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Uma introdução ao sistema político brasilei ro


Rafael Moreira Dardaque Mucinhato1



O presidencialismo, o princípio da proporcionalidade e a Federação são
instituições típicas da vida política brasileira contemporânea. Ademais, são
traços constitutivos do ideário e da prática democrática saudável pelo
mundo afora; no Brasil e no resto do mundo, são igualmente passíveis de
aperfeiçoamento; de permanente aperfeiçoamento.
Olavo Brasil de Lima J r.



Introdução

Pretendo por meio deste artigo, apresentar ao professor de Ensino Médio um
panorama geral das instituições políticas brasileiras. Será apresentado um quadro do nosso
sistema político atual com suas principais características e cada uma será analisada sob a
luz de uma perspectiva histórica nacional no sentido de desnaturalizá-las, apresentando os
contrapontos que existiram ao longo de nossa história e a maneira como cada uma delas
evoluiu em nosso país ao longo do período republicano. Um ponto de convergência na
literatura sobre o sistema político brasileiro é o fato de que nossas instituições estão
arranjadas de modo ímpar (Mignozzetti, Bernabel e Galdino, 2011). Segundo Santos (2008),
o sistema político brasileiro combina uma ‘mistura explosiva’ de ingredientes, fadada ao
fracasso. Diante deste quadro, e apesar de o sistema ter funcionado brilhantemente melhor
do que muitos cientistas políticos imaginavam (Figueiredo e Limongi, 1999; Santos, 2008),
ainda podemos encontrar uma literatura defendendo a necessidade de alterações nas
instituições políticas nacionais e é com esta literatura que esse artigo dialoga.
As instituições e os conceitos a serem apresentados serão os seguintes: o
Presidencialismo nos marcos da Constituição de 1988 (seu processo recente de legitimação
com o plebiscito de 1993, os debates em torno da experiência parlamentarista); o
Republicanismo (a divisão de poderes no nível federal, suas instituições e as atribuições de
cada uma delas), o bicameralismo do Poder Legislativo (o porquê da existência da Câmara
dos Deputados e do Senado Federal, a forma como se dá a representação em cada uma
delas, as distorções e as propostas de mudança quanto à proporcionalidade); o federalismo

1
Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em
Políticas Públicas (NUPPs – USP).



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(a divisão e as atribuições que cabem a municípios, estados e União); o sistema partidário
(o pluripartidarismo exacerbado que marca o período pós-1979 e os sistemas partidários ao
longo da história política brasileira) e por fim nosso sistema eleitoral (a utilização ampla do
sistema lista aberta, o sistema majoritário para os cargos executivos e o sistema
proporcional para os cargos legislativos, o mecanismo de alocação de sobras, o porquê do
personalismo nas campanhas legislativas).
Por meio deste trabalho procurarei demonstrar que essas instituições que marcam
o nosso sistema foram fruto de escolhas, que se deram em certos marcos, por exemplo, a
Constituição de 1988, o Regimento Interno da Câmara dos Deputados e a atual versão do
Código eleitoral.

O presidencialismo brasileiro

O debate em torno das opções presidencialista e parlamentarista para o sistema
político brasileiro foi bastante marcante em alguns períodos da nossa história. A diversidade
da democracia política e os prós e contras de cada “modelo” existente ao redor do globo
(Lijphart, 2003) já foram colocadas em discussão em alguns momentos da nossa história.
Esta observação contrasta com a inquestionabilidade do nosso regime presidencialista
atual, mesmo com o país tendo atravessado um processo marcante de impeachment do
então presidente Fernando Collor de Melo em 1992 e sucessivos escândalos de corrupção.
A distinção básica entre os dois tipos de regime está baseada em tipos ideais,
ainda que na realidade política tal distinção esteja menos clara. Nos sistemas
parlamentaristas, a única instituição democraticamente legitimada é o Parlamento (Linz,
1991) e cabe a ele escolher o Chefe de Governo, o Primeiro Ministro, que irá “montar” o seu
gabinete de governo. Isso não quer dizer que estes sistemas não possuam presidentes, a
sua maioria possui. Entretanto, a maioria dos presidentes em sistemas parlamentaristas,
assim como os monarcas constitucionais em monarquias parlamentaristas, têm somente
poderes e funções limitadas (Linz, 1991), cumprindo principalmente a função de Chefe de
Estado.
Os sistemas presidencialistas se baseiam em princípios opostos (mas não
inteiramente distintos) aos do parlamentarismo. Nele, o povo elege diretamente um
Executivo, por um período determinado de tempo (no nosso caso, o mandato presidencial é
de quatro anos, mas isso pode variar bastante de país para país). Em nosso país, a
Constituição outorga consideráveis poderes ao Executivo, mas este depende de uma ampla



