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POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS:
O ENSINO MÉDIO NO CONTEXTO DA LDB, PNE E PDE

LIMA, Cláudia R.- UTP
crl.designer@gmail.com

CABRAL, Vera Lúcia M. – UTP
cabral.v@pucpr.br

GASPARINO, Elisandra - UTP
ligasparino@hotmail.com
Eixo Temático: Políticas Públicas da
Educação Brasileira.
Agência Financiadora: Não conto
u com financiamento.
Resumo:
Durante o processo de (re) organização política em que passou o Brasil, o Ensino Médio t
eve
várias denominações que serviram para denominar este nível de ensino em 2º grau, ou seja,

um momento do ensino que daria continuidade aos estudos fundamentais, ao mesmo t
empo
que seria a ponte de acesso ao ensino superior, caracterizado como nível de 3º grau,
ou então
como exigência para adentrar no ensino técnico e/ou profissionalizante. Foi através da
Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, nº 9.394/96, que esse nível de ensino passou a
ser
chamado oficialmente de Ensino Médio. Este estudo se justifica pela compreensão deta
lhada
das políticas públicas em educação, a qual trazem em seu bojo os avanços e a
s conquistas
outrora conquistados, bem como aquelas ainda por serem colocadas
em prática. A
compreensão destas políticas educacionais nos instigou o seguinte questionamento: qu
ais são
as especificidades das políticas públicas educacionais em relação à população jov
no

Brasil? Nossos objetivos com este estudo tangem os aspectos po
líticos educacionais
relacionados ao Ensino Médio brasileiro, com base na da Lei de Diretriz
es e Base de
Educação
(LDB

9.394/96),
Plano
Nacional
de
Educ
ação
(PNE)
e
Plano
de
Desenvolvimento da Educação (PDE). O estudo realizado deu-se por meio de
pesquisa
bibliográfica que segundo Gil (2002), é desenvolvido com base em material
já elaborado,
constituído especificamente de livros e artigos científicos. Nos apo
iamos no método
quantitativo, o qual viabilizou a busca dos dados estatísticos no Instit
uto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) e no método qualitativo através da análise das
políticas
públicas educacionais vigentes no país.
Palavras-chave: Políticas Públicas, Educacionais Ensino Médio.
Introdução
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É particularmente preocupante o reduzido acesso ao Ensino Médio no
Brasil, muito
menor que nos demais países latino-americanos em desenvolvimento, embora as estatíst
icas
demonstrem que os concluintes do Ensino Fundamental começam a chegar à terceira etap
a da
educação básica em número um pouco maior, a cada ano.
Para compreender a situação em que o Brasil se encontra em relação aos países da América
Latina e dos países pertencentes ao grupo do Conesul, torna-se relevante apontar o
s índices de
diferenciação acerca do acesso a este nível de ensino (Médio).
No Brasil, a população que atinge este nível de ensino, compreendendo jovens
entre a
idade de 15 a 17 anos, não ultrapassa 25%, e coloca o Brasil em posição desigual em r
elação
a muitos países. Diante dos países que compõe o Conesul, o índice de escolarização alcança
55 a 60% e na maioria dos países de língua inglesa do Caribe, cerca de 70%.

as escolas foram o brigadas a priorizar a formação técnica sobre qualquer outra e seu nome passou a ser Ensino de 2º G rau e assim se manteve até a publicação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB) nº 9. q uatro e. podendo ser estas ministrada em colégios universitários também . A terceira série do ciclo colegial será organizada com currículo aspectos linguísticos. com vistas ao preparo dos alunos para os cursos superiores e compreendia. sendo no mínimo cinco e no máximo sete em cada série. a denominação deste níve . segundo a LDB nº 9. Nas duas primeiras séries do ciclo colegial. O ma is curioso desta reforma é que ela resultou num ruidoso fracasso.692. no máximo. como também não desenvolveu o gosto pela cult ura geral na juventude brasileira.As mudanças históricas do Ensino Médio O Ensino Médio é um nível de ensino pertencente à Educação Básica e é denominado desta forma por situar-se exatamente entre o os níveis de Ensino Fundamental e o S uperior.394/96. seis disciplinas. cuja denominação era Educação de Grau Médio ou Ensino Médio e possuía divisão em dois ciclos: ginasial e colegial. Esta denominação sofreu diversas variações ao longo das políticas públicas da ed cação brasileira. pois tanto não formou técnicos ----------------------. de livre escolha pelo estabelecimento.024/61. históricos e literários. além das práticas educativas. das quais u ma ou duas optativas. No cenário educacional atual. A partir da reforma de 1971. Na Lei 4. sob a égide da Lei 5. A terceira série do ciclo colegial era organizada com currículo d iversificado.Page 3----------------------11123 qualificados para o mundo do trabalho. eram ensinadas oito disciplinas. no mínimo.394/96.

