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PONTOS DO EDITAL DPE/PR

7. O Direito e as instituições disciplinares segundo ic!el "oucault.
7.# Nor$a %ur&dica e nor$ali'aç(o disciplinar.
7.) As *unções da disciplina.
TÍTULO: VIGIAR E PUNIR – MICHEL FOUCAULT
O Li+ro , di+ido e$ -. partes
PRIMEIRA PARTE: SUPLÍCIO
I. O corpo dos condenados
O autor inicia a o/ra apresentando e0e$plos de supl&cio e de utili'aç(o do te$po.
Pri$eira$ente1 descre+e o supl&cio1 co$ o es2uarte%a$ento de Da$iens1 2ue *oi
condenado e$ -) de $arço de #7371 por parric&dio 4!o$ic&dio do pai51 sendo 2ue o
$es$o esta+a e$ u$a carroça1 de ca$isola1 carregando u$a toc!a de cera acesa1
depois ele *oi atena'ado 4*oi posto u$a esp,cie de ganc!o $et6lico1 o tena'5 nos
$a$ilos1 /raços1 co0as1 /arrigas das pernas e a $(o 4segurando a *aca utili'ada no
cri$e5 2uei$ada co$ *ogo de en0o*re e as partes atena'adas 2uei$adas co$ c!u$/o
derretido1 7leo *
er+ente1 pic!e e$ *ogo1 cera e en0o*re derretidos e por *i$1 seu corpo seria pu0ado e
des$e$/rado por 2uatro ca+alos1 depois os $e$/ros 2uei$ados1 redu'idos a cin'as e
as cin'as lançadas ao +ento. O autor descre+e ainda 2ue os ca+alos arrancara$ +6rias
+e'es1 se$ resultado1 ra'(o pela 2ual os carrascos cortara$ as co0as do condenado na
%unç(o co$ o tronco e os /raços at, 2uase os ossos para 2ue os ca+alos pudesse$
arrancar os $e$/ros e a sentença pudesse en*i$ ser e0ecutada.
8uanto 9 utili'aç(o do te$po1 o autor descre+e a rotina na :;asa dos %o+ens detentos
e$ Paris<1 co$ u$ trec!o do regula$ento redigido por L,on "auc!er1 escrito tr=s
d,cadas ap7s a e0ecuç(o de Da$iens1 sendo 2ue os %o+ens tin!a$ !or6rios certos para
acordar1 co$er1 *a'er a ca$a1 re'ar1 etc.
Assi$ o autor apresenta dois e0e$plos de punições1 o supl&cio e a utili'aç(o do te$po1
2ue n(o sanciona$ os $es$os cri$es1 ne$ pune$ os $es$os deli2uentes1 co$ $enos
de u$ s,culo de di*erença entre a$/os e descre+e u$a tend=ncia das re*or$as na
%ustiça penal> no+a teoria da lei e do cri$e1 supress(o de costu$es1 redaç(o de c7digos
$odernos1 onde os supl&cios desaparecera$.
As punições passara$ a ser $enos *&sicas1 o corpo dei0ou de ser al+o principal da
repress(o penal. No *i$ do s,culo ?@III e in&cio do s,culo ?I?1 inicia a supress(o do
espet6culo puniti+o 4a puniç(o dei0a de ser u$a cena51 a e0ecuç(o pA/lica passa a ser
+ista co$o u$a *ornal!a 2ue acende a +iol=ncia. A certe'a de 2ue +ai ser punido , o 2ue
de+e des+iar o !o$e$ do cri$e e n(o $ais o a/o$in6+el teatro. B a pr7pria condenaç(o
2ue $arcar6 o delin2Cente co$ u$ sinal negati+o. Por,$1 a e0ecuç(o da pena passa a
ser u$ setor autDno$o1 2ue passa a ser e0ecutada por outros 7rg(os1 desonerando a
%ustiça1 li/ertando os $agistrados da *a$a de :castigadores<. As pr6ticas puniti+as se
tornara$ cada +e' $ais pudicas1 atingindo o corpo o $&ni$o poss&+el. O corpo passa a
ser u$ instru$ento1 u$ inter$edi6rio. A intenç(o , pri+ar o indi+&duo de sua li/erdade
e n(o atingir o seu corpo direta$ente.
Segundo o autor1 o desapareci$ento dos supl&cios *oi u$ o/%eti+o $ais ou $enos
alcançado entre #EF- e #E.E1 por,$1 n(o c!egou ao *i$1 pois a pr6tica de tortura
continuou por $uito te$po e ainda continua no Siste$a Penal "ranc=s.
O autor critica o siste$a penitenci6rio1 pois1 e$ 2ue pese o supl&cio ten!a dei0ado de
ser o centro da puniç(o1 a pri+aç(o da li/erdade condu' a certos co$ple$entos
puniti+os 2ue incide$ so/re o corpo direta$ente1 co$o a reduç(o ali$entar1 a pri+aç(o
se0ual1 ou se%a1 ainda !6 u$ *undo :supliciante< en+ol+ido nessa penalidade dita co$o
incorporal.
Nos Alti$os s,culos !ou+e o a*rou0a$ento da se+eridade penal> $enos so*ri$ento1
$ais !u$anidade. Para os te7ricos1 a puniç(o passa a ser n(o contra o corpo1 $as contra
a al$a 4coraç(o1 intelecto1 +ontade5. Ainda1 !ou+e a su/stituiç(o dos o/%etos penais>
passouGse a punir outros cri$es1 o 2ue era tolerado e o 2ue era per$itido $odi*icouGse
$uito nos Alti$os anos. PassouGse a %ulgar1 al,$ dos o/%etos %ur&dicos de*inidos pelo
;7digo as pai0ões1 os instintos1 as ano$alias1 as en*er$idades1 as inadaptações1 os
e*eitos de $eio a$/iente ou de !ereditariedade. PassouGse a %ulgar o cri$inoso pelo 2ue
ele *a'1 pelo seu passado1 surgira$ as ano$alias ps&2uicas1 os c!a$ados :per+ertidos<1
2ue ser(o punidos por $edidas de segurança1 n(o para sancionar a in*raç(o1 $as para
controlar o indi+&duo1 neutrali'ar a sua periculosidade.
Desde a Idade ,dia %ulgar era esta/elecer a +erdade do cri$e1 seu autor e aplicarGl!e
u$a sanç(o legal. H6 no no+o siste$a penal 4o de*inido pelos grandes c7digos dos
s,culos ?@III e ?I?51 !6 u$ con%unto de %ulga$entos apreciati+os1 co$o estado de
consci=ncia do indi+&duo1 as atenuantes. Io%e o $agistrado ou %urado n(o %ulga $ais
so'in!o1 e0iste$ peritos1 psi2uiatras1 educadores1 ou se%a1 %u&'es ane0os1 2ue partil!a$
o direito de %ulgar.
Posterior$ente1 o autor de*ine o o/%eto principal da presente o/ra> :uma história
correati!a da ama moderna e de um no!o poder de "u#ar$ uma #eneao#ia do atua
compe%o cient&'ico("udici)rio onde o poder de punir se apóia$ rece*e suas "usti'ica+,es
e suas re#ras$ estende seus e'eitos e mascara sua e%or*itante sin#uaridade.-
Para tanto1 o presente estudo segue 2uatro regras gerais>
#5 N(o centrar o estudo dos $ecanis$os puniti+os unica$ente nos seus e*eitos
repressi+os 4sanç(o51 $as ta$/,$ nos e*eitos positi+os1 ou se%a1 tornar a puniç(o u$a
*unç(o social co$ple0aJ
)5 Analisar os $,todos puniti+os n(o co$o si$ples conse2u=ncias de regras de direito
ou co$o indicadores de estruturas sociaisJ $as co$o t,cnicas 2ue te$ sua
especi*icidade no ca$po $ais geral dos outros processos de poder. Adotar e$ relaç(o
aos castigos a perspecti+a da t6tica pol&tica.
F5 E$ lugar de tratar a !ist7ria do direito penal e a das ci=ncias !u$anas co$o duas
s,ries separadas1 +eri*icar se n(o !6 u$a $atri' co$u$ e se as duas n(o se origina$ de
u$ processo de *or$aç(oo Kepiste$ologicoG%uridicoKJ e$ resu$o1 colocar a tecnologia
do poder no princ&pio tanto da !u$ani'aç(o da penalidade 2uanto do con!eci$ento do
!o$e$.
.5 @eri*icar se esta entrada da al$a no palco da %ustiça penal1 n(o , o e*eito de u$a
trans*or$aç(o na $aneira co$o o pr7prio corpo , in+estido pelas relações de poder.
E$ su$a1 o li+ro procura estudar a $eta$or*ose dos $,todos puniti+os a partir de u$a
tecnologia pol&tica do corpo onde se poderia ler u$a !ist7ria co$u$ das relações de
poder e das relações de o/%eto.
Rusc!e e Lirc!!i$er esta/elecera$ a relaç(o entre os +6rios regi$es puniti+os e os
siste$as de produç(o e$ 2ue se e*etua$> assi$1 nu$a econo$ia ser+il1 os $ecanis$os
puniti+os teria$ co$o papel tra'er $(oGdeGo/ra suple$entar M e constituir u$a
escra+id(o :ci+il< ao lado da 2ue , *ornecida pelas guerras ou pelo co$,rcioJ co$ o
*eudalis$o1 e nu$a ,poca e$ 2ue a $oeda e a produç(o est(o pouco desen+ol+idas
assistir&a$os a u$ /rusco cresci$ento dos castigos corporais M sendo o corpo na $aior
parte dos casos o Anico /e$ acess&+el.
es$o 2uando utili'a$os $,todos sua+es de trancar ou corrigir1 , se$pre do corpo 2ue
se trata M do corpo e de suas *orças1 da utilidade e da docilidade delas1 de sua repartiç(o
e de sua su/$iss(o.
O corpo ta$/,$ est6 direta$ente $ergul!ado nu$ ca$po pol&tico e econD$icoJ as
relações de poder t=$ alcance i$ediato so/re eleJ elas o in+este$1 o $arca$1 o dirige$1
o suplicia$1 su%eita$Gno a tra/al!os1 o/riga$Gno a ceri$Dnias1 e0ige$Gl!e sinais. Sua
constituiç(o co$o *orça de tra/al!o s7 , poss&+el se ele est6 preso nu$ siste$a de
su%eiç(oJ o corpo s7 se torna *orça Atil se , ao $es$o te$po corpo produti+o e corpo
su/$isso.
N(o , a ati+idade do su%eito de con!eci$ento 2ue produ'iria u$ sa/er1 Atil ou arredio
ao poder1 $as o poderGsa/er1 os processos e as lutas 2ue o atra+essa$ e 2ue o
constitue$1 2ue deter$ina$ as *or$as e os ca$pos poss&+eis do con!eci$ento.
Ter&a$os o c!a$ado :corpo pol&tico< M con%unto de ele$entos $ateriais e das t,cnicas
2ue ser+e$ de ar$as1 de re*orço1 de +ias de co$unicaç(o para as relações de poder e de
sa/er 2ue in+este$ os corpos !u$anos e os su/$ete$ *a'endo deles o/%eto de sa/er.
LantoroNit' analisou o corpo do rei> corpo duplo de acordo co$ a teologia %ur&dica
*or$ada na Idade ,dia1 pois co$porta al,$ do ele$ento transit7rio 2ue nasce e $orre
u$ outro 2ue per$anece atra+,s do te$po e se $ant,$ co$o *unda$ento *&sico1 $as
intang&+el do reinoJ e$ torno dessa dualidade 2ue este+e1 e$ sua orige$1 pr70i$a do
$odelo cristoGl7gico1 organi'a$Gse u$a iconogra*ia1 u$a teoria pol&tica da $onar2uia1
$ecanis$os %ur&dicos 2ue ao $es$o te$po distingue$ e liga$ a pessoa do rei e as
e0ig=ncias da coroa1 e todo u$ ritual 2ue encontra na coroaç(o1 nos *unerais1 nas
ceri$Dnias de su/$iss(o1 seus te$pos $ais *ortes. No p7lo oposto estaria o corpo do
condenado1 2ue ta$/,$ possui seu estatuo %ur&dico1 recla$a seu ceri$onial1 para
codi*icar o :$enos poder< 2ue $arca os 2ue s(o su/$etidos a u$a puniç(o. O
condenado seria a *igura si$,trica e in+ertida do rei.
O poder e0cedente e0ercido so/re o corpo do condenado pro+oca ta$/,$ o poder so/re
a :al$a<. A al$a , u$a realidade e so/re ela , e0ercida u$ poder1 principal$ente so/re
a al$a dos 2ue s(o punidos1 +igiados1 corrigidos1 so/re os loucos1 as crianças1 os
coloni'ados. A al$a , o ele$ento onde se articula$ os e*eitos de u$ certo tipo de poder
e a re*er=ncia de u$ sa/er> a al$a1 pris(o do corpo.
Nos Alti$os anos !ou+e re+oltas e$ di+ersas prisões do $undo1 tanto nas insalu/res
2uanto nas prisões $odelos. S(o re+oltas contra o pr7prio corpo da pris(o1 do poder
so/re o corpo e so/re a al$a.
II. A ostenta+.o dos sup&cios
A ordenaç(o de #O7- regeu1 at, 9 Re+oluç(o1 as *or$as gerais da pr6tica penal. Eis a
!ierar2uia dos castigos por ela descritos> A $orte1 a 2uest(o co$ reser+a de pro+as1 as
galeras1 o açoite1 a con*iss(o pA/lica1 o /ani$ento. Ia+ia ta$/,$ penas $ais le+es1 n(o
pre+istas na ordenaç(o1 co$o satis*aç(o 9 pessoa o*endida1 ad$oestaç(o1 pris(o
te$por6ria1 penas pecuni6rias1 etc.
Por,$1 2ual2uer pena $ais s,ria de+ia incluir algu$a coisa de supl&cio M de*inida co$o
pena corporal1 dolorosa1 $ais ou $enos atro'. P$a pena1 para ser u$ supl&cio1 precisa
produ'ir u$a certa 2uantidade de so*ri$ento1 sendo 2ue !6 u$ c7digo %ur&dico da dor> a
intensidade1 a 2ualidade1 o te$po de so*ri$ento dependia da gra+idade do cri$e1 da
pessoa do cri$inoso e do n&+el social da +&ti$a. A pena era calculdada de *or$a
detal!ada> nA$ero de golpes1 locali'aç(o1 etc.
Al,$ disso1 o supl&cio *a'ia parte de u$ ritual1 de+eria ser ostentoso1 constatado por
todos e ser $arcante para a +&ti$a. B u$a produç(o di*erenciada de so*ri$entos1 u$
ritual organi'ado para a $arcaç(o das +&ti$as e a $ani*estaç(o do poder 2ue pune.
De acordo co$ a ordenaç(o de #O7- e na $aioria dos pa&ses europeus 4co$ e0ceç(o da
Inglaterra5 todo o processo cri$inal at, a sentença era secreto1 inclusi+e para o pr7prio
acusado. /0iante da "usti+a do so*erano$ todas as !o1es de!em(se caar.- AQrault
supun!a 2ue isto se da+a por $edo dos tu$ultos1 da desorde$1 o rei 2ueria $ostrar 2ue
a *orça so/erana de punir n(o pertencia 9 $ultid(o.
Por,$1 apesar do segredo1 !a+ia regras para se /uscar a +erdade> a di*erenciaç(o entre
as pro+as1 as pro+as plenas 42ue n(o per$ite$ du+idar so/re a +erdade dos *atos5J as
pro+as se$iplenas 4ind&cios5. As pro+as plenas poderia$ acarretar 2ual2uer
condenaç(o1 %6 as se$iplenas nunca poderia$ condenar 9 $orte. Al,$ disso1 duas
pro+as se$iplenas poderia$ *a'er u$a pro+a co$pleta.
Neste tipo de processo in2uisotorial1 a con*iss(o era e0tra$ente i$portante. Ela
gan!a+a de 2ual2uer pro+a1 $as n(o poderia +ir so'in!a1 precisa+a estar aco$pan!ada
de ind&cios ane0os1 presunções.
Ainda1 a con*iss(o precisa+a ser espontRnea e *or$ulada perante u$ tri/unal
co$petente. Essa dupla a$/igCidade da con*iss(o 4ele$ento de pro+a e contrapartida da
in*or$aç(oJ e*eito de coaç(o e transaç(o se$i+olunt6ria5 e0plica os dois grandes $eios
2ue o direito cri$inal cl6ssico utili'a para o/t=Gla> o %ura$ento 2ue se pede ao acusado
antes do interrogat7rioJ a tortura.
O interrogat7rio , u$ $eio perigoso de c!egar ao con!eci$ento da +erdade. Por isso1
os %u&'es n(o de+e$ recorrer a ele se$ re*letir. I6 culpados 2ue consegue$ esconder
u$ cri$e +erdadeiro e inocentes a 2ue$ a *orça dos tero$entos *a' con*essar cri$es
2ue n(o era$ culpados. O interrogat7rio pode passar a ser u$ supl&cio da +erdade.
A tortura , u$ %ogo %udici6rio estrito. O acusado , su/$etido a u$a s,rie de pro+as1 2ue
ele gan!a aguentando ou perde con*essando. Se o condenado gan!ar1 o %ui' , o/rigado a
a/andonar as acusações1 perdendo as pro+as %6 recol!idas. Ade$ais1 a tortura1 al,$ de
u$ ato de instruç(o1 era u$ ele$ento de puniç(o.
;o$ a e0ecuç(o da pena1 os rituais atra+,s do corpo continua+a$1 co$ as e0ecuções
pA/licas1 2ue tin!a$ +6rios aspectos> #5 "a'er e$ pri$eiro lugar do culpado o arauto de
sua pr7pria condenaç(oJ )5 Prosseguir u$a +e' $ais a cena da con*iss(o. O Tri/unal
podia decidir1 $es$o depois da condenaç(o1 u$a no+a tortura para arrancar o no$e de
cA$plicesJ F5 Prender o supl&cio no pr7prio cri$e1 reproduç(o 2uase teatral na e0ecuç(o
do culpado> e0ecuç(o no pr7prio local onde o cri$e *ora co$etidoJ .5 En*i$1 a lentid(o
do supl&cio1 suas perip,cias1 os gritos e o so*ri$ento do condenado t=$1 ao ter$o do
ritual %udici6rio1 o papel de u$a derradeira pro+a.
O ciclo est6 *ec!ado> da tortura 9 e0ecuç(o1 o corpo produ'iu e reprodu'iu a +erdade do
cri$e. Ou $el!or1 ele constitui o ele$ento 2ue1 atra+,s de todo u$ %ogo de rituais e de
pro+as1 con*essa 2ue o cri$e aconteceu1 2ue ele $es$o o co$eteu1 $ostra 2ue o le+a
inscrito e$ si e so/re si1 suporta a operaç(o do castigo e $ani*esta seus e*eitos da
$aneira $ais ostensi+a.
O supl&cio %udici6rio de+e ser co$preendido ta$/,$ co$o u$ ritual pol&tico. O cri$e1
al,$ da +&ti$a i$ediata1 ataca o so/erano1 pois a lei +ale co$o +ontade do so/erano. O
e0erc&cio do poder so/erano na puniç(o dos cri$es , se$ dA+ida u$a das partes
essenciais na ad$inistraç(o da %usitça. O supl&cio passa ent(o a ter u$a *unç(o %ur&dicoG
pol&tica> reconstruir a so/erania lesada por u$ instante.
