You are on page 1of 7

A Indisciplina na sala de aula

Sheila Cristina de Almeida e Silva Machado
Primeiro dia de aula. Professor novo. Turma pouco afeita ao estudo. No caminho para seus
novos afazeres os corredores da escola não parecem nada animadores para o recém-chegado
professor. Na sala de aula todos os alunos estão de pé, circulando despreocupadamente, sem
qualquer tipo de compromisso com o trabalho que está apenas começando.
Querem falar de outros assuntos, mais próprios e interessantes em sua opinião para pessoas
que, como eles, estão em idade para freqüentar o Ensino Médio. Matemática não lhes parece
parte integrante dos conhecimentos que necessitam para sobreviver na selva que percebem
em seus cotidianos. Jaime, seu novo professor, mal consegue se apresentar, pois é
interrompido com menos de 10 minutos em sala de aula pelo acionamento do sinal que faz
com que todos os alunos saiam rapidamente da classe.
É apenas mais uma entre várias “brincadeiras” promovidas pelos alunos para interromper o
trabalho que está sendo desenvolvido. Numa outra aula, quando as primeiras páginas do
livro estavam sendo abertas no capítulo sobre frações e porcentagens, surgem dois novos
alunos, atrasados, que trazem consigo justificativas que lhes permitem permanecer na aula.
Nenhum dos dois tem os materiais apropriados e ainda desrespeitam o professor com gestos
obscenos. Ao ser interpelado pelo professor no final da aula um dos estudantes diz que não
tem qualquer interesse pelo que está sendo ensinado e, além disso, ameaça o professor.
Para desestabilizar ainda mais as aulas de matemática, os jovens amotinados passam a
assistir a aula tendo a seu lado outras pessoas que, como eles, não estão dispostos a estudar
e que, da mesma forma como os primeiros, querem ameaçar e boicotar os esforços de
Jaime. Para piorar ainda mais a situação, entre os outros membros do corpo docente a
descrença na capacidade dos estudantes também se faz notar.
Nas reuniões pedagógicas ou mesmo nos intervalos (na sala dos professores), fica claro para
o novo professor de matemática que entre seus colegas de trabalho não há nenhuma
perspectiva positiva quanto ao futuro de seus novos alunos. Nem mesmo entre os pais a
educação é vista como uma possibilidade de crescimento, de amadurecimento e de melhores
chances no futuro...
A seqüência de acontecimentos acima descrita poderia retratar fatos ocorridos em qualquer
escola do Brasil. Apresenta o que para muitos que trabalham com educação seriam situações
corriqueiras, do cotidiano de seu trabalho.
Trata-se, entretanto de um recorte feito a partir do filme “O Preço do Desafio” (Stand and
Deliver), do diretor Ramon Menendez, produzido pela Warner Bros em 1988 a partir da
história real de Jaime Escalante, um professor de matemática.
Quando nos referimos a Instituição Escolar, não podemos deixar de enfocar essa questão que
suscita muitas dúvidas a educadores, diretores, pais e até mesmo a alunos: a indisciplina.
- O que é uma classe indisciplinada?
- O que o professor pode fazer para ter controle perante situações de indisciplina?
No ambiente escolar em que trabalho, as principais queixas dos professores relativamente à
indisciplina são: falta de limite dos alunos, bagunça, tumulto, mau comportamento,
desinteresse e desrespeito às figuras de autoridade da escola e também ao patrimônio;
alguns professores apontam que os alunos não aprendem porque são indisciplinados em
decorrência da não imposição de limites por seus familiares; o fracasso escolar seria então o
resultado de problemas que estão fora da escola e que se manifestam dentro dela pela
indisciplina; de acordo com esses professores, nada pode ser feito enquanto a sociedade não
se modificar. Condutas como essas são também observadas em outras instituições
particulares e em escolas públicas. Podemos afirmar que no mundo atual a maioria das
escolas enfrenta estas questões, que perduram há anos, sofrendo obviamente alterações
históricas de acordo com as contingências sócio-culturais.

Atualmente a indisciplina tornou-se um “obstáculo” ao trabalho pedagógico e os professores
ficam desgastados, tentam várias alternativas, e já não sabendo o que fazer, chegam mesmo
em algumas oportunidades a pedir ao aluno indisciplinado que se retire da sala já que ele
atrapalha o rendimento do restante do grupo. Nesses casos, os alunos são encaminhados ao
Serviço de Orientação Educacional. Muitas vezes há pressões por parte dos professores para
que sejam aplicadas punições severas a esses estudantes.
- Como agir nessa situação? De que forma ajudar?
O que é uma Classe Indisciplinada?
