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ESCOLA SECUNDÁRIA DO MONTE DE CAPARICA
Projecto de Educação Sexual em Meio Escolar
Ano lectivo
2011/2012
Evolução da natalidade e mortalidade em Portugal
Encolher, naturalmente...
“Durante a maior parte do século xx, a população portuguesa cresceu à porta fechada. Foi o
crescimento natural, que comandou o aumento registado. O crescimento natural da população
portuguesa só desacelerou a partir de meados da década de 60, quando o número de nascimentos
começou a diminuir e o número de óbitos registou um ligeiro aumento.
Actualmente, Portugal tem um dos crescimentos naturais mais baixos da UE. A evolução dos
nascimentos e dos óbitos tem de ser entendida à luz do progressivo envelhecimento demográfico e do
comportamento da fecundidade em Portugal.
O fraco crescimento natural coloca Portugal e a UE perante um dilema: acolher imigrantes para
assegurar o rejuvenescimento da sua população”
A análise do comportamento da natalidade e da mortalidade e, consequentemente,
das taxas de natalidade e de mortalidade, a partir da segunda metade do século XX,
permite compreender melhor a evolução do crescimento natural e da taxa de
crescimento natural.
Natalidade - Número de nascimentos que ocorrem num determinado período de tempo,
normalmente, um ano e numa determinada região.
Evolução das taxas de mortalidade, natalidade e crescimento natural em alguns
países da EU
Fig.1
A partir da análise do gráfico, constata-se o decréscimo contínuo da taxa de natalidade
em Portugal, que passou de 24,1‰, em 1960, para cerca de 10,4‰ em 2005.
Entre 1991 e 2001, é possível detectar algumas alterações na evolução deste
indicador, pois a partir de 1995, ano em que atingiu o valor mais baixo(10,7‰),
registou uma subida, apresentando o valor mais elevado em 2000, 11, 7‰. A partir
de 2001, a taxa de natalidade voltou a sofrer um ligeiro decréscimo, o que continuou a
verificar-se nos anos seguintes.




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Evolução da taxa de natalidade em Portugal, entre 1991 e
2005

Fig.2A ligeira tendência de acréscimo após 1995 até 2000 não pode, no entanto, ser
considerada um novo baby-boom, mas antes deve ser entendida como uma alteração no
calendário da natalidade, ou seja, as mulheres adiam o nascimento do primeiro filho, o que já
era observado noutros países da Europa. Alem disso, o número de filhos de mães estrangeiras
é também preponderante e fundamental para este aumento.
Taxa de natalidade vs Taxa de fecundidade
A taxa de natalidade considera o total de nados-vivos num universo global, isto é, por cada
mil habitantes, independentemente do sexo e da estrutura etária da população. Então os
resultados são, grosso modo, insuficientes. Deste modo, surge a necessidade de utilização da
taxa de fecundidade, que permite uma leitura mais concisa e real, pois apenas considera a
fracção da população que pode procriar - as mulheres em idade fértil. Efectivamente, a Taxa de
fecundidade revela um comportamento análogo, no tempo e no espaço, à taxa de natalidade.
A Taxa de fecundidade reflecte Índice Sintético de Fecundidade, que é, o número médio
de crianças vivas nascidas por mulher em idade fértil (dos 15 aos 49 anos de idade),
Assim, a queda drástica da fecundidade e bem ilustrada com o declínio do índice sintético de
fecundidade verificado a partir de 1962, com cerca de 3,2 ate 1995, ano em que atingiu o seu
valor mais baixo, 1,41. Em 1988, atingiu-se o limiar da renovação de gerações (2,1 por
mulher).
A partir deste ano, e mais vincadamente após 1997, a fecundidade voltou a aumentar até 2000,
apesar de a um ritmo mais lento, traduzindo-se num aumento do índice sintético de
fecundidade, que foi de cerca de 1,46, em 1997, e de 1,58, em 2000. No entanto, em 2001,
sofreu um decréscimo (1,46) em relação a 2000, estimando-se que em 2005 o seu valor seja
ligeiramente mais baixo, rondando 1,4, isto é, abaixo do número necessário para assegurar a
renovação de gerações.
Esta tendência de decréscimo tendera a manter-se ate 2010, estimando-se que a partir desse
ano aumente, atingindo, em 2050, cerca de 1,7 filhos, em média, por mulher.











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Índice Sintético de Fecundidade

Fig.3
O Índice sintético de fecundidade permite saber se um país tem a renovação das gerações
assegurada.
Segundo um estudo do Instituto Nacional de Estatística, no ano de 2002, nasceram menos
2000 nados-vivos do que em 1990, que registava 116 383 nascimentos vivos contra os 114 456
de 2002. Como consequência, o número médio de crianças por mulher permanece abaixo do
nível de substituição das gerações, que é de 2,1 contra os 1,47 registados em 2002.
A renovação das gerações só está assegurada para valores do índice sintético de
fecundidade superiores a 2,1. Como o valor do índice está cada vez mais longe do valor
mencionado, a população vai entrar num processo rápido de decréscimo e de envelhecimento.








AS CAUSAS DO DECLÍNIO DA FECUNDIDADE
1- A modernização das sociedades e a melhoria do nível de vida;
 maior preocupação com o bem estar (valorização afectiva) e a educação dos
filhos
 limitação do nº de filhos às possibilidades económicas
 proibição do trabalho infantil
 escolaridade obrigatória
 aumento das despesas com os filho, na saúde, na alimentação, na educação,
etc. (crianças fonte de rendimento /passaram a ser fonte de despesa).
2- A precariedade do emprego e o aumento da população urbana
 instabilidade no emprego e a insegurança em relação ao futuro
(insuficiência dos rendimentos) leva a evitar os filhos ou a retardar os
nascimentos pela incerteza de os poder sustentar e educar.
 carência e alto custo da habitação, retarda o casamento e dificulta a
constituição de famílias numerosas
Índice de renovação das gerações
Número médio de filhos que cada mulher devia ter durante toda a sua vida para que as
gerações pudessem ser substituídas.

Aparentemente seria de 2, já que morrendo o casal ele só pode ser quantitativamente
substituído se tiver dois filhos. No entanto, como nascem mais rapazes do que raparigas
(cerca de 105 rapazes por cada 100 raparigas), o índice tem de ser de
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3- O desenvolvimento do planeamento familiar e a generalização da utilização de
métodos contraceptivos
 Utilizando os diversos meios de que podem dispor para evitar a gravidez não
desejada, os casais limitam o número de filhos ao seu simples desejo ou de
acordo com as suas possibilidades económicas.
4- A crescente entrada da mulher no mercado do trabalho / Aumento da taxa de
população activa feminina.
 torna difícil suportar o duplo fardo do emprego e da maternidade
 o que se traduz numa menor disponibilidade para cuidar e educar os filhos
 enormes despesas com a educação de menores muitas vezes
incomportáveis para os rendimentos familiares.
Grande parte das mulheres empregadas evitam ter mais de um ou dois filhos, porque se lhes torna
difícil suportar o duplo fardo do emprego e da maternidade. De resto, a entrega das crianças de tenra
idade, durante o período de trabalho dos progenitores, aos cuidados de terceiros (amas, creches,
infantários, etc.) implica enormes despesas, muitas vezes incomportáveis com os rendimentos
familiares. Por outro lado, na vida moderna, muitos casais, preocupando-se fundamentalmente com a
sua realização pessoal e liberdade de movimentos, não querem estar condicionados pelo "fardo" dos
filhos, pelo que procuram evitá-los.
5- A liberdade e realização pessoal/Aumento do nível de escolaridade das mulheres
portuguesas.
 aumento da idade do casamento e do nascimento do primeiro filho, devido,
em parte, ao prolongamento dos estudos e às dificuldades de acesso ao
primeiro emprego (associado ao crescente desejo de realização profissional
e pessoal está também o emprego precário e o desemprego crescente;
 condicionam os movimentos, por isso , procuram evitar os filhos;
 idade do primeiro casamento e do nascimento do primeiro nascimento.
6- Redução da taxa de nupcialidade e das uniões extra maritais e o aumento do
número de divórcios.
 problemas de ordem social e maior instabilidade reduz o número de
casamentos.
 o casamento é cada vez mais adiado em função do prolongamento dos
estudos e da estabilidade profissional, o que acaba por se reflectir no
aumento da idade da mãe ao nascimento do primeiro filho e no decréscimo
geral da natalidade.
A evolução decrescente do índice sintético de fecundidade está relacionada com o aumento da
idade média da mulher ao nascimento do primeiro filho. Em 2005, a idade média ao
nascimento do primeiro filho era de cerca de 28 anos (24 em 1975). A tendência de ter filhos
cada vez mais tarde mantém-se e as mulheres que tiveram filhos em 2005 tinham em média
30 anos, enquanto em 1977 a média era um pouco mais de 26 anos.

MEDIDAS SOCIOECONÓMICAS QUE INVERTAM A TENDÊNCIA PARA O
ENVELHECIMENTO
Incentivar a natalidade através de:
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 Reforço de abonos e subsídios familiares;
 Gratuitidade na frequência de infantários e na escolaridade obrigatória;
 Vacinação e assistência médica gratuitas para as crianças mais jovens;
 Alargamento da licença de parto e possibilidade de, tanto a mãe como o pai, ficarem a tomar conta
do(s) filho(s) por um período alargado (até vários anos, com parte do ordenado que usufruíam);
 Medidas de apoio especiais às famílias numerosas (com três ou mais filhos), como a ajuda na compra
ou aluguer de habitação
 aumento de subsídios de nascimentos e aleitação
 maior apoio da legislação laboral às futuras mãespenalização fiscal dos
celibatáriosProposta de Trabalho

1.1. Defina natalidade.
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1.2. Descreva a evolução da taxa de natalidade entre 1991 e 2005. (Fig.2)
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1.3. Defina Índice Sintético de Fecundidade
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1.4. Após a análise da figura 3, refira como se tem processado a evolução da fecundidade em
Portugal.
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1.5. Defina índice de renovação de gerações.
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2. “ Com ritmos diferentes nas várias décadas, as taxas de fecundidade nunca deixaram de
descer, pelo que, actualmente nem Portugal nem os restantes países de União Europeia
estão a assegurar a renovação de gerações”.
2.1. Explique o significado da afirmação.
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3. Assinale com um X as expressões que considera mais importantes para o decréscimo da
fecundidade.
 O envelhecimento da população
 A precariedade do emprego e o desemprego
 A melhoria da assistência materno-infantil
 A melhoria do nível de vida
 O desejo de liberdade e realização pessoal e profissional
 A crescente entrada da mulher no mercado de trabalho
 A melhoria da alimentação e dos cuidados de saúde
 A elevação da idade do primeiro casamento

3.1. Justifique duas das causas assinaladas.
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