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ALMADA

O FUTURO
35 ANOS DEPOIS
PAULO PEDROSO
O FUTURO 35 ANOS DEPOIS
CONTRATO COM OS CIDADÃOS | ALMADA 2009

O FUTURO 35 ANOS DEPOIS
CONTRATO COM OS CIDADÃOS

1 | O FUTURO 35 ANOS DEPOIS .................................................................4

2 | NOTA INTRODUTÓRIA ............................................................................6

3 | A NOSSA VISÃO: UM MUNICÍPIO-ESTRATEGA PARA UM CONCELHO
COSMOPOLITA, TERRA DAS DUAS ÁGUAS NA GRANDE CIDADE-
CAPITAL. .......................................................................................................9

4 | PROGRAMAS ESTRATÉGICOS ............................................................17
1. DEVOLVER A VIDA AO CENTRO DA CIDADE .................................. 17
2. TURISMO, TODA A COSTA, TODO O ANO ....................................... 22
3. SER UM PÓLO NACIONAL DE ARTES PERFORMATIVAS .............. 26
4. RESOLVER O PROBLEMA DA RECONVERSÃO DAS AUGI ............ 27
5. MOBILIDADE, AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE TERRITORIAL .. 32
6. DOS 0 AOS 12 ANOS, APOIOS DAS 7 DA MANHÃ ÀS 7 DA
NOITE .................................................................................................. 40
7. CUIDAR DAS FAMÍLIAS CUIDADORAS DE IDOSOS E
DEPENDENTES .................................................................................. 42

5 | NOVAS POLÍTICAS ................................................................................45
1. UMA NOVA AUTARQUIA .................................................................... 45
2. DESENVOLVIMENTO SOCIAL E HABITAÇÃO .................................. 50
3. EMPREGO E INVESTIMENTO ........................................................... 55
4. INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO.......................................... 58
5. SEGURANÇA ...................................................................................... 60
6. PROTECÇÃO CIVIL ............................................................................ 61
7. DESPORTO......................................................................................... 63
8. A IDENTIDADE, UM RECURSO A PROMOVER ................................ 64
9. PROMOVER ACTIVAMENTE A DIVERSIDADE CULTURAL E
APOIAR OS IMIGRANTES .................................................................. 67
6 | PREPARAR O FUTURO .........................................................................69

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1 | O FUTURO 35 ANOS DEPOIS

Há um provérbio que diz que se fizeres o que sempre fizeste, terás o que sempre
tiveste. Assim tem acontecido com o poder autárquico em Almada nas últimas três
décadas.

O modelo de gestão que foi seguido no passado não tem só defeitos, mas as suas
virtudes foram-se esgotando e a perda de energia tornou-se notória, aumentando
também a dificuldade em manter sintonia com os problemas dos cidadãos.

A esse modelo contrapomos agora um outro. Estamos voltados para o futuro.
Queremos introduzir novas ideias, novos métodos de acção, uma nova concepção do
poder local.

A autarquia deve ser estratega do desenvolvimento do concelho, afastada das
disputas político-partidárias tradicionais e estar concentrada em construir parcerias de
sucesso, indo ao fim do mundo, trabalhando com quem tiver que trabalhar, com
lealdade, para melhorar os destinos do concelho.

Almada precisa de quem tenha novas soluções e não de quem repita velhas queixas,
de quem se empenhe totalmente na solução dos problemas e não de quem deles
queira alimentar plataformas reivindicativas.

Trinta e cinco anos depois, o concelho já não é mais uma periferia operária de Lisboa.
Hoje é composto por duas cidades – Almada e Costa da Caparica – que devem ser
centros cosmopolitas da grande capital do país.

Hoje tem um potencial económico que tem que ser aproveitado para atrair novos
investimentos geradores de emprego.

Hoje tem milhares de novos residentes que o escolheram por aqui quererem usufruir
de uma qualidade de vida que está ao nosso alcance melhorar drasticamente.

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Hoje é um concelho com famílias trabalhadoras que precisam de ser devidamente
apoiadas e populações envelhecidas que carecem de ser assistidas. Hoje é, também e
infelizmente, um concelho que não resolveu o problema das AUGI, que tem
concentrações terríveis de pobreza e que corre o risco de vir a ser problemático em
termos de segurança.

Mas Almada tem também problemas que se acumularam por força de erros de gestão
autárquica que foram cometidos.

A gestão da introdução do Metro do Sul to Tejo foi desastrosa. Faltaram medidas
compensadoras do risco de desertificação do centro da cidade. Houve negligência no
acompanhamento do crescimento da Costa da Caparica. Deixou-se edificar
verdadeiros guetos urbanos.

Agora podemos mudar de rumo, se os cidadãos quiserem. Aqui podem conhecer o
que pensamos e porque achamos que mudar de gestão autárquica é essencial.
Nestas eleições autárquicas, é Almada que está em jogo.

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2 | NOTA INTRODUTÓRIA

Este Programa dá corpo a um contrato entre o PS e os cidadãos de Almada. Foi
elaborado de modo participado e vai ser acompanhado do mesmo modo.

O Conselho de Cidadãos que aceitou apoiar o PS nas eleições autárquicas de 2009
participou na sua elaboração, nas diversas fases e será chamado regularmente a
fiscalizar a sua execução, criando em Almada um novo mecanismo de co-decisão
política que engloba mas transcende o partido político que lhe dá corpo.

Este contrato é celebrado entre o PS e os cidadãos que apoiam a candidatura em
nome do Futuro, 35 anos depois e orientará a nossa acção no próximo mandato.

Escolhemos também dar-lhe uma estrutura que facilite a sua fiscalização. Ele tem uma
visão orientadora, tem um número restrito de programas estratégicos e identifica
novas políticas. Nele se definem prioridades, se quantificam metas e se identificam
resultados a atingir.

Aqui não encontrará um catálogo de medidas, mas o enunciado das direcções através
das quais queremos fazer a mudança e a diferença em relação à política municipal do
passado.

Por isso, em nome dos candidatos socialistas ao município de Almada e do Conselho
de Cidadãos que apoia o Futuro, 35 anos depois, queremos convidar-vos a lerem-no e
a mandarem, ainda agora, sempre, as vossas sugestões.

Este programa está vivo e nas reuniões regulares do Conselho de Cidadãos será
permanentemente revisitado. Em www.almada2009.com estará uma porta sempre
aberta para o seu contributo, porque nós queremos novas ideias para novas soluções
e não nos fechamos em dogmatismos herdados do passado.

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Temos hoje ideias claras para dar corpo à nossa ideia para o futuro de Almada:

• Aumentar a mobilidade e devolver a vida ao centro da cidade, revogando o
plano Mobilidade XXI, completando as infraestruturas viárias e colocando todos
os pontos do concelho a uma distância inferior a 30 minutos do centro, em
transporte público;

• Tornar o concelho mais cosmopolita, potenciando muito melhor a relação
com Lisboa, o rio e o mar, adoptando uma estratégia ofensiva de captação de
investimento moderno e emprego, em competição com os outros pólos da área
Metropolitana de Lisboa, afirmando-o como um concelho ambientalmente
sustentável, tornando-o num pólo de nível nacional das artes do espectáculo e
afirmando a Costa da Caparica como grande complexo de praias da capital do
país, activo todo o ano;

• Reequilibrar urbanisticamente o concelho, investindo na renovação urbana
que tem estado bloqueada, qualificando as áreas degradadas e apoiando a
reconversão das AUGI, que têm sido esquecidas e metade das quais
continuam por reconverter passadas décadas, implicando diversas
consequências urbanísticas e sociais;

• Apoiar as famílias trabalhadoras, pela melhoria dos serviços à população,
com destaque para os transportes colectivos e para a escola pública,
construindo as 60 salas de aula que faltam, distribuindo gratuitamente os
manuais escolares do 1º ciclo ,garantindo às famílias a escola pública a
funcionar das 7 às 19 horas para todos e cuidando dos cuidadores, ou seja,
desenvolvendo serviços de apoio às famílias que têm pessoas dependentes no
seu seio;

• Fazer de Almada um concelho socialmente mais coeso, com uma nova
estratégia de apoio ao idosos, combatendo o seu isolamento e promovendo o
desenvolvimento social, em particular nos bairros mais carenciados, pela

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aposta em parcerias com os agentes locais e numa nova política social de
habitação, sem novas concentrações de pobreza.

Ao longo do programa, encontrará o desenvolvimento destas grandes opções.

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3 | A NOSSA VISÃO: UM MUNICÍPIO-ESTRATEGA PARA UM
CONCELHO COSMOPOLITA, TERRA DAS DUAS ÁGUAS NA GRANDE
CIDADE-CAPITAL.

Partimos da profunda convicção de que mudar é possível, e que a nossa candidatura
está à altura do desafio.

Quando no início de 2008 começámos a preparar esta candidatura, sabíamos que
tínhamos pela frente um longo caminho a percorrer. Não começámos por procurar
uma pessoa para se candidatar, mas por definir uma estratégia de actuação que tinha
um princípio muito claro: criar um mecanismo de proximidade e de diálogo com a
população de Almada que pudesse reflectir posteriormente, no programa que agora
vos apresentamos, uma visão para o futuro da cidade e que pudesse ser discutida
entre o candidato, os eleitores e os movimentos de cidadãos do concelho.

Desse princípio nasceu então um fórum de debate com a população de Almada a que
chamámos Espaço Almada 2009.

O Espaço Almada 2009, lançado em Outubro de 2008 na emblemática Academia
Almadense, fez de 55 sessões públicas em todo o tipo de salas do concelho, desde
escolas a inúmeras colectividades, em cada uma das suas 11 freguesias, um espaço
de debate, de reflexão, um espaço livre, democrático, aberto a todos os cidadãos
motivados a participar. Um espaço aberto a todos sem excepção.

Contando com a participação de mais de 60 oradores, envolvendo milhares de
pessoas, debatemos múltiplos temas abarcados pelo urbanismo e desenvolvimento
urbano: mobilidade, turismo, comércio, habitação social, reabilitação, equipamentos,
infra-estruturas, educação, saúde, entre muitos outros.

Das 55 sessões resultaram inúmeros contributos, sugestões, recomendações e
orientações que sistematizámos e integrámos, como elementos essenciais para o

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aprofundamento da Visão que temos para Almada, de hoje e de amanhã, para que
Almada se vire definitivamente para o futuro.

As bases para um contrato com os cidadãos, que emergiram do Espaço Almada
estiveram vários meses em discussão pública, fora divulgadas no site da candidatura e
enriquecidas com as propostas que,por diversas vias, nos foram chegando.

Esta é a nossa forma de estar na política.

Servindo a política em primeira e última instância para assistir as pessoas, a todos nós
enquanto cidadãos, e sendo o poder autárquico o poder de proximidade por
excelência, elaborámos um programa abrangente que para além da nossa visão para
a cidade, reflecte a visão de muitos almadenses, dando-nos portanto a garantia de que
responde a necessidades reais e directas, desejos, sonhos, ambições. Procurámos,
com a criação do Espaço Almada 2009 e as sessões públicas que com ele realizámos,
uma forma de legitimação da nossa proposta para Almada. Uma proposta de todos,
alargada a todos!

Só desta forma, com a participação de todos, é possível não só entender as alterações
da estrutura social e económica que ocorreram nos últimos 35 anos no concelho de
Almada, passando pela decadência da industrialização, à secundarização da cidade
em relação a Lisboa, no contexto da Área Metropolitana de Lisboa (AML), como propor
soluções para os novos desafios que estas alterações representam.

O Espaço Almada 2009 foi igualmente determinante para a avaliação da importância
estratégica de integrar, nas prioridades para o concelho, os grandes investimentos
previstos para a Península de Setúbal: o novo aeroporto, a Terceira Travessia do Tejo,
a plataforma logística do Poceirão e principalmente o projecto do Arco Ribeirinho Sul
que se irá desenvolver, no que envolve o nosso concelho, nos terrenos da antiga
Lisnave.

