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Mercantilização e relações de trabalho no ensino superior brasileiro

Apresentação
O objetivo principal deste artigo é analisar as relações de trabalho nas instituições privadas
de ensino superior (IPESs). A poltica de e!pans"o da educaç"o superior nacional #oi instituda
co$ a lei de diretri%es e bases de &''(. Esta lei consagrou a $ercantili%aç"o do ensino brasileiro
através de dois $ecanis$os co$binados) a privati%aç"o e a oligopoli%aç"o.
A privati%aç"o signi#icou a e!pans"o da rede privada de ensino *ue passou a ocupar u$
papel relevante no atendi$ento da de$anda e na abertura de vagas. +uitas delas #inanciadas pelo
poder p,blico através dos progra$as de #inancia$ento e bolsas de estudos- o .ies e o Prouni.
A oligopoli%aç"o veio co$ a criaç"o de redes de e$presas por $eio da co$pra e #us"o de
instituições privadas de ensino superior- cujos e!e$plos $ais relevantes s"o o grupo /roton e a
Anhanguera- *ue recente$ente anunciara$ a sua #us"o. As relações de trabalho s"o a#etadas por
este processo e tende$ a #orte precari%aç"o das condições de trabalho e sal0rio. Por decorr1ncia-
as condições de ensino- pes*uisa e e!tens"o ta$bé$ #ica$ co$pro$etidas.
A leitura crtica proposta visa desvendar as contradições colocadas neste processo de
atendi$ento da de$anda de $assa por educaç"o $ais barata e a degradaç"o do trabalho na
educaç"o.
Para isto- e$ pri$eiro lugar #oi e!a$inado o re#erencial bibliogr0#ico voltado para os
estudos das relações de trabalho do docente- da #le!ibili%aç"o das condições de trabalho e do
$ercado cada ve% $ais co$petitivo. .ora$ visitados autores crticos a este processo co$o Paulo
Sérgio 2u$olo- +arilena 3hau- 4alo 5atanabe +into e Sel$a 6arrido Pi$enta.
E$ segundo lugar- #oi #eita u$a consulta e$ #ontes docu$entais disponveis no +inistério
da Educaç"o e no Instituto 7acional de Pes*uisas Educacionais Ansio 2ei!eira (Inep)- *ue
per$itiu levantar in#or$ações relevantes do setor do ensino superior privado.
E$ terceiro lugar- #ora$ reali%adas tr1s entrevistas8piloto co$ pro#essores da rede particular
para tra%er u$a abordage$ e$prica do proble$a.
7as considerações #inais- volta8se para as observações crticas ao processo de
$ercantili%aç"o e #le!ibili%aç"o das relações de trabalho- a lu% da *uest"o da *ualidade do ensino.
Antecedentes históricos
As polticas de e!pans"o econ9$ica p:s8Segunda 6uerra +undial esgotara$8se a partir da
década &';<- acelerando a espiral in#lacion0ria- a co$press"o dos lucros- o congela$ento dos
investi$entos- a crise das #inanças p,blicas e- sobretudo- a i$possibilidade de redu%ir a ta!a de
dese$prego. Esse cen0rio levou as e$presas a constantes re#or$ulações e$ seus processos
produtivos e siste$as organi%acionais na busca pela co$petitividade. O *ue proporcionou u$a
grande reestruturaç"o produtiva do trabalho baseado nos alicerces da #le!ibilidade- co$ vistas a
dotar o capital do instru$ental necess0rio para tentar repor os pata$ares de e!pans"o anteriores.
Antunes (=<<>) a#ir$a *ue a reestruturaç"o produtiva acarretou a intensi#icaç"o do trabalho e
consiste e$ u$ $eio de des*uali#ic08lo e desorgani%08lo- tendo u$ claro sentido de co$bater a
autono$ia e coes"o de setores do operariado a ponto de reconsiderar o papel do trabalhador
coletivo de $assa. ?ireitos #le!veis- de $odo a dispor dessa #orça de trabalho e$ #unç"o direta
das necessidades do $ercado consu$idor.
A reestruturaç"o produtiva estruturou8se a partir do $ni$o de trabalhadores- a$pliando- por
$eio de horas e!tras- os trabalhos te$por0rios- subcontratações e terceiri%ações se$pre
deter$inados pela de$anda do $ercado consu$idor. Ainda para Antunes (=<<>)- a década de
&'>< presenciou nos pases de capitalis$o avançado pro#undas trans#or$ações no $undo do
&
trabalho- nas suas #or$as de inserç"o na estrutura produtiva- entre outras. Para ele- essas
$udanças #ora$ t"o intensas *ue a classe trabalhadora so#reu a $ais aguda crise deste século.
O r0pido au$ento da de$anda pela educaç"o e da populaç"o escolar no $undo- trou!e
consigo a crescente participaç"o da iniciativa privada e conse*uente$ente u$ recruta$ento e$
$assa de pro#essores na $aior parte dos pases- nas ,lti$as tr1s décadas. A trans#or$aç"o da
universidade e$ e$presa altera o objetivo principal desta organi%aç"o. A sua $iss"o- a ess1ncia
da sua e!ist1ncia- trans#or$a8se- da prestaç"o de serviço educacional de *ualidade e$ apenas
obter a reali%aç"o #inanceira para os seus investidores. 2odo os outros objetivos s"o colocados e$
segundo plano- co$o *ual*uer outra e$presa privada. O docente dei!a de ser u$ ativo para
torna8se parte do passivo da organi%aç"o. @$ custo #i!o co$o *ual*uer outro- *ue deve ser
se$pre contido- e se possvel- eli$inado.
Assi$ co$o as e$presas p:s $odernas- as instituições acad1$icas particulares passa$ por
u$ processo de reorgani%aç"o da produç"o e do trabalho- a reestruturaç"o produtiva. Esta
reestruturaç"o te$ co$patibili%ado $udanças institucionais e organi%acionais nas relações de
produç"o e de trabalho- associadas As polticas deno$inadas neoliberais co$ objetivo principal
de lucratividade.
A partir da década de '<- assiste8se na A$érica 4atina o apro#unda$ento das polticas
neoliberais cujos desdobra$entos te$ sido a recon#iguraç"o da atuaç"o do estado e do $undo do
trabalho- visando garantir u$a reto$ada do pata$ar de rentabilidade do capital. 3o$o
conse*u1ncia dessa recon#iguraç"o a educaç"o passa por trans#or$ações pro#undas nos seus
objetivos- nas suas #unções e na sua organi%aç"o- na tentativa de ade*uar8se As de$andas a ela
apresentadas.
A Educaç"o Superior B ao tornar8se o alvo pre#erencial da $ercantili%aç"o da educaç"o e
das orientações dos organis$os internacionais (Canco +undialD .+I- etc) na
i$ple$entaç"o de diretri%es privati%antes B- constitui8se nu$ espaço pro#cuo de
lucratividade a u$a #raç"o da burguesia- a burguesia do setor de serviços ao $es$o
te$po e$ *ue possibilita u$a E#or$aç"o hu$ana li$itadaF- restrita e #or$atada aos
interesses de e!pans"o e continuidade da sociedade capitalista. Isto é- *ue possibilita a
#or$aç"o de u$ ser hu$ano integrado a l:gica do capital *ue E... n"o apenas veste a
Gca$isa da e$presaH- $as- aci$a de tudo- u$ ser hu$ano *ue- pre$ido pelas condições
$ateriais- Gveste a ca$isa do capitalHF (2u$olo- =<<I- p. &;J).
