FUNDAÇÃO ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO

Criada em 1933

ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO ESCOLA PÓS-GRADUADA DE CIÊNCIAS SOCIAIS
Pós-Graduação Lato Sensu de Globalização e Cultura

CONSEQUÊNCIAS SOCIOLÓGICAS A PARTIR DA COMUNICAÇÃO VIA MICROBLOGGING

Henrique Marcelino dos Santos

SÃO PAULO 2009
RUA DR. CESÁRIO MOTA JR, 266 – VILA BUARQUE – TEL/FAX: (11) 3123-7800– CEP 01221-020 – SÃO PAULO – SP http://www.fespsp.org.br email:epgsp@fespsp.org.br

Henrique Marcelino dos Santos

CONSEQUÊNCIAS SOCIOLÓGICAS A PARTIR DA COMUNICAÇÃO VIA MICROBLOGGING

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo para obtenção do Título Lato Sensu em Globalização e Cultura sob a orientação do Professor Dr. Rogério Baptistini.

SÃO PAULO 2009
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DIRETOR DA ESCOLA DE SOCIOLOGIA E POLÍTICA DE SÃO PAULO PROFESSOR Dr. ALDO FORNAZIERI

COORDENADOR DO CURSO DE GLOBALIZAÇÃO E CULTURA PROFESSOR Dr. ROGÉRIO BAPTISTINI

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“Não existe trabalho ruim. O ruim é ter de trabalhar” o inesquecível Seu Madruga

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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho à minha família e aos meus melhores amigos.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço aos meus pais: Vanderlei dos Santos e Lourdes Aparecida; à minha namorada, Dayana Loverro; aos irmãos, primos, amigos, colegas de curso, animais de estimação e afins: Zoraide Fernandes, César Augusto, Tatiana Rosa, ao Dalton de Lacerda e ao grande dramaturgo Roberto Gómez Bolaños; ao núcleo de Interatividade Web da agência de comunicação Rae,MP, principalmente a Marina Mizioka, bem como todos os meus colegas de trabalho desta agência. Agradeço toda a ajuda e atenção do professor Rogério Baptistini. Por fim, às ótimas idas aos bares nos intervalos das aulas com conversas que variavam da mais evoluída filosofia e ciência social aos mais discrepantes e superficiais assuntos e, principalmente, aos meus colegas de classe. A todos estes meu mais sincero OBRIGADO!

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RESUMO

As conjunturas sociais pelas quais a Humanidade passa neste início de século expõem claramente mudanças drásticas de paradigmas nos mais diversos âmbitos da existência humana, paradigmas estes reunidos no que foi chamado de Globalização. Com a facilidade na emissão e também na recepção de informações e na evolução dos meios de comunicação através da Internet, pode-se comprovar os indícios da metáfora da Aldeia Global de McLuhan, mesmo através das recém-chegadas ferramentas de microblogging, onde o Twitter se destaca no cenário mundial. O uso paulatinamente maior dos microblogs pode causar efeitos profundos na linguagem humana, a partir das mutações pelas quais a linguagem da Internet, o internetês, passa. No intuito de ponderar sobre os possíveis efeitos sociais que o internetês e, principalmente, os microblogs causariam ao ser humano, este trabalho foi desenvolvido. Palavras chave: Aldeia Global, Microblogging, Twitter, Internetês.

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ABSTRACT

The social conjunctures which Humankind has been suffering in this century’s beginning clearly expose drastic paradigms changes in the most diverse ambits of the human existence, paradigms which are gathered in what has been called Globalization. With the easiness of information emission and reception and the evolution of the communication media through the Internet, it’s possible to evidence the traces of the McLuhan’s Global Village metaphor, even through the newly come microblogging tools, where Twitter stands out in the world scenery. The more and more increasing use of microblogs might cause deep effects in the human language, taken from the mutations which the Internet language, the netspeak, passes through. Intending to ponder about the possible social effects that the netspeak ans, specially, the microblogs could cause to the human being, this work was developed. Key words: Global Village, Microblogging, Twitter, Netspeak.

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LISTA DE FIGURAS Imagem I: Cersibon...............................................................................................................32

LISTA DE GRÁFICOS Gráfico I: Quantidade de blogs na blogosfera.......................................................................36 Gráfico II: Retenção das redes sociais..................................................................................41

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SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS.....................................................................................................................9 LISTA DE GRÁFICOS..................................................................................................................9 1 INTRODUÇÃO.........................................................................................................................12 1.1 Justificativa.............................................................................................................................16 1.2 Objetivos..................................................................................................................................17 1.2.1 Objetivo Primário..................................................................................................................17 1.2.2 Objetivos Secundários...........................................................................................................18 1.3 Fundamentação Teórica.........................................................................................................18 2 COMPORTAMENTO NA INTERNET..................................................................................24 3 LINGUAGEM NA INTERNET...............................................................................................28 3.1 Roteiro Linguístico de Crystal..................................................................................................28 3.2 Netspeak, ou Internetês.............................................................................................................30 3.3 Miguxês e Dialetos do Internetês.............................................................................................32 3.4 Keitai Shoosetsu.......................................................................................................................34 3.5 Funcionamento do Internetês na Web......................................................................................35 4 BLOG E MICROBLOG...........................................................................................................37 4.1 Características do Blog.............................................................................................................37 4.2 Características do Microblog....................................................................................................39 4.3 Tweet como Gênero Linguístico..............................................................................................43 5 POSSÍVEIS IMPLICAÇÕES SOCIAIS.................................................................................48 6 CONCLUSÃO............................................................................................................................53 7 ANEXOS E APÊNDICES.........................................................................................................54

7.1 Dicionário de Twittês...............................................................................................................54 8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................56

1 INTRODUÇÃO
A sociedade contemporânea é marcada por um fluxo de troca de informações muito rápida, de maneira que não é incomum ouvir menções sobre estarmos na “Era da Informação”. Em qualquer parte do mundo, é possível acessar informações pelos mais diversos meios de comunicação de massa, recebendo informações ao vivo sobre praticamente qualquer lugar do mundo. Desde o início da década de 90, os noticiários apresentam guerras, conflitos e manifestações sociopolíticas no exato momento em que ocorrem, permitindo a grande parte da população mundial estar atualizada sobre os mesmos assuntos. Junto a este acesso de informações dos meios de comunicação, o século XXI também possibilitou uma das maiores modificações nos meios de comunicação: a Internet. Qualquer ser humano com acesso a ela pode não apenas acessar todas as informações disponíveis pelos veículos de comunicação, mas também eles próprios se tornam propagadores e endossadores de informações. Comunicadores instantâneos, blogs e redes de relacionamento fortaleceram o consumidor internauta de tal forma que ele valoriza tanto a publicidade como passa a valorizar o depoimento ou comentário de uma pessoa qualquer que já tenha consumido o produto ou serviço em questão. O mundo globalizado é formado por pessoas com centenas de quilômetros de distância separando-as, mas com uma proximidade proporcionada pelo mundo digital que as torna tão contíguas quanto numa vila ou aldeia, gerando a partir daí a metáfora da Aldeia Global (Global Village, no original), de Marshall McLuhan. Além dos comunicadores instantâneos (principalmente o MSN) e as redes de relacionamento (com destaque para o Orkut), os blogs são uma poderosa ferramenta para este “encolhimento” do mundo. Em Fevereiro de 2009, durante o evento Campus Party, foi divulgado o levantamento da expressividade digital da população nacional: 13,5% dos brasileiros online têm blogs. De acordo com o motor de busca de blogs Technorati, até o final de setembro de 2008 já haviam 133 milhões de blogs em todo o mundo, de corporativos a pessoais, falando desde variedades até assuntos extremamente específicos. Tantas pessoas se expressando na Internet tornaram importantes suas opiniões e posicionamentos.

Em uma pesquisa realizada por e-mail com 1.820 participantes em todo o Brasil, o Instituto de Pesquisas Qualibest indicou que 12% do total de entrevistados acreditam totalmente e 86% acreditam parcialmente nas informações que encontram em um diário virtual. Já 72% dos entrevistados afirmaram que, por meio dos blogs, já obtiveram informações que ajudaram a formar uma opinião sobre uma marca ou serviço. O estudo, que teve por objetivo construir o perfil do leitor de blogs no Brasil e avaliar quais são os blogs mais lidos e conhecidos no País, aponta que 89% dos internautas já acessaram algum, pelo menos uma vez, e a média de acessos diários é de uma para a maioria dos entrevistados, e de duas ou mais vezes, para 25%. Quanto ao tempo de acesso, 60% afirmam que dedicam menos de uma hora a cada acesso e 34% gastam de uma a duas horas. Entre os temas preferidos estão curiosidades (18%), humor (15%), internet (10%), seguidos de notícias e tecnologia em geral (9% cada). Apenas 9% dos entrevistados costumam acessar blogs internacionais. Os sites de busca (48%) e recomendações de outras pessoas (30%) foram apontados como as formas mais citadas para se conhecer um blog novo. A leitura do conteúdo foi o recurso mais citado (86%), sendo que a maioria dos entrevistados acredita que fotos e vídeos são os recursos mais importantes em um blog. Segundo um levantamento do e-Marketer, publicado em 16 de Outubro de 2008, a linha que separa os blogs dos grandes veículos de mídia desapareceu, já que ambos já exercem a mesma influência na sociedade da informação. Esta foi a principal conclusão do estudo patrocinado pelo Technorati, conduzido entre Julho e Agosto desse ano. Segundo dados da comScore Media Metrix, os blogs tiveram 77 milhões de visitantes únicos nos EUA em Agosto de 2008, enquanto o MySpace teve 75,1 milhões e o Facebook, 41 milhões. Outro dado importante é que, em todo o mundo, 34% dos blogueiros compartilham experiências com marcas e produtos e cerca de 37% fazem review de produtos. Mesmo à luz destes dados, uma tendência muito recente pode ser considerada uma evolução paralela ao blog, o chamado microblogging. De acordo com a descrição fornecida pela enciclopédia virtual Wikipédia,
Microblogging é uma forma de publicação de blog que permite aos usuários que façam atualizações breves de texto (geralmente com menos de 200 caracteres) e publicá-las para que sejam vistas

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publicamente ou apenas por um grupo restrito escolhido pelo usuário. Estes textos podem ser enviados por uma diversidade de meios tais como SMS, mensageiro instantâneo, e-mail, MP3 ou pela web. O serviço de microblogging mais popular chama-se Twitter lançado em 2006 e venceu o Web Award na categoria blog no South by Southwest Conference 2007 em Austin, Texas. No entanto, recentemente muitos novos serviços com a mesma finalidade foram lançados, tais como o Pownce, que une microblogging e compartilhamento de arquivos. Também há serviços de microblogging locais voltados para determinadas nacionalidades, tais como o Frazer na França e na Alemanha, PlayTalk na Coréia do Sul, Fanfou na China e o TeLog utilizado no Brasil.

A popularidade mencionada sobre o Twitter se deve ao fato de seu grande crescimento entre Setembro de 2007 e Setembro de 2008, representado por 343% (de 533 para 2359 usuários), segundo dados do instituto Nielsen Online. Se antes era possível conhecer pensamentos e opiniões de blogueiros, atualmente é possível ser informado minuto a minuto o que está acontecendo com qualquer twitteiro, onde ele está e o que faz no exato momento. Como mencionado pela Wikipédia, o Twitter é o serviço de microblogging mais popular. O Twitter apresenta uma grande movimentação de informações e gera um nível de comunicação tal que torna-se perfeitamente viável analisá-lo segundo a metáfora da Aldeia Global. Porém, o Twitter apresenta uma característica muito importante devido à sua natureza de microblog: cada mensagem pode possuir no máximo 140 caracteres, exigindo dos twitteiros um crescente grau de brevidade em suas mensagens. Esta brevidade nas mensagens não ocorre apenas no Twitter, mas também nos IMs (Instant Messengers, ou “Comunicadores Instantâneos”) e na comunicação via SMS (mensagens de celular). Nota-se uma abreviação cada vez maior na utilização da linguagem para se comunicar através destes meios. Códigos de linguagem surgem para simular emoções e abreviar frases inteiras em um pequeno punhado de letras que não exigem fonética quando escritos são algumas tendências encontradas principalmente à mais nova geração de usuários de internet, jovens que nasceram em um mundo onde a internet já era parte integral da sociedade.

