P á g i n a

Para a realização da presente proposta, foram selecionadas 400 micros e pequenas empresas
dos três setores. A metodologia construída para cada produto pode ser sumarizada como em 5
etapas articuladas entre si (GOMES et al., 2009).

2.1 Etapa 1: Diagnóstico setorial
Para melhor compreender os setores das MPEs buscou-se a realização de um diagnóstico
setorial. Tal processo foi dividido em etapas subseqüentes: levantamento de dados
secundários, através de levantamento bibliográfico e levantamento de dados primários, por
meio de pesquisa de campo, a qual contou com a elaboração de um instrumento de pesquisa.
Esta etapa foi dividida em duas sub-etapas, a primeira com o levantamento simplificado de
informações gerais, de onde foi estudada a tipologia do setor, por meio de confecção de
dendrograma, gerando agrupamentos de empresas similares. Para cada um dos setores
estudados, foi desenvolvido dendrograma específico. A partir destes agrupamentos, foram
elencadas empresas, num total de 10% do universo estudado, para um diagnóstico completo,
onde parâmetros de ecoeficiência e economicidade foram estudados in locu. Desta foram
identificados os pontos onde há possibilidade de melhoria via implantação de preceitos de
Gestão Ambiental.

2.2 Etapa 2: Planejamento estratégico
O fim último de uma análise SWOT é o de desenhar estratégias que melhorem as chances de
sucesso de uma empresa. Isto se torna possível através do cruzamento das informações
coletadas sobre os pontos fracos e fortes, e sobre as oportunidades e ameaças. A partir da
matriz SWOT, as estratégias puderam ser desenhadas de várias formas. Neste estudo
utilizaram-se dois tipos: os pontos fortes para aproveitar as oportunidades e para amenizar, ou
na melhor das hipóteses, eliminar e os efeitos negativos das ameaças. Nesta mesma
perspectiva, também se devem considerar os pontos fracos de modo que os mesmos não
inviabilizem a possibilidade de aproveitar as oportunidades, nem permitam que as ameaças se
concretizem.
Para a identificação dos pontos positivos e negativos foi feito inicialmente levantamento de
dados secundários via estudos bibliográficos visando compreender o estado da arte do setor.
Através de oficina seguindo a Metodologia Ad Hoc (ALVES et al. 2009), com consulta de
especialistas de diversas áreas e conhecimentos teóricos e práticos em setores relacionados às
características do empreendimento em análise, foi realizada análise multidisciplinar sobre a
problemática em questão.
Buscou-se a identificar fatores impactantes do setor, características locais e regionais e
políticas públicas setoriais, além de potenciais melhorias nestes aspectos e possíveis
proposições técnico-operacionais, em particular no campo da Gestão Ambiental. Estas
reuniões foram dirigidas de maneira a permitir uma visão integrada da questão ambiental,
permitindo obter informações relativas aos impactos prováveis e possibilidades de alternativas
mitigadoras.
Feita esta identificação, foi realizado desenho inicial de Planejamento Estratégico Ambiental
– PEA (ALMEIDA, 2009), via análise de micro ambiente, macro ambiente e ambiente



200 | P á g i n a

interno, por meio do Método SWOT
1
(DANTAS & MELLO, 2009), cruzando-se pontos fortes
e fracos, ameaças e oportunidades.
Para elevar o grau de percepção do grupo de especialistas, foram realizadas observações in
loco com a visita a estabelecimentos dos três setores. Fruto deste momento foi realizada nova
discussão, para aprofundar a percepção e ajustar leituras sobre detalhes observados, além de
socializar a visão de cada um a todo o grupo.
Aplicando-se o Método Delphi, foram re-analisados os dados advindos do Método SWOT e
foram sugeridas algumas diretrizes para a elaboração de estratégias de gestão ambiental os
setores focais. Tais dados serão validados em oficina com os próprios empresários, os quais
terão oportunidade de externar a sua visão de mundo, construir/validar/alterar a analise
realizada e consolidar cenários setoriais e estratégias para a implementação da Gestão
Ambiental em cada uma das empresas trabalhadas.

2.3 Etapa 3: Determinação de Instrumentos econômicos
O desenvolvimento de Instrumento Econômicos – IE para as MPEs é um desafio, visto que
estes instrumentos são comumente usados para grandes empresas (OLIVEIRA, 2003). Estes
serão fruto do cruzamento das tipologias com a análise mercadológica e as políticas públicas
para o setor em tela, focados na melhoria da qualidade ambiental e estarão vinculados ao
princípio do “Comando-e-controle”, podendo ter como parâmetro para sua implementação
padrões ambientais, limites de emissões, banimento de tecnologias inapropriadas ou restrições
de uso; ou vinculados a “Taxas e Mecanismos de mercado”, estando articulados com taxas de
poluição, taxas de uso, depósito-reembolso, mecanismos de licenças e mecanismos de
alavancagem de mercados limpos. Todos estarão voltados para a sustentabilidade setorial,
visando favorecer a implantação de tecnologias mais limpas.

2.4 etapa 4: Estabelecimento de Indicadores de monitoramento
Visando identificar progressos e retrocessos, serão identificados indicadores físico/químicos,
biológicos e socioeconômicos que servirão de parâmetros para o monitoramento do processo,
antes da implantação das ações de Gestão Ambiental, buscando assim fazer um processo de
melhoria contínua com análise periódica. Estes indicadores serão identificados a partir do
diagnóstico setorial, e estarão relacionados com a eficiência energética e a economicidade
processual de produção de produtos e venda de serviços, a depender do setor a ser focado
(GOMES et al., 2009).




1
O termo SWOT é um acrônimo de Strengths (Forças), Weaknesses (Fraquezas), Opportunities (Oportunidades)
e Threats (Ameaças). Trata-se de um método desenvolvido nos anos 60 para análise de cenário e desenho de
estratégias para empresas. Consiste basicamente na elaboração e interpretação de uma matriz onde constam as
características do ambiente interno (Forças e Fraquezas) e do ambiente externo (Oportunidades e Ameaças) à
empresa.



201 | P á g i n a

2.5 Etapa 5: Desenho de Instrumento de socialização das informações.
Entre as possibilidades de se promover a educação ambiental informal no local de trabalho,
está a utilização de cartilhas (qualquer compilação elementar que preceitue um padrão de
comportamento por meio de ilustrações). O uso de ilustrações é útil porque: reproduz, em
muitos aspectos a realidade; facilita a percepção de detalhes; reduz ou amplia o tamanho real
dos objetos representados; torna próximos fatos e lugares distantes no espaço e no tempo e;
permite a visualização imediata de processos muito lentos ou rápidos. Para que seja bem-
sucedido o uso de uma cartilha, é preciso que seja focada numa realidade específica. No
entanto, a literatura que trata do tema é escassa, ainda mais quando se trata de micro e
pequenas empresas (BACELAR et al., 2009). Nesta perspectiva, o presente resumo tem como
objetivo apresentar uma proposta de metodologia para elaboração de cartilhas focadas na
educação ambiental em empresas de micro e pequeno porte.
O instrumento focal para o setor, uma cartilha, foi elaborada seguindo sete etapas
subseqüentes. A primeira consiste em “definir o objetivo da cartilha”. É importante que o
objetivo fique claro logo de início, pois, do contrário, corre-se o risco de que a cartilha
transforme-se num artefato meramente ilustrativo (ALVES et al. 2009). Não é pelo fato de
tratar-se de um instrumento educacional informal que se exigirá menos atenção ou rigor na
sua elaboração. Deve-se sublinhar que a participação do proprietário da empresa (e se
possível de funcionários) nesta fase é imprescindível.
A segunda etapa consiste em “promover uma tempestade de idéias (brainstorming) sobre o
assunto em questão”. Trata-se de um método de geração coletiva de novas idéias através da
participação de diversos indivíduos em um grupo. Seu pressuposto básico é o de que um
grupo gera mais idéias do que os indivíduos isoladamente. É precisamente através deste
compartilhamento e apresentação de idéias que surgem as propostas sobre o enredo da cartilha
e as personagens que a comporão.
Entretanto, a proposta começa efetivamente a tomar corpo quando “busca-se definir qual será
efetivamente a mensagem principal e as mensagens específicas a serem transmitidas”, por
meio da definição do enredo e falas que irão compor a cartilha. Deve-se optar por aquelas
idéias que melhor se adéqüem à realidade da empresa em questão. O enredo deve ser simples
e acessível (de fácil entendimento) ao público alvo para o qual foi destinada, refletindo o
cotidiano da empresa (pois é nele que o funcionário desenvolve suas atividades) e seus
aspectos e impactos ambientais
2
específicos.
Trata-se de fazer com que o funcionário reconheça-se nas ações retratadas na cartilha;
compreenda de que forma suas atividades impactam o meio ambiente e; o que pode fazer para
ajudar. Entende-se, assim, que quanto mais se identificar com o que vê, maiores são as
chances de que a cartilha obtenha êxito em seus propósitos.
Uma equipe que concebe um instrumento de educação ambiental como uma cartilha não
precisa, necessariamente, ter a capacidade de transformar a idéia em arte. Para este fim, pode-
se contar com especialistas em artes visuais e design. Contudo os desenhos devem estar de
acordo à realidade. Assim é imprescindível que se faça um “registro fotográfico in loco” de
modo que as reproduções na cartilha esteja o mais próximo possíveis da realidade.

2
Aspecto ambiental pode ser entendido como o elemento das atividades, produtos ou serviços de uma
organização que pode interagir com o meio ambiente (CAJAZEIRA, 1997). alquer modificação do meio ambiente,
adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, dos aspectos ambientais da organização (ALMEIDA, 2009).



202 | P á g i n a


Para a “definição das cenas” é preciso que o grupo encarregado da elaboração da cartilha
conceba situações-chave que permitam transmitir as mensagens específicas definidas na etapa
três. Recomenda-se que as cenas representem os principais setores da empresa e que
apresentem os aspectos e impactos ambientais mais significativos da mesma de uma forma
clara e direta.
Depois se deve concentrar nas “falas das personagens”. Uma ação educativa engloba os
processos de ensino e aprendizagem que são mediados pelo processo de comunicação
(SANTOS, 2005). Comunicação, por sua vez, envolve basicamente três ações: codificação,
transmissão e decodificação de uma mensagem. A aprendizagem só ocorre quando esta
mensagem é devidamente recepcionada e incorporada pelo indivíduo. Por isso deve-se buscar
uma maneira adequada de codificação e transmissão da mensagem. Portanto, as falas
presentes nas cartilhas devem: ser sucintas; possuir linguagem simples; ser adequadas ao nível
técnico dos leitores e introduzir termos técnicos.
Por fim, uma “validação do que foi elaborado” deve ter lugar. Trata-se de realizar um pré-
teste com os próprios funcionários e com os proprietários das empresas e a fim de aferir a
percepção dos mesmos sobre o que foi produzido. A partir da reação dos mesmos, é possível
realizar adequações ou modificações, permitindo obter um produto final que seja o mais
eficaz possível.

3 ESTUDOS DE CASO

Para a validação da proposta metodológica, foram desenvolvidos estudos de caso setoriais,
visando a aplicação deste processo e a calibração do modelo. Neste sentido, os três setores
focais foram trabalhados isoladamente.

3.1 ESTUDO DO SETOR DE LAVANDERIAS
O município de Toritama, Caruaru e Riacho das Almas, localizados no agreste pernambucano,
formam um pólo têxtil que possui grande concentração de empresas de lavanderia industrial.
Estas lavanderias industriais representam a atividade que oferece serviços de beneficiamento
das mercadorias provenientes das confecções de jeans, garantindo um suporte importante para
as empresas deste setor, fazendo a adequação das peças às tendências de moda do mercado
consumidor. Entretanto, o desenvolvimento desta atividade remete a preocupações como a
necessidade da minimização do impacto ambiental causado pelo processo de lavagem do
jeans. Diagnósticos ambientais demonstram que o impacto causado é consideravelmente
danoso ao meio ambiente, face elevados índices de poluentes e alto DQO dos efluentes
(PINHEIRO et al., 2009).

Foram coletados dados os quais foram divididos em grupos, seguindo modelo de SWOT,
destacando-se os pontos fracos e fortes. Dentre os pontos fracos (características intrínsecas do
setor e que desfavorecem as panificadoras, sendo passíveis de melhoria ou que deve ser
observadas com cuidado pelos empresários) pode-se citar: susceptibilidade a acidentes
(ausência de EPI), ausência de plano de emergência, disposição inadequada / não
aproveitamento de lodo, ausência de ventilação, queima de madeira com geração de material
particulado, grande consumo / abastecimento insuficiente de água, poluição térmica e sonora,



203 | P á g i n a

falta de infra-estrutura que favoreça a separação de resíduos sólidos, ausência do
conhecimento da periculosidade dos produtos utilizados no processo produtivo, fiação
exposta, tratamento de efluentes inadequado / inexistente, inexistência de plano de economia
de energia, falta de sinalização, não aproveitamento do vapor condensado na caldeira,
separação dos resíduos para descarte (coleta seletiva), infra-estrutura inadequada ao tipo de
atividade desenvolvida e falta de conscientização dos benefícios que as boas práticas
socioambientais.

Através da análise acima se propôs um Sistema de Gestão Ambiental – SGA focado na:
Eficiência Energética, que pode ser atingida através do reuso do vapor das caldeiras; de
briquetes em substituição à madeira ou gás natural, de produtos da linha branca, instalações
que aproveitem a ventilação e iluminação natural (como telhas transparentes e elementos
vazados); Tratamento de Resíduos com a instalação de estações de tratamento de efluentes,
destinação do lodo e controle da emissão da fuligem gerada na queima dos combustíveis
utilizados na caldeira (RODRIGUES & CAVINATTO, 2003); Segurança no trabalho através
do uso adequado de equipamentos de proteção individual – EPI, condições ambientais
adequadas do local de trabalho, criação de um plano de emergência e fuga em caso de
sinistro, diferenciação das cores das tubulações de vapor, água e eletricidade; Coleta Seletiva
dos resíduos gerados pela grande quantidade de insumos utilizados, orientação dos
funcionários para a separação correta dos materiais utilizados na reciclagem e deposição dos
mesmos em latas de lixo diferenciadas de acordo com as normas técnicas; Educação
ambiental por meio de cartilha com linguagem acessível aos empresários e funcionários,
tratando os temas listados, de uma forma dinâmica e de fácil interpretação, trazendo dicas e
ilustrações para que haja uma mobilização e compreensão que a questão ambiental que, além
de preservar o meio ambiente, também agregue valor ao produto da empresa (PINHEIRO et
al., 2009). Desta maneira acredita-se que será mais fácil a adoção de uma atitude sustentável
por parte das empresas e de seus empregados.

3.2 ESTUDO DO SETOR DE PANIFICADORAS
No Brasil existem cerca de 60 mil panificadoras, em situação legal, as quais geram cerca de
1.000.000 de empregos diretos. Em 2008 este setor foi responsável por mais de 30 mil
empregos formais, sendo que representam em torno de 2% do PIB nacional se considerados
apenas os produtos que esta fabrica diretamente. Esse número salta para 3% quando se inclui
os produtos de revenda, que geralmente produzem resíduos e causam impactos negativos no
meio ambiente (BRITO, 2009).

Em vista do importante papel que desempenha o setor de panificação na estrutura fabril e
comercial das cidades, assim como o seu potencial impactante relativo aos resíduos gerados, o
Serviço de Apoio as Micros e Pequenas Empresas (Sebrae) vêm desenvolvendo ações
voltadas para este segmento (ALBUQUERQUE et al., 2009).

No estabelecimento dos pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças das panificadoras da
Região Metropolitana do Recife buscaram a identificação dos fatores impactantes do setor,
características locais e regionais e políticas públicas setoriais, além de potenciais melhorias
nestes aspectos e possíveis proposições técnico-operacionais, em particular no campo da
Gestão Ambiental, da Eficiência Energética e em Segurança do Trabalho. Estas reuniões
foram dirigidas de maneira a permitir uma visão integrada da questão ambiental, permitindo



204 | P á g i n a

obter rapidamente informações quanto aos impactos prováveis e possibilidades de alternativas
mitigadoras. Nas panificadoras, no tocante ao ambiente interno, foram identificados como os
pontos fortes (características intrínsecas ao setor e que favorecem as panificadoras): hábito
diário do consumo do produto pela população, receptividade para a ecoeficiência, capacidade
de aceitar mudanças no desenvolvimento das atividades, fidelização do cliente para obter
lucros, visão holística dos líderes do setor, articulação e diálogo setorial, e ponto de venda
com mix de produtos, ou seja, a variedade.
Com relação aos pontos fracos (características intrínsecas do setor e que desfavorecem as
panificadoras, sendo passíveis de melhoria ou que devem ser observadas com cuidado pelos
empresários) foram identificados: uso de fontes energéticas não renováveis, limpa e
economicamente viáveis; pouco uso de tecnologias economicamente viáveis tipo end of pipe;
uso excessivo de embalagem e perda de alimentos, visto estes estarem vencidos; não
regularidade da manutenção preventiva nos equipamentos e existência em certos casos de
instalações elétricas inadequadas; uso de lâmpadas incandescentes; baixa conscientização de
economia de água e energia pelos empregados e alto consumo energético decorrente de áreas
que necessitam de iluminação artificial durante o dia..
Dentre as oportunidades (características extrínsecas ao setor, relativas ao ambiente externo, e
que podem favorecer ao setor) foram observadas: articulação do setor, existência de fórum de
discussão, organização em sindicatos e associações, aceitação por parte dos usuários de
sacolas ecológicas e embalagens retornáveis, possibilidade de congelamento de produtos de
panificação diminuindo os gastos energéticos processuais e aumento do mix de produtos
passíveis de ser oferecido ao público pelo setor, grande quantidade de material passível de
reciclagem, potencial de compostagem dos produtos vencidos abrindo um novo mercado
(com parceria com Organizações não governamentais - ONG), instalação de dispositivos de
economia de água e energia.
Em relação às ameaças (características extrínsecas ao setor, relativas ao ambiente externo,
que podem desfavorecer o setor, sendo passíveis de melhoria ou que devem ser observadas
com cuidado pelos empresários): imagem homogênea do setor não havendo distinção clara
entre uma panificadora poluente do meio ambiente e outra que usa energias limpas, nivelando
pelos piores exemplos (uso de produtos proibidos como lenha ilegal ou provocar poluição
pela ausência de equipamentos), custo da energia, competitividade desleal do mercado
exercido pelas panificadoras que não estão legalizadas, informalidade do setor, legislação
ambiental restritiva.
Diante do que foi avaliado, iniciou-se a estruturação prévia do Planejamento Estratégico
Ambiental. A ecoeficiência e a capacidade de aceitar mudanças no desenvolvimento das
atividades podem viabilizar a estruturação de um programa de conscientização dos
consumidores para aceitação das embalagens retornáveis e sacolas ecológicas. A articulação e
diálogo setoriais, fortalecidos pela estruturação do Fórum, facilitam a troca de experiências, o
pensar estratégico sobre o setor, a busca de novas oportunidades e a disseminação de
tecnologias, como a construção de uma imagem homogênea mais positiva do setor e
diminuindo a informalidade (ALBUQUERQUE et al., 2009).
O uso excessivo de embalagem e descarte de alimentos vencidos poderia ser corrigidos com o
uso de sistemas de controle de estoques. Entretanto o que é descartado pode ter destino
ecologicamente mais sustentável, como a reciclagem e a compostagem. Já a instalação de
mecanismos de racionalização no uso da água e energia, com a substituição das lâmpadas
florescentes, torneiras hidromecânicas, podem auxiliar na diminuição dos gastos de energia.



205 | P á g i n a


No setor de panificação, a geração de resíduos e utilização de energia não-renovável são
desafios para gestão do meio ambiente. A solução dos problemas ambientais, ou sua
minimização, exige uma nova atitude dos empresários e administradores, que devem passar a
considerar o meio ambiente em suas decisões e adotar concepções administrativas e
tecnológicas que contribuam para criar a capacidade e suporte do planeta.

3.3 Estudo do Setor de Pousadas
Considerado isoladamente, um hotel não causa significativa poluição ambiental e não
consome vastas quantidades de recursos naturais não-renováveis (KIRK, 1996). É uma
estrutura que funciona a partir de um grande número de pequenas operações, cada uma
consumindo relativamente pequenas quantidades de energia, água, alimentos, papel e outros
recursos e cada uma lançando pequenas parcelas de poluição no meio ambiente. Entretanto, se
o impacto de todas estas estruturas individuais forem consideradas juntas, notar-se-á um
significativo efeito sobre os recursos globais (GONÇALVES, 2004). Só no Brasil, por
exemplo, o Parque Hoteleiro é composto atualmente por, aproximadamente, 25 mil meios de
hospedagem, sendo 70% dos empreendimentos de pequeno porte (ABIH, 2009). Assim,
quando visto em seu conjunto, os impactos ambientais gerados pelo setor de hospedagem são
dignos de nota.
A gestão ambiental em meios de hospedagem busca, justamente, prover os meios necessários
para que este tipo de infra-estrutura utilize de forma racional e responsável os recursos
naturais disponíveis, de modo a garantir a perenidade dos mesmos para o próprio segmento e
para as futuras gerações (IHEI, 1993; PRYCE, 2001). Entre as vantagens da implantação da
gestão ambiental em meios de hospedagem estão: a minimização da produção e disposição de
resíduos, a criação de um apelo de marketing e a melhoria de sua imagem no mercado e,
evidentemente, a redução de custos, proporcionada pela economia de recurso. Com efeito,
várias experiências internacionais têm vindo a demonstrar que hotéis que implantam práticas
de gestão ambiental economizam até 30% de energia elétrica, até 20% de água e diminuem
em até 25% a geração de resíduos sólidos (ABIH, op. cit.).
No entanto, uma gestão ambiental em meios de hospedagem terá maiores possibilidades de
funcionar e gerar os resultados esperados se houver um modelo que especifique os
procedimentos necessários que devem ser seguidos. A partir da análise SWOT e do exercício
de benchmarking, chegou-se à conclusão de que um modelo de gestão ambiental adequado à
realidade das micro e pequenas empresas deve iniciar com um processo de planejamento
estratégico (que elabore objetivos e metas para a empresa); seguido de uma análise dos
aspectos e impactos ambientais; e da definição de práticas de gestão ambiental centradas,
sobretudo, nos 4R (reduzir, reutilizar, reciclar e repensar), como registrou PAZ et al. (2009).
Quanto aos temas que devem ser alvo das práticas de gestão ambiental, verificou-se, a partir
dos questionários e das visitas in loco, que deve ser dada preferência a questões como:
energia, água, resíduos sólidos e conscientização dos hóspedes.
Em termos de energia, as práticas de gestão mais apropriadas são: aquisição de equipamentos
mais eficientes, valorização da iluminação e ventilação natural, utilização de energias
alternativas (sobretudo a energia solar para aquecimento da água), realizar manutenção
preventiva. Quanto à água, recomenda-se: captação da água da chuva (para limpeza do
estabelecimento), implementação de mecanismos de economia de água (descargas mais
eficientes e torneiras de pressão hidromecânica) e racionalização do uso da água. Em termos



206 | P á g i n a

de resíduos sólidos: coleta seletiva, compostagem e descarte consciente dos resíduos
(sobretudo o óleo de cozinha).
Por fim, para ser funcional, uma gestão ambiental em meios de hospedagem, deve-se ter
bastante claro os atores-chave que estão envolvidos, ou seja: o proprietário, o funcionário e o
hóspede (SILVA et al., 2009). Tudo começa com o proprietário. Se este não assumir a
responsabilidade e o compromisso em implantar práticas de gestão ambiental, as mesmas
dificilmente ocorrerão. Da mesma forma, se os funcionários não se comprometerem a mudar
seus hábitos, a gestão ambiental também não vingará. Isto se resolve essencialmente através
de treinamentos. Por fim, todo o esforço levado a cabo pelo proprietário e pelos funcionários
pode se mostrar infrutífero se o hóspede (que é quem, efetivamente, consome os recursos da
pousada) não colaborar. Para este último, é imperativo desenvolver estratégias de
sensibilização. Embora não haja fórmulas prontas para estas estratégias, é preciso deixar claro
ao hóspede que o propósito da gestão ambiental na pousada não visa obter qualquer benefício
em detrimento de seu bem estar

4 DISCUSSÃO
Meio ambiente, natureza e recursos naturais são temas que, de certa forma, mantém uma
relação passional com a opinião pública a tal ponto que são praticamente nulas as chances de
se encontrar indivíduos que aceitem, sem ressalvas, uma dilapidação do patrimônio natural.
Logo, empresas que desenvolvem suas atividades impactando os recursos naturais tendem a
ter uma baixa aceitação diante do público e isto pode se manifestar na forma de uma
diminuição de compras ou até mesmo de um boicote do produto por parte dos consumidores
(ALMEIDA et al., 2000; PORTILHO, 2005; GOLEMAN, 2009). Face esse desafio, a
indústria precisou repensar sua atuação e a resposta veio na forma de gestão ambiental.
De maneira genérica, gestão é o ato de gerir ou regular algo. Assim, gestão ambiental diz
respeito ao conjunto de políticas e práticas administrativas e operacionais que levam em conta
a saúde e a segurança das pessoas e a proteção do meio ambiente por meio da eliminação ou
mitigação de impactos ambientais decorrentes do planejamento, implantação, operação,
ampliação, realocação ou desativação de empreendimentos ou atividades (ROHRICH &
CUNHA, 2004). Na esfera privada, a gestão ambiental caracteriza-se pela forma através da
qual a organização se mobiliza, interna e externamente, para a conquista da qualidade
ambiental desejada. Ela consiste em um conjunto de medidas que visam ter controle sobre o
impacto ambiental de uma atividade (SEIFFERT, 2009). Enfim, a gestão ambiental
empresarial num mundo onde a sustentabilidade é o novo paradigma de desenvolvimento,
deve ser entendida como um conjunto de diretrizes e atividades administrativas (tais como
planejamento, direção, controle, alocação de recursos, etc) realizadas com o objetivo de obter
efeitos positivos sobre o meio ambiente, seja reduzindo/eliminando os problemas causados
pelas ações humanas, seja adotando as medidas propícias a sua ocorrência (BARBIERI,
2007).
Entre as principais justificativas para o setor empresarial adotar práticas de gestão ambiental
estão: benefícios econômicos (através da economia de custos devido à redução do consumo de
água, energia e outros insumos; economia devido à reciclagem, venda e aproveitamento de
resíduos e diminuição de efluentes; redução de multas e penalidades por poluição);
incremento de receitas (através do aumento da participação no mercado devido a inovação dos
produtos e menos concorrência; de linhas de novos produtos para novos mercados; de
aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da poluição);
benefícios Estratégicos (como melhoria da imagem institucional; renovação do “portfólio” de



207 | P á g i n a

produtos; aumento da produtividade; alto comprometimento do pessoal; melhoria nas relações
de trabalho; melhoria e criatividade para novos desafios; melhoria das relações com os órgãos
governamentais, comunidade e grupos ambientalistas; acesso assegurado ao mercado externo)
(DONAIRE, 1999). A gestão ambiental é algo que depende diretamente do tipo de atividade
desenvolvido pela empresa e pelo porte da mesma. Dado o histórico das grandes catástrofes
ambientais convencionou-se associar gestão ambiental a empresas de grande porte. Contudo,
deve-se considerar que em um país onde das 5,1 milhões de empresas, 98% são de micro e
pequeno porte, não dispensar a devida atenção para o impacto ambiental deste setor é um
equívoco.
A ISO 14000 (ABNT, 2005) define impacto ambiental como qualquer alteração do meio
ambiente, benéfica ou danosa, que resulte no todo ou em parte das atividades, produtos ou
serviços de organização. Já a Resolução Conama 001/86 especifica que o impacto ambiental é
a alteração de qualquer parâmetro ambiental (físico, químico, biológico ou sociocultural)
decorrente de ação antrópica, como assinala Almeida et al. (2000).
Empresas do setor concentrado (BRAGA, 2005), em particular as que estão vinculadas a
Associação Brasileira das Indústrias Química – Abiquim, que são empresas de grande porte, já
adotam medidas preventivas associadas às questões ambientais nas suas atividades. No
entanto, as pequenas empresas, a exemplo das lavanderias industriais, têm dificuldades de
acesso e aquisição de tecnologias mais limpas e aos recursos governamentais destinados a essa
área, além de muitas vezes não aplicarem ferramentas de planejamento, controle e gestão
ambientais.
Gestão ambiental é a forma pela qual a empresa se mobiliza, interna e externamente, na
conquista da qualidade ambiental desejada (ALMEIDA, 2009). Dessa maneira, reduzem
impactos negativos sobre o meio ambiente e melhoram o gerenciamento de riscos,
reconhecendo a crescente importância da gestão ambiental no meio empresarial. Neste
contexto, a aplicação do modelo de Gestão Ambiental representa uma ótima ferramenta para o
enquadramento destas empresas no conceito de Desenvolvimento Sustentável e para a
realização de um Planejamento Estratégico Ambiental (PEA).
A educação ambiental é o processo onde o indivíduo e a coletividade constroem valores
sociais, conhecimentos, atitudes e competências voltadas para conservação do meio ambiente,
bem de uso comum e necessário à sadia qualidade de vida da sociedade (BRASIL, 1999). A
importância da educação ambiental reside no fato de que é ela que assegura a perenidade das
ações de gestão ambiental através da alteração de comportamentos e elevação da consciência
ambiental. Desta forma, de pouco adianta desenvolver ações de gestão ambiental se a própria
sociedade não está devidamente preparada. O mesmo pode ser dito da educação ambiental no
ambiente da empresa. Assim, para assegurar que os esforços se perpetuem, é desejável que as
ações de gestão ambiental estejam ligadas a estratégias de educação ambiental (BARBIERI,
2007; SEIFFER, 2009).
Há, basicamente, duas vias para se promover a educação ambiental: formal, desenvolvida nos
espaços formais de ensino, como escolas e Universidades, e informal, ocorre fora dos
estabelecimentos de ensino formal como igrejas, organizações não governamentais e outros
(BRASIL, 1999). Dadas as especificidades do ambiente de trabalho em micro e pequenas
empresas, é mais provável que uma educação ambiental informal tenha resultados mais
expressivos que a versão formal.
Entre as possibilidades de se promover a educação ambiental informal no local de trabalho,
está a utilização de cartilhas (qualquer compilação elementar que preceitue um padrão de



208 | P á g i n a

comportamento por meio de ilustrações). O uso de ilustrações é útil porque: reproduz, em
muitos aspectos a realidade; facilita a percepção de detalhes; reduz ou amplia o tamanho real
dos objetos representados; torna próximos fatos e lugares distantes no espaço e no tempo e;
permite a visualização imediata de processos muito lentos ou rápidos.
Para que seja bem-sucedido o uso de uma cartilha, é preciso que seja focada numa realidade
específica, como recomenda Santos (2005). No entanto, a literatura que trata do tema é
escassa, ainda mais quando se trata de micro e pequenas empresas. Nesta perspectiva, o
presente resumo tem como objetivo apresentar uma proposta de metodologia para elaboração
de cartilhas focadas na educação ambiental. Uma cartilha deve ser de preferência, um projeto
coletivo, por meio de uma construção dialógica, resultado do trabalho em equipe
multidisciplinar. Isto porque a articulação de saberes tende a gerar um produto holístico ao
passo que se concebido de forma disciplinar, teria uma visão fragmentada (FOLADORI,
2001; CAPRA, 2002; COIMBRA, 2004).
Embora a cartilha ainda encontre-se na fase inicial de testes, espera-se que o resultado seja
positivo, uma vez que em sua concepção foram recepcionados vários dos princípios
advogados por Condeixa e Bodra (1973) para a produção de materiais educacionais
impressos, a saber: teste prévio, conteúdo adequado à audiência, forma, legibilidade,
inteligibilidade e avaliação.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ressalta-se o valor de se buscar o desenvolvimento metodológico para a implementação da
Gestão Ambiental para as Micro e Pequenas Empresas, em face de sua importância enquanto
geradora de emprego e renda, assim como de formação de consciência ambiental para a
população, alem da diminuição do potencial impactante destas. Compreende-se que apesar
deste ser um trabalho pioneiro para tal abordagem, ainda há a necessidade de um maior
aprofundamento dos estudos e da checagem do modelo metodológico aqui proposto, visto a
nuances dispares que cada um dos demais setores possa apresentar, alem de particularidades
locais e regionais ate mesmo dos três setores aqui estudados.
Observa-se que há a necessidade de um maior investimento dos entes públicos para o
desenvolvimento da Gestão Ambiental nas Micro e Pequenas Empresas e que grupos
multidisciplinares, que apresentem dinâmica dialógica na construção dos processos, são mais
favoráveis ao pensar do novo e a solução dos desafios futuros advindos da temática ambiental.