O cresci$ento do setor de serviços assu$e u$ espaço i$portante no processo da reproduç"o
capitalista. 7este conte!to- observa8se o processo de subordinaç"o da educaç"o aos interesses do
$ercado- con#igurando8se nu$ espaço tanto de disse$inaç"o de u$a ideologia Edo $ercadoF
*uanto de u$a E#or$aç"oF da #orça de trabalho de acordo co$ as de$andas do capital. @$
e!e$plo ilustrativo é o processo de privati%ações- *ue no Crasil teve incio da década de '< e
apro#undou8se na gest"o do governo de .ernando Kenri*ue 3ardoso (&''J8=<<I)- e *ue
atual$ente ainda te$ estado #orte$ente presente nas polticas educacionais brasileiras. A
universidade brasileira te$ sido objeto desse processo de privati%aç"o *ue ainda est0 e$ curso- e
te$ seguindo as diretri%es do Canco +undial (2u$olo- =<<I).
O Crasil optou pelo cresci$ento da sua rede de ensino superior através rede privada. @$a
conse*u1ncia pr0tica dessa poltica co$eçou a ser $ais propria$ente observada por volta da
pri$eira $etade da década de &''<- *uando a relaç"o de $atrculas e$ cursos presenciais
o#erecidas por IESs privadas e p,blicas au$entou bastante e$ #avor das pri$eiras. Se até a
década de &'>< cada setor #icava co$ J<L das $atrculas- no #inal da década de &''< esta
=
relaç"o #oi de ;<L para I<L e$ #avor das IESs privadas. E$ =<&< a relaç"o #icou e$ ;M-=L de
$atrculas nas redes privadas- ante =J->L na rede p,blica.
As polticas neoliberais- $ercantilistas e e!pansionistas na educaç"o superior s"o re#letidas
nas pr0ticas das relações de trabalho entre e as instituições de ensino e os pro#essores. A poltica
de e!pans"o do ensino superior brasileiro é parte da re#or$a do Estado i$ple$entada no pas- a
partir da década de &''<- chegando aos dias atuais. A re#or$a consiste- e$ sua ess1ncia- na
rede#iniç"o do papel do Estado *ue rea#ir$a- por u$ lado- o valor do Estado de$ocr0tico e
republicano co$o o N$bito natural da justiça e co$o instNncia estratégica de redistribuiç"o de
recursos- ao $es$o te$po e$ *ue ele é des$antelado- e$ #unç"o do re#orço darOiniano do
$ercado. As bases da re#or$a do Estado brasileiro #ora$ estabelecidas- e$ &''J- por $eio do
Plano ?iretor da Pe#or$a do Estado (P?PE)- *ue te$ co$o principais diretri%es a privati%aç"o- a
terceiri%aç"o e a publici%aç"o (3haves- =<&<D Pi$enta- =<&<D 2u$olo- =<<I).
7a 0rea educacional- a poltica de #ocali%aç"o se $ani#esta por $eio da priori%aç"o dos
recurso da @ni"o para o atendi$ento ao ensino #unda$entalD pela criaç"o de bolsas para os
estudantes do ensino superior privado- a e!e$plo do Progra$a @niversidade para 2odos
(PPO@7I)D e pela reduç"o dos investi$entos p,blicos nas instituições de ensino superior (IESs)
p,blicas- indu%indo8as A captaç"o de recursos no $ercado capitalista. Assi$- o ensino superior
dei!a de ser direito social- trans#or$ando8se e$ $ercadoria. A tese é de *ue o siste$a de ensino
superior deve se tornar $ais diversi#icado e #le!vel- objetivando u$a e!pans"o co$ contenç"o
nos gastos p,blicos. ?ando curso a essa poltica- as instituições privadas de ensino superior
#ora$ esti$uladas- pelos governos- a se e!pandir- por $eio da liberali%aç"o dos serviços
educacionais e da isenç"o #iscal- e$ especial- da o#erta de cursos aligeirados (co$ $ais no$e do
*ue conte,do)- voltados apenas para o ensino pr0tico e desvinculado da pes*uisa (Pi$enta- =<&<D
2u$olo- =<<I).
7o caso dos pro#essores de educaç"o superior- as oportunidades de e$prego v1$
au$entando- co$ a e!pans"o das instituições particulares de ensino- e$ todo o territ:rio
nacional. A esse au$ento nu$érico da e$pregabilidade n"o est"o associados processos de
pro#issionali%aç"o- ne$ inicial e ne$ continuada- para os docentes universit0rios- pois as
e!ig1ncias para a doc1ncia- nesse nvel- se encontra$ associadas apenas A #or$aç"o na 0rea
espec#ica. Alé$ disso- considerando *ue- $uitas ve%es- a atividade docente é assu$ida co$o
$ais u$a atividade para a obtenç"o de renda- e n"o co$o pro#iss"o de escolha- os pr:prios
docentes n"o valori%a$ u$a #or$aç"o pro#issional (Pi$enta- =<&<).
Portanto- é certo *ue tal cresci$ento da #orça de trabalho docente #oi (e continua sendo)
$arcado pela #le!ibili%aç"o dos contratos trabalhistas. S"o essas possibilidades de contrataç"o
prec0ria- abertas por pr0ticas constitudas A $arge$ da lei ou $es$o por $odi#icações na
legislaç"o trabalhista- *ue t1$ #eito co$ *ue o n,$ero de docentes au$ente. 7esse sentido- é
certo ta$bé$ *ue- tornado nu$erica$ente predo$inante- o trabalho considerado prec0rio e
in#or$al tende a converter8se e$ $edida para todo tipo de trabalho restante. Este é o principal
#unda$ento hist:rico do processo *ue atravessa$os (Cosi- =<<;).
Para $elhor co$preens"o do te$a- o artigo tra% u$a breve e!posiç"o- co$ #oco na re#or$a
da educaç"o superior- a partir da 4ei de ?iretri%es e Cases da Educaç"o 7acional (4?C B 4ei n.
'.I'MQ&''()- e sua relaç"o co$ a crise do capitalis$o e a re#or$a do Estado.
A reforma da educação superior a partir da LDB n. 9.394/1996
3o$o j0 tratado a ci$a- desde o #inal dos anos de &';<- co$ a crise do siste$a capitalista o
debate sobre o ensino superior ganha #orça. Principal$ente e$ conse*u1ncia as re#or$as
i$postas pelo ajuste global do capitalis$o *ue visara$ A abertura irrestrita ao $ercado através de
I
polticas *ue visa$ a di$inuiç"o do Estado. 3o$ isso- observou8se u$ $ovi$ento de
recon#iguraç"o das es#eras p,blica e privada- a#etando direta$ente a educaç"o- e suposta$ente a
educaç"o superior. Esse conte!to se concreti%ou nos anos de &''<- a partir de u$ $ovi$ento
re#or$ista- orientado pelos organis$os internacionais- co$o o .undo +onet0rio Internacional e o
Canco +undial e e$ co$u$ acordo co$ governos neoliberais.
Privati%ações- desregula$entações- supress"o de subvenções nos setores sociais)
tudo passa por ai. Abdicaç"o. Alinha$ento estrito de todos a u$ s: $odelo. Para todos
os povos- h0 u$ s: catecis$o. Para todos i$põe$8se os $es$os $étodos- as $es$as
poções $0gicas *ue redu%e$ todos os parN$etros da sociedade A rentabilidade B $as
a*uela *ue bene#icia os credores- austeridade (.orrester- =<<&- p.&J;).
