1

Texto 2 - Aulas 06, 07 e 08
TIPOS DE PESQUISAS
Fazer pesquisa não signifca adotar um roteiro pré-estabelecido, com o
passo a passo que se deve seguir. O pesquisador tem liberdade para
conduzir sua pesquisa da forma que considerar mais adequada. Por isso, são
vrios os tipos de pesquisa. !elecionamos aqui os tipos mais comuns e os
classifcamos segundo sua aplicabilidade, o ambiente onde são realizados, a
quantidade de casos analisados, os ob"etivos e forma de coleta dos dados#
Quanto à sua aplicaili!a!e
Pesquisa Pura# tem como ob"etivo principal gerar con$ecimentos novos que
são %teis para a ci&ncia, mas sem aplica'ão prtica. Orienta-se somente
pela busca do saber.
Pesquisa Aplicada# busca solu'(es para problemas concretos e imediatos,
gerando con$ecimentos para aplica'ão prtica.
Quanto ao a"iente on!e s#o $eali%a!as as pes&uisas
Pesquisa Teórica# é realizada por meio de consulta a te)tos " publicados
*livros, artigos, revistas, "ornais+. , importante ressaltar que todas as
pesquisas necessitam de pesquisa bibliogrfca, mas em alguns casos, a
consulta a te)tos escritos é a %nica fonte de informa'ão da investiga'ão.
-ambém é importante acrescentar que nesse tipo de pesquisa não basta
apenas coletar e resumir alguns artigos relevantes# é preciso organizar,
analisar, discordar, acrescentar e comparar a literatura.
Pesquisa Experimental' nesse tipo de pesquisa são realizadas
e)peri&ncias em que fen.menos da realidade são repetidos de forma
controlada, para desvendar os fatores que os produzem ou que são
produzidos por eles. -ais e)perimentos são feitos com um n%mero reduzido
de casos e os resultados obtidos são generalizados para o universo inteiro
do fen.meno.
Pesquisa de campo: o pesquisador observa os fatos tal como ocorrem na
realidade. Para tanto, ele vai aos locais onde ocorrem os fen.menos e coleta
seus dados.
Quanto à &uanti!a!e !e casos analisa!os
Estudo de Caso# investiga'ão de um %nico caso que deve ser analisado de
forma e)austiva.
Comparação: dois ou mais casos são selecionados para que se"am
observadas semel$an'as, diferen'as e as poss/veis rela'(es entre eles.
Pesquisa levantamento: nessa pesquisa, também c$amada de survey, as
pessoas são diretamente interrogadas para que se con$e'a o
comportamento delas. 0uando todas as pessoas são investigadas, temos
um censo. 1o entanto, pela difculdade de realiza'ão de censos, geralmente
seleciona-se uma amostra signifcativa de indiv/duos - com base em clculos
estat/sticos - para a obten'ão das informa'(es dese"adas.
Quanto aos o(eti)os
Pesquisa Exploratória# apresenta quantidade considervel de informa'ão
sobre um fen.meno ainda pouco con$ecido. , a primeira apro)ima'ão com
o tema, por isso geralmente é feita por meio de 2evantamentos
bibliogrfcos3 4ntrevistas com profssionais da rea3 5isitas 6 institui'(es3
Pesquisa em 7eb sites.
8esponde a questão# 9:omo;<
=
Pesquisa Descritiva# concentra-se na descri'ão dos fen.menos do mesmo
modo como são observados pelo pesquisador. Procura descobrir a
freq>&ncia com que o fen.meno ocorre, sua natureza, suas caracter/sticas,
sua rela'ão com outros fen.menos. , realizada por meio da observa'ão
sistemtica e não participante com o uso de técnicas padronizadas de
coleta de dados *questionrio e observa'ão sistemtica+.
8esponde as quest(es# 9O qu& ;<3 90uais;<
Pesquisa Explicativa# tem como ob"etivo esclarecer os fatores que
contribuem para a ocorr&ncia de um fen.meno, ou se"a, e)plicar o porqu&
de uma realidade. Formula generaliza'(es, defne leis, relaciona $ip?teses
e)istentes e gerar novas via dedu'ão. 4)igem maior investimento na
s/ntese, teoriza'ão e re@e)ão sobre o ob"eto.
8esponde a questão# 9Por qu&;<
Quanto à *o$"a !e coleta !os !a!os
Pesquisa Quantitativa: trabal$a com dados quantifcveis, ou se"a,
e)pressa informa'(es e opini(es em n%meros. Para tanto, utiliza a
estat/stica.
Pesquisa Qualitativa: capta o modo como indiv/duos ou grupos veem e
entendem o mundo ou uma parte espec/fca dele, e como constroem
signifcado e con$ecimento. A qualidade traz a sub"etividade dos ob"etos 6
tona.
Bm tipo de pesquisa não e)clui o outro. Ou se"a, voc& pode realizar uma
pesquisa aplicada, em que coletar dados sobre um %nico caso diretamente
no local em que ocorre, por meio de técnicas qualitativas com o ob"etivo de
propor solu'(es para um problema social. Ademais, dentro da mesma
classifca'ão é poss/vel adotar mais de um tipo de pesquisa. Por e)emplo,
uma pesquisa pura de campo, com o ob"etivo de descrever e propor
solu'(es para um problema, e que ter os dados coletados por meio de
técnicas quantitativas e qualitativas.
Qua!$o +- Tipos !e pes&uisa
Quanto à sua aplicaili!a!e
Pura Aplicada
Quanto ao a"iente on!e s#o $eali%a!as
Teórica Pesquisa de campo Experimental
Quanto à a$an,-ncia
Estudo de
Caso
Comparação
Pesquisa
levantamento
Quanto aos seus o(eti)os
Exploratória Descritiva Explicativa
Quanto à *o$"a !e coleta !os !a!os
Quantitativa Qualitativa
.onte' elao$a/#o !a auto$a
C
TE0A' -écnicas de coleta de dados quantitativos
AP1ESE2TA34O
4)istem in%meras técnicas para a coleta de dados. De forma geral, essas
técnicas geram dados quantitativos e qualitativos, sendo que a diferen'a
entre ambos é que, enquanto os dados qualitativos destacam porque os
indiv/duos pensam sobre um tema, as informa'(es quantitativas ressaltam
quantos indiv/duos pensam da mesma forma.
56O7O +' 7A1A7TE18STI7AS DA PESQUISA QUA2TITATI9A
A pesquisa quantitativa, como o nome " diz, avalia quantidade, por isso
envolve n%meros e utiliza técnicas estat/sticas. 4la é aplicada nos estudos
descritivos que buscam medir frequ&ncias gerais *quantas pessoas t&m
determinadas caracter/sticas, opini(es ou comportamentos+, e também nos
estudos e)plicativos que estabelecem correla'(es entre variveis. 2ogo, a
pesquisa quantitativa é usada para medir algo e)pl/cito e o pesquisador
defne de antemão o que deve ser perguntado. Por isso geralmente são
utilizados instrumentos estruturados como os questionrios.
1as pesquisas descritivas, a frequ&ncia das respostas aos questionrios é
quantifcada e apresentada por meio de porcentagens em tabelas ou
grfcos. E nas pesquisas destinadas a e)plicar um fen.meno, são
aplicados testes estat/sticos que verifcam a correla'ão de variveis. Os
testes estat/sticos também possibilitam verifcar em que medida as
conclus(es de uma pesquisa podem ser estendidas a todo o universo do
fen.meno. Por isso os relat?rios de pesquisas quantitativas cont&m muitos
clculos e anlises estat/sticas, e geralmente apresentam testes de teorias.
Alis, a coleta e anlise de dados quantitativos e)igem algum con$ecimento
em estat/stica ou o au)/lio de um estat/stico.
Para possibilitar anlises estat/sticas confveis, os ob"etos de
investiga'ão das pesquisas quantitativas devem fazer parte de amostras
probabil/sticas, representativas de um universo. Dessa forma, é poss/vel
generalizar os resultados a todo o universo do fen.meno.
