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XVI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música

(ANPPOM)
Brasília – 2006
Trabalho aceito pela Comissão Científica do XVI Congresso da ANPPOM
- 335 -
A Cantata em Barbara Strozzi: uma ópera em miniatura
Silvana Scarinci
Doutoranda pela UNICAMP
e-mail: silvanascarinci@yahoo.com.br
Helena Jank
UNICAMP
e-mail: hjank@iar.unicamp.br

pag335













PYERO RAPHAEL JAIME DE MELO TALONE








DIVERGÊNCIAS E CONVERGÊNCIAS ENTRE A ÓPERA
E IMPORTANTES GÊNEROS VOCAIS DO BARROCO

Trabalho apresentado a disciplina
Música e história II no curso graduação
em Música da EMAC.




GOIÂNIA
2013
Sumário:

1- INTRODUÇÃO......................................................................................................1
2- CONCEITOS DE GÊNEROS................................................................................2
2.1- ORATÓRIO....................................................................................................2
2.2 PAIXÃO...........................................................................................................3
2.3CANTATA........................................................................................................4
2.4 MISSA..............................................................................................................5
2.5ÓPERA..............................................................................................................6
3- DIVERGÊNCIAS....................................................................................................7
4- BIBLIOGRAFIA.....................................................................................................8

















1- INTRODUÇÂO


Segundo Grout e Palisca (1988, p.43)“O conflito entre o sagrado e o profano na arte não
é exclusividade da Idade Média. Sempre foi objeto de concenso geral a idéia de que
certos tipos de música, por este ou aquele motivos, não são próprios parem ser ouvidos
na igreja.”
É neste contexto que o presente trabalho visa investigar as divergênias e similaridaes
entre a ópera e os demais gêneros vocais do período barroco. Para tal investigação
utilizou-se definiçoes conceituais de cada um dos gêneros: oratório, paixão, cantata,
missa e ópera.
Como bibliografia para delimitar os principais conceitos, foram utilizados os dicionários
de música Grove e Oxford; o livro de história da música ocidental de Grout e Palisca e
também foram consultados artigos acadêmicos que tratavam deste assunto. Tentou-se ,
nas definições, focar o Barroco que é um dos períodos trabalhados na disciplina de
música e história.
Após a análise de cada conceito, pretendeu-se delimitar então, quais seriam os pontos
divergentes entre o gênero ópera em oposição aos outros gêneros citados acima.












2- CONCEITOS DE GÊNEROS


O oratório- Um gênero destinado às associações de leigos que iam á uma parte
reservada da igreja ouvir sermões e cantar canções religiosas. Segundo Grout e Palisca
(1988, p.337) é uma série de diálogos sacros, onde se combinavam elementos de
narrativa , díalogo e meditação ou exortação, mas que , em geral, não se destinavam a
ser apresentados em cena.
Segundo definição do dicionário Oxford, é uma música de criação religiosa para
cantores solistas, coro e orquestra, geralmente sem cenários e figurinos exibidas em
igrejas ou pequenas salas de concerto. O Messia de Haendel é considerado o Oratório
mais importante.
Um dos mestres da oratória do sec. XVII foi Gioacomo Carissimi. Podemos encontrar
em Buelow em A history of barroque music (2004, p. 91) duas formas de oratório eram
compostas na metade do século XVII: o Oratório Volgare, com textos em italiano e o
Oratório Latino. Ambos tinham similaridade musical e origens nas décadas anteriores
mas dependiam estilisticamente do desenvolvimento da ópera que ocorriam
paralelamente.A prática dos compositores já estabelecidas no século XVI de separar o
oratório em duas seções musicais por um sermão foi mantida no Oratório. Já os
oratórios latinos, geralmente tinham somente uma seção, como todos os de Carissimi.
O oratório se distinguia da ópera pela presença do narrador, pelo recurso ao coro para
fins dramáticos , narrativos e meditativos e pelo fato de os oratórios raramente ou nunca
se destinarem a serem teatralmente encenadas.