6 AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem ao Sebrae-PE, nas pessoas de Maurício Correa e sua equipe pelas
informações e auxílio técnico prestado na realização desta pesquisa.

7REFERÊNCIAS
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212 | P á g i n a



Utilização do Sistema de Logística Reversa: uma Alternativa para
Reduzir Custos e Agregar Valor


Andresa Karla Silva Carvalho (IFRN) andresa.satyagraha@gmail.com
Elisângela Monteiro de Oliveira Carvalho (IFRN) elisangelamdo@yahoo.com.br
Flávia Tatiane Ribeiro de Lima Carvalho (IFRN) flaviatrl@yahoo.com.br
Gelmária Rodrigues de Souza Carvalho (IFRN) gel-rodrigues@hotmail.com

RESUMO
As mudanças no meio ambiente estão começando a afetar a vida dos seres humanos. As
empresas juntamente com a população precisam buscar soluções que não prejudiquem o meio
ambiente e não sejam afetadas pelos danos causados a este. Com isto, é necessária a adoção
de práticas ecologicamente corretas, tais como a logística reversa; esta por sua vez consiste
em um processo onde o produto parte do ponto de consumo até o ponto de origem. O
principal objetivo desse estudo é evidenciar os princípios da logística reversa, bem como seu
diferencial de custos e competitivo e a preservação do meio ambiente.
PALAVRAS-CHAVE: Mudanças; Logística Reversa; Práticas; Meio Ambiente.


1 INTRODUÇÃO
O processo de Logística Reversa tem se tornado necessário e ao mesmo tempo comum em
algumas empresas, é notório que o conceito para este tema pode-se resumir em retorno de
produtos, redução da fonte, reciclagem, substituição de materiais e remanufatura.
Podemos verificar que em algumas indústrias tais como: automobilística, eletrônicos e
cosméticos, o processo de logística reversa ainda está recente, porém podemos perceber que
em resultado desta prática, há um aumento na lucratividade da empresa e uma redução nos
desperdícios.
O crescimento populacional em termos globais é perceptível e em conseqüência disto, o
consumismo desenfreado é notório, o qual se evidenciou com o surgimento da Revolução
Industrial e que continua crescendo de forma descontrolada. Com isto, as indústrias tomam
“posse” dos recursos naturais, utilizando-os de forma irracional e predatória.
Sendo assim, tornou-se necessário a criação e a utilização de novas técnicas ou sistemas que
atendessem a crescente demanda do consumismo. Visando a preocupação ecológica de alguns
consumidores, as empresas criaram novos padrões competitivos de serviços ao cliente, os
quais por sua vez, agregam valor a sua imagem corporativa.
As empresas são as responsáveis por suas inovações tecnológicas, adotando medidas de
preservação ambiental, tais como a aplicação da Logística Reversa, que também é conhecida
como Logística Inversa, sendo esta uma prática recente para solucionar problemas ambientais
e também para atender um requisito imposto pelo mercado.

213 | P á g i n a

No Brasil, a preocupação ambiental tornou-se significativa no final dos anos 80, acentuando-
se na década de 1990 com a realização da Eco 92 no Rio de Janeiro.
“O Brasil está atingindo um nível crescente no contexto de logística reversa, tendo uma
legislação ambiental compatível com a realidade atual e bem abrangente com normas legais
de produtos conforme sua especificidade.” (FELIZARDO, J.M. et al, 2002).
Atualmente, há um incentivo na criação de fontes reversas de distribuição que minimizem e
solucionem o problema da quantidade de produtos descartados no meio ambiente, desta forma
a Logística Reversa apresenta-se como uma verdadeira ferramenta para o crescimento da
sustentabilidade.
Sendo assim, as empresas devem analisar o ciclo de vida dos produtos em que estão
produzindo, esta é também uma forma de avaliar qual o impacto que um produto causará
sobre o meio ambiente durante toda a sua vida, sendo a empresa responsável pelo destino de
seu produto antes e após o consumo, visando à preservação do meio ambiente.

2 ANÁLISE DO CICLO DE VIDA
A ACV – Análise do Ciclo de Vida do Produto é uma eficiente ferramenta de controle
ambiental, que avalia o desempenho dos produtos ao longo de todo o seu ciclo de vida, desde
a extração dos recursos naturais (berço), passando por todos os elos industriais de sua cadeia
produtiva, pela sua distribuição e uso, até sua disposição final (túmulo).
O ACV é uma técnica de levantamento de aspectos ambientais associados á cadeia produtiva
de uma indústria, de compilação e avaliação das entradas, das saídas e dos impactos
ambientais potenciais de um sistema de produto ao longo do seu ciclo de vida.
A Aplicação do ACV permite ao produtor identificar os pontos de geração de resíduo na
cadeia produtiva, um melhor controle do processo quantificação de perdas de produção,
correta segregação de efluentes, resíduos e emissões e até substituição de produtos tóxicos por
outros de baixa toxicidade, por exemplo.
Neste contexto de implantação de novas técnicas que possam melhorar o processo industrial,
seja pelo ponto de vista ambiental e econômico das empresas, surge a Logística Reversa, um
elemento fundamental que auxilia a aplicação do ACV assessorando os processos de
planejamentos, controle de fluxo, estoque de matérias primas, entre outros aspectos da
produção, e pode viabilizar a utilização de materiais recicláveis, a reintrodução de materiais
rejeitados ao processo produtivo e com isso aumentar a sua eficiência produtiva, gerando cada
vez menos consumo de água e energia, diminuir os desperdícios de materiais e
conseqüentemente obter menor geração de resíduos e impactos ao Meio-Ambiente.
A importância da logística reversa na elaboração das Análises do Ciclo de Vida dos produtos
nas empresas, visa detectar os aspectos de relevância ambiental em todas as etapas do ciclo de
vida dos produtos, da extração e manufatura ao pós consumo, objetivando o uso de
tecnologias mais adequadas, possibilitando a redução dos materiais utilizados no processo
produtivo, concebendo-os com possibilidade de reuso após o término de sua vida útil, e
reaproveitamento mais eficiente de seus componentes e materiais.
A Logística Reversa é uma ferramenta que aliada aos estudos da ACV, dentre outras
aplicações de um Sistema de Gestão Ambiental empresarial, é uma tendência nova e eficiente,
que demonstra bom desempenho e boa permanência das empresas que utilizam estes
princípios no mercado, visando uma boa política de produção, atendendo ás exigências
ambientais e sociais.

214 | P á g i n a


3 A LOGÍSTICA REVERSA
Segundo Leite (2003 p.16-17), a Logística Reversa é a “área da logística empresarial que
planeja, opera e controla o fluxo e as informações logísticas correspondentes, do retorno dos
bens de pós-venda e de pós-consumo ao ciclo de negócios ou ao ciclo produtivo, por meio de
canais de distribuição reversos, agregando-lhes valor de diversas naturezas: econômico,
ecológico, legal, logístico, de imagem coorporativa, entre outros”.
Logística Reversa é um tema relativamente novo e bastante amplo, podemos dizer que é um
termo genérico que segue basicamente o fluxo contrário ao da Logística Direta, seja de
produtos ou de bens de consumo. “A logística reversa pode ser definida como o processo
inverso da logística” (Luttwak, 1971).
O conceito de Logística Reversa pode variar de acordo com a visão de cada segmento, visto
que empresas distribuidoras podem conceituar Logística Reversa como o retorno de
mercadorias vendidas, enquanto que indústrias podem conceituar como retorno de produtos
com defeito, isso se deve ao fato de que de que o ciclo de vida de cada produto, bem ou
serviço, é diferente. Isso nos leva á um conceito mais amplo, que está por traz do conceito de
L.R. que é o do “Ciclo de Vida” do produto.
Do ponto de vista Logístico a vida de um produto não termina com sua entrega ao cliente, já
que produtos se tornam obsoletos, danificados ou não funcionam e devem retornar ao seu
ponto de origem para uma correta destinação final, seja por reparo, reaproveitamento
reciclagem ou descarte.
Em seu sentido mais amplo, Logística Reversa é o conjunto de todas as operações
relacionadas com a reutilização de produtos e materiais, incluindo atividades de coleta,
desmontagem e processamento de produtos ou materiais que retornam à empresa seja por
devolução de cliente, retorno de embalagens, produtos e/ou materiais, para atender a
legislação, retrabalho de material acabado dentre outros.
O ponto crucial da Logística Reversa é a definição de resíduo, posto que o termo “resíduo”
acarrete em conseqüências legais. Portanto, a Logística Reversa concentra-se nos fluxos onde
existe a possibilidade de recuperar certo valor do produto qualquer em questão, e este pode
entrar em uma nova cadeia de suprimentos.

4 REQUISITOS LEGAIS QUE ABRANGEM A LOGÍSTICA REVERSA
4.1 Constituição Federal Brasileira
A Constituição Federal Brasileira trata de forma abrangente os assuntos ambientais,
reservando à união, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, a tarefa de proteger o
meio ambiente e de controlar a poluição, ela ainda não contém um dispositivo adequado para
controlar os descartes de resíduos sólidos.

4.2 Leis Estaduais
Alguns estados que criaram leis para tratar de forma adequada os descartes de resíduos
sólidos.



215 | P á g i n a

4.2.1 São Paulo
Lei 11.387 de 2003, que prevê a deliberação apropriada de novas resoluções a respeito
deste tema.

4.2.2 Paraná
Lei 12.493 de 1999 define os princípios e regras aplicadas à geração,
acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e destinação final dos
resíduos sólidos.

4.2.3 Rio de Janeiro
Lei 3369 de 07 de janeiro de 2000 estabelece que todas as empresas que utilizam
garrafas e embalagens plásticas na comercialização de seus produtos serão responsáveis pela
destinação final, ambientalmente adequada das mesmas.

4.3 Código de Defesa do Consumidor
Lei 8.078 do ano de 1990 garante ao consumidor Brasileiro direitos após a aquisição
de bens e serviços, seja de troca, reparo ou devolução, atribuindo um prazo de sete dias para o
consumidor se manifestar.

4.4 Outras Leis
A Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, estabelece que a responsabilidade pelos danos
ambientais causados como poluidor a pessoa física ou jurídica responsável, direta ou
indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental.
A Lei 7.802, criada em 1989 e regulamentada pelo decreto federal 98.816, dispõe sobre a
destinação final dos resíduos e embalagens de agrotóxicos, seus componentes e afins.

Outras resoluções existentes objetivam-se em suprir a deficiência normativa, tais como as do
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). Em seguida estão algumas dentre essas
resoluções:
 Resolução 362, de 23 de junho de 2005 - Todo óleo lubrificante usado ou contaminado
deverá ser recolhido, coletado e ter destinação final apropriada para propiciar a máxima
recuperação dos constituintes nele contidos;
 Resolução 307, de 5 de julho de 2002 - Estabelece o gerenciamento de resíduos
provenientes da construção civil, distinguindo entre eles os que podem ser reutilizados,
reciclados ou direcionados a destinação final;
 Resolução 358, de 29 de abril de 2005 - Responsabiliza os geradores de resíduos de serviço
de saúde e ao devido responsável legal pelo gerenciamento dos resíduos desde a geração até a
disposição final, de forma a atender aos requisitos ambientais e de saúde pública e saúde
ocupacional;

216 | P á g i n a

 Resolução 257, de 30 de junho de 1999 - Estabelece que pilhas e baterias que contenham
em suas composições chumbo, cádmio, mercúrio e seus compostos, tenham os procedimentos
de disposição final, reutilização, reciclagem ou tratamento ambientalmente adequado;
 Resolução 013, de 14 de setembro de 1989 - Análise do destino final de lixo radioativo;
 Resolução 009, de 31 de agosto de 1993 - Estabelece definições e torna obrigatório o
recolhimento e destinação adequada de todo o óleo lubrificante usado ou contaminado;

5 COMPENSAÇÃO DA LOGÍSTICA REVERSA
A empresa que possui um fluxo reverso para produtos com defeitos ou até mesmo que
chegaram ao fim de sua vida útil, dando um destino adequado a esses equipamentos, seja no
reuso para a fabricação de produtos secundários, ou na reciclagem do material para a
confecção de um novo produto, pode gerar uma economia significativa, pois ao invés de
gastar com o tratamento e a disposição adequada do rejeito, pode reprocessar o mesmo
evitando a compra de matéria prima e o acúmulo de lixo no meio ambiente.
A consciência do consumidor e a própria legislação, tem feito muitas empresas adotarem essa
postura responsável de cuidar dos seus produtos que já chegaram ao fim de sua vida útil e isto
reflete positivamente para a organização na conquista da confiança do consumidor e também
para obtenção de certificações.
As empresas que adotam a Logística Reversa valorizam a imagem da corporação, obtém mais
lucros, adquirem um diferencial competitivo em virtude da responsabilidade ambiental,
adquirida à medida que um produto que seria descartado é reutilizado para outro fim.
É por meio da Logística Reversa que produtos com defeitos podem retornar a cadeia
produtiva, para passarem por reparos e retornarem ao mercado; isso confere a empresa menos
prejuízo já que ao invés de fabricar um novo produto.
Os produtos recém fabricados que são devolvidos por apresentarem algum tipo de defeito por
meio da Logística Reversa para passar por reparos, possibilitando assim o retorno desse
produto ao mercado e conferindo a empresa menos prejuízo financeiro.
Ao invés de se investir altas quantias no tratamento e disposição correta de produtos e
equipamentos, é mais rentável retorná-los a cadeia produtiva para serem reciclados ou
parcialmente aproveitados.

6 OS BENEFÍCIOS OCASIONADOS PELA PRÁTICA DA LOGÍSTICA REVERSA
6.1 Preservação ambiental
A logística reversa contribui fundamentalmente para a preservação do meio ambiente ao
reintroduzir os produtos consumidos novamente no processo produtivo, agregando valor aos
rejeitos. Dessa forma, os rejeitos adquirem caráter de matéria prima, evitando, portanto a
retirada de matérias primas naturais poupando os recursos do meio ambiente. Além disso,
pode-se citar também a redução do consumo de energia em alguns processos, por exemplo:
“A reciclagem de alumínio economiza 95% de energia elétrica utilizada para fabricação do
alumínio primário. Este custo é expressivo quando se considera que a energia elétrica
representa 70% do custo de fabricação do alumínio” (LEITE, 2003 apud CHAVES E
MARTINS, p.07, 2004).


217 | P á g i n a

6.2 Redução de custo
Essa redução deve-se principalmente ao reaproveitamento de materiais e também das
embalagens retornáveis, como também da redução do consumo energético em alguns casos.
Ainda há a diminuição dos custos com descarte de lixo.

6.3 Razões competitivas
A Logística Reversa trata sem duvidas de uma estratégia econômica e ambiental perante a
concorrência empresarial, visto a redução de custos que a empresa pode adquirir com essa
ferramenta e também a influencia do marketing ambiental, sobretudo nos ditos consumidores
verdes. Além disso, em virtude dos produtos que são devolvidos, faz-se importante a
implantação de uma Logística Reversa de modo a gerir adequadamente esses bens de forma a
não prejudicar a lucratividade da organização.

6.4 Diferenciação da imagem corporativa
A empresa que implanta a Logística Reversa ganha e passa a trabalhar com a imagem de
empresa ecologicamente correta. Que se torna parte da estratégia de markenting do
empreendimento de modo a adquirir maior respeito dos consumidores alem da valorização
dos seus produtos.
“As empresas têm interesse em posicionar suas imagens corporativas como
comprometidas com questões ambientais, pois (...) ações convenientemente
dirigidas à preservação ambiental, certamente serão recompensadas com salutares
retornos de imagem diferenciada como vantagem competitiva.” (LEITE, 2003:27
apud CHAVES e MARTINS, p. 08, 2004).

Quando a Logística Reversa não é realizada de forma intencional, pode acarretar em aumento
de custo nas empresas, o que diz respeito à logística de pós venda, quando “materiais que
voltam aos seus centros produtivos devido às falhas na produção, pedidos emitidos em
desacordo com aquilo que o cliente queria, troca de embalagens, etc.” (Guia de Logística).
As empresas que não se preparam para o recebimento desses materiais, elaborando uma
estratégia de logística reversa, pagam altos custos uma vez que “processos como
armazenagem, separação, conferência, distribuição serão feitos em duplicidade, e assim como
os processos, os custos também são duplicados” (Guia de Logística).

7 O CASO DAS EMBALAGENS PET
O polímero de PET é um poliéster que inicialmente era utilizado apenas na substituição do
algodão como fibra têxtil, e depois na década de 80, na aplicação de filmes para embalagens.
É preciso considerar que o poliéster usado na produção de fibras e filamentos e o poliéster são
produtos com a mesma base de matérias-primas, mas, que na sua fabricação, recebem aditivos
diferentes, de acordo com o uso final pretendido.
O surgimento das embalagens PET se deu no início da década de 1990 e trouxe grandes
benefícios para a indústria de bebidas, devido a características como transparência que torna o
produto mais atraente e acima de tudo o preço mais vantajoso que as matérias anteriormente
utilizadas como os vidros e metais.

218 | P á g i n a

Além do mais, o PET veio a solucionar um problema que a indústria tinha com a perda de
garrafas retornáveis com quebras e falhas de logística reversa onde algumas unidades eram
perdidas, e assim a indústria necessitava de um estoque muito grande de garrafas para repor
essas perdas. Essas embalagens tinham um custo bastante alto o que encarecia bastante o
produto.
Com o fracasso do primeiro sistema de logística reversa na indústria de refrigerantes, no caso
das garrafas retornáveis, deu origem a uma larga escala de produção de embalagens PET e
com isso uma crescente produção de resíduo. Um dos principais desafios tem sido sua
reciclagem, pois caso incorretamente descartado, gera um grande impacto ambiental, devido a
sua resistência alta a biodegradação.
Do total de PET reciclado no Brasil em 2004, 37,1% foi destinado à indústria têxtil, que é a
principal aplicação para o produto (ABIPET, 2006). Outra parcela relevante foi destinada às
cerdas para confecção de vassouras, embalagens para produtos de limpeza, carpetes e
enchimentos de travesseiros. Os esforços atuais estão direcionados no sentido de se obter um
produto acabado de polímero reciclado que possua propriedades as mais próximas possíveis
do polímero virgem, para ser empregado na confecção de materiais com aplicações mais
nobres (Spinacé e Paoli, 2005).

1) Extração
Do petróleo
2) Processo de
refinamento
3) Resina
virgem
4) Pré-forma
5) Garrafa
CADEIA DIRETA
CADEIA REVERSA
6) Uso pelo
consumidor
7) Descarte
8) Coleta
Seletiva
9) Moagem e
descontaminação
10) Transformação
em fibra
12) Tecelagem
13) Confecção 11) Fiação


Figura 1: O ciclo da garrafa PET desde a origem até a reciclagem com a confecção de camisetas.

Como a legislação brasileira não permite a utilização de embalagens plásticas recicladas para
alimentos, essas embalagens devem ser recolhidas para serem destinadas à reciclagem por
outros ramos industriais. Ou seja, a indústria de alimento pode utilizar a logística reversa para
recolher essas embalagens, que elas produziram e, portanto é de sua responsabilidade o seu
destino final, e então, dar um destino adequado, repassando – as a outras indústrias que as
possam reciclar.
Contudo, o consumidor é a peça chave no processo de reciclagem do PET, pois é ele que vai
decidir o que fazer com a embalagem pós-consumida, para esta existem duas possibilidades.
O reuso da embalagem pelo consumidor ou a reciclagem, para esta ultima tem vários
caminhos por onde a garrafa percorre até chegar a este fim. Isto porque no Brasil a coleta

219 | P á g i n a

seletiva não atingir ainda todos os municípios, com isso esse trabalho é feito por catadores
configurando-se num problema de ordem social.

CONSUMIDOR
CATADORES
INDÚSTRIA DE
BEBIDAS
EMPRESAS
ATRAVESADORAS
INDÚSTRIAS
RECICLADORAS
COLETA SELETIVA
DO MUNICIPIO
LOGISTICA REVERSA DASGARRAFAS PET


Figura 2: Caminhos mais prováveis que a garrafa pode decorrer até ser reciclada.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Logística Reversa vem se desenvolvendo com a adesão crescente das empresas que já a
enxergam como um diferencial competitivo. Tem um papel fundamental para o
gerenciamento dos resíduos sólidos bem como sua destinação final, como a reciclagem;
agregando valor aos produtos pós vendidos e consumidos de modo a torná-los matérias
primas secundárias.
Além disso, as empresas que investem em Logística Reversa podem gerar receitas extras com
a venda de retornáveis, por exemplo, e com a própria economia de matéria-prima, poupando
os recursos naturais. As empresas podem também usufruir do marketing ambiental, investindo
na melhora da imagem da empresa para atrair os chamados consumidores verdes.
Embora o potencial da atividade de Logística Reversa na economia seja econômica e
ambientalmente importante, a falta de visão da atividade como geradora de vantagem
competitiva às empresas compromete a estruturação e a eficiência destes canais.
Quando se verifica a gestão estratégica que trata do fim da vida dos produtos, é possível
elaborar ferramentas de extrema importância que transcendem à sua reciclagem. Entretanto, é
necessário que em pesquisas futuras sejam desenvolvidas e analisadas bases metodológicas
eficientes e adequadas à gestão ambiental do ciclo completo dos produtos, aí incluídos a
concepção, a produção, o uso e o pós-consumo.

220 | P á g i n a

Como implicações gerenciais, este estudo acredita que as empresas podem alcançar uma
vantagem competitiva sustentável por diferenciação de sua imagem e de redução de custos
(no caso da empresa de reciclagem). Porém este processo deve ser acompanhado por fortes
incentivos de promoção (propaganda, força de vendas, dentre outros), para contribuir para os
resultados esperados na concepção da logística reversa. Este tipo de campanha é susceptível à
conscientização por parte dos consumidores, bem como de sua percepção das vantagens em
participar dela.
As empresas devem estar prontas para atender as exigências e pressões do mercado, do
consumidor e da legislação vigente, pois a escolha pela sustentabilidade em termos de
logística, é peça fundamental para o crescimento econômico da própria empresa, bem como a
melhoria do Meio Ambiente.

9 REFERÊNCIAS
A Logística Reversa no Processo de Revalorização dos Bens Manufaturados. Disponível em:
<http://www.facef.br/rea/edicao07/ed07_art03.pdf> Acesso em 7 de julho de 2009.
A Logística agora funciona indo e vindo. Disponível em:
<http://projetoalpha.blogspot.com/2008/08/logstica-agora-funciona-indo-e-vindo.html> Acesso em 10
de julho de 2009.
Especial Consumo Consciente: Marcas já fazem a sua parte. Disponível em:
<http://www.clrb.com.br/noticia_041.php> Acesso em: 15 de julho de 2009.
FELIZARDO, Jean Mari; JUNIOR, Silvestre Labiak; CASAGRANDE JUNIOR, Eloy Fassi e
HATAKEYAMA, Kazuo. A inserção da logística reversa em habitats de empreendedorismo: um
estudo de caso no CEFET-PR. Curitiba: CEFET/PR, 2002.
Gestão Integrada. Disponível em: <http://br.hsmglobal.com//notas/45327-gestão-integrada> Acesso
em 08 de junho de 2009.
Há vida após a morte: um (re)pensar estratégico para o fim da vida das embalagens. Disponível
em: <http://www.scielo.br/pdf/gp/v13n3/08.pdf> Acesso em 13 de julho de 2009.
LEITE, Paulo Roberto. Logística Reversa: meio ambiente e competitividade. São Paulo: Prentice
Hall, 2003.
Logística - Evolução na Administração - Desempenho e Flexibilidade. Disponível
em:<http://books.google.com/books?hl=ptBR&lr=&id=6dmhKjaxJkwC&oi=fnd&pg=PA17&ots=o8B
8BvWgVA&sig=eoRsVCyFaBYzELQupEI2dGYk8YI> Acesso em 13 de julho de 2009.
Logística Reversa. Disponível em: <http://instituto5dejunho.blogspot.com/2008/12/logstica-
reversa.html> Acesso em 9 de julho de 2009.
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15 de julho de 2009.
Logística reversa como vantagem competitiva às Empresas: discussão teórica e o potencial para
a cadeia de suprimentos de alimentos processados. Disponível em:
<http://74.125.95.132/search?q=cache:2Kyut0rJ7rQJ:airl-
logistique.org/fr/files/%3Fview%3D233+logistica+reversa+vantagem&cd=3&hl=pt-
BR&ct=clnk&gl=br&client=firefox-a> Acesso em 18 de julho de 2009.
Logística Reversa: o diferencial competitivo na economia globalizada. Disponível
em:<http://www.craweb.org.br/artigos/logistica/artigos/marcos_vinicios_ibias/logistica_reversa_o_dif
erencial_competitivo_na_economia_globalizada.asp> Acesso em 10 de julho de 2009.
Logística Reversa - O Reverso da Logística. Disponível em:
<http://www.guiadelogistica.com.br/ARTIGO394.htm> Acesso em 18 de julho de 2009.

221 | P á g i n a

Logística Reversa no Brasil: a visão dos especialistas. Disponível em:
<http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2003_TR0112_1450.pdf > Acesso em 3 de julho de
2009.
Logística Reversa numa empresa de laminação de vidros: um estudo de caso. Disponível em: <
http://www.scielo.br/pdf/gp/v13n3/03.pdf> Acesso em 13 de julho de 2009.
Logística Reversa: Oportunidade para redução de custos através do Gerenciamento da Cadeia
Integrada de Valor. Disponível em: <http://www.bbronline.com.br/upld/trabalhos/pdf/32_pt.pdf>
Acesso em 23 de junho de 2009.
Logística Reversa no Brasil. Disponível em: <http://www.ogerente.com.br/log/dt/logdt-an-
logistica_reversa_brasil.htm> Acesso em 15 de julho de 2009.
Os consumidores valorizam a coleta de embalagens recicláveis? Um estudo de caso da Logística
Reversa em uma rede de hipermercados. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/gp/v13n3/05.pdf> Acesso em 13 de julho de 2009.
WAL-MART e COCA-COLA - Estação de Reciclagem visa ao desenvolvimento sustentável.
Disponível em: <http://www.clrb.com.br/noticia_024.php> Acesso em 16 de julho de 2009.




222 | P á g i n a


Reciclagem de Óleo no IFRN Campus de Currais Novos – uma
Contribuição Ambientalmente Correta de Destinar o Óleo de Cozinha
Usado

Maria Dalgeany de Araújo Domingos (IFRN – Currais Novos)
mariadalgeany_IFRNCN@gmail.com
Dayse Evellym Dantas Campêlo (IFRN – Currais Novos)
dayseevellym_IFRNCN@gmail.com
Carlos Monteiro de Lima (IFRN – Currais Novos) cm@cefetrn.br
Regina Célia Pereira Marques (IFRN – Currais Novos) regina.marques@cefetrn.br


RESUMO
Os brasileiros consomem em torno de três bilhões de litros de óleo de cozinha por ano. O óleo
de cozinha usado é um poluente, podendo causar problemas ambientais sérios. Ao ser jogado
pelo ralo, o óleo usado vai para a rede de esgotos e chega aos rios, mares e lagoas,
prejudicando o equilíbrio desses ecossistemas. Um litro de óleo pode contaminar até um
milhão de litros de água. Além de impermeabilizar o solo, o óleo descartado inadequadamente
também adere às paredes das tubulações de esgoto, facilitando o entupimento e a ocorrência
de enchentes. Se descartado no lixo comum, o material se decompõe emitindo metano, um
dos gases causadores do efeito estufa. A solução para esse problema é a reciclagem do óleo
vegetal. A simples atitude de não jogar o óleo de cozinha usado direto no lixo ou pelo ralo da
pia pode contribuir para diminuir o aquecimento global. Com o óleo reciclado é possível a
produção de outros produtos como, por exemplo, sabão, ração para animais e biodiesel,
evitando assim que o ambiente seja prejudicado. O objetivo deste projeto foi realizar um
estudo a respeito do total de óleo de cozinha utilizado na lanchonete/restaurante do campus
Currais Novos e sobre o seu descarte. Constatou-se que grande parte dos funcionários
desconhece os métodos de reaproveitamento do óleo utilizado, descartando os mesmos em
redes de esgoto causando entupimento e contaminando reservatórios de água. Analisando os
dados obtidos neste trabalho percebeu-se que se todos os estabelecimentos alimentícios dos
IFRNs reciclassem todo o óleo utilizado, estariam deixando de poluir em média quase 1
bilhão de litros d’água potável por mês ou o equivalente a 12 bilhões de litros d’água
anualmente, além de reduzir consideravelmente os danos citados acima. Dessa forma, a
necessidade de um sistema eficiente e integrado de coleta do óleo de cozinha nos IFRNs é
fundamental. É importante um comprometimento ambiental, pois o sucesso destes programas
de reciclagem de óleo de cozinha depende inteiramente da participação da comunidade. Os
custos para a implementação de programas de reciclagem de óleo de cozinha são mínimos e
trará benefícios aos proprietários dos estabelecimentos alimentícios, às empresas de
reciclagem e principalmente ao meio ambiente.
PALAVRAS-CHAVE: reciclagem, óleo de cozinha, meio ambiente.





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1 INTRODUÇÃO
A questão do lixo está se tornando um dos problemas mais graves da atualidade. A reciclagem
é uma forma muito atrativa de gerenciamento de resíduos, pois transforma o lixo em insumos,
com diversas vantagens ambientais. Pode contribuir para a economia dos recursos naturais,
assim como para o bem estar da comunidade (SIMONETO, 2006).
O Brasil produz nove bilhões de litros de óleo de cozinha por ano. A maior parte, depois de
usado, é jogado pelo ralo, um hábito cultural que provoca danos muito maiores do que um
simples entupimento de tubulações. Para se ter idéia, apenas 2,5% deste óleo é reciclado e
reutilizado na cadeia produtiva, o restante polui nossos rios e encarece em 45% o tratamento
na rede de esgoto. O óleo que atinge os rios provoca a impermeabilização dos leitos e terrenos
adjacentes, o que contribui para ocorrência de enchentes. A simples atitude de não jogar o
óleo de cozinha usado direto no lixo ou no ralo da pia pode contribuir para diminuir o
aquecimento global, segundo Alexandre D'Avignon (2006) a decomposição do óleo de
cozinha emite gás metano na atmosfera. O metano é um dos principais gases que causam o
efeito estufa, que contribui para o aquecimento global da Terra. O óleo de cozinha que muitas
vezes vai para o ralo da pia acaba chegando ao oceano pelas redes de esgoto. Em contato com
a água do mar, esse resíduo líquido passa por reações químicas que resultam em emissão de
metano. "Você acaba tendo a decomposição e a geração de metano, através de uma ação
anaeróbica de bactérias" (SIMONETO, 2006).
Mas o que fazer com o óleo vegetal que não será mais usado? A maioria dos ambientalistas
concorda que não existe um modelo de descarte ideal do produto. Uma das alternativas é
reaproveitar o óleo de cozinha para fazer sabão. Os Prejuízos do óleo de fritura ao meio
ambiente são enormes e citados a seguir:
• Impermeabilização do solo, contribuindo para aumento de enchentes;
• Prejuízo à oxigenação da água dos rios, causando danos à fauna aquática;
• Mau cheiro e poluição;
• Entupimento das tubulações;
• Contaminação do lençol freático e poços.
Uma família de quatro pessoas descarta por mês, cerca de 1 a 2 litros de óleo. Descarte esse,
que é feito nos ralos ou então, colocados em saquinhos plásticos e jogados nas latas de lixo
(LIMA, 2000). Atualmente, existem algumas possibilidades de reaproveitamento do óleo,
como: a produção de resina para tintas, sabão e o biodiesel (MBR, 2007).
A fritura é um processo que utiliza óleos ou gorduras vegetais como meios de transferência de
calor, cuja importância é indiscutível para produção de alimentos. Em indústrias de produção
alimentícia, o processo de fritura é normalmente contínuo e a capacidade das fritadeiras pode
ultrapassar 1000 litros. Estima-se que nas UAN's (unidade de alimentação e nutrição) da
cidade e região metropolitana, são mensalmente geradas cerca de 100 toneladas de óleos de
fritura, cujos destinos incluem a produção de sabão, de massa de vidraceiro e de ração animal,
mas que também tem parte de seu volume descartado diretamente no esgoto doméstico
(SIMONETO, 2006).
A contaminação do esgoto se dá pelo óleo que chega intacto aos rios e às represas da cidade, o
mesmo fica na superfície da água impedindo a entrada da luz que alimentaria os fitoplânctons,



224 | P á g i n a

organismos essenciais para a cadeia alimentar aquática. Além disso, quando atinge o solo, o
óleo tem a capacidade impermeabilizá-lo, dificultando o escoamento de água das chuvas,
ocasionando um ambiente propício para as enchentes (SIMONETO, 2006).
Para tentar minimizar o malefício do descarte incorreto do óleo utilizado em frituras a
Universidade de Brasília criou a primeira usina piloto do país, que foi inaugurada em dezoito
de janeiro de 2006 com o objetivo de desenvolver um processo para conversão de óleo vegetal
ou gordura animal em bio-óleo, um combustível que possa ser utilizado em qualquer motor a
diesel assim diminuindo o impacto ambiental (UNB – BRASÍLIA, 2007).
Preocupado com o destino errôneo do óleo de cozinha já utilizado, o objetivo principal deste
trabalho foi à organização da coleta de óleo de fritura da cantina do campus do IFRN de
Currais Novos, para ser utilizado na formulação de sabão em barra e líquido e utilizado no
próprio campus (cantina, cozinha e laboratórios). Também é nosso objetivo desenvolver
palestras junto à comunidade (docente, discente, adminitrativos) do campus de Currais Novos
de conscientização ambiental.

