Fichamento do texto LIJPHART, Arend. Modelos de Democracia.

RJ:
Civilização Brasileira, 2003, p. 15-82.

Primeiramente em seu texto, Lijphart expõe que existem vários tipos de
organização de democracia, e afirma que o tipo mais comum e conhecido seria
o governo do povo, “de acordo com a preferência popular”. Mais adiante, o
autor nos apresenta os modelos majoritário e consensual de democracia. O
primeiro pauta-se no poder concentrado em uma pequena maioria, sendo
combativo, exclusivo e competitivo. Já o segundo é baseado na dispersão e
compartilhamento do poder, tendo como características a abrangência,
concessão e negociação.
Depois de discorrer sobre tais modelos, o cientista político expõe
algumas diferenças relativas aos dispositivos da democracia, sendo que no
campo executivo-partidário (composto por sistemas partidários eleitorais, pelo
Poder Executivo e por grupos de interesse) se encontram cinco dessas
diferenças: concentração do Poder Executivo em gabinetes monopartidários de
maioria em contra partida da distribuição do Poder Executivo em amplas
coalizões multipartidárias; relações equilibradas entre Legislativo e Executivo
em oposição a relações dominantes do Executivo; sistemas bipartidários contra
sistemas multipartidários; sistemas eleitorais majoritários e desproporcionais
versus sistemas de representação proporcionais; sistemas de grupos de
interesse pluralista, com livre concorrência contra sistemas corporativistas, que
visam o compromisso e a formação de pactos de coalizão.
No campo federal-unitário (contraste entre o federalismo e o governo
unitário) essas diferenças são: um sistema de governo unitário e centralizado
contra um sistema federal e descentralizado; divisão do Poder Legislativo
contra a sua concentração; constituições facilmente emendadas versus
constituições rígidas; bancos centrais dependentes do Executivo contra bancos
independentes; sistemas em que as legislaturas têm a palavra final sobre a
constitucionalidade da legislação contra sistemas nos quais as leis estão
sujeitas à revisão judicial de sua constitucionalidade.
Lijphart também discorre sobre o federalismo, afirmando que esse
modelo pauta-se na divisão de poder, forte bicameralismo, constituição rígida e
revisões judiciais rigorosas. No decorrer do texto, o autor também discute sobre
as democracias-majoritárias. Casos puros de tais democracias são muito raros,
porém suas características são: concentração do poder executivo em gabinetes
de coalizão, unipartidários e de maioria mínima; gabinete dominante em
relação à legislatura; sistema bipartidário; sistemas de eleições majoritárias e
desproporcionais; pluralismo de grupos de interesse; governo unitário e
centralizado; concentração do poder legislativo numa legislatura unicameral;
flexibilidade constitucional; ausência de revisão judicial; banco central
controlado pelo Executivo.
Outro modelo de democracia abordado no texto é o modelo consensual
de democracia, cujas características são: partilha do Poder Executivo por meio
de gabinetes de ampla coalizão; equilíbrio de poder entre o Legislativo e o
Executivo; sistema multipartidário; representação proporcional; corporativismo
dos grupos de interesse; governo federal e descentralizado; forte
bicameralismo; rigidez constitucional; revisão constitucional; independência do
banco central.
Citando Dahl, o autor explora os critérios de democracia. No livro
“Poliarquia”, tais critérios são: direito ao voto; direito a ser eleito; direito dos
líderes políticos competirem por apoio e votos; eleições livres e honestas;
liberdade de reunião; liberdade de expressão; fontes alternativas de
informação; instituições capazes de fazer com que as medidas do governo
dependam do voto e de outras manifestações da vontade popular.
Considerando a suposta relação entre tamanho e heterogeneidade,
Lijaphart comenta que em países maiores (portanto mais heterogêneos) o
modelo mais apropriado de democracia seria o modelo consensual. Já nos
países menores (mais homogêneos) o mais adequado seria o modelo
federalista.