As pesquisas quantitativas que captam caracter/sticas, a'(es ou opini(es
de determinado grupo de pessoas, representante de uma popula'ão alvo,
são c$amadas de pesquisas levantamento ou survey. Bm tipo espec/fco é o
survey de painel, em que dados de um mesmo tipo são coletados e
analisados ao longo de um per/odo. , comum vermos esse tipo de pesquisa
em época de elei'(es, " que por meio delas é poss/vel perceber as
prefer&ncias do eleitorado a partir de uma amostragem da popula'ão.
A confec'ão de pesquisas quantitativas na rea social tem in@u&ncia do
Positivismo, nome que se d a corrente flos?fca iniciada pelo pensador
F
franc&s Auguste :omte *1GHI -1IJG+, e famosa pelos escritos do soci?logo,
também franc&s, ,mile DurK$eim *1IJI L 1H1G+. 4m lin$as gerais, o
Positivismo defende a apro)ima'ão entre as ci&ncias naturais e sociais, ou
se"a, para essa corrente as ci&ncias sociais devem estudar e analisar a
realidade social da mesma forma que as ci&ncias naturais *biologia,
botMnica, zoologia, f/sica, qu/mica+ analisam seus fen.menos. Por meio
dessa apro)ima'ão, esperava-se que as ci&ncias sociais descobrissem
teorias gerais que e)plicassem o funcionamento das sociedades, assim
como fazem as ci&ncias naturais L principalmente a f/sica e a biologia L no
seu campo de atua'ão.
Além disso, para os positivistas a sociedade s? poderia ser con$ecida por
meio da observa'ão e e)perimenta'ão, da mesma forma como são
con$ecidos os fen.menos das ci&ncias naturais. Dessa forma, a pesquisa
social formularia e)plica'(es desprovidas de opini(es pessoais do
pesquisador. 1esse sentido, a e)plica'ão da realidade por meio de n%meros
afastaria a sub"etividade do pesquisador e, assim, a pesquisa social
alcan'aria o status de investiga'ão cient/fca. 2ogo, a rela'ão entre
pesquisador e os ob"etos de investiga'ão deve ser distante, para que a
sub"etividade do primeiro não in@uencie as anlises. , por isso que as
pesquisas quantitativas procuram a verifca'ão da realidade por meio de
dados estat/sticos. Ademais, as pesquisas quantitativas, ainda que na rea
social, partem de uma $ip?tese e observam a realidade para confrmar ou
re"eitar a $ip?tese, assim como o fazem as pesquisas nas reas e)atas e
biol?gicas.
Para mel$or compreensão, utilizamos como e)emplo uma famosa
pesquisa que utiliza dados quantitativos para a e)plica'ão de um fen.meno
social. 4la foi realizada pelo soci?logo franc&s ,mile DurK$eim e est
e)posta na obra 9O !uic/dio<, publicada em 1IHG. 1a pesquisa, o citado
autor partiu da $ip?tese de que as causas do suic/dio eram de natureza
social. Para comprovar tal $ip?tese, analisou registros de suic/dios nos
pa/ses europeus considerando diversas variveis ligadas ao fen.meno *tais
como clima, ra'a, doen'as mentais, estado civil, religião etc.+. Ap?s a
anlise dos dados, o soci?logo concluiu que o suic/dio est relacionado com
a quebra dos la'os de solidariedade entre os indiv/duos.
56O7O 2' O QUE S4O 9A1I:9EIS;
Alguns tipos de pesquisas verifcam se $ rela'(es entre informa'(es,
como profssão e renda, por e)emplo, com o intuito de e)plicar e comprovar
uma observa'ão *como o fato de que profssionais da rea médica gan$am,
em geral, mais do que educadores+. Para tanto, pesquisadores utilizam
clculos estat/sticos que 9cruzam< dados *como a renda dos indiv/duos
pesquisados e a profssão dos mesmos+. Por meio desses testes estat/sticos
é poss/vel constatar se $ rela'ão entre dados - no caso do e)emplo citado,
é poss/vel provar que pessoas de determinada profssão gan$am mais do
que outras. 4sses dados que a"udam a e)plicar uma questão são c$amados
de variveis.
9Bma varivel pode ser considerada como uma classifca'ão ou medida<
*NA8:O1O e 2APA-O!, =Q1Q, p. 1=1+, ou se"a, trata-se de um conceito
operacional que apresenta valores pass/veis de mensura'ão. 1outras
palavras, variveis são propriedades que se modifcam e, portanto, são
passiveis de observa'ão e quantifca'ão, sendo que elas podem ser medidas
por sua quantidade, qualidade eRou caracter/sticas tais como# renda, idade,
opinião sobre algo etc.
J
0uando um elemento pass/vel de ser mensurado é estudado em uma
pesquisa, ele é c$amado de varivel dependente, pois depende de outras
para ocorrer. E as variveis que interferem em um fen.meno, são c$amadas
de variveis independentes. 2ogo, a varivel independente precede e
interfere na varivel dependente. Para entendermos mel$or essa questão,
ve"amos mais detal$adamente#
• 5arivel dependente *+# é o elemento analisado e e)plicado pela
pesquisa a partir da in@u&ncia que sofre de outras variveis. 1outras
palavras, é o fator que é afetado pela varivel independente.
• 5arivel independente *!+# é a varivel que in@uencia, determina ou
afeta outra varivel. -rata-se de uma condi'ão, ou a causa, que tem um
efeito ou consequ&ncia em um fen.meno.
!upon$amos, por e)emplo, que um pesquisador queira estudar opini(es a
respeito da pena de morte. -rata-se de uma categoria que varia segundo os
entrevistados e pode ser mensurada *em contra, a favor ou indiferente+.
Nas o que leva os indiv/duos a formarem tal opinião; !upon$amos, ainda,
que tais opini(es se"am in@uenciadas por outros elementos como renda,
religião ou idade. 1esse caso, c$amamos as opini(es sobre pena de morte
de varivel dependente, e os elementos que podem interferir nessa questão
de varivel independente.
5ale ressaltar que a determina'ão do que é considerada varivel
dependente ou independente é feita pelo pesquisador a partir do que ele
dese"a e)plicar. 4, caso a pesquisa mude o foco, uma varivel dependente
pode ser a varivel independente em outra pesquisa. Por e)emplo, caso o
pesquisador queira saber quais elementos in@uenciam as opini(es sobre
pena de morte, essas opini(es serão sua varivel dependente. Nas, caso ele
queria saber se a opinião sobre pena de morte in@uencia o grau de viol&ncia
de pessoas envolvidas em casos de linc$amentos p%blicos, a opinião sobre
pena de morte ser a varivel independente, e o grau de viol&ncia ser a
varivel dependente.
Por meio de testes estat/sticos é poss/vel saber quais variveis
independentes t&m rela'ão com determinada varivel dependente. Por isso,
ao empreender anlises quantitativas do tipo e)plicativa, o pesquisador
deve estar ciente do que vai pesquisar *sua varivel dependente+ e quais
são os elementos que interferem no fen.meno estudado *as variveis
independentes+. 4ssa nomenclatura é importante para a realiza'ão de
testes estat/sticos.
56O7O <' A ES7O6=A DOS O5>ETOS DE I29ESTI?A34O 2AS
PESQUISAS QUA2TITATI9AS
Para a realiza'ão da pesquisa, é necessrio escol$er os ob"etos de
investiga'ão, ou se"a, as pessoas, institui'(es ou situa'(es que serão
investigadas para que o pesquisador responda o problema da pesquisa.
1as pesquisas de natureza quantitativa $ uma forte preocupa'ão com a
precisão dos resultados fnais, dado que os mesmos serão generalizados
para o universo do fen.meno. Ou se"a, os resultados da pesquisa devem
ser um re@e)o do universo total do fen.meno pesquisado. Por isso os
ob"etos investigados comp(em uma amostra probabil/stica, defnida por
meio de procedimentos estat/sticos, onde todos os indiv/duos da popula'ão
possuem as mesmas c$ances de serem escol$idos. Por e)emplo, caso um
pesquisador queira saber a opinião da popula'ão acerca da pena de morte,
ele não precisa entrevistar os mais de 1H= mil$(es de brasileiros. , poss/vel
selecionar uma amostra representativa da opinião da popula'ão total, com
base em clculos estat/sticos.
