UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ

TIAGO BRIZOLA PAULA MENDES





FICHAMENTO DE "A POLÍTICA COMO VOCAÇÃO" DE
MAX WEBER







CURITIBA
2014


TIAGO BRIZOLA PAULA MENDES





FICHAMENTO DE "A POLÍTICA COMO VOCAÇÃO" DE
MAX WEBER











CURITIBA
2014
Trabalho apresentado à
disciplina de Direito e sociedade
do curso de Direito da UFPR
como parte da avaliação do 3º
bimestre, da turma 1N1.

Prof. Dr. Manoel Eduardo Alves
Camargo e Gomes




SUMÁRIO

1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ...................................................................... 4
2 FICHAMENTO DE "A POLÍTICA COMO VOCAÇÃO" ................................. 5
2.1 Política e Estado ................................................................................... 5
2.2 Formas de domínio ............................................................................... 5
2.3 Políticos profissionais ............................................................................ 6
2.4 Racionalismo jurídico ............................................................................ 6
2.5 O líder político ....................................................................................... 7
2.6 Desenvolvimento das organizações partidárias e da máquina
plebiscitária ..................................................................................................... 7
2.7 Chefe político ........................................................................................ 7
2.8 Qualidades decisivas ............................................................................ 8
3 COMENTÁRIOS .......................................................................................... 9
4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA ............................................................. 11



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1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O texto clássico "A Política como vocação", escolhido para o fichamento, é
fruto de uma conferência realizada, por Weber, em 1918 e publicada em 1919, na
Alemanha. Inicialmente Weber discute a "vocação política" e seus diferentes
desdobramentos, atribui, como definição, ao Estado o "monopólio da violência",
além de apresentar as três formas de domomínio: tradicional, carismático e legal.
Toda exposição feita por Weber em "A Política como vocação" busca traçar
uma panorama dos acontecimentos que levaram ao surgimento e evolução do
político profissional. O autor também destaca a importância do líder político como
peça essencial da máquina plebiscitária. Por fim, Weber descreve as qualidades
necessárias a um bom político: paixão, senso de responsabilidade e senso de
proporções.
Para melhor visualização dos assuntos tratados no texto, o fichamento está
dividido em tópicos com as citações diretas destacadas em negrito.

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2 FICHAMENTO DE "A POLÍTICA COMO VOCAÇÃO"

2.1 Política e Estado

O conceito de política é extremamente amplo, diz Weber, porém o foco de
debate é a liderança, ou a influência sobre a liderança de uma associação política,
principalmente o Estado. O Estado só pode ser definido segundo seus meios
específicos, isto é, o uso da força física. "[...] O Estado é uma comunidade
humana que pretende, com êxito, o monopólio do uso legítimo da força física."
(p. 98) Desta maneira, "política" é a participação no poder ou a luta para influir nas
distribuições de poder. "Quem participa ativamente da política luta pelo poder
[...]" (p. 98). Relações de poder, de homens, que por meio do uso da violência
legítima, dominam outros homens, formam o Estado. Porém, esse domínio carece
de legitimação e para Weber, são três tipos de legitimações básicas do domínio.

2.2 Formas de domínio

O domínio pode ser do tipo (1) "tradicional", baseado nos costumes e
tradições, é o caso dos príncipes; (2) "carismática", baseado no carisma do
dominador e na confiança depositada nele por seus seguidores; (3) domínio em
virtude da "legalidade", baseada em regras racionalmente criadas, e portanto na fé
na validade do estatuto legal.
É a dominação carismática, isto é, a devoção a um líder é o objeto de
interesse. Pois, diz Weber, "[...] é a raiz de uma vocação em sua expressão mais
elevada." (p. 99)
Para Weber, aqueles políticos que, a partir de suas qualidades, obtém
seguidores, são os chamados políticos de "vocação", e são figuras decisivas da luta
pelo poder. Porém, para manter o poder os políticos precisam exercer domínio
administrativo organizado e contínuo, já que o quadro administrativo é limitado pela
obediência ao detentor do poder. Para isso a recompensa material e a honraria
social são armas poderosas, já que o temor de perder seus ganhos e seu status
gera solidariedade entre o detentor do poder e o quadro executivo.
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2.3 Políticos profissionais

O Estado moderno é "uma associação compulsória que organiza a
dominação" (p. 103) Por meio do monopólio legítimo da força física dentro de um
território o Estado combinou os meios materiais de organização na mão de seus
líderes, e durante esse processo surgiram os "políticos profissionais".
Antes de discutir os "políticos profissionais" Weber explica que há dois
modos pelos quais alguém pode fazer da política a sua vocação: viver para a política
ou viver da política. No primeiro caso, em linhas gerais, deve servir a uma causa e
faz da política sua vida. No segundo caso, ter a política como fonte de renda. Porém,
a liderança de um Estado por políticos que vivem para a política, significa
necessariamente um recrutamento plutocrático das principais camadas políticas.
Isso não significa que ter renda fará com que o político não vá agir em favor de seu
próprio interesse econômico. Quer dizer que "o político profissional não precisa
buscar uma remuneração direta pelo trabalho político, ao passo que todo
político sem meios deve, absolutamente, pretender essa remuneração." (p.
106)
De forma geral, "[...] os políticos profissionais se desenvolveram
através da luta dos príncipes contra os estamentos e [...] serviam aos
príncipes" (p. 113)
2.4 Racionalismo jurídico

