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Março de 2009

Lixo espacial

A colisão entre um satélite russo e outro americano em meados de fevereiro


reacendeu o debate sobre os riscos do acúmulo de lixo espacial para a humanidade.
Desde o lançamento do Sputnik, o primeiro objeto a entrar em órbita, em 1957, a
evolução tecnológica permitiu que naves, foguetes e outras centenas de satélites
explorassem o espaço tranquilamente. Após perderem a utilidade, porém, esses
objetos permaneceram no mesmo local e passaram do status de exploradores para o
de poluidores espaciais. Atualmente, cerca de 17.000 destroços com mais de 10
centímetros giram em torno do Planeta Terra, provocando colisões e danificando
naves (na imagem acima, uma montagem feita em computador mostra o acúmulo do
lixo ao redor do planeta). Saiba as consequências disso e quais são as possíveis
soluções para a realização de uma “faxina no espaço”.

1. O que é lixo espacial?


2. Quando surgiu? Como está a situação atualmente?
3. Então a evolução tecnológica só serviu para “poluir” o espaço?
4. O que acontece com os detritos que ficam no espaço e ninguém retira?
5. É possível ser atingido por um pedaço de satélite, por exemplo?
6. Na pior das hipóteses, quais são os riscos do acúmulo de lixo espacial?
7. Na prática, como os detritos espaciais poderiam afetar a vida do homem?
8. É possível fazer uma “faxina espacial”?
9. Quais métodos já foram apresentados?
10. Há alguma alternativa para evitar que os satélites que estão em órbita não se
tornem lixo espacial?
11. Por quê o uso das órbitas-cemitério não é tão comum?
12. As agências espaciais se preocupam com esse tema?
13. O Brasil também tem sua parte de responsabilidade na “poluição do espaço”?

1. O que é lixo espacial?

O lixo espacial é composto detritos de naves, combustíveis, satélites desativados, lascas


de tinta, combustível, pedaços de mantas térmicas e foguetes, objetos metálicos e até
mesmo ferramentas perdidas por astronautas durante as suas explorações espaciais. “O
que existe é uma grande nuvem de objetos dos mais variados tamanhos e pesos, desde
um grama até toneladas”, explicou Petrônio Noronha de Souza, chefe do laboratório de
Integração e Testes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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2. Quando surgiu? Como está a situação atualmente?

O grande precursor do acúmulo de detritos no espaço foi o Sputnik, o primeiro satélite


artificial da Terra, lançado em 1957 pela antiga União Soviética. Hoje em dia, com a
evolução tecnológica, há cerca de 800 satélites ativos em órbita. Enquanto isso, segundo
o chefe do laboratório do Inpe, a órbita se tornou um “vasto lixão espacial”. De acordo
com dados divulgados em 2008 pela Nasa, a agência espacial americana, foram
contabilizados no espaço aproximadamente 17.000 destroços acima de 10 centímetros,
200.000 objetos com tamanho entre 1 e 10 centímetros e dezenas de milhões de
partículas menores que 1 centímetro.

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3. Então a evolução tecnológica só serviu para “poluir” o espaço?

Não necessariamente. Para Souza, a contrapartida da sujeira produzida pela evolução da


tecnologia foi o benefício que ela trouxe para sociedade. “Não podemos dizer que tudo
é lixo e apenas nos causa mal. Tudo que está lá sempre teve um propósito, nada foi
colocado só para poluir. O lixo acumulado é um preço que se paga em função de um
beneficio adquirido”, lembra ele.

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4. O que acontece com os detritos que ficam no espaço e ninguém retira?

Nem tudo o que foi colocado no espaço permanece em órbita. Souza explicou que os
detritos vão paulatinamente perdendo altitude e, mais cedo ou mais tarde, caem na
Terra. Segundo o chefe do laboratório do Inpe, detritos que estão em altitudes baixas
caem mais rápido, em meses. Já os mais altos permanecem por décadas. “Quando um
satélite é lançado, ele permanece lá por meses ou anos e, ao final da vida útil, é
simplesmente desligado. Ao ser desligado, o satélite deixa de ser usado e se transforma
em lixo. É como se alguém abandonasse um carro e o deixasse ali. Porém, é viável
pegar um carro velho e levar para o pátio. E no caso do satélite não existe um pátio”,
compara Souza.

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5. É possível ser atingido por um pedaço de satélite, por exemplo?

