Direito Processual Civil 03-08-12

Procedimento dos Juizados Especiais
O que dissemos quarta-feira é que o problema que se tem nos procedimentos
especiais é que eles estão #################### dispersos numa série de
legislações soltas e também estão no Código de Processo Civil.
Temos der dos procedimentos especiais uma visão geral. Provavelmente nos
concentraremos em alguns que temos mais interesse, que são mais
utilizados, e não vamos conseguir conhecer detalhadamente todos eles. Até
porque eles têm uma imensa irregularidade na regulamentação. Os três
juizados, por exemplo, temos os estaduais, com matéria privada, e os
federais, com matéria pública, e os da Fazenda Pública, com outras
matérias têm similaridades. Mas outros são irregulares, como inventário e
partilha, com 60 artigos, e 150 disposições sobre inventário e partilha. E
vamos encontrar também a ação monitória já no final do Código. É irregular
mesmo, e ninguém conseguiu a façanha de organizar isso numa coisa só.
Daí a razão da existência dos procedimentos especiais.
Então perguntamos: qual a razão da existência de tantos procedimentos
especiais? A natureza, a especificidade, a peculiaridade, o momento do
interesse da parte, a qualidade da parte, a natureza coletiva, às vezes do
direito, #################### a natureza especial que merece proteção,
como investigação de paternidade, alimentos no Direito de Família, ações
de Estado (Administração Pública), a presença da Fazenda Pública acaba
conferindo certos privilégios e torna especial.
Mas o que é muito difícil é encontrarmos algumas razões muito claras para
dizermos: há razão ideológica e política na criação de certos
procedimentos. Temos quase cem, então é muito difícil encontrarmos todas
as regras.
Talvez então a forma mais prática e simples é ver o procedimento comum
ordinário e sumário que não são razoavelmente adaptados à imensa
diversidade de direitos, partes e outras peculiaridades que decorrem da
instrução processual e que forcam ####################
#################### a que a legislação se expanda excessivamente. A forma
mais simples de se pensar, então, é notar o CPC sem o livro dos
procedimentos especiais. Tentem em; tender a centena de procedimentos,
cada um com seu prazo, então é muito difícil. Temos então que pensar na
regra geral: ainda que exista essa centena de procedimentos especiais, o
Código de Processo Civil será, com o procedimento comum, em geral, regra
de socorro também para os procedimentos especiais. Então tudo que não for
peculiar, buscamos a resposta no procedimento comum. Nosso Processo Civil
não é Processo Civil só no sentido de Código Civil. Temos a matéria
administrativa, que serve ao Direito Processual Constitucional, ao Direito
Processual do Trabalho, que tem poucas regras na CLT de processo
trabalhista, ao Processo Penal, curiosamente, mesmo tendo seu próprio
Código, ao Processo Tributário, já que não temos um Código de processo
tributário, #################### ####################, eleitoral idem, e
assim por diante. Então o Código de Processo Civil claro que serviria para
esse conjunto todo, inclusive para leis que pretendem ser mais especiais
que as especiais, que é o caso dos juizados. A jurisprudência que vem se
construindo desde os Juizados Especiais de pequenas causas antes de 1995
tinham a tendência que o Código de Processo Civil não deveria se aplicado
nesses juizados. Mas, ao olhar os princípios peculiares, que são a
simplicidade e oralidade dos juizados, seguramente precisaremos do CPC.
Pensem sempre no livro I e II do Código.
O livro que trata do processo de conhecimento valerá para a vida inteira.