S
1essa sele'ão é necessria a aplica'ão de f?rmulas que consideram o
erro amostral dese"ado, o grau de confan'a e o universo do fen.meno
*também c$amado de universo dos dados ou de popula'ão do fen.meno, ou
se"a, o con"unto total dos elementos que apresentam determinada
caracter/stica+.
!ão vrios os tipos de amostras probabil/sticas, que devem ser escol$idas
segundo critérios defnidos pelo pesquisador ao considerar seus ob"etivos,
capacidades e limites. Apresentamos a seguir algumas delas#
• Amostragem aleat?ria simples# trata-se do modo mais fcil e bsico
de sele'ão de uma amostra probabil/stica, bastando sortear um
elemento da popula'ão.
• Amostragem estratifcada# são elaborados subgrupos de uma
popula'ão, segundo critérios como se)o, idade ou renda, e depois
seleciona-se uma amostra aleat?ria de cada subgupo.
• Amostragem por conglomerado# divide-se a popula'ão em diferentes
conglomerados *grupos+ e seleciona-se uma amostra somente de
alguns deles, e não de toda a popula'ão. , indicada quando a
identifca'ão de todos os elementos de um universo é difcil. 1a
prtica, é comum a sele'ão de conglomerados segundo critérios
geogrfcos, ou se"a, são escol$idas aleatoriamente algumas regi(es
e, dentro delas, algumas casas.
:aso o universo do fen.meno não se"a tão grande, ou a pesquisa se"a de
grande porte, ainda é poss/vel a realiza'ão de um censo, onde todos os
indiv/duos de um con"unto serão pesquisados.
56O7O @' P1O7EDI0E2TOS DE 7O6ETA DE DADOS QUA2TITATI9OS
Os dados de uma pesquisa quantitativa geralmente são coletados por
meio de questionrios, de modo a facilitar o trabal$o do pesquisador, isso
porque ele é 9T...U um instrumento de coleta de dados, constitu/do por uma
série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito e sem
a presen'a do entrevistador.< *NA8:O1O e 2APA-O!, =Q1Q, p.1IF+
Os questionrios podem ser aplicados de diversas formas# por carta, e"
mail ou ainda por meio de programas de computador, que devem ser
acessados pelos entrevistados. 2ogo, eles são auto-administrados. 1o
entanto, algumas vezes os questionrios são aplicados por um entrevistador
e, nesses casos, eles são c$amados de formulrios.
Btilizando tal instrumento é poss/vel medir a frequ&ncia de
caracter/sticas, opini(es e atitudes de um grupo, tais como# n/vel de
escolaridade, prefer&ncia pol/tica e esportes praticados, pois as mesmas
perguntas são respondidas por um n%mero signifcativo de indiv/duos.
-al instrumento tem como vantagem possibilitar a investiga'ão de um
grande n%mero de pessoas, garantindo o anonimato das mesmas, além do
que, os entrevistados não são in@uenciados pelo pesquisador. :ontudo, os
questionrios e)cluem os analfabetos da pesquisa e impedem que o
pesquisador esclare'a d%vidas dos entrevistados. Ademais, muitas
perguntas e questionrios não são respondidos ou são assinalados de forma
inapropriada.
Os questionrios cont&m principalmente perguntas com alternativas de
repostas " determinadas, embora também possam, por vezes, incluir
perguntas de livre resposta pelo entrevistado. 4specifcamente, as
perguntas de um questionrio são classifcadas como 9fec$adas<, 9abertas<
e de 9m%ltipla escol$a<, sendo que cada uma dessas classifca'(es possui
suas peculiaridades#
G
• Perguntas fec$adas *ou dicot.micas+# o entrevistado deve responder
9sim< ou 9não<.
• Perguntas abertas *ou livres+# permitem ao informante responder
livremente, segundo suas opini(es pessoais. 4sse tipo de pergunta
possibilita investiga'(es mais profundas, porém, é rdua a tarefa de
agrupar e analisar as respostas.
• Perguntas de m%ltipla escol$a# são disponibilizadas diversas
alternativas, cu"as respostas " estão prontas, facilitando assim o
trabal$o de tabula'ão.
4m muitos casos, o ideal é unir na mesma questão perguntas abertas e
fec$adas. Por e)emplo, se queremos saber uma opinião sobre determinado
assunto, podemos apresentar alternativas fec$adas e acrescentar a op'ão
9outros< de forma aberta, para que se"am captadas respostas não
contempladas pelas alternativas da questão.
!eguem abai)o algumas dicas para a elabora'ão de questionrios#
• Devem ser solicitadas somente informa'(es necessrias para a
pesquisa e que não podem ser obtidas por outros meios. Dessa forma,
evita-se a confec'ão de questionrios longos e com quest(es
dispensveis.
• Os questionrios devem ter perguntas claras para garantir a
uniformidade de entendimento das quest(es pelos entrevistados.
• As perguntas devem ser de fcil compreensão e curtas, na medida do
poss/vel, para que o entrevistado não ten$a difculdades de
entendimento ou de aten'ão ao responder o questionrio.
• Procure usar um vocabulrio preciso e ob"etivo, para perguntar o que
realmente se dese"a saber, evitando o uso de palavras confusas e
termos técnicos descon$ecidos pelos pesquisados.
• As alternativas de respostas devem ser e)austivas, ou se"a, devem
incluir todas as possibilidades de repostas esperadas.
• As alternativas devem ser e)cludentes, isto é, elas não devem ter
signifcados semel$antes para que o entrevistado não fque em d%vida
sobre qual deve responder.
• As respostas não devem estar inclusas nas perguntas, pois o que se
espera do entrevistado não pode ser indicado no enunciado da
pergunta, evitando assim que a resposta se"a orientada.
• Deve se evitar a formula'ão de duas perguntas em uma.
• As quest(es devem admitir somente uma resposta, caso se"a esse o
ob"etivo da pesquisa. 1outras palavras, se o pesquisador não quiser
que uma pergunta se"a respondida por meio de vrias alternativas, não
pode confeccionar repostas que se"am todas corretas na visão do
entrevistado. 1o entanto, caso se"a o ob"etivo do pesquisador que o
entrevistado assinale vrias repostas, deve indicar essa orienta'ão no
enunciado da mesma.
• 0uando $ouver perguntas abertas, o pesquisador deve direcion-las
para que os entrevistados respondam de forma curta e ob"etiva, caso
contrrio, ter difculdades na anlise das mesmas.
• O questionrio não deve ser longo, o ideal é que não ultrapasse trinta
perguntas e não demore mais do que trinta minutos para ser
respondido.
• 0uanto 6 ordem das perguntas, é recomendvel que se comece pelas
mais gerais seguidas das mais espec/fcas, alternando entre quest(es
pessoais e impessoais.
I
• 8ecomenda-se que se"a realizado um pré-teste do questionrio para
que se observe suas fal$as. O pré-teste deve ser realizado com um
universo de pessoas semel$antes as que serão entrevistadas na
pesquisa. Depois deve-se entrevistar essas pessoas, para que elas
comentem as difculdades que tiveram ao responder o questionrio.
Por fm, "unto ao questionrio deve ser enviada uma carta, ou nota,
e)plicando a natureza e a importMncia da pesquisa. -ambém é aconsel$vel
garantir o sigilo dos dados do entrevistado, caso a pesquisa não necessite
da identifca'ão dos mesmos. O pesquisador deve considerar que nem todos
os questionrios enviados serão respondidos, por isso a necessidade de
uma carta que atraia o interesse do entrevistado.