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coalizão de governo no Poder Legislativo para poder governar (Figueiredo e Limongi, 1999).
O presidente seria o detentor do Poder Executivo, concentrando em si a função de chefe de
Estado (representante do Estado-nação) e chefe de governo (representando a atual
“administração” do Estado).
J á tivemos, em nossa história, dois curtos períodos de tempo no qual o sistema
parlamentarista vigorou no país. Primeiramente, no Império, entre 1847 a 1889 e depois em
um curto período inserido no regime democrático de 1946-1964. Isto se deu no ano de 1961,
quando se improvisou um modelo parlamentarista como solução para o impasse criado pela
renúncia de J ânio Quadros (Figueiredo, 1993), perdurando até o princípio de 1963. Em
agosto daquele ano, J ânio renunciou à Presidência oito meses depois de sua posse2,
acreditando que as Forças Armadas e o Congresso não aceitariam a posse do vice-
presidente J oão Goulart, acusado de simpatizar com o comunismo (esta versão dos fatos
nunca chegou a ser confirmada pelo próprio, mas muitos diziam que J ânio esperava “voltar
ao poder nos braços do povo”). Parte do plano deu certo: os militares vetaram a posse de
Goulart e uma campanha de grandes proporções teve início exigindo o cumprimento da
Constituição, que previa a posse do vice. Na tentativa de encontrar uma solução para a crise
e após muitas negociações, o Congresso aprovou, em caráter de “urgência urgentíssima”, o
regime parlamentarista, que diminuiria os poderes do presidente e colocaria no cargo de
primeiro ministro Tancredo Neves (Figueiredo, 1993). O regime durou pouco mais de um
ano, retomando-se o presidencialismo posteriormente, tendo Goulart no seu cargo máximo.
Após o regime militar, a simpatia pela opção parlamentarista cresceu novamente
nos anos 80 e 90, em meio ao processo de transição democrática e num contexto de
identidade institucional pouco segura (Lamounier, 1991). A capacidade do presidencialismo
de aglutinar os interesses da nação era bastante questionada, sobretudo à luz da ideia de
uma tradição presidencialista do país, quando se observava que, das três grandes
intervenções violentas no processo político (1930, 1937 e 1964), duas delas se deram por
conta de crises de sucessão presidencial: 1930 com Vargas e 1964 com os militares
(Lamounier, 1991). Assim, a opção parlamentarista era colocada em discussão como
possibilidade de incremento na governabilidade do sistema político, pois proporcionaria uma
maior flexibilidade no processo de transição e consolidação da democracia3. Ao final da

2
O site da Câmara dos Deputados disponibiliza um amplo acervo de áudio dos pronunciamentos referentes ao
período, como a comunicação da renúncia de J ânio Quadros pelo Presidente do Congresso Nacional, Senador
Moura Andrade - http://imagem.camara.gov.br/internet/audio/Resultado.asp?txtCodigo=14204524
3
Posteriormente, a ideia de que o Parlamentarismo estaria imune a uma “paralisia decisória” também foi
revista. Ver Limongi, 2003.



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década de 1980, a Constituinte de 1987-88 apontou que a decisão final caberia ao povo
brasileiro.
Assim, um plebiscito acabou por ser realizado em 21 de abril de 1993 (inclusive
com campanhas políticas com direito a jingles, comerciais na TV e horário eleitoral gratuito)
para colocar um ponto final na questão, quanto à opção de governo a ser adotada em nosso
sistema político. O resultado final foi o seguinte: quanto à forma de governo, venceu a opção
republicana, com 66,26% dos votos, frente 10,25% da opção monárquica e mais 23,49% de
votos brancos e nulos; quanto ao sistema de governo, venceu a opção presidencialista, com
55,58% dos votos, frente a 24,87% dos votos para a opção parlamentarista e mais 19,55%
de votos brancos e nulos 4.