As penas necess6rias s(o as se+eras1 por2ue o e0e$plo de+e *icar pro*unda$ente
$arcado nos corações dos !o$ens. O supl&cio n(o resta/elecia a %ustiça1 $as reati+a+a
o poder.
A e0ecuç(o pA/lica te$ duas *aces> u$a de +it7ria1 outra de luta. O supl&cio se reali'a
nu$ grandioso ceri$onial de triun*o do so/erano. O e0ecutor n(o , si$ples$ente
a2uele 2ue aplica a lei1 $as o 2ue , e0i/e a *orça. Por isso1 se o carrasco *al!asse1 ele
seria punido.
O supl&cio rituali'ado no s,culo ?@III pode ser conce/ido co$o u$ agente pol&tico. Ele
entra logica$ente nu$ siste$a puniti+o1 e$ 2ue o so/erano1 de $aneira direta ou
indireta1 e0ige1 resol+e e $anda e0ecutar os castigos1 na $edida e$ 2ue1 atra+,s da lei1
, atingido pelo cri$e.
Para Rusc!e e Lirc!!ei$er1 o corpo !u$ano n(o tin!a tanto +alor co$o teria e$ u$a
socieade do tipo industrial. As de+astações da doença e da *o$e1 as epide$ias e a
$ortalidade in*antil acentuada torna+a a $orte *a$iliar e pro+oca+a e$ torno dela
rituais para integr6Gla1 torn6Gla aceit6+el e dar sentido a sua agress(o per$anente.
Para e0plicar o e$prego do supl&cio co$o penalidade1 n(o *alta$ ra'ões gerais e de
algu$ $odo e0ternas1 2ue esclarece$ a possi/ilidade e a longa persist=ncia das penas
*&sicas1 a *ra2ue'a e o car6ter /astante isolado dos protestos *eitos. as1 so/re esse
*undo1 , preciso *a'er aparecer sua *unç(o precisa. O supl&cio se inseriu t(o *orte$ente
na pr6tica %udicial1 por2ue , re+elador da +erdade e agente do poder.
O ilu$inis$o logo !6 de des2uali*icar os supl&cios repro+andoGl!es a KatrocidadeK.
Ter$o pelo 2ual os supl&cios era$ $uitas +e'es caracteri'ados se$ intenç(o cr&tica
pelos pr7prios %uristas. Tal+e' a noç(o de KatrocidadeK se%a u$a das 2ue $el!or
designa$ a econo$ia do supl&cio na antiga pr6tica penal. A atrocidade 2ue paira so/re o
supl&cio dese$pen!a portanto u$ duplo papel> sendo princ&pio da co$unicaç(o do
cri$e co$ a pena1 ela , por outro lado a e0asperaç(o do castigo e$ relaç(o ao cri$e.
Reali'a ao $es$o te$po a ostentaç(o da +erdade e do poderJ , o ritual do in2u,rito
2ue ter$ina e da ceri$Dnia onde triun*a o so/erano.
O erro e a conse2uente puniç(o1 so/ a *or$a de atrocidade1 n(o era conse2u=ncia de
u$a lei do tali(o o/scura$ente ad$itida1 $as si$1 o e*eito1 nos ritos puniti+os1 do
poder. Este poder *a' +aler as regras e as o/rigações e sua o*ensa e0ige a +ingança. A
deso/edi=ncia , considerada ato de !ostilidade.
Nas ceri$onias do supl&cio1 o personage$ principal , o po+o1 cu%a presença real e
i$ediata , re2uerida para sua reali'aç(o. P$ supl&cio secreto n(o teria sentido1
procura+aGse dar o e0e$plo1 suscitar a consci=ncia de 2ue a $enor in*raç(o corria s,rio
risco de puniç(o e pro+ocando terror. Nessa cena de terror o papel do po+o , a$/&guo>
ele , c!a$ado co$o e0pectador para 2ue ten!a $edo e para 2ue se%a teste$un!a da
puniç(o.
Algu$as +e'es o po+o pode recusar o poder puniti+o1 se re+oltando e i$pedindo u$a
e0ecuç(o 2ue considera in%usta. Os cri$inosos s(o trans*or$ados e$ !er7is e o supl&cio
, interro$pido. Ocorria contra penas e0cessi+a$ente pesadas para delitos le+es ou
contra castigos 2ue punia$ certas in*rações ligadas a condiç(o social 4o *urto do$,stico
M do criado contra o patr(o G era punido co$ a pena de $orte5.
No s,culo ?@III recorda$Gse os grandes casos %udiciais e$ 2ue a opini(o das pessoas
esclarecidas inter+e$ %unto co$ a dos *il7so*os e certos $agistrados. Assi$1 os casos de
re+olta popular contra os supl&cios 2ue antes era$ isoladas1 e$ certos /airros ou
cidades1 passara$ a ter real i$portRncia e se propagara$.
A inter+enç(o popular na aç(o do supl&cio1 co$ a de*esa dos 2ue so*ria$ a pena> dos
pe2uenos delin2uentes1 +aga/undos1 $endigos1 po/res ocasionou a ruptura da
solidariedade e a resist=ncia contra os policiais e inspetores. As e0ecuções1 no *i$ das
contas1 nao $ais assusta+a$ o po+o.
;o$ os supl&cios1 !a+ia o :discurso de cada*also<1 u$ rito da e0ecuç(o 2ue o
condenado procla$a+a a sua culpa. A %ustiça e0igia esses ap7cri*os para %usti*icar suas
condenações. Ocorre 2ue1 os e*eitos dessa literatura *ora$ incon+enientes> alguns
condenados1 ap7s a sua $orte1 por recon!ecera$ seus cri$es e aceitare$ o +eredicto1
pedindo perd(o a Deus e aos !o$ens1 era$ puri*icados1 se torna+a$ u$a esp,cie de
santo.
Assi$1 os re*or$adores do siste$a penal logo pedira$ a supress(o desses *ol!etins. A
literatura policial se $odi*icou e passouGse da e0posiç(o dos *atos ou da con*iss(o ao
lento processo da desco/ertaJ do $o$ento do supl&cio a *ase do in2u,ritoJ do con*ronto
*&sico co$ o poder a luta intelectual entre o cri$inoso e o in2uisidor. N(o s(o
si$ples$ente os *ol!etins 2ue desaparece$ ao nascer a literatura policialJ e a gl7ria do
$al*eitor rAstico1 e e a so$/ria !eroici'aç(o pelo suplic&o. Nesse no+o g=nero1 n(o !6
$ais !er7is populares ou grandes e0ecuçõesJ os cri$inosos s(o $aus e inteligentes e !6
puniç(o se$ so*ri$ento. S(o os %ornais 2ue trar(o 9 lu' os cri$es e as ocorr=ncias
di6rias1 se$ a epop,ia dos delitos e punições. Esta *eita a di+is(o> 2ue o po+o se despo%e
do antigo orgul!o de seus cri$es> os grandes assassinatos se tornara$ o %ogo silencioso
dos s6/ios.
SE2U30A PARTE: PU3I45O
I. A Puni+.o 2enerai1ada.
Na $etade do s,culo ?@III1 o supl&cio tornouGse intoler6+el1 surgindo protestos
generali'ados contra tal *or$a de puniç(o1 !a%a +ista a necessidade de punir de outro
$odo 2ue n(o e0cedesse o e0erc&cio leg&ti$o de poder se tornando tirania1 considerando
ser :preciso 2ue a %ustiça cri$inal puna e$ +e' de se +ingar< 4p6g. OF5
Esse i$perati+o de u$ castigo se$ supl&cio pondera 2ue se de+e respeitar a condiç(o de
!u$anidade do cri$inoso 4da2uele a 2ue se pune51 e de torn6Glo :o al+o da inter+enç(o
penal1 o o/%eto 2ue ela pretende corrigir e trans*or$ar< 4p6g. O.51 assi$ o !o$e$
cri$inoso1 ou se%a1 a sua condiç(o de !u$anidade1 , posto co$o o/%eç(o 9 /ar/6rie dos
supl&cios1 :co$o li$ite de direito1 co$o *ronteira leg&ti$a do poder de punir. 3oi me
tan#ere1 $arca o ponto de parada i$posto 9 +ingança do So/erano<< 4p6g.O.5
De $odo 2ue esse :!o$e$Gli$ite< se tornou a grande %usti*icaç(o $oral do $o+i$ento
de re*or$a1 deno$inado a ,poca das Lu'es1 tendo e$ +ista 2ue tal $o+i$ento propun!a
2ue os castigos *osse$ !u$anos.Na rei+indicaç(o de u$a penalidade $ais sua+i'ada
considera+a dois ele$entos co$o principais> :$edida< e :!u$anidade<1 propondo
resol+er a crise na econo$ia dos castigos atra+,s da :lei *unda$ental de 2ue o castigo
de+e ter a :!u$anidade< co$o :$edida<.
Tal proposiç(o se deu nu$ conte0to !ist7rico de grandes :re*or$adores< do S,c. ?@III1
co$o Seccaria1 Se+an1 DupatQ1 dentre outros1 considerando "OP;APLT1 2ue desde o
*i$ do S,c. ?@II1 %6 se nota+a u$a di$inuiç(o consider6+el de cri$es de sangue e de
u$ $odo geral das agressões *&sicas e a di'i$aç(o dos grandes /andos de $al*eitores1
para pe2uenas ações de grupos $enores 2ue pratica+a$ cri$es para su/sist=ncia e de
*raude1 considerando assi$ 2ue !ou+e u$a sua+i'aç(o dos cri$es antes da sua+i'aç(o
das leis1 u$a +e' 2ue !ou+e u$ des+io do /e$ %ur&dico +isado pelos /andidos 4n(o
$ais tanto os corpos1 $as si$ os /ens5 e da cri$inalidade de $assa para outra de
/ordas e $argens. Parte dessas $udanças e da ideias de re*or$a se dera$ ta$/,$
dentro do conte0to de trans*or$aç(o da :econo$ia das ilegalidades 2ue se reestruturou
co$ o desen+ol+i$ento da sociedade capitalista. A ilegalidade dos /ens *oi separada da
ilegalidade dos direitos<.
E$ ra'(o1 o +erdadeiro o/%eti+o da re*or$a segundo "OP;APLT1 era des*a'er a
:dis*unç(o do poder 2ue pro+,$ de u$ e0cesso central> o 2ue se poderia c!a$ar de
:superpoder< $on6r2uico 2ue identi*ica o direito de punir co$ o poder pessoal do
so/erano<. No entanto1 a intenç(o da re*or$a n(o era :tanto *undar u$ no+o direito de
punir1 a partir de princ&pios $ais e2uitati+os<1 a $6 econo$ia do poder e n(o tanto a
*ra2ue'a ou a crueldade , o 2ue ressalta da cr&tica dos re*or$adores. Assi$ o o/%eti+o
dos re*or$adores era antes de tudo :esta/elecer u$a no+a :econo$ia< do poder de
castigar1 assegurar a $el!or distri/uiç(o deste poder1 *a'endo 2ue n(o *icasse
concentrado de$ais e$ alguns pontos pri+ilegiados1 ne$ partil!ado de$ais entre
instRncias 2ue se opõe$<.
De $odo 2ue re*or$a do direito cri$inal de+e ser lida co$o u$a estrat,gia para o
re$ane%a$ento do poder de punir1 4...51 2ue au$ente$ os e*eitos di$inuindo o custo
econD$ico e seu custo pol&tico 4dissociandoGo do ar/itr6rio do poder $on6r2uico5. A
no+a teoria %ur&dica da penalidade englo/a na realidade u$a no+a :econo$ia pol&tica<
do poder de punir.
"ora$ legistas 2ue ideara$ os princ&pios gerais da re*or$a> u$ poder de %ulgar so/re o
2ual n(o pesasse o e0erc&cio i$ediato da so/erania do pr&ncipeJ 2ue *osse independente
da pretens(o de legislarJ 2ue n(o ti+esse ligaç(o co$ as relações de propriedadeJ e 2ue1
tendo apenas as *unções de %ulgar1 e0erceria plena$ente esse poder.
:Durante todo o s,culo ?@III1 dentro e *ora do siste$a %udici6rio1 na pr6tica penal
cotidiana co$o na cr&tica das instituições1 +e$os *or$arGse u$a no+a estrat,gia para o
e0erc&cio do poder de castigar. E a :re*or$a< propria$ente dita1 tal co$o ela se *or$ula
nas teorias de direito ou 2ue se es2ue$ati'a nos pro%etos1 , a reto$ada pol&tica ou
*ilos7*ica dessa estrat,gia1 co$ seus o/%eti+os pri$eiros> *a'er da puniç(o e da
repress(o das ilegalidades u$a *unç(o regular1 coe0tensi+a 9 sociedadeJ n(o punir
$enos1 $as punir $el!orJ punir tal+e' co$ u$a se+eridade atenuada1 $as para punir
co$ $ais uni+ersalidade e necessidadeJ inserir $ais pro*unda$ente no corpo social o
poder de punir<. 4p6gs. OT e 7-5
E$ su$a1 a re*or$a penal nasceu no ponto de %unç(o entre a luta contra o superpoder
do so/erano e a luta contra o in*rapoder das ilegalidades con2uistadas e toleradas. Da&
se co$preende 2ue a cr&tica do supl&cio ten!a tido tanta i$portRncia1 pois era u$a
*igura onde se unia$1 de $odo +is&+el1 o poder ili$itado do so/erano e a ilegalidade
se$pre desperta do po+o. Assi$ a ideia de !u$anidade das penas , a regra 2ue se d6 a
u$ regi$e de punições 2ue de+e *i0ar li$ites a u$ e 9 outra.
No entanto a re*or$a se esta/eleceu $uito $ais co$o estrat,gia do poder de punir do
2ue co$o teoria penal1 isso por2ue de acordo co$ "OP;APLT> :aparente$ente1 a
no+a legislaç(o cri$inal se caracteri'a por u$a sua+i'aç(o das penas1 u$a codi*icaç(o
$ais n&tida1 u$a consider6+el di$inuiç(o do ar/itr6rio1 u$ consenso $ais /e$
esta/elecido a respeito do poder de punir 4na *alta de u$a partil!a $ais real de seu
e0erc&cio51 ela , apoiada /asica$ente por u$a pro*unda alteraç(o na econo$ia
tradicional das ilegalidades e u$a rigorosa coerç(o para $anter seu no+o a%usta$ento<.
Assi$1 as ra'ões de ser essenciais da re*or$a penal no S,c. ?@III1 s(o :encontrar no+as
t,cnicas 9s 2uais a%ustar as punições e cu%os e*eitos adaptar. ;olocar no+os princ&pios
para regulari'ar1 a*inar1 uni+ersali'ar a arte de castigar. Di$inuir seu custo econD$ico e
pol&tico au$entando sua e*ic6cia e $ultiplicando seus circuitos. E$ resu$o1 constituir
u$a no+a econo$ia e u$a no+a tecnologia do poder de punir<.
Ao n&+el dos princ&pios1 essa no+a estrat,gia , *acil$ente *or$ulada na teoria geral do
contrato. E*eti+a$ente a in*raç(o lança o indi+&duo contra todo o corpo social. O direito
de punir , deslocado ent(o da +ingança do so/erano 9 de*esa da sociedade. Assi$
a2uele 2ue co$ete u$ cri$e , considerado agora n(o $ais ini$igo do Rei1 $as ini$igo
da sociedade 2ue ir6 /aniGlo de seu con+&+io e ter6 o direito de se le+antar e$ peso
contra ele para puniGlo1 surgindo assi$ a necessidade de colocar u$ princ&pio de
$oderaç(o ao poder do castigo1 sendo este li$ite encontrado na ra'(o de aplicaç(o de
punições :!u$anas<1 n(o por considerar u$a !u$anidade pro*unda 2ue o cri$inoso
possa esconder e$ si1 $as por considerar a necessidade do controle dos e*eitos desse
poder. Deter$inado 2ue essa racionalidade :econD$ica< , 2ue de+e $edir a pena e
prescre+er as t,cnicas a%ustadas. Assi$1 :Iu$anidade< , o no$e respeitoso dado a essa
econo$ia e a seus c6lculos $inuciosos. E$ $at,ria de pena o $&ni$o , ordenado pela
!u$anidade e aconsel!ado pela pol&tica.
;ontudo "oucault 2uestiona co$o e co$ 2ue $edida u$ cri$e de+eria ser punido1
ent(oU E 2ue utilidade poderia ter seu castigo na econo$ia do poder de punirU E
responde a*ir$ando 2ue :se dei0ar$os de lado o dano propria$ente $aterial V 2ue
e$/ora irrepar6+el co$o nu$ assassinato , de pouca e0tens(o na escala de u$a
sociedade inteira V o pre%u&'o 2ue u$ cri$e tra' ao corpo social , a desorde$ 2ue
introdu' nele. Assi$ para ser Atil1 o castigo de+e ter co$o o/%eti+o as conse2C=ncias do
cri$e1 entendidas co$o a s,rie de desordens 2ue este , capa' de a/rir<. A proporç(o
entre a pena e a 2ualidade do delito , deter$inada pela in*lu=ncia 2ue o pacto +iolado
te$ so/re a orde$ social. Ora1 essa in*lu=ncia de u$ cri$e n(o est6 *orçosa$ente e$
proporç(o direta co$ sua atrocidadeJ u$ cri$e 2ue apa+ora a consci=ncia te$ $uitas
+e'es u$ e*eito $enor 2ue u$ delito 2ue todo $undo tolera e se sente capa' de i$itar
por sua conta. Raridade dos grandes cri$esJ perigo1 e$ co$pensaç(o1 dos pe2uenos
delitos *a$iliares 2ue se $ultiplica$. Nesse conte0to seria $ais i$portante calcular
u$a pena e$ *unç(o n(o do cri$e1 $as de sua poss&+el repetiç(o<.
A *unç(o $ais i$portante da puniç(o , pre+enir1 e essa , %usta$ente a %usti*icati+a do
direito de punir. A di*erença , 2ue a pre+enç(o tornarGse agora o princ&pio de sua
econo$ia1 e a $edida de suas %ustas proporções. :B preciso punir e0ata$ente o
su*iciente para i$pedir<. 4P6g. 7T5.
Nu$a penalidade de supl&cio1 o e0e$plo era a r,plica do cri$eJ !a+ia nesta t,cnica a
intenç(o de $ostr6Glo e $ostrar ao $es$o te$po o poder so/erano 2ue o do$ina+a. H6
nu$a penalidade calculada pelos seus pr7prios e*eitos1 o e0e$plo de+eGse re*erir ao
cri$e e indicar a inter+enç(o do poder1 $as de $aneira discreta e co$ a $60i$a
econo$ia1 e no caso ideal i$pedir 2ual2uer reapareci$ento posterior de u$ 4do cri$e5
e outro 4necessidade de inter+enç(o do poder5.
De $odo 2ue :o e0e$plo n(o , $ais u$ ritual 2ue $ani*esta1 , u$ sinal 2ue cria
o/st6culo. Atra+,s dessa t,cnica dos sinais puniti+os1 2ue tende a in+erter todo o ca$po
te$poral da aç(o penal1 os re*or$adores pensa$ dar ao poder de punir u$ instru$ento
econD$ico1 e*ica'1 generali'6+el por todo o corpo social1 2ue possa codi*icar todos os
co$porta$entos e conse2uente$ente redu'ir todo o do$&nio di*uso das ilegalidades.
A se$iot,cnica co$ 2ue se procura ar$ar o poder de punir repousa so/re cinco ou seis
regras $ais i$portantes.
