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CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR DE BRASÍLIA IESB
ROSALY MARÌA MAGALHÃES NUNES GUÌMARÃES - Matrícula 1411120042
A MEIA IDADE
BRASÍLÌA, 2014
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INTRODUÇÃO
Com base em uma das cenas do filme "Horas de Verão¨, dirigido por Olivier
Assayas, na qual Frédéric (Charles Berling), o filho mais velho de Hélène (Edith
Scob), se recolhe em uma sala fechada e chora diante da situação de sua mãe ter
falecido e seus irmãos estarem preocupados em dividir os bens entre si. Esse
momento do filme foi " o momento¨ que me chamou a atenção e me instigou a
pesquisar, me aprofundar e discorrer sobre a meia idade.
DESENVOLVIMENTO
A meia idade é uma fase do ciclo vital que acontece entre os 40 e 60 anos de
vida. Esse processo transitório, no qual o adulto jovem alcança a meia idade, é lento
e gradual, sem modificações físicas ou psicológicas abruptas. Nesta fase da vida,
resumir e reavaliar são características marcantes, mesmo que não provoquem
mudanças notáveis. Essa reavaliação abrange diversos aspectos da vida, devido à
necessidade de tomar decisões que se relacionam a manutenção de estruturas que
foram criadas ao longo dos anos, como o casamento, a família, as amizades e a
carreira profissional. (Margis, Regina; Cordiolli, A.V, 2001).
Segundo Margis, Regina; Cordiolli, A.V, 2001, essa transição para a meia
idade é um fenônemo normal no qual os indivíduos vivenciam alterações físicas e
hormonais na mesma época em que passam por progressões na estrutura familiar e
profissional, tendendo à consolidação do que conquistou.
Nessa fase da vida é preciso lidar com questões como:
Aceitação do corpo que envelhece,
Aceitação da limitação do tempo e da morte pessoal
Manutenção da intimidade
Reavaliação dos relacionamentos com os filhos: deixar ir, atingir igualdade, integrar
novos membros
Relação com seus pais: inversão de papéis, morte e individuação
Novos significados, habilidades e objetivos dos jogos da meia idade
Preparação para a velhice
A meia idade liga-se fundamentalmente a dois processos internos e
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interligados, desencadeados pelas circunstâncias de vida: a perda da ilusão da
imortalidade (Jacques, 1965) e as revisões e reestruturações que a consciência do
tempo limitado pressiona. (Fagulha, T, 2005).
Aquele sentimento de que são eternos, a ilusão de que as fantasias infantis,
guardadas no inconsciente e que dão esperança de vida, só são abaladas quando
sentem a morte se aproximando, de modo inesperado, surpreendendo-os sem que
possam se dar conta, provocando uma rejeição que mostra a necessidade de um
duro trabalho de elaboração. (Fagulha, T, 2005).
Nesse contexto, pensamentos e sentimentos a respeito das mudanças
corporais, falhas na memória e na capacidade de raciocínio, declínio da capacidade
física, visual, sinais de envelhecimento, preocupações em disfarçar, esconder a
idade, entre outros aspectos e o aparecimento de doenças em si e nos
contemporâneos, somado à ocorrência de mortes de pessoas amigas e conhecidas,
geram ansiedade (Margis, Regina; Cordiolli, A.V, 2001). Essa ansiedade é
vivenciada de maneira diversa por cada pessoa, a depender de antecedentes bio-
psico-sociais de cada um.
No meio da vida, os adultos confrontam-se com uma multiplicidade de
experiências que apelam a reestruturações relacionais e concorrem para esta
tomada de consciência da finitude da vida. Desde logo, o declínio e morte dos
pais, no momento em que o próprio corpo dá sinais de perda de juventude.
Os pais que precisam ser cuidados são uma estranha versão de filhos
(Oldham, 1989).
Esses pais que agora precisam ser cuidados estão seguindo pelo caminho
inverso do que representa ser filho, ou seja, a caminho da morte e não da vida
(Fagulha, T, 2005).