Enxerguem de longe também: o que é uma fase, o que é outra, o que é
instrução, o que é sentença, o que se emaranhou muito a partir de 1994,
mas ainda temos noção: fase postulatória, nome muito bom porque não diz
tudo, porque se fixa na figura do autor, e a ideia de que quem pede, quem
postula, é uma fase de troca de escritos. Nem só de escritos, porque temos
pedidos de forma oral, mas o pedido tem que ser reduzido a termo. Seguimos
no Processo Civil brasileiro uma regra quase universal de que quid non est
in acta non est in mundo $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$. Não está no mundo do
processo. A ideia medieval disso é que não era que o juiz não devesse
conhecer, #################### mas que se deve trazer para os autos aquilo
que importa para o conhecimento do juiz, que é tanto a manifestação do
autor como do réu ou quem deva intervir no processo. Essa fase inicial,
que vamos chamar de primeira fase, é igual nos procedimentos especiais e
no procedimento comum ordinário e sumário. Então os procedimentos não são
diferentes nisso; alguém deseja a declaração de algum direito, ou a
condenação de alguém em algo, ou à constituição de uma relação jurídica,
ou a execução de um direito descumprido, e pede ao juiz que confirme
aquilo. Então não há nada de diferente aqui. Se o dito procedimento que
nos interessa não traz peculiaridades sobre a fase postulatória que inclui
a petição inicial, a resposta, às vezes uma réplica, por isso dizemos que
é uma fase de troca de escritos. Nem sempre, claro, porque no juizado
podemos ir ao balcão fazer o pedido oral. No TJDFT tem uma central de
pedidos orais.
Segunda fase: aqui começa certa dificuldade, pois não é propriamente a
fase instrutória, mas uma fase um pouco mais complexa, mas se repete em
geral em todos os procedimentos.
Voltando um pouco: vamos ver que a fase postulatória de quase uma centena
de procedimentos especiais pode seguir peculiaridades previstas nas regras
dos procedimentos especiais, mas se não tiver, seguirá o velho art. 282, o
art. 300, com eventualidade na parte geral, o art. 301 com as
preliminares, então os procedimentos especiais são procedimentos que
seguem, em geral, o procedimento comum, salvo se tiverem alguma regra.
O que pomos na petição? O nome do juízo ao qual me dirijo, juiz da comarca
de, da circunscrição judiciária de, qualificação de quem sou, onde estou,
qual a demanda, qual o mérito, qual o pedido que denomina minha ação,
qualificação do réu, descrevo o fato, #################### e faço o meu
requerimento onde está contido o que eu quero. Peço ao juiz que se
substitua na função minha que fracassou de resolver sozinho meu problema,
e em meu lugar de#################### uma ordem judicial, declarando que
eu tenho um direito, ou que outra pessoa não tem, ou que determinada
relação jurídica não existe, como eu não ser sócio de determinada
sociedade. Depois, o que faço com essa sentença? Depende: se pedi a
simples declaração, não há mais nada a fazer depois.
Ações puramente declaratórias não têm fase executória e não têm execução
posterior. Se o possível filho pede que se declare a paternidade, e só
isso, não há mais nada para executar depois. Ele pediu a declaração da
paternidade, e o juiz disse: declaro a paternidade. Pode até determinar
mais: que se acrescente ao registro de nascimento daquele que foi
declarado como pai o nome patronímico desse pai. #################### não
é uma execução. É uma eficácia mandamental, mas não executiva; não é um
fazer executivo nem um fazer contra a outra parte. É para a serventia
estatal que inclua o nome de alguém em algum lugar, ou que declare que as
divisas são de determinado foro, e assim por diante.
Antes da instrução, então, temos uma fase de conciliação ou, antes até,
uma fase múltipla, de saneamento, conciliação, definição de pontos
controvertidos, basicamente isso. Hoje toda essa etapa do Processo Civil,
tanto do procedimento comum ordinário ou sumário como no universo dos
procedimentos especiais seguia por esse art. 331 do CPC que diz:
[[[
Art. 331. Se não ocorrer qualquer das hipóteses previstas nas seções
precedentes, e versar a causa sobre direitos que admitam transação, o juiz
designará audiência preliminar, a realizar-se no prazo de 30 (trinta)
dias, para a qual serão as partes intimadas a comparecer, podendo fazer-se
representar por procurador ou preposto, com poderes para transigir.
§ 1º Obtida a conciliação, será reduzida a termo e homologada por
sentença.
§ 2º Se, por qualquer motivo, não for obtida a conciliação, o juiz fixará
os pontos controvertidos, decidirá as questões processuais pendentes e
determinará as provas a serem produzidas, designando audiência de
instrução e julgamento, se necessário.