assim como. que o Ensino Médio. das letras e das artes. a compreensão do significado da ciência. em seu Art. O Ensino Médio também poderá formar o educando para o exercício de profissões técnicas. bem c omo. Propõe-se neste nível. desenvolvi ento da autonomia intelectual. segundo a LDB nº 9. sendo este item facultativo. a língua portuguesa como instrumen to de comunicação. conhecimento das formas contemporâneas de linguagem. 35. no Ensino Médio. Instit uto Brasileiro de . compreendendo um currículo que aborde a educação t ecnológica básica. 1996) Em suma. ao término do Ensino Médio. fez-se uso dos dados fornecidos pelo IBGE.394/96. pensamento crítico e compreensão dos fundamentos científico-tec nológicos dos processos produtivos. (BRASIL. e d omínio dos conhecimentos de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania. compreende a etapa fin al da educação básica. A população jovem do Brasil e as estatísticas do IBGE Com a finalidade de relatar a situação atual do Ensino Médio no Brasil.l de Ensino passou a ser Ensino Médio. com duração mínima de três anos e tem como finalidades que vão desde prepa o educando para prosseguir os estudos em nível técnico ou superior como também oferecer a preparação básica para o trabalho e para a cidadania. o processo histórico de transformação da sociedade e da cultura. acesso ao conhecimento e exercício da cidadania. formação ética. o aluno deverá ser capaz de possuir domínio dos princípios científicos e tecnológicos que pr esidem a produção moderna. estabelecido na Lei de Diretrizes e B ases da Educação Nacional nº 9394/96. de mo do geral. identificar a população jovem que faz parte deste nível educacional ou que pelo menos deveria fazer parte.

Geografia e Estatística. evasão escolar. como o analfabetismo. Dada a relevância deste estudo científico. exclusão social. Devido a tamanha gravidade dos números sociais publicados pelo IBGE (2002) com relação a dimensão demográfica.Page 4----------------------11124 objetivo de nortear a forma como serão realizados os planejamentos dos futuros dir igentes que irão governar o país para os quatro anos seguintes. Conforme o IBGE. através de pesquisas realiz adas por domicilio e que em geral acontecem a cada cinco anos. órgão este ligado ao Ministério do Planejamento e que tem por objetivo auxiliar o Governo Federal a organizar as políticas públicas no tocante a vários segmentos governamentais. ao modelo educacional proposto aos nossos jovens . tais como: taxa de empregos. dentre eles a educação. pode-se dizer que eles são os norteadores de novos cenários e programas públi cos. em relação. de certa forma. por exemplo. Ensino Médio. além das análises dos censos de 1991 e 1996 foram divulgados resultados tais como a demografia da população jove m de . em seu último censo de 2002. tem seus resultados utiliz ados com o ----------------------. Portanto. com base n estes indicadores sociais. mortes por armas de fog o. a partir do objeto inve stigado. com o objetivo de poder oferecer parâmetros que potencializem a discussão e dessa forma possam balizar o estudo comparativo dos dados reais sociai s com as políticas públicas educacionais e compreender se o governo tem se baseado ou não nestes dados para investir nos programas educacionais por eles mesmos propostos. entre outros. considera-se importante apresentar os dados divulgados pelo IBGE p rincipalmente sobre a população jovem brasileira e sua relação com a problemática social com relação aos índices da educação e a situação dos números sociais.