Weber destaca a importância dos juristas com formação universitária como
decisiva para a estrutura política na Europa. Sem o racionalismo jurídico oriundo do
direito romano, "[...] a ascensão do Estado absoluto é tão pouco imaginável
quanto a revolução" (p. 115).
Além disso, Weber aponta a importância do advogado no cenário político,
uma vez que a política é conduzida em público por meio da palavra escrita ou
falada, e "pesar o efeito propriamente é tarefa do advogado; mas não se
enquadra nas atribuições do servidor público." (p. 116).
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2.5 O líder político

No Ocidente, o demagogo, tem figurado como típico líder político, e como
de modo geral a palavra escrita possui maior alcance do que a palavra falada, o
publicista político e o jornalista são o representante mais importante da espécie
demagógica. Webber destaca a importância da imprensa e de suas relações com a
política para possibilitar a ascensão ao poder político e desenvolvimento partidário.
2.6 Desenvolvimento das organizações partidárias e da máquina plebiscitária

O autor relata o desenvolvimento das organizações de políticas,
inicialmente como "clubes de notáveis" e membros do parlamento onde "somente o
jornalista é um político profissional pago; somente a administração do jornal é
uma organização política contínua." (p. 123) Ou seja, sem envolvimento das
massas.
Porém Weber sugere que a democracia propicia uma mudança nesse
cenário, pois os notáveis são substituídos por especialistas (funcionários
remunerados) para conquistar as massas, essa máquina surgida, necessitava de
financiamento, já que as campanhas para conquistar os votos são caras.
2.7 Chefe político

Nesse contexto a figura do chefe forte, que detém a máquina plebiscitária
nas mãos, aquele que atrai as massas. O chefe é o empresário capitalista que
constrói uma teia de relações a fim de proporcionar os meios financeiros
necessários para alimentar a máquina. Weber define o chefe político como alguém
que "[...] não tem 'princípios políticos' firmes; sua atitude é carente de
princípios, e ele pergunta apenas: O que conseguira votos?" (p.132).
O chefe político típico não tem pretensão a altos cargos, sendo, muitas
vezes desprezado como político profissional, isso, porém, trás a vantagem de
possibilitar a relações com candidatos notáveis de fora do partido que o líder
acredita que terão atração para as urnas.
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Para Weber só há "[...] a escolha entre a democracia com liderança,
com uma 'máquina', e a democracia sem líder, ou seja, o domínio dos polítivos
profissionais sem vocação, sem as qualidades carismáticas íntimasm que
fazem o líder, e isso signifca aquilo que os insrugentes de um partido
habitualmente chamam de 'domínio de grupo' ". (p. 136-137)

2.8 Qualidades decisivas

Por fim, o tipo desejável para exercer controle, isto é, o homem que tem a
capacidade de colocar a mão no "leme de história", isto é, exercer a função política,
deve ter, segundo Weber, três qualidades essenciais: paixão, senso de
responsabilidade e senso de proporções. A paixão deve ser no sentido de uma
objetividade, de dedicação a uma causa, não uma "excitação estéril". O político deve
combater a vaidade, que impede a objetividade, pode fazer com o que o "instinto do
poder", vire uma auto-embriaguez. Portanto, diz o autor, "[...] há apenas dois tipos
de pecado mortal no campo da política: a falta de objetividade e — com
frequência idêntica a ela, mas nem sempre — a irresponsabilidade." (p. 139)


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3 COMENTÁRIOS

A leitura de "A política como vocação" não é simples, deve ser feita calma
e atentamente, Weber não é nada prolixo, cada parágrafo trás inúmeras informações
importantes. O texto em si, dá um bom panorama da formação política até o século
20. Além disso, a ideia de Estado como detentor do monopólio legítimo da força,
lançada aqui, é reconhecida por qualquer que já tenha estudo um pouco de ciência
política.
Talvez a noção de "político profissional" como aquele que vive para a
política, e não da política, sendo, portanto, independente financeiramente, seja o que
causa mais estranheza, já que vivemos num período onde a luta partidária, em
grande medida, é para expandir a participação política para todas as classes. Essa é
mais ou menos a mesma ideia exposta por Weber em "A ciência como vocação", já
que para ele a necessidade de trabalhar por remuneração pode atrapalhar o
desenvolvimento científico.
Já quando o assunto é o líder político ou ainda o político profissional há um
grande contraste com "A ciência como vocação", já que no caso do político, a
oratória é essencial para atrair as massas e, consequentemente, os votos. Se
tratando do professor, não é a quantidade de ouvintes que importa, mas sim o
respeito e a admiração que um número mínimo tem ao mestre.
A principal diferença entre o político por vocação e o cientista por vocação
é justamente referente ao objetivo de seus trabalhos, enquanto o primeiro deve fazer
o ouvinte, ou melhor, o eleitor, a se acostumar com si, enquanto o professor, de
maneira diferente, deve instigar o aluno a buscar suas próprias respostas.
Outro ponto que chama atenção no texto é quando Weber aponta que na
Alemanha àquela época tinha um "domínio de grupo", e não um líder. Quando ele
diz que o Bundesrat limitará o poder do Reichstag e com isso sua importância como
selecionador de líderes, provavelmente não considerava a possibilidade do
surgimento de um líder como Hitler.
Finalmente, a leitura do texto é, apesar de complexa, bastante satisfatória,
traz muitos conceitos importantes para a ciência política e ajuda a compreender
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muito autores contemporâneos. O conceito de "máquina", como um sistema para
angariar votos é especialmente interessante, principalmente a ponderação entre as
vantagens e desvantagens de um sistema que gira junto com a roda do capitalismo.



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4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA

WEBER, Max. A política como vocação. In:______. Ensaios Sociológicos.
5ª Edição. RJ: LTC, 1982. Parte II, p. 97-153.