Para iniciarmos uma reflexão sobre essas questões, vamos destacar o que significa a palavra
indisciplina a partir de algumas definições quanto ao termo.
Indisciplina – procedimento, ato ou dito contrário à disciplina; desobediência, desordem,
rebelião. (Dicionário Aurélio).
De acordo com o sociólogo francês François Dubet (1997), “a disciplina é conquistada todos
os dias, é preciso sempre lembrar as regras do jogo, cada vez é preciso reinteressá-los, cada
vez é preciso ameaçar, cada vez é preciso recompensar”. Isso nos coloca diante de um
antônimo de indisciplina, nos lembrando que o respeito às regras dentro de uma instituição é
de fundamental importância para o seu funcionamento pleno e que, conseqüentemente, a
indisciplina representa a ameaça pela desobediência às regras estabelecidas. Por isso Dubet
ressalta a necessidade dos professores relembrarem as regras e estimularem o seu
cumprimento no decorrer do ano letivo.
Segundo o professor Júlio Groppa Aquino: ”O conceito de indisciplina, como toda criação
cultural, não é estático, uniforme, nem tampouco universal. Ele se relaciona com o conjunto
de valores e expectativas que variam ao longo da história, entre as diferentes culturas e
numa mesma sociedade.”
Groppa ressalta que a manutenção da disciplina era uma preocupação de muitas épocas
como vemos em textos de Platão e nas confissões de Santo Agostinho, de como a sua vida
de professor era amargurada pela indisciplina dos jovens que perturbavam “a ordem
instituída para seu próprio bem”.
Diante dessa idéia de Júlio Groppa, não podemos deixar de lembrar da forma como as
escolas até os anos 1960, conseguiam fazer com que seus alunos se comportassem. A
disciplina era imposta de forma autoritária, com ameaças e castigos.
Os educandos temiam as punições e esse medo levava a obediência e a subordinação. Além
de submetidos a uma rigorosa fiscalização, não podiam se posicionar utilizando-se de
questionamentos e reflexões. Os professores eram considerados modelos e, em virtude do
conhecimento que possuíam, agiam como donos do saber.
“A educação se torna um ato de depositar, em que os educandos são os depositários e o
educador o depositante” (Freire, 1998) por isso passa a ser chamada de “educação
bancária”. Segundo a educadora Rosana Ap. Argento Ribeiro, “a educação bancária é
classificada também como domesticadora, porque leva o aluno a memorização dos conteúdos
transmitidos, impedindo o desenvolvimento da criatividade e sua participação ativa no
processo educativo, tornando-o submisso perante as ações opressoras de uma sociedade
excludente. O papel da disciplina na educação bancária é fundamental para o sucesso da
aprendizagem do aluno. Nela, a obediência e o silêncio dos alunos são aspectos importantes
para garantir que os conteúdos sejam transmitidos pelos professores”.
Atualmente, nos primeiros anos do século XXI, estamos vivendo num outro contexto.
Influenciados por mudanças políticas, sociais, econômicas e culturais, professores e alunos, e
mesmo a própria instituição escolar, assumem um papel diferente na sociedade. Nessa nova
realidade a educação bancária já não deveria ser aplicada dentro das escolas.
Acredita-se hoje que os professores devem estar mais preocupados com seu
aperfeiçoamento, permitindo que seus alunos questionem, tirem suas dúvidas, se
posicionem. Enquanto os alunos, por sua vez, têm mais acesso à informação, se consideram
livres para questionar, criar e participar. Outro aspecto importante quanto à educação no 3°
milênio refere-se ao fato de que a instituição escolar deveria estar mais aberta para a
participação dos pais e da comunidade em suas atividades e mesmo, nas propostas
curriculares.
François Dubet reforça a idéia de que “os professores mais eficientes são, em geral, aqueles
que acreditam que os alunos podem progredir, aqueles que têm confiança nos alunos. Os
mais eficientes são também os professores que vêem os alunos como eles são e não como
eles deveriam ser”.
Quanto às afirmações anteriores percebo em minha realidade que alguns professores se
mostram preocupados quanto a sua formação e prática profissional enquanto uma
quantidade expressiva ainda demonstra grande resistência à reflexão e ao aperfeiçoamento
do seu trabalho por se considerarem experientes e prontos para o exercício do magistério.
No que se refere aos estudantes é possível verificar que há um grande incentivo da família
quanto aos estudos e ao mesmo tempo há um maior acesso a recursos que facilitam e
promovem o processo de ensino-aprendizagem, como livros, computadores, internet,
revistas, jornais, filmes... Essa circunstância realmente os torna mais críticos, questionadores
e participativos. Porém, nem todos conseguem utilizar essas ferramentas de forma
consciente e produtiva.