56O7O A' 7O2SU6TA B 5ASE DE DADOS
Nuitas vezes o pesquisador da rea social e econ.mica não produz seus
pr?prios dados, mas consulta aqueles que foram reunidos por outras
institui'(es porque, dependendo da pergunta que se quer responder com a
pesquisa, é poss/vel consultar esses bancos e partir direito para a anlise
dos dados quantitativos, facilitando o trabal$o do pesquisador.
4)istem diversas institui'(es que coletam informa'(es sociais e
econ.micas a respeito do Vrasil. Algumas institui'(es disponibilizam seus
bancos de dados inclusive pela internet, e de forma gratuita. Abai)o
relacionamos algumas delas, que disponibilizam banco de dados com
informa'(es sobre a realidade social e econ.mica brasileira.
H
O Vanco :entral do Vrasil *VA:41+ *a%
pa$te !o Siste"a .inancei$o 2acional, exe$cen!o a *un/#o !e
auto$i!a!e "onetC$ia !o paDsE 1o site do Vanco encontra-se uma base
de dados com séries atualizadas sobre atividade econ.mica, e)pectativas
de mercado, indicadores de crédito, mercado fnanceiro, mercado de
capitais, setor e)terno, mercado internacional, indicadores monetrios e
fnan'as p%blicas. Para acessar essas informa'(es, consulte o endere'o#
WWW.bcb.gov.br.
O Onstituto Vrasileiro de Xeografa e 4stat/stica *OVX4+ é o
principal provedor de dados e informa'(es do pa/s. 1o site !o OVX4
encont$a"-se indicadores sobre contas nacionais, agropecuria, ind%stria,
comércio e servi'os, /ndice-pre'os, emprego e rendimento, além de
informa'(es geogrfcas, indicadores sociais e censos demogrfcos. 4sses
dados estão dispon/veis no endere'o# FFFEi,eE,o)E$GHo"eG
O Instituto !e Pes&uisa EconI"ica Aplica!a JIPEAK L
u"a *un!a/#o pMlica *e!e$al )incula!a à Sec$eta$ia !e Assuntos
Est$atL,icos !a P$esi!-ncia !a 1epMlicaE O OP4A produz, em con"unto
com outros ?rgãos e institui'(es, pesquisas e dados relacionados 6 rea
econ.mica. 1o site Http'GGFFFEipeaE,o)E$G!e*aultE(sp encontra-se sua
principal base de dados, o Opeadata, com dados macroecon.micos e
fnanceiros sobre popula'ão, emprego, salrio e renda, produ'ão, consumo
e vendas, contas nacionais, fnan'as p%blicas, /ndices de pre'os, "uros,
moedas, balan'o de pagamentos e economia internacional.
O P$o,$a"a !as 2a/Nes Uni!as pa$a o Desen)ol)i"ento
JP2UDK *a% pa$te !a $e!e ,loal !e !esen)ol)i"ento !a
O$,ani%a/#o !as 2a/Nes Uni!as, p$esente e" +66 paDsesE 2o site
encont$a"-se indicadores georreferenciais sobre o pa/s e regi(es. O mais
famoso é o Atlas de Desenvolvimento Yumano no Vrasil, u" anco !e
!a!os elet$Inico co" in*o$"a/Nes so$e o 8n!ice !e
Desen)ol)i"ento =u"ano 0unicipal JID=-0K e +2@ out$os
in!ica!o$es ,eo$$e*e$encia!os !e popula/#o, e!uca/#o, Haita/#o,
lon,e)i!a!e, $en!a, !esi,ual!a!e social e ca$acte$Dsticas *Dsicas !o
te$$itO$ioE Ta"L" HC o Atlas 1acial 5$asilei$o, anco !e !a!os
elet$Inicos &ue $eMne a "ais a"pla sL$ie HistO$ica !e in!ica!o$es
sociais !esa,$e,a!os po$ $a/aGco$, e po!e se$ acessa!o pelo
en!e$e/o' WWW.pnud.org.br
O :ons?rcio de Onforma'(es !ociais *:O!+ é um
sistema de intercMmbio de informa'(es cient/fcas sobre a sociedade
1Q
brasileira. -em como ob"etivo oferecer, gratuitamente, dados qualitativos e
quantitativos resultantes de pesquisas sobre vrios aspectos da vida social.
Para c$ecar essas informa'(es, acesse o endere'o# WWW.cis.org.br
56O7O 6' E27E11A0E2TO
As vantagens e desvantagens da coleta de dados quantitativos devem
ser consideradas pelo pesquisador quando for realizar uma pesquisa. Por um
lado, as pesquisas quantitativas geralmente são consideradas mais
confveis e são mais bem aceitas do que as pesquisas qualitativas. 1o
entanto, para sua realiza'ão é necessrio algum con$ecimento em
estat/stica ou o au)/lio de um profssional da rea.
Pensando nessas difculdades, nesta aula foram abordadas caracter/sticas
e técnicas de coleta de dados comuns nas pesquisas quantitativas. -ambém
foram assinaladas sugest(es sobre como formular questionrios e onde é
poss/vel encontrar banco de dados com informa'(es quantitativas a respeito
da realidade social e econ.mica brasileira.
4speramos que as sugest(es apresentadas au)iliem o pesquisador em
suas investiga'(es, pois ele poder contar prioritariamente com dados
quantitativos, ou com uma mescla desses somados 6 informa'(es
qualitativas.
1E.E1P27IAS
DB8PY4ON, ,. O suicD!io. !ão Paulo# Nartin :laret, =QQI.
XO2, A. 0Lto!os e TLcnicas !e Pes&uisa Social. !ão Paulo# Atlas, =QQH.
YAO8, E. et al. .un!a"entos !e "Lto!os !e pes&uisa e"
a!"inist$a/#oE Porto Alegre# VooKman, =QQJ.
2APA-O!, N.3 NA8:O1O, N. .un!a"entos !a 0eto!olo,ia 7ientDQcaE
!ão Paulo# Atlas, =Q1Q.
TE0A' -écnicas de coleta de dados qualitativos
56O7O +' AP1ESE2TA34O
As técnicas qualitativas se concentram na sub"etividade dos indiv/duos,
compreendida a partir das anlises e interpreta'(es do pesquisador. -ais
técnicas são ideais para pesquisas e)plorat?rias e compreensivas.
1esta aula abordaremos temas referentes 6 pesquisa qualitativa,
primeiramente ressaltando as caracter/sticas desse tipo de pesquisa. 4m
seguida trataremos das principais formas de escol$a dos ob"etos de
investiga'ão nas pesquisas qualitativas, e quais são os procedimentos mais
utilizados para a coleta de dados qualitativos. Por fm, ob"etivando au)iliar o
pesquisador a decidir qual método ser mais efcaz para a sua pesquisa,
11
apresentamos a discussão sobre qual é a mel$or técnica de investiga'ão#
quantitativa ou qualitativa;
56O7O 2' 7A1A7TE18STI7AS DA PESQUISA QUA6ITATI9A
A pesquisa qualitativa avalia qualidades como sentimentos, opini(es e
interpreta'(es, buscando compreender porque os indiv/duos pensam e
agem de certa forma. 4sse modo de fazer pesquisa tem in@u&ncia das
ci&ncias $umanas, em especial dos campos da psicologia e da antropologia.
Por meio da pesquisa qualitativa é poss/vel descrever opini(es detal$adas
acerca de um determinado assunto, ou compreender os motivos que levam
a determinados comportamentos, identifcando dados não-mensurveis de
forma profunda. 2ogo, elas são comuns em pesquisas e)plorat?rias *focadas
na descri'ão+, e compreensivas *que ob"etivam compreender o sentido de
pensamentos e a'(es+.
-al tipo de pesquisa geralmente investiga os fen.menos no seu ambiente
natural, pois parte do princ/pio de que um fen.meno é mel$or
compreendido no conte)to em que faz parte, por isso tais pesquisas
e)plicam, de forma aprofundada, os conte)tos em que seus ob"etos de
pesquisa estão inseridos. 1essas pesquisas, o investigador tem contato
pr?)imo com o investigado, desvendando assim informa'(es impl/citas.
