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Governo de

Jardim deita fora
dinheiro que dava
para construir 2
hospitais
ou 1 aeroporto P7
Ano parlamentar
Propostas do CDS
ajudam a credibilizar
o Parlamento P2,4-13
Ambiente
e forestas
“Propaganda”
desmascarada
no Parlamento
P10
Fajã da Ovelha
38 anos do PSD deixaram
a freguesia “tosquiada”
P8-9
I
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ALTERNATIVA
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4
Liberalização
boa para
o Estado,
má para
madeirenses
P11
É hoje um dado adquirido que a liberalização dos
transporte aéreos Madeira - Continente, fez com que
o Estado poupasse em apenas dois anos cerca de
7 milhões de euros. Ao invés dos açorianos - que vão
pagar apenas 134 euros - os madeirenses passaram a
ter viagens a preços proíbitivos, mesmo considerando os
60 euros de subsídio de mobilidade. Admite-se que a
liberalização tem sido boa apenas para o Turismo.
• Petição online. Assine, se concorda (P3).
facebook.com/cdsppmadeira
Madeira - Hamburgo
389€
Madeira - Londres
284,36€
Ponta Delgada - Lisboa
2h20min
134€
Madeira - Lisboa
1h30min
353,02€ - 60€
Madeira - Madrid
2h10min
319,98€
3h35min
4h20min
O CDS é, desde Outubro de 2011, o maior
partido da oposição com representação
parlamentar. Os madeirenses e porto-
santenses reconheceram e premiaram o CDS
devido ao facto de termos sido um partido com
responsabilidade e com razão antes do tempo!
Desse modo, quer na Assembleia Legislativa
Regional, que na acção política fora do
Parlamento, coube-nos, desde há 3 anos,
assumirmos o papel de partido que faz
aquilo que afrma, tanto através de iniciativas
parlamentares, como nas autarquias, onde
detemos o poder local.
O CDS é confável, não faz política para a
estatística e não elabora a sua agenda política
em função de alguma comunicação social. O
que defendemos são projectos do interesse
das famílias, das empresas, dos jovens, dos
idosos, da sociedade, no seu todo, e não
trabalhamos em prol de certos lobbies que há
muito dominam a nossa Região, tal como tem
feito o PSD ao longo de quase 40!
Há muito anos que defendemos a redução
das verbas dos grupos parlamentares, o
vulgarmente denominado de jackpot, em
30%. Como o PSD recusou aprovar a nossa
proposta na ALR, o grupo parlamentar, que
tenho a honra de liderar, decidiu prescindir
de 30% do valor da subvenção que recebe,
criando o CDS-Solidário, que tem apoiado
muitas pessoas necessitadas.
Cumprimos aquilo que prometemos! A Madeira,
região turística de excelência, tem sido
dominada por um conjunto de interesses que
se têm sobreposto às urgentes necessidades
das populações do arquipélago; o exemplo
mais fagrante é a recusa irracional do PSD,
em construir um novo hospital, preferindo
remendar o velho com custos fnais de valor
superior à uma nova unidade hospitalar!
Os Açores, construíram 3 novos hospitais! São
obra que fca para as futuras gerações! Por cá,
o PSD o que deixa aos nossos flhos e netos,
são dívidas e obras inúteis que todos estamos
e iremos pagar nos próximos 50 anos! O CDS
quer mudar este rumo, tem-no demostrado ao
longo destes 3 anos no Parlamento regional,
todavia, embora sendo o maior da oposição,
fomos o único a quem o PSD recusou todas
as iniciativas legislativas. Todos os projectos
de decreto legislativo, todos os projectos de
resolução e todas as comissões de inquérito
foram iniciativas absolutamente rejeitadas!
Paradoxalmente, esta mesma maioria,
aprovou várias propostas do PCP e uma
ou outra do PS! Porque será este temor ao
CDS por parte do PSD? Eles sabem e nós
sabemos que eles sabem, ser o CDS o partido
em quem mais confam os eleitores regionais,
para apresentar soluções que resolvam os
gravíssimos problemas da nossa sociedade.
A Alternativa está na ponta da caneta dos
madeirenses e porto-santenses. Nós CDS,
quer na Assembleia, quer nas autarquias,
quer na JC, quer na simples militância, iremos
continuar a fazer aquilo em que acreditamos:
ser o melhor para o futuro da nossa Região.
Um partido que faz o que diz.
curtas
Um partido
que faz o que diz
António Lopes da Fonseca
“Por cá, o PSD o que deixa
aos nossos filhos e netos,
são dívidas e obras inúteis
que todos estamos e iremos
pagar nos próximos 50
anos!”
02
opinião
ALTERNATIVA
agosto 2014
Governo atrasa incentivos
europeus
Há cerca de mil
milhões de euros que
a União Europeia
disponibiliza até
2020 para relançar
a economia e o
emprego na Região,
mas ao contrário
do que já fzeram
os Açores e a
República, o Governo
Regional continua
sem regulamentar
esses incentivos,
prejudicando vários
setores da economia
regional.
“É lamentável, é inaceitável que o Governo
Regional se atrase numa matéria essencial para
economia regional, que é começar a aproveitar
os fundos fnanceiros europeus disponíveis para
relançar a economia e criar emprego”, disse o
presidente do CDS/PP Madeira, em conferência
de imprensa, criticando a inércia do executivo
madeirenses.
“Infelizmente, os membros do Governo Regional,
em vez de ajudarem a resolver problemas da
Madeira entretêm-se com as candidaturas
a liderança do PSD”, concluiu José Manuel
Rodrigues.
A “riqueza” do PSD/M
Os dois casos de
pobreza que vieram
a público nos últimos
dias, relatando que
cerca de 4.000
pessoas em Câmara
de Lobos e outras
200 no Porto Santo
precisam de ajuda
alimentar, são apenas
a ponta do icebergue.
Há pobreza em
todos os cantos da
Região, e estamos a
falar de pessoas que
precisam de bens alimentares essenciais.
O Grupo Parlamentar do CDS/PP, pela voz do
deputado Roberto Rodrigues, afrma que “este é
o resultado da riqueza que o PSD dizia existir na
Madeira, a tal região mais rica do que a Catalunha,
mas, como se vê, os casos que vieram a público
são a miséria que o PSD escondeu debaixo dessa
falsa riqueza”.Há décadas que o CDS/PP Madeira
defende a mudança de ciclo político e económico,
precisamente para que os recursos fnanceiros que
foram esbanjados pelo PSD em obras sem retorno
social fossem investidos na economia real, para que
se inovasse em setores que a política do PSD levou
à estagnação, como o turismo e os serviços, áreas
com potencial para criar emprego.
“O GR tem é que arregaçar as mangas e trabalhar,
em vez de estar transformado na comissão
organizadora da sucessão interna”, sugeriu o
parlamentar.
“A política é quase tão
excitante como a guerra
e não menos perigosa.
Na guerra a pessoa só
pode ser morta uma vez,
mas na política diversas
vezes.”
Winston Churchil
“Não são as espécies
mais fortes que
sobrevivem nem as mais
inteligentes mas sim as
mais suscetíveis
a mudanças.”
Charles Darwin
Desde o início da liberalização dos
transportes aéreos para a Madeira
(2008), tenho vindo a chamar a
atenção para os seus efeitos positivos
e negativos. Quanto aos positivos,
todos sabemos que a entrada de
novas companhias nas linhas para
a a Região trouxe concorrência,
mais voos e mais turistas. Quanto
aos prejuízos, sabemos que têm a
ver com a redução do subsídio de
mobilidade para os residentes, com
a extinção da tarifa de estudante e
com os preços altos praticados em
certas épocas do ano. É urgente
corrigir estes aspectos negativos,
aproveitando
o acordo de liberalização que foi
negociado para os Açores.
Nesse sentido, lancei a Petição
Pública para pressionar os Governos
Regional e da República a rever o
modelo de transportes aéreos para a
Madeira, que apelo a que subscreva
e que tem a seguinte fundamentação:
“Em 2008 a linha aérea Madeira-
Continente foi totalmente liberalizada.
A abertura do espaço aéreo foi
positiva para o incremento da
actividade turística regional, com
mais companhias a entrarem na rota,
mas não garantiu os direitos
dos madeirenses.
O processo de liberalização não
assegurou o princípio da continuidade
territorial, pois não fxou um tecto
máximo no preço das tarifas para
residentes e estudantes.
Os madeirenses recebiam, em 2007,
118 euros de subsídio de mobilidade,
valor que depois da liberalização
desceu para os atuais 60 euros.
Além disso, acabou-se com a tarifa
do estudante.
O Estado pagou 14,4 milhões
de euros de indemnizações
compensatórias em 2007 e 8,3
milhões de euros em 2011, portanto,
a liberalização representou uma
poupança signifcativa para o
Estado. Para os residentes tornou
absurdos os preços das viagens em
determinadas alturas do ano.
grandes
pensadores
José Manuel Rodrigues
Não pode haver um tratamento diferencia-
do entre madeirenses e açorianos.
É elementar, justa e urgente a revisão do
actual acordo da República com a Madeira.