Re#ra da 6uantidade m&nima> P$ cri$e , co$etido por2ue tra' +antagens. Se 9 ideia
do cri$e *osse ligada a ideia de u$a des+antage$ u$ pouco $aior1 ele dei0aria de ser
dese%6+el. B u$a 2uaseGe2ui+al=ncia ao n&+el dos interesses> u$ pouco $ais de
interesse e$ e+itar a pena 2ue e$ arriscar o cri$e.
Regra da idealidade su*iciente> Se o $oti+o de u$ cri$e , a +antage$ 2ue se representa
co$ ele1 a e*ic6cia da pena est6 na des+antage$ 2ue se espera dela. A puniç(o n(o
precisa1 portanto1 utili'ar o corpo1 $as a representaç(o. B a representaç(o da pena 2ue
de+e ser $a0i$i'ada1 e n(o sua realidade corp7rea.
Re#ra dos e'eitos aterais> A pena de+e ter e*eitos $ais intensos na2ueles 2ue n(o
co$etera$ a *altaJ Entre as penas e na $aneira de aplic6Glas e$ proporç(o co$ os
delitos1 de+e$os escol!er os $eios 2ue causar(o no esp&rito do po+o a i$press(o $ais
e*ica' e $ais dur6+el1 e ao $es$o te$po a $enos cruel so/re o corpo do culpado.
Re#ra da certe1a per'eita> B preciso 2ue1 9 id,ia de cada cri$e e das +antagens 2ue se
espera$ dele1 este%a associada a id,ia de u$ deter$inado castigo1 co$ as des+antagens
precisas 2ue dele resulta$J sendo as leis 2ue de*ine$ os cri$es e prescre+e$ as penas
per*eita$ente clarasJ 2ue essas leis se%a$ pu/licadas1 e cada 2ual possa ter acesso a
elasJ 2ue se aca/e$ as tradições orais e os costu$esJ n(o !a+endo $ais processos
secretos1 e e+itando a instalaç(o da id,ia de i$punidade1 atra+,s ent(o da +igilRncia da
sociedade atra+,s do policia$ento e0tensi+o assegurando a :aç(o da sociedade so/re
cada indi+&duo<1 e da %ustiça1 assegurando :os direitos dos indi+&duos contra a
sociedade<J assi$ cada cri$e +ir6 9 lu' do dia1 e ser6 punido co$ toda certe'a.
Re#ra da !erdade comum> A +eri*icaç(o do cri$e de+e o/edecer aos crit,rios gerais de
2ual2uer +erdade. A/andono1 ent(o1 das pro+as legaisJ re%eiç(o da tortura1 necessidade
de u$a de$onstraç(o co$pleta para *a'er u$a +erdade %usta1 retirada de 2ual2uer
correlaç(o entre os graus da suspeita e os da pena. ;o$o u$a +erdade $ate$6tica1 a
+erdade do cri$e s7 poder6 ser ad$itida u$a +e' inteira$ente co$pro+ada1 pois antes
o uso das $eiasGpro+as 4uso da tortura1 a e0tors(o da con*iss(o1 a utili'aç(o do supl&cio5
*a'ia$ $eiasG+erdades e $eiosGculpados1 *rases arrancadas pelo so*ri$ento tin!a$
+alor de autenti*icaç(o1 u$a presunç(o acarreta+a u$ grau de pena.
Regra da especi*icaç(o ideal> Para 2ue a se$i7tica penal recu/ra /e$ todo o ca$po das
ilegalidades 2ue se 2uer redu'ir1 todas as in*rações t=$ 2ue ser 2uali*icadasJ t=$ 2ue ser
classi*icadas e reunidas e$ esp,cies 2ue n(o dei0e$ escapar nen!u$a ilegalidade. B
necess6rio u$ c7digo e0austi+o e e0pl&cito1 2ue de*ina os cri$es1 *i0ando as penas.
Le+ando e$ conta as peculiaridades espec&*icas de cada cri$inoso1 pois :a noci+idade
de u$ delito e seu +alor de induç(o n(o s(o os $es$os1 de acordo co$ o status do
in*ratorJ o cri$e de u$ no/re , $ais noci+o para a sociedade 2ue o de u$ !o$e$ do
po+o<.
as para se ter u$ c7digo /e$ adaptado , necess6rio ao $es$o te$po a classi*icaç(o
paralela dos cri$es e dos castigos e a indi+iduali'aç(o das penas1 e$ con*or$idade co$
as caracter&sticas singulares de cada cri$inoso.
A*ir$a o autor 2ue a orige$ da indi+iduali'aç(o das penas1 se deu de acordo co$ a
pr6tica penitenci6ria crist( V usa+a duas s,ries de +ari6+eis para a%ustar o castigo1 as da
:circunstRncia< e as da :intenç(o<. Ou se%a1 ele$entos 2ue per$itia$ classi*icar o ato
e$ si $es$o. A $odulaç(o da pena pro+in!a de u$a :casu&stica< e$ sentido lato. as
o 2ue co$eça a se es/oçar agora , u$a $odulaç(o 2ue se re*ere ao pr7prio in*rator1 9
sua nature'a1 a seu $odo de +ida e de pensar1 a seu passado1 9 :2ualidade< e n(o $ais 9
intenç(o de sua +ontade. Por,$ co$o aplicar leis *i0as a indi+&duos singularesU
Surge$ ent(o noções co$o a da reincid=ncia. N(o 2ue esta *osse descon!ecida nas
antigas leis cri$inais1 $as tende a tornarGse u$a 2uali*icaç(o do pr7prio delin2uente1
suscept&+el de $odi*icar a pena pronunciada1 pois de acordo co$ a legislaç(o de #7T#1
os reincidentes1 e$ 2uase todos os casos1 era$ pass&+eis de ter a pena do/rada> segundo
a lei de "loreal ano ?1 de+ia$ ser $arcados co$ a letra RJ e o ;7digo Penal de #E#-
indica+aGl!es ou o $60i$o da pena1 ou a pena i$ediata$ente superior. No entanto1
atra+,s da reincid=ncia1 n(o se +isa o autor de u$ ato de*inido pela lei1 $as o su%eito
delin2uente1 u$a certa +ontade 2ue $ani*esta seu car6ter intrinseca$ente cri$inoso.
Pouco a pouco1 9 $edida 2ue1 no lugar do cri$e1 a cri$inalidade se torna o o/%eto da
inter+enç(o penal1 a oposiç(o entre pri$6rio e reincidente tender6 a tornarGse $ais
i$portante. E a partir dessa oposiç(o1 re*orçandoGa e$ $uitos pontos1 +e$os na $es$a
,poca *or$arGse a noç(o de cri$e :passional< V cri$e in+olunt6rio1 irre*letido1 ligado
a circunstRncias e0traordin6rias1 2ue n(o te$ por certo a desculpa da loucura1 $as
pro$ete nunca ser u$ cri$e !a/itual<. 4p6g. E.5
Assi$1 o 2ue se encontra so/ a !u$ani'aç(o das penas s(o todas essas regras 2ue
de$anda$ a :sua+idade<1 2ue passa a ser u$a t,cnica de poder1 /aseada na econo$ia
calculada ao poder de punir.
De $odo 2ue1 a relaç(o de poder 2ue *unda$enta o e0erc&cio da puniç(o co$eça a ser
aco$pan!ada por dois o/%etos> o cri$e 4co$o *ato a esta/elecer segundo nor$as
co$uns5 e o cri$inoso 4co$o indi+&duo a con!ecer segundo crit,rios espec&*icos5.
Entretanto1 esses dois tipos de o/%eti+aç(o 2ue se de*ine$ co$ os pro%etos de re*or$a
penal s(o $uito di*erentes entre si1 por sua cronologia e por seus e*eitos> :a o/%eti+aç(o
do cri$inoso *ora da lei1 co$o !o$e$ da nature'a1 n(o passa ainda de u$a
+irtualidade1 u$a lin!a de *uga1 onde se entrecru'a$ os te$as da critica pol&tica e as
*iguras do i$agin6rio. Ser6 necess6rio esperar $uito te$po para 2ue o homo criminais
se torne u$ o/%eto de*inido nu$ ca$po de con!eci$ento. A outra o/%eti+aç(o1 ao
contr6rio1 te+e e*eitos $uito $ais r6pidos e decisi+os na $edida e$ 2ue esta+a $ais
direta$ente ligada 9 reorgani'aç(o do poder de punirJ codi*icaç(o1 de*iniç(o dos pap,is1
tari*aç(o das penas1 regras de procedi$ento1 de*iniç(o do papel dos $agistrados<.
:Essa se$iot,cnica das punições1 esse :poder ideol7gico< , 2ue1 pelo $enos e$ parte1
+ai *icar e$ suspenso e ser6 su/stitu&do por u$a no+a anato$ia pol&tica e$ 2ue o corpo
no+a$ente1 $as nu$a *or$a in,dita1 ser6 o personage$ principal. E essa no+a
anato$ia pol&tica per$itir6 recru'ar as duas lin!as di+ergentes de o/%eti+aç(o 2ue
+e$os *or$arGse no s,culo ?@III> a 2ue re%eita o cri$inoso para :o outro lado< V o
lado de u$a nature'a contra a nature'aJ e a 2ue procura controlar a delin2C=ncia por
u$a anato$ia calculada das punições. P$ e0a$e da no+a arte de punir $ostra /e$ a
su/stituiç(o da se$iot,cnica puniti+a por u$a no+a pol&tica do corpo.<. 4p6g. EO5
II. A miti#a+.o das penas
Encontrar para u$ cri$e o castigo 2ue con+,$ , encontrar a des+antage$ cu%a id,ia
se%a tal 2ue torne de*initi+a$ente se$ atraç(o a id,ia de u$ delito1 e assi$ esta/elecer
u$ %ogo de sinaisGo/st6culos 2ue possa$ su/$eter o $o+i$ento das *orças a u$a
relaç(o de poder. Esses sinaisGo/st6culos de+e$ constituir o no+o arsenal das penas1
co$o as $arcasG+inditas organi'a+a$ os antigos supl&cios. as1 para *uncionar1 t=$
2ue o/edecer a +6rias condições>
#5 Ser t(o pouco ar/itr6rios 2uanto poss&+el. 8ue assi$ 2ue se pense no cri$e !a%a u$a
ligaç(o i$ediata co$ a puniç(o. B preciso dar 9 pena toda a con*or$idade poss&+el co$
a nature'a de delito1 pois to$ando a *or$a de u$a conse2C=ncia natural1 a puniç(o n(o
aparece co$o o e*eito ar/itr6rio de u$ poder !u$ano> n(o +indo $ais as penas da
+ontade do legislador1 $as da nature'a das coisas1 n(o se += $ais o !o$e$ *a'er
+iol=ncia ao !o$e$. Te$ 2ue !a+er relações e0atas entre a nature'a do delito e a
nature'a da puniç(o. Penas anal7gicas1 ou se%a1 2ue o castigo decorra do cri$e.
)5 Esse %ogo de sinais de+e corresponder 9 $ecRnica das *orças> di$inuir o dese%o 2ue
torna o cri$e atraente1 au$entar o interesse 2ue torna a pena te$&+elJ in+erter a relaç(o
das intensidades1 *a'er 2ue a representaç(o da pena e de suas des+antagens se%a $ais
+i+a 2ue a do cri$e co$ seus pra'eres. Atr6s dos delitos de +adiage$1 !6 a preguiçaJ ,
esta 2ue se de+e co$/ater. ;ontra u$a pai0(o $61 u$ /o$ !6/itoJ contra u$a *orça1
outra *orçaJ $as o i$portante , a *orça da sensi/ilidade e da pai0(o1 n(o as do poder
co$ suas ar$as. "a'er *uncionar contra ela $es$a a *orça 2ue le+ou ao delito. Di+idir o
interesse1 ser+irGse dele para tornar te$&+el a pena.
F5 ;onse2uente$ente1 utilidade de u$a $odulaç(o te$poral. A pena trans*or$a1
$odi*ica1 esta/elece sinais1 organi'a o/st6culos. 8ual seria sua utilidade se se tornasse
de*initi+aU P$a pena 2ue n(o ti+esse ter$o seria contradit7ria> todas as restrições por
ela i$postas ao condenado e 2ue1 +oltando a ser +irtuoso1 ele nunca poderia apro+eitar1
n(o passaria$ de supl&ciosJ e o es*orço *eito para re*or$6Glo seria pena e custo
perdidos1 pelo lado da sociedade. An6lise aceita pelos ;onstituintes> o ;7digo de #7T#
pre+= a $orte para os traidores e os assassinosJ todas as outras penas de+e$ ter u$
ter$o 4o $60i$o , de +inte anos5. Ora1 a *r6gil $ecRnica das pai0ões n(o per$ite 2ue
as pressione$os da $es$a $aneira ne$ co$ a $es$a insist=ncia 9 $edida 2ue elas se
reapru$a$J , /o$ 2ue a pena se atenue co$ os e*eitos 2ue produ'.
.5 O culpado , apenas u$ dos al+os do castigo. O ideal seria 2ue o condenado *osse
considerado co$o u$a esp,cie de propriedade rent6+el> u$ escra+o posto a ser+iço de
todos1 para 2ue os castigos possa$ ser +istos co$o u$a retri/uiç(o 2ue o culpado *a' a
cada u$ de seus concidad(os pelo cri$e co$ 2ue lesou a todos. O condenado passa a
ser +isto antes co$o u$ /e$ social1 o/%eto de u$a apropriaç(o coleti+a e Atil. Da& o
*ato de 2ue os re*or$adores ten!a$ 2uase se$pre proposto as o/ras pA/licas co$o u$a
das $el!ores penas poss&+eis. O/ra pA/lica 2uer di'er duas coisas> interesse coleti+o na
pena do condenado e car6ter +is&+el1 control6+el do castigo.
35 Econo$ia da pu/licidade. No supl&cio corporal1 o terror era o suporte do e0e$plo. O
suporte do e0e$plo1 passa a ser n(o $ais a ceri$Dnia do castigo 2ue +isa a restauraç(o
aterrori'ante da so/erania1 $as si$ a reati+aç(o do ;7digo1 o re*orço coleti+o da
ligaç(o entre a id,ia do cri$e e a id,ia da pena. Se$ antes de ser conce/ido co$o
o/%eto de ci=ncia1 pensaGse no cri$inoso co$o ele$ento de instruç(o.
O5 Se a recodi*icaç(o *or /e$ *eita1 se a ceri$Dnia de luto se desenrolar co$o de+e1 o
cri$e s7 poder6 aparecer ent(o co$o u$a desgraça e o $al*eitor co$o u$ ini$igo a
2ue$ se reensina a +ida social. E$ lugar dessas lou+ações 2ue torna$ o cri$inoso u$
!er7i1 s7 se propagar(o ent(o no discurso dos !o$ens esses sinaisGo/st6culos 2ue
i$pede$ o dese%o do cri$e pelo receio calculado do castigo. Eis ent(o co$o de+e$os
i$aginar a cidade puniti+a. Nas encru'il!adas1 nos %ardins1 9 /eira das estradas 2ue s(o
re*eitas ou das pontes 2ue s(o constru&das1 e$ o*icinas a/ertas a todos1 no *undo de
$inas 2ue ser(o +isitadas1 $il pe2uenos teatros de castigos. Para cada cri$e1 sua leiJ
para cada cri$inoso1 sua pena. Pena +is&+el1 pena lo2ua'1 2ue di' tudo1 2ue e0plica1 se
%usti*ica. segundo u$a econo$ia estrita1 todas elas sir+a$ de liç(o> 2ue cada castigo
se%a u$ ap7logo. E 2ue1 e$ contraponto a todos os e0e$plos diretos de +irtude1 se
possa$ a cada instante encontrar1 co$o u$a cena +i+a1 as desgraças do +&cio.
De tais pre$issas1 te$Gse a pris(o co$o pena inco$pat&+el co$ toda essa t,cnica da
penaGe*eito1 da penaGrepresentaç(o1 da penaG*unç(o geral1 da penaGsinal e discurso. Ela ,
a escurid(o1 a +iol=ncia e a suspeita. 8ue a reclus(o pudesse co$o !o%e1 entre a $orte e
as penas le+es1 co/rir todo o espaço $,dio da puniç(o1 , u$a id,ia 2ue os re*or$adores
n(o podia$ ter i$ediata$ente. Ora1 eis o pro/le$a> depois de /e$ pouco te$po1 a
detenç(o se tornou a *or$a essencial de castigo. No ;7digo Penal de #E#-1 entre a
$orte e as $ultas1 ela ocupa1 so/ u$ certo nA$ero de *or$as1 2uase todo o ca$po das
punições poss&+eis. A detenç(o1 a reclus(o1 o encarcera$ento correcional n(o passa$1
de certo $odo1 de no$es di+ersos de u$ Anico e $es$o castigo.
E$ todo caso e$ $enos de +inte anos1 o princ&pio t(o clara$ente *or$ulado na
;onstituinte1 de penas espec&*icas1 a%ustadas1 e*ica'es1 2ue *or$asse$1 e$ cada caso1
liç(o para todos1 tornouGse a lei de detenç(o para 2ual2uer in*raç(o pouco i$portante1 se
ela ao $enos n(o $erecer a $orte. Esse teatro puniti+o1 co$ 2ue se son!a+a no s,culo
?@III1 e 2ue teria agido essencial$ente so/re o esp&rito dos cidad(os1 *oi su/stitu&do
pelo grande aparel!o uni*or$e das prisões cu%a rede de i$ensos edi*&cios se estender6
por toda a "rança e a Europa.
:Relações e0atas entre a nature'a do delito e a nature'a da puniç(o<1 redu'Gse
*inal$ente a essa penalidade uni*or$e e $elanc7lica. Iou+e1 ali6s1 no $o$ento1
deputados 2ue se espantara$ de 2ue1 e$ +e' de esta/elecer u$a relaç(o entre delitos e
penas1 se !ou+esse seguido u$ plano total$ente di*erente. Pronta su/stituiç(o 2ue n(o
*oi pri+il,gio da "rança. Encontra$oGla1 igual e$ tudo1 nos pa&ses estrangeiros.
uitos se insurgira$ contra a pena de encarcera$ento1 $uito e$ ra'(o dos e*eitos da
pris(o 2ue %6 pune os 2ue ainda n(o est(o condenados1 2ue co$unica e generali'a o $al
2ue de+eria pre+enir e 2ue +ai contra o princ&pio da indi+iduali'aç(o da pena1
sancionando toda u$a *a$&lia. A !u$anidade se le+anta contra esse !orr&+el
pensa$ento de 2ue n(o , u$a puniç(o pri+ar u$ cidad(o do $ais precioso dos /ens1
$ergul!6Glo igno$iniosa$ente no $undo do cri$e1 arranc6Glo a tudo o 2ue l!e , caro1
precipit6Glo tal+e' na ru&na e retirarGl!e1 n(o s7 a ele $as 9 sua in*eli' *a$&lia todos os
$eios de su/sist=ncia. Donde "oucault 2uestiona :co$o pDde a detenç(o1 t(o
+isi+el$ente ligada a esse ilegalis$o 2ue , denunciado at, no poder do pr&ncipe1 e$ t(o
pouco te$po tornarGse u$a das *or$as $ais gerais dos castigos legaisU<.
Iou+e u$a grande i$portRncia desses $odelos1 $as s(o %usta$ente eles 2ue antes de
*ornecer a soluç(o tra'e$ pro/le$as> o de sua e0ist=ncia e o de sua di*us(o. ;o$o
pudera$ nascer e principal$ente co$o pudera$ ser aceitos de $aneira t(o geralU Pois ,
*6cil $ostrar 2ue1 se apresenta$ u$ certo nA$ero de pontos e$ co$u$ co$ os
princ&pios gerais da re*or$a penal1 e$ $uitos pontos s(o inteira$ente !eterog=neos a
ela1 e 9s +e'es $es$o inco$pat&+eis.
