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UNIVERSIDADE BANDEIRANTE DE SÃO PAULO
MECÂNICA DOS FLUIDOS
LABORATÓRIO 4: ESCOAMENTO EM REGIME TRANSIENTE –
Cálculo do tempo de esvaziamento de um reservatório
Prof. Dr. WERNER HANISCH

1. OBJETIVO: Determinação do tempo de esvaziamento de um reservatório e a
comparação desse resultado com o cálculo do tempo de esvaziamento por meio da
equação da continuidade.

2. RESUMO TEÓRICO:

2.1. Equação da continuidade em regime transiente:

A forma geral da equação da continuidade (Lei da conservação da massa em
um sistema fluido) é dada por:

w
entrada
w
saída
Volume
acumulado

Figura 1: Esquema de um reservatório.















=










sistema do
sai que vazão
sistema no
entra que vazão
tempo do função em
sistema do dentro
massa de acúmulo

(1)

Se não há variação de massa no sistema em função do tempo (equação 2),
pode-se escrever a equação da continuidade no regime de escoamento permanente com
mostrado na equação 3.

Laboratório 3: Escoamento em regime transiente: esvaziamento de um reservatório.
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0 =






sistema do dentro
massa de acúmulo

(2)
E daí:







=






sistema do
sai que vazão
sistema no
entra que vazão

(3)

E matematicamente expressando essa equação tem-se:

saída entrada
w w = (4)
Em que:
w
entrada
=vazão em massa na entrada do sistema (kg/s);
w
saída
=vazão em massa na saída do sistema (kg/s).

Contudo, no caso do regime transiente, há uma variação da massa acumulada
no sistema. Matematicamente, a variação da massa dentro do sistema pode ser
representada por uma derivada, pois o que ocorre é uma taxa de variação da massa
dentro do reservatório em função do tempo, e isso é a definição da derivada:

dt
dm
tempo do função em
massa da variação de taxa
=







(5)

Assim, a equação da continuidade para o regime transiente pode ser escrita
como:

saída entrada
w w
dt
dm
− = (6)

A massa do fluido pode ser escrita em função do seu volume e da massa
específica de acordo com a equação 7:

V m ρ = (7)
Em que: m =massa de fluido (kg);
ρ =massa específica do fluido (kg/m
3
);
V =volume do fluido no reservatório (m
3
).

Laboratório 3: Escoamento em regime transiente: esvaziamento de um reservatório.
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E ainda, o volume do fluido pode ser escrito em função da área da base e da
altura h do reservatório (variável, pois o nível do reservatório está se alterando):

h A V
base
. = (8)
Em que: A
base
=área da base do reservatório (m
2
);
h =variável nível (m);
Substituindo a equação 8 na 7 tem-se:

h A m
base
. . ρ = (9)

Substituindo-se a equação 9 na equação 6 e integrando por partes a equação
originada em função de h e t, consegue-se chegar à uma equação que calcule o tempo de
esvaziamento do reservatório em função da altura h dele.
Faz parte da atividade de laboratório montar essa equação! Lembre-se também
para a inicialização da solução do problema que:

Q w . ρ = (10)
Em que: Q =vazão em volume do fluido (m
3
/s).
W =vazão em massa do fluido (kg/s)ç
ρ =massa específica do fluido (kg/m
3
).
e
A v Q . = (11)
Em que: v =velocidade média de escoamento (m/s);
A =área da seção transversal (m
2
).
v =velocidade média de escoamento (m/s).

E ainda, a velocidade média na saída do bocal é dada por:

h g C v
saída
. . 2 = (12)
Em que: v
saída
=velocidade média na saída (m/s);
C =coeficiente de descarga do reservatório;
g =aceleração da gravidade (m/s
2
);
g =9,81 m/s
2
.

Para esse experimento o coeficiente de descarga C é igual a 0,651.
Laboratório 3: Escoamento em regime transiente: esvaziamento de um reservatório.
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3. MATERIAIS E MÉTODOS

Os equipamentos e procedimentos experimentais são apresentados a seguir nos
sub-itens Materiais e Métodos Experimentais, respectivamente.

3.1. MATERIAIS

A figura 1 apresenta o painel hidráulico J J Ban do Laboratório de Energia e
Fluidos da Uniban, utilizado para a realização desse experimento. Esse painel foi
desenvolvido e construído com competência pelo professor J oão Carlos Botelho Carrero
e pelo técnico Apparecido de J orge Marthos.

25
4
2
5
6
11
19
14
24
14 14
18
10
17
16
3
8
7
21
23
20 22
1
15
9
13
12 26
27
28
29
30
31
32
29
29
25
4
2
5
6
11
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14
24
14 14
18
10
17
16
3
8
7
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20 22
1
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9
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12 26
27
28
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4
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3
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1
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12 26
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30
31
32
29
29

Figura 1: Painel hidráulico J J Ban.