Almada, enquanto Concelho, caracteriza-se por uma grande diversidade interna,
constituindo um mosaico de malhas urbanas com morfologias e histórias muito

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distintas. Um Concelho onde zonas edificadas históricas, consolidadas ou
recentemente urbanizadas, coexistem com espaços verdes e vazios urbanos, onde o
meio urbano, densificado e na sua maioria desqualificado, convive com zonas peri-
urbanas de povoamento mais disperso, numa área de razoável extensão geográfica.

Um Concelho com enormes disparidades e assimetrias.

Um território disperso, cuja expansão, em ‘mancha de óleo’, aparece muitas vezes
sustentada no próprio desenvolvimento da rede de infra-estruturas. Este facto, somado
ao uso generalizado do automóvel individual como meio de transporte primordial,
explica a penetração da explosão imobiliária nas áreas mais longínquas do Concelho.

O que não deixa de ser curioso: Almada, na sua condição periférica, conseguiu criar
relações de sub-periferias dentro da área do próprio município. Com todos os
problemas que isso acarreta! Sendo a mobilidade no interior do Concelho, um dos
principais e mais longe de estar bem enfrentado.

Almada vive hoje na dualidade de ser um Concelho cuja explosão demográfica e
imobiliária é ainda recente, padecendo no entanto, ao mesmo tempo, do fenómeno de
desertificação que se verifica em cidades como Lisboa, Porto, Coimbra… Nos últimos
anos, assistimos ao abandono, envelhecimento e degradação progressivos das
freguesias mais urbanas do Concelho: Almada, Cacilhas, Cova da Piedade, em
contraponto ao crescimento exponencial de freguesias nas áreas de expansão:
Charneca de Caparica, Monte de Caparica e Sobreda.

Em termos morfológicos, puramente territoriais, tais disparidades poderiam constituir
riqueza e diversidade, se tivéssemos vivido 35 anos de crescimento sustentado,
planeado, pensado e controlado. A realidade com que nos deparamos é bem
diferente.

Por outro lado, o futuro de Almada é indissociável das perspectivas de evolução da
AML mas principalmente da Península de Setúbal. São exemplo disso o Novo

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Aeroporto Internacional de Lisboa, a Terceira Travessia do Tejo (TTT), o projecto
recentemente aprovado do Arco Ribeirinho Sul.

Portanto, perspectivar o futuro da cidade de Almada, exige a compreensão cuidada e
a gestão atenta do tipo de relações que se estabelecem tanto no interior da cidade
como entre ela, a área envolvente e as restantes cidades e regiões do país.

O desenvolvimento urbano de Almada deverá ser equacionado em função da
diferenciação interna da cidade, mas deve ser pensado estrategicamente a partir do
exterior, com base numa visão que, mobilizando capacidades de investimento e
empreendedorismo, anime um caminho colectivo capaz de promover o
desenvolvimento económico e social, a qualidade de vida urbana, a criatividade e a
notoriedade internacional. A definição e operacionalização deste programa devem ser
capazes de responder a este repto.

Definimos assim, em 4 perspectivas estruturantes, a nossa visão conjunta para o
desenvolvimento de Almada:

> Almada, Município–Estratega:

O nosso programa assenta numa visão do papel do município em que este assume
o papel de estratega, orientando a sua acção para a antecipação do melhor futuro
possível para o concelho, a regulação dos seus disfuncionamentos e o apoio ao
dinamismo dos cidadãos, em contraponto com o município burocrático e dirigista da
actual concepção.

> Almada, Cidade das Duas Águas
(Cidade que liga o Rio ao Mar)

A nossa situação geográfica no estuário do Tejo e a extensão de costa e frente
ribeirinha, dão-nos condições privilegiadas para tirar mais-valias desta inserção.

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Almada apresenta condições de habitat muito particulares, que advêm de um
importante leque de recursos naturais e paisagísticos.

Relativamente ao estuário do Tejo é particularmente importante o seu valor
patrimonial como elemento de centralidade e de identidade. A elevada importância
ecológica desta zona húmida a nível europeu, incluída na lista de Zonas de
Protecção Especial da Rede Natura 2000, torna indissociáveis os objectivos de
protecção, conservação e valorização ambiental do estuário do Tejo e os objectivos
de desenvolvimento urbano sustentável de Almada.

Queremos ser um território de referência na ligação à frente marítima e fluvial,
criando novas centralidades, novas ligações da cidade ao rio e ao mar, intervindo na
requalificação da frente ribeirinha, no saneamento e requalificação ambiental,
criando referências no espaço urbano e atraindo investimentos ligadas ao lazer.
Encaramos a frente ribeirinha como um espaço de valorização ambiental, económica
e de usufruto pelos cidadãos.

> Almada, Cidade Cosmopolita
(Cidade aberta à diversidade e socialmente coesa)

A visão de Almada como Cidade Cosmopolita, traduz uma cidade que valoriza a
coesão social, o cosmopolitismo, a criatividade, a tolerância e a abertura ao exterior,
com o objectivo de promover uma cidade atractiva e contemporânea, que se
pretende cosmopolita e multicultural.

Engloba também as dimensões do património cultural, seja o património cultural
edificado e a gestão dos monumentos e equipamentos culturais da cidade, ou o
património cultural intangível, relacionado com a história e a tradição cultural de
Almada.

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Envolve ainda, a dimensão de animação cultural e turística, potenciando os
equipamentos culturais, valorizando a identidade histórica e assegurando uma maior
eficácia na forma como a cultura e a animação urbana chegam aos diferentes
públicos. Pretende-se acima de tudo:

• Dar nova vida ao centro da cidade, corrigindo os erros de gestão urbanística que
o fragilizaram e desertificaram;

• Apoiar o investimento na modernização e sustentabilidade do comércio
tradicional que tem sido mal apoiado;

• Evitar a “cidade partida “ e qualificar os eixos de expansão da cidade;

• Renovar espaços degradados, com soluções que criem novas centralidades e
referências no espaço urbano;

• Valorizar a frente de praias e em particular a Costa da Caparica, fazendo desta
a grande praia da capital, atractiva todo o ano;

• Apoiar com empenho a reconversão das Áreas Urbanas de Génese Ilegal em
particular as da 1.ª geração, abandonadas pelo município.

> Almada, Cidade do Sul do Tejo
(Pólo competitivo da capital, vivo 24h por dia, 7 dias por semana)

A localização geográfica dá-nos a ambição de ser, com o Seixal, Sesimbra e o
Barreiro, um núcleo altamente competitivo da metrópole-capital do país. As grandes
obras públicas que se avizinham e em particular a Terceira Travessia do Tejo e o
Novo Aeroporto Internacional de Lisboa dão-nos uma janela de oportunidade que
temos que aproveitar. As nossas forças incluem a presença de ensino superior

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qualificado, a proximidade a Lisboa, o ambiente natural, pela concentração de áreas
protegidas, o rio e o mar, o passado industrial, o nível de qualificação da população.

Temos que ultrapassar as nossas fraquezas, que incluem a existência de vastas
zonas urbanas por reconverter e requalificar, a falta de um ambiente institucional
pró-activo para atracção de investimento e uma imagem exterior do concelho
carregada de estereótipos e desactualizada. Em conjunto com os outros municípios
vamos:

• Adoptar uma estratégia de marketing territorial e de atracção de investimento;

• Melhorar a marca Almada e a marca Sul do Tejo como ambientes favoráveis ao
investimento, nomeadamente no âmbito da sociedade do conhecimento;

• Fazer da cidade do teatro uma cidade das indústrias da cultura;

• Voltar a olhar o mar como oportunidade;

• Almada deveria ser naturalmente reconhecida por uma economia fortemente
ligada às actividades marítimas, mas efectivamente, não tem sabido explorar,
em extensão e profundidade, as potencialidades que a natureza colocou aos
seus pés. Não tem sequer um Porto de Pesca, apesar da Lota da Costa da
Caparica ter maior movimento do que a de Cascais;

• É, pois, indispensável, dispor de uma infra-estrutura que integre um Porto de
Abrigo e uma Lota, localizados adequadamente para garantir a eficiência e o
nível de operacionalidade desejada pelos profissionais do sector e permitir o
desenvolvimento desta importante actividade económica e social.

Almada tem no seu território um enorme potencial de investigação ligado ao mar, em
que se incluem as instalações militares da Armada Portuguesa:

• O município deve estabelecer parcerias institucionais com a Armada que
diversifiquem a sua ligação ao concelho e façam de Almada um concelho de

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vanguarda na indústria da defesa na área naval e na investigação naval, civil e
militar.

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4 | PROGRAMAS ESTRATÉGICOS

Este programa está organizado de modo a que os cidadãos possam perceber com
clareza quais as nossas prioridades. Não fizemos um catálogo de medidas, nem
inventariámos pequenas intervenções avulsas, sempre necessárias.
Pelo contrário, pretendemos que ao ser lido, ele possa dizer aos cidadãos quais são
as nossas prioridades para atingirmos a visão que temos.

Daí que tenhamos identificado sete programas estratégicos de acção, que envolverão
os diversos departamentos municipais e serão a trave mestra do novo impulso
necessário para que Almada entre plenamente no século XXI.

1. DEVOLVER A VIDA AO CENTRO DA CIDADE

Devolver a vida ao centro da cidade de Almada, passa pela sua organização coerente.
Passa pela harmonia e equilíbrio estético do desenho urbano e arquitectónico, pela
mobilidade, pela reabilitação urbana, pela preservação dos valores patrimoniais do
edificado, pela concentração e reforço da actividade económica, pela integração e
mistura de funções. No fundo, passa por pôr em diálogo um conjunto de factores, não
exclusivos ao centro da cidade, mas que nele têm implicações, mais ou menos
directas, baseando-se nos seguintes procedimentos principais:

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> Descongestionar a cidade, dar mais mobilidade aos cidadãos

O actual Plano de Mobilidade não satisfaz as necessidades de mobilidade dos
cidadãos, para além de ter agravado as condições de circulação na cidade de
Almada. Por isso, é necessário desbloquear as artérias centrais da cidade
revogando imediatamente o Plano mobilidade XXI e abrindo ao trânsito os
troços hoje parcialmente fechados na falsa zona pedonal.

É necessário ainda, olhar com coerência para a rede viária, fazendo as avenidas
distribuir o tráfego, enquanto as ruas estreitas servem o trânsito de proximidade. Ao
contrário da situação inversa e irracional que hoje se vive.

Passa ainda por expandir os lugares de estacionamento à superfície criando, por
exemplo, lugares de estacionamento em espinha, onde a largura das avenidas e dos
passeios o permita. Como medidas complementares, que aumentarão o impacte das
mudanças necessárias, temos ainda:

• Revisão do Regulamento de Cargas e Descargas da Cidade de Almada, com
introdução de novas tecnologias e novas regras de utilização dos espaços de
cargas e descargas;

• Beneficiação da sinalização horizontal, com enfoque na pintura de passagens de
peões e marcação das faixas de rodagem nas vias de trânsito promovendo a
utilização de pavimento rugoso a anteceder as passadeiras o que implica a
redução de velocidade dos veículos automóveis;

• Revisão da política de renovação urbana e de estímulo a que ela recomece, por
contraponto à continuação da densificação do concelho;

• Revisão do Regulamento da Taxa Municipal pela Realização de Infra-estruturas
Urbanas (TRIU), com isenção de pagamento até ao valor dos custos
demonstrados com obras de reabilitação de edifícios, como forma de incentivar
a melhoria das condições de habitabilidade e a preservação do património
arquitectónico da Cidade;

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> Animar a vida da cidade

Apostar na criatividade através da atracção de talento:

• Organização de um programa, na zona central da cidade, para animar cultural e
economicamente esta zona da cidade com espectáculos lúdicos e musicais,
tendo como contrapartida do investimento municipal a garantia pelos
comerciantes locais de que haverá um dia por semana de abertura das lojas até
mais tarde, pelo menos até às 22 horas; esta medida deverá ser lançada já no
mês de Novembro, de modo a que os efeitos se produzam já na quadra
natalícia.