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Embora diversos teóricos renomados tenham examinado e elaborado possíveis desfechos para uma sociedade baseada na rede que é a internet, são ainda escassas as referências ao uso do microblogging e da comunicação via IMs e celulares, de modo que este projeto de pesquisa enxerga a observação dos possíveis resultados da comunicação via microblogging na sociedade em rede como um campo de estudo muito oportuno atualmente. Sendo assim, esta monografia visa estudar o fenômeno do Twitter e suas possíveis implicações sociais no mundo em que vivemos e na cultura da Internet, a natureza do tweet como gênero discursivo e o dialeto “internetês”, e por fim sua relevância num mundo que cada vez mais se assemelha ao que McLuhan previu em sua metáfora da Aldeia Global. O tópico “Comportamento na Internet” revela e destaca traços importantes do comportamento humano quando inserido na rede mundial de computadores, utilizando massivamente os teóricos Manuel Castells, Adam Schaff e Octavio Ianni. Através de comentários sobre o ponto de vista da Humanidade quanto à utilização da Internet e sua importância para as atuais relações pessoais, espera-se deixar claro o cenário antropológico que serviu de base para o sucesso da Internet e das ferramentas de comunicação online que dela nasceram. No tópico “Linguagem na Internet”, o teórico David Crystal é melhor abordado, ao auxiliar na exposição das características mais distintas do uso da linguagem da Internet. O chamado “internetês” é explorado neste tópico, através da apresentação da forma como a linguagem foi se modificando na Internet enquanto acompanhava a necessidade de uma compressão de caracteres; não apenas o internetês como “idioma oficial”, mas também são apresentados os principais dialetos brasileiros derivados do internetês. Ainda para tentar compreender a linguagem na Internet (e também nos aparelhos móveis como telefones celulares, PDAs e iPhones), é analisada uma manifestação literária de origem japonesa, o keitai shoosetsu. Em “Blog e Microblog”, as grandes diferenças entre ambas as ferramentas da Internet são evidenciadas, de modo a gerar compreensão quanto às funções diferenciadas que cada uma exerce no ambiente digital. A partir da diferenciação do blog e microblog, aprofunda-se na essência do microblog, mais especificamente do Twitter, para expor as razões de seu sucesso e as 15

maneiras mais comuns de utilização da ferramenta, até chegar ao tweet. A partir da análise do tweet a partir de teorias bakhtinianas, é explorada sua natureza como gênero de linguagem único e específico do ambiente dos microblogs. O tópico final, “Possíveis Implicações Sociais”, aborda as visões futuristas principalmente de David Crystal, Ivan Martins e Adam Schaff, começando pelo possível futuro do internetês e da redução linguística na Internet. Depois de ponderar sobre as perspectivas de sucesso ou fracasso do Twitter e outros microblogs, sua utilização como prática social é observada, em especial quanto à questão de seguidores e seguidos no Twitter. A quase impossibilidade de solidão e o desejo por contato presencial são também destacados, sob a ótica da influência dos microblogs sobre estes fenômenos. Por fim, a questão do conhecimento como valor social, da democracia política e da identidade local e global no ambiente do fluxo incontrolável de dados é vislumbrado, terminando a abordagem sobre possíveis cenários sociais originados da linguagem instantânea e compactada. 1.1 Justificativa Como já mencionado anteriormente, o fluxo de informações está muito intenso, revelando não apenas a necessidade do ser humano em adquirir informação, mas também seu desejo em propagá-la. A internet se mostra como o melhor meio de comunicação já criado para proporcionar esta facilidade. Como pesquisador de dados relevantes aos clientes e aos colegas da agência de propaganda onde trabalho, encontro diariamente informações sobre novas modas e tendências que estão ocorrendo ao redor do mundo, usando tais informações para manter a agência atualizada e transformar estas mesmas informações em oportunidades para os clientes. Entre as mais variadas informações que leio diariamente, o Twitter tem se mostrado como um instrumento global de disseminação do conhecimento, da comunicação e até mesmo da atuação política. O fato que mais chamou a atenção nos últimos meses foi relativo à prisão de um universitário norte-americano durante uma manifestação nas ruas de uma cidade egípcia. O jovem, enquanto era abordado por forças policiais, enviou a mensagem “Arrested” (“preso”) de seu celular diretamente para seu perfil no Twitter. Imediatamente, seus amigos que 16

acompanhavam suas mensagens pelo Twitter se mobilizaram nos EUA, entrando em contato com entidades diplomáticas e obtendo desta forma a liberdade do amigo em poucas horas. Tal evento atraiu minha atenção e criou ainda maior interesse da minha parte pelo Twitter e sua influência na sociedade. Paralelamente, a linguagem do Twitter, do SMS e dos IMs parecem migrar a um ponto comum, a um novo gênero discursivo que pode implicar grandes mudanças na forma como as pessoas se comunicam. Para profissionais da comunicação, incluindo nesta denominação publicitários, webwritters, escritores e outros profissionais que elaboram textos para a internet e telefones celulares, um estudo sobre influências sociais advindas da comunicação via microblogging pode ser de grande valia ao dar-lhes novas diretrizes sobre uma melhor utilização dos canais de comunicação supracitados, também lhes fornecendo embasamento científico para nortear abordagens mais condizentes com um novo perfil comportamental que possa surgir desta nova tendência da comunicação. 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo Primário Tomando como base a metáfora da Aldeia Global formulada por McLuhan, espera-se analisar a atuação sociológica da rede social Twitter sobre os usuários da Internet. Para tanto, será analisada a funcionalidade da comunicação em microblogging a partir das definições de Bakhtin sobre gêneros da linguagem enquanto esta nova ferramenta é descrita usando-se as visões sociais dos teóricos Castells e Schaff, inserindo de forma consistente o Twitter na chamada “sociedade informática”. Sendo assim, o objetivo primário é analisar a influência do microblogging para as relações comunicacionais na sociedade atual, respondendo ao Problema de Pesquisa: “Que implicações sociais a comunicação em microblogging poderá resultar ao ser humano?”

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1.2.2 Objetivos Secundários Como objetivos secundários, espera-se apontar o crescimento da utilização do Twitter no Brasil e no mundo, descrever brevemente o desenvolvimento de linguagens alternativas na internet, expor características de utilização mais comuns da Internet pelos usuários e discutir as possíveis implicações linguísticas que a limitação de 140 caracteres causaria ao conteúdo das mensagens. 1.3 Fundamentação Teórica A chegada do século XXI marcou diversas revoluções nos mais diferentes âmbitos da sociedade humana. A Humanidade se deparou com avanços tecnológicos tidos como inimagináveis poucos anos atrás, principalmente nos campos da genética, robótica, informação e nanotecnologia. Entre outras descobertas tecnológicas, Plutão deixou de ser um planeta, transplantes de face são relatados nos noticiários, a energia eólica e baseada no hidrogênio estão mais em pauta etc. Cada descoberta deixa sua contribuição para uma nova ótica do ser humano sobre o Universo e sua própria existência, e todas estas pessoas, segundo Schaff (1993, p. 15), “percebem que nos encontramos diante de uma mudança profunda, que não é apenas tecnológica, mas abrange todas as esferas da vida social”. Chamada por Adam Schaff de Sociedade Informática, nossa época é impactada por estes saltos tecnológicos que nos dão novos pontos de vista, mas algumas tecnologias não chegam a todos os estratos sociais. Classes sociais mais populares têm pouco ou nenhum acesso à nanotecnologia, por exemplo. Contudo, uma tecnologia que se torna cada vez mais presente para todo ser humano é a da Informação e Comunicação. Ela percorre todas as relações atuais, abre novas opções de comunicação, armazenamento e acesso a conhecimento e estabelece novos padrões de comportamento. Hiemstra (2008, s. pg.) ainda afirma que “a proliferação das tecnologias da comunicação está influenciando não só o que significa estar em contato com nossas redes da família, amigos, e colegas, mas também com nós mesmos”. O símbolo mais emblemático destas tecnologias da comunicação citadas por Hiemstra é a Internet.

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Este novo meio de comunicação teve seu boom em meados da década de 90, apresentando este novo acesso à informação e ao contato com pessoas conhecidas e desconhecidas, próximas ou distantes. A simples existência da Internet em nossas vidas já representa uma revolução nas ferramentas de trabalho nas empresas, nas técnicas de ensino e aprendizado e, principalmente na interação entre as pessoas. Um fluxo de informações muito intenso surgiu da Internet, bombardeando todo ser humano com acesso a este meio diariamente. Pereira (2003, p. 3) concorda com esta informação ao procupar-se com a “maneira ultra-veloz, instantânea, com que novas informações recaem sobre os indivíduos, trazendo um problema de identidade para as pessoas e instituições” e Mark Poster (apud Ianni, 2007, p. 123) endossa a mesma ideia ao dizer que “a informação é agora imediatamente disponível por todo o globo e pode ser estocada e recuperada, desde que haja a eletricidade necessária”. Pereira (2003) ainda deixa clara a necessidade de haver uma reflexão cada vez mais aprofundada acerca de como as gerações nascidas sob a marca da eletricidade viriam a lidar com um enorme fluxo informacional que se reproduz de forma sem precedentes na história humana. Estas conjunturas de variadas naturezas afetam o Homem de tal forma que ainda é complicado atingir um entendimento exato da direção aonde a Humanidade está rumando, fazendo surgir as várias metáforas sobre este fenômeno pela qual a Humanidade passa. Ianni busca esclarecer o surgimento das metáforas ao explicar que elas “parecem florescer quando os modos de ser, agir, pensar e fabular mais ou menos sedimentados sentem-se abalados” (2007, p. 14). Entre as metáforas, a famosa Aldeia Global de McLuhan é uma das mais debatidas por sua dinâmica diretamente ligada à Sociedade Informática de Schaff. Ianni resume a questão dizendo que “a noção de aldeia global é bem uma expressão da globalidade das idéias, padrões e valores sócio-culturais, imaginários” (2007, p. 119). Em uma sociedade onde o acesso à informação e ao conhecimento está “a um clique de distância”, as pessoas sentem-se mais próximas mesmo estando fisicamente tão distantes, principalmente devido às tecnologias da comunicação que diminuem custos e tempo para as transmissões de áudio, vídeo e texto de tal forma que recebe-se a mensagem no exato momento em que ela foi enviada. Todos os pontos do mundo estão interconectados na Internet e a velocidade da comunicação aproxima pessoas geograficamente afastadas, mas ainda há uma última barreira a se 19

vencer para a vitória total da comunicação global: a linguagem. Berners-Lee, um dos idealizadores da Internet, acredita que (apud Crystal, 2002, p. 237) “a Internet não é apenas um fato tecnológico; é um fato social (...) e seu bem de maior valor é a linguagem”. Crystal divaga a natureza desta linguagem característica do ambiente digital ao ligar sua função à essência da Aldeia Global mcluhaniana. Segundo ele, (2002, p. 5) “tal conceito levanta todos os tipos de questões linguísticas. Uma vila [ou aldeia, como a metáfora foi traduzida para a língua portuguesa] é uma comunidade compacta, tradicionalmente identificada por um dialeto ou língua local que distingue seus membros dos de outros lugares”. Muitas tentativas de se estabelecer um “internetês” (ou “netspeak”, termo cunhado por David Crystal) eficiente são realizadas todos os anos, em busca deste ponto de união do ambiente digital. Nota-se que está havendo uma compactação da linguagem para que o máximo conteúdo seja transmitido e recebido com um mínimo de caracteres, o que leva à mais recente moda da Internet: o Twitter. As repórteres Camila Fusco e Luiza Dalmazo, da Revista Exame, disseram em uma matéria de Maio de 2009 que o Twitter (2009, p. 104) “representa um fenômeno cultural que tem despertado interesse e perplexidade em iguais medidas”, principalmente por seu crescimento muito veloz e sua adoção por diversas celebridades e empresas. Além do Twitter, ainda há outros serviços do chamado “microblog”, que é a alimentação constante de conteúdo através da Internet, porém, em pequenos “pacotes de informação”. Entretanto, para Fábio Seixas (apud Spyer, 2009, p. 45), “o Twitter foi o precursor, aquele que definiu o conceito, as novas possibilidades e a nova forma de irrigar o mundo com conteúdo. Permitiu que uma verdadeira legião de programas, sites e mash-ups pudessem proporcionar formas diferentes de publicar e interagir com a quantidade colossal de mini-conteúdos já disponível nesse pequeno, e crescente, universo”. E este pequeno universo exige de seus usuários o uso de uma linguagem sucinta, direta, que aja como as chamadas de matérias de jornal, chamando a atenção e deixando claro o assunto do qual se trata a mensagem postada no perfil do Twitter, e esta linguagem merece ser analisada segundo os estudos do teórico Mikhail Bakhtin, que trataria cada tweet como um enunciado dentro de um gênero discursivo próprio.