O Republ icanismo

O princípio da separação de poderes tem sido uma das pilastras do
Constitucionalismo nacional e foi reafirmado na Constituição de 1988 como sendo “cláusula
pétrea”, isto é, não passível de ser abolido através de emenda à Constituição (Moraes,
2001). Assim, ao mesmo tempo em que o poder do Estado é uno e indivisível, cabe
entender por que o art. 2º da Constituição Federal apresenta uma separação de funções
estatais ao prever que os poderes da União são: o Legislativo, o Executivo e o J udiciário, o
chamado Republicanismo.
As funções de cada poder da União são estabelecidas na Constituição Federal com
vistas à atuação independente e harmônica entre os poderes (Carneiro, Santos e Netto,
2011). Porém, o conflito entre o Executivo e o Legislativo tem sido historicamente crítico
para a estabilidade democrática no Brasil, constituindo traço do processo político em boa
medida, considerado tanto pelos que preferem o presidencialismo quanto pelos que são
favoráveis ao parlamentarismo (como foi mostrado anteriormente). Conforme assinala
Moraes (2006), as funções de cada poder podem ser classificadas em típicas e atípicas.
Típicas são as funções que um determinado poder exerce de modo precípuo. Assim, cabe
ao Poder Executivo administrar. Entretanto, todo poder exerce as demais funções em
caráter atípico. Dessa forma, cumpre ao Poder J udiciário, por exemplo, administrar seus
servidores e legislar normas internas.

4
Dados do TSE - http://www.tse.jus.br/eleicoes/plebiscitos-e-referendos/plebiscito-de-1993 - acessado em
21/09/2012



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O Poder Executivo federal é exercido pelo Presidente da República auxiliado pelos
seus Ministros de Estado (art. 76 da Constituição), sendo este escolhido pelo voto direto de
todos os eleitores do país, a cada quatro anos. A possibilidade de reeleição do presidente
da República foi inserida no nosso sistema político apenas recentemente, através da
Emenda Constitucional n. 16, de 1997. A Constituição Federal dotou o Presidente da
República de possibilidades muito grandes de influência na legislação e de muitos
mecanismos de intervenção no processo legislativo (Figueiredo e Limongi, 1999). Na
verdade, os poderes de agenda do Presidente da República vão desde a capacidade para
editar medidas provisórias com força de lei (o que permite ao presidente implementar sua
agenda, sobretudo de natureza econômica e administrativa), superando possíveis
obstáculos congressuais (Moraes, 2006), até a posse de prerrogativa exclusiva sobre certos
temas, como por exemplo aquelas que tratam das diretrizes orçamentárias e dos
orçamentos anuais, daquelas leis que fixem ou modifiquem os efetivos das Forças Armadas,
ou que disponham sobre a criação de cargos, funções, empregos ou aumento da
remuneração dos servidores públicos da União.Tais características levaram a
caracterização do nosso presidencialismo como um “presidencialismo de coalizão”
(Abranches, 1988; Figueiredo e Limongi, 1999; Santos, 2001), regime no qual o Poder
Executivo possui amplos poderes mas que precisa estar ancorado em uma ampla coalizão
de apoio legislativo.
O Poder Legislativo federal brasileiro é exercido pelo Congresso Nacional, que se
compõe de duas casas (câmaras) legislativas, constituindo, então, um sistema bicameral (a
ser explicado adiante). São funções típicas do Poder Legislativo legislar e fiscalizar. A
função legislativa envolve a elaboração de leis e atos normativos, e a função fiscalizadora
pode se efetivar por meio de propostas de fiscalização e controle, do controle externo
exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União (TCU) e das comissões
parlamentares de inquérito (CPIs), por exemplo (Carneiro, Santos e Netto, 2011). Ao
Congresso Nacional compete legislar sobre diversas matérias (suas “atribuições
legislativas”), com ou sem a sanção presidencial. Os arts. 51 e 52 da nossa Constituição
dispõem sobre as competências privativas (exclusivas, na verdade, pois são matérias
indelegáveis) da Câmara e do Senado, respectivamente. Os arts. 22 e 24 da Constituição
são, também, importantes na identificação de competências da União. De igual modo,
compete ao Congresso Nacional, mediante controle externo, a fiscalização contábil,
financeira, orçamentária, operacional e patrimonial das entidades da administração direta e
indireta (art. 70 da Constituição). Para além de suas funções típicas (próprias), há também



