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MATRIX – UMA INTERPRETAÇÃO

Muitas são as interpretações do já !ássio MATRIX dos ir"ãos
#a$o%s&i' E!e pode ser (isto tão so"ente o"o u" )ti"o ou então o"o u"
*aru!$ento +!"e de ação' Pode"os, entretanto, (er nesse +!"e "uito "ais do
-ue tiros e !utas "ariais' .á a!i so*retudo u"a pro*!e"ati/ação do -ue seja
propria"ente a rea!idade, -uestão +!os)+a seu!ar, tratada então o"
roupa0e" atua! e" "eio a u"a teno!o0ia de ponta1 !á, o en(o!(i"ento
pro2undo o" a in2or"átia, o"preendida, o"o espaço e" -ue se e3ere o
interesse pe!o on$ei"ento, propiia u"a di24i!, "as poss4(e! trans2or"ação
-ua!itati(a e irre(ers4(e! de (ida' Ao!$endo essa 5a"ada interpretati(a6 -ue
u!trapassa as "uito 2re-7entes rajadas de tiros do +!"e, (e" 8 tona, para
-ue" ou(ir, u" te3to *e" anti0o, o"o se 2osse e!e a 2a!ar a!i no(a"ente1 9 a
A!e0oria da a(erna de P!atão' O te3to do +!"e ape!a ta"*9" para a
atua!i/ação de outras rea!idades anti0as o"o 9 o aso do Oráu!o 0re0o de
Delphos re(isitado, ta! o"o (ere"os "ais adiante' A A!e0oria da a(erna 9
u" "ito in(entado por P!atão e" seu diá!o0o $a"ado A República e -ue
onsiste nu" reurso e3p!iati(o do proesso de resi"ento e
apro2unda"ento do $o"e"' U"a ta! situação re-uer u" $o"e" -ue esteja
disposto e seja orajoso por-ue e!e e2eti(a: e de+niti(a"ente se perde de
"odo radia! no a"in$o "es"o e" -ue enontrará seu pr)prio ru"o para a
sa*edoria, u"a sa*edoria de -ue" 9 iniiado' ;a"os 2a/er u"a apresentação
da A!e0oria e" !in$as 0erais e depois o"pará:!a o" o +!"e'
A A!e0oria, ontada por <)rates – a!0u9" -ue suposta"ente on$ee,
por e3peri=nia pr)pria a tra"a da $ist)ria –, di/ -ue $o"ens enontra":se
dentro de u"a a(erna, presos pe!o pesoço e pe!as pernas (endo apenas as
so"*ras do -ue se passa 8s suas ostas, so"*ras estas possi*i!itadas pe!a
!u"inosidade de u" 2o0o se"pre aeso -ue se enontra "ais atrás' >o"o
estão presos nu"a posição -ue s) !$es per"ite a estatiidade e (o!tados para
o 2undo da a(erna onde são projetadas as so"*ras, aredita" -ue estas são,
se" d?(ida, 5a6 rea!idade @eis a sua estatiidadeA' Tais prisioneiros, di/
<)rates, so"os todos n)s, de in4io, en-uanto ainda não o"eça"os nosso
proesso de eduação o -ua! s) pode se dar a partir de u"a ruptura repentina
e" re!ação 8-ue!a situação estátia, $eia de su+i=nia e rente de sa*er'
Bestrin$ando a a!e0oria, pode"os pere*er -ue de in4io e "uitas (e/es at9
tarde na (ida, aredita"os -ue esta"os se0uros @ou inse0urosA (i(endo u"a
rea!idade -ue ju!0a"os ser onstitu4da pe!as oisas -ue se passa" ou
aontee" i"ediata"ente, ao a!ane de nossas "ãos ou o!$os' Entretanto,
esse ponto de (ista depende de não ter"os apreendido o"o o Rea! 9 "uito
"ais -ue isso' <i", e!e e"er0e do -ue não a!ançare"os nuna ainda, ao
"es"o te"po -ue, parado3a!"ente, onreti/a:se e" tudo o -ue (i(e"os' Isto
si0ni+a -ue sua "ara, a!9" da intan0i*i!idade 9 a ines0ota*i!idade,
ao"pan$ada da surpresa a -ua! 9 preiso aprender a pere*er' <e0undo
a-ue!a pri"eira perepção de rea!idade, por9", aonteça o -ue aonteer de
a0radá(e! ou desa0radá(e!, e!a s) preisa reap!iar as atitudes já re0istradas
para ada aso e per"anee, assi", Cao"odada:satis2eitaD 8s opiniões -ue tão
s) reprodu/ so*re as oisas do "undo e pronto, se" surpresas' Bessa 2or"a,
não preisa pensar nada1 não preisa deidir so*re nada, não preisa a0ir,
orrer risos' Pode, entretanto, aonteer de a!0u9" não se satis2a/er "ais
o" as opiniões ou repostas prontas já dispon4(eis, não se satis2a/er "ais o"
suas atitudes' U"a ta! insatis2ação 9 o -ue pode ir preparando a-ue!a ruptura
apa/ de !i*ertar das orrentes do pesoço e das pernas' Bi/ a A!e0oria -ue 9