2 MATERIAL E MÉTODOS
1. Foi realizada uma pesquisa transversal, sobre o tema e o destino dos resíduos
utilizados no processo produtivo da lanchontete/restaurante do Campus Currais Novo
e realizado coletas de óleo usado semanalmente.
2. Preparação do Sabão em barra - O amaciante líquido (200 mL) foi diluido em ½ L de
água quente e a soda cáustica (NaOH) em 1 e ½ L de água quente, depois foi
adicionado lentamente as duas soluções ao óleo (4 litros) e foi misturado
constantemente por 20 minutos. Ao final do tempo foi adicionada a essência e todo o
conteudo foi vertido em formas. O preparado ficou em repouso a temperatura
ambiente por 24 horas, quando foi cortado em pedaços de aproximadamente 100 g.
3. Preparação do Sabão líquido - - 6 litros de óleo, 1kg de soda cáustica (NaOH), 4 litros
de álcool, 4 litros de água fervente foram misturados e deixados a temperatura
ambiente por 8 horas, quando foi adicionado 8 L de água fria e deixou em temperatura
ambiente por 1 hora.
4. Teste de aceitação dos sabões (barra e líquido) – Os testes foram realizados com
usuários de sabão industrializado e as questões observadas foram: aparência, poder de
limpeza, cheiro, ação na mão e no caso do líquido, também foi observado à textura.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
A água, este bem precioso, tem sofrido ao longo do tempo os efeitos destrutivos da ação
humana. A poluição de rios, lagoas e mares por restos industriais ou em acidentes com
derramamentos tóxicos é bastante conhecida de todos nós. Um dos elementos mais importante
na poluição das águas, responsável pela extinção progressiva de ecossistemas inteiros, fluviais
e marinhos, está bem pertinho da gente, na verdade, dentro da nossa cozinha: o óleo
comestível seja ele de soja, de milho, de girassol, canola, etc. Poucas pessoas poderiam
imaginar que ao fritar umas inocentes batatinhas, estaria atuando como um dos elementos
mais danosos que existem sobre a qualidade da água e que, progressivamente, leva a uma
extinção da vida nos rios e mares, com conseqüências imprevisíveis (DEUS, 2004). Uma
alternativa inteligente e bem viável e a reciclagem do óleo usado, uma forma bem prática e



225 | P á g i n a

possível de fazer em qualquer lar é a “transformação” do óleo usado em sabão, que poderá ser
usado no lugar de um sabão industrial (ENVOLVERDE, 2007).
O processo que “transformar” o óleo de cozinha usado em sabão e uma reação química
chamada de saponificação. Saponificação é basicamente a interação (ou reação química) que
ocorre entre um ácido graxo existente em óleos ou gorduras com uma base forte e com
aquecimento. O sabão é um sal de ácido carboxílico e por possuir uma longa cadeia carbônica
em sua estrutura molecular, ele é capaz de se solubilizar tanto em meios polares quanto em
meios apolares. Além disso, o sabão é um tensoativo, ou seja, reduz a tensão superficial da
água fazendo com que ela "molhe melhor" as superfícies (FURTADO, 2006). A reação básica
de saponificação pode ser representada pela seguinte equação:
Éster de ácido graxo + Base forte → Álcool + Sal de ácido graxo (sabão)
A equação abaixo representa genericamente a hidrólise alcalina de um óleo ou de uma
gordura (Fig 1):

Figura 1. Equação de sabonificação.
Ao final da produção dos sabões (líquido e em barra), foram realizados os testes de aceitação.
Os critérios avaliados e apresentados abaixo.
Quando avaliamos o critério consistência/aparência do sabão em barra, a aceitação foi de 90%
e do sabão líquido foi de 95% (Fig. 2). Ao avaliarmos o critério poder de limpeza ambos
tiveram 85% de aprovação, com comentários que eles apesar de não espumarem muito,
realizaram uma excelente limpeza.



226 | P á g i n a


Figura 2. Critérios de aceitação do sabão com óleo reciclado. Valores em porcentagem.

O critério cheiro teve uma aceitação de 75% quando o usuário apenas sentia o cheiro do
produto, e quando foi levado em consideração as superfícies, utensílios e panos lavados com o
produto a aceitação subia para 85%. Esse dado mostra que o sabão reciclado pode
perfeitamente substituir o industrializado.
Quando o critério questionado foi à ação nas mãos, 30% (sabão líquido) e 35% (sabão barra)
dos entrevistados indicaram sentir certa aspereza, o que indica que devemos melhorar nossa
formulação em novas preparações (Fig. 3). O índice de rejeição neste critério no meio
comercial é em torno de 20%, essa é a meta que queremos alcançar.

Figura 3. Critérios de aceitação do sabão com óleo reciclado. Valores em porcentagem.




227 | P á g i n a

O critério textura para o sabão líquido teve 90% de aprovação e o fato de não produzir muita
espuma, foi comentado novamente como uma vantagem na hora do enxague.
De uma forma geral, nossos produtos tiveram uma aceitação superior a 80% o que nos deixou
satisfeitos, contudo, são necessários mudanças no protocolo de formulação dos sabões (barra
e líquido), como também uma metodologia para separar a glicerina produzida e formular um
sabonete líquido, que pretendemos utilizar em nossos sanitários em um futuro breve.

4 CONCLUSÃO
Quando reciclamos o óleo de cozinha que iria para os ralos e ter como destino final as águas
dos rios, lagos e oceanos estamos realizando uma reação química (saponificação) que em
muito ajuda o meio ambiente. A reciclagem do óleo de cozinha é de suma importancia para a
manutenção de nossos manaciais e consequentemente para o desenvolimento sustentável do
planeta. Entre as tantas vantagens do sabão produzido a partir do óleo de cozinha, está à
economia de água. O sabão de óleo reciclado produz menos espuma. Com isso o gasto de
água é menor. A produção de sabão a partir do óleo usado é fácil e importante para o meio
ambiente e a qualidade de vida na Terra. A cada litro de óleo reciclado, teremos a “não”
poluição de um milhão de litros de água ambiental.



228 | P á g i n a

5 REFERÊNCIAS
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÃNCIA SANITÁRIA. Dispõe sobre o Regulamento Técnico de
Boas Práticas para Serviços de Alimentação. Resolução n. 216, de 13 de setembro de 2004. Brasília.
BRASIL, Rio de Janeiro. Lei n.4191, de 30 de setembro de 2003. Dispõe sobre a política estadual de
resíduos sólidos e da outras providências.
BRASIL, Rio de Janeiro. Lei n.5065, de 5 de julho de 2007. Institui Programa Estadual de Tratamento
e Reciclagem de óleos e gorduras de origem vegetal ou animal e de uso culinário.
CUNHA, Valeriana; FILHO, José Vicente Caixeta. Gerenciamento da coleta de resíduos sólidos
urbanos: estruturação e aplicação de modelo não-linear de programação por metas. [2002].
DEUS, Ana Beatris Souza; LUCA, Sérgio João de.[2004].Índice de impacto dos resíduos sólidos
urbanos na saúde pública(IIRSP): metodologia e aplicação. Disponível em:
<www.scielo.br/pdf/gp/v13n3/07.pdf> Acesso em: 19 de outubro 2009.
ENVOLVERDE, Coleta de óleo de cozinha. [2007]. Disponível em:
http://envolverde.ig.com.br/?busca=coleta+do+oleo. Acesso em: 14 de setembro 2009.
FURTADO, Bianca. [2006]. Já pensou em reaproveitar seus alimentos: aproveitar os alimentos por
inteiro, além de ser importante para saúde. Disponível em
http://www.portaldovoluntario.org.br/site/pagina.php?idconteudo=972>Acesso em: 14 outubro 2009.
LIMA, Samuel do Carmo; RIBEIRO, Túlio Franco. Coleta seletiva de lixo domiciliar: estudo de
casos. [2000]. Disponível em: <http://www.ig.ufu.br/revista/volume02/artigo04_vol02.pdf > Acesso
em: 29 setembro 2007.
MBR – Comercio de Materiais recicláveis Ltda. Rio de Janeiro, Outubro de 2007.
SIMONETTO, Eugênio de Oliveira; BRENSTEIN, Denis. [2006]. Gestão operacional da coleta
seletiva de resíduos sólidos urbanos: abordagem utilizando um sistema de apoio à decisão. Disponível
em:<www.scielo.br/pdf/gp/v13n3/07.pdf> Acesso em: 19 de setembro 2007.
UNB, Usina Piloto para Craqueamento de óleos Vegetais e Gorduras. [2007]. Disponível
em:<HTTP://www.unb.br/iq/Imc/biooleo.htm> Acesso em: 15 de outubro de 2009.
WIKIPÉDIA, Metano. [2009]. Disponível em:<http://pt.wikipedia.org/wiki/metano>. Acesso em: 20
outubro 2009.




229 | P á g i n a


O Uso Conjunto da ACV e da Logística Reversa como Ferramentas
de Gestão Sustentável de Produção
Adriana Dias Moreira Pires (IFRN) drickinha_p@hotmail.com
Ceres Virginia da Costa Dantas (IFRN) ceresdantas1@gmail.com
Handson Claudio Dias Pimenta (IFRN) handson@cefetrn.br


RESUMO
As pressões ambientais e sociais relativas às responsabilidades das organizações têm
adquirido um espaço cada vez maior na sociedade. O desenvolvimento de um novo paradigma
de produção e consumo vem sendo desenhado. Já é possível observar empresas e
consumidores atentos à sustentabilidade de produtos e serviços. Esta sustentabilidade, que
visa o desenvolvimento de processos produtivos menos agressivos e consumo responsável,
encontra uma barreira no que diz respeito ao processo produtivo e aos custos envolvidos na
logística dos produtos utilizados e descartados, em que as tecnologias mais utilizadas são do
tipo “fim de tubo”. Faz-se necessária a adoção de uma abordagem preventiva estratégica de
produtos, tendo em vista a otimização ambiental ao longo do seu ciclo de vida. A Logística
Reversa e a Avaliação do Ciclo de Vida de produtos surgem então como importantes
ferramentas de implantação do desenvolvimento sustentável, que absorvem todas as
tradicionais funções da logística e operando, ainda, o “fluxo reverso” de produtos/serviços –
com origem no consumidor e retornando à cadeia produtiva, e auxiliando ainda na
identificação de oportunidades de melhorias dos aspectos ambientais, desde a matéria-prima e
fabricação até o uso e disposição, de forma quantitativa e qualitativa. Assim, o
desenvolvimento de ferramentas sustentáveis que permitam melhor desempenho é
fundamental na busca do aumento na produção de bens e serviços de forma a não degradar o
ambiente que, mesmo nos atuais níveis de produção – que estão longe de atender às demandas
totais da população mundial –, já sofre bastante.
PALAVRAS-CHAVE: Sustentabilidade e produção, Logística Reversa, ACV.

1 INTRODUÇÃO
Após as mudanças ocorridas na mentalidade mundial sobre o sistema de produção capitalista
e a incorporação do conceito de desenvolvimento sustentável, as empresas têm buscado cada
vez mais ferramentas de ecoeficiência, tanto para atender legislações quanto para conquistar
um novo mercado que se forma com a ideia de consumo verde.
A percepção de que o ciclo dos produtos na cadeia comercial não acaba quando eles são
descartados está integrando o modelo econômico atual, e vem estimulando a responsabilidade
da empresa sobre o fim de vida do seu produto, considerando a substituição de tecnologias do
tipo “fim de tubo” – medidas ambientais corretivas – por tecnologias pró-ativas, numa
abordagem estratégica preventiva de produtos, com a implantação de processos como
reciclagem e reaproveitamento dos materiais, aliados ao melhor uso de matérias-primas
(recursos renováveis e menos poluentes) e energia na produção. Assim, surgem ferramentas



230 | P á g i n a

para implantação e otimização dos processos de reciclagem, como a Avaliação do Ciclo de
Vida (ACV) e a Logística Reversa.
A ACV consiste em uma avaliação de impactos ambientais ao longo do ciclo de vida de um
produto, ou seja, desde a sua concepção até o momento de descarte pelo consumidor, num
processo também chamado “do berço ao túmulo”, analisando os possíveis aspectos e os
respectivos impactos relacionados à produção do mesmo, considerando, por exemplo, o uso
de energia (renovável e/ou não renovável), questões relacionadas às embalagens, possíveis
impactos relacionados com o uso e transporte, buscando ainda, a redução de custos
desnecessários no processo produtivo e projetando o produto pensando em sua destinação
final, tendo em vista a diminuição da quantidade de resíduos sólidos gerados.
A Logística Reversa surge como o processo oposto à logística convencional, tratando do
retorno tanto das mercadorias consumidas (logística de pós-consumo) quanto das não
consumidas (logística de pós-venda), repensando a cadeia produtiva no sentido inverso, ou
seja, do consumidor à empresa, buscando a reutilização dos materiais e, conseqüentemente, a
diminuição das emissões poluidoras.
O presente trabalho tem como objetivo a explanação sobre o uso conjunto da Avaliação do
Ciclo de Vida e da Logística Reversa como ferramentas de Gestão Sustentável da Produção.
Serão explicitadas suas vantagens e aplicabilidade, mas também quais são as atuais
dificuldades de implantação, principalmente no âmbito do Brasil.

2 FERRAMENTAS DE GESTÃO SUSTENTÁVEL
Quando os efeitos da exploração humana se fizeram notar de forma expressiva no planeta, e
começaram a ocorrer diversas alterações físico-químicas na natureza, em meados da década
de 80, a ideia de desenvolvimento sustentável começou a ser discutida, buscando-se uma nova
compreensão da economia mundial e conseqüente mudança de enfoque do crescimento
econômico: antes, centrado apenas em questões financeiras, tributárias e de geração de
receitas; no novo modelo passa a incorporar as diferenças regionais e sociais e a necessidade
de preservação do meio-ambiente.
Segundo o Relatório da Comissão Mundial de Desenvolvimento e Meio Ambiente das Nações
Unidas, o desenvolvimento sustentável é aquele “capaz de suprir as necessidades da
população mundial sem comprometer as necessidades das populações futuras” (CMMAD,
1988).
Desse modo, o desenvolvimento sustentável começa a fazer parte do sistema econômico atual,
exigindo que as organizações revejam o seu processo produtivo, incorporando o conceito de
“produto verde” tanto com o objetivo de atender legislações que são criadas, quanto para
conquistar novos mercados que se formam nesse contexto.
A percepção de que o ciclo dos produtos na cadeia comercial não acaba quando eles são
descartados tem sido foco no cenário empresarial, estimulando a responsabilidade da empresa
sobre o fim de vida do seu produto, passando a considerar a implantação de processos como
reciclagem e reaproveitamento dos materiais, aliados ao melhor uso de matérias-primas
(recursos renováveis e menos poluentes) e energia na produção. Assim, surgem ferramentas
para implantação e otimização desses processos, como a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV),
a Logística Reversa e o Ecodesign, por exemplo.




231 | P á g i n a

2.1 A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV)
A Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) é uma das principais ferramentas de gestão ambiental, e
que é mais utilizada atualmente. Foi resultado de um processo de tentativas de avaliação do
potencial de impacto ambiental de produtos industriais, iniciada no início dos anos 70 pela
Coca Cola Company, que contratou o Midwest Research Institute (MRI) para comparar os
diferentes tipos de embalagens de refrigerante e selecionar qual deles se apresentava como o
mais adequado do ponto de vista ambiental e de melhor desempenho com relação à
preservação dos recursos naturais. Este processo de quantificação da utilização dos recursos
naturais e de emissões utilizado pela Coca Cola, nesse estudo, passou a ser conhecido como
(Resource and Environmental Profile Analysis - REPA). No entanto, só passou a ter maior
relevância na Europa da década de 80, quando houve maior estímulo à reciclagem,
essencialmente aplicada ao setor de embalagens. A maior prova de que a ACV tornara-se um
instrumento consistente para a realização de avaliações ambientais ocorreu em 1985, quando a
Comunidade Europeia houve por bem recomendá-la como a técnica mais adequada para o
automoitoramento dos consumos materiais e energéticos em quaisquer empresas instaladas
naquele continente. (SILVA; KULAY, 2006). Desde então, passaram a ser incorporados à
Análise do Ciclo de Vida do produto os impactos ambientais gerados desde a sua concepção
até o destino final. A ACV ganhou mais força na década de 90, quando começou a ser
estruturada a partir de 1993 nas séries ISO 14.000.
A série de normas ISO 14000 foi desenvolvida pela Comissão Técnica 207 da ISO (TC 207),
como resposta à demanda mundial por uma gestão ambiental mais confiável, onde o meio
ambiente foi introduzido como uma variável importante na estratégia dos negócios, e foi
estruturada basicamente em duas grandes áreas: nas organizações empresariais e nos produtos
e serviços (ABNT, 2006). As especificações da série ISO 14.000 proporcionaram o uso da
ACV no mercado otimizando a manufatura, o uso racional dos recursos, a redução dos
desperdícios e impactos ambientais, entre outros. Até 2006 foram lançadas as normas técnicas
denotadas na Tabela 1
A ACV avalia o comprometimento ambiental de um determinado produto, processo ou
atividade, a partir da mensuração de fluxos de entrada e saída de materiais, energia e impactos
gerados durante todo o ciclo de vida. De acordo com a ABNT (2001), a ACV é uma técnica
de compilação dos aspectos ambientais e de avaliação dos impactos ambientais potenciais
associados a um produto ou serviço no decorrer de seu ciclo de vida (desde a aquisição da
matéria-prima, à produção, ao uso, e à disposição final), incluindo as categorias uso de
recursos, saúde humana e conseqüências ecológicas. É uma técnica que utiliza a compilação
de um inventário de entradas e saídas do sistema do produto, a avaliação dos impactos
ambientais potenciais associados a essas entradas e saídas e a interpretação dos resultados
obtidos no inventário e na avaliação dos impactos.








232 | P á g i n a


Tabela 1- Normas de Avaliação do Ciclo de Vida
Nº da norma Titulo Descrição
ISO 14040 Princípios e Estrutura Especifica a estrutura geral,
princípios e requisitos para conduzir
e relatar estudos de avaliação do
ciclo de vida
ISO 14041 Definições de escopo e
análise do inventário

Orienta como realizar a análise de
inventário, que envolve a coleta de
dados e procedimentos de cálculo
para quantificar as entradas e saídas
pertinentes de um sistema de
produto.
ISO 14042 Avaliação do impacto do
ciclo de vida

Especifica os elementos essenciais
para a estruturação dos dados, sua
caracterização, a avaliação
quantitativa e qualitativa dos
impactos potenciais identificados
ISO 14043 Interpretação do ciclo de vida

Define um procedimento
sistemático para identificar,
qualificar, conferir e avaliar as
informações dos resultados do
inventário do ciclo de vida ou
avaliação do inventário do ciclo de
vida.
ISO TR 14047 Exemplos para a aplicação da
ISO 14042

fornece exemplos de algumas das
formas de aplicação da Avaliação
do Impacto do Ciclo de Vida
conforme descrito conforme a
norma ISO 14042.
ISO TS 14048 Formato da apresentação de
dados
Fornece padrões e exigências para a
forma de apresentação dos dados
que serão utilizados no Inventário e
na Avaliação do Inventário do Ciclo
de Vida de uma forma transparente
e inequívoca.
ISO TR 14049 Exemplos de aplicação da
ISO 14041 para definição de
objetivos e escopo e análise
de inventário.
Apresenta exemplos para facilitar a
definição de objetivos e escopos e
análise de inventários, orientando
uma padronização para diversos
tipos de ACV.
Fonte: Adaptado de ABNT (2006).

A estrutura metodológica da análise do ciclo de vida está descrita na norma ISO 14040 e
baseia-se em quatro etapas principais: definição de objetivo e escopo, quando são definidos os
sistemas, funções, limites e impactos gerados; análise de inventário, na qual ocorre a coleta de
dados para quantificação das entradas e saídas pertinentes a um sistema de produto; avaliação
de impacto, que consiste na avaliação de impactos significativos, com base nos dados
coletados no inventário; e interpretação dos resultados, que é a combinação das constatações
da análise do inventário e da avaliação de impactos ambientais dentro do escopo definido,



233 | P á g i n a

visando alcançar conclusões e recomendações (ABNT, 2001). É importante verificar que as
fases descritas estão relacionadas por todo o processo de avaliação, influenciando-se
mutuamente, o que pode ser visto na Figura 1:

Figura 1: Fases da ACV
Fonte: Adaptado de ABNT (2001)
A ACV pode oferecer ainda aplicações relacionadas à identificação de oportunidades de
melhoria dos aspectos ambientais do produto, indicadores de desempenho ambiental, auxílio
nas tomadas de decisão no planejamento estratégico da empresa, identificação dos processos
que requerem maiores fluxos de energia, fornecimento de informações para processos de
auditorias, reunião de informações de sistemas de produtos para a formação de banco de
dados, elemento de marketing, etc., uma vez que sistematiza as questões associadas ao
sistema de produção, melhora a compreensão do processo de produção e facilita a
identificação de prioridades para tomadas de decisão (SILVA; KULAY, 2006). A Figura 2
expõe um esquema de como esses usos apresentam-se inter-relacionados e destaca aspectos
vantajosos para a empresa.
Embora a ACV não seja tida por alguns autores como indicador de sustentabilidade de um
processo, visto que não aborda aspectos econômicos ou sociais de um produto, esta é de
importância inegável para análise ambiental de bens e serviços, integrando todos os aspectos e
impactos ambientais do produto, tornando-se ainda um diferencial competitivo junto a
estratégias de gestão integrada para adição do valor sustentável, oportunizando também a
redução de custos e ganho de novos mercados.
Como exemplo de uso de ACV pode-se citar um estudo realizado na Espanha, em 2000, com
dois tipos de luminárias para vias urbanas. No caso em questão, comparou-se o produto
existente – uma luminária cuja caixa era confeccionada em alumínio – com outro, então
cogitado para tornar-se seu substituto – com caixa de polietileno. As conclusões obtidas em
decorrência da ACV estabeleceram diretrizes fundamentais para o projeto de uma luminária,
que provocassem menores impactos no meio ambiente ao longo de todo seu ciclo de vida
(IRUSTA; NÚÑES, 2001).
Outro uso da ACV se dá junto a agências ambientais, e até mesmo a organizações não-
governamentais, no que se refere à definição de políticas públicas visando à estruturação de
sistemas sustentáveis (SILVA; KULAY, 2006).
Fases
ACV



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Figura 2: Usos da Avaliação do Ciclo de Vida
Fonte: adapatado de http://acv.ibict.br/uso.
No Brasil, a utilização da ACV pode ser vista como uma qualificação essencial dos produtos
no sentido de aumentar a competitividade da indústria nacional com a internacional, já que
esta exige sua avaliação. Além disso, a Avaliação do Ciclo de Vida passou a ter relevância
ainda maior para o mercado brasileiro, uma vez que se encontra em vigor a rotulagem
conhecida como “Selo Verde Tipo III”, que trata desta avaliação e é regularizada pela série
ISO 14000, contribuindo para a imagem da empresa junto ao mercado.
De forma geral, as etapas do ciclo de vida do produto constituem-se pelas fases de extração de
recursos, transformações industriais, uso e disposição final. Com o objetivo de reduzir os
impactos e diminuir custos relacionados a esse descarte, a reintegração dos produtos à cadeia
produtiva pode ser realizada através de pequenos reparos, reuso, reaproveitamento,
remanufatura, como mostra a Figura 3. Nesse sentido, como instrumento de otimização do
retorno de produtos, utiliza-se a Logística Reversa.



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Figura 3: Ciclo de vida do produto e reinserção no processo.
Fonte: adaptado de Silva; Kulay (2006).
2.2 A Logística Reversa
Os primeiros estudos sobre logística reversa se encontram nos anos 70 e 80, tendo seu foco
principal nos produtos que se tornaram obsoletos, danificaram-se ou estragaram-se, e a
conseqüente necessidade de retorno ao seu ponto de origem ou descarte. Com a chegada dos
anos 90 e a diminuição do ciclo de vida dos produtos, mudanças na legislação e preocupação
em manutenção e/ou conquista de mercado, houve uma ampliação em sua aplicabilidade
(LEITE, 2005).
No procedimento logístico tradicional, o fluxo de materiais que retornam à empresa por
algum motivo (devolução de clientes, retorno de embalagens, produtos e/ou materiais que não
atendam à legislação), geralmente não são incorporados novamente ao processo produtivo,
pois essa é uma área que não envolve lucro (ao contrário, apenas custos). A logística reversa,
no entanto, surge como instrumento para otimização do processo produtivo, diminuição de
custos e agregação de valor.
A logística reversa pode ser definida como sendo uma versão contrária da logística
tradicional, orientada do produto para a cadeia produtiva, visando à reintegração dos materiais
na fabricação de novos produtos. O planejamento reverso utiliza os mesmos processos que um
planejamento convencional, tratando de nível de serviço, armazenagem, transporte, nível de
estoque, fluxo de materiais e sistema de informação (MUELLER, 2005). A figura 4 enfatiza o
uso dos mesmos processos que os da logística convencional, além da reintegração de
materiais e seu reaproveitamento.
Este não é um fenômeno novo: pode-se citar exemplos de utilização de sucata e reciclagem de
vidro como sendo atividades praticadas há bastante tempo. No entanto, o reaproveitamento de
produtos e embalagens tem aumentado consideravelmente nos últimos anos, e isso se deve a
diversos fatores, tanto ambientais quanto econômicos (LACERDA, 2002).
A criação da legislação ambiental que limita as emissões industriais e que exige o controle
dos resíduos é uma medida muito relevante para a adoção da logística reversa. Ao invés de
gastar muito para que o lixo tenha uma destinação segura, torna-se mais rentável reutilizar o
produto na cadeia produtiva. Paralelamente a isso, há a criação de um novo mercado



236 | P á g i n a

consumidor, pautado na ideia de consumo verde, dando preferência às empresas que possuem
um sistema de gestão ambiental claro.

Figura 4: Representação Esquemática dos Processos Logísticos Direto e Inverso
Fonte: Rogers, Dale S.; Tibben-Lembke, Ronald S.: Going Backwards: Reverse Logistics Practice
O processo de logística reversa gera materiais que podem ser reintegrados ao processo
tradicional de suprimento, produção e distribuição. No entanto, existem variantes com relação
ao tipo de tratamento que o produto recolhido precisa ter antes disso, dependendo das
condições em que eles se encontram quando entram no processo. Os materiais podem retornar
ao fornecedor; ser revendidos se ainda estiverem em condições de comercialização;
recondicionados, se houver justificativa econômica; e podem ser reciclados, no caso de não
haver possibilidade de recuperação. Em último caso, existe o descarte final adequado
(LACERDA, 2002). Os destinos dos materiais coletados e integrados à logística reversa estão
indicados na Figura 5:

Figura 5: Atividades Típicas do Processo Logístico Reverso
Fonte: Rogers, Dale S.; Tibben-Lembke, Ronald S.: Going Backwards: Reverse Logistics Practice



237 | P á g i n a

A logística reversa divide-se em duas vertentes: a logística de pós-consumo e a logística de
pós-venda. A primeira trata dos produtos depois de usados (e descartados) pelo consumidor.
Objetiva o recolhimento das embalagens ou mesmo dos produtos e a reintegração deles na
cadeia produtiva, obedecendo às regras descritas quanto ao uso a que se destinarão. A
segunda trata dos produtos devolvidos quando há quebra ou defeitos, ou ainda, quando não
satisfazem o cliente, num fluxo de produtos do revendedor para o fornecedor.
O fato de a empresa receber devolução de produtos torna-se um diferencial competitivo pois,
além de atender a legislação (Código do Consumidor), é um comprometimento com o
fornecedor, com a qualidade total e, conseqüentemente, com os direitos do consumidor, que
participa desse processo ativamente através dos Serviços de Atendimento ao Consumidor
(SACs).

3 A NECESSIDADE DO USO DE FERRAMENTAS DE GESTÃO
Os índices de descartabilidade do Brasil atingem diariamente proporções significativas de
resíduos que poderiam voltar à cadeia de produção caso fossem considerados no sistema de
avaliação de produção do produto. No inicio de 1990 e 1991, a descartabilidade de produtos
como alumínio e pet atingiram magnitudes de 10 e 13 bilhões, respectivamente, e a produção
de lixo em São Paulo quadruplicou de 1985 a 2000, atingindo 16.000 toneladas por dia
(IBGE, 2000).
A redução do ciclo de vida dos produtos provoca aumento de velocidade na logística, ou seja,
o retorno de produtos e produção de resíduos são mais rápidos e maiores, e provoca, ainda,
exaustão dos sistemas tradicionais de disposição final, como a saturação dos aterros
sanitários.
O Brasil gera diariamente 125 mil toneladas de resíduos sólidos. Dessas toneladas, a
reciclagem de alguns materiais traz expressiva economia de recursos e reduz os custos de
produção. Por exemplo, o valor econômico dos canais reversos no Brasil de pós-consumo,
gera uma receita de 1 bilhão de dólares para alumínio, 2 bilhões de dólares para o plástico,
ferro e aço, e o lixo possui um potencial de reciclagem superior a 6 bilhões de dólares por
ano. Tem-se ainda que para reciclar uma tonelada de plástico economizam-se 130 quilos de
petróleo; para uma tonelada de vidro reciclado gasta-se 70% menos energia do que para
fabricá-lo; para cada tonelada de papel reciclado poupa-se 22 árvores, e consome 71% menos
energia, além de poluir 74% menos que fabricar o produto (IBGE, 2000).
Diante disso, as motivações ecológicas para implantação de novos instrumentos e ferramentas
que otimizem o processo produtivo são de primordial importância, visto críticas a cultura de
consumo, a inserção de novas teorias econômicas (Eco-desenvolvimento e Desenvolvimento
Verde), responsabilidade empresarial com o meio ambiente, além do marketing ambiental. As
motivações econômicas também são expressivas, aja visto a diferença de preços de matérias-
primas primárias e secundárias (recicladas ou reutilizadas), a redução do consumo de insumos
energéticos e redução de custos de produção, reaproveitamento de materiais e economia de
embalagens retornáveis.
A implantação de processos sustentáveis demanda, inicialmente, de uma reestruturação
cultural das empresas, buscando o desenvolvimento de uma proposta de produção/consumo
sustentável que englobem toda cadeia produtiva e ciclo de vida do produto.
No que tange aos processos de logística reversa sustentável, a reestruturação cultural implica
um maior envolvimento e comprometimento de toda a cadeia de produção e distribuição, pois



238 | P á g i n a

uma das principais dificuldades no gerenciamento destes processos é a diferença, o
desencontro, entre os objetivos dos fabricantes, distribuidores, varejistas e consumidores de
forma geral. Segundo BARBIERI e DIAS (2002), a logística reversa deve ser concebida como
um dos instrumentos de uma proposta de produção e consumo sustentáveis. Por exemplo, se o
setor responsável desenvolver critérios de avaliação ficará mais fácil recuperar peças,
componentes, materiais e embalagens reutilizáveis e reciclá-los. Esta etapa é denominada de
logística reversa para a sustentabilidade.
Na ACV, essa estruturação ocorre de forma a atender os aspectos legais vigentes. Podem ser
citadas a Resolução CONAMA nº 9 de 1993, que proíbe a industrialização e comercialização
de novos óleos não recicláveis, nacionais ou importados, e estabelece que todo óleo
lubrificante usado deverá ser destinado à reciclagem; a Resolução CONAMA nº 257 de 1999,
que estabelece que pilhas e baterias usadas que contenham chumbo, cádmio, mercúrio e seus
compostos devem ser entregues aos que as comercializaram, ou às redes de assistência técnica
autorizadas, para repasse aos fabricantes ou importadores, para que estes adotem, diretamente
ou por meio de terceiros, os procedimentos de reutilização, reciclagem, tratamento ou
disposição final ambientalmente adequada; e a Resolução CONAMA nº 258 de 1999, que
estabelece que as empresas fabricantes e as importadoras de pneus ficam obrigadas a coletar e
dar destinação final, ambientalmente adequada, aos pneus inservíveis, proporcionalmente às
quantidades fabricadas e importadas. No ano de 2002, para cada quatro pneus novos
fabricados ou importados, os fabricantes e os importadores deveriam dar destinação final a
um pneu inservível; essa proporção vai aumentando a cada ano, sendo que em janeiro de
2005, para cada quatro pneus fabricados e importados, os fabricantes e importadores deveriam
dar destinação final a cinco inservíveis. Além disso, ainda podem-se citar as especificações da
série ISO 14.000, que abordam e definem a Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com a nova mentalidade capitalista e os conceitos de desenvolvimento sustentável e
“consumo verde”, a implementação de novas tecnologias de redução de impactos ambientais
faz-se necessária no ambiente organizacional, que antes utilizava somente medidas corretivas
de atendimento à legislação – as chamadas tecnologias de “fim-de-tubo” –, agora passa a
implementar medidas estratégicas de prevenção e pró-ação que, além de atender às leis
vigentes, diminuem custos e funcionam como instrumento de marketing.
Dessa forma, o uso de ferramentas como a Avaliação do Ciclo de Vida e da Logística Reversa
atua ativamente no alcance do “Desenvolvimento Sustentável” no que tange às esferas de
conservação e preservação do meio ambiente, como também otimização dos processos
produtivos, tornando-os mais eficientes e proporcionando, ainda, um diferencial competitivo
de extrema relevância. São instrumentos que consistem em uma importante ferramenta na
gestão, monitoramento e controle de processos produtivos, como também de aspecto e
impacto ambiental.
Ao permitir a integração dos dados de todas as etapas do processo de produção, a ACV
facilita a visualização do todo, permitindo um melhor desempenho por parte dos gestores,
indicando alternativas mais viáveis para o processo e mostrando, ainda, os pontos falhos que
podem ser melhorados. Conjuntamente, a Logística Reversa entra objetivando diminuir a
geração de resíduos sólidos, revertendo possíveis custos para devida deposição em lucro no
reaproveitamento do material, além de atender à legislação vigente.



