Doença causadora de transtornos reprodutivos nos bovinos doenças

importantes e

Complexas que atingem aos homens e aos animais, causadas por membros
patogênicos do gênero Leptospira. Podem se manifestar de forma aguda
(hipertermia, hemorragias, hemoglobinuria e icterícia) ou crônica (rebanhos
acometidos podem apresentar baixa eficiência reprodutiva, com problemas de
repetição de cio, aborto, mumificação fetal, natimortos e nascimentos de crias
debilitadas, além de uma menor produção de leite e mamites hemorrágicas)
levando a perdas econômicas. Em bovinos os quadros agudos são raros, e
quando ocorrem geralmente acometem animais jovens

Os bovinos são hospedeiros naturais para o sorovar hardjo e, em
conseqüência disto, as infecções por este agente caracterizam-se por: baixa
patogenicidade, produzindo doença crônica que, geralmente, afeta a
reprodução alta prevalência; resposta imunológica baixa, com baixos níveis de
anticorpos e persistência do agente no rim do hospedeiro, causando
leptospirúria por períodos de 10-180 dias

Contudo, os sorovares que, além da hardjo, causam infecção com certa
freqüência nos bovinos são a wolffi e pomona

Bovinos de ambos os sexos são acometidos, entretanto as perdas são mais
significativas em fêmeas; em relação ao manejo empregado, rebanhos leiteiros
são mais susceptíveis à presença de animais infectados

Epidemiologicamente, a leptospirose no meio urbano está relacionada às
enchentes, onde os ratos de esgoto (Rattus norvegicus) são apontados como
principais transmissores da doença para o homem, uma vez que serve como
reservatório do agente por períodos prolongados, eliminando-o em grandes
quantidades. No meio rural, o rato também assume posição de destaque
servindo como fontes de infecção à criação e ao próprio homem, contudo, na
doença dos bovinos estes são os principais reservatórios, servindo como fonte
de infecção para os demais da criação, bem como para o homem

A transmissão da leptospira pode ocorrer pelo contato da urina ou órgãos
de animais portadores lesada direto com a pele, mucosa oral e conjuntival. A
via respiratória torna-se importante para o rebanho pela proximidade dos
animais, por meio de gotículas contaminadas, como a urina e o leite.

As leptospiras penetram ativamente no organismo dos hospedeiros
ganhando a corrente circulatória. Decorrido um período de incubação de dois a
20 dias, segundo a dose e a variante infectante, inicia-se a fase de
multiplicação sistêmica dos microorganismos, denominada de leptospiremia, na
qual verifica-se: hipertermia, hemorragias e hemoglobinúria.

Na forma aguda, ocorre, sinais de febre,
hemoglobinúria, icterícia, anorexia, aborto e queda na produção do leite devido
a
uma mastite atípica, com o úbere podendo apresentar-se edematoso e flácido
à
palpação, com o leite apresentando-se amarelado ou sanguinolento, sinais
clássicos da infecção pela sorovariedade hardjo. A forma sub-aguda, difere da
aguda só em grau, são também descritas diminuição na produção do leite,
febre,
leve icterícia e diminuição da ruminação. Na forma crônica, as alterações estão
restritas à esfera reprodutivas, mais associadas aos sorovares hardjo e
pomona,
culminando em abortos, geralmente no terço final de gestação, retenção de
placenta, infertilidade, natimortos e morte fetal

O tratamento de bezerros e bovinos adultos com a forma aguda da doença,
pode ser realizado com a administração de estreptomicina ou
dihidroestreptomicina na dose de 12 mg/Kg, três vezes ao dia, durante três dias
por via intra muscular ou oxitetraciclina tambem é eficaz. Entretanto, devido ao
rápido curso clinico da doença, principalmente em animais jovens, a eficiência
deste tratamento é limitada (Riet-Correa et al. 2001). Leite (2000) cita que o
tratamento da leptospirose bovina é muito oneroso, pois necessita de 50 mg/Kg
de estreptomicina para que se obtenha uma boa eficiência. Portanto este
procedimento deve-se restringir para animais com sintomatologia clinica e de
grande valor zootécnico.

O controle da leptospirose bovina apóia-se na aplicação integrada de
ações nos diversos elos da cadeia de transmissão do agente: Fontes de
infecção
(diagnóstico e tratamento); Vias de transmissão (eliminação do excesso de
água
livre, higiene das instalações e equipamentos, uso de inseminação artificial);
Susceptíveis (Imunoprofilaxia).
Sua erradicação é praticamente impossível, contudo pode-se manter a
enfermidade sob controle através de vacinações (Leite, 2000), que devem ser
realizadas a cada seis meses em todos os animais do rebanho com idade
acima de três meses. É importante que as vacinas contenham as
sorovariedades mais
prevalentes na região. A vacinação e a realização de testes sorológicos
regulares
para a verificação de novas infecções, geralmente são medidas profiláticas
eficazes no controle de novos surtos da doença



O antibiótico mais frequentemente utilizado no tratamento da
leptospirose é a estreptomicina