1
su*ita"ente, se" e3p!iação pr9(ia, -ue u" prisioneiro ro"pe suas a"arras e
(ira:se e o!$a para o -ue oorre atrás de suas ostas' A !u/ do 2o0o -ue
pro(oa(a as so"*ras no 2undo da a(erna !$e o2usa e 2a/ seus o!$os doere"
2orte"ente' Nesse "o"ento e!e tenta es-ui(ar:se da situação e" -ue se
enontra, tenta (o!tar atrás, pois o aontei"ento 9 por de"ais
deson2ortá(e!, "as já não 9 "ais poss4(e!, pois, não pode e(itar o 2ato tão
2orte de ter (isto a !u/' E -uando o deson2orto na e3ist=nia nos a!ançou
o"o u" raio 2u!"inante' Trata:se de u" deson2orto, u"a an0?stia,
a!ta"ente positi(os, por9", pois aorda", -ue" passa por isso, para a riação
@o parente "ais pr)3i"o da surpresaA, ?nia 2onte da -ua! pode"os o!$er
a!e0ria so*re essa Terra -ue $a*ita"os'
Não poder "ais aeitar "era"ente as opiniões ou atitudes orrentes
(e" de, de repente, já se estar (endo ou (i(endo de outro "odo ainda -ue
este "odo não seja de 2ái! ao!$i"ento no in4io da "eta"or2ose, pois 9
"uito di24i! dei3ar"os o on2ortá(e! $á*ito aparente"ente 52e!i/6 para nos
!ançar"os na (ida, se" "edo da não (entura' E3i0e ora0e" aeitar:se a
"udança o"o a!0o *e" "ais do -ue u"a "era pa!a(ra (a/ia' >o" e2eito, o
proesso de ao!$i"ento da trans2or"ação, "ais !on0o ou "ais urto,
aonteerá ine(ita(e!"ente, 8 "edida -ue tudo o -ue, desse "odo, se (i(er e
sentir, o 2or a partir dessa no(a e3peri=nia de "udança' Na A!e0oria isso
si0ni+a1 (er o" "ais nitide/, e ta! "aior !are/a 2ará o" -ue esse $o"e"
e" -uestão 0oste "ais de sua no(a e3peri=nia o" o "undo e a onsidere
"e!$or do -ue a-ue!a -ue e!e !e"*ra:se de ter (i(ido anterior"ente -uando
esta(a preso' A!iás, s) a0ora e!e pode sa*er -ue este(e preso' <) a0ora e!e
pFde 2a/er a e3peri=nia de prisão, a -ua! nuna "ais !$e a*andonará1 e!e
sa*e a0ora o -uanto para se"pre 9 preso, preso 8 sua pr)pria !i*erdade de
(er, de a(a!iar "es"o -ue seja e" re!ação a a!0o -ue não se te" eso!$a' Gá
os prisioneiros da a(erna se en0ana" 8 "edida -ue se aredita"
a*so!uta"ente !i(res na sua su+i=nia' A$a" -ue ter !i*erdade 9 poder
eso!$er entre oisas ou "es"o entre ruas a se0uir' Ba4 a 2antasia tão o"u"
de -ue o din$eiro, por si, tra/ a 2e!iidade, pois e!e a"p!ia o !e-ue das
eso!$as' Na A!e0oria, a-ue!e -ue (= o" "ais nitide/ e -ue (e" se tornando
ada (e/ "ais sa0a/, (ai se apro3i"ando da sa4da da a(erna at9 -ue e!e
+na!"ente sai da4, não se" antes u"prir u" ritua! de adaptação o!$ando
pri"eiro para a !u/ da !ua reHetida na á0ua, depois para a !u/ da !ua, depois
para a !u/ do so! reHetida na á0ua, depois para o pr)prio so!' Esse seria o
ponto "á3i"o de sa*edoria a atin0ir por a-ue!e -ue antes, a!e0oria"ente,
"es"o tendo (isão, en3er0a(a "a! no interior de u"a a(erna, ou seja, -ue
"es"o tendo ondições de aprender a aprender o "undo e" sua dinI"ia
ines0otá(e! – ta! o"o o so! a*unda e" i!u"inar tudo –, e o" todas as suas
surpresas, apenas aprendia a reprodu/ir o -ue !$e era passado o"o sendo
5o6 "undo' Na A!e0oria ainda 9 dito -ue a-ue!e -ue tri!$a esse a"in$o de
"aior es!arei"ento, retornando 8 a(erna para a!ertar para a possi*i!idade
de u" ta! perurso, está sujeito a so2rer, por parte dos -ue estão prisioneiros,
as "aiores a0ressões, a ponto de -uerere" pe0á:!o e "atá:!o @!ara a!usão ao
-ue de 2ato aonteeu a <)rates, ondenado a to"ar iuta pe!os idadãos de
AtenasA' <eu "edo da "orte 9 i"ensoJ Pois para nasere" para o "undo da
riação 9 preiso "orrere", ainda -ue si"*o!ia"ente, para o "undo -ue
e!es "es"os reon$ee" o"o "undo'
O +!"e MATRIX o"eça "ostrando o onHito entre u"a 2orça destruti(a
e repressora – representada pe!a po!4ia o"u" e u"a po!4ia espeia!