• Organizar, em período de verão, uma noite do eixo central, com o comércio
aberto até às 02h00, em que cada loja seria palco de uma intervenção,
performance, exposição;

• Estimular a arte nas ruas, através de concursos públicos internacionais para
ocupação, por artistas, de espaços públicos do concelho;

• Criação de circuitos artísticos\temáticos: galerias, música ao vivo, museus e
centros de ciência, gastronomia, enologia, …

• Estimular a participação pública, a inteligência colectiva, expressa através de
propostas individuais dos cidadãos de Almada;

• Reforçar o programa de exposições, animação cultural e pedagógica dos
museus e equipamentos da cidade;

• Elaboração de itinerários culturais de descoberta da cidade através do olhar e
do conhecimento de especialistas sobre a vida quotidiana da cidade, os locais
da memória colectiva, o património edificado e literário, as ruas e as paisagens
urbanas, a história e os pormenores da tradição;

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> Criar um fundo municipal de investimento na modernização do comércio
tradicional

Criação de um fundo municipal de investimento na modernização do comércio
tradicional, dotado com 2 milhões de euros, destinados a co-financiar projectos de
investimento no comércio tradicional que obedeçam ao princípio de modernizar e
diversificar a oferta comercial, aumentar a qualidade do serviço e diversificar os
horários de abertura.

Para além disso propomos:

• Abertura do comércio local em horário alargado, complementado por iniciativas
da Câmara, de acesso livre nas praças e ruas;

• Dar prioridade ao comércio de proximidade, sempre que possível, ancorado nos
mercados municipais;

• Valorização física e funcional dos mercados municipais como catalisadores de
dinâmicas comerciais locais;

• Favorecimento da articulação entre comércio, restauração e lazer/ cultura;

• Reutilização comercial, reconversão de espaços comerciais devolutos e
combate à expansão desordenada e dispersa;

• Qualificação da oferta existente e reforço da identidade dos centros de
comércio, em articulação com o planeamento urbano;

• Liberalização das regras de instalação da actividade comercial e apoio à
instalação de formatos inovadores;

> Reforçar a atractividade do centro da cidade

Realizar investimentos que reforcem a atracção do centro da cidade,
designadamente:

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• Criação da Loja do Cidadão, adiada há 6 anos por incompetência negocial da
actual gestão camarária

• Trazer para o centro novos equipamentos de nível metropolitano e nacional;

• Anular o projecto de transferência dos Paços do Concelho para o Centro Sul,
reabilitando e reforçando a sua presença no centro urbano de Almada, como
promotor do desenvolvimento de mais actividades económicas e serviços;

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2. TURISMO, TODA A COSTA, TODO O ANO

A importância estratégica do sector Turístico deve passar pela aposta na construção
de um sector diversificado e diferenciado, gerador de valor, de modo a impulsionar
actividades quer a montante, quer a jusante do turismo, dirigidas a nichos de mercado
exigentes, por oposição a uma opção exclusiva por um turismo massificado e de baixo
valor acrescentado.

A Costa da Caparica tem sido votada ao abandono por parte da actual gestão
camarária, apenas contrariada pelos investimentos associados ao programa POLIS
visando a requalificação urbana de uma parte substancial da Costa da Caparica. Na
realidade, é incompreensível que uma frente de praias com duas dezenas de
kilómetros e com vários milhões de habitantes num raio de deslocação de uma hora,
não seja uma peça central no desenvolvimento económico do concelho.

Almada, com uma localização privilegiada, entre o estuário do Tejo e o oceano
Atlântico e com um santuário visitado anualmente por 400.000 peregrinos e outros
turistas, não considerou o Turismo como área estratégica, uma das âncoras do seu
desenvolvimento.

O turista típico da “Costa da Caparica” e do “Cristo-Rei” é do tipo “toca e foge”, ou
seja, “toma banho e vai-se embora” ou “vai ao Cristo-Rei e volta, sem descer sequer
ao centro de Almada”, ou a Cacilhas para almoçar, como há muitos anos se fazia.

Apesar do POLIS constituir um investimento essencial na requalificação da Costa, não
se vislumbra uma estratégia consistente da CMA para que o turista se sinta motivado
a prolongar a sua estadia. É preciso estender o conceito POLIS a todas as praias da
Costa, e desenvolver o conceito de “praia todo o ano”, em articulação com os
concessionários, comerciantes, pescadores – criando um “sistema integrado de
praias”, com apoio aos diversos desportos náuticos – veja-se o sucesso de Tarifa

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(Espanha), onde o surf é tratado de modo profissional, com escola “Kid surf” e oficinas
de reparação.

O POLIS foi, com todos os defeitos que tenha, o melhor que aconteceu à Costa nas
últimas décadas.

Mas agora há que saber como o continuar. Temos que incluir no conceito do POLIS a
requalificação da Rua dos Pescadores e, evidentemente, fazê-lo abranger a Fonte da
Telha.

Há que rever alguns investimentos que estão planeados. Os parques de campismo
têm que ser mais pequenos e reordenados para serem verdadeiros parques e não
bairros degradados disfarçados de campismo. Para isso, deve fazer-se como se fez
em Monsanto há uns bons pares de anos: fechar para obras, reabrir com melhores
infraestruturas e impedir o campismo permanente. Por isso somos contra a mudança
para a Charneca de Caparica, que não resolveria nenhum dos problemas actuais e
criaria outros que não existem a outra freguesia do concelho.

A solução para o bairro do Campo da Bola tem que ter presente a conciliação com os
residentes para evitar que haja pessoas a ser desalojadas apenas porque não são
suficientemente ricas para viver junto ao mar ou porque não fazem valer os seus
direitos a negociar a saída, quando necessária. Aqueles terrenos foram dados pelo
Estado à Câmara há 30 anos para que esta os cedesse em direito de superfície aos
moradores de então. Em 30 anos não se concretizou a operação e agora a Câmara
passou os terrenos para o POLIS para que este desaloje os moradores. Fazer assim
requalificação urbana não é aceitável e há que atender aos interesses legítimos das
pessoas que vivem no bairro há décadas e esperaram décadas que a Câmara
cumprisse as condições da cedência de terrenos. Agora vêem-se sumariamente
ameaçados de despejo e de serem remetidos para mais um gigantesco bairro social..
Essa perspectiva tem que ser arredada através de uma negociação séria e equitativa.

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É preciso uma nova cultura de serviços no turismo. Não há uma segunda oportunidade
para causar boa impressão - é essencial um grande esforço de requalificação dos
recursos humanos ligados ao turismo. Temos no país boas escolas hoteleiras, cujos
curriculum foram reformulados com base na famosa “escola de hotelaria de
Lausanne”, na Suíça, que devem ser chamadas a apoiar esta requalificação.

A CMA deve ter um papel mais pró-activo com os agentes económicos e o estado
central. Aliás, facilitado pela nova lei hoteleira, que reduz a burocracia, promove os
projectos criativos e inovadores e atribui às autarquias um papel mais destacado.

A proposta turística deve ser integradora e encarada como um todo, ou seja,
envolvendo a frente ribeirinha de Cacilhas, Almada, Trafaria, Costa de Caparica, mas
também os monumentos (como Cristo-Rei e Igrejas) e actividades culturais que se
organizam, como o Festival de Teatro de Almada.

Existem, ainda, outras potencialidades que podem complementar e diversificar a oferta
todo o ano, como a arriba fóssil e o turismo rural associado, com base numa rede de
quintas.

É preciso desenvolver e articular novas medidas e actividades com a praia, o
Santuário, o Comércio, o Festival de Teatro, e desenvolver, com criatividade, as
potencialidades das interacções com outras, tais como:

• Construir uma piscina oceânica, a funcionar todo o ano;

• Fazer na Costa Caparica um grande festival de Verão, de dimensão nacional;
dado que reúne todas as condições para isso, embora inexplicavelmente, tal não
aconteça;

• Construir um Anfiteatro ao Ar Livre, vocacionado para receber animação nos
períodos de temperaturas amenas;

• Animações de fim de tarde, com música e outras artes do espectáculo durante o
Verão e aos fins de semana na Primavera e Outono

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• Melhorar as acessibilidades, designadamente as interfaces dos transportes
públicos actuais e trabalhar para que o Metro chegue à Costa em 2012;

• Levar regularmente espectáculos do Festival de Teatro e outras actividades
culturais, à Costa de Caparica;

• Criar condições para a prática dos mais variados desportos ligados ao mar,
minimizando o seu carácter sazonal, e promovendo competições a eles
associadas;

• Elaborar roteiros turísticos que prolonguem e complementem o Cristo-Rei e que
integrem, por exemplo, a gastronomia, locais históricos e museus;

• Promover um novo urbanismo comercial, em parceria com a associação de
comerciantes, apostando forte animação e na requalificação do comércio local e
da gastronomia – criando marcas de qualidade associadas a Almada;

• E, não esquecer, dar especial atenção às placas toponímicas, orientadoras dos
visitantes, que tanto falham no nosso país.

Ao contrário do que sucedeu ao longo das últimas décadas, é importante que as ideias
possam sair do papel, da fase de projecto, e sejam implementadas no terreno e
tenham vantagens na vida de todos os almadenses.

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3. SER UM PÓLO NACIONAL DE ARTES PERFORMATIVAS

Animar, Estimular, Promover e Envolver: são os 4 pilares para uma cidade que
assume a cultura como uma das suas prioridades de desenvolvimento. O município de
Almada deve saber interpretar aquilo que é a força do seu movimento associativo
promover a sua modernização e adequação à nova realidade social.

Considerar a Cultura como um factor fundamental do desenvolvimento local, anima-
nos a procurar fazer de Almada uma cidade de vocação cultural, onde a Cultura seja
considerada como motor do desenvolvimento local, do seu dinamismo económico e da
sua prosperidade futura. Colocar a cultura ao serviço e fruição de todos os munícipes.

> Vamos ser um pólo de nível nacional das artes performativas

Almada é já a cidade de referência do teatro. Queremos preservar e melhorar ainda
essa marca, apoiando a expansão do cluster das artes do espectáculo e de todas as
artes performativas em geral:

• Faremos tudo para que Almada venha a acolher uma estrutura de nível nacional
do teatro, da dança ou da música, projectando o concelho para a dimensão
nacional nas artes performativas que ainda lhe falta e já merece ter;

• Apoiaremos a criação de uma rede de formação para as actividades culturais,
integrando o esforço no apoio aos criadores e aos profissionais do
espectáculo,em geral;

• Apoiaremos a diversificação de iniciativas de animação cultural, estendendo-as
a todas as zonas do município, em especial à Costa da Caparica, diversificando-
as e criando um programa anual de animação cultural do município.

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4. RESOLVER O PROBLEMA DA RECONVERSÃO DAS AUGI

A excessiva expansão de loteamentos ilegais, a proliferação de construções
clandestinas, a acelerada destruição das zonas naturais mais valiosas e a forte
expansão urbana desregrada e sem critério, exigem medidas vigorosas de combate,
no sentido de inverter e estancar este aumento tendencial para o desordenamento
territorial do Concelho.

Daí, a urgência da reconversão das Áreas Urbanas de Génese Ilegal (AUGI),
resolvendo problemas urbanísticos do espaço urbano desqualificado que abrangeram
40% do território do municipal. Áreas onde é urgente intervir no sentido de conter a
degradação e desqualificação, introduzir dinâmicas de reequilíbrio social e urbanístico
e mecanismos de coesão social, suprir carências de infra-estruturas e equipamentos,
apontando para a necessidade de efectuar investimentos orientados para a
reestruturação e reabilitação urbanas e para as necessidades das populações.

