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TGP – ESBOÇO SOBRE PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E
INFRACONSTITUCIONAIS DO DIREITO PROCESSUAL (ALGUNS) – 2014.2 -
PROF.ª ENY R. BORGONHONE

 Princípios informativos: buscam a melhoria do aparato e função
jurisdicional, objetivando um processo de resultados com a
entrega do direito material invocado.
a) Princípio Lógico: busca os meios mais eficazes e rápidos para
procurar e descobrir a verdade e evitar o erro.
b) Princípio Jurídico: busca a igualdade no processo e a justiça na
decisão.
c) Princípio Político: busca o máximo de garantia social, com o
mínino de sacrifício individual da liberdade.
d) Princípio Econômico: busca um processo acessível a todos, mas
com baixo custo e rápida duração.

Alguns Princípios constitucionais do Direito Processual: dão forma e caráter ao
sistema processual.

1) Da Competência para legislar em matéria processual: privativa
da União. Art. 22, I, CF.

2) Igualdade: Art. 5º, caput, da CRFB e 125 do CPC. No processo penal é
atenuado em benefício do réu (CPP, arts. 386, VI e 623 e 626).

3) Inafastabilidade do controle jurisdicional ou Princípio do Acesso à
Justiça: Garante a necessária tutela estatal. A Jurisdição é poder do
Estado colocado à disposição dos jurisdicionados para resolução dos
conflitos, não podendo a lei excluir da apreciação do Judiciário sequer
a ameaça ao direito. (Art. 5º, inc. XXXV, CF).

4) Do Juiz natural: somente os integrantes togados do Poder Judiciário, ou
seja, juízes investidos do Poder e com a necessária competência, é que
podem exercer a Jurisdição, resolver conflitos e decidir. A CFRB/88
proíbe os Tribunais de Exceção. (Art. 5º XXXVII e LII, CF).

5) Contraditório e Ampla defesa: Art. 5º, LV da CRFB. Revelia (CPC. Art. 319
e ss.). No Processo Penal há necessidade de defensor (CPP, arts. 261 e
263).

6) Imparcialidade do juiz: Garantias e vedações do art. 95 da CRFB, de
modo que o juiz possa julgar com isenção. (Ver art. 134 e 135, CPC,
ambos põe em cheque a imparcialidade do magistrado).

7) Motivação das decisões ou Livre convencimento motivado: No Estado
Democrático de Direito todas as decisões judiciais devem ser
motivadas, ou seja, exposta expressamente as razões pelas quais o
magistrado proferiu a decisão, quer tenha conteúdo procedente ou
improcedente, sob pena, inclusive, de nulidade. Art. 93, IX, CF.

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8) Duplo grau de jurisdição: Princípio do duplo grau de jurisdição – objetiva
garantir que uma decisão seja revisada por meio de recurso. CRFB,
CPC, CPP e CLT, bem como outros textos legais prevêem e disciplinam o
duplo grau de jurisdição. (Art. 102, 105, CF, entre outros. Art. 475 e 496,
CPC).

9) Celeridade ou duração razoável do processo: O processo deve seguir
seu curso natural, sem supressão de atos essenciais para sua
regularidade, contudo, sem demora desnecessária, é preciso que a
prestação jurisdicional seja realizada tendo em vista os parâmetros de
economia de tempo, recursos naturais, financeiros e humanos. Art. 5º,
inc. LXXVIII, CF.

10) Da assistência judiciária: A CFRB/88 assegura a todos os carentes
financeiros o acesso a tutela jurisdicional, sem que tenham que
despender qualquer numerário. (Art. 5º LXXIV) (Ver Lei 1060/50).

11) Devido processo legal: decorre da observância de todos os demais
princípios e garantias constitucionais na busca de um resultado –
prestação jurisdicional – baseada nos postulados do Estado
Democrático de Direito. Art. 5º, LIV, CF (garantia de um processo
regular).