Apesar de se encontrarem numa situação um tanto quanto desconfortável,
esses adultos de meia-idade, geralmente são os responsáveis pelas suas famílias e
pela sociedade. Em geral, é a geração que está no comando, mas que desempenha
o papel de elo entre a geração dos mais velhos e a geração dos mais novos. Estão
no meio, dando o mais forte significado de meia-idade e meio da vida. (Fagulha, T,
2005). São a geração sanduíche (Zal, 1993).
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Ìnúmeras mudanças acontecem na fase adulta, até as características
pessoais, que se costumava ter como estabelecidas no final da adolescência sofrem
consideráveis alterações (VAÌLLANT, 1977).
No tocante às mudanças físicas, de um modo geral, as pessoas que estão
atravessando esta fase da meia idade passam por muitas alterações que as levam
a sofrer efeitos psicológicos significativos (Margis, R & Cordiolli, A), no entanto,
destaco o caso das mulheres, uma vez que nelas essas mudanças trazem maior
desconforto físico do que nos homens, tendo em vista que seus corpos passam por
mais transformações geradoras de incômodos, como é o caso das alterações vaso
motoras causadoras dos fogachos e das alterações repentinas de sensibilidade ao
calor e ao frio. Para elas, essa é mais uma fase de readaptação psíquica e corporal.
Na fase da adolescência precisaram se adaptar ao arredondamento das formas de
seu corpo e ao desenvolvimento dos seios e nessa fase de suas vidas, as mudanças
na forma do corpo e as alterações na pele, pêlos e cabelo são típicas e bem
diferentes. É no climatério que começam a se formar acúmulos de gordura no corpo,
principalmente na região abdominal e nos quadris, surpreendendo-as na fase da
menopausa (SOUZA, Carmen Lúcia, 2005).
Essas turbulências hormonais seguidas das mudanças corporais, a maioria
das vezes inesperadas e rapidamente, podem provocar sentimentos de insegurança
e vulnerabilidade que são, usualmente, característicos comuns a esses momentos
de transição. Não é raro vermos nessas mulheres quadros de ansiedade,
irritabilidade e mesmo depressão, o que é agravado pelo questionamento a respeito
dos novos papéis sociais que irão desempenhar na nova fase de vida, posterior à
fase de transição. (SOUZA, Carmen Lúcia, 2005).
Para Fagulha, T, 2005 a expressão mais forte da vivência da meia idade pela
mulher é a menopausa, por se tratar de um marco biológico de finalização da
capacidade de reproduzir, limitação que o homem nunca irá experimentar, sendo um
marco biológico, o acontecimento mais marcante desta fase da vida da mulher.
A partir dessas considerações, percebe-se que, apesar de sabermos que as
alterações físicas nessa fase do desenvolvimento trazem sofrimento a ambos os
sexos, não há como não destacar a situação das mulheres por ser um processo
mais desgastante no tocante ao sofrimento físico e psicológico, produzindo
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mudanças significativas em seus corpos, devido ao maior depósito de gorduras na
região abdominal, alterando completamente as suas formas, seguido pela grande
cobrança social em torno da estética feminina.
Segundo SOUZA, Carmen Lúcia, 2005, a menopausa pode ser considerada como
um momento de "crise de desenvolvimento¨, caracterizada pela mudança das
tarefas psicológicas e dos papéis sociais.
O fato delas sofrerem essas cobranças sociais pode fazê-las sentirem-se
diminuídas e passarem por rebaixamento de humor, mas não restam dúvidas de
que nesta fase do desenvolvimento tanto homens quanto mulheres são
submetidos a sobrecarga emocional, estresse e ansiedade.
Entre as reavaliações na meia idade, a dos relacionamentos é bastante
presente, especialmente quanto aos casamentos, sendo que alguns tentam se
separar de seus cônjuges, outros ocultam seus conflitos e outros mantém casos
extraconjugais, refletindo em consequências aos demais membros da família
(Margis, Regina; Cordiolli, A.V, 2001).