E que captam particularidades e e)plica'(es aprofundadas, as pesquisas
qualitativas selecionam para a investiga'ão apenas um ou poucos casos,
sem a inten'ão de generalizar tais resultados para o universo do fen.meno,
sendo que o critério para a escol$a dos ob"etos de investiga'ão é
intencional. A coleta de dados qualitativos é feita principalmente com uso
das seguintes técnicas# entrevista, $ist?ria de vida, grupo focal, observa'ão
e anlise de documentos, técnicas essas capazes de trazerem a
sub"etividade dos su"eitos pesquisados 6 tona.
Por revelarem interpreta'(es sub"etivas dos indiv/duos, as pesquisas
qualitativas são utilizadas quando o pesquisador dese"a saber a forma como
os indiv/duos interpretam uma questão de forma impl/cita. Assim sendo, não
são usadas para medir quantas pessoas pensam da mesma forma. 1esse
%ltimo caso, o ideal são técnicas quantitativas.
Ademais, nas pesquisas qualitativas não $ camin$os de coleta e anlise
dos dados estruturados como nas pesquisas quantitativas# o pesquisador é
livre para usar sua imagina'ão e elaborar seus pr?prios camin$os. Alis, 6s
vezes as pesquisas qualitativas nem são guiadas por ob"etivos, perguntas e
$ip?teses, mas por observa'(es e relatos dos indiv/duos e institui'(es que
se dese"am con$ecer. 1esse sentido, o pesquisador pode descobrir em
campo as quest(es e e)plica'(es para determinada realidade. Por fm,
diferentemente das pesquisas quantitativas, nas qualitativas os dados não
são apenas coletados, mas são resultados da interpreta'ão do pesquisador,
responsvel por compreender aspectos sub"etivos dos indiv/duos. Por isso, o
relat?rio de pesquisas qualitativas tem carter narrativo, e não estat/stico,
como no caso das pesquisas quantitativas.
Bm e)emplo famoso de pesquisa na rea social que conseguiu
compreender os motivos que levam a determinadas a'(es, é o estudo do
soci?logo alemão Na) 7eber, intitulado 9A ,tica Protestante e o 4sp/rito do
:apitalismo< *1HQF+, em que o autor demonstra a in@u&ncia que a religião
protestante e)erceu no surgimento do modo de produ'ão capitalista. Para
essa interpreta'ão, primeiramente, com base em dados estat/sticos da
sociedade americana, 7eber constata que os l/deres do mundo dos neg?cios
naquele pa/s eram, em sua maioria, adeptos da religião protestante. Para
compreender esse fen.meno, o autor analisou te)tos sagrados de diversas
1=
religi(es, interpretando seus dogmas. 7eber percebeu que nos te)tos
protestantes, em especial nos calvinistas, as $abilidades $umanas, incluindo
o comércio, eram consideradas presentes divinos e, assim, incentivadas.
4sses valores teriam impulsionado o esp/rito do capitalismo - defnido
como as ideias e $bitos que favorecem a procura racional de gan$o
econ.mico -, como pode ser observado nos trec$os do discurso de Ven"amin
FranKlin *1GQS-1GHQ+, um dos l/deres da independ&ncia dos 4stados Bnidos.
Assim, o autor alemão provou o papel que as cren'as e valores religiosos
t&m na conduta $umana.
-ais interpreta'(es estão ligadas a pr?pria concep'ão de sociologia
Weberiana# para 7eber, o ob"eto da sociologia deveria ser a compreensão
do sentido da a'ão $umana, ou se"a, para se entender um fen.meno social
seria necessrio e)trair os conte%dos simb?licos que levam a determinadas
a'(es. Por isso sua forma de anlise é c$amada de método compreensivo,
posto que interessa a ele não somente a observa'ão e quantifca'ão dos
fatos *assim como defende o positivismo+, mas sim a compreensão do
sentido das a'(es $umanas.
56O7O <' A ES7O6=A DOS O5>ETOS DE I29ESTI?A34O 2AS
PESQUISAS QUA6ITATI9AS
Assim como nas pesquisas quantitativas, nas qualitativas também é
necessrio defnir, com base em critérios claros, quem ou quais casos serão
os ob"etos de investiga'ão, para que o pesquisador responda o problema
da pesquisa. Porém, diferentemente das pesquisas quantitativas, nas
qualitativas são selecionados poucos ou apenas um caso, e o critério de
escol$a é intencional.
A seguir abordaremos algumas técnicas de escol$a dos ob"etos de
investiga'ão, que são utilizados nas pesquisas qualitativas.
TRPI7O' A0OST1AS 24O P1O5A5I68STI7AS
Por trabal$arem com a particularidade dos su"eitos, as pesquisas
qualitativas escol$em um n%mero reduzido de ob"etos de investiga'ão,
geralmente por meio de amostras não-probabil/sticas, ou se"a, os casos
investigados são selecionados com base no "ulgamento do pesquisador. Por
isso seus resultados não podem ser generalizados para toda a popula'ão.
As amostragens não probabil/sticas mais comuns são#
• Amostragem por acessibilidade ou por conveni&ncia# o pesquisador
seleciona os elementos que tem acesso para compor a amostra.
• Amostragem por tipicidade# com base em um con$ecimento
considervel sobre a popula'ão, seleciona-se um subgrupo
representativo da mesma. Por e)emplo, é poss/vel escol$er uma
institui'ão t/pica para representar institui'(es com perfs semel$antes.
• Amostragem por cotas# nesse caso o pesquisador procura selecionar
uma amostra que se"a similar 6 popula'ão sob algum aspecto. Para a
escol$a da amostra, primeiramente as caracter/sticas da popula'ão
devem ser con$ecidas para que as cotas *amostras+ repitam as
mesmas caracter/sticas da popula'ão. 1ota-se que os indiv/duos não
precisam ser selecionados de forma aleat?ria.
• Amostragem por voluntrios# aqueles que se disp(e a participar da
pesquisa são escol$idos para a mesmaE
1C
TRPI7O' ESTUDO DE 7ASO
Nuitas pesquisas qualitativas se concentram em estudos de caso, ou se"a,
analisam de forma profunda apenas uma institui'ão ou situa'ão social L em
alguns casos são selecionadas duas ou tr&s.
1ota-se que no estudo de caso não basta a escol$a de apenas u" o(eto
e"pD$icoS L necessC$io &ue o pes&uisa!o$ e"p$een!a u" estu!o
intensi)o no a"iente natu$al !o o(etoE Ta"L" L necessC$io
li"ita$ tal anClise no te"po, e)entos ou p$ocessos &ue se$#o
in)esti,a!os, pa$a &ue tal estu!o co"p$een!a !e *o$"a co"pleta
as pa$ticula$i!a!es !e u" o(etoE Po$ exe"plo, L possD)el estu!a$
!ete$"ina!a institui/#o po$ "eio !a $euni#o !e "e"O$ias,
a$&ui)os, pulica/Nes, ent$e)istas etcE &ue a ca$acte$i%e" T nesse
caso t$ata-se !e u" estu!o !e caso institucionalE Ou ain!a, po!e-se
analisa$ u" *ato conc$eto, co"o u"a ,$e)e ou u" aaixo-assina!o
T tal estu!o L cHa"a!o !e estu!o !e caso *atualE AlL" !esses
exe"plos, o pes&uisa!o$ po!e $eali%a$ u" estu!o !e caso
co"pa$a!o, e" &ue !ois ou "ais casos s#o co"pa$a!os co" o
intuito !e )e$iQca$ as si"ila$i!a!es e !isc$epUncias ent$e elesE
56O7O @' P1O7EDI0E2TOS DE 7O6ETA DE DADOS QUA6ITATI9OS
As pesquisas qualitativas possuem diversas técnicas para a coleta de
dados. -odas elas pressup(em um contato entre o pesquisador e o ob"eto de
anlise para que se"am captadas percep'(es sub"etivas. As técnicas mais
con$ecidas para se obter dados qualitativos são a entrevista, a $ist?ria de
vida, o grupo focal, a observa'ão e a anlise de documentos, sobre as quais
falaremos a seguir#
TRPI7O' E2T1E9ISTA
A principal técnica de coleta de dados qualitativos é a entrevista, defnida
como 9T...U um encontro entre duas pessoas, a fm de que uma delas
obten$a informa'(es a respeito de determinado assunto, mediante uma
conversa'ão de natureza profssional< *NA8:O1O e 2APA-O!, =Q1Q, p.1GI+.
