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Escatologia

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1a Parte

Escatologia Cristã

V. J. Berkenbrock
Introdução

Origem da palavra ta esc!ata " as coisas #ltimas$ #ltimos acontecimentos.
% !ist&ria do termo talve' mostre um pouco as implic(ncias contidas neste
tratado da teologia O termo teol&gico geralmente se v) como derivado do livro do
Eclesi*stico +,$-./ 0Em todas as tuas aç1es lembra-te do teu 2im e 3amais pecar*s0. Este
0do teu 2im0 4 uma tradução do grego 0t* esc!ata0 +as #ltimas coisas/$ 5ue 2oi tradu'ido
pela vulgata como 0novissima tua6. 7a8 a disciplina 0Escatologia6 ter-se c!amado nos
manuais neo-escol*sticos de 97e :ovissimis0 +ou 7e E;tremis/. Este nome 0Os
:ov8ssimos0 encontra-se ainda em alguns catecismos +p. e;. Primeiro <atecismo da
7outrina <ristã$ Vo'es$ 1=>-$ p. -=/ e tratados de teologia mais antigos. % 2rase do
Eclesi*stico lembra tamb4m uma impostação 5ue deu o tom a grande parte da re2le;ão
escatol&gica o 2im +a morte/ visto em seu aspecto individual e sua relação com o
pecado. <om a esperança messi(nica +a esperança dum irromper do divino na !ist&ria$
um irromper escatol&gico/ tamb4m 3* presente no %?$ mas sobretudo com Jesus$
identi2icado como @essias$ !ouve uma virada na compreensão de escatologia com o
surgimento de Jesus <risto 3* se iniciaram os #ltimos dias +0%gora$ nos #ltimos dias$
2alou-nos pelo Ail!o 5ue constituiu !erdeiro de tudo$ por 5uem criou tamb4m o mundo6$
Bb 1$CD c2. tb. 1Pd 1$CE/.
% e;pressão 5ue 2oi usada para designar o 5ue !o3e se 2a' sob o nome de
Escatologia tamb4m revela diversos acentos 5ue 2oram dados ao assunto. O conceito
Escatologia 4 do s4culo FVII$ usado pela primeira ve' na teologia por %. <alov
+GHstema locorum t!eologicorum/. :o cap8tulo intitulado 0Esc!atologia sacra6 ele
aborda a morte$ a ressurreição$ o 3u8'o e a de2initiva consumação do mundo +@Hsal 1C/.
Gomente com Gc!leiermac!er 4 5ue o termo 2i;ou-se de2initivamente. %lguns outros
nomes usados em tratados de teologia para os assuntos 0escatol&gicos6 2oram I7e 2ine
saeculiJ ou J7e statu 2uturi saeculiJ +Bugo de Gão Vitor/$ I7e ressurrectioneJ +?om*s de
%5uino/$ I7e statu 2inalis iudiciiJ +Boaventura/. :os s4culos FIF-FF !avia sido usado
mais o termo 07e novissimis6 ou 07e glori2icatione6. :as #ltimas d4cadas impKs-se o
termo 9Escatologia0. Os termos usados demostram 5ual era o ponto central da
preocupação teol&gica o 2im dos s4culos$ a ressurreição$ o s4culo 2uturo$ o 3u8'o 2inal.
Os en2o5ues at4 !o3e são muitos e não !* o 5ue se poderia c!amar de um
denominador comum. %l4m disso a re2le;ão dos temas ditos 0escatol&gicos6 4 marcada
em sua !ist&ria por algumas tens1es não resolvidas a tensão entre o destino individual e
o coletivoD o destino do !umano e o do universo como um todoD a tensão entre o sentido
cristão de destino 2inal e o sentido secular de destino #ltimo +a ressurreição p. e;./.

%lgumas observaç1es iniciais$ antes de se entrar no tema Escatologia
propriamente dito
- 7iscurso escatol&gico abrangeu e abrange tanto o 2im pensado no sentido
temporal$ !ist&rico$ cronol&gico mas$ tamb4m e sobretudo o 2im no sentido kairol&gico$
de destino$ de 2inalidade$ de integralidade$ de reali'ação ou de sentido #ltimo$ de2initivo.
- 7o ponto de vista cristão$ a pergunta 5ue impulsiona a escatologia 4 % 5ue
somos destinadosL % criação tem um 2im de2initivoL 7eus nos c!amou a 5u)L
- % partir de 5u) se pode 2alar do de2initivoL % partir de nossa esperança de 24. E
nossa esperança de 24 04 a absoluta e radical reali'ação de tudo o 5ue 4 verdadeiramente
!umano$ dentro de 7eus6M1N.
- :osso discurso sobre o 2im #ltimo 4 um discurso limitado e provis&rio
+caracter8stica$ ali*s de todo discurso sobre 7eus na teologia/.
- O discurso escatol&gico est*$ pois numa tensão entre o de2initivo +sobre o 5ual
se re2lete ou se 5uer re2letir/ e o provis&rio +a 2orma com 5ue se 2ala/$ pois a 2ala 4
sempre uma 2ala a partir do presente em 5ue nos encontramos e este presente 4 marcado
pela provisoriedade. Esta provisoriedade não di' respeito pois apenas O relação +O 2orma/
5ue temos com o 0conte#do6 sobre o 5ual se 2ala$ mas tamb4m di' respeito O nossa
pr&pria condição nesta 2ala a condição de provisoriedade.
- Em termos de e;peri)ncia !umana$ estamos dentro da mesma tensão as
e;peri)ncias da provisoriedade !umana e e;peri)ncia da de2initividade. 7esde 5ue a
esp4cie !umana tomou consci)ncia de si$ tomou tamb4m consci)ncia da e;peri)ncia da
de2initividade no 2enKmeno da morte. Este 2enKmeno 4 um dos 2atores$ se não o
principal 2ator$ da 5uestão escatol&gica a consci)ncia sobre a morte e o 2im
individualMCN. Gabemos da de2initividade da e;peri)ncia da morte em nossa vida$ mas
ningu4m pode 2alar a partir da e;peri)ncia da morte. 7o ponto de vista da e;peri)ncia
antropol&gica não se pode di'er nada sobre o 5ue sucede O morte. P terreno da 24 e da
esperança. E como estas estão presentes 3* agora$ elas lançam seus raios sobre a nossa
realidade. E sobre isto 4 5ue se 2undamenta o discurso escatol&gico. Esta 4 a legitimação
da Escatologia. % legitimação da Escatologia não se d*$ pois no al4m$ mas no a5u4m. Ou
se3a$ o discurso escatol&gico não 4 pertinente pelo 2ato de 2alar do 2im$ do de2initivo$
mas sua pertin)ncia vem do 2ato da implic(ncia do de2initivo sobre o provis&rio.
- Qigada O 5uestão da morte est* na tradição 3udeu-cristã$ a 5uestão do c4u e do
in2erno. Rm como promessa$ outro como ameaça. E esta promessa e ameaça tiveram um
papel importante tanto na linguagem eclesial como$ sobretudo$ no imagin*rio popular. %
promessa e a ameaça tiveram$ sobretudo$ uma 2unção controladora$ castradora e
reguladora +especialmente no 5ue di' respeito ao comportamento emocional-a2etivo/. %
ren#ncia teve a5ui um 2orte papel.
- B*$ al4m disso todo um imagin*rio popular sobre estas 5uest1es escatol&gicas$
do 2im #ltimo$ do destino do !umano$ onde a genu8na esperança cristã da vida e da
reali'ação de2initiva se v) misturada com algumas id4ias religiosas vindas de outras
culturas e um bocado de imaginação e 2antasia.
- % !ist&ria sempre con!eceu muitos movimentos de cun!o escatol&gico$
movimentos de 02im de mundo6. E;emplos t8picos de tais movimentos S no Brasil S
2oram os ocorridos em <anudos e a 5uestão do <ontestado. P interessante notar 5ue
especialmente estes dois movimentos S como tamb4m outros nesta lin!a S t)m um 2orte
componente 5ue 4 a opressão do sistema social e o movimento 4 então um movimento
contestat&rio$ libertador$ messi(nico.
- % B8blia 4 de um modo geral +com e;ceç1es$ como por e;emplo a literatura
apocal8ptica/ muito s&bria ao tratar destes temas. Veremos mais adiante algumas lin!as
mestras da B8blia sobre o tema.
- :a !ist&ria da re2le;ão sobre a escatologia !* dois p&los distintos 5ue
dominaram a discussão a pergunta pelo destino #ltimo individual +a 5ue me destino eu
como su3eito/$ ligada O !ist&ria individual e a pergunta pelo destino do 0mundo6 +algo
um tanto comple;o de ser 0locali'ado6$ pois pode ser o mundo pensado tanto no sentido
0todo mundo6$ isto 4$ do con3unto da !umanidade$ como no sentido de vida$ ampliando
de vida !umana para vida no sentido amplo de seres viventes$ ou então de planeta terra
com tudo o 5ue nele !* de e;ist)ncia ou ainda$ no e;tremo$ de universo tem o universo
um destinoL/. 7estarte !* tratados da escatologia 5ue 2a'em a distinção entre
0escatologia coletiva6 e 0escatologia individual6M-N. Esta distinção 4 sem d#vida
did*tica$ pois não !* como imaginar um 02im6 individual 5ue não se3a dentro do todo e
nem um todo 5ue não se3a o acol!imento do individual. :ão se trata$ pois$ de pensar
02ins6 distintos. @as a 5uestão central a5ui envolvida 4$ sobretudo$ a di2erença 5ue !* na
colocação da problem*tica a escatologia individual 4 por um lado o 5uestionamento
+dram*tico/ pessoal$ o 5uestionamento 5ue cada 5ual se 2a' sobre seu destino e ligado a
isto o 5uestionamento pelo seu modo de ser. Tual modo de ser leva a um destino
0mel!or6$ 02eli'6$ 0reali'ado6$ 0de recompensa6 e 5ual modo de ser leva a um destino
0tr*gico6$ 0in2eli'6$ 0de castigo6 e 0de so2rimento6. Os grandes 5uestionamentos da
escatologia individual estão ligados$ de certa maneira$ a 5uestionamentos 4ticos e ao
destino de 0si-mesmo6. J* o 5uestionamento da escatologia coletiva +do mundo$ do
planeta$ do universo/ não est* tanto ligado ao drama do indiv8duo$ mas ao
5uestionamento mais 2ilos&2icoUteol&gico sobre se !* um 02im6 a 5ue todo o universo se
destina. 0Para onde camin!a o todoL6 esta 4 a5ui a 5uestão central. E o destino deste
todo certamente não depende da atitude 4tica do indiv8duo +talve' no (mbito da vida no
planeta isto se colo5ue$ mas não no destino do cosmos/. % pergunta pelo destino do
universo 4 um 5uestionamento muito mais de cun!o teol&gico +no sentido de cosmologia
teol&gica/$ 5ue um 5uestionamento do !umano como indiv8duo. :a tradição teol&gica$ 4
neste 5uestionamento 5ue est* a re2le;ão sobre a parusia +volta de <risto/$ o 3u8'o 2inal$ a
ressurreição dos mortos
?anto a re2le;ão sobre a escatologia coletiva 5uanto a individual$ estão ligadas Os
preocupaç1es de cada tempo. %ssim$ por e;emplo$ se a pergunta pelo p&s-morte !*
tempos atr*s estava muito mais ligada a 0garantir6 sua perman)ncia religiosa$ noutros
tempos a pergunta pelo p&s-morte est* muito mais ligada ao 0comportamento6
individual e aos crit4rios 5ue se pode 2a'er sobre o mesmo. % t8tulo de e;emplo$ coloco
duas situaç1es interessantes da preocupação com o 02im6 individual. Rma a de %ntKnio
Vamos dos Veis$ morador de Vila Vica +@inas/ de 1,.1$ determinando em seu
testamento com detal!es o 5ue se deveria 2a'er ap&s a sua morteMWN. B* ali uma
preocupação incr8vel com o destino pessoal$ com dar aos restos individuais uma situação
imaginada de 0reali'ação6 ou pelo menos de pro;imidade com o divino. Outro e;emplo
nos adv4m de %nselm Xrun$ 5ue em seu livro 0O 5ue vem ap&s a morteL6 +Vo'es$ CE1E/
narra o 2ato 5ue l!e ocorreu em uma palestra sobre a vida eterna$ teria a2irmado 5ue a
esperança cristã 4 5ue o in2erno estivesse va'io. 7ias depois teria recebido de um
ouvinte uma carta 2uriosa$ di'endo 5ue ele deveria 5ueimar no in2erno 3unto com Bitler e
Gtalin por esta a2irmação. %parece neste epis&dio outra 5uestão sobre o destino
individual a vontade de 5ue ele se3a um 0acerto de contas6 de situaç1es agora não
acertadas ou 5ue$ segundo uma certa id4ia de 3ustiça$ não teria sido 2eita. O 0al4m6 seria
por um 0a5u4m vingado6.
%ntes de começar propriamente o tema$ gostaria tamb4m de di'er 5ue ve3o a
escatologia como uma re2le;ão sobre o 2im U a destinação #ltima do ser !umano e da
criação$ mas não como uma descrição de como vai ser a morte$ o c4u$ o in2erno$ o
purgat&rio$ o Ju8'o Ainal$ a ressurreição$ a volta de Jesus ou o 2im dos tempos. ?amb4m
ve3o o tema da escatologia intimamente ligado com a nossa situação atual. Pensar
escatologia 4 pensar 5ue implic(ncia tem para nossa vida a esperança #ltima em 7eus. P
pensar a implic(ncia entre presente$ 2uturo !ist&rico e 2uturo de2initivo e S sobretudo do
ponto de vista teol&gico S 4 pensar a 5ue veio a revelação de 7eus na !ist&ria !umana$ a
5ue ela c!ama o !umano. 7o mesmo modo as a2irmaç1es escatol&gicas$ se3am as 2eitas
na B8blia$ se3am as a2irmaç1es dogm*ticas ou 2eitas pelo magist4rio$ se3am as a2irmaç1es
da teologia sistem*tica$ não podem ser tidas como pr4-in2ormaç1es dos acontecimentos
5ue se sucederão al4m do tempo e do espaço. Estas a2irmaç1es s& podem ser
compreendidas a partir da revelação de 7eus e da Vevelação 7e2initiva$ Jesus <risto$ sua
encarnação$ vida$ morte e ressurreição. 0O ser !umano como cristão sabe de seu 2uturo
apenas por5ue$ em 5ue e na medida 5ue ele sabe algo de si e de sua redenção em <risto
atrav4s da revelação de 7eus. Geu con!ecimento em torno do 2im de2initivo não 4 uma
revelação a mais$ suplementar al4m da antropologia e cristologia dogm*ticas$ mas sim a
transposição destas sob o ponto de vista da reali'ação 2inal6MYN. % reali'ação 2inal 4 a
reali'ação plena do 5ue vivemos agora de 2orma de2iciente. Va!ner v) a 5uestão
escatol&gica estreitamente amarrada S ou mel!or$ como conse5Z)ncia da S com a
antropologia e cristologia dogm*ticas. Ou se3a$ algo de dogm*tico na escatologia não
pode ser dito a partir de si mesmo$ mas sim a partir da <ristologia e da %ntropologia
dogm*ticas. Ou$ dito de outra maneira$ não podemos a2irmar da escatologia em termos
absolutos$ sempre em termos relativos +relativos O nossa compreensão de 24/. :a mesma
lin!a a2irma Bans Rrs von Balt!asar 07eus 4 a I#ltima coisaJ +esc!aton/ da criatura. Ele
4 como gan!o o c4u$ como perdido o in2erno$ como provador o 3u8'o$ como puri2icador o
purgat&rio. Ele 4 a5uele$ no 5ual o 2inito morre e atrav4s do 5ual o 2inito nele ressuscita.
E ele 4 da mesma 2orma$ como ele se mani2estou ao mundo$ ou se3a$ da 2orma de seu
2il!o Jesus <risto$ 5ue 4 a revelação de 7eus a ess)ncia das #ltimas coisas6M.N. Estes
dois p&los S o antropol&gico e o cristol&gico S da escatologia tamb4m são acentuados
por Qeonardo Bo22 especialmente no livro 0Vida para al4m da morte6 por um lado o
!umano como ser c!amado ao sentido S a sua vocação transcendental e escatol&gicaM,N S
5ue tem dentro de si o impulso ao sentido$ a superação do absurdoM>N.
Esta esperança 5ue move o ser !umano na direção da busca de reali'ação$ na
busca de respostas Os perguntas pelo sentido$ 4 trabal!ada e respondida em todas as
religi1es. ?odas as religi1es codi2icaram dentro de uma c!ave de leitura determinada as
esperanças !umanas. 0Onde !* religião$ a8 !* esperança0$ di'ia Ernst Bloc!M=N. Por outro
lado$ o divino como respostaUproposta aos anseios !umanos de sentido e de reali'ação na
24 cristã este destino #ltimo apro;imou-se 3* do !umano$ tornou-se um !umano$ de
modo 5ue nele 3* se mani2estou o 5ue seremos. 0% ressurreição de Jesus não pode ser
entendida como uma reanimação de cad*ver$ mas como a total e e;austiva reali'ação das
possibilidades latentes no !omem +!umano/$ possibilidade de união 8ntima e !ipost*tica
com 7eus$ comun!ão c&smica com todos os seres$ superação de todos os liames e
alienaç1es 5ue estigmati'am nossa e;ist)ncia terrestre no processo de gestação... Em
Jesus <risto ressuscitado se autocomunicou o absoluto Auturo. O Auturo absoluto nos
veio ao encontro e começou reali'ar a plenitude derradeira e de2initiva. Jesus <risto 4 o
primeiro dentre muitos irmãos +Vm >$C=D 1<or 1Y$CED <ol 1$1>/6M1EN. % ressurreição de
Jesus$ assim entenderam os cristãos$ não 4 um acontecimento privadoUparticular da
pessoa de Jesus. :ele acontece algo com sentido para toda a !ist&ria. <om isso di'emos
5ue o 2uturo absoluto para o cristão não 4 o incerto$ a d#vida. Ele 3* tomou lugar na
!ist&ria. Por isso a antropologia cristã s& pode ser pensada a partir da cristologia. O
destino de Jesus <risto 4 o paradigma para a escatologia cristã. 0<risto 4 nossa esperança
da gl&ria0 di' Paulo aos <olossenses +c2. <ol 1$C,/. Ou como di' o te&logo Ganto
%gostin!o 0<risto reali'ou a5uilo 5ue para n&s 4 ainda esperança. :ão vemos o 5ue
esperamos. @as somos o corpo da5uela <abeça na 5ual se concreti'ou a5uilo 5ue
esperamos0 +Germones 1Y,$-/.
Gem este paradigma +Jesus <risto/ a escatologia est* entregue a um vasto campo
de especulaç1es e 2antasias$ o 5ue sem d#vida ocorreu e ocorre na !ist&riaM11N. Por isso
temos 5ue a2irmar se sabemos algo de nosso destino 2inal$ s& o sabemos e o podemos
a2irmar a partir de Jesus <risto. :ão temos uma escatologia absoluta$ sempre relacional.
:o c!amado 0<redo %post&lico6 re'amos 0<reio... na ressurreição da carne e na
vida eterna0. 7ito em outras palavras$ cremos na ressurreição ap&s a morte e na
recompensa do c4u para os 3ustos. Por muitos s4culos o c4u 2oi visto como um consolo
para a5ueles 5ue nesta vida não tin!am a mel!or sorte irão ser 2eli'es na vida eterna e
por isso não precisam de 2elicidade nesta vida. Por outro lado$ ameaçava-se os 5ue não
viviam con2orme as normas da Igre3a com o in2erno$ a in2elicidade eterna$ com as mais
!orrendas descriç1es desta situação. <om isto apontamos claramente 5ue di'er 5ue a
escatologia trata das 0#ltimas coisas6$ de 2orma alguma 4 di'er 5ue não trata das coisas
atuais. :a verdade$ pensar ao pensar a escatologia$ ocorre o c!amado 0e2eito espel!o6
ao ol!armos o 2im$ vemos a situação atual. E como no espel!o nos ol!amos para
0arrumar6 ou pelo menos 0con2erir6 nossa situação atual$ assim ol!ar para a esperança
escatol&gica 4$ na verdade$ ol!ar para a nossa pr&pria realidade e nela inter2erir.
Parte I: Escatologia: Apresentação do tema e suas implicâncias