Essa possibilidade existe, mas a chance de ser atingido é reduzidíssima. Desde o início
da corrida espacial, foram inúmeros os registros de quedas de detritos em diversas
localidades, como os Estados Unidos, a Austrália e a África. Conforme Souza, porém,
muitas vezes o lixo acaba queimando antes de cair na Terra. Quando consegue
atravessar a atmosfera, o lixo espacial ainda enfrenta a probabilidade de cair no mar, já
que os oceanos ocupam 75% da Terra. “Nunca vai acontecer uma tempestade de lixo
espacial, a física não permite isso. É ficção científica”, esclarece o especialista.

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6. Na pior das hipóteses, quais são os riscos do acúmulo de lixo espacial?

O cenário mais remoto, porém fisicamente demonstrável, é a Síndrome de Kessler. A


hipótese, apresentada por um físico da Nasa, sustenta que haverá um momento em que o
espaço terá tantos detritos que será impossível utilizá-lo para as necessidades da
humanidade. Isso porque, quando dois objetos se chocam, eles geram mais fragmentos,
multiplicando assim o número de elementos em órbita. “Isso lembra uma reação em
cadeia, em que choques vão gerando choques e mais choques, como se quase tudo que
estivesse em orbita criaria um cinturão e inviabilizaria completamente o uso do espaço”,
diz Souza.

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7. Na prática, como os detritos espaciais poderiam afetar a vida do homem?

Para a saúde do planeta Terra, o lixo espacial não tem a menor importância, já que
representa uma quantidade de massa insignificante, segundo explicou o chefe do
laboratório do Inpe. A grande afetada, caso o espaço fosse inutilizado, seria a sociedade.
Os satélites que atualmente estão em órbita, por exemplo, são responsáveis por
transmitir dados, sinais de televisão, rádio e telefone, sem contar os equipamentos que
observam a Terra, fornecem informações sobre mudanças climáticas, podem antecipar
fenômenos naturais e fazer o mapeamento de áreas. “O grande problema do lixo
espacial está lá em cima: é a probabilidade desses fragmentos danificarem
equipamentos necessários para o homem”, explicou o especialista brasileiro.

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8. É possível fazer uma “faxina espacial”?

“Limpar o espaço não é como limpar um terreno baldio. Não existe tecnologia para
remover esses objetos em órbita, porque a limpeza não é viável”, diz Petrônio Noronha
de Souza. Ele explica que a tecnologia não existe de fato - há apenas algumas idéias. A
concretização desses métodos, contudo, exige um gasto tão astronômico que a
viabilidade técnica acaba sendo questionada.

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9. Quais métodos já foram apresentados?


A seguir, algumas das formas já propostas para tentar tirar o lixo do espaço:
Redes: Sistema de redes gigantes, que formaria um cesto capaz de capturar os detritos e
jogá-los mais para baixo.
Lasers: Instalar canhões de laser em alguns pontos estratégicos e disparar contra o lixo,
para desviar sua órbita para mais perto do planeta. Com isso, o lixo queimaria até
desaparecer.
Fios: Cabos condutores de cobre poderiam ser acoplados a satélites desativados para
que eles pudessem ser atraídos pelo campo magnético da Terra.
Espuma: Um painel de espuma seria colocado na rota dos detritos. Assim que os
objetos passassem por ele, teriam sua velocidade reduzida, caindo de volta no planeta.
Braço: Uma espécie de nave não-tripulada, guiada por radares e câmeras, seria
equipada com braços robóticos para coletar os detritos.

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10. Há alguma alternativa para evitar que os satélites que estão em órbita não se tornem
lixo espacial?

Sim. O chefe do laboratório do Inpe explica que, para evitar que as centenas de satélites
em atividade se transformem em lixo espacial ao fim de suas atividades, é preciso
programá-los para que eles sigam em direção às chamadas órbitas-cemitério. Assim, os
satélites ficariam em lugares bem distantes da Terra, sem oferecer riscos de colisões. De
acordo com a Nasa, a cada ano, cerca de 200 pedaços de lixo espacial com mais de 10
centímetros entram no espaço.

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11. Por que o uso das órbitas-cemitério não é tão comum?

Muitas vezes isso não ocorre por razões financeiras. De acordo com Souza, um satélite é
projetado para permanecer em órbita por cerca de quatro anos. Retirá-lo de lá antes de
se auto-desligar para movê-lo em direção a outro lugar significa interromper um
trabalho que custa caro. Se a empresa demora muito, acaba ficando tarde demais. Souza
explica que, ultimamente, as operadoras de telecomunicações, que possuem posições
orbitais muito bem determinadas, têm se interessado em alterar a rota para as órbitas-
cemitério. Isso ocorre porque, se o satélite continuar no mesmo local, pode vir a
atrapalhar a instalação de um novo.