Os pais, por sua vez, comparecem a escola para presenciar a apresentação de trabalhos
realizados por seus filhos apenas como observadores, sem posicionamentos mais efetivos e
críticos. Há, porém baixo índice de comparecimento nas reuniões solicitadas pela escola,
especialmente entre os pais cujos filhos freqüentam turmas da sexta série do ensino
fundamental ao ensino médio.
O que o professor pode fazer para ter controle perante situações de indisciplina?
Sabemos que para obter disciplina em qualquer ambiente em que vivemos não podemos
deixar de falar de respeito. Segundo Tardeli (2003), o tema respeito está centralizado na
moralidade. Isso quer dizer que cada pessoa tem, junto com sua vida intelectual, afetiva,
religiosa ou fantasiosa, uma vida moral. E o primeiro a atribuir um significado a moralização
e inserir no conceito de ética foi o filósofo Demócrito.
Sabemos que atualmente o papel do professor dentro da escola é muito mais abrangente,
pois ele precisa estar atento às capacidades cognitivas, físicas, afetivas, éticas e para
preparação do educando para o exercício de uma cidadania ativa e pensante.
Será que sabemos ouvir nossos alunos? O diálogo envolve o respeito em saber ouvir e
entender nossos alunos, mostrando a eles nossa preocupação com suas opiniões e com suas
atitudes e o nosso interesse em poder dar a assistência necessária ao aperfeiçoamento do
seu processo de aprendizagem.
É também compromisso do educador se preocupar com a disciplina e a responsabilidade de
seus alunos. Para Piaget (1996), “o respeito constitui o sentimento fundamental que
possibilita a aquisição das noções morais” .Conseguimos atingir a responsabilidade,
desenvolvendo a cooperação, a solidariedade, o comprometimento com o grupo, criando
contratos e regras claras e que precisarão ser cumpridas com justiça.
O professor passa a se preocupar com a motivação de seus alunos, tendo maior compromisso
com seu projeto pedagógico e as questões afetivas, obtendo dessa forma uma relação
verdadeira com seus educandos. Sob uma visão Piagetiana, o professor que na sala de aula
dialoga com seu aluno, busca decisões conjuntas por meio da cooperação, para que haja um
aprendizado através de contratos, que honra com sua palavra e promove relações de
reciprocidade, sendo respeitoso com seus alunos, obtendo dessa forma um melhor
aproveitamento escolar.
Segundo Tardeli (2003), “Só se estabelece um encontro significativo quando o mestre
incorpora o real sentido de sua função, que é orientar e ensinar o caminho para o
conhecimento, amparado pela relação de cooperação e respeito mútuos”.
Como agir nessa situação? De que forma ajudar?
Não podemos deixar de ter como foco em nosso trabalho o SER HUMANO. Precisamos
valorizar as pessoas. Uma frase de Walt Disney ilustra bem essa idéia: “Você pode sonhar,
criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo... Mas é necessário TER
PESSOAS para transformar seu sonho em realidade”. Estamos envolvidos com pessoas em
nosso dia a dia: alunos, professores, pais, coordenadores, orientadores e diretores e, por
isso, precisamos aprender a trabalhar em equipe para obter uma instituição forte,
competente e coesa. A qualidade é obtida através do esforço de todos os seus integrantes,
onde cada profissional é importante e cada aluno também. A escola é uma organização
humana em que as pessoas somam esforços para um propósito educativo comum.

25 MANEIRAS DE CONQUISTAR SEU ALUNO
De acordo com uma pesquisa, apenas um a cada quatro alunos do 6o. ano ao ensino médio
dizem que as suas escolas oferecem um ambiente acolhedor. Esta constatação é
surpreendente !!!
Como podemos inspirar os alunos a mostrar empatia uns pelos outros, se nós falhamos em
mostrar isso em nós.
Na verdade, nós nos importamos muito, porém nosso foco está centrado apenas no
desenvolvimento acadêmico e acabamos por ignorar os pequenos gestos que demonstram
carinho.
Interessante dizer que, o menor caminho para o sucesso acadêmico de muitos alunos é
através dos seus corações. Eles não se importam com quanto nós sabemos, o que eles
querem saber é o quanto nós nos importamos.
Aqui vão 25 dicas que, se praticadas diariamente, garantirão o seu nome no Hall da Fama
junto aos Alunos, Pais e Direção da Escola.