Os <ristãos não são os #nicos a terem id4ias sobre o destino do mundo e do ser
!umano. Aora do <ristianismo !* tamb4m id4ias portadoras de esperança sobre o
!umano e sua reali'ação transcendental$ como por e;emplo a id4ia da imortalidade da
alma$ o 2im m8stico da e;ist)ncia individual no :irvana ou a reali'ação imanente do ser
!umano em uma nova 2orma de organi'ação da sociedade$ 5ue possibilitaria um novo
!umano reali'ado. ?radicionalmente a maioria das religi1es ou sistemas de pensamento
re2letiram sobre a escatologia de 2orma transcendente$ ou se3a$ pensaram a escatologia
0no al4m6 +mesmo 5ue iniciando no a5u4m/. B*$ por4m$ sistemas de pensamento
+mesmo religiosos/$ 5ue não colocam a escatologia como uma pergunta do al4m$ mas
sim do a5u4m. Rma das not8cias mais antigas de uma proposta de escatologia no a5u4m
4 a do movimento de <!arvaka +[ndia$ YEE-WEE a.<./. Os sistemas religiosos do Budismo
ou do <andombl4$ por e;emplo$ tamb4m não tem uma escatologia necessariamente
transcendente. Gão escatologias mais imanentes. 7a mesma 2orma o pensador 2ranc)s
Quc AerrH tamb4m pensa a transcend)ncia na iman)ncia e a 0reali'ação6 do ser !umano
dentro desta realidade. Ve3amos alguns aspectos sobre os 5uais a escatologia 2oi vista.

1 - Crítica à escatologia

a/ <r8tica ao tema da vida eterna como alienação

Principalmente no s4culo FIF surgiu$ no conte;to do aparecimento das ci)ncias
do social e da cr8tica 2ilos&2ica O religião$ uma 2orte cr8tica ao discurso de 0ressurreição6$
0c4u6$ 0vida eterna6 2eito pela Igre3a prometer a vida eterna ou o c4u aos 2i4is 4 desviar
a atenção da situação desta terra. En5uanto se 2ica pensando e consolando com a vida e
eterna$ não se pensa na situação da vida a5ui nesta terra$ na situação em 5ue se vive. Ge
so2remos agora teremos a recompensa no c4u isto não passa de alienação. <om isso não
se pensa em nen!uma mudança social. Aicar prometendo o c4u individual como consolo
4 o discurso ideol&gico do dominante$ 5ue de modo algum 5uer alguma mudança. Esta
cr8tica coloca sobretudo a descoberto$ 5ue um discurso a respeito do p&s-morte tem
implic(ncias e interesses sociais$ ou se3a$ 5ue o discurso escatol&gico não 4 neutro 2rente
O realidade e assim sendo$ 4 pass8vel de ideologi'ação.
Rm dos primeiros a 2ormular esta cr8tica direta O id4ia cristã de reali'ação
transcendental 2oi Q. Aeuerbac! +1>EW-1>,C/. Aeuerbac! nega a imortalidade do ser
!umano como indiv8duo. G& o ser !umano como esp4cie 4 imortal +allgemeine \esen/$ o
0ser !umano6 4 imortal$ mas não o indiv8duo !umano. O !umano +entendido como
comunidade de seres !umanos/ 4 imortal por5ue 4 divino. E esta imortalidade não se
reali'a no al4m$ no p&s-morte$ mas sim na !ist&ria$ na iman)ncia. O ser !umano como
esp4cie mostra-se num processo cont8nuo de superação dos problemas$ mostrando assim
a sua tend)ncia permanente O reali'ação. Em alguns momentos da vida do ser !umano 3*
se mostra presente esta reali'ação. Gão momentos de união entre o esp8rito e a nature'a
+Aeuerbac! cita como e;emplo de reali'ação o pra'er da relação se;ual entre !omem e
mul!er$ no 5ual 3* se pode e;perimentar a reali'ação do pra'er pela união/. % id4ia de
um 2uturo absoluto não 4 outra coisa para Aeuerbac! 5ue um ol!ar sobre a pr&pria
realidade$ colocando nela os seus dese3os. 0%ssim como 7eus nada mais 4 5ue a
ess)ncia do !omem puri2icada da5uilo 5ue se mostra ao indiv8duo !umano como
limitação$ como mal$ se3a no sentimento ou no pensamentoD assim tamb4m o al4m nada
mais 4 5ue o a5u4m libertado do 5ue se mostra como limitação$ como mal. Por mais
de2inida e claramente 5ue se3a con!ecida pelo indiv8duo a limitação como limitação$ o
mal como mal$ igualmente de2inido e claro e con!ecido por ele o al4m$ onde essas
limitaç1es desaparecem. O al4m 4 o sentimento$ a id4ia da libertação das limitaç1es 5ue
pre3udicam a5ui o sentimento de si mesmo$ a e;ist)ncia do indiv8duo6.M1CN
]arl @ar; +1>1>-1>>./ 2ormulou sua cr8tica tanto O id4ia 3udeu-cristã de
reconciliação 2inal em 7eus$ como O id4ia cristã popular de reali'ação num para8so no
al4m. Para ele tanto uma como outra são estrat4gias de consolação. %trav4s destas
estrat4gias$ os aproveitadores das condiç1es de in3ustiça s&cio-econKmica desviam a
atenção das verdadeiras causas da mis4ria e;istente e tentam paralisar 5ual5uer potencial
de mudança. % escatologia cristã 4 a mais clara a2irmação de uma sociedade dupla. <om
isso se 2undamenta a alienação do ser !umano$ em ve' de super*-la. <riticar a id4ia
religiosa de reali'ação no p&s-morte 4 pois condição para se tomar partido por um
mundo mel!or no a5u4m. 0% supressão da religião como reali'ação ilus&ria do povo 4
uma e;ig)ncia da verdadeira reali'ação. % e;ig)ncia de suprimir uma ilusão sobre a sua
situação 4 um imperativo pela supressão de uma situação 5ue necessita de ilus1es. %
cr8tica da religião 4 em si a cr8tica do vale de l*grimas$ do 5ual a religião 4 a aur4ola6 +].
@ar;/M1-N. @ar; não nega a escatologia$ mas 2a' uma escatologia seculari'ada$
transpondo para din(mica da !ist&ria a tare2a de reconciliar as contradiç1es$ de superar a
negatividade$ e para a responsabilidade !umana a construção do para8so +e não mais
graça divina/. % criação de uma sociedade sem classes$ onde !a3a a superação de toda
dominação e e;ploração +especialmente a do capital sobre o trabal!o/ 4 no 2undo a
0sociedade escatol&gica6$ isto 4$ a sociedade totalmente reali'ada proposta por @ar;.
Esta des-transcendentali'ação da reali'ação 2inal !umana não 4 por4m
e;clusividade mar;ista. :a mesma lin!a pode-se interpretar a 2iloso2ia de @artin
Beidegger +7er @ensc!en ^ird in die Eigentlic!keit seiner E;isten' geru2en. O ser
!umano 4 c!amado O genuinidade de sua pr&pria e;ist)ncia/ ou ]arl Jaspers
+?rans'enden'er2a!rung als E;isten'!erstellung. % e;peri)ncia transcendente 4
e;peri)ncial e;istencial/.
Em Gigmund Areud 2ica tamb4m clara a reali'ação des-transcendentali'ada. %
reali'ação do !umano est* no encontro consigo mesmo$ O medida 5ue ele se conscienti'a
da5uilo 5ue o impede deste encontro e supera estes impedimentos. O camin!o para a
reali'ação c!ama-se de certo modo psican*lise. % 0sociedade escatol&gica 2reudiana6
consiste no 2undo numa sociedade onde os indiv8duos ten!am superado seus traumas$
suas neuroses$ vivam liberados de toda alienação pessoal$ com personalidades
e5uilibradas.
Tuem por4m propKs uma desescatologi'ação radical 2oi Ariedric! :iet'sc!e com
seu an#ncio da morte de 7eus. :iet'sc!e anuncia o !umano est* perdido$ O deriva$ sem
7eus$ sem verdade$ con2irmando suas contradiç1es no mundo. % id4ia de verdade$
sentido 2inal$ etc. não passa de ilusão da verdade. O mundo verdadeiro e reali'ado 4 uma
id4ia sup4r2lua$ um engodo para :iet'sc!e. O personagem _arat!ustra$ de :iet'sc!e$
anuncia 0E;orto-vos$ & meus irmãos$ a permanecerdes 2i4is O terra$ e a não acreditar
na5ueles 5ue vos 2alam de esperanças supraterrestres. Gão eles envenenadores$
conscientemente ou não. Gão menospre'adores da vida$ moribundos into;icados de um
cansaço da terraD 5ue pereçam$ pois`6M1WN
<om e;ceção de :iet'sc!e$ as outras posiç1es colocavam em 5uestão não a
escatologia +a id4ia de um 2im de reali'ação para o !umano/ mas a 2orma como o
cristianismo ou o catolicismo a apresentava +2orma ideol&gica alienante$ segundo esta
cr8tica/.