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Bakhtin explica que (2003, p. 261) “o emprego da língua efetua-se em forma de enunciados (orais e escritos) concretos e únicos, proferidos pelos integrantes desse ou daquele campo da atividade humana”, o que ressalta a importância de uma linguagem não apenas para transmissão e recepção de mensagens, mas também para inserir um indivíduo em um grupo social. Este teórico ainda explica (op. cit., p. 265) que “a língua passa a integrar a vida através de enunciados concretos (que a realizam); é igualmente através de enunciados concretos que a vida entra na língua” e (op. cit., p. 268) “os enunciados e seus tipos, isto é, os gêneros discursivos, são correias de transmissão entre a história da sociedade e a história da linguagem”. Bakhtin ainda diz que (op. cit., p. 262) “cada enunciado particular é individual, mas cada campo de utilização da língua elabora seus tipos relativamente estáveis de enunciados, os quais denominamos gêneros do discurso”. Um gênero discursivo (ou gênero de discurso) comporta em si os padrões da linguagem a ser utilizada e as situações onde ele será empregado na transmissão de uma mensagem. “Em outras palavras, é o nome que se dá a cada tipo de enunciado, como: bilhete, redação, carta, scrap, e-mail, artigo científico (gêneros textuais escritos), palestra, notícia televisiva, rádio-novela (gêneros textuais falados), piada, canção, anedota (gêneros textuais escritos e falados) etc” (Santos, 2006, s. pg.), levando à existência do “tweet”, a postagem de mensagem de até 140 caracteres via Twitter. Segundo Bakhtin (2003, p. 282), “dispomos de um rico repertório de gêneros de discurso orais (e escritos). Em termos práticos, nós os empregamos de forma segura e habilidosa, mas em termos teóricos podemos desconhecer inteiramente a sua existência”, levando à conclusão de que usuários do Twitter postam seus tweets com habilidade mesmo sem a total compreensão de que escrevem seguindo o padrão do “tweet”. Bakhtin diz (2003, p. 283) que
“aprendemos a moldar o nosso discurso em formas de gênero e, quando ouvimos o discurso alheio, já adivinhamos o seu gênero pelas primeiras palavras, adivinhamos um determinado volume (isto é, uma extensão aproximada do conjunto do discurso), uma determinada construção composicional, prevemos o fim, isto é, desde o início

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temos a sensação do conjunto do discurso que em seguida apenas se diferencia no processo da fala”

– sua afirmação é especialmente eficaz com relação à linguagem no Twitter, onde há um verdadeiro limite conhecido por todos: 140 caracteres. Tão poucos caracteres para um enunciado muito provavelmente afetará o conteúdo abrangido e desperta a mesma preocupação que Crystal ao ponderar sobre as mensagens de 160 caracteres enviadas por SMS nos telefones celulares. Para este autor (2002, p. 230), “várias questões ainda não foram respondidas (ou mesmo perguntadas, aparentemente), como: o que perdemos, com relação à informação, quando um texto graficamente elaborado é reduzido a tal escala? A qual extensão as restrições perceptivas afetam nossa habilidade de processar o contraste linguístico?”. O tweet representa um novo gênero discursivo vindo no embalo dos avanços científicos e pode representar o momento histórico-social pelo qual passamos, uma vez que Bakhtin (apud Ianni, 2007, p. 141) afirma que “cada época e cada grupo social têm seu repertório de formas de discurso na comunicação sócio-ideológica. (...) A língua vive e evolui historicamente na comunicação verbal concreta”, ou talvez apenas represente uma etapa no desenvolvimento de outra linguagem ainda por vir junto a uma miríade de outras linguagens da Internet, uma vez que Bakhtin (2003, p. 262) esclarece que “a riqueza e a diversidade dos gêneros do discurso são infinitas porque são inesgotáveis as possibilidades da multiforme atividade humana e porque em cada campo dessa atividade é integral o repertório de gêneros do discurso, que cresce e se diferencia à medida que se desenvolve e se complexifica um determinado campo”. Tomando o Twitter como foco e (Crystal, 2002, p. 237) “sendo a língua um índice tão sensível da mudança social, seria de fato surpreendente que um fenômeno radicalmente inovador [como é a redução dos enunciados a 140 caracteres] não tivesse um impacto correspondente no modo como nos comunicamos”. As repórteres Constance Hale e Jessie Scanlon, da revista Wired Style, demonstram preocupação com a linguagem da Internet ao se indagarem: (apud Crystal, 2002, p. 65) “Quando o jargão acaba e um novo vernáculo começa? Onde é a linha que separa neologismo de hype? 22

Qual é a linguagem da aldeia global? Como podemos acompanhar a tecnologia sem ficarmos atolados em jargões?”. O próprio Crystal se mostra preocupado ao questionar: (2002, p. 2) “A Internet anunciará uma nova era de tecnobalbucio? A criatividade e flexibilidade linguísticas serão perdidas enquanto a globalização impõe a igualdade?”. Tão importante quanto estas questões voltadas à linguagem, está a questão sobre seu impacto social no mundo onde vivemos e que prespectivas podemos esperar do futuro. Bakhtin (2003, p. 264) mostra a importância primária da compreensão da linguagem ao dizer que “o estudo da natureza do enunciado e da diversidade de formas de gênero dos enunciados nos diversos campos da atividade humana é de enorme importância para quase todos os campos da lingüística e da filologia”, mas este estudo visa desviar-se da ótica linguística e observar suas implicações sociológicas, por mais difícil que seja acompanhar a rapidez com que a tecnologia avança. Castells (2003, p. 8) explicita este desafio ao afirmar que “a velocidade da transformação tornou difícil para a pesquisa acadêmica acompanhar o ritmo da mudança com um suprimento adequado de estudos empíricos sobre os motivos e os objetivos da economia e da sociedade baseadas na Internet” uma vez que, assim que uma tese for formulada para uma projeção futura, ela estará automaticamente obsoleta frente aos novos avanços, como Schaff (1993, p. 15) denota quando afirma que “tal visão do futuro é muito arriscada, porque todas as teses que se formulem poderão ser facilmente verificadas”. Se o tweet é a linguagem do futuro da Internet e da Aldeia Global, Java (2007, p. 2) demonstra a relevância de um estudo, pois “com a recente popularidade do Twitter e de sistemas similares de microblogging, é importante entender por que e como as pessoas usam estas ferramentas” ou, (Crystal, 2002, p. 6) “se não pudermos discernir nenhum dialeto ou linguagem unificadora, ou uma tendência voltada a uma unidade, nós precisaremos perguntar a nós mesmos se esta 'aldeia global' não é nada mais que uma ficção midiática”.

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2 COMPORTAMENTO NA INTERNET
Como já mencionado, o mundo está passando por mudanças drásticas advindas dos avanços tecnológicos, transformando nosso planeta em (Ianni, 2007, p. 126) “um mundo digital, digitalizado, virtual, instantâneo, ubíquo, plenamente esférico ou totalmente plano, unidimensional e multidimensional, sem cronologia, história ou biografia”. Enquanto os anos passados mostravam uma Humanidade extasiada e maravilhada com as capacidades cada vez mais avançadas de seus computadores, Alexander King (presidente do Clube de Roma) afirma em seu prefácio à obra “A Sociedade Informática”, de Adam Schaff (1993, p. 12), que esta mística que envolvia o computador “está se evaporando, e este é visto pelas novas gerações como um ordinário, útil e essencial instrumento da cotidianidade”. Pereira enfatiza as características que Ianni citou no parágrafo acima ao defender que (2003, p. 2) “um processo de trocas de informações cada vez mais rápido e intenso havia se iniciado e que levaria à perda ou, ao menos, a uma transformação profunda, das referências nas quais as culturas costumavam se orientar, envolvendo todos em torno de acontecimentos comuns, de forma única, tal como nas pequenas vilas, ou cidadezinhas, porém, com dimensões que abarcariam o mundo inteiro”. Esta condição que Pereira dá ao mundo provém de uma visão mcluhaniana da Aldeia Global, quando (Ianni apud McLuhan, 2007, p. 120) “a terra terá a sua consciência coletiva elevada da superfície da Terra para uma densa sinfonia eletrônica, em que todas as nações – se continuarem a existir como entidades separadas - viverão um feixe de sinestesia espontânea”. Ianni ainda reforça esta mudança exponencial na Humanidade quando esclarece que (2007, pg. 124) “tudo se tecnifica, organiza-se eletronicamente, adquire as características do espetáculo produzido com base nas redes eletrônicas informáticas automáticas instantâneas universais”, o que indica ser a Internet o principal agente da mutação de um mundo feito de distâncias para um mundo encolhido, enredado numa teia de informações instantâneas que percorrem a rede mundial de computadores. Castells (2003, p. 8) ainda deixa claro o valor social da Internet e sua grandiosa importância como instrumento de inclusão e intercâmbio entre seres humanos quando diz que “atividades econômicas, sociais, políticas, e culturais essenciais por 24

todo o planeta estão sendo estruturadas pela Internet e em torno dela, como por outras redes de computadores. De fato, ser excluído dessas redes é sofrer uma das formas mais danosas de exclusão em nossa economia e em nossa cultura”. A Internet, como instrumento social e tecnológico, deu a qualquer usuário o incrível poder de (Castells, 2003, p. 48) “encontrar sua própria destinação na Net, e, não a encontrando, de criar e divulgar sua própria informação, induzindo assim a formação de uma rede”. Castells deixa claro que (2003, p. 47) “enquanto a cultura hacker forneceu os fundamentos tecnológicos da Internet, a cultura comunitária moldou suas formas sociais, processos e usos”, fornecendo uma informação útil para se compreender melhor a origem da Internet e a forma como foi encarada até chegar à forma contemporânea. As comunidades virtuais que assim surgiram sempre defenderam, desde seu início, (Castells, 2003, p. 48) “a prática da livre expressão global, numa era dominada por conglomerados de mídia e burocracias governamentais censoras”. Neste meio, o internauta exerceu sua liberdade de criação e expressão, desenvolvendo seu próprio código de conduta dentro do ambiente virtual. Um fato importante a se mencionar é a noção comum dentro da Internet de que, embora imbuídos com tal liberdade, ainda são necessárias formas de controle da ética e da moralidade. Crystal considera a presença de moderadores em fóruns e chats, além de wizards em MMORPGs (2002, p. 71) “uma convenção interessante - o reconhecimento por parte dos participantes de que algum tipo de presença externa é necessária para evitar a anarquia e para resolver disputas internas, mesmo a partir da perda voluntária da liberdade pessoal que supostamente é uma característica da presença na Internet”. Segundo Castells (2003, p. 164), a principal função da Internet atualmente é “a divulgação de mensagens políticas, para a comunicação por e-mail com as redes da vida, para a transmissão de idéias e a busca de informação”. Até pouco tempo atrás (Castells, 2003, p. 99), o e-mail era a principal ferramenta na Internet, representando “85% do uso da Internet, e a maior parte desse volume relaciona-se a objetivos de trabalho, a tarefas específicas e a manutenção de contato com a família e os amigos em tempo real”. Quando o e-mail começou a se tornar tão popular, surgiram questões entre estudiosos sobre o abandono de outras formas de comunicação como a 25