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12. As agências espaciais se preocupam com esse tema?

A maioria das organizações possui um núcleo para tratar de assuntos relacionados ao


lixo espacial. Em 1986, a ESA, agência espacial europeia, criou um grupo para analisar
e estudar os detritos no espaço. Neste ano, a ESA investiu 64 milhões de dólares em um
programa chamado Conscientização da Situação Espacial. Já a Nasa criou, em 1997, o
Centro de Estudos de Órbita e Re-entrada de Destroços. Além dessas, há também a
Inter-Agency Space Debris Coordination Committee (IADC), que se propõe a ser um
órgão internacional que coordena atividades relacionadas a assuntos ligados ao lixo
espacial. O IADC agrega agências espaciais de países como Alemanha, Índia, China e
Japão. As organizações costumam recomendar práticas ideais, mas que dificilmente são
adotadas, já que não são imposições legais. “As organizações não têm força de lei.
Somente fazem sugestões que as nações adotam ou não”, explica Souza.

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13. O Brasil também tem sua parte de responsabilidade na “poluição do espaço”?

Segundo Souza, o Brasil possui dois satélites de coleta de dados e mais três satélites em
conjunto com a China. “Nenhum desses cinco dispõe de um sistema para que seja feita
sua remoção em órbita. Por isso, o Brasil não pode se eximir.”

Fonte: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/perguntas_respostas/lixo-
espacial/satelite-colisao-poluicao-orbita.shtml

LIXO ESPACIAL
Prof. Renato Las Casas
(01/04/2008)
Acredito que todo problema tem a hora “certa” de ser tratado. Se nas nossas
primeiras investidas espaciais ficássemos preocupados em não deixarmos partes de
foguetes; satélites já inoperantes; peças; resíduos; ferramentas; etc., vagando “soltos” no
espaço; certamente o nosso desenvolvimento astronáutico teria sido bem mais lento.

Hoje, várias décadas após o Sputnik, a situação é muito diferente. Por um lado,
esses “dejetos” (ou “lixo”) gravitando em torno de nosso planeta já são em tão grande
número (e o numero deles cresce cada vez mais) que têm ameaçado a segurança de
nossos astronautas; naves; satélites; etc.; e em alguns casos, já têm até ameaçado a nossa
segurança em terra. Por outro lado, o nosso conhecimento astronáutico chegou a um
nível que nos permite investir na procura de soluções práticas e economicamente viáveis
para o problema, sem determos nosso desbravamento espacial.
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Dia 22 passado, um estranho objeto,


com um metro de diâmetro, caiu a cerca
de 150 metros da sede de uma fazenda
em Montividiu, interior de Goiás.
Seria sobra de algum satélite ou foguete? Possivelmente um tanque de
combustível?
Essa não é a primeira vez que registramos a queda de lixo espacial em território
brasileiro. Em 1995, por exemplo, fragmentos de um satélite chinês de comunicação
caíram no interior de São Paulo, no município de Itapira. Em 1966, um tanque de
combustível de um foguete Saturno, com um metro de diâmetro caiu na costa do Pará,
sendo achado por pescadores.
Nada tão “espetacular”, entretanto, quanto o ocorrido na madrugada de 11 de
março de 1978, quando partes de um foguete soviético reentraram na atmosfera acima
da cidade do Rio de Janeiro e caíram no Oceano Atlântico. Foi um belo espetáculo.
Inúmeros fragmentos, entrando em ignição devido ao atrito com a atmosfera, brilharam
intensamente, enquanto “cortavam o céu”. Mas se a reentrada tivesse acontecido alguns
minutos depois teríamos uma tragédia, pois a queda seria na área urbana do Rio e não
no oceano.