b/ <r8tica da promessa do c4u como morali'ante
%l4m de alienante$ esta !ist&ria de prometer o c4u aos 2i4is 9bons0 4 um discurso
5ue conv4m O instituição. Tual5uer desobedi)ncia pode ser ameaçada com o in2erno.
Pode-se desta 2orma morali'ar os 2i4is na direção 5ue a instituição ac!ar mel!or. %ssim
os 2i4is são mantidos 2i4is O instituição pelo medo da perdição. O medo 4 um e2iciente
mecanismo de dominação. P a 24 de cabresto.
Esta cr8tica 4 2eita O id4ia de escatologia nem tanto como sistema ideol&gico
alienante$ mas como sistema morali'ante a n8vel pessoal. Ela adv4m sobretudo com a
c!amada emerg)ncia do su3eito +burgu)s/ +revolução 2rancesa/. % promessa do c4u ou a
ameaça do in2erno eram colocadas em estreita ligação com a conduta moral pessoal. %
con5uista da liberdade pessoal op1e-se O pr4-determinação da moral pessoal em nome da
liberdade pessoal e critica-a sobretudo como ideologia de dominação clerical. Este
mesanismo de morali'ação 2unciona sobretudo ligado ao mecanismo do medo e da culpa
pelo castigo. % emerg)ncia do su3eito como inst(ncia e crit4rio de sentido p1e em
5uestão um pr4-determinismo comportamental. O pr4-determinismo comportamental vai
cedendo cada ve' mais espaço O consci)ncia pessoal.

c/ O 02im do mundo6 4 um discurso anti5uado
O progresso da ci)ncia e da pes5uisa mostra 5ue o 2im do mundo 4 um discurso
anti5uado$ de ignor(ncia de con!ecimento da B8blia sobre o universo. 7i'er 5ue as
estrelas do c4u irão cair sobre a terra$ 5ue o mundo vai acabar com en;o2re vindo do c4u$
com *gua ou 2ogo$ por e;emplo$ 4 2alta de con!ecimento cient82ico. Este modo de 2alar
da B8blia ignora a estrutura do universo$ 5ue na 4poca não era con!ecida. Bo3e sabemos
5ue isto não acontece assim. Esta 2oi a cr8tica advinda sobretudo do positivismo
cient82ico O idi4ia de 2im de mundo$ de escatologia. Rma cr8tica um tanto materialista$
mas por outro lado dirige-se contra uma tend)ncia na escatologia +neo-escol*stica/ em
5uerer descrever praticamente em detal!es os acontecimentos p&s-morte$ o 3u8'o$ o 2im
do mundo...

2 - Reaparecimento do tema: neoapocalítica secularizada

?oda a cr8tica O escatologia cristã 2eita nos #ltimos s4culos no mundo ocidental$
tanto a n8vel 2ilos&2ico$ como organi'acional ou a n8vel cient82ico$ - advinda sobretudo
com o 5ue c!amamos comumente de iluminismo na cultura ocidental - 2a' parte de um
grande processo de tomada de consci)ncia !umanidade sobre si mesma e sobre os
mecanismos 5ue a regem. Em v*rios n8veis e de diversas 2ormas pode-se di'er 5ue
!ouve um desmascaramento dos mecanismos 5ue regem a !ist&ria$ a sociedade$ a
religião. B* uma tomada de consci)ncia muito grande de 5ue a !ist&ria não est* O deriva
+e nem esteve ideologias e interesses 5ue a condu'iram/. Aica claro 5ue os mecanismos
5ue regem a !ist&ria são per2eitamente analis*veis e compreens8veis. B* uma tomada de
consci)ncia - não se pode di'er a todos os n8veis - de 5ue o ser !umano pode tomar em
suas mãos a condução da !ist&ria. E 3ustamente por ter aumentado a consci)ncia da
responsbilidade !umana na condução da !ist&ria 4 5ue reacende-se com mais vigor a
pergunta pela direção 5ue deve tomar a !ist&ria$ pelo destino do !umano$ pelo destino da
!ist&ria.
Este grande processo de tomada de consci)ncia nos diversos n8veis +t4cnico$
organi'acional$ 2ilos&2ico$ psicol&gico$ pol8tico$ ideol&gico/$ principalmente a
consci)ncia em torno da responsabilidade !umana pela condução de seu destino$ aliada
Os descobertas da ci)ncia e aos avanços da t4cnica$ 2oi portador de grandes esperanças e
desencadeou processos principalmente de otimismo. %s novas descobertas 2oram motivo
de esperança muito grande de superação do trabal!o *rduo$ superação de doenças$
superação de neuroses$ superação da 2ome atrav4s de mel!ores m4todos de produção e
assim por diante. ?amb4m na *rea social !ouve grandes esperanças ligadas tanto ao
avanço de democracias$ de participação no poder$ ligadas O espectativa comunista da
criação de sociedades sem classe$ como tamb4m na criação duma sociedade nova$
impulsionada sobretudo por movimentos ut&picos ligados por e;emplo O revolução
estudantil na d4cada de .E. Ou se3a$ uma esperança 5ue contagiou sobretudo os 3ovens
na Europa$ de se poder construir uma sociedade de liberdade.
% palavra 5ue sem d#vida encantou o mundo nos #ltimos WE ou YE anos 2oi
desenvolvimento em todas as *reas. <om esta palavra descrevia-se 5uase 5ue uma tare2a
escatol&gica a tare2a de levar ou de possibilitar a reali'ação 5uase 5ue plena$ ou pelo
menos o mais per2eita poss8vel. Ou então a esperança de 5ue o processo de
desenvolvimento 4 um processo de superação dos problemas. E esta reali'ação a ser
tra'ida pelo desenvolvimento não 4 em primeiro lugar uma reali'ação num p&s-morte$
mas a reali'ação a5ui e agora$ ao alcance de todos. G& como e;emplo da 2unção
escatol&gica 5ue recebeu o desenvolvimento congelamento de pessoas com doenças$
cu3a cura ainda não 2oi descoberta 4 um sinal da 24 absoluta de 5ue tudo 4 uma 5uestão
de tempo$ mas a solução vir* com a mesma certe'a 5ue de aman!ã !aver* aman!ecer.
Outro e;emplo <om a descoberta dos processadores de dados +computadores/ espal!ou-
se rapidamente a id4ia da criação de intelig)ncia arti2icial$ a solucional 5uest1es
aparentemente sem solução para a mente !umana +mito da intelig)ncia do computador/.
:a *rea da pes5uisa gen4tica a id4ia de 5ue o !umano pode com seu pr&prio poder
pro3etar novos tipos de planta$ de animais e tamb4m de seres !umanos.
<riou-se o mito na sociedade ocidental de 5ue o desenvolvimento 4 ilimitado e
sem barreiras. :ada mais pode opor-se ao pro3eto de reali'ação do !umano pelo pr&prio
!umano. % certe'a de 24 de 5ue para 7eus nada 4 imposs8vel 2oi substitu8da pela certe'a
0cient82ica6de 5ue para o desenvolvimento$ nada 4 imposs8vel. O desenvolvimento
substituiu 5uase 5ue a tare2a divina de levar o mundo O reali'ação.
Bo3e podemos di'er com certe'a 5ue c!egamos ao 2im do mito do
desenvolvimento. 7ois sinais apontam para o 2im deste mito a consci)ncia cada ve'
maior do 2enKmeno dos anal2abetos secund*rios$ 5ue se op1e claramente O id4ia da
reali'ação para todos. P a consci)ncia de 5ue apenas uma pe5uena minoria de 2ato tem
acesso ao 5ue se c!amava de tomar a !ist&ria nas pr&prias mãos.
Rm segundo momento de tomada de consci)ncia de 5ue c!egamos ao 2im do
mito desenvolvimentista$ 4 a constatação de 5ue de 2ato e em muitos campos este
desenvolvimento$ 5ue prometia a salvação trou;e a possibilidade real e !ist&rica de
destruição total$ ou se3a$ a consci)ncia da possibilidade dum 2im do mundo catastr&2ico
provocado pelo pr&prio ser !umano. Esta consci)ncia levou ao 5ue eu c!amaria de uma
neoapocal8ptica seculari'ada um discurso apocal8ptico não de cun!o ou 2undo religioso$
mas sim de cun!o e linguagem seculari'ada$ 5ue não dei;a por4m de ter seu aspecto
religioso$ por perguntar-se pelo destino do !umano ou do planeta. E com isso o
desenvolvimento 5ue !avia tomado de 7eus a tare2a de ser o portador da reali'ação$
toma de certa 2orma novamente a tare2a divina de determinar o 2im do mundo +pelo
menos da civili'ação !umana/$ de 3ulgar +e condenar/ o curso da !ist&ria. %lguns
momentos 5ue marcam esta neoapocal8tica seculari'ada

a/ Possibilidade duma guerra atKmica

:o en2rentamento pol8tico !avido durante v*rias d4cadas entre dois blocos - o
socialista e o capitalista - 2abricaram-se tantas armas e armas com um poder de
destruição tão grande$ 5ue a terra e tudo o 5ue nela !* poderia ser destru8da v*rias ve'es
com a detonação especialmente das bombas atKmicas. 7e repente tomou-se a
consci)ncia 5ue a um comando tudo poderia ser destru8do. O 2im do mundo tornou-se
uma possibilidade real e pr&;ima. Este 2oi talve' o primeiro momento em 5ue grande
parte da !umanidade tomou consci)ncia 5ue o 2im do mundo poderia ser provocado pelo
proprio ser !umano. Bo3e$ com o 2im da guerra 2ria$ não se sabe se este perigo diminuiu
ou aumentou$ com a instabilidade 5ue surgiu no v*cuo do 2im da guerra 2ria. E a 5uestão
do perigo das armas com alto poder destrutivo não 2oi resolvida at4 !o3e.

