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CAVALO E BOVINO PANTANEIROS

SÃO LUIS
2013
INTRODUÇÃO
O Pantanal brasileiro consiste de uma extensa planície inundável em períodos
regulares, onde desde o período colonial desenvolveu-se economicamente à base da
exploração do gado de corte no sistema extensivo. Aliado a essa criação, a utilização de
cavalos era indispensável ao manejo dos bovinos. Ambos os animais presentes eram
descendentes de raças europeias e, ao longo dos anos, sofreram seleção natural, adaptando-se
completamente às condições da região pantaneira. Porém, a introdução de raças exóticas
altamente produtivas provocou um crescente desinteresse pelas raças nacionais, o que
contribuiu para a perda do patrimônio genético através da deriva genética, ocasionando
redução do efetivo até à quase extinção das espécies do Pantanal. Através dos esforços de
instituições, pesquisadores e criadores, estudos vem sendo realizados com o intuito de
conservação desses animais através da disseminação, divulgação e valorização dos mesmos.

CAVALO PANTANEIRO
O cavalo pantaneiro, assim como as outras espécies equinas brasileiras, foi introduzido
por colonizadores europeus. Através do cruzamento de raças lusitanas com árabes e Crioulo
Argentino surgiu, então, a raça pantaneira. Características como o casco muito resistente,
agilidade e docilidade, permitiram a fixação desses animais no Pantanal. Sua participação foi
imprescindível à lida com o gado, permanecendo vários dias em solo alagado sem danificar os
cascos e alimentando-se no período chuvoso da vegetação que fica submersa. Por ser um
animal rústico, completamente adaptado às adversidades da região pantaneira, foi eleito para
o manejo do rebanho bovino, o que permitiu a expansão da pecuária de corte e trouxe
desenvolvimento econômico para aquela região.
Os animais são de porte médio, apresentam pelagem variada (exceto albina), a altura
mínima é de 1,40 para machos e 1,35 para fêmeas. A cabeça tem fronte ampla, o perfil é
retilíneo na região frontal e ligeiramente convexo no chanfro. Possui orelhas pequenas a
médias. O tronco é longo, com peito largo, garupa musculosa e levemente inclinada, e cauda
de inserção mediana. Os membros apresentam-se longos e bem aprumados.
Atualmente sua população representa 2% da população de 120000 equinos registrados
na Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Pantaneiros (ABCCP). Da população, a
grande maioria é remanescente do pantaneiro ou, então, mestiça. Em um estudo realizado por
Santos et al (2004) foram observadas diferentes criações de cavalos pantaneiros sob o aspecto
sistema de criação. Foram escolhidas 15 fazendas em toda a região, sendo oito na sub-região
de Poconé, três em Cáceres e quatro na Nhecolândia. Os índices zootécnicos não foram
estatisticamente diferentes, apesar dos sistemas de criação diferentes (Extensivo e Semi-
Intensivo), apresentando alta taxa de fertilidade. O manejo nutricional, na maioria dos casos,
era realizado juntamente com bovinos em grandes extensões de pastagens nativas. Com
relação à sanidade, foi observado que a mortalidade era causada principalmente por acidentes
(ataque de felinos e ofídios) e doenças (Pitiose Equina, Anemia Infecciosa Equina e
Encefalite Equina).
A raça, no entanto, sofreu períodos de dificuldades ainda maiores, chegando à quase
extinção, devido às doenças (Peste das Cadeiras e Anemia Infecciosa Equina) e
endocruzamento indiscriminado. No entanto, o gargalo populacional, não foi suficiente para
causar o seu desaparecimento. Atualmente o CENARGEN (Centro de Recursos Genéticos e
Biotecnologia) é responsável pela conservação dessa raça tão característica e indispensável
para o Pantanal. A Fazenda Nhumirim, um dos campos experimentais da Embrapa Pantanal
possui 73 exemplares registrados, utilizados para realização de melhoramento genético
através da transferência de tecnologias aos produtores. A ABCCP também exerce um papel
paralelo e fundamental através da divulgação e disseminação da raça.

BOVINO PANTANEIRO
Essa raça, assim como as várias existentes no Pantanal, deriva de animais europeus,
introduzidos pelos colonizadores há aproximadamente trezentos anos. A partir desse
momento, passou a desempenhar função principal no desenvolvimento econômico da região.
No entanto, por volta da década de 30, os zebuínos foram introduzidos e iniciou-se um
período de perda do patrimônio genético do bovino pantaneiro através da realização de
cruzamentos indiscriminados e absorventes entre os dois.
As características comportamentais são típicas dos animais pantaneiros, como pastejo
da vegetação submersa no período das inundações, precocidade sexual e comportamento dócil
(quando manejados). Apresentam porte de pequeno a médio, perfil subconvexo na maioria
dos casos (alguns retilíneos), chifres bem desenvolvidos crescendo para frente e para cima,
pelagem de cor amarelo-avermelhada com extremidades mais escuras e pelos brancos na
região ventral, focinho negro, com 73% possuindo anel branco em volta deste. A cabeça é
pequena, as orelhas pequenas e arredondadas com pelos na parte interna e os olhos pretos com
presença de anel claro ao redor (73% dos animais).
Desde 1984, a Embrapa vem conservando a espécie, através da implantação do
primeiro Núcleo de Conservação “in situ” na Fazenda Nhumirim. Hoje já existem seis
núcleos na região e os esforços estão voltados para a multiplicação do rebanho visando
pesquisas de melhoramento genético. Paralelamente, a ABCBP (Associação Brasileira dos
Criadores de Bovino Pantaneiro) vem contribuindo com os programas de conservação, através
da divulgação da raça, o que contribui para a sua valorização.

CONCLUSÃO
Os animais típicos do Pantanal apresentam superioridade com relação à adaptação ao
ecossistema Pantanal, o que demonstra sua rusticidade e potencial produtivo, quando
devidamente manejado. No entanto, muitos desafios ainda precisam ser vencidos, a fim de
efetivar sua presença no mercado e conservar seu patrimônio genético.










REFERÊNCIAS
SERENO, José Robson Bezerra. Uso Potencial do Bovino Pantaneiro na Produção
de Carne Orgânica do Pantanal. I Conferência Virtual Global sobre Produção Orgânica de
Bovinos de Corte. Disponível em: < www.ciorganico.agr.br >. Acesso em 05/08/2013.

GIACOMONI, Elise Hofheinz. Estudo da Variabilidade Genética em Quatro
Raças Brasileiras de Cavalos (Equus Caballus - Equidae) utilizando Marcadores
Microssatélites. Tese de Doutorado em Genética e Biologia Molecular. Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. 2007. Acesso em: < www.lume.ufrgs.br >. Acesso em: 05/08/2013.

MCMANUS, Concepta et al. Bovino Pantaneiro. Disponível em: <
inctpecuaria.com.br >. Acesso em: 05/08/2013.

SANTOS, S.A et al. Sistema de Criação de Cavalos pantaneiros no Pantanal.
Disponível em: < www.researchgate.net > Acesso em: 05/08/2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO CRIADORES DE CAVALOS PANTANEIROS –
ABCCP. Raça Pantaneira. Disponível em: < www.abccp.com.br>. Acesso em: 05/08/2013.