Em fevereiro passado um satélite norte americano desgovernado (usado para


espionagem) foi destruído por um míssil, felizmente com “sucesso”, antes que caísse
sobre alguma região de nosso planeta. Esse satélite estava carregado com hidrazina,
elemento altamente tóxico. A queda desse satélite em área habitada poderia levar a um
número incalculável de mortes. A sua explosão, entretanto, produziu um número
incalculável de dejetos e detritos que estão orbitando nosso planeta a baixas altitudes
(perigeo abaixo de 200km). As suas partes maiores, com mais de 10 centímetros,
deverão reentrar na nossa atmosfera em junho e julho próximos.
Em março de 2001 a estação espacial russa Mir, de 120 toneladas, voltou ao nosso
planeta em uma queda controlada. Várias partes, algumas com várias toneladas, caíram
no Oceano Pacífico Sul, a leste da Nova Zelândia — área essa designada por tratados
internacionais como nosso “lixão” espacial.
O “lixo espacial” que mais deixou os cientistas apreensivos foi, sem dúvida
alguma, a estação espacial norte americana Skylab, de 69 toneladas, que em julho de
1979 caiu quase que totalmente descontrolada na Terra. Várias de suas partes atingiram
o oeste da Austrália e o Oceano Índico. Cerca de quatro anos antes, um estágio de 38
toneladas do foguete Saturno II, que lançou a Skylab, já havia causado apreensão ao
cair, também descontroladamente, no Oceano Atlântico, ao sul dos Açores.
Em janeiro de 1979 um satélite militar soviético (Cosmos 954) portando um pequeno
reator nuclear ficou descontrolado, vindo a cair no Canadá; felizmente em área
desabitada. O serviço de inteligência norte americano chegou a lançar um alarme
atômico para os paises ocidentais.
Casos como esses em que temos nossas vidas ameaçadas por lixo espacial, aqui, na
superfície de nosso planeta, por enquanto ainda são poucos. Entretanto esses corpos,
ameaçando nossos satélites, também ameaçam nossas pesquisas; comunicações;
informação; economia; etc.; e essa ameaça é diária.
Os números não são precisos, mas segundo levantamento efetuado pela NASA
(Agência Espacial Norte Americana), calcula-se que existam por volta de 3,5 milhões
de resíduos metálicos; lascas de pintura; plásticos; etc., com dimensões inferiores a um
centímetro, orbitando nosso planeta. Objetos entre um e dez centímetros, nessas
mesmas condições, devem ser cerca de 17,5 mil; e sete mil com tamanhos maiores que
dez centímetros. No total, devemos ter mais de três mil toneladas de lixo espacial
orbitando nosso planeta a menos de 200 km de altitude.
Até mesmo partículas ínfimas como pequeníssimas lascas de pintura, podem
danificar irremediavelmente uma nave ou um satélite ou mesmo matar um astronauta
devido às altíssimas velocidades que adquirem. A velocidade média desses dejetos é da
ordem de 25 mil km/h.

O acidente espacial mais grave até hoje registrado aconteceu em julho de 1996.
Um satélite militar francês (Cerise) foi atingido por um fragmento de um foguete
também francês (Ariane) que dez anos antes havia explodido no espaço. O satélite se
desestabilizou, vindo a cair, felizmente de forma controlada, em nosso planeta.
Algumas ações (por enquanto ainda tímidas) têm sido realizadas para se enfrentar
o problema do lixo espacial. Em fevereiro de 2007, a ONU deu um passo importante
nesse sentido, aprovando as “Diretrizes para a Redução dos Dejetos Espaciais”, em
reunião do Sub-comitê Técnico-Científico do Comitê da ONU para o Uso Pacífico do
Espaço (COPUOS).
Tais diretrizes, entretanto, não têm sido seguidas. Em julho passado, por exemplo, os
astronautas Clay Anderson e Fyodor Yurchikhin, “limpando” a Estação Espacial
Internacional, descartaram no espaço um tanque de amônia de 636 kg.
Fonte: http://www.observatorio.ufmg.br/Pas81.htm

Lixo espacial caído no estado de Goiás em março de 2008.

Lixo espacial é o nome dado aos objetos criados na Terra e lançados à órbita que após
desempenharem suas funções permanecem em volta do planeta inutilmente. O lixo
espacial possui desde luvas e ferramentas até pedaços de satélites, naves, foguetes e
outros.

Os objetos que estão inutilmente em órbita são bastante perigosos tanto onde estão, por
colocarem em risco a vida de astronautas, quanto para os satélites de comunicações que
estão em órbita e para a vida no planeta, pois podem a qualquer momento entrar na
atmosfera e atingir algo ou alguém. Esses objetos são projetados para serem destruídos
ao tentar adentrar na atmosfera, alguns objetos conseguem passar pela atmosfera e
atingir áreas habitadas comprometendo a área e a saúde das pessoas.