b/ <at*stro2e ecol&gica

:ão apenas a consci)ncia de uma cat*stro2e atrav4s de uma guerra atKmica tem
levado a pensar sobre a possibilidade eiminente de um 2im catastr&2ico. % possibilidde
de um colapso do sistema ecol&gico$ provocado pelo atual modelo industrial altamente
poluente$ tamb4m começa tamb4m a ser considerado como uma ameaça ao sistema de
vida na terra. 7evido O poluição causada pelo ser !umano$ mil!1es de esp4cies de
vegetais e animais 3* desapareceram$ mudanças clim*ticas estão ocorredo +e2eito estu2a/$
a poluição 3* est* atingindo o pouco de *gua 5ue 4 pot*vel no planeta +a guerra pela *gua
pot*vel ser* a guerra do 2uturo/$ trans2ormando a c!uva em c!uva *cida$ destruindo a
camada protetora de o'Knio etc.. B* inclusive os 5ue pensam 5ue o n8vel de destruição
ambiental 3* c!egou a tal ponto 5ue não !* mais retorno +movimentos eco-
apocal8pticos/. Ger* este o 2im a destruição do mundo criado pelo estilo de vida do
pr&prio ser !umanoL O estilo de vida do ser !umano ir* into;icar toda a terra de tal
modo 5ue não !a3a mais condiç1es de vidaLM1YN

c/ <olapso s&cio-pol8tico

?amb4m sinais de degradação s&cio-pol8tica em muitos lugares do planeta levam
a pensar no 2im da civili'ação. Estes sinais dão-se em v*rias 2ormas con2litos regionais-
nacionalistas$ 5ue ameaçam espal!ar-se$ sem 5ue a comunidade internacional consiga
in2luenciar ou intervir para o seu 2im e o restabelecimento de alguma ordem pol8tica
+antiga Iugosl*via$ Gom*lia$ <urdistão$ <!ec!)nia$ Qib4ria$ Gudão$ %rg4lia$
%2eganistão.../D caos administrativos em muitos lugares do mundo a decad)ncia 4 tal$
5ue não se v) nen!uma sa8da +p.e;. em grandes cidades do mundo$ onde o sistema de
sa#de$ policial$ a in2ra-estrutura sanit*ria etc. não apenas não 2unciona$ mas não se tem a
m8nima id4ia de como poderia vir a 2uncionar com as condiç1es 2inanceiras atuais/D
descr4dito da capacidade do poder p#blico$ i.4. da representação da coletividade$ de
gerenciar o bem comum$ levando a entregar o bem p#blico Os mãos dos mais 2ortes da
sociedade +9privali'ação0$ 9livre economia de mercado0 " atestado de incompet)ncia do
poder p#blico/. Isto nos leva O pergunta a civili'ação tem 2uturoL :ão$ respondem
alguns te&ricos. :&s ter8amos c!egado então ao 2im da !ist&ria.

d/ ?eoria do <aos

O 5ue e;iste 4 o caos e não o cosmos$ a organi'ação$ a civili'ação. :a verdade
damos mais import(ncia ao organi'ado$ ao correto$ ao l&gico$ pelo 2ato de podermos
compeend)-lo$ mas o caos 4 muito maior 5ue a organi'ação e temos 5ue aceitar o caos
como a condição da e;ist)ncia e não o cosmos.

e/ O 2im da !ist&ria

% !ist&ria !umana$ segundos alguns te&ricos principalmente de pensamento
norte-americano$ teria c!egado ao seu 2im. :ão !* mais evolução. <!egou ao m*;imo
poss8vel. Ou se consegue conservar este n8vel$ ou$ o 5ue 4 mais prov*vel$ !aver*
decad)ncia.
O pensamento em torno do 2im da !ist&ria tem muito a ver com a 5uestão do 2im
do mito do desenvolvimento +2im da era das utopias/ e com o irromper da economia de
mercado. O 9mercado0 4 o 5ue se imp1e$ at4 c!egarmos O situação do 9mercado total0$
da comerciali'ação global de tudo. Ele engoliu os antagonismos da !ist&ria e 4 o porto
de c!egada da !ist&ria. :ão !* alternativa ao mercado. Ele ir* englobar e globali'ar
tudo. Ge não !* mais alternativa$ c!egamos pois ao 2im da !ist&ria$ 5ue seria pois o
começo do apocal8pse. ?udo o 5ue 4 dese3*vel$ 4 comerciali'*vel$ compr*vel e vend8vel.
O mercado tem a resposta a todos os anseios !umanos. %t4 dese3os são produ'8veis$
vend8veis e compr*veis.
O primeiro pro2eta desta nova apocal8ptica 4 Arancis AukoHama$ membro do
minist4rio do plane3amento do 7epartamento de Estado :orte %mericano. Em seu artigo
9?!e End o2 BistorHL0 +1=>=/ ele proclama a vit&ria 2inal da democracia liberal e do
mercado global de todas as coisas sobre todos os outros sistemas 5ue tentaram impor-se
como alternativa 2ascismo$ na'ismo$ comunismo$ socialismo$ nacionalismo. ?odas as
tentativas de alternativas 2racassaram e não se v) nen!uma outra O vista. <!egamos pois
ao in8cio do tempo sem alternativa. E a 2alta de alternativa c!ama-se 2im da !ist&ria$ era
p&s-!ist&rica. Esta conclusão de AukoHama baseia-se na dial4tica !egeliana$ como
e;plicação da !ist&ria tese$ ant8tese e s8ntese. :ão !avendo mais ant8tese$ perpetua-se a
tese e com isso !* o 2im da !ist&ria +não do tempo/. AukoHama mesmo não v) nisso
nen!uma promessa de 2elicidade 9O 2im da !ist&ria ser* um tempo muito triste... :o
per8odo p&s-!ist&rico não !aver* nem arte nem 2iloso2ia$ apenas a conservação
permanente do museu da !ist&ria !umana0. O 3ornal conservador Berald ?ribune
saudava em 1==E$ por4m$ o 2im da !ist&ria de 2orma entusiasta 97epois de alguns
mil)nios de tentativas com diversos sistemas terminamos 2inalmente este mil)nio com a
certe'a de 5ue na democracia pluralista e capitalista encontramos 2inalmente a5uilo pelo
5ual ansi*vamos0.
O 2im da !ist&ria signi2icaria tamb4m$ por conse5Z)ncia o 2im das utopias$ o 2im
das esperanças. J. @oltmann$ o te&logo da esperança$ reagiu a esta id4ia de 2im da
!ist&ria di'endo 5ue !istoricamente todos os sistemas 5ue se tornaram !egemKnicos em
sua *rea de in2lu)ncia deca8ram não pelo 2ato de ter !avido uma concorr)ncia 5ue os
ten!a vencido$ mas por não terem conseguido administrar as contradiç1es internas. E
estas contradiç1es internas 4 5ue levaram ao 2im os sistemas 9sem alternativa0.
<ontinuando nesta lin!a de pensamento$ J. @oltmann v) na e;ist)ncia de pobres +e
sendo a grande maioria ali*s/ a grande contradição interna da economia de livre
mercado. Os pobresUv8timas do marcado são o sinal de 5ue não c!egamos ao 2im da
!ist&riaM1.N.
2/ % transcend)ncia na iman)ncia
Outro discurso da atualidade 5ue pode ser classi2icado como uma
0neoapocal8ptica seculari'ada6 4 o da possibilidade da reali'ação !umana plena na
!ist&ria. Esta reali'ação$ na esteira das an*lises do pensador 2ranc)s Quc AerrH$ dar-se-ia
nas reali'aç1es do su3eito em suas aç1es !umanas. O 0ser !umano6 ou agir de maneira
!umanit*ria visto como uma reali'ação do su3eito a acontecer no (mbito da iman)ncia.
Ou se3a$ se tradicionalmente o discurso da reali'ação a v) transcendendo as condiç1es da
!ist&ria$ !* !o3e o 2enKmeno de pessoas reali'arem-se em aç1es !ist&ricas. %5ui se pensa
sobretudo no 2enKmeno do voluntariados$ as aç1es das O:Xs$ dos pro3etos sociais
pessoas 5ue encontrar reali'ação$ 2elicidade$ alegria como ser !umano ao dedicar-se a
aç1es !umanit*rias.
:ão se est* pensando neste (mbito na con5uista da reali'ação como algo
de2initivo do ponto de vista cronol&gico$ mas sim como a reali'ação poss8vel e plena na
!ist&ria. E esta pensada não como um todo$ para todos os seres !umanos$ mas como um
pro3eto individual cada 5ual pode alcançar reali'ação nestas aç1es$ e reali'ação !umana
plena. Este modo de pensar não apenas coloca a reali'ação escatol&gica +o 2im " a
2inalidade$ o destino/ como algo a ocorrer no !ori'onte da !ist&ria$ como !* nele
tamb4m a id4ia da individuali'ação da escatologia. P a reali'ação do indiv8duo se dando
no imanente da !ist&ria. Gem d#vida$ o apelo pela 2elicidade individual presente em uma
enorme 5uantidade de publicaç1es +categoria geralmente c!amada de 0auto-a3uda6/ 4
parte deste 2enKmeno da busca da reali'ação na iman)ncia.
g/ % crise 2inanceira
:a segunda metade do ano de CEE> apareceu uma outra ameaça de 2im do
mundo o colapso 2inanceiro. <apitaneado pelos Estados Rnidos e seguido pela Europa$
a crise 5ue começara pelo sistema de cr4dito !abitacional abateu-se sobre o mundo uma
crise 2inanceira global sem precedentes. %s 5uebras$ 2al)ncias$ inadimpl)ncias$ perda das
empresas$ perda de bens de pessoas 5ue dependiam do sistema 2inanceiro seguiam-se de
2orma galopante. Os governos$ bancos e organismos internacionais nunca mobili'aram
tantos recursos em tão pouco tempo para conter a crise.
<erca de um ano e meio depois a crise estava praticamente controlada. Aicou o
grande susto de como o sistema 2inanceiro internacional era 2r*gil$ por um lado e por
outro lado como a vida das pessoas +sua vida econKmica e com isto seu sustento/ 4 !o3e
5uase 5ue totalmente atrelada a estes sistemas. % não retomada do controle signi2icaria o
caos$ o 2im do cosmos$ o 2im do mundo. Ou se3a$ o 2im de uma ordem dentro da 5ual as
pessoas vivem$ se sustentam$ encontram sua sobreviv)ncia por estarem atreladas
3ustamente a esta certa ordem.

3 - Sentido cristão dum discurso escatológico

Para começar a 2alar do sentido cristão dum discurso escatol&gico$ recordaria a
lenda da corrida entre a lebre e a tartaruga. % lebre$ 'ombando da lentidão da tartaruga$
convidou-a para uma corrida. % tartaruga aceitou o desa2io$ impondo por4m uma
condição en5uanto a lebre poderia correr pelo camin!o$ ela gostaria de correr ao lado do
camin!o$ onde !ouvesse capim bastante alto. <ombinadas as condiç1es$ 2icaram pois de
encontrar-se na !ora e local marcados para a dita corrida. Para a corrida$ a tartaruga
postou toda a sua 2am8lia em diversos pontos do tra3eto a ser percorrido. ?endo sido dada
a largada$ a lebre nem se preocupou em es2orçar-se muito. %p&s correr um pouco$ parou
e perguntou 0?artaruga$ onde est*sL6 %o 5ue uma das tartarugas 5ue estava mais O
2rente$ colocou a cabeça para 2ora do capim e respondeu 0Estou a5ui6. % lebre$ vendo
5ue estava em desvantagem$ tratou de apertar o passo. Tuando pensava ter 3*
ultrapassado a tartaruga$ perguntou novamente 0?artaruga$ onde est*sL6 Rma das
tartarugas 5ue estava mais O 2rente$ apressou-se a colocar a cabeça para 2ora do capim e
respondeu 0Estou a5ui6. % lebre tratou de aumentar a velocidade. <ada ve' por4m 5ue
perguntava pela posição da tartaruga$ uma 5ue estava mais O 2rente tratava de responder.
% lebre correu tanto tentando alcançar a tartaruga$ 5ue perdeu o 2Klego e morreu.
O 5ue isto tem a ver com o sentido cristão dum discurso escatol&gicoL 7iria 5ue
a escatologia cristã deve evitar tanto o perigo do 0e2eito lebre6 como o perigo do
0comple;o de tartaruga6. E;plico o discurso escatol&gico cristão não pode ser visto de
tal 2orma 5ue 0perca o 2Klego6 ao correr na !ist&ria. B*$ na esperança escatol&gica cristã
algo de trans-!ist&rico$ 5ue não dei;a este perder o 2Klego$ perder o sentido$ perder a
mord)ncia na !ist&ria. % esperança cristã de reali'ação 2inal não pode ser con2undida
com uma esperança 5ue se esvaia no decorrer da !ist&ria. Este 4 o 0e2eito lebre6 correr
tanto na !ist&ria 5ue nela se perde o 2Klego$ se esgota antes de c!egar a um destino. Por
outro lado$ o discurso escatol&gico cristão não pode dar-se ao lu;o de 2icar O margem da
!ist&ria e pensar 5ue sempre 3* est* presente$ onde 5uer 5ue a !ist&ria se encontre. % isto
c!amaria de 0comple;o de tartaruga6. Rm discurso escatol&gico cristão com comple;o
de tartaruga 4 a5uele 5ue 4 2eito de tal 2orma 5ue em todo o lugar da !ist&ria pensa 3*
estar presente$ ter 3* a resposta$ sem se5uer ter entrado na !ist&ria$ ter se medido com
ela. P o discurso pronto$ 5ue tem sempre 3* a resposta$ não interessando 5ual 4 a
pergunta.
O desa2io dum discurso cristão de esperança escatol&gica 4 3ustamente 2a'er um
discurso 5ue não se esgote na !ist&ria +0e2eito lebre6/ $ mas 5ue ao mesmo tempo não
2i5ue O margem da !ist&ria$ na ilusão 5ue 3* possui uma resposta O !ist&ria sem se5uer
ter dela participado +0comple;o de tartaruga6/.
?endo estes dois perigos em mente$ podemos ver tr)s aspectos do discurso
escatol&gico cristão o teol&gico$ o eclesiol&gico e o social.