A seguir são listados os acessórios que constituem o painel hidráulico J J Ban,
de acordo com os números apresentados na figura 1.

1. bomba centrífuga (1 HP);
2. vacuômetro;
Laboratório 3: Escoamento em regime transiente: esvaziamento de um reservatório.
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3. botão de acionamento da bomba
4. manômetro de Bourdon;;
5. registro gaveta;
6. registro globo;
7. tubulação de cobre de 26 mm (diâmetro interno);
8. tubulação de cobre de 26 mm (diâmetro interno);
9. manômetro de Bourdon;
10. tubulação de cobre de 40 mm (diâmetro interno);
11. Medidor de vazão de placa de orifício (diâmetro interno de 20 mm);
12. tubulação de cobre de 64 mm (diâmetro interno);
13. Tubo de Pitot de 2 mm de diâmetro interno (medidor de velocidade);
14. Manômetro de Tubo em U;
15. Piezômetro;
16. registro gaveta;
17. Reservatório de corante;
18. registro gaveta;
19. Reservatório de água (30 x 30 x 90 cm);
20. Agulha de injeção de corante;
21. tubo transparente de 18,5 mm (diâmetro interno);
22. torneira para descarte de água;
23. mangueira;
24. Reservatório baixo de água;
25. registro gaveta;
26. registro gaveta;
27. registro gaveta;
28. ladrão;
29. comando com by-pass;
30. válvula de retenção;
31. Saída com 17 mm (diâmetro interno) e válvula esfera;
32. válvula com ralo (“cebola”).

Laboratório 3: Escoamento em regime transiente: esvaziamento de um reservatório.
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3.2. MÉTODO EXPERIMENTAL

3.2.1. DETERMINAÇÃO DO TEMPO DE ESVAZIAMENTO DO
RESERVATÓRIO

1) Certifique-se que os registros (5), (16) e (25) estejam fechadas e os registros (18),
(26) e (27) estejam abertos;
2) Ligar a bomba (1) no botão (3);
3) Encher o reservatório (19) até que a água transborde pelo ladrão (28);
4) Desligue a bomba;
5) Meça o nível marcado no piezômetro (15). Anote-o na Tabela 1;
6) Zere os três cronômetros;
7) Abra a válvula esfera da saída (31) e imediatamente acione os três cronômetros;
8) Cesse os cronômetros quando o nível do piezômetro atingir um nível estabelecido
(acima da válvula esfera). Anote o nível final e os tempos marcados na Tabela 1;
9) Repita o procedimento caso algo não tenha sido realizado de forma adequada.

4. RESULTADOS

Preencha a Tabela 1 com os dados obtidos no laboratório e faça os cálculos
necessários para a determinação do tempo de esvaziamento do reservatório por meio da
equação determinada obtida pela equação da continuidade em regime transiente.
Compare o resultado experimental obtido com o resultado calculado pela
equação teórica. Eles foram similares? Calcule o erro em relação ao valor experimental.
Discuta as possíveis fontes de erros e dê sugestões para a melhoria do experimento.

Laboratório 3: Escoamento em regime transiente: esvaziamento de um reservatório.
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Tabela 1: Roteiro de cálculo do tempo de esvaziamento do reservatório e comparação dos resultados experimental e teórico.
Tempo de esvaziamento experimental
H
1
- nível inicial
(mm)
H
2
- nível final
(mm)
Tempo 1 (s)
(cronômetro)
Tempo 2 (s)
(cronômetro)
Tempo 3 (s)
(cronômetro)
tempo de esvaziamento (t)


Tempo de esvaziamento obtido pela equação teórica – Sugestão de roteiro de solução do problema
1) Escreva a equação (6);
2) Coloque a expressão de m (massa) da equação (9) na equação (6),
3) Substitua w na equação (6) pela equação 10;
4) Substitua Q na equação obtida por (11);
5) Substitua v na equação obtida por (12);
6) Retire de dentro da derivada os termos constantes;
7) Isole os termos com as variáveis h de um lado e t do outro;
8) Integre os dois lados da equação obtida pela regra da integração por partes. Escolha adequadamente
os limites de integração. (t =0 → h =H
1
(nível máximo do reservatório) e t =t→ h =H
2
)
9) Isole t.
10) Calcule o tempo teórico t de esvaziamento do reservatório.

OBSERVAÇÃO:
Exemplo da determinação do tempo em segundos com o cronômetro:
Se o cronômetro marcar 2´30´´20 (2 minutos, 30 segundos e 20 centésimos) a conversão desse valor para segundos é:
s
seg centésimos
s
seg centésimos s
s
2 , 150
. 100
1
. 20 30
min 1
60
min 2 = ⋅ + + ⋅