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Escola Estadual Primo Ferreira

Atividade de Geografia
Nome___________________________________________Nº_______________Série_
Diante do texto e dos conhecimentos prévios sobre os conteúdos, componha um texto
vinculando a notícia acima com os conceitos de conflitos Norte Sul, Globalização e
e!ionalização " #locos e!ionais$ % texto dever& ter no mínimo '( linhas e m&ximo
de )* linhas cu+a avaliação versara obre a capacidade de sobre o domínio dos
conceitos e articulação dos mesmos no texto, não se es,uecendo das normas cultas
da lín!ua portu!uesa$ - necess&rio aparecer no seu texto os devidos conceitos de
Globalização e #locos e!ionais, .onflito norte " sul bem como a contextualização os
.onservadores mencionados no texto$
Por que o Mercosul incomoda os conservadores?
Porque querem um Mercosul apenas comercial, que beneficie as grandes empresas, não
um Mercosul para todos
Por Marcelo Zero
.omo de h&bito, a recente reunião de cúpula do /ercosul foi recebida com certa indiferença e
até hostilidade por nossa mídia tradicional$ Não por falta de resultados relevantes e positivos$
No ,ue tan!e 0 ,uestão da 1alestina, um conflito !eopolítico ,ue leva instabilidade não apenas
ao %riente /édio, mas a todo o mundo, o /ercosul apoiou as posiç2es da nossa 3diplomacia
anã4, pedindo a imediata suspensão do blo,ueio ,ue afeta a população de Gaza e uma
3investi!ação de todas as violaç2es do direito internacional humanit&rio4$5omou6se também
decisão de fazer in!ressar o mais rapidamente possível a #olívia como membro pleno do
/ercosul$ 7aver&, é claro, resist8ncias míopes a tal in!resso no .on!resso brasileiro, como
houve no caso da 9enezuela, no ,ual a oposição brasileira encarou a participação plena
da,uele país no /ercosul como mera concessão política a 7u!o .h&vez$ 1ensamento
estraté!ico não é o forte de al!uns parlamentares$
/ais importante ainda foi a 3declaração especial4, ,ue manifesta 3absoluto rechaço4 aos
chamados :undos ;butres e expressa 3solidariedade e apoio 0 epública ;r!entina na busca
de uma solução ,ue não comprometa seu desenvolvimento e o bem estar de seu povo4$ %
/ercosul entende ,ue essa ,uerela +urídica, a submeter um país soberano 0s decis2es
monocr&ticas de um +uiz de primeira inst<ncia do estado de Nova =or,ue, ameaça todo o
sistema financeiro internacional e inviabiliza reestruturaç2es de dívidas de outros países$ %
#rasil demandar&, no G6'*, a adoção de uma re!ulação específica sobre dívidas soberanas,
,ue não podem ficar submetidas ao arbítrio inst&vel e mut&vel de +uízes específicos$
.ertamente, não é uma atitude típica de um 3anão diplom&tico4$;ssim sendo, o tratamento
!élido da nossa mídia 0 .úpula do /ercosul não pode ser explicado por supostos resultados
inexpressivos$ Não, não é isso$ 5rata6se de al!o mais profundo e preocupante$
% /ercosul incomoda nossos conservadores$ Sempre incomodou$ Na época de sua criação,
não faltaram críticas e ironias sobre a união 3de rotos com esfarrapados4$ Não faltaram também
advert8ncias sobre a irrelev<ncia de um bloco ,ue estava fadado a ser absorvido pela
inte!ração 3verdadeiramente relevante4, isto é, a inte!ração 0 3!lobalização4 e 0s economias de
3real import<ncia e dinamismo4, como a dos >?; e a da ?nião >uropeia$Desde esse ponto de