a/ ?eol&gico

Para a re2le;ão teol&gica cristã sobre o destino de reali'ação do !umano$ 4
preciso ter claro 5ue a reali'ação 2utura no sentido cristão não se resume O reali'ação
duma determinada ordem social$ econKmica e pol8tica$ mas não 4 poss8vel passar ao
largo dela +4 o 5ue podemos c!amar de 0e2eito encarnação6$ isto 4$ com a encarnação$
7eus tornou-se tamb4m !ist&ria/. <omo tamb4m o 2im do mundo no sentido cristão não
se resume a um 2im do mundo !ist&rico +catastr&2ico ou não/$ mas esta 5uestão não 4
al!eia O re2le;ão cristã sobre o 2im do mundo pelo mesmo motivo do 0e2eito
encarnação6.
Por isso !* um di*logo entre o pensamento cristão de reali'ação e de 2im de
mundo e o pensamento secular ou de cun!o não propriamente religioso. 0Tuando a
teologia proclama o 2uturo absoluto$ ela não e;clui as esperanças intraterrenas do
porvir6M1,N. @as tamb4m não se iguala$ não 4 co-e;tensiva a elas.
Rma das caracter8sticas !ist&ricas do cristianismo talve' ten!a sido o
rompimento 3ustamente entre Estado e Veligião. <omunidade religiosa cristã não 4 co-
e;tensiva a comunidade s&cio-pol8tica$ como 4 con!ecido de muitas religi1es. Bouve
per8odos na !ist&ria da Igre3a de uma 5uase-co-e;tensividade entre Igre3a e Estado e esta
relação 2oi bastante amb8gua ou at4 prom8scua.
0Rma ve' 5ue os diversos (mbitos terrestres$ em virtude de seu car*ter criado$
admitem e e;igem declaraç1es teol&gicas acerca deles$ a teologia não 2ere$ mas descobre
sua pr&pria nature'a 5uando mede as ordens terrenas por sua relação a 7eus e sua
import(ncia para o 2uturo #ltimo e absoluto. @as seria um procedimento não s&
desacertado$ mas tamb4m antiteol&gico$ a teologia e;igir para a !ist&ria !umana a5uelas
2ormas 5ue são pr&prias do 2uturo absoluto. %o proceder assim$ es5ueceria 5ue a !ist&ria
4 camin!o e não meta0M1>N.
O discurso escatol&gico cristão dever* ser pois um discurso teol&gico S isto 4$ um
discurso 2eito a partir da compreensão 5ue se tem de 7eus e da l&gica 5ue disto decorre
S mas de 2orma alguma al!eio Os causas da !ist&ria. Isto por5ue 7eus - a partir da
encarnação - não pode mais ser ali3ado da !ist&ria. <om isso$ a causa #ltima não 4 al!eia
Os causas da !ist&ria. Ge o 2osse$ ter8amos uma compreensão dum 7eus dissociado teria
se tornado !ist&ria$ mas não teria com ela nen!uma ligação. :ão se pode es5uecer 5ue
no cristianismo tem a !ist&ria uma densidade teol&gica o cristianismo 4 a religião 5ue
tem como seu ponto 2undamental a certe'a de 24 de 5ue 7eus tomou lugar na !ist&ria$ de
5ue 7eus se 2e' ele mesmo !ist&ria$ de 5ue 7eus colocou-se na din(mica da !ist&ria.
<om isto$ esta !ist&ria não 4 somente !ist&ria !umana +2inita$ limitada$ caduca/$ ela 4
!ist&ria tamb4m divina +plena$ reali'ada$ escatol&gica/.

b/ Eclesiol&gico

O lugar teol&gico onde 5ueremos medir a situação terrestre com o 2uturo #ltimo e
absoluto 4 o lugar eclesiol&gico. % Igre3a entendida então como sinal escatol&gico$ por
entender-se como sinal da presença do ressuscitado.
Jesus pregou o Veino de 7eus$ mas o 5ue surgiu 2oi a Igre3a` +%. QoisH/ Esta
a2irmação pode ser entendida tanto de 2orma negativa$ - no sentido de ser a Igre3a sinal
da não reali'ação do Veino - como de 2orma positiva$ de ver na Igre3a sinal da
continuidadeUda presença do Veino anunciado.
O <onc8lio Vat. II não 2e' nen!um tratado escatol&gico colocou a escatologia no
!ori'onte eclesiol&gicoM1=N e aponta para o car*ter escatol&gico da Igre3a 9Por isso a
prometida restauração 5ue esperamos e 3* começou em <risto$ 4 levada adiante na
missão do Esp8rito Ganto e por Ele continua na Igre3a0MCEN. +% 0Xaudium et Gpes6 n. 1>
2ala da morte e a esperança cristã da ressurreição no p&s-morte e XG -= 2ala da
esperança da 9:ova ?erra e :ovo <4u0$ 5ue deve 9impulsionar a solicitude pelo
aper2eiçoamento desta terra. :ela cresce o <orpo da nova 2am8lia !umana 5ue 3* pode
apresentar algum esboço do novo s4culo. Por isso$ ainda 5ue o progresso terreno deva
ser cuidadosamente distinguido do aumento do Veino de <risto$ contudo 4 de grande
interesse para o Veino de 7eus$ na medida em 5ue pode contribuir para organi'ar a
sociedade !umana0/.
O discurso escatol&gico cristão tem pois esta dimensão eclesial. Eclesial usado
a5ui no sentido amplo$ não em primeiro lugar de instituição Igre3a <at&lica ou outra
Igre3a$ mas em sentido de assembl4ia de 2i4is$ da comunidade dos 5ue creem e seguem
Jesus <risto. Esta comunidade de crentes$ sendo - atrav4s da 2orma de vida - sinal da
presença de Jesus <risto$ 4 3ustamente por isso sinal escatol&gico$ sinal da realidade
#ltima 3* acontecida em Jesus. Em segundo lugar 4 preciso entender Igre3a a5ui tamb4m
como a Igre3a-instituição. P necess*rio 5ue ela se3a tamb4m sinal escatol&gico concreto.
Tuer di'er$ a sua 2orma de ser +em seu corpo dogm*tico-sacramental/$ de se organi'ar
+corpo institucional/$ de aparecer e agir no mundo +dimensão pastoral/ precisa apontar
concretamente para o sentido #ltimo. % instituição deve ser em pe5uena porção o 5ue
promete e anuncia para a reali'ação plena no vindouro.

c/ Gocial

Em terceiro lugar 4 preciso di'er 5ue o discurso escatol&gico em seu sentido
cristão não pode redu'ir-se ou limitar-se a um discurso interno$ intra-cristão. E;atamente
no discurso escatol&gico 2ica muito claro 5ue não somos isolados$ mas parte de um todo$
pois o sentido #ltimo$ o destino 2inal do g)nero !umano não pode ser pensado apenas
para os 5ue vivem dentro dum determinado conte;to$ sociedade$ tempo ou 24. Rm
discurso cristão acerca das coisas #ltimas não pode perder de vista a !ist&ria$ a
sociedade$ o mundo onde vivemos e o discurso cristão acerca da !ist&ria da sociedade e
do mundo não pode perder de vista as coisas #ltimas$ o destino #ltimo ao 5ual somos
c!amados. ?odo discurso teol&gico acerca da realidade necessita conservar a sua
9reserva escatol&gica0 +ou resalva escatol&gica " !* sempre algo 5ue não est* totalmente
O disposição/ em seu bo3o.
Pensar num 2uturo absoluto em 7eus não 4 uma in2ormação intelectual$ mas
impulso e motivação para a ação. Pensar 5ue temos um destino #ltimo em 7eus$ 5ue
somos c!amados O reali'ação plena$ ao 2im com sentido e não ao absurdo$ impregna e
impulsiona o labutar !umano onde vive. Isto$ 4 claro$ se pensamos a escatologia como
processo$ uma escatologia cont8nua e não uma escatologia seccionada ou 9escatologia
setoriali'ada0$ - como c!ama GusinMC1N -uma escatologia 5ue trata isoladamente de
temas escatol&gicos.
P essencial pensar a relação entre !ist&ria e escatologia$ entre realidade deste
mundo e Veino escatol&gico$ ou Veino de 7eus$ de tal modo 5ue o c4u não desprestigie
a terra$ mas se3a seu sentido #ltimo$ nem a terra esva'ie o c4u$ mas se3a a sua medida.
Escatologia cristã assim pensada 4 colocada como !ori'onte de toda a realidade
!umana e terrestre. Por isso 4 importante a passagem da 9escatologia setoriali'ada0 para
a colocação da escatologia como !ori'onte #ltimo de toda a realidade e de toda a
re2le;ão. <olocar a escatologia como !ori'onte #ltimo +tautologia`/ 4 por4m ter sempre a
consci)ncia de uma perspectiva #ltima$ 4 cont8nuo c!amado O superação da negatividade
e ao mesmo tempo sinalUc!amado deUO unidade. %ssim este !ori'onte #ltimo 4
importante tanto para Igre3a$ para a pastoral$ a liturgia$ o direito canKnico$ como tamb4m
para toda e 5ual5uer atividade !umana +produtiva$ pol8tica$ educacional.../ 5ue pode e
deve medir-se com um sentido #ltimo.
E !o3e temos cada ve' mais a consci)ncia da necessidade de ampliar este
!ori'onte #ltimo escatol&gico para al4m das 2ronteiras do religioso e das 2ronteiras do
social$ colocando-o tamb4m como !ori'onte da re2le;ão acerca do ecol&gico +do planeta
terra como um todo/ e do cosmos mesmo. <om isso a escatologia seria o 92io condutor0
da re2le;ão e atividade !umana$ bem como o elo de ligação 5ue uni2ica e procura dar
sentido ao todo. Ge este todo est* 2ragmentado ele 4 re-ligado pela consci)ncia de um
sentido #ltimo$ absoluto. P a consci)ncia de um destino$ de um sentido acima da
2ragmentação 5ue permite pois religião. E como di' Q. Bo22$ 94 crença de todas as
tradiç1es espirituais e das religi1es da !umanidade 5ue a #ltima palavra não tem a
ruptura e a solidão$ mas a ligação e a re-ligação$ não o Ipecado originalJ mas a graça
original. Por isso tudo 4 resgat*vel. % aliança de pa' e de con2raterni'ação entre ser
!umano U nature'a U 7eus constitui o !ori'onte de esperança a 5ual5uer
comprometimento ecol&gico e2ica'0MCCN. E deve ser !ori'onte não apenas do
comprometimento ecol&gico$ mas de 5ual5uer atividade !umana. Esta 9aliança de pa' e
con2raterni'ação entre ser !umano U nature'a U 7eus0 4 em sua concreti'ação o 5ue
c!amar8amos de escatologia reali'ada. Este 9!ori'onte de esperança0 de Bo22 deve ser
entendido em sentido escatol&gico. Gusin coloca isso numa e;pressão 2eli' ao di'er 5ue
a escatologia 4 !ori'onte para terra-e-c4usMC-N.
Podemos dar um passo a mais e 2a'er uma ligação entre esta a2irmação e a 5ue
2a'8amos na introdução ao curso de escatologia$ de 5ue 9se sabemos algo de nosso
destino 2inal$ s& o sabemos e o podemos a2irmar a partir de Jesus <risto0 e concluir
então 5ue para n&s Jesus <risto 4 o !ori'onte #ltimo. E este !ori'onte #ltimo 2icou claro
no 9evento p*scoa0. Este 9evento p*scoa0 4 a !istori'ação do camin!o para a
escatologia$ ou dito em outras palavras$ 4 o !ori'onte 5ue veio$ 5ue tornou-se palp*vel
na !ist&ria.