4mbora a entrevista ten$a como principal caracter/stica o fato de ser
aplicada pessoalmente pelo pesquisador, por vezes ela também é realizada
por telefone. 1o entanto, de forma geral, é um instrumento que permite o
contato entre pesquisadores e pesquisados, levando a uma compreensão
profunda dos %ltimos. -al instrumento também é utilizado para aprofundar
pontos levantados por outras técnicas.
As entrevistas t&m como vantagem a @e)ibilidade, " que o entrevistador
pode esclarecer perguntas e conduzir a resposta do entrevistado para
determinada questão. Além disso, é poss/vel aplicar essa técnica mesmo
com pessoas analfabetas ou de vocabulrio limitado. Ademais, as
informa'(es obtidas com as entrevistas podem ser categorizadas e
transformadas em dados quantitativos. 1o entanto, o entrevistado pode
responder de determinado modo por in@u&ncia do entrevistador. Por fm, o
custo da realiza'ão de entrevistas *tempo, treinamento do pessoal e anlise
dos dados+ é maior do que aqueles gastos com outras técnicas, como os
questionrios.
0uanto as suas perguntas, as entrevistas podem ser classifcadas como#
• 4struturadas# quando $ um roteiro pré-estabelecido pelo pesquisador3
• !emi-estruturada# quando e)iste um roteiro, mas o pesquisador tem
liberdade para conduzir a pesquisa3
• 2ivres *não estruturadas+# nesse caso o su"eito investigado *geralmente
um especialista+ discorre de forma livre sobre algum tema. As
1F
entrevistas livres, que visam entender uma questão de forma profunda,
são denominadas 9entrevistas em profundidade<.
As entrevistas são mais fceis de serem realizadas quando o pesquisador
con$ece ou tem colegas pr?)imos dos entrevistados. Por isso sugere-se a
escol$a de temas de estudo pr?)imos do universo do pesquisador.
4las podem ser gravadas *e posteriormente transcritas+, ou o pesquisador
pode escrever as respostas enquanto o entrevistado fala. 1os dois casos
devem ser registradas atitudes do entrevistado que ten$am algum
signifcado, como pausas ou entona'(es nas respostas. Antes da anlise das
entrevistas, é importante que o pesquisador selecione os trec$os
necessrios para sua pesquisa.
!egue abai)o outras dicas prticas para a realiza'ão de entrevistas#
• Antes da entrevista, o pesquisador deve e)plicar o ob"etivo e o
prop?sito da pesquisa, e deve pedir autoriza'ão para utilizar as
informa'(es coletadas, garantindo o sigilo do nome do entrevistado,
caso se"a necessrio.
• Deve ser estabelecido com o entrevistado um clima de amizade,
fazendo com que o mesmo se sinta confante para conceder a
entrevista.
• 1ão se deve come'ar a entrevista com a solicita'ão de informa'(es
embara'osas3 é prefer/vel iniciar com perguntas que o entrevistado se
sinta seguro em responder.
• !e o entrevistado não responder e)atamente o que o pesquisador
precisa, é recomendvel perguntar novamente com outras palavras e
em outro momento da entrevista.
• O entrevistador deve estimular o entrevistado a fornecer respostas
completas, e não simples afrmativas ou negativas. Para tanto, pode
sugerir que o entrevistado conte mais sobre o assunto ou e)emplifque
suas afrma'(es.
• O entrevistador deve escutar o entrevistado com aten'ão e interesse,
mas sem perder de vista os conte%dos centrais que se espera da
entrevista.
TRPI7O' =ISTR1IA DE 9IDA
A $ist?ria de vida é um tipo especifco de entrevista em profundidade ou
de uma série delas, em que o pesquisador busca a reconstitui'ão de uma
fase ou da vida toda de um entrevistado.
4ssa técnica permite ao pesquisador perceber as concep'(es dos
entrevistados acerca do papel que desempen$aram em diversos momentos,
captando ainda os $bitos e a'(es dos su"eitos. Por meio desses relatos
também é poss/vel perceber a cultura de um grupo em determinada época,
" que o depoimento dos entrevistados revela valores e costumes de uma
sociedade, por isso essa técnica é muito utilizada para entender per/odos
$ist?ricos.
Porém, o seu uso geralmente não visa a reconstitui'ão fel da $ist?ria,
mas sim a compreensão de um per/odo ou situa'ão segundo o ponto de
vista do su"eito pesquisado. Osso porque, todo relato é reconstru/do pelo
entrevistado com base em suas viv&ncias e valores pessoais. 1o entanto,
e)istem pesquisas que usam a $ist?ria de vida "unto com outras técnicas L
como a anlise de documentos - para comprovar os relatos e assim
reconstruir um per/odo $ist?rico.
TRPI7O' ?1UPO .O7A6
1J
Outra varia'ão da entrevista consiste em entrevistar pessoas
coletivamente, de forma a apurar opini(es em debate, técnica essa
con$ecida como grupo focal ou discussão em grupo. 4m s/ntese, um grupo
focal é um grupo de discussão informal e de taman$o reduzido que fornece
ao pesquisador informa'(es qualitativas.
1a prtica, são reunidas pessoas com determinadas caracter/sticas para
que se con$e'a a opinião delas sobre determinado assunto. -ais opini(es
são constatadas a partir da fala dos entrevistados, porém, não se trata de
uma fala e)positiva, mas sim de uma fala travada em um debate. 1outras
palavras, o pesquisador capta argumentos que se contrap(em ou ratifcam
a opinião de outros participantes do grupo. O interesse est "ustamente em
observar argumentos contrrios e favorveis em rela'ão a determinada
questão. Por isso, caso o pesquisador queira con$ecer as opini(es de um
indiv/duo sem a interfer&ncia de outros, não deve utilizar essa técnica.
Xeralmente a discussão é conduzida pelo mediador, que coloca quest(es
e interfere na condu'ão da discussão. As quest(es postas devem suscitar
debates, sem a preocupa'ão de forma'ão de consensos. O n%mero de
participantes do grupo deve ser bai)o o sufciente para que todos possam
e)pressar suas opini(es, porém, deve $aver uma diversidade de ideias L
normalmente os grupos focais re%nem de quatro a doze pessoas.
TRPI7O' O5SE19A34O
O ser $umano observa o que est a sua volta para entender o mundo e
saber se comportar diante dele. 2ogo, essa é a técnica mais comum para
con$ecer a realidade e não est comumente associada ao con$ecimento
cient/fco.
A observa'ão passa a ser uma técnica de pesquisa social na medida em
que se torna um procedimento plane"ado e organizado de coleta de dados. 4
para realizar observa'(es sistemticas, é preciso selecionar o que ser
observado e 9treinar< o ol$ar para entender o sentido das ideias e)pressas
e atitudes.
:om essa técnica é poss/vel captar um fen.meno no momento em que ele
acontece. 2ogo, por meio da observa'ão minuciosa e sistemtica, o
pesquisador consegue responder os seus problemas de pesquisa a partir da
compreensão do conte)to e comportamento dos indiv/duos.
A técnica da observa'ão é %til para a descoberta de aspectos novos de
um problema, sendo muito utilizada quando não e)iste uma base te?rica
para orientar a pesquisa. 4la também tem a vantagem de revelar aspectos
de um fen.meno que podem ser omitidos pelos entrevistados. Onclusive, é
poss/vel contrastar observa'(es com as respostas dos entrevistados.
1o entanto, essa técnica tem como desvantagem o fato do pesquisador
por vezes alterar o comportamento do grupo observado, " que na presen'a
de um estran$o o grupo pode se comportar de forma diferente do $abitual.