Por incrível que pareça, existem aproximadamente nove mil fragmentos inoperantes
sobre o planeta, quantidade essa que tende a aumentar com o passar do tempo, já que os
lançamentos são constantes. Apesar de existir a preocupação com o lixo espacial, não
existem métodos eficientes e econômicos para resolver ou amenizar o problema.

Infelizmente não há nada que obrigue o país ou a instituição privada que lança algo no
espaço e deixa o lixo por lá, a assumir as responsabilidades por qualquer problema
proveniente de lixos espaciais que provocam danos no espaço ou dentro do planeta. A
legislação nesse ponto é falha, pois nada relata a respeito desse grave problema.
Também não é interesse para nenhum país desenvolvido que sejam criadas regras que
limitem seus lançamentos ou suas ações espaciais.

Por Gabriela Cabral


Equipe Brasil Escola

Fonte: http://www.brasilescola.com/geografia/lixo-espacial.htm

Os perigos do lixo espacial

O lixo espacial é responsável pela maior parte dos acidentes com naves, satélites e
até astronautas. No entanto, os perigos desses objetos causarem danos na Terra
é bem pequeno.

Os detritos provenientes dos objetos lançados pelo homem no espaço, que circulam ao
redor da Terra a cerca de 28 000 quilômetros por hora, constituem o que se chama lixo
espacial. São estágios completos de foguetes, satélites desativados, tanques de
combustível e fragmentos de apilrelhos que explodiram. Desde o lançamento do
primeiro satélite artificial pelos soviéticos - o Sputinik - em 4 de outubro de 1957, cerca
de 18 mil objetos foram colocados em órbita. Até recentemente contavam-se 10 mil
objetos de grande ou médio porte e outros 40 mil de pequenas dimensões. O mais
preocupante é que apenas uns 7 mil são maiores do que 20 centímetros. Abaixo desse
tamanho, eles se tornam praticamente invisíveis, pois não são percebidos nas telas dos
radares. Até agora, a maior parte dos acidentes com naves, satélites ou astronautas foi
provocada por fragmentos oriundos da atividade espacial pacífica. Mas com o início dos
testes com armas anti-satélites e do programa Guerra nas Estrelas, dos Estados Unidos,
o problema do lixo espacial vem se agravando de forma assustadora.

Em teste realizado com um satélite destruído por um míssil, 275 fragmentos foram
registrados em radares, logo após a explosão. Mas deve existir um número muito maior
de pequenos fragmentos que não puderam ser percebidos. Há vários exemplos de
veículos espaciais danificados por colisões com detritos espaciais. Uma caixa de
instrumentos eletrônicos do satélite americano Solar Maximum, recuperada pelos
astronautas num vôo da nave Challenger, apresentava 160 perfurações produzidas por
lascas de tinta.

Resíduos orbitais danificaram também as células solares do satélite europeu GEOS 2,


colocado em órbita pela Agência Espacial Européia. Também sofreram danos
provocados pelo lixo espacial os satélites Cosmos 954 e Cosmos 1275, da União
Soviética, o satélite-balão americano Pageos e uma das janelas da nave recuperável
Challenger, durante seu penúltimo vôo, em 1985, antes do acidente que a destruiu em
janeiro de 1986.

Que ameaça esses objetos - pelo menos os de médio e grande porte - podem representar
aqui na superfície da Terra? Parece ser muito pequena certamente menor que o risco
representado pela queda de meteoritos - e as estatísticas mostram que a margem de
danos pessoais provocadas por essas quedas é de um a cada trinta anos. Em geral quatro
meteoritos de uma tonelada penetram todos os dias na atmosfera terrestre e a queda de
corpos mais pesados não é rara, Em 19 de maio de 1976, uma chuva de fragmentos atin,
giu 500 quilômetros quadrados no Nordeste da China. O maior desses fragmentos
pesava quase duas toneladas - e ninguém morreu, Em dois séculos, apenas sete pessoas
foram atingidas por meteoritos, e nenhuma sofreu danos graves.

A média de objetos do lixo espacial que reentram na atmosfera terrestre é 35 por mês.
Todos os objetos colocados em órbita um dia voltarão à Terra, mas muitos deles levarão
centenas, milhares ou mesmo milhões de anos para reentrar na atmosfera, Alguns, por
suas dimensões e constituição, serão consumidos pelo atrito. Um dos maiores objetos
que já reentrou na atmosfera foi o estágio do foguete Saturno que em 1973 lançou o
Skylab. Pesava 38 toneladas e caiu no oceano Atlântico, em janeiro de 1975. Outros
fragmentos do Skylab caíram no solo e nenhum provocou danos, Não foi registrado, até
hoje, nenhum caso de acidente provocado pela queda de satélites ou de objetos do lixo
espacial. O perigo existe, é claro: as 38 toneladas do Saturno passaram sobre Los
Angeles pouco antes de caírem no Atlântico, perto dos Açores. Mas é pequeno,
Felizmente, parece que o lixo espacial ameaça mais os astronautas em suas naves no
espaço do que as pessoas cá embaixo graças ao envoltório gasoso - a atmosfera - que
recobre a nave em que viajam, a Terra. Ele consome a maior parte dos fragmentos que
poderiam cair aqui.

