A Influência das Descargas Eletrostáticas na Qualidade da Manutenção de Equipamentos Eletromédicos

Lúcio Costa de Brito 1, Saide Jorge Calil2
Membro do IEEE Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) 2 Professor Doutor da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (FEEC) Departamento de Engenharia Biomédica (DEB) Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Brasil, 13084-971, Campinas, SP Fone: +55 19 3788 9286, Fax: +55 19 3289 3346 brito@ieee.org, calil@ceb.unicamp.br
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Resumo – Descargas eletrostáticas estão em todos os lugares – em nossas casas e em nossos trabalhos. Os dispositivos eletrônicos, entre eles os equipamentos eletromédicos, são sensíveis a tais descargas levando a falha da instrumentação eletromédica, monitores multiparamétricos, ventiladores, bombas de infusão e outros. Existem meios de proteger esses componentes e equipamentos sensíveis e esse artigo descreve o problema, alguns produtos e procedimentos que podem ser utilizados para proteção desses equipamentos durante a manutenção feita pela equipe de engenharia biomédica. Palavras-chave: Descargas eletrostáticas, ESD, manutenção de equipamentos eletromédicos.

Abstract - Electrostatics discharges are in everywhere in our jobs as well as in our houses, for example. Electronic devices, such as medical equipment, are sensible to those discharges, which may lead to health devices failures. Taking into account that there are methods used to protect these sensible components and equipment, the main purpose of this paper is to describe the problem and to point out some products and procedures that can be used to protect these equipment during the repair made by the biomedical engineering team. Key words: Electrostatics discharges, ESD, equipment maintenance.

Introdução Definições Esse trabalho foi desenvolvido em 1999 através de um levantamento realizado nas industrias eletroeletrônicas do pólo industrial da Zona Franca de Manaus e em assistências técnicas autorizadas por essas empresas. Objetivo O objetivo do artigo é mostrar aos engenheiros biomédicos a importância que deve ser dada sobre os problemas ocasionados pelas descargas eletrostáticas, alertar e orientar as equipes de manutenção sobre a importância do controle, descrever os mecanismos, as influências e a sensibilidade de alguns componentes quando submetidos a essas descargas, bem como sugerir alguns procedimentos e produtos de proteção disponíveis no mercado. Poucos são os departamentos de manutenção de equipamentos eletromédicos que possuem um controle eficaz das descargas eletrostáticas durante a manutenção de seus equipamentos eletromédicos. A eletricidade estática é a eletrificação de materiais através do contato físico e posterior separação, e os vários fenômenos que resultam na formação de cargas positivas e negativas (3M, 2000; Ward, 1999). O fenômeno da eletricidade estática foi primeiro observado pelos gregos por volta de 600 a.C. Thales de Miletus produziu faíscas e a traiu pequenas partículas de penugem quando estes foram esfregados com a seda (Ward, 1999). Uma descarga eletrostática ocorre quando há uma transferência de cargas elétricas entre corpos que possuem diferentes potenciais eletrostáticos. Essa descarga também pode ocorrer quando os corpos estão muito próximos ou quando estão em contato direto. A descarga eletrostática é uma subclasse das falhas ocasionadas e conhecidas como sobre tensão elétrica (electrical overstress - EOS) (Greason, 1991; Vinson et al, 1998). É um fenômeno comum que pode ter sérias conseqüências para sistemas eletromédicos e custam anualmente para a industria eletrônica