carta ou mesmo o telefonema, prejudicando as formas do ser humano em se expressar para outro ser humano. Contra esta teoria, Castells aponta para um levantamento de Barry Wellman com 40.000 internautas da América do Norte no site da National Geographic em 1998, levantamento este que provou que (2003, p. 102) “o uso do e-mail contribuía para a interação face a face, por telefone e por carta, e não substituía outras formas de interação social”. Todo este sucesso da Internet parece se dar pela facilidade em comunicar algo, em fazer com que uma informação ou opinião seja recebida por conhecidos e desconhecidos, expandindo o campo de atuação geográfica do ser humano. Ianni corrobora com este fato quando diz que (2007, p. 119) “o signo por excelência da modernização parece ser a comunicação, a proliferação e generalização dos meios impressos e eletrônicos de comunicação, articulados em teias multimídia alcançando todo o mundo”. Mark Wossner (apud Ianni, 2007, p. 136) concorda com esta ideia, pois acredita que esta rede de teias multimídia “ajuda a sociedade a entender as idéias políticas e culturais, e contribui para formar a opinião e o consenso democráticos”, e que a comunicação (op. cit., 2007, p. 136) “é um elemento básico de qualquer sociedade”. Para Castells (2003, p. 10), a comunicação é muito mais que isso: “a comunicação consciente (linguagem humana) é o que faz a especificidade biológica da espécie humana”. A essência do ser humano residiria, portanto, em sua capacidade de transmitir a outros da mesma espécie o que ele pensa ou que ele acha de algo, uma capacidade desconhecida para qualquer outro ser vivo conhecido. Entre animais, não há debates sobre questões existenciais, sobre simples preferências alimentares; há apenas embates pela sobrevivência – uma bronca ao filhote serve para treiná-lo a se portar com mais aptidão à sobrevivência; rituais de acasalamento apenas servem à perpetuação da espécie; batalhas entre predadores e presas nada mais são que duas espécies lutando por sua sobrevida às interpéries da natureza. O ser humano, por sua vez, se comunica e, com esta comunicação, permite a existência da cultura, da semiosfera invisível aos outros seres vivos. Com relação à cultura e à comunicação como propagadora da cultura, Schaff preconiza que (1993, p. 81) “a propagação da cultura e a expansão da cultura supranacional enriquecem a personalidade humana, fazem com que os seres humanos ascendam a um nível superior de 26

cultura e, finalmente, mudam os modelos de referência pessoal e o caráter social”. A Internet é mais um canal de comunicação, mais um meio de propagação da cultura e da dialética cultural em todo o planeta com sua capacidade de interação social, mas que, até o momento, (Castells, 2003, p. 100) “não parece ter um efeito direto sobre a configuração da vida cotidiana em geral, exceto por adicionar interação on-line às relações sociais existentes”. Sendo assim, a Internet se mostra um instrumento indispensável às relações sociais na atualidade, com suas mais diversas ferramentas e configurações. Entretanto, ferramentas de comunicação pressupõem um código de comunicação, como um jargão ou dialeto. Crystal ressalta que (2002, p. 67) “os usuários da Internet estão buscando continuamente um vocabulário para descrever suas experiências, para capturar o caráter do mundo eletrônico, e para superar as limitações comunicativas de sua tecnologia”. Tão importante quanto estudar o comportamento do internauta é também estudar as manifestações linguísticas, que podem transparecer muitas informações importantes sobre a relação da Humanidade com as características da Aldeia Global mcluhaniana.

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3 LINGUAGEM NA INTERNET
Sendo a Internet (Castells, 2003, p. 8) “um meio de comunicação que permite, pela primeira vez, a comunicação de muitos com muitos, num momento escolhido, em escala global”, é interessante notar a emergência da necessidade em convergir os códigos comunicacionais para algo que pudesse ser compreendido em todos os cantos do mundo e ser aprendido com razoável facilidade. Para McLuhan (apud Ianni, 2007, p. 121), “a linguagem e o diálogo já tomaram a forma de interação entre todas as zonas do mundo”, de modo que torna-se extremamente relevante analisar como a linguagem se manifesta no meio Internet. Ianni, ao ponderar sobre as diferentes linguagens, declara que (2007, p. 132) “toda realidade mais ou menos complexa, problemática ou não, sempre se traduz em representações, imagens, metáforas, parábolas e alegorias, assim como em descrições e interpretações. E é por meio das linguagens que isto ocorre, envolvendo palavra, imagem, som, forma, movimento etc”. Bakhtin afirma que (2003, p. 261) “todos os diversos campos da atividade humana estão ligados ao uso da linguagem. Compreende-se perfeitamente que o caráter e as formas desse uso sejam tão multiformes quanto os campos da atividade humana”, o que vem a corroborar com Crystal quando ele define que (2002, p. 6) “uma variedade de linguagem é um sistema de expressão linguística cujo uso é governado por fatores situacionais”. Ou seja, a utilização da Internet é uma atividade humana, uma situação específica muito ligada às forças da globalização, que portanto exige um código comunicacional exclusivo, como Castells deixa claro quando diz que (2003, p. 11) “a Internet é a expressão de nós mesmos através de um código de comunicação específico”, e as citadas forças da globalização (Ianni, 2007, p. 125) “formam redes de signos, símbolos e linguagens, envolvendo publicações e emissões, ondas e telecomunicações”, enfatizando a interligação inseparável entre a tecnologia e esta linguagem da Internet. 3.1 Roteiro Linguístico de Crystal Aprofundando a análise sobre a linguagem da Internet, Crystal fornece um rico roteiro de observação linguística, ainda afirmando que (2002, p. 7) “as características distintas de uma 28

variedade de linguagem são de diversos tipos. Muitas abordagens estilísticas reconhecem cinco tipos principais, para a linguagem escrita”, que é basicamente o que a linguagem da Internet, embora em um meio mais fluido que a escrita à mão ou qualquer impressão em papel. A primeira abordagem vem sobre (op. cit., 2002, p. 7) as “características gráficas: a apresentação e organização gerais da língua escrita, definidas em termos de fatores como tipografia, design da página, espaçamento, uso de ilustrações, e cor”. Esta é a única abordagem que não será vislumbrada nas teorias desta monografia, uma vez que estas características gráficas relacionam-se ao design e à diagramação da página, área de atuação dos designers e diagramadores, e não dos teóricos da língua. A segunda abordagem vem sobre (op. cit., 2002, p. 8) as “características ortográficas (ou grafológicas): o sistema de escrita de uma linguagem individual, definido em termos de fatores como o uso distinto do alfabeto, letras capitulares, soletração, pontuação, e meios de expressar ênfase (itálico, negrito, etc.)”. A terceira abordagem vem sobre (op. cit., 2002, p. 8) as “características gramaticais: as muitas possibilidades de sintaxe e morfologia, definidas em termos de fatores como o uso distinto da estrutura da sentença, ordem de palavras, e inflexões de palavras”. A quarta abordagem vem sobre (op. cit., 2002, p. 8) as “características léxicas: o vocabulário de uma linguagem, definido em termos de um conjunto de palavras e idiomas usados”. Por fim, a quinta abordagem vem sobre (op. cit., 2002, p. 8) as “características discursivas: a organização estrutural de um texto, definida em termos de fatores como coerência, relevância, estrutura de parágrafos, e a progressão lógica de ideias”. A partir destas diretrizes, torna-se mais fácil observar a manifestação da linguagem da Internet em diversas situações, sendo que (op. cit., 2002, p. 10) “algumas destas situações são fáceis de identificar, porque elas já existem há um tempo relativamente longo e começaram a se estabilizar. Algumas ainda estão em sua infância, com seu status situacional totalmente dependente da tecnologia emergente, e desta forma sujeita a rápida mudança”.

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3.2 Netspeak, ou Internetês A diferença mais perceptível da linguagem da Internet é sua tendência à redução e o hipertexto, para se adequar ao meio veloz que é a Internet. A Revista Wired, citada por Crystal (2002, p. 74) explica que o primeiro de dez princípios para a linguagem da Internet, “chamado de ‘O meio faz a diferença’, requer que a linguagem se encaixe à tecnologia: ‘nós precisamos elaborar nossas mensagens para se adequarem ao meio e seu público’”. Andrade relata a ruptura da linearidade como outra característica de extrema relevância à Internet, afirmando que uma de suas consequências (2005, p. 3) “é a redução ou atomização do texto, já que as idéias não são unidas por meio de uma seqüência lógica ou temporal, mas cabe ao leitor a tarefa de tomar a decisão para unificar os espaços do texto, conforme os vai ligando livremente. Desse modo, o hipertexto representa não a ausência de ordem, mas uma outra ordem”. David Crystal nomeia o jargão mais comum na rede virtual de Netspeak, cujo equivalente no Brasil foi o Internetês. É importante ressaltar que o Netspeak/Internetês (que será chamado, a partir de agora, apenas de internetês) é uma linguagem surgida especialmente no ambiente Web e desenvolvida essencialmente para facilitar a comunicação neste meio, de modo que não deve ser encarado como um jargão técnico de hackers, engenheiros e cientistas da computação, embora ambos compartilhem de uma característica: grande parte de seus verbetes têm origem na língua inglesa, como Ianni deixa claro ao citar C. A. Ferguson (2007, p. 139): “quando a necessidade de uma comunicação global começou a exceder os limites estabelecidos pelas barreiras das línguas, a difusão do inglês acelerou-se, transformando os padrões vigentes de comunicação internacional”. Segundo diversos autores, o internetês se aproxima muito da linguagem escrita, mas teve de incorporar certos recursos da linguagem falada para facilitar esta comunicação, como (Crystal, 2002, p. 36) a falta de “expressões faciais, gestos, e convenções de postura e distância corporais (a cinestesia e a proxêmica) que são tão críticos na expressão de opiniões e atitudes pessoais e em moderar relações sociais. A limitação foi notada cedo no desenvolvimento do Internetês, e levou à introdução dos smileys ou emoticons”. Crystal ainda cita como detalhes relevantes do Internetês (2002, p. 34) “o domínio da prosódia e da paralinguagem - termos fonológicos que 30

capturam a noção de que ‘não é o que você diz, mas o modo como você diz isso’ - como se expressado através de variações vocais como ênfase (entonação), altura da voz (reforço), velocidade, ritmo, pausa, e tom de voz”. Como supracitado, a redução e os vários tipos de abreviação no internetês são algumas das características mais perceptíveis e chocantes a quem não lida constantemente com esta linguagem (Crystal, 2002, p.84). Especialmente em países de língua inglesa, (op. cit., 2002, p. 86) “os acrônimos não estão mais restritos a palavras ou frases curtas, mas podem ter o comprimento de uma frase”. Crystal continua, dizendo que (2002, p. 229) “frases de múltiplas palavras e sequências de respostas, especialmente de um tipo estereotipado, podem ser reduzidas a uma sequência de letras iniciais”. Um exemplo disso é OMG, que significa “Oh, My God”, ou “Oh, Meu Deus” em português. Porém, há diversos outros termos que podem representar frases muito maiores, embora esta característica seja rara no Brasil. Tal redução na linguagem é explicada por Crystal (2002, p. 229) quando ele analisa o crescimento de aparelhos portáteis com as funcionalidades próximas às de um computador (como celulares, PDAs e iPhones) e afirma que “o desafio do pequeno tamanho da tela e seu espaço reduzido de caracteres (aproximadamente 160 caracteres), [...] motivou a evolução de uma linguagem ainda mais abreviada que a que emergiu em salas de bate-papo e mundos virtuais”. Adotar o internetês, em suas diversas manifestações ou “dialetos”, significa não apenas se adequar a um padrão comunicacional, mas também se adequar a um padrão social. Murano clarifica esta situação ao dizer que (2008, s. pg.)
“além do imediatismo e da objetividade que se encontram por trás do internetês, movido pela economia de caracteres no ato da digitação sem prejuízo da mensagem, há um outro fator, que diz respeito à fase da vida em que se encontram seus praticantes, a maioria deles adolescentes. Da mesma forma que o uso de gírias, seu emprego garante ao indivíduo sentirse parte de um dado grupo, garantiria um sentimento de identificação com uma determinada ‘tribo’”.