Tarifas aéreas justas
03
editorial
ALTERNATIVA
agosto 2014
04
ano parlamentar
ALTERNATIVA
agosto 2014
Esta é uma prioridade para o CDS Madeira,
que aliás foi pioneiro ao defender um novo
hospital para a Madeira, moderno, seguro e
com custos de manutenção reduzidos, com
padrões iguais aos dos melhores exemplos do
país. Não queremos uma ampliação hospitalar
“Ad Doc” que só serve o interesse de alguns
construtores civis e de alguns políticos. Por
isso apresentamos um conjunto de iniciativas
na Assembleia de apoio à construção de um
novo hospital e apoiamos a Acção Popular
contra a anunciada ampliação.
Esta proposta do CDS Madeira visa a melhoria dos cuidados prestados
aos doentes oncológicos, em especial no aumento da eficácia terapêutica
pois, tal como revela o Registo Oncológico Nacional, na Madeira, os
doentes têm a mais baixa taxa de sobrevivência do país, estando vivos
um terço ao fim e 5 anos de doença quando, por exemplo, no Porto
estão vivos 60%. Infelizmente o PSD Madeira rejeitou a iniciativa.
Não pode haver portugueses de primeira ou de segunda pelo que
num mesmo país não é aceitável cidadãos com mais direitos do que
outros. Assim propusemos que a Lei nacional dos direitos dos utentes
de saúde fosse adaptada à Madeira, tal como foi feito nos Açores para
que os doentes madeirenses não sejam preteridos, nomeadamente as
grávidas, as crianças, os idosos e os doentes em Lista de Espera.
A gestão de saúde não pode ser descontextualizada da realidade em que
os doentes vivem, nem podem ser desperdiçadas as oportunidades de
cooperação entre diferentes entidades. Assim defendemos uma cooperação
salutar entre hospitais e centros de saúde com as Câmaras Municipais
e Juntas de Freguesia, em especial nos cuidados de proximidade e nas
ações de promoção da saúde.
O número de madeirenses
à espera de uma cirurgia
não pára de aumentar,
passando de 11.900
em 2011 para 16.700
em 2014 o que traduz
o completo fracasso da
gestão do SESARAM por
Almada Cardoso/Miguel
Ferreira. Mais uma vez
as propostas do CDS
Madeira poderiam ajudar
a inverter a situação.
Acreditamos que só há bons cuidados de saúde se os cuidados de
enfermagem, tal como os cuidados médicos, forem valorizados e
potenciados, nomeadamente na segurança e acessibilidade. Assim
apresentamos a proposta do Enfermeiro de Família e das Dotações
Seguras, nas quais queremos a participação da Ordem dos Enfermeiros
O Hospital Dr. Nélio Mendonça tem a mais alta taxa de infecção hospitalar
do país, fruto de um hospital com enfermarias envelhecidas, um bloco
operatório desactualizado e uma gestão financeira que ignora os avisos
ténicos dos profissionais. A experiência dos profissionais nesta área é
grande mas falta material clínico, isolamentos e sanitários individualizados
nas enfermarias para evitar a propagação das infeções.
Novo hospital
Via Verde do
doente oncológico
Direitos dos
utentes
Descentralização
cuidados de saúde
Cirurgias:
Enfermagem
Infecções hospitalares
Mário Pereira
Tempo médio de espera por cirurgia
Madeira: 1100 dias Continente: 80 dias
05
ano parlamentar
ALTERNATIVA
agosto 2014
O PSD não tem como fugir
ao debate sobre a situação
no Instituto de Segurança
Social da Madeira. Quando
os deputados regressarem
das férias parlamentares, já
terão à sua espera o pedido
de inquérito potestativo
requerido pelo Grupo
Parlamentar do CDS/PP,
figura regimental que é de
agendamento obrigatório.
A constituição da referida
comissão de inquérito à
Segurança Social precisa
da assinatura de um mínimo
de dez deputados mas
o CDS/PP só tem nove.
Situação que não deverá
ser obstáculo por que a
procura do necessário
consenso não depende dos
deputados do PSD.
A situação de dívidas
acumuladas de empresários
madeirenses à Segurança
Social na ordem dos 100
milhões de euros, foi
recebida pela população
como “um escândalo”
que o Grupo Parlamentar
do CDS/PP quer ver
devidamente esclarecido.
“Queremos descobrir qual
a responsabilidade política
do actual secretário e
tentar esclarecer cada
um dos casos surgidos
na comunicação social”,
declarou Mário Pereira,
presidente da Comissão
Parlamentar de Saúde e
Assuntos Sociais.
O setor das pescas está
pelas ruas da amargura.
Não é por haver uma melhor
safra de atum, este ano, que
a situação deixa de ser pre-
ocupante. Uma coisa é a es-
tatística – cuja leitura, mui-
tas vezes, é feita de acordo
com as conveniências –
outra é a dura realidade. É
só trocar impressões com
os pescadores para perce-
bermos que o rendimento
médio tem vindo sempre a
cair, nos últimos anos, que
a frota está cada vez mais
curta e envelhecida, que
o Governo esconde o fra-
casso do acordo de pescas
com as Canárias (já deveria
ter provado os benefícios para
os pescadores madeirenses).
Como diz o povo, nem tudo
o que vem à rede é peixe,
isto é, continuar a cam-
panha de publicidade sem
se preocupar em estruturar
e repensar o setor, acabará
por comprovar o ditado
popular.
Os dados conhecidos
demonstram claramente
que este sector atravessa
as maiores dificuldades
estruturais de sempre pelo
seguimento de políticas er-
radas por parte do Governo
Regional. Desde o ajusta-
mento errado do esforço
de pesca na frota de pes-
ca do peixe-espada-preto,
que implicou o abate con-
siderável de embarcações
supostamente para obter um
equilíbrio estável e dura-
douro da espécie que afinal
não se veio a confirmar, à
falta de uma estrutura digna
e moderna de recepção e ar-
mazenamento do pescado -
Porto de Pesca, Entreposto
Frigorifico e Lota de Câma-
ra de Lobos, prometida mas
nunca concretizado - , a fal-
ta de apoios à inovação e
compensação aos homens
do mar, e bem assim a ne-
cessária diferenciação das
nossas artes tradicionais,
agudizam-se sim.
Da parte do CDS-M, con-
hecedor desta realidade, te-
mos vindo a fazer o nosso
trabalho de maior partido da
oposição, para que nesta
matéria e em outras ligadas
à pesca, se altere as políti-
cas seguidas, que pela sua
gravidade têm colocado em
causa a continuidade da
atividade e a entrada de jo-
vens para o sector porque
deixou de se atractivo e
rentável.
Daí termos pedido a vinda
do Secretário do Ambi-
ente e Recursos Naturais
à Assembleia Legislativa da
Madeira, para discutir as
dificuldades sentidas pelos
pescadores e analisar a
forma como está a decor-
rer na prática o acordo de
pescas assinado com as
Canárias.
Foi a partir destas iniciati-
vas do CDS-M que se en-
contraram os necessários
consensos que permitiram,
por exemplo, uma reunião
com a Ministra Assunção
Cristas, com o objectivo de
sensibilizar a governante
para estes problemas,
procurando assim ter uma
interlocutora privilegiada
junto da Comissão Euro-
peia, para que a Região ul-
trapasse condicionalismos
e orientações que actual-
mente prejudicam o sec-
tor. Dessa reunião também
saíram sugestões impor-
tantes para o futuro, que
passam pela necessária
inovação do setor e da
frota, tal como defende o
CDS-M, que irá materializar
em propostas no próximo
ano parlamentar.
Ficam aqui as principais ini-
ciativas parlamentares do
CDS-M para o sector das
Pescas:
- Pedido de audição parlamen-
tar: “Dificuldades sentidas pela
frota do Peixe-espada-preto;
- Pedido de audição parla-
mentar: “Acordo de Pesca
Artesanal celebrado entre a
Madeira e as Canárias no âm-
bito do acordo Portugal – Es-
panha”;
- Projeto de Resolução: “Reco-
menda ao Governo Regional a
alteração do actual Regula-
mento que define as compen-
sações financeiras ao preço
do gasóleo;
- Projeto de Resolução: “Re-
comenda ao GR a reparação
da Rampa de Varagem em Câ-
mara de Lobos”.
- Projeto de Decreto Legislati-
vo Regional para a criação de
um Fundo de Compensação
para Armadores e Pescado-
res.
- Projeto de Resolução a reco-
mendar ações de recuperação
junto das Instâncias Europeias
da frota espadeira da RAM.
O ano parlamentar do CDS/
PP foi aberto à chamada so-
ciedade civil, com a realiza-
ção de duas conferências
públicas, sobre dois temas
de capital importância para
os madeirenses: “Um novo
hospital para a Madeira”
e, num ano em que se ini-
cia a vigência de um novo
quadro financeiro “Novos
fundos Europeus, novo ciclo
económico”.
Temas organizados sob a
égide do CDS/PP, no âmbito
do Ciclo Repensar a Madei-
ra, projetando áreas estru-
turantes para uma alterna-
tiva governativa, trazendo à
Região figuras de renome e
prestígio técnico/científico.
No caso da Saúde, Adriano
Natário, director dos ser-
viços de planeamento da
Direção-Geral de Saúde,
Fernando Sollari Allegro,
presidente do conselho de
administração do Hospital
de Santo António, e Artur
Lima, médico dentista.
Ao nível dos fundos europeus, o
presidente do CDS/PP fez uma
retrospectiva sobre a aplica-
ção que o governo PSD tem
dado ao financiamento co-
munitário e apontou camin-
ho ao Plano de Desenvolvi-
mento Económico e Social,
Nuno Melo, eurodeputado,
e Miguel Morais Leitão, se-
cretário de estado da Políti-
ca de Coesão Europeia
falaram da necessidade de
aproveitar os fundos para
mudar estruturalmente a
Região e o País.