Fonte: http://super.abril.com.br/superarquivo/1988/conteudo_111185.shtml

04/09/2009 - 20h42

Lixo espacial passa a pouco mais de um quilômetro


do Discovery e da ISS
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da Efe, em Washington

Os restos do foguete europeu Ariane 5 passaram hoje a 1,3 quilômetro do ônibus


espacial Discovery, acoplado na ISS (Estação Espacial Internacional). Não foram
ameaça para as naves ou para os 13 astronautas que as habitam, informou a Nasa
(agência espacial norte-americana).

A agência informou que o pedaço de foguete passou da esquerda para a direita acima da
ISS.
"A equipe de controle da missão continua observando os restos [do Ariane], mas eles
passaram como se esperava e já não são motivo de preocupação para o complexo
orbital", assinalou a porta-voz da Nasa Nicole Cloutier Lemasters.

O Discovery e a ISS acoplados orbitam a Terra a cada 90 minutos, a cerca de 27 mil


quilômetros por hora, a uma altura de 385 quilômetros.

A Nasa observou durante dias a aproximação do lixo espacial para assegurar-se de que
não iria colidir com a ISS ou com o Discovery. Uma aproximação mais perigosa do lixo
teria requerido uma manobra de evasão, acionando-se os motores do ônibus espacial.

O foguete Ariane 5 foi enviado ao espaço em 2006 para colocar em órbita dois satélites
de comunicações.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u619783.shtml

VER!!!!!!!!!!! http://ciencia.hsw.uol.com.br/satelites11.htm

Como tratar o lixo espacial?

14 junho, 2007 - 08:46h Délcio Rocha

Um primeiro passo - importante, embora ainda insuficiente - foi dado, no âmbito da