§ 3º Se o direito em litígio não admitir transação, ou se as
circunstâncias da causa evidenciarem ser improvável sua obtenção, o juiz
poderá, desde logo, sanear o processo e ordenar a produção da prova, nos
termos do § 2º.
]]]
Essa regra se aplica a todos os procedimentos especiais, exceto a hipótese
lida acima: quando a matéria não admitir a transação, talvez não precise
fazer uma audiência de tentativa de conciliação. Novamente aqui, tudo o
que vimos ou deveríamos ter visto sobre o processo e que vale para o
Processo Civil, e supletivamente auxilia os demais processos vale para os
procedimentos especiais. Então haverá, possivelmente, uma segunda fase em
que o juiz marcará uma audiência de tentativa de conciliação e o curioso é
isso: a partir de 94 quando se reformou o Código, essa fase que já existia
em vários procedimentos especiais, principalmente os de família,
#################### se generaliza no Código de Processo. Até 94, o Código
de 73 não trazia a previsão do art. 331. A conciliação seria tentada no
início da faina, na primeira audiência; ficava frágil, porque depois das
partes se armarem excessivamente para a demanda, provavelmente já na
instrução já haveria muito menor disposição a desistir ou a se compor por
transação, ou a reconhecer o direito, ou a renunciar ao direito. São as
quatro hipóteses de transação, que voltaremos depois. Seria, portanto
motivo mais improvável que todos já armados, e gasto com advogado, viessem
a se compor. Então a ideia foi antecipar a tentativa de conciliação, por
isso mudou-se o art. 331, que se privilegia a oralidade, em desprestígio à
“papelaridade”. Não existe essa expressão mas caracteriza nosso Processo
Civil que é excessivamente documental. Prestigia a troca de escritos e
torna os autos às vezes um documento imenso #################### com
centenas de páginas que dificulta até a discussão da matéria.
Não há diferença nos procedimentos especiais. A instrução também, salvo
raríssimas exceções, tudo aquilo que se pode fazer pelos procedimentos
comuns sumário e ordinário, sumário do art. 275, a instrução ou a
possibilidade de prova se repete nos procedimentos especiais do modo que
no CPC em geral na parte geral. #################### são válidos todos os
meios de prova admitidos e Direito, portanto, sem as provas
constitucionalmente vedadas. A peculiaridade de um dos procedimentos
especiais, ou do modo de prova em alguns deles é que há algumas restrições
probatórias em alguns poucos procedimentos. São poucos, mas são
importantíssimos: mandado de segurança, que é um dos procedimentos
especiais, curiosamente com assento constitucional, e que vamos estudar na
matéria de Defesa da Constituição, que é uma ação que alguns autores
denominam de documental pura. Quer dizer que a prova tem que ser pré-
constituída, do direito líquido e certo, pura de ser provada por meio
documental, então não podemos e não teremos uma faina em audiência. Essa é
a peculiaridade do mandado de segurança. O MS é, portanto, provavelmente a
única ação documental pura que temos. Não há previsão que se vede a prova
oral em outros procedimentos. No mandado de segurança, portanto, não se
admite prova feita<i> bocalmente</i>. Guardem “bocalmente”! A prova tem
que ser escrita. Pré-constituída, significa que existe uma faina, mas ela
não se dá em audiência. Que conversa é essa? O lugar onde acontece a
conversa, propriamente. Como o mandado de segurança é só uma ação
documental, o juiz não irá designar, salvo raríssimas e quase absurdas
exceções, audiência. Audiência existe para<i> audire</i>: não deveria
acontecer, porque não se precisa e não se deve ouvir ninguém. É onde se
faz o áudio. Mandado de segurança não precisa de prova em audiência.
