You are on page 1of 2

1 – Contabilidade na era Científica

Várias foram as teses que buscavam evidenciar o surgimento e desenvolvimento da
Contabilidade em si,desde à organização dos raciocínios, até aos conceitos que por sua vez
produziram enunciados ou teoremas que geraram, finalmente, as teorias. As correntes científicas
surgem quando vários mestres formam suas próprias teorias, que são semelhantes entre si. Assim,
surgiu uma série de escolas do pensamento contábil, cada uma complementando à outra, somando
cada vez mais conhecimentos que influenciaram no desenvolvimento definitivo da Contabilidade
como Ciência.
A primeira grande escola que se destaca nesse período científico é a Administrativa ou
Lombarda, denominada assim por sua localização, a Lombardia, no norte da Itália. Segundo
Schmdt, a Contabilidade deveria ser uma disciplina destinada a interpretar a dinâmica das
empresas, ou seja, voltada para o controle da gestão. Desta forma a Contabilidade não se
limitava somente à escrituração, mas era composta de um conjunto de conhecimentos e
operações com o objetivo de controlar a gestão” (SCHMDT,2008,p.40).
No século XIX, Francesco Villa idealizou a escola administrativa ou lombarda. Ele Acredita
esta escola que a contabilidade é a ciência da administração das entidades e o seu objeto de estudo
são as leis que governam as empresas. Villa não acreditava que a contabilidade fosse uma ciência,
pois os seus princípios e seus vários modos de aplicação não servem de base para tal afirmação.
Segundo esta escola, a contabilidade não era somente a escrituração de fatos através das
contas, a parte técnica da contabilidade é apenas uma parte do trabalho contábil. Por outro lado, a
escola administrativa defendia “um complexo de noções econômicas e administrativas aplicadas à
arte de escriturar os livros e registrar as contas. Para isso, é preciso que o contador tenha um
perfeito conhecimento da gestão da entidade e não domine apenas técnicas de registro contábil”
(SCHMIDT, 2008, p. 41).
Escola Lombardi agregou para contabilidade na época a inclusão dos fatores econômicos de
produção e de consumo que faziam parte da gestão das entidades, como forma de melhorar a
qualificação sobre a informação na gestão.
Os principais pensadores dessa escola foram Francesco Villa e Antônio Tonzig, o primeiro,
professor de Contabilidade.
Villa tentou desvincular a contabilidade de ser apenas algo “mecânico”, com somente
números e lançamentos, para mostrá-la como uma fonte de informação auxiliadora na gerência.
Segundo ele a “contabilidade deve-se entender em geral tudo o que constitui aquele complexo de
cognições e de operações, as primeiras das quais são indispensáveis e as segundas são da
administração prescritas ao objeto de controlar, não só a administração mas as operações de todos
os indivíduos que delas participam. (VILLA , 1840 apud SÁ, 1997, p.64)”.
Outro grande colaborador desta escola foi Antonio Tonzig, ele foi o principal seguidor de
Villa e também escreveu muitas obras, sendo que a principal delas foi Nuova scuola perfetta dei
mercanti, ossia la vera scienza della contabilità commerciale, publicada em 1876, em Pádua.
Para Tonzig a Contabilidade era parte essencial e uma das bases necessária para uma boa e
permanente administração, portanto Administração e Contabilidade deveriam estar sempre ligadas
uma com a outra para um êxito da gestão, Tonzig afirma que não era possível uma sem a outra, pois
sem a Contabilidade a Administração ficaria exposta a desordem e a confusão.Tonzig defendeu em
sua principal obra publicada em 1876, Nuova scuola perfetta dei mercanti, ossia La vera scienza
della contabilitá comerciale, que os bens de qualquer patrimônio e sua movimentação deveriam ser
descritos e avaliados com a máxima exatidão, para que revelassem a qualquer momento, a
qualidade e o estado desse patrimônio e o andamento e o resultado de sua administração.
Outros aspectos significativos introduzidos por essa escola foram:
 a avaliação de ativo permanente a preço corrente em atividades comerciais e industriais.
 a desvinculação da Contabilidade de cifras e números;
 estabelecimento do controle como objetivo da contabilidade.