O $ais antigo desses $odelos1 o 2ue passa por ter1 de perto ou de longe1 inspirado todos
os outros1 , o Rasp!uis de A$sterda$1 a/erto e$ #3TO1 o tra/al!o era o/rigat7rio1 !a+ia
u$ !or6rio estrito1 u$ siste$a de proi/ições e de o/rigações1 u$a +igilRncia cont&nua1
e0ortações1 leituras espirituais1 todo u$ %ogo de $eios para :atrair para o /e$< e
:des+iar do $al<. Iistorica$ente esse $odelo *a' a ligaç(o entre a teoria1 caracter&stica
do s,culo ?@I1 de u$a trans*or$aç(o pedag7gica e espiritual dos indi+&duos por u$
e0erc&cio cont&nuo1 e as t,cnicas penitenci6rias i$aginadas na segunda $etade do s,culo
?@III1 e deu 9s tr=s instituições 2ue s(o ent(o i$plantadas os princ&pios *unda$entais
2ue cada u$a desen+ol+er6 nu$a direç(o particular.
A cadeia de Wand organi'ou o tra/al!o penal e$ torno principal$ente de i$perati+os
econD$icos. A ra'(o dada , 2ue a ociosidade , a causa geral da $aior parte dos cri$es.
Da& a ideia de u$a casa 2ue reali'asse de u$a certa $aneira a pedagogia uni+ersal do
tra/al!o para a2ueles 2ue se $ostrasse$ re*rat6rios e retri/uiç(o 2ue per$ite ao detento
$el!orar seu destino durante e depois da detenç(o.
Por,$ a duraç(o da pena s7 te$ sentido e$ relaç(o a u$a poss&+el correç(o1 e a u$a
utili'aç(o econD$ica dos cri$inosos corrigidos. Donde ao princ&pio do tra/al!o1 o
$odelo ingl=s acrescenta o isola$ento co$o condiç(o essencial para a correç(o. O
es2ue$a *ora dado e$ #7731 por IanNaQ. I6 ent(o a concepç(o da cela1 para e+itar a
pro$iscuidade na pris(o1 a possi/ilidade de e+as(o1 de c!antage$ e de cu$plicidade
para o *uturo sendo este o aparel!o para $odi*icar os indi+&duos 2ue IanNaQ c!a$a u$
:re*or$at7rio<. S(o esses princ&pios gerais 2ue IoNard e SlacXstone põe$ e$ pr6tica
e$ #77T 2uando a independ=ncia dos Estados Pnidos i$pede as deportações e se
prepara u$a lei para $odi*icar o siste$a de penas.
Assi$ o encarcera$ento1 co$ a *inalidade de trans*or$aç(o da al$a e do
co$porta$ento1 *a' sua entrada no siste$a das leis ci+is. O preR$/ulo da lei1 redigido
por SlacXstone e IoNard1 descre+e o encarcera$ento indi+idual e$ sua tr&plice *unç(o
de e0e$plo te$&+el1 de instru$ento de con+ers(o e de condiç(o para u$ aprendi'ado>
su/$etidos a u$a detenç(o isolada1 a u$ tra/al!o regular e 9 in*lu=ncia da instruç(o
religiosa.
Donde a decis(o de construir duas penitenci6rias1 u$a para os !o$ens1 outra para as
$ul!eres1 onde os detentos isolados seria$ o/rigados :aos tra/al!os $ais ser+is e $ais
co$pat&+eis co$ a ignorRncia1 a neglig=ncia e a o/stinaç(o dos cri$inosos<> andar
nu$a roda para $o+i$entar u$a $62uina1 *i0ar u$ ca/restante1 polir $6r$ore1 /ater
cRn!a$o1 raspar pauGca$pec!e1 retal!ar trapos1 *a'er cordas e sacos. ;ontudo s7 u$a
penitenci6ria *oi constru&da1 a de Wloucester1 e 2ue s7 parcial$ente correspondia ao
es2ue$a inicial> con*ina$ento total para os cri$inosos $ais perigososJ para os outros1
tra/al!o e$ co$u$ durante o dia e separaç(o 9 noite.
En*i$1 o $odelo de "ilad,l*ia> Yalnut Street1 a/erta e$ #7T-1 so/ a in*lu=ncia direta
dos $eios 2uaXer1 reto$a+a o $odelo de Wand e de Wloucester. Tra/al!o o/rigat7rio e$
o*icinas1 ocupaç(o constante dos detentos1 custeio das despesas da pris(o co$ esse
tra/al!o1 $as ta$/,$ retri/uiç(o indi+idual dos prisioneiros para assegurar sua
reinserç(o $oral e $aterial no $undo estrito da econo$iaJ os condenados s(o ent(o
constante$ente e$pregados e$ tra/al!os produti+os para *a'=Glos suportar os gastos da
pris(o1 para n(o dei06Glos na inaç(o e para l!es preparar alguns recursos para o
$o$ento e$ 2ue de+er6 cessar seu cati+eiro.
;o$o e$ Wand1 en*i$1 a duraç(o do encarcera$ento pode +ariar co$ o co$porta$ento
do detento. Yalnut Street co$porta al,$ disso u$ certo nA$ero de traços 2ue l!e s(o
espec&*icos1 ou pelo $enos 2ue desen+ol+e$ o 2ue esta+a +irtual$ente presente nos
outros $odelos. E$ pri$eiro lugar o princ&pio da n(oGpu/licidade da pena. Se a
condenaç(o e o 2ue a $oti+ou de+e$ ser con!ecidos por todos1 a e0ecuç(o da pena1 e$
co$pensaç(o1 de+e ser *eita e$ segredoJ o pA/lico n(o de+e inter+ir ne$ co$o
teste$un!a1 ne$ co$o a/onador da puniç(oJ a certe'a de 2ue1 atr6s dos $uros1 o
detento cu$pre sua pena de+e ser su*iciente para constituir u$ e0e$plo> ter$inados
a2ueles espet6culos de rua criados pela lei de #7EO1 2uando i$pDs a certos condenados
o/ras pA/licas a e0ecutar nas cidades ou estradas. O castigo e a correç(o 2ue este de+e
operar s(o processos 2ue se desenrola$ entre o prisioneiro e a2ueles 2ue o +igia$.
Processos 2ue i$põe$ u$a trans*or$aç(o do indi+&duo inteiro V de seu corpo e de
seus !6/itos pelo tra/al!o cotidiano a 2ue , o/rigado1 de seu esp&rito e de sua +ontade
pelos cuidados espirituais de 2ue , o/%eto.
Entre este aparel!o puniti+o proposto pelos $odelos *la$engo1 ingl=s1 a$ericano V
entre esses :re*or$at7rios< e todos os castigos i$aginados pelos re*or$adores1 pode$G
se esta/elecer pontos de con+erg=ncia e disparidades.
;o$o con+erg=ncia te$Gse a *unç(o dos :re*or$at7rios< 2ue +isa$ e+itar 2ue o cri$e
reco$ece1 punindo para trans*or$ar u$ culpado 4atual ou +irtual51 de*endendo 2ue o
castigo de+e le+ar e$ si u$a certa t,cnica correti+a.
En*i$ os $odelos angloGsa0ões1 co$o os pro%etos dos legisladores e dos te7ricos1
utili'a$ processos para singulari'ar a pena> e$ sua duraç(o1 sua nature'a1 sua
intensidade1 na $aneira co$o se desenrola1 o castigo de+e ser a%ustado ao car6ter
indi+idual1 e ao 2ue este co$porta de perigo para os outros. O siste$a das penas de+e
estar a/erto 9s +ari6+eis indi+iduais. E$ seu es2ue$a geral1 os $odelos $ais ou $enos
deri+ados do Rasp!uis de A$sterda$ n(o esta+a$ e$ contradiç(o co$ o 2ue
propun!a$ os re*or$adores.
E a di+erg=ncia1 no total1 , a seguinte> cidade puniti+a ou instituiç(o coerciti+aU De u$
lado1 *unciona$ento do poder penal repartido e$ todo o espaço socialJ presente e$ toda
parte co$o cena1 espet6culo1 sinal1 discursoJ leg&+el co$o u$ li+ro a/ertoJ 2ue reali'a a
repress(o do cri$e por esses o/st6culos colocados 9 id,ia do cri$e. P$ poder de punir
2ue correria ao longo de toda a rede social1 agiria e$ cada u$ de seus pontos1 e
ter$inaria n(o sendo $ais perce/ido co$o poder de alguns so/re alguns1 $as co$o
reaç(o i$ediata de todos e$ relaç(o a cada u$. De outro1 u$ *unciona$ento co$pacto
do poder de punir> ocupaç(o $eticulosa do corpo e do te$po do culpado1
en2uadra$ento de seus gestos1 de suas condutas por u$ siste$a de autoridade e de
sa/erJ u$a ortopedia concertada 2ue , aplicada aos culpados a *i$ de corrigiGlos
indi+idual$enteJ gest(o autDno$a desse poder 2ue se isola tanto do corpo social 2uanto
do poder %udici6rio propria$ente dito. O 2ue se enga%a no apareci$ento da pris(o , a
institucionali'aç(o do poder de punir1 ou $ais precisa$ente> o poder de punir.
E$ todo caso1 podeGse di'er 2ue os encontra$os no *i$ do s,culo ?@III diante de tr=s
$aneiras de organi'ar o poder de punir. A pri$eira , a 2ue ainda esta+a *uncionando e
se apoia+a no +el!o direito $on6r2uico. As outras se re*ere$1 a$/as1 a u$a concepç(o
pre+enti+a1 utilit6ria1 correti+a de u$ direito de punir 2ue pertenceria 9 sociedade
inteiraJ $as s(o $uito di*erentes entre si1 ao n&+el dos dispositi+os 2ue es/oça$.
En*i$1 no pro%eto de instituiç(o carcer6ria 2ue se ela/ora1 a puniç(o , u$a t,cnica de
coerç(o dos indi+&duosJ ela utili'a processos de treina$ento do corpo V n(o sinais V
co$ os traços 2ue dei0a1 so/ a *or$a de !6/itos1 no co$porta$entoJ e ela supõe a
i$plantaç(o de u$ poder espec&*ico de gest(o da pena. O so/erano e sua *orça1 o corpo
social1 o aparel!o ad$inistrati+o. A $arca1 o sinal1 o traço. A ceri$Dnia1 a
representaç(o1 o e0erc&cio.
Te$os a& tr=s s,ries de ele$entos 2ue caracteri'a$ os tr=s dispositi+os 2ue se de*ronta$
na Alti$a $etade do s,culo ?@III. 8ue n(o s(o ne$ a teorias de direito 4se /e$ 2ue
eles l!es se%a$ paralelos5 ne$ aparel!os ou instituições 4se /e$ 2ue se apoie$ so/re
estes51 ne$ escol!as $orais 4se /e$ 2ue nelas encontre$ eles suas %usti*icações5. S(o
$odalidades de acordo co$ as 2uais se e0erce o poder de punir. Tr=s tecnologias de
poder.
O pro/le$a , ent(o o seguinte> co$o , poss&+el 2ue o terceiro se ten!a *inal$ente
i$postoU ;o$o o $odelo coerciti+o1 corporal1 solit6rio1 secreto1 do poder de punir
su/stitui o $odelo representati+o1 c=nico1 signi*icante1 pA/lico1 coleti+oU Por 2ue o
e0erc&cio *&sico da puniç(o 4e 2ue n(o , o supl&cio5 su/stituiu1 co$ a pris(o 2ue , seu
suporte institucional1 o %ogo social dos sinais de castigo1 e da *esta /astarda 2ue os *a'ia
circularU
TERCEIRA PARTE: 0ISCIPLI3A
I. Os corpos dóceis
E$ deter$inada ,poca cl6ssica1 desco/riuGse o corpo co$o o/%eto e al+o do poder.
Assi$1 treinando $o+i$entos e postura dos soldados1 poderiaGse trans*or$6Glos e$
+erdadeiras $62uinas. Para La ettrie1 u$ corpo d7cil , a2uele 2ue :pode ser
su/$etido1 2ue pode ser utili'ado1 2ue pode ser trans*or$ado e aper*eiçoado< 4p.#F)5.
Os $,todos para codi*icar os $o+i$entos1 o te$po1 o espaço possi/ilita$ controlar as
operações do corpo e su%eitar suas *orças i$pondoGl!es u$a relaç(o de docilidadeG
utilidade. Esses $,todos s(o c!a$ados de disciplinas1 2ue se tornara$ no decorrer dos
s,culos ?@II e ?@III *7r$ulas gerais de do$inaç(o 4di*erentes da escra+id(o1 da
do$esticidade1 da +assalidade1 do ascetis$o5.
As disciplinas nasce$ para criar u$a relaç(o 2ue torna o corpo tanto $ais o/ediente1
2uanto $ais Atil. P$a :anato$ia pol&tica<1 u$a :$ecRnica do poder< 2ue est6 surgindo
de*ine co$o se pode ter do$&nio so/re o corpo dos outros para 2ue1 al,$ de *a'ere$ o
2ue se 2uer1 operare$ co$o se 2uer. Deste $odo1 a disciplina cria :corpos d7ceis<. A
coerç(o disciplinar :esta/elece no corpo o elo coerciti+o entre u$a aptid(o au$entada e
u$a do$inaç(o acentuada< 4p.#F.5.
"risaGse ainda a disciplina co$o :u$a anato$ia pol&tica do detal!e: 4p. #F.5. Para
"oucault1 o !u$anis$o $oderno , resultado da o/ser+aç(o $inuciosa do detal!e1 al,$
do en*o2ue pol&tico das pe2uenas coisas1 para controle e utili'aç(o dos !o$ens.
A Arte das 0istri*ui+,es> a disciplina resulta pri$eira$ente da distri/uiç(o dos
indi+&duos no espaço1 para isso recorre a +6rias t,cnicas.
#5 a cerca1 ou se%a1 especi*icar u$ :local !eterog=neo a todos os outros e *ec!ado e$ si
$es$o< 4p.#F751 co$o os con+entos e 2uart,is1 por e0e$plo.
)5 o 2uadricula$ento1 di+idindo o espaço disciplinar e$ +6rios outros 2uanto $ais
ele$entos ou corpos !6 para di+idir. Isso te$ co$o principal o/%eti+o i$pedir a
deserç(o1 a +adiage$ e a aglo$eraç(o.
F5 as locali'ações *uncionais1 2ue di+ide$ os espaços indi+iduais n(o apenas co$ o
intuito de +igiar e i$pedir co$unicaç(o entre os indi+&duos1 $as ta$/,$ para 2ue cada
local se%a Atil. Isso se tornou $uito e+idente ap7s a industriali'aç(o no s,culo ?I?1 e$
2ue tais espaços de+eria$ se encai0ar dentro de u$ aparel!o de produç(o $ais
co$ple0o.
.5 a posiç(o na *ila , crucial na disciplina1 pois de*ine o local 2ue algu,$ ocupa dentro
de u$a classi*icaç(o $aior1 por e0e$plo1 co$o acontece nas :classes< dos col,gios.
A *or$aç(o de 2uadros ta$/,$ *oi de crucial i$portRncia e de grande co$ple0idade no
s,c. ?@III. Eles t=$ a *unç(o de caracteri'ar e constituir classes e :tratar a
$ultiplicidade por si $es$a1 distri/u&Gla e dela tirar o $aior nu$ero poss&+el de
e*eitos< 4p.#.F5.
A t6tica disciplinar :, a condiç(o pri$eira para o controle e o uso de u$ con%unto de
ele$entos distintos> a /ase para u$a $icro*&sica de u$ poder 2ue poder&a$os c!a$ar
de :celular<<.
O Controe da Ati!idade> s(o as seguintes os principais recursos para o controle da
ati+idade>
#5 O !or6rio1 surgido desde as co$unidades $on6sticas de $odo pri$iti+o. O te$po
disciplinar te$ co$o principais caracter&sticas a e0atid(o e a aplicaç(o. B preciso
garantir a 2ualidade do te$po e$pregado.
)5 A ela/oraç(o te$poral do ato. O/ser+aGse isso na su/stituiç(o do $odelo de $arc!a
$ilitar condu'ida por ta$/ores por u$a $arc!a seg$entada1 e$ 2ue os gestos e
$o+i$entos se deco$põe$1 su%eitando o corpo a i$perati+os te$porais. O ato de
$arc!ar , deco$posto e$ seus ele$entos. :O te$po penetra no corpo1 e co$ ele todos
os controles $inuciosos do poder< 4p.#.O5.
F5 Donde o corpo e o gesto postos e$ correlaç(o. A disciplina de+e esta/elecer a $el!or
relaç(o entre cada gesto e o $o+i$ento total do corpo1 tornando r6pido e e*ica'. O /o$
e$prego do corpo tradu'Gse no /o$ e$prego do te$po1 i$pedindo 2ual2uer
inutilidade. :P$ corpo disciplinado , a /ase de u$ gesto e*iciente< 4p.#.75.
.5 A articulaç(o corpoGo/%eto> a disciplina ir6 de*inir os ele$entos do corpo postos e$
%ogo e os ele$entos do o/%eto $anipulado. Por *i$1 de*inir6 as suas correlações e a
orde$ co$ 2ue estas ocupar(o nu$ lugar deter$inado.
35 A utili'aç(o e0austi+a> a disciplina cria u$a econo$ia e0austi+a1 e+itando o
desperd&cio de te$po por $eio de u$a utili'aç(o se$pre e0austi+a e crescente deste.
Ptili'ando se$pre $ais instantes e cada u$ destes co$ $ais *orças Ateis.
A Or#ani1a+.o das #7neses> a disciplina $ilitar apresenta 2uatro processos para
adicionar e capitali'ar o te$po>
#5 di+idir a duraç(o e$ seg$entos1 sendo 2ue cada u$ de+e ter u$ grau especi*ico para
ser alcançado1 n(o de$onstrando tudo ao $es$o te$po1 $as se2uencial$ente.
)5 organi'ar esses seg$entos e$ u$a orde$ l7gica e crescente de co$ple0idade.
F5 $arcar o t,r$ino de cada se2u=ncia co$ u$a pro+a para indicar se o indi+&duo
atingiu o n&+el esperado e di*erenciar as di*erentes capacidades de todos.
.5 seg$entar ainda $ais cada seg$ento1 ra$i*icando cada s,rie ainda $ais.
Prescre+endo a cada u$ e0erc&cios cada +e' $ais espec&*icos. A colocaç(o e$ s,rie
per$ite u$ controle detal!ado a cada $o$ento do te$po.
Os procedi$entos disciplinares trata$ co$ u$ te$po linear 2ue se orienta para u$
ponto ter$inal. H6 as t,cnicas disciplinares origina$ s,ries indi+iduais1 e0iste u$a
e+oluç(o e$ ter$os de :g=nese<. Essa seriaç(o do te$po1 a indi+idualidadeGg=nese1 ,
u$ e*eito e u$ o/%eto da disciplina1 e dentro dela se destaca o :e0erc&cio<1 t,cnica 2ue
i$põe tare*as repetiti+as e graduadas ao $es$o te$po. Pouco a pouco1 o e0erc&cio
dei0a de ser u$ $eio para ordenar o te$po e atingir a sal+aç(o 4*or$a asc,tica5 para se
tornar u$ $,todo para se econo$i'ar o te$po e$ +ida1 acu$ulandoGo de $aneira Atil
e1 assi$1 e0ercer o poder so/re os !o$ens por $eio do te$po assi$ organi'ado.