e3tre"a"ente s)*ria e a!u!ista – e outra 2orça uja apaidade
2
e3traordinária de a0ir e sa*er se de2ender dos ata-ues destruti(os nos !ança
de $o2re nu"a in(eross4"i! di"ensão do (irtua! @ou, o"o (ere"os, do Rea!A'
Nosso ju!0a"ento i"ediato raiona! pensa !o0o na $a*i!idade t9nia dos
e2eitos espeiais $oje e" dia no ine"a' U"a "u!$er so/in$a !uta ontra ino
$o"ens ar"ados, ao "es"o te"po, andando pe!as paredes e depois ainda
esapa dando sa!tos $u"ana"ente i"poss4(eis, para, por +", desapareer
"isteriosa"ente nu"a a*ine te!e2Fnia' Para -ue" s) 0osta de (er rea!is"o
e" tudo, in!usi(e no ine"a, já teria nessa pri"eira ena "oti(o o su+iente
para a*andonar a sa!a de projeções' Entretanto, se esperasse o
desen(o!(i"ento do +!"e e se se dei3asse !e(ar pe!a $ist)ria, poderia (er -ue
tais de"onstrações de in(erossi"i!$ança não são senão a apresentação da
"ais rea! apaidade $u"ana, a -ua! se enontra usua!"ente ador"eida e"
ada u" de n)s' A $ist)ria do +!"e "ostra o desen(o!(i"ento dessas
apaidades no persona0e" prinipa! $a"ado Neo, no"e esse -ue tradu/ido
si0ni+a1 5no(o6' O 5No(o6, a-ue!e -ue se"pre está se reno(ando, a "udança,
9 o persona0e" prinipa! do +!"e, prourado o"o sendo o eso!$ido a
resistir 8 repressão 8 !i*erdade dos $o"ens, os -uais estão, na-ue!e "o"ento
(i(endo no ano KLMM, on+nados no entro da Terra, prourando *ra(a"ente
se de2ender das 2orças "a-uini/antes -ue por $ora -uase estão a do"inar
todo o "undo' As "á-uinas, tendo entrado e" 0uerra ontra os $o"ens,
riara" u" siste"a de o"putador ujo no"e 9 Matrix -ue u!ti(a seres
$u"anos a +" de -ue e!es seja" o"o -ue pi!$as para a!i"entar
ener0etia"ente as "á-uinas, e!as pr)prias' Na Matrix, o ano 9 o de LMMM
@ano e" -ue o +!"e 2oi !ançadoA e os $o"ens (i(e" nor"a!"ente seus
a2a/eres e3ata"ente o"o no nosso ano a0ora de KNNO @e o"o e" -ua!-uer
outro ano e" -ue esse te3to 2or !idoA' Neo, -uando ainda (i(e na Matrix, a!9"
de ser u" 2unionário de u"a oneituada e"presa de softwares, 9 u"
hacker, ou seja, a!0u9" -ue dri*!a o siste"a, "as não s) isso, +a"os
sa*endo, no +!"e, -ue e!e *usa sa*er o -ue 9 esse siste"a1 5o -ue 9 a
MatrixP6' >o" erte/a, esse persona0e" não a$a -ue o -ue (i(e 9 o
su+iente' E!e proura por a!0o e para o*ter a-ue!a resposta, e!e anseia
entrar e" ontato o" u" outro hacker, 2a"oso por ser de $á "uito e
intensa"ente prourado pe!a po!4ia1 Morpheus, no"e "ito!)0io dado ao
5deus do son$o6' No +!"e, o 5<on$o6, isto 9, Morpheus, 9 o $e2e "aior da
resist=nia ontra as 2orças "a-uini/antes e e!e está enarre0ado de
enontrar justa"ente Neo – 5o No(o6 – a +" de prepará:!o para a sua tare2a
de sa!(ador da !i*erdade dos $o"ens'
O 5No(o6 e o 5<on$o6 se proura" reiproa"ente, "as não pode" se
enontrar se" a "ediação da persona0e" Trinity, isto 91 a 5Trindade6, a
di"ensão do 5<a0rado6' Por ser 0eradora do 5No(o6 – tendo aordado Neo – o
5<a0rado6 9, no +!"e, u"a "u!$er' E Trinity -ue pri"eiro entra e" ontato