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as funções atípicas (impróprias) exercidas pelo Poder Legislativo como suas funções de
administrar e julgar. Servem como exemplos, na função administrativa, a organização dos
serviços internos e, na função judicial, os julgamentos de crime de responsabilidade do
presidente da República.
Por fim, cabe tratar das instituições do Poder J udiciário (seus diferentes tribunais,
como o Superior Tribunal Federal-STF, o Conselho Nacional de J ustiça-CNJ , o Tribunal
Superior Eleitoral-TSE e o Tribunal Superior do Trabalho-TST), que apenas com a
Constituição de 88 tiveram sua identidade alterada e adquiriam status de poder (Sadek,
2010)5, tornando-o mais visível, tanto para os agentes políticos como para a população. De
aplicador de leis e códigos, o judiciário foi configurado como agente político, cabendo-lhe
controlar a constitucionalidade e arbitrar conflitos entre os outros Poderes. A rigor, não há
decisão, quer proferida pelo Executivo, quer aprovada pelo Legislativo, que não seja
passível de apreciação judicial (Sadek, 2010) fazendo com que o Poder seja um ator com
capacidade de provocar impactos significativos no embate político.
Em anos recentes, o STF tem estado cada vez mais em evidência, haja visto o
recente julgamento do escândalo de corrupção intitulado “mensalão”. O Supremo Tribunal
Federal é composto por onze Ministros, brasileiros natos (art. 12 da Constituição),
escolhidos dentre cidadãos com mais de 35 e menos de 65 anos de idade, de notável saber
jurídico e reputação ilibada (art. 101), e nomeados pelo Presidente da República, após
aprovação da escolha pela maioria absoluta do Senado Federal. Cabe a ele também indicar
três ministros que comporão o Tribunal Superior Eleitoral (art. 119)6.
Cabe assim, aos outros entes da federação (os estados, o Distrito Federal e os
municípios) aplicarem em sua organização os princípios previstos na Constituição Federal.
Nesse sentido, as funções estatais dos estados são igualmente distribuídas em três
poderes, sendo que os municípios possuem apenas os poderes Executivo e Legislativo,
inexistindo um Poder J udiciário próprio nessa esfera estatal.







5
Durante o Regime Militar, o Poder J udiciário não gozava de independência, tampouco de autonomia.
6
STF - http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=sobreStfConhecaStfInstitucional



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Quadro 1 – A separação de Poderes no sistema federativo brasi lei ro
Fonte: Carneiro, Santos e Netto, 2011
* O Distrito Federal não possui Poder J udiciário próprio.

O bicameralismo do Poder Legislativo

De acordo com a Constituição de 1988, “O Poder Legislativo (no nível federal) é
exercido pelo Congresso Nacional, que se compõe da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal” (art. 44), sendo essa a base legal primária do nosso bicameralismo. Entretanto, há
diferenças importantes entre essas duas casas representativas.
A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes eleitos pelo sistema
proporcional (a ser tratado mais adiante), sendo que o Distrito Federal ou qualquer dos 26
estados brasileiros poderão eleger no mínimo oito e, no máximo, setenta deputados,
conforme o tamanho da população desses entes federativos e de acordo com os ajustes
necessários, procedidos no ano anterior às eleições (art. 45). Atualmente, a Câmara é
integrada por 513 deputados (número definido pela Lei Complementar nº 78, de 1993). J á o
Senado Federal é composto por representantes eleitos segundo o princípio majoritário nos
estados e no Distrito Federal, sendo que o número de senadores por cada estado e Distrito
Federal será fixo e de três, totalizando 81 senadores (26 estados +Distrito Federal =27 x 3
=81).
A renovação da Câmara se dá de maneira total e quadrienal (de quatro em quatro
anos), enquanto que a renovação do Senado é parcial por 1/3 e 2/3 alternadamente a cada
quatro anos (ou seja, o mandato de um deputado dura 4 anos – uma legislatura - enquanto
que o de um senador dura 8 anos – duas legislaturas). Note-se que a renovação total se
refere aos mandatos, e não necessariamente aos mandatários (Carneiro, Santos e Netto,