Salvo essa exceção do mandado de segurança, portanto, é tendência que os
procedimentos especiais repitam a característica instrutória do
procedimento comum. Nas ações que envolvem posse, que podem ser usucapião,
ou possessórias, ou em geral as que tratam de posse e precisam muito da
prova oral. Em geral prova-se com depoimento. Nas possessórias é muito
comum que o juiz se certifique que deve deferir a posse a um ou a outro,
então marca uma audiência de #################### ####################
justificação de posse. Só existe nesse procedimento, e pode aparecer com
outro nome. No usucapião do Código de Processo Civil essa audiência
desapareceu. Então sempre que o juiz precisar, antes de tomar determinada
medida, de deferir a posse, a proteção processual, dar alimentos, ele
pode, e não é vedado, marcar uma audiência em que se venha antecipar
alguma coisa a ele. No caso das possessórias, e outras similares, ela é
chamada de audiência de justificação de posse.
É um empréstimo dessa fase: pega um pedaço da instrutória e traz para a
saneadora. Hoje existe um sincretismo processual. Então as fases do
processo de conhecimento tendem às vezes a se misturar, não são tão bem
divididas assim, e também não só o processo de conhecimento que temos
dentro desse desenrolar, mas o processo de execução, que vem depois,
também tende a se misturar. Temos, portanto, o conhecimento, que os
portugueses chamam de “declaração”, (a parte até a fase decisória
####################), que é para a declaração da existência ou
inexistência de algum direito. Mas não é só isso: é declaração,
constituição ou condenação, e aqui sim, na última fase, existia uma boa
cerca de arame farpado que também vem perdendo força. Quando o juiz
concede a tutela antecipada para o autor mandando que o réu pague
alimentos, ele está tomando a fase da satisfação do direito e trazendo
para a fase de conhecimento. São diferentes os procedimentos especiais
nisso? Não. Seguem a mesma regra. Então vamos ver que eles trazem para
essa parte da execução, e dentro do processo de conhecimento também há
essa fusão de fases.
Há algumas “restrições cognitivas”: vamos ler em alguns autores em
determinados procedimentos especiais. É a vedação a que se discuta em
algumas ações ou procedimentos algumas matérias. Exemplo, o melhor deles:
nas ações possessórias, manutenção, reintegração e interdito proibitório,
as ações são #################### sumárias, não nos termos do art. 275,
mas sim porque nelas, embora não se vede a demonstração do direito do
autor ou do réu, só pode se discutir nas possessórias a posse. Há uma
sutileza nisso: é vedada nas ações possessórias a discussão sobre domínio.
Vamos simplificar e tratar domínio como sinônimo de propriedade. No art.
923 aproximadamente do CPC vamos ver uma restrição, uma sumarização
cognitiva das matérias discutidas. Então a discussão sobre a posse da
caneta, sobre quem tem que ficar com ela, poderia envolver quem comprou a
caneta? Quem tem a nota fiscal? Não. Ela só discute a posse, mas não o
domínio. Isso é uma peculiaridade de alguns procedimentos especiais.
[[[
Art. 923. Na pendência do processo possessório, é defeso, assim ao autor
como ao réu, intentar a ação de reconhecimento do domínio.
]]]
A ação de usucapião é discussão para a posse, mas que posse? Há várias.
Posso discutir posse? Sim, a ação de usucapião é uma ação para a posse,
muito qualificada, parecida com a posse do dono, reconhecendo que a
pessoa, que possuiu como sua como se fosse dono, pudesse ter o domínio
reconhecido. É com base na posse. Mas não no sentido das possessórias, no
sentido do art. 922. Em geral não. Então cuidado. Enquanto discutimos
posse, é vedada a discussão sobre propriedade, sobre domínio. A regra
especial para a discussão de posse diz que na pendência da ação
possessória é vedada a proposição de ação de reconhecimento de domínio.
Essa é a ação do art. 923. Posso responder que sim, maldosamente, mas não,
porque não posso discutir. 4016. Se tiver uma possessória em andamento,
não posso propor uma ação de usucapião.
E se o autor propõe a ação de usucapião pode o réu discutir a posse do
bem? Não é isso que é vedado pelo art. 923. Não é vedado intentar ação
possessória na pendência o processo de usucapião.