239 | P á g i n a

Diante da complexidade e subjetividade, a incerteza e a dificuldade de controle de demanda e
qualidade que envolvem a ACV e a Logística Reversa, a falta de estudos completos que
assegurem efetiva eficiência do uso dessas ferramentas na gestão da produção sustentável
desacredita sua prática no ambiente empresarial.
No entanto, associando a necessidade da inserção de novas ferramentas de gestão sustentável
na produção e a exemplo dos bons resultados obtidos nos trabalhos que usam ferramentas
como ACV e Logística Reversa, principalmente na Europa, recomenda-se a continuação de
estudo nesse campo além de novas pesquisas e outros instrumentos que também possam
nortear o alcance ao desenvolvimento sustentável de processos produtivos, de forma a sempre
buscar novas soluções e maneiras de aperfeiçoar a utilização dessas e outras ferramentas.

5 REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Família de normas ISO 14000. NBR ISO
14000. Rio de Janeiro, 1996.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISSO 14040 Gestão Ambiental –
Avaliação do ciclo de vida – Princípios e estrutura. Brasil: ABNT. 10p. 2001.
BARBIERI, José Carlos; DIAS, Marcio. Logística Reversa como instrumento de programas de
produção e consumo sustentáveis. Revista Tecnologística, São Paulo, Ano VI, nº 77. Abril 2002.
CMMAD – COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO. Nosso
Futuro Comum. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1998.
COMUNIDADE ACV. 2009. Usos do ACV. Disponível em < http://acv.ibict.br/uso > Acesso em
08/11/2009.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. 1993. Resolução CONAMA nº 009. Disponível
em: <www.mma.conama.gov.br/conama> Acesso em 20/10/2009.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. 1999. Resolução CONAMA nº 257. Disponível
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CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. 1999. Resolução CONAMA nº 258. Disponível
em: <www.mma.conama.gov.br/conama> Acesso em 20/10/2009.
DAHER, Cecílio Elias; SILVA, E. P. L. S. ; FONSECA, A. P. . Logística Reversa: Oportunidade
para Redução de Custos através do Gerenciamento da Cadeia Integrada de Valor. VIII Congreso
Internacional de Costos Anais, Punta del Este, 2003.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Pesquisa Nacional de
Saneamento Básico. 2000. Disponível em < http://www.ibge.gov.br/home/ > Acesso em 10/11/2009.
IRUSTA, R; NÚÑES, Y; Improving Eco-Design of Street Lighting Systems using LCA, I
International Conference on Life Cycle Management, Copenhague, 2001.
LACERDA, Leonardo. Logística Reversa: Uma visão sobre os conceitos básicos e as práticas
operacionais. Centro de Estudos em Logística – CEL da UFRJ, 2002
LEITE, Paulo Roberto; Logística reversa: categorias e práticas empresariais em programas
implementados no Brasil – um ensaio de categorização. Congresso ENANPAD, 2005.
MANZINI, E.; VEZZOLI, C. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis. São Paulo: Editora da
Universidade de São Paulo. 2002.
MUELLER, Carla Fernanda. Logística Reversa, Meio Ambiente e Produtividade. Grupo De
Estudos Logísticos, Universidade Federal de Santa Catarina, 2005.



240 | P á g i n a

PIMENTA, Handson Cláudio Dias; GOUVINHAS, Reidson Pereira,. FERRAMENTAS DE
GESTÃO AMBIENTAL: Competitividade e Sustentabilidade. Natal: Editora do CEFET_RN,
2008.
ROGERS, Dale S,; TIBBEN-LEMBKE, Ronald S. . Going Backwards: Reverse Logistics Practice;
IL: Reverse Logistics Executive Council, 1999.
SILVA, G. A.; KULAY, L. A. Avaliação do Ciclo de Vida. In: Modelos e ferramentas de gestão
ambiental: desafios e perspectivas para as organizações. São Paulo: Editora Senac, 2006.
VASQUES, André Germano. A Logística Reversa como fator de competitividade para a
indústria. Seminário de Saneamento Ambiental, 2004.




241 | P á g i n a


Práticas Ambientais Adotadas pelos Restaurantes da Zona Sul de
Natal/ RN

Ana Katarina Nascimento de Azevedo (UFRN) aknazevedo@gmail.com
Aída Gisella Veras Mazzolini (UFRN) agisella25@gmail.com
Karen Maria da Costa Mattos (UFRN) karenmattos@yahoo.com.br

RESUMO
A questão ambiental deixou de ser vista apenas pelos ambientalistas e passou a ser
preocupação primordial no setor alimentício, já que empresas desenvolvem novas tecnologias
e adotam práticas ambientais respondendo assim às exigências do mercado. Na cidade de
Natal, os impactos ambientais neste setor são crescentes em razão de um número ainda pouco
expressivo de atitudes ecológicas adotadas. O presente estudo tem como objetivo conhecer a
realidade ambiental dos restaurantes localizados em um trecho da Av. Engenheiro Roberto
Freire, apresentando algumas práticas sustentáveis já adotadas no setor gastronômico. A
metodologia utilizada consistiu em contatos telefônicos/visitas in-loco aos restaurantes. O
levantamento foi realizado entre setembro/outubro 2008, com abrangência nos restaurantes
localizados nas proximidades do conjunto Ponta Negra. Em relação ao consumo de água
verifica-se que 20% possuem alguma iniciativa de reuso. Já em relação à energia, 60% dos
restaurantes entrevistados apresentam controle automático (sensores), 20% apresentam um
controle manual e 20% não apresentam controle nenhum. Com relação aos resíduos, 60% dos
restaurantes pesquisados realizam a segregação do lixo produzido, consistindo em separá-los
em orgânicos e inorgânicos; 30% demonstraram uma preocupação maior, já que fazem uma
coleta seletiva e 10% não adotam nenhuma dessas práticas. De acordo com os resultados
obtidos e as condições de realização da pesquisa, verifica-se que a maior parte dos
restaurantes pesquisados não se preocupa o suficiente em preservar os recursos naturais e
buscar um desenvolvimento sustentável nem mesmo para fortalecer sua atuação no mercado.
PALAVRAS-CHAVE: setor gastronômico, Natal, práticas ambientais.

1 INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, a questão ambiental deixou de ser vista apenas pelos ambientalistas e
passou a ser preocupação primordial no setor industrial, visto que as empresas desenvolveram
novas tecnologias e adotaram práticas ambientais respondendo assim às exigências do
mercado.
A construção de uma visão empresarial agregada às questões do meio ambiente permite um
diferencial na sociedade, já que surgem meios de incentivo para as boas práticas empresariais
e isso desperta a consciência ambiental, podendo-se obter certificações como a ISO 14000,
criada pela International Organization for Standardization (ISO) que apresenta as ações e
comportamentos ambientais das empresas.
Com relação às atividades desenvolvidas no ramo alimentício, ainda que as iniciativas
ambientais venham se multiplicando, os impactos são crescentes em razão de um número
ainda pouco expressivo de atitudes ecológicas adotadas pelos restaurantes.



242 | P á g i n a

Os maiores impactos ambientais resultam do consumo elevado de água e energia, além da
geração de resíduos sólidos.
No Estado do Rio Grande do Norte, principalmente no município de Natal, tais impactos
tendem a crescer, pois os empreendimentos neste setor vêm aumentando em ritmo acelerado.
O fato de alguns restaurantes estarem adotando formas de minimizar os impactos ambientais
decorrentes de suas atividades deve-se em grande parte à busca por uma certificação no
programa Turismo Melhor desenvolvido pelo Serviço Brasileiro de apoio às micro e pequenas
empresas (SEBRAE).
O projeto foi desenvolvido com o objetivo de elevar a qualidade dos serviços prestados pelas
empresas que atuam no turismo no Estado, através de um processo de melhoria, envolvendo
consultorias e treinamentos, incluindo a área de gestão ambiental.
Neste cenário, este estudo tem como objetivo conhecer a responsabilidade ambiental dos
restaurantes localizados em um trecho da Avenida Engenheiro Roberto Freire, apresentando
algumas práticas sustentáveis já adotadas no setor gastronômico.

2 EVOLUÇÃO DA QUESTÃO AMBIENTAL NAS EMPRESAS
A degradação ambiental tornou-se mais evidente na década de 1970, com a realização em
Estocolmo, da 1ª Conferência das Nações Unidas sobre o ambiente humano no ano de 1972.
(HARRINGTON; KNIGHT, 2001)
A declaração do Rio sobre o Meio ambiente e desenvolvimento refletiu duas preocupações
fundamentais que emergiram 20 anos após o evento de Estocolmo, primeiro, a deterioração
do ambiente e sua capacidade de manter a vida; segundo, a consciência mais aguda de que o
progresso econômico em longo prazo e a necessidade de proteção ambiental precisa ser vistos
como interdependentes. (PHILIPPI, 2005)
A partir dessa percepção, conceitos como gestão ambiental, prevenção da poluição e o já
consagrado desenvolvimento sustentável começaram a ser amplamente difundidos e
incorporados nas estratégias de planejamento de inúmeras indústrias ao redor do planeta.
Um ideal humano seria não produzir resíduos. Na realidade, no entanto, os produzimos em
grande quantidade o que torna necessário e urgente um gerenciamento adequado. Mais
importante que tratá-los, porém, deve ser a conscientização das pessoas no sentido de
diminuir a geração dos mesmos. (SUL, 2003).
Há necessidade de educação da população, considerada essencial para ampliar as bases de
uma opinião esclarecida e de uma conduta responsável por parte dos indivíduos, empresas e
comunidades quanto à proteção e a melhoria do meio ambiente em sua plena dimensão
humana (PELICIONI, 2005).
Há basicamente três razões para que as empresas tenham buscado melhorar a sua performance
ambiental:
1) O regime regulatório internacional está mudando em direção à exigências crescentes em
relação à proteção ambiental;
2) O mercado está mudando (tanto de fatores quanto de produtos);
3) O conhecimento está mudando, com crescentes descobertas e publicidade sobre as causas
e conseqüências dos danos ambientais (ROSEN, 2001)



243 | P á g i n a

Atualmente, em virtude de um novo modo de perceber o meio ambiente fomentado pela
ampliação da discussão sobre o assunto e sobre o papel dos cidadãos em relação a esta
questão, notam-se algumas mudanças em direção a uma maior conscientização dos padrões de
consumo. Ou seja, as decisões de compra têm sido claramente influenciadas pelo aumento da
sensibilidade e da consciência ambiental.
Assim, já se pode verificar o surgimento de um novo tipo de consumidor, aquele que leva em
consideração as questões ambientais no momento de seu consumo.
Neste âmbito, surgiram termos como consumidores “Socialmente Conscientes”, “Marketing
Verde” e “Consumo Sustentável” que vêm sendo desenvolvidos junto a esse movimento
positivo de utilização do meio-ambiente de forma coerente e sustentada. (BEDANTE, 2004).
No Brasil, se sondou o comportamento da população no contexto do consumo consciente ou
sustentável em uma pesquisa realizada pelo Ministério do Meio Ambiente. Os resultados da
pesquisa surpreenderam e sugerem que a população brasileira passou a levar em consideração
outros atributos de um produto que não apenas preço e qualidade.
A pesquisa mostra que o “Marketing Verde” ou ecológico é eficiente, no sentido que aumenta
a atratividade dos produtos. (BEDANTE, 2004)
O novo contexto econômico se caracteriza por uma rígida postura dos clientes voltada à
expectativa de interagir com as organizações que sejam éticas, com boa imagem institucional
no mercado, e que atuem de forma ecologicamente responsável. (Filho, 2004)
A gestão ambiental torna-se um importante instrumento gerencial para capacitação e criação
de competitividade para as organizações qualquer que seja o seu segmento
econômico.(FILHO, 2004)
Vários foram os fatores que contribuíram para o crescimento e difusão da preocupação com a
qualidade ambiental nas empresas. O aumento da conscientização ecológica dos
consumidores levou as empresas a perceberem a proteção ambiental como uma oportunidade
de negócio (BACKER, 1995).
Legislações cada vez mais restritivas e o acirramento da competitividade numa economia
globalizada fizeram com que as empresas buscassem a redução das emissões como forma de
atender as legislações e a redução de desperdícios de matéria-prima e energia.
(NASCIMENTO, 2000)
Sendo assim, a gestão ambiental compreende um conjunto de medidas e procedimentos bem
definidos e adequadamente aplicados que visam reduzir e controlar os impactos introduzidos
por um empreendimento sobre o meio ambiente (VALE, 1995).
Nas empresas, tem sido implantados sistemas de gestão ambiental (SGA), correspondendo a
um conjunto inter-relacionados de políticas, práticas e procedimentos organizacionais,
técnicos e administrativos que deseja obter melhor desempenho ambiental, bem como
controle e redução de seus impactos ambientais. (PHILIPPI, 2005)
Os estabelecimentos comerciais estão cada vez mais preocupados com a responsabilidade
ambiental e procuram assim controlar os impactos decorrentes de sua atividade econômica.
Uma responsabilidade ambiental envolve um conjunto de procedimentos que são
desenvolvidos para resolução das questões ambientais.
No sucesso de qualquer sistema de gerenciamento de resíduos quatro fatores devem estar
presentes: vontade política ou querer fazer, conhecimento técnico ou saber como fazer,



244 | P á g i n a

recursos financeiros ou ter como fazer, e pessoal qualificado e treinado ou fazer, avaliar e
refazer (SUL, 2003).
Uma etapa que deve anteceder é a revisão ou diagnóstico inicial, que contempla uma
avaliação inicial dos procedimentos que estão sendo utilizados pela empresa no que se refere
às questões ambientais e uma prospecção sobre as estratégias futuras.
No ramo alimentício, é importante aliar o aspecto econômico com o ambiental. Uns dos
principais ramos são os restaurantes, já que envolve a transformação de matérias-primas,
utilizando-se de várias formas de energia e sendo gerados diversos resíduos, que podem
ocasionar impactos negativos ao meio ambiente. (VENZKE, 2000)
A carta empresarial considera que as organizações precisam ter consciência de que deve
existir um objetivo comum, e não um conflito, entre desenvolvimento econômico e proteção
ambiental, tanto para o momento presente como para a geração futura. (FILHO, 2004 )
Desta forma, a análise da atividade de um restaurante é muito importante, para identificarmos
onde podemos atuar para minimizar os desperdícios.
Contudo antes de pensarmos em tratamento de resíduos, devemos ter em mente alguns
pressupostos importantes como:
 Responsabilidade individual – na medida em que todas as atividades humanas são
geradoras de resíduos;
 Responsabilidade coletiva – leva em conta que as estratégias de não geração e
minimização devem ser construídas e executadas por toda a sociedade.
Assim conhecer as práticas ambientais adotadas pelos restaurantes, torna-se importante, uma
vez que a eficácia das atitudes ecológicas tem vantagem social, econômica e ambiental.

3 METODOLOGIA
A metodologia utilizada no levantamento de dados para a pesquisa consistiu nos contatos
telefônicos com os restaurantes selecionados e, visitas in-loco utilizando-se de entrevista
aberta diretamente com os responsáveis.
As entrevistas consistiram em torno de 10 questões subjetivas, nas quais buscaram explorar
aspectos como a adoção de práticas ecologicamente corretas e a existência de conscientização
ambiental de todos os colaboradores (Anexo).
Mesmo com o ofício em mãos, algumas empresas recusaram-se às visitas de pesquisa. Desta
forma, dos sete restaurantes selecionados da área de estudo, dois recusaram-se às visitas,
restando, portanto cinco que participaram efetivamente das entrevistas.
O levantamento foi realizado entre setembro e outubro de 2008, com abrangência nos
restaurantes localizados nas proximidades do conjunto Ponta Negra.
Pela classificação do SEBRAE, todos são considerados pequenas empresas, já que
apresentam de 20 a 99 empregados.
Complementarmente, foram levantados dados secundários em publicações acadêmicas, como
relatórios de pesquisa e artigos, bem como material do SEBRAE, utilizados para a
certificação do programa Turismo Melhor.




245 | P á g i n a

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os resultados serão apresentados em três partes:
 Dados obtidos com relação ao consumo de água;
 Ao consumo de energia e;
 Da destinação dos resíduos com existência ou não do reaproveitamento/ reciclagem nos
estabelecimentos pesquisados.

4.1 Consumo de água

Figura 1: Reutilização da água pelos restaurantes

De acordo com os dados da figura 1, verifica-se que apenas 20% possuem alguma iniciativa
de reuso, sendo feita por um dos restaurantes a reutilização da água do bebedouro para lavar o
chão.
Muitos afirmaram adotar os modelos atuais de torneiras nos banheiros que reduzem a vazão
de água. Embora tais preocupações estejam embasadas principalmente na redução de custos,
também contribuem para o uso racional de água.

4.2 Consumo de energia
Com relação à energia, 60% dos restaurantes entrevistados apresentam sensores de
movimentos nas lâmpadas, de forma a reduzir o seu consumo; 20% apresentam um controle
manual, baseado na conscientização de seus funcionários e, 20% não apresentam controle
nenhum. (Figura 2)




246 | P á g i n a


Figura 2: Controle para redução do consumo de energia


4.3 Destinação dos resíduos
Com relação aos resíduos, 60% dos restaurantes pesquisados realizam pelo menos a
segregação do lixo produzido diariamente, consistindo em separá-los em orgânicos e
inorgânicos; 30% demonstraram uma preocupação maior em relação a esta temática, já que
fazem uma coleta seletiva de plásticos, latas e vidros e 10% não adotam nenhuma dessas
práticas (Figura 3).


Figura 3: Destinação dos resíduos produzidos nos restaurantes

Os resíduos orgânicos são doados para alimentação animal pela maioria dos restaurantes
pesquisados.
Pode-se observar que as práticas ambientais, quando adotadas, geralmente são formuladas
dentro do próprio estabelecimento, sem indício de capacitação externa.



247 | P á g i n a

Portanto, apesar de existir maior preocupação com o destino dos resíduos, falta a elaboração
de um Plano de Gerenciamento dos Resíduos Sólidos.
Um dos restaurantes pesquisados abordou que o dinheiro arrecadado com a venda de
materiais recicláveis é revertido para um fundo criado para os próprios funcionários.
Outro aspecto importante que foi observado refere-se à destinação do óleo, uma vez que 80%
dos entrevistados separam e vendem o óleo usado em frituras para indústrias que fabricam
sabão (Figura 4).


Figura 4: Destinação do óleo usado em frituras

Apesar de perceber que quando existe algum tipo de renda a aceitação dessas ações é maior
por parte dos empresários, isso também demonstra certa defesa ao meio ambiente já que o
óleo quando descartado na rede de esgotos torna-se grande poluidor dos mananciais.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS:

De acordo com os resultados obtidos e as condições de realização da pesquisa, verificou-se
que a maior parte dos restaurantes visitados na Zona Sul de Natal não se preocupa o suficiente
em preservar os recursos naturais e buscar um desenvolvimento sustentável, nem mesmo para
fortalecer sua atuação no mercado.
Como a questão ambiental ainda é recente no setor gastronômico, os empresários ainda
relutam em fazer investimentos para se adequar aos novos parâmetros de conduta ambiental; a
redução de custos e as exigências legais são algumas razões que ainda podem levar empresas
a adotarem práticas de Gestão Ambiental.
Também se observa que as práticas ambientais, quando adotadas, geralmente são formuladas
dentro do próprio estabelecimento, sem indício de capacitação externa.
As mudanças nos processos de produção focadas na sustentabilidade só serão efetivas se
fizerem parte da postura administrativa da empresa.
Conclui-se, portanto, que apesar do esforço do SEBRAE em oferecer um programa
desenvolvido para a melhoria da qualidade dos serviços, os restaurantes pesquisados ainda



248 | P á g i n a

não possuem metas para atingir melhores níveis de qualidade na área ambiental, perdendo
assim a oportunidade de se expandir no mercado e melhorar sua imagem diante dos
consumidores mais exigentes com a preservação do meio ambiente.


6 REFERÊNCIAS
BACKER, PAUL DE. Gestão Ambiental: a administração verde. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed.,
1995.
BEDANTE, Gabriel Navarro. A influência da consciência ambiental e das atitudes em relação ao
consumo sustentável na intenção de compra de produtos ecologicamente embalados. Porto
Alegre: UFRS, 2004.
FARIA, Helena Mendonça ; SILVA, Rogério José da. Sistemas de Gestão Ambiental: Por Que
Investir?. Pesquisa e desenvolvimento tecnológico, Itajubá-MG, v. 25, n. 1, p. 27-32, 2001.
FILHO, Jaime E de Oliveira. Gestão ambiental e sustentabilidade: um novo paradigma eco-
econômico para as organizações modernas. DOMUS ON LINE: Ver. Teor. Pol., soc., Cidad.
Salvador, v. 1, n. 1, p. 92-113. jan.,/jun., 2004 Disponível em
http://www.fbb.br/downloads/domus_jaime.pdf. Acessado em 30/10/2009.
HARRINGTON H. J.; KNIGHT A. A implementação da ISO 14000: Como atualizar o Sistema de
Gestão Ambiental com eficácia. Tradução Fernanda Góes Barroso e Jerusa Gonçalves de Araujo.
São Paulo: Editora Atlas, 2001.
NASCIMENTO, Luiz Felipe. A qualidade ambiental em empresas dos setores primário,
secundário e terciário no sul do Brasil - um estudo de três casos. Porto Alegre: UFRS, 2000.
PELICIONI, Maria Cecília Focesi. Educação Ambiental: Evolução e conceitos. In: PHILIPPI Jr,
Arlindo (org.). Saneamento, Saúde e Meio Ambiente. Fundamentos para um desenvolvimento
sustentável. Coleção Ambiental, v. 2, São Paulo, 2005.
PHILIPPI Jr, Arlindo. Saneamento, saúde e Ambiente. Fundamentos para um desenvolvimento
sustentável. Coleção Ambiental, v. 2, São Paulo, 2005.
ROSEN, C. M. Environmental strategy and competitive advantage: na introduction. California
Management Review. Berkeley, Haas Scool of Business. V.43, Spr. 2001.
SUL, Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do. Grupo Interdepartamental de
Pesquisa sobre Educação em Ciências – Geração e gerenciamento dos Resíduos sólidos
provenientes das atividades humanas/ GIPEC, 2 ed. rev. – Ijui: Ed Unijui, 2003 – 60p. – Coleção
situação de estudo: ciências no ensino Fundamental; 1)
SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio as pequenas e Micro empresas); Regulamento do Programa
SEBRAE de Qualidade em Serviços Turísticos no Rio Grande do Norte – TURISMO MELHOR.
Edição Sebrae, 2007.
VALE, CE do. Como se preparar para as normas ISO 14000: qualidade ambiental. São Paulo:
pioneira administração e negócios; 1995.
VENZKE, Claudio Senna. A geração de resíduos em restaurantes, analisada sob a ótica da
produção mais limpa. Porto Alegre. UFRS, 2000.







249 | P á g i n a


ANEXO


QUESTIONÁRIO UTILIZADO NAS ENTREVISTAS



01) A empresa tem a preocupação em produzir seus serviços sem afetar o meio ambiente?


02) Que práticas ambientais adotam neste sentido?


03) Quanto aos resíduos sólidos que procedimento adota? Existe coleta seletiva?


04) Reutiliza água de alguma forma?


05) Há preocupação em economizar energia?


06) Oferece algum treinamento para os funcionários voltado a gestão ambiental dentro da
própria empresa?


07) Existe parceria com alguma entidade pública ou privada voltada para área de meio
ambiente?


08) Possui alguma certificação na área de boas práticas ambientais?






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Gestão de Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde (QSMS) na
Empresa Engepetrol


Josimeire Filgueira de Medeiros (IFRN) josiwiljl@hotmail.com
Jailton Barbosa dos Santos (IFRN) jailton@cefetrn.br



RESUMO
A implantação do Sistema de Gestão de Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde
(Q.S.M.S) é uma realidade crescente no Brasil: as empresas tentam adaptar a sua realidade
dentro das normas certificadoras OHSAS 18.001, ISO 9.000 e 14.000. O trabalho é um estudo
de caso na empresa ENGEPETROL para identificar a aplicação dessas normas,
caracterizando-se em ser uma pesquisa qualitativa, por descrever a eficácia da aplicação das
normas e o resultado obtido na relação entre os funcionários e a empresa. Para chegar às
conclusões obtidas, utilizou-se como metodologia a aplicação de questionários e entrevistas
com os funcionários e responsáveis pela segurança do trabalho dentro da empresa
ENGEPETROL. Assim, verificou-se a atuação da empresa e o resultado atingido. No estudo
foi detectada a implantação das competências do Sistema Integrado de Gestão devido à
satisfação demonstrada pelos funcionários na função que exercem e na relação com a
administração da empresa.
PALAVRAS-CHAVE: Qualidade de vida, Segurança no trabalho, Saúde ocupacional e Meio
ambiente.


1 INTRODUÇÃO
A questão dos acidentes de trabalho e as doenças ocupacionais surgiram nos primórdios da
força motriz. O homem passou a se arriscar no manuseio das máquinas, tanto assim que
segundo Gonçalves (1995), a literatura especializada registra a ocorrência de um número
elevado de óbitos e mutilações, principalmente em mulheres e menores que ainda constituem
a mão-de-obra barata, e conseqüentemente, mais explorada.
A revolução industrial rompeu definitivamente as estruturas corporativas e a base humana
presentes na Idade Média, ao promover a apropriação dos meios e instrumentos de trabalho
por parte daqueles detentores do capital e propiciar os bens de consumo. Atribui-se à
Revolução Industrial o incremento da miséria operária em decorrência da exploração física e
mental dos trabalhadores constantemente submetidos a jornadas excessivas de trabalho ou,
quando não, em face do desemprego ou dos subempregos crescentes. Nesse contexto, surgiu o
direito do trabalho. De acordo com Gonçalves (1995), a lei das fábricas em “Factory ACT” de
1833, na Grã-Bretanha, é tida como o marco inicial das leis de proteção ao trabalho. Sendo
que, entre 1844 e 1888, coube a mesma Grã-Bretanha a primazia de haver editado as
primeiras leis voltadas especificamente para a Segurança e a Medicina do Trabalho, sendo
logo após, imitada por Alemanha, França e as demais nações.
Para Pinto (2007), questões relativas à segurança e saúde do trabalhador têm sido foco de
discussão, visando à inaceitabilidade da existência de ambientes laborais e processos




251 | P á g i n a

produtivos insalubres que condenem os trabalhadores a sofrerem danos à saúde, muitas vezes
irreversíveis, ou acidentes que possam gerar lesões que os incapacitem a continuarem
exercendo suas funções.
No Brasil, o despertar para uma nova realidade trabalhista teve início a partir da fundação da
OIT em 1928. A primeira lei contra acidentes no ambiente de trabalho surgiu em 1919, e
ditava regulamentos prevencionistas referentes ao setor ferroviário, e no ano de 1934 surge a
primeira lei trabalhista, que instituiu uma regulamentação bastante ampla, no que se refere à
prevenção de acidentes. Em 08 de junho de 1978, é criada a Portaria nº. 3.214, que aprova as
Normas Regulamentadoras – NR’s, relativas à Segurança e Medicina do Trabalho, que
impõem as empresas ao seu cumprimento.
O que se busca nos dias atuais é uma transformação estrutural que revolucione e descentralize
o poder, minimize a hierarquia e incentive a qualidade aliada a um sistema que interaja com a
segurança ocupacional. Onde o trabalhador é visto como parte ativa do processo laboral, não
apenas como mais uma mera ferramenta que pode ser descartada devido ao desgaste, mas
como parte operante e atuante, que quanto mais treinado, aperfeiçoado e incentivado mais
contribuirá para a qualificação total da empresa.
E diante dessa nova perspectiva, é que se percebe a necessidade de se desenvolver trabalhos e
pesquisas que abordem o Sistema de Gestão Integrado com pessoas qualificadas e um espaço
de trabalho seguro e saudável em equilíbrio com o meio ambiente.

2 METODOLOGIA
A pesquisa teórica foi feita através de levantamento bibliográfico relativo à Gestão de
Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde (QSMS), visando criar suporte conceitual
para desenvolvimento da temática.
A busca de arquivos e documentos foi determinante para verificar a situação da empresa no
que se diz respeito ao cumprimento das regras e relação ao QSMS. Essas informações foram
adquiridas através de acervo documental cedido pela própria empresa-objeto de estudo. Os
documentos analisados foram: o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) o
Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), o Manual do Funcionário da
ENGEPETROL e o Manual do Sistema de Gestão Integrada.
Entrevistas semi-estruturadas e não-estruturadas foram realizadas com todos os funcionários
da empresa em todas as áreas necessárias para o levantamento de dados. Essas entrevistas
foram bastante relevantes para o desenvolvimento da pesquisa.
Procurando analisar a empresa como um todo, escolhemos todos os setores para a aplicação
dos questionários. No setor administrativo foram respondidos três questionários de um
universo de seis funcionários, ou seja, cinqüenta por cento. No setor da produção, de
dezenove colaboradores catorze responderam, compreendendo um total de setenta e três por
cento.
A aplicação dos questionários se deu no período de 15 a 30 de abril de 2008, alguns
responderam de forma imediata e outros entregaram os questionários respondidos em datas
posteriores. Em alguns momentos, nos resultados, foram citados os nomes de alguns
entrevistados, todos previamente autorizados, quando se fez necessário abordar falas
essenciais para a análise dos resultados.




