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O ENSINO DE PRIMEIRAS LETRAS NO GRÃO – PARÁ NA SEGUNDA METADE

DO SÉCULO XIX
Maria do Perpétuo Socorro G. de S. Avelino de França

Os dois primeiros séculos da colonização brasileira foram marcados pela ação
pedagógica dos jesuítas.Passada a “fase heróica” da cateuese e das miss!es
"
# concentrara$
se na preparação de uma elite de acordo com os padr!es culturais %igentes na época na
&uropa católica. 'omo di%ulgadores da fé cristã e da cultura do colonizador# acabaram por
criar um sistema educacional elitista#ue oferecia aos seus segmentos dominantes uma
educação cl(ssica e humanista# segundo o modelo metropolitano.
)s ati%idades pedagógicas e religiosas desen%ol%idas por esses mission(rios
foram interrompidas em "*+,#durante a -eforma Pombalina. ) educação ficou reduzida a
poucas escolas e “)ulas -égias”# insuficientes# tanto em uantidade como em ualidade#
funcionando precariamente e desordenadamente por todo o território brasileiro# condenadas
ao fracasso.
.

/obre a organização escolar herdada desse período# pode$se afirmar ue0
O país ha%ia chegado 1 emancipação política destituído de
ualuer forma organizada de educação escolar./aíra do Período
'olonial com algumas poucas escolas e )ulas -égias insuficiente
e sem um currículo regular# e com algumas escolas de ní%el
superior# criadas na fase 2oanina.
3

Proclamada a 3ndepend4ncia em "5..# iniciou$se uma fase de debates e
projetos# com %istas 1 criação de um /istema 6acional de &ducação. 7. Pedro 3# por
ocasião da inauguração da )ssembléia legislati%a# em 8 de maio de "5.8# chama%a atenção
dos parlamentares para a necessidade de uma legislação específica sobre a 3nstrução
P9blica# a fim de ue se pudesse promo%4$la efeti%amente.

:estre em &ducação pelo Programa de &ducação$ ;istória# <ilosofia e &ducação =63'):P> /.P.
Professora da =&P) e da =6):).
"
) esse respeito# consultar -3?&3-O# :. @uisa# /. História da educação brasileira: a organiação
escoar.!"#$.
.
/obre essa uestão#consultar. ')-A)@;O# @aerte -. de. As re%or&as po&balinas da instituição
p'blica#",+..
8
B)A3&- et al. História da educação: a escola no (rasil# ",,C# p.DE.
)berto os trabalhos# foi eleita a 'omissão de 3nstrução P9blica# ue durante os
seis meses de funcionamento da )ssembléia 'onstituinte elaborou dois projetos relati%os a
instrução p9blica0 O Projeto do Fratado de &ducação para a :ocidade ?rasileira e o Projeto
de 'riação de uni%ersidades.
O primeiro projeto# apresentado a )ssembléia 'onstituinte em "D de junho de
"5.8# objeti%a%a “estimular os g4nios brasileiros” a elaborar um tratado completo de
educação física# mora e intelectual para a mocidade brasileira.
) necessidade e a urg4ncia de se organizar um sistema de ensino# capaz de
promo%er a educação p9blica em todo o país# permeou praticamente uase todas as
discuss!es. Foda%ia# essas grandes preocupaç!es educacionais desembocaram$se em um
projeto de lei ue propunha dar# ao elaborador do referido tratado# uma recompensa pelos
ser%iços prestados 1 6ação.
/obre essa uestão# afirma :aria &lizabete Ba%ier0
O projeto entrou em discussão apesar de ter suscitado algumas
objeç!es uanto a sua propriedade ou pertin4ncia# em %ista do
problema em uestão0 a de ue um projeto dessa natureza de%eria
ser discutido por uma assembléia de literatos e não de legisladoresG
ou mesmo a de ue o projeto escondia interesses particulares ue
%isa%am lesar o Fesouro 6acional. )penas uma objeção denunciou
o %erdadeiro significado do projeto no conteHto ue o originou0 a
ue afirma%a ser absolutamente desnecess(rio o estabelecimento
de uma lei para legitimar a atribuição de uma recompensa por
ser%iços prestados 1 6ação.
)
)pesar de algumas objeç!es# os debates manti%eram$se centralizados nos
detalhes das recompensas ue iam desde medalha especial# pensão por dez anos# pr4mio
pecuni(rio# emprego p9blico#etc...Por ter sido um projeto ue recebera muitas emendas sua
%otação foi adiada até ue a 'omissão de 3nstrução elaborasse no%a redação# e não mais
%oltou 1 plen(ria# caindo no esuecimento.
Fratamento bem diferente te%e o segundo projeto# o de 'riação de
=ni%ersidades# apresentado 1 )ssembléia 'onstituinte# em ", de agosto de "5.8. Para ele#
C
'onferir B)A3&-# Poder pol*tico e educação de elite# ",5E# p.DE.
...foi reuerida urg4ncia e %encida unanimemente# sem discussãoG e
fazendo$se logo a segunda leitura# %enceu$se também ue era
objeto de deliberação# e mandou$se imprimir para ser debatido.
+
&sse projeto propunha a criação de duas uni%ersidades# uma em /ão Paulo e
outra em Olinda# indicando os principais centros formadores da elite do país.
)s principais di%erg4ncias ue emergiram nos debates sobre esse projeto diziam
respeito ao n9mero de uni%ersidades a serem criadas e 1s cidades onde seriam
instaladas.Fais di%erg4ncias não afetaram a base do projeto original elaborado pela
comissão.
D
) )ssembléia 'onstituinte não te%e tempo de promulgar esse 9nico projeto de
3nstrução P9blica por ela apro%ado# dada a sua dissolução em ". de no%embro de "5.8.
&ssa tramitação e esse resultado autorizam a conclusão de ue# enuanto a
educação popular podia esperar# sabe$se l( uanto tempo# a criação de =ni%ersidades era
urgente e necess(ria#tanto ue o projeto apro%ado# além de pre%er a criação de
uni%ersidades# estabelecia# em seu artigo CI# ue...,averão desde -. dois cursos -ur*dicos/
u&a na cidade de São Paulo e outro na de 0linda.
#
-eaberto o parlamento em "5.D# os primeiros meses de trabalho foram
marcados por reclamaç!es e propostas no sentido de modificar o uadro desolador em ue
se encontra%a a educação popular no país.Os deputados denuncia%am o estado de
precariedade a ue esta%a submetida a instrução p9blica nas di%ersas Pro%íncias do
3mpério# chamando a atenção para a necessidade de criação de escolas prim(rias e de um
plano de 3nstrução P9blica para todo 3mpério# e atribuindo 1 'omissão de 3nstrução da
'Jmara a tarefa de elabor($lo.
) 'omissão de 3nstrução apresentou a 'Jmara dos 7eputados dois projetos. O
primeiro denominado de “Projeto 2anu(rio da 'unha ?arbosa”# apresentado em "D de junho
de "5.D# propunha ue a instrução p9blica no 3mpério fosse organizada em uatro graus0
Pedagogias# @iceus# Kin(sios e )cademias# abrangendo desde a escola prim(ria# passando
+
)nnaes do Parlamento ?rasileiro0 )ssembléia 'onstituinte. )pud B)A3&-# Poder pol*tico e educação de
elite !"$1# p.8"
D
Para aprofundar essa uestão# consultar :O)'L-# A instrução e o 2&périoG subsídios para a história da
educação no ?rasil# ",8D$",85.
*
)nnaes do Parlamento ?rasileiro0 )ssembléia 'onstituinte# )pud B)A3&-. Poder pol*tico e educação de
elite# ",5E# p.8+.
pelo ensino profissional e científico# até chegar ao ensino superior. &sse projeto não chegou
a entrar em discussão# e não se encontrou ualuer justificati%a para esse abandono.
O segundo projeto# apresentado em , de junho de "5.*# mais modesto ue o
anterior# %ersa%a sobre a criação de simples escolas prim(rias. )pós algumas discuss!es e
emendas# o projeto foi apro%ado# em "5 de setembro# e transformado em 7ecreto imperial#
em "+ de outubro de "5.*. &sse decreto ficou conhecido na história como o 7ecreto de "+
de outubro de "5.*# primeira lei nacional sobre a 3nstrução P9blica# até ",CD.
/egundo essa lei as &scolas de Primeiras @etras de%eriam ensinar a leitura# a
escrita# as uatro operaç!es de c(lculo# as noç!es gerais de geometria pr(tica#a gram(tica da
língua nacional e a doutrina católica.
Muanto a formação de professores# dispunha ue de%eria ocorrer# em curto
prazo# nas escolas da capital# de%endo os alunos arcar com todas as suas despesas. 6ota$se
aí ue não ha%ia ualuer incenti%o# por parte do poder p9blico# para a formação do
professoradoG posteriormente atribuiriam o mal funcionamento da &scola de Primeiras
@etras e o fracasso de sua implantação a m( ualidade do trabalho docente.
6essas circunstJncias# era uase impossí%el difundir as &scolas de Primeiras
@etras ue# ao longo do período 3mperial# desen%ol%eram$se de forma limitada e irregular#
em todas as Pro%íncias do 3mpério.O )to )dicional 7iogo de <eijó e a conseNente
descentralização desse ní%el de ensino colocaram 1s claras o interesse apenas retórico do
poder p9blico pela educação popular.
6a Pro%íncia do Krão O Par(# a regulamentação da instrução prim(ria e
secund(ria P @ei nI. ,*# de .5 de 2unho de "5C"Q só foi efeti%ada decorridos uatorze anos
aproHimadamente da criação da @ei Keral da 3nstrução P9blica# e sete anos de %ig4ncia do
)to )dicional.O programa de estudos para a escola prim(ria# estabelecidos por essa lei#
compreendia0
$ 'lasse primeira0 @eitura# &scrita ou 'aligrafia# Princípios de
)ritmética com o perfeito conhecimento das uatro operaç!es
aritméticas em n9meros inteiros# fracionados# compleHos# e
proporç!esG Kram(tica da língua nacional# e &lementos de
Ortografia.
$ 'lasse /ecunda0 Princípios da :oral cristã e da -eligião do
&stado# 6oç!es de 'i%ilidade# &lementos Kerais de geografia#
@eitura da 'onstituição# e da ;istória do ?rasil.
)lém das matérias das duas classes# ensinar$se$( mais ao seHo
feminino o uso da agulha de coser e de meia# o bordado# as regras
de talhar e coser os %estidos... próprios da educação doméstica.
5
'omo podemos obser%ar o programa do ensino prim(rio reduzia$se# portanto# ao
aprendizado da leitura# escrita# c(lculo e doutrinas religiosas. /em contar é claro com a
discriminação a ue eram submetidas as meninas entregues ao aprendizado das prendas
domésticas.
-elatórios de Presidentes da Pro%íncia e 7iretores da 3nstrução P9blica# durante
todo o período imperial# denuncia%am o estado de abandono a ue era submetido esse grau
de ensino# na Pro%íncia do Krão$Par(# e apresenta%am alternati%as ue# por %ezes
transformadas em lei# não surtiam os resultados esperados. &m "5+"# o Presidente da
pro%íncia# 7r. <austo )ugusto dR )guiar# ao relatar a )ssembléia @egislati%a o estado da
instrução prim(ria# afirma%a0
O estado lament(%el# em ue a instrução p9blica se acha em toda a
Pro%íncia# merece a %ossa mais seria e particular atenção.$ )
educação da mocidade é uma das primeiras necessidades morais#
de ue cumpre cuidar# porue dela essencialmente depende o
futuro da sociedade.
'onsultando$se os mapas %4$se# ue C+ escolas de instrução
prim(ria t4m sido criadas# sendo CE para meninos# e + para
meninas0 $ mas como são elas regidasS Mue n9mero de alunos as
freNentaS Mual o grau de seu apro%eitamentoS
& sumamente sensí%el dizer$%os# ue entrando$se neste eHame o
resultado é desanimador.
)s escolas se acham# com muitas poucas eHceç!es confiadas a
professores# aos uais falecem todas as condiç!es de capacidade#
ou ue tendo abraçado o magistério# não por %ocação# mas
unicamente como um meio de %ida# não zelam# como de%em# a
educação de seus discípulos# limitando$se# no eHercício de suas
funç!es# a satisfazer as eHig4ncias# a ue podem absolutamente
subtrair.
5
'onferir @ei nI. ,*# de .5 de junho de "5C"# p. +" e +..
)cresce# ue a essas escolas falta direção# e efeti%a fiscalização
sobre a sua disciplina e regime. O método# e a pr(tica do ensino#
partes tão importantes em matéria de instrução elementar#ficam
inteiramente dependentes da %ontade e escolha de professores sem
intelig4ncia# nem dedicação.
& é para manter escolas tais# freuentadas apenas por ".8CD
meninos# ue a Pro%íncia faz tantos sacrifíciosS...
"

7enuncia%a ainda esse -elatório ue o estado desanimador em ue se
encontra%a a instrução p9blica prim(ria# na Pro%íncia# impunha reformas radicais# ue
eHigiam a constituição do professorado a partir de pessoal ualificado# ue apresentasse
pro%as de saber e de moralidade# e a garantia de %antagens para o eHercício da função# a fim
de ue o trabalho docente se transformasse em uma profissão desempenhada por homens de
merecimento.
Muanto aos meios utilizados para a preparação desses profissionais# chama%a a
tenção para as &scolas 6ormais# ue ha%iam sido criadas em %(rios países europeus# bem
como para a eHperi4ncia de outros países# ue prepara%am os mestres pela pr(tica#
conser%ando$se na escolas os alunos mais inteligentes e ue apresentassem %ocação para o
magistério. 6esse sistema# os alunos eram empregados na própria escola ue estuda%am#
ministrando aulas sob a orientação de seus professores# e recebiam por seus ser%iços
alguma remuneração. O Presidente <austo dR)guiar considerou esse sistema o mais %i(%el
para o Krão$Par(# j( ue sua implantação não eHigia altas somas aos cofres p9blicos.
"E
6ão
se t4m noticia# contudo# de ue a situação se tenha resol%ido por essa %ia.
) precariedade dos estudos prim(rios# ao ue tudo indica# era atribuída tão
somente 1 falta de preparo do professor ue# por não possuir domínio da (rea de
conhecimento a ue se dedica%a# contribuía para o seu enfrauecimento. )pesar desses
diagnósticos# as medidas tomadas tendiam a manter as defici4ncias eHistentes# nada
apresentando de concreto para super($las.
)parentemente# encara%a$se a profissão como %ocaçãoG caberia ao professor
dedicar$se o m(Himo possí%el 1s suas ati%idades acad4micas# sem preocupar$se com os
,
'onferir )K=3)-.-elatório apresentado na abertura da segunda sessão ordin(ria da sétima legislatura da
)ssembléia Pro%incial#"5+"#p.CC e C+.
"E
3bidem#p.CD.
baiHos sal(rios ue recebiam pelos ser%iços prestados. )tua%am por uma causa justa#
mesmo ue isso representasse baiHos sal(rios.
6o entanto# atribuir a precariedade desses estudos somente 1 aus4ncia de pessoal
ualificado era desconsiderar todo um aparato administrati%o e político ue relega%a a
9ltimo plano a instrução p9blica prim(ria e a formação dos professores# não le%ando em
conta as condiç!es de trabalho# os baiHos sal(rios e as disputas políticas regionais ue# na
maioria das %ezes# deiHa%a os professores a merc4 de interesses partid(rios e
“apadrinhamentos”.
7ez anos depois# em "5D"# o Presidente da Pro%íncia# <rancisco 'arlos de
)ra9jo ?rusue# chama%a a atenção mais uma %ez para o despreparo dos professores de
Primeiras @etras# ue não encara%am o seu trabalho como profissão e %ocação# mas como
um mero meio$de$%ida. &is alguns trechos dessa den9ncia0
6esta Pro%íncia# o magistério na instrução primaria não é ainda
uma profissão# é um meio de %idaG não é um sacerdócio# é um
simples emprego# para o ual se entra de ordin(rio sem a arte da
escola# sem a ci4ncia do ensino# e não poucas %ezes se %er(
entregue a sorte de uma escola a instituidores sem consci4ncia do
seu de%er e do papel ue representam.
T preciso ue o mestre# esse sacerdote da educação intelectual e
moral# esse grande arbitro dos destinos de um po%o# conuiste pelo
saber# instrução e moralidade o %erdadeiro lugar ue lhe compete.
<ormai pois o mestreG institui uma escola normal nesta Pro%íncia #
completando.... o uadro de %ossos lou%(%eis des%elos em prol
deste ramo da administração.
) instrução# partindo da escola normal# sob a influ4ncia da 'i4ncia
Pedagogia# com uma direção inteligente e uma inspeção se%era e
ati%a em todos as localidades# uniformizada e obrigatória# h( de
necessariamente difundir$se por todos as zonas da sociedade#
pagando$%os em grandes resultados pr(ticos o ue hou%erdes de
dar$lhes em cuidados...
!!

;a%ia# na Pro%íncia# ** escolas prim(ria# das uais encontra%am$se pro%idas *8#
sendo +* do seHo masculino e "D do seHo feminino# freuentadas por 8.8," alunos# assim
""
'onferir ?-=/M=&# "5D"#p..E.
distribuídos0 ..5+" do seHo masculino e +CE do feminino. Para uma população estimada em
.+E.EEE habitantes# o n9mero de escolas eHistentes ainda era insignificante.
:uito se falou sobre a falta de preparo e %ocação dos professores para o
magistério# mas pouco se fez para a criação de uma escola 6ormal. ) Portaria de E" de
março de "5DC# ue instituiu o -egulamento de 3nstrução Prim(ria e /ecund(ria# manda%a
obser%ar# entre outras coisas# as condiç!es eHigidas para o magistério p9blico# ue
determina%am ue este só poderia ser eHercido por cidadão brasileiro maior de ." anos#
possuidor de capacidade intelectual/ %*sica e &oral e 3ue pro%essasse a religião do estado.
!4
7e acordo co a referida Portaria# os professores da instrução prim(ria eram di%ididos em
tr4s classes0 a primeira delas era constituída por professores da 'apital# a segunda e a
terceira pelos das cidades# %ilas# freguesias e po%oaç!es# de acordo com a sua população.
Os %encimentos dos professores# por categorias# eram os seguintes0
$ professores das escolas de primeira classe recebiam um ordenado
de *EEUEEE e a gratificação de "EEUEEE.
$ professores das escolas de segunda classe recebiam um ordenado
de DEEUEEE e a gratificação de "EEUEEE.
$professores de terceira classe recebiam um ordenado de +EEUEEE e
a gratificação de "EEUEEE.
"8
&m relação aos custos de %ida e aos sal(rio percebidos por outras categorias
profissionais# essa remuneração significa%a pouco# 1 época.
O plano de estudos das escolas prim(rias compreendia as seguintes matérias0
@eitura# escrita# caligrafia# )ritmética até proporç!es# Kram(tica portuguesa# Ortografia#
noç!es de 7e%eres :orais e -eligiosos# e idéias gerais de Keografia e ;istória do ?rasil.
&ram ensinadas 1s meninas# além dessas matérias# trabalhos domésticos# reforçando a idéia
de ue mulher podia estudar# desde ue não se afastasse de seus afazeres domésticos.
".
'onferir. Portaria de " de março de "5DC# p.D.
"8
3bidem.p."E.
7ecorridos dez anos da eHpedição dessa Portaria# o -elatório do presidente
Pedro Aicente de )ze%edo# apresentado 1 )ssembléia legislati%a# em "5*C# considera%a
necess(rio# como condição para a an(lise dos problemas# um estudo minucioso dos
regulamentos eHistentes# j( ue muitos deles ha%iam sido re%ogados antes mesmo de serem
postos em eHecução. Para o relator# o professorado não esta%a habilitado# em regra# para o
ensino.
Ou pelo modo porue são pro%idos as cadeiras atualmente# ou pela
falta de uma escola normal ue conceda títulos de habilitação
depois de um curso regular de alguns anos# ou pela nenhuma
%ocação de professores ue procuram o emprego# não porue se
julguem capazes de eHerc4$lo# como de%em## mas unicamente pelos
%encimentos com ue contam # %isto ue# por nossa desgraça# o
funcionalismo p9blico %ai absor%endo todas as aspiraç!es em
nosso país# o certo é ue se o n9mero de alunos é ele%ado# a ele
não correspondem os pro%eitos tirados da escola e nem a instrução
prim(ria esta disseminada# como parece# e como con%ém ue
%enha a estar no mais próHimo futuro.
P...Q ) uestão da escola é a uestão do professor. &Haminei porue
a suíça# os &stados =nidos do 6orte# a )lemanha e outra naç!es#
apresentam tanto progresso a este respeito# e %ereis ue em todas
elas os legisladores cuidam com zelo e interesse no preparo do
professor P...Q o primeiro cuidado# pois# é a habilitação dos mestres#
e a direção da oficina. Para isso# é necess(rio não só obrigar esses
mestres a conseguirem suas nomeaç!es por concurso ou eHames
rigorosos# mas também oferecer$lhes os meios de se prepararem
para a profissão. &is o moti%o da criação das escolas normais.
"C

O professor# portanto# tinha ue ser instruído e educado para a profissão# ter
domínio do método de ensino# paci4ncia# dedicação# professar a religião do &stado# ter
conduta moral irrepreensí%el e ser pro%ido ao cargo por meio de concurso rigoroso. Por
outro lado# salienta%a ue# sendo o mestre eHemplo %i%o da escola# caberia ao poder p9blico
cuidar de sua formação# caso desejasse consolidar o edifício de “melhoramentos” da
instrução p9blica prim(ria.
Fodos os administradores da Pro%íncia# fossem liberais ou conser%adores#
demonstra%am em seus relatórios a necessidade de criação de uma escola preparatória de
professores prim(rios.Foda%ia# a &scola 6ormal só foi criada na década de *E do século
"C
'onferir# )V&A&7O# "5*C# p."D$5.
B3B.O ensino dessa escola desen%ol%eu$se de forma tão limitada e irregular ue# nos
9ltimos anos do período 3mperial# ainda a sociedade paraense se ressentia de professores
habilitados para as &scolas de Primeiras @etras# conforme relatório e diagnósticos oficiais.
)s mudanças constantes de Presidentes da Pro%íncia# designados pelo Poder
'entral# influenciaram negati%amente na solução do problema da difusão do ensino
prim(rio na Pro%íncia# j( ue sucessores não da%am# continuidade as disposiç!es antes
firmadas# %etando$as ou relegando$as a segundo plano# por raz!es de ordem estreitamente
políticas.

?3?@3OK-)<3)
)K=3)-#<. A. 5elatório apresentado pelo e6&o. sr. 7r. Fausto Augusto de Aguiar#
Presidente da Pro%íncia do Krão$ Par(# 1 )ssembléia Pro%incial. Par(#Fipografia de /antos
e <ilho# "5+".
)V&A&7O# P. A. 5elatório apresentado pelo e6&o. sr. dr. Pedro 8icente de Aevedo#
Presidente da Pro%íncia do Krão$ Par(# 1 )ssembléia Pro%incial# Par(#Fipografia 7i(rio do
Krão$ Par(# "5*C.
?-)/3@. 9ei n:"#/ de 4$ de ;un,o de !$)!.<ria o 9iceu Paraense e regula a
instrução pri&.ria e secund.ria# 'oleção das @eis da Pro%íncia do Krão$ Par(# Par(# Fomo
3A#Fipografia 'omercial de )ntonio 2osé -abelo Kuimarães # "5C".
?-)/3@. Portaria de !: de Março de !$=). Manda observar o regula&ento da
instrução pri&.ria e secund.ria na Prov*ncia do Grão> Par.# Par(# 'oleção das @eis da
Pro%íncia do Krão$ Par(#Fomo BBA3#Fipografia do 2ornal do )mazonas # "5DC
?-=/M=&# <. '. ).5elatório apresentado pelo e6&o. sr. dr. Francisco <arlos de
Ara'-o (rus3ue# Presidente da Pro%íncia do Krão$ Par(# 1 )ssembléia Pro%incial#Par(#
Fipografia do Krão Par(# "5D".
')-A)@;O# @aerte -. de. As re%or&as po&balinas da instrução p'blica. ?oletim da
=/P# <.<.'.3. ;istória e <ilosofia da &ducação# nI "# /ão Paulo# ",+.
K-)W)#)bel.5elatório apresentado pelo e6&o. sr. dr. Graça Abel/ Presidente da
Prov*ncia do Grão> Par.# 1 )ssembléia Pro%incial# Par(#Fipografia 7i(rio do Krão
Par(#"5*.
:O)'L-#Primiti%o. A instrução e o 2&pério/ subs*dios para a ,istória da educação
no (rasil. /ão Paulo# 6acional# ",8D$",85
-3?&3-O# :aria @uisa /. História da educação brasileira: a organiação escolar. "8
ed.'ampinas0 )utores )ssociados ",*5.
B)A3&-# :. &lizabete /. P. Poder pol*tico e educação de elite. /ão Paulo0 )utores
)ssociados# ",5E
B)A3&-# :. &lizabete /. P. et al.História da ?ducação: a escola no (rasil. /ão
Paulo0 <F7#",,C.