As re#or$as educacionais e!igidas e$ #ace aos endivida$entos e!ternos- s"o orientadas e$
ra%"o de #inancia$ento. 3o$o #ontes de receita para superar o dé#icit p,blico e estabili%ar as
econo$ias da regi"o. ?e#ende$ a reduç"o dos custos- o au$ento da co$petitividade e a
#or$aç"o de recursos hu$anos $ais produtivos. @$ $ovi$ento de re#or$a do Estado capitalista
para ade*uar8se ao novo $odelo de acu$ulaç"o #le!vel.
A Pe#or$a do Estado brasileiro pretende $oderni%ar e racionali%ar as atividades estatais-
rede#inidas e distribudas e$ setores- a*ueles *ue pode$ ser reali%ados por instituições n"o
estatais- na *ualidade de prestadoras de serviços. O Estado pode prover tais serviços- $as n"o os
e!ecuta direta$ente ne$ e!ecuta u$a poltica reguladora dessa prestaç"o. 7esses serviços est"o
includas a educaç"o- a sa,de- a cultura e as utilidades p,blicas- entendidas co$o Eorgani%ações
sociaisF prestadoras de serviços *ue celebra$ Econtratos de gest"oF co$ o Estado. A re#or$a te$
u$ pressuposto ideol:gico b0sico) o $ercado é portador de racionalidade sociopoltica e agente
principal do be$8estar da Pep,blica. Esse pressuposto leva a colocar direitos sociais (co$o a
sa,de- a educaç"o e a cultura) no setor de serviços de#inidos pelo $ercado. ?essa $aneira- a
re#or$a encolhe o espaço p,blico de$ocr0tico dos direitos e a$plia o espaço privado n"o s: ali
onde isso seria previsvel B nas atividades ligadas A produç"o econ9$ica B- $as ta$bé$ onde
n"o é ad$issvel B no ca$po dos direitos sociais con*uistados (3hau- &''').
Para 3hau a re#or$a #le!ibili%a leis trabalhistas co$o a eli$inaç"o do regi$e ,nico de
trabalho e a dedicaç"o e!clusiva- substituindo8os por contratos #le!veis- te$por0rios e prec0rios
alé$ da crescente inclus"o do especialista co$o docente- visando atender as de$andas das
e$presas. 3hau ta$bé$ aponta a deterioraç"o da pes*uisa co$ a criaç"o dos centros aut9no$os
(centros universit0rios e #aculdades) *ue se absté$ das pes*uisas universit0rias e apenas e!erce$
u$a educaç"o de *ualidade *uestion0vel (3hau- &''')
Essa necessidade da reordenaç"o econ9$ica- poltica e social do Estado brasileiro ganharia o
status de +inistério .ederal co$ a cha$ada Pe#or$a do Estado- no incio dos anos '<. A
reordenaç"o torna8se necess0ria na $edida e$ *ue é preciso reinstituir a relaç"o Estado8
sociedade- perdida co$ as décadas de crise. @$a espécie de realocaç"o da elite no poder- pelos
recentes con*uistas sociais. .i$ da ditadura- ascens"o dos $ovi$entos sociais- co$ desta*ue
para as lutas sindicais no AC3 paulista e por ,lti$o a 3onstituiç"o .ederal de &'>> signi#icou u$
verdadeiro tropeço ante #orças hist:ricas do capital (elite)- u$a ve% *ue instituiu o con#lito ao
reconhecer os direitos sociais (+into- =<<().
A 4ei de ?iretri%es e Cases da Educaç"o 7acional (4?C)- aprovada e$ =< de de%e$bro de
&''(- é considerada o $arco legal da re#or$a i$plantada no pas- na *ual o Estado assu$iu papel
destacado no controle e na gest"o das polticas educacionais- ao $es$o te$po e$ *ue liberali%ou
M
a o#erta da educaç"o superior pela iniciativa privada- co$o pode ser evidenciado no dispositivo
legal a seguir)
Art. ;R O ensino é livre A iniciativa privada- atendidas as seguintes condições) I 8
cu$pri$ento das nor$as gerais da educaç"o nacional e do respectivo siste$a de ensinoD
II 8 autori%aç"o de #unciona$ento e avaliaç"o de *ualidade pelo Poder P,blicoD III 8
capacidade de auto#inancia$ento- ressalvado o previsto no art. =&I da 3onstituiç"o
.ederal (Crasil- =<&=a).
A partir da 4?C de &''(- #ica clara a poltica nacional a ser adotada- onde o Estado ser0
apenas o regulador e controlador desse serviço- por $eio da criaç"o de $ecanis$os de
credencia$ento e avaliaç"o. O ensino superior- a 4?C pro$oveu a intensi#icaç"o da do setor
privado no $ercado- ao ad$itir a e!ist1ncia e o #unciona$ento de instituições co$ #ins
lucrativos.
A lei anterior- *ue vigora para o ensino superior- 4ei J.JM< de => de nove$bro de &'(>- e$
seu segundo artigo- descrevia) o ensino superior deveria ser $inistrado e$ universidades- e
e!cepcional$ente- e$ estabeleci$entos isolados (Crasil- =<&=). Portanto- a 4ei '.I'M de &''(
possibilitou as $udanças para a privati%aç"o do ensino superior brasileiro. Principal$ente
*uando en#ati%a *ue) a educação superior será ministrada em instituições de ensino superior,
públicas ou privadas, com variados graus de abrangência ou especializaçãoS (Crasil- =<&=b).
Portanto a educaç"o superior n"o seria $ais u$a e!clusividade das universidades. Essa
abertura trou!e a possibilidade de instituições n"o universit0rias podere$ usar variados graus de
autono$ia- e$ #unç"o de sua co$pet1ncia- *ualidade ou especi#icidade- co$o é o caso do centro
universit0rio. 7o entanto- apenas o artigo &R do ?ecreto =.I<( de &' de agosto de &''; (Crasil-
=<&=) #le!ibili%ou ainda $ais a 4ei de &''(- onde)
... poderão assumir qualquer das formas admitidas em direito, de natureza civil ou
comercial...
Este novo artigo propiciou a abertura de entidades co$ #ins lucrativos- atraindo assi$-
e$preendedores da iniciativa privada- a$pliando a $ercantili%aç"o do ensino superior. A
liberdade civil e co$ercial- tra%ida pelo ?ecreto =.I<(- a$plia a capacidade privada de
investi$ento neste $ercado através do $ercado #inanceiro.
Apenas e$ =<<(- o ?ecreto J.;;I- de ' de $aio de =<<(- revogou e$ parte- o artigo
pri$eiro do ?ecreto =.I<( de &''; e institua e$ seu séti$o e nono artigo *ue)

Art. =R O siste$a #ederal de ensino superior co$preende as instituições #ederais de
educaç"o superior- as instituições de educaç"o superior criadas e $antidas pela iniciativa
privada e os :rg"os #ederais de educaç"o superior. Art. 'R A educaç"o superior é livre A
iniciativa privada- observadas as nor$as gerais da educaç"o nacional e $ediante
autori%aç"o e avaliaç"o de *ualidade pelo Poder P,blico (Crasil- =<&=).