4 - Redescoberta da escatologia cristã


Esta recolocação do tema da escatologia dentro da teologia levou a uma
redescoberta da import(ncia do tema$ não apenas como um tema$ mas de certa 2orma
como 2io condutor para a elaboração de grandes 2ormulaç1es teol&gicas neste s4culo.
<om a perda da dimensão !ist&rica da escatologia$ este tema !avia sido relegado
a ser um ap)ndice dentro dos tratados de teologia. E grande parte dos temas ligados O
escatologia estavam ligados a uma imagem ameaçadora.
9Rma an*lise das pregaç1es escritas 5ue vão do s4culo FIV ao s4culo FVII
mostra 5ue Os ve'es as palavras Iin2ernoJ$ IdemKnioJ$ vin!am citadas com mais
2re5Z)ncia do 5ue as palavras I7eusJ ou I<ristoJ. E 5ue o mesmo I7eusJ e;ercia a
2unção de assegurar ao indiv8duo algo 5ue l!e era mais importante do 5ue 7eus evitar o
in2erno e c!egar ao c4u. % religiosidade popular do Ocidente$ embora 3* se espal!asse a
modernidade con5uistadora pelo mundo todo$ mantin!a-se !abitada pelo Imedo
escatol&gicoJ$ e esta 2oi a trag4dia da escatologia cristã0MCWN .
<om a recolocação do tema da escatologia$ !ouve por assim di'er uma passagem
de !ori'onte ameaçador para !ori'onte de esperança$ de um !ori'onte a-!ist&rico para
uma escatologia presente na !ist&ria$ de uma escatologia s& de 2uturo para uma
compreensão de processo escatol&gico iniciado e presente 3* nesta realidadeMCYN. E por
isso talve' o grande atrativo e 2onte inspiracional 5ue gan!ou o tema da escatologia. %
teologia possui !o3e uma consci)ncia acentuadamente escatol&gica$ 5ue in2lui tanto no
modo de pensar escatologia$ como tamb4m na elaboração de 5uase todos os temas da
teologiaMC.N. E com isso o escrit&rio da escatologia$ 5ue 9est* a maior parte do tempo
2ec!ado0 por 2alta de procura - como di'ia Ernst ?roeltsc! - teve 5ue 2a'er !oras-e;tras$
como retrucou Rrs von Balt!asarMC,N.
% discussão 5ue levou a esta 9virada0 na compreensão escatol&gica surgiu dentro
da teologia protestante com um debate em torno da 5uestão da e;pectativa
neotestament*ria do Veino de 7eus e da protelação da parusia. Este debate 2oi sobretudo
uma reação O posição de %. Vitsc!l +a1>>=/ e seu modo de entender o Veino de 7eus
entidade moral de conotaç1es universalistas e de2initivas. B* um desn8vel entre Veino de
7eus e !ist&ria$ por causa do pecado$ e s& uma 3usti2icação 4 capa' eliminar este
desn8vel. Esta 3usti2icação ocorrer* no 2im da !ist&ria$ 5uando 7eus assumir todos em si
e isto 4$ pois$ o Veino de 7eus. :esta posição de Vitsc!l !* pois uma postura de 2a'er do
conceito Veino de 7eus um conceito s& e unicamente trans!ist&rico. % cr8tica a Vitsc!l 4
sobretudo advinda da opinião de 5ue esta 2orma de compreender o Veino de 7eus não
corresponde ao dado b8blico$ onde o advento do Veino de 7eus num sentido
escatol&gico na !ist&ria 4 um dado marcante da pregação de Jesus. ?anto a pregação
3esu(nica do Veino de 7eus como a comunidade cristã primitiva estão numa e;pectativa
da vinda iminente do Veino. % cr8tica O posição antiescatol&gica na !ist&ria de Vitsc!l
levou J. \eiss e %. Gc!^eit'er a a2irmar 5ue a !ist&ria do cristianismo se 2unda
e;atamente na protelação da parusia. % não-vinda imediata do Veino de 7eus anunciado
por Jesus e esperado pela comunidade primitiva levou a comunidade de crentes a
desescatologi'ar sua mensagemMC>N$ ocorrendo assim uma ruptura entre Jesus e seu
tempo por um lado e por outro lado o tempo do cristianismo. Esta compreensão
desescatologi'ada da mensagem impede o acesso ao Jesus !ist&rico.
Esta discussão iniciada em si como cr8tica a Vitsc!l envolveu por4m toda a
tradição e compreenção da dogm*tica$ pois colocou a dogm*tica em contradição com o
cristianismo primitivo$ por ver 3ustamente na dogm*tica a e;pressão desta
desescatologi'ação da mensagem 3esu(nica como a entendeu a comunidade primitiva. %
2ormulação de um dogma como verdade revelada a ser crida pela comunidade dos 2i4is
implica a compreensão de continuidade da !ist&ria$ descartando assim o pensamento do
advento iminente da parusia. % dogm*tica 4 então$ neste ponto de vista$ um modo de
2alar estran!o e contrastante com o modo da escatologia. <om esta redescoberta da
linguagem escatol&gica de Jesus !* pois uma recolocação da escatologia dentro da
teologia. Ge at4 então a escatologia era mais um tratado de menor import(ncia dentro da
teologia dogm*tica$ esta redescoberta levou a pr&pria teologia sistem*tica +dogm*tica/ a
ser repensada a partir da &tica escatol&gica. Este repensamento da teologia sistem*tica
ocorreu primeiramente na teologia protestante e bastante mais tarde na teologia cat&lica
+ainda presa por muito tempo O neo-escol*stica/. Rm manual cat&lico de dogm*tica de
1=YW a2irmava ainda 9:a conclusão da dogm*tica se ac!a a doutrina das coisas #ltimas
ou escatologia +.../. En5uanto as outras obras todas 5ue 7eus 2e' para n&s pertencem ao
passado e ao presente$ o ob3eto da escatologia para n&s se situa inteiramente no 2uturo.
?rata-se de eventos #ltimos 5ue se re2erem ao indiv8duo e O !umanidade inteira$ como
tamb4m das novas situaç1es 5ue então se veri2icarão. <onstituem o coroamento e a
cosumação do agir divino neste mundo$ o ponto de c!egada para o 5ual tende a evolução
terrena con2orme o Plano de 7eus relativo ao mundo e 5ue no 2im !* de ser atingido
mediante uma nova intervenção$ poderosa e grandiosa de 7eus. O ob3eto de pes5uisa da
escatologia são precisamente estas mani2estaç1es divinas$ 5ue podemos 5uali2icar
tamb4m como consumação de2initiva ativa$ e os e2eitos 5ue da8 pro2uem para o !omem e
o universo inteiro$ consumação passiva0MC=N.
Ve3amos agora alguns e;emplos de teologias pensadas claramente nesta &tica
escatol&gica.