252 | P á g i n a

Foram feitas duas entrevistas não-estruturadas. O primeiro entrevistado foi Francisco Romão
da Silva Neto, ele faz parte do comitê de apoio ao Sistema de Gestão Integrada (SGI) da
ENGEPETROL. Na entrevista foi abordada a experiência e uma análise geral, focando as
dificuldades e as melhorias, em se trabalhar dentro de um sistema de gestão integrado.
A outra entrevistada foi Cacilda Alves, gestora da qualidade da empresa ITPETINGA
AGROINDUSTRIAL SA. Ela relatou sobre sua pesquisa e experiência em aliar qualidade de
vida com qualidade de produção, dentro de um processo de trabalho seguro, que preserva a
vida do trabalhador e respeita os limites da natureza. Cacilda é uma das pioneiras, em
Mossoró/RN, no desenvolvido de um Sistema de Gestão em Qualidade, Segurança, Meio
Ambiente e Saúde (QSMS).
Outro ponto essencial para o desenvolvimento do presente trabalho foi a experiência diária
adquirida durante o estágio, no período de 02 de janeiro a 02 de julho de presente ano. As
conversas informais, durante o intervalo, quando todos paravam para o lanche da tarde, um
“bom dia” recheado de relatos vividos no fim de semana, opiniões ouvidas, analisadas e
muitas vezes acatadas a respeito de uma melhoria concernente à segurança, a participação nas
reuniões mensais da CIPA e a oportunidade de participar de uma auditoria interna, bastante
criteriosa, feita pela empresa APRIMOR, para análise e avaliação do andamento do Sistema
de Gestão Integrado, da norma ISO 9.000 e da norma OHSAS 18.000.
Após a auditoria interna, houve a auditoria externa, que foi realizada em duas etapas; a
primeira foi voltada para a ISO 9.000 e a segunda para a OHSAS 18.000, ambas realizadas
pela empresa BVQI (Bureau Veritas Certification) as mesmas foram de grande valor para o
enriquecimento da presente pesquisa.
A fundamentação teórica baseou-se em uma busca criteriosa em sites de pesquisa da Internet,
Teses de Mestrados e Monografias de Especializações. Além de sites oficiais das empresas
certificadoras.
Todos os dados, necessários ao desenvolvimento e alcance dos objetivos, obtidos na aplicação
dos questionários foram tabulados em gráficos do tipo pizza, em valores percentuais, e em
tabelas para a abordagem, descrição e análise nos resultados.

3 QUALIDADE, SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE E SAÚDE NA EMPRESA
ENGEPETROL
A aplicação dos questionários foi feita com todos os funcionários da empresa e nenhum se
omitiu a respondê-lo. Foram feitas perguntas que abrangem toda a dimensão a respeito da
qualidade da empresa em relação à Gestão de Qualidade, Segurança, Meio ambiente e Saúde,
dentro da empresa.

3.1 Qualidade
O mercado está mudando e os profissionais também. Na dinâmica do mercado atual, a
empresa deve ser vista como o meio do colaborador transformar suas competências em valor,
mas isso só acontece quando existe uma conscientização pela qualidade em cada aspecto de
sua vida e trabalho. Profissionais que ganham essa visão são pessoas que se sentem




253 | P á g i n a

valorizadas sabendo que só obterão retorno se a empresa onde trabalham tiver sucesso em um
mercado cada vez mais exigente.
Na ENGEPETROL, é o que se observa na pesquisa de campo, os profissionais têm a
consciência de que só há sucesso profissional se forem qualificados.
O gráfico 1, mostra a realidade dos funcionários da empresa quanto à escolaridade deles:








Figura 1- Participação dos colaboradores em cursos.

A participação dos funcionários em cursos de nível técnico e em grau superior corresponde a
62% (sessenta e dois por cento). E apenas uma minoria de 13% (treze por cento) é que ainda
não despertou sobre a importância em se qualificar. A empresa é financiadora de boa parte
dos cursos em que os funcionários estão inseridos, preocupando-se na profissionalização de
seus empregados.
Na tabela 2, estão relacionados os cursos técnicos e superiores feitos pelos funcionários
oferecidos pela empresa.

Tabela 1 - Relação de cursos técnicos/superiores feitos pelos funcionários da
ENGEPETROL até abril/2008.
Setor Curso
Técnico Primeiros Socorros
C-BASI I
Brigadistas e Socorristas
Operador de empilhadeira
PROMIMP
Mecânica
Gestão Ambiental
Desenho mecânico e metrologia
Superior Gestão Ambiental
Petróleo e Gás
Administração
Fonte: Arquivos da Engepetrol

Na ENGEPETROL, os colaboradores são continuamente qualificados, capacitados e
atualizados. E de acordo com o procedimento interno da mesma as dificuldades também
surgem. Quanto à parte do programa educacional e empresa custeia o ensino de cada
funcionário e a educação do primeiro filho até a conclusão do ensino médio, onde o
colaborador tem o direito de escolher a escola em que o seu filho vai estudar. O funcionário
que desejar cursar uma faculdade a empresa assume 20% (vinte por cento) a cada ano que o
31%
31%
25%
13% nível superior
curso técnico
outros
nenhum




254 | P á g i n a

funcionário está na empresa, assim de cinco anos em diante, a empresa custeia 100% (cem por
cento) a faculdade. E diante disso, se o funcionário estiver estudando regularmente no nível
médio ou superior, a empresa assume a escola do segundo filho.
3.2 Contribuição do colaborador para a organização do ambiente de trabalho
A organização do ambiente do trabalho é um dos itens analisados na implantação do sistema
de qualidade. Manter o ambiente de trabalho limpo e organizado torna prático o processo,
facilita a rastreabilidade e a inspeção da qualidade. Segundo a Norma Reguladora do
Ministério do Trabalho relativa à Ergonomia - NR-17, a organização do trabalho deve ser
adequada às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser
executado.
Ao falar da organização do ambiente de trabalho, o entrevistado Cardoso destacou a
importância de se manter as ferramentas em ordem, na bancada. Já o entrevistado Rosinaldo,
fala da questão da limpeza e da identificação dos equipamentos e o entrevistado Cláudio
destaca a importância de descartar o material fora de uso, dando o devido destino e conservar
cada coisa em seu lugar.
O entrevistado Ubajara demonstra uma visão de coletividade quando cita: “organizando junto
com os meus colegas”, mostrando que a organização do ambiente de trabalho é algo coletivo,
não existe ordem quando a ação é individual.
Comprometimento organizacional é normalmente tratado na literatura como: lealdade do
empregado, a identificação, o envolvimento com objetivos e valores organizacionais e o
desejo do empregado permanecer e o sentimento de orgulho por pertencer à organização.
FREIRE (2004).

3.3 A importância da função desempenhada pelo colaborador para a empresa
Acredita-se que a visão atual da participação do trabalhador no processo de produção é
diferente da visão desenvolvida antes da Revolução Industrial. O trabalhador passa a ser visto
como colaborador, e não mais como parte passiva do processo. Como afirma Freire (2004
apud Rego, 2003), as organizações necessitam de pessoas dispostas a “irem mais além” do
que aquilo que está formalmente prescrito, a adotarem comportamento espontâneo em
respostas a problemas inesperados e a se identificarem com a organização e lutar até o fim
para a eficácia do cumprimento das metas.
E diante disso, é possível observar que os colaboradores têm essa nova visão quando afirmam:
“Qualidade e precisão nos serviços que faço” (Entrevistado Cardoso); “Contribuir para que a
produção saia no tempo determinado” (Entrevistado Evaldo); “Tenho como responsabilidade
executar muitas tarefas em CNC” (Entrevistado Joabson); “A certeza de serviços executados
com segurança e qualidade” (Entrevistado Cláudio), e o Entrevistado Alcimiro vai mais além:
“A minha função é importante porque só eu trabalho nesse setor”.
Quando perguntados se gostam da função que desempenham todos responderam que sim e
deram algumas justificativas: 1) “Porque foi a profissão que me dediquei na adolescência”
(Alcimiro, soldador). 2) “Porque a cada dia aprendo mais” (Alan, auxiliar da produção). 3)
“Porque foi a que eu aprendi a fazer e gosto de fazer” (Evaldo, supervisor da produção). 4) “A
função de programar e operar máquinas e comandos numéricos é uma das realizações que eu




255 | P á g i n a

pretendia alcançar.” (Joabson, operador de máquinas). 5) “Eu tenho a liberdade de executar da
forma melhor e segura.” (Cláudio, mecânico).

3.4 Segurança do Trabalho
Segurança do trabalho pode ser entendida como o conjunto de medidas que são adotadas
visando minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a
integridade e a capacidade de trabalho do trabalhador.
O quadro de Segurança do Trabalho de uma empresa compõe-se de uma equipe
multidisciplinar composta por Técnico de Segurança do Trabalho, Engenheiro de Segurança
do Trabalho, Médico do Trabalho e Enfermeiro do Trabalho. Estes profissionais formam o
que chamamos de Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do
Trabalho (SESMT). Também os empregados da empresa constituem a Comissão Interna de
Prevenção de Acidentes (CIPA), que tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças
decorrentes do trabalho, de modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a
preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador.
A Segurança do Trabalho é definida por normas e leis. No Brasil a Legislação de Segurança
do Trabalho compõe-se de Normas Regulamentadoras, Normas Técnicas, Leis
complementares, como portarias e decretos e também as convenções Internacionais da
Organização Internacional do Trabalho, ratificadas pelo Brasil.
Na ENGEPETROL, existe todo um programa desenvolvido para atender à questão da
segurança. Como a empresa é certificada na OHSAS 18.000, o programa desenvolvido é
anual e baseia-se nos procedimentos da norma, no PPRA e PCMSO.
A participação dos funcionários é bastante significativa, oitenta e oito por cento (88 %) dos
que responderam o questionário, afirmaram que participam e ainda descreveram sua
importância na prevenção de acidentes: “Tirar dúvidas, dar sugestões e aprender cada vez
mais” (Entrevistado Francisco); “Mantém-me sempre em alerta contra acidentes”
(Entrevistado Monteiro); “[...] com os diálogos eu aprendo a me prevenir” (Entrevistado
Bruno).
Além de ser certificada em segurança, na OHSAS 18.001, há na empresa treinamentos com
duração de seis meses, nos quais são selecionados alguns funcionários que participam do
curso de introdução à certificação, de implantação do sistema de gestão e são oferecidos
diversos cursos que ajudam a garantir um trabalho seguro, como por exemplo, o curso de
operador de empilhadeira, curso de primeiros socorros, de socorristas e brigadistas e
treinamentos regulares a cerca dos procedimentos do Sistema de Gestão Integrada. (Entrevista
com Francisco Romão da Silva Neto).

3.5 Meio Ambiente
As mudanças nos processos produtivos são orientadas pela busca do aumento da
produtividade e redução dos custos, geralmente, acompanhadas além da redução do número
de postos de trabalho e nos critérios de remuneração dos trabalhadores, e não são
necessariamente seguidas pela melhoria das condições de trabalho.




256 | P á g i n a

Nos questionários feitos com os funcionários, todos se mostraram conscientes na sua função
de contribuir com o meio ambiente, tanto que a maioria tem conhecimento a respeito da
Educação Ambiental, “A Educação Ambiental está relacionada à prática de decisões e éticas
que conduzem à melhoria da qualidade de vida.” Entrevistada Íris; “Tenho consciência em
colocar lixo no local certo, limpar o local onde desempenho minhas funções”. Entrevistado
Rosinaldo.
A respeito da coleta seletiva sabem a importância de separar as diferentes matérias, e o
destino dela: a reciclagem. Como a produção da empresa é dividida em três galpões, em cada
um deles existem os coletores identificados pela cor e por plaquetas fixadas nos recipientes.
Na empresa são gerados dois tipos de resíduos: Metálico e Nylon, que é direcionada a uma
empresa séria, com licença ambiental (IDEMA), e a entrega dos resíduos é controlada através
de uma planilha de entrega de resíduos que trata tais resíduos adequadamente. A
ENGEPETROL está em busca da certificação com relação ao meio ambiente, série ISO
14.000.
Quando perguntados sobre o programa de Educação Ambiental os trabalhadores responderam
que 82% (oitenta e dois por cento) já tinham ouvido falar de Educação Ambiental na Empresa
contra 18% (dezoito por cento) que afirmaram não ter ouvido falar.
O resultado é bastante significativo, uma vez que demonstra o início de uma mudança de
pensamento, que se bem trabalhada poderá influenciar em uma conscientização que
contribuirá para a melhoria de todos. Na empresa, já se pode perceber alguns colaboradores
cursando faculdade em Gestão Ambiental, a mesma sendo financiada pela ENGEPETROL.

3.6 Saúde Ocupacional
A saúde dos trabalhadores, a partir da Revolução industrial, no século XIX, passa a ser vista
com outros olhos, com o surgimento da medicina do trabalho, consistindo em um grande
avanço enquanto especialidade médica. Segundo Mendes e Dias (1991), Naquele momento, o
consumo da força de trabalho, resultante da submissão dos trabalhadores a um processo
acelerado e desumano de produção, exigiu uma intervenção, sob pena de tornar inviável a
sobrevivência e reprodução do próprio processo. Enquanto os antigos processos possuíam
seus fatores de stress na forma da monotonia, tarefas repetitivas, eliminando a capacidade de
inovação e criação dos trabalhadores, os novos sistemas de produção trazem outros
incentivos, porém introduzem outros fatores de stress, particularmente a insegurança e a
competição. Outras doenças, pouco específicas e pouco conhecidas têm aparecido, sob a
forma discreta ou grave de manifestações de stress ou de sofrimento mental, decorrentes das
novas exigências impostas aos trabalhadores e solicitação de mais atenção, disponibilidade e
responsabilidade por toda uma linha de produção.

4 SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADO
O Sistema de Gestão Integrado da ENGEPETROL encontra-se em conformidade com os
requisitos das normas NBR ISO-9001:2000, OHSAS 18001:1999 e NBR 14001:2004.
Considerando fatores tais como: resultados das avaliações e efeitos dos controles sobre riscos
de segurança, saúde ocupacional e impactos ambientais significativos, atendimento à política




257 | P á g i n a

de gestão, requisitos regulamentares, requisitos financeiros, tecnológicos, operacionais,
administrativos, visão estratégica e das partes interessadas, a ENGEPETROL estabelece como
objetivos da gestão: Melhoria contínua no Sistema de Gestão Integrado, Programa ISO
9001:2000/OSHAS18000 e ISO 14000, desenvolvimento da força de trabalho, processos,
projetos, produtos e melhoramento da INFRA-ESTRUTURA.
A empresa procura envolver todos os colaboradores no SGI, tanto do setor administrativo
como da produção. No gráfico 6, é possível constatar isso, onde 94% (noventa e quatro por
cento) dos colaboradores afirmam que conhecem o Sistema de Gestão Integrado.
É válido ressaltar algumas situações que chamaram atenção, quando questionados sobre a
participação dos mesmos para o sucesso do desenvolvimento do SGI na empresa: “Procuro
botar em prática os procedimentos” (Rogério Alves). “Fazer corretamente o meu trabalho
dando o meu melhor” (Bruno Maciel). “Empenhando-me com os meus colegas de trabalho
para que não fique só no papel e passe a ser rotina no dia-a-dia” (Francisco José). Ao falar do
envolvimento com o SGI, a Entrevistada Iris Lettiere enfatiza o seu comprometimento e sua
responsabilidade com os valores da organização. Já o Entrevistado Cardoso, classifica o seu
envolvimento “como essencial para o crescimento de todos os funcionários e da empresa”.

5 CONCLUSÕES
O Sistema de Gestão Integrado em Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde (Q.S.M.S)
é um sistema organizacional de trabalho que exige ousadia, bastante conhecimento e
persistência. É algo mais que certificar a empresa para atender às exigências do mercado, é ter
coragem de tentar modificar toda uma cultura arraigada no ser e em suas raízes, através de
uma argumentação coerente baseada em um amplo estudo teórico e pessoal aliada a toda uma
estrutura que busca a melhoria contínua nas condições de segurança, qualidade de vida,
processo produtivo e conscientização ecológica e ambiental.
As pesquisas realizadas e observações feitas durante o estágio, mostram que a empresa
ENGEPETROL diante dos novos parâmetros, sempre esteve preocupada em se adequar ao
sistema legal, uma vez que buscou a certificação na ISO 9.000 (Qualidade) e na OHSAS
18.000 (Segurança) e procura manter a certificação através de auditorias internas e externas
que são realizadas por empresas que se propõem a avaliar o Sistema de Gestão Integrada
(SGI) analisando documentos, evidências de cursos e palestras, sistema de informação digital,
relatórios de não-conformidades e observação ocular, através de vistorias na empresa. Além
do exposto, há um sentimento na empresa de modificar a cultura de seus colaboradores
através de cursos de aperfeiçoamento intelectual, sejam eles técnicos, superiores ou de
capacitação. Como também, há uma preocupação no campo psico-social, onde são
desenvolvidos estudos monitorados por psicólogos, para se buscar um ajuste entre o lado
pessoal e o profissional de cada colaborador.
Uma das metas atuais da ENGEPETROL é a certificação na ISO 14.000 que diz respeito ao
Meio Ambiente. Pois, para se garantir a qualidade, a segurança e a saúde dos funcionários é
imprescindível a preocupação com o meio ambiente, a fim de transparecer a credibilidade da
empresa. A ENGEPETROL possui todos os requisitos mínimos para uma gestão integrada de
Q.S.M.S.
No âmbito da saúde, os funcionários mostraram-se satisfeitos tanto com o plano de saúde
médico como o odontológico, pois os mesmos são abrangentes aos seus dependentes, sendo




258 | P á g i n a

visto por eles como uma forma de garantia, de tranqüilidade, saber para onde dirigir-se na
hora de uma necessidade. Diante de todo o esforço da empresa em qualificar e conscientizar
seus colaboradores, não há evidência de muita resistência quanto ao uso de EPI’s, uma vez
que temas relacionados com segurança são abordados toda semana no Diálogo Semanal de
Segurança (DSS), entende-se que há uma mudança, embora ínfima, na maneira de agir e de
pensar do colaborador, que começa a preocupar-se com o seu bem-estar físico, não somente
com o seu bem-estar social. A segurança dos funcionários é feita também através da
fiscalização dos equipamentos de segurança, treinamento para situações de emergência,
fechando esse ciclo de uma gestão, preocupada com a segurança de todos que fazem parte da
empresa.
Enfim, um sistema de gestão que busca integrar qualidade com segurança e saúde, respeitando
as normas ambientais, não pode ser imposto de uma hora para outra, por uma determinação da
alta-administração, é um trabalho em conjunto, que demanda tempo, aprimoramento
intelectual e moral, mudança de hábitos e acima de tudo, coragem de fazer diferente.
Diante do que foi exposto e da exploração do tema abordado, o mesmo desperta para o
desencadeamento e abordagem de vários outros como; relações humanas na empresa,
liderança, gestão da qualidade, trabalho em equipe e o aspecto humano como fator de risco
para a segurança do trabalho.
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ARAÚJO, G. M. de. Legislação de Segurança e Saúde Ocupacional: Normas Regulamentadoras do
Ministério do Trabalho e Emprego. Rio de Janeiro: Gerenciamento Verde, 2006.

FREIRE, J. R. de S.Comprometimento organizacional: o sujeito como um conjunto de atributos
articulados. Campo Grande,2004. Disponível em: < http://www.fes.br/revistas/agora/files/2007/AG-
2007-55.pdf > Acesso em: 12 jun.2008.

GONÇALVES, E. A. Segurança e medicina do trabalho em 1200 perguntas e respostas. São
Paulo: LTR, 1995.

MANUAL DO FUNCIONÁRIO DA ENGEPETROL. 2008. (Documento da empresa).
MANUAL DO SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADO DA ENGEPETROL. 2006. (Documento da
empresa).

MANUAL DE SEGURANÇA e Medicina do Trabalho. 60. ed. São Paulo: Atlas, 2007. (Manuais de
Legislação). p.71

MENDES, R.; DIAS, E. C. Da medicina do trabalho à saúde do trabalhador. São Paulo: Revista de
Saúde Pública, v.25, n.5, out. 1991. Disponível em: <http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0034-
89101991000500003&script =sci_arttext>. Acesso em: 12 jul. 2008.

PINTO, E. do N. F. Fatores humanos que favorecem a implantação do Sistema de Gestão OHSAS
18.001 (Occupational Health and Safety Assessment Series): um estudo de caso na ENGEPETROL.
2007. 54f. Monografia (Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho). Universidadede de
Fortaleza, Fortaleza, 2007.

PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE OCUPACIONAL (PCMSO). 2007.
(Documento da empresa).





259 | P á g i n a

PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE RISCO AMBIENTAL (PPRA). 2007. (Documento da empresa).



260 | P á g i n a


A Opinião de Clientes Potenciais sobre a Variável Ambiental como
Critério de Decisão na Aquisição de Imóveis em Parnamirim-RN


Larisse Santos Cabral de Oliveira (IFRN) larisse.cabral@gmail.com
Thatiana Cristina Pereira de Macedo (IFRN) thatirn@gmail.com
Ana Kalina da Silva Costa (IFRN) kassulinha01@hotmail.com
Handson Claudio Dias Pimenta (IFRN) handson@cefetrn.br


RESUMO
O presente artigo tem por objetivo avaliar a opinião de clientes potenciais sobre a importância
das questões ambientais como fator de decisão na compra de imóveis no bairro de Nova
Parnamirim, situado na região metropolitana de Natal-RN. Dessa forma, procurou-se
encontrar a consciência do consumidor frente ao setor de Construção Civil na condição de
contribuidor para mudanças nas condutas individuais dos seus consumidores. Para isso,
definiu-se a amostragem pelo método intencional, fazendo o uso de questionários com 11
perguntas e 37 variáveis, as quais se dividem em 5 grupos: perfil do entrevistado,
preocupação ambiental na hora da compra, informações ambientais na compra de um imóvel,
consciência ambiental do entrevistado e fatores de decisão na hora da compra de um imóvel.
As técnicas estatísticas utilizadas foram a analise de clusters e a estatística descritiva, por
meio do software statistic 6.0. Com os resultados, encontrou-se dois perfis de consumidores:
um com alto nível de consciência, considerando importante ou muito importante as variáveis
ambientais propostas no questionários; e outro com nível de consciência menor, porém
representativo para enquadrá-lo como seguidor de uma conduta ambientalmente correta, se
for considerado o nível de percepção ambiental desses.
PALAVRAS-CHAVE: marketing verde, percepção ambiental, construção civil.


1 INTRODUÇÃO
A intensa exploração da natureza que ocorreu após o surgimento da sociedade industrial
trouxe diversos problemas no âmbito ambiental, decorrente das atividades humanas. Por outro
lado, a preocupação com os problemas ambientais emergiram somente na segunda metade do
século XX, quando a contaminação das águas, do solo, do ar, a crise energética, a diminuição
das florestas e a ocupação desenfreada do solo começam a ser questionados e debatidos em
fóruns mundiais como, por exemplo, a divulgação do relatório do clube de Roma e a
realização da conferência mundial sobre o meio ambiente humano em Estocolmo.
Todavia, ao longo dos anos o número de pessoas ambientalmente conscientes passou a ser
maior, o que fez com que as empresas dos mais diversos ramos se qualificassem para ofertar
aos seus clientes os produtos e serviços exigidos, sem agredir o meio ambiente surgindo
assim, o marketing ambiental como uma ferramenta para estabelecer essa relação de troca
entre consumidores e empresas.


261 | P á g i n a

Para o ramo empresarial o marketing ambiental se insere em um conjunto de atividades de
análise e planejamento, implementação e controle de programas e ações durante todo o
processo produtivo. De acordo com CARDOZO (2003), o marketing ecológico contribui para
o fortalecimento da imagem da marca e como conseqüência o consumidor se sente seduzido
por esta imagem e parceiro deste tipo de proposta. Portanto, ele oferece às empresas a
oportunidade de alcançar seus objetivos e melhorar sua imagem sobre outras que não utilizam
essa ferramenta.
Nesse cenário, a ocupação do solo é um dos problemas mais enfrentados nas cidades, nos dias
atuais. No bairro de Nova Parnamirim, Parnamirim-RN, cidade localizada na região
metropolitana de Natal-RN, esse problema vem se intensificando com a forte especulação
imobiliária que atinge grande parte da região, causando um crescimento desordenado. O
mercado imobiliário tem se fortificado devido à instalação de diversas empresas de
construção civil que acabam invadindo as dunas e comprometendo as paisagens da cidade.
Vale lembrar que a construção de prédios e casas em áreas que anteriormente eram verdes,
pode afetar a qualidade de vida da população, trazendo problemas de saúde e ainda mudanças
climáticas.
O crescimento desse número de obras, não só no bairro em estudo, mas em toda a região
metropolitana de Natal-RN, fez com que construtoras de fora do estado, inclusive empresas
certificadas pela ISO 14001, passassem a se instalar na região. Com isso, houve um aumento
significativo do uso da variável ambiental como estratégia de marketing dessas empresas,
embora não se saiba até que ponto os consumidores considerem esse tipo de ferramenta como
indutora para a escolha de um imóvel construído por uma dada empresa. Desta forma, o
presente artigo tenta responder a seguinte questão-problema: os clientes potenciais
consideram a questão ambiental como critério de tomada de decisão na compra de um
imóvel?
Diante desse cenário, esse estudo foi realizado tendo por objetivo avaliar a percepção de
clientes potenciais sobre a importância das questões ambientais como fator de decisão na
compra de imóveis em Nova Parnamirim-RN. Dessa forma, procurou-se encontrar a
consciência do consumidor frente ao setor de Construção Civil na condição de contribuidor
para mudanças nas condutas individuais dos seus consumidores.
Para alcançar o objetivo, foi realizada uma entrevista em uma amostragem intencional,
através de questionários estruturados com 11 questões e 39 variáveis, divididas em 5 grupos
de variáveis, sendo eles: perfil do entrevistado, preocupação ambiental na hora da compra,
informações ambientais na compra de um imóvel, consciência ambiental do entrevistado e
fatores de decisão na hora da compra de um imóvel.
Após o levantamento dos dados, a análise dos questionários foi feita com uso da estatística
descritiva e análise de Cluster, após a classificação das variáveis e agrupamento das mesmas.

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
Para discutir sobre a percepção ambiental da população que busca adquirir um imóvel e sobre
a importância das empresas do ramo em utilizarem o Marketing Ambiental como um fator
positivo com benefícios econômicos e melhoria da imagem da empresa, é necessário,
inicialmente, esclarecer alguns conceitos e abordagens diretamente relacionadas a esses
aspectos. Para tanto, nessa sessão, estão dispostos desde os impactos ambientais da construção
civil ao conceito de Green Marketing.


262 | P á g i n a



2.1 Impactos ambientais da construção civil e construções sustentáveis
Os mais diversos setores produtivos vêm desenvolvendo suas atividades causando impactos
ao meio ambiente, se beneficiando dos recursos naturais para produzirem e, muitas vezes,
nem sequer apresentando a preocupação sobre os danos que os aspectos de saída de sua
produção causam sobre o meio ambiente.
As empresas de construção civil se enquadram perfeitamente nessa descrição, primeiro por
que estão entre as atividades que mais utilizam matérias primas naturais e segundo pois seus
rejeitos, se não forem destinados de maneira correta, podem causar danos significativos ao
meio ambiente.
No que diz respeito a utilização de insumos como matéria prima para construção de casas e
outros empreendimentos, pode-se ressaltar que as construtoras são responsáveis pelo uso de
20 a 50 % dos recursos naturais utilizados pelo homem para suas atividades
(SJOSTROM,1996). Pode-se ressaltar também que o uso de matérias primas não se resume
apenas para a construção de edifícios, durante toda a vida útil de um empreendimento são
necessários insumos, como por exemplo, água e energia.
Dessa forma, exemplifica-se como a construção civil causa impactos referentes ao uso de
matérias primas dos mais variados tipos tanto para a implantação dos empreendimentos
quanto durante o uso dos mesmos. Entretanto, não deve-se relacionar os impactos causados
por esse tipo de empresa somente aos aspectos de entrada. Vale expor que os aspectos de
saída também contribuem de forma significativa com a degradação ambiental.
Dentre esses aspectos de saída, destaca-se a questão da geração de resíduos sólidos originados
nas construções que produz cerca de 50% do peso total dos resíduos sólidos urbanos
produzidos diariamente em grandes cidades brasileiras, com mais de 500 mil habitantes
(MEDEIROS, 2001 apud FILHO, 2005). A composição geral desses resíduos é exposta por
TRIGUEIRO, que diz que, em dimensões nacionais,

a construção civil desperdiça em média 56% de cimento, 44% da areia, 30% do
gesso, 27% dos condutores e 15% dos tubos PVC e eletrodutos. Os percentuais
correspondem à diferença entre a quantidade de material previsto no orçamento e o
que efetivamente foi usado na obra (2005, p. 94).

Nesse contexto, emergem as “construções sustentáveis” (ou greenbuildings), que visam a
necessidade de adaptação desse setor ao novo modo de agir proposto pelo desenvolvimento
sustentável. Essa expressão se refere a inclusão de variáveis ambientais na construção, desde a
concepção do projeto, a construção (fase de obras) até seu uso pelos clientes. Por exemplo,
para a fase de elaboração do projeto são considerados o reuso e o aproveitamento de água no
empreendimento, a eficiência energética através da circulação de ar e entrada de luz, a
infraestrutura para a separação do lixo (coleta seletiva) e o uso de materiais que causem o
menor impacto ao meio ambiente (DING, 2008; TRIGUEIRO, 2005).
Entretanto, para a associação entre a construção e o meio ambiente um longo caminho precisa
ser percorrido pelas empresas em busca da excelência ambiental. Isso, pois elas impõem
entraves, uma vez que encaram as mudanças propostas para a melhoria de seus serviços como
um gasto, uma ação onerosa, e não como um investimento com retorno a médio-longo prazo.


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Contextualizando o exposto, DING (2008) fala sobre a importância do desenvolvimento
sustentável no desenvolvimento de projetos, como se observa:

O ato de projetar construções envolve decisões complexas e a grande significância
que se passou a dar as questões ambientais tem complicado esse processo. A
sociedade não se preocupa apenas com o crescimento e o desenvolvimento
econômico, mas também com os efeitos a longo prazo sobre a qualidade de vida das
presentes e futuras gerações. Certamente, o desenvolvimento sustentável é uma
importante questão no processo de tomada de decisão dos projetos (DING, 2008, p.
463).

Com o aumento da preocupação das empresas e a existência de construções sustentáveis em
todo mundo, visualiza-se uma tendência pela busca de ferramentas que analisam o quão
sustentável é a obra (DING, 2008). De posse das informações obtidas nesse processo, o
empreendimento pode ser beneficiado pela imagem positiva que passará a sociedade. Para
isso, poderá fazer o uso do marketing ambiental , assunto da próxima seção.

2.2 Green marketing
Diante dos grandes impactos causados pelas diversas atividades humanas de produção de bens
e serviços, o setor empresarial vem nos últimos anos modificando seu comportamento com
relação às variáveis ambientais. Para que essa mudança ocorra, se tem feito o uso de algumas
ferramentas de gestão ambiental, as quais podem ser aplicadas no processo produtivo de um
bem ou serviço (como é o caso do ecodesign, da ecologia industrial e da logística reversa),
bem como na parte da corporação, usando o green marketing.
Esta ultima ferramenta vem sendo a estratégia de algumas empresas que desejam vincular a si
uma imagem de ambientalmente correta. Porém, esta abordagem é erroneamente usada
(POLONSKY, 2001), uma vez que o green marketing é mais complexo do que a forma usual
adotadas por essas empresas que se declaram amigas do meio ambiente.
Para a terminologia “green marketing” (ou suas variações: ecomarketing, marketing verde,
marketing ambiental) não existe um conceito fechado que a defina. Dentre os mais variados
conceitos, será adotado o exposto por POLONSKY (2001) que, independente da definição
escolhida, o conceito de marketing verde deve:

[...] incluir o fato de que existe uma troca voluntária entre organizações e
consumidores que alcança os objetivos de ambas as partes e que, durante a tentativa
de minimizar os impactos ambientais negativos dessas trocas, se garante que as
atividades são sustentáveis (p. 283).

O que o autor aborda nada mais é que a incorporação de práticas ambientais no processo
produtivo da empresa, não deixando de atender os anseios de seus consumidores e tendo
como resultado a oportunidade de usar essas suas ações como uma vantagem competitiva,
através do marketing.
Complexando o debate sobre marketing verde, POLONSKY (2001) afirma que



264 | P á g i n a

o verdadeiro marketing verde envolve as questões ambientais como uma estratégia
da organização tão importante quanto às questões de qualidade ou serviços ao
cliente. Isso provavelmente irá exigir uma mudança na mentalidade da empresa,
como também em seu comportamento (p. 286).

A partir disso, tem-se a idéia de que as ações de marketing verde de uma empresa devem ser
incorporadas profundamente, passando desde por sua filosofia/política até seu processo de
geração de bens e serviços. Desta forma, o green marketing é, em essência, um ajuste das
estratégias mercadológicas de empresas às exigências de um novo tempo no qual os
consumidores desejam mais do que produtos, compromissos firmes (VOLTOLINI, 2006,
p.368).
Para que esse processo seja feliz em seu objetivo, algumas estratégias e táticas podem ser
executadas e, agindo dessa forma, a corporação não cometerá o erro de focar suas ações
apenas na promoção do produto/serviço ou no seu design. Além disso, a empresa pode
cometer o erro (mesmo que intencional) de estar promovendo um falso marketing verde,
divulgando uma conduta que não condiz com a realidade:

algumas empresas induzem o consumidor ao erro, destacando um ponto positivo de
seu produto enquanto não menciona os outros negativos. Por exemplo, o conteúdo
de papel ou madeira serrada de seus produtos tem sua exploração sustentável e são
reciclados, enquanto não se observa o impacto que os processos de fabricação
causam ao ar ou a água com as emissões de poluentes (gases e efluentes) ou
contribuem para o aquecimento global (BONINI; OPPENHEIM, 2008, p. 59).