A Composi+.o das 8or+as> co$ o te$po +eio a necessidade de 2ue a *orça produti+a
*osse superior 9s *orças indi+iduais 2ue a co$põe$. A disciplina de+eria lidar co$ a
$a0i$i'aç(o da e*ici=ncia do aparel!o da *orça produti+a pela articulaç(o dos
ele$entos indi+iduais. Isso ocorre de +6rias $aneiras>
#5 O corpo indi+idual tornaGse u$ ele$ento 2ue se pode articular co$ os outros. E$
$eio 9 tropa1 o soldado , apenas u$ *rag$ento do espaço.
)5 O te$po ta$/,$ , u$ ele$ento no grupo. B necess6rio *or$ar u$ te$po co$posto1
:de $aneira 2ue se possa e0trair a $60i$a 2uantidade de *orças de cada u$ e co$/in6G
la nu$ resultado 7ti$o< 4p.#3E5.
F5 P$ siste$a preciso de co$ando ta$/,$ , i$prescind&+el. A orde$ n(o de+e ser
e0plicada ou *or$ulada1 apenas de+e pro+ocar o e*eito dese%ado.
E$ su$a1 a disciplina produ' 2uatro tipos de caracter&sticas da indi+idualidade> celular
4%ogo da repartiç(o espacial51 orgRnica 4codi*icaç(o das ati+idades51 gen,tica
4acu$ulaç(o do te$po5 e co$/inat7ria 4co$posiç(o das *orças51 para o 2ue utili'a
2uatro grandes t,cnicas> construç(o de 2uadros1 prescriç(o de $ano/ras1 i$posiç(o de
e0erc&cios1 en*i$1 organi'aç(o de :t6ticas<.
Assi$ co$o a pol&tica , u$a e0tens(o da guerra ta$/,$ o , o contr6rio. A pol&tica1 a
*i$ de $anter a pa' e a orde$ internas1 procurou $anter o e0,rcito organi'ado e unido1
a $assa disciplinada1 a tropa d7cil e Atil. Ao passo 2ue e0iste u$ son!o de u$a
sociedade per*eita1 e0iste ta$/,$ a2uele de u$ son!o $ilitar da sociedade1 e$ 2ue se
re*erencia e$ coerções per$anentes1 e$ treina$entos inde*inida$ente progressi+os. O
regi$e napoleDnico n(o est6 longe desta sociedade. Nela1 os %uristas se preocupa+a$
co$ a construç(o do corpo social1 en2uanto os $ilitares e os t,cnicos da disciplina
ela/ora+a$ processos de coerç(o indi+idual e coleti+a.
II. Os recursos para o *om adestramento
Segundo Yal!ausen a correta disciplina ,1 na +erdade1 a arte do /o$ adestra$ento. O
disciplinar te$ co$o o/%eti+o $aior o :adestrar<. Por,$1 a disciplina depende do uso
de tr=s si$ples *atores> :o ol!ar !ier6r2uico1 a sanç(o nor$ali'adora e sua co$/inaç(o
nu$ procedi$ento 2ue l!e , espec&*ico1 o e0a$e< 4p.#O.5.
A 9i#i:ncia ;ier)r6uica> a disciplina1 tanto nos pres&dios 2uanto nas e$presas1
$anu*aturas etc. depende do %ogo do ol!ar. B nada $ais 2ue a o/ser+aç(o1 a +igia para
atingir os *ins1 podendo se reali'ar de di+ersas $aneiras.
O $odelo para estes o/ser+at7rios , o aca$pa$ento $ilitar1 /aseado no poder 2ue age
atra+,s de u$a +isi/ilidade geral. :Toda u$a pro/le$6tica se desen+ol+e ent(o> a de
u$a ar2uitetura 2ue n(o , *eita si$ples$ente para ser +ista 4...51 ou para +igiar o espaço
e0terior 4...51 $as para per$itir u$ controle interior< 4p.#OO5. O aparel!o per*eito de
+igilRncia seria o 2ue per$itisse1 atra+,s de u$ Anico ol!ar1 o/ser+ar a tudo1 *oi o 2ue
i$aginou Ledou0 ao construir edi*&cios dispostos e$ c&rculos.
H6 nas grandes o*icinas !6 u$ no+o tipo de +igilRncia> nestes esta/eleci$entos1 so/ esta
+igilRncia1 :le+a e$ conta a ati+idade dos !o$ens1 seu con!eci$ento t,cnico1 a $aneira
de *a'=Glo1 sua rapide'1 seu 'elo1 seu co$porta$ento< 4p.#OE5. Logo a o/ser+aç(o ,1
ta$/,$1 u$ operador econD$ico decisi+o.
Nesta +igilRncia !ierar2ui'ada1 cont&nua e *uncional do s,culo ?@III ocorre o siste$a
pira$idal e u$ %ogo de ol!ares calculados.
A San+.o 3ormai1adora> e$ todos os siste$as disciplinares !6 u$ pe2ueno
$ecanis$o penal 2ue *unciona1 tanto na escola co$o no e0,rcito1 repri$indo toda
$icropenalidade1 se%a de te$po1 de ati+idade1 da $aneira de ser1 dos discursos1 do corpo
ou da se0ualidade. E0iste$1 dentre as :penas<1 desde castigos *&sicos le+es at, pri+ações
ligeiras e pe2uenas !u$il!ações. Ocorre1 na disciplina1 u$a $aneira espec&*ica de
punir1 e$ u$ $odelo redu'ido de tri/unal. I6 ta$/,$1 co$o *unç(o principal1 o
:redu'ir dos des+ios<1 sendo u$ ato de *inalidade correti+a. Dentre outras
caracter&sticas1 , ta$/,$ u$ ele$ento de siste$a duplo1 orientado pela c!a$ada
:grati*icaç(oGsanç(o<. Al,$ de $arcar os des+ios1 !ierar2ui'ar as 2ualidades1 as
co$pet=ncias1 as aptidões1 $as ta$/,$ castigar e reco$pensar1 o/%eti+ando criar u$a
di*erenciaç(o do anor$al para o nor$al.
O E%ame: co$/ina t,cnicas da !ierar2uia 2ue +igia e as de sanç(o 2ue nor$ali'a$. B1
e$ su$a1 u$ controle nor$ali'ante. :O e0a$e n(o se contenta e$ sancionar u$
aprendi'adoJ , u$ de seus *atores per$anentes> sustentaGo segundo u$ ritual de poder
constante$ente reno+ado< 4p.#7T5. Per$ite $ostrar ao $estre1 ao $es$o te$po e$ 2ue
trans$ite seu con!eci$ento1 o/ter con!eci$ento so/re seus alunos.
O poder disciplinar , e0ercido de *or$a in+is&+el1 su/$etendo os sAditos 9 +isi/ilidade
o/rigat7ria. E o e0a$e , o $,todo 2ue capta os sinais deste poder1 ele liga o sa/er a u$
certo tipo de poder. Isto ocorre de+ido 9 in+ers(o da econo$ia de +isi/ilidade no
e0erc&cio do poder1 9 entrada da indi+idualidade nu$ ca$po docu$ent6rio e ta$/,$
por *a'er de cada indi+&duo u$ caso.
B preciso parar de +isuali'ar negati+a$ente os e*eitos do poder. EntendeGlo n(o co$o
algo 2ue repri$e1 $as 2ue produ'.
III. O panoptismo
Neste cap&tulo , analisado o $ecanis$o do panoptis$o. Segundo "oucault para
Knor$ali'arK o su%eito $oderno1 *ora$ desen+ol+idos $ecanis$os e dispositi+os de
+igilRncia1 capa'es de interiori'ar a culpa e causar no indi+&duo re$orsos pelos seus
actos. Dentre os dispositi+os de +igilRncia do in&cio do s,culo1 ele destacou o Pan7ptico1
de Here$Q Sent!a$1 u$ $ecanis$o ar2uitectural1 utili'ado para o do$&nio da
distri/uiç(o de corpos e$ di+ersi*icadas super*&cies1 co$o e$ prisões1 $anic7$ios1
escolas1 *6/ricas.
O cap&tulo III1 da terceira parte do li+ro1 inicia descre+endo o procedi$ento 2ue era
reali'ado 2uando declarada a e0ist=ncia de peste e$ u$a cidade no *i$ do s,culo ?@II.
Por e0e$plo1 a populaç(o n(o podia sair so/ pena de $orte. A sa&da s7 era per$itida
por turnos1 e e+itandoGse 2ual2uer encontro. A +igilRncia era intensa. ;ada rua era
su/$etida a autoridade de u$ s&ndico e cada 2uarteir(o era super+isionado por u$
intendente 2ue +isita+a todos os dias o 2uarteir(o1 +eri*ica+a$ se os s&ndicos esta+a$
cu$prindo suas tare*as e se os !a/itantes tin!a$ 2uei0as deles. Os s&ndicos era$
respons6+eis por passar de casa e$ casa para in+estigar o estado de saAde das pessoas1
perce/er 2uantos +i+os1 $ortos e doentes e0istia$1 co$ estes dados *aria$ relat7rios
para apresentar aos intendentes1 estes apresentaria$ aos al$otaces ou ao pre*eito.
Todo este siste$a de +igilRncia constitui u$ $odelo co$pacto do dispositi+o
disciplinar e$ 2ue a orde$ seria respons6+el por controlar a peste. A peste suscitou
es2ue$as disciplinares. Assi$1 !ou+e di+isões1 separações1 distri/uições
indi+iduali'antes1 u$a organi'aç(o apro*undada das +igilRncias e dos controles1 u$a
intensi*icaç(o e ra$i*icaç(o do poder. A cidade1 atra+,s da !ierar2uia 1 da +igilRncia1 da
docu$entaç(o1 era go+ernada e $antin!aGse o e0erc&cio do poder disciplinar.
No in&cio do s,culo ?I? a +igilRncia1 o controle1 a disciplina *ora$ adotados a partir do
poder disciplinar co$ o asilo psi2ui6trico1 a penitenciaria1 a casa de correç(o1 o
esta/eleci$ento de educaç(o +igiada1 e por u$ lado os !ospitais1 de u$ $odo geral
todas as instancias de controle indi+idual *uncional nu$ duplo $odo> o da di+is(o
/inaria e da $arcaç(o 4loucoGn(o loucoJ perigosoGino*ensi+oJ nor$alGanor$al5J e o da
deter$inaç(o coerciti+a1 da repartiç(o di*erencial 42ue$ , eleJ onde de+e estarJ co$o
caracteri'aGlo1 co$o recon!ec=GloJ co$o e0ercer so/re ele1 de $aneira indi+idual1 u$a
+igilRncia constante1 etc.5.
Logo ap7s essa introduç(o1 o autor co$eça a tratar so/re o Pan7ptico de Sent!a$ e a
*igura ar2uitetural dessa co$posiç(o. O Pan7ptico era u$ edi*&cio e$ *or$a de anel1 no
$eio do 2ual !a+ia u$ p6tio co$ u$a torre no centro. O anel di+idiaGse e$ pe2uenas
celas 2ue da+a$ tanto para o interior 2uanto para o e0terior. E$ cada u$a dessas
pe2uenas celas1 !a+ia1 segundo o o/%ecti+o da instituiç(o1 u$a criança aprendendo a
escre+er1 u$ oper6rio a tra/al!ar1 u$ prisioneiro a ser corrigido1 u$ louco tentando
corrigir a sua loucura1 etc. Na torre !a+ia u$ +igilante. ;o$o cada cela da+a ao $es$o
te$po para o interior e para o e0terior1 o ol!ar do +igilante podia atra+essar toda a celaJ
n(o !a+ia nen!u$ ponto de so$/ra e1 por conseguinte1 tudo o 2ue o indi+&duo *a'ia
esta+a e0posto ao ol!ar de u$ +igilante 2ue o/ser+a+a atra+,s de persianas1 de postigos
se$iGcerrados de $odo a poder +er tudo se$ 2ue ningu,$ ao contr6rio pudesse +=Glo. O
panoptis$o corresponde 9 o/ser+aç(o total1 , a to$ada integral por parte do poder
disciplinador da +ida de u$ indi+&duo. Ele , +igiado durante todo o te$po1 se$ 2ue
+e%a o seu o/ser+ador1 ne$ 2ue sai/a e$ 2ue $o$ento est6 a ser +igiado. A pessoa ,
+ista1 $as n(o += e , o/%eto de u$a in*or$aç(o1 nunca su%eito nu$a co$unicaç(o. A
+isi/ilidade , u$a ar$adil!a. ;o$ isto1 !6 a garantia da orde$1 n(o !6 perigo de
co$plD1 de tentati+a de e+as(o coleti+a1 pro%eto de no+os cri$es para o *uturo1 se s(o
doentes1 n(o !a perigo de contagioJ loucos1 n(o !6 risco de +iol=ncias reciprocasJ
crianças1 n(o !a KcolaK1 ne$ /arul!o1 ne$ con+ersa1 ne$ dissipaç(o. Se s(o oper6rios1
n(o !a rou/os1 ne$ conluios1 nada dessas distrações 2ue atrasa$ o tra/al!o1 torna$Gno
$enos per*eito ou pro+oca$ acidentes.
O e*eito $ais i$portante do Pan7ptico , indu'ir no detento u$ estado consciente e
per$anente de +isi/ilidade 2ue assegura o *unciona$ento auto$6tico do poder1 esse
aparel!o ar2uitetural , u$a $a2uina de criar e sustentar u$a relaç(o de poder
independente da2uele 2ue o e0erce. O essencial , 2ue o preso se sai/a +igiado. Por isso
Sent!a$ colocou o principio de 2ue o poder de+ia ser +is&+el e in+eri*ic6+el. @is&+el>
se$ cessar o detento ter6 diante dos ol!os a alta sil!ueta da torre central de onde ,
espionado. In+eri*ic6+el> o detento nunca de+e sa/er se esta sendo o/ser+adoJ $as de+e
ter certe'a de 2ue se$pre pode s=Glo.
Para Sent!a$ pouco i$porta 2ue$ e0erce o poder. P$ indi+&duo 2ual2ue pode *a'er
*uncionar a $a2uina. Por e0e$plo1 na *alta do diretor1 sua *a$&lia1 os 2ue o cerca$1
seus a$igos1 suas +isitas1 ate seus criados. 8uanto $ais nu$erosos esses o/ser+adores
anDni$os e passageiros1 tanto $ais au$enta$ para o prisioneiro o risco de ser
surpreendido e a consci=ncia in2uieta de ser o/ser+ado. 8ue$ est6 su/$etido a u$
ca$po de +isi/ilidade1 e sa/e disso1 reto$a por sua conta as li$itações do poderJ *6Glas
*uncionar espontanea$ente so/re si $es$oJ inscre+e e$ si a relaç(o de poder na 2ual
ele dese$pen!a si$ultanea$ente os dois papeisJ tornaGse o principio de sua pr7pria
su%eiç(o. E assi$ as as instituições pan7pticas poderia$ ser t(o le+es co$ *i$ das
grades1 *i$ das correntes1 *i$ das *ec!aduras pesadas.
O Pan7ptico ta$/, per$ite esta/elecer as di*erenças> nos doentes1 o/ser+ar os sinto$as
de cada u$J nas crianças1 anotar os dese$pen!os 4se$ 2ue !a%a li$itaç(o ou copia51
perce/er as aptidões1 apreciar os caracteres1 esta/elecer classi*icações rigorosas e1 e$
relaç(o a u$a e+oluç(o nor$al1 distinguir o 2ue , Kpreguiça e tei$osiaK do 2ue ,
Ki$/ecilidade incur6+elKJ nos oper6rios1 anotar as aptidões de cada u$1 co$parar o
te$po 2ue le+a$ para *a'er u$ ser+iço1 e1 se s(o pagos por dia1 calcular seu salario e$
+ista disso.
O Pan7ptico pode ser ta$/,$ utili'ado co$o $a2uina de *a'er e0peri=ncias1 $odi*icar
o co$porta$ento1 treinar ou retreinar os indi+&duos. O Pan7ptico , u$ local
pri+ilegiado para tornar poss&+el a e0peri=ncia co$ !o$ens1 e para analisar co$ toda
certe'a as trans*or$ações 2ue se pode o/ter neles. O Pan7ptico *unciona co$o u$a
esp,cie de la/orat7rio de poder.
Ainda segundo o autor1 o siste$a pan7ptico , poli+alente e$ suas aplicações1 pois se
aplica aos prisioneiros1 doentes1 escolares1 loucos1 os oper6rios1 /e$ co$o *a'er
tra/al!ar os $endigos e ociosos1 sendo aplic6+el a todos os esta/eleci$entos onde1 nos
li$ites de u$ espaço 2ue n(o , $uito e0tenso1 , preciso $anter so/ +igilRncia certo
nu$ero de pessoas per$ite aper*eiçoar o e0erc&cio do poder. Al,$ disso1 2ual2uer
$e$/ro da sociedade ter6 direito de +ir constatar co$ seus ol!os co$o *unciona$ as
escolas1 os !ospitais1 as *a/ricas1 as prisões1 co$ isto1 n(o !6 o risco de a $62uina
pan7ptica se trans*or$ar e$ u$a tirania1 $as si$ $eio de$ocr6tico de e0erc&cio do
poder. No panoptis$o o o/%eto e *i$ n(o s(o a relaç(o de so/erania1 $as as relações de
disciplina. Ainda co$ o panoptis$o1 te$os a disciplinaG$ecanis$o> u$ dispositi+o
*uncional 2ue de+e $el!orar o e0erc&cio do poder tornandoGo $ais r6pido1 $ais le+e1
$ais e*ica'1 u$ desen!o das coerções sutis para u$a sociedade 2ue esta por +ir. O
$o+i$ento 2ue +ai de u$ es2ue$a da disciplina de e0ceç(o ao de u$a +igilRncia
generali'ada.
O Pan7ptico organi'a espaços 2ue per$ite$ +er1 se$ ser +istos1 portanto1 u$a garantia
de orde$. Assi$1 a +igilRncia tornaGse per$anente nos seus e*eitos1 $es$o 2ue n(o
*osse na sua aç(o. ais i$portante do 2ue +igiar o prisioneiro o te$po inteiro1 era 2ue o
$es$o se sou/esse +igiado. Logo1 n(o era *inalidade do Pan7ptico *a'er co$ 2ue as
pessoas *osse$ punidas1 $as 2ue ne$ ti+esse$ a oportunidade para co$eter o $al1 pois
sentiria$Gse $ergul!adas1 i$ersas nu$ ca$po de +isi/ilidade. E$ su$a1 o Pan7ptico
des*a' a necessidade de co$/ater a +iol=ncia *&sica co$ outra +iol=ncia *&sica1
co$/atendoGa antes1 co$ $ecanis$os de orde$ psicol7gica.
A in+ers(o *uncional das disciplinas> original$ente ca/iaGl!es principal$ente
neutrali'ar os perigos1 *i0ar as populações inAteis ou agitadas1 e+itar os incon+enientes
de reuniões $uito nu$erosasJ agora se l!es atri/ui 4pois se tornara$ capa'es disso5 o
papel positi+o de au$entar a utilidade poss&+el dos indi+&duosJ As disciplinas
*unciona$ cada +e' $ais co$o t,cnicas 2ue *a/rica$ indi+&duos Ateis. ;o$ isto1 !6 a
dupla tend=ncia 2ue +e$os se desen+ol+er no decorrer do s,culo ?@III de $ultiplicar o
nA$ero das instituições de disciplina e de disciplinar os aparel!os e0istentes. A
ra$i*icaç(o dos $ecanis$os disciplinares> en2uanto por u$ lado os esta/eleci$entos
de disciplina se $ultiplica$1 seus $ecanis$os te$ u$a certa tend=ncia a se
desinstitucionali'ar.