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2011), assim sendo, para mensurar qual o grau de renovação de cada uma das casas, os
cientistas políticos geralmente fazem uso de um indicador chamado “taxa de reeleição”, com
o intuito de verificar qual a dimensão da renovação de cada uma das casas a cada eleição.
Outra diferença entre as duas Casas é a quantidade de suplentes permitida para
cada representante. Enquanto que na eleição para deputados federais podem ser
diplomados vários suplentes, os suplentes de senadores são limitados a dois, por força da
norma inscrita no art. 46 da Constituição.
Mas qual o motivo da existência de duas casas para representar o Poder
Legislativo no nosso sistema político e mais importante, o que cada uma delas representa?
Os deputados da Câmara são eleitos com o intuito de representar a população
brasileira de maneira proporcional a sua distribuição nos estados (daí a utilização do
sistema eleitoral proporcional). Tratando a questão de maneira simplificada, os deputados
seriam os representantes do povo brasileiro.
Porém, há certas “distorções na representação” da Câmara dos Deputados e que
muitas vezes são questionadas na ciência política. Por distorção na representação devemos
entender, tomando o princípio ‘uma pessoa, um voto’, que uma mesma quantidade de
eleitores deve possuir representação equivalente na Câmara dos Deputados, ou seja, cada
deputado deveria representar uma mesma quantidade de eleitores (Mignozzetti, Bernabel e
Galdino, 2011). Para Nicolau (1997), o principal efeito dessa não-proporcionalidade é dar
pesos distintos aos votos dos eleitores de diferentes circunscrições eleitorais, o que viola o
princípio democrático de que todos os cidadãos tenham votos com valores iguais. Um
exemplo mais prático: se de um lado temos que um deputado de Roraima representaria
aproximadamente 21 mil eleitores em 1998, um deputado da Bahia (para não tomar o caso
mais extremo) representaria 203 mil eleitores, ou seja, 9.54 vezes mais que o de Roraima
(Mignozzetti, Bernabel e Galdino, 2011).
Por outro lado, cabe aos senadores representarem os entes federados (os
Estados), agindo de acordo com o interesse do estado que o elegeu (daí o número fixo de
senadores por estado). Sendo assim, não há uma distorção propriamente dita na
representação no Senado, pois os senadores representam “apenas” os interesses de seu
estado, e não de sua população.





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Quadro 2 – Resumo das distinções entre cada Casa do Poder Legislativo
Fonte: Carneiro, Santos e Netto, 2011

Federalismo

O Brasil é uma República Federativa e segundo a Constituição Federal, os entes
federados são: os 26 estados, o Distrito Federal e os 5561 municípios7, o que confere ao
país características singulares, se comparado às demais federações, onde apenas os
Estados ou províncias são dotados de autonomia político-administrativa (Kugelmas, 2001).
O conceito de Federação pressupõe que haja uma descentralização político-administrativa
(uma dispersão de poderes entre os atores relevantes que participam do processo político –
Anastasia, 2004), cabendo a cada um dos elementos federativos determinadas atribuições e
recursos para o seu orçamento.
As atribuições da União estão discriminadas no art. 21 da Constituição Federal.
Entre elas, podemos citar como exemplo: manter relações com Estados estrangeiros e
participar de organizações internacionais; declarar a guerra e celebrar a paz; assegurar a
defesa nacional e por fim, a emissão da moeda corrente no país. J á o art. 22 da
Constituição estabelece quais atribuições cabem exclusivamente à União, por exemplo,
legislar sobre temas como o direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário,
marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho. Os artigos seguintes (23 e 24) apresentam as

7
Segundo o IBGE, havia 5561 municípios no Brasil no ano 2000 -
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/indicadores_sociais_municipais/tabela1a.shtm