Pescas: nem tudo
o que vem à rede
é peixe
Conferências
mobilizam sociedade civil
Roberto Rodrigues
Continuar a campanha de publicidade
sem se preocupar em estruturar e
repensar o setor, acabará por comprovar
o ditado popular.
Segurança Social:
muito por esclarecer
06
ano parlamentar
ALTERNATIVA
agosto 2014
“O Governo Regional
nunca colocou a questão
demográfca como um tema
central e estrutural, e podia
tê-lo feito. Não podemos fcar
de braços cruzados. Há que
tentar remover as barreiras
ao nascimento de flhos e
criar um ambiente favorável
ao aparecimento das famílias
mais numerosas.”
Foi com esta mensagem que
a deputada e vice-presidente
da Assembleia Legislativa
da Madeira (ALM), Isabel
Torres, se dirigiu ao plenário
a 6 de maio, procurando
sensibilizar todos os partidos
ali representados para a crise
da natalidade que o CDS/PP
entendeu colocar na agenda
política regional.
Volvidos três meses sobre
essa sessão plenária, ainda
hoje está por clarifcar a
estranha posição de todos os
partidos da oposição – do PS
ao PCP – que revelaram um
preocupante conformismo
perante um dos mais sérios
problemas sociais que a
Região enfrenta, já que do
PSD ninguém esperaria
outra posição que não fosse
a habitual rejeição a tudo o
que sobe ao plenário com a
marca do CDS/PP.
O facto é que a Região
está confrontada com uma
grave crise demográfca,
e essa realidade deveria
mobilizar governo, partidos,
instituições e toda a
sociedade madeirense na
procura de uma solução que
nos permita inverter esta
perigosa tendência para a
nossa sobrevivência coletiva.
A baixa taxa de natalidade
é preocupante e da parte do
CDS/PP Madeira continuará
a merecer um redobrado
esforço, no sentido de a todos
mobilizar nesta cruzada.
Estamos confrontados com
um cenário desolador: o
número de nascimentos
tem vindo a diminuir nos
últimos anos e, por outro
lado, o tempo médio de
vida aumentou em cerca
de 16 anos, portanto, é fácil
perceber que temos uma
Região com uma população
envelhecida, o que comporta
efeitos ameaçadores no
nosso futuro coletivo.
Os números são frios.
Em 2012, o índice de
envelhecimento na RAM
fxou-se em 96,6 pessoas
idosas por cada 100 jovens.
A Taxa Bruta de Natalidade
regional em 1981 era de
17,5% e em 2012 foi de
7,8%. Neste mesmo ano, o
índice de fecundidade foi de
1,08, muito longe dos 2,1
necessários à reposição das
gerações.
Se a situação se mantiver
durante os próximos anos, a
Região, de acordo com uma
projeção da Eurostat, terá em
2025 uma população total de
233 mil habitantes, ou seja,
menos 30 mil habitantes.
Ter flhos é uma decisão que
cabe única e exclusivamente
aos pais, mas será mais fácil
de tomar se souberem com o
que vão contar. Ter um flho
é, ou deveria ser, um projecto
de vida, mas as condições
também determinam, em
maior ou menor grau, ter
mais ou menos flhos.
Países como a França,
a Suécia, a Finlândia, a
Dinamarca, a Holanda ou
o Reino Unido sentem já
os efeitos das políticas
consistentes de apoio à
natalidade. Nestes países, a
fecundidade está claramente
acima da média e no caso da
França próxima da barreira
dos 2,1 flhos por mulher.
Em Portugal e na Região,
os apoios à natalidade já
existentes têm-se revelado
insufcientes. Sabemos, e
não o podemos negar, que a
austeridade não é amiga da
natalidade.
A experiência de outros países
revela que, em matéria de
incentivos, nenhuma medida
isolada surtirá efeitos e que
só um conjunto de apoios
conjugados será efcaz ou
terá impacto efectivo a longo
prazo, isto é, no mínimo a 10
anos.
No essencial, as políticas
natalistas distribuem-se
essencialmente por 4 áreas:
Fiscalidade, Trabalho,
Segurança Social e
Responsabilidade Social das
Empresas.
Considerando esse quadro,
o Grupo Parlamentar do
CDS/PP avançou na sua
proposta com 8 medidas.
A saber: a atribuição de um
subsídio, durante três anos,
de valor idêntico ao escalão
IV do montante fxado para
pagamento da
creche no ano
de nascimento
do bebé - o
que rondará os
2.300 euros/
ano; a atribuição
de apoios às
empresas amigas
da natalidade, que facilitem
as horas de início e términus
do horário de trabalho;
as faltas justifcadas dos
avós que tenham de se
ausentar do trabalho para
dar assistência aos netos;
medidas municipais, em
que as autarquias devolvem
o dobro do IMI pago por
casais que tenham flhos; as
rendas sociais; e os apoios
a tratamentos de fertilidade
com comparticipação nas
deslocações, nas estadas e
nos tratamentos.
Com a adopção destas
medidas, acredita-se que
num futuro próximo é
possível transitar de um
Inverno demográfco para
uma Primavera demográfca.
“Deixai vir a nós as crianças”
Bolsa de incentivos à natalidade prevê apoios de 2.300 euros/ano
Isabel Torres
O turismo é um dos setores
com mais peso na economia
regional, não faz sentido que
a sua promoção e estratégia
se faça de forma dispersa,
como acontece agora através
de dois organismos, e não
de maneira coordenada por
uma única entidade.
Esta posição do Grupo
Parlamentar do CDS/PP
encontra-se plasmada
na proposta de decreto
legislativo regional cujo
processo de urgência foi
discutido no Parlamento a 2
de abril, mas mais uma vez
a bancada do PSD entendeu
rejeitar o caráter urgente.
A proposta apresentada
pelos deputados
democratas-cristãos tem
por base a generalidade
das opiniões dos diversos
intervenientes regionais na
área do turismo, que têm
vindo a criticar publicamente
o facto de a promoção do
destino Madeira se fazer
a duas velocidades e por
entidades distintas: a Direção
Regional do Turismo, que
tem na sua alçada as ações
promocionais no continente
português, Brasil e mercados
emergentes e a Agência de
Promoção (AP) responsável
pelos mercados tradicionais.
“Não faz sentido que não
adotemos as melhores
estratégias para que a
promoção da Madeira seja
feita de forma mais efcaz
para que a mensagem
chegue clara e objetiva ao
consumidor fnal”, defendeu
a deputada e vice-presidente
da ALM, Isabel Torres, na
abertura do debate.
Concentrar a promoção
do destino Madeira num
único organismo permitiria
a utilização de uma única
mensagem promocional,
mas também economizar
custos, evitar a dispersão de
meios humanos e técnicos,
maior efcácia da promoção,
eliminação de confitualidade
e convergência de interesses
e uma estratégia focalizada
no destino, concretizada por
pessoas com competência
técnica nas diferentes áreas
que o setor turístico envolve.
O PSD não aceitou discutir
a urgência da proposta.
Mas, mesmo assim, Isabel
Torres não se rendeu: “Seria
possível, desta forma, maior
celeridade na ação e outra
fexibilidade, por forma a
que esse organismo único
pudesse levar a cabo,
com maior sucesso, uma
estratégia adequada de
promoção da Madeira.”
Estamos confrontados com um cenário
desolador: o número de nascimentos tem
vindo a diminuir nos últimos anos e, por
outro lado, o tempo médio de vida aumentou
em cerca de 16 anos
Proposta permitiria poupar custos,
evitar a dispersão de meios
PSD teima em manter dividida
promoção do destino turístico Madeira
Via Litoral e Via Expresso,
obras executadas inte-
gralmente pelo Governo
Regional com apoios co-
munitários e respectiva
comparticipação da Região,
custaram 574 milhões de
euros. Mas com as famig-
eradas e mal-amadas Par-
cerias Público Privadas
(PPP), o negócio ruinoso
que o Governo Regional
protagonizou com pesados
encargos para os madei-
renses, esse valor já atin-
giu os 901 milhões de eu-
ros, no final de 2013, 139
milhões dos quais pagos
no ano passado, portanto já
quando o executivo madei-
rense nos sujeitava a todos
– famílias e empresas – a
uma dupla e severa auste-
ridade.
As contas não fecham aqui.
Pelo contrário. Apesar de
os madeirenses terem pago
com os seus impostos e com
recurso a fundos da EU as
duas obras iniciais, aquilo
que já pagaram até ao fnal
de 2013 daria para construir
mais uma Vialitoral e outra
Via Expresso.
Mas o negócio ruinoso irá
prolongar-se até 2029, pelo
que continuamos a precisar
da calculadora à mão. Ainda
estão por pagar 1,777 mil
milhões de euros. Se a
este valor somarmos os
327 milhões que já foram
pagos até 2013, teremos
mais de dois mil milhões
de euros, o que quer dizer
que, nessa altura, em 2029,
continuaremos a ter apenas
duas vias para circular mas
pagamos o sufciente para
ter outras quatro, ou seja, um
total de seis.
É por esta e outras razões
que o Governo Regional e o
partido que o suporta, o PSD,
se furtam constantemente ao
debate esclarecedor, pois
trata-se de uma das muitas
matérias que atestam à
gravidade da gestão ruinosa
a que o executivo jardinista
e todo o seu séquito
conduziram a Região.