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Falas reduzidas, abreviações, emoticons, todos estes recursos foram criados com a finalidade de reproduzir com maior fidelidade uma conversa presencial, que emprega gestos e expressões faciais. Santos descreve o uso da risada no internetês (2008, s. pg.): “as risadas representam as onomatopéias de risadas normais, e algumas bastante anormais. São elas ‘hehehe’, ‘rsrsrsrsrs’, ‘kkkkkk’ e, algumas novas ‘auhuhauhauha’, ‘ahuhusahusahuauhs’, ‘heaoueahaoeuah’ etc. E, ainda, a risada padrão importada da língua inglesa, já simplificada ‘LOL’, que significa ‘Laughing Out Loud’”. 3.3 Miguxês e Dialetos do Internetês Entretanto, não se deve confundir o internetês com o miguxês. Enquanto o primeiro representa a linguagem voltada à Web para facilitar a comunicação restrita a este meio, o miguxês (Agência Estado, 2008, s. pg.) “é muito usado tanto na escrita quanto na fala – ele é uma linguagem muito usada pelo público emo, que dá às palavras um tom meio infantil, algo meio Xou da Xuxa”. No miguxês, também são percebidas (Santos, 2008, s. pg.) “formas exageradas de se expressar o que se quer dizer, como por exemplo: ‘amoowwww’, ‘bejãooooOoOoOoO’, ou frases que requerem uma maior análise para que se entenda o significado, como: ‘MAR É DOJXA VISSE?’ cujo significado seria: ‘mas é doida, viu?’”. A matéria já citada da Agência Estado enfatiza que (2008, s. pg.) “o internetês tem em sua característica principal tornar a escrita mais ágil, fonética e visual. Ele não tem como objetivo escrever errado – que é justamente o que ocorre com o trio alechat, tiopês e mistês [e também com o miguxês e o cersibon]. O objetivo [...] é tirar um sarro de quem assassina o português na internet, seja por falta de conhecimento da língua ou por mero erro de digitação”. Assim, nota-se que o internetês seria uma espécie de “idioma oficial”, de onde surgiriam dialetos regionais e situacionais, como todos os já citados: miguxês, mistês, alechat, tiopês e cersibon, entre outros “dialetos menores”. Segundo a Agência Estado, o mistês seria o mais antigo de todos, tendo sido criado em 2001 pelos blogueiros Misto Eleazar, Marcos Rodrigues e Rafael Madeira; (2008, s. pg.) “amigos

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de uma sala de bate-papo do Mirc, eles começaram a escrever imitando quem cometia deslizes ortográficos no programa”. A Agência Estado ainda narra o surgimento de outro dialeto, quando o internauta Ale Crescini, em 2006, (2008, s. pg.) “criou uma comunidade na rede social do Google para fazer novas amizades. Acontece que ele escrevia meio exótico, cheio de falhas de digitação e de erros de concordância e pontuação. O pessoal achou graça nisso e [...] entrou na comunidade para imitar o seu ‘estilo’. Nascia o alechat”. Completando o trio de dialetos mais comuns do internetês, surgia logo em seguida (Agência Estado, 2008, s. pg.) “no próprio Orkut o tiopês (o nome vem de ‘tipo’), um mix do mistês e do alechat. Do primeiro ele pegou a influência de utilizar algumas expressões, como ‘to de brinks’ (‘estou brincando’), e, do segundo, a tiração de sarro”. Contudo, Maia (2008, s. pg.) avisa que “o tiopês não é considerado um ‘assassino da língua’, pois quem sabe realmente falar um tiopês fluente, costuma ter um bom conhecimento da língua para poder errar nos lugares certos”. O Cersibon representa algo muito diferente dos outros dialetos citados, principalmente porque ele é, na verdade, (Agência Estado, 2008, s. pg.) “uma tirinha de traço infantil e com linguajar bem peculiar. A página é tão popular que Madeira [já conhecido por colaborar com a criação do mistês] criou um blog apenas para seus fãs desenharem ao estilo do Cersibon, o Cersifan”. Os personagens do Cersibon (Maia, 2008, s. pg.) “não têm forma fixa, são feitos no Paint sem a mínima intenção de serem visualmente bonitos. São rabiscos às vezes incompreensíveis, o que impossibilita o leitor de distinguir os personagens, transformando quase todos em ‘Cersibons’. Quase todos porque apesar de serem praticamente indistinguíveis, existem outros personagens, como Jezebel, Gláucio, Mizabet e Naldo”. Maia ainda afirma que o sucesso do Cersibon incentivou Rafael Madeira a (2008, s. pg.) “criar uma outra versão mais ousada, o Pornibon, que segue a mesma linha mas são piadas que tenham algum apelo sexual sem perder a essência. E o Cersiensia, que não são tirinhas, mas estudos do autor e idealizadores sobre as tirinhas, tentando explicar algo inexplicável”.

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Imagem 1: Cersibon

Fonte: Blog IceCream 3.4 Keitai Shoosetsu Um fenômeno que ainda não se tornou popular no Brasil mas é cotidiano dos japoneses é o keitai shoosetsu, ou “literatura de celular”. Segundo Maxwell (2009, s. pg.), a literatura de celular “surgiu em 2000, quando um cara que se apresenta como Yoshi publicou Deep Love, um romance adolescente, na internet”. Maxwell continua a descrição deste novo formato literário (2009, s. pg.): “a página é acessada pelo telefone celular e os textos digitados diretamente nele. Os capítulos são curtos e os boxes de entrada aceitam emoticons e outros ícones largamente usados na internet. Ou seja, o keitai shoosetsu oferece uma experiência de leitura que se parece

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muito com uma conversa pelo telefone celular”. Com relação a algumas de suas características linguísticas, (Maxwell, 2009, s. pg.)
“o formato impõe novos desafios. O modo como o keitai shosetsu é escrito aproxima muito a literatura de ficção da poesia concreta, por exemplo. As frases são curtas, sintéticas. Precisam ser. Como dito anteriormente, o número de caracteres por página é muito curto (100) e vale usar não apenas letras, mas emoticons e toda a gama de adaptações da linguagem que surgiram desde que a internet se popularizou entre os jovens. Portanto, é uma fronteira estética, sim. Mas, que está em processo”.

Obviamente, por ser um formato muito recente e inovador, (Maxwell, 2009, s. pg.) “algumas pessoas consideram que o keitai shoosetsu é uma nova expressão da literatura, que traz novos parâmetros e tal. Já outras acham que é lixo cultural, que os autores não são bons escritores, que os romances são cheios de clichês”. Apenas com um volume maior de obras e de uma variedade maior de análises críticas é que será possível perceber o keitai shoosetsu como um formato literário realmente revolucionário para o telefone celular, ou apenas uma tentativa superficial. Para Castells, esta forma literária apresentaria um grande potencial de crescimento, pois o intelectual afirma que (2003, p. 164) “[o envio de mensagens instantâneas] é a prática mais difundida nos primórdios do mundo da Internet móvel, a ferramenta preferida dos jovens para montar suas redes, desfrutar sua autonomia”. 3.5 Funcionamento do Internetês na Web Todos estes dialetos analisados e o keitai shoosetsu levam à tona um fato importante, que Nicola (apud Procópio, s. n., p. 7) cita através de Turkle, definindo que “no universo comunicativo mediado pelo computador, as palavras são ações. Quanto mais reduzida for a expressão, mais ações o receptor estará realizando dentro do sistema”. Ou seja, a linguagem é reduzida e abreviada justamente para proporcionar ao internauta uma liberdade maior de realizar várias outras ações dentro da Web. Crystal concorda com este fato ao declarar que (2002, p. 5) “o meio eletrônico [...] nos presenteia com um canal que facilita e restringe nossa habilidade de nos 35

comunicarmos de modos que são fundamentalmente diferentes daqueles encontrados em outras situações semióticas”, que costumam exigir uma atenção maior do interlocutor para a mensagem emitida e a mensagem recebida. Na Internet, a fluidez reina na navegação dos internautas e na apresentação dos conteúdos. Ainda segundo Crystal (2002, p. 44), “uma ‘página’ na Web frequentemente varia de encontro para encontro (e todas possuem a opção de variação, mesmo se os donos das páginas optarem por não alterá-las) por várias possíveis razões: seu conteúdo factual pode ter sido atualizado, seu patrocinador anunciante pode ter mudado, ou seu designer gráfico pode ter adicionado novos detalhes”. Além desta característica de variabilidade dos websites em geral, ainda existe uma variedade de website que tem por essência a variação de seu conteúdo de forma muito mais intensa: os blogs, ou diários virtuais.