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atribuições que cabem aos Estados, assim como os arts. 29, 30 e 31, descriminam as
atribuições dos municípios.
A leitura desta legislação em conjunto permite concluir que ela reserva pouco
espaço de autonomia para os Estados-membros, haja visto o reduzido número e escopo de
suas competências exclusivas (Anastásia, 2004), o que fundamenta a afirmação de que no
sistema federativo brasileiro, quando se repartiram as competências, sobraram aos Estados
aquelas que não são da União nem dos Municípios8. Apesar dos estados não possuírem
nenhuma competência exclusiva na área de políticas sociais, elas lhes conferem um
importante papel na provisão dos bens e serviços pertinentes a essa área da política
(Anastasia, 2004 e art. 24 da Constituição). Outro traço característico do nosso federalismo
é a existência do bicameralismo apenas no nível federal (como mostrado na seção anterior),
enquanto que se esperaria que nos Estados também houvessem duas Câmaras de
representação (como acontece no modelo federalista estadunidense – Squire e Hamm,
2005).
Em se tratando da distribuição do Orçamento para políticas sociais e execução de
obras, o Orçamento Geral da União não financia todas as despesas públicas, sendo que o
federalismo cumpre aqui um importante papel na distribuição dos recursos entre todos os
entes federativos. A própria Constituição é quem define as atribuições do governo federal,
dos governos estaduais e municipais. A União repassa 47% do produto da arrecadação do
Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), aos Fundos de
Participação dos Estados, Distrito Federal e Municípios, bem como aplica em programas de
financiamento ao setor produtivo das Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste9. Os
governos estaduais ainda contam também, para financiar os seus gastos, com 75% da
arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e com o
Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA). As prefeituras contam, além
do repasse da União, feito de acordo com o número de habitantes de cada cidade, definido
pelo censo do IBGE, com os impostos municipais, como o Imposto Predial e Territorial
Urbano (IPTU), com 25% da arrecadação do ICMS e com 50% da receita do Imposto
Territorial Rural (ITR).
Um tema que serve como exemplo para se observar, na prática, as competências
que cabem a cada ente federativo é a educação. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases

8
www.al.sp.gov.br
9
Ministério do Planejamento -
http://www.planejamento.gov.br/link_secretaria.asp?cod=476&cat=51&sec=8&sub=129



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da Educação Nacional (LDB), cabe ao município oferecer a Educação Infantil, com
prioridade sobre Ensino Fundamental (art. 11, inciso V); cabe aos Estados assegurarem o
Ensino Fundamental e oferecer com prioridade o Ensino Médio (art. 10, inciso VI), sendo
ainda incumbidos de definir, com os municípios, formas de colaboração na oferta do Ensino
Fundamental, garantindo a distribuição proporcional das responsabilidades (art. 10, inciso
II). Por fim, cabe à União oferecer uma rede de Ensino Superior (as Universidades Públicas
Federais), estar presente em outros níveis e modalidades de ensino (como o Ensino
Técnico), assim como exercer função técnica de apoio, financiamento e de articulação de
toda a organização da educação nacional.

Sistema partidário

O sistema partidário brasileiro é conceitualizado atualmente como sendo um
pluripartidarismo, ou então um multipardarismo, num formato de competição interpartidária,
no qual disputam às eleições um número grande de partidos políticos (há inclusive críticas
quanto a extrema flexibilidade da legislação partidária, que estimula o aparecimento de
novos partidos). O momento atual contrasta com o formato “bipartidarista” de competição,
imposto pelo regime militar (sistema partidário que vigorou antes do atual), no qual durante
13 anos, de 1966 a 1979, esteve em vigor um formato de competição entre apenas duas
organizações (que inclusive não podiam fazer uso da palavra “partido” em seus nomes), o
Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e a Aliança Renovadora Nacional (ARENA).
O Brasil possui atualmente 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral
(TSE)10, cada qual com as suas bandeiras políticas e suas ideologias11 e sob o ponto de
vista da origem do sistema partidário, esta seria a mais longa experiência partidária de
nossa história política (Braga, 2010), com os principais partidos políticos organizando a
competição político-eleitoral, há mais de 32 anos. Levando em conta o fato de que apenas
no nosso período republicano o Brasil experimentou nada menos do que oito diferentes
sistemas partidários (evidenciando a vulnerabilidade histórica dos nossos sistemas políticos
– Sadek, 1993) deve-se exaltar essa observação.
Nosso sistema partidário atual originou-se em 1979, através da lei n. 6767
(Skidmore, 2004) e em 1982 foi a primeira vez que os partidos puderam competir livremente,