A prova de que o GR e o PSD
não tratam com seriedade
estas questões que são, no
fundo, a causa principal da
enorme austeridade a que
ambos têm sacrifcado os
madeirenses, as famílias e
as empresas, está na forma
como terminaram os trabalhos
da Comissão Parlamentar
de Inquérito constituída para
avaliar precisamente o negócio
das PPP.
O PSD fez tudo para que
o assunto se arrastasse
no tempo e inviabilizou a
realização de um trabalho
sério, responsável e
esclarecedor, tendo em vista
os montantes envolvidos,
bem como o elevado prejuízo
que representa para os cofres
da Região, benefciando
apenas as empresas que
integram o universo das PPP.
Para se ter uma ideia de como
o PSD “tudo faz para que no
fm fque tudo na mesma”,
basta referir que levou dois
anos para produzir o relatório
fnal. E, como é costume
nestes casos, as conclusões
fcaram aquém do desejado e
do esperado, mas sobretudo
da realidade, porque não
foram ouvidas algumas das
mais importantes entidades,
por recusa da comissão,
presidida pelo PSD.
Ficou por clarifcar o objetivo
destas duas PPP e apurar
os efeitos das contrapartidas
(se é que os há) para o sec-
tor público, decorrentes dos
contratos celebrados e das
eventuais responsabilidades
emanadas dos atos admin-
istrativos dos respetivos con-
tratos.
Numa análise aos dois
contratos, o TC confrma
a ruina para as fnanças
públicas da Região, ao afrmar
que as duas concessões,
em termos práticos, não
apresentam riscos relevantes
para os parceiros privados,
não transferem riscos de
tráfego para os mesmo mas
comportam uma elevada
taxa interna de rentabilidade,
a chamada TIR. Ou seja,
o chamado negócio “flet
mignon”.
Há penas um único estudo
sobre o impacto destas duas
PPP. Mas, curiosamente, ou
nem por isso, esse trabalho
foi realizado precisamente
pelas entidades fnanceiras
das empresas interessadas.
Será que depois disto
alguém ainda tem dúvidas
da forma desastrosa como o
PSD e o Governo esbanjam
os escassos recursos
fnanceiros da Região? J
é gerido pelo Instituto de
Emprego da Madeira e
Foi já em julho que os
madeirenses fcaram a saber
que a Região, afnal, “nada”
em dinheiro. Apesar de
sujeita a um rigoroso Plano
de Ajustamento Económico
e Financeiro (PAEF), que a
governação do PSD assinou
sozinha depois de nos ter
conduzido a uma situação de
falência fnanceira, surgem
contas que continuam a
demonstrar que Alberto João
Jardim e o seu desacertado
executivo não aprenderam
nada com os graves erros
que cometeram.
É o Tribunal de Contas
(TC) quem o diz, num dos
seus últimos relatórios. Na
verdade, aquela instituição
fscalizadora, no seu relatório
12/2014, relativo à “Auditoria
aos encargos com juros
de mora na Administração
Regional”, vem confrmar
a falta de rigor com que o
Governo Regional tem gerido
o dinheiro dos contribuintes
madeirenses e os parcos
recursos fnanceiros da
Região.
A auditora do TC concluiu
que, entre 2011 e fnal de
2013, a Região tinha por
regularizar um total de 535,7
milhões de euros em juros de
mora, o que representa um
aumento de 46,6 milhões de
euros em relação a 2012.
Vamos por partes. Os
juros de mora não pagam
investimento, obra alguma ou
qualquer outra coisa que seja
benéfca para a população ou
venha a tornar-se num bem
público. Bem pelo contrário.
Os juros de mora são uma
penalização que o devedor
paga por não ter respeitado
os prazos de pagamento
acordados, portanto, é
dinheiro dos contribuintes
atirado borda fora.
O montante apurado pelo TC
assusta e deveria merecer
uma investigação para
apurar responsabilidades. De
acordo com as contas feitas,
no fnal de 2013, a Região
tinha por regularizar 535,7
milhões de euros, dinheiro
que daria para construir um
novo aeroporto, construir
dois novos hospitais e cerca
de sete mil habitações
sociais.
O TC menciona ainda uma
outra situação elucidativa
da completa falta de rigor
na gestão dos fnanceiros
públicos, ao referir que do aval
de 1.100 milhões de euros
concedidos pelo Estado, cujo
objetivo central era saldar
dívidas a fornecedores, 236
milhões desse montante
foram utilizados para pagar
juros de mora.
A situação a que se refere
o TC confgura um ato
de gestão danosa para
os cofres da Região, um
inqualifcável desbaratar
de recursos fnanceiros
quando existem carências
gritantes em quase todos
os setores da Administração
Pública Regional e quando
o Governo Regional perdeu
toda e qualquer capacidade
para reduzir impostos,
impedir os cortes nos salários
e pensões. O CDS/PP vai
chamar ao Parlamento o
vice-presidente do Governo
Regional e o secretário
do Plano e Finanças para
esclarecer esta grave
situação.
Madeirenses pagam 6 vias litorais
mas só têm 2 para circular
Governo deita fora dinheiro que dava para construir
dois hospitais ou sete mil habitações
O PSD fez tudo para que o assunto
se arrastasse no tempo e inviabilizou
a realização de um trabalho sério
Jardim e o seu desacertado
executivo não aprenderam nada com
os graves erros que cometeram
07
ano parlamentar
ALTERNATIVA
agosto 2014
Lino Abreu
De um lado o Caminho
dos Zimbreiros, com o seu
caraterístico ziguezague,
encosta abaixo, ligando a
Fajã da Ovelha ao Paul do
Mar; do outro, a fascinante
e íngreme vereda Prazeres-
Jardim do Mar. Obras
notáveis da determinação do
Homem, marcos expressivos
dos tempos difíceis vividos
pelas populações, que
jamais se deixavam vencer
pela orografa agressiva e ao
mesmo tempo bela.
Não admira que o grupo de
turistas tenha fcado mudo e
quedo ao perscrutar tamanha
beleza do miradouro do Pico
dos Bodes. Ali, o silêncio
impõe-se como rendição
à beleza envolvente e
inigualável.
No cocuruto da falésia, o mi-
radouro do Pico dos Bodes
é um lugar único. A encosta,
alta, parece que vai cair so-
bre o Paul do Mar. O Paul
do Mar fca literalmente por
debaixo dos nossos pés. A
quietude, a bonomia do mar,
o fundo límpido e as águas
de cor verde-esmeralda con-
vidam ao silêncio. Só entre-
cortado pelo sopro ligeiro do
vento e pelo francelho que
fca a planar no céu azul, en-
saiando, de vez em quando,
um leve e suave bater de asa
à procura de alimento na im-
ponente escarpa.
A Fajã da Ovelha é uma ter-
ra autêntica. Uma pérola da
Madeira. A sua área geográf-
ca estende-se do Atlântico ao
maior planalto da Madeira, o
Paul da Serra, partilha fron-
teiras com o Jardim do Mar e
a Ponta do Pargo.
A paisagem agrícola torna-a
um lugar bucólico. Um
daqueles sítios que ao
colocarmos o pé na terra
sentimos que é ali que
queremos fcar. Imaginamos
como seriam outrora os seus
campos pejados e coloridos
com a for do linho. Percebe-
se que já foi terra fértil. Hoje
são poucos os terrenos
semeados de trigo. Mesmo
assim, a última ceifa rendeu
umas animadas 14 toneladas
do grão doirado. O sustento
de muitas famílias.
Há campos de semilhas,
de feijão e milho, mas os
terrenos abandonados e o
matagal dominam a paisa-
gem. A agricultura foi desde
sempre a principal activi-
dade económica, a par de
algumas experiências que
não resultaram em pleno, ao
nível da pecuária e indústria
de laticínios.
Existem ainda testemunhos
dessas actividades. As past-
agens de gado bovino são
um elemento da paisagem
mais a norte, nas encostas
do Paul da Serra, e a sul, o
edifício abandonado da an-
tiga Fábrica da Manteiga
(1910) é símbolo vivo do de-
clínio económico da Fajã da
Ovelha.
Depois de ter governado a
freguesia durante uns longos
37 anos, o PSD foi afastado
do poder em setembro
último, com a população a
escolher para presidente
da Junta de Freguesia um
jovem do CDS/PP, Gabriel
Neto, na esperança de que
outros amanhãs tragam um
novo alento à terra.
Tarefa complicada para o
jovem autarca que se debate
com graves problemas
estruturais, sociais e
económicos. A freguesia é
extensa para o número de
habitantes que tem: 895
(Censos de 2011). Deste
total, apenas 140 têm menos
de 18 anos de idade. Há
sítios à beira de fcar sem um
único residente. É o caso do
Farrobo, que tem somente
oito moradores. É uma
freguesia envelhecida.
“Desde que tomei posse
(em outubro de 2013),
já morreram cerca de 20
pessoas e nasceram apenas
três”, revela-nos o autarca.
Os jovens emigram. De
preferência para Inglaterra.
Gabriel Neto recebeu uma
pesada herança política.
O PSD limitou-se a gerir o
tempo. Não construiu alter-
nativas à agricultura nem
promoveu outros sectores de
actividade.
O turismo rural dá mostras
de poder fazer caminho. A
freguesia tem algumas uni-
dades em ascensão. Mas o
maior empregador continua
a ser a padaria!