O ?ecreto de =<<(- possibilitou $aiores poderes ao poder p,blico- *ue através do +inistério
da Educaç"o- ser0 autoridade $0!i$a para credenciar e descredenciar as IPESs con#or$e suas
$etodologias de avaliaç"o. 7o entanto- o $es$o ?ecreto J.;;I de =<<( abriu ca$inho para
IPESs variadas e in#eriores as universidades. Segundo a Portaria 7or$ativa nR M<- de &= de
de%e$bro de =<<;- as instituições de educaç"o superior- de acordo co$ sua organi%aç"o
acad1$ica- s"o classi#icadas co$o)
J
Art. &=. As instituições de educaç"o superior- de acordo co$ sua organi%aç"o e
respectivas prerrogativas acad1$icas- ser"o credenciadas co$o) I 8 #aculdadesD II 8
centros universit0riosD e III 8 universidades.
Art. &I. O incio do #unciona$ento de instituiç"o de educaç"o superior é
condicionado A ediç"o prévia de ato de credencia$ento pelo +inistério da Educaç"o.
T &R A instituiç"o ser0 credenciada original$ente co$o #aculdade.
T =R O credencia$ento co$o universidade ou centro universit0rio- co$ as
conse*uente prerrogativas de autono$ia- depende do credencia$ento espec#ico de
instituiç"o j0 credenciada- e$ #unciona$ento regular e co$ padr"o satis#at:rio de
*ualidade (Crasil- =<&=).
Portanto- o ?ecreto de =<<( regula$enta- $as a$plia as possibilidades de $odelos de
instituições privadas capa%es de prestar o serviço de educaç"o superior. 3riou o $odelo cha$ado
de centro universit0rio- u$a deterioraç"o da universidade. 3o$o $ostrado a bai!o- o decreto
en#ati%a *ue a principal di#erença entre a universidade e o centro universit0rio- é o pro#essor.
Assi$- o centro universit0rio aceita pro#essores co$ titulações in#eriores e contratos de trabalho
#le!ibili%ados e$ relaç"o aos pro#essores universit0rios.
3o$o de$onstra o ?ecreto- das tr1s principais di#erenças entre a universidade e o centro
universit0rio- duas s"o relacionadas direta$ente aos pro#essores)
Os centros universit0rios s"o instituições de ensino superior pluricurriculares *ue se
caracteri%a$ pela e!cel1ncia do ensino o#erecido- pela *uali#icaç"o do seu corpo
docente e pelas condições de trabalho acad1$ico o#erecidas A co$unidade escolar. S"o
re*uisitos de atendi$ento por essas instituições) I B u$ *uinto do corpo docente e$
regi$e de te$po integralD e II B u$ terço do corpo docente- pelo $enos- co$ titulaç"o
acad1$ica de $estrado ou doutorado- con#or$e ?ecreto nR J.;>(- de =M de $aio de
=<<( (Crasil- =<&=).
As universidades s"o instituições pluricurriculares de #or$aç"o dos *uadros
pro#issionais de nvel superior- de pes*uisa- de e!tens"o e de do$nio e cultivo do saber
hu$ano- *ue se caracteri%a$ por) I B produç"o intelectual institucionali%ada $ediante o
estudo siste$0tico de te$as e proble$as $ais relevantes tanto do ponto de vista
cient#ico e cultural *uanto regional e nacionalD II B u$ terço do corpo docente- pelo
$enos- co$ titulaç"o acad1$ica de $estrado ou doutoradoD III B u$ terço do corpo
docente e$ regi$e de te$po integral- con#or$e 4ei '.I'M- de =< de de%e$bro de &''(
(Crasil- =<&=).
O te$po integral nor$al$ente solicita do docente as tr1s #unções caractersticas da
universidade) ensino- pes*uisa e e!tens"o. Pode8se #acil$ente constatar *ue- nessas condições de
trabalho- o te$po integral torna $ais vi0vel a e#etivaç"o das tr1s #unções 7os casos dos
pro#essores horistas- a $aioria no ensino superior brasileiro particular- o papel do docente centra8
se na horaQaula- pois é esse o te$po para o *ual ele é pago. 3o$o o valor obtido por esse trabalho
costu$a ser insu#iciente para a sobreviv1ncia- o pro#essor obriga8se a a$pliar os turnos e
trabalhar e$ $ais de u$a instituiç"o para obter u$a renda $ensal b0sica- #icando todo o seu
te$po disponvel utili%ados para desloca$ento e sala de aula (Pi$enta- =<&<).
(
A mercantilização do ensino superior e a função do professor
As relações de trabalho so#rera$ alterações a partir da poltica de e!pans"o da educaç"o
superior nacional- instituda co$ a lei de diretri%es e bases de &''(. Esta lei abriu o ca$inho para
o predo$ino da privati%aç"o do ensino superior brasileiro. E$ se*u1ncia ocorreu #orte
oligopoli%aç"o co$ a criaç"o de redes de e$presas por $eio da co$pra e #us"o de instituições de
ensino superior privadas do pas- seja por e$presas nacionais ou internacionais e pela abertura de
capitais destas nas bolsas de valores.
Entende8se este processo co$o $ercantili%aç"o do ensino superior *ue sub$ete os
pro#essores a redu%ire$ sua #orça de trabalho A #or$a abstrata do valor de troca co$o
$ercadoria. E$ outras palavras- a #orça de trabalho do pro#essor passa a ser #unda$ental co$o
geradora da $ais valia e assi$ v1 redu%ida a sua di$ens"o *ualitativa co$o valor de uso do
trabalho e$ #avor da di$ens"o *uantitativa co$o ativo cont0bil e custo- co$o e$ *ual*uer outra
organi%aç"o privada e obstinada pelo lucro.
3o$ a e!pans"o do ensino privado- au$enta o e$prego da #orça de trabalho *ue seria u$
#ator #avor0vel- n"o #osse$ as condições prec0rias da grande $aioria destes trabalhadores do
ensino. Isto tra% u$ *uestiona$ento do $odelo adotado entre a e#ic0cia do neg:cio capitalista da
educaç"o e a e#etividade Q legiti$idade do ensino en*uanto *ualidade.
Os ,lti$os anos t1$ tra%ido $udanças signi#icativas para os trabalhadores docentes das
IPESs nacionais. S"o re#or$as *ue atua$ n"o s: no nvel da instituiç"o- $as e$ todo o siste$a-
repercutindo e$ $udanças pro#undas na nature%a do trabalho do docente. S"o tra%idas para
debates as discussões sobre os processos de #le!ibili%aç"o e precari%aç"o das relações de trabalho
entre os pro#essores e as IPESs. A intensi#icaç"o da participaç"o da iniciativa privada na o#erta
desta $odalidade de educaç"o apro#unda a relevNncia do te$a (Augusto- =<<J).
As recentes $udanças no $undo do trabalho (reestruturaç"o produtiva- #le!ibili%aç"o da
legislaç"o trabalhista- precari%aç"o do trabalho etc.) torna$8se- cada ve% $ais- te$as #re*uentes
nas universidades. 7o caso do trabalho docente- t1$ esclarecido sobre as diversas dinN$icas de
precari%aç"o vivenciadas na doc1ncia do ensino #unda$ental e $édio e superior (Oliveira- =<<M).