Releia o art. 923. Significa que, se alguém ajuizou uma possessória, outra
pessoa ajuizar uma reivindicatória, ou de imissão de posse, ou de
usucapião? Não. É o que o art. 923 diz.
Perguntamos: se alguém ajuizou uma reivindicatória, ação de imissão ou de
usucapião é possível que outro, sobre o mesmo bem, discuta e proponha
posteriormente uma possessória, e sejam reunidas por conexão? Sim, é
possível. Então aquela vedação do art. 923 não ocorre aqui. A restrição, a
sumarização, (não do art. 275) a sumarização cognitiva é restrição porque
cortamos um pedaço do assunto que o juiz pode olhar. Isso é restrição
cognitiva. Essa restrição acontece nas possessórias. Se o usucapião for
intentado antes, então ela pode não ocorrer. Há uma ação especial de
usucapião da Lei 6981, o usucapião especial agrário pro labore, vários
nomes, em que se prevê uma @@@@@@@@@@@@@@@@@@@ 4346. As respostas para a
pergunta são três: por isso temos que ver com mais detalhes. Posso
discutir posse na ação de usucapião, posse no sentido das possessórias?
Pode haver dois ajuizando usucapião ao mesmo tempo. Um dos dois não estava
naquela área. Mas se ingressarmos com uma possessória é possível discutir
depois o usucapião? Não.
E vamos complicar mais ainda: é possível, numa ação que envolva
propriedade e não posse, o réu reagir ao direito do autor, pedindo
usucapião? Sim. É a chamada exceção de usucapião. Admite-se, na
jurisprudência, em qualquer dessas três ações, e em outras tantas, uma
defesa do réu com a exceção de usucapião. O réu que tiver todos os
requisitos completos, usucapiente possuidor pode, sem ter proposto a ação,
ver-se como réu de outra demanda qualquer. Pode ele dizer: calma lá: já
completei há 10 anos os requisitos! Então ele reage, usando o usucapião
como defesa. Mas não dará uma sentença para o réu que permita o registro
do imóvel, se for o caso; ele terá que propor um dia outra ação. Embora
uma das leis especiais diga que pode. Mas a doutrina entende, e a
jurisprudência também, entende que não se admite. #################### a
ação de usucapião, segundo Pontes de Miranda, a eficácia da sentença de
usucapião tem a eficácia de declaração. O direito já de constituiu lá no
dia em que ele se constituiu em tantos anos de posse, de acordo com o
tempo previsto para cada modalidade de usucapião. Ainda há o usucapião
entre cônjuges.
Escapamos um pouco, mas não tem problema nenhum. O que queremos mostrar
aqui é que, embora ouçamos uma série de notícias que tenham estranheza,
realmente os procedimentos especiais têm esse emaranhado, mas eles tendem
sempre a convergir para o procedimento comum. Começa com o pedido de
alguém e terminará a primeira fase, com o juiz dizendo algo.
A quarta fase então é, depois de instruído, o juiz deverá decidir. Há
peculiaridades nos procedimentos especiais, mas aqui o juiz entrega sua
prestação jurisdicional. Deve confirmar ou não aquela afirmação de direito
que fez o autor. O autor afirma que possui um direito, que é credor de
alguém, e o juiz, ao final, confirma ou não aquela alegação, aquela
afirmação de direito do autor. Em nada ou quase nada muda a estrutura do
processo dos procedimentos especiais em relação ao procedimento comum do
CPC: ordinário ou sumário. Até a década de 90 havia um sumaríssimo, que
corresponde aproximadamente aos juizados. Desapareceu e a denominação que
se dá ao sumaríssimo é analogicamente dadas aos juizados especiais. Outros
chamavam de ordinaríssimo.
A quarta fase, ou fase final, também se conclui com uma sentença.
E os recursos? O mais correto é responder pela lateral: depende. A
sentença, se tiver uma eficácia que mereça execução, pode ser executada. A
ação do art. 4º do CPC é executada de que forma? De modo algum, porque é
meramente declaratória:
[[[
Art. 4º O interesse do autor pode limitar-se à declaração:
I - da existência ou da inexistência de relação jurídica;
II - da autenticidade ou falsidade de documento.