Organização das Nações Unidas (ONU), para se enfrentar o desafio dos dejetos
espaciais - o lixo que ameaça cada vez mais a exploração e o uso do espaço exterior.
O Subcomitê Técnico-Científico do Comitê da ONU para o Uso Pacífico do Espaço
(COPUOS) aprovou as "Diretrizes para a Redução dos Dejetos Espaciais", em sua 44ª
reunião, realizada em Viena, Áustria, de 12 a 23 de Fevereiro último. É o primeiro
resultado concreto atingido desde 1999, quando o COPUOS publicou seu "Informe
Técnico sobre Dejetos Espaciais", reconhecendo os riscos que eles representam para os
satélites e naves em órbita.
O novo documento define dejetos espaciais como "todos os objetos artificiais, inclusive
seus fragmentos e os elementos componentes destes fragmentos, que estão em órbita
terrestre ou regressam à atmosfera e que não são funcionais". O texto frisa que a
quantidade de dejetos espaciais aumenta e multiplica as probabilidades de produzir
colisões capazes de causar danos aos artefatos em plena atividade.
Admite também o perigo de que os dejetos, ao reingressarem à atmosfera, causem
prejuízos e perdas na superfície da Terra. E conclui: "Por isso, considera-se prudente e
necessário aplicar com presteza medidas adequadas para reduzir os dejetos espaciais, a
fim de preservar o meio ambiente espacial para as futuras gerações".
Eis o texto das diretrizes, aprovadas como simples recomendações (a tradução é de
minha responsabilidade):
"As seguintes diretrizes deveriam ser levadas em consideração no processo de
planejamento das missões e das fases do projeto, de fabricação e funcionamento
(lançamento, missão e eliminação) das naves espaciais e dos estágios orbitais dos
veículos de lançamento.
1) Limitar os dejetos espaciais liberados durante o funcionamento normal dos sistemas
espaciais.
Os sistemas espaciais deveriam ser projetados de modo a não liberarem dejetos
espaciais durante o seu funcionamento normal. Quando isso não for viável, dever-se-ia
minimizar os efeitos da liberação dos dejetos no meio ambiente espacial.
Nos primeiros decênios da era espacial, os projetistas de veículos de lançamento e de
naves espaciais permitiam a liberação intencional em órbita terrestre de numerosos
objetos ligados às missões, em particular coberturas de sensores, mecanismos de
separação e peças de instalação. Esforços específicos empreendidos na fase do projeto,
ao se reconhecer a ameaça criada por tais objetos, permitiram reduzir esta fonte de
dejetos espaciais.
2) Minimizar os riscos de desintegração durante as fases operacionais.
As naves espaciais e os estágios orbitais dos veículos lançadores deveriam ser
projetados de modo a que se possa prever modalidades de falhas capazes de provocar
desintegrações acidentais. Deveriam ser planejadas e aplicadas medidas de eliminação e
de passivação, para evitar desintegrações nos casos em que se detectem circunstâncias
que ocasionem este tipo de falha.
Historicamente, algumas desintegrações foram causadas pelo mau funcionamento dos
sistemas espaciais, como falhas catastróficas nos sistemas de propulsão e de energia. A
possibilidade de ocorrerem tais catástrofes pode ser reduzida, ao se incorporarem
possíveis hipóteses de desintegração na análise das modalidades de falhas.
3) Limitar os riscos de colisão acidental em órbita.
Ao se conceber o projeto e o perfil da missão das naves espaciais e estágios orbitais dos
veículos de lançamento, deveriam ser calculadas e limitadas as probabilidades de
colisão acidental com objetos conhecidos na fase de lançamento e de vida do sistema
em órbita. Caso os dados orbitais disponíveis indiquem risco de colisão, deveria ser
considerada a possibilidade de uma mudança da hora de lançamento ou de realização de
manobra em órbita para evitar as colisões.
Já foram identificadas algumas colisões acidentais. Numerosos estudos indicam que,
como o número e o volume de dejetos espaciais aumentam, é provável que as colisões
se convertam na principal fonte de novos dejetos espaciais. Alguns Estados Membros e
organizações internacionais já adotaram procedimentos para evitar colisões.
4) Evitar a destruição intencional e outras atividades danosas.
Uma vez reconhecido que o aumento dos riscos de colisão poderia pôr em perigo as
operações espaciais, dever-se-ia evitar a destruição intencional dos estágios orbitais dos
veículos de lançamento e das naves espaciais em órbita e outras atividades prejudiciais
capazes de gerar dejetos de longa durabilidade. A desintegração intencional, se
necessária, deveria ser efetuada a altitudes suficientemente baixas para limitar a vida em
órbita dos fragmentos produzidos.
5) Minimizar os riscos de desintegrações provocadas ao final das missões pela energia
armazenada.
Para limitar os riscos que as desintegrações acidentais representam para outras naves
espaciais e estágios orbitais dos veículos de lançamento, dever-se-ia esgotar ou
desativar todas as fontes de energia armazenadas a bordo, tão logo deixem de ser
necessárias ao funcionamento da missão e à sua eliminação no final. A maior parte dos
dejetos espaciais catalogados é, de longe, produzida pela fragmentação das naves
espaciais e dos estágios dos veículos de lançamento.
Essas desintegrações, em sua maioria, não foram intencionais, e muitas delas ocorreram
porque as naves espaciais e os estágios orbitais foram abandonados com considerável
quantidade de energia armazenada. As medidas mais eficazes têm consistido em
passivar as naves espaciais e os estágios orbitais dos veículos de lançamento no final da
missão. O ato de passivar exige a eliminação de todas as formas de energia armazenada,
em particular os resíduos de propulsores e os fluídos comprimidos, bem como a
descarga dos acumuladores elétricos.
6) Limitar a presença prolongada de naves espaciais e fases orbitais de veículos de
lançamento na região da órbita terrestre baixa (Low Earth Orbit - LEO), no final da
missão.
As naves espaciais e os estágios orbitais dos veículos de lançamento, ao concluírem
suas fases operacionais em órbitas situadas na região da LEO, deveriam ser removidos
de suas órbitas de modo controlado. Não sendo isso possível, deveriam ser deslocadas
para órbitas que evitem sua presença prolongada na região da LEO.
Ao se avaliarem possíveis soluções para remover objetos de órbitas terrestres baixas,
deveria ser considerada a necessidade de assegurar que os dejetos que lograrem atingir a
superfície terrestre não ofereçam riscos excessivos a pessoas e bens, em particular
devido à contaminação ambiental causada por substâncias perigosas.
7) Limitar a interferência prolongada de naves espaciais e estágios orbitais dos veículos
de lançamento na região da órbita terrestre geosincrônica (GEO), no final da missão.
As naves espaciais e os estágios dos veículos de lançamento, ao concluírem suas fases
operacionais em órbitas que cruzem a região da órbita terrestre geosincrônica (GEO),
deveriam ser removidos para órbitas de onde não possam causar interferência
prolongada nessa região. Para os objetos espaciais situados na região da GEO ou
próximo a ela, os riscos de futuras colisões podem ser reduzidos, se forem deslocados,
no final da missão, para uma órbita acima da região da GEO, de onde não possam nela
interferir nem a ela regressar." Esse documento será apreciado pelo COPUOS, durante
sua reunião plenária, em Viena, a se realizar de 6 a 15 de Junho próximo.
Em recente reunião do Subcomitê Jurídico do COPUOS, realizada de 26 de Março a 5
de Abril, a delegação da Alemanha, com amplo apoio, inclusive do Brasil, tentou
introduzir, na pauta da reunião do Subcomitê Jurídico de 2008, o exame do tema dos
dejetos espaciais. Isso permitiria propor a conversão das "Diretrizes para a Redução dos
Dejetos Espaciais" em documento, não apenas técnico, mas também com certo peso
político. Intensas negociações foram promovidas com esse objetivo. Venceram-se
muitos obstáculos. Ainda assim, não se atingiu o indispensável consenso. A Índia se
manteve irredutível. Não aceita nenhuma discussão sobre a questão no Subcomitê
Jurídico que possa redundar em regras, mesmo não obrigatórias, para se reduzir o lixo
espacial. Teme que isso venha a onerar seu programa espacial em franco crescimento.
Mas seria essa uma conduta razoável e justa para o conjunto das atividades espaciais
hoje realizadas por dezenas de países? Resta saber que tratamento o COPUOS dará a tão
relevante matéria, agora em Junho.
Por: José Monserrat Filho, vice-presidente da Associação Brasileira de Direito
Aeronáutico e Espacial, membro da diretoria do Instituto Internacional de Direito
Espacial.
Fonte: Revista Eco 21 nº124