O ensino superior no Crasil vive u$ $o$ento $par na hist:ria da educaç"o superior
$undial. Os neg:cios de #us"o e a*uisiç"o j0 envolvera$ &>= instituições desde $arço de =<<;-
*uando #oi reali%ada na bolsa de valores a pri$eira o#erta p,blica o#icial pela Anhanguera
Educacional. A previs"o de especialistas de $ercado é de *ue o processo de co$pra e venda se
$antenha por $ais alguns anos- o *ue vai dar u$a nova cara para o setor (Craga et al.- =<&&).
A abertura do capital das principais IPESs brasileiras ao $ercado de ações e a valori%aç"o
destas ,lti$as possibilita$ o au$ento de seu capital- a co$pra de outras instituições $enores-
espalhadas no pas- e- co$ isso- a #or$aç"o de grandes grupos e$presariais- ta$bé$
deno$inados EredesF- u$ processo de oligopoli%aç"o de $ercado. As concepções anterior$ente
resu$idas entre o paradig$a $oderno e p:s $oderno v1$ acarretando i$portantes $udanças no
pro#essorado. Para +orosini (=<<>)- a ,lti$a década registrou caractersticas de deterioraç"o na
categoria de pro#essor principal$ente devido a $assi#icaç"o- a di$inuiç"o do suporte #inanceiro
p,blico e de #undos de pes*uisas. As polticas neoliberais- $ercantilistas e e!pansionistas na
educaç"o superior s"o re#letidas nas pr0ticas das relações de trabalho entre e as instituições de
ensino e os pro#essores.
;
?iante da i$portNncia da #unç"o do pro#essor *uando se #ala e$ educaç"o de *ualidade-
aspectos #unda$entais para a atividade do docente- co$o #or$aç"o- duraç"o da jornada de
trabalho- re$uneraç"o e estrutura da carreira (Uieira- =<<I)- deveria$ receber o trata$ento
ade*uado na pauta das polticas educacionais. 7o entanto- observa8se *ue co$ intensi#icaç"o da
iniciativa privada no ensino superior- as relações trabalhistas entre docentes e IPESs deteriora$8
se e$ *uais aspectosV
As relações trabalhistas s"o #unda$entais para o e!erccio de *ual*uer pro#iss"o-
principal$ente e$ u$a sociedade sob a l:gica capitalista- e n"o é di#erente *uando se trata da
doc1ncia no conte!to do siste$a educacional brasileiro atual. 7este sentido- h0 *ue ressaltar *ue
por tr0s da discuss"o das relações de trabalho est0 a re$uneraç"o co$o #ator relevante para a
garantia da *ualidade e$ *ual*uer pro#iss"o. Ualori%ar o docente é atrair bons pro#issionais e
conse*uente$ente elevar a *ualidade do serviço prestado.
As relações trabalhistas- entre as IPESs e os pro#essores- so#rera$ alterações a partir da
poltica de e!pans"o da educaç"o superior nacional através da rede particular- institudas ap:s a
lei de diretri%es e bases de &''(V Wuais alteraçõesV
O processo de inclus"o de $assa no ensino superior através das redes particulares- as IPESs-
te$ contribudo para a deterioraç"o das relações de trabalho para co$ os pro#essores. A recente
entrada- das $aiores IPESs brasileiras- no $ercado #inanceiro as a#asta$ ainda $ais do
co$pro$isso central de u$a instituiç"o de ensino superior- e as leva$ para o objetivo co$u$ de
toda e$presa- o retorno #inanceiro aos seus investidores- a obstinaç"o do lucro por si s:.
7o Censo da Educação uperior !"#" $ %anorama &acional do Ensino uperior produ%ido
pelo +inistério da Educaç"o (+E3) e$ parceria co$ o Instituto 7acional de Estudos e Pes*uisas
Educacionais Ansio 2ei!eira (Inep)- tra% dados *ue en#ati%a$ o processo de $ercantili%aç"o do
ensino superior brasileiro na pri$eira década do século XXI.
Censo da Educação Superior 2010 !anorama nacional do ensino superior
O total de instituições e$ =<<& era de &.I'&. E$ =<&< chega a =.I;>. O cresci$ento #oi de
;ML e$ &< anos. En*uanto as IESs p,blicas crescera$ apenas JIL. As IPESs correspondia$ a
>(->L das IESs no Crasil e$ =<<& e e$ =<&< representava$ >>-IL con#ir$ando a ascens"o no
ensino superior das IPESs na ,lti$a década. En*uanto as IESs p,blicas di$inura$ sua
participaç"o na rede nacional de ensino superior de &I-=L e$ =<<&- para apenas &&-;L e$ =<&<
(Inep- =<&=).
Seguindo a $es$a tend1ncia de cresci$ento- o n,$ero de $atrculas nas IPESs alcançou os
;M-=L e$ =<&<. E$ =<<&- este n,$ero era de (>-'L- u$ cresci$ento de J-IL. As IESs p,blicas
era$ respons0veis- e$ =<<&- por I&-&L das $atrculas nacionais- e$ =<&< registrou =J->L
(Inep- =<&=).
S"o I;>.=J; docentes no ensino superior brasileiro. 7a rede particular s"o ==;.MM=- o *ue
representa (<L deste total. Segundo o censo- as IPESs au$entara$ o n,$ero de pro#essores
$estres e doutores e$ relaç"o aos pro#essores co$ #or$aç"o até especiali%aç"o (graduaç"o ou
especiali%aç"o). +as ainda as IESs p,blicas contava$- e$ =<&<- co$ ;>->L dos seus docentes
co$ ttulos de $estres ou doutores (=>-' $estres e M'-' doutores). As IPESs contava$ co$
apenas J>-JL dos docentes co$ titulaç"o de $estres ou doutores (MI-& $estres e &J-M doutores)
(Inep- =<&=).
>
Kouve u$a pe*uena elevaç"o das #unções dos docentes co$ doutorado nas instituições
privadas- $as esse percentual ainda se $ostra bastante redu%ido co$parativa$ente ao veri#icado
nas instituições p,blicas. Ueri#icou8se u$a correspond1ncia de tr1s #unções docentes co$
doutorado nas IESs p,blicas para cada #unç"o docente co$ essa titulaç"o nas IPESs (Inep- =<&=).
7as IPESs veri#icou a preval1ncia do regi$e de trabalho de horistas- ainda *ue esses tenha$
di$inudo de JJ->L- e$ =<<=- para M>-<L- e$ =<&<. Os regi$es integral e parcial au$enta$
seus percentuais de participaç"o- sobretudo de =<<> para =<&<. 7o ano de =<&<- =ML dos
regi$es de trabalho s"o e$ te$po integral e =>-<L e$ te$po parcial (Inep- =<&=).
E$ co$paraç"o co$ categoria p,blica o regi$e de trabalho de te$po integral predo$inou
na pri$eira década deste século. Para as IESs p,blicas- pode se observar *ue s"o crescentes os
percentuais relativos a te$po integral- ao longo do perodo pes*uisado- *ue passa a representar
><-=L e$ =<&<. O regi$e de te$po parcial- por sua ve%- passa de &>-JL- e$ =<<=- para &=-'L-
e$ =<&<. Pesidual$ente- o percentual de horistas representa (->L- e$ =<&<. As IPESs e$ =<&<
possua$ apenas =ML dos seus docentes e$ regi$e de te$po integral- u$a di#erença alar$ante
ao co$para$os co$ o $es$o tipo de contrato de trabalho co$ as IESs p,blicas *ue te$ ><-=L
dos pro#essores e$ regi$e integral (Inep- =<&=).