vista conservador, a única coisa ,ue faz sentido no /ercosul é a sua &rea de livre comércio$ @&
a união aduaneira, base do mercado comum e da construção de uma 3cidadania do bloco4,
seria um obst&culo 0 inte!ração plena dos >stados 1artes ao mercado internacional$ Auerem
um /ercosul apenas comercial, ,ue beneficie !randes empresas$ Não um /ercosul para
todos$ 1or isso, na década de BCC*, o ministro da >conomia ar!entino Domin!o .avallo veio
ao #rasil dizer ,ue a tarifa externa comum D5>.E, fundamento da união aduaneira e do
mercado comum, era uma 3tontería4$ 1osteriormente, em '*B*, o então candidato @osé Serra
D1SD#E manifestou todo o seu desprezo pela 3inte!ração cucaracha4 e pediu o fim da 5>.,
pois ela, conforme sua esclarecida visão, impedia participação maior do #rasil nos 3fluxos
internacionais de comércio4$ ;!ora, o candidato ;écio Neves D1SD#E renova essa tradição
mercocética, prF6;lca, e pede, com not&vel simplicidade e candura, o fim do /ercosul ou o fim
de sua união aduaneira, o ,ue vem a ser, na verdade, a mesma coisa$ #om, essa visão
mercocética, tão cara a nossos políticos e ideFlo!os conservadores, se baseia em ar!umentos
bastante 3tontos4, para usar uma apropriada ad+etivação 3cavalliana4$
>m primeiro lu!ar, o /ercosul, em sua atual formatação institucional e +urídica, tem um
dinamismo extraordin&rio$ >m '**', export&vamos somente ),B bilh2es de dFlares para o
/ercosul$ >m '*BB, incluindo a 9enezuela no bloco, as nossas exportaç2es saltaram para G',)
bilh2es de dFlares$ =sso si!nifica um fant&stico crescimento de HC*I, ,uase oito vezes mais$
Saliente6se ,ue, no mesmo período, o crescimento das exportaç2es mundiais, conforme os
dados da %r!anização /undial do .omércio, foi de 3apenas4 BJ*I$ %u se+a, o crescimento das
exportaç2es intrabloco foi, no período mencionado, muito superior ao crescimento das
exportaç2es mundiais$
>sse not&vel dinamismo fica mais evidente ,uando o comparamos ao crescimento de nossas
exportaç2es para as economias supostamente mais promissoras, na visão conservadora$ No
período mencionado, as exportaç2es brasileiras para os >?; aumentaram somente HJIK para
a ?nião >uropeia, ')*IK e, para o @apão, G)*I$ 1or conse!uinte, nenhuma economia
desenvolvida tradicional che!ou perto do dinamismo comercial exibido pelo /ercosul$ ;demais,
esse dinamismo do /ercosul tem, para o #rasil, uma vanta!em ,ualitativa e estraté!ica$ - ,ue
as exportaç2es brasileiras para o bloco são, em mais de C*I, de produtos industrializados, de
alto valor a!re!ado$ >m contraste, no ,ue tan!e 0s nossas exportaç2es para a ?nião >uropeia,
a .hina e os >?;, os percentuais de manufaturados são de GHI, (I e (*I, respectivamente$
1ortanto, o /ercosul compensa, em parte, a nossa balança comercial ne!ativa da indústria$
>sse fato torna de difícil entendimento a oposição ao /ercosul por parte de políticos de
estados industrializados, como /inas e São 1aulo$ %utra !rande vanta!em da nossa relação
econLmica com o bloco diz respeito ao seu extraordin&rio super&vit$ .om efeito, entre '**G
DinclusiveE e '*BG, acumulamos com esse bloco 3irrelevante4 ,uase M' bilh2es de dFlares de
super&vit$ Desnecess&rio dizer ,ue isso foi de vital import<ncia para a superação da nossa
histFrica vulnerabilidade externa$ Se o #rasil atravessa, sem !randes sobressaltos, a pior crise