o" e!e, despertando:o de seu sono inerte se" son$os, "a-uina!, o"eçando
a !e(á:!o para junto do 5<on$o6 rea!' Besde o "o"ento e" -ue seu pr)prio
o"putador o aorda e o"eça a 2a!ar o" e!e, Neo já não sa*e "ais se está
aordado ou dor"indo' Está, pois, dado o sa!to para o e3traordinário, -ue no
+!"e si0ni+a dar o sa!to para dentro do (erdadeiro Rea!, do "ais $u"ano' E
$u"ano !idar o" o deson$eido e son$ar' Qia su0erido, no +!"e, o -uanto
a "ara(i!$osa para2erná!ia in2or"átia pode possi*i!itar essa e3peri=nia ao
$o"e" e o -uanto isso 9 -ue si0ni+a propria"ente produção de
on$ei"ento1 o Rea! 9 o (irtua! e o (irtua! 9 o Rea!, ou seja, rea!idade não são
os 2atos -ue ostu"a"os onstatar, "as si" situações -ue i"p!ia"
deso*ertas, "anipu!ações a partir de oportunidades1 sa0aidade, o -ue
3
o"eça o" a d?(ida e o" o reon$ei"ento da i!usão e" -ue se (i(e'
>o"eço on2usoJ No +!"e, a partir do ontato o" o (erdadeiro Rea! @"as
-ue Neo ainda deson$ee o"o rea! – pois 9 a partir da Matrix -ue e!e está
aostu"ado a pensarA Neo so2re u" terr4(e! o2usa"ento, o "es"o da-ue!e
$o"e" -ue se so!ta na A!e0oria da a(erna' E!e já não sa*e o -ue 9 son$o e o
-ue 9 rea!idade' >o" e2eito, no +!"e, 9 o 5<a0rado6 -ue 2a/ despertar do sono
inerte, "as ainda outra "ediação 9 neessária para -ue o enontro entre o
5No(o6 e o 5<on$o6 se rea!i/e' Ruando Trinity está 2a!ando o" Neo atra(9s
do o"putador e aa*ou de di/er:!$e para se0uir o oe!$o *rano @a!usão
e3p!4ita 8 5A!ie no Pa4s das Mara(i!$as6 de Se%is >arro!A, a!0u9" *ate e"
sua porta, a!0u9" ujo no"e 9 Choi, ape!ido de 5choice6, pa!a(ra -ue
si0ni+a, e" in0!=s1 eso!$a' A 5Eso!$a6, pois, !$e *ate 8 porta e o on(ida
para sair' Neo a prin4pio reusa, "as -uando (= u" oe!$o *rano tatuado no
*raço da "enina -ue ao"pan$a Choi, deide -ue os se0uirá para onde
2ore"' Ruer di/er -ue para se aordar rea!"ente da !etar0ia de u"a (ida
"a-uini/ada, 9 neessário a deisão de tri!$ar u" a"in$o No(o, "es"o -ue
não se sai*a @e prinipa!"ente não se sa*endoA para onde e!e (ai !e(ar' E e!e
!e(ará ao 5<on$o6, o >$e2e do na(io !i*ertário, $a"ado Nabucodonosor,
no"e do I"perador *a*i!Fnio -ue on-uistou Gerusa!9", a Terra pro"etida' E
interessante !e"*rar ta"*9" -ue o no"e do !u0ar, no entro da Terra, onde
(i(e" os on+nados $o"ens naturais – não u!ti(ados pe!a Matrix – 9 <ião, ou
seja, o "es"o no"e da "ontan$a -ue representa Gerusa!9" @ta! o"o o
>oro(ado representa o Rio de GaneiroA' Biante de Morpheus, Neo será
o!oado "ais u"a (e/ na situação de eso!$a, -uando deidirá ontinuar
se0uindo este a"in$o -ue e!e ainda não sa*e onde dará' To"a, então u"a
p4!u!a -ue !$e per"ite 5atra(essar o espe!$o6 @"ais u"a a!usão 8 o*ra de
Se%is >arro!1 5A!ie atra(9s do espe!$o6A' At9 esse "o"ento, o sentido da
pa!a(ra !i*erdade, na (ida do persona0e" Neo si0ni+ou eso!$a, ar*4trio'
Bepois disso irá "udar radia!"ente, o"o (ere"os "ais adiante' At9 a-ui e!e
di/ não 0ostar de areditar e" destino já -ue não 0osta de rer -ue não 9 e!e