O percentual de jovens que apenas estudam vai caindo com a idade: é de 59. contando também os 65% dos estudantes que estavam defasados. férias. Se por um lado observarmos os números de analfabetos funcionais.6 milhões e em 1996 eram de 31. ou seja.3% ganham até 1 salário mínimo e 15. havia 14.7% dos estudantes com 14 anos de idade estavam defasados.1% na faixa de 18 e 19 e passa para apenas 11. Como fica o mercado de trabalho destes jovens. pagamentos dos direitos sociais trabalhistas como fundo de garantia. como registro em carteira. e 65. O País tinha 32.6% da população brasileira. que.6 milhões analfabetos no Brasil (11.6 aband onaram a escola no Brasil. Previdência e Seguro Social. em 1991 era de 28. 69% trabalham 40 horas ou mais por semana .2 milhões em 1995? Quanto aos jovens de 15 a 24 anos.6% no grupo de 20 a 24 anos. onde cerca de 21.1 milhões de analfabetos funcionais.8 % da população de 15 anos ou mais de idade. cai para 29. verificamos que estes futuros trabalhadores. contra 17.15 a 24 anos. E aind a.1% para a faixa de 15 a 17. neste último censo (1996). 37. em 2002. contribuição para o INSS. ----------------------. Estes são apenas alguns d os inúmeros flagelos sociais que este segmento da população enfrenta. observa-se que metade dele s já está ocupando postos no mercado de trabalho. os jovens representavam cerca de 31. aqueles que apenas sabem ler e escrever seu nome.1 milhões.2% em 1992). devem fa zer parte das estatísticas brasileiras aonde não constam registros oficiais do mercado de trabalho. sendo no nordeste os maiores índices de abandono. 32. Destes.Page 5----------------------11125 .9% não têm rendimento.

962 e em 2008 eram 10. também chama a atenção para a situação de mães precoces na adolescência e a taxa de estudos nestas mães adolescentes. mães que completaram o Ens ino Fundamental e dão continuidade aos estudos a mesma taxa cai para 20 por mil. motivar o seu abandono escolar.5 por 100 mil. sen do hoje. este o principal motivo que muitos abandonam a escola. em 1998 já contabilizavam 6. A questão da violência social também é responsável pela falta de demanda neste nível de ensino. haviam 198 homicídios para cada 100 mil homens jovens. hoje sobram v agas nas escolas de Ensino Médio. como o Norte e Nordeste este números são ainda mais verificados e confirmados. 91% deles com armas de fogo . Pernambuco.2% trabalham e estudam. cerca de 51. Plano de Desenvolvimento da Educação. Quando as mães têm menos de 3 anos de estudo. Segundo o PDE. O IBGE também confirma que não faltam vagas para os estudantes.446. Em algumas regiões brasileiras. pois o Governo entende que o mercado de traba lho é o maior o responsável pelo número de desistência dos alunos da faixa etária de 17 a 20 anos.9 por 100 mil para 179. O IBGE. entre as mães com mais de 8 anos de estudo. acaba por. o que faltam são alunos para preenchê-las. Para se ter uma visão desses números. .A maioria dos jovens. complemente a renda familiar. as mais carentes economicamente. De 1991 para 2000. cerca d e 20% das crianças nascidas em 2002 eram de mães de 15 a 19 anos de idade. passando a taxa de 80. aliado a que a renda deste estudante. foi de 121%. em 20 00. a taxa de mortalidade entre menores de 5 anos é de quas e 50 por mil. ou seja. pois.313 instituições de Ensino Médio. através de suas pesquisas. o crescimento das mortes de homens jovens por armas de fogo. Em 19 95 o Brasil possuía cerca 5. A necessidade do auto-sustento.