econLmica mundial desde BC'C, isso se deve, em parte consider&vel, ao /ercosul$ Auanto ao
ar!umento de ,ue o /ercosul, com sua união aduaneira, impede uma maior participação do
#rasil nos 3fluxos internacionais de comércio4, basta dar uma simples aferida na comparação
do crescimento das nossas exportaç2es, vis a vis o aumento das exportaç2es mundiais$ >ntre
'**G e '*BG, as primeiras cresceram cerca de G**I, ao passo ,ue as se!undas limitaram seu
aumento a BJ*I$
> o #rasil viu crescer dessa forma seus fluxos comerciais por,ue fez, com sua nova política
externa, a aposta estraté!ica corretaN deu maior 8nfase, em suas relaç2es internacionais, 0
inte!ração re!ional e 0 cooperação Sul6Sul$ .om efeito, neste século, as economias
emer!entes e as dos países em desenvolvimento, em especial a da .hina, cresceram a um
ritmo bem superior ao das economias desenvolvidas tradicionais, e, com isso, !eraram maiores
oportunidades para o #rasil$ % nosso país aproveitou bem e de forma pra!m&tica essas
mudanças na !eoeconomia mundial$ 1ersistem, entretanto, as histFricas críticas ao /ercosul$
Nos dias de ho+e, h&, porém, a!ravantes$ % primeiro tan!e ao fato de ,ue as exportaç2es
mundiais pararam de crescer a partir do se!undo trimestre de '*BB, o ,ue vem afetando nosso
desempenho exportador$ % se!undo relaciona6se ao fato de ,ue parte da nossa indústria, sua
parte mais internacionalizada, ,uer celebrar rapidamente acordos de livre comércio com a
?nião >uropeia e os >?;, de forma a participar mais das 3cadeias produtivas !lobais4, outra
denominação para a anti!a 3!lobalização4$
%ra, a celebração desses acordos sem as cautelas necess&rias e com a ruptura da união
aduaneira seria um !rave tiro no pé$ ;lém da !ritante assimetria entre os países, tais tratados
cont8m também outra ameaçaN cl&usulas relativas 0 propriedade intelectual, compras
!overnamentais, re!ime de investimentos e a abertura dos serviços, as ,uais poderiam
comprometer a capacidade do #rasil de implantar políticas de desenvolvimento$ % exemplo do
/éxico, país ,ue celebrou mais de G* acordos de livre comércio, inclusive com os >?; e
.anad& DNaftaE e a ?nião >uropeia, é ilustrativo$ ;lém do Fbvio aumento da depend8ncia
mexicana em relação aos >?;, o livre6cambismo ,uimérico conduziu também a um
crescimento econLmico bem mais baixo ,ue o do #rasil e a um aumento da pobreza$ Nos
primeiros B* anos deste século, o 1=# per capita D111E do /éxico cresceu apenas B'I, ao
passo ,ue o do #rasil cresceu 'JI$ 7o+e em dia, a,uele país tem (BI da sua população
abaixo da linha da pobreza, en,uanto ,ue o #rasil conse!uiu reduzir essa porcenta!em para
B(,CI$
Auem fez a melhor apostaO
De nada adianta ,uerer 3participar mais das cadeias produtivas !lobais4 se o fizermos, como
faz o /éxico, na condição essencial de supridores de insumos b&sicos$ De nada adianta 3subir
no trem da 7istFria4 se o va!ão for de se!unda classe$ 1ortanto, a solução para o /ercosul
não é menos /ercosul, como ,uerem al!uns mercocéticos, mas sim mais /ercosul, com união
aduaneira, livre circulação de trabalhadores, instituiç2es supranacionais, o enfrentamento das
assimetrias internas e a instituição de uma cidadania comum$
1recisamos, sobretudo, de um /ercosul para todos$
Marcelo Zero é sociólogo, especialista em Relações Internacionais e membro do Grupo de
Reflexão sobre Relações Internacionais GR!RI"