"es"o a 2a/er sua pr)pria (ida' A p4!u!a (er"e!$a en0o!ida propiia a
desone3ão da Matrix, o orte e, si"u!tanea"ente, a !oa!i/ação do orpo de
Neo e" "eio aos tri!$ões de $o"ens:pi!$as ador"eidos, u!ti(ados o"o -ue
e" asu!os rep!etos de u"a esp9ie de p!aenta' Bepois, então, de ser o"o
-ue de0!utido pe!o seu pr)prio espe!$a"ento, e!e ai @ainda
inonsiente"enteA e" si e está nu, desperto, sentado e" seu asu!o e preso
por (ários tu*os ao !on0o de todo o orpo' Ba4, u"a en0en$oa (oadora
enor"e so!ta pri"eiro o tu*o -ue o está prendendo 8 nua, ap)s o -ue, todos
os outros tu*os so!ta":se (io!enta"ente e 9 ta"*9" (io!enta"ente -ue seu
orpo perorre u" ana! at9 air nu" poço $eio dDá0ua donde 9 res0atado
pe!a na(e de Morpheus -ue !$e di/1 – Te" (indo ao "undo Rea!' Neo nase de
no(o, "as de u" nasi"ento, -ue de tão (io!ento -uase não se distin0ue da
"orte, sendo as pri"eiras pa!a(ras de Neo a per0unta1 – Estou "ortoP Ao -ue
esuta a resposta1 – Son0e dissoJ E!e sente ta"*9" dor nos o!$os1 – Por -ueP U
– Por-ue nuna os usou antes, !$e di/ Morpheus @n4tida a!usão 8 dor nos o!$os
da persona0e" da A!e0oria da a(ernaA'
Gá na na(e Nabucodonosor, $á pri"eiro u"a preparação de seu orpo,
de seus "?su!os, da 5iatri/ação6 dos ori24ios onde esta(a" presos os
tu*os do asu!o e" -ue e!e se enontra(a antes do no(o nasi"ento' >o"eça,
depois, a preparação de seu esp4rito' A"*as as preparações são neessárias já
-ue Neo terá -ue en2rentar a terri(e!"ente 2orte 2orça repressora ontra a
!i*erdade' Essa 2orça -ue, o"o já disse"os no in4io do te3to, 9
4
e3tre"a"ente s)*ria e a!u!ista, 9 representada, no +!"e, por tr=s a0entes
e" 2or"a $u"ana -ue podia" oupar o orpo de -ua!-uer $o"e":pi!$a:
prisioneiro, isto 9, de -ua!-uer u" -ue (i(a na Matrix o"o $o"e" o"u"
-ue se aredita !i(re @o"o era o aso, por e3e"p!o, de Neo en-uanto
2unionário da Megacortex ou o"o 9 o aso de -ua!-uer u" de n)s, -ua!-uer
passante e" u"a idade -ua!-uerA' Qia"os sa*endo -ue o a0ente $e2e tin$a
o"o no"e Sith, isto 9, o so*reno"e e" in0!=s -ue e" portu0u=s
orresponde ao 5<i!(a61 a-ue!e -ue 596 todos' Ruer di/er -ue a repressão 8
!i*erdade, pode estar e" -ua!-uer parte, a -ua!-uer $ora, sendo a perspeti(a
-ue oupa nossos orpos' Bepois de apresentar todos os tripu!antes,
Morpheus "ostra a Neo o -ue 9 a Matrix1 u"a ar"ação, u" pro0ra"a de
o"putador do -ua! os $o"ens en-uanto prisioneiros são apenas o"o pi!$as
-ue a!i"enta" o siste"a' E!e de in4io não aredita, so2re, ao "es"o te"po
-ue a$a tudo o -ue está (i(endo a0ora, a na(e, suas roupas, os 2uros e" seu
orpo a!0o "uito estran$o' ;=:se nu" *eo se" sa4da' Passa "a!' Ruando
aorda 2a/ a "es"a per0unta -ue a-ue!e $o"e" da A!e0oria da a(erna se
2a/ -uando se enontra o2usado pe!a !u/ e on2uso1 – Posso (o!tarP Ao -ue
Morpheus responde1 – Não' Mas, "es"o -ue pudesse, (o= (o!tariaP Qia
se" resposta'
A tripu!ação da na(e 9 o"posta por outros -uatro seres $u"anos