40 a menos que eles. A LDB é uma lei de diretrizes.Page 6----------------------11126 formação e orientação profissional destes estudantes que estão no Ensino Médio o ainda farão parte dele. cerca de 75% em 1991 e em 1996 a taxa é de 78%. fazendo um eco ao art. elas recebiam. que vigorou até a promulgação da mais recente em 1996. seguida por uma versão em 1971. Diante dos trabalha dores com mais de 12 anos de estudo.394/96 define e regulariza o sistema de educação brasileiro com base nos princípios presentes na Constituição Federal de 1988. Foi citada pela primeira vez na Constituição de 1934. destacam-se as Leis que fundamentam este estudo e que servirão p ara analisar o entendimento do governo sobre a realidade do jovem no Brasil e pe rceber como eles estão percebendo a necessidade da formação geral para a cidadania. portanto os números sociais devem ter um agravamento. Os jovens n a sua maioria. residem na região urbana. as mulheres recebiam. O contexto do Ensino Médio na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) nº 9. bem como a ----------------------. R$ 0. é uma lei indicativa e não resolutiva das questões educacionais. A primeira LDB foi criada em 1961 .40 a menos que os homens por uma hora de trabalho.Entre a população ocupada com até quatro anos de estudo. Na seqüência. como equivocadamente entendem alguns. R$5. O utro dado. certamente neste último censo iremos constatar um número ainda maior desta concentração urbana. ou seja. que demonstra a alta taxa de ocupação urbana e rural. em média. As Diretrizes. são . 210 da Constituição Federal de 1988. em média.

das ações do texto constitucional e do contexto da LDB. técnicos e recurs os humanos para o desenvolvimento do ensino.) que orientarão as escolas brasilei ras dos sistemas de ensino..Page 7----------------------- . (. apresenta as DCNs como: o conjunto de definições doutrinárias sobre princípios. como proposição de caminhos abertos à tradução em diferentes programas de ensino.. 1) Os enunciados contidos no texto da LDB são ajustados tanto na sua aplicação q uanto na a execução formação e permeia dos desde o funcionamento das redes escolares. a Resolução nº 2. especialistas e docentes. se constitui como matéria-prima da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional . O funcionamento das redes escolares depende da união. aproveitamento de aprend izagem até a promoção dos alunos. As diretrizes de base são normativas descritas pela Carta Magna Nacional. p. Também indica os recursos financeiros. para a LDB algumas l imitações e ----------------------. Com base nessa realidade.. a participação do poder público e a questão da iniciativa particular no empenho educacional. Essa união normativa com a Constituição leva. que por sua vez. Neste sentido . fund amentos e procedimentos na Educação Básica. no desenvolvimento e na ava liação de suas propostas pedagógicas. é que surgem a política e os planejamentos educacionais com a missão de funcionar de forma independente e harmônica. assim como as particularidades que caracterizam a ação didática nas diversas regiões do país.entendidas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) como linhas gerais de ação. 1998. etc. da Câmara de Educação Básica. na articulação. as situações de matrícula. (BRASIL. de abril de 1998. na organização. A administração superior de ensino tam bém faz parte dos enunciados do texto constitucional. materiais.

§1º . no que está relacion ado ao ensino formal. no seu contexto .A educação escolar deverá vincular-se ao mundo do traba lho e à pratica social. nas regras que a possuem. A função da LDB é regular o andamento das redes escolares.A educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. no trabalho.Esta lei disciplina a educação escolar. (SOUZA & SILVA. que se desenvo lve. administração superior dos sistemas de ensino. uso de linguagem clara como síntese textu al. nem normas de regulamentação casuísticas.394/96.11127 especificidades as quais se destacam: a) a LDB não deverá divergir doutri nariamente e filosoficamente do que consta a constituição. ou seja. Diante do texto da Lei nº 9.nação. predominantemente. b) a LDB não pode acrescentar. o qual são . p. o artigo a seguir define a educação da seguinte forma: Artigo 1º . nos movimentos sociais e organizações da sociedad e civil e nas manifestações culturais. em relação aos principais objetivos guiado s da educação brasileira. omitir. se não cont empla ações genéricas e abrangentes. § 2º .5) Tal artigo destaca a função da abrangência e estímulo educativo total . nas ins tituições de ensino e pesquisa. em instituições próprias. Sendo a LDB uma lei de contexto nacional e participando do Brasil . e não comprometida a todas as manifestações de ensino li vre e daquela natureza do que não o curso da que funciona sobre supervisão de demais órgãos. não estará servindo t odos os sistemas de ensino brasileiro. na convivência humana. 1997. c) a LDB não pode constar de minúci as. como é seu dever. algo não consagrado expressamente na Constituição. por meio do ensino.

