ATIVIDADE 3

Em relação ao texto de Alcir de Souza Caria Projeto Político-Pedagógico, quais os
argumentos do autor para afirmar sobre a crise de sentido e de método em relação
ao PPP?
O autor Alcir de Souza Caria (2011) apresenta alguns fundamentos
referenciados em GADOTTI (1998), SEVERINO (1998) e AZANHA (2002) com relação
aos sentidos conceituais concernentes ao Projeto Político-Pedagógico, PPP. Explicita,
ainda, alternativas metodológicas defendidas por PADILHA (2007), VASCONCELOS
(2002) E VEIGA (1996). Por fim, expõe uma pesquisa de estudo de casos e relatos de
vivências de profissionais da educação de determinada rede de ensino.
Abre sua exposição com uma crítica à categorização da escola como sujeito do
seu próprio PPP, não para negá-la, antes sim com o intuito de problematizá-la. Na
busca por definir conceitos acerca do PPP instala-se uma disputa para definir sentidos,
contudo a ideia do projeto como instrumento fundamental para a escola segue
hegemônica.
Nesse sentido, CARIA propõe compreender o que denomina de crise de sentido
e método em relação ao PPP. Subjaz nesse processo o risco de que não se alcance,
pelos envolvidos, a compreensão histórico-social da qual a escola participa,
argumenta. O desenvolvimento da educação só será efetivo na medida em que seu
projeto seja pensado histórica e socialmente.
Outro fator em destaque é a necessidade de convergir demandas políticas e
pessoais, implica-se ai a possibilidade do projeto lograr insucesso, tendo em vista a
probabilidade de cair na ideologização de sua prática. Essas preocupações suscita a
defesa da construção do projeto a partir de uma intencionalidade significadora, cuja
prática ao mesmo tempo legitima e significa o trabalho coletivo; porém realidades
adversas à explicitação de tal intencionalidade não corrobora para assunção de seu
caráter coletivo, democrático e participativo.
À luz dos pressupostos de GADOTTI (1998), para quem o PPP é uma grande
oportunidade de intervenção social, por sua natureza inovadora que busca estabelecer
novas práticas, enfrentará quase sempre generalizada descrença em face da crença de
certos grupos em pensar só ser possível transformação social da vontade política,
entendida nesta abordagem, como grupo detentor do poder, ideia esta rebatida pelo
autor, cujo destaque imprime na resistência possível de emergir nas minorias. Assim,
fundamentado nesta concepção, o autor reitera a possibilidade de intervenção social
que emana do Projeto Político-Pedagógico. Isso posto, considera a prática pedagógica
e sua respectiva dimensão política como faces indissociáveis. Estabelecida em terreno
coletivo essas práticas instauram uma nova ordem de poder, mais democrática,
participativa e diversificada. Diante dessa perspectiva o projeto constitui-se um
desafio, pois este autor considera que a pouca experiência democrática, a visão
tecnicista na qual o povo é incapaz de tomar parte no governo ou participar do
planejamento coletivo, as estruturas de poder hierarquizadas, a perpetuação de
determinadas lideranças na área educacional são motivos passíveis de dificultar ou
limitar a instauração do processo de planejamento. Para este autor a gestão
democrática e a autonomia da comunidade escolar apresentam-se como fator
determinante na constituição do PPP, mas é preciso superar a visão de escola como
aparelho burocrático do Estado, pois ela é na realidade uma conquista da comunidade.
Para AZANHA (1998) o PPP empreende a integração das práticas e relações no
interior da escola, torna possível a conscientização acerca dos problemas, assim como
sua superação, além de atribuir responsabilidades individuais e coletivas. Em relação
às intervenções externas ele é instrumento importante na afirmação da autonomia
escolar se legitimado pela construção coletiva, mas o autor salienta dificuldades para
viabilizar o PPP, pois não há uma cultura favorecedora da discussão e análise crítica
acerca do enfrentamento dos problemas concernentes à educação.
Assim conclui que o PPP revela as disputas ideológicas em torno de suas
concepções: defesa da escola pública de qualidade para todos, com autonomia de gerir
seu projeto, de um lado; de outro, num viés neoliberal, defesa de submissão à lógica
de mercado com um mínimo de privatização da educação brasileira.
Esta crise da qual trata CARIA abrange não somente o âmbito das concepções
teóricas, mas também sua construção nas redes e sistema de ensino e escolas por eles
abarcadas. Para a defesa desta proposição o autor apresenta pesquisa de opinião
realizada com gestores que envolveram três grupos de questões, a saber: funções
sociais da escola e seu PPP, construção e desdobramento do PPP na escola e a interface
entre a SE e a unidade escolar. A reflexão que permitiu a pesquisa acerca da relação da
escola com seu projeto confirma a tese de que as escolas e os sistemas de ensino
explicitam concepções e dificuldades com relação ao método e implementação do
Projeto Político-Pedagógico.