Fonte: http://www.ambienteemfoco.com.br/?p=4549
VER!!!! http://www.colegiosaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-reciclagem/lixo-
espacial-1.php

Fotos mostram lixo espacial na órbita da Terra; veja

A Agência Espacial Européia (ESA, na sigla em inglês) divulgou nesta terça-feira


imagens do lixo espacial em órbita em volta da Terra.

Segundo a agência, entre o primeiro lançamento, em 1957, e janeiro de 2008, cerca de 6


mil satélites já foram enviados para a órbita terrestre. Destes, apenas 800 estariam ativos
e 45% estariam localizados a uma distância de até 32 mil quilômetros da superfície
terrestre.

Além dos satélites desativados, as fotos de satélite mostram resíduos espaciais como
fragmentos de aeronaves espaciais que se quebraram,
explodiram ou foram abandonados. De acordo com a
ESA, aproximadamente 50% dos objetos que podem
ser rastreados são derivados de explosões ou colisões
na órbita terrestre.

O lançamento do Sputnik – o primeiro satélite


artificial, lançado em 1957 pelos soviéticos, marcou o
início da utilização do espaço para a ciência e a
atividade comercial. A vista do Pólo Norte

Durante a Guerra Fria, o espaço se tornou o principal terreno de competição entre os


Estados Unidos e a antiga União Soviética – uma disputa que atingiu seu ápice com a
corrida para conquistar a Lua, na década de 60.

Por ocasião das Olimpíadas de Tóquio, em 1964 foi lançado o primeiro satélite de
televisão para a órbita terrestre, com o objetivo de transmitir os Jogos Olímpicos.

Fonte:http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/04/080415_ciencialixoe
spacial_np.shtml
Mais tarde, os lançamentos russos diminuíram e outros
países inauguraram seus programas espaciais.

Uma estimativa da ESA indica que o número de


objetos na órbita terrestre cresceu de maneira estável A imagem da órbita baixa da
desde o primeiro lançamento. Segundo os dados, cerca Terra
de 200 novos objetos são lançados todos os anos.

Em 2001, os pesquisadores americanos Donald Kessler e Philip Anz-Meador, que


estudam o lixo espacial, afirmaram há uma possibilidade de que, em vinte anos, já não
seja mais possível realizar operações em órbitas mais próximas da Terra.