o processo histórico transformação da sociedade e da cultura. dentro das disponibilidades da instituição. A LDB descreve algumas considerações em seu Artigo nº 35 sobre o Ensino Médio. possibilitando o prosseguimento de est udos em níveis superiores. são tratadas as diretrizes do currículo do En sino Médio. . bem como. com destaque para a Educação Tecnológica Básica.submetidos aos indivíduos no processo formativo. Este artigo também sugere adotar uma metodologia de ensino e av aliação que estimulem a iniciativa dos estudantes. a inclusão de uma língua estrangeira moderna como disciplina obrigatória escolhida pela escola. das letras e das artes. para continuar aprendendo. tratando-o como uma etapa final da Educação Básica e com duração mínima prevista de três anos. relacionando teoria com a prática. a compreensão dos fundamentos científicos-tecnológicos dos processos pr odutivos. incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e p ensamento crítico. ----------------------. a compreensão do significado da ciência. de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade as n ovas condições de ocupação aperfeiçoamento posterior. acesso ao conhecimento e exercíci o da cidadania. e uma segunda. em caráter optativo. a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando.Page 8----------------------11128 No artigo 36 desta mesma lei. o aprimoramento do educando como pessoa h umana. a língua portuguesa como instrumento de comunicação. no ensino de cada disciplina. Este nível tem como finalidades: a consolidação e o aprofundamento dos conhecime ntos adquiridos no ensino fundamental.

o educand o demonstre domínio dos moderna.Com relação aos conteúdos. em seu artigo 37. princípios científicos e tecnológicos que presidem a produção conhecimento das formas contemporâneas da linguagem. estudos na idade regular. Os sistemas de ensino assegurarão gratuitamente aos jovens e adu ltos. a LDB prevê esta modalidade de ensino àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos no en sino fundamental e médio na idade própria. condições da vida e de tr abalho. conforme a LDB. Com relação à Educação de Jovens e de adultos. e estimular o O Poder Público será responsável por viabilizar acesso e a permanência do trabalhador na escola mediante ações integradas e complement ares entre si. domínio dos conheciment os de Filosofia e de Sociologia necessários ao exercício da cidadania. Os conhecime ntos e habilidades adquiridas pelos educando por meios informais serão aferidos e rec onhecidos . que ao término do curso. O Ensino Médio. as metodologias e as for mas de avaliação serão organizadas de tal forma. mediante cursos e exames. oportunidades educa consideradas as características do alunado. Os exames a que se refer e este artigo realizar-se-ão no nível de conclusão do Ensino Fundamental. O artigo 38 da referida lei estabelece que os sistemas de en sino manterão cursos e exames supletivos e compreenderão a base nacional comum do currículo. para os maiores de 18 anos. seus interesses. deverá atender a formação geral do educando e também poderá prepará-lo para o exercício de profissões técnicas. que não puderam cionais efetuar os apropriadas. no Ensino Médio. habi litando o educando ao prosseguimento de estudos em caráter regular. para os maiores de 15 anos e no nível de conclusão do Ensino Médio.

ocorrida no Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública. bem como o trabalhador em geral. Sobre as escolas técnicas e profissionais. e que. ----------------------. especifica que. contará com a possibilida de de acesso à educação profissional. jovem ou adulto.mediante exames. a LDB prevê para o Ensino Médio ser integrada às diferentes formas de educação. ao trabalho. condicio nando a matrícula à capacidade de aproveitamento e não necessariamente ao nível da escolaridade. é especificado que a forma de diplom ação dos cursos de Educação Profissional será em nível médio. a popu lação presente. Plano Nacional de Educação (PNE) e o Ensino Médio O Plano Nacional de Educação foi um plano elaborado com significa tiva pressão da sociedade. em inst ituições especializadas ou até mesmo no ambiente de trabalho. em seu artigo. e que conduza a o permanente desenvolvimento de aptidões para a vida produtiva. quando registr ados. Conforme o artigo 40. 42. terão validade nacional. oferecerão cursos especiais. Todo aluno matriculado ou egresso do Ensino Fundamental. abertos à comunidade. além de seus currículos regulares.Page 9----------------------11129 Em relação a Educação Profissional. à tecnologia. a Educação Profissional será desenvolvida em articulação co m Ensino Regular ou por diferentes estratégias de Educação Continuada. . Médio ou Superio r. No parágrafo único do artigo nº 40 da LDB.