10
O maior número de partidos nominais que disputaram uma eleição brasileira foi verificado nas eleições de
2000, quando 34 legendas participaram daquele pleito, e o menor ficou justamente em 1982, com 5 partidos.



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portanto, em pleno processo de transição do regime político para a democracia. Naquele
momento, cinco partidos participaram do pleito, o qual inauguraria o retorno ao
pluripartidarismo: PMDB, PDS, PDT, PTB e PT. No entanto, embora a reforma partidária de
1979 tivesse como objetivo desmantelar o bipartidarismo vigente durante o regime militar,
em certa medida, ele se manteve até meados da década de 1980, com disputas partidárias
girando principalmente em torno do PMDB e PDS. A partir de 1985, com a promulgação da
Emenda Constitucional n. 25, o processo de formação de novas organizações partidárias e
a própria interação entre os partidos na arena eleitoral foram flexibilizados, aumentando
consideravelmente o grau de liberdade da vida partidária (Braga, 2010).

Quadro 3 – Conformação da estrutura de competição partidária (1982-2006)










Fonte: Nicolau (1998) e Braga (2010)

Para além da quantidade nominal de partidos que disputam cada eleição, a ciência
política possui alguns índices para mensurar as unidades (partidos) e o seu peso relativo em
uma dada população (eleitorado ou Congresso). Um dos mais utilizados (Lijphart, 1994) e
que foi elaborado relativamente há pouco tempo é o “número efetivo de partidos” (Laakso e
Taagepera, 1979), revelando quantos deles efetivamente possuem certo peso no nosso
sistema político, através da composição da Câmara dos Deputados.




11
A lista completa com todos os partidos se encontra disponível em http://www.tse.jus.br/partidos/partidos-
politicos



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Quadro 4 – Número de partidos efeti vos nas eleições para a Câmara dos
Deputados (1982-2006)
Fonte: Nicolau (1998) e Braga (2010)


Sistema eleitoral

Os sistemas eleitorais são os mecanismos responsáveis pela transformação dos
votos dados pelos eleitores no dia das eleições em mandatos (cadeiras no Poder Legislativo
ou a chefia do Poder Executivo – Nicolau, 1999). As regras utilizadas para transformar
preferências eleitorais em mandatos variam de país para país ou mesmo dentro de um
próprio país, dependendo do cargo em disputa. No Brasil, temos mais de um sistema
eleitoral sendo utilizado a cada eleição, dependendo do cargo em disputa.
Grosso modo, os sistemas eleitorais são divididos em duas grandes “famílias”
(Blais, 1988): os sistemas majoritários e os sistemas proporcionais. Os sistemas majoritários
podem ser de quatro tipos: maioria simples, dois turnos, voto alternativo e voto em bloco. Os
sistemas proporcionais se dividem entre o proporcional de lista aberta e o voto único
transferível. Ademais, há também duas formas mistas de sistemas eleitorais: o de
combinação e o de correção (segundo classificação de Nicolau, 1999).
No Brasil adota-se o sistema proporcional de lista aberta nas eleições para
Deputado Federal, Deputado Estadual e Vereador (art. 45, 27 e 29 da Constituição). Nas
eleições para Deputado Federal e Deputado Estadual (ou do Distrito Federal), a
circunscrição (o território onde se realiza uma eleição, também chamado de distrito eleitoral)
corresponderá ao Estado12. Nas eleições para Vereador, o distrito eleitoral é o Município
(Código Eleitoral, art. 86). O eleitor escolhe um candidato da lista apresentada pelo partido,
não havendo uma ordem pré-determinada (daí a denominação de lista aberta). A ordem dos