a/ ?end)ncias da teologia escatol&gica

1b S Escatologia conse5Zente
% c!amada escatologia conse5uente +Jo!annes \eiss$ %lbert Gc!^eit'er$ @artin
\erner/ - 2oi citada de certa 2orma 3* - entende 5ue Jesus não apenas anunciou o Veino
de 7eus para um 2uturo pr&;imo$ mas ele mesmo esperava este irromper imediato do
Veino no mundo. % comunidade primitiva conservou esta esperança. <om a protelação
da parusia$ o an#ncio do Veino de 7eus 2oi desescatologi'ado e trans2ormado - sob
in2lu)ncia !elen8stica - num sistema dogm*tico e moral. O cristianismo !ist&rico-
dogm*tico est* pois em contraste com a pregação escatol&gica do Jesus !ist&rico.
Cb S Escatologia reali'ada
<.B. 7odd interpreta 5ue o Veino de 7eus 3* se reali'ou na morte na cru' e
ressurreição de Jesus. <om isso a reali'ação 3* est* iniciada e o 2im dos tempos
concretamente começado.
-b S Escatologia transcendental-atual
Rma reelaboração da teologia sob o ponto de vista da escatologia 5ue certamente
mais marcou a re2le;ão posterior 2oi a de ]. Bart!. Para ele 9um cristianismo 5ue não 4
em tudo e por tudo e sem ressalvas escatologia$ nada tem a ver com <risto0M-EN %
esperança escatol&gica cristã não est* ligada teleologicamente +em termos de 2inalidade/
ao 2im dos tempos e da !ist&ria$ mas 4 a e;pressão da dial4tica radical entre tempo e
eternidade. :esta dial4tica 2ica clara a proposta divina$ por um lado$ e os passos
!umanos em direção O auto-reali'ação$ por outro. O !umano não camin!a assim do 3*
reali'ado para o não reali'ado$ em 2orma linear na !ist&ria. % eternidade ou a reali'ação
divina irrompe na !ist&ria em v*rios momentos$ colocando o !umano radicalmente em
crise$ mas sendo ao mesmo tempo limite e orientação para o !umano.
Wb S Interpretação e;istencial da escatologia.
Para V. Bultmann +a 1=,./ tanto a id4ia de uma parusia temporal imediata$ como
a id4ia de um 2im do mundo !ist&rico e c&smico$ são id4ias de uma cosmovisão m8tica
ultrapassada. Para ele$ uma compreensão correta s& 4 poss8vel atrav4s de uma
desmitologi'ação. P algo di28cil de ser 2eito$ mas para ele o conte#do da escatologia s&
pode ser entendido numa interpretação e;istencial. Ou se3a$ a mensagem de Jesus 4 um
c!amado O decisão e com isso O especi2icidade +Eigentlic!keit/$ propriedade$
genuinidade de min!a e;ist)ncia mesma. O encontro com Jesus +a decisão positiva/
coloca-me 3*$ a5ui e agora no 2im do mundo e viver nesta decisão 4 viver então como
nova criatura. Por isso os acontecimentos escatol&gicos não podem ser entendidos como
!ist&rico-ob3etivos$ nem como emp8rico-cient82icos$ mas sim como acontecimentos de
24$ de decisão$ e da8 e;istenciais. Jesus <risto 4 o 9acontecimento escatol&gico0.
Yb S Escatologia na tensão entre o 03*6 e o 0ainda não6
Rma interpretação 5ue tamb4m 2e' e 2a' !ist&ria 4 a de Oskar <ullmann. Geu
ponto de partida 4 a compreensão de salvação como !ist&ria. Gegundo ele$ os evangel!os
mostram 5ue a salvação 3* começou na !ist&ria. Por isso Jesus$ segundo Qucas$ 4 o
centro +meio/ da !ist&ria ou tempo +@itte der _eit/. % partir de Jesus <risto de2ine-se a
!ist&ria. % partir dele a salvação 3* est* presente na !ist&ria. % ressurreição de Jesus 4 a
garantia de nossa ressurreição 2utura. Em uma compreensão linear da !ist&ria$ <ullmann
a2irma a mani2estação da salvação em etapas sucessivas$ como revelação de 7eus. O
cristão portanto vive entre o 93* reali'ado0 e o 9ainda não reali'ado0$ de modo 5ue a
escatologia tem ligação com acontecimentos do tempo e da !ist&ria.
.b S % interpretação !ist&rico-universal de \. Pannenberg.
Os acontecimentos !ist&ricos são parte do 5uadro da !ist&ria universal. ?anto os
acontecimentos de min!a vida$ de nossa sociedade e !ist&ria$ como tamb4m os da vida
de Jesus são momentos-partes 5ue comp1em esta !ist&ria universal no 5ual se
en5uadram. % complementação do 5uadro s& se dar* no 2im dos tempos. :a ressurreição
de <risto temos por4m uma prolepse +Vorkosten$ antecipação/ do 5uadro 2inal. <om isso
esta perspectiva de esperança 4 uma resposta do ser !umano em sua pergunta pelo
sentido.
,b S Interpretação transcendental evolucionista.
<om o distanciamento !avido entre 24 e ci)ncia$ o cientista e te&logo Pierre
?eil!ard de <!ardin +a1=YY/ apresentou sua teoria como uma grande conciliação entre
24$ ci)ncia e t4cnica. Para ele o cosmos est* marcado pela id4ia da evolução
cosmogenese +surgimento do cosmos/$ geogenese +surgimento da terra/$ biog)nese
+surgimento da vida/ e noog)nese +surgimento do esp8ritoUintelig)ncia/. <ada etapa da
evolução sup1e a anterior e a leva a um ni8vel de maior per2eição. @esmo a !ist&ria
!umana tamb4m 4 um cont8nuum evolutivo. Esta evolução converge para um ponto 5ue
uni2ica tudo$ o 5ue ?eil!ard de <!ardin c!ama de 9ponto Kmega0$ 5ue 4 a reali'ação$ a
coroação de toda a evolução. E recon!ece em <risto este ponto Kmega$ na lin!a do te;to
de Paulo aos <olossenses 9por5ue nele 2oram criadas todas as coisas$ nos c4us e na
terra$ as vis8veis e as invis8veis... ele 4 a cabeça$ ... ele 4 o princ8pio... %prouve a 7eus
2a'er !abitar nele a plenitude e por ele reconciliar tudo para ele0 +1$1.-CE/. Para ?eil!ard
de <!ardin$ 9toda !ist&ria do mundo 4 um grande processo de Icristi2icaçãoJ$ a
noog)nese desemboca na Icristog)neseJ0M-1N. Este pensamento de ?eil!ard de <!ardin$
5ue !o3e recon!ecemos ter sido e;tremamente otimista em relação O ci)ncia e O t4cnica$
desencadeou um processo de di*logo entre ci)ncia de 24 de 2orma muito positiva. %l4m
disso in2luenciou muitos pronunciamentos da Igre3a$ principalmente posiç1es das
decis1es do <onc8lio Vaticano II.
>b S ?ranscendentali'ação da !ist&riaL
]. Va!ner +1=>W/ tentou em sua escatologia englobar tanto a tradição da
escatologia na !ist&ria +reali'ação a5ui @ar;/$ como a reali'ação na transcend)ncia e
pergunta-se O mundo$ no 5ual o ser !umano trabal!a e cria$ 4 apenas o lugar material
5ue o coloca O prova e depois$ 5uando da reali'ação do Veino de 7eus de2initivo$ este
mundo não mais interessa$ ser* 93ogado 2ora0$ ou ele tamb4m ser* trans2ormado para o
Veino de 7eus de2initivoL Isto e5uivale a perguntar se somos tamb4m co-autores de algo
da de2initividade. ]. Va!ner não responde O 5uestão$ pelo contr*rio$ 2i;a sua posição
3ustamente nesta dial4tica. O Veino de 7eus de2initivo precisa ser entendido como ato
divino$ 5ue p1e 2im O !ist&ria$ mas pode per2eitamente ser pensado como ato 5ue
transcendentali'a a !ist&ria. O ato divino não precisa necessariamente ser entendido
como 5uebra da !ist&ria$ pode tamb4m ser entendido como um assumir$ conservar$
trans2ormar e de2initi2i'ar da !ist&ria !umana +terrenaUc&smica/. <om isso a esperança
de 2uturo !ist&rico e a esperança de 2uturo absoluto não podem ser con2undidas$ mas
tamb4m não podem ser separadas. E mesmo o 2uturo !ist&rico$ por mais 5ue ele se3a
plane3ado ou plane3*vel$ ele nunca est* totalmente O disposição deste plane3amento.
Gempre resta uma parte de d#vida$ de não-controlabilidade e nisso v) Va!ner um sinal
de 5ue no 2uturo !ist&rico$ tamb4m se mostra 3* presente a indisponibilidade +não
podemos dispor/ do 2uturo absoluto. <om isso recai sobre a teologia uma dupla 2unção
por um lado impulsionar utopias !ist&ricas$ por outro lado recordar a todas as utopias
!ist&ricas per2eccionistas a sua caducidade em relação ao 2uturo absoluto$ a tare2a de
lembrar a 9docta ignorantia 2uturi0.
=b S ?eologia da esperança
Outra teologia claramente impulsionada pelo redimensionar da escatologia 4 a
c!amada 9?eologia da esperança0$ 2ormulada por JZrgen @oltmann +c1=C./. Para ele 4
preciso constatar 5ue a B8blia est* 9c!eia at4 a borda de esperança messi(nica de 2uturo
para a terra0M-CN. Esta esperança 2oi por4m es5uecida por muito tempo na tradição de 24$
pelo 2ato de termos colocado a esperança num 2uturo no al4m. @oltmann critica
duramente a posição e;istencialista de Bultmann$ por ac!ar 5ue ela não re2lete a ess)ncia
!umana. Ele apro;ima-se da posição de ?eil!ard de <!ardin$ ao 2a'er uma apro;imação
entre a 24 cristã e a esperança para este mundo. :ão v) por4m a esperança para este
mundo ligada O ci)ncia ou O t4cnica$ mas sim O 92idelidade de 7eus O palavra da
promessa0. % promessa de 7eus est* na base da esperança. Pode-se aprender da !ist&ria
de Israel$ como a promessa de 7eus abriuUpossibilitou esperanças !ist&ricas. :a
ressurreição do cruci2icado$ a 24 9viu0 o 2uturo em Jesus <risto$ não por4m o 2uturo da
eternidade$ mas sim o 2uturo da terra$ pois 4 nela 5ue estava 2incada a cru' de Jesus. Para
@oltmann$ a redescoberta desta esperança tem conse5Z)ncias claras para o
relacionamento entre 24 e sociedade$ pois esta esperança permite - e mais 5ue isto
impulsiona - sempre novos );odos das situaç1es de não-liberdade.
1Eb S ?eologia pol8tica
Tuem desenvolveu praticamente o mesmo en2o5ue 5ue @oltmann$ vendo uma
conse5Z)ncia clara entre 24 e sociedade$ por causa da escatologia$ 2oi o te&logo cat&lico
J. B. @et'$ com sua 9?eologia pol8tica0$ 5ue ele entende como 9uma tentativa de
2ormular a mensagem escatol&gica dentro das condiç1es da sociedade atual0M--N. %
escatologia não deve ser entendida nem a n8vel cosmol&gico$ nem e;istencial$ mas sim
pol8tico. 9% esperança cr8tico-criativa 5ue acompan!a a escatologia re2ere-se ao mundo
como sociedade e Os 2orças trans2ormadoras nela contida0M-WN. O reino prometido não 4
algo para um 2uturo long8n5uo$ mas 4 uma tare2a para o !umano$ 5ue 4 c!amado a ser
cooperador na construção deste reino de pa' e 3ustiça. Por isso as grandes utopias
pol8tico-sociais-t4cnicas são temas pelos 5uais a escatologia se interessa. Ge talve' num
primeiro momento @et' ten!a se mostrado demasiadamente otimista 5uando O
possibilidade de uma sociedade mais 3usta e pac82ica como sinais do reino$ mais tarde ele
acentua mais a 9reserva escatol&gica0 +ressalva escatol&gica$ esc!atologisc!er
Vorbe!alt/$ a estar presente em toda utopia socio-pol8tica.
11b S ?eologia da libertação
?anto a 9?eologia da esperança0 como a 9?eologia pol8tica0 tiveram uma certa
in2lu)ncia na compreensão escatol&gica desenvolvida pela ?eologia da Qibertação$ com
seus impulsos para uma ligação entre 24 e sociedade. O 5ue caracteri'a por4m
ma;imamente a re2le;ão escatol&gica na ?eologia da Qibertação 4 o con2ronto
teoriaUpr*;is. Ge um @oltmann ou um @et' 2alam das implic(ncias sociais e pol8ticas
necess*rias duma compreensão !ist&rica da escatologia$ a5ui esta implic(ncia 2oi
submetida ao crivo da pr*;is e a re2le;ão passou a ser um passo posterior ao con2ronto e
5ue ao mesmo tempo o impulsiona. %ssim viu-se a implic(ncia estreita entre libertação
do !umano e crescimento do Veino de 7eus. Rm 4 condição para o outro. 9O Veino de
7eus não pode crescer sem iniciativas !ist&ricas de libertação$ e o processo de libertação
ir* superar 2inalmente as ra8'es da opressão com o advento do Veino0 +X. Xuti4rre'/M-YN.
Ou como di'em Q. e <. Bo22$ 9a cidade santa$ a nova Jerusal4m 5ue desce do c4u +c2. %p
C1$C/$ s& pode assentar-se na terra$ se os !omens$ imbu8dos de 24 e de pai;ão pelo
Evangel!o$ unidos a todos os sedentos e 2amintos de 3ustiça$ l!e tiverem criado as
disposiç1es !umanas e condiç1es materiais. G& então a terra não ser* outra terra e o c4u
outro c4u$ mas sim$ novo c4u e nova terra. O vel!o com suas opress1es ter* passado. O
novo ser* dom de 7eus e con5uista do es2orço !umano. <ontinuar* na eternidade o 5ue
se iniciou na !ist&ria o Veino dos libertos$ como irmãos e irmãs$ na grande casa do
Pai0M-.N. % esperança escatol&gica 4 tradu'ida em esperanças !ist&ricas 9?radu' a
esperança escatol&gica do Veino da plena liberdade dos 2il!os de 7eus em esperanças
!ist&ricas no (mbito pessoal$ social$ da sa#de$ do trabal!o$ da cultura. % pequena utopia
de todos comerem pelo menos uma ve' ao dia$ a grande utopia de uma sociedade sem
e;ploração e organi'ada na participação de todos e 2inalmente a utopia absoluta da
comun!ão com 7eus numa criação totalmente redimida !abitam o coração da5uele 5ue
se compromete por uma libertação integral0M-,N. Gempre acentuou-se$ por4m$ na
?eologia da Qibertação +?dQ/ 5ue a reali'ação 2inal não 4 produto !umano$ mas presente
divinoM->N. ?odo este en2o5ue da ?dQ 2oi acompan!ado por uma redescoberta e resgate
de temas b8blicos como );odoUlibertação da escravidão-opressão$ e;8lio
babilKnicoUpris1es-torturas-ditaduras-e;8lio$ Veino de 7eusUlibertação integral.

b/ % escatologia dentro da teologia

<om esta recolocação do sentido da escatologia$ 2icou claro$ 5ue ela dei;ou de
ser um tema dentro da teologia$ para se tornar cada ve' mais uma perspectiva$ uma &tica
dentro da 5ual se 2a' teologia. 7e modo 5ue o predicado 9escatol&gico0 não 4 pertinente
apenas para 9as #ltimas coisas0 +ta escata/$ no sentido das 9realidades do p&s-morte0$
mas 4 sobretudo O re2le;ão sobre a revelação de nosso 7eus mesmo sob o ponto de vista
de sua decisão de2initiva$ de seu passo de2initivo em prol da salvação do !umano. Em
Jesus <risto$ 7eus voltou-se$ veio de encontro como !ori'onte$ como conte#do e como
reali'ação O e;ist)ncia !umana de 2orma de2initiva - isto 4 então escatologicamente.
<om a revelação de 7eus - e com isso pensamos de modo especial na revelação
de2initiva em Jesus <risto - o 5ue se mostra presente de 2orma embrion*ria 3* com a
criação$ 4 levado ao seu 2im$ a seu ob3etivo. O 7eus da criação 4 pois o 7eus da
reali'ação de2initivaUdo sentido #ltimo da criação. <omo est* no livro do pro2eta Isa8as
9Eu$ o Gen!or$ sou o primeiro e continuo a s)-lo tamb4m com os #ltimos0 +W1$W/D ou no
:ovo ?estamento nas palavras do %pocal8pse 9:ão temas$ eu sou o primeiro e o #ltimo$
o vivente$ estive morto$ mas eis 5ue vivo pelos s4culos dos s4culos0 +%p 1$1,-1>/D ou
ainda numa outra e;pressão do %pocal8pse 9Gou o %l2a e o dmega$ o Primeiro e o
eltimo$ o Princ8pio e o Aim0 +%p CC$1-/.
O 5ue di'8amos anteriormente - 5ue a escatologia tornou-se um 92io condutor0 a
re-ligar toda a teologia$ a dar a todos os tratados um sentido unit*rioD 5ue a escatologia 4
o !ori'onte de toda a teologiaD 5ue 4 o !ori'onte de c4us-e-terra - 2ica agora claro
5uando a2irmamos 5ue 7eus mesmo se revela como sendo escatologia$ como 2im
de2initivo da criação.
% escatologia passou a ser uma &tica para a teologia isto não 4 neologismo
teol&gico$ mas sim a conse5Z)ncia l&gica para o pensamento teol&gico$ pois a
escatologia$ assim vista$ 2orma o princ8pio da estrutura da revelação 7eus 5ue mostra-se
+re-vela-se/ como c!amado ao sentido +ou$ dito de outra 2orma$ como resposta de2initiva
O pergunta pelo sentido/.