Outro exemplo prático e victício do “falso marketing verde” pode ser evidenciado numa
compra de detergentes: uma determinada empresa fabrica um detergente não biodegradável,
mas sua embalagem de plástico e o papel do rotulo são 100% reciclados e a empresa faz a
propaganda de tal produto como eco-eficiente. Neste caso evidencia-se a reciclagem, mas, a
partir do momento que não menciona a não degradabilidade do detergente e o impacto que ele
pode causar ao meio ambiente, a empresa não está sendo de fato sincera com seus
consumidores, fazendo assim um falso marketing ambiental de seu produto.
Assim, a fim de não cometer tais semelhantes erros, as estratégias da empresa podem seguir a
lógica dos 4Ps discutidas pela Boston Consulting Group (BCG), a qual aborda as quatro
variáveis: planejamento, processos, produtos e promoção (MANGET et. al., 2009). A figura 1
a seguir as representam esquematicamente:


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Figura 1: Visão holística dos 4Ps no emprego de medidas “verdes”.
Fonte: Adaptado de BCG, 2009

A abordagem apresentada acima representa uma visão holística da lógica dos 4Ps, os quais
podem ser discutidos na academia com outras variáveis, porém com o mesmo objetivo. De
maneira geral, a figura 1 ilustra e enfatiza o que já foi exposto neste artigo: o uso do
marketing verde, traduzido na lógica dos 4Ps, sugere uma mudança estrutural da empresa,
modificando metas e reduzindo resíduos na produção para assim repassar aos consumidores e
outras partes interessadas (steakholders) o compromisso ambiental que a empresa possui.
Por outro lado dessa temática, independente da estratégia de marketing utilizada pela
empresa, percebe-se que as mudanças são feitas devido a uma demanda de um novo tipo de
consumidor, o qual é chamado de “verde”. Suas características e sua importância serão
debatidas a seguir.

2.3 O consumidor verde e o consumo sustentável
A tendência de mercado que se difunde no senso comum é a de que as empresas estão
investindo em um novo tipo de consumidor, aquele que assume seu compromisso com o meio
ambiente com um novo padrão de consumo. Se dá o nome de verde a este tipo de consumidor.
Apesar disso, semelhante ao conceito de marketing ambiental, não há uma definição que
venha caracterizar fielmente esse tipo de consumidor, uma vez que ele vem a se adaptar a
conjuntura local. Em outras palavras, a cultura e ideologias existentes no espaço estudado irão
influenciar totalmente o modo de agir e o comportamento (SANTOS, 1993) dos
consumidores.
O consumo sustentável é moldado de acordo com as necessidades do consumidor.
MICHAELIS (2003) discute essa questão argumentando que é a sociedade de forma
organizada que deve exercer pressão sobre o setor governamental e este por sua vez, na forma
de políticas e taxações, deve pressionar as corporações a fim de fazê-las adotar uma conduta
ambiental justa. O mesmo autor ainda comenta que

O despertar das empresas podem ter que esperar por mudanças nas políticas e ações
do governo, da mídia e da sociedade civil, forçando as corporações a entrar em
dialogo para desenvolver uma nova história sobre a prosperidade do meio ambiente
e o papel da classe empresarial em promovê-la. Os governos necessitam reformar


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suas taxas e leis ambientais, bem como também necessitam mudar as leis a cerca da
competição e dos investimentos para criar um sistema que recompense o
comportamento (moral) da corporação. Mas finalmente, a cultura empresarial só
parece mudar como parte de uma mudança ampla, exigida e promovida pela
sociedade civil. (MICHAELIS, 2003, p.921).

De forma esquemática, pode-se expor a citação acima, assim como mostra a figura 2 a seguir:


Figura 2: esquema do funcionamento do consumo sustentável
Fonte: Adaptado de (MICHAELIS, 2009)
Tanto a citação quanto o esquema exposto acima nos indica que a sociedade exerce um papel
fundamental na mudança de comportamento das empresas. Porém é necessário que o governo
entenda os anseios da população para assim fazer valer sua autoridade, cobrando das
empresas uma conduta ambientalmente esperada. Assim, todos saem beneficiados: a
sociedade satisfeita por terem seus desejos atendidos; o governo, com suas políticas eficazes e
as empresas; e as empresas, por dar retorno à sociedade e ter retribuídos destes a preferência
por seus produtos/serviços.

3 MATERIAIS E MÉTODOS DA PESQUISA
3.1 Recorte espacial – local de aplicação
A cidade de Natal e a sua região circunvizinha (conhecida como Grande Natal) vêm
apresentando um crescimento significativo, do qual se pode enfatizar a região de Nova
Parnamirim, que pertence ao município de Parnamirim. Nos últimos 15 anos essa área passou
a ser especulada pelo ramo da construção civil, fazendo com Natal e Parnamirim sofressem
um processo de conturbação, passando a não existir mais limites claros entre uma cidade e
outra.
Sendo assim, seu crescimento populacional está vinculado à esses fatos já mencionados, tendo
o bairro apresentado no ano de 1996 uma população de cerca de 15 mil habitantes (IBGE,
1996) e, em 2000, aproximadamente 27 mil habitantes (IBGE, 2002), ou seja, um crescimento
populacional de cerca de 78% em quatro anos.


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Essa continua sendo a realidade da região, o que vem atraindo as construtoras a investirem na
construção de empreendimentos imobiliários no local. Dessa forma,o presente trabalho foi
desenvolvido nesse bairro, especificamente nas Avenidas Abel Cabral e Maria Lacerda
Montenegro, visto que a compra e venda de imóveis na área é intenso.

3.2 Instrumento de coleta de dados
A pesquisa foi feita no mês de setembro de 2009, utilizando como local de aplicação os
estandes de vendas de novos condomínios no bairro de Nova Parnamirim, mais precisamente
nas Avenidas Abel Cabral e Maria Lacerda Montenegro devido ao notável crescimento, à
nível de construção civil, que a área está passando.
Para o desenvolvimento da pesquisa, utilizou-se questionário fechado com 11 questões e 39
variáveis onde foram feitas perguntas para a visão sobre a percepção ambiental dos
consumidores no que diz respeito a implantação do empreendimento, ao período de uso, além
de algumas perguntas para caracterização social.Estas variáveis foram divididas nos seguintes
grupos:
- Fatores de decisão na hora da compra de um imóvel - IMP_PRE (importância do preço
do imóvel), IMP_QAC (importância da qualidade do acabamento do imóvel), IMP_QMA
(importância dos materiais usados na obra), IMP_LOC (importância da localização do
terreno), IMP_FAC (importância da facilidade da compra), IMP_CAM (importância das
características ambientais do imóvel), IMP_ASC (importância das ações sociais da
construtora), IMP_AAC (importância das ações ambientais da construtora), PRE_AMB
(preocupação ambiental como fator indutor na hora da aquisição de um imóvel);
- Consciência ambiental do entrevistado - SIG_IMP (significância do impacto ambiental da
obra), NIV_CON (nível de conhecimento sobre a utilização de praticas ambientais),
FRE_TRE (freqüência da participação em eventos na área ambiental);
- Informações ambientais na compra de um imóvel - BAR_FIN (falta de interesse como
barreira para o acesso a informações sobre as variáveis ambientais), BAR_DES
(desconhecimento como barreira para o acesso as informações sobre as variáveis ambientais),
BAR_FIC (falta de informações como barreira para o acesso as informações sobre as
variáveis ambientais), BAR_NEX (não existência de práticas ambientais na construtora como
barreira para o acesso as informações sobre as variáveis ambientais), IMP_VAR (importância
da busca de informações das variáveis ambientais na construção civil);
- Preocupação ambiental na hora da compra - IMP_RES (importância dadestinação final
dos resíduos da construção civil na fase de implantação do empreendimento),IMP_LIC
(importância do licenciamento da obra na fase de implantação do
empreendimento),IMP_MAT(importância do uso de materiais "ecologicamente corretos" na
fase deimplantação do empreendimento), IMP_TEC (importância das tecnologias limpas na
fase deimplantação do empreendimento), IMP_CHU (importância das águas de chuva na fase
deimplantação do empreendimento), IMP_ECA (importância da economia de água na fase
deoperação do empreendimento), IMP_TEL(importância do tratamento de efluentes líquidos
na fase de operação do empreendimento), IMP_ECE (importância da economia de energia
(eficiência energética) na fase de operação do empreendimento), IMP_COS(importância da
coleta seletiva na fase de operação do empreendimento), IMP_MAV (importância da
existência de áreas verdes no terreno durante a fase de operação do empreendimento),


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IMP_ENS (importância do uso da energia solar na fase de operação do empreendimento),
IMP_EDA (importância de ações de educação ambiental na fase de operação do
empreendimento), IMP_RCH(importância da reutilização do uso das águas de chuva na fase
de operação do empreendimento), IMP_CER (importância da certificação ambiental - ISO
14.001 - na fase de operação do empreendimento).
- Perfil do entrevistado - SEX_ENT (sexo), EST_CIV (estado civil), FAI_ETA (faixa
etária), GRA_INS (grau de instrução), QPE_CAS (quantidade de pessoas na residência do
questionado), TEM_CRI (existência de crianças, filhos, na residência).

3.3 Análise dos dados
Após a aplicação dos questionários, passou-se a fase de tabulação e análise dos resultados.
Para tanto, foi feito o uso da estatística descritiva e da análise de Cluster. Na análise baseada
na estatística descritiva, foram feitas medidas de locação com a apresentação da média, moda
e mediana; medidas de variabilidade, com o levantamento do desvio padrão; como também
foram utilizados coeficientes de correlação somente relacionados as questões sócio-
econômicas.
Diante dos resultados da análise descritiva, passou-se a utilização de outra técnica estatística,
a análise de cluster, feita com o uso do software statistic 6.0. Foi feito esse tipo de estudo para
o agrupamento de subgrupos homogênios, conforme a semelhança das respostas dadas aos
questionamentos. Na forma conceitual, a análise de Clusters busca agrupar elementos de
dados baseando-se na similaridade entre eles. Os grupos são determinados de forma a obter-se
homogeneidade dentro dos grupos e heterogeneidade entre eles (DONI, 2004).
Com relação a amostragem, a técnica definida para a pesquisa foi a de amostragem
intencional, pois, buscou-se saber a opinião de um grupo específico, no caso os consumidores
interessados em adquirir um imóvel novo, que está em fase de lançamento na área escolhida
para o estudo. Nesse tipo de amostragem, de acordo com determinado critério, é escolhido
intencionalmente um grupo de elementos que irão compor a amostra. O investigador se dirige
intencionalmente a grupos de elementos dos quais deseja saber a opinião (SILVA, 2002).
Sendo assim, foram aplicados os questionários a 54 pessoas, fazendo a entrevista sempre após
as visitas aos locais de vendas dos empreendimentos.

4 ANÁLISE E DISCUSSÕES DOS RESULTADOS
4.1 Análise Descritiva
4.1.1 Caracterização da amostra – perfil de consciência ambiental do entrevistado
A análise descritiva teve como objetivo avaliar a percepção dos entrevistados com relação as
37 variáveis do questionário, as quais foram dispostas em blocos distintos de acordo com a
abrangência de cada uma.
De início, foi caracterizado o perfil social dos entrevistados, com o foco em torno de questões
como sexo, faixa etária e grau de instrução. Desta forma, observa-se que 56% eram mulheres
e que uma maioria de 68% possui ensino superior à nível de graduação (completo ou
incompleto) e pós graduação. Na figura 3 pode-se visualizar as estatísticas desse bloco de
respostas.


269 | P á g i n a


Figura 3: gráficos com as porcentagens de sexo e grau de instrução dos entrevistados.

De posse dessas informações, leva-se a crer que o perfil dos entrevistados tendem a obter um
resultado de boa percepção ambiental, uma vez que teoricamente o grau de instrução reflete
no conhecimento de discernir uma conduta ambiental correta de uma julgada como incorreta.
Quando perguntado sobre o nível de conhecimento a respeito da utilização de práticas
ambientais pelas empresas, observou-se que 48,14% tem algum conhecimento e apenas 7,4%
tem total conhecimento sobre essas informações.
Já em relação a freqüência de participação em treinamento, foi verificado que 39% as vezes
participam e 26% nunca participam. Esta baixa freqüência em treinamentos pode refletir a
baixa concentração de respostas sobre o total conhecimento.

4.1.2 Fatores de decisão na compra de um imóvel e preocupação ambiental na hora da
compra
Diante dos resultados obtidos foram analisadas as demais variáveis do questionário,
começando pela análise daquelas ligadas a decisão de comprar um imóvel. O grau de
importância dado a cada variável está disposto a seguir na figura 4:

Figura 4: Distribuição das variáveis, quanto a sua importância, relacionadas a compra do imóvel.

Percebe-se que as variáveis ambientais não são tão relevantes quanto as sócio-econômicas.
Por exemplo, 70% dos entrevistados consideram o preço e a localização do imóvel como
variáveis muito importantes no processo de decisão. Já as facilidades encontradas na hora da
compra do imóvel (IMP_FAC) é considerada como muito importante por 56% das pessoas.


270 | P á g i n a

Ainda, percebeu-se que 31% dos entrevistados acreditam que as características ambientais do
imóvel são muito importantes no momento de decisão da aquisição, bem como 22%
consideram também muito importante as ações ambientais da construtora.
Outra variável foi analisada quanto a sua significância: os entrevistados foram indagados
sobre a preocupação ambiental como um fator indutor no momento da compra. As respostas
tiveram uma maior concentração entre “pode ser ou não importante” e “importante”, assim
como pode-se ver a disposição na figura 5.

Figura 5: Distribuição da freqüência de respostas para a variável PRE_AMB.

O perfil de idade dos entrevistados que se encaixam nesse cenário segue os seguintes
percentuais: dentre eles, merecem destaque as faixas etárias entre 26 e 35 anos, com 35% das
respostas, e entre 36-50, com 30%. Os demais resultados podem ser evidenciados a seguir.

Figura 6: Percentual da faixa etária dos entrevistados que deram como resposta “pode ou não ser
importante” e “importante” para a variável PRE_AMB.
Assim, correlacionando as duas ultimas figuras, percebe-se o grau de maturidade dos
entrevistados quanto a sua opinião sobre a preocupação ambiental dos empreendimentos da
construção civil.
A fim de melhor analisar o consumidor consciente, se verificou aqueles que deram valor cinco
a essa variável, considerando-a muito importante. Foi feita uma relação simples com outras
variáveis do questionário relacionadas às fases de implantação/construção e operação (uso).
Atribuiu-se qualificações 4 e 5 (respectivamente, importante e muito importante) para as
seguintes variáveis: IMP_RES, IMP_LIC, IMP_ECA, IMP_TEL, IMP_ECE e IMP_COS.
Com isso, se remete que um pequeno número de pessoas (apenas 13%) fazem a relação a
variável ambiental e alguns de seus aspectos, como a geração de resíduos líquidos e sólidos, o
consumo de água e energia, bem como o impacto causado pelo empreendimento durante a
construção da obra, refletindo assim um sinal de percepção dessas questões.


271 | P á g i n a

4.1.3 Informações ambientais na compra de um imóvel
Analisando as variáveis relacionadas a compra do imóvel, a grande maioria considera
importante a busca de informações sobre as variáveis ambientais na construção civil, com
uma porcentagem de 57,4%. A distribuição da freqüência das respostas para essa variável
pode ser verificada na figura 7.

Figura 7: Distribuição da freqüência de respostas para a variável IMP_VAR.

Com relação a fonte de informações ambientais, as quais os entrevistados procuram para
sanar suas dúvidas com relação à aquisição de um imóvel, destaca-se que 67% buscam
subsídios na internet, 17% procuram o órgão ambiental e 13% tiram suas dúvidas com o
engenheiro da obra. 7% dos entrevistados buscavam outros meios de informação, como por
exemplo a televisão, panfletos e outdoors.
Com isso, se percebe que embora muitas vezes as empresas não forneçam informações sobre
as características ambientais do empreendimento, os consumidores conscientes acreditam ser
importante essa divulgação e estão encontrando formas de obter tais dados.
Com relação as barreiras enfrentadas na aquisição de informações percebeu-se que as
variáveis falta de interesse, desconhecimento e falta de informações na construtora são as de
maior relevância na opinião dos questionados, obtendo todas a porcentagem de 41% como
importante. Abaixo, na figura 8, pode-se observar os demais valores para cada uma das
variáveis.

Figura 8: Distribuição das variáveis, quanto ao grau de importância, relacionadas as barreiras de acesso a
informações sobre as variáveis ambientais.



272 | P á g i n a

Ainda pode-se inferir deste gráfico a conduta do consumidor, principalmente com a variável
falta de interesse (BAR_FIN). Independente da existência da informação na construtora, o
consumidor não se atenta em buscar as informações ambientais da construção, demonstrando
então a falta de percepção de adquirir um imóvel que poderá causar, além dos danos previstos
por qualquer construção, outros impactos não contabilizados que podem surgir com o tempo.

4.2 Análise de clusters
Usando o método estatístico da análise de clusters, o qual proporciona ao final a
caracterização de dois grupos com características distintas, as 37 variáveis foram
relacionadas. Para isso, usou-se um critério de significância para a composição dos
agrupamentos de nível de probabilidade p≤0,05. Assim como foi já foi descrito, as variáveis
sondam o comportamento dos questionados quanto a sua percepção e conscientização de
alguns elementos ligados ao meio ambiente, atribuindo a elas notas entre 0 e 5, de acordo com
a importância de cada uma delas. Abaixo, pode-se observar graficamente a formação dos
grupos distintos na figura 9:
Figura 9: Agrupamentos obtidos com a análise de clusters.
O que se evidencia acima são dois grupos distintos: o primeiro, com 24 casos, e o segundo,
com 30 casos. Para o primeiro agrupamento encontra-se os consumidores mais conscientes,
com respostas variando suas médias entre importante ou muito importante. Se obteve o
seguinte perfil para esse agrupamento: 96% consideram a qualidade do acabento do imóvel
como fator atrativo na compra, 69% se atentam as características ligadas ao meio ambiente (à
nível de aspectos e impactos ambientais) do imóvel. Com relação ao impacto ambiental da
obra, 80% estão cientes de sua significância negativa ao meio ambiente. Ainda, relacionada a
fase de instalação do empreendimento, 91% são a favor do uso de tecnologias limpas na
contrução e 85% preferem o uso de materiais ecologicamente corretos. Por fim, para o uso do
imóvel, todos são a favor da existência de áreas verdes no terreno e 80% desejam que exista
no empreendimento o uso de energia solar.
Para o outro agrupamento encontrou-se um perfil menos consciente, que se pode considerar
ainda como uma conduta dentro dos padrões ambientais, porém com uma relevância e nível
de conscientização menor que a do primeiro cluster. Para esse segundo grupo de
consumidores 61% não consideram as variáveis ambientais na hora da compra do imóvel e
63% não acreditam que as questões ambientais devem existir dentro da empresa/construtora


273 | P á g i n a

do empreendimento. Para a construção do imóvel, 59% não se preocupam com o uso de
tecnologias limpas e 54% também não se preocupam com a destinação final dos resíduos da
construção.
Sendo assim, encontramos um cenário de alta percepção quanto as questões ambientais,
porém de baixa conscientização com relação a aplicação das práticas que venham a melhorar
o desempenho ambiental da empresa.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A construção civil causa impactos ambientais significativos. Buscar alternativas na tentativa
de mitigar os danos causados por essa atividade assunto alvo de estudos em todo o mundo.
Entretanto, a busca por materiais e métodos mais sustentáveis tornam-se inúteis se as
empresas não buscarem utilizar métodos mais eficazes e menos impactantes em seus
processos produtivos (ou nas construções, em relação ao caso em foco).
O consumidor que tem a percepção das variáveis ambientais e da sua importância, possui uma
fraca conscientização quanto a busca de condutas aceitáveis a fim de evitar um possível dano
ao meio ambiente.
Como resultados, encontrou-se dois perfis de consumidores: um com alto nível de
consciência, considerando importante ou muito importante as variáveis ambientais propostas
no questionários; e outro com nível de consciência menor, porém representativo para
enquadrá-lo como seguidor de uma conduta ambientalmente correta, se for considerado o
nível de percepção ambiental desses.
Percebe-se assim, aplicando ao contexto da pesquisa proposta por este artigo, que a maior
parte das pessoas que buscam comprar empreendimentos são conscientes da importância de se
obter um imóvel com características ambientalmente corretas, entretanto, não demonstram
essa preocupação no momento de aquisição de um bem imobiliário, pois outras questões
como o preço e a localização tem peso maior nessa decisão. Dessa forma, as empresas não
consideram importante utilizar técnicas desse tipo, dando maior ênfase as características
recreativas do imóvel e as facilidades que o cliente poderá ter para a aquisição.
Talvez essa situação seja reflexo do modismo posto nos últimos anos de considerar a variável
ambiental como uma das mais importantes no planeta, porém esquecendo do principal: a ação.
A falta de consciência é a falta de informação que as pessoas têm sobre o assunto. Destaca-se
que a preocupação ambiental não é considerada tão importante quanto preço e localização,
mas pode ser usada como um diferencial quando associada a outros fatores.
A atitude é a chave de todas as questões, aliada ao conhecimento. Por isso a importância de
conhecer a fundo as questões nas quais o homem está inserido, a fim de não correr o risco de
ser iludido com informações que escondem a verdade.

6 REFERÊNCIAS

BONINI, Sheila; OPPENHEIM, Jeremy. Cultivating the green consumer. Stanford Social
Innovation Review, p. 56-61. Fall 2008.



274 | P á g i n a

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consumer companies, 2009. Boston Colsulting Group – BCG. Disponível em:
http://www.bcg.com/impact_expertise/publications/. Acesso em: 18 abr. 2009.
CARDOZO, Julio Sergio. Geração de valor e marketing social. Revista Valor Econômico, n.712,
ano 4 - Março 2003.
DING, Grace. Sustainable construction: the role of environmental assessment tools. Journal of
Environmental Management , vol. 86, p.451-464 – January 2008.
DONI, Marcelo Viana. Análise de cluster: métodos hierárquicos e de particionamento. 2004. 93 f.
Dissertação (Trabalho de Graduação Interdisciplinar II) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São
Paulo.
FILHO, Alcides Fernandes e Silva. Gestão dos resíduos sólidos das construções prediais na cidade
do Natal – RN. 2005. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Pordução), Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, Natal.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Contagem da População
1996. Rio de Janeiro: IBGE, 1996, V. 1.
_____. Censo demográfico 2000. Rio de Janeiro: IBGE, 2002, V. 1.
MICHAELIS, Laurie. The role of business in sustainable consuption. Journal of Cleaner
Production, vol.11, p.915-921 – October 2003.
POLONSKY, Michael Jay. Green Marketing. In.: Charter, Martin; Tischner, Ursula (Orgs.).
Sustainable solutions: developing products and services for the future. Wiltshire, UK: Greenleaf,
2001.
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SILVA, Paulo Cézar Ribeiro. Introdução a estatística econômica. 2002. Disponível em:
http://www.geocities.com/pcrsilva_99/2A3.HTM. Acesso em: 10 set. 2009.
SJOSTROM, Christer. Service life of the building. Applications of the performance concept in
building. Tel Aviv. CIB. v. 2. Proceedings. p. 6 -11. 1996.
TRIGUEIRO, André. Mundo sustentável: abrindo espaço na mídia para um planeta em
transformação. São Paulo: Globo, 2005.
VOLTOLINI, Ricardo. Marketing ambiental: o consumidor verde influenciando a mudança de
práticas mercadológicas nas empresas. In: JUNIOR, Alcir Vilela; DEMAJOROVIC, Jacques (Org.).
Modelos e ferramentas de gestão ambiental: desafios e perspectivas para as organizações. São Paulo:
Editora Senac, 2006.






275 | P á g i n a


Análise de Deficiências das Medidas Mitigadoras de Um Estudo
Ambiental da Atividade Petrolífera Onshore, RN

Robson Garcia da Silva (IFRN) robsontecnologo@yahoo.com.br

RESUMO
Este trabalho tem como objetivo central analisar as deficiências das medidas mitigadoras de
impactos ambientais propostas pelo Relatório de Controle Ambiental (RCA) para a perfuração
de seis poços de petróleo no campo petrolífero de Porto Carão, município de Carnaubais
(RN). Esse RCA visa à concessão da Licença Prévia para a Perfuração (LPper) desses poços.
Para consecução deste trabalho utilizou-se os estudos realizados pelo Ministério Público
Federal (MPF, 2004) que são a respeito das principais deficiências no item de mitigação e
compensação de impactos em estudos de impacto ambiental no Brasil. Além disso, utilizou-se
os aportes teóricos de alguns autores a cerca do licenciamento ambiental e técnicas de
pesquisa exploratória, realizadas por meio de levantamentos bibliográficos, documentais e
legais, como as leis federais e estaduais e as resoluções atinentes ao tema. Para análise em
tela, foi selecionado o RCA da empresa Petróleo Brasileiro S.A. (PETROBRAS), elaborado
pela Empresa de Consultoria e Planejamento Ambiental Ltda. (ECOPLAM), que fora
solicitado para emissão dessa licença. Como resultados e discussão deste estudo, constataram-
se que 46%, ou o equivalente a 13 (treze) medidas de um universo de 28 (vinte e oito),
apresentaram deficiências que podem vir a comprometer a qualidade desse estudo ambiental.
PALAVRAS-CHAVE: Medidas mitigadoras. Impactos ambientais. Relatório de Controle
Ambiental (RCA). Atividade petrolífera onshore.

1 INTRODUÇÃO
Ao longo dos últimos anos, a exploração e produção de petróleo onshore, ou seja, em terra,
vêm se constituindo num dos vetores mais importantes para a economia do Estado do Rio
Grande do Norte. A perfuração de poços petrolíferos onshore vem aumentando de maneira
significativa o número de solicitações e emissões de licenças ambientais junto ao Instituto de
Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (IDEMA) do Rio Grande do Norte, órgão
ambiental competente pelo licenciamento ambiental do Estado. Por conseguinte, isso tem
elevado também o número de elaboração de estudos ambientais para subsidiar o
licenciamento dessas atividades.
No ano de 2008, por exemplo, o IDEMA emitiu um total de 5326 licenças ambientais sendo
que 76% desse percentual, o que a equivale a 4047, são referentes às atividades petrolíferas
onshore (SILVA, 2009).
Para uma melhor visualização e entendimento desses dados, o gráfico 1, demonstra a
quantidade aproximada de licenças ambientais emitidas em cada mês do ano de 2008 tanto do
âmbito das outras atividades quanto no âmbito das licenças ambientais da atividade onshore.



276 | P á g i n a



Gráfico 1 – Quantidade de licenças ambientais emitidas nos meses de 2008
Fonte: Silva (2009)

Com base no Gráfico 1, notamos que na maioria desses meses há uma significativa
predominância das emissões de licenças ambientais de atividades petrolíferas onshore o que
nos leva a reiterar o elevado número de estudos ambientais para subsidiar o licenciamento
dessas atividades.
Além de gerar riquezas, o desenvolvimento dessas atividades oferece elevados riscos de
impactos ambientais ao meio ambiente.
Nesse contexto, o licenciamento ambiental como um instrumento disposto na Lei 6938/81,
Política Nacional do Meio Ambiente, nas resoluções do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (CONAMA) e nas normas estaduais, Lei Complementar 272/04 e Lei
Complementar 336/06 do RN, pode vir a oferecer medidas de controle ambiental que
possibilitem a prevenção, diminuição e/ou compensação de impactos ambientais negativos de
qualquer atividade humana.
Esse instrumento é conduzido no âmbito do poder público, e é considerado um procedimento
administrativo e de gestão do ambiente, uma vez que por meio deste a administração pública
busca exercer o controle sobre as atividades humanas que interferem nas condições
ambientais, o que isso pode levar a uma compatibilização do desenvolvimento econômico
atrelado a preservação do meio ambiente (MILARÉ, 2005).
No processo de licenciamento ambiental da atividade petrolífera onshore do RN, os estudos
ambientais elaborados por empresas cadastradas pelo IDEMA, apesar de atenderem os termos
de referência, não apresentam conteúdos consistentes e aprofundados, o que dificulta numa
análise profícua no entendimento de impactos ambientais e da proposição de medidas
mitigadoras desses impactos (PEGADO; SILVA, 2008).
Em consonância com isso, colocamos em destaque o problema da qualidade de estudos
ambientais voltados para a exploração e produção de petróleo onshore do RN, visto que, em
muitas vezes não vêm atendendo plenamente os ditames da legislação e, conseqüentemente,
comprometendo o processo de licenciamento ambiental.




277 | P á g i n a

Em face disso, o presente trabalho procurou responder o seguinte questionamento: em que
grau as medidas mitigadoras de impactos ambientais propostas pelo Relatório de Controle
Ambiental (RCA), vêm apresentando deficiências que comprometem na qualidade desse
estudo ambiental, visando à concessão da Licença Prévia para Perfuração (LPper)?
Nesse sentido, este trabalho tem como propósito fundamental analisar as deficiências das
medidas mitigadoras dos impactos ambientais propostas pelo Relatório de Controle
Ambiental (RCA) para a perfuração de seis poços de petróleo no campo petrolífero de Porto
Carão, localizado na zona rural do município de Carnaubais (RN).
Entendemos, neste estudo, como medidas mitigadoras de impactos ambientais ações
propostas que têm como intuito reduzir a magnitude ou importância dos impactos ambientais
negativos (SÁNCHEZ, 2006) em consonância com uma compatibilização de
desenvolvimento social e econômico que contemple a proteção ambiental (SILVA, 2009).
Além disso, destacamos também os estudos que nortearam a análise em pauta, realizados pelo
Ministério Público Federal (MPF, 2004) sobre a análise de deficiências de estudos de
impactos ambientais no Brasil.
Este trabalho surgiu a partir de uma monografia resultado da pesquisa de iniciação científica
financiada pelo Programa de Mobilização da Indústria de Petróleo e Gás Natural (PROMINP)
no período de julho de 2008 a março de 2009 no Núcleo de Pesquisa em Processos de
Petróleo e Gás Natural (NPP3G) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Rio Grande do Norte (IFRN).
A justificativa decorreu de inúmeros problemas que estudos ambientais utilizados no processo
de licenciamento onshore, têm apresentado junto ao órgão ambiental do Estado, o IDEMA.
Exemplo disso é o caso do RCA em análise.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O capítulo em tela apresenta a discussão teórica sobre os conceitos norteadores deste trabalho
que são o de licenciamento ambiental, o de licenciamento ambiental da atividade petrolífera
onshore e, finalmente, o de estudo ambiental, destacando-se nesse último, o item concernente
as medidas mitigadoras do RCA, que se constitui no objeto de análise deste trabalho
científico.

2.1 O licenciamento ambiental
O licenciamento ambiental é conduzido no âmbito do poder público, e é considerado um
procedimento administrativo e instrumento de gestão do ambiente, uma vez que por meio
deste a administração pública busca exercer o controle sobre as atividades humanas que
interferem nas condições ambientais, o que isso pode levar ao desenvolvimento econômico
atrelado a preservação do meio ambiente (MILARÉ, 2005).
Para a Resolução CONAMA nº 237/97, o licenciamento ambiental é um procedimento
administrativo pelo qual o órgão ambiental competente observa alguns aspectos como
localização, instalação, ampliação e operação de empreendimentos e atividades utilizadores
de recursos naturais considerados efetivos ou potencialmente poluidores ou que, sob qualquer
forma, possam causar degradação ambiental (BRASIL, 1997).
Quanto aos procedimentos do licenciamento ambiental, de maneira geral, compreende 3 (três)
tipos de licença: a Licença Prévia (LP), a Licença de Instalação (LI) e a Licença de Operação



278 | P á g i n a

(LO). Mas essas licenças podem variar de acordo com as características da atividade
econômica
De uma forma simplificada, demonstraremos a seguir (ver Figura 1), o processo de
licenciamento ambiental que inicia-se com o projeto da atividade realizado pelo
empreendedor e conclui-se na execução da atividade.


