Direito das Obrigações

1. Objeto
Direitos de crédito ou pessoais ou obrigacionais
2. Obrigação
Sujeição a uma regra de conduta
3. Direito das obrigações
Sentido restrito, compreendendo vínculos de conteúdo patrimonial, estabelecidos de pessoa a pessoa,
onde surgem as figuras do credor e devedor, um com o poder de exigir a prestação e o outro com o
dever de cumpri-la.
Divisão dos direitos patrimoniais em reais e obrigacionais
Direito das obrigações = obrigacionais, pessoais ou de crédito.
4. Conceito
Normas que regulam relações jurídicas de ordem patrimonial, sendo o objeto, as prestações de um
sujeito em proveito de outro. Disciplina relações jurídicas de ordem pessoal, tutelando o direito do
credor, para que o devedor cumpra a sua prestação. O direito das obrigações se estende em todas as
atividades de natureza patrimonial.
Relação jurídica entre duas ou mais pessoas, em que o credor pode exigir do devedor uma
prestação (dar, fazer ou não fazer).
5. Características
Direitos relativos – somente a determinadas pessoas, vinculando sujeito ativo e passivo, não sendo erga
omnes, pois a prestação só pode ser exigida do devedor.
Direitos a uma prestação positiva ou negativa
Credor = sujeito ativo, poder de exigir uma prestação.
Devedor = sujeito passivo, dever de prestar (dar, fazer ou não fazer).
Vínculo jurídico
Objeto da obrigação = prestação = dever de dar, fazer ou não fazer.
Obrigação tem pecuniaridade (prestação com conteúdo econômico). O patrimônio do devedor responde
por sua obrigação no caso de inadimplemento.
Prestação = conduta humana = dar, fazer ou não fazer = objeto imediato.
Objeto da prestação = objeto mediato
Objeto imediato = lícito, possível, determinado ou determinável economicamente apreciável.

Credor tem a pretensão contra o devedor, ou seja, pode exigir a prestação que está na obrigação. Em
caso de inadimplemento, nasce para o credor o direito de ação, tutelado pelo Estado.
6. Direitos
Direito pessoal = vínculo entre sujeito ativo, passivo. Direito de exigir a prestação
Direito real = poder jurídico direto do titular sobre a coisa, com exclusividade e contra todos. Elementos:
sujeito ativo, a coisa e o poder do sujeito ativo sobre a coisa (domínio).
7. Distinções
Obrigacionais diferem dos reais
Obrigacional Real
Objeto Prestação Coisa
Sujeito Passivo determinável ou
determinado
Indeterminado
Duração Transitório Permanente, exceto nos
previstos em lei.
Formação Numerus apertus Numerus clausus
Exercício Devedor Diretamente sobre a coisa
Ação Pessoal Quem detenha a coisa

8. O direito corresponde ao dever de prestar. O objeto corresponde à prestação. O credor tem o
direito da pretensão.
9. As obrigações de dar compreendem as obrigações de entregar ou restituir posse, propriedade
ou outro direito.
10. Fontes das obrigações: contrato, ato unilateral e ato ilícito.
11. Distinção entre obrigação e responsabilidade: contraída a obrigação se o devedor a cumpre,
extingue-se; se não cumpre, torna-se inadimplente e surge a responsabilidade. Desta maneira
há obrigação sem reponsabilidade (dívidas de jogo e dívidas prescritas - obrigações naturais) e
responsabilidade sem obrigação (fiador)
Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que
mais valiosa.
12. As obrigações podem ser: dar, fazer ou não fazer.
Das obrigações de dar
Obligationes dandi – entrega ou restituição de coisa certa ou incerta
Dar coisa certa Artigos. 233 a 242 do C.C.
1) Coisa móvel ou imóvel individualizada e identificada, com características determinadas e
inconfundíveis. Ex.: carro ano, cor, tipo, placa; títulos de crédito.
2) Entregar ou restituir objeto determinado.
3) Inclui o principal e os acessórios, salvo se excluídos expressa ou tacitamente. (art. 92 C.C) Art.
92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal.