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4 BLOG E MICROBLOG
4.1 Características do Blog Recentemente, os blogs ganharam notoriedade exatamente por sua grande diferença entre ele e um website, que é (Marcuschi, 2004, p. 61) “o fato de poder ser facilmente atualizado na forma de um diário datado e circunstanciado”, o que atraiu muito interesse para a auto-expressão dos internautas, corroborando com a afirmação de Castells de que (2003, p. 109) “na Internet você é o que diz ser, já que é com base nessa presunção que uma rede de interação social é construída ao longo do tempo”. Um mundo virtual onde qualquer pessoa poderia ser e dizer o que quisesse sem medo de repressões ou a chance de se perder na multidão tornou-se o sonho realizado de milhões de pessoas, uma vez que elas podem usar estes blogs (Marcuschi, 2004, p. 61) “como um diário pessoal na ordem cronológica com anotações diárias ou em tempos regulares que permanecem acessíveis a qualquer um na rede”. Castells ressalta este sucesso dos blogs e da liberdade de expressão quando diz que (2003, p. 165) “o tipo de comunicação que prospera na Internet está relacionado à livre expressão em todas as suas formas, mais ou menos desejável segundo o gosto de cada pessoa”. Marcuschi ainda enfatiza a facilidade em lidar com blogs, pois eles são (2004, p. 61) “datados, comportam fotos, músicas e outros materiais. Têm estrutura leve, textos em geral breves, descritivos e opinativos” e, de acordo com Komesu (2004, p. 111), esta “facilidade para a edição, atualização e manutenção dos textos em rede foram – e são – os principais atributos para o sucesso e a difusão dessa chamada ferramenta de auto-expressão”. Komesu ainda afirma que os blogs se encaixariam em uma relação temporal síncrona, significando que são constituídos (2004, p. 115) “na simultaneidade temporal entre o que é escrito e o que é veiculado na rede”. Esta simultaneidade temporal, que reflete a interatividade dos blogs (op. cit., 2004, p. 119) “é inegável, seja na relação entre o usuário e a máquina ou nas relações interpessoais que se procura estabelecer na rede”. No Brasil, (Pedro Dória apud Lent, 2009, s. pg.) “13,5% dos brasileiros online têm blogs”, representando um valor relativamente alto em comparação a outros países, talvez por uma 37

predisposição étnica brasileira em absorver mais facilmente novidades da tecnologia da informática. Segundo Kirkpatrick (2008, s. pg.), “dos 133 milhões de blogs que o Technorati indexou [...] 1,1% deles, ou 1,5 milhões no total [postaram nos últimos 7 dias]”, indicando também que (op. cit., 2008, s. pg.) “o relatório deste ano demonstra que há em média 900.000 postagens de blog criadas a cada 24 horas. No relatório do ano passado esse número era 1,5 milhões e em 2006 era 1,3 milhões [...] e o relatório de 2004 o colocou como 400.000 postagens por dia”. Para o próprio Kirkpatrick, esta recente redução no número diário de postagens pode ser um indicativo de que (2008, s. pg.) “blogar pode ter se tornado centralizado, profissionalizado e crescentemente rarefeito – assim como outras formas de mídia, talvez a um nível inferior”. O seguinte gráfico denota este comportamento de criação e manutenção de blogs: Gráfico I: Quantidade de blogs na blogosfera

Fonte: Blog Read Write Web De qualquer forma, Sartori Filho (apud Marcuschi, 2004, p. 61) afirma que “os blogs, por sua capacidade criadora e pelo tipo de temática e motivações que carrega, poderiam ser considerados como 'uma incubadora de internautas com interesses comuns' [...]. Isto torna o conceito de blog mais complexo e hoje já se caminha para outras funções e gêneros derivados”, como o objeto de estudo deste trabalho, o chamado microblog. De acordo com o guia de negócios da Geekpreneur (2008, p.10),
“os blogs são um ótimo meio de entrar em contato com pessoas e construir uma sequência ao longo do tempo, mas se

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você não escrever postagens de um tamanho razoável, você tende a sentir que está sendo incompleto para seus leitores. Você quase chega ao estágio onde é melhor você não postar nada em vez de postar uma mensagem curta. O Twitter [como símbolo máximo do microblogging] acaba instantaneamente com essa preocupação”.

Com relação a esta grande oposição entre blogs e microblogs e o momento propício para utilizar um ou outro, Crystal explica que (2002, p. 24) “um axioma bem-estabelecido da comunicação afirma que usuários deveriam saber as forças assim como as restrições de seu meio escolhido, em relação aos usos que eles o sujeitam e os propósitos que têm em mente”. De qualquer forma, Komesu se indaga sobre (2004, p. 117) “Como obter a atenção do Outro? Como dar visibilidade ao blog [e ao microblog] para que ele seja acessado pelos outros milhares de usuários?”. 4.2 Características do Microblog A partir do conceito de blog, chegamos ao microblog, o objeto de estudo. Seu caráter “micro” é ligado à restrição de caracteres por postagem (no máximo 140 caracteres) e também na ideia de “micro-interação”, que significa um relacionamento rápido de troca de informações. Segundo Singh (2008, p. 46), “no cerne das micro-interações está a crença de que imediatismo, simplicidade, voyeurismo e comunicações constantes são significativos. O sucesso das ferramentas [de microblogs] dão crédito à noção de que pulsos curtos, rápidos, e provavelmente frívolos, de comunicação são simplesmente tão úteis quanto comunicações mais medidas e reflexivas”. Esta característica da busca por um fluxo cada vez maior de informações já foi abordado neste trabalho ao se discutir o comportamento na Internet, corroborando com os entusiastas dos serviços de microblogs. Apesar de sua grande popularidade atual, o Twitter surgiu de forma sutil nos EUA, quando (Singh, 2008, p. 46) “na primavera de 2007, [...] estruturando fãs influentes por vários meses, ‘viralizou’ no sul através da Southwest Interactive e se tornou um verdadeiro fenômeno da Web”. Fábio Seixas busca simplificar a importância do Twitter no âmbito da comunicação online 39

ao afirmar que esta rede social (apud Spyer, 2009, p. 45) “nada mais é do que uma faceta diminuta de um blog tradicional, onde, ao invés de elaborarmos longamente nosso conteúdo, simplesmente cuspimos o que passa por nossas mentes sem antes criticá-lo. Micro-blogging é como blogar numa casca de noz, cabe muito pouco e ainda assim cabe muita coisa”. Shiv Singh, em sua reportagem sobre o Twitter, exalta o microblog quando diz que (2008, p. 47) “as micro-interações são uma forma dinâmica de marketing por influência social. Com a rápida passagem do tempo, sobrecarga de informação, conectividade permanente e a proliferação de canais de comunicação, os consumidores estão rumando para micro-interações mais curtas. Eles às vezes preferem os curtos pulsos de interação por onde opiniões fortes e definitivas podem ser articuladas”. O trabalho da empresa Geekpreneur deixa claro que (2008, p. 25) “os dois meios [o blog e o microblog] são muito diferentes. O Twitter é famoso por sua brevidade, que algumas pessoas enxergam como uma coisa ruim mas outros (aqueles que já se plugaram no tráfego que ele pode gerar) enxergam como um enorme benefício”, ao que Singh concorda quando diz que (2008, p. 47) “os remetentes [das postagens] também gostam que a brevidade torne a mensagem mais poderosa”. Singh ainda se foca no caráter colaborativo da formação de opiniões, algo que ele chama de “flexibilidade interpretativa” ao afirmar que microblogs (2008, p. 46) “deixam os usuários realmente determinarem como usá-las [as mensagens], e fazendo isso, darem forma à sua própria definição”. O relatório da Geekpreneur, convicta da importância do Twitter, explica que (2008, p.6) “algumas pessoas fazem a crítica de que o Twitter é limitado demais em seus usos, mas é exatamente o fato de que você é limitado no que você faz que o torna um meio muito criativo para se trabalhar”, pois (op. cit., 2008, p. 12) “as pessoas não têm sempre tempo para ficar lendo um blog (mesmo um bom) então você pode dar às pessoas a escolha de elas quererem ler mais ou simplesmente ficarem com seus tweets a partir de agora”. Mesmo sendo uma rede social de funcionamento aparentemente simples, o Twitter representou um novo paradigma na informática e nas interações humanas, exigindo reflexões sobre seu verdadeiro papel na História da comunicação, de forma que Singh concorda com esta ideia ao afirmar que (2008, p. 46) “pensar em micro-interações como simplesmente a próxima 40

geração das ferramentas de comunicação [...] perde seu ponto. Sites como o Twitter têm também forçado designers digitais a repensarem as interações para Web sites de larga escala: uma experiência não precisa ser isolada do ambiente expandido social da Web e de outras pessoas”. Ainda é difícil a pessoas que viveram em épocas sem computadores e sem a Internet compreenderem como funciona uma rede social online, e pior ainda esta enxurrada de dados ininterruptos, mas os jovens e as outras pessoas mais habituadas ao uso do ambiente digital (Java, 2007, p. 6) “têm certos interesses comuns e elas também compartilham entre si suas sensações pessoais e experiências diárias”, de forma que o Twitter se tornou a principal ferramenta para este teor de mensagem. O relatório da empresa Geekpreneur chega a defender os blogs ao esclarecer que um internauta (2008, p. 21) “certamente tem muito mais liberdade com seu blog uma vez que se pode muito bem escrever postagens tão longas quanto se queira. [...] Certamente não há como se possa fazer isso com seus tweets”, mas volta a defender o Twitter ao revelar que (2008, p. 25) “o Twitter pode agir como introdutor de seu blog. Ele pode ser um sinalizador para capturar a atenção das pessoas antes de afunilá-las para onde você queira que elas sigam. Ele também estabelece um vínculo com pessoas em um modo não ameaçador”. Além destas vantagens, Martins ainda cita o ritmo como outra grande qualidade, uma vez que (2009, p. 98) “por algum motivo inexplicável, as pessoas não param de trocar mensagens. O site do Twitter tem uma pergunta básica – ‘O que você está fazendo?’ – e todo mundo responde, várias vezes ao dia: contam que estão almoçando, dizem que o ônibus quebrou, avisam ter visto uma celebridade. Como é possível postar do celular, os twitteiros não descansam na narração do trivial”. Desta forma, Java define 3 tipos de intenções dos usuários do Twitter: (2007, p.5) “compartilhamento de informações, busca por informações, e relacionamentos baseados na amizade”. Fusco exemplifica a facilidade do lido com informações imediatas ao dizer que (2009, p. 104) “uma busca por ‘gripe suína’ no Google trará algumas notícias e textos de referência. No Twitter, os resultados provavelmente incluirão relatos em primeira mão de moradores da Cidade do México sobre as restrições impostas à circulação de pessoas”. Porém, Fusco ainda destaca como pontos preocupantes nos usuários do Twitter o (2009, p. 105) “exibicionismo envolvido, assim como uma necessidade incontrolável de manter-se em contato com outras pessoas”.

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Em 2007, Java apresentou suas percepções quando o Twitter ainda estava em seu início, e agrupou a natureza das mensagens postadas em quatro categorias. A primeira, mais representativa e comum, refere-se a falas do cotidiano, em que as pessoas (Java, 2007, p. 7) “falam sobre a rotina diária ou o que as pessoas estão fazendo no momento”. O segundo caso mais comum é a conversação, mas como não havia formas de uma conversa privada que ajudasse a comentar ou responder as mensagens dos outros, (op. cit., 2007, p. 7) “os primeiros membros começaram a usar o símbolo de @ seguido do nome de usuário para respostas [...] e esta forma de comunicação foi usada por quase 21% dos usuários [estudados na época]”. A terceira forma consiste no compartilhamento de informações e URLs, pois (op. cit., 2007, p. 8) “aproximadamente 13% das postagens [...] continham alguma URL nelas. Devido ao pequeno limite de caracteres um serviço de encurtamento de URL como o TinyURL é frequentemente usado para tornar esta característica possível”. Por fim, a quarta categoria de postagens no Twitter refere-se ao relato de notícias, de forma que (op. cit., 2007, p. 8) “muitos usuários relatam as últimas notícias ou comentam sobre eventos daquele momento no Twitter”. O especialista em economia e ambiente online Andrew Keen reforça a importância em seguir e ser seguido no Twitter, ao afirmar que (2008, s. pg.) “o valor para nós do Twitter está baseado em quantos seguidores nós temos e desta forma quantas pessoas lêem nossas palavras. Nós todos competimos no Twitter tanto por atenção como por seguidores, claro, porque o tempo é finito, e há somente um certo número de pessoas que nós podemos realisticamente seguir e somente um certo número de mensagens que nós temos a capacidade de ler”. Ele ainda completa a ideia e a expande no âmbito econômico quando diz que (2008, s. pg.)
“para a maioria dos 8 milhões de frequentadores do Twitter [...] a rede em tempo real não tem valor monetário. Mas para grandes jogadores do Twitter, novos aristocratas digitais como [...] o ciclista Lance Armstrong [...] e a diva pop Britney Spears [...] esta é uma plataforma de marketing significativamente valiosa que lhes fornece uma audiência cativa para promover e vender suas ideias e produtos”.