No início da década de 2000, o
anúncio de que o empresário
madeirense Joe Berardo
tinha projectado construir um
hotel na freguesia, foi notícia
que animou a população.
Mas o investimento morreu à
nascença.
Gabriel Neto tem força
anímica para alterar o
quadro económico e social
Fa jã da Ovelha: combater o abandono numa das
pérolas da Madeira
Miradouro do Pico dos Bodes. A vista é de “cortar a respiração”.
O casal José e Teresinha Gonçalves simbolizam a esperança numa
freguesia que todos os dias envelhece.
08
reportagem
ALTERNATIVA
agosto 2014
Um grupo de turistas desce o caminho, estreito e irregular, e alcança o miradouro
do Pico dos Bodes. Acomodam as mochilas e começam logo a “metralhar” a
paisagem com as máquinas fotográfcas.
mas faltam-lhe os recursos
fnanceiros. O orçamento
da Junta de Freguesia é de
45 mil euros anuais, mais
de metade é consumido em
despesas correntes. O pouco
que sobra é para ajudar
as pessoas que lhe pedem
pequenos auxílios para a
agricultura e o arranjo das
levadas e veredas.
Há três semanas, a Fajã de
Ovelha festejou 461 anos
de história. A freguesia en-
galanou-se para assinalar a
efeméride. Depois das boas-
vindas aos convidados, o au-
tarca do CDS/PP confessou
um dos seus propósitos: “É
preciso investimento para po-
tenciar a agricultura”, pediu
E, de facto, a singularidade
da Fajã da Ovelha esfuma-
se sem os campos semea-
dos. O sítio da Maloeira é
onde melhor se compreende
o contraste entre uma paisa-
gem com terrenos semeados
e uma outra abandonada e
coberta de matagal.
Novos projectos na área do
turismo rural só serão atrati-
vos se associados e integra-
dos na paisagem agrícola,
que há-de ser o elemento
diferenciador e o melhor pro-
motor turístico da Fajã da
Ovelha.
José Gonçalves e Teresinha
Gonçalves têm tanta certeza
disso que remam contra o
desânimo em que a freguesia
mergulhou. O casal desloca-
se encavalitado numa
motorizada para mais umas
horas de trabalho árduo
num dos vários terrenos
que cultivam com exemplar
entusiasmo.
José e Teresinha são novos.
Pedem incentivos para a
agricultura, em especial
para suportar os custos de
produção e os adubos. Ele
não vive exclusivamente
da terra. Mas garante que
o que dela arranca com a
força dos braços e a ajuda
indispensável da mulher,
“é do melhor que podemos
comer”.
A tranquilidade da terra
sugere vocação para o
turismo rural, incentivando o
regresso aos campos. Alguns
estrangeiros trocaram já as
suas terras de origem pela
Fajã da Ovelha e fxaram-se
ali. É fácil adivinhar porquê.
Mais depressa cruzamo-nos
com turistas do que com os
locais.
O clima, os vales, cabeços,
serras e poios; os percur-
sos e caminhos pedestres (o
Caminho Real ou Caminho
da Igreja, com o seu empe-
drado típico passa desperce-
bido a quem circula na Estra-
da Regional 222, a precisar
de limpeza das bermas), as
levadas que acompanham
a passada dos caminhantes
e levam a água até aos ter-
renos agricultáveis. A auten-
ticidade que a freguesia
preserva, é uma espécie de
“namoro à primeira vista”.
Um património.
Gabriel Neto quer atrair mais
turistas à freguesia. Prepara-
se para melhorar e sinalizar
condignamente os percursos
pedestres. A este trabalho
gostaria de associar a re-
cuperação da rede de fon-
tanários e dos três lavadoiros
públicos, estruturas que são
a marca de um tempo em
que as pessoas não tinham
condições para lavar as
roupas nas suas casas.
Não é fácil inverter o
profundo declínio económico
e social a que o PSD votou
a freguesia. A esperança tem
várias línguas mas também
o silêncio de morte daqueles
que descobrem o miradouro
do Pico dos Bodes. É neste
silêncio, que emana da
paisagem autêntica de cortar
a respiração, que está o
futuro da Fajã da Ovelha.
Fa jã da Ovelha: combater o abandono numa das
pérolas da Madeira
O presidente da Junta da Fajã da Ovelha é um homem do Povo.
Gabriel Neto quer recuperar os lavadoiros públicos.
O comércio morre. Nem a
tradicional mercearia escapa.
Terra autêntica, teria sido importante para o património adotar nas
construções a pedra de cantaria da freguesia.
09
reportagem
ALTERNATIVA
agosto 2014
Coube ao deputado do
CDS/PP Madeira, Martinho
Câmara, a principal
intervenção no debate
potestativo sobre ambiente
e forestas. A consistência
da intervenção, com vários
exemplos que revelam
a ausência de gestão
ambiental e forestal, como
a descida para metade das
bandeiras azuis (eram 34 em
2000 e são apenas 15 em
2014), deixou o secretário
regional do Ambiente sem
argumentos para rebater uma
realidade que se recusou a
reconhecer.
“O senhor secretário [do
Ambiente] faz lembrar aquele
ministro da propaganda
do Iraque... Se o senhor
secretário andasse a pé
pelas estradas da Madeira,
em vez de ir no carro preto,
teria ocasião de ver o estado
calamitoso das serras e a
falta de limpeza. Aliás, o
matagal chega às estradas”,
disparou, sem tibiezas,
o deputado do CDS/PP,
Martinho Câmara, durante o
debate parlamentar.
Mas nem a exemplar fgura
de estilo do parlamentar
democrata-cristão demoveu
o secretário regional do
Ambiente na sua linha de
pensamento contrária ao que
o cidadão comum poderá
confrontar, através de um
simples e descontraído
passeio pelas estradas da
Madeira.
O pedido de debate
potestativo do Grupo
Parlamentar do CDS/PP
centrou-se no Ambiente
e Floresta, e diz bem
da preocupação dos
responsáveis do partido para
com uma área determinante
na qualidade de vida, mas
também porque sem uma
política ambiental distinta
não será possível um turismo
de natureza que projete
condignamente a Madeira
nos mercados turísticos.
A conservação, defesa e
preservação da terra terá
de assentar num trabalho
de elevado rigor científco
e técnico, suportado por
planos CONCRETOS e
REAIS de ordenamento
forestal, focalizados para
a promoção da foresta
e a educação ambiental,
para que as nossas serras
refitam a imagem de um
povo que ama, respeita e
sabe utilizar as serras de
forma equilibrada e não
esta imagem de abandono
e degradação que nos
persegue, em particular nos
últimos quatro anos.
Martinho Câmara não deu
descanso ao secretário
do Ambiente e Florestas.
“Porque sabemos o valor
do património forestal e
ambiental para todos os
madeirenses e também
para quem nos procura
para férias, aproveito para
informar os deputados que
o CDS/PP considera grave a
situação em que se encontra
a foresta na Madeira, pelo
que já na próxima sessão
legislativa apresentaremos
uma Lei-Quadro para esta
área específca.”
Perguntas que fcaram
sem resposta
1-Em que fase de execução
se encontram cada um dos
vários projetos de forestação
que anunciou durante os
seus quatro mandatos?
2 – Qual a área de coberto
forestal obtido com esses
projetos?
3 – Como explica a evidência,
que é o abandono da
foresta, com a notória falta
de limpeza e de remoção dos
detritos forestais, apesar dos
anúncios que tem feito de
múltiplos projetos envolvendo
milhões de euros?
4 – Como foi possível chegar
a este ponto, em que só se
ouvem anúncios mas não vê
quase nada de concreto?
“Propaganda oficial” não disfarça
abandono do ambiente e forestas
10
ano parlamentar
ALTERNATIVA
agosto 2014
Lei-Quadro para integrar turismo de natureza
“Existe legislação da própria
secretaria que é clara, que
diz que poderá substituir-
se aos proprietários no
abate e remoção dos
pinheiros doentes, caso os
proprietários não o façam,
mas que se saiba a própria
secretaria nunca cumpriu
com a portaria que criou.”
“É também preocupante
o estado das estradas em
zona de foresta, com vias
invadidas por matagal,
não há cuidado, limpeza
nem conservação. Não se
compreende que passados
mais de 9 meses a estrada
Encumeada – Bica da Cana
– Paul da Serra continue
encerrada, com grande
prejuízo para os comerciantes
e para o turismo.”
“Os percursos recomendados
são uma mais-valia para o
turismo e para a valorização
da foresta, promovendo
ainda a educação ambiental,
mas aquilo a que se assiste,
neste momento, é que alguns
desses percursos foram
abandonados e não reúnem
os mínimos, em termos de
segurança.”
“Temos distribuído ao longo
da Região uma rede de
ETAR’s, que começam a
revelar um funcionamento
defcitário. Muitas vezes as
águas passam apenas por
essas ETAR’s, não existindo
qualquer tipo de tratamento,
e são lançadas de imediato
para o meio ambiente.”
“O senhor [secretário do
Ambiente] fez tudo para
passar por este Governo
Regional como o Secretário
da Esperança, tentou
sempre dar uma imagem de
muita vontade e dinamismo,
mas os resultados práticos,
permita-me a comparação,
foram muito semelhantes ao
do telexfree, que também
encheu muitas pessoas
de esperança mas para a
grande maioria delas foi uma
grande desilusão.”