O Plano 7acional de Educaç"o- desenhado pelo +E3- estabelece co$o $eta a $atrcula de
IIL da populaç"o co$ idade entre &> e =M anos no ensino superior. Atual$ente- apenas &M-(L
desse contingente- esti$ado e$ cerca de =< $ilhões de pessoas est0 $atriculado e$ #aculdades e
universidades (Pnad- =<&&). Portanto- o $ercado brasileiro torna8se interessante para investidores
por dois $otivos) a $anutenç"o e a$pliaç"o do da poltica de a$pliaç"o do ensino superior
através da iniciativa privada- pelos ,lti$os governos e segundo- devido ao enor$e $ercado a ser
e!plorado.
7o entanto- o *ue concerne aos pro#essores- o trabalho ainda se reali%a- e$ sua $aioria- sob
a #or$a de e$prego- apesar de j0 se anunciare$ novas #or$as- co$o o trabalho aut9no$o e
terceiri%ado. K0 outras $odalidades co$o a $onitoria- *ue substitui o trabalho do pro#essor pelo
aluno- ou $es$o- a utili%aç"o do ensino a distNncia co$o $ais u$a alternativa de reduç"o de
custo co$ a $"o de obra especiali%ada.
A formação de oli"opólios no ensino superior pri#ado
Para Craga et al. (=<&&) o $ercado do ensino superior no Crasil vive u$ processo de
reestruturaç"o e conse*uente oligopoli%aç"o. Os neg:cios de #us"o e a*uisiç"o j0 envolvera$ &>=
instituições desde $arço de =<<;- *uando #oi reali%ada na bolsa de valores a pri$eira o#erta
p,blica o#icial pela Anhanguera Educacional.
A Anhanguera Educacional- a pri$eira e$presa do setor a aderir ao $ercado de capitais-
desde =<<;- tornou8se a e$presa lder e$ a*uisições e #usões de IESs. Ap:s seis $eses de
operações no $ercado de ações- a instituiç"o colocou =>L de seu capital A venda- obtendo ;<L
de valori%aç"o de suas ações nesse perodo. A participaç"o de #undos de investi$ento nessa
transaç"o e a entrada na Colsa de Ualores de S"o Paulo- *ue passou a negociar as ações dessa
e$presa- valori%ara$ o patri$9nio do grupo- *ue passou de &-; bilh"o para I bilhões de reais- e$
$enos de u$ ano. A Anhanguera obteve receita l*uida de &-=I= bilhões de reais através dos seus
M<<-& $il estudantes (=<&&). O lucro l*uido da e$presa #oi de apro!i$ada$ente M=-& $ilhões
e$ =<&& e &=I $ilhões e$ =<&<- u$a reduç"o de (J-;L. Os resultados de =<&= n"o #ora$
divulgados pela instituiç"o- até o presente $o$ento (Anhanguera- =<&=).
A @niversidade Est0cio de S0- do Pio de Yaneiro- #oi a segunda na corrida A bolsa de valores.
E$ =<<;- a ent"o e$presa #a$iliar iniciada e$ &'('- tornou8se sociedade an9ni$a co$ o no$e
'
de Est0cio Participações S.A. E$ =<&&- ,lti$os dados disponveis pela- a instituiç"o estava
presente e$ &; estados brasileiros- co$ (> unidades- J= polos de ensino a distNncia- =M< $il
alunos e (.J'( pro#essores. A receita l*uida da Est0cio chegou- e$ =<&&- a &-&M' bilhões de reais
e o lucro l*uido de ;<-= $ilhões de reais (Est0cio- =<&=).
A /roton Educacional- da Pede Pit0goras- de +inas 6erais- conta co$ *uase ;<< $il alunos e &J $il
#uncion0rios- entre ensino $édio e superior. A co$panhia iniciou o processo de e!pans"o e$ =<<& co$ u$a
parceria co$ a 'pollo (nternational (co$ sede no Ari%ona- E@A) co$o sua investidora e parceira. E$ =<&=- a
co$panhia obteve o seu $elhor resultado co$ u$ robusto dese$penho #inanceiro- u$a receita l*uida
de PZ &-M bilh"o e u$ lucro l*uido de PZ =(>-< $ilhões- o $elhor resultado- da hist:ria
brasileira- de u$a instituiç"o educacional (/roton- =<&I).
7o dia == de abril de =<&I #oi anunciada a criaç"o da $aior e$presa de educaç"o do $undo-
e$ valor de $ercado. A /roton Educacional. .ruto da #us"o entre a paulista Anhanguera
Educacional e a $ineira /roton Educacional. Avaliada e$ cerca de &I bilhões de reais- a e$presa
contar0 co$ u$ $ilh"o de alunos e presença e$ >< $unicpios. Segundo esti$ativas de
$ercado- a e$presa valer0 $ais *ue o dobro da chinesa 7eO Oriental Education [ 2echnolog\
6roup. O 3onselho Ad$inistrativo de ?e#esa Econ9$ica (3ade) te$ II< dias para aprovar o
neg:cio (Ualor- =<&I).
O Siste$a 3O3 de Educaç"o e 3o$unicaç"o é $ais u$a e$presa *ue ta$bé$ iniciou seus
neg:cios na educaç"o b0sica e- a partir de =<<<- e!pandiu sua atuaç"o para o ensino superior- por
$eio das .aculdades 3O3- o#erecendo cursos de graduaç"o presenciais e- e$ =<<J- a$pliou sua
o#erta de serviços educacionais co$ a i$plantaç"o da educaç"o a distNncia. E$ outubro de =<<;-
esta rede passou a se cha$ar Siste$a Educacional Crasileiro (SEC SQA) e ingressou na bolsa de
valores. O lucro l*uido do grupo- e$ =<<>- #oi de PZ JJ.I(= $ilhões e$ ci$a de u$a receita
l*uida I&;.==I $ilhões- u$ cresci$ento de ';L- no lucro- e$ relaç"o a =<<;. A co$panhia n"o
in#or$a valores $ais recentes e$ seus relat:rios aos investidores (SEC- =<&I).
A abertura do capital dessas e$presas ao $ercado de ações e a valori%aç"o destas ,lti$as
possibilita$ o au$ento de seu capital- a co$pra de outras instituições $enores- espalhadas no
pas- e- co$ isso- a #or$aç"o de grandes grupos e$presariais- ta$bé$ deno$inados EredesF.
3o$o passa$ a ad*uirir $ateriais e e*uipa$entos e$ grandes *uantidades- consegue$ redu%ir
seus custos operacionais e au$entar suas $argens de lucro e- assi$- pode$ di$inuir os valores
das $ensalidades. 3o$ o cresci$ento desses grandes grupos e$presariais e a reduç"o das
$ensalidades cobradas por eles- as pe*uenas #aculdades n"o consegue$ se $anter no $ercado e
acaba$ sendo vendidas. A $aioria das instituições ad*uiridas por essas grandes e$presas s"o de
porte pe*ueno ou $édio- est"o locali%adas no interior do pas e endividadas (3haves- =<&<).