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Recentemente, um estudo sobre o perfil de usuários do Twitter foi realizado, chegando a dados interessantes, como o fato de que (Neto, 2009, s. pg.) “60% dos usuários que entram no Twitter (EUA) não voltam no mês seguinte, ou seja, uma taxa de retenção mensal de 40%. [...] Com uma taxa de retenção de 40%, o Twitter vai ter sempre uma cobertura muito baixa, cerca de 10% da audiência da internet”. Neto chega a comparar esta característica do Twitter com sites de relacionamento, afirmando que (2009, s. pg.) “[o MySpace e o Facebook] possuíam uma retenção que é quase o dobro do Twitter e hoje estão em 70% de cobertura (EUA, vale lembrar)”. Apesar de apresentar um cenário talvez preocupante para a sobrevivência do Twitter, Fusco discorda de tendências pessimistas para este serviço de microblog, pois (2009, 105) “o serviço [do Twitter] também continua rumando para a estratosfera, com um crescimento de 600% durante o ano passado”. Gráfico II: Retenção das redes sociais

Fonte: Nielsen 4.3 Tweet como Gênero Linguístico Vista a relevância crescente que o Twitter apresenta à atual sociedade informática, chegase à principal questão que advém desta ferramenta de comunicação de caracteres limitados: esta 43

limitação linguística intrínseca ao propósito do Twitter pode gerar que tipo de consequência social? Antes disto, que alterações a língua e a comunicação sofrem para se adequarem à ferramenta? Para se obter subsídios para a formação de uma resposta suficientemente satisfatória a ambas as questões, torna-se importante analisar a natureza das mensagens enviadas, mensagens estas chamadas de tweets. Bakhtin realizou profundos estudos sobre a natureza da comunicação usando como base de análise os campos de atuação da linguagem e os enunciados, que (Bakhtin, 2003, p. 261) “refletem as condições específicas e as finalidades de cada referido campo não só por seu conteúdo (temático) e pelo estilo da linguagem, ou seja, pela seleção dos recursos lexicais, fraseológicos e gramaticais da língua mas, acima de tudo, por sua construção composicional”. Tomando o tweet como um enunciado em termos bakhtinianos, nota-se a necessidade de analisálo a partir de seu conteúdo, seus recursos linguísticos e sua estrutura composicional. Segundo Bakhtin, (2003, p. 265) “todo enunciado [...] é individual e por isso pode refletir a individualidade do falante na linguagem do enunciado, ou seja, ao estilo individual”, fato este que ressalta a capacidade criativa livre de que desfrutam todos os usuários do Twitter, escrevendo o que desejam da forma como preferirem, na língua nativa, estrangeira, com ou sem regionalismos e gírias, ou mesmo inteiramente em internetês. Como visto anteriormente, o Twitter nasceu e foi crescendo sob certos padrões de intenções de comunicação (como a narração do cotidiano, o compartilhamento de conhecimento e até mesmo a defesa político-ideológica), que influenciaram a consolidação do tweet como enunciado nativo do Twitter; (Bakhtin, 2003, p. 266) “uma determinada função (científica, técnica, publicística, oficial, cotidiana) e determinadas condições de comunicação discursiva [...] geram determinados gêneros, isto é, determinados tipos de enunciados estilísticos, temáticos e composicionais relativamente estáveis”, e o tweet é então o gênero nascido do Twitter. Bakhtin explica melhor o que é o estilo da linguagem quando diz que ele (2003, p. 266) “é indissociável de determinadas unidades temáticas e [...] de determinadas unidades composicionais: de determinados tipos de construção do conjunto, de tipos do seu acabamento,

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de tipos da relação do falante com outros participantes da comunicação discursiva - com os ouvintes, os leitores, os parceiros, o discurso do outro, etc”. De forma muito similar a um enunciado de blog (que pode ser representado pela postagem), o tweet tem como característica o fato de que há um único emissor, mas uma quantidade incontrolável de receptores da mensagem. Desta forma, twittar algo não é apenas digitar uma oração sem intenção, pois o Twitter está diretamente ligado à auto-expressão que gera uma reação qualquer a quem quer que leia, uma vez que (Bakhtin, 2003, p. 272) “o próprio falante [ou seja, o twitteiro] está determinado precisamente a essa compreensão ativamente responsiva: ele não espera uma compreensão passiva, por assim dizer, que apenas duble o seu pensamento em voz alheia, mas uma resposta, uma concordância, uma participação, uma objeção, uma execução, etc”. Simplesmente twittar e saber que seu leitor é apático à mensagem é o pior dos castigos dentro do Twitter; porém, não se afirma aqui que o foco é chocar. Sempre há uma posição defendida pelo emissor, que pode ou não ser a mesma do receptor. Sendo assim, a simples reflexão do receptor sobre o caráter mútuo ou oposto das posições de cada um é o mínimo esperado pelo twitteiro. Sobre o limite de 140 caracteres do Twitter, Bakhtin parece aceitar perfeitamente, uma vez que o próprio defende que (2003, p. 274) “por mais diferentes que sejam as enunciações pelo seu volume, pelo conteúdo, pela construção composicional, elas possuem como unidades de comunicação discursiva peculiaridades estruturais comuns, e antes de tudo limites absolutamente precisos”. Tal padrão é importante aos usuários do Twitter, pois lhes permite trafegar em um universo cuja “democracia de caracteres” iguala o volume de conteúdo de todos os enunciados twittados, dando uma sensação de “inteireza do tweet”. Segundo Bakhtin, (2003, p. 280) “essa inteireza acabada do enunciado, que assegura a possibilidade de resposta (ou de compreensão responsiva), é determinada por três elementos (ou fatores) intimamente ligados no todo orgânico do enunciado: 1) exauribilidade do objeto e do sentido; 2) projeto de discurso ou vontade de discurso do falante; 3) formas típicas composicionais e de gênero do acabamento”. No caso dos tweets, a exauribilidade é muito veloz, exigindo dos receptores do tweet uma rápida reação, seja ela retwittar, buscar mais informações sobre o que foi dito, responder, apenas refletir ou simplesmente ignorar o tweet – poucos minutos ou horas depois já haverá um novo tweet para 45

decidir novamente por uma destas opções de reação. A vontade do discurso do twitteiro, como já discutido desde o início deste trabalho, é a de propagar informação em um mundo sobrecarregado de informações, compartilhar com o mundo o que está em sua mente. Por fim, a própria estrutura e códigos característicos do Twitter tornam o tweet um gênero único, mesmo que seja uma simples oração ou palavra isolada. Mas Bakhtin explicita a diferença de uma oração desprovida de vontade de discurso e uma oração provida de discurso, ao afirmar que (2003, p. 287) “a oração enquanto unidade da língua é desprovida da capacidade de determinar imediata e ativamente a posição responsiva do falante. Só depois de tornar-se um enunciado pleno, uma oração particular adquire essa capacidade”. Ou seja, é de extrema importância que se compreenda a forma como melhor utilizar 140 caracteres em uma ou mais orações de um tweet e assim atingir adequadamente o receptor, simplesmente porque (Bakhtin, 2003, p. 287)
“não é possível ocupar uma posição responsiva em relação a uma posição isolada se não sabemos que o falante disse com essa oração tudo o que quis dizer, que essa oração não é antecedida nem sucedida por outras orações do mesmo falante. Mas neste caso ela já não é uma oração e sim um enunciado plenamente válido, constituído de uma só oração: ele está emoldurado e delimitado pela alternância dos sujeitos do discurso e reflete imediatamente a realidade (situação) extraverbal”.

Resumindo o conceito de enunciado de Bakhtin, (2003, p. 296) “o falante [twitteiro] com sua visão do mundo, os seus juízos de valor e emoções, por um lado, e o objeto de seu discurso e o sistema da língua (dos recursos lingüísticos), por outro – eis tudo o que determina o enunciado [chamado tweet], o seu estilo e sua composição”. Como supracitado, a capacidade de emitir um enunciado com um número incontrolável de receptores é outra característica do tweet, que Bakhtin destaca quando diz que (2003, p. 301) “um traço essencial (constitutivo) do enunciado é o seu direcionamento a alguém, o seu endereçamento. À diferença das unidades significativas da língua – palavras e orações –, que são impessoais, de ninguém e a ninguém estão endereçadas, o enunciado tem autor [...] e destinatário”. 46

Bakhtin continua explicando que (2003, p. 301) “a quem se destina o enunciado, como o falante (ou o que escreve) percebe e representa para si os seus destinatários, qual é a força e a influência deles no enunciado – disto dependem tanto a composição quanto, particularmente, o estilo do enunciado”. Sendo o enunciado estudado aqui o tweet, percebem-se seus traços característicos: um número desconhecido e incontrolável de receptores do tweet e o caráter de impessoalidade da maioria dos tweets. Tais traços tornam o tweet um gênero de linguagem sui generis e digno de reconhecimento linguístico. Desta forma, percebe-se a grande importância do tweet na atualidade e sua potencial capacidade de gerar polêmicas e mudanças profundas na comunicação da sociedade.

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5 POSSÍVEIS IMPLICAÇÕES SOCIAIS
A partir de todos os assuntos abordados neste trabalho, é possível ponderar sobre potenciais cenários e conjunturas sociais que podem vir a se tornar realidade. O próprio surgimento do tweet como um enunciado perfeitamente delimitado por características peculiares já é um indício de modificações sociais profundas. O tweet é um reflexo linguístico de forças sociais e tecnológicas que atuam em conjunto, embora Crystal se apoie na segunda força ao afirmar que (2002, p. 231) “ao passo em que a tecnologia se desenvolve, todo um novo domínio de linguagem restrita emergirá, enquanto as pessoas adaptam suas mensagens para caberem na tela, e fazer uso de novas opções de software”. Por esta razão, o ambiente de microblogs e da linguagem restrita é muito dinâmico e facilmente assimilado pelas novas gerações de nativos digitais e utilizado perfeitamente como mecanismos sociais, pois, para estes usuários proficientes no uso de redes sociais e microblogs, (Singh, 2008, p. 47) “ferramentas na realidade das micro-interações permitem influência social porque elas exigem pouco do emissor e menos ainda do receptor”. Crystal, porém, teme pelo conteúdo que poderá ser emitido na mensagem. Para ele, (2002, p. 230) “o que não está claro é quão limitante esta tecnologia é, como sistema de mensagem de texto. Deve haver um sério limite à quantidade de informação que pode ser utilizada usando-se a abreviação, e um risco real de ambiguidade assim que as pessoas tentarem ir além de um limite de frases sociais”. Ou seja, a utilização de microblogs pode causar a perda do conteúdo caso levado ao extremo da compactação da mensagem, o que pode levar a mutações do internetês para comportar conteúdo suficiente nas mensagens. Sendo assim, Crystal prevê que o futuro do internetês (2002, p. 70) “está muito vinculado [...] a qual linguagem e estilo originados dos hackers desenvolveu uma identidade suficientemente estável e potente para motivar novos usuários a usá-la, ou então se estes usuários introduzirão direções linguísticas novas, evoluindo normas de uso estilístico que nada devem às origens hackers”. De qualquer forma, (op. cit., 2002, p. 230) “parece inevitável que o

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comprimento da sentença tenderá a ser curto, e que certos tipos de estrutura de sentença complexa [...] serão evitados”. A previsão profética de Crystal pode ser compartilhada por outros estudiosos do fenômeno da redução linguística no internetês e das micro-interações, mas ainda há grandes desafios para microblogs, que ainda se encontram em estágio embrionário e podem não sobreviver sem um modelo de negócios lucrativo o suficiente, e (Neto, 2009, s. pg.) “se o Twitter não alcançar maior lealdade de seus usuários, não vai se sustentar por muito tempo”. A empresa Geekpreneur, entretanto, reserva a relevância dos microblogs de forma separada dos blogs e parece demonstrar que os microblogs não são apenas uma moda, mas sim uma mutação sociotecnológica em andamento – para a empresa, (2008, p. 26) “o Twitter não substituirá nem deveria substituir o blog padrão. Ele deverá andar de mãos dadas com ele, e aqueles que realmente compreenderem essa ligação se dará bem com ambos”. Apesar de teóricos das comunicações via tecnologia temerem o fim do Twitter por falta de lealdade dos usuários, o Twitter torna-se algo extremamente relevante quando (Martins, 2009, p. 100) “produz ‘microfamas’ ao permitir que qualquer um tenha ‘seguidores’. Essas plateias cativas, que acompanham cada passo da vida e do pensamento do twitteiro, dão relevância ao que ele faz e diz. É uma forma limitada, mas acessível, de glória”. Este recurso é dificilmente reproduzido em outras redes sociais, pois um seguidor no Twitter estará acompanhando fielmente os tweets do twitteiro seguido, refletindo sobre assuntos que o twitteiro sugere, e isso pode ser um meio de fama para qualquer pessoa, como mencionado. Celebridades, obviamente, sabem também se aproveitar desta situação, pois (op. cit., 2009, p. 98) “ao seguir no Twitter essas pessoas famosas, as pessoas normais sentem fazer parte da vida e do cotidiano delas”. Martins deixa claro o cenário social pelo qual a Humanidade passa: (2009, p. 100)
“expor, receber e partilhar pela internet parece ser a nova exigência social do século XXI. Na semana passada [ou seja, na semana anterior à semana de 16 de fevereiro de 2009], saiu um estudo da Nielsen Online que mostra que 66,8% das pessoas que usam a internet no mundo estão em redes sociais,

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enquanto somente 65,1% delas usam e-mails. Isso significa que a convivência digital em sites como Orkut, Facebook e Twitter tornou-se mais importante para as pessoas do que a comunicação pura e simples, que elas fazem por e-mail. Essa situação está tornando a ideia de privacidade tão obsoleta quanto o fraque e a cartola”.