♥ Aprenda o nome dos seus alunos
♥ Lembre a data de aniversário deles
♥ Pergunte como eles estão e/ou como se sentem
♥ Olhe nos olhos quando conversar com eles
♥ Ria junto com eles
♥ Diga-lhes o quanto você gosta de estar com eles
♥ Encoraje-os a pensar grande
♥ Incentive-os a persistirem e celebre os resultados
♥ Compartilhe do entusiasmo deles
♥ Quando estiverem doentes envie uma carta ou um bilhete
♥ Ajude-os a tornarem-se experts em algo
♥ Elogie mais e critique menos
♥ Converse a respeito dos sonhos ou do que os afligem
♥ Respeite-os sempre
♥ Esteja sempre disponível para ouví-los
♥ Apareça nos eventos que eles realizarem
♥ Encontre interesses em comum
♥ Desculpe-se quando fizer algo errado
♥ Ouça a música favorita deles com eles
♥ Acene e sorria quando estiver longe
♥ Agradeça-os
♥ Deixe claro o que você gosta neles
♥ Recorte figuras, artigos de revistas que possam interessá-los
♥ Pegue-os fazendo algo certo e cumprimente-os por isso
♥ Dê-lhes sua atenção individual

Como Conquistar o Respeito de seus Alunos
Você não conseguirá o respeito de seus alunos de um momento para o outro. É algo que
deve ser conquistado e nem sempre é fácil. Mas criar um ambiente mutuamente respeitoso
entre os alunos e os professores proporciona um ambiente protetor no qual os alunos estarão
mais dispostos a fazer os seus melhores esforços. Isso também ajuda a manter a ordem na
sala de aula, para que o ambiente na sala de aula seja sempre propício ao aprendizado. Siga
essas etapas para conquistar o respeito de todos os seus alunos, em todo e cada ano escolar.
Conheça todos os seus alunos: você não tem de ser o melhor amigo deles. Na verdade, é
suposto você não ser o melhor amigo deles. Mas aprender sobre sua história pessoal, cultura,
situação familiar e interesses únicos irá ajudar você a relacionar-se com os seus alunos com
mais facilidade. Todos os dias tenha uma conversa breve de um para um com cada aluno
para verificar como eles estão. Pergunte a eles como passaram a noite. Pergunte a eles como
correu a manhã. É a pergunta curta e rápida "Como tudo está indo?", que mostra a um aluno
que você realmente se importa com ele.
Deixe seus alunos conhecer você: não deite cá para fora toda a sua roupa suja! Mas faça-
se humano! Você tem um cachorro que está sempre ficando em apuros em casa? Conte isso
para seus alunos! Eles amam saber que seu professor é REAL, e que faz coisas REAIS. Isso
ajuda seus alunos a se relacionarem com você. Você deseja especialmente contar histórias
sobre as coisas que vocês têm em comum. Os alunos amam saber que seu professor é
realmente um pouco como eles, em muitos sentidos!
Crie uma aula centrada no aluno: não existem ditaduras de sucesso! Deixe seus
estudantes ajudar no governo de sua sala de aula. No início do ano escolar, permita que seus
alunos ajudem a redigir as regras da sala de aula e as consequências adequadas. Você vai
ficar muito surpreendido com o que eles vão sugerir. Na maioria das vezes, eles conseguem
ser mais rígidos e estritos do que alguma vez você teria sido. Organize "Reuniões matinais"
diárias para debater as atividades da sala de aula com os seus alunos. Isso dá aos seus
alunos a chance de dar as opiniões deles. E os alunos que podem dar suas opiniões se
sentem mais poderosos, importantes e respeitados.
Respeite os outros e exija respeito em sua sala de aula: dê o exemplo! Se você quiser
ser respeitado, primeiro você tem de mostrar respeito pelos outros. Não levante a voz, não
grite ou use sarcasmos sem educação com os seus alunos. Isso faz com que eles se sintam
mal e, muito sinceramente, faz com que eles não gostem de você. Fique positivo! Seja
educado! Incentive, ao invés de desencorajar! Por todos os meios, mostre respeito pelos seus
alunos. E não permita que seus alunos sejam desrespeitosos uns com os outros, seja de que
modo for. Isso só vai adicionar negatividade na sua sala de aula.
Torne o aprendizado divertido: é muito mais fácil respeitar um docente que faz com que o
aprendizado seja divertido. Reduza suas tarefas de papel e lápis. Faça mais projetos. Dê aos
alunos alguma liberdade no aprendizado e deixe que eles incorporem a sua criatividade.
Integre a tecnologia em suas aulas. Os alunos estão mais sintonizados quando estão
motivados e animados com o que eles estão fazendo.
O respeito de seus alunos nem sempre será automático; o respeito é algo que deve ser
conquistado. No entanto, uma vez que você tenha conquistado o respeito de seus alunos,
você será capaz de manter a ordem na sua sala de aula e criar um ambiente enriquecedor no
qual os alunos estarão motivados para aprender.