Esta$os observando u$ processo intenso de concentraç"o- *ue é possvel #alar$os- ta$bé$-
e$ processo de oligopoli%aç"o. Ou seja- o n,$ero de #ornecedores tende a se concentrar ainda
$ais nos pr:!i$os anos e u$a #atia signi#icativa do $ercado tende a #icar co$ os $aiores
grupos. +antidas as condições atuais de sustentaç"o e!clusiva$ente por $ensalidades- poucos
ser"o os *ue conseguir"o ocupar nichos espec#icos do $ercado se$ ser acossados pelas
instituições $aiores.
!rofessores$ uma pe%uena ilustração
.ora$ tr1s docentes entrevistados- docentes *ue recente$ente vivenciara$ a venda da
instituiç"o onde trabalhava$ para u$a IPES de grande porte. .ora$ reali%adas entrevistas
presenciais e individuais a partir de técnicas *ualitativas- co$ *uestion0rios se$iestruturados.
A entrevista na pes*uisa *ualitativa- ao privilegiar a #ala dos atores sociais- per$ite atingir
u$ nvel de co$preens"o da realidade hu$ana *ue se torna acessvel por $eio de discursos-
&<
sendo apropriada para investigações cujo objetivo é conhecer co$o as pessoas percebe$ o
$undo. A entrevista é u$ $étodo de coleta de dados- onde o pes*uisador- co$ $etas
previa$ente de#inidas acerca do objeto de sua pes*uisa- entra e$ contato co$ a*ueles *ue ser"o
entrevistados para- através de u$ di0logo in#or$al ou estruturado- ad*uirir os dados necess0rios A
sua pes*uisa. Pode8se de#inir entrevista co$o a técnica e$ *ue o investigador se apresenta #rente
ao investigado e lhe #or$ula perguntas- co$ o objetivo de obtenç"o dos dados *ue interessa$ A
investigaç"o (?uarte- =<<MD 6il- &'''D Severino- =<<;).
Os docentes entrevistados trou!era$ i$portantes contribuições para este artigo- *ue
objetivou traçar a realidade das relações de trabalho entre pro#essores e as IPESs brasileiras-
deterioradas nas ,lti$as décadas pelo processo de $assi#icaç"o e $ercantili%aç"o do setor. S"o
pro#essores *ue trabalha$ na capital e na grande S"o Paulo- o *ue n"o di$inui a si$ilaridade
co$ a realidade do cen0rio nacional. Principal$ente- por*ue o plano de diretri%es e bases do
ensino superior- a 4?C de &''(- co$o j0 tratado neste artigo- é #ederal e portanto tra% consigo
causas e e#eitos se$elhantes e$ todo pas.
Os pro#essores s"o contratados legal$ente con#or$e rege a leis trabalhistas brasileiras- $as
s"o horistas e atua$ e$ duas ou tr1s instituições ao $es$o te$po K0- nos relatos- contratos de
prestaç"o de serviço- *ue s"o #eitos #re*uente através da e$iss"o de nota #iscal- pagando apenas
os i$postos e abdicando os direitos trabalhistas.
(...) n"o tenho co$o $elhorar ou aper#eiçoar as aulas co$o eu gostaria por*ue n"o tenho
te$po. 2rabalho *uase J< horas por se$ana e$ I #aculdades (...) sou pro#essora h0
apenas I anos- sou apenas especialista e portanto ainda n"o tenho carteira assinada
(Entrevistada- <&).
(...) sou registrado- se$pre #ui- $as ser registrado e$ di#erentes instituições é
co$plicado (...) (Entrevistado- <=).
Os pro#issionais a#ir$a$ *ue perde$ $uito te$po para se deslocare$ entre as IPESs-
principal$ente e$ u$a $etr:pole co$o S"o Paulo. 2a$bé$ contesta$ a #alta de estabilidade
por sere$ horistas. 2odos os se$estres h0 o aguardo do preenchi$ento de $atrculas para- de
,lti$a hora- sabere$ o *uanto- e se ir"o ou n"o lecionar.
(...) é i$possvel planejar- #a%er u$a agenda #inanceira. 7"o sabe$os *uantas horas
ire$os lecionar- nos passa$ o planeja$ento h0 pouco dias do incio das aulas e $uitas
ve%es s: depois. Espera$ as $atrculas e as trans#er1ncias de alunos para preencher
classes. K0 pouco te$po co$ecei a lecionar e$ u$a classe *ue #oi $esclada co$ outra
(por #alta de aluno) e portanto tive o $eu trabalho interro$pido no $eio do se$estre
letivo (Entrevistada- <&).
(...) $eu sonho seria atuar e$ apenas u$a instituiç"o. Ser horista é o nosso $aior
proble$a. Wuando ve$ o 4e"o (i$posto de renda) as pernas até tre$e$. 3o$o
recebe$os picado e$ diversas #aculdades o nosso i$posto de renda n"o é retido na #onte
(...) (Entrevistado- <=).
Os entrevistados *ue vivenciara$ algu$ processo de venda da IPESs onde atuava$ cita$
*ue os contratos #ora$ des#eitos e novas propostas de re$uneraç"o s"o o#erecidas- n"o se
preocupa$ co$ as conse*u1ncias legais trabalhistas.
&&
(...) poucos processa$ e $uitos aceita$ e$ no$e do e$prego. 3o$o poucos
colegas s"o registrados- poucos s"o sindicali%ados- o *ue di#iculta ainda $ais a nossa
luta por $elhores sal0rios e condições de trabalho (Entrevistado- <I).
(...) a re$uneraç"o- *ue j0 é rui$- #icou ainda pior. O valor de horaQaula passou- no
$eu caso- de => reais por hora para apenas &> reais- isso agora *ue co$prara$ a
instituiç"o onde eu trabalhava e$ =<&= (...) 7os anos noventa $eu pai- pro#essor
universit0rio ta$bé$- chegava a receber >< reais por hora- no co$eço do plano real.
Outro proble$a é *ue n"o te$os nenhu$ tipo de bene#cio- horista di#icil$ente obté$ a
carga hor0ria necess0ria- e$ u$a e$presa- para ter u$a plano de sa,de ou pelo $anos o
al$oço ou jantar pago. (Entrevistado- <=).
(...) ap:s o processo de venda da instituiç"o os e!tras dos pro#essores coordenadores
#ora$ cortados. ?ei!ei de ser coordenador e ainda o $eu sal0rio #oi redu%ido e$ =JL.
.oi tudo t"o r0pido- no recesso de =<&I ao voltar$os para o trabalho tudo tinha sido
resolvido se$ nos noti#icar para planejar$os o nosso #uturo (venda da instituiç"o)
(Entrevistado- <I).
(...) hoje atuo e$ tr1s instituições para poder pagar o ensino $édio das $inhas
#ilhas. Sou pro#essor do ensino superior $as leciono no ensino $édio apenas para elas
podere$ cursar gratuita$ente nesta instituiç"o (...) trabalho M> horas por se$ana- aos
s0bados inclusive. Preciso estudar- #a%er doutorado- para procurar algu$a instituiç"o
#ederal ou estadual- $as #alta te$po e dinheiro(...) n"o recebe$os bene#cios- isso n"o
e!iste e$ nossa categoria. O nosso bene#cio- *uando $uito- é o ca#e%inho do intervalo
(Entrevistado- <=).