A Paixão- é o gênero musical que enfoca o tema da paixão e morte de Jesus. A
composição músical que narrava a história da páscoa ou do natal já eram comuns na
música desde o século IV. Em Grove encontramos que os peregrinos que visitavam
Jerusalém no século IV no período da semana Santa entoavam cânticos que se referiam
a Paixão de Cristo. No decorrer do século XII tornou-se hábito recitar a história de
forma semidramática, onde um sacerdote cantava as partes narrativas, outro as palavras
de Cristo e outro a multidão.
Os tipos de Paixão que serviram de modelo para as paixões do século XVII originaram-
se nos século XV e XVI. Havia dois tipos de paixões: aquelas cujas cujas seções
narrativas do evangelho são cantadas monofonicamente , enquanto as palavras de Cristo
e da multidão eram cantadas polifonicamente e aquelas cujo texto, incluindo a narração,
era exposto por inteiro polifonicamente.
Podemos notar o desenvolver do gênero no trecho retirado do Grove on line:

Uma nova época na história da Paixão começou a se desenvolver em cerca de 1650,
quando os músicos nas cidades hanseáticas alemãs introduziram instrumentos
fundamentais e ornamentais nas apresentações das Paixões. Essas configurações,
chamadas de "Paixões oratório ', foram divididas pela inserção de episódios reflexivos,
sinfonias, textos bíblicos paralelos, novos versos madrigais e hinos. As primeiras
paixões acompanhadas por instrumentos foram as de Thomas Selle de Hamburgo, que
também exploraram plenamente a herança da tradição central alemã da Paixão.

O desenvolver desse gênero aproximou-se a paixão do gênero oratória que pode ser
confirmado em Grout e Palisca (1988, p. 388): dá-se o nome de paixão oratória,
incluindo neste tipo de composição recitativos, árias, conjuntos, coros e peças
instrumentais, prestando-se todos eles a uma apresentação dramática da Paixão de
Cristo.

A cantata - De um gênero estrófico e monódico converteu-se-se em uma forma
composta de muitas seções constrastantes. De acordo com Grout e Palisca:

Na segunda metade do século tomou, finalmente , uma forma mais claramente definida
de recitativos e árias alternados- normalmente dois ou três de cada- para voz solista com
acompanhamento de contínuo, sobre um texto, regra geral de caráter amoroso, sob a
forma de uma narração ou solilóquio levando o conjunto da peça uns dez ou quinze
minutos a executar ( 1988, p. 371)

Um constrate com a ópera era tanto o texto como a música possuir caráter mais
intimista. No entanto assemelhava-se a cena retirada de uma ópera porém, destinado a
salas menores e pelo caráter do texto e da própria experimentação musical, era
destinado a um público mais seletivo. Segundo Scarinci (2006, p.335), nem todos os
compositores do século XVII puderam realizar seus experimentos no mundo da ópera,
por mais sofisticado que fosse seu domínio da linguagem musical em voga. Sem um
meio tão rico de possibilidades à sua disposição, estes compositores, à margem da mais
fascinante inovação composicional da época, reduziam o vocabulário operístico a um
mínimo, realizando na Cantata uma miniatura do que teriam feito na grande forma.
Tanto quanto o oratório e a ópera, a Cantata descende diretamente do gênero altamente
intelectual do século XVI, o madrigal. O gosto pela palavra e a refinada sensibilidade
dos madrigalistas pela tradução musical do texto levou os compositores a uma
percepção aguçada das possibilidades dramáticas da música. Um passo importante para
a criação das cantatas foi a exploração pelos monodistas florentinos da voz solista, que,
destacada dos madrigais, passava a ser acompanhada pelo baixo-contínuo.

A cantata sacra teve sua importância na música Sacra Luterana. Em 1700 Erdmann
Neumeister, criou um novo tipo de poesia sacra destinada a ser musicada , que designou
pelo termo de cantata. Através de poemas do gênero madrigal, musicava textos sacros
retirados das escrituras em forma de árias, muitas vezes precedidos de recitativos. A
grande aceitação desse gênero foi de grande importância para a música sacra
luterana.Segundo Grout e Palista, as suas estruturas poéticas conciliva as tendências
ortodoxas e pietistas numa mistura de elementos subjetivos e objetivos, formais e
motivos, e abangia elementos do passado, como o coral e o estilo concertato, e da ópero,
forma musical importante da época.
Segundo o Grove , a cantata sacra que incluía movimentos corais que variavam que
variavma de umas simples harmonia até estruturas complexas foi uma importante
característica da música luterana na Alemanha no começo do século XVIII.
Outra desenvolvimento fundamental foi que do baixo contínuo , utilizado em meados do
século XVII , expandiu-se à uma orquestra no século XVIII.
A missa - é um gênero musical sacro ligado aos rituais da igreja católica. É uma
obra para vozes que reproduz o texto ordinário da missa católica, em latim. Para Grout e
palisca (1988, p. 52) a missa é o serviço religioso mais importante da igreja católica. A
palavra Missa vem da frase que termina o sserviço: ite, missa est (Ide-vos, a ongregação
pode dispersar); o serviço é também conhecido noutras igrejas cristãs, pelos nomes de
eucaristia, liturgia , sagrada comunhão e ceia do senhor. O ato com que culmina a missa
é a comemoração ou celebração da última ceia através da oferta e consagração do pão e
do vinho e da partilha destes entre os fiés.
Em 1570 foi publicado pelo Papa Pio V um missal ( livro contendo os textos para
missa) ,refletindo as decisões do Concílio de Trente, e assim ficaram fixados os textos e
os ritos ( liturgia tridentina) até serem modificados pelo Concílio Vaticano II nos anos
60 do nosso século.
Segue uma tabela retirada do Grove on line contendo as partes da missa:
A Missa
Cantos próprios Cantos Ordinários Orações e leituras
FORE-MASS
Intróito
Kyrie
Gloria
Coleta
Epístola
Gradual
Alleluia
(Sequencia)
evangelho
Credo
MASS OF THE FAITHFUL
Ofertório
Prefácio
Sanctus
Oração eucarística
Pai Nosso
Agnus Dei
Comunhão
Após a comunhão
(Ite missa est)