Ademais, o observado pode criar impress(es positivas ou negativas do
pesquisador, que irão interferir nas suas atitudes. Por fm, é uma técnica
muito permeada pela sub"etividade do pesquisador, que deve estar atento
para a veridicidade de suas anlises.
Y diversas formas de realizar observa'(es que resultem em dados
qualitativos fundamentais 6 pesquisa social. A seguir apresentamos as
principais delas#
0uanto ao modo como é realizada#
• Observa'ão assistemtica ou não estruturada L o pesquisador é
um espectador interessado em todas as informa'(es ao seu redor3
1S
• Observa'ão sistemtica ou estruturada - o pesquisador sabe
e)atamente o que procura.
0uanto ao n%mero de integrantes#
• Observa'ão individual - somente um pesquisador observa determinado
fen.meno3
• Observa'ão em equipe - um grupo de pesquisadores observa o
fen.meno sob vrios Mngulos.
0uanto ao local onde é realizada#
• Observa'ão em campo - é feita no ambiente natural em que o
fen.meno ocorre3
• Observa'ão em laborat?rio - o pesquisador observa fen.menos
recriados e controlados em ambientes artifciais.
0uanto 6 participa'ão do pesquisador#
• Observa'ão não participante - o pesquisador não se integra ao grupo
observado3
• Observa'ão participante- o pesquisador se integra ao grupo
pesquisado participando do fen.meno. 1esse caso ele pode revelar
totalmente, parcialmente ou omitir sua identidade de pesquisador.
Bma modalidade de observa'ão participante muito utilizada na rea da
antropologia é a pesquisa etnogrfca, famosa pelos escritos do antrop?logo
ingl&s NalinoWsKi, que em 1H== escreveu sobre sua conviv&ncia com os
nativos da Ol$as -rombiand, no Pac/fco.
1a pesquisa etnogrfca a observa'ão é feita no local da ocorr&ncia de um
fen.meno, de modo que o pesquisador conviva com os indiv/duos
pesquisados por um longo tempo, registrando seus modos de viver e de
entender o mundo. Pelo fato de estar imerso no universo dos pesquisados,
o investigador é capaz de ol$ar o mundo com os ol$os deles, interpretando
seus sentimentos e a'(es, assim como fariam os membros da sociedade
pesquisada. 1ota-se que toda observa'ão deve ser cuidadosamente
registrada no momento em que ocorre. Onclusive, é interessante anotar falas
e a'(es dos investigados e impress(es pessoais do pesquisador.
, recomendvel o registro separado das observa'(es descritivas L em que
são descritos su"eitos, dilogos, locais e tudo o que ocorre nos locais
observados3 e observa'(es re@e)ivas - observa'(es pessoais do
pesquisador, tais como# especula'(es, sentimentos, ideias, impress(es,
d%vidas etc. 4sses registros formam os dados qualitativos, gerados a partir
da técnica da observa'ão.
TRPI7O' A2:6ISE DE DO7U0E2TOS
!e a pesquisa qualitativa considera que um fen.meno é mel$or
compreendido dentro do seu conte)to, nada mais %til do que entender esse
conte)to. Para tanto, os documentos são importantes fontes de consulta, "
que e)pressam situa'(es de uma época a que o pesquisador muitas vezes
não tem acesso por estar distante no tempo ou no espa'o.
!ão considerados documentos os materiais escritos que ainda não
receberam tratamento anal/tico, tais como# "ornais, revistas, cartas,
relat?rios, leis, decretos, registros, of/cios, estat/sticas sobre uma sociedade,
elementos iconogrfcos como fotos etc.
1G
Documentos são uma importante fonte de informa'ão, principalmente
quando a pesquisa dese"a reconstituir um per/odo $ist?rico. -ambém é
poss/vel entender diversos fen.menos por meio de documentos,
considerando que as sociedades são orientadas pelas determina'(es legais
presentes neles. Além do que, documentos ofciais e)pressam o
posicionamento das esferas de poder a respeito de diversas quest(es.
, importante ressaltar que as informa'(es que constam nos documentos
foram escritas por alguém, portanto, são permeadas pela inten'ão de um
autor. Por isso, deve-se considerar o conte)to e a fnalidade para os quais
foram escritos. Onclusive, em alguns casos, o pesquisador deve duvidar das
informa'(es apresentadas neles.

BLOCO 5: QUA6 TV72I7A ES7O6=E1;
As técnicas de coleta de dados fazem parte do camin$o, ou método,
adotado pelo pesquisador com o intuito de responder seu problema de
pesquisa. :ada método pressup(e uma série de técnicas espec/fcas,
destinadas a reunir as informa'(es da pesquisa. -odas elas devem ser
previamente escol$idas pelo pesquisador e descritas posteriormente no
relat?rio da pesquisa, em um item que pode ser c$amado de 9Netodologia<,
9Procedimentos Netodol?gicos< ou ainda 9-écnicas de :oleta de Dados<.
A principal diferen'a entre os camin$os escol$idos em uma pesquisa diz
respeito aos procedimentos que re%nem dados quantitativos e qualitativos.
1a coleta de dados quantitativos, geralmente são aplicados questionrios
em um grande n%mero de pessoas, escol$idas por meio de amostragem. E
os dados qualitativos comumente são coletados por meio de entrevistas
com um n%mero pequeno de pessoas, escol$idas intencionalmente.
4ssas técnicas geram informa'(es diferentes. De forma geral, as técnicas
quantitativas são utilizadas nas pesquisas de mesmo nome, ou se"a, nas
c$amadas pesquisas quantitativas, caracterizadas por representarem seus
dados de forma numérica. E as técnicas comuns nas pesquisas qualitativas
conseguem captar a sub"etividade dos indiv/duos. 4mbora $a"a tal distin'ão
entre técnicas e pesquisas, é comum a realiza'ão de pesquisas mistas, com
a utiliza'ão de procedimentos qualitativos e quantitativos.
As técnicas que serão utilizadas para a coleta de dados dependem da
pergunta que se quer responder com a pesquisa. Ou se"a, é a pergunta que
determina os procedimentos utilizados para a reunião dos dados, bem como
a forma de anlise dos mesmos.
4m resumo, as técnicas quantitativas devem ser escol$idas quando o
pesquisador quer reunir informa'(es gerais, que podem ser contadas e
e)pressas em n%meros, ou ainda quando o intuito é estabelecer rela'(es
signifcativas entre variveis. E as abordagens qualitativas devem ser
escol$idas para avaliar de forma profunda a'(es ou opini(es individuais.
5loco 6' QUA6 O 0E6=O1 TIPO DE PESQUISA' QUA2TITATI9A OU
QUA6ITATI9A;
A discussão sobre qual o mel$or tipo de pesquisa L quantitativa ou
qualitativa L passa pela questão da ob"etividade no trabal$o cient/fco.
Ob"etividade na pesquisa cient/fca signifca analisar os fatos como
aparecem na realidade, sem dei)ar-se in@uenciar por sentimentos, ou se"a,
retratar a realidade de forma impessoal.
A defesa da ob"etividade nas anlises sociais é feita de forma contundente
pelo pensador franc&s ,mile DurK$eim *1IJI L 1H1G+, defensor da corrente
flos?fca c$amada de Positivismo. Para os positivistas a sociedade s?
poderia ser con$ecida por meio da observa'ão e e)perimenta'ão, da
1I
mesma forma como são con$ecidos os fen.menos das ci&ncias naturais. 4ra
preciso que os cientistas sociais coletassem, descrevessem e comparassem
dados, sem interfer&ncia das suas opini(es pessoais sobre os fen.menos
analisados.
Ao pregar que as pesquisas não podem revelar a sub"etividade do
pesquisador, os argumentos positivistas corroboram as técnicas
quantitativas, considerando que as mesmas se concentram mais em
n%meros e menos na sub"etividade dos indiv/duos. 2ogo, os defensores das
anlises quantitativas acreditam que tais pesquisas conseguem c$egar mais
pr?)imo do real por eliminar a sub"etividade das interpreta'(es. Para essa
corrente, a pesquisa qualitativa e)pressa por demais a opinião pessoal do
pesquisador, comprometendo a veracidade das anlises.