4) Se a coisa certa se perder antes da tradição art. 234:
a) Com culpa do devedor – indenização por perdas e danos + valor da coisa
b) Sem culpa do devedor – resolve-se a obrigação
Perdas e danos – função de restaurar o estado anterior ao credor
5) Valor da coisa – pena civil – equitativa. Art. 413. A penalidade deve ser reduzida equitativamente
pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumprida em parte, ou se o montante da penalidade for
manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do negócio.

6) Se a coisa deteriorar antes da tradição art. 235 e 236:
a) Com culpa do devedor = credor direito ao equivalente + perdas e danos ou receber a coisa
com abatimento + perda e danos
b) Sem culpa do devedor = pode ocorrer à resolução ou o credor receber a coisa com
abatimento do preço

7) Benfeitorias e melhoramentos art. 237

a) Devedor de boa-fé - direito a indenização de benfeitorias necessárias e úteis; quanto aos
voluptuários, se for pago o valor, poderá levantá-los (jus tollendi).

b) Devedor de má-fé – direito somente as benfeitorias necessárias

Benfeitorias serão indenizadas pelo valor atual, mediante liquidação judicial. Em caso de saldo do
devedor, o credor depositará em juízo ao requerer a entrega da coisa.
Caso o credor não concordar com o pagamento das benfeitorias, nasce para o devedor o direito de pedir
a resolução do negócio jurídico.

Restituir coisa certa art. 238 a 242

1) Perda
a) Com culpa do devedor = equivalente + perda e danos
b) Sem culpa do devedor = resolvida a obrigação, garantidos os direitos do credor até o dia da
perda art. 238 (a coisa perece para o dono).

2) Deterioração
a) Com culpa do devedor = equivalente + perda e danos ou receber a coisa, no estado em que se
encontra + perda e danos.
b) Sem culpa do devedor = recebe o credor no estado em que se encontra (a coisa perece para o
dono)

3) Benfeitorias art. 241 e 242

a) Sem despesa ou trabalho do devedor = não tem direito a indenização
b) Com despesa ou trabalho do devedor = direito a indenização
Devedor de boa-fé - direito a indenização de benfeitorias necessárias e úteis; quanto aos
voluptuários, se for pago o valor, poderá levantá-los (jus tollendi).
Devedor de má-fé – direito somente as benfeitorias necessárias
Não pode o devedor solicitar a resolução, caso o credor não queira pagar, pois a coisa não lhe
pertence.


Art. 313. O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais
valiosa.
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o
contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
Art. 234. Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição,
ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas às partes; se a perda resultar
de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.
Art. 235. Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou
aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.
Art. 236. Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado
em que se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos.
Art. 237. Até a tradição pertence ao devedor à coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos
quais poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação.
Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes.

Art. 238. Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da
tradição, sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverão, ressalvados os seus direitos até o dia da
perda. (Res perit domino)
Art. 239. Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e
danos.
Art. 240. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor, recebê-la-á o credor, tal qual se ache,
sem direito a indenização; se por culpa do devedor, observar-se-á o disposto no art. 239.
Art. 241. Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou
trabalho do devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização.
Art. 242. Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso se
regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de
má-fé.
Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste
Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé.

Devedor de boa-fé - direito a indenização de benfeitorias necessárias e úteis; quanto aos voluptuários,
se for pago o valor, poderá levantá-los (jus tollendi)
Devedor de má-fé – direito somente as benfeitorias necessárias

Tradição

O domínio só se adquire pela tradição se for coisa móvel e pelo registro do título (tradição solene) se for
imóvel.