Figura 1 – Procedimentos simplificados do licenciamento ambiental
Fonte: Silva (2009), adaptado de Fogliatti et al (2004)

De acordo com a Lei nº. 6.938/1981 art. 10, nem todas as atividades estão sujeitas ao
licenciamento ambiental, apenas as que tenham potencial relevante para causar degradação ou
poluição ambiental e as que utilizam em demasia os recursos naturais.
2.2 O licenciamento ambiental da atividade petrolífera onshore do RN
A Resolução CONAMA 023/94 foi expedida para estabelecer critérios para o licenciamento
ambiental das atividades relacionadas à exploração e lavra de jazidas de combustíveis líquidos
e gás natural, sendo que o controle e a expedição das licenças previstas competiriam ao órgão
ambiental federal, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis,
IBAMA (MOLINA, 2005).
O licenciamento ambiental das atividades petrolíferas no mar (offshore), com base na
localização do empreendimento e no alcance de seu impacto ambiental, cumpre ao IBAMA a
competência de seu licenciamento de acordo com o art. 4º da Resolução CONAMA 237/97.
Por outro lado, compete aos órgãos estaduais de meio ambiente, licenciar as atividades de
exploração e produção de petróleo em terra (onshore). Sendo assim, por exemplo, o caso de
estados como Amazonas, Bahia, Espírito Santo e Rio Grande do Norte, não utilizam os
procedimentos e critérios constatados na Resolução CONAMA 023/94, mas sim a legislação
ambiental estadual (MOLINA, 2005).




279 | P á g i n a

No caso do RN, o licenciamento ambiental é baseado na Política Estadual do Meio Ambiente
(PEMA) estabelecida na Lei Complementar Estadual nº 272 de 03 de março de 2004 e pela
Lei Complementar Estadual nº 336 de 12 de dezembro de 2006. Em consonância com essas
leis, o licenciamento ambiental onshore, face à sua complexidade em relação às outras
atividades, é caracterizado por licenças mais específicas e numerosas do que o previsto na
maioria dos empreendimentos.
Em relação à atividade petrolífera onshore, para cada etapa exigem-se as seguintes licenças: a
Licença Prévia para Perfuração (LPper), a Licença Prévia de Produção para Pesquisa (LPpro),
a Licença de Instalação (LI) e, por fim, a Licença de Operação (LO), de acordo com a Lei
Complementar nº 272/2004 (RIO GRANDE DO NORTE, 2004).
Em cada uma dessas licenças o órgão ambiental, no caso do nosso Estado o IDEMA, exige a
apresentação de alguns documentos (ver Figura 2) que podem ser comuns em todas as
licenças, mas também, há aqueles específicos como, por exemplo, os estudos ambientais.


Figura 2 – Documentos necessários para cada licença ambiental da atividade petrolífera onshore
Fonte: Silva (2009), adaptado de Rio Grande do Norte (2004)

O RCA, um estudo ambiental objeto de nosso trabalho, é um desses documentos específicos
que é solicitado no licenciamento da atividade petrolífera onshore para concessão da Licença
Prévia para Perfuração (LPper).
2.3 O estudo ambiental
O estudo ambiental, como afirma Sánchez (2006), é um estudo técnico com o intuito de
fornecer as informações e análises técnicas de uma atividade causadora de impactos
ambientais, desde a localização, implantação, operacionalização e ampliação, para subsidiar o
processo de licenciamento.
Para a Resolução CONAMA nº 237/97, o estudo ambiental é todo e quaisquer estudos
relativos aos aspectos ambientais que estão relacionados à localização, instalação, operação e



280 | P á g i n a

ampliação de uma atividade ou empreendimento. Como subsídio é apresentado para a análise
da licença requerida, alguns estudos como: relatório ambiental, plano e projeto de controle
ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de
recuperação de área degradada e análise preliminar de risco.

Dentre os estudos ambientais inerentes ao licenciamento ambiental, o mais importante é o
Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e seu respectivo Relatório de Impacto Ambiental
(RIMA). Esse estudo é um instrumento previsto na Constituição Federal é considerado o
melhor modelo de prevenção de danos ao meio ambiente.
O RCA, objeto de nosso estudo nesse trabalho, foi criado para o caso de empreendimentos de
pequeno potencial de impacto ambiental quando há a possibilidade de se estabelecerem
procedimentos simplificados para o licenciamento ambiental (FINK et al 2004).
Nesse sentido, o RCA “foi criado para hipótese de dispensa do EIA/RIMA em casos de
extração de minérios cujos empreendimentos sejam de menor porte” (FINK et al, 2004 p.8).
Esse estudo ambiental referente ao Licenciamento Prévio para Perfuração de Poços de
Petróleo (LPper) do nosso Estado segue um roteiro (ver Figura 3), de acordo com o termo de
referência do IDEMA (2006). O termo de referência, segundo Milaré (2005), é o ato por
meio do qual o Poder Público formaliza a exigência de realização de um estudo ambiental
como, por exemplo, um RCA. Ressaltamos que o item 7 desse roteiro, que é a respeito das
“Medidas mitigadoras dos impactos ambientais”, será o foco central do nosso trabalho.

Figura 3 – Roteiro de um RCA
Fonte: Silva (2009), adaptado do Termo de Referência para elaboração de um RCA referente ao
Licenciamento Prévio de Perfuração de Poços Petrolíferos (2006).



281 | P á g i n a

3 METODOLOGIA
Para a consecução deste trabalho a metodologia deu-se inicialmente por meio de uma
pesquisa exploratória realizada com levantamentos bibliográficos, documentais e legais, como
a Lei 6.938/81 (PNMA), a resolução CONAMA 237/97, as Leis Complementares estaduais
272/03 e 336/06, além da contribuição de artigos científicos de anais e revistas, dissertações,
livros, sites da internet, dentre outros.
Dessa forma, podemos embasar os conceitos a cerca do licenciamento ambiental tanto em
âmbito geral quanto no licenciamento de atividades petrolíferas onshore, e por fim, o de
estudo ambiental, destacando-se principalmente o Relatório de Controle Ambiental (RCA),
que se constitui no objeto de análise deste trabalho científico.
O RCA escolhido é da empresa Petróleo Brasileiro S/A (PETROBRAS), elaborado pela
Empresa de Consultoria e Planejamento Ambiental Ltda. (ECOPLAM), solicitado para
emissão da Licença Prévia para Perfuração (LPper) de seis poços de petróleo no campo
petrolífero de Porto Carão localizado na zona rural do município de Carnaubais (RN).
Para a análise em pauta, inicialmente, organizamos no Quadro 2, a fim de um melhor
entendimento dos dados, todos os componentes ambientais considerados afetados pela
atividade geradora de impacto, os impactos ambientais identificados e analisados para cada
componente ambiental e, por fim, as medidas mitigadoras propostas para os respectivos
impactos ambientais.
Depois, com o intuito de analisar as deficiências das medidas mitigadoras do RCA,
realizamos uma comparação dessas medidas, que estão no item 7 (sete) do RCA, com as
principais deficiências no item de “Mitigação e compensação de impactos” em estudos de
impacto ambiental no Brasil, trabalho realizado pelo MPF (2004) no Quadro 1.

Quadro 1 – Principais deficiências no item de mitigação e compensação de impactos em estudos de
impacto ambiental no Brasil
Elementos do
EIA
Principais deficiências




Mitigação e
compensação
de impactos

Proposição de medidas que não é a solução para a mitigação do impacto.
Indicação de medidas mitigadoras pouco detalhadas.
Indicação de obrigações ou impedimentos, técnicos e legais, como propostas de medidas
mitigadoras.
Ausência de avaliação da eficiência das medidas mitigadoras propostas.
Deslocamento compulsório de populações: propostas iniciais de compensações de perdas
baseadas em diagnósticos inadequados.
Não-incorporação de propostas dos grupos sociais afetados, na fase de formulação do EIA.
Proposição de Unidade de Conservação da categoria de uso sustentável para aplicação dos
recursos, em casos não previstos pela legislação.

Fonte: adaptado de MPF (2004) apud. Sánchez (2006)

Após essa análise comparativa, elaboramos o Quadro 3 demonstrando os aspectos
ambientais, os componentes ambientais, os impactos ambientais, e, por fim, as medidas
mitigadoras que apresentaram deficiências com base nessa comparação.
Por fim, realizamos uma discussão com os resultados dessa análise.



282 | P á g i n a

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Neste capítulo apresentaremos as análises de deficiências das medidas mitigadoras do RCA
em estudo, para a perfuração de seis poços de petróleo no campo petrolífero de Porto Carão
(município de Carnaubais, RN) com o objetivo de sabermos em que grau as medidas
mitigadoras de impactos ambientais propostas por esse estudo ambiental, vêm apresentando
deficiências que comprometem em sua qualidade.

3.1 Iniciando a análise do item 7 (sete), medidas mitigadoras dos impactos ambientais,
do RCA

Ao iniciarmos nossa análise do item 7 do RCA (ver Anexo 1), “Medidas mitigadoras dos
impactos ambientais”, identificamos que essas medidas foram apresentadas na matriz de
impacto, em uma tabela, do item 6 (seis), que é um capítulo a respeito da “Identificação e
análise dos impactos ambientais” do RCA em tela.
A nosso ver, a apresentação dessas medidas nessa matriz de impacto do item 6 (seis), não está
em desconformidade com o termo de referência e não compromete a qualidade do RCA, pelo
contrário, nesse caso, esclarece a relação entre impactos ambientais e suas respectivas
medidas mitigadoras.
Contudo, ressaltamos que o item 7 (sete) do RCA (ver Anexo 1), que é referente às “Medidas
mitigadoras dos impactos ambientais” apresentou deficiências quanto à apresentação de
propostas de medidas mitigadoras pois, apesar de no texto mencioná-las no item 6 (seis), as
recomendações apresentadas após isso (ver Anexo 1) não podem ser classificadas como
medidas mitigadoras.
Essas medidas não possuem características como tais pelo fato de não existir uma relação
direta com um impacto ambiental e, principalmente, por não possuir ações que têm como
intuito reduzir a magnitude ou importância dos impactos ambientais negativos (SÁNCHEZ,
2006). Por isso, em nosso estudo, não levamos em consideração, ou melhor, não analisamos
essas recomendações comentadas acima.
3.2 Identificação da quantidade de medidas mitigadoras do RCA

Prosseguindo com a análise das medidas mitigadoras do RCA, identificamos um total de 28
(vinte e oito) propostas de medidas mitigadoras, 8 (oito) componentes ambientais (do meio
físico, do meio biológico e do meio antrópico) afetados pela atividade e 23 (vinte e três)
impactos ambientais identificados e analisados, sendo que apenas 2 (dois) são positivos. No
Quadro 2, são apresentados todos os componentes ambientais considerados afetados pela
atividade geradora de impacto, o número de impactos ambientais identificados e analisados
nos componentes ambientais e, por fim, o número de medidas mitigadoras de impactos
ambientais.











283 | P á g i n a

Quadro 2 – Componentes ambientais considerados afetados pela atividade geradora de impacto, número
de impactos ambientais identificados e analisados nos componentes ambientais e o número de medidas
mitigadoras de impactos ambientais.
Componentes ambientais
considerados afetados pela
atividade geradora de impacto
Nº. de impactos ambientais
identificados e analisados nos
componentes ambientais
Nº. de medidas mitigadoras
dos impactos ambientais
Ar 6 9
Solo 6 9
Vegetação 2 1
Fauna 4 4
Água subterrânea 1 3
Patrimônio arqueológico e
paleontológico
0 0
Meio antrópico 2 0
Uso e ocupação do solo 2 2
TOTAL 23 28

Fonte: Silva (2009), adaptado de PETROBRAS (2008) e adaptado de Prado Filho e Souza (2004)

A maioria dos impactos ambientais e das proposições de mitigação ou eliminação desses
impactos são referentes a componentes do meio físico e biológico. Essas medidas são mais
numerosas do que as que dizem respeito ao meio antrópico. Atentamos que o componente
ambiental “Uso e ocupação do solo” inclui-se como componente do “Meio antrópico”, de
acordo com a metodologia adotada no RCA para análise dos componentes ambientais
susceptíveis a impactos. Em relação ao componente ambiental “Patrimônio arqueológico e
paleontológico” constatamos que não foram detectados sítios na área ou nas imediações do
empreendimento.

3.3 Análise de deficiências das medidas mitigadoras do RCA

Para uma análise das deficiências de medidas mitigadoras propostas no RCA, comparamos
essas medidas com as principais deficiências no item de “Mitigação e compensação de
impactos” em estudos de impacto ambiental no Brasil (Quadro 1), que é referente ao estudo
do MPF (2004).
Dessa forma, temos como resultado o Quadro 3 que apresenta, para uma melhor visualização
e entendimento dos dados, os Aspectos ambientais, os Componentes ambientais, os Impactos
ambientais e as Medidas mitigadoras dos impactos ambientais deficientes no RCA em pauta.


















284 | P á g i n a

Quadro 3 – os Aspectos ambientais, os Componentes ambientais, os Impactos ambientais e as Medidas
mitigadoras deficientes
Aspectos ambientais

Componentes
ambientais
Impactos ambientais Medidas mitigadoras dos
impactos ambientais deficientes

Adequação do
terreno da locação e
abertura de acessos

Vegetação
Remoção da cobertura
da vegetação nativa.
Não há medidas mitigadoras a
considerar*

Fauna
Destruição de ninhos e
tocas.
Adoção do plano de emergência
do Ativo Mossoró.


Uso de máquinas de
combustão interna


Ar


Produção de Ruído.
Execução dos procedimentos de
ação de emergência.
Utilização de equipamentos de
segurança (protetor auricular e
máscara).

Cimentação

Ar
Dispersão de poeira de
cimento.
Manter os equipamentos em
áreas contidas e procedimentos
de emergência.


Uso de máquinas
de combustão interna

Ar
Produção de ruído e
emissão de gases
Os trabalhadores utilizarão
equipamentos de proteção
individual (protetor auricular).

Solo
Alteração da qualidade
do solo por perda de
combustível
Execução dos procedimentos de
ação de emergência.





Derrame de óleo


Solo

Impregnação do solo por
derrame de óleo.
Adoção do plano de emergência
do Ativo de Mossoró.
Programa de monitoramento da
PETROBRAS

Água subterrânea
Contaminação da água
por derrame de óleo
Adoção do plano de emergência
do ativo de Mossoró.

Vegetação
Mortalidade da cobertura
vegetal na área do
acidente.
Adoção do plano de emergência
do Ativo de Mossoró

Fauna
Mortalidade dos animais
em função da
contaminação por óleo.
Adoção do plano de emergência
do Ativo de Mossoró
Produção Uso e ocupação do
Solo
Interferência na
atividade existente.
Adoção do plano de emergência
do Ativo de Mossoró

Legenda:
Indicação de medidas mitigadoras pouco detalhadas; e Proposição de medidas que não é a solução para
a mitigação do impacto;
Indicação de obrigações ou impedimentos, técnicos e legais, como propostas de medidas mitigadoras;
Ausência de medidas mitigadoras (*deficiência classsificada pelo autor).

Fonte: elaborado pelo autor (2009), adaptado de PETROBRAS (2008)

Conforme informações do Gráfico 3, constatamos que as medidas mitigadoras dos impactos
ambientais do RCA não deficientes representam cerca de 54%, ou o equivalente a 15
(quinze), do total de 28 medidas.
Por outro lado, constatamos ainda que, do universo de 28 medidas mitigadoras que foram
propostas pelo RCA cerca de 46% delas (ver Gráfico 3), o equivalente a 13 (treze), possuem
deficiências que, inclusive, foi a ausência de medidas mitigadoras para o impacto ambiental
“Remoção da cobertura da vegetação nativa” (ver Quadro 3, linha 2). A nosso ver, a ausência
de medidas mitigadoras para esse impacto ambiental se constitui numa deficiência, haja vista
que não foram propostas ações com o objetivo de reduzir a magnitude ou importância desse



285 | P á g i n a

impacto negativo (SÁNCHEZ, 2006) e, além disso, descumpri o termo de referência e,
conseqüentemente, a legislação vigente, comprometendo na qualidade do RCA.



Gráfico 3 – Percentagem das medidas mitigadoras deficientes

Analisando as medidas deficientes do RCA, conforme comparação com as principais
deficiências de medidas mitigadoras identificadas pelo MPF (2004), Quadro 1, constatamos
que a maioria das medidas mitigadoras do RCA, 77% ou o equivalente a 10 (dez) de um total
de 13 (treze) medidas deficientes, apresentaram cada uma delas dois tipos de deficiências:
“proposição de medidas que não são a solução para a mitigação do impacto” e “Indicação de
medidas mitigadoras pouco detalhadas”, conforme Gráfico 4.




*Deficiência classsificada pelo autor
Gráfico 4 – As deficiências das medidas mitigadoras dos impactos ambientais do RCA

As medidas mitigadoras que se enquadraram nessas deficiências foram a “Adoção do plano de
emergência do Ativo de Mossoró”, o “Programa de monitoramento da PETROBRAS”,
“Execução dos procedimentos de ação de emergência” e “Manter os equipamentos em áreas
contidas e procedimentos de emergência”, pois, além do fato de serem ações pouco
detalhadas, não apresentaram soluções para mitigar seus respectivos impactos ambientais.
Retomando as informações do Gráfico 4, notamos que 15% ou 2 (duas) medidas mitigadoras
de um universo de 13 (treze) deficientes, são a cerca da deficiência “Indicação de obrigações
ou impedimentos, técnicos e legais, como propostas de medidas mitigadoras”. Nesse caso,
constatamos que as medidas “Os trabalhadores utilizarão equipamentos de proteção
individual (protetor auricular”) e “Utilização de equipamentos de segurança (protetor
auricular e máscara), são deficientes porque os equipamentos de segurança e proteção
individual são exigências legais prevista na Lei 6.514 de 22 de dezembro de 1977. Ou seja,



286 | P á g i n a

são medidas de cumprimento compulsório legal, como afirma Sánchez (2006), e, portanto não
devem ser recomendadas como medidas mitigadoras, pois são simples obrigações legais que o
empreendedor deve cumprir.
Ressaltamos que nessa análise comparativa não foram comparados com as medidas
mitigadoras do RCA algumas deficiências do Quadro 1, pois não realizamos visitas ao
empreendimento, justificando assim, a exclusão da análise da “Ausência de avaliação da
eficiência das medidas mitigadoras propostas” do RCA em pauta.
Além disso, não analisamos os outros itens do RCA, senão o item 7 (sete), “Medidas
mitigadoras dos impactos ambientais”, justificando a exclusão da análise das seguintes
deficiências do Quadro 1: “Deslocamento compulsório de populações: propostas iniciais de
compensações de perdas baseadas em diagnósticos inadequados” e a “Não-incorporação de
propostas dos grupos sociais afetados, na fase de formulação do EIA”.
Finalmente, não analisamos se houve deficiência quanto a “Proposição de Unidade de
Conservação da categoria de uso sustentável para aplicação dos recursos, em casos não
previstos pela legislação”, pois no RCA em tela não foram propostas medidas semelhantes à
descrita acima.
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com o intuito de analisarmos as deficiências das medidas mitigadoras de impactos ambientais
propostas no RCA para perfuração de seis poços de petróleo no campo petrolífero de Porto
Carão (Carnaubais, RN) constatamos que 46%, ou o equivalente a 13 (treze) medidas
mitigadoras de um total de 28 (vinte oito), apresentam deficiências que podem implicar na
qualidade desse estudo ambiental para a concessão da LPper.
A nosso ver, de acordo com os resultados alcançados nesse trabalho, o grau de deficiências
encontradas nas medidas mitigadoras de impactos ambientais propostas pelo RCA é alto.
Ainda que, consideramos que a análise em pauta não foi rígida, visto que não analisamos
outras possíveis deficiências das medidas mitigadoras do RCA, quase metade dessas medidas
possuía deficiências.
Nesse contexto, não é consentido que a empresa que desenvolverá a atividade, a empresa que
elabora o estudo ambiental, e o órgão ambiental que o examina, atuem de modo aleatório e
indiferente em relação à qualidade desse estudo, precisamente sobre as propostas de medidas
mitigadoras de impactos ambientais, foco central desse trabalho.
Se assim persistirem, as medidas de controle ambiental que iriam promover a prevenção,
diminuição e/ou compensação de impactos ambientais negativos da atividade petrolífera
onshore não promoverá, como o esperado, o desenvolvimento de maneira sustentável da
atividade em tela. Logo, podem surgir inúmeros danos ao meio ambiente, colocando em risco
o equilíbrio ecológico e a sobrevivência das espécies e da população local.
Além disso, ressaltamos que a qualidade de um estudo ambiental dependerá, primordialmente,
de um bom termo de referência, roteiro básico para a elaboração dos estudos ambientais.
Portanto, um bom termo de referência refletirá na qualidade de bons estudos ambientais.
Por fim, salientamos que o trabalho em pauta não pretende esgotar o tema estudado, pois, a
propósito, pensamos que não temos condições de esgotá-lo. Além disso, pelo fato de ser um
estudo de caso, os resultados desse trabalho não se emprega para os demais estudos
ambientais da atividade petrolífera onshore do RN. Contudo, esses resultados são pertinentes
e nos conduz para possíveis realizações de estudos posteriores sobre o assunto.



287 | P á g i n a

5 REFERÊNCIAS
BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução n.º 237, de 19 de dezembro de 1997.
Regulamenta os aspectos do licenciamento ambiental estabelecidos na Política Nacional do Meio
Ambiente. Disponível em: http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res97/res23797.html. Acesso em:
15 jun. 2008

BRASIL. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução nº. 023, de 07 de dezembro de 1994.
Institui procedimentos específicos para o licenciamento das atividades relacionadas à exploração e
lava de jazidas de combustíveis líquidos e gás natural. Disponível em: <http://www.lei.adv.br/023-
94.htm>. Acesso em 02 de out. de 2008.

BRASIL. Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Política Nacional do Meio Ambiente. Disponível em
<http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938.htm>. Acesso em: 30 jun. 2008.

FINK, Roberto Daniel; ALONSO JR, Hamilton; DAWALIBI, Marcelo. Aspectos jurídicos do
licenciamento ambiental. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.

FOGLIATTI, Maria Cristina; FILIPPO, Sandro; GOUDARD, Beatriz; Avaliação de Impactos
Ambientais: aplicação aos sistemas de transporte. Rio de Janeiro: Interciência, 2004.

MILARÉ, Edis. Direito do Ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 2. ed.São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2005.

MOLINA, Adriana de Oliveira Varella, Licenciamento ambiental e Compensação Ambiental:
aplicação na indústria de petróleo no Brasil. 2005. 252 f.Dissertação (Mestrado em Sistemas de
Gestão) – Laboratório de Tecnologia, Gestão de Negócios e Meio Ambiente, Universidade Federal
Fluminense, Rio de Janeiro, 2005. Disponível em:
<http://biblioteca.universia.net/html_bura/ficha/params/id/29474457.html> Acesso em: 01 out. 2008.

RIO GRANDE DO NORTE (Estado). Política estadual de meio ambiente do estado do rio grande do
norte. Lei complementar nº 272, de 03 de março de 2004. Disponível em:
<http://www.rn.gov.br/secretarias/idema/legislacao.asp>. Acesso em: 25 set. 2008.

RIO GRANDE DO NORTE (Estado). Política estadual de meio ambiente do estado do rio grande do
norte. Lei complementar nº 336, de 12 de dezembro de 2006: Altera a Lei Complementar Estadual
nº 272, de 03de março de 2004 e dá outras providências. Disponível em:
<http://www.gabinetecivil.rn.gov.br/acess/pdf/leicomp336.pdf>. Acesso em: 25 set. 2008.

PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. Relatório de Controle Ambiental (RCA). Perfuração de seis poços
de petróleo no campo de Porto Carão, município de Carnaubais (RN). Natal, 2008.

SÁNCHEZ, Luis Enrique. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: oficina
de textos, 2006.

SILVA, Robson Garcia da. Análise das medidas mitigadoras de um relatório de controle
ambiental sob a ótica do princípio do desenvolvimento sustentável. Natal, 2009. Monografia.
IFRN, 2009.

PEGADO, Erika Araújo da Cunha; SILVA, Valdenildo Pedro da. Produção e difusão de
conhecimentos tecnológicos sobre licenciamento ambiental onshore: uma experiência do Cefet-RN e
do Prominp.In RIO OIL & GAS EXPO AND CONFERENCE, 2008, Rio de Janeiro. Anais... Rio de
Janeiro: Rio oil & gas expo and conference, 2008. 1 CD ROM



288 | P á g i n a


PRADO FILHO, José Francisco do; SOUZA, Marcelo Pereira de. O licenciamento ambiental da
mineração no quadrilátero ferrífero de Minas Gerais: uma análise da implementação de medidas de
controle ambiental formuladas em EIAs/RIMAs. Revista Engenharia Sanitária e Ambiental, Rio de
Janeiro, v.9, nº 4, p.343-349, out/dez 2004.





































289 | P á g i n a

ANEXO
Anexo 1 - Medidas Mitigadoras dos Impactos Ambientais do Relatório de Controle Ambiental (RCA)
para Perfuração de seis de petróleo no campo de Porto Carão, município de Carnaubais (RN).





290 | P á g i n a















RESPONSABILIDADE SOCIAL
CORPORATIVA




292 | P á g i n a

Educação Ambiental: Ferramenta Essencial em
Projetos de Gestão Ambiental

Taís Saraiva de Melo Pinheiro (UFRPE) tais.smp@gmail.com
Betânia Maria Filha Soares Bacelar (UFRPE) betaniabacelar@hotmail.com
Leocádia Terezinha Cordeiro Beltrame (UFRPE) leocadia@dtr.ufrpe.br
Yenê Medeiros Paz (UFRPE) yenemedeiros@hotmail.com
Marylin Fonseca Leal (UFRPE) mell_fonseca@hotmail.com

RESUMO
Várias têm sido as iniciativas e esforços no sentido de que ganhe concretude o conceito de
Desenvolvimento Sustentável como: “aquele desenvolvimento que atende as necessidades das
gerações presentes, sem comprometer as gerações futuras de atenderem suas próprias
necessidades”. Contudo, a condição de paradigma emergente tem colocado diversos desafios.
Um dos principais é o engajamento de todos os setores da sociedade. É neste contexto que
emerge o grupo Gestão Ambiental em Pernambuco (GAMPE) no Departamento de
Tecnologia Rural (DTR) da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). O
GAMPE é um grupo multidisciplinar que visa o estudo e o desenho de propostas voltadas
para a gestão ambiental no Estado de Pernambuco. Assim, tem por finalidade discutir e
internalizar a temática ambiental na sociedade, consolidando práticas que levem à
sustentabilidade. O objetivo deste trabalho é definir estratégias, utilizadas pelo GAMPE, para
internalizar a temática ambiental em diversos segmentos da sociedade, agregando os saberes
de comunidades tradicionais, acadêmicas, do setor empresarial e da sociedade civil em geral,
de maneira participativa e dialógica. Inicialmente é explorado o tema de Educação Ambiental,
em seguida, as estratégias de educação ambiental adotadas em diversas iniciativas, nos
diferentes segmentos da sociedade: comunidade, empresas e universidade. Posteriormente,
são apresentadas o desenvolvimento de algumas tecnologias ambientais que estão sendo
desenvolvidas pelo grupo, que se mostram necessárias.
PALAVRAS-CHAVE: Educação ambiental; Sustentabilidade; Tecnologia; Gestão
Ambiental

1 INTRODUÇÃO
Nos primórdios da industrialização, a fumaça das chaminés das fábricas era sinal de
progresso, pois indicava produção, e produção significava crescimento econômico que, até
então, era freqüentemente associado à melhoria da qualidade de vida, mesmo que isso
implicasse na dilapidação do patrimônio natural. Em parte, isto ocorreu porque a
industrialização influenciou positivamente nos níveis de bem-estar humano.
Entretanto, as mazelas decorrentes deste modelo de crescimento econômico não tardaram a
surgir e a fé, anteriormente cega, cedeu lugar ao ceticismo que, por seu turno, levou a uma
série de interrogações sobre o saldo final deste crescimento. A partir destas reflexões e
questionamentos chegou-se à conclusão de que o mero crescimento econômico não seria a



293 | P á g i n a

melhor alternativa, como se costumava pensar, pois tenderia a esgotar os recursos necessários
às atividades humanas e às próprias atividades econômicas.
O momento histórico que melhor retrata essa situação ocorreu em 1987 com a publicação do
Relatório Nosso Futuro Comum (ou Relatório Brundtland) que introduziu o conceito de
desenvolvimento sustentável, entendido como “aquele desenvolvimento que atende às
necessidades das gerações presentes, sem comprometer as gerações futuras de atenderem suas
próprias necessidades” (Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, 1987).
Contudo, o Desenvolvimento Sustentável é um conceito e, como tal, necessita de agentes que
o operacionalizem. Desde que o conceito foi mundialmente popularizado na Conferencia das
Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992 no Rio de Janeiro, várias
têm sido as iniciativas que vêm se esforçando no sentido de que as palavras ganhem
concretude. Contudo, a condição de paradigma emergente tem colocado diversos desafios.
Um dos principais é o engajamento de todos os setores da sociedade. É neste contexto que
emerge o grupo Gestão Ambiental em Pernambuco – GAMPE.
Articulado em junho de 2009, como parte integrante das atividades acadêmicas de docentes e
discentes do Curso de Engenharia Agrícola e Ambiental do Departamento de Tecnologia
Rural – DTR da Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE, o GAMPE é um
grupo voltado para o estudo e desenho de propostas voltadas para a gestão ambiental no
Estado de Pernambuco. Entre os membros que o compõem estão alunos, professores e
profissionais externos de diversas áreas do conhecimento como: Biologia, Economia,
Engenharia Agrícola e Ambiental, Engenharia Química, Turismo, Gastronomia e Gestão
Ambiental.
O grupo entende que é possível contribuir para o desenvolvimento sustentável em
Pernambuco através de iniciativas de gestão ambiental voltadas para setores econômicos
(micro e pequenas empresas), educacional formal (escolas, faculdades e universidades) e
informal (comunidades e associações) e a sociedade civil como um todo (comunidades
urbanas e rurais). Visa discutir e internalizar a temática ambiental na sociedade, consolidando
práticas que elevem a sustentabilidade. Nesse sentido, vem sido desenvolvidas iniciativas
como o desenho de modelo de gestão ambiental em micro e pequenas empresas, estruturação
de tecnologias populares sustentáveis para comunidades carentes, ações de educação
ambiental formal e informal, empoderamento de comunidades rurais do semi-árido
pernambucano no campo da autogestão e segurança alimentar.
O objetivo desse trabalho é definir estratégias utilizadas pelo GAMPE para internalizar a
temática ambiental em diversos segmentos da sociedade, agregando os saberes de
comunidades tradicionais, acadêmicas, do setor empresarial e da sociedade civil em geral, de
maneira participativa e dialógica.
Inicialmente, será explorado o tema Educação Ambiental, a fim de contextualizar a discussão.
Posteriormente, serão discutidas estratégias de educação ambiental adotadas pelo grupo, em
diferentes segmentos da sociedade: comunidades tradicionais, micro e pequenas empresas e
espaços de educação formal. Por fim, serão apresentados os processos de desenvolvimento de
algumas tecnologias ambientais que estão sendo desenvolvidas pelo grupo, que se mostram
necessárias.





294 | P á g i n a

2 EDUCAÇÃO AMBIENTAL E A SISTEMÁTICA DE AÇÃO
2.1 Educação ambiental
A Política Nacional do Meio Ambiente, PNMA, disposta na Lei n° 6.938, de 31 de agosto de
1981, em seu artigo 2º, estabelece que um de seus princípios consiste na “educação ambiental
a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para
participação ativa na defesa do meio ambiente”. É possível notar que desde 1981, já estava em
Lei Federal, a questão da educação ambiental que já era considerada princípio importante para
a “preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando
assegurar, no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, aos interesses da
segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana”
Anos depois, a Constituição Federal (1988), artigo 225, incube ao Poder Público de realizar a
promoção da “educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública
para a preservação do meio ambiente”. Todavia, nesse período ainda não haviam Leis que
estabelecessem diretrizes e bases para o ensino no país.
Em 20 de dezembro de 1996, foi decretada a Lei n
o
9.394, que estabelece as Diretrizes e
Bases da Educação Nacional. No Artigo 9º, determina que é de incumbência da União
“elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e
os Municípios”. O Plano Nacional de Educação – PNE (2001) em vigor estabelece que para os
ensinos fundamental e médio, a educação ambiental, tratada como tema transversal, será
desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em conformidade
com a Lei nº 9.795/99.
De acordo com a Lei 9.795, de 27 de abril de 1999, da Política Nacional de Educação
Ambiental - PNEA, “Entende-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o
indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e
competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo,
essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.” Sua importância reside no fato de
que é ela que assegura a perenidade das ações de gestão ambiental através da alteração de
comportamentos e elevação da consciência ambiental. Trata-se, portanto, de um elemento
central e imprescindível ao desenvolvimento sustentável.
De acordo com a PNEA, há basicamente duas vias para se promover a educação ambiental: i)
formal (desenvolvida nos espaços formais de ensino, como escolas e universidades) e ii)
informal (praticada fora dos estabelecimentos de ensino formal como igrejas, organizações
não governamentais e outros).
No que se refere à educação ambiental formal, o GAMPE tem atuado através: da elaboração
de um Calendário Ecológico; da iniciativa de Coleta Seletiva do Departamento de Tecnologia
Rural – UFRPE; do Projeto Mand’água e; de pesquisas voltadas para o tratamento alternativo
de águas para fins de potabilidade em comunidades do semi-árido.
Quanto à educação ambiental informal, o GAMPE tem atuado através do desenvolvimento de
uma cartilha voltada para a gestão ambiental em micro e pequenas empresas. Dadas as
especificidades do ambiente de trabalho em micro e pequenas empresas, é mais provável que
a educação ambiental informal tenha resultados mais expressivos que a versão formal. Entre
as possibilidades de se promover a educação ambiental informal no local de trabalho, está a
utilização de cartilhas.