na qual comunica os vetos ao parlamento. estudantes e demais profissionais da educação compeliram o governo a dar entrada. a decisão presidencial e não quaisquer considerações de ordem "interna". O que determinou a atitude presidencial foi a doutrina es. p. 2 002. Na mensag em n° 9. pais de alunos. ----------------------. (VALENTE. de 9/1/2001.155/98. As razões da política ditada pelo FMI determinaram. Entre as principais metas estão à melhoria da qualidade do ensino e a erradicação do analfabetismo.172 de 9 de janeiro de 2001. o governo retirou do plano tudo que incluía a repre sentação de um plano. nenhum veto decorre do fato de que o governo tenha um ponto de vista p edagógico diferente do contido no dispositivo vetado. o presidente da República confessa que sua posição ante a matéria foi ditada pela área econômica do gove rno e não pelos seus auxiliares e organismos diretamente responsáveis pela educação. E que a primeira manifestação explícita é dada pelo Manifesto dos Pioneiros. Para Saviani (2002) a idéia de plano no âmbito educacional remonta à década de 1930. Nem todos os itens do plano foram aprovados pelo Governo Federal.105) Dentre os nove vetos. O PNE descreve dir etrizes e metas para a Educação no Brasil e tem tempo determinado de até dez anos para que todas elas sejam realizadas.educadores.Page 10----------------------11130 Os vetos impostos ao que foi aprovado no parlamento ilustram o caráter inócuo que a atual administração federal atribui ao PNE. na Câmara dos Deputados. O Plano Nacional de Educação (PNE) foi aprovado pelo Governo Federal no ano de 2000 e regulamentado pela Lei 10. Os vetos registrados no Plano Nacional de Educação segundo Valente (2002). em que afirma serem geral de caráter os gastos sociais (salvo aquel . em 10 de fevereiro de 1998. O plano consolidou no Projeto de Lei nº 4. na verda de.

a nova co ncepção curricular. a melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis. Sobre a Educação de Jovens e Adultos (EJA). dobrar em cinco anos e qu adriplicar . e. a partir da a provação do PNE. até o final da década erradicar o analfabetismo.compensatório. em cinco an os e. contemplados na execução do ajuste estrutural) algo estranho e hostil à política do FMI. obedecendo da educação na aos princípios da participação dos profissionais elaboração do projeto político pedagógico da escola e a participação dos profiss onais da educação. 2001) Como Metas do PNE destacam-se a ampliação progressiva das matrículas no Ensin o Médio. com biblioteca. um sistema nacional de avaliação da Educação Básica (SAEB) e pelos sistemas de avaliação que venham a ser implantadas nos estados. o PNE estabelece. implantar e consolidar no prazo de cinco anos. nos estabelecim os oficiais. telefone e reprodutor de textos. a pelo menos 80% dos concluintes do e nsino fundamental. (PNE. assim como. (Valente. todas as escolas estejam equipadas. pelo menos. estabelecida pela forma de ensino médio proposta pelo MEC. redução d as desigualdades sociais e regionais no tocante ao acesso e a permanência.. de forma a atender. finalmente. no final da década. assegurar que em cinco anos. programas visando alfabetizar dez milhões de jovens e adultos. na educação pública e a democratização da gestão do ensino público. 2002) Dentre os principais objetivos do Plano destaca-se a elevação glob al do nível de escolaridade da população. da elaboração do projeto pedagógico da escola e a participação das comunidades escolar em conselhos escolares ou equivalentes. com sucesso. estabelecer e consolid ar. em cinco anos.

a oferta de educação profi ssional permanente para a população em idade produtiva e que precise se readaptar as novas exigências e perspectivas do mercado de trabalho também faz parte das metas estipula das pelo PDE. de forma a atender à demanda de órgãos públicos. O Plano Nacional de Educação pode ser considerado um avanço para a educação. técnicos e superiores de educação profis nal às exigências do mercado de trabalho mediante a colaboração com empresários e trabalhadores nas próprias escolas e em todos os níveis de governo. Em relação à Educação Técnica e Profissional.Page 11----------------------11131 comunitários e privados. de modo a triplicar a cada cinco anos. O PNE prevê também garantir que os sistemas estaduais de educação mantenham programas de formação de educadores de jovens e adultos. O PDE como meta para o Ensino Médio . pois imbui nele questões como qualidade e educação. tornando o ensino mais atraente obje tivando a diminuição do analfabetismo. a capacidade de atendimento nos cursos supletivos de nível médio. o plano busca estabelecer a permanen e revisão e adequação dos cursos básicos. e discute a necessidade de integração do ensino técnico profissio nal com a educação de jovens e adultos.em dez anos. No Ensino Médio suas propostas são desafiadora. Mobilizar. espectro da educação brasileira. ----------------------. articular e ampliar a capacidade instalada nas redes de instituições de educação profissional. tais como a unive rsalização do Ensino Médio gratuito.

