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Violência contra criança e adolescente

Diariamente, somos bombardeados por notícias e informações catastróficas, envolvendo mortes,
acidentes, tráfico, roubo, entre outros, ou seja, diferentes formas de violência. Entre essas notícias, as
violências sofridas por crianças e adolescentes têm se tornado cada vez mais frequentes: padrasto que
estupra e engravida menina de 9 anos; professora que silencia aluno colocando fita crepe na boca;
adolescentes e suas famílias “acorrentadas” pelo crack; precariedade dos serviços públicos para atender
às necessidades da população. Isso sem contar os tantos outros casos que ocorrem diariamente e não
são veiculados pelos meios de comunicação, ficando silenciados pelo anonimato.

Diante de tudo isso, pensar em infância, em crianças e adolescentes como “seres de direito” é pensar a
partir de uma trajetória histórico-cultural que foi e está sendo construída ao longo do tempo. Com a
Constituição de 1988, o “ser criança” passa a ser percebido como um sujeito social, uma criança cidadã,
portadora de direitos. Em 1990, com o Estatuto da Criança e do Adolescente, é reforçada a importância
da proteção à criança e ao adolescente contra todos os tipos de violência, sendo reconhecidos
legalmente como “sujeitos de direito”.

No entanto, o fato de termos uma legislação que respalde a infância no Brasil não garante que esta seja
respeitada e valorizada. Sabe-se que muitas crianças e adolescentes sofrem diariamente diferentes
formas de violência (física, psicológica, social, sexual) e a legislação, na maioria das vezes, pouco
contribui para amenizar este quadro.

Nós, enquanto profissionais da educação, precisamos estar atentos às diferentes formas de violência,
repensando algumas de nossas posturas frente a essa problemática. É preciso unir forças no combate à
violência infantil, por meio de uma interação constante entre os diferentes segmentos da sociedade,
denunciando todo e qualquer tipo de violência às autoridades responsáveis pela proteção dessas crianças
e adolescentes.

Por esse motivo, lançamos convite aos educadores para participarem do 2º Curso de Formação de
Profissionais da Educação: A Escola que Protege, de 28 de setembro a 9 de outubro, em Santa Maria. As
inscrições estão abertas no site www.eqp2009.net até 20 de setembro. Venham discutir formas
preventivas de encaminhamento e enfrentamento da violência no âmbito educacional, em defesa e
proteção da criança e do adolescente. Temos a obrigação social de contribuir para o desenvolvimento de
uma infância saudável, feliz e sem riscos, em que os direitos das crianças e dos adolescentes sejam
respeitados e garantidos de fato.















Infelizmente, a agressividade é sempre um tema da atualidade, especialmente a
agressividade juvenil, na qual está relacionada aos roubos, furtos, assaltos, seqüestros,
gangues, atiradores de escolas, dos queimadores de mendigos, dos homicidas ou pelo
simples fato da agressão familiar, o que não é tão difícil hoje em dia.

Segundo a UNICEF, a situação da violência na adolescência gera o seguinte fato, 44% das
crianças e adolescentes no Brasil, vivem em famílias com uma renda per capita de meio
salário mínimo, sendo que desse total, metade vive em famílias com um quarto de salário
mínimo per capita. São 29 milhões de crianças e adolescentes em situação de miséria
absoluta, filha da violência estrutural, campo propício para a experiência da delinqüência.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O caráter da globalidade do fenômeno
violência precisa estar presente nas discussões das
políticas públicas, tornando-se um desafio constante
para a equipe de enfermagem
(7)
. O enfermeiro deve
ser um agente facilitador junto da criança/adolescente,
do agressor e da equipe de saúde. Para isso, não
basta somente “ter, montar ou treinar equipes e
pessoas, mas, principalmente, estudar com rigor
científico a amplitude do tema” violência
(2)
.
É importante que o profissional de
enfermagem, através de sua conduta, faça com que
o hospital seja um ambiente menos hostil, menos
agressivo e mais acolhedor. Para isso, o enfermeiro
deve, em suas ações de cuidado, incluir aspectos
lúdicos que vão ao encontro do mundo infantil,
buscando minimizar a dor e o sofrimento causados
pela violência. Atividades interessantes que podem
ser desenvolvidas contemplariam, por exemplo:
contar histórias infantis, realizar dramatizações
utilizando o material usado no cuidado (seringas e
equipos), além de proporcionar oficinas de
criatividade em grupos, empregando argila e tinta,
entre outras possibilidades. Assim, através da
socialização e da expressão dos sentimentos e
problemas, haverá, concomitantemente, chance para
que os pais visualizem, nas atitudes dos enfermeiros,
ações adequadas que oportunizarão um outro modelo
de relacionamento e interação entre pais/filhos.
Na Rede Básica de Saúde, os profissionais
de enfermagem também têm papel fundamental no
enfrentamento da violência contra crianças e
adolescentes, visto que esse local de atuação se
apresenta como propício para a detecção precoce
desses casos. Todavia, para isso, é premente a
necessidade de mudança nos tipos de abordagens
rotineiramente empregadas nos serviços de saúde,
que propendem para uma visão assistencialista
baseada em práticas curativas fundamentadas,
especialmente, na observação de sinais e sintomas
de quadros clínicos. Numa etapa inicial, os enfermeiros
devem contribuir de maneira decisiva na identificação
dos eventos que merecem intervenção imediata ou
mediata, revelando casuísticas fidedignas. Nessa
perspectiva, uma possível idéia seria a inclusão de
perguntas sobre eventos violentos durante as consultas
de enfermagem, pois essas poderiam chamar a
atenção dos profissionais quanto à necessidade de
trabalharem essa questão com a família.
Conclui-se que o profissional de enfermagem
precisa engajar-se na melhoria da qualidade dos
serviços de saúde, a fim de contribuir para a construção
de uma sociedade mais justa, democrática e solidária.
Dessa forma, resgata seu amplo e sério compromisso
social, político e moral em relação à sua práxis
profissional. Entende-se que cada profissional,
independente da área em que atue, é responsável de
alguma maneira pelas crianças e adolescentes que
estão em situação de violência e que elas têm direito
inalienável à vida, sendo dever de todos criar
condições adequadas para que isso ocorra. Assim, o
estudo revela que o primeiro passo a se tomar deve
ser o aprofundamento e a ampliação das discussões
envolvendo a questão violência, a fim de que os
enfermeiros utilizem o conhecimento científico
construído para enfrentarem com urgência o desafio
de detectar, notificar, cuidar, minimizar e prevenir as
situações de violência contra crianças e adolescentes.