Parágrafo único. É admissível a ação declaratória, ainda que tenha
ocorrido a violação do direito.
]]]
Decisão aí pode ser sinônimo de sentença. Mas há decisões em todo o curso
procedimental. Ao ordenar um cite-se, ou determina a complementação da
informação, os atos iniciais do juiz já contêm, em geral, algum conteúdo
decisório. Pode ser importante para a interposição de recurso. Se mandou
citar, pode-se recorrer. O ato mais frondoso de decisão é a sentença. Mas
antes da sentença, o juiz já vem tomando pequenas decisões, às vezes com
mais conteúdo que o conteúdo próprio da decisão na sentença. Isso porque
às vezes ele puxa uma parte da execução para antes da sentença. Entrega a
parte para a parte, devolve o carro, o avião para a financeira, restitui
determinado bem. Agora o ato decisório magno, mais tecnicamente
constituído é a sentença, que é o ato que põe fim ao processo ou a uma de
suas fases 267 e 269.
Vamos ver em alguns procedimentos especiais duas sentenças. Poxa, se uma
já é complicada, imagine duas! Exemplo é o procedimento especial de
divisão e demarcação e prestação de contas, salvo engano
$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$. Elas têm um conteúdo muito próximo de uma grande
decisão interlocutória. E o processo é formado lá por aquela sentença, que
é o ato que define o destino inteiro do direito formulado pelo autor, mas
tem essas pequenas decisões que no Direito Processual brasileiro não
chamamos de sentença, mas que vão definindo o curso do processo. Junte-se,
oficie-se, não se ouça determinada testemunha que uma das partes queria
que fosse ouvida, retire-se do processo o interveniente que quis pegar
carona no assunto... São pequenas decisões que chamamos de
interlocutórias, entre dois lugares. Entre as partes há várias decisões
interlocutórias. No Direito Processual de outros países podemos achar
sentenças interlocutórias. Mas para nós é nome feio, aquilo não existe
sentenças interlocutórias. #################### sentença é só o ato
que.... ####################
O que muda nos procedimentos especiais depois disso? Muito pouco.
Recapitulação era para trazer para nós ainda mais conforto e
tranquilidade. O mundo não vai acabar quando descobrirmos que há 100
procedimentos especiais. Seguem todos quase o mesmo rito, com alguma
peculiaridade. Os recursos, a sentença são iguais.
Há a possibilidade de as partes não se conformarem com a decisão do juiz.
Há a tendência de se admitir a rediscussão das matérias decididas. Isso se
faz pelos instrumentos que também estudamos. Recursos ou sucedâneos. A
sentença, por exemplo, admite uma revisão integral de toda a causa posta
por um juízo diverso daquele que examinou. Aliás, na AP 470 houve uma
grande discussão sobre o duplo grau de jurisdição. Cabe ou não? A ação que
é julgada em competência originária, quer dizer, uma única vez diretamente
pelo Supremo funcionam como instância única. Pode caber recurso de
embargos de declaração, ou algum juízo de retratação, o próprio tribunal
rever o que disse, mas não há para onde chorar. É instância única. A regra
geral de nosso sistema processual civil é do duplo grau de jurisdição.
Aqui surge uma discussão sobre Defesa da Constituição se temos ou não o
duplo grau de jurisdição como garantia constitucional. Isso que apareceu
no julgamento. Vejam os pronunciamentos dos ministros Toffoli e Celso de
Mello. É possível, portanto, que em nosso sistema seja retirado o duplo
grau de jurisdição. No procedimento comum ordinário e sumário a tradição é
que exista um duplo grau de jurisdição integral, perfeito, feita por um
juízo diverso, e o reexame integral de todas as questões postas. Mas não é
universal nos procedimentos especiais. Não, pois nos Juizados Especiais, o
reexame da matéria do recurso é feita por recurso inominado, chamado
“recurso da sentença”. É um reexame integral da matéria posta no primeiro
grau, mas não feito pelo tribunal, mas pela turma recursal, composta por
juízes conforme o art. 93 da Constituição. Pode acontecer, portanto, que
os recursos, em alguns procedimentos especiais não tenham alguns efeitos,
suspensivo, por exemplo, ou que se estabeleça alguma peculiaridade ou
exemplo em que se diz que o recurso da sentença dos juizados não é
examinado pelo Tribunal de Justiça, mas pela turma recursal composta de
juízes de primeiro grau. Não chamem de apelação.