Em Almada existem ainda assimetrias e incoerências no tecido urbano que carecem
de correcção, nomeadamente ao longo da frente ribeirinha, nas referidas áreas
urbanas de génese ilegal (AUGI) e bairros sociais subequipados e degradados, mas
também nos bairros mais antigos com habitação degradada e com fogos devolutos.

Até agora, esta questão não tem tido a atenção que merece e mantém-se uma
situação que prejudica a qualidade de vida dos cidadãos e envergonha o concelho.
Por isso nos propomos alterar drasticamente a orientação da política municipal nesta
área, operacionalizando três princípios: serviço público aos cidadãos, prioridade à
aceleração da reconversão; atenção às melhorias ambientais. Dando corpo a esta
orientação, apresentamos um programa de apoio à reconversão das AUGI que se
baseia nas seguintes propostas concretas:

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>Melhorar o serviço municipal para apoio à reconversão
• Criar o Gabinete das Áreas Urbanas de Génese Ilegal, dotado de corpo
técnico multidisciplinar (arquitectos, engenheiros, juristas e administrativos),
como única entidade municipal responsável pela gestão urbanística, apoio e
acompanhamento dos processos de reconversão das AUGI, da iniciativa das
CAC (Comissão de Administração Conjunta).
• Elaborar anualmente a Carta Temática das AUGI, prevista na Lei nº 91/95,
indispensável à obtenção de financiamentos públicos nacionais e comunitários
de apoio aos processos de reconversão das áreas urbanas de génese ilegal.
• Elaborar os Planos de Pormenor de Reconversão necessários às AUGI cuja
localização apresente conflitos urbanísticos e ambientais com o PDM. Os
Planos de Pormenor de Reconversão serão elaborados pela DEP (Divisão de
Estudos e Planeamento) em colaboração com o Gabinete das Áreas Urbanas
de Génese Ilegal.
• Elaborar os Projectos de Obras de Urbanização necessários à reconversão
urbanística dos Núcleos de Lotes Destacados da responsabilidade municipal.
• Reforçar a Fiscalização Urbanística do território municipal, prevenindo o
surgimento de novas construções ilegais.
• Promover a criação de Associações de Moradores locais, para a construção e
gestão de equipamentos culturais, desportivos e sociais de proximidade
nas parcelas cedidas ao Município para esse fim, nos processos de
reconversão.

>Mobilização de recursos financeiros públicos para a reconversão das AUGI.

• Criar um Fundo Municipal de Urbanização, nos termos do Artigo 56º da Lei
dos Solos, para investir nos processos de reconversão da responsabilidade da
CMA e apoiar os processos de reconversão da iniciativa das CAC.
• Afectar ao longo dos próximos anos, no mínimo 3 milhões de euros (um
esforço equivalente a cerca de 2% do actual Orçamento Municipal), ao
investimento nos processos de reconversão

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• Promover candidaturas municipais aos fundos comunitários do QREN
(Quadro de Referência Estratégica Nacional), na Agenda Operacional para a
Valorização Territorial, para investir nos processos de reconversão.
• Promover junto do sistema bancário melhores condições em linhas de crédito

>Regulamentação e uniformização dos procedimentos administrativos e
técnicos.

• Simplificar e agilizar os procedimentos de licenciamento dos processos de
loteamentos de reconversão das AUGI, da iniciativa das CAC.
• Elaborar um Manual de Normas Regulamentares, Técnicas e Urbanísticas
básicas para a elaboração dos projectos de loteamento de reconversão das
AUGI, para apoiar o trabalho das CAC e das equipas técnicas responsáveis
pelos processos.
• Admitir o licenciamento condicionado, após a aprovação do Projecto de
Loteamento, de obras de edificação, nas situações de urgente necessidade de
habitação permanente, por razões de segurança, salubridade e habitabilidade
das construções existentes, ou ainda para o exercício de actividade económica
de que dependa o rendimento do agregado familiar do requerente.
• Admitir a ligação precária dos ramais de infra-estruturas essenciais,
nomeadamente de água, esgotos e electricidade, por comprovadas razões de
salubridade, saúde pública ou ambientais.
• Dispensar o estacionamento coberto para bicicletas previsto no RUMA
(Regulamento Urbanístico do Município de Almada).
• Flexibilizar as soluções de cumprimento dos parâmetros de cedência ao
Município de áreas para espaços verdes e equipamentos, considerando,
para aferir o seu cumprimento, 50% da área verde ajardinada e arborizada
integrada nos logradouros privados dos lotes, até 25 m2/lote.
• Simplificar e racionalizar a fórmula de cálculo da compensação em
numerário pela não cedência, prevista no RUMA (Regulamento Urbanístico

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do Município de Almada), ajustando-a ao valor do solo urbano, considerando
os usos de espaço verde e equipamento.
• >Colaboração e apoio às CAC (Comissões de Administração Conjunta).
• Garantir a representação qualificada da CMA nas Assembleias das AUGI,
como forma de incentivo, apoio e acompanhamento dos processos de
reconversão.
• Elaborar os Projectos de Loteamento de reconversão da iniciativa das CAC,
quando razões sociais, urbanísticas e/ou ambientais o justifiquem. Os
Projectos de Loteamento de Reconversão serão elaborados pela DEP (Divisão
de Estudos e Planeamento) em colaboração com o Gabinete das Áreas
Urbanas de Génese Ilegal.
• Elaborar uma Carta de Gestão Fundiária com as áreas de Equipamento e
Espaços Verdes previstas no PDM, para apoiar as CAC na aquisição das
parcelas para cedência ao Município.
• Garantir o acompanhamento técnico semanal das obras de urbanização
nos processos da iniciativa das CAC e a sua recepção provisória no prazo de
60 dias após a sua conclusão.
• Garantir o acompanhamento e apoio dos serviços municipais nos actos de
registo dos Alvarás de Loteamento e da divisão da coisa comum.

>Comparticipação nos custos e estímulo financeiro a reconversão das AUGI.

• Comparticipar nos custos das obras de urbanização, nos processos de
reconversão da iniciativa das CAC, nos termos previstos na Lei das AUGI.
• Comparticipar até 50% no custo das obras de infra-estruturas periféricas
e exteriores nos processos de reconversão da iniciativa das CAC.
• Comparticipar até 50% no custo das obras regularização e limpeza das
linhas de água nos processos de reconversão da iniciativa das CAC.
• Isentar do pagamento da Taxa Municipal de Urbanização as áreas de
construção previstas no Alvará de Loteamento para cedência ao Município, nos
casos de aplicação do parâmetro de edificação equivalente (pee).

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• Isentar de taxas administrativas a emissão dos Alvarás de Loteamento ou
de Obras de Urbanização, nos processos de reconversão da iniciativa das
CAC.
• Reduzir a Taxa Municipal de Urbanização em 40% quando liquidada após a
aprovação do projecto de loteamento e antes da emissão do Alvará de
Loteamento, limitada, em cada AUGI, a um lote por titular singular.
• Reduzir a Taxa Municipal de Urbanização em 30% quando liquidada durante
o primeiro ano imediato à emissão do Alvará de Loteamento, nos casos de
única habitação permanente do requerente.
• Reduzir a Taxa Municipal de Urbanização em 20% quando liquidada durante
o segundo ano imediato à emissão do Alvará de Loteamento, nos casos de
única habitação permanente do requerente.
• Reduzir a Taxa Municipal de Urbanização em 25% nas áreas de construção
destinadas a arrumos, instalações técnicas e estacionamento coberto.

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5. MOBILIDADE, AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE TERRITORIAL

Uma nova política na área do desenvolvimento sustentável passa pela capacidade de
abordagem integradas dos principais problemas que afectam o município de Almada,
designadamente a questão da mobilidade e da qualidade de vida. Só desta forma será
possível responder aos problemas com que diariamente os almadenses se deparam e
para os quais o actual executivo não foi capaz de dar reposta, ao longo destes 35
anos.

Os eixos prioritários desta política são:

> Mobilidade sustentável

O concelho de Almada tem um problema de mobilidade que assenta numa visão
centralista do actual executivo camarário que apenas se preocupou, no seu Plano
Mobilidade XXI, com o centro da cidade de Almada e com os resultados que estão à
vista de todos.

O nosso programa prevê pois a revogação do Plano Mobilidade XXI e a
elaboração de um novo plano que abranja todo o concelho. Assim é necessário
hierarquizar e articular, de forma coerente, as redes viárias de distribuição do
tráfego: uma rede de distribuição principal, sistema de eixos viários que garantam a
distribuição dos maiores fluxos, e uma rede de distribuição secundária, que assegure
a distribuição de proximidade e acessos locais em articulação com os eixos de nível
superior. Estas duas redes, complementadas por uma terceira, uma rede
estruturante, que serve de suporte aos percursos de longa distância intra-concelhios,
de atravessamento ou de ligação com os concelhos vizinhos.

Neste sentido, vamos adoptar um novo paradigma para a mobilidade no concelho
que inclua:

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• A colocação de todas as freguesias do concelho a uma “distância” de 20 a 30
minutos, em transporte colectivo, de uma interface de transportes e do centro da
cidade de Almada;

• Criação de uma rede de interfaces que permita a coordenação de todos os
modos de transporte, facilitando transbordos rápidos e confortáveis para os
utilizadores do sistema de transportes;

• Reestruturação do sistema de transportes colectivos, assumindo o Eixo
Ferroviário Norte-Sul e o MST, como elementos estruturantes da rede,
complementados com uma rede de transporte colectivo rodoviário que assegure
o serviço no restante espaço do concelho;

• Hierarquização coerente da rede viária, complementando os eixos longitudinais
de maior capacidade com elementos transversais de ligação e salvaguarda das
condições de segurança nas zonas residenciais, de lazer e estabelecimentos
escolares;

• Completar a rede viária do concelho com elementos essenciais para o
descongestionamento do Centro Sul e da cidade de Almada;

• Definir uma politica de estacionamento que favoreça os residentes, o
estacionamento de curta duração e combata o estacionamento ilegal;

• Favorecer a circulação pedonal e potenciar a criação da utilização da bicicleta.

Vamos adaptar a rede rodoviária às necessidades de um município dinâmico.
As redes viárias são as veias da circulação urbana. No concelho estão
excessivamente obstruídas e necessitam-se novos investimentos estratégicos:

• Construir o túnel do Brejo estendendo o actual túnel do Centro Sul à Avenida
Aliança Povo MFA;

• Promover uma ligação desnivelada entre a Avenida Rainha Dona Leonor e a
Avenida Aliança Povo MFA;

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• Criar um novo Nó na A2, junto ao interface de Corroios;

• Criar um novo eixo transversal, na Rede Primária, que permita fechar o anel no
interior do concelho ligando a EM 377-2 na zona do Giramar a Corroios;

• Melhorar a rede secundaria do concelho, hierarquizando-a melhorando
pavimentos e passeios, colocando sinalização horizontal e vertical e
introduzindo medidas de “acalmia” do tráfego junto de escolas, espaços de lazer
e zonas residenciais;

• Melhorar a gestão e comando da circulação, designadamente através de um
sistema de sinalização semafórico inteligente;

• Garantir a salvaguarda de corredores non aedificandi para a Rede Primária e
fundamentalmente para a Rede Secundária.

Para além disso, torna-se premente dotar o concelho com uma rede de
transportes equilibrada. A rede de transportes colectivos rodoviários no concelho
de Almada está desequilibrada, verificando-se uma boa oferta de serviços na cidade
de Almada e ao longo do eixo da antiga EN10 e uma oferta manifestamente
insuficiente nas zonas interiores do concelho. Vamos corrigir esse desequilíbrio,
adoptando as medidas necessárias:

• Exigir novas carreiras para as zonas interiores do concelho;

• Coordenar a rede de transportes colectivos rodoviários com os restantes modos
de transporte, em particular nas interfaces com o eixo ferroviário Norte-Sul, com
o MST e com o transporte fluvial;

• Dar prioridade ao transporte colectivo rodoviário, designadamente através da
criação de corredores BUS e de um sistema de sinalização que dê prioridade ao
transporte colectivo, aumentando a sua velocidade comercial, regularidade e
fiabilidade;

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• Corrigir imediatamente as situações de conflito do MST com os peões e o
tráfego rodoviário, aumentando a segurança dos utilizadores da via pública;

• Estender até 2012 o MST à Costa da Caparica e criar novas interfaces com o
transporte rodoviário colectivo e individual na Costa da Caparica, na zona da
Universidade do Monte de Caparica e no Laranjeiro;

• Criar um anel do MST na cidade de Almada, permitindo servir a zona da Cova
da Piedade, descongestionar a zona do Centro Sul e uma ligação mais rápida a
Cacilhas.