nasidos na Matrix, "as de!a !i*ertos1 Apoc, Switch, Mouse e Cypher, e por
dois seres $u"anos nasidos e" <ião1 Tank e Do!er' Apoc e Switch 2a/e" o
pape! de 0uardiões do 0rupo !i*ertário -uando e!e está na Matrix' Apoc 9
ape!ido de 5Apoa!ipse6, assi" o"o Switch -uer di/er e" in0!=s !i0ar e
des!i0ar1 e!es são o"o u" anjo ne0ro e u" anjo *rano -ue prote0e" a
$a"a (i(a da !i*erdade' Mouse 9 o no"e para o 0aroto -ue 2a/ os pro0ra"as
de o"putador @da4 seu no"eA os -uais são postos e" ação por Tank ujo
no"e !e"*ra a e3pressão in0!esa de a0radei"ento1 Thanks' A e!e todos estão
o te"po todo a0radeendo pe!os ser(iços, pe!o aprendi/ado -ue e!e
proporiona o"o operador dos pro0ra"as' Gá o no"e de seu ir"ão, Do!er,
-uer di/er 5son$ador6 e 9 a-ue!e so!iitado no +!"e no "o"ento espeia! de
adentrare" na Matrix para ire" (isitar o Oráu!o, $a"ado pe!os 0re0os de1
5o u"*i0o do "undo6, "o"ento esse da irradiação "ais pro2unda a -ue o
$e2e 5<on$o6 e os outros -ue o ao"pan$a" pode" ir' 5U"*i0o do "undo6 9
outro no"e para 5Ori0e"6' E o"o se 2osse o !i"ite de tudo, o 0rande
o"eço' E por-ue o Oráu!o seria no interior da MatrixP No interior do
pro0ra"a in(entado pe!as "á-uinasP Ta!(e/ por-ue o ?nio aesso -ue
pode"os ter ao 0rande o"eço de tudo seja atra(essando o onHito -ue tenta
o*struir esse o"eço' Eis a irradiação "ais pro2unda da -ua! 2a!a o
persona0e" Morpheus, a-ue!a a -ue pode nos !e(ar apenas o son$ador'
<o"ente e!e pode !e(ar 8 ori0e", ao Oráu!o -ue sa*e so*re tudo, tudo o -ue
aonteeu, tudo o -ue aontee e tudo o -ue aonteerá' Neo 9 do tipo -ue irá
0ostar ada (e/ "ais de estar a!i e do -ue e!e pode 2a/er e aprender na-ue!e
5espaço redu/ido da na(e6' Bi2erente de Cypher, outro tripu!ante e -ue será o
traidor do 0rupo' <eu no"e já di/1 9 ape!ido de "u#cipher, o !ado "au' Cypher
a$a -ue !i*erdade 9 a tota! insu*ordinação, o tota! !i(re:ar*4trio e o"o
e3iste a!i u" $e2e -ue 9 Morpheus, (=:se so"ente o"o peça de sua
"anipu!ação, se" onse0uir deso*rir nada -ue rea!"ente !$e di0a respeito,
nen$u" 5!u0ar6, onde possa e3erer e e3eritar a sua pr)pria 5!i*erdade6,
entendida por e!e o"o insu*ordinação' Gá os outros tripu!antes da na(e
!i*ertária, se" nuna desrespeitare" a $ierar-uia -ue 2a/ de ada u" o -ue
ada u" está sendo, são apresentados o"o $o"ens -ue se sente" !i(res'
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Morpheus nuna dei3a de ser o $e2e at9 "es"o para Neo -ue, na $ist)ria,
!$e 9 o"o -ue 5superior6' Pe!o ontrário, este $e0a at9 "es"o a sari+ar
sua (ida e" no"e da da-ue!e' A disussão -ue o +!"e apresenta e" torno da
-uestão da !i*erdade 9 *e" interessante e inusitada, pois esta"os
aostu"ados a pensá:!a apenas no n4(e! da o!oação de Cypher, ou seja, de
-ue !i*erdade si0ni+a 2a/er o -ue se -uer e pronto' ;e"os, entretanto, -ue a
-uestão 9 *e" "ais o"p!e3a'
Neo não te" sa4da, seu !u0ar no "undo a0ora 9 dentro de u"a na(e
2ria, "as (ai to"ando 0osto pe!as possi*i!idades de dese"pen$o e" !utar -ue