E a execução? Há peculiaridade também. Às vezes o sincretismo, o Processo
Civil e o Processo do Trabalho tendem ao sincretismo. ####################
o que diz o Processo Trabalhista? Que não existe essa cerquinha dividindo
o conhecimento e a execução. A reforma de 2007 do Processo Civil também
tende a apagar essa cerca dividindo um do outro. Diz-se que a execução é
uma fase, e não um processo.
Na ação monitória, o clássico no processo de conhecimento é, após a
inicial, o juiz expedir mandado de citação par a que o réu se manifeste
sobre alegação de direito trazida pelo autor. Conteste, reconvenha,
apresente exceções processuais, impugnações, por via de regra, assistência
judiciária gratuita... No art. 1003, o juiz não expede mandado de citação,
mas de pagamento. $$$$$$$$$$$$$$$$$$$$ ué, mas o pagamento não só vem
tradicionalmente depois da confirmação da decisão? Em geral sim. Mas na
ação monitória a legislador inventou esse rito: o autor vem com prova
escrita do débito, da relação obrigacional estabelecida entre as duas
partes, então podemos tomar como verdadeiro. Se o réu não discordar, ele
aceita como mandado de pagamento. O réu pode e tem que pagar. É o que
vamos ver nos procedimentos especiais.
Anotem a pergunta: pode-se discutir posse enquanto se discute usucapião?
Art. 923 e próximos.

A sugestão que temos é: olhem por alto a lista, pensem nessa estrutura, e
tentem se recordar das peculiaridades. Se alguém marcar audiência para
ouvir testemunha em mandado de segurança saia fora. O cara não sabe nada.
É uma ação que se baseia no Direito pré-constituído, e só instruo por meio
de documentos.

Vamos outras possíveis: e se os procedimentos desaparecerem? O mundo
também não acabará. Não porque, quando não temos procedimento especial,
temos o procedimento comum ordinário ou sumário. Ou dos juizados. E
algumas situações mais chatas e difíceis em que o autor pode fazer uma
escolha, daí se diz que há uma relativa disponibilidade procedimental. Até
certo tempo, dizia-se em toda a doutrina que o procedimento é
indisponível. O que quer dizer? Não posso escolher o caminho por onde vou.
Hoje, em várias situações, como nos juizados e ao art. 275, podemos
escolher: renunciar ao excedente para mudar o órgão jurisdição a processar
e julgar a ação.
Há quem diga que os procedimentos especiais são resquícios do velho
Direito Civil, que previa, para cada direito, uma ação. Há um grande
processualista da década de 60, chamado Moacyr Amaral Santos. O ideal é
que existisse um único procedimento. É o que o autor dizia. Em vez de cem
pequenos caminhos para a sentença e a execução, mas temos um fenômeno da
expansão dos procedimentos. É mundial. Tanto na Europa, quanto mais ainda
na América Latina. Hoje existe uma universalização da tutela antecipada.
Essa ideia universal da antecipação de tutela e também das cautelares, das
tutelas de urgência, que valem para os procedimentos especiais também.
Meios executivos de decisão: alguns procedimentos especiais, como o
despejo e as ação possessórias não dependem da execução por créditos.
Temos que decorar: alguns procedimentos especiais possuem força decisória
executiva. Quer dizer: a própria decisão reintegra, manda que se devolva,
por exemplo, não precisamos de um novo processo de execução posterior para
a satisfação do direito. Ele pode terminar no processo, único, que contêm
#################### as cinco eficácias no mesmo: declaração,
constituição, condenação, mandamento, e execução. O mandado de segurança é
uma ação que tem uma eficácia mandamental simples.