É preciso que os parceiros aceitem as aparências um do outro para que
possam manter a intimidade sexual. É preciso aceitar as mudanças que ocorrem
no funcionamento sexual (Margis, Regina; Cordiolli, A.V, 2001).
É nessa fase da vida que começam as preocupações em preparar as
gerações futuras, transmitindo-lhes conhecimento. Segundo Erikson, dos oito
estágios do ciclo vital, os indivíduos na meia idade enquadram-se no estágio
psicossocial generatividade, termo que se aplica não apenas a criação e
ensinamentos à própria prole mas principalmente a preocupação em estabelecer e
orientar a geração seguinte.
Coincidindo com o período em que a maior parte dos indivíduos se
aposenta, nessa fase começa a preocupação com o amanhã.
Homens e mulheres apresentam ansiedade quanto à possibilidade de
alteração radical em seus estilos de vida e, principalmente, de se tornarem
dependentes financeira e/ou economicamente de seus filhos, seus parentes ou
instituições. FERREÌRA, Maria Elisa, 2008
Também merece destaque o interesse que os indivíduos na meia-idade
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demonstram pela própria saúde e sua longevidade. Sempre que se reúnem uns
com os outros é comum conversarem e divulgarem fatos relativos ao equilíbrio
orgânico e psíquico, assim como sobre crendices e superstições FERREÌRA,
Maria Elisa, 2008.
Nessa fase da vida alguns poucos indiivíduos podem vivenciar um estado
patológico denominado crise ou ruptura no qual passam por um conflito entre a
manutenção das estruturas como o casamento, a família, as amizades e a
carreira, construídos ao longo dos anos e abdicar de sonhos mais ambiciosos,
contentando-se com o que já conquistou ou romper com tudo isso e partir para
novas tentativas na vida profissional, amoraosa ou familiar (Margis, Regina;
Cordiolli, A.V, 2001).
Margis, Regina; Cordiolli, A.V, 2001, referem que o desfecho da crise leva em
consideração fatores como o grau de satisfação ou insatisfação com as
conquistas alcançadas, grau de auto-confiança e expectativas de êxito,
capacidade de enfrentar situações de risco e conviver com incertezas e apontam
que o amadurecimento dos indivíduos frente a esses aspectos está diretamente
relacionamento à solidez do ego.
CONCLUSÃO
Com base nessas informações, conclui-se que a meia idade é uma fase do
desenvolvimento com características muito marcantes, na qual os indivíduos
passam por alterações físicas, psicológicas e sociais que sugerem a necessidade
de se promover ações que visem a adoção de medidas voltadas a proporcionar
auxilio psico-terapêutico específico para este ciclo da vida àqueles que se
apresentem com sofrimento psicológico, ajudando-os a enfrentar essa realidade.
Realizar este trabalho foi muito gratificante, uma vez que a pesquisa
realizada me proporcionou o enriquecimento de conhecimento a respeito das
mudanças que acometem os adultos durante essa fase de desenvolvimento tão
importante e que afeta grande parcela da população brasileira.
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REFERÊNCIAS
FAGULHA, Teresa. A meia-idade da mulher. Psicologia, Lisboa, v. 19, n. 1-2,
2005 . Disponível em <http://www.scielo.gpeari.mctes.pt/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0874-20492005000100001&lng=pt&nrm=iso>. acessos em
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SOUZA, Carmen Lúcia. Transição da menopausa: a crise da meia-idade feminina e
seus desafios físicos e emocionais. Rev !"as#e" cog$, Rio de Janeiro , v. 1, n.
2, dez. 2005 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?
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01 jun. 2014.
FERREÌRA, Maria Elisa de Mattos Pires. A meia idade e a alta modernidade. Co$s#"
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<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-
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MARGÌS, Regina; CORDÌOLÌ, Aristides Volpato. Ìdade Adulta: Meia-idade in:EÌZÌRÌK,
C. L., KAPCZÌNSKÌ, F., & BASSOLS, A. M. S. O ciclo da vida humana: Uma
perspectiva psicodinâmica p. 159-167. Porto Alegre: Artmed, 2001.