O autor $enciona 2ue a pol&cia do s,culo ?@III1 a seu papel de au0iliar de %ustiça na
/usca aos cri$inosos e de instru$ento para o controle politico acrescenta u$a *unç(o
disciplinar. A disciplina atinge as $&ni$as instRncias de poder disse$inadas na
sociedadeJ pois1 entre essas di+ersas instituições *ec!adas de disciplina 4o*icinas1
e0,rcitos1 escolas51 estende u$a rede inter$ediaria1 agindo onde a2uelas n(o pode$
inter+ir1 disciplinando os espaços n(o disciplinares. A organi'aç(o do aparel!o policial
no s,culo ?@III acarreta e$ u$a generali'aç(o das disciplinas 2ue alcança as
di$ensões do Estado.
Por *i$1 o autor *ala so/re a disciplina. Di' 2ue a KdisciplinaK n(o pode se identi*icar
co$ u$a instituiç(o ne$ co$ u$ aparel!o1 ela , u$ tipo de poder1 u$a $odalidade
para e0erc=Glo1 2ue co$porta todo u$ con%unto de instru$entos1 de t,cnicas1 de
procedi$entos1 podendo *icar a cargo se%a de instituições Kespeciali'adasK 4as
penitenciarias1 ou as casas de correç(o do s,culo ?I?5 se%a de instituições 2ue dela se
ser+e$ co$o instru$ento essencial para u$ *i$ deter$inado 4as casas de educaç(o1 os
!ospitais51 se%a de instRncias pree0istentes 2ue nela encontra$ $aneira de re*orçar ou de
reorgani'ar seus $ecanis$os internos de poder. Desta *or$a1 o panoptis$o , $ais 2ue
u$ talento ar2uitetural> u$ aconteci$ento na K!istoria do espirito !u$anoK1 pois
atra+,s dela se constr7i u$ tipo de sociedade. As disciplinas su/stitue$ o +el!o
principio KretiradaG+iol=nciaK 2ue regia a econo$ia do poder pelo principio Ksua+idadeG
produç(oGlucroK.
A disciplina *i0a1 i$o/ili'a ou regula$enta os $o+i$entosJ resol+e as con*usões1 as
aglo$erações co$pactas so/re as circulações incertas1 as repartições calculadas. Ela
de+e ta$/,$ do$inar todas as *orcas 2ue se *or$a$ a partir da pr7pria constituiç(o de
u$a $ultiplicidade organi'adaJ de+e neutrali'ar os e*eitos de contrapoder 2ue dela
nasce$ e 2ue *or$a$ resist=ncia ao poder 2ue 2uer do$in6Gla> agitações1 re+oltas1
organi'ações espontRneas.
A $odalidade pan7ptica do poder n(o est6 na depend=ncia i$ediata ne$ no
prolonga$ento direto das grandes estruturas %ur&dicoGpoliticas de u$a sociedadeJ ela
n(o ,1 entretanto a/soluta$ente independente.
Al,$ disso1 en2uanto os siste$as %ur&dicos 2uali*ica$ os su%eitos de direito1 segundo
nor$as uni+ersais1 as disciplinas caracteri'a$1 classi*ica$1 especiali'a$J distri/ue$ ao
longo de u$a escala1 reparte$ e$ torno de u$a nor$a1 !ierar2ui'a$ os indi+&duos e$
relaç(o uns aos outros1 e1 le+ando ao li$ite1 des2uali*ica$ e in+alida$. De 2ual2uer
$odo1 no espaço e durante o te$po e$ 2ue e0erce$ seu controle e *a'e$ *uncionar as
assi$etrias de seu poder1 as disciplinas e*etua$ u$a suspens(o1 nunca total1 $as
ta$/,$ nunca anulada1 do direito. Por regular e institucional 2ue se%a1 a disciplina1 e$
seu $ecanis$o1 , u$ KcontradireitoK.
As disciplinas atra+essa$ o li$iar Ktecnol7gicoK. O !ospital pri$eiro1 depois a escola1
$ais tarde ainda a o*icina1 n(o *ora$ si$ples$ente Kpostos e$ orde$K pelas
disciplinasJ tornara$Gse1 graças a elas1 aparel!os tais 2ue 2ual2uer $ecanis$o de
o/%eti+aç(o pode +aler neles co$o instru$ento de su%eiç(o1 e 2ual2uer cresci$ento de
poder d6 neles lugar a con!eci$entos poss&+eisJ *oi a partir desse laço1 pr7prio dos
siste$as tecnol7gicos1 2ue se pudera$ *or$ar no ele$ento disciplinar a $edicina
clinica1 a psi2uiatria1 a psicologia da criança1 a psicopedagogia1 a racionali'aç(o do
tra/al!o. Duplo processo1 portanto> arrancada episte$ol7gica a partir de u$ a*ina$ento
das relações de poderJ $ultiplicaç(o dos e*eitos de poder graças a *or$aç(o e a
acu$ulaç(o de no+os con!eci$entos.
<UARTA PARTE: PRIS5O
I. Institui+,es competas e austeras
A *or$a geral de u$a aparel!age$ para tornar os indi+&duos d7ceis e Ateis1 atra+,s de
u$ tra/al!o preciso so/re seus corpos1 criou a instituiç(oGpris(o1 antes 2ue a lei a
de*inisse co$o pena por e0cel=ncia. A penalidade de detenç(o 2ue surgiu no *i$ do s,c.
?@II e in&cio do s,c. ?I?1 era coisa no+a1 $as 2ue apenas utili'a+a $ecanis$os de
coerç(o %6 utili'ados e$ outros lugares.
No $o$ento e$ 2ue a2ueles coloni'a$ a instituiç(o %udici6ria1 u$a no+a legislaç(o
de*ine o poder de punir co$o u$a *unç(o geral da sociedade 2ue , e0ercida da $es$a
$aneira so/re todos seus $e$/ros1 na 2ual cada u$ deles , representadoJ $as ao *a'er
da detenç(o a pena por e0cel=ncia1 ela introdu' processos de do$inaç(o caracter&sticos
de u$ tipo particular de poder. Essa , a con%unç(o do nasci$ento da pris(o1 :pena das
sociedades ci+ili'adas<.
A pris(oGcastigo $uito cedo assu$iu u$ car6ter de o/+iedade. Ela surgiu ligada
pro*unda$ente co$ o pr7prio *unciona$ento da sociedade1 2ue relegou ao
es2ueci$ento todas as outras punições 2ue os re*or$adores do s,culo ?@III !a+ia$
i$aginado. Pareceu se$ alternati+a1 e le+ada pelo pr7prio $o+i$ento da !ist7ria> N(o
*oi o acaso1 n(o *oi o capric!o do legislador 2ue *i'era$ do encarcera$ento a /ase e o
edi*&cio 2uase inteiro de nossa escala penal atual> *oi o progresso das id,ias e a
educaç(o dos costu$es. Sa/eGse 2ue a pris(o , perigosa 2uando n(o inAtil1 entretanto1
n(o :+e$os< o 2ue por e$ seu lugar. Ela , detest6+el soluç(o de 2ue n(o pode$os a/rir
$(o. A o/+iedade da pris(o se $ostra1 e$ pri$eiro lugar1 na *or$a si$ples da
:pri+aç(o da li/erdade<. A li/erdade , u$ /e$ 2ue pertence a todos da $es$a $aneira1
assi$ sua perda te$ o $es$o preço para todos1 sendo $el!or 2ue a :$ulta<1 por ser u$
castigo :igualit6rio<. Retirando te$po do condenado1 a pris(o parece tradu'ir a ideia de
2ue a in*raç(o lesou1 al,$ da +&ti$a1 a sociedade inteira. Al,$ de per$itir conta/ili'ar a
gra+idade dos delitos e$ duraç(o. Pois a pessoa est6 na pris(o para :pagar sua di+ida<.
as a o/+iedade da pris(o se *unda$enta ta$/,$ e$ seu papel1 suposto ou e0igido1 de
aparel!o para trans*or$ar os indi+&duos. A pris(o *oi i$ediata$ente aceita por tornar os
corpos d7ceis1 apenas reprodu'indo1 de *or$a $ais acentuada1 todos os $ecanis$os da
sociedade> u$ 2uartel u$ pouco estrito1 u$a escola se$ indulgencia1 u$a o*icina
so$/ria1 $as no *undo n(o !a+endo nada de 2ualitati+a$ente di*erente. Esse duplo
*unda$ento M %ur&dicoGeconD$ico de u$ lado1 t,cnicoGdisciplinar por outro M *e' a
pris(o aparecer co$o a *or$a $ais i$ediata e $ais ci+ili'ada de todas as penas. P$a
coisa , clara> a pris(o *oi *oi desde o in&cio u$a :detenç(o legal< encarregada de u$
suple$ento correti+o1 ou ainda u$ $eio de $odi*icaç(o de indi+&duos 2ue a pri+aç(o
de li/erdade per$ite *a'er *uncionar no siste$a legal. E$ su$a1 o encarcera$ento
penal1 desde o in&cio do s,culo ?I?1 reco/riu ao $es$o te$po a pri+aç(o de li/erdade
e a trans*or$aç(o t,cnica dos indi+&duos.
Nos c7digos de #E-E e de #E#-1 e nas $edidas 2ue os seguira$ ou os precedera$
i$ediata$ente1 o encarcera$ento nunca se con*unde co$ a si$ples pri+aç(o de
li/erdade. De+e ser u$ $ecanis$o di*erenciado e *inali'ado. N(o se pode per$itir 2ue
u$ indi+iduo condenado a penas le+es se encontre no $es$o local de u$ cri$inoso
condenado a penas gra+es. Pris(oGcastigo1 pris(oGaparel!o> A orde$ 2ue de+e reinar nas
cadeias pode contri/uir *orte$ente para regenerar os condenadosJ os +&cios da
educaç(o1 o cont6gio dos $aus e0e$plos1 a ociosidade... originara$ cri$es. O/rigados
a u$ tra/al!o de 2ue ter$inar(o gostando1 2uando dele recol!ere$ o *ruto1 contraia$ o
!6/ito1 o gosto e a necessidade de ocupaç(o1 e logo co$eçar(o a la$entar o passado1
pri$eiro sinal de a$or pelo de+er.
De+e$os le$/rar ta$/,$ 2ue o $o+i$ento para re*or$ar as prisões1 para controlar seu
*unciona$ento1 n(o , u$ *enD$eno tardio. N(o parece se2uer ter nascido de u$
atestado de *racasso de+ida$ente la+rado. A :re*or$a< da pris(o , $ais ou $enos
conte$porRnea da pr7pria pris(o1 , co$o 2ue seu progra$a. A pris(o se encontrou1
desde o in&cio1 enga%ada nu$a s,rie de $ecanis$os de aco$pan!a$ento1 2ue
aparente$ente de+e$ corrigiGla1 $as 2ue parece$ *a'er parte de seu pr7prio
*unciona$ento1 de tal $odo 2ue t=$ estado ligados a sua e0ist=ncia e$ todo o decorrer
de sua !ist7ria. Iou+e1 i$ediata$ente1 u$a tecnologia lo2ua' da pris(o.
A pris(o n(o de+e ser +ista co$o u$a instituiç(o inerte1 2ue +olta e $eia teria sido
sacudida por $o+i$entos de re*or$a. A :teoria da pris(o< *oi seu $odo de usar
constante1 $ais 2ue sua cr&tica incidente M u$a de suas condições de *unciona$ento. A
pris(o *e' se$pre parte de u$ ca$po ati+o onde a/undara$ os pro%etos1 os
re$ane%a$entos1 as e0peri=ncias1 os discursos te7ricos1 os teste$un!os1 os in2u,ritos.
Ao se tornar puniç(o legal1 a pris(o carregou a +el!a 2uest(o %ur&dicoGpol&tica do direito
de punir co$ todos os pro/le$as1 todas as agitações 2ue surgira$ e$ torno das
tecnologias correti+as do indi+&duo. O 2ue construiu e$ torno da instituiç(o carcer6ria
toda u$a proli0idade1 todo u$ 'elo.
Instituições co$pletas e austeras> a pris(o de+e ser u$ aparel!o disciplinar e e0austi+o.
A pris(o de+e to$ar a seu cargo todos os aspectos do indi+&duo> treina$ento *&sico1
aptid(o para o tra/al!o1 co$porta$ento cotidiano1 sua atitude $oral1 ou se%a1 a pris(o ,
$uito $ais 2ue escola1 o*icina ou e0,rcito1 ela , :onidisciplinar<. Al,$ disso1 a pris(o
n(o se interro$pe1 a n(o ser depois de ter$inada total$ente sua tare*a. Ela d6 u$ poder
2uase total so/re os detentos1 te$ seus $ecanis$os internos de repress(o e de castigo.
Le+a 9 $ais *orte intensidade todos os processos 2ue encontra$os nos outros
dispositi+os de disciplina. Seu $odo de aç(o , a coaç(o de u$a educaç(o total. Ela +ai
al,$ da pura pri+aç(o de li/erdade e das si$ples representações co$ 2ue son!a+a$ os
re*or$adores da ,poca da Ideologia.
Pri$eiro princ&pio1 o isola$ento. Isola$ento do condenado e$ relaç(o ao $undo
e0terior1 a tudo o 2ue $oti+ou a in*raç(o1 9s cu$plicidades 2ue a *acilitara$.
Isola$ento dos detentos uns e$ relaç(o aos outros. N(o so$ente a pena de+e ser
indi+idual $as ta$/,$ indi+iduali'ante. A pris(o de+e ser conce/ida de $aneira 2ue
ela $es$o apague as conse2u=ncias ne*astas 2ue atrai ao reunir nu$ $es$o local
condenados di+ersos> a/a*ar os co$plDs e re+oltas 2ue se possa$ *or$ar. En*i$1 2ue a
pris(o n(o *or$e1 a partir dos $al*eitores 2ue reAne1 u$a populaç(o !o$og=nea e
solid6ria> u$a sociedade organi'ada de cri$inosos.
Al,$ disso a solid(o de+e ser u$ instru$ento positi+o de re*or$a1 *a'endo co$ 2ue o
condenado re*lita1 se sentindo culpado pelo o 2ue *e'1 possi/ilitando o arrependi$ento.
A solid(o , condiç(o pri$eira da su/$iss(o total1 %6 2ue o detento se encontrar6 co$
u$ poder intenso1 2ue , o de sua pr7pria $oralidade.
B nesse ponto 2ue se situa a discuss(o so/re os dois siste$as a$ericanos de
encarcera$ento1 o de Au/urn e o de "ilad,l*ia.
O $odelo de Au/urn prescre+e a cela indi+idual durante a noite1 o tra/al!o e as
re*eições e$ co$u$1 $as1 so/ a regra do sil=ncio a/soluto1 os detentos s7 podendo
*alar co$ os guardas1 co$ a per$iss(o desses e e$ +o' /ai0a. Re*erencia clara to$ada
ao $odelo $on6stico e a disciplina da o*icina. A coaç(o , assegurada por $eios
$ateriais1 $as so/retudo por u$a regra 2ue se te$ 2ue respeitar e , garantida por u$a
+igilRncia e punições. N(o !6 apenas isola$ento1 $as o/rigaç(o da participaç(o e$
e0erc&cios Ateis1 de /ons !6/itos1 pre+enindo o cont6gio $oral por u$a +igilRncia ati+a1
e $antendoGo pelo recol!i$ento pela regra do silencio. Isso tudo de+e re2uali*icar o
cri$inoso co$o indi+&duo social> ele o treina para u$a ati+idade :Atil e resignada<J
de+ol+eGl!e :!6/itos de socia/ilidade<.
Na "ilad,l*ia1 !6 o isola$ento a/soluto1 e$ 2ue n(o se pede a re2uali*icaç(o do
cri$inoso ao e0erc&cio de u$a lei co$u$1 $as 9 relaç(o do indi+&duo co$ sua pr7pria
consci=ncia e co$ a2uilo 2ue pode ilu$in6Glo de dentro. Na pris(o pensil+aniana1 as
Anicas operações da correç(o s(o a consci=ncia e a ar2uitetura $uda contra a 2ual ela
es/arra. E$ ;!errQ Iill os $uros s(o a puniç(o do cri$e. O tra/al!o , antes u$
consolo do 2ue u$a o/rigaç(o. O detento a$a seu guarda1 e o a$a por2ue este , sua+e
e te$ co$pai0(o. Os $uros s(o terr&+eis e o !o$e$ , /o$.
Na oposiç(o entre esses dois $odelos +eio u$a s,rie de con*litos di*erentes> religioso
4de+e a con+ers(o ser a peça principal da correç(oU5J $,dico 4o isola$ento co$pleto
enlou2ueceU5J econD$ico 4onde est6 o $enor custoU5J ar2uitetural e ad$inistrati+o 42ual
, a *or$a 2ue garante a $el!or +igilRnciaU5. No centro de todas essas discussões est6 o
o/%eti+o pri$eiro da aç(o carceral> o isola$ento.
O tra/al!o , de*inido1 %unto co$ o isola$ento1 co$o u$ agente da trans*or$aç(o
carcer6ria1 $as ele n(o ser+e co$o u$ e0e$plo para o pA/lico ou u$a reparaç(o Atil
para a sociedade. No regi$e carcer6rio a ligaç(o do tra/al!o e da puniç(o se relaciona
co$ a regeneraç(o.
O tra/al!o dos detentos era re$unerado na "rança. Pro/le$a> se u$a retri/uiç(o
reco$pensa o tra/al!o e$ pris(o1 , por2ue esta n(o *a' real$ente parte da penaJ e o
detento pode ent(o recus6Glo. Al,$ disso1 o /ene*&cio reco$pensa a !a/ilidade do
oper6rio e n(o a regeneraç(o do culpado> Os piores ele$entos s(o 2uase e$ toda parte
os $ais !6/eis oper6riosJ s(o os $ais retri/u&dos1 conse2Cente$ente os $ais
inte$perantes e os $enos aptos ao arrependi$ento.
O tra/al!o penal n(o pode ser criticado pelo dese$prego 2ue pro+ocaria> co$ sua parca
e0tens(o1 seu *raco rendi$ento1 ele n(o pode ter incid=ncia geral so/re a econo$ia. N(o
, co$o ati+idade de produç(o 2ue ele , inteira$ente Atil1 $as pelos e*eitos 2ue to$a na
$ecRnica !u$ana. B u$ princ&pio de orde$ e regularidadeJ pelas e0ig=ncia 2ue l!e s(o
pr7prias1 +eicula1 de $aneira insens&+el1 as *or$as de u$ poder rigorosoJ su%eita os
corpos a $o+i$entos regulares1 e0clui a agitaç(o e a distraç(o1 i$põe u$ !ierar2uia e
u$a +igilRncia 2ue ser(o ainda $ais /e$ aceitas e penetrar(o ainda $ais
pro*unda$ente no co$porta$ento dos condenados. OcupandoGse o detento1 s(oGl!e
dados !6/itos de orde$ e de o/edi=nciaJ torna$oGlo diligente e ati+o.
O tra/al!o pelo 2ual o condenado atende suas pr7prias necessidades 2uali*ica o ladr(o
e$ oper6rio d7cil. E , nesse ponto 2ue inter+,$ a utilidade de u$a retri/uiç(o pelo
tra/al!o penal1 ela i$põe ao detento u$a :$oral< do sal6rio co$o condiç(o de sua
e0ist=ncia. O sal6rio do tra/al!o penal n(o retri/ui u$a produç(o1 $as *unciona co$o
$otor de trans*or$ações indi+iduais.