Até mesmo nas forças de mercado o novo ambiente sociotecnológico está mais participativo, uma vez que (Lima apud Spyer, 2009, p. 75) “o boca-a-boca pós e pré-compra, antes um fenômeno invisível, se torna transparente e visível, o que possibilita uma compreensão maior das influências do processo de decisão de compra”. Tal acesso a conhecimento e vontade de compartilhamento de informação também parece ter gerado um perfil de pessoa mais culta, aberta a manifestações artísticas e reflexivas, como Castells deixa evidente através de levantamentos de Di Maggio, Hargittai, Newman e Robinson ao afirmar que (2003, p. 102) “usuários da Internet [...] frequentavam mais eventos de arte, liam mais literatura, viam mais filmes, assistiam mais esportes e praticavam mais esportes que nãousuários”. Outra característica importante é que essa conectividade constante com o mundo digital não retirou do ser humano a necessidade e o gosto pela interação presencial com outras pessoas, como Hiemstra destaca ao dizer que (2008, s. pg.) “cafés, oportunidades de viagem, e associações sociais abundam – sugerindo que ainda estamos muito em sintonia com nossa necessidade de uma experiência rica e pessoal de nós mesmos como parte da família humana”. Hiemstra, contudo, demonstra preocupação com esta conectividade constante, e abre o horizonte para uma nova perspectiva social relacionada ao escapismo de um ambiente de conexão permanente. Para este autor, (2008, s. pg.)
“esperamos que nossos maiores desafios não sejam a integração das tecnologias, mas a habilidade de nos removermos da conectividade constante. Nos encontraremos tirando férias em áreas livres de comunicação eletrônica? O

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movimento do Slow Food [contra o fast food e as refeições socialmente vazias e prejudiciais à saúde] encontrará uma nova voz no Slow Talk [Fala Lenta, em tradução livre]?”.

O sociólogo americano Dalton Conley, quando entrevistado por Martins, corrobora com a problemática da conectividade constante ao afirmar uma grande perda em termos pessoais; para o sociólogo, (2009, p. 101) “‘Perdemos a capacidade de estar sozinhos’ [...]. ‘Hoje não temos mais a oportunidade de ficar sozinhos quando vamos ao exterior ou ao campo, nem mesmo dentro de casa. Estamos sempre conectados’”. Martins, ao entrevistar o psicólogo John Grohol, afirma que (2009, p. 101) “as pessoas estão se tornando ‘zumbis, tentando processar tudo que é atirado sobre elas’, quando os computadores, na verdade, deveriam ser ferramentas para selecionar ideias e dar sentido ao oceano de dados. ‘Em vez disso, o Twitter nos envia o fluxo de consciência bruto de milhões de pessoas, sem nenhum filtro’”. Martins ainda ressalta o valor da privacidade cada vez mais polêmico dentro do mundo digital e das redes sociais, deixando claros dois possíveis cenários. Para Martins, (2009, p. 102) “é possível que os adolescentes e jovens de hoje ser arrependam de seus perfis abertos no Twitter e no Orkut. Mas é possível, também, que eles construam uma nova relação com suas personas digitais, uma relação muito mais aberta e permissiva do que a geração anterior seria capaz de admitir. A nova ideia de privacidade em construção convive com o exibicionismo e o voyeurismo da rede”. De uma forma ou de outra, conteúdo parece ser a palavra-chave para todas as ponderações quanto a linguagem, comportamento e sociedade na era dos mundos digitais. Este valor apresenta como perspectiva um mundo onde (Schaff, 1993, p. 49) “pode-se produzir uma nova divisão entre as pessoas, a saber: uma divisão entre as que têm algo que é socialmente importante e as que não têm. Este ‘algo’, no caso, é a informação no sentido mais amplo do termo que, em certas condições, pode substituir a propriedade dos meios de produção como fator discriminante da nova divisão social”. Schaff detecta o potencial do conhecimento e do conteúdo não apenas como motivação para compartilhamento nos mundos, mas sim como a verdadeira liga que une o valor do trabalho em um mundo mesclado entre real e virtual.

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Quanto a este valor do trabalho ligado ao conhecimento, Schaff vislumbra um futuro onde (1993, p. 145) “quanto mais importante a função, mais elevado será o status social de quem a desempenha. Isto vale dizer que afetará não só os cientistas e artistas (no sentido amplo do termo), mas também as pessoas que se dedicam à política, à organização da vida social etc., cuja atividade também possui um caráter intelectualmente criativo”. Assim, Schaff denota o poder da comunicação online quando afirma que (1993, p. 153) “devido à informática e às suas inúmeras aplicações, o mundo se converterá em um conjunto único e estreitamente inter-relacionado no qual todos os grandes problemas assumirão um caráter global”. Devido a este caráter global mcluhaniano, Castells prevê que (2003, p. 226) “à medida que a Internet se torna a infra-estrutura onipresente de nossas vidas, a questão de quem possui e controla o acesso a ela dá lugar a uma batalha essencial pela liberdade”, e então surgem questões políticas relativas à democracia em uma sociedade onde o intenso fluxo de dados poderá ser monitorado e controlado por entidades transnacionais. Schaff especula que (1993, p. 11)
“os avanços da microeletrônica tornarão possível o surgimento de uma democracia da verdadeira e com um uma ampla da descentralização produção incremento

responsabilidade e da liberdade individuais no interior do contexto social. Mas ao mesmo tempo podem representar os instrumentos do poder e da sua conservação, conduzindo a ditaduras fortemente centralizadas e totalitárias do tipo ‘Big Brother’ de Orwell”.

Embora seja possível imaginar um cenário político tenebroso provindo de uma nova conjuntura sócio-linguística, Pereira imagina outras perspectivas em que (2003, p. 3)
“um excesso de informações trazido pelos novos meios poderia tornar as pessoas e as instituições absolutamente cúmplices umas das outras, por um lado, mas, por outro, um efeito de confusão identitária generalizada poderia estar sendo produzido. Desta forma a questão acerca de uma crise de identidade estará amarrada diretamente à condição de comunicação global trazida com os novos meios”.

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6 CONCLUSÃO
À luz dos fatos apresentados, é possível afirmar que a Internet está se tornando uma ferramenta cada vez mais importante na existência do ser humano, de modo que forma uma espécie de simbiose, em que a Humanidade não se vê mais sem Internet, e a Internet não existe sem a atuação humana. Os medos e receios de teóricos quanto à perda de interação presencial dos seres humanos é aparentemente infundada, tomando-se por base os dados analisados nesta monografia. O importante é perceber que formas de comunicação e transmissão de cultura não desaparecerão, apenas se transformarão em novos formatos capazes de se adequarem às novas necessidades da sociedade. A linguagem da Internet, ainda incipiente se comparada a idiomas e jargões seculares, tem em si a essência da obsolescência paradoxalmente combinada à inovação, apresentando a todo momento formas mais rápidas e eficazes de se transmitir uma mensagem ou conteúdo. Entretanto, percebe-se uma perda gradual deste conteúdo na extensão do enunciado, representando assim um potencial empobrecimento da linguagem digital. Cabe, portanto, aos cientistas da comunicação e da informação encontrar formas de reter o conteúdo em mensagens curtas e diretas, de forma a impedir que o conhecimento se perca no caminho entre emissores e receptores, em um mundo cada vez mais saturado de informação e ubiquidade digital.

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7 ANEXOS E APÊNDICES
7.1 Dicionário de Twittês O usuário @ahocley criou o twictionary (em inglês) um wiki com uma extensa lista dessas novas palavras próprias do Twitter e ele ainda a indica quem a utilizou pela primeira vez (créditos!). # ou hashtags - no Twitter o emprego do símbolo # (também chamado de hashtag) antes de uma palavra serve para identificar o assunto do tweet. @ - símbolo usado antes do nome de algum usuário para direcionar a mensagem a ele ou para se referir a ele. baleiar - verbo criado a partir das sucessivas vezes em que o Twitter saía do ar e no lugar aparecia a imagem de uma baleia. Sinônimo aproximado de “sair do ar”. Fail Whale - baleia simpática que costuma aparecer quando o Twitter sai fora do ar. follow - termo em inglês que significa “seguir” alguém. follower - termo em inglês para “seguidor”, ou seja, todos os contatos que acompanham as atualizações de alguém. following - termo em inglês para “seguindo”, ou seja, todos os contatos que são acompanhados por alguém. Twerd - um twitteiro nerd (por exemplo, alguém que contribui para um dicionário de termos do Twitter) Twitiqueta - Twitter + Etiqueta: as regras relativamente não escritas de conduta no Twitter atwração - paixão (intelecual ou física) por um amigo twitteiro. egotwistico - tendência a falar excessivamente sobre si mesmo no Twitter RT - reweet - twittar conteúdo postado por outros usuários. (Outras variações: ret., retwitt) twammer - Twitter + spammer (alguém que segue muitas pessoas e posta atualizacoes com links para sites de spam) twídia - mídia com presença no Twitter tweet ou twittada - nome dado a cada mensagem postada no Twitter twittar - verbo, ação ou efeito de postar alguma coisa no Twitter twitteiro - usuário do Twitter 54

tweme - meme no Twitter twequilíbrio - quando o número de followers e following é praticamente o mesmo Twerminologia - o estudo da terminologia do Twitter Twestival - vide post twewbie - um novato no twitter (newbie) twittervista - entrevista feita através do twitter twirtar - a arte de flertar através do Twitter twitteratura - literatura no Twitter twistórico - o conjunto de atualizações de um determinado usuário twinfluenciador - um usuário do twitter que influencia outras pessoas twitterholic - viciado em Twitter twittersação - conversação realizada através do Twitter Twitterverse, twittersphere ou twittosfera - o conjunto de todos os twitteiros, como na blogosfera twincidência - quando uma coincidência acontece no Twitter, como no caso de dois ou mais usuários postarem sobre a mesma coisa simultaneamente. track - ferramenta do Twitter que permite (permitia?) acompanhar determinadas tags do Twitter por ferramentas como Google Talk ou celular. Para parar de acompanhar alguma tag, é preciso usar o código untrack.

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8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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