295 | P á g i n a


2.2 Sistemática de ação
O GAMPE se reúne semanalmente, para gerenciar e analisar a captação de novos projetos. As
atividades são desenvolvidas em forma dialógica. O grupo se comunica durante a semana
através de um ambiente virtual, no qual as mensagens enviadas pelos integrantes podem ser
visualizadas pelos demais, tornando o processo mais democrático e transparente, pois na fase
de elaboração dos projetos, todos possuem a liberdade de fazer intervenções críticas, sempre
com o objetivo de melhoria e aperfeiçoamento dos mesmos.
As reuniões são conduzidas, geralmente pelo mesmo membro, encarregado da coordenação
geral de todos os projetos. Entretanto, sempre que se faz necessário um tempo maior para
discussão de um projeto em específico, a reunião é conduzida pelo membro responsável pelo
projeto em questão. Esse procedimento faz parte da idéia de “Empoderamento do Alunato”,
termo utilizado como base de preparo do corpo discente que integra o GAMPE, com a
intenção de começar a trabalhar o sentimento e a responsabilidade de coordenar um projeto,
oferecendo a oportunidade para que o aluno se prepare para o mercado de trabalho, estando
em contato com situações mercadológicas reais.
As discussões de propostas de projetos realizadas pelo grupo realizam as ferramentas do
brainstorming e do benchmarking. A primeira ferramenta significa “chuva de idéias” objetiva
determinar a solução de problemas, seguindo a metodologia de gerar um grande número de
idéias, explorar as melhores alternativas e identificar oportunidades. O benchmarking, por sua
vez, é o “processo de aprender com os outros” e envolve a comparação de seu próprio
desempenho ou método com de outras operações comparáveis (SLACK, 2009).
Ambas as ferramentas são utilizadas a fim de construir conhecimento, atitudes e competências
voltadas para a conservação do meio ambiente. Comparando esse uso com a definição de
Educação Ambiental da Política Nacional de Educação Ambiental, é interessante notar que o
trabalho desenvolvido pelo GAMPE não só promove, como é por si só um processo de
Educação Ambiental.

3 AÇÕES DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL EM SEGMENTOS DA SOCIEDADE
As iniciativas de inserção da temática ambiental, através do GAMPE, atingem principalmente
três segmentos sociais. São eles comunidades tradicionais, micro e pequenas empresas e
instituições de ensino formal.
3.1 Ações nas Comunidades Tradicionais
O Decreto nº 6.040, de 07 de fevereiro de 2007, em seu artigo 3º, define comunidades
tradicioanais como “grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que
possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos
naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica,
utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição” Em
termos práticos, essa noção aplica-se a segmentos da população nacional como pescadores,
sertanejos, quilombolas, ribeirinhos e comunidades indígenas. Trata-se de grupamentos
humanos que desenvolveram modos particulares de existência, adaptados a nichos ecológicos
específicos e que mantêm uma relação harmônica com o meio ambiente.



296 | P á g i n a

Cerca de 4,5 milhões de pessoas fazem parte de comunidades tradicionais atualmente no
Brasil e elas ocupam 25% do território nacional (AGÊNCIA BRASIL, 2006). Sendo, portanto
uma parcela siginifativa do território nacional ocupada por essas comunidades.
As ações do GAMPE direcionadas às comunidades tradicionais visam alcançar um duplo
objetivo: i) a identificação, registro e divulgação de práticas sustentáveis de gestão do meio
ambiente desenvolvidas por estas comunidades; ii) transferência de conhecimentos técnicos e
tecnologias sustentáveis que auxiliem estas comunidades a se desenvolverem de maneira
sustentável. Neste sentido, são duas as iniciativas mantidas pelo GAMPE que promovem o
debate dessa temática ambiental em comunidades tradicionais.
a) “Mand’água; segurança alimentar no semi-árido”
A iniciativa foca na sustentabilidade rural do município de Ibimirim, no semi-árido
nordestino. Trata-se De um município com um dos menores IDH-M do país (PNUD, 2000).
Uma das metas é abordar a temática da Segurança Alimentar com 20 (vinte) famílias da
região. A Segurança Alimentar visa prevenir doenças vinculadas a microrganismos e
parasitas, e impedir surtos de infecção e toxinfecção alimentar através de as práticas corretas
de manipulação e processamento de alimentos. Neste sentido, esta ação tem como objetivos:
trabalhar com as boas práticas de manipulação dos alimentos, desde a colheita até a mesa, a
fim de garantir as condições higiênico-sanitárias do alimento preparado; aplicar as boas
práticas de higiene e saúde pessoal para uma maior qualidade de vida; orientar a comunidade
local sobre práticas de conservação e melhor aproveitamento dos alimentos; analisar a
qualidade da água e esclarecer direitos de acesso a uma alimentação adequada. Este projeto
conta com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico -
CNPq e da UFRPE.
b) Método de quantificação do impacto humano sobre a natureza
A segunda iniciativa nesse segmento da sociedade surgiu face a falta de uma metodologia
para a quantificação do impacto humano face ao uso dos recursos naturais, em particular, nas
comunidades tradicionais, que é um dos problemas que dificulta o estabelecimento do
Desenvolvimento Sustentável. Buscando delinear um método cientifico para esta
quantificação, estudos foram realizados com os pescadores (catadores de mariscos) que atuam
nos bancos de areia de Coroa do Avião, Ramalho e Mangue Seco, no litoral norte do Estado
de Pernambuco, perfazendo uma área de estudo de 202.500m
2
. Tal região, junto com o Canal
de Santa Cruz, é responsável por 19% do total de pescado produzido no estado, sendo que
51% do camarão, 68% do peixe espada e 66% do peixe sauna são oriundos desta região. Face
a sua importância para o pescado e sua exuberante área estuarina, com densos manguezais,
esta região foi decretada como Área de Proteção Ambiental Santa Cruz, numa tentativa de
preservar seus recursos naturais. Este projeto foi apoiado pelo CNPq, Universidade Federal de
Pernambuco - UFPE e UFRPE.

3.2 Projetos voltados para as Micro e Pequenas Empresas
Diferentemente das comunidades, em empresas, trabalham-se pontos críticos em comum de
cada setor.
A gestão ambiental empresarial teve início com empresas de setores de maior potencial
poluidor, como indústrias do setor químico, e nas empresas do setor secundário, consideradas
Empresas de Economia Concentrada e Semi-concentrada. As primeiras medidas foram no
sentido de adotar mecanismos capazes de promover um maior controle sobre os potenciais



297 | P á g i n a

riscos de degradação ambiental neste segmento produtivo. Contudo, com o aprofundamento
dos conhecimentos sobre Gestão Ambiental, foi ficando cada vez mais evidente que os
impactos ambientais não se limitavam às grandes empresas. A partir de então, a poluição
provocada por atividades de caráter difuso, como micro e pequenas, também passou a ser
considerada.
Em parte, isto se deveu à constatação de que a soma de vários impactos oriundos de pequenas
fontes podia gerar resultados tão danosos quanto os de grandes empresas e indústrias.
Considerando que 98% das empresas no Brasil (cerca de 5,1 milhões) são de micro e pequeno
porte, (SEBRAE-SP, 2006) fica evidente a relevância que esta categoria tem na manutenção
da qualidade ambiental. Não obstante, o fato é que poucos são os estudos preocupados em
estabelecer para esta categoria de empresas modelos de gestão comprometidos, ao mesmo
tempo, com a diminuição de desperdícios e/ou aumento da eficiência e eficácia processuais e
com a minimização dos impactos ambientais decorrentes do processo produtivo.
As ações nestas iniciativas vem sendo desenvolvida de maneira participativa, com ativa
presença do empresariado local e dos técnicos do Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e
Pequenas Empresas - Sebrae, tanto do escritório estadual quando dos escritório local, além de
contar também com o apoio institucional da UFRPE e da Universidade Livre do Meio
Ambiente do Nordeste – Unieco.
Com o olhar no desenvolvimento metodológico de modelo de Gestão Ambiental,
Planejamento Estratégico Ambiental, Instrumentos Econômicos e Indicadores de
Monitoramento da qualidade socioambiental, esta linha temática está focada em três 3 setores
de atuação das micro e pequenas empresas em Pernambuco: lavanderias industriais,
panificadoras e pousadas.
a) Lavanderias Industriais
A iniciativa intitulada “Gestão Ambiental em Lavanderias Industriais” abrange micro e
pequenas lavanderias industriais de jeans, localizadas nos Municípios de Toritama, Caruaru e
Riacho das Almas, no agreste de Pernambuco. Esses municípios formam o principal pólo
têxtil e de destonagem de jeans do Estado. No entanto, o funcionamento dessa atividade
remete a preocupações como a necessidade da minimização do impacto ambiental causado
pela lavagem do jeans, a eficiência energética e a otimização do uso da água, diminuindo a
pressão sobre, os já escassos, recursos hídricos da Região Agreste. Um modelo de gestão
ambiental nas micro e pequenas lavanderias de jeans está em desenvolvimento, através da
realização do levantamento das questões ambientais relacionadas com o processo de lavagem
de jeans, da avaliação sobre as fragilidade e deficiência do setor e mostrando a importância da
adoção de um procedimento de gestão.
b) Panificação
O ambiente do setor de panificação, por sua vez, vem demandando uma conscientização sobre
as causas de preservação do meio-ambiente, com ações de gestão nos resíduos sólidos e
líquidos, além de gestão energética, visando economia de recursos naturais e financeiros. Com
estas atitudes, obtêm-se um padrão de satisfação e adequação em relação ao desenvolvimento
sustentável. Desta forma o Projeto “Gestão Ambiental em Panificadoras” busca desenhar
modelo de gestão ambiental, planejamento estratégico, estabelecer indicadores ambientais e
instrumento econômicos que elevem a eficiência e eficácia das panificadoras da Região
Metropolitana do Recife. O foco do trabalho está na implementação de práticas sustentáveis



298 | P á g i n a

na fabricação e venda do pão francês, disseminando nos empreendedores a importância da
Gestão Ambiental em micro e pequenas empresas do setor.
c) Turismo
O terceiro setor, o de turismo, tem mostrado uma atividade econômica em franca expansão,
assumindo importante papel enquanto geradora de renda e postos de trabalho. Para manter a
boa performance, é preciso que o turismo observe a sustentabilidade ambiental de suas
práticas. Em essência, trata-se de desenvolver os meios que garantam que suas operações não
causem danos ao meio ambiente e isto inclui, evidentemente, o setor de hospedagem. O
parque hoteleiro nacional é composto atualmente por aproximadamente 25 mil meios de
hospedagem deste universo 18 mil são hotéis e pousadas. No geral, 70% são
empreendimentos de pequeno porte, em Pernambuco são 5.172 apartamentos cadastrados na
Associação Brasileira de Hotéis (ABHI). É um número expressivo, pelo que se espera um
impacto ambiental considerável por parte do setor. Por esse motivo, passa a ser tão importante
desenvolver uma gestão ambiental neste tipo de estabelecimento. A iniciativa do GAMPE
voltada para a gestão ambiental das pousadas teve como área de atuação a praia de Porto de
Galinhas (Município de Ipojuca). Seu propósito foi o de sugerir práticas sustentáveis para
estas pousadas de modo que as mesmas se enquadrem num perfil de empresa que se preocupa
com o meio ambiente. As propostas apresentadas no âmbito desta iniciativa enfocaram a
gestão de resíduos sólidos, eficiência energética e medidas de uso racional da água.
Através das iniciativas nos três setores, estão sendo elaboradas três cartilhas, uma para cada
setor. Por cartilha entende-se: qualquer compilação elementar que preceitue um padrão de
comportamento por meio de ilustrações. O uso de ilustrações é útil porque: reproduz, em
muitos aspectos a realidade; facilita a percepção de detalhes; reduz ou amplia o tamanho real
dos objetos representados; torna próximos fatos e lugares distantes no espaço e no tempo e;
permite a visualização imediata de processos muito lentos ou rápidos. As mesmas são focadas
na discussão da temática ambiental voltada para o segmento de micro e pequenas empresas,
especificamente em três segmentos produtivos: lavanderias industriais, pousadas e
panificadoras. A metodologia utilizada para elaboração das cartilhas é complexa e refinada e
pode ser compreendida com mais detalhes em Bacelar, el.al., 2009.
As cartilhas enfocam formas de inserção da gestão ambiental nos negócios de micro e
pequeno porte, visando a diminuição dos desperdícios e elevação dos lucros com a
maximização do uso dos recursos. Também está focada na sensibilização dos proprietários e
funcionários para a importância de se adotarem práticas de gestão e buscar elevar o grau de
eficiência processual. Serão um instrumento de Educação Ambiental empresarial, que está
sendo desenvolvida de maneira participativa, com a colaboração dos empresários, dos
segmentos representativos destas atividades e parceiros institucionais. A atividade está sendo
realizada em parceria com a Via Desing, em Recife – Pernambuco.
Com a finalidade de difundir o conhecimento coletado e adquirido no projeto, está sendo
escrito um livro. Neste, estarão presentes os dados coletados, correlacionando com as
principais medidas a serem tomadas a fim de incrementar a Gestão Ambiental nas pequenas e
micro empresas dos setores de panificação, turismo e lavanderia industrial.
Outra forma de inserir a temática ambiental no setor empresarial será através da relização de
oficinas com os empresários, onde serão debatidos os principais temas pertinentes da melhoria
da Gestão Ambiental em cada setor produtivo.



299 | P á g i n a

Assim, no segmento empresarial, a estratégia utilizada para internalizar a temática ambiental
foi definida como a elaboração de três cartilhas, de um livro, bem como através da realização
de oficinas com os empresários de cada setor separadamente. O trabalho através da
divulgação de dados, números, pesquisas e indicadores que auxiliam na tomada de decisões
dos micro e pequenos empresários, é uma metodologia adotada pelo SEBRAE (SEBRAE,
2009) e que contribui para o debate da temática ambiental.

3.3 Educação Ambiental em espaços formais
O GAMPE se encontra inserido em uma realidade de acadêmica e não poderia deixar de ter a
responsabilidade de trabalhar a temática ambiental também dentro de instituições formais de
ensino, onde se encontra inserido. Dentro deste contexto, estão sendo desenvolvidas três
atividades que tem como finalidade a discussão da temática ambiental: calendário ecológico,
coleta seletiva e educação ambiental em escolas.
a) Calendário Ecológico
A iniciativa de elaboração de um “Calendário Ecológico” consiste na identificação de datas
comemorativas relativas ao temário ambiental, para o desenvolvimento de atividades de
Educação e elevação da Consciência Ambiental. Conta com a integração de professores,
alunos e técnicos administrativos da UFRPE, além de moradores locais. Este calendário
funciona como ferramenta mobilizadora e conscientizadora sobre datas significativas quanto
as temáticas desenvolvidas no GAMPE, democraticamente escolhidas, que, comumente não
são de conhecimento geral ou não recebem a adequada visibilidade.
Através do valor emblemático que traz cada data comemorativa, haverá uma ação
institucional sobre o significado do tema em forma de debates, ciclo de palestras, mesas
redondas e ações coletivas que irão dar destaque aos assuntos abordados. Com isso, haverá
envolvimento da comunidade acadêmica e circunvizinha da UFRPE em torno de temas focais,
um por mês. Esta iniciativa conta com o apoio do Departamento de Tecnologia Rural (DTR),
da UFRPE.
b) Coleta Seletiva
Esta iniciativa tem como piloto a criação de um programa específico de coleta seletiva para o
DTR, na UFRPE, tem como objetivo elevar a consciência ambiental dos discentes, docentes,
funcionários, e demais usuários do espaço, através da coleta seletiva . O foco é discutir a
importância da mudança de hábitos para o descarte de resíduos sólidos gerados no
departamento e a geração de renda e trabalho com a organização deste descarte para e repasse
para associações que possuam essa competência. Dessa forma, busca-se a destinação correta
do lixo produzido. Para alcançar tal objetivo, está sendo implantado um Programa de Coleta
Seletiva, envolvendo instalação de lixeiras diferenciadas pelas cores do padrão internacional
de reciclagem, divulgação do programa com a distribuição de informativos e educação
ambiental através de palestras de conscientização para todos os envolvidos. Este projeto está
sendo realizado em parceria com direção do departamento, órgãos competentes e cooperativas
ligadas a esta temática.
A “Coleta Seletiva”tem como apoio institucional o Serviço Brasileiro de Apoio as Micro e
Pequenas Empresas – Sebrae, a Pró-reitoria de Planejamento - Proplan e DTR ambos da
UFRPE.




300 | P á g i n a

c) Eduação Ambiental em Escolas
A maior parte dos projetos realizados pelo GAMPE envolve a educação ambiental como uma
ação que tem por finalidade modificar a consciência ambiental das pessoas. Todavia, é muito
interessante também, que a educação ambiental passe a ser também uma ação formativa de
consciência ambiental em crianças e jovens.
Seguindo os preceitos preconizados pela Lei nº. 9.795/99, da Política Nacional de Educação
Ambiental, a iniciativa de Educação Ambiental nas Escolas visa o desenvolvimento deste
tema nos espaços formais, focados em séries do ensino fundamental e médio, consolidando
práticas que denotem atividades sustentáveis.
Líderes do Centro de Eco-Alfabetização, localizado em Berkely, na Califórnia - EUA,
introduzem o conceito de “alfabetização ecológica” como algo que vai além da educação
ambiental como disciplina escolar. A “alfabetização ecológica”envolve uma transformação
mais profunda no conteúdo, no processo e no alcance da educação em todos os níveis
(BARLOW, 2006).
Com a preocupação de desenvolver efetivamente a temática ambiental em escolas, o GAMPE
está se estruturando para trabalhar nesse espaço, sendo o projeto-piloto a ser desenvolvido no
Colégio e Faculdade Santa Maria de Recife-PE.
Esta iniciativa tem como objetivo central a elevação do nível de consciência ambiental dos
alunos e professores, com o desenvolvimento de atividades lúdicas e gerenciais, como visita a
ecossistemas, programa de coleta seletiva, destinação e tratamento correto de resíduos como
óleo, pilha e outros, e reuso de águas pluviais.

3 DESENVOLVIMENTO DE TECNOLOGIAS SUSTENTÁVEIS
A Educação Ambiental é o conjunto de “processos por meio dos quais o indivíduo e a
coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia
qualidade de vida e sua sustentabilidade” (Lei 9.795/99). Algumas dessas atitudes e
competências só são viáveis se houver tecnologia para dar suporte ao conjunto de processos
em prol do meio ambiente. Sendo assim, a tecnologia dá suporte à Educação Ambiental.
Tecnologia Social compreende produtos, técnicas ou metodologias replicáveis, desenvolvidas
na interação com a comunidade e que representem efetivas soluções de transformação social.
É um conceito que remete para uma proposta de desenvolvimento que considera a
participação coletiva no processo de organização, desenvolvimento e implementação das
tecnologias voltadas para resolver demandas relacionadas à alimentação, educação, energia,
habitação, renda, recursos hídricos, saúde, meio ambiente, dentre outras (Rede de Tecnologia
Social).
Via de regra, as tecnologias sociais agregam saber popular e conhecimento técnico-científico,
sendo técnica e financeiramente acessíveis à sociedade. Nesta perspectiva, as ações do
GAMPE vêm enfocando o desenvolvimento de tecnologias sociais voltadas para o tratamento
da água para consumo humano e a utilização de bioindicadores para atestar a qualidade
ambiental.
O GAMPE tem como preocupação a Gestão Ambiental em todo o estado de Pernambuco e
sensível a essa realidade, agrega projetos de desenvolvimento de tecnologias sustentáveis para



301 | P á g i n a

as comunidades do Estado. Assim, estão sendo desenvolvidos projetos que incluem
bioindicadores, tratamento de água e técnicas, como o plantio circular.
Uma grande preocupação do GAMPE é que são vários os municípios no Estado de
Pernambuco com baixo IDH-M (PNUD, 2000). Além das comunidades tradicionais de
pescadores que residem no litoral, a maior parte dos problemas de desenvolvimento humano
se encontra nas regiões agreste semi-árida. Nesses locais, são inúmeros os problemas sócio-
ambientais como a má distribuição das chuvas ao longo do ano, a salubridade da água do
lençol freático e a pobreza dos solos. Essas situações locais se refletem na elevada
mortalidade por doenças infecto-contagiosas devido ao pouco cuidado com a segurança
alimentar e com a qualidade da água para consumo humano.
Nessa região, as tecnologias existentes para driblar os problemas não apresentam viabilidade
de implantação ou não são ainda adequadas a realidade local. Dessa maneira, a realização de
atividades de Educação Ambiental sem inserção de tecnologias é incoerente.
É com esse pensamento que o GAMPE está atualmente atuando em quatro iniciativas que
despontam como fundamentais na inserção dessa tecnologia em conjunto com a educação
ambiental em comunidades rurais. Estas são: bioindicadores, projeto “Mand´água: Um oásis
no sertão”, “Tratamento de Águas Inadequadas para Fins de Potabilidade em Comunidades
Rurais do Semi-Árido”, “Tratamento de Água Contaminada por Agroquímicos através de
Microemulsões”
a) Bioindicadores
O termo “indicador” vem do latim indicare e significa descobrir, apontar, anunciar, tornar de
conhecimento público, estimar. Em gestão ambiental, um indicador é algo que ajuda a
compreender onde se está, para onde se caminha e o quão longe se está de onde se quer
chegar. Ou seja, trata-se de um importante instrumento de monitoramento. Já um
bioindicador, é um animal ou vegetal cuja presença em um determinado ambiente indica a
existência de modificações de natureza biológica, física ou química.
No que se refere a bioindicadores o GAMPE desenvolve pesquisas, em parceria com o
Departamento de Oceanografia da Universidade Federal de Pernambuco, junto a comunidades
tradicionais de trabalhadores rurais em Ibimirim (com formigas bioindicadoras) e de
pescadores artesanais na APA de Santa Cruz (com marisco), voltadas para o monitoramento
da qualidade de ecossistemas e a manutenção dos recursos naturais. As pesquisas contam com
o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, da
Universidade Federal de Pernambuco - UFPE e da UFRPE.
b) “Mand´água: Um oásis no sertão”
O Projeto realiza um estudo comparativo entre um plantio circular e um tradicional, com uso
de agricultura orgânica e tradicional, por meio de indicadores físico-químicos e
bioindicadores da qualidade ambiental, além de analisar a viabilidade sócio-ambiental destes
tipos de plantio no semi-árido de Pernambuco. Busca o estabelecimento de tecnologias de
baixo custo, o favorecimento da participação da comunidade local, moradores de áreas
vizinhas, buscando maximizar o uso de águas pluviais. Também serão realizadas palestras
para as comunidades dos trabalhadores rurais, tratando de temas como educação ambiental,
segurança alimentar, convivência com o semi-árido, aproveitamento de água e resíduos e
geração de renda para a comunidade. Conta com o apoio do CNPq e da UFRPE.




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c) “Tratamento de Águas Inadequadas para Fins de Potabilidade em Comunidades
Rurais do Semi-Árido”
A inciativa conta com o apoio do Ministério da Educação – MEC, da Secretaria de Educação
Superior – SESU e da UFRPE. A mesma pretende disponibilizar às comunidades localizadas
na região do semi-árido de Pernambuco, com baixo índice de desenvolvimento humano - IDH
e sem abastecimento de água potável, um método para o tratamento alternativo e de baixo
custo da água disponível. O tratamento compreende primeiramente a clarificação da água
utilizando sementes de moringa (Moringa oleifera) seguida por desinfecção através de
radiação solar. Um piloto será desenvolvido na UFRPE e, após o monitoramento das
condições de uso e otimização da eficiência, será levado a essas comunidades. Estão previstos
no projeto a elaboração de apostilas e manuais de operação, bem como cursos de educação
ambiental sobre a importância da qualidade da água de consumo e prevenção de doenças a ser
oferecido a agentes de saúde dos municípios envolvidos. Também estão previstas visitas de
acompanhamento da montagem das unidades de tratamento e visitas de acompanhamento
após a implantação do sistema. Manari é a principal cidade contemplada com o projeto. A
cidade, assim como as cidades circunvizinhas, não possui abastecimento de água potável e,
em muitas comunidades, a população utiliza água de barreiro, de qualidade inferior e
contaminada por agentes patogênicos. A água disponível é pouca, já que as cidades se
localizam na região do semi-árido. O tratamento permitirá a utilização dessas águas de forma
segura, reduzindo significativamente a incidência de doenças da população.
d) “Tratamento de Água Contaminada por Agroquímicos através de Micro-Emulsões”
O Projeto, tem apoio da UFRPE e tem como base um tratamento não convencional de retirada
de organoclorados (base química da maior parte dos inseticidas) da água através das
microemulsões. Este método é utilizado com êxito na extração de metais pesados de efluentes,
inclusive o Cromo (Cr
+6
) da indústria de curtume, e remoção de corantes de efluentes
provenientes da indústria têxtil. Agora, o objetivo da pesquisa é obter resultados positivos na
área agrícola. As microemulsões são sistemas termodinamicamente estáveis, isotrópicos e
transparentes, de dois líquidos imiscíveis (H
2
O ou óleo) estabilizados por um filme de
compostos tensoativos, localizados na interface óleo/água. A formação desta microemulsão
envolve, geralmente, a combinação de alguns componentes fundamentais, tais como:
tensoativos, fase aquosa, fase oleosa, e quando necessário, um cotensoativo. A principal
característica desse sistema é formar espontaneamente micelas (envoltórios), as quais são
responsáveis por envolver o poluente para uma posterior retirada e descontaminação. A
tecnologia desenvolvida por meio desse projeto permitirá a disponibilização de água com
melhor qualidade à população.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Educação Ambiental em diferentes segmentos sociais é uma atividade multidisciplinar bem
como complexa, pois envolve uma variedade de situações e prioridades peculiares. O
GAMPE, ciente da situação e da importância de setores historicamente menos favorecidos da
sociedade (como as comunidades tradicionais e as micro e pequenas empresas), vem atuando
no sentido de oferecer contribuições que possibilitem o desenvolvimento dos mesmos de
forma sustentável através de iniciativas de gestão ambiental. Trata-se da forma como este
corpo de especialistas em gestão ambiental entende que pode oferecer sua parcela de
contribuição para o desenvolvimento sustentável em Pernambuco.



303 | P á g i n a

Em sua maioria as iniciativas se encontram em estágios iniciais ou médios de execução, de
modo que não é possível apresentar resultados concretos. Contudo, considerando o ativo
apoio e engajamento que estas intervenções vêm recebendo, por parte do próprio público-alvo
e tendo em conta que as propostas foram construídas com base nas demandas deste mesmo
público, é de se esperar que efetivamente contribuam para que os envolvidos, dentro de seus
respectivos setores de atuação, desempenhem suas atividades de forma ambientalmente
correta.
Através do presente estudo, é possível notar que por meio dos diversos projetos, foram
definidas diferentes estratégias para internalizar a temática ambiental nos diversos segmentos
da sociedade, ao mesmo tempo em que agrega os saberes das comunidades tradicionais,
acadêmica, dos micro e pequenos empresários e, por conseguinte, da população em geral, de
maneira participativa e dialógica.

5 REFERÊNCIAS
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<http://www.abih.com.br/principal/historia.php?cod=007> Acesso: nov, 2009.
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Senado, 1988.
________. Política Nacional do Meio Ambiente – PNMA. Lei n° 6.938/81. 1981
________. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei no 9394/96. 1996.
________. Política Nacional de Educação Ambiental. Lei nº. 9.795/99. 1999.
________. Plano Nacional de Educação. Lei no 10.172/01. 2001.
________. Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades
Tradicionais. Decreto nº 6.040/07. 2007.
________. Agência Brasil. Comunidades tradicionais ocupam um quarto do território nacional.
03 de Agosto de 2006. Disponivel em <http://www.fomezero.gov.br/noticias/comunidades-
tradicionais-ocupam-um-quarto-do-territorio-nacional> Acesso nov, 2009.
BACELAR, B.M.F.S., et al .Metodologia para elaboração de cartilhas em projeto de Educação
Ambiental em micro e pequenas Empresas. Anais da IX Jornada de Ensino, Pesquisa e Extensão,
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COMISSÃO BRUTLAND. Comissão Mundial sobre Meio Ambeiente e Desenvolvimento. Nosso
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PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Índice de Desenvolvimento
Humano – Muicipal. 2000. Disponível em <http://www.pnud.org.br/atlas/ranking/IDH-
M%2091%2000%20Ranking%20decrescente%20(pelos%20dados%20de%202000).htm> Acesso:
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<http://www.rts.org.br/rts/tecnologia-social> Acesso: nov, 2009.
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SEBRAE, SP – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, São Paulo. MPEs em
números. 2006. Disponível em



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<http://www.sebraesp.com.br/conhecendo_mpe/mpe_numero/pequena_empesa_economia> Acesso:
nov, 2009.
SLACK, NIGEL; CHAMBERS, STUART; JOHNSTON, Robert. Administração da Produção. 3 ed.
São Paulo: Atlas, 2009.
STONE, Michael K.; BARLOW, Zenobia; ORR, David; CAPRA, Fritjof. Alfabetização Ecológica: a
educação de crianças para um mundo sustentável. 2005. São Paulo: Cultrix, 2006. 312p. (Prólogo:
p.9)




305 | P á g i n a


Como Anda a Qualidade de Vida do Trabalhador no Setor de
Construção Civil?

João Paulo de Carvalho Silva (IFRN) jp2610@gmail.com
Robson de Melo (IFRN) robson.melo@yahoo.com.br
Bruno Martins Vale (IFRN) bruno_martins_vale@hotmail.com
Diana Carla Secundo da Luz (IFRN) dianasecundo@hotmail.com

RESUMO
A construção civil no Brasil é com certeza um dos setores que mais disponibilizam empregos
a sociedade, só que em condições não muito favoráveis, já que grande parcela desses
trabalhadores, não tem os melhores salários do mercado, tem baixa escolaridade e não tem
privilégios para obter uma boa qualidade de vida. Na busca de um aprofundamento no
assunto, foram realizados 100 questionários entre os trabalhadores da construção civil da
cidade de Natal/RN e assim levantar dados sociais, econômicos e culturais que tivessem
influência direta ou indireta com a qualidade de vida destes. Visando assim, não só a melhoria
da qualidade de vida desses trabalhadores como até mesmo o incentivo dos mesmos na busca
de crescimento profissional na área através de cursos e especializações rápidas.
PALAVRAS-CHAVE: Construção civil, qualidade de vida e trabalhadores.

1 INTRODUÇÃO
O setor de Construção Civil presente em Natal/RN tem suas construções, em sua maioria,
relacionadas com edificações, edifícios e condomínios horizontais. Este setor abrange um
grande número de trabalhadores dos mais variados sub-setores da construção, como pedreiros,
pintores, marceneiros, guincheiro, betoneiro, almoxarifes, mestre de obras, serventes,
eletricistas, dentre muitos outros encontrados numa obra.
Segundo Pessanha (2008), o setor da Construção Civil se destaca como atividade intensiva em
mão-de-obra, demandando muitos empregos de baixa qualificação, que atendem às camadas
menos instruídas e mais carentes da sociedade. Além disso, ocupa uma posição estratégica na
geração de empregos, uma vez que a criação de um posto de trabalho na construção demanda
reduzidos investimentos, quando comparado à criação de emprego nas indústrias mais intensivas
em capital.
Trabalhar com pessoas requer um cuidado especial, é preciso estar atento ao comportamento
do trabalhador, sua qualidade de vida, satisfação, saúde,