Os pro#essores torna$8se re#éns dos processos de venda e #us"o j0 *ue di#icil$ente s"o
in#or$ados pelas diretorias respons0veis. 7este $ercado as contratações e de$issões ocorre$ a
cada se$estre devido ao calend0rio do ensino superior. Portanto- os pro#issionais n"o te$ escolha
*uando deparados co$ u$ processo de venda e #us"o entre u$ se$estre e outro. As instituições
n"o d"o alternativas para os pro#essores se planejare$ ou se organi%are$ no trabalho e na vida
pessoal.
O plano de carreira *ue se$pre #oi en#ati%ado pela antiga diretoria $udou. As novas
regras ainda n"o #ora$ apresentadas (Entrevistada- <&).
(...) os planos de carreira s"o se$pre u$ $istério nas instituições particulares. Poucos
sabe$ e poucos de #ato utili%a$. A $aioria dos pro#essores n"o pes*uisa$ por #alta de
te$po e conheci$ento (Entrevistado- <=).
(...) o *ue sei é *ue $udara$ o plano de carreira e as suas regras (Entrevistado- <I).
Outros assuntos abordados vale$ ser ressaltados. Segundo o pro#essores entrevistados- as
IPESs- e$ sua $aioria- utili%a$8se de atividades de instruç"o progra$ada nos laborat:rios de
in#or$0tica- contabili%ando8as co$o aula na grade curricular. @$ engenhoso $ecanis$o *ue
pode$os cha$ar de Eaula #ictciaF.
K0 ta$bé$ as IPESs *ue #a%e$ e$ u$ turno a $0gica de dois turnos- e consegue$ encerrar
as atividades As =I horas. O hor0rio- no perodo noturno- #icaria assi$) u$ turno co$eça As &>
horas até As =< horas e =< $inutos- e o outro inicia As =< horas e *uarenta $inutos e encerra As =I
horas. 3o$o j0 #alado a ci$a- os hor0rios s"o co$pletados co$ aulas #ictcias- co$o palestras e
eventos diversos- pes*uisas na biblioteca- trabalhos co$ple$entares e o ensino a distNncia.
&=
.erra$entas *ue busca$ oti$i%ar- #le!ibili%ar e en!ugar o *uadro de pro#essores das IEPS- co$ o
,nico objetivo de reduç"o de custo e $aiores retornos ao s:cios- investidores e acionistas.
Conclusão
O objetivo principal deste artigo #oi analisar as relações de trabalho nas instituições privadas
de ensino superior (IPESs). A poltica de e!pans"o da educaç"o superior nacional #oi instituda
co$ a lei de diretri%es e bases de &''(. Esta lei consagrou a $ercantili%aç"o do ensino brasileiro
através de dois $ecanis$os co$binados) a privati%aç"o e a oligopoli%aç"o.
A privati%aç"o signi#icou a e!pans"o da rede privada de ensino *ue passou a ocupar u$
papel relevante no atendi$ento da de$anda e na abertura de vagas. +uitas delas #inanciadas pelo
poder p,blico através dos progra$as de #inancia$ento e bolsas de estudos- o .ies e o Prouni.
A oligopoli%aç"o veio co$ a criaç"o de redes de e$presas por $eio da co$pra e #us"o de
instituições privadas de ensino superior- cujos e!e$plos $ais relevantes s"o o grupo /roton e a
Anhanguera- *ue recente$ente anunciara$ a sua #us"o. As relações de trabalho s"o a#etadas por
este processo e tende$ a #orte precari%aç"o das condições de trabalho e sal0rio. Por decorr1ncia-
as condições de ensino- pes*uisa e e!tens"o ta$bé$ #ica$ co$pro$etidas.
Entende8se este processo co$o $ercantili%aç"o do ensino superior *ue sub$ete os
pro#essores a redu%ire$ sua #orça de trabalho A #or$a abstrata do valor de troca co$o
$ercadoria. E$ outras palavras- a #orça de trabalho do pro#essor passa a ser #unda$ental co$o
geradora da $ais valia e assi$ v1 redu%ida a sua di$ens"o *ualitativa co$o valor de uso do
trabalho e$ #avor da di$ens"o *uantitativa co$o ativo cont0bil e custo- co$o e$ *ual*uer outra
organi%aç"o privada e obstinada pelo lucro.
3o$ a e!pans"o do ensino privado- au$enta o e$prego da #orça de trabalho *ue seria u$
#ator #avor0vel- n"o #osse$ as condições prec0rias da grande $aioria destes trabalhadores do
ensino. Isto tra% u$ *uestiona$ento do $odelo adotado entre a e#ic0cia do neg:cio capitalista da
educaç"o e a e#etividade Q legiti$idade do ensino en*uanto *ualidade. As polticas neoliberais-
$ercantilistas e e!pansionistas na educaç"o superior s"o re#letidas nas pr0ticas das relações de
trabalho entre e as instituições de ensino e os pro#essores.
As relações trabalhistas- entre as IPESs e os pro#essores- so#rera$ alterações a partir da
poltica de e!pans"o da educaç"o superior nacional através da rede particular- institudas ap:s a
lei de diretri%es e bases de &''(V Wuais alteraçõesV
O ?ecreto J.;;I de =<<(- co$ple$entar a 4?C de &''(- abriu ca$inho para IPESs variadas.
A$pliara$8se as possibilidades de $odelos de instituições privadas. 3riou o $odelo cha$ado de
centro universit0rio- u$a deterioraç"o da universidade. O decreto en#ati%a *ue a principal
di#erença entre a universidade e o centro universit0rio- é a #or$aç"o do pro#essor e o seu regi$e
de trabalho. Portanto- o centro universit0rio contrata pro#essores co$ titulações in#eriores e
contratos de trabalho #le!ibili%ados e$ relaç"o aos pro#essores universit0rios.
3o$o de$onstrado no censo da educaç"o superior reali%ado pelo Inep- h0 u$ hiato de
di#erença entre os $odelos de contrataç"o de pro#essores da rede p,blica e da rede particular.
7as IPESs veri#icou a preval1ncia do regi$e de trabalho de horistas- ainda *ue esses tenha$
di$inudo de JJ->L- e$ =<<=- para M>-<L- e$ =<&<. As IPESs- e$ =<&<- possua$ apenas =ML
dos seus docentes e$ regi$e de te$po integral- u$a di#erença alar$ante ao co$para$os co$ o
$es$o tipo de contrato de trabalho co$ as IESs p,blicas- *ue te$ ><-=L dos pro#essores e$
regi$e integral (Inep- =<&=).
As conse*u1ncias deste $odelo #ora$ tra%idas nas vo%es dos pro#essores da rede particular.
S"o *uei!as relacionadas A deterioraç"o do trabalho deste pro#issional. S"o recla$ações no
&I
N$bito trabalhista. 3o$o sal0rio bai!o- aus1ncia- *uase total dos bene#cios- e!cesso da jornada
de trabalho- #alta de u$ plano de carreira e pro#issionalis$o na gest"o de pessoas.
As relações trabalhistas s"o #unda$entais para o e!erccio de *ual*uer pro#iss"o-
principal$ente e$ u$a sociedade sob a l:gica capitalista- e n"o é di#erente *uando se trata da
doc1ncia no conte!to do siste$a educacional brasileiro atual. 7este sentido- h0 *ue ressaltar *ue
por tr0s da discuss"o das relações de trabalho est0 a re$uneraç"o co$o #ator relevante para a
garantia da *ualidade e$ *ual*uer pro#iss"o. Ualori%ar o docente é atrair bons pro#issionais e
conse*uente$ente elevar a *ualidade do serviço prestado.
&M
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