Martinho Câmara
Frases para memória futura
O detonador de toda a
polémica foi o anúncio do
pré-acordo celebrado entre
os governos da República e
dos Açores para a abertura
do espaço aéreo açoriano, a
partir de junho do próximo
ano. O modelo desenhado
coloca um teto máximo de
134 euros para uma via-
gem de ida e volta a Lis-
boa, valor que fca muito
abaixo daquele que,
em média, é exigido
aos madeirenses - en-
tre os 210 e os 263
euros.
A notícia do pré-acordo
açoriano foi uma sur-
presa para a classe
política regional. Mas
muitas das vozes que
se fzer-
am ouvir
são as
mesmas
que em
2 0 0 8
protagonizaram o processo
de liberalização, da respon-
sabilidade do Governo Re-
gional do PSD e do executivo
socialista na República.
Desde a primeira hora
que, na Madeira, o CDS/
PP chamou à atenção
para a necessidade de
salvaguardar o princípio
da continuidade territorial,
consagrado na Constituição,
por forma a proteger o
estatuto de residente,
estudantes e doentes,
através da “liberalização
contratualizada”, expressão
então utilizada pelo
presidente do partido, José
Manuel Rodrigues, para
expressar a necessidade
de o acordo
salvaguardar um teto
máximo nas viagens
entre a Madeira e o
Continente. Seis anos
depois, os Açores
adotam precisamente
o modelo proposto
pelo CDS/PP-M.
Mesmo assim, o PSD,
na Madeira, através da
secretária do Turismo,
Cultura e Transportes, Con-
ceição Estudante, e o PS,
no continente, pela mão do
então secretário de Estado
do Turismo, o madeirense
Bernardo Trindade, manti-
veram o modelo de liberal-
ização, tal como o tinham
delineado e não ponderaram
sequer as alterações pro-
postas pelo CDS/PP-M. Seis
anos depois do “céu aberto”,
o resultado para os madei-
renses é quase um embuste.
É verdade que a liberalização
colocou outras companhias
na linha, e isso tem-se
refetido num maior fuxo de
turistas para a Região. Mas
o maior benefciário tem
sido o próprio Estado, com
poupanças superiores a
50% nas indeminizações que
paga a título de subsídio de
mobilidade.
De resto, os residentes, estu-
dantes e doentes que se des-
locam ao continente fcam a
maior parte do ano à mercê
da oferta e da procura, che-
gando a pagar preços proibi-
tivos, completamente incom-
portáveis numa Região que
não oferece mais nenhuma
outra alternativa para sair da
Região.
A situação acaba por desem-
bocar nas inevitáveis compa-
rações, em que por metade
do preço da viagem para Lis-
boa, o madeirense poderia
ir a Londres, Alemanha ou a
muitos outros destinos (vide
mapa).
Cabe agora ao Governo
Regional pressionar Lisboa
a rever o modelo em vigor,
aproximando-o daquele que
está prometido para os aço-
rianos.
Liberalização é boa para o Estado
e má para os madeirenses
11
ano parlamentar
ALTERNATIVA
agosto 2014
O custo das viagens aéreas entre o Continente e a Madei-
ra passou, num ápice, a tema central de todas as forças
partidárias, inclusivamente dos próprios responsáveis
políticos de cá que fomentaram e assinaram o atual mod-
elo de liberalização.
Madeira - Hamburgo
389€
Madeira - Londres
284,36€
Ponta Delgada - Lisboa
2h20min
134€
Madeira - Lisboa
1h30min
353,02€ - 60€
Madeira - Madrid
2h10min
319,98€
Não é verdade que nenhum partido tenha
chamado à atenção para o impato que a lib-
eralização poderia causar aos madeirenses
se não fosse salvaguardado o estatuto de
residente. Já em 2008 o presidente do CDS/
PP-M pediu ao Governo da República que
procedesse à repreaciação do modelo, por
forma a reduzir os constrangimentos à mo-
bilidade dos residentes na Madeira e nos
Açores. Em 2012, José Manuel Rodrigues co-
ordenou um grupo de trabalho que avaliou os
transportes aéreos para as regiões autóno-
mas. Vejamos alguns dos pontos negativos
apresentados nesse estudo:
- Oscilação de tarifas muito acentuada con-
soante oferta e procura.
- Residentes e estudantes penalizados com
tarifas muito elevadas nas épocas altas do
turismo: Natal, fm de ano, Páscoa e
Verão.
- Tarifas de viagens, marcadas com me-
nos antecedência, a preços muito supe-
riores à média.
- Redução do subsídio de mobilidade de
118 para 60 euros.
- Extinção tarifa de estudante.
- Subsídio de mobilidade só abrange tar-
ifa paga às transportadoras e não incide
sobre custo fnal da viagem paga pelos
residentes.
- Restrições no uso da passagem.
- Sobretaxa de combustível elevada.
O Estado pagou à TAP 14,4
milhões de euros de indem-
nizações compensatórias
(serviço público) em 2007;
em 2011, esse valor caiu
para os 8,3 milhões de
euros. Os números
provam como a liber-
alização tem sido al-
tamente rentável para
o Estado e penaliza-
dora para os madei-
renses.
Em 2007 os madeirenses
recebiam 118 euros de sub-
sídio de mobilidade, com a
liberalização, esse valor
desceu para os atuais 60
euros.
A petição pública é um instrumento de cidada-
nia ao dispor do cidadão em nome individual,
de grupos de cidadãos ou instituições. É um
meio de se fazer ouvir na Assembleia da
República. O CDS/PP está a utilizar esse
instrumento. Se é a favor de tarifas justas,
assine aqui a petição: http://peticaopublica.
com/pview.aspx?pi=tarifaaerea
134 euros é a tarifa máxima
para uma viagem de ida e
volta Açores-Continente.
Se for estudante, viaja por
99 euros. A viagem para a
Madeira nunca excederá
os 119 euros, com os es-
tudantes a pagar apenas
89 euros.
A tarifa de residente anunciada pelo
Governo dos Açores levou o presi-
dente do CDS/PP-M a escrever ao
vice-primeiro-ministro, Paulo Portas,
e ao ministro da Economia, António
Pires de Lima, a lembrar três coi-
sas: que nesta matéria não deve
haver tratamento diferenciado en-
tre madeirenses e açorianos; que
o princípio da continuidade territo-
rial é um dever do Estado, logo, as
tarifas aéreas têm que ter preços
justos; o acordo prevê que o mod-
elo seja avaliado de dois em dois
anos. O que nunca aconteceu.
Em 2008 o presidente do CDS/PP
Madeira solicitou ao Governo da
República a reapreciação do decreto-
lei 66/2008, com o objectivo de es-
tender ao tranporte marítimo o sub-
sídio de mobilidade em vigor para
o transporte aéreo. A proposta foi
aprovada, faltando apenas pro-
ceder à respetiva regulamentação.
3h35min
4h20min
Completou-se mais um ano
legislativo. Cumpre-se fazer
um balanço da atividade par-
lamentar na Assembleia da
República. O Deputado do
CDS-PP, Rui Barreto, esteve
mais uma vez em evidência,
sendo o parlamentar que mais
perguntas, requerimentos
e projetos apresentou, mas
também o que fez mais inter-
venções na Assembleia da
República.
Recorde-se que o Deputado
Rui Barreto esteve suspenso
durante 5 meses (de 27 de
outubro a 27 de março) por
ter “violado” a orientação de
voto e regulamentos disciplin-
ares ao ter votado contra o
Orçamento de Estado para os
anos de 2013 e 2014, quer na
generalidade, quer na votação
fnal global.
Como tem sido seu timbre, o
parlamentar tem estado atento
aos assuntos da Madeira na
AR. O assunto em que mais
se empenhou foi o transporte
aéreo entre a Madeira e o Con-
tinente Português. Contestou
de forma dura e veemente o
famigerado relatório do IGF
sobre o Decreto Legislativo
66/2008, que regulamenta a
atribuição do subsídio de mo-
bilidade e que preconizou uma
redução para 21 euros.
Rui Barreto reuniu-se com
o Secretário de Estado dos
Transportes, Sérgio Monteiro,
obtendo a resposta de que
essa redução não teria efeitos
práticos. Escreveu também ao
Ministro da Economia, Pires de
Lima, assim como a Fernando
Pinto, presidente da TAP, so-
bre os preços das ligações
aéreas entre o Continente,
RAM e Porto Santo.
Questionou o Governo da
República sobre as regras de
atribuição de licenças para no-
vos Centros de Inspeções Au-
tomóvel e Motociclos e atalhou
a persistência do monopólio
do setor na RAM.
Abordou o Executivo sobre
o Programa Garantia Jovem,
que prevê 190 milhões de eu-
ros entre 2014 e 2020 para
apoiar jovens até 30 anos no
primeiro emprego, o mesmo
sucedendo em relação à Certi-
fcação e Habilitação de produ-
tos para exportação “Portugal
Sou Eu”. Pediu igualmente
que fossem estruturadas à
RAM diversas linhas de fnan-
ciamento à economia, como
a Linha PME Crescimento,
Linha de Crédito ao Comércio
e Linha “Business Angels”, di-
recionada para empresas em
fase embrionária.
De referir que escreveu ao
Ministro da Defesa Nacional,
Aguiar Branco, sobre a
premente necessidade de
dotar o Porto Santo com o
piloto do Helicóptero EH 101,
imprescindível na realização
de missões de busca e
salvamento.