Porém, as pesquisas quantitativas também não garantem ob"etividade
considerando que a escol$a do tema da pesquisa e as anlises posteriores,
mesmo que embasadas em clculos estat/sticos, também são permeadas
pelo 9ol$ar< do pesquisador. As técnicas de coleta de dados quantitativas
também não são totalmente imparciais e estão su"eitas inclusive a erros não
dese"ados pelo pesquisador.
Alis, em ambos os tipos de pesquisa est presente a sub"etividade, tanto
do entrevistado quanto do pesquisador. Primeiro porque o entrevistado
responde as perguntas com base no que considera correto, e não somente
embasado em fatos reais. Ademais, o pesquisador formula suas perguntas e
interpreta seus dados a partir do seu 9ol$ar<, carregado de valores e
inten'(es. Ainda é poss/vel afrmar que o método quantitativo aumenta a
transposi'ão valorativa do pesquisador, na medida em que este escol$e as
perguntas e como deverão ser respondidas. :ontudo, o método qualitativo
também enfrenta obstculos, e um deles trata-se do e)cesso de liberdade
que o pesquisador tem para analisar seus dados.
4m suma, nas duas técnicas predomina o interesse do pesquisador, na
escol$a, sele'ão e anlise do material. 1esse sentido, com nen$um dos
métodos seria poss/vel uma anlise totalmente imparcial, ou se"a, isenta de
valores pessoais. A garantia de uma maior ob"etividade se daria com a
percep'ão de que todo saber é interpretativo.
4mbora essa discussão separe pesquisas qualitativas e quantitativas, o
ideal para uma pesquisa é uma abordagem mista, que combine ambas as
técnicas. Osso " acontece na prtica, visto que são comuns pesquisas que
utilizam técnicas qualitativas para e)plorar um problema, e com a base
nessas informa'(es são criadas categorias de respostas, inclu/das em
questionrios aplicados a um grande n%mero de pessoas. Dessa forma,
técnicas qualitativas fornecem a base para a verifca'ão e e)plica'ão de
uma questão de modo quantitativo.
A seguir formulamos um quadro com caracter/sticas das duas técnicas,
vistas de modo comparativo.
Qua!$o co"pa$ati)o ent$e pes&uisas sociais &ualitati)as e
&uantitati)as
Tipo !e pes&uisa
QuestNes
Quantitati)a Qualitati)a
1H
Avalia 0uantidade 0ualidade
Vusca responder 0uanto; Por qu&;
:omum nas pesquisas DescritivasR
4)plicativas
4)plorat?riasR
:ompreensivas
-rabal$a com Frequ&ncia de
respostas
!ub"etividade dos
indiv/duos
8evela O que é e)plicito O que est impl/cito
, adequada Para avalia'(es
gerais
Para avalia'(es
particulares
On@u&ncia Positivismo Psicologia e
antropologia
4scol$a dos ob"etos Amostras
probabil/sticas
Amostras intencionais
1%mero de ob"etos Xrande Pequeno *por vezes
apenas um caso+
:apacidade de
generaliza'ão
!im, pois utiliza
técnicas estat/sticas
1ão, pois analisa casos
espec/fcos
Principal instrumento 0uestionrios 4ntrevistas
8ela'ão pesquisador e
su"eito
Distante Pr?)ima
Anlise dos dados com
base em
4stat/stica Onterpreta'ão do
pesquisador
8ela'ão com teorias -esta teorias Formula teorias
Forma do 8elat?rio 8elat?rio com
clculos estat/sticos
8elat?rio narrativo
:r/ticas comuns Descreve frequ&ncia
e correla'(es, sem
compreender o
porqu&
4)pressa a opinião do
pesquisador e não
consegue generalizar os
resultados
Fonte# elabora'ão da autora
1E.E1P27IAS
XO2, A. 0Lto!os e TLcnicas !e Pes&uisa Social. !ão Paulo# Atlas, =QQH.
YAO8 E8. et al. .un!a"entos !e "Lto!os !e pes&uisa e"
a!"inist$a/#oE Porto Alegre# VooKman, =QQJ.
2APA-O!, N.3 NA8:O1O, N. A. .un!a"entos !a 0eto!olo,ia 7ientDQcaE
!ão Paulo# Atlas, =Q1Q.
0B4O8OZ, Naria Osaura Pereira de. 9a$ia/Nes so$e a tLcnica !e
,$a)a!o$ no $e,ist$o !a in*o$"a/#o )i)aE !ão Paulo# -. A. 0ueiroz,
1HH1.
-YOO2241-, N. 7$Dtica "eto!olO,ica, in)esti,a/#o social e en&uete
ope$C$iaE !ão Paulo# Polis, 1HI=.
=Q
74V48, N. A Vtica P$otestante e o EspD$ito !o 7apitalis"o. !ão Paulo#
Nartin :laret, =QQ=.
I2DI7A34O DE 6EITU1A
1a internet encontramos muitos artigos que defnem e discutem as
potencialidades e limites das pesquisas qualitativas. , importante
familiarizar-se com esse tipo de pesquisa, diferenciando-o dos demais, pois
esse con$ecimento ir facilitar o direcionamento no momento da pesquisa.
Abai)o relacionamos alguns desses artigos e os respectivos endere'os
eletr.nicos em que podem ser encontrados.
XODO[, A. Pesquisa 0ualitativa# tipos fundamentais. 1e)ista !e
A!"inist$a/#o !e E"p$esasE !ão Paulo, v.CJ, n.C, p.=Q-=H, 1HHJ.
Dispon/vel em#
\$ttp#RRWWW.producao.ufrgs.brRarquivosRdisciplinasRCH=]pesquisa]qualitativa
]godo^=.pdf_ Acesso em# Q= Out =Q11.
X`1-Y48, Y. Pesquisa qualitativa versus pesquisa quantitativa# 4sta é a
questão; Psicolo,ia' Teo$ia e Pes&uisa, Vras/lia, v.== n.=, p.=Q1-=1Q,
=QQS. Dispon/vel em# \$ttp#RRWWW.scielo.brRpdfRptpRv==n=Ra1Qv==n=.pdf_
Acesso em# Q= Out =Q11.
1454!, E. Pesquisa 0ualitativa L :aracter/sticas, usos e possibilidades.
7a!e$no !e pes&uisa e" a!"inist$a/#o, !ão Paulo, v.1, n.C, p.1-J,
1HHS. Dispon/vel em# \$ttp#RRWWW.ead.fea.usp.brRcad-pesqRarquivosRcQC-
artQS.pdf_ Acesso em# Q= Out =Q11.
O2O54O8A, :. Bm apan$ado te?rico-conceitual sobre a pesquisa qualitativa#
tipos, técnicas e caracter/sticas. 1e)ista T$a)essias, :ascavel, v.=, n. C,
sRp., =QQI. Dispon/vel em#
\$ttp#RR=QQ.=Q1.I.=GRinde).p$pRtravessiasRarticleRvieWRC1==R=FJH_ Acesso
em# Q= Out =Q11.
!PO1DO2A, -.3 !A1-O!, 8. -rabal$ando com a $ist?ria de vida# percal'os de
uma pesquisa*dora;+. 1e) Esc En*e$" USP, !ão Paulo, v.CG, n.=, p. 11H-
=S, =QQC. Dispon/vel em# \$ttp#RRWWW.scielo.brRpdfRreeuspRvCGn=R1F.pdf_
Acesso em# Q= Out =Q11.
-B8A-O, 4. Nétodos qualitativos e quantitativos na rea da sa%de#
defni'(es, diferen'as e seus ob"etos de pesquisa. 1e) SaM!e PMlica, !ão
Paulo, v. CH, n.C, p. JQG-J1F, =QQJ. Dispon/vel em# \
$ttp#RRWWW.scielo.brRpdfRrspRvCHnCR=FIQI.pdf_ Acesso em# Q= Out =Q11.