É também necessário melhorar a rede de transportes colectivos. A Rede de
Transportes Colectivos precisa de melhoria contínua, sendo prioritário:

• Reestruturar o sistema de transportes colectivos rodoviários, visando aumentar
a cobertura espacial e as frequências em particular nas freguesias interiores do
concelho;

• Criar um serviço de transporte colectivo urbano servindo a cidade de Almada e
os principais pólos geradores de tráfego na sua envolvente: Cacilhas, Hospital,
Pragal, Almada Fórum;

• Estender a rede do MST à Costa da Caparica até 2012 e criar uma interface
rodo - ferroviária;

• Fechar o “anel” do MST na zona da Cova da Piedade/Centro Sul;

• Promover a criação de interfaces na Universidade e na Trafaria;

• Potenciar a ligação fluvial da Trafaria a Lisboa, incluindo a criação da carreira
Trafaria - Cais do Sodré;

• Exigir o aumento da oferta de serviços ferroviários nos períodos de ponta na
ligação a Lisboa.

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Por último e não menos importante, Almada deve garantir a mobilidade suave. Na
cidade, todos têm que poder andar, a pé ou de bicicleta, incluindo cidadãos com
mobilidade reduzida por isso, é prioritário introduzir a circulação em modos suaves,
pelo que é prioritário:

• Arranjar e dar continuidade às zonas de passeios, promovendo a mobilidade
pedonal, em particular para pessoas com mobilidade condicionada, mas que
facilitem também, outros modos suaves: bicicleta, patins, entre outros;

• Criar um sistema de vias cicláveis e um sistema de aluguer de bicicletas,
promovendo a sua utilização não só para fins de lazer mas também para as
deslocações no centro da cidade de Almada;

> Ambiente

A melhoria da qualidade devida dos almadenses passa pelo assumir, por parte da
autarquia, que o ambiente e a sustentabilidade ambiental das suas políticas são uma
prioridade e não apenas retórica. Para tal não basta ter um Parque da Paz e mais
meia dúzia de espaços verdes no concelho, complementada com publicidade no
boletim municipal.

O nosso compromisso com os cidadãos passa em primeiro lugar por um novo
modelo de desenvolvimento territorial, uma nova estratégia de ordenamento do
território que não tenha por premissa principal continuar a promover a expansão de
forma descontrolada das áreas residenciais. Almada enfrenta problemas graves de
desertificação do seu centro, enquanto nas freguesias a Oeste da A2, ao invés, se
assiste ao crescimento populacional.

Na realidade, a excessiva expansão do solo impermeabilizado, resultante da
proliferação de construções clandestinas, destruição das zonas naturais mais
valiosas e a forte expansão urbana desregrada e sem critério, exigem medidas
vigorosas de combate, no sentido de inverter e estancar este aumento tendencial
para o desordenamento territorial do Concelho.

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Se nada for feito, e nada tem sido feito, continuaremos a assistir a uma delapidação
dos nossos recursos naturais, pelo que o PS propõe um novo rumo que passa por
um conjunto de medidas, das quais destacamos:

>No domínio da energia:

• Implementação de uma Politica Energética em Almada, com a criação de um
gabinete de apoio aos cidadãos, que torne o concelho mais autónomo e capaz
de desenvolver estratégias que visem um desenvolvimento sustentável do seu
território;

• Incorporar na politica da Mobilidade o Carro Eléctrico em Almada, procurando
soluções para dotar o concelho das infra-estruturas necessárias a receber essa
revolução tecnológica;

• Promover Campanhas para Incorporação de Energias Renováveis, quer em
Casas Particulares, quer nos Edifícios dos Serviços camarários, nomeadamente
Energia Solar;

• Elaborar o estudo sobre o aproveitamento de Fontes Energéticas Endógenas do
Concelho Almada, numa lógica de promover Alterações no Paradigma
Energético Municipal e atracção de intervenientes que retirem valor
acrescentado às conclusões do estudo;

>No domínio dos espaços verdes:

• Criar uma rede de espaços verdes qualificados e com manutenção, que não
resultem apenas de contrapartidas de novas urbanizações;

• Criação de um corredor ecológico entre o rio Tejo e a costa atlântica;

• Valorização do património natural do concelho, em particular a área de
paisagem protegida da Arriba fóssil da Costa da Caparica, bem como de toda a
zona ribeirinha e frente de mar;

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• Criação de hortas sociais, devidamente equipadas, que permitama pratica da
agricultura e jardinajem como actividade essencialmente de lazer e de ligação à
terra, e de apoio ao autoconsumo.

>No domínio da preservação do património natural:

• Avaliar cuidadosamente, à luz de um desenvolvimento harmonioso de todo o
Concelho, as propostas de empreendimentos já apresentadas;

• Promover acordos entre o ICNB e entidades concelhias, com vista à valorização
de um património natural que é de todos os almadenses e que permita aos
munícipes serem parte activa deste processo

> Requalificação Urbana

No actual contexto de revisão do PROT-AML, bem como do próprio PDM de
Almada, entende o PS que as principais prioridades no âmbito da revisão deste
último deverão ser:

• O PS recusa liminarmente qualquer ideia de construção de um terminal de
contentores na Trafaria devendo antes, a Câmara Municipal, concentrar os seus
esforços no sentido de devolver a Trafaria plenamente a Almada;

• Almada pela imensa extensão de costa e enquadramento no estuário do Tejo,
tem condições privilegiadas para tirar mais valias desta inserção projectando-se
como um território de referência na ligação à frente marítima e fluvial, criando
novas centralidades e referências no espaço urbano e atraindo investimentos
ligadas ao lazer designadamente as relacionadas com as actividades náuticas;

• Promover o desenvolvimento urbano mais compacto evitando a fragmentação
da forma urbana e estruturar e qualificar os eixos de expansão;

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• Desenvolver programas integrados de renovação dos espaços degradados, com
soluções que criem novas centralidades e referências no espaço urbano que
valorizem as qualidades cénicas do Tejo;

• Valorizar o património público municipal numa perspectiva que atribua o devido
peso à utilidade pública desse património;

• Criação de um manual/ guia da qualidade arquitectónica e construtiva, destinado
à população em geral que ajude à manutenção, preservação e conservação do
património edificado, dentro das boas regras da construção e valorização do
ambiente urbano;

• Valorizar a frente de praias e em particular a Costa da Caparica tornando este
território numa referência nacional e internacional para as actividades turísticas;

• Promover um modelo de desenvolvimento urbanístico equilibrado que contribua
para a dinamização das actividades económicas e para a criação de emprego
na região;

• Tirar partido dos pólos universitários do concelho para a atracção de
investimentos que potenciem a criação de emprego qualificado.

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6. DOS 0 AOS 12 ANOS, APOIOS DAS 7 DA MANHÃ ÀS 7 DA NOITE

Queremos que Almada seja o concelho do país com as melhores estruturas públicas
de apoio às famílias trabalhadoras, proporcionando-lhes melhor qualidade de vida e,
assim, reforçando a atractividade do concelho para as famílias mais jovens da área
metropolitana.

Entendemos que Almada deve assumir o apoio às famílias com crianças até aos 12
anos como uma prioridade estratégica assegurando-lhes um enquadramento seguro e
de qualidade, dos 0 aos 12 anos e das 7 às 19 horas, procurando dar resposta à
diversidade de horários que a sociedade de hoje exige.

Queremos que o município tenha um papel mais interventivo nos restantes ciclos de
escolaridade, o que só se tornará possível quando assumir as suas competências em
matéria educativa, nomeadamente pela assinatura do contrato de execução com o
Ministério da Educação.

Não aceitamos que os níveis de sucesso no Ensino Básico estejam abaixo da média
nacional, pelo que nos propomos realizar acções conjuntas com as escolas no sentido
de reforçar a qualidade das aprendizagens. Assim que assumimos os seguintes
compromissos:

• Construir as 60 salas de aula que ainda faltam para que todos os alunos do
primeiro ciclo possam beneficiar de horários em regime normal e usufruir de
uma correcta implementação do Projecto de Escola a Tempo Inteiro.

• Construir e apoiar a construção pelas IPSS de salas de Pré-Escolar, de
preferência integradas em Centros Escolares, de forma a atingir num período
de quatro anos a média nacional de cobertura para as crianças dos 3 aos cinco
anos. De igual modo deverá ser apoiada a criação e reforço de creches pelas
IPSS.

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• Em parceria com as Instituições Privadas de Solidariedade Social incluir a
valência de creche nos novos Centros Escolares a construir, contribuindo
assim para que Almada possa superar o atraso em que se encontra
relativamente à média nacional.

• Assinar a Transferência de Competências para o Município no que respeita ao
Ensino Básico, criando assim as condições para a ampliação e requalificação
das Escolas Básicas dos 2º e 3º Ciclos no horizonte temporal do mandato.
Estarão assim criadas as condições para que, em articulação com os
Agrupamentos de Escolas, se perspective a aplicação do conceito de Escola a
Tempo Inteiro no 2º ciclo e se garanta uma ocupação segura e
educativamente útil até às 19 horas a todas a crianças dos 0 aos 12 anos de
idade.

• Criar uma rede de transportes escolares municipais, dando resposta às
dificuldades sentidas por muitas famílias que recorrem ao transporte individual
para as deslocações dos seus filhos às escolas do concelho por manifesta
insuficiência da rede de transportes colectivos.

• Distribuir gratuitamente os manuais do 1º ciclo aos alunos que frequentam as
escolas públicas, seguindo uma política de promoção da igualdade que já está
em execução noutros municípios.

• Dinamização de um projecto educativo municipal, em colaboração com todas
as escolas e outras instituições no sentido de acções concertadas de combate
ao insucesso escolar;

• Apoiar activamente o desenvolvimento de ofertas profissionalizantes para
jovens e adultos, em especial nas áreas consideradas estratégicas para o
desenvolvimento do município, como as indústrias culturais, do mar e a
hotelaria.

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Apostando estrategicamente na educação, envolvendo como parceiros as escolas, as
Instituições Privadas de Solidariedade Social e o movimento associativo de pais e
encarregados de educação é possível, no período de um mandato, recuperar do
atraso que marca o Concelho de Almada e afirmar a educação em Almada como
factor competitivo no contexto metropolitano.

7. CUIDAR DAS FAMÍLIAS CUIDADORAS DE IDOSOS E
DEPENDENTES

As famílias que tomam a opção de manter idosos e outros dependentes no seu seio
sofrem uma enorme sobrecarga e necessitam de que o município as apoie e
complemente o seu trabalho. Por isso vamos promover medidas de apoio aos
familiares que têm idosos e outros dependentes a cargo:

• Criar serviços de atendimento e acompanhamento a famílias, de
proximidade e efectuado por técnicos da área social, que apoiem na
procura da melhor solução para o seu familiar idoso ou dependente,
que prestem informação dos recursos existentes na comunidade e
orientem para a solução mais adequada bem como esclareçam e
apoiem no acesso a prestações sociais a que têm direito (Complemento
por dependência, Complemento solidário para idosos, Rendimento
social de inserção)

• Desenvolver uma solução informática “ Lista de espera Concelhia”
para apoio a este atendimento, evitando assim as peregrinações
institucionais das famílias na procura da melhor solução

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• “Das 8 às 8 X 7” - Trabalhar em parceria com as instituições locais no
sentido de estimular o alargamento de serviços às 12 horas do dia e
aos 7 dias da semana (Centros de dia e Serviços de Ajuda Domiciliária)

• Dinamizar a Estrutura Concelhia de Apoio aos Cuidadores

™ Gabinete Técnico de aconselhamento e atendimento

™ Centro de dia para doentes portadores de demências;

™ Apoio Domiciliário doentes portadores de demências

™ Cento de Noite – estrutura residencial para pernoitar, podendo
continuar a residir no seu domicilio

™ Área residencial – Para internamento temporário para descanso
das famílias ou por motivos de impossibilidade temporária das
mesmas

™

• Garantir uma rede concelhia de transportes para os equipamentos
sociais, nomeadamente transporte adaptado a pessoas dependentes.
Dado que o transporte de idosos para os equipamentos que frequentam é
uma grande dificuldade das famílias.

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5 | NOVAS POLÍTICAS

1. UMA NOVA AUTARQUIA

SIMPLEX AUTÁRQUICO

Facilitar a vida aos Almadenses, diminuir os custos de contexto que sobrecarregam as
actividades económicas e modernizar a administração são os objectivos do Simplex
Autárquico.

Uma autarquia moderna deve ter como prioridade melhorar a qualidade de vida e
afirmar-se na economia global através da inovação e da capacidade de atracção dos
cidadãos e dos agentes económicos.

Para isso, são precisos modelos de gestão ágeis e transparentes, assentes na
optimização dos processos e na orientação dos organismos para os cidadãos e para
as empresas, eliminando procedimentos e rotinas que não agregam valor aos serviços
prestados.

A simplificação administrativa tem uma inquestionável importância estratégica para a
melhoraria da qualidade de vida dos almadenses, para aumentar a competitividade do
concelho de Almada e para melhorar a transparência das decisões e a imagem das
autarquias. São quatro os pilardes de acção estratégica que propomos:

• Qualificar e optimizar o funcionamento interno dos serviços municipais;

• Melhorar a prestação de serviços aos munícipes e às empresas, em termos de
qualidade e acessibilidade, prestando serviços por diferentes canais,
especialmente por via electrónica e aplicando o princípio do balcão único;

• Promover a interacção entre as diferentes administrações públicas, por via do
reforço dos espaços de colaboração e cooperação, da circulação e da partilha
da informação e da divulgação e replicação de boas práticas;

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• Contribuir para reforçar a cidadania e a qualidade da democracia, pelo reforço
da transparência da actividade da autarquia, com canais para informação e
prestação de contas aos cidadãos e acesso a práticas de consulta e de
envolvimento nas decisões que afectem o quotidiano dos cidadãos.

É necessário fomentar a participação dos munícipes nestas acções e, por este meio,
reforçar a sua confiança nos serviços municipais.

Esta participação deve dizer respeito ao momento da identificação dos
constrangimentos burocráticos que afectam o seu quotidiano, mas também ao
momento da avaliação e da monitorização dos resultados.

Da análise efectuada ao funcionamento dos serviços camarários o partido socialista
define desde já como áreas prioritárias de simplificação as seguintes:

• Licenças, autorizações prévias e outros condicionamentos administrativos
similares;

• Certidões e outros documentos administrativos de natureza probatória;

• Promover a interoperabilidade e disponibilizar serviços on-line com utilização
dos mecanismos de autenticação electrónica do cartão de cidadão;

• Licenciamento urbanístico digital;

• Serviços dos municípios nos balcões “empresa na hora;

• Contratação pública;

• Balcões intermunicipais e lojas do cidadão;

Como medidas concretas que vão ao encontro das áreas prioritárias de simplificação
propomos:

• Criação de um serviço centralizado de atendimento ao Munícipe, com canais de
comunicação 24 horas por dia (internet e Linha Azul);

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• Serviço descentralizado de atendimento ao Munícipe, para informações directas
de processos de urbanismo na sede da Junta de Freguesia;

• Desenvolvimento de uma nova aplicação informática que facilite a gestão e
controlo dos processos de licenciamento de obras, facilitando a aproximação
dos cidadãos e o acesso destes à informação urbana;

• Criação de um Sistema de Monitorização Urbana e reforço da plataforma
informática e dos sistemas de gestão da informação urbana georreferenciada;

• Transmissão em directo e gravação das sessões públicas da Câmara Municipal
de Almada e da Assembleia Municipal de Almada, via internet, no site da CMA;

• Criação de um site interactivo que permita aos almadenses identificar e
assinalar problemas detectados na sua rua, no seu bairro, como mau estado de
conservação de estradas, espaços verdes que permitam uma mais rápida
intervenção dos serviços camarários

Por ultimo, há que salientar queassumimos o compromisso de garantir a manutenção
adequada dos equipamentos municipais. Infelizmente, no concelho abundam os casos
de equipamentos que, por falta de manutenção e desmazelo na sua conversão
rapidamente se tornam inoperacionais. Os munícipes não podem contentar-se com
quem se limita a construir equipamentos, sejam eles recreativos, desportivos ou de
outra natureza, deve esperar do município que seja capaz de manter e garantir a
operacionalidade dos que são construídos, para que os casos conhecidos,como o do
skate parque não possam ocorrer de novo.

UMA AUTARQUIA QUE PRATICA A CIDADANIA NO TRABALHO

A política de gestão de recursos humanos do município deve pautar-se pelos
mesmos princípios pelos quais pugnamos para a sociedade: respeito pela
dignidade do trabalhador, defesa do profissionalismo, transparência e aposta
ans rtelações colectivas de trabalho.

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O primeiro compromisso do Partido Socialista com os trabalhadores da CMA,
dos SMAS e das empresas e agências municipais, é o da despartidarização da
gestão dos recursos humanos, rompendo totalmente com a prática de uma
gestão politizada da causa publica, que teve ao longo das últimas décadas
fortes repercussões na falta de respeito pela dignidade e direitos
funbdamentais dos trabalhadores e consequências ilegítimas nas suas
carreiras profissionais.

Os 1720 trabalhadores da Câmara Municipal de Almada e os 500
trabalhadores dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento de
Almada, representam a linha da frente, dum município que defende serviços
públicos modernos, qualificados e eficientes para os cidadãos. São eles que
diariamente nos seus locais de trabalho representam na primeira pessoa o
município.

Um município com trabalhadores qualificados, motivados é um município mais
competente e apetrechado para prestar melhores serviços públicos.

Para atingirmos esse propósito é fundamental proporcionarmos aos
trabalhadores do município as necessárias condições, pelo que aqui nos
comprometemos com eles que adoptaremos uma política de recursos humanos
que obedecerá aos seguintes parâmetros:

• Aplicar o SIADAP (Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho).

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• Incentivar a progressão escolar e a aprendizagem ao longo da vida
proporcionando melhores condições aos trrabalhadores-estudantes e
apostando nas Novas Oportunidades:

• Programar verbas destinadas a despesas com pessoal destinadas para
efeitos de alteração de posicionamento remuneratório.

• Combater a precariedade no município, que atinge actualmente, nas
suas diferentes formas, valores inaceitáveis;

• Melhorar as condições de trabalho, incluindo a adaptação e
modernização das instalações dos trabalhadores da Câmara Municipal e
Serviços Municipalizados de Água Saneamento

• Implementar um plano plurianual de formação profissional para os
trabalhadores da Câmara Municipal e Serviços Municipalizados e de
Água e Saneamento das 3 carreiras gerais: Técnicos superiores;
Assistente Técnicos; Assistentes Operacionais

Uma organização moderna deve ter mecanismos eficazes de comunicação e
de mediação entre os seus membros e as suas hierarquias. Daí que, no caso
dos trabalhadores do município, se imponha a criação de um Gabinete do
Trabalhador destinando receber as dificuldades, sugestões, reclamações e a
fazer circular em todos os sentidos a informação adequada.

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2. DESENVOLVIMENTO SOCIAL E HABITAÇÃO

A nossa visão para o concelho de Almada passa por um novo paradigma que
abandone de vez a criação de bairros sociais, que se transformam em guetos, uma
vez que não sendo dotados de uma rede de equipamentos sociais, desportivos e de
apoio à actividade económica, acabam por ser fruto do abandono a que são votados

> Uma nova política social de habitação

• Não haverá novos bairros sociais em Almada. Serão substituídos por um
programa de diversidade social envolvendo todas as zonas do concelho;

• Os bairros municipais merecem uma atenção que não têm tido e devem ser
tratados com dignidade. Queremos trabalhar em conjunto com os residentes
para um programa de requalificação com a sua participação;

• Vamos, com os moradores, aprendendo com experiências de participação
social, acelerar a reconversão dos bairros ilegais e interromper imediatamente o
seu crescimento.

• Promover a implantação de serviços públicos ou outros equipamentos públicos
ou privados nos bairros, quer sejam de índole social, cultural ou desportiva;

• Generalizar práticas de arranjos exteriores e ajardinamentos urbanisticamente
bem enquadrados;

Uma politica de habitação só pode ser bem sucedida se acompanhada por um
conjunto de medidas que visem a coesão social de todos quantos habitam e trabalham
em Almada.

A autarquia deve liderar a mobilização dos actores sociais e desenvolvimento de
políticas sociais locais complementares às políticas públicas, centrando, como
estratégias prioritárias, as da área da educação, acção social e habitação de forma
integrada no âmbito da rede social:

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• Criação de um serviço gratuito de pequenas reparações domésticas, para
idosos e pessoas com deficiência, a requisitar a equipas municipais
especializadas disponível das 8h às 20h;

• Promover a integração de imigrantes e minorias étnicas no tecido social do
concelho;

• Apostar fortemente no trabalho da “rede social”, tomando a Câmara uma postura
liderança e atitude pró - activa, articulando a execução das políticas públicas e
incentivando e apoiando a participação e o trabalho das instituições particulares
no terreno;

• Criação de um Banco de Voluntariado/ Banco de Tempo que encaminhe
voluntários para acções de apoio às famílias mais carenciadas, idosos;

• Criar espaços multiusos nos bairros que permitam a prática desportiva,
organizada ou informal, da população juvenil;

• Promover a rentabilização de equipamentos desportivos e culturais para
actividades juvenis;

• Promover o apoio à terceira idade e suas famílias, numa perspectiva de espírito
de justiça social e qualidade de vida;

• Apoiar a população que terminou a sua vida activa, através de planos integrados
de mobilidade social e cultural;

• Apoiar o reforço dos meios e instituições particulares prestadoras de cuidados
de apoio domiciliário, integrando nestes os cuidados de saúde;

• Promover o apoio a IPSS que apresentem projectos de reforço de atendimento a
idosos carenciados e com necessidades de integração em lar;

• Promover e apoiar iniciativas de IPSS de instalação no Concelho de unidades
de cuidados continuados;

• Adopção de um plano de desenvolvimento social que integre as dimensões dos
projectos existentes (Almada Nascente e outros), novos projectos de

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desenvolvimento turístico e outros no domínio económico e iniciativas “anti-
crise”;

• Adopção de um serviço de atendimento e acompanhamento de famílias
integrados, com adopção da figura de “gestor de caso” (funções de coordenação
e articulação da intervenção Técnica no domínio social, junto de cada família e
individuo);

• Trabalhar em parceria com as associações na melhor inserção social dos
imigrantes, em particular nos de 2ª e 3ª geração, e na garantia dos seus direitos;

• Adopção de um plano gerontológico para o concelho;

• Instituição do Provedor do Munícipe.

> Melhorar as condições de participação na vida urbana das pessoas de mobilidade
reduzida

Há hoje uma série de constrangimentos quer de ordem social quer de ordem física
que dificultam o dia a dia às pessoas com mobilidade condicionada, seja porque são
idosas, seja por terem uma deficiência física ou motora.

Não aceitamos que estas pessoas sejam excluídas de participar na vida urbana em
razão dessas limitações funcionais. A autarquia devem ter um papel cada vez mais
activo e responsável na criação de condições de igualdade de oportunidades.

O concelho de Almada tem que ser um espaço integrador e plural. Propomos
desenvolver uma nova geração de políticas sociais que atendam às necessidades
especiais de determinados cidadãos. As pessoas com deficiências e incapacidade são
um grupo que merecem um concelho que lhes permita aceder a espaços comerciais,
culturais e outros de forma livre e autónoma. Pelo que vamos:

• Fazer e fazer cumprir um plano municipal de acessibilidades que irá numa
primeira fase fazer todo o levantamento das barreiras físicas e arquitectónicas

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que o espaço concelhio apresenta. Planear e projectar intervenções com a
participação de todos será o passo seguinte.

• Afirmar Almada como concelho do turismo para todos, colocando-nos como o
município de Portugal que melhor recebe as pessoas com restrições à
mobilidade. Temos uma oportunidade única de combinação da política de
turismo com a política social no desenvolvimento de infraestruturas de turismo
acessível, nomeadamente na frente de praias. Faremos de Almada o concelho
do turismo inclusivo, distinguindo-se pela capacidade de recepção de pessoas,
de todos os níveis sociais, com deficiências e incapacidades e pela qualidade
das infraestruturas públicas nesse domínio.

> saúde e bem-estar

Actualmente, no âmbito da filosofia da Organização Mundial de Saúde (OMS)
considera-se que a saúde deve integrar todas as políticas, nomeadamente as que se
referem aos transportes, habitação, planeamento urbano, ambiente, educação,
desporto, recreio e lazer.

A constatação de que a saúde das pessoas que vivem em meio urbano é fortemente
determinada por diversos factores, levou a OMS a lançar o Projecto das Cidades
Saudáveis. Este grande projecto procura posicionar a saúde num lugar cimeiro da
agenda dos decisores, e incrementar estratégias locais em prol da saúde e do
desenvolvimento sustentável.

De acordo com a OMS, uma cidade saudável é aquela que está continuamente a criar
e a desenvolver os seus ambientes físico e social, e a expandir os recursos
comunitários que permitem às pessoas apoiarem-se mutuamente nas várias
dimensões da sua vida e no desenvolvimento do seu potencial máximo.

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Promover a saúde e o bem-estar social dos almadenses deve ser um dos planos
estratégicos do municipio de Almada através da definição de estratégias locais em
parceria com todas as instituições públicas e privadas que no âmbito das suas
competências pretendem contribuir para o desenvolvimento da saúde e da qualidade
de vida do Concelho de Almada.

A adesão de Almada à Rede Europeia de Cidades Saudáveis, onde já pertencem 13
cidades portuguesas, é uma estratégia determinante que permite englobar
transversalmente todas as politicas que promovam o desenvolvimento da saúde e
bem-estar dos almadenses e conceber um Plano de Desenvolvimento de Saúde em
parceria com todas as entidades públicas e privadas com actuação no concelho que
queiram participar no projecto.

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3. EMPREGO E INVESTIMENTO

Almada é hoje uma cidade dormitório, dependente de Lisboa e sem um modelo de
desenvolvimento económico e social por falta de políticas activas de captação do
investimento produtivo que criem dinâmicas de emprego, baseadas nos recursos do
concelho de Almada.

O desaparecimento das indústrias que foram o motor do crescimento do concelho,
com especial ênfase para a indústria naval, a ausência de políticas activas de
captação de investimentos produtivos e, ao mesmo tempo, o crescimento da
actividade imobiliária, contribuíram para esta situação.

O baixo nível da actividade empresarial do concelho de Almada é bem caracterizado
pelo facto de o Madan Parque não ser capaz de atrair em quantidade e qualidade as
empresas de base tecnológica necessárias e de criar emprego qualificado.

Outro indicador mostra como o elevado potencial turístico do concelho de Almada está
subaproveitado: em 2007, a taxa de ocupação dos estabelecimentos hoteleiros em
Almada foi de 38%, uma das mais baixas da Área Metropolitana de Lisboa.

Para alterar esta realidade, o município de Almada deve adoptar, em conjunto com
outros parceiros, uma estratégia capaz de atrair novos investimentos para o concelho,
capazes de gerar emprego qualificado e desenvolvimento económico.

Almada deve desenvolver uma estratégia de Marketing Territorial. Isto é, criar um
instrumento de apoio às estratégias de desenvolvimento do município, principalmente
no contexto do planeamento estratégico, capaz de ajudar a gerir melhor as condições
e os recursos a longo prazo.

Este instrumento visa, essencialmente, responder às necessidades e expectativas da
população e dos actores económicos, melhorando a qualidade e a competitividade
global do município no seu ambiente concorrencial.

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Numa sociedade globalizada e competitiva, não basta que Almada tenha um ambiente
económico, social e ambiental propício às actividades económicas. É necessário que o
município promova o seu território e as suas potencialidades, utilizando inúmeros
instrumentos que deverão ser o resultado de uma estratégia coerente, pragmática e
objectiva de marketing territorial, visando projectar as actuais e futuras mais valias de
Almada como alavanca do seu próprio desenvolvimento económico e social. Potenciar
o que é bom, minimizar o que é mau e criar uma imagem de marca positiva.

É essencial que a câmara municipal tenha a capacidade e o engenho para a
promoção da cidade de Almada não só em Portugal, como ambicionar a sua
internacionalização. Para tal o município deve ser o motor dessa promoção
dinamizando e organizando eventos com esse objectivo, tais como:

• Participação em feiras internacionais;

• Roteiro de Arte pública que permita conhecer o património da cidade;

• Estender, reprogramar e organizar as festas populares (S. João) a todo o
município, todo o mês de Junho, em colaboração directa com as Juntas de
Freguesia;

• Projecto de animação urbana da Costa da Caparica (possivelmente extensível a
outros pontos da frente ribeirinha), com espectáculos de música, moda, teatro,
cinema ao ar-livre, feiras temáticas (livro, roupas, flores, sabores, antiguidades ,
entre outras)

• Apoiar a organização de eventos desportivos internacionais (golf, surf, e aqueles
a que possamos dar resposta com os equipamentos que temos);

• Apoiar a organização de eventos musicais, culturais que promovam a imagem
de Almada em Portugal e no estrangeiro.

• A promoção da interacção da Universidade com as Empresas e Associações
Empresariais, no sentido da melhoria da gestão, do marketing, da inovação, do
desenvolvimento tecnológico e das capacidades de internacionalização

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• Criação da "Escola das Empresas" onde se promovesse a melhoria
contínua das competências dos Gestores e dos Recursos Humanos das
Empresas do Concelho

• Criação de um Projecto de Requalificação da Restauração do Concelho

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4. INVESTIGAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

Tendo Almada um pólo universitário de dimensão nacional, não se compreende que
não haja fixação de empresas de investigação e desenvolvimento capazes de fazer a
ponte entre a investigação científica e a criação de um tecido empresarial, baseado
nestes sectores.

Importa realçar que o município de Almada dispõem de condições para uma
participação efectiva no desenvolvimento de factores de atracção e crescimento de
actividades económicas que modernizem o tecido económico, qualificando-o,
diversificando-o e consequentemente, dotando-o de condições para assegurar um
desenvolvimento socioeconomicamente sustentável em que a empregabilidade se
defende e promove.

No seu território e proximidades, estão já presentes actividades integrantes desses
“nichos” de competitividade e desenvolvimento tecnológico, mas continua largamente
desaproveitado pelo tecido empresarial o enorme potencial de modernização e
inovação que, por exemplo, é constituído pelas centenas de engenheiros e cerca de
6000 estudantes da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT) da Universidade Nova
de Lisboa.

O Madan Parque de Ciência, ligado também à FCT, é uma estrutura - chave para a
modernização tecnológica da economia do concelho e da vida dos cidadãos que nele
trabalham e vivem. O tecido empresarial de Almada tem que ser estimulado a
aproveitar essa estrutura, facto que actualmente não se verifica. Salienta-se que mais
de 9% da população do concelho tem como formação um curso superior.

O Partido socialista defende que é possível inverter esta situação através de um
conjunto de acções, das quais se destacam as seguintes

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• Revitalização do MADAN Parque, criando condições para que seja um espaço
atractivo para a instalação de novas empresas;

• Projecto estratégico ‘Monte XXI’ para criação de espaços de localização
empresarial e instalação de actividades económicas produtivas baseadas no
conhecimento e na tecnologia;

• No Pólo Universitário, criação das condições à instalação de empresas de
serviços avançados, em articulação com a Universidade e centros de
investigação;

• Criação de áreas infra-estruturadas e equipadas para a instalação de
actividades empresariais ligadas à biotecnologia em articulação com o Hospital,
Institutos de Investigação e Centros de Análises Clínicas;

• Criação de um portal municipal, para apoio à actividade económica ligada á área
da inovação tecnológica, à modernização do tecido empresarial, à captação de
investimento e à instalação de empresas e investimentos em Almada.
Disponibilização de informação sobre modos e oportunidades de investimento,
dados de mercado, informações sobre instrumentos de apoio ao investimento,
meios de contacto privilegiado com potenciais investidores, contribuindo para a
modernização, a diversificação e a renovação da base económica de Almada;

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5. SEGURANÇA

Todas as cidades vivem sob o espectro da insegurança urbana. Esta é uma mistura de
sentimento de insegurança e de ocorrência de criminalidade. A nossa prioridade é a
da melhoria da segurança, numa óptica progressista. Assim, achamos que o município
se deve envolver activamente em iniciativas de prevenção da criminalidade,
nomeadamente trabalhando em conjunto com as iniciativas meitórias que se
desenvolvem na sociedade civil e em contextos territoriais desfavorecidos. Mas o
município deve ser, também, um parceiro firme das forças de segurança no
desempenho da sua missão e tomar as iniciativas que lhe compete para as liberttar de
funções secundárias, bem como adoptar as medidas e tecnologias que lhes permitam
desempenhá-la em melhores condições. Assim, a nossa política de segurança inclui:

• Criação de uma Polícia Municipal, que não podendo ter funções de segurança,
pode libertar mais agentes das forças de segurança para as suas funções
específicas;

• A exigência de um modelo de policiamento adequado e de proximidade, eficaz
na prevenção da criminalidade;

• A melhoria da iluminação pública e a introdução de videovigilância em zonas
que o justifiquem;

• O estímulo à actividade dos guardas-nocturnos;

• A parceria com as forças de segurança, para que possam ser libertadas de
outras funções para melhor desempenho as funções de segurança;

• A prevenção da criminalidade através de projectos sociais dirigidos a grupos em
risco;

• O trabalho com os cidadãos e os seus residentes para, em conjunto, se
definirem as prioridades da prevenção de segurança;

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6. PROTECÇÃO CIVIL

A Camara municipal de Almada tem um papel de primeira linha na prevenção de
acidentes e catástrofes sejam elas de origem natural ou humana. É à autarquia que
compete, pelo seu conhecimento do território a linha da frente no combate a situações
de emergência, como incêndios inundações, terramotos, erosão costeira, entre outros

O PS propõe que a CMA uma politica preventiva, colaborando com as várias
entidades envolvidas nestes processos, com particular destaque para as coorporações
de bombeiros voluntários existentes no concelho, destacando as seguintes medidas:

Elaboração de cartas de risco do município de Almada, para diferentes tipos de
situações (incêndios urbanos ou florestais, inundações, sismos, entre outros. Com
base nesta caracterização e nos meios existentes, teremos uma estratégia de
prevenção do risco, bem como de actuação no caso de se verificarem as ocorrências
descritas;

Ciriação de uma comissão intermunicipal, com os municípios do Seixal, Barreiro e
Sesimbra, face à proximidade destes concelhos, por forma a definir estratégias
articuladas a uma escala supra-municipal, uma vez que muito destes fenómenos têm
essa dimensão.