e!e não te" senão a!i dentroU e!e to"a 0osto pe!a Horação das (irtua!idades e
$a*i!idades -ue são suas e -ue e!e deson$eia e s) pFde on$eer a!i'
<o*retudo e!e deson$eia -ue a rea!idade 9 (irtua!idade a0ora e se"pre, 9
a!0o -ue se "anipu!a de a!0u" "odo, da-ue!e "odo -ue se 9 apa/ de
"anipu!ar a-ui!o na-ue!e "o"ento e -ue pode "udar nu"a pr)3i"a
oportunidade' Antes de naser de no(o para o (erdadeiro Rea!, e!e a$a(a,
(i(endo na Matrix, -ue a rea!idade era s) o dado i"ediato' Cypher, por9",
"es"o (i(endo no Rea!:(irtua!, ontinua a$ando dessa 2or"a estreita, o -ue
torna sua (ida na 2ria, in)spita e "etá!ia na(e u"a prisão para e!e "uito
"aior e "ais insuportá(e!, o"parada 8 sua (ida anterior' Cypher, ao ter
to"ado a p4!u!a (er"e!$a, to"ada ta"*9" por Neo, na pro"essa de $e0ar 8
(erdade, a$a(a -ue já sa*ia o -ue era a (erdade e -ue e!a era a 2a"a e a
ri-ue/a' <ua deepção 2oi +ando ada (e/ "ais s)!ida e pro2unda, 2a/endo,
portanto, naser o )dio e o ansaço' Ao ontrário disso, Neo se dei3a !e(ar ,
se" sa*er ao erto onde irá $e0ar o seu a"in$o' Isto possi*i!ita -ue e!e
aprenda e prinipa!"ente -ue possa se di(ertir o" seu aprendi/ado' A
traição de Cypher proporiona "ais u"a situação de deisão no +!"e1 o 5
No(o6 se sari+a pe!o 5<on$o6, eso!$e a (ida do 5<on$o6 e" detri"ento da
sua' Por ausa desta eso!$a e!e de 2ato "orre, sendo ressusitado pe!as
pa!a(ras a"orosas do 5<a0rado6 -ue no(a"ente o aorda"1 O 5<a0rado6 a"a
o 5No(o6, o" erte/a e o aorda "ais u"a (e/' O a"or do 5<a0rado6
possi*i!ita a0ora a 0eração do 5No(o6 eterna"ente1 da4 este ?!ti"o ser o -ue
9'
Neo aprende a !utar e, prinipa!"ente, a se superar e" tudo' Aprende,
nos jo0os -ue e3erita, a !i*ertar sua "ente do "edo, da d?(ida e da
desrença – isto 9, da "orte –, o"o di/ o 5<on$o6, no +!"e' E!e rese, (ai
su*indo a a(erna e" -ue $a*ita' Mas, apesar disso, não $e0a a ter !are/a
so*re -ue" e!e "es"o 9, so*re o a"in$o -ue perorre' Para ajudá:!o nisso,
entra e" ena o Oráu!o 0re0o re(isitado' So0o na entrada do pr9dio onde
te" !u0ar o Oráu!o, (e"os sentado u" (e!$o e0o o" u"a *en0a!a, -ue
representa erta"ente Tir$sias, o adi(in$o 0re0o' Ta! o"o 9 u"a "u!$er a
Pitonisa – a saerdotisa do Oráu!o 0re0o de Delphos –, no +!"e 9 u"a "u!$er
-ue será onsu!tada en-uanto se enontra junto ao 2orno, 2u"ando, o -ue 2a/
!e"*rar o "odo o"o a saerdotisa de Apolo da(a suas onsu!tas1 sentada
so*re u"a ro$a por de*ai3o da -ua! saia" (apores -ue, se di/, era"
a!uin)0enos' Para o espetador "enos atento, +a pareendo -ue o Oráu!o,
no +!"e, teria dito a Neo -ue e!e não 9 -ue" Morpheus di/ -ue e!e 91 o
eso!$ido, o sa!(ador' Entretanto, e!a não 2a/ nada disso' Tudo o -ue e!a 2a!a –
ta! o"o todo Oráu!o – 9 (erdade1 -ue Neo paree já sa*er -ue e!a !$e dirá
-ue e!e não 9 o eso!$ido @o -ue não si0ni+a di/er -ue e!e não 9 o eso!$idoJA,
-ue e!e paree estar esperando sua pr)3i"a (ida para ser o eso!$ido @e e!e