O PDE pressupõe multiplicidade e não uniformidade na educação. justa e solidária.Page 12----------------------11132 . construção da os objetivos do PDE são. um plano de ação criado no Governo Lula e embasado em alguns pr incípios e diagnósticos já estabelecidos no Plano Nacional de Educação (PNE). multiplicidade e não a uniformidade dos sistemas educacionais. erradicar a pobreza e a marginalização e red uzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos. Federal objetivos 1988.O PDE ou Programa de Desenvolvimento da Educação é um plano execut ivo. ou melhor. idade e quaisquer outras formas de discriminação. . principalmente autonomia. PDE. postura crítica e criativa. a construção de uma sociedade livre. raça. sendo eles. garantir o desenvolvimento nacional. 2007) ----------------------. sendo este um passo grandioso. O PDE busca construir um caminho sólido para que o Brasil possa crescer e com isso beneficia r toda a nação brasileira. sem preconcei tos de origem. cor. sexo. (BRA SIL. A concepção do PDE para a educação baseia-se na concepção e individuaçã pessoa. harmonizados com os da Constituição de enfrentamento estrutural das desigualdades de oportunidades educacionais. redução das desigualdade sociais e regionais e acessibilidade à educação de qualidade. a Em linhas gerais. Seu objetivo é a construção da autonomia de indivíduos capazes de assumir uma postura crítica e criativa frente ao mundo (especialmente no trabalho) e harmonizada com os fundamentos fix ados pela Constituição Federal de 1988.

responsabilização e mobilização social.433 profissionais. Esta visão sistêmica.Até antes da elaboração do PDE. Prevê também que haja uma mobilização social no sentido de acompanhar e fiscalizar o process o ao . a educação era vista de forma fragmentada e não como parte de um processo. Os investimentos em educação eram vistos como gastos num contexto de restrição fiscal. de modo geral. promover a art iculação entre políticas específicas orientadas para cada nível. com ênfase na educação profissional e tecnológica são direcionados à recuperação de verbas de custeio e de pessoa l da rede federal de educação profissional e a contratação de docentes e técnicos administrativ os para os trabalhos a serem desenvolvidos nos IFETs (Institutos Tecnológico s de Educação Profissional e Tecnológica). Um diferencial proposto pelo PDE trata da questão sobre “regime de colaboração”. segundo o PDE deverá compreender o ciclo educacional de forma integral. O PDE descarta a idéia de segmentação do ensino e propõe uma visão sistêmica. ou melhor. desenvolvimento. uma forma de compartilhar técnic s. Os objetivos do PDE propostos para o Ensino Médio. O PDE possui 46 programas atualmente e está sustentado por seis pilares p rincipais: visão sistêmica da educação. regime de colabo ração. e não como uma forma de investime nto. territorialidade. uma unidade de ensino desde a creche à pós-graduação. além de coordenar os instrumentos de políticas públicas disponíveis. competências políticas e financeiras para os diversos programas. Estas contratações somaram-se no período compreendido entr e 2003 a 2006 em número de 3. ou seja. etapa ou modalidade. Os imperativos do PDE visam como funções da União à assistência técnica e financeira ao programa. assim como a responsabilização do Estado e da famíl ia. a educação.