A pris(o e0cede a si$ples pri+aç(o de li/erdade de u$a $aneira $ais i$portante1 pois
tende a tornarGse u$ instru$ento de $odulaç(o da pena. Assi$1 para a duraç(o do
castigo> ela per$ite 2uanti*icar e0ata$ente as penas e gradu6Glas segundo as
circunstRncias. A e0tens(o da pena n(o de+e $edir o :+alor de troca< da in*raç(o1 ela
de+e se a%ustar 9 trans*or$aç(o :Atil< do detento no decorrer de sua condenaç(o1 de
acordo co$ sua regeneraç(o1 pois sen(o poderia se tornar inAtil1 ou t(o desu$ana para
co$ o regenerado 2uanto inAtil e onerosa para o Estado. A %usta duraç(o da penas de+e1
portanto1 +ariar n(o s7 co$ o ato e suas circunstRncias1 $as co$ a pr7pria pena tal
co$o ela se desenrola concreta$ente. O rigor puniti+o n(o de+e estar e$ proporç(o
direta co$ a i$portRncia penal do ato condenado. O i$portante , apenas re*or$ar o
$au. P$a +e' operada essa re*or$a1 o cri$inoso de+e +oltar 9 sociedade.
A gra+idade %ur&dica de u$ cri$e n(o te$ a/soluta$ente +alor de sinal un&+oco para o
car6ter corrig&+el ou n(o do condenado. Particular$ente a distinç(o cri$eG
contra+enç(o1 a 2ue o c7digo *a' corresponder a distinç(o entre pris(o e reclus(o ou
tra/al!os *orçados1 n(o , operat7ria e$ ter$os de regeneraç(o. Os contra+entores s(o
e$ geral $ais +iciosos... O co$porta$ento dos cri$inosos , /e$ $el!or 2ue o dos
contra+entores1 pois s(o $ais su/$issos e la/oriosos 2ue os contra+entores.
O encarcera$ento possui e0ig=ncias pr7prias1 co$ etapas1 agra+ações te$por6rias1
atenuações sucessi+as. O siste$a progressi+o aplicado e$ Wene/ra desde #E)3 *oi
$uitas +e'es recla$ado na "rança. So/ a *or$a1 por e0e$plo1 dos tr=s setores> o de
pro+a para a generalidade dos detentos1 o setor de puniç(o e o setor de reco$pensa para
os 2ue est(o no ca$in!o da $el!ora. Ou so/ a *or$a de 2uatro *ases> per&odo de
inti$idaç(o 4pri+aç(o de tra/al!o e de 2ual2uer relaç(o interior ou e0terior5J per&odo de
tra/al!o 4isola$ento $as tra/al!o 2ue depois da *ase de ociosidade *orçada seria
acol!ido co$o u$ /ene*&cio5J regi$e de $orali'aç(o 4:con*er=ncias< $ais ou $enos
*re2Centes co$ diretores e os +isitantes o*iciais5J per&odo de tra/al!o co$u$. Se o
princ&pio da pena , se$ dA+ida u$a decis(o de %ustiça1 sua gest(o1 sua 2ualidade e
rigores de+e$ pertencer a u$ $ecanis$o autDno$o 2ue controla os e*eitos da puniç(o
no pr7prio interior do aparel!o 2ue os produ'. Todo u$ regi$e de punições e de
reco$pensas 2ue n(o , si$ples$ente u$a $aneira de *a'er respeitar o regula$ento da
pris(o1 $as de tornar e*eti+a a aç(o da pris(o so/re os detentos. . Se algu$a coisa !6
2ue possa despertar no esp&rito dos condenados as noções de /e$ e de $al1 le+6Glos a
considerações $orais e ele+6Glos u$ pouco a seus pr7prios ol!os1 , a possi/ilidade de
conseguir algu$a reco$pensa.
E para todos esses atos 2ue reti*ica$ a pena1 9 $edida 2ue ela se desenrola1 , *orçoso
ad$itir 2ue as instRncias %udici6rias n(o pode$ ter autoridade i$ediata. TrataGse1 co$
e*eito1 de $edidas 2ue por de*iniç(o s7 poderia$ inter+ir depois do %ulga$ento e s7
pode$ agir so/re as coisas 2ue n(o se%a$ in*rações. B essencial para o *unciona$ento
penal $oderno a independ=ncia carcer6ria1 2ue rei+indica o direito de ser u$ poder 2ue
te$ n(o so$ente sua autono$ia ad$inistrati+a1 $as co$o 2ue u$a parte da so/erania
puniti+a. Os redatores dos c7digos %6 ti+era$ ra'(o de distinguir o n&+el legislati+o 42ue
classi*ica os atos e l!es atri/ui as penas51 e o n&+el do %ulga$ento 42ue e0ara as
sentenças5. H6 o :%ulga$ento penitenci6rio< , tal+e' o $ais i$portante 4e$ relaç(o a
ele1 a a+aliaç(o do tri/unal n(o passa de u$a :$aneira de pre%ulgar<51 pois a $oralidade
do agente s7 pode ser apreciada 2uando posta 9 pro+a. O %ui' precisa1 portanto1 de u$
controle necess6rio e reti*icati+o de suas a+aliações1 e , esse controle 2ue a pris(o
penitenci6ria de+e o*erecer.
A grande $a2uinaria carcer6ria est6 ligada ao pr7prio *unciona$ento da pris(o.
Pode$os /e$ +er o sinal dessa autono$ia nas +iol=ncias :inAteis< dos guardas ou no
despotis$o de u$a ad$inistraç(o 2ue os pri+il,gios das 2uatro paredes. Sua rai' est6
e$ outra parte> no *ato1 %usta$ente1 de 2ue se pede 9 pris(o 2ue se%a entre :Atil<1 no *ato
de 2ue a pri+aç(o de li/erdade te+e1 desde o in&cio 2ue e0erce u$ papel t,cnicoG
positi+o1 reali'ar trans*or$ações nos indi+&duos. E para esta operaç(o o aparel!o
carcer6rio recorreu a tr=s grandes es2ue$as> o pol&ticoG$oral do isola$ento indi+idual e
da !ierar2uiaJ o $odelo econD$ico da *orça aplica a u$ tra/al!o o/rigat7rioJ o $odelo
t,cnicoG$,dico da cura e da nor$ali'aç(o. A cela1 a o*icina1 o !ospital. A $arge$ pela
2ual a pris(o e0cede a detenç(o , preenc!ida de *ato por t,cnicas de tipo disciplinar. E
esse suple$ento disciplinar e$ relaç(o ao %ur&dico1 , a isso1 e$ su$a1 2ue se c!a$a o
:penitenci6rio<.
A pris(o1 local de e0ecuç(o da pena1 , ao $es$o te$po local de o/ser+aç(o dos
indi+&duos punidos e$ dois sentidos> +igilRncia1 $as ta$/,$ con!eci$ento de cada
detento1 de seu co$porta$ento1 de suas disposições pro*undas1 de sua progressi+a
$el!ora. As prisões de+e$ ser conce/idas co$o local de *or$aç(o para u$ sa/er
cl&nico so/re os condenados. O 2ue i$plica e$ u$ ol!ar per$anente so/re os presos e
ta$/,$ 2ue se%a registrada e conta/ili'ada todas as anotações 2ue se possa to$ar so/re
eles.
O te$a do Pan7ptico M ao $es$o te$po +igilRncia e o/ser+aç(o1 segurança e sa/er M
encontrou na pris(o seu local pri+ilegiado de reali'aç(o. Se , +erdade 2ue os processos
pan7pticos1 co$o *or$as concretas de e0erc&cio do poder1 ti+era$1 pelo $enos e$
estado disperso1 larga di*us(o1 *oi s7 nas instituições penitenci6rias 2ue a utopia de
Sent!a$ pDde1 nu$ /loco1 to$ar *or$a $aterial.
No $es$o ano e$ 2ue se reco$enda+a as +ariantes do siste$a /ent!a$iano para
construir as prisões1 torna+aGse o/rigat7rio o siste$a de :conta $oral<> /oleti$
indi+idual de $odelo uni*or$e e$ todas as prisões1 no 2ual o diretor ou c!e*e dos
guardas s(o c!a$ados a inscre+er suas o/ser+ações a respeito de cada detento. B de
certo $odo a +adeG$,cu$ da ad$inistraç(o da pris(o1 2ue l!e d6 condições de a+aliar
cada caso1 cada circunstRncia1 e de tornar claro e$ conse2C=ncia o trata$ento a ser
aplicado a cada prisioneiro indi+idual$ente. TrataGse de 2ual2uer $aneira de *a'er da
pris(o u$ local de constituiç(o de u$ sa/er 2ue de+e ser+ir de princ&pio regulador para
o e0erc&cio da pr6tica penitenci6ria. A pris(o n(o te$ s7 2ue con!ecer a decis(o dos
%u&'es e aplic6Gla> ela te$ 2ue coletar per$anente$ente do detento u$ sa/er 2ue
per$itir6 trans*or$ar a $edida penal e$ u$a operaç(o penitenci6riaJ 2ue *ar6 da pena1
tornada necess6ria pela in*raç(o1 Atil para a sociedade1 pela $odi*icaç(o do detento. A
pr6tica penal1 tecnologia s6/ia1 renta/ili'a o capital in+estido no siste$a penal e a
construç(o das pesadas prisões.
Isso i$plica e$ u$a curiosa su/stituiç(o> o siste$a penitenci6rio rece/e das $(os da
%ustiça u$ condenado1 $as a tecnologia correti+a *a' surgir u$ outro personage$1 o
delin2Cente. O delin2Cente se distingue do in*rator pelo *ato de n(o ser tanto seu ato 2ue
o caracteri'a1 $as sua +ida. A operaç(o penitenci6ria1 para ser u$a +erdadeira
reeducaç(o1 de+e totali'ar a e0ist=ncia do delin2Cente1 co$ *ins de re*a'=Gla total$ente.
O castigo legal se re*ere a u$ atoJ a t,cnica puniti+a a u$a +idaJ ca/eGl!e reconstituir o
&n*i$o e o pior na *or$a do sa/erJ ca/eGl!e $odi*icar seus e*eitos ou preenc!er suas
lacunas1 atra+,s de u$a pr6tica coerciti+a. Por tr6s do in*rator a 2ue$ o in2u,rito dos
*atos pode atri/uir a responsa/ilidade de u$ delito1 re+elaGse o car6ter delin2Cente cu%a
lenta *or$aç(o transparece na in+estigaç(o /iogr6*ica. "or$aGse a noç(o de indi+&duo
:perigoso< 2ue per$ite esta/elecer u$a rede de causalidade na escale de u$a /iogra*ia
inteira e esta/elecer u$ +eredicto de puniç(oGcorreç(o.
O delin2Cente se distingue ta$/,$ do in*rator pelo *ato de n(o so$ente ser o autor de
seu ato1 $as ta$/,$ de estar a$arrado a seu delito por u$ *ei0e de *ios co$ple0os
4instintos1 pulsões1 tend=ncias1 te$pera$ento5. A t,cnica penitenci6ria se e0erce n(o
so/re a relaç(o de autoria1 $as so/re a a*inidade do cri$inoso co$ seu cri$e.
O delin2Cente1 $ani*estaç(o singular de u$ *enD$eno glo/al de cri$inalidade1 se
distri/ui e$ classes 2uase naturais1 dotadas cada u$a de suas caracter&sticas de*inidas e
cada u$a ca/endo u$ trata$ento espec&*ico. Esta$os a& ainda $uito pr70i$os das
descrições :pitorescas< do $undo dos $al*eitores M +el!a tradiç(o 2ue se re+igora na
segunda $etade do s,c. ?I?. A& se $ani*esta o tra/al!o de constituiç(o de u$a no+a
o/%eti+idade onde o cri$inoso pertence a u$a tipologia ao $es$o te$po natural e
des+iante. A delin2C=ncia1 des+io patol7gico da esp,cie !u$ana1 pode ser analisada
co$o s&ndro$es $7r/idas ou co$o grandes *or$as teratol7gicas. ;o$ a classi*icaç(o
de "errus 4de*inindo tr=s tipos de condenados de acordo co$ sua intelig=ncia e
propens(o ao cri$e1 esta/elecendo penas apropriadas para cada esp,cie5 te$os u$a das
pri$eiras con+ersões da +el!a :etnogra*ia< do cri$e e$ u$a tipologia siste$6tica dos
delin2Centes.
I6 tr=s tipos de condenados> I6 os 2ue s(o dotados :de recursos intelectuais superiores
9 $,dia de intelig=ncia 2ue esta/elece$os<1 $as 2ue se torna$ per+ersos 2uer pelas
:tend=ncias de sua organi'aç(o< e :predisposiç(o inata<J 2uer por u$a :l7gica
perniciosa<1 por u$a :$oral in&2ua<1 por u$a :perigosa apreciaç(o dos de+eres
sociais<. Para esses seria necess6rio o isola$ento de dia e de noite1 o passeio solit6rio1 e
2uando *or preciso $ant=Glos e$ contato co$ os outros1 usar :u$a $6scara le+e e$ tela
$et6lica1 parecida co$ as 2ue se usa$ para cortar pedras ou na esgri$a<. A segunda
categoria , *eita de condenados :+iciosos1 li$itados1 e$/rutecidos ou passi+os 2ue s(o
arrastados ao $al por indi*erença pela +ergon!a co$o pelo /e$1 por co+ardia1 por
preguiça1 diga$os1 e *alta de resist=ncia 9s $6s incitações<> o regi$e 2ue l!es con+,$ ,
$ais de educaç(o do 2ue de repress(o1 e se poss&+el de educaç(o $Atua> isola$ento de
noite1 tra/al!o e$ co$u$ de dia1 con+ersas per$itidas1 s7 e$ +o' alta1 leituras e$
co$u$1 seguidas de interrogações rec&procas1 sancionadas por reco$pensas. En*i$1 !6
os condenados :inaptos ou incapa'es< 2ue u$a organi'aç(o inco$pleta torna
i$pr7prios para 2ual2uer ocupaç(o 2ue e0i%a es*orços pensados e *orça de +ontade1 2ue
se encontra$ ent(o na i$possi/ilidade de sustentar a concorr=ncia do tra/al!o co$ os
oper6rios inteligentes1 e n(o tendo ne$ instruç(o /astante para con!ecer os de+eres
sociais1 ne$ intelig=ncia /astante para co$preend=Glos e co$/ater seus instintos
pessoais1 s(o le+ados ao cri$e por sua pr7pria incapacidade. Para esses1 a solid(o s7
ser+iria para *o$entar a in,rciaJ de+e$ portanto +i+er e$ co$u$1 $as de $aneira a
*or$ar grupos pouco nu$erosos1 se$pre esti$ulados por ocupações coleti+as1 e
su/$etidos a u$a +igilRncia r&gida. Assi$1 se esta/elece progressi+a$ente u$
con!eci$ento :positi+o< dos delin2uentes e suas esp,cies1 $uito di*erente da
2uali*icaç(o %ur&dica dos delitos e de suas circunstRncias> $as distinto ta$/,$ do
con!eci$ento $,dico 2ue per$ite ressaltar a loucura do indi+&duo e1 assi$1 apagar o
car6ter delituoso do ato.
Nesse no+o sa/er i$porta 2uali*icar :cienti*ica$ente< o ato en2uanto delito e
principal$ente o indi+&duo en2uanto delin2Cente. Surge a possi/ilidade de u$a
cri$inologia.
Z detenç(o pri+ati+a de li/erdade 2ue o direito de*inira1 a pris(o acrescentou o
:suple$ento< penitenci6rio1 este por sua +e' introdu'iu u$ personage$ a $ais1 2ue se
$eteu entre a2uele 2ue a lei condena e a2uela 2ue e0ecuta a lei. Onde desapareceu o
corpo $arcado1 recortado1 2uei$ado1 ani2uilado1 supliciado1 apareceu o corpo do
prisioneiro1 aco$pan!ado pela indi+idualidade do :delin2Cente<1 pela pe2uena al$a do
cri$inoso1 2ue o pr7prio aparel!o do castigo *a/ricou co$o ponto de aplicaç(o do
poder de punir e co$o o/%eto da ci=ncia penitenci6ria.
A t,cnica penitenci6ria e o !o$e$ delin2Cente s(o de algu$ $odo ir$(os g=$eos.
Ningu,$ creia 2ue *oi a desco/erta do delin2Cente por u$a racionalidade cient&*ica
2ue trou0e para as +el!as prisões o aper*eiçoa$ento das t,cnicas penitenci6rias. Ne$
ta$pouco 2ue a ela/oraç(o interna dos $,todos penitenci6rios trou0e 9 lu' a e0ist=ncia
:o/%eti+a< de u$a delin2C=ncia 2ue a a/straç(o e a in*le0i/ilidade %udici6rias n(o
podia$ perce/er. Elas aparecera$ as duas %untas co$o prolonga$ento u$a da outra
co$o u$ con%unto tecnol7gico 2ue *or$a e recorta o o/%eto a 2ue aplica seus
instru$entos. B essa delin2C=ncia *or$ada nos su/terrRneos do aparel!o %udici6rio1 2ue
de+e ser con!ecida1 a+aliada1 tratada1 2uando se pro*ere$ sentenças. B essa ano$alia1
esse perigo ine0or6+el1 essa doença1 essa *or$a de e0ist=ncia1 2ue de+er(o ser
considerados ao se reela/orare$ os c7digos. A delin2C=ncia , a +ingança da pris(o
contra a %ustiça.
as de+e$os n(o es2uecer 2ue a pris(o1 *igura concentrada e austera de todas as
disciplinas1 n(o , u$ ele$ento end7geno nos siste$a penal de*inido entre os s,culos
?@III e ?I?. O te$a de u$a sociedade puniti+a e de u$a se$iot,cnica geral da
puniç(o 2ue sustentou os c7digos ideol7gicos M /eccarianos ou /ent!a$ianos M n(o
*a'ia$ apelo ao uso uni+ersal da pris(o. Essa pris(o +e$ de outro lugar M dos
$ecanis$os pr7prios a u$ poder disciplinar. Os $ecanis$os e os e*eitos da pris(o se
di*undira$ ao longo de toda a %ustiça cri$inal $odernaJ os delin2Centes e a
delin2C=ncia a in*estara$ toda. Ser6 necess6rio procurar a ra'(o dessa te$&+el
:e*ic6cia< da pris(o.
8ue o en0erto da pris(o no siste$a penal n(o ten!a acarretado reaç(o +iolenta de
re%eiç(o se de+e1 se$ dA+ida1 a $uitas ra'ões. P$a delas , 2ue1 ao *a/ricar
delin2C=ncia1 deu 9 %ustiça cri$inal u$ ca$po unit6rio de o/%etos 4cri$inoso :$onstro<
$oral [ cri$inoso su%eito %ur&dico re2uali*icado pela puniç(o51 autenti*icado por
:ci=ncias< 4$edicina1 psicologia1 cri$inologia5 e 2ue assi$ l!e per$itiu *uncionar nu$
!ori'onte geral de :+erdade<.
A pris(o1 essa regi(o $ais so$/ria do aparel!o de %ustiça1 , o local onde o poder de
punir1 2ue n(o ousa $ais se e0ercer co$ o rosto desco/erto1 organi'a silenciosa$ente
u$ ca$po de o/%eti+idade e$ 2ue o castigo poder6 *uncionar e$ plena lu' co$o
terap=utica e a sentença se inscre+e entre os discursos do sa/er. ;o$preendeGse 2ue a
%ustiça ten!a adotado t(o *acil$ente u$a pris(o 2ue n(o *ora1 entretanto1 *il!a de seus
pensa$entos. Ela l!e era agradecida por isso.