de 2ato s) to"ará onsi=nia de si "es"o depois de ressusitarA, -ue e!e irá
se (er nu"a situação de eso!$a entre a (ida de Morpheus e a sua pr)pria e
6
de -ue a!0u" dos dois "orrerá' Ao sair da onsu!ta, Neo não tin$a on(ição
di2erente da-ue!a o" -ue entrou a!i, a$ando -ue não era o eso!$ido, o
sa!(ador, "as sa4a o" indiações -ue, se" o sa*er, 2aria" o" -ue e!e,
a0indo, deidindo seus pr)prios passos, su*ita"ente se enontrasse a si
"es"o, ta! o"o esta(a esrito na ta*u!eta ai"a da porta do Oráu!o1
Conhece#te e ti eso' MATRIX apresenta o Oráu!o *e!a"ente, o"o se
esti(esse 2a/endo u"a interpretação do 2ra0"ento MO do pensador %er&clito
-ue di/1 5O autor, de -ue" 9 o oráu!o de Delphos, não di/ ne" su*trai nada,
assina!a o retrai"ento'6
L
Neo on$ee:se a si "es"o -uando, ressusitado, ai a0ora
onsiente"ente e" si e (= +na!"ente a Matrix1 tudo e" (o!ta se "ostra
o"o 91 pro0ra"a de o"putador, u"a paisa0e" (erde se" onsist=nia' E!e
de repente deso*re -ue pode 2a/er o" essa aus=nia de onsist=nia o -ue
-uiser, deso*re -ue pode "anipu!á:!a o"o -uiser' E -uando e!e pode parar
*a!as no ar e atra(essar o 5orpo6 das "á-uinas e" 2or"a de 0ente, ou
"e!$or, e!e pode atra(essar o e2eito:orpo, pois tudo se "ostra o"o e2eito,
perspeti(a' Esse "o"ento orresponde, na A!e0oria, ao "o"ento da (isão
direta do so! 2ora da a(erna', o "o"ento da re(e!ação do Rea! e" sua
p!enitude' Trata:se de u" "o"ento da "aior "a!ea*i!idade para toda e
-ua!-uer ação e perepção' Be repente (=:se o in(is4(e!, (=:se a "udança
aonteendo' Ta! o"o na A!e0oria, Neo retorna para inter2erir, para 2a!ar aos
outros -ue se enontra" presos, -ue $á u" outro a"in$o di2erente do da
aparente su+i=nia e -ue so"ente ada u" pode tri!$ar o seu' Neo 9, desde o
in4io, se" eso!$a, o eso!$ido para ser o sa!(ador, "as, o"o +a !ara"ente
de"onstrado, o seu destino de sa!(ador 2oi, ao "es"o te"po e,
neessaria"ente, deidido e traçado por e!e' Ao ontrário do -ue ostu"a"os
pensar e do -ue o pr)prio persona0e" a$a(a no in4io, destino não si0ni+a
passi(idade, assi" o"o !i*erdade não 9 "ero ar*4trio, "as prinipa!"ente o
ta!$e de *e!e/a -ue da"os e" nossos passos' No +!"e se disute o -uanto
destino de(e ser to"ado o"o ação, a ação de ada u" na-ui!o -ue 2a/' Na
(erdade, ta! o"o o persona0e" prinipa!, Neo, insiste e" pensar ao !on0o do
+!"e, so"os se"pre apenas pessoas o"uns e sendo assi", so"os ada u" a
ada (e/ 5o eso!$ido6' Mes"o a-ue!e -ue se re(e!a o"o 0enia! 9 apenas
u"a pessoa o"u" -ue e" sua e3ist=nia 9 responsá(e! pe!os seus atos' Não
so"os nuna "ais do -ue o -ue n)s "es"os 2a/e"os de n)s "es"os e a!9"
disso não sa*e"os nuna inteira"ente o -ue pode"os 2a/er de n)s "es"os'
>a*e e3peri"entar, de pre2er=nia o" todo 0osto, isto 9, a*e o "ais
poss4(e! sa*er'
1
's (ensadores 'rigin&rios) Anaxiandro * (ar+nides * %er&clito' Editora ;o/es1 Petr)po!is, LMML'
Tradução de E""anue! >arneiro Seão e <er0io #ru*!e%s&i'
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