Já no fnal da sessão legislativa,
Rui Barreto fez entrar na
AR o Projeto de Revisão
Constitucional, denominado
“Mais Autonomia – Melhor
Democracia”. No referido
projeto, defende a extinção
do cargo de Representante
da República; aumento
dos poderes legislativos
das regiões Autónomas;
alargamento das competências
em matéria fscal; extensão do
regime de incompatibilidades
e impedimentos dos
deputados da República
aos deputados regionais e
membros do governo das
regiões Autónomas; limite
de 3 mandatos a todos os
cargos políticos executivos e
nomeados; consagração de
um novo principio de garantia
às regiões autónomas dos
meios fnanceiros necessários
a assegurar aos cidadãos
nelas residentes as mesmas
prestações e serviços que o
Estado assegura no restante
território nacional, em especial
no domínio da educação, da
saúde e da segurança social;
alteração da designação
dos juízes do Tribunal
Constitucional dividindo
essa responsabilidade pelo
Presidente da República e
pela Assembleia da República;
introdução da apreciação
preventiva de normas pelo
TC poder incidir sobre a
conformidade com os Tratados
da UE e da UEM.
Declarações
políticas
No dia 11 de abril de 2014 ,
Rui Barreto falou sobre o Sa-
lário Mínimo Nacional e Plano
Nacional de Transportes e In-
fraestruturas:
“Que fque claro que o CDS
defende o aumento do Salário
Mínimo Nacional”
Respondeu Rui Barreto à dep-
utada Mariana Mortágua, do
Bloco de Esquerda.
“A nova estratégia está em
conformidade com a aloca-
ção de fundos estruturais que
privilegiam a competitividade
e a internacionalização das
empresas portuguesas. A
política para o mar e a conec-
tividade europeia, com a liga-
ção às redes transeuropeias
de transporte, estão bem evi-
denciadas nos investimentos
marítimo/portuário e no sector
ferroviário, que receberá 45%
dos investimentos propostos,
os quais constituem condição
essencial ao desenvolvimento
económico, redução das as-
simetrias geográfcas e à ne-
cessária coesão territorial.”
A construção do Campo de
Golfe da Ponta do Pargo foi
apresentada pelo Governo
Regional, em 2008, como
“um mega investimento” que
iria tornar a Calheta um ”des-
tino de golfe” capaz de atrair
praticantes da modalidade do
norte da Europa, Alemanha e
Inglaterra e gerar 50 postos
de trabalho.
O investimento tinha um cus-
to base na ordem dos 17,5
milhões de euros, mas fal-
tam acrescentar as obras de
construção do “clube house”,
os arruamentos e restantes
edifícios, cuja estimativa de
custo nunca foi divulgada.
Para viabilizar o campo, o GR
decidiu construir a ligação
Fajã da Ovelha-Ponta do
Pargo, numa extensão de
5.720 metros, com quatro
túneis, com um compri-
mento global na ordem
dos 1.200 metros e seis pon-
tes, somando 880 metros.
O custo da empreitada, em
2007, ascendia a 61 milhões
de euros. As duas obras es-
tão suspensas. O CDS/PP já
pediu o apuramento de re-
sponsabilidades.
O mais interventivo
Ponta do Pargo: nem
golfe nem estrada
O assunto em que mais se empenhou
o deputado Rui Barreto foi o
transporte aéreo entre a Madeira e o
Continente
12
ano parlamentar
ALTERNATIVA
agosto 2014
Rui Barreto
Guilherme Silva
Correia Jesus
Hugo Velosa
Cláudio Aguiar
Jacinto Serrão
Assembleia da República
319
0
0
0
0
16
45
0
0
2
4
28
10
6
0
5
0
2
8
2
2
6
4
5
Deputados Requerimentos Perguntas Intervenções Iniciativas apresentadas
JP com página
dinâmica
Ora aí está o novíssimo sítio
da Juventude Popular (JP) –
Madeira na internet e replicado
nas redes sociais. Uma página
arejada, límpida, grafsmo
atrativo, mensagem apelativa.
Uma dinâmica que está a ser
reforçada com trabalho no
terreno junto da juventude
madeirense.
Madeira adia
testamento vital
Por que razão a Madeira
não surge na lista nacional
de balcões RENTEV – Rede
Nacional do Testamento Vital –
e para quando a sua instalação
na Região?
A pergunta surge pertinente
porque o Governo Regional
descuidou, mais uma vez,
os interesses regionais. Na
realidade, se os madeirenses
pretenderem proceder à entrega
das Diretivas Antecipadas
de Vontade, não têm onde
fazer, como acontece com os
portugueses do continente.
O novo sistema RENTEV
é de utilização obrigatória
desde o passado dia 1 de
julho, conforme resulta da
Portaria 96/2014 publicada a
5 de maio último, e permite
receber, registar, organizar e
actualizar toda a informação
e documentação relativa ao
documento Directiva Antecipada
de Vontade.
“A responsabilidade das
medidas de austeridade é de
quem governa a Madeira e o
CDS/PP-M nunca foi gov-
erno na Região”, deputado e
secretário-geral do CDS/PP-M,
Lino Abreu, sessão relativa ao
poder de compra concelhio - 4 de
dezembro de 2013.
“Com a mesma brevidade
que o senhor secretário [dos
Assuntos Sociais] anunciou
que iria devolver o dinheiro
cobrado ilegalmente com as
taxas moderadoras na saúde,
gostaríamos que o senhor re-
solvesse o problema das 17 mil
pessoas que estão nas listas de espera
por uma cirurgia” - deputado do CDS/PP Martinho
Câmara, sessão plenária do dia 27 de fevereiro.
“O senhor scretário [da Edu-
cação] assegura aqui que as
escolas estão em condições
de proporcionar e criar opor-
tunidades educativas de quali-
dade para todos as crianças
das Madeira até que completem
a escolaridade obrigatória?” - depu-
tado Lídio Aguiar, sessão plenária de
17 de julho de 2014.
“Há já muito tempo que o CDS/PP-M
tem apontado os responsáveis e o
falhanço das suas políticas. E dentro dos
seus parcos recursos tem apresentado
diversas soluções para o combate
ao desemprego, para o incentivo à
contratação, em particular, no que concerne
aos mais jovens. Esta é uma situação que
não passará exclusivamente por medidas avulsas,
mais reativas que preventivas. É necessária uma total renovação
do projecto económico/social para a nossa terra”, intervenção da
deputada e presidente da Juventude Popular (JP), Luísa Gouveia,
sessão plenária 9 de janeiro 2014.
“Este Orça-
mento [2014]
é flho da
dívida, flho
do défce e
aflhado do
Plano de Ajus-
tamento a que o
Governo Regional do
PSD sujeitou a Região. Os senhores
conduziram a Madeira à triste situa-
ção de insolvência e de voltar a ser
uma Ilha adjacente de Portugal conti-
nental. Durante anos, o senhor [AJJ]
fez aqui o exercício do endividam-
ento, depois passou ao exercício do
ocultismo e agora tenta o exercício
da mistifcação. Se não vejamos os
cinco objectivos deste Orçamento:
consolidação orçamental, como, sen-
hor secretário se este Orçamento
apresenta de novo um défce de 280
milhões de euros? Sustentabilidade
das Finanças Públicas? Como, se
este Orçamento endivida ainda mais
a Região em 230 milhões de euros?
Crescimento económico? Este Orça-
mento mantém a carga fscal sobre
as empresas e trava o investimento
privado. Só este ano já foram dissolv-
idas 775 empresas. Crescimento do
emprego, como? O desemprego tem
vindo a crescer e já vai em 22.848
madeirenses sem trabalho. Salva-
guarda da coesão social? Como, se
este governo corta nas despesas
de investimento para a Educação e
Educação em 37 milhões de euros?”
– José Manuel Rodrigues, sessão
plenária de 17 de dezembro de 2013.
“A senhora
Secr et ár i a
não trouxe
aqui [ao Par-
lamento] nada
de novo. O
CDS/PP-M não
está neste debate
para fazer demagogia,
mas porque todos os madeirenses
têm as mesmas dúvidas sobre esta
questão concreta: tínhamos uma
linha [marítima] que servia a Madei-
ra, era um serviço prestado à Região,
de forma efcaz, e dois anos depois
o GR ainda não criou as condições
para o regresso da linha, estas são
as questões que interessam aos ma-
deirenses. O GR não pode afrmar
que a linha não é rentável porque
nunca criou as condições para que
os operadores entendam se é ou não
rentável para eles e efcaz para os
madeirenses”, Isabel Torres, depu-
tada do CDS/PP-M e vice-presidente
da ALM, questionando a secretária
do Turismo e Transportes, debate po-
testativo sobre transportes marítimos
e taxas portuárias - 3 de dezembro
de 2013.
“É já a ter-
ceira vez
que apre-
s e n t a mo s
propostas no
sentido de re-
duzir o fnancia-
mento aos parti-
dos. Mas, não sejamos
hipócritas, nenhum partido pode
subsistir sem apoios públicos, a não
ser o PCP que tem outras formas de
fnanciamento. E, neste sentido, o
CDS/PP-Madeira é coerente - há ag-
ora até alguns putativos candidatos
à liderança do PSD que descobriram
a necessidade de reduzir as subven-
ções, mas antes nunca os ouvimos
dizer nada sobre esta matéria”, An-
tónio Lopes da Fonseca, líder do
Grupo Parlamentar do CDS/PP-M,
intervenção fnal sobre a proposta
do seu partido para reduzir o famig-
erado “jackpot” – 27 de novembro de
2014. Mais uma vez, a proposta foi
reprovada com os votos do PSD/M.