Obrigação de dar coisa certa futura
Emptio spei – probabilidade e esperança, devendo o comprador pagar o preço ajustado em qualquer
circunstância.
Emptio rei speratae – importa à coisa, o comprador pagará o preço fixado se a coisa vier a existir em
quantidade ou qualidades maiores ou menores. O contrato não tem efeito se a coisa não existir.
Dar coisa incerta Art. 243 a 246
1) Em algum momento a coisa se tornará certa. Enquanto isso não ocorrer a coisa será indicada
pelo gênero e quantidade art. 243
2) A coisa se tornará certa a partir da escolha. A escolha é do devedor se nada for dito ao
contrário art. 244
3) Feita a escolha a coisa é determinada e são válidas as regras de obrigação de dar coisa certa.
4) Impossibilidade superveniente de dar coisa incerta = Não existe, pois o gênero nunca perece
(Genus nunquam perit). Exceções: fato do príncipe, quando o gênero é limitado ou quando
incluir cláusulas no contrato de fato fortuito ou força maior, que causem a impossibilidade (ex.
greves, acidentes naturais etc.), pois a regra do art. 246 é dispositiva e não coagente.
Art. 317. Quando, por motivos imprevisíveis, sobrevier desproporção manifesta entre o valor da prestação
devida e o do momento de sua execução, poderá o juiz corrigi-lo, a pedido da parte, de modo que
assegure, quanto possível, o valor real da prestação.
Entretanto em se tratando de gênero limitado, o perecimento de todas as espécies acarretará a extinção
da obrigação. Sem culpa do devedor, não há pagamento por perdas e danos; com culpa há pagamento.
Art. 243. A coisa incerta será indicada, ao menos, pelo gênero e pela quantidade.
Art. 244. Nas coisas determinadas pelo gênero e pela quantidade, a escolha pertence ao devedor, se o
contrário não resultar do título da obrigação; mas não poderá dar a coisa pior, nem será obrigado a
prestar a melhor.
Art. 245. Cientificado da escolha o credor, vigorará o disposto na Seção antecedente.
O ato unilateral de escolha denomina-se concentração
Art. 246. Antes da escolha, não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa, ainda que por
força maior ou caso fortuito. (Genus nunquam perit)

Obrigações de fazer ou não fazer
1) O devedor compromete-se a fazer ou não fazer uma atividade qualquer ao credor.
2) Interessa a atividade humana do devedor, alguma característica física ou psíquica. Ex.
empreitada de uma casa, fazer um quadro, prestar um serviço médico, não construir em
determinado local etc.
3) Sempre está ligada a atividade de dar (facere e dare)
4) Necessário o adimplemento. Se ocorrer o inadimplemento, acarretará perdas e danos, já que
ninguém é obrigado a fazer.
5) Pode ser personalíssima ou poderá ser executada por terceiro

Obrigações de fazer

1. Infungível, personalíssima, imaterial ou intuitu personae art. 247. A obrigação recai sobre
qualidades específicas do devedor
2. Fungível, natural, material ou impessoal. Qualquer um pode executar a obrigação
3. Emitir declaração de vontade
4. Multa cominatória diária para compelir o devedor ao cumprimento da prestação; não têm
natureza de indenização; não podem ser abusivas.
5. Impossibilidade superveniente:
a) Sem culpa do devedor = resolve-se a obrigação de forma automática
b) Com culpa = perda e danos

Art. 466. A sentença que condenar o réu no pagamento de uma prestação, consistente em
dinheiro ou em coisa, valerá como título constitutivo de hipoteca judiciária, cuja inscrição será
ordenada pelo juiz na forma prescrita na Lei de Registros Públicos.
Parágrafo único. A sentença condenatória produz a hipoteca judiciária:
I - embora a condenação seja genérica;
II - pendente arresto de bens do devedor;
III - ainda quando o credor possa promover a execução provisória da sentença.
Art. 466-A. Condenado o devedor a emitir declaração de vontade, a sentença, uma vez
transitada em julgado, produzirá todos os efeitos da declaração não emitida. (Incluído pela Lei
nº 11.232, de 2005).
Art. 466-B. Se aquele que se comprometeu a concluir um contrato não cumprir a obrigação, a
outra parte, sendo isso possível e não excluído pelo título, poderá obter uma sentença que
produza o mesmo efeito do contrato a ser firmado. (Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005).
Art. 466-C. Tratando-se de contrato que tenha por objeto a transferência da propriedade de
coisa determinada, ou de outro direito, a ação não será acolhida se a parte que a intentou não
cumprir a sua prestação, nem a oferecer, nos casos e formas legais, salvo se ainda não exigível.
(Incluído pela Lei nº 11.232, de 2005).