Alguns Princípios infraconstitucionais do Direito Processual (ou próprios do
CPC):

12) Princípios da demanda (também chamado de Princípio da Ação pelo
viés constitucional): A parte deve tomar a iniciativa quanto ao exercício
da função jurisdicional. Arts. 24, 28 e 30 do CPP e 2º, 128 e 262 do CPC. +
art. 5º, XXXIV,”a”, CF.

13) Lealdade processual: Princípio da lealdade processual – “Sendo o
processo, por sua índole, eminentemente dialético, é reprovável que as
partes se sirvam dele faltando ao dever e verdade, agindo
deslealmente e empregando artifícios fraudulentos (CINTRA, 2011). Ex.:
Arts. 14 a 18 do CPC. Arts. 799 e 801 do CPP.

14) Identidade física do juiz: Em regra o magistrado que presidiu a colheitas
das provas na AIJ é quem deveria proferir a decisão, pelas
oportunidades que teve de inquirir os depoentes. Art. 132, CPC.

15) Economia Processual e da instrumentalidade das formas: Princípio da
economia relação custo/benefício também deve ser analisada no
processo. Exemplos de aplicação: Arts. 105, 250, 920, CPC; Arts. 563,
566, CPP.

16) Oralidade no procedimento sumário e sumaríssimo: Os procedimentos
podem ser na forma escrita, oral ou mista. Ex. Art. 282, CPC. Nos juizados
especiais deveriam prevalecer os procedimentos orais (Lei 9.099/95 –
art. 2º). Processo Trabalhista também privilegiou o sistema oral.
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17) Perpetuação da jurisdição: Conforme art.87, CPC, uma vez
determinada a competência do órgão jurisdicional a mesma
permanecerá até o último ato processual a ser praticado naquela
instância independentemente das modificações de fatos
supervenientes.

18) Princípios da disponibilidade e da indisponibilidade: No Processo Penal
vigora o princípio da indisponibilidade (CPP, arts. 5º e 24). No processo
Civil prevalece a disponibilidade (CPC, art. 2º).

19) Princípios do dispositivo e da livre iniciativa das provas: No Processo Civil
prevalece o princípio do dispositivo (verdade formal é suficiente na
maior parte dos casos) – Exceções: arts. 132 e 342 do CPC . No Processo
Penal prevalece o sistema da livre investigação das provas - verdade
real – art. 386, VI). Processo Trabalhista - art. 765 da CLT.

20) Princípio do impulso oficial: Prevalece no Processo Penal e no Processo
Civil. Há exceções, Ex: CPC - art. 262. CPP – art. 60.

21) Princípio da livre apreciação da prova pelo juiz e Princípio da persuasão
racional do juiz: O juiz decide com base nos elementos existentes no
processo, mas os avalia segundo critérios críticos e racionais (CPC, art.
131 e 436; CPP, arts. 157 e 182). Livre convencimento motivado – art. 93,
IX da CRFB.

22) Princípio da publicidade: Art. 93, IX da CRFB. Arts. 155 do CPC, 792 do
CPP e 770 da CLT.

23) Princípio da Preclusão e da Eventualidade: O princípio da
eventualidade determina que os atos processuais devem ser
praticados dentro da fase/prazo próprios e adequados conforme
as disposições legais. Já o princípio da preclusão consiste na
perda da oportunidade de realizar o ato processual, ou porque o
mesmo já foi praticado (de modo incorreto) ou porque se deixou
passar o prazo in albis (em branco), não podendo mais ser
realizado. (Art. 300, CPC).

24) Princípio da sucumbência: a parte que não viu seu interesse tutelado
pelo exercício da Jurisdição (parte vencida) deve ressarcir as despesas
efetuadas pela parte vencedora, inclusive honorários advocatícios. (Art.
20, CPC).


Obs.: Este esboço NÃO exaure o tema, sendo necessária a
complementação do estudo nas doutrinas indicadas no plano
de ensino. Reforça-se, como dito em sala de aula, que além dos
princípios aqui enumerados, muitos outros ainda sustentam o
sistema jurídico brasileiro. Abraços. Profª Eny