Frases que o PSD
não gosta de ouvir
13
ano parlamentar
ALTERNATIVA
agosto 2014
Há muito “trabalho de casa” dos deputados do CDS/PP
Madeira que se sentam no Parlamento. Nada é feito por
acaso. Os dossiers são previamente estudados, para que
o enfoque principal se centre na melhor solução para os
problemas da Madeira e dos Madeirenses. O PSD não ig-
nora que há competência nos parlamentares democratas-
cristãos mas recusa-se a reconhecê-la. O que conta mes-
mo é a avaliação dos eleitores. Aqui fcam algumas frases
que marcaram a última sessão legislativa.
curtas
Procure as vinte
palavras da lista.
Não há palavras na
diagonal.
Brincar, caminhada,
descanso,
desporto, diversão,
entretenimento,
folga, harmonia,
lazer, livro, natureza,
ócio, passatempo,
passear, recreio,
relaxe, repouso,
sesta, sossego e
tranquilidade.
Sopa de letras
Na ausência de seguranças coloca-se um busto para vigiar as obras.
Mas se a fgura é quem pensamos que é, merecia mais respeito,
porque o empreiteiro-mor cá do sítio, todos conhecemos.
Texto e foto Leonardo Abreu.
Aceite o desafo, envie-nos também os seus fagrantes.
Descubra as 10 diferenças entre os dois desenhos
Anedotas
Curiosidades
O bêbado chega a casa cambaleando. Mal encontra a porta. Entra, dá uma mijada
e fala com a mulher que estava no quarto: - Querida, acho que a nossa casa-de-
banho está assombrada. - Porquê, querido?- Pergunta a mulher. - Não acreditas
que quando eu abri a porta, a luz acendeu-se sozinha. Depois, quando a fechei, ela
apagou-se. Deve ter alguma assombração! - Oh não! Mijaste no frigorifco de novo!
A rotação da Terra infuencia a forma como os aviões comerciais
voam pelos céus do planeta. Segundo investigadores, quando as
turbinas do avião são acionadas, a aeronave recebe uma força
que garante a velocidade e o deslocamento da estrutura. Este
movimento não depende da rotação da Terra, mas a rotação pode
sim infuenciar no tempo de viagem de uma aeronave, assim como
a força dos ventos faz. Se o avião contorna a Terra no sentido de
rotação, demora mais tempo.
Se o Diamantino, ao ver-se ao
espelho, tocar na sua orelha
esquerda, será que a sua imagem
tocará também na orelha
esquerda?
Numa promoção, o preço de um
artigo foi reduzido em 20%. Qual a
percentagem que deve ser
acrescida ao preço desse
artigo para que ele volte a
ter o preço inicial?
Qual o meio de transporte
habitualmente utilizado por estes
quatro amigos:
Abílio, Alcides, Anacleto,
Anastácio.
Estavam dois homens e um Alentejano. Um dos homens diz assim: - O pensamento
é a coisa mais rápida do mundo, basta uma pessoa pensar e já está. Vai outro e diz
assim: - Não, a coisa mais rápida do mundo é a electricidade. Basta uma pessoa
ligar o interruptor e acende-se logo a luz. Vai o Alentejano e diz: - Nã senhora, estão
todos enganados. A coisa mais rápida do mundo é a caganeira. Veja lá que eu esta
noite nã tive tempo p’ra pensar nem tã pouco p’ra acender a luz e caguei-me todo.
Charadas
Flagrante
Soluções: 1 - Considerando que os espelhos refetem sempre imagens simétricas, a imagem de Diamantino toca na
orelha direita ; 2 - Para obtermos o preço inicial do artigo, devemos aumentar 25% ao preço que lhe foi atribuído (20%
de desconto) quando estava em promoção. 0,8XY = X; Y = X / 0,8X; Y = 1,25X; 3 - BI-CI-CLE-TA. Obtém-se esta
informação retirando as segundas sílabas dos dois primeiros nomes e as terceiras sílabas dos dois últimos nomes.
14
passatempos
ALTERNATIVA
agosto 2014
Dia da Cidade do Funchal
A homenagem a João Pestana foi proposta pelo
vereador do CDS/PP Madeira, José Manuel Rodrigues.
461 anos da freguesia da Fajã da Ovelha
Festa Nossa Senhora
do Monte
15
social
ALTERNATIVA
agosto 2014
última
Propriedade:
Grupo Parlamentar do CDS/PP-Madeira
Rua da Alfândega, nº 71 - 1º andar - Funchal
Tel. 291 210 500
e-mail: cdsppmadeira@gmail.com
Impressão:
Imprinews - Empresa gráfca
Design e paginação:
Grupo Parlamentar do CDS/PP-Madeira
CDS na internet:
site: www.cdsppmadeira.com
facebook:
facebook/groups/ideiasclaras
facebook/cdsppmadeira
Colaboraram neste número:
José Manuel Rodrigues, António Lopes da Fonseca,
Mário Pereira, Isabel Torres, Rui Barreto, Roberto
Rodrigues, Martinho Câmara, Lino Abreu, António Jorge
Pinto, Nelson Mendonça, Amílcar Figueira.
“Santa aliança”
PSD-PCP confrmada
pelo Parlamento
Começou por ser uma mera desconfança, mas depois
o PSD e a própria CDU acabaram por desmistifcar
o mistério: quatro iniciativas comunistas aprovadas
pelos laranjas, na sessão legislativa que terminou em
julho, contra uma do PS e nenhuma do CDS/PP.
A situação não mereceria qualquer alusão se o
PSD não tivesse a prática democrática que todos
conhecemos. Esta “santa aliança” tem o seu quê
de estranho porque o líder social-democrata e do
Governo Regional nunca escondeu o respeito que
(não) tem pela História comunista.
O “namoro” começou a dar mais nas vistas a partir das
últimas eleições autárquicas. Desde então, passou
a ser uma constante dos debates no Parlamento
madeirense a convergência de pontos de vista entre
a bancada do PSD e o deputado único Edgar Silva.
Uma situação inaudita, por ser notório que não tem
nenhuma preocupação em resolver os problemas
reais da população madeirense (as propostas
aprovadas fcam dependentes de aceitação pelo
Parlamento nacional), tratando-se apenas de um
expediente da maioria laranja para ofuscar e confundir
as propostas do CDS/PP, por forma a retirar-lhe
iniciativa, evitar debates sérios e sobretudo impedir
a população de fcar a conhecer as alternativas mais
apropriadas para resolver os problemas da Madeira.
O extraordinário de tudo isto é que o PCP, conhecendo
como poucos partidos os estratagemas do PSD/M
para desvalorizar toda a oposição e adversários, tinha
razões de sobra para recusar este papel secundário
mas em vez disso até dá sinais de se dar bem nesta
“aliança” com os laranjas.
O que está por saber é qual será a reação do
eleitorado tradicional do PCP quando descobrir esta
“santa aliança” e que moral terá o Partido Comunista
para criticar a política de desastre social do PSD/M.
ALTERNATIVA
agosto 2014
A obra é candidata a fgurar no “Guiness
Book Records”. E não é por ser apenas um
sorvedouro de dinheiros públicos mas também
pela longevidade que já tem sempre em obras:
mais de 30 anos.
A lagoa artifcial do Santo da Serra, localizada
no concelho de Santa Cruz, era para encher-se
de 640 mil metros cúbicos para abastecer zonas
agrícolas a sul, benefciando 2.195 regantes
(os números são ofciais) mas só tem nadado
em dinheiro. Em termos ofciais são apontados
5,5 milhões de euros já gastos nas obras de
impermeabilização mas a lagoa continua sem um
pingo de água e parece não haver engenharia
capaz de vedar aquele fundo roto.
Como em tantos outros “buracos” fnanceiros
sem qualquer utilidade para os madeirenses,
este também contribuiu para a situação de
insolvência económica e social em que a
governação PSD colocou a Região, remetendo
para todos nós a fatura da sua incompetência,
paga com a brutal e dupla austeridade, cortes
nos salários e nas pensões e a mais elevada
carga fscal de todo o país.
A lagoa está equipada com equipamentos
sofsticados ao nível das instalações eléctricas,
comunicações, automação e telegestão. Só falta
mesmo o essencial: água. E funcionar.
Ups! Tropecei num
Lagoa do Santo da Serra
Não há no alinhamento ou grelha
das emissões de rádio na Região
com um registo tão curto: apenas
10/11 minutos. “Dito & Feito” é
um novo espaço radiofónico que
se propaga nas ondas hertzianas
da TSF Madeira, todas as quin-
tas-feiras, logo depois das Notí-
cias da Uma.
Com um registo de tempo pouco
habitual, “Dito & Feito” tem sem-
pre em estúdio um convidado que
aborda um tema específco rela-
cionado com a economia, políti-
ca, emprego, saúde, área social,
fnanceira, turismo, cultura, am-
biente, agricultura, pescas com o
objetivo contribuir para uma nova
visão regional, mas é acima de
tudo um espaço de refexão, que
desperta os madeirenses para
alguns problemas da governa-
ção regional e necessidade de
uma Alternativa séria e credível.
Em escassos dez minutos ainda
há tempo para uma sugestão
(livro, música, passeio, evento,
etc) e para o assunto da semana.
Dito & Feito: programa de rádio