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candidatos é ditada pela votação que individualmente obtiverem. Contudo, embora a
votação seja uninominal, o sucesso do candidato dependerá também da quantidade de
votos que o partido ao qual ele está filiado recebeu, havendo assim a possibilidade de se
votar apenas na legenda do partido e não em um candidato em específico.
Nesse sentido, para chegar ao número de cadeiras que cabe a cada partido e a
cada candidato, primeiro divide-se a totalidade dos votos válidos pelo número de cadeiras a
preencher. Este resultado corresponde ao chamado quociente eleitoral. Se algum partido
não obtiver o número de votos – somando-se os resultados obtidos pela legenda e por seus
candidatos – pelo menos igual ao quociente eleitoral, não poderá eleger nenhum candidato.
O passo seguinte é dividir o número de votos obtidos por cada partido ou coligação
partidária pelo “quociente eleitoral”13. Esse resultado corresponde ao que se denomina
quociente partidário e equivale ao número de candidatos eleitos pelo partido. A ordem de
preferência dos candidatos é aquela determinada pelo eleitor, ou seja, serão escolhidos os
candidatos individualmente mais votados até o limite do quociente partidário. Como já foi
dito anteriormente, o sistema eleitoral proporcional pode gerar, como consequência,
distorções na representação do Poder Legislativo Federal. Uma peculiaridade do sistema de
lista aberta utilizado no Brasil é a formação de uma única lista de candidatos, quando
diferentes partidos estão coligados.
No Brasil, adota-se o sistema majoritário de maioria simples para a eleição de
Senadores (art. 46 da Constituição) e de Prefeitos em Municípios com até duzentos mil
eleitores (art. 29). Neste caso, o candidato eleito é aquele que obtiver a maioria dos votos
dentre todos os concorrentes (Nicolau, 1999). Este sistema também esteve em vigor no
período de 1945-64 para as eleições para o cargo de Presidente da República. Atualmente,
nas eleições para Presidente (art. 77), Governador do Estado ou do Distrito Federal (art. 28),
Prefeito em Municípios com mais de duzentos mil eleitores (art. 29), o sistema vigente é o
majoritário em dois turnos. Neste sistema, após a realização de um primeiro turno das
eleições, no qual nenhum candidato obteve mais de 50% dos votos, é realizado um segundo
turno, apenas com os dois candidatos mais bem votados.



12
Cabe apontar que da independência até hoje, o Brasil já adotou 11 diferentes métodos eleitorais para a eleição
dos parlamentares para a Câmara Baixa. O sistema eleitoral proporcional foi introduzido pelo Código Eleitoral de
1932. O método atualmente em vigor começou a ser utilizado para as eleições de 1950 (Sadek, 1993).
13
Esta fórmula eleitoral utilizada em nosso país recebe a denominação de D’Hondt, adota a partir das eleições
de 1950 e que receberam apenas uma modificação, em 1998, quando os votos em branco deixaram de ser
contabilizados para o cálculo do quociente eleitoral.



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Considerações fi nai s

Através desse artigo, procurei apresentar ao professor de Ensino Médio um
panorama geral das instituições principais que compõem o sistema político brasileiro. Os
arranjos institucionais que servem como pilar para as democracias são específicos em cada
sistema político e é mister que um professor possua recursos que sistematizem o assunto,
de maneira que torne os conceitos compreensíveis a um aluno do Ensino Médio. O tema
“política” em si já se mostra difícil de ser trabalhado com alunos desse nível, assim sendo, o
tema necessariamente deve ser trabalhado com uma linguagem objetiva e simplificada, o
que espero ter alcançado por meio deste texto.
Nesse sentido, apresentei neste artigo as características do nosso
presidencialismo, em contraposição a ideia de parlamentarismo e sua relação com a
governabilidade; o princípio republicano da divisão dos poderes e como ela se dá em nosso
país; a especificidade do nosso bicameralismo do Poder Legislativo e as consequências das
distorções na representação; o federalismo e as atribuições de cada ente federativo em
certos temas, como a educação; o nosso sistema partidário atual e as mudanças recentes
que o levaram a este momento e, por fim, os nossos sistemas eleitorais aplicados a cada
cargo, procurando torná-los mais inteligíveis.


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