ou seja. Quanto aos programas de extensão priorizarão a divulgação científica. Esses institutos. uma no aspecto propedêutico. através de seus professores para suprir a falta de demanda tanto regionais como locais. especifi camente para as áreas de física.Page 13----------------------11133 sendo este investimento correspondente a um aumento de 150%. no período de 1909 a 2002. propostas pelo PDE. cujo objetivo principal é romper com a antiga prática do saberde-cor(décor) e odelo de ensino no aspecto profissionalizante com mecanicista. em quase um sécu lo.longo de suas ações. a e xcelência na oferta de ensino de ciências voltados à investigação empírica e apoio às escola públicas. bem como o cooperativ ismo e o fortalecimento dos arranjos locais. Estão inclusos nos seus objetivos ainda. ----------------------. programas. sendo os seus principais objetivos (:) investigar a p esquisa aplicada. matemática e biologia. A missão dos IFETs é de ofertar educação profissional e tecnológica como processo educativo e investigativo. além de incorporar a ciência como fator de produção. a Considerações Finais extinção do m . São duas as principais mudanças previstas para o Ensino Médio. formar os IFETs também visam. enquanto que no p eríodo de 2003 a 2010 (em menos de 10 anos) serão autorizadas mais 214 novas unidades de ens ino. química. Para compreender a dimensão desse investimento para a educação técnica-profissional. foram autorizadas somente 140 unidades de ensino federais no Brasil. incentivar o empreendedorismo e a produção cultural.

mento da em especial nas modalidades à distância. Será necessária também. um catálogo dos cursos técnico que facilite o interes se e possa ter caráter informativo ao aluno. a inserção jurídica na Lei de Diretrizes e Base com o seguinte título: “Da Educação Profissional Técnica de Ensino Médio” e normatização para o desenvolvimento do EJA-Profissionalizante. mas na maioria nem tanto. estabelecer uma interação da educação com o mundo do trabalho. propor um au escolaridade do trabalhador. Outro ajuste necessário será a oferta de educação profissional e tecnológica de forma vertical. ----------------------. articular o ensino regular com o ensino profissional e tecnológico. .Page 14----------------------11134 Desta forma. ajustar os reforços curri culares da Educação Básica. depois de analisadas as políticas públicas vigentes no país em r elação aos dados estatísticos publicados pelo IBGE parecem estar em alguns pontos b em articulados. a fim de colaborar para a visão sistêmica proposta pelo PDE. incentivar a produção científica dando apoio à escola pública. para que este possa vislumbrar o Ensino Superior através das disciplinas que possam dar continuidade ou complementação da sua formação primeira. Será desenvolvido. e ainda. será necessário adotar um novo modelo de atuação. estabelecer um arrojado projeto político-pedagógico. ou seja. As mazelas sociais dissociam a possibilidade de atende r a demanda necessária para suprir as vagas ociosas do Ensino Médio.Para que estas mudanças sejam possíveis. focalizar o estágio como fator integrante do projeto político pe dagógico. bem como.

acontece o ingresso no mercado de trabalh o e ou o seu desvio para a marginalidade social. período previsto para a conclusão dos resultados estatísticos das pesquisas realizadas pelo IBGE referente aos últimos cinco anos. por exem plo. forçando os jovens a procurarem cidades maiores para concluírem s eus estudos e com isso gerando outros problemas sociais. po rém sem garantir que estes atendessem as reais necessidades da população local. nem tampouco. Em muitos municípios as escolas. confirmam a realidade do processo do governo em não planejar suas ações de modo a atender as demandas sociais e mercadológica s do segmento desta faixa etária populacional brasileira. assim como. nos centros urbanos maiores. Portando.Os números do IBGE expostos neste estudo. Nesse meio. e espera-se que ao término deste ano de 2008. Um exemplo claro deste fato. Há que se concluir. como o desemprego. se quer existem. foi a criação de novos municípios. Governo onde o Federal estabeleceu aos Governos Estaduais a criação de novos municípios. principalmente as de Ensino Médio . como aconteceu na Constituição de 1988. a metodologia pedagógica. possam pelo menos ser mais consideradas com o meio de orientação para a elaboração das novas políticas públicas da próxima gestão novos governantes e que esses dados sirvam para alertar e nortear suas meta s para melhorar o cenário real da juventude brasileira e com isso buscar amenizar a violência social. em geral. os instrumentos da mesma também não atendem os anse ios e . que as atuais políticas públicas destinadas a esta faixa etária não vêm atendendo a demanda atual do mercado de trabalho. encontram-se muito a quém da realidade dos números das pesquisas do IBGE. entendemos que as atuais políticas públicas.

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