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Defesa Preliminar – Crimes Funcionais

Fundamento: artigo 514 do Código de Processo Penal.
Conceito: é a primeira manifestação da defesa após o OFERECIMENTO da denúncia.
Trata-se de peça pertencente a rito especial, cabível nas hipóteses de crimes afiançáveis
cometidos por funcionários públicos contra a Administração (Título XI, Capítulo I, do
CP).
Prazo: 15 (quinze) dias.
Como identificá-la: o problema dirá que o cliente, no exercício das funções públicas ou
em razão delas, cometeu crime contra a Administração Pública (previstos no Capítulo I,
do Título XI, da Parte Especial do Código Penal), e que o Ministério Público ofereceu
denúncia em seu desfavor.
Dica: Enunciado n. 330 da Súmula do STJ: “É desnecessária a resposta preliminar de que
trata o artigo 514 do Código de Processo Penal, na ação penal instruída por inquérito
policial”.
Importante: exceto o excesso de exação (artigo 316, § 1º, do CP) e a facilitação de
contrabando ou descaminho (artigo 318 do CP), que possuem pena mínima superior a 02
(dois) anos, todos os crimes do Título XI, Capítulo I, são submetidos ao rito especial dos
arts. 513/518 do CPP.
Atenção: não confunda o oferecimento da denúncia com o seu recebimento. O
oferecimento é o momento em que o Ministério Público ajuíza a denúncia – ou queixa,
pelo particular, na ação penal privada -; já o recebimento ocorre após a análise preliminar
do magistrado, que entende (ou não) ser justo o ajuizamento da ação, com base no artigo
395 do Código de Processo Penal.
Comentários: a defesa preliminar do artigo 514 é uma peça que comporta a pluralidade
de teses. No entanto, o pedido será sempre o mesmo: a rejeição (ou não recebimento) da
peça acusatória – como ocorre na defesa prévia da Lei de Drogas. Por esse motivo, a
probabilidade de cair é moderada.

Defesa Preliminar – Crimes Funcionais – Problemas
PROBLEMA
José, Delegado de Polícia na Comarca de Colinas, Tocantins, recebeu, do posto de
gasolina “Tanque Cheio”, o total de 25l de gasolina para o abastecimento da viatura que
atende aquela localidade, pois havia escassez de recursos púbicos para tal fim. Ao saber do
ocorrido, o Promotor de Justiça, por entender ter havido a ocorrência de corrupção
passiva, visto que José recebeu o combustível em contraprestação à promessa de maior
segurança à população, o denunciou pelo crime previsto no artigo 317, “caput” do Codigo
Penal. Oferecida a denúncia, José foi intimado a apresentar, no prazo de 15 (quinze) dias,
a peça cabível à sua defesa. Como advogado do acusado, elabore a peça adequada ao
problema.
SOLUÇÃO
“Esqueleto” da peça:
Cliente: José.
Competência: Juiz de Direito da ____ Vara Criminal da Comarca de Colinas, Tocantins.
Peça: defesa preliminar (ou defesa escrita).
Tese: falta de justa causa, nos termos do artigo 395, III, do CPP. Sobre o assunto:
“Inocorrência. Delegado de Polícia que aceita a oferta de dinheiro, aplicando-o na
aquisição de gasolina para a viatura, a fim de intensificar o policiamento da cidade –
vantagem recebida, pois, em proveito do próprio serviço público – absolvição decretada –
inteligência do artigo 317 do CP. Importância recebida não em proveito de pessoa física
ou de direito privado, mas para ser aplicada no próprio serviço público, não configura o
delito de corrupção passiva.” (TJSC – AC – Rel. Marcílio Medeiros – RT 527/406)
Pedido: rejeição da denúncia.
Obs. (1): o modelo de defesa prévia do artigo 55 da Lei de Drogas é aplicável ao problema
acima.
Obs. (2): como não é possível fazer um rascunho da peça no momento da prova, pois o
tempo é muito curto, treine a elaboração de “esqueletos” (como o do exemplo acima). É a
melhor forma de evitar erros.