Segundo o dicionário Oxford há uma definição de Bach para as partes fixas e suas
subdivisões :
(a) Kyrie eleison (Senhor, tende piedade), Christe eleison (Cristo tende piedade), Kyrie
eleison (Senhor tende piedade);
(b) Gloria in excelsis Deo (Glória a Deus nas alturas), Laudamus te (Nós o
louvamos),Gratias agimus tibi (Nós vos damos graças), Domine Deus (Senhor Deus),
Qui tollis peccata mundi (Que tira os pecados do mundo), Qui sedes ad dexteram
Patris(Que está sentado a mão direita do pai), Quoniam tu solus sanctus (Por sua imensa
Glória), Cum Sancto Spiritu (Com Espírito Santo);

(c) Credo in unum Deum (Creio em um Deus), Patrem omnipotentem (Pai todo
poderoso), Et in unum Dominum (e um só Senhor), Et incarnatus est (e foi encarnado),
Crucifixus (crucificado), Et resurrexit (e ressucitado), Et in Spiritum Sanctum (e creio
no Espírito Santo), Confiteor unum baptisma (I confesso um só batismo);

(d) Sanctus (Santo), Hosanna in excelsis (Hosanna nas alturas), Benedictus qui
venit(Bendito o que vem);

(e) Agnus Dei (o cordeiro de Deus), Dona nobis pacem (dai-nos a paz).


A ópera-Ópera (em italiano significa trabalho, em latim, plural de "opus", obra) é um
gênero artístico teatral que consiste em um drama encenado acompanhada de música, ou
seja, composição dramática em que se combinam música instrumental e canto, com
presença ou não de diálogo falado.
A ópera surgiu no início do séc. XVII, na Itália para definir as peças de teatro musical,
às quais se referia, com formulações universais como dramma per música (drama
musical) ou favola in música (fábula musical), espécie de diálogo falado ou declamado
acompanhado por uma orquestra.
Devido seu local de origem, a maior parte das óperas era encenada em latim ou italiano.
Suas origens remontam as tragédias gregas e cantos carnavalescos italianos do séc. XIV.
A primeira obra considerada uma ópera, data aproximadamente do ano 1594 em
Florença no final do Renascimento. Chamada Dafne (está atualmente desaparecida)
escrita por Jacopo Peri e Rinuccini. Em 1600 Peri compõe Eurídice, manuscrito que
sobriveveu até os dias atuais.
Mas é em Orfeu de Monteverdi que a ópera ganha traços mais definidos. Tomando por
modelo as óperas florentinas:
...Monteverdi, já então um compositor experiente de madrigais e música
sacra, utilizou nessa obra uma rica paleta de recursos vocais e instrumentais. O
recitativo ganha maior continuidade e maior amplitude através de uma cuidadosa
organização toanl e nos momentos chaves aintge um alto nível de lirismo.(Grout
e Palisca, 1988, p. 324)
O gênero se espalhou por toda Itália e demais países, e na segunda metade do século
XVII a principal era Veneza. Em Palisca, (1988, p.359) os compositores dessa nova
ária não ignoravam em absoluto os textos, mas consideravam-nos como um mero ponto
de partida; o que lhes interessava era, antes de mais, a contrução musical. Podemos
identificar aqui uma das características que contrastam tal gênero com os demais
gêneros vocais da época, já que nestes ,o texto exercia a figura principal.