Art. 247. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só
imposta, ou só por ele exequível.
Art. 248. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação;
se por culpa dele, responderá por perdas e danos.
Art. 249. Se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar a custa do
devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível.
Parágrafo único. Em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial,
executar ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido.

Art. 464. Esgotado o prazo, poderá o juiz, a pedido do interessado, suprir a vontade da parte
inadimplente, conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar, salvo se a isto se opuser a natureza
da obrigação.

Obrigações de não fazer

1) Prestação negativa
2) O devedor que tem a capacidade de realizar a prestação deve se abster de realizá-la
3) Difere da renúncia de direito
4) Se o devedor pratica o ato, deixa de adimplir e o credor pode exigir o desfazimento ou
indenização por perdas e danos.
5) Credor pode propor ação de abstenção
6) Impossibilidade superveniente
a) Sem culpa do devedor = resolve-se a obrigação. Ex. imposição legal, razão que independa
de sua vontade ou evitar onerosidade excessiva que não deu causa.
b) Com culpa do devedor = perdas e danos


Art. 250. Extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem culpa do devedor, se lhe torne
impossível abster-se do ato, que se obrigou a não praticar.

Factum principis ou fato do príncipe designa o ato unilateral da autoridade pública - municipal, estadual
ou federal - capaz de alterar relações jurídicas privadas já constituídas, atendendo ao interesse público.

Art. 251. Praticado pelo devedor o ato, a cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que o
desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e danos.
Parágrafo único. Em caso de urgência, poderá o credor desfazer ou mandar desfazer,
independentemente de autorização judicial, sem prejuízo do ressarcimento devido.
Art. 642. C.P.C. Se o devedor praticou o ato, a cuja abstenção estava obrigado pela lei ou pelo contrato,
o credor requererá ao juiz que Ilhe assine prazo para desfazê-lo.
Art. 643. Havendo recusa ou mora do devedor, o credor requererá ao juiz que mande desfazer o ato à
sua custa, respondendo o devedor por perdas e danos.
Parágrafo único. Não sendo possível desfazer-se o ato, a obrigação resolve-se em perdas e danos.


Obrigações Alternativas art. 252 a 256

1) A obrigação tem duas ou mais prestações, porém apenas uma deve ser cumprida, mediante,
geralmente, a escolha do devedor. Utiliza a partícula “ou” . A coisa é sempre certa e
determinada. A escolha refere-se ao modo de execução do adimplemento
2) A livre escolha da prestação pela parte a quem foi atribuída é essencial (manifestação da
vontade)
3) Eficácia da escolha é ex tunc e converte-se em obrigação simples
4) Nas prestações periódicas o direito de escolha pode ocorrer a qualquer tempo art. 252 §2
o

5) Obrigação alternativa não é condicional (evento futuro e incerto). Incerta é a prestação
6) Escolha é de devedor (ambiguitas contra stipulatorem est), se não se estipulou o contrário.
Função é facilitar a adimplemento do devedor.
7) A escolha pode ser deferida por terceiro, que deverá fazer de forma equânime; se não, poderá
ser questionado em juízo.
8) A escolha do juiz é discricionária
9) Na pluralidade de credores é indispensável o acordo de todos. Se não houver unanimidade,
caberá ao juiz a escolha art. 252 §3
o.

10) Se a escolha couber ao credor e este não se manifestar e for citado para tal fim, caberá ao
devedor o direito de escolha.
Art. 342. Se a escolha da coisa indeterminada competir ao credor, será ele citado o para esse fim, sob
cominação de perder o direito e de ser depositada a coisa que o devedor escolher; feita a escolha pelo
devedor, proceder-se-á como no artