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VULVOVAGINITES

Fisiológico:
 A região vulvovaginal normal apresenta um conteúdo liquido em pequena quantidade,
oriundo de glândulas de Bartholin, glândulas sebáceas e sudoríparas do vestíbulo vulvar, do
transudado vaginal misturado com células descamadas, do muco cervical.
 Diariamente há produção de 3 a 5 gr. Mas seu volume pode ser modificado pela idade, fase
do ciclo menstrual, excitação sexual, estado emocional, temperatura do meio ambiente e
gravidez.
 Pode apresentar-se transparente ou branco (leucorréia) em virtude das células
descamadas, quando seca pode adquirir cor amarelada. De aspecto mucóide, homogêneo
ou grumoso.
 O pH vaginal varia entre 3,5 e 4,5 em meninas pré-puberes e pós-menopausa varia entre
5,0 e 7,0. Fatores alcalinizantes podem alterá-lo: muco cervical ou sêmen; sangue mestrual;
crescimento excessivo de outros microorganismos da flora vaginal; uso de antibiótico;
DSTs; gravidez e menopausa.
 No exame a fresco a flora vaginal é predominantemente constituída por lactobacilos
facultativos (90% da flora bacteriana) e ausensencia quase completa de leucócitos.
 Apresenta pouco ou nenhum odor fétido.Entretanto, tem odor característico em razão dos
feromônios. Esse odor varia de acordo com a higiene da mulher, uso de roupas justas que
não permite ventilação.
Patológico:
 O corrimento vaginal é uma das mais freqüentes queixas de ambulatórios e consultórios
ginecológicos (cerca de 50
%).
 Considera-se como vulvovaginite toda manifestação inflamatória e/ou infecciosa do trato
genital inferior, ou seja, vulva, vagina e ectocérvice, que se manifeste por meio de
corrimento vaginal, associado a um ou mais dos seguintes sintomas inespecíficos: prurido
vulvovaginal, dor ou ardor ao urinar, dispaurenia e sensação de desconforto pélvico.
Entretanto, muitas infecções genitais podem ser completamente assintomáticas.
 Podem ser causadas por agentes infecciosos endógenos, por agentes sexualmente
transmitidos ou por fatores físicos, químicos, hormonais, anatômicos ou orgânicos, o que
deve ser levado em consideração no diagnóstico diferencial da etiologia e na conduta
terapêutica.
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A - TRICOMONIASE:
 Uma doença sexualmente transmissível, sendo o contagio principal o ato sexual.
 O agente é o Trichomonas vaginalis, protozoário flagelado. O habitat natural é a vagina,
mas tem afinidade pelo trato urinário, glandulas e cresce melhor em condições de
anaeróbicas, com pH acima de 6,0.
 Além da própria ação patogênica, o parasita pode veicular outros agentes sexualmente
transmissíveis, como infecções gonococcica(devido a produção de hidrogênio que se liga ao
O2, facilitando o meio anaeróbio) e virais como herpes simples e papilovirus humano.
 Há possibilidade de facilitar a entrada do vírus HIV, em decorrência do intenso processo
inflamatório e das microulcerações induzidas pelo T. vaginalis.

1 - Epidemiologia:

 A prevalência vem caindo e varia de acordo com a população estudada: 10 a 25% em
mulheres atendidas no consultório; 50 a 75% de prostitutas e 7 a 35% em atendidas em
clinicas de DST.
 Estima-se que 10 a 20% sejam assintomáticas.
 Fatores de risco: promiscuidade sexual; baixo nível socioeconômico; raça negra; tabagismo,
historia de DST;não uso de contraceptivos.
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 Alem da transmissão sexual, há outras formas que geralmente são consideradas em casos
recorrentes. O parasita é bastante resistentes sendo infectante em ladrilhos de banheiros,
canos, toalhas e piscinas cloradas.



2 - Etiopatogenia:

 O parasita ataca o epitélio escamoso que responde com aumento da vascularização,
seguido por edema, erosão das camadas superficiais e necrose.
 Colo com aspecto de morango, devido à acentuada distensão dos vasos sanguíneos
superficiais e a focos de hemorragia.
 Enzimas com ações proteolíticas (proteases) atuam na aderência as células do hospedeiro,
na citotoxicidade e na aquisição de nutrientes.
 Mesmo após reinfecções não ocorre efetiva resposta imunológica do hospedeiro.

3 - Quadro clinico:

 Corrimento vaginal profuso (na maioria das pacientes). Pode ter coloraçao amarelada,
esverdeada, esbranquiçada ou acinzentada, de consistência espessa ou fluida e espumoso.
Costuma apresentar odor fétido.
 Sensação de ardor vaginal e prurido são queixas frequentes, podendo ser acompanhadas
de disúria, polaciuria e dispaurenia.
 Queixa de dor no baixo ventre deve alertar para a possibilidade de acometimento do trato
genital superior pó microorganismos associados.
 Ao exame costuma haver: hiperemia e edema da vulva. Ao especulo hiperemia intensa da
vagina e colo. Colo com aspecto de morango.
 A maioria dos homens são assintomáticos.

4 - Diagnostico:

 Criterio diagnostico:
 Corrimento espumoso, profuso e amarelo-esverdeado;
 pH vaginal >4,5;
 Eritema vaginal. Colo em morango;
 Apesar do quadro clinico exuberante, o diagnostico especifico é feito pela demonstração da
presença do parasita do parasita, no exame a fresco identifica os tricomonas com facilidade
devido a grande motilidade. Bacterioscopia após colocaração pelo método de gram, que
será gram-negativo e elevado numero de polimorfonucleareas. A cultura apesar de maior
sensibilidade é pouco utilizada. Podem também esta presente no exame papanicolau
(aumento de leucócitos, hipercromasia, pseudo-eosinofilia)

5 - Tratamento:

 Os nitromidazolicos são a única classe de droga para tratamento oral ou parenteral.
 A 1° escolha é metronidazol, 2 mg, dose única VO. Para pacientes com historia de
intolerância a dose única pode-se dividir em 3 vezes ao dia ou 2 vezes ao dia em 7 dias ou
tinidazol 2mg, dose única VO.
 O metronidazol em gel não atinge as glândulas perivaginais e uretra, por isso não é
recomendado. Entretanto pode ser indicado para aplicação tópica durantes 7 dias, em
casos que se buscam o alivio mais rápido.
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 É importante o tratamento do parceiro para diminuir risco de reinfecçao. Deve orientar para
que ela e o parceiro evitem o uso de álcool durante o tratamento e relação sexual ate que
estejam assintomáticos.
 Há interação medicamentosa como antiácidos e barbitúricos que diminuem a meia-vida do
metronidazol.
 Gestantes infectadas podem ser tratadas a partir do segundo trimestre de gravidez. Não se
demonstra benefícios em se tratar tricomoniase assintomática durante gestação.








VAGINOSE BACTERIANA

 Utiliza-se o termo vaginose, em vez de vaginite, para destacar a discreta reação
inflamatória observada.
 É a causa mais comum de corrimento vaginal em mulheres em idade reprodutiva, sendo
responsável pó 40 a 50% dos casos, mas sua prevalência ainda é subestimada (não é
doença de notificação compulsória).
 Principais fatores de risco: 1. Multiplicidade de parceiros, 2. Aplicação de ducha
endovaginal, 3. Ausência ou escassez de lactobacilos, 4. Raça negra (3 vezes mais
comum).


1 - Etiopatogenia

 É uma infecção polimicrobiana, que resulta de um supercrescimento da flora bacteriana
anaeróbia, obrigatória ou facultativa da vagina.
 Caracteriza-se por desequilíbrio no ecossistema microbiano vaginal, com acentuada
diminuição dos lactobacilos e pelo crescimento excessivo principalmente de gardnerella
vaginalis (a concentração de bactérias aumenta de 100 a 1000 vezes), por tal motivo não
se nota processo inflamatório.
 Supõe-se que um mecanismo inicial desconhecido provoque a depleção dos lactobacilos
normais protetores, permitindo um supercrescimento de microorganismos que usualmente
estão reprimidos. O PH se eleva e como conseqüência, há redução do número de
lactobacilos e da produção de ac. Lático, o que facilita ainda mais o crescimento de
microorganismos.
 Verificou-se que dentre as espécies de lactobacilos existentes na vagina, algumas são
capazes de produzir peróxido de hidrogênio (H2O2). Estas exercem papel protetor, pois o
H2O2 pode ser toxico para microorganismos que não o produzem, além de reagir com o
cloro presente no muco cervical, produzindo defesa antimicrobiana inespecífica. A
ausência de lactobacilos produtores de H2O2 poderia permitir a proliferação de
microorganismos como aqueles encontrados em mulheres com varginose bacteriana.
 A proliferação de G.varginalis e anaeróbios é acompanhada por aumento na produção de
aminas derivadas do metabolismo das bactérias. Em decorrência da elevação do PH
vaginal, tais bactérias se volatizam e produzem odor anormal. As principais aminas
responsáveis são: trescina, cadaverina e trimetilanina.
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 Parece que as aminas e os ácidos orgânicos presentes na vagina de portadores de VB têm
ação citotóxica, resultando em esfoliação celular, que origina a descarga vaginal.
 Acredita-se ainda que se dêem alterações na disponibilidade dos receptores celulares, de
maneira que as bactérias se liguem avidamente as células epiteliais esfoliadas formando
as “clue cells” (células guia).
 Existem duvidas sobre a flora vaginal ser responsável pela alteração do PH ou se a
alteração no PH é responsável pela modificação da flora vaginal. De qualquer maneira a
elevação do PH se associa a maior habilidade bacteriana de ligação com as células.
 O uso de métodos de barreira e de anticoncepcionais orais parece proteger contra VB. No
caso dos anticoncepcionais, atuariam promovendo uma flora composta
predominantemente por lactobacilos.
 A VB tem sido associada ao risco aumentado de complicações durante a gravidez,
provavelmente por predispor o desenvolvimento de infecção ascendente do trato genital à
membrana corioamniótica e ao liquido amniótico que, eventualmente, ocasiona trabalho de
parto prematuro e/ou rotura prematura de membranas.

2 - Quadro clinico

 A queixa mais freqüente é o odor desagradável, que piora com o coito e a menstruação.
Isso acontece porque o sêmen e o sangue menstrual são alcalinos e possibilitam a
volatilização das aminas presentes.
 O corrimento vaginal está presente em 50 a 70% dos casos, conteúdo fluido, homogênio,
esbrqnquiçado, acinzentado ou amarelado, quase sempre em moderada quantidade.
 São pouco freqüentes os sintomas combinados como prurido, disúria.
 O padrão dos sintomas pode ser cíclico, aumentando progressivamente durante o meio do
ciclo até o final da menstruação e diminuído logo depois.
 Ao exame ginecológico, observa-se apenas alteração no conteúdo vaginal, já que não
ocorre processo inflamatório e o exame da vulva, vagina e colo são praticamente normais.
 Em mulheres infectadas pelo HIV, podem aparecer quadro de ulceras genitais.


3 - Diagnóstico

 Não basta a identificação da Gardnerella vaginalis.
 Na prática o diagnostico presuntivo é realizado quando são encontrados 3 dos 4 itens:
1. Presença do corrimento vaginal característico;
2. pH vaginal maior que 4,5; (para medir o pH deve-se evitar colher o muco cervical uma
vez que tem pH 7,0 podendo dar um resultado falso positivo)
3. Teste das aminas positivo; (2 gotas de hidróxido de potássio ao resíduo vaginal,
aparecimento do odor)
4. Presença de células indicadoras em mais de 20% das células epiteliais (exame do
conteúdo vaginal a fresco ou após coloração pelo método Gram).
 O diagnostico definitivo requer:
1. Recuperação dos microorganismos em meios de cultura;
2. Demonstração quantitativa de mais que 108 unidades formadoras de colônias de
bactéria por grama de fluido vaginal;
3. Exclusão de co-patógenos potenciais.
 A presença de clue cells é o mais especifico e sensível sinal de vaginose bacteriana. À
microscopia óptica, a presença de células indicadoras, e a inversão do padrão da flora
bacteriana, caracterizada pela ausência ou diminuição de lactobacilos, constituem-se um
dos parâmetros mais precisos pra o diagnóstico.
 As culturas são pouco utilizadas, pelo elevado custo e dificuldades na sua realização.

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4 - Tratamento

 Toda mulher sintomática deve ser tratada, mesmo que esteja grávida.
 Com relação as gestantes, as evidencias atuas não justificam o rastreamento universal e o
tratamento das pacientes com VB assintomática para prevenir o parto prematuro.
 As drogas de primeira escolha são os derivados de imidazólicos por via sistêmica ou oral.

 O Metronidazol:
 tem sido a droga de escolha, sua ação terapêutica consiste na atividade anaeróbica
além da suscetibilidade da G. vaginalis aos hidroximetabolitos do metronidazol.
Apresenta efeitos colaterais como anorexia, desconforto gástrico, gosto metálico alem
de outros que são raros, porem graves como convulsões, neurapatia, leucopenia e
neutropenia, fazendo com que o paciente interrompa o uso antes do final do tratamento.
 O Metronidazol gel pode ser utilizado para aqueles pacientes que não toleram seu uso
sistêmico.
 Quando em uso, as pacientes devem evitar o consumo de álcool durante o tratamento e
até 24 hrs após o termino, o metronidazol interfere no metabolismo intermediário do
álcool inibindo algumas enzimas que oxidam o álcool levando a rubor, cefaléia vômitos,
dores abdominais e sudorese.
 Outras opções sistêmicas incluem a Clidamicina oral. Preparações intravaginais permitem
seu uso com menos efeitos colaterais sistêmicos.
 Com relação a duração do tratamento, os esquemas prolongados de 5 a 7 dias apresenta
eficácia de cura de mais de 90%, os regimes de dose única apresenta eficácia de apenas
70%, com maiores taxas de recorrência.
 A recorrência está mais relacionada à não adesão correta do tratamento do que à
reinfecções ou falha do tratamento.
 As pacientes portadoras de HIV devem ser tratadas utilizando o mesmo esquema de
tratamento.
 Com relação ao tratamento do parceiro sexual, alguns autores observam aumento da
prevalência da VB em mulheres com múltiplos parceiros ou único parceiro e múltiplas
relações sexuais, estes preconizam o tratamento dos parceiros. Por outro lado segundo
outros autores a VB não é aceita como doença sexualmente transmissível, portanto o
parceiro não necessita de tratamento.







CANDIDÍASE

 É a segunda causa mais freqüente entre as vulvovaginites.
 A Candida albicans é responsável pela maioria dos casos sintomáticos de candidíase
vulvovaginal.
 No entanto tem-se observado a ocorrência de CVV causada por outras espécies de
cândidas, entre elas a mais predominante é a Candida glabrata. Embora a infecção por
esta espécie tenha tendência a ser menos sintomática, vários autores tem chamando
atenção pra o fato de serem menos sensíveis ao tratamento. O que a torna responsável
por muitos dos casos crônicos e recorrentes da CVV.
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 Entre as explicações para esse aumento nas espécies não albicans pode-se citar a
utilização de antimicóticos vendidos sem receita médica, que são utilizados de maneira
inadequada e eliminam as espécies albicans mais sensíveis, selecionando as espécies não
albicans mais resistentes.

1 - Epidemiologia

 A incidência de candidíase vaginal tem aumentado nos últimos anos, provavelmente devido
à maior utilização de agentes imunossupressores e citotóxicos, antibióticos, infecção pelo
HIV, entre outros.
 Estima-se que 75% das mulheres têm pelo menos, um episódio de infecção fúngica em
sua vida e aproximadamente 40 a 50% destas vivenciam um novo surto.
 A doença é pouco freqüente na infância e no climatério. A alta incidência durante a
menacme sugere dependência hormonal da infecção.
 A colonização do pênis com cândida está presente em aproximadamente 20% dos
parceiros de mulheres com candidíase recidivante.

2 - Etiopatogenia

 São 3 as condições para que o fungo produza a infecção:

1. É necessário o contato com o fungo patógeno;
2. Este tem que penetrar no organismo humano (a cepa deverá possuir habilidade de
ligar-se às células escamosas epiteliais, o que ocorre através de receptores específicos
de membrana que determinadas cepas possuem);
3. Encontrar terreno favorável para o seu desenvolvimento.

 A CVV ocorrerá quando houver alteração na relação de comensalismo entre o fundo e seu
hospedeiro. Normalmente esse desequilíbrio é resultado de falha em um ou mais dos
mecanismos envolvidos na defesa da vagina, representados por: existência de mucosa
integra flora vaginal equilibrada, presença de polimorfonucleares, monócitos,
imunoglobulinas A e G na secreção vaginal, ação do estrogênio e presença de imunidade
celular.
 A maior parte das cepas Candida albicans possui a capacidade de alterar sua própria
estrutura, reversivelmente e com elevada freqüência, as alterações fenotípicas resultantes
provavelmente se relacionam ao potencial patogênico do fungo, levando a diferentes
formas de invasão nos tecidos do hospedeiro.
 A Candida albicans produz enzimas proteolíticas, toxinas e fosfolipases que parecem
contribuir para o aumento da virulência.
 Após a introdução na vagina o microorganismo adere às células epiteliais. A capacidade de
adesão e de multiplicação do fungo é diretamente proporcional a sua virulência.
 A recorrência pode ser conseqüência de uma inibição transitória e localizada na imunidade
celular; mulheres com recorrência manifestam redução na resposta proliferativa de
linfócitos à C. albicans. Essa inibição parece ser devido ao aumento de produção de
Prostaglandina E2 pelos macrófagos da paciente. (A prostaglendina inibia a produção de
linfócitos. Quando a resposta está diminuída, a C. albicans pode, facilmente proliferar)
 Fatores que predispõem a infecção e recidivas:
1. Gravidez: Devido aos altos níveis de hormônios circulantes, aumenta a disponibilidade
de glicogênio no meio vaginal, tornando-o mais ácido e, portanto mais favorável à
proliferação dos fungos. A presença de receptores hormonais nos fungos também
contribui para o aumento de candidíase nas grávidas.
2. Métodos contraceptivos: Estudos mostram um risco elevado em mulheres que
utilizam contraceptivos orais, principalmente os com alta dose de estrogênio. O ACO
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age aumentando a secreção de glicogêniuo vaginal e promovendo a acidificação do
meio.
3. Diabetes: Quando está descompensado, ocorrerá aumento da concentração de
glicose e glicogênio levando a acidificação do meio.
4. Fatores dietéticos: Excesso de ingestão de doces e/ou alimentos ácidos.
5. Uso recente de antibióticos: Antibióticos de largo espectro de ação, podem levar à
redução da flora vaginal normal e, com isso, diminuir a competição por nutrientes,
facilitando a proliferação dos fungos.
6. Imunossupressão: A supressão funcional das células T por drogas, as doenças
sistêmicas como HIV, doenças hematológicas ou em associação à perda de peso
predispõe a manifestação de candidíase vaginal e infecção fúngica invasiva.
Mulheres com candidíase de repetição teriam alguma deficiência na resposta de
imunoglobulinas, particularmente do IgA secretor.
7. Tratamento antimicótico decifitário
8. Não tratamento do parceiro
9. Ingestão de bebida alcoólica durante o tratamento
10. Abstinência sexual não preservada durante o tratamento
11. Fatores locais: Uso de roupas e peças intimas excessivamente justas, principalmente
se confeccionadas com fibras sintéticas, que aumentam o calor e a umidade.
Hábitos incorretos de higiene íntima, spray vaginais que levam a sensibilização da
pele, a água clorada de piscinas que provoca distúrbios químicos, pequenos tramas na
mucosa.

3 - Quadro clínico

 Entre os sinais e sintomas o mais freqüente é o prurido vaginal, que piora durante a noitee
é exarcebado pelo calor local.
 O corrimento quando presente apresenta-se em pequena quantidade e, embora
freqüentemente descrito como branco, pode ter a coloração variando de branca a amarela.
Pode variar de espesso a aquoso. A ausência de odor característico a distingue de outros
processos infecciosos.
 É freqüente a irritação vaginal, o ardor vulvar, a disúria e a dispareunia (dor no ato sexual).
 Seu inicio é súbito e, em mulheres que não estão grávidas, os sintomas tendem a
manifestar-se ou exacerbar-se na semana antes da menstruação quando a acidez vaginal
está máxima, com melhora dos sintomas durante e após o período menstrual.
 O exame ginecológico pode revelar edema e/ou eritema vulvar, com presença ou não de
fissuras na vulva e períneo. As mucosas, da vagina e colo quase sempre se mostram
hiperemiadas, observando-se o aumento do conteúdo vaginal, de coloração variável e na
maioria das vezes, aderente às paredes vaginais.

4 - Diagnóstico

 Na prática clinica, o prurido e o corrimento vaginal são comumente a base para
diagnostico.
 O pH vaginal encontra-se entre 3,5 e 4,5, indicando acidez vaginal.
 Realizando o exame colposcópico, podem-se observar sinais inespecíficos da vaginite em
pontos vermelhos, além de áreas pouco coradas pelo teste shiller.
 O exame a fresco, com solução fisiológica ou com hidróxido de potássio revela a presença
de pseudo-hifas à microscopia, indicação direta de infecção. Aproximadamente 1/3 das
pacientes terão exames negativos. Espécies não albicans que não formam hifas ou
pseudo-hifas são mais difíceis de ser reconhecidos.
 A cultura é o método disgnostico mais espefico, devendo ser realizada sempre que houver
sintomatologia e os exames anteriores forem negativos.
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 Se os sintomas persistirem após um tratamento antifúngico correto, deve-se colher
amostras para exame micológico e microbiológico.

5 - Tratamento

* Classificação da CVV para fins de tratamento

1. CVV não complicada: CVV esporádica ou infreqüente, com sintomas de intensidade leve a
moderada, provocada provavelmente por C. albicans, mulheres imunocompetentes.
2. CVV complicada: CVVR, CVV com sintomas acentuados, provocada por cândida não
albicans, mulheres com diabetes descontrolado, imunossupressão, debilitadas, portadoras de
HIV ou grávidas.

 A seleção do anti-fungico e a duração do tratamento podem ser feitas utilizando a
classificação.
1. Todos os derivados azólicos têm-se mostrado eficazes, mesmo quando se utilizam
tratamentos com dose única.
2. Devem receber tratamento de longa duração, utilizando-se tanto a terapia tópica
quanto os agentes sistêmicos.
 Os compostos imidazólicos afetam a bossíntese de esteróides, em particular o ergosterol,
ao nível da membrana celular, afetando a reprodução e a viabilidade do fungo. Algumas
espécies como a C. tropicalis, não possuem o ergosterol e são pouco sensíveis aos
derivados imidazólicos.
 Os esquemas de tratamento tem sido preferencialmente os sistêmicos, pois erradicam os
reservatórios genitais e extragenitais. Entre os esquemas sistêmicos utilizam-se:
metilpartricina, cetoconazol, itraconazol e fluconazol.
 É recomendável tratar ambos os parceiros, principalmente em recidivas e em insucesso.
 As preferência são para os tratamentos mais curtos, em especial de 1 dia, porque as
drogas são melhores toleradas e asseguram o tratamento completo.
 Paciente com história de CVVR deve ser tratada, inicialmente utilizando-se esquema de
longa duração, independente da via de administração escolhida. Regimes de 5 a 7 dias
devem ser prolongados para 10 a 14 dias.
 Na gravidez, pode-se utilizar todos os agestes tópicos sendo preferível a realização de
tratamento prolongado por 10 a 14 dias. O uso de medicação sistêmica está contra-
indicado.

Candidíase vulvovaginal recorrente

 È um tipo de complicação da CVV que é definida como a ocorrência de pelo menos 4
episódios documentados de CVV durante 1 ano.
 Reações de hipersensibilidade e reações químicas ou alérgicas à terapia antimicótica
podem resultar na perpetuação dos sintomas, que são incorretamente diagnosticados
como recidivas, levando a tratamentos inadequados.
 Estudos epidemiológicos mostram que a CVVR tente a acometer mulheres na faixa etária
dos 40 anos, nuligestas, ou com poucos filhos, história de vaginose bacteriana, ingestão de
produtos ácidos. Maior freqüência de relações sexuais e contato com novo parceiro nos
últimos 6 meses também parecem aumentar a recorrência.
 Tendência de piora nos meses de verão, após temporada de praia.
 Independentemente da fonte de recolonização, a anormalidade básica nas mulhers com
CVVR parece ser um defeito ou falta de habilidade dessas pacientes em tolerar a
recolonização, por falha de seus mecanismos de defesa.

 Confirmação do diagnóstico com cultura, associado aos achados clínicos;
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 Eliminação de todos os fatores predisponentes;
 Cada episódio de CVVR causado pela C. albicans responde bem ao tratamento de curta
duração, tanto oral quanto tópico. No entanto recomenda-se tratamento de longa duração
para assegurar a remissão clinica e cultura negativa.
 Após o tratamento de ataque, inicia-se o regime de manutenção. Combinação de terapia
oral e tópica e tratamento do parceiro devem ser considerados.
 A terapia de manutenção oral deve ser iniciada após confirmação de episodio de
candidíase através da cultura.
 Durante a fase de manutenção 90% das pacientes permanecem livres dos sintomas.
 Esgotados todos os recursos de tratamento tem-se indicado a imunoterapia. As aplicações
devem ser semanais, em quantidades crescentes e diluições decrescentes. Espera-se uma
modificação gradual do sistema imunológico.
 Deve-se pesquisar HIV quando houver duplicação dos episódios anuais.