aa/ Entre ?eologia da <riação e <ristologia

E sendo pois 9princ8pio da estrutura da revelação0$ o tema escatologia não pode
ser situado senão entre ?eologia da <riação e <ristologia. E;plico ?eologia da <riação
como re2le;ão do 7eus 5ue sai de si$ 5ue possibilita$ 5ue cria. % criação$ pois$ como
e;pressão da mais primordial 2orma de comunicação de 7eus. E a encarnação de 7eus
em Jesus <risto como a 2orma #ltima$ de2initiva da comunicação de 7eus com a criação.
Aalar de revelação 4 pois 2alar de escatologia e 2alar da presença revelada de 7eus 4
a2irmar a escatologia presente.
Escatologia 4 concreção da ?eologia da <riação$ isto 4$ ?eologia da <riação
levada O sua conse5Z)ncia #ltima$ 5ue 4 o 9e2eito encarnação0 com todas as suas
implic(ncias nascimento$ vida$ morte e ressurreição de Jesus <risto. E da mesma 2orma
como criação não 4 um processo acabado$ 4 um constante devir$ 5uando di'emos
escatologia presente$ de modo algum isto 2ec!a a sua dimensão 2utura$ pelo contr*rio$ a
presencialidade da escatologia 4 3ustamente esta aberturaUc!amado ao 2uturo$ ou$ usando
a linguagem de Qeonardo e <lodovis Bo22$ a escatologia presente 4 5ue possibilita a
união das pe5uenas utopias 5ue vão se concreti'ando e 5ue são por um lado sinais 5ue
apontam para a utopia absoluta da comun!ão em 7eus e por outro lado são poss8veis
3ustamente por5ue impulsionadasUinspiradas pela utopia absoluta. Escatologia presente 4
- e no !ori'onte da !ist&ria permanece sempre - abertura$ impulso ao 2uturo. E o 2uturo$
para usar a e;pressão de ?eil!ard de <!ardin$ 4 um camin!o 5ue vai desembocar na
9cristi2icação0. P como 5ue di'er 5ue vivemos em condição permanente de 0saudade do
2uturo6$ não por 3* o termos e;perimentado$ mas por o termos visuali'ado +ver reali'ado/
em Jesus <risto.
Para uma re2le;ão cristã de escatologia$ de pergunta pelo destino e sentido
#ltimo$ são necess*rios pois estes dois !ori'ontes a teologia da criação$ 5ue v) o todo da
criação como um ato de auto-comunicação de amor de 7eus +a criação 4 a e;pressão de
7eus 5ue sai de si/$ e a cristologia$ vendo em Jesus <risto o 7eus 5ue participa desta
comunidade criada como convite para lev*-la O origem do sentido$ superando todo
absurdo e negatividade 5ue impeçam a instauração do sentido.
Ge 5uisermos levar a s4rio a encarnação$ não podemos tom*-la somente no
evento 9ressurreição0. Geria tomar a encarnação de 2orma parcial. ?oda a vida de Jesus$
seu nascimento$ sua pregação$ sua ação$ sua morte e ressureição precisam ser levados em
conta. 7a mesma 2orma$ em termos de escatologia$ de pergunta pelo sentido #ltimo
tra'ido em Jesus <risto$ não podemos 2icar apenas no signi2icado da ressurreição. %
vida$ a pregação +Veino dos c4us/$ a ação$ a morte e ressurreição em seu todo tem um
signi2icado escatol&gico. Em seu todo aponta para uma re-ligação com a origem do
sentido. Em Jesus$ a reali'ação das pe5uenas utopias$ o curar um cego$ o trans2ormar
*gua em vin!o$ o e;pulsar um demKnio$ tamb4m 2a'em parte integrante de Jesus <risto
como a reali'ação da grande utopia da superação da morte pela ressurreição$ 2a'em parte
desse 0em seu todo6.
Por outro lado$ este 9em seu todo0 tamb4m se re2ere O nossa condição. ?amb4m
nossa realidade$ em seu todo$ 4 atingida por este apontar$ re-ligar com a origem do
sentido. :ossas 0pe5uenas utopias6 não são dissociadas da grande utopia de reali'ação
plena de sentido.

bb/ 7imens1es da Escatologia individual$ eclesiol&gica$ universal

Escatologia$ busca pelo sentido #ltimoUabsoluto$ nos envolve em todas as
dimens1es nos envolve como indiv8duos$ como comunidade no discipulado e como um
todo !umanidadeUcriação. 7imens1es estas 5ue estão ora mais$ ora menos claramente
presentes 5uando 2alamos de escatologia$ mas 5ue são irredut8veis neste encontro
!umano-divino no 5ual 4 gerada a pergunta pelo destino.
% n8vel individual mostra-se sem d#vida a pergunta pelo sentido o e;tremo de
sua dramaticidade. % este n8vel ela nos atinge$ 5uer 5ueiramos ou não. % este n8vel não
podemos escamotear$ pelo menos não perante n&s mesmos. <ada 5ual con2ronta-se com
a pergunta pelo sentido$ pelo ob3etivo de sua e;ist)ncia$ se3a esta pergunta 2eita aberta e
diretamente$ se3a ela advinda atrav4s do pro3eto de vida 5ue cada 5ual persegue. E não 4
assim 5ue perante a pergunta pelo sentido$ pela origem e principalmente pelo 2im$
se3amos t*bula rasa estamos dentro de uma cultura e de um conte;to 5ue nos con2ronta
com uma s4rie de respostas. Para n&s$ temos 5ue recon!ecer 5ue estamos dentro dum
conte;to cultural$ onde a resposta cristã 4 uma presença. E 3ustamente talve' pela
pregn(ncia desta resposta cristã em nosso conte;to$ muitas respostas o são
simplesmente$ sem serem +ou terem sido/ para n&s perguntas. :&s absorvemos a
resposta cristã presente em nosso conte;to 5uase 5ue com o leite materno$ 2omos
sociali'ados dentro deste mundo de sentido. :ão estamos pois con2rontados com a
dramaticidade primitiva desta pergunta$ mas de 2orma alguma estamos ilesos dela. O
con2ronto não se d* tanto a um n8vel de produção de sentido para responder O pergunta
pelo destino$ mas sobretudo ao n8vel do con2ronto pessoal com uma o2erta de sentido$
um con2ronto pessoal com a resposta cristã pelo sentido. <oncretamente o 5ue acontece
4 um con2ronto pessoal com a revelação de 7eus na !ist&ria$ isto 4$ um con2ronto com
uma o2erta de sentido$ com o convite desta revelação a assumir um sentido promete levar
O reali'ação plena$ O unidade de2initiva com 7eus$ em uma palavra$ ao c4u. E este
con2ronto não 4 uma 5uestão te&rica. :ão est* em 5uestão uma opinião$ mas sim o
destino pessoal. E isto 4 5ue tra' uma dramaticidade a cada indiv8duo.
Este con2ronto com a pergunta pelo sentido e a resposta positiva dada não esgota-
se a n8vel pessoal. B* nela uma dimensão conte;tual comunit*ria. <omo assinalava-se
acima$ estamos dentro de um conte;to de resposta cristã. <oncretamente$ dentro de um
conte;to de comunidade de crentes$ comunidade eclesial. Por causa desta resposta de
sentido a comunidade eclesial prop1e-se a ser tanto guardiã deste sentido +garantir 5ue
este sentido se3a conservado/ como tamb4m de 2orma e;pressa$ mani2estação desta
resposta de sentido e possibilitadora deste encontro de sentido. % comunidade eclesial$ a
Igre3a$ 4 - como a2irma a Qumen Xentium - 9sacramento ou o sinal e instrumento da
8ntima união com 7eus e da unidade de todo o g)nero !umano0 +QX 1/. Pelo 2ato de
entender desta 2orma a sua missão a Igre3a con2ronta-se pois$ constantemente$ com a
5uestão escatol&gica e entende-se ela mesma - pelo menos como sinal - parte das
esc!ata.
Esta pergunta pelo des8gnioUdestino 2inal 4 uma 5uestão 5ue não nos toca apenas
como indiv8duos ou como comunidadeUconte;to 5ue cr) em uma resposta de sentido$
mas di' respeito O pergunta pelo des8gnio da !umanidade e do universo como um todo. E
a resposta cristã tamb4m não 4$ da mesma 2orma$ uma resposta 5ue se restrin3a ao
ind8viduo ou comunidade de crentes$ mas sim uma resposta de pretenção para toda a
!umanidade +9Então não !aver* nem 3udeu nem grego$ nem b*rbaro nem cita$ nem
escravo nem livre$ mas somente <risto 5ue ser* tudo em todos0 como di' Paulo aos
colossenses -$11/ ou para todo o universo +c2. 1<or 1Y$C,/. <om isso a pergunta pelo
destino comum tem a capacidade de colocar a !umanidade toda num n8vel acima das
divis1es$ pois 2rente O realidade #ltima - se3a ela 5ual 2or - as nossas divis1es serão
apenas detal!es.



M1N Q. Bo22$ Vida para al4m da morte$ CE.
MCN <2. J. Aeiner U @. Qoe!rer +org./$ @Hsterium Galutis$ Vol. VU-$ 7o tempo para a eternidade$ ,.
M-N O 0@anual de 7ogm*tica6 +Editora Vo'es/ organi'ado por ?. Gc!neider$ por e;emplo$ divide o tratado
da escatologia em 0I. <onsumação do @undo6 e 0II. <onsumação do indiv8duo6.
MWN <2. %. Gampaio Evangelista$ Pela Galvação de min!a alma +tese de doutorado/. RAJA$ CE1E.
MYN ]. Va!ner$ 0?!eologisc!e Prin'ipien 'ur Bermeneutik esc!atologisc!er %ussagen6$ Gc!ri2ten IV$ W1Ys.
M.N B. R. von Balt!asar$ Gki''en der ?!eologie I$ C>C.
M,N Ve3a a respeito Q. Bo22$ O destino do !omem e do mundo$ -E--1.
M>N :este sentido 4 tamb4m muito interessante a colaboração de <. @esters em Para8so ?errestre$ saudade
ou esperança.
M=N <2. Q. Bo22$ Vida para al4m da morte$ CC.
M1EN Q. Bo22$ Vida para al4m da morte$ C-.
M11N J. B. Qib(nio trabal!a um pouco esta 5uestão do imagin*rio popular a respeito da escatologia. <2. J.
B. Qib(nio U @. <. Bingemer$ Escatologia <ristã$ ->-Y,.
M1CN Q. Aeuerbac!$ % Ess)ncia do <ristianismo. Petr&polis$ Vo'esCEE,$ p. 1>>
M1-N ]. @ar;$ _ur ]ritik der Begelsc!en Vec!tsp!ilosop!ie$ 1=W-UWW. %5ui citado por X. Q. @Zller$
]at!olisc!e 7ogmatik - AZr Gtudium und Pra;is der ?!eologie$ +Berder$ Areiburg$ 1==Y/ YC,.
M1WN A. :iet'sc!e$ %ssim Aalava _aratustra. Petr&polis Vo'es$ CEE,$ p. 1=.
M1YN Ve3a a respeito o interessante conceito Xaia$ a terra toda como um s& organismo vivo. <2. Q. Bo22$
Ecologia grito da terra$ grito dos pobres$ -Ys.
M1.N Para a resposta de J. @oltmann ao 2im da !ist&ria ve3a a contribuição dele em J. @oltmann U X.
:enning U A. Gcorlemmer U B. Gtau2enberg$ 7ie AlZgel nic!t stut'en - \arum ^ir Rtopien brauc!en$
Patmos$ 7Zsseldor2 1==Y.
M1,N @. Gc!maus$ % 24 da Igre3a$ vol. . Justi2icação do Indiv8duo$ 1Y-.
M1>N @. Gc!maus$ % 24 da Igre3a$ vol. . Justi2icação do Indiv8duo$ 1YW.
M1=N <2. Qumen gentium W>-YE.
MCEN Qumen gentium W>.
MC1N <2. Q. <. Gusin$ %ssim na terra como no c4u$ CY.
MCCN Q. Bo22$ Ecologia Xrito da terra$ grito dos pobres$ 1-W.
MC-N <2. Q. <. Gusin$ %ssim na terra como no c4u$ CW-CY
MCWN Q. <. Gusin$ %ssim na terra como no c4u$ C1-CC.
MCYN % obra 5ue 2e' para a ?eologia latino-americana esta passagem de uma escatologia ameaçadora para
uma escatologia da esperança 2oi sem d#vida o livro de Q. Bo22$ Vida para al4m da morte. <2. J. B. Qib(nio
U @. <. Bingemer$ Escatologia <ristã$ ,E.
MC.N <2. J. Aeiner U @. Qoe!rer +org./$ @Hsterium Galutis$ Vol. VU-$ 7o tempo para a eternidade$ .C-.-.
MC,N <itado por X. Q. @Zller$ ]at!olisc!e 7ogmatik$ YC= e Q. <. Gusin$ %ssim na terra como no c4u$ 11.
MC>N <2. J. Aeiner U @. Qoe!rer +org./$ @Hsterium Galutis$ Vol. VU-$ 7o tempo para a eternidade$ .W.
MC=N %5ui citado por J. Aeiner U @. Qoe!rer +org./$ @Hsterium Galutis$ Vol. VU-$ 7o tempo para a
eternidade$ ...
M-EN <itado a5ui por J. Aeiner U @. Qoe!rer +org./$ @Hsterium Galutis$ Vol. VU-$ 7o tempo para a
eternidade$ .Y.
M-1N <itação tradu'ida a5ui de A.-J. :ocke$ Esc!atologie. In Bandbuc! der 7ogmatik$ Vol. C$ WEW.
M-CN <itação tradu'ida a5ui de A.-J. :ocke$ Esc!atologie. In Bandbuc! der 7ogmatik$ Vol. C$ WE,.
M--N <itação tradu'ida a5ui de A.-J. :ocke$ Esc!atologie. In Bandbuc! der 7ogmatik$ Vol. C$ WE>.
M-WN Id. ibid. WE>.
M-YN Id. ibid. WE=.
M-.N < e Q. Bo22$ <omo Aa'er ?eologia da Qibetação$ Petr&polis$ Vo'es +
-
1=>./$ 1-C.
M-,N Id. ibid.$ 1-1-1-C.
M->N Embora ten!a !avido acusaç1es contra a ?dQ di'endo 5ue esta substiu8a a salvação +divina/ pela
libertação +terrena/.

!ttpUUvolneH-berkenbrock.comUsiteUinde;.p!pL
option"comfcontentgvie^"articlegid">Cescatologia-1a-partegcatid"WWte;tos-
seletos-artigosgItemid",1