Colaboração com as corporações de bombeiros voluntários no sentido de avaliar
metedologias bem como recursos humanos uqe permitam avaliar a necessidade de
renovação dos equipamentos existentes até a aquisição de novos meios de
comunicação e de combate mais modernos.

Planeamento de acções de formação, coordenadas pela CMA em articulação com as
coorporações de bombeiros e a Autoridade Nacional de Protecção Civil, melhorando
as suas qualificações e tornanndo estas forças mais eficazes no combate a situações
de emergência

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Definição de um plano de limpeza de matas e florestas em articulação com a
Autoridade Nacional de Protecção Civil e o ICNB, de forma a minimizar o risco de
incêndios. Este programa pode ainda ser articulado como IEFP criando emprego.

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7. DESPORTO

O município deve ter uma política desportiva que claramente diferencie as duas
vertentes de apoio à melhoria dos desempenhos competitivos dos atletas e clubes do
concelho e de apoio à disseminação da prática desportiva.

Na primeira das vertentes, vamos rentabilizar os equipamentos existentes no
município e instituir incentivos à fixação ou permanência no concelho de atletas e
instituições que atinjam elevados níveis de performance em competições nacionais e
internacionais.

Na segunda, o apoio à prática do desporto deve constituir uma prioridade do executivo
camarário generalizando-a a todos os almadenses em particular aos mais jovens.
Assim as nossas principais propostas nesta vertente são

• Definição de uma estratégia de intervenção, no concelho, que promova a
efectiva generalização da actividade física para todos, o que passa
necessariamente:

• Pela inclusão de respostas à diferença;

• Pelo reforço de redes informais de espaços desportivos, valorizando os
existentes e maior articulação com as escolas;

• Pela dinamização de intervenções desportivas em bairros críticos, promovendo
valores e competências sociais;

• Pela criação de parcerias com o movimento associativo, criando e aprofundando
sinergias que permitam a fruição “por todos” dos equipamentos públicos.

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O FUTURO 35 ANOS DEPOIS
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8. A IDENTIDADE, UM RECURSO A PROMOVER

Almada não nasceu nos inicios do seculo XX com a industrialização eo afluxo
populacional, com origem em especial no Alentejo. É uma terra com história desde a
época pré histórica, tendo desenpenhado um papel importante nas lutas da
reconquista. Ao longo dos séculos por aqui passaram figuras ilustres da nossa história
como, por exemplo, Fernão Mendes Pinto que faleceu no Pragal em 1583.
Ora é esta historia, esta tradição que tem de ser cultivada para que as novas gerações
não olhemm para a nossa terra como apenas fazendo parte da margem sul.

Para tal a Câmara deve promover a imagem do concelho através de acções de
educação, edição de livros DVD’s ou criação de sites que relatem a nossa história e
fomentem o debate e o registo da história local urbana.
Só assim será possível concretizar o velho sonho de muitos almadenses da
constituição de um acervo municipal que contenha toda esta informação disponível
para todo o mundo.

Esta política de reforço da memória colectiva de Almada terá ainda outros vectores,
em que se destacam o património cultural e o associativismo.

Património cultural e histórico

Embora faltem ao concelho monumentos emblemáticos que possam por si servir de
motor para o desenvolvimento do concelho, os vestígios de várias épocas estão
presentes por todo o município num legado que interessa preservar contribuindo assim
para a identidade local e para actividades estratégicas no município, como o turismo e
as indústrias culturais. Neste momento a maior parte desses vestígios encontra-se
num estado de abandono a que é preciso por fim, pelo que se propõe:

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• Elaboração de um plano municipal para a preservação do património em que
se diagnostiquem as situações e se encontrem as soluções que permitam a
recuperação, combinada com a utilização de edifícios de valor patrimonial.
Neste processo são desejáveis as parcerias públicas/privado;
• Possibilidade de utilização de edifícios emblemáticos de valor patrimonial, hoje
abandonados, para instalação de uma instituição cultural de nível nacional ou
metropolitano;
• Preservação do legado patrimonial industrial de forma a garantir que não seja
apagada a memória de indústrias que foram importantes localmente (cortiça;
construção e reparação naval….). Esta actividade deve ser desenvolvida em
conjunto com centros de investigação universitários;
• Criação de circuitos culturais destinados a escolas, a turistas e à população em
geral que possam evocar personagens ou momentos históricos importantes em
Almada (Presença árabe; batalha de 23 de Julho de 1834; 18 de Janeiro de
1934; Fernão Mendes Pinto; 25 de Abril e 25 de Novembro);
• Recuperação de zonas emblemáticas, nomeadamente o Ginjal, de forma a que
possam recuperar valências turísticas que já tiveram, ou que se possam tornar
novos pólos de dinamização do concelho.

ASSOCIATIVISMO

• Substituir a lógica casuística de atribuição de subsídios às associações e a
outras entidades, pela lógica do contracto com base em linhas de financiamento
de candidaturas a projectos, avaliados através de um conjunto de critérios e
criando um gabinete de apoio ao associativismo;

• Valorizar o papel do associativismo no Concelho, património social e cultural de
desenvolvimento local, e mesmo nacional, sob a forma de colectividades de
cultura, desporto e recreio;

• Celebrar protocolos de cooperação tendo como principal objectivo a realização
de iniciativas culturais, desportivas e recreativas em conjunto;

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• Dinamizar as associações locais, ajudando-as na concretização de actividades e
incentivando-as a colaborarem entre si, com a autarquia e com a Federação das
Colectividades;

• Adoptar uma política de apoio regular e sistemático ao movimento associativo
com bases objectivas e de projectos.

• Participar no desenvolvimento programático de actividades culturais,
fomentando novas parcerias que envolvam associações recreativas,
colectividades e outros grupos de interesse para a implementação de iniciativas
locais;

• Pela dinamização de intervenções desportivas em bairros críticos, promovendo
valores e competências sociais;

• Pela criação de parcerias com o movimento associativo, criando e aprofundando
sinergias que permitam a fruição “por todos” dos equipamentos públicos.

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9. PROMOVER ACTIVAMENTE A DIVERSIDADE CULTURAL E APOIAR
OS IMIGRANTES

Almada deve ser defensora de que todos têm lugar na sua dinâmica urbana,
independentemente das suas origens, desde que estejam em situação de contribuir
para o desenvolvimento do seu tecido social, colocando em prática a afirmação
solidária de direitos humanos e de justiça social, num clima de franco entendimento e
respeito mútuos.

Para uma nova política municipal para a integração, promotora da integração dos
imigrantes, preconiza-se uma intervenção diferenciada que articule as diferentes
dimensões sectoriais e que, sobretudo, tenha em conta os recursos e potencialidades
destes grupos.

Este programa, assenta em 4 áreas estratégicas a saber:

• apoio / acompanhamento para acesso a recursos e regularização no País;

• reconhecimento e valorização cultural da diversidade;

• apoio à organização em iniciativas próprias;

• participação na execução e controlo das políticas locais.

Estes pressupostos são fundamentais para a garantia dos direitos dos imigrantes e
para a sua inserção, bem como para o desenvolvimento do Concelho, naturalmente
potenciado pelo contributo a nível do potencial humano, saberes e capacidades destes
grupos. Como propostas neste âmbito apontam-se:

• Criação de um CLAI (Centro Local de Apoio ao Imigrante) numa zona
central do Concelho, com funções de atendimento e animação, integrando ao
nível da análise das situações e das respostas as dimensões da regularização

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no País, da formação, do emprego, da saúde, da educação e da cultura, com
vista à inserção e desenvolvimento.

Este CLAI, terá também como funções garantir a articulação com os restantes
CLAIs existentes no concelho, assumindo a globalização da informação, reforçando
a comunicação e relação com o municipio e com a CNAI (Comissão Nacional de
Apoio ao Imigrante).

• Criação de uma Comissão de acompanhamento das políticas nacionais e
municipais para a imigração, constituída por serviços, instituições /
associações e representantes de grupos de imigrantes, a integrar no âmbito da
Rede Social (CLASA – Comissão Local de Acção Social de Almada e
Comissões sociais inter-freguesias).

Esta comissão, no desempenho das suas competências, deverá articular no terreno
com representantes de grupos existentes, nomeadamente com jovens
descendentes de imigrantes e outros, garantindo assim uma proximidade efectiva à
população imigrante.

• Divulgação e reprodução do “saber” dos imigrantes, sob forma de produto
valorizado, através da organização de eventos no concelho, com mostras /
venda de produtos gastronómicos e artesanais, bem como pela actuação de
grupos de danças e cantares, garantindo que o município integre, nas iniciativas
concelhias, espaços de expressão das diferentes culturas.

• Dinamização e apoio, a nível jurídico e de gestão, à criação de actividades
económicas autónomas, rentabilizando capacidades e saberes desta
população e, em simultâneo, contribuir para o desenvolvimento do território.

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6 | PREPARAR O FUTURO

A grande metrópole de Lisboa do futuro precisa de ser policentrada, em vez de uma
estrela que converge sobre a cidade-centro. Nas últimas décadas, Almada tem
procurado ser o braço esquerdo de Lisboa, que atinge o seu melhor quando prolonga
o braço direito e tem o seu pior na dependência funcional quase total dele e no risco
de periferização de vários tipos associado a essa estratégia.

Se olharmos para o passado, foi essa oportunidade que permitiu reduzir os choques
económicos e sociais da reestruturação económica que levou à perda de importância,
quando não ao desaparecimento, dos sectores tradicionais de actividade do concelho.
Foi a capacidade de crescer em população, dada a relação qualidade-preço, que
habita em Almada mas procura emprego em Lisboa, que conduziu o concelho ao
ponto onde hoje está. Foi a capacidade de alargar a sul, alguns pólos como os de
ensino superior, vindos da margem norte, que diferenciaram o concelho e o afirmaram.

Mas esse crescimento foi também desordenado, criou pressões insuportáveis sobre as
acessibilidades, dificultou a afirmação da vida urbana própria e, sobretudo, assenta
num enorme sobreesforço das populações apanhadas no movimento pendular.

Almada tem que sair da sombra de Lisboa. Em pleno século XXI há que deixar a
cidade centro ser o que é, aproveitar da vantagem de estar próximo dela, mas também
que ambicionar mais do que as oportunidades que derivam, por inércia, de estar na
sua proximidade.

Almada vai ser parte de uma cidade do sul do Tejo, que usufrui da sua pertença à
Área Metropolitana de Lisboa, mas que se afirma nela autonomamente.

Terá que se preparar para absorver os bons impactos da proximidade do novo
aeroporto, como deve melhorar a capacidade de beneficiar da mancha urbana
contínua que se estende pelo Barreiro, Seixal e Sesimbra.

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Deve aproveitar o seu lado de braço esquerdo de Lisboa para produzir uma
centralidade que faz dela simultaneamente coração dessa nova cidade e gémea rival
da margem norte. Esta rivalidade não diminui ninguém,pelo contrário ajuda a qualificar
toda a grande cidade.

Mas deve também ser mais do que um dos concelhos entre Lisboa e o aeroporto. As
potencialidades naturais do concelho precisam de outro aproveitamento: a frente de
costa, a frente ribeirinha, o ambiente urbano, os equipamentos sociais fazem de
Almada, se bem gerida do ponto de vista urbanístico, o ponto onde se pode encontrar
a melhor relação qualidade-preço para diferentes estilos de vida urbanos, como para a
localização económica que dependa de força de trabalho de qualificação intermédia e
superior. Assim como, não o esqueçamos, Almada é o melhor ponto do sul para ver
Lisboa, o melhor sítio para estando fora, estar dentro dela.

É nessa força, nessa tensão entre ser dentro e fora, nessa relação entre proximidade
e distância que deve assentar a afirmação competitiva autónoma de Almada.
Seguramente que não contra os outros concelhos da margem esquerda do Tejo. Mas
competindo saudavelmente com os outros do Norte, "puxando" um centro da cidade
para o Sul.

Essa grande cidade do futuro vai passar a ter, a partir de agora, uma política municipal
em que poderá apoiar-se.

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