II. Ie#aidade e dein6u7ncia
Se na lei a detenç(o , apenas pri+aç(o da li/erdade1 u$ encarcera$ento t,cnico1 a
!ist7ria re+ela 2ue a pris(o *oi dotada de supl&cios e ostentações1 co$o esp,cie de
ceri$Dnia do so*ri$ento.
Desde a colocaç(o de coleiras de *erro1 para a 2ual era$ necess6rios tr=s carrascos 4u$
aguenta a /igorna1 outro $ant,$ unidos os laços do colar de *erro e preser+a a ca/eça
do detento e o terceiro $artela o cra+o para o *ec!o51 passando pela cadeia da descida
:da ;ourtille ao ardi Wras< na 2ual os condenados acorrentados des*ila+a$ e$ Paris
*ronte a $ais de #-- $il pessoas 2ue os in%uria+a$1 golpea+a$1 etcJ +6rios *ora$ os
$o$entos e$ 2ue a pris(o e os prisioneiros ser+ira$ $ais co$o espet6culo de
!u$il!aç(o. :E$ todas as cidades por onde passa+a1 a cadeia tra'ia consigo a *estaJ
era$ as saturnais do castigoJ nela a pena +ira+a pri+il,gio<.
"oi necess6rio1 portanto1 ro$per co$ esses ritos pA/licos1 de $odo a colocar os
condenados so/ o signo do pudor ad$inistrati+o. A cadeia1 ent(o *oi su/stitu&da 4e$
%un!o de #EF75 por u$a esp,cie de Panoptico a$/ulante1 2ual2uer 2ue *osse o destino1
nen!u$ preso poderia ser +isto ou *alado. Neste carro celular s7 resta+a ao preso ou
dor$ir ou pensar1 at, se arrepender. :Sre+e !istoria a da carruage$ panoptica.
Entretanto1 a $aneira co$o ela su/stitui a cadeia e as ra'oes dessa su/stituiç(o
resu$e$ todo o processo pelo 2ual e$ oitenta anos a detenç(o penal to$ou o lugar dos
supl&cios> co$o u$a t,cnica pensada para $odi*icar os indi+&duos<.
Toda+ia1 a !ist7ria su/se2uente de$onstrou co$ a pris(o se re+elou o grande *racasso
da %ustiça penal. O encarcera$ento n(o segue orde$ cronol7gica1 !ou+e pri$eiro a
detenç(o1 depois o registro do seu *racasso1 seguido pelo surgi$ento de pro%etos de
re*or$a e de*iniç(o de u$a t,cnica penitenci6ria1 sua i$plantaç(o e a conse2uente
constataç(o de seus sucessos e *racassos.
As prisões n(o di$inue$ a ta0a de cri$inalidade1 seu au$ento ou trans*or$aç(o e$
nada altera a 2uantidade de cri$es e cri$inosos. A detenç(o pro+oca a reincid=ncia.
A pris(o *a/rica delin2uentes> i$põe o isola$ento1 tra/al!o inAtil e li$itações +iolentasJ
destinaGse a aplicar as leis e ensinar respeito por elas1 $as todo seu *unciona$ento se
desenrola e$ a/uso de poder. :O senti$ento de in%ustiça 2ue u$ prisioneiro
e0peri$enta , u$a das causas 2ue $ais pode$ tornar indo$6+el seu car6ter<. :A pris(o
torna poss&+el1 ou $el!or1 *a+orece a organi'aç(o de u$ $eio de delin2uentes1
solid6rios entre si1 !ierar2ui'ados1 prontos para todas as cu$plicidades *uturas<.
As condições dadas aos detentos li/ertados os condena a reincid=ncia> constante
+igilRncia1 designaç(o de do$ic&lio1 proi/ições de per$an=ncia1 i$possi/ilidade de
encontrar tra/al!o1 etc. A pris(o1 ainda1 *a' cair na $is,ria a *a$&lia do detento.
A cr&tica $on7tona da pris(o , *eita e$ duas direções> n(o , e*eti+a$ente corretoraJ
/e$ co$o ao 2uerer ser corretora perde sua *orça puniti+a.
Os princ&pios *unda$entais da pris(o se constitue$ de -7 $60i$as uni+ersais>
#5 A detenç(o penal de+e ent(o ter por *unç(o essencial a trans*or$aç(o do
co$porta$ento do indi+iduo.
)5 Os detentos de+e$ ser isolados ou pelo $enos repartidos de acordo co$ a gra+idade
penal de seu ato1 $as principal$ente segundo sua idade1 suas disposições1 as t,cnicas de
correç(o 2ue se pretende utili'ar para co$ eles1 as *ases de sua trans*or$aç(o.
F5 As penas1 cu%o desenrolar de+e poder ser $odi*icado segundo a indi+idualidade dos
detentos1 os resultados o/tidos1 os progressos ou as reca&das.
.5 O tra/al!o de+e ser u$a das pecas essenciais da trans*or$aç(o e da sociali'aç(o
progressi+a dos detentos.
35 A educaç(o do detento e1 por parte do poder pA/lico1 ao $es$o te$po u$a
precauç(o indispens6+el no interesse da sociedade e u$a o/rigaç(o para co$ o detento.
O5 O regi$e da pris(o de+e ser1 pelo $enos e$ parte1 controlado e assu$ido por u$
pessoal especiali'ado 2ue possua as capacidades $orais e t,cnicas de 'elar pela /oa
*or$aç(o dos indi+&duos.
75 O encarcera$ento de+e ser aco$pan!ado de $edidas de controle e de assist=ncia ate
a readaptaç(o de*initi+a do antigo detento.
:Pala+ra por pala+ra1 de u$ s,culo a outro1 as $es$as proposições *unda$entais se
repete$. E s(o dadas a cada +e' co$o a *or$ulaç(o en*i$ o/tida1 en*i$ aceita de u$a
re*or$a ate ent(o se$pre *racassada<.
Ap7s tudo isso a pris(o ainda per$anece. Tal+e' o *racasso n(o *aria parte do
*unciona$ento da pris(oU
De+er&a$os ent(o supor 2ue a pris(o e de u$a $aneira geral1 se$ du+ida1 os castigos1
n(o se destina$ a supri$ir as in*raçõesJ $as antes a distinguiGlas1 a distri/u&Glas1 a
utili'6GlasJ 2ue +isa$1 n(o tanto tornar d7ceis os 2ue est(o prontos a transgredir as leis1
$as 2ue tende$ a organi'ar a transgress(o das leis nu$a t6tica geral das su%eições. E$
resu$o1 a penalidade n(o Krepri$iriaK pura e si$ples$ente as ilegalidadesJ ela as
Kdi*erenciariaK1 *aria sua Kecono$iaK geral.
Os castigos legais de+e ser recolocados nu$a estrat,gia glo/al das ilegalidades.
Aplicado no *i$ do s,culo ?@III na luta contra as ilegalidades1 o es2ue$a geral da
re*or$a penal ro$peu o e2uil&/rio de tolerRncias1 apoios e interesses rec&procos. Partir
da& !ou+e di+ersas re+oluções1 con*litos sociais1 lutas contra regi$es pol&ticos1
resist=ncia contra industriali'aç(o e crise econo$ia. A lei e a %ustiça n(o !esitara$ e$
procla$ar sua necess6ria dissi$etria de classe. InstituiuGse u$a delin2u=ncia *ec!ada1
pre+ista1 controlada. Ptili'ouGse a delin2u=ncia co$o $,todo de separaç(o1 atra+,s de
u$a ilegalidade su/ordinada1 d7cil1 +igiada.
A delin2u=ncia *unciona1 assi$1 co$o u$ o/ser+at7rio pol&tico. E essa +igilRncia s7
*unciona se con%ugada co$ a pris(o1 por2ue esta *acilita o controle dos indi+&duos
2uando s(o li/ertados.
A +igilRncia policial *ornece a pris(o os in*ratores 2ue esta trans*or$a e$ delin2uentes1
al+o e au0iliares dos controles policiais 2ue regular$ente $anda$ alguns deles de +olta
a pris(o. N(o !6 u$a %ustiça penal destinada a punir todas as pr6ticas ilegais. Essa
produç(o da delin2u=ncia e seu in+esti$ento pelo aparel!o penal de+e$ ser to$ados
pelo 2ue s(o> n(o resultados de*initi+os1 $as t6ticas 2ue se desloca$ na $edida e$ 2ue
nunca atinge$ inteira$ente seu o/%eti+o.
Separar os delin2uentes de todas de$ais as ca$adas populares era tare*a di*&cil1 +6rios
processo *ora$ usados1 de$orouGse $uito te$po e e0igiu o/stinaç(o. as toda essa
t6tica de con*us(o tin!a co$o *inalidade u$ estado de con*lito per$anente. Notici6rios1
ro$ances1 +6rios $,todos *ora$ usados para $ostrar 2ue o delin2uente pertence a u$
$undo inteira$ente di+erso.
Nesse 2uestiona$ento da %ustiça penal e dos li$ites 2ue ela esta/elece cuidadosa$ente
e$ torno da delin2u=ncia1 , caracter&stica a t6tica do 2ue poder&a$os c!a$ar o
Kcontranotici6rio policialK. O contranotici6rio policial destaca siste$atica$ente os *atos
de delin2u=ncia da /urguesia1 $ostrando 2ue ela e a classe su/$etida a
Kdegeneresc=ncia *&sicaK1 a Kpodrid(o $oralK1 su/stitui os relatos de cri$es co$etidos
por gente do po+o pela descriç(o da $is,ria e$ 2ue cae$ os 2ue os e0plora$ e 2ue1 no
sentido estrito1 os dei0a$ co$ *o$e e os assassina$. En*i$1 e$pen!aGse todo es*orço
para trans*or$ar esse discurso $on7tono so/re o cri$e1 procurando ao $es$o te$po
isolaGlo co$o u$a $onstruosidade e *a'endo cair todo o seu escRndalo so/re a classe
$ais po/re.
Diante da disciplina co$ aspecto de lei1 te$os a ilegalidade 2ue se i$põe co$o u$
direito. A ruptura se da $ais pela indisciplina do 2ue pela in*raç(o.
III. O carcer)rio
"oucalt escol!e co$o )) de %aneiro de #E.- 4data da a/ertura o*icial de ettraQ5 para
*i0ar data e$ 2ue se co$pleta a *or$aç(o do siste$a carcer6rio.
Por 2ue ettraQU Por2ue , a *or$a disciplinar no estado $ais intenso1 o $odelo e$ 2ue
concentra$ todas as tecnologias coerciti+as do co$porta$ento. Te$ algu$a coisa Kdo
claustro1 da pris(o1 do col,gio1 do regi$entoK.
Os pe2uenos grupos1 *orte$ente !ierar2ui'ados1 entre os 2uais os detentos se reparte$1
te$ si$ultanea$ente cinco $odelos de re*erencia>
G odelo da *a$&lia 4co$posta de Kir$(osK e de dois K$ais +el!osK5J
G odelo do e0ercito 4cada *a$&lia1 co$andada por u$ c!e*e1 se di+ide e$ suas seções1
cada 2ual co$ u$ su/c!e*e5J
G odelo da o*icina1 co$ c!e*es e contra$estres 2ue assegura$ o en2uadra$ento do
tra/al!o e o aprendi'ado dos $ais %o+ensJ
G odelo da escola 4u$a !ora ou !ora e $eia de aula por diaJ o ensino e *eito pelo
pro*essor e pelos su/c!e*es5J e por *i$1
G odelo %udici6rioJ todos os dias se *a' u$a Kdistri/uiç(o de %ustiçaK no parlat7rio.
A $&ni$a deso/edi=ncia , castigada e o $el!or $eio de e+itar delitos gra+es , punir
$uito se+era$ente as $ais le+es *altasJ e$ ettraQ repri$eGse 2ual2uer pala+ra inAtilJ
a principal das punições in*ligidas , o encarcera$ento e$ celaJ pois o isola$ento e o
$el!or $eio de agir so/re o $oral das crianças.
Os c!e*es e su/c!e*es e$ ettraQ n(o de+e$ ser e0ata$ente ne$ %u&'es1 ne$
pro*essores1 ne$ contra$estres1 ne$ su/o*iciais1 ne$ KpaisK1 $as u$ pouco de tudo
isso e nu$ $odo de inter+enç(o 2ue , espec&*ico. S(o de certo $odo t,cnicos do
co$porta$ento> engen!eiros da conduta1 ortopedistas da indi+idualidade.
A $odelage$ do corpo d6 lugar a u$ con!eci$ento do indi+&duo1 o aprendi'ado das
t,cnicas indu' a $odos de co$porta$ento e a a2uisiç(o de aptidões se $istura co$ a
*i0aç(o de relações de poderJ *or$a$Gse /ons agricultores +igorosos e !6/eisJ nesse
$es$o tra/al!o1 desde 2ue tecnica$ente controlado1 *a/rica$Gse indi+&duos su/$issos1
e constituiGse so/re eles u$ sa/er e$ 2ue se pode con*iar. Duplo e*eito dessa t,cnica
disciplinar 2ue e e0ercida so/re os corpos> u$a Kal$aK a con!ecer e u$a su%eiç(o a
$anter.
E$ ettraQ eraGl!es ensinada a arte das relações de poder. Pri$eira escola nor$al da
disciplina pura> o Kpenitenci6rioK n(o , si$ples$ente u$ pro%eto 2ue procura sua
cauç(o na K!u$anidadeK ou seus *unda$entos nu$a Kci=nciaKJ $as u$a t,cnica 2ue se
aprende1 se trans$ite1 e 2ue o/edece a nor$as gerais. A t,cnica disciplinar se torna u$a
KdisciplinaK 2ue1 ta$/,$1 te$ sua escola.
No entanto1 o 2ue se passa e$ ettraQ 4e nos outros pa&ses da Europa u$ pouco $ais
cedo ou u$ pouco $ais tarde5 , a apariç(o de u$ no+o tipo de controle G a
nor$ali'aç(o disciplinar. En2uadrado por u$a $edicina ou u$a psi2uiatria 2ue l!es
garantia$ u$a *or$a de Kcienti*icidadeK e e$ u$ aparel!o %udici6rio 2ue l!es tra'ia sua
:canç(o legal<1 desen+ol+euGse a t,cnica re*letida do controle das nor$as.
Os princ&pios gerais1 os grandes c7digos e as legislações a*ir$ara$> n(o !6
encarcera$ento K*ora da leiK.
Na %ustiça penal1 a pris(o trans*or$a+a o processo puniti+o e$ t,cnica penitenciaria
4transportada pelo carcereiro da instituiç(o penal para o corpo social inteiro5. S(o +6rios
e*eitos i$portantes.
#5 Wradaç(o lenta per$ite passar da desorde$ da in*raç(o e e$ sentido in+erso da
transgress(o da lei ao des+io e$ relaç(o a u$a regra1 a u$a $,dia1 a u$a e0ig=ncia1 a
u$a nor$a.
)5 O carcer6rio1 co$ seus canais1 per$ite o recruta$ento dos grandes Kdelin2uentesK.
Organi'a o 2ue se poderia c!a$ar as Kcarcereiras disciplinaresK onde1 so/ o aspecto das
e0clusões e das re%eições1 todo u$ tra/al!o de ela/oraç(o se opera.
A rede carcer6ria n(o lança o ele$ento inassi$il6+el nu$ in*erno con*uso1 ela n(o te$
lado de *ora. Nesta sociedade panoptica1 cu%a de*esa onipresente , o encarcera$ento1 o
delin2uente n(o esta *ora da leiJ $as desde o in&cio1 dentro dela1 na pr7pria ess=ncia da
lei ou pelo $enos /e$ no $eio desses $ecanis$os 2ue *a'e$ passar insensi+el$ente
da disciplina a lei1 do des+io a in*raç(o. Se , +erdade 2ue a pris(o sanciona a
delin2u=ncia1 esta no essencial , *a/ricada nu$ encarcera$ento. O delin2uente , u$
produto da instituiç(o. O ar2uip,lago carcer6rio reali'a a *or$aç(o da delin2u=ncia a
partir das ilegalidades sutis1 o ressarci$ento destas por a2uela e a i$plantaç(o de u$a
cri$inalidade especi*icada.
F5 O e*eito $ais i$portante tal+e' do siste$a carcer6rio e de sua e0tens(o , 2ue ele
consegue tornar natural e leg&ti$o o poder de punir1 /ai0ar pelo $enos o li$ite de
tolerRncia a penalidade. O carcer6rio Knaturali'aK o poder legal de punir1 co$o
Klegali'aK o poder t,cnico de disciplinar. Io$ogenei'andoGos assi$1 apagando o 2ue
possa !a+er de +iolento e$ u$ e de ar/itr6rio no outro1 atenuando os e*eitos de re+olta
2ue a$/os possa$ suscitar.
.5 De algu$a *or$a1 o siste$a carcer6rio encareceu u$a no+a *or$a de \leiK> u$ $isto
de legalidade e nature'a1 de prescriç(o e constituiç(o1 a nor$a. Dai toda u$a serie de
e*eitos> o desloca$ento interno do poder %udici6rio ou ao $enos de seu *unciona$entoJ
cada +e' $ais di*iculdade de %ulgar1 e u$a tal 2ual +ergon!a de condenarJ u$ dese%o
*urioso de parte dos %u&'es de $edir1 a+aliar1 diagnosticar1 recon!ecer o nor$al e o
anor$alJ e a !onra rei+indicada de curar ou readaptar.
35 A organi'aç(o carcer6ria da sociedade reali'a ao $es$o te$po as captações reais do
corpo e sua perp,tua o/ser+aç(o. A rede carcer6ria constitui u$a das ar$aduras desse
poderGsa/er 2ue tornou !istorica$ente poss&+eis as ci=ncias !u$anas. O !o$e$
con!ec&+el 4al$a1 indi+idualidade1 consci=ncia1 co$porta$ento1 etc.5 e o e*eitoGo/%eto
desse in+esti$ento anal&tico1 dessa do$inaç(oGo/ser+aç(o.
O5 Isto e0plica se$ dA+ida a e0tre$a solide' da pris(o. P$ *ato e caracter&stico> 2uando
se pretende $odi*icar o regi$e de encarcera$ento1 as di*iculdades n(o +=$ s7 da
instituiç(o %udici6riaJ o 2ue resiste n(o , a pris(oGsanç(o penal1 $as a pris(o co$ todas
as suas deter$inações1 ligações e e*eitos e0tra%udici6riosJ e a pris(o co$o recurso de
recuperaç(o na rede geral das disciplinas e das +igilRncias.
O 2ue n(o 2uer di'er 2ue n(o possa ser $odi*icada ou dispens6+el de*initi+a$ente para
u$ tipo de sociedade co$o a nossa. No $eio de todos esses dispositi+os de
nor$ali'aç(o 2ue se densi*ica$1 a especi*icidade da pris(o e seu papel de %unç(o
perde$ parte de sua ra'(o de ser. Portanto1 se !6 u$ desa*io pol&tico glo/al e$ torno da
pris(o1 este n(o , sa/er se ela ser6 n(o correti+aJ se os %u&'es1 os psi2uiatras ou os
soci7logos e0ercer(o nela $ais poder 2ue os ad$inistradores e guardasJ na +erdade ele
esta na alternati+a pris(o ou algo di*erente de pris(o.