milhões de dólares em componentes degradados 2 e danificados . Um estudo da Semiconductor Reliability News estimou que aproximadamente 60% das falhas em dispositivos eletrônicos são ocasionados por descargas eletrostáticas (Wagner et al, 1993). Os eventos associados às descargas eletrostáticas possuem quatro principais estágios: 1) Geração da carga; 2) Transferência da carga; 3) Condução da carga; 4) E o dano ocasionado pela indução da carga. Silberberg (1993) e Leahy et al. (1993), apresentam a mais completa listagem de incidentes e acidentes, comprovados, ocasionados pelas descargas eletrostáticas em equipamentos eletromédicos relatados na literatura. Eles relatam, entre outros acidentes, por exemplo, a parada do ciclo de ventilação e a falha do alarme de um equipamento de ventilação em uso no paciente, a interrupção do funcionamento e desprogramação aleatória de uma bomba de infusão que resultou em uma super dosagem de medicamento no paciente. Metodologia Esse trabalho foi realizado dispondo-se 3 de equipamentos apropriados de medição fornecidos pela empresa 3M do Brasil e de formulários, que foram elaborados especificamente com o propósito de fornecer às industrias um relatório dos locais que estariam mais susceptíveis as influências das descargas eletrostáticas. O formulário aborda atividades que se estendiam desde o recebimento dos componentes eletrônicos, sua montagem na linha de produção até o produto acabado e embalado. Incluía também atividades realizadas pelas assistências técnicas autorizadas a executar manutenções em seus produtos. Apresentar-se-ão a seguir os mecanismos de geração das descargas eletrostáticas e a sensibilidade de alguns componentes. Geração da descarga eletrostática O processo de produção da descarga eletrostática entre dos corpos pode ser gerada essencialmente (Avery, 1990): • Pelo carregamento triboelétrico (que é, uma carga elétrica resultante de um processo de fricção) e é gerado em um material isolante
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através da ação do atrito em um outro material isolante; • Pela transferência da carga de um isolante a um condutor tanto pelo contato direto quanto por indução; • Por mudanças na capacitância, onde um condutor carregado aproxima-se de um objeto metálico com um diferente potencial e uma descarga eletrostática ocorre. Nota-se que, isso também é possível para um potencial eletrostático gerado pela separação de cargas, quando dois corpos de diferentes capacitâncias são separados uma carga diferencial é produzida. A eletricidade estática, em uma superfície carregada, possui as seguintes propriedades: • Tem energia potencial elétrica (tensão); • Emana um campo elétrico; • Pode produzir energia cinética (corrente). Série Triboelétrica Triboeletricidade é a eletricidade que se forma mediante o atrito de dois corpos. A série triboelétrica é uma lista de substâncias ordenadas de forma que uma pode ser carregada positivamente quanto atritada com outra colocada mais abaixo na lista. A maior utilidade da série é indicar o sinal da carga após a geração triboelétrica. Entretanto, esta série é derivada de materiais limpos e especialmente preparados e ensaiados em condições bem controladas. Nas circunstâncias do dia a dia, materiais próximos entre si na série podem produzir cargas de polaridade oposta àquela esperada. Esta série é apenas um guia. Tabela 1 - Exemplo da Série Triboelétrica.
Mais Positivo (+) 1 Ar Pele 2 Humana 3 Vidro 4 Mica Cabelo 5 Humano 6 Nylon 7 Lã Pele 8 (coelho) 9 10 11 12 13 14 Seda Papel Algodão Madeira Aço Borracha Dura

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Epoxy Níquel, Cobre Bronze, Prata Ouro, Platina Espuma de Poliestireno Acrílico Poliéster Celulóide Espuma de Poliuretano Polietileno Polipropileno PVC (vinil) Silício Teflon

Deterioração nas características de um componente eletrônico causado por uma descarga eletrostática. 2 Dano produzido em um componente eletrônico, ocasionado por um condutor carregado por indução, devido a campo elétrico ou por uma descarga do próprio componente eletrônico. 3 Apresentada nos resultados. Descrito na regra 3.

Mais Negativo (-)

A série triboelétrica, mostrada na tabela 1, é uma lista de materiais, em ordem por afinidade de doação de elétrons (Chase et al, 1986).

Os materiais na extremidade mais positiva da série irão facilmente doar elétrons e adquirir cargas positivas, por outro lado, os materiais na extremidade mais negativa da série irão facilmente receber elétrons e adquirir cargas negativas. O atrito e a separação dos materiais da tabela 1 não indicarão necessariamente o nível da carga produzida entre dois materiais. Os fatores relacionados a seguir terão um efeito no nível da carga produzida: • Duração da ação do atrito; • Limpeza da superfície; • Pressão de contato; • Velocidade de separação; • Quantidade de área em contato. O Efeito da Umidade Um ambiente com baixos níveis de umidade sempre produzirá maiores tensões eletrostáticas do que em ambientes com altos níveis. A razão para isso é que, em ambientes com alta umidade relativa do ar, menor número de cargas são conduzidas na umidade do ar e nos materiais (Blinde et al, 1981; Calderbank et al, 1980; Swenson et al, 1995). Esse pode ser um problema que pode agravar ainda mais os departamentos de manutenção, visto que esses setores algumas vezes possuem umidade do ar baixa e controlada. A tabela 2 mostra alguns valores de tensões eletrostáticas típicas produzidas em ambientes com altos e baixos níveis de umidade. Tabela 2 - Tensões eletrostáticas e umidade.
Potencial Eletrostático (Volts) Meios de geração da estática. Caminhar sobre carpete. Caminhar sobre piso de vinil. Envelope de vinil com manual de instruções. Técnico na bancada. Pegar um saco de polietileno. Levantar-se de uma cadeira com espuma de poliuretano. 10 – 20 % Umidade Relativa 35.000 12.000 7.000 6.000 20.000 65 – 90 % Umidade Relativa 1.500 250 600 100 1.200

resistir a quantidade de energia introduzida por uma descarga eletrostática. Dano e degradação também podem ser o resultado de um campo eletrostático. Tabela 3 - Níveis limiares de sensibilidade.
Tipo do Componente MOSFET VMOS NMOS GaAsFET EPROM CMOS JFET SAW Op-AMP Diodos Schottky Resistores de Filme Resistores Bipolares ECL SCR Schottky TTL Limiar de Susceptibilidade (Volts) 10 – 100 30 - 1800 60 – 100 25 – 50 100 200 – 3000 140 – 7000 150 – 500 190 – 2500 300 – 2500 300 – 3000 300 – 7000 500 500 – 1000 500 - 2500

A tabela 3 mostra os níveis limiares de susceptibilidade de alguns componentes. Pode-se classificar as falhas ocasionadas por descargas eletrostáticas em dois tipos. O primeiro, falha 4 catastrófica , representa 10% das falhas ocasionadas por descargas eletrostáticas e o equipamento deixa de operar, enquanto que no 5 segundo tipo, chamado de falha intermitente , representa 90 % das falhas ocasionadas por descargas eletrostáticas e o equipamento continua operante, mas funcionando de modo errático e ocasionando chamadas adicionais de serviço aumentando o custo da manutenção (3M, 2000; Vinson et al, 1998). Fotos de alguns componentes, obtidas pela 3M, por microscópio eletrônico, mostram o efeito da atuação da eletricidade estática (3M, 2000). Exemplos são as figuras 1, 2 e 3 com ampliações de 900x, 6.300x e 9.000x respectivamente.

18.000

1.500

Susceptibilidade dos Componentes Dispositivos sensíveis à eletricidade estática estão sujeitos a danos ou degradação ocasionados por descargas eletrostáticas. O dano acontece porque pequenos materiais não podem

Figura 1 – 900x
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Falha simultaneamente repentina e completa. Falha que persiste por um intervalo de tempo limitado, após o qual o item retoma sua habilidade de exercer a função requerida, sem qualquer ação corretiva externa.

Regra 1 A primeira regra é manter as estações de 6 trabalho protegidas , onde só se deve manusear todos os componentes e placas sensíveis nestas áreas. Uma área de trabalho protegida deve ser capaz de controlar as cargas em condutores e não-condutores (Kolyer et al, 1984). Para tal proteção, como ilustrado na figura 4, podem ser utilizados os seguintes dispositivos: pulseiras, monitor de pulseiras, calcanheiras, 7 ionizadores para a rápida neutralização das cargas, pisos dissipativos de estática, mantas e tapetes dissipativos sobre a bancada (3M, 2001; Robinson-Hahn, 1995; Fehrenbach et al, 1992; Madden et al, 1987).

Figura 2 – 6.300x

Figura 3 – 9000x Em áreas de manutenção de equipamentos eletromédicos podem ser observados os seguintes geradores de carga eletrostática (Kirk, 1993; Kolyer et al, 1984): • Superfícies de trabalho; • Pisos; • Cadeiras; • Roupas; • Papeis e suportes de ordem de serviço; • Materiais de embalagem; • Ar fluindo em alta velocidade; • Pessoas. Estudos mostram que as pessoas são as maiores fontes de descargas eletrostáticas que ocasionam danos em componentes eletrônicos e dispositivos durante a manutenção de equipamentos eletromédicos. Resultados Baseado nos levantamentos que foram realizados e nas observações feitas sugere-se alguns procedimentos e produtos de proteção que podem ser aplicados e utilizados nos departamentos de manutenção em equipamentos eletromédicos. Para minimizar os problemas com eletricidade estática foram desenvolvidas quatro regras básicas de proteção: Regra 1 – Estações de trabalho/bancadas; Regra 2 – Transporte e armazenamento; Regra 3 – Ensaios periódicos; Regra 4 – Fornecedores.

Figura 4 – Dispositivos para proteção da área de trabalho. Um produto que deve ser utilizado em serviços de manutenção no campo é o kit para serviço de campo, conforme foto do produto na figura 5.

Figura 5 – Kit para serviço de campo. Regra 2 A segunda regra é transportar e armazenar todos os componentes e placas sensíveis em

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Área na qual os componentes podem ser manipulados com risco aceitável de danos, como resultado de descargas ou campos eletrostáticos, e na qual o operador não está exposto a riscos adicionais. 7 Equipamento utilizado para neutralizar as cargas eletrostáticas sobre materiais isolantes.

recipientes de blindagem da descarga eletrostática. Existem no mercado diversos produtos, conforme mostrado na figura 6, entre eles podese destacar: sacos de blindagem, caixas condutivas, espumas condutivas, protetores de borda de placa e tubos DIP (3M, 2001).

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Regra 4 A regra quatro é, basicamente, garantir e certificar que todos os seus fornecedores de componentes e placas seguem as três primeiras regras sugeridas aqui e se possível conduza auditoria neles.

Discussão e Conclusões Os problemas ocasionados pelas descargas eletrostáticas são, atualmente, bem conhecidos na indústria eletroeletrônica, e os diversos produtos e procedimentos são aplicados e bem realizados (Snyder, 1988; Dangelmayer, 1992; Braude, 1993; McFarland et al, 1993). Por outro lado, em ambientes de assistências técnicas e manutenção de equipamentos eletroeletrônicos, entre eles os equipamentos eletromédicos, quase não se verificam a presença mínima de qualquer dispositivo para o controle das descargas eletrostáticas. O completo conhecimento desse problema por parte da equipe de engenharia clínica deve ser realizado para que se possa minimizar os custos de manutenção, e os efeitos da descarga eletrostática que está associada ao mau funcionamento dos equipamentos eletromédicos, garantindo assim a sua perfeita operação durante o uso com o paciente. Pode-se resumir aqui as soluções para os problemas de descargas eletrostáticas entre elas a blindagem, a prevenção da geração, a neutralização e a dissipação das cargas. A eletricidade estática não pode ser totalmente prevenida, apenas limitada.

Figura 6 – Dispositivos de Blindagem contra descarga eletrostática. Regra 3 Na terceira regra, deve-se testar todos os produtos para controle de descargas eletrostáticas, certificando-se de que todos estejam em perfeito funcionamento (3M, 2001). Para a realização de testes que garantam o funcionamento dos dispositivos de proteção podese citar, o medidor de pulseira e calcanheira, o kit de teste de superfície (megôhmetro), o sensor de campo eletrostático e o sensor para ionizador.

Referências

3M

(2000), “ESD Control Handbook”, Static Control Measures, Electronic Handling & Protection Division, Austin, TX.

3M Static Control Products and Services Catalog (2001), Electronic Handling & Protection Division, Austin, TX. Avery, L.A., (1990), “A review of electrostatic discharge mechanisms and on-chip protection techniques to ensure device reliability,” J. Electrostatics, vol. 24, no. 2, pp. 111–113.

Figura 7 – Equipamentos para teste dos dispositivos de proteção.

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Barreira ou envoltório que limita a passagem de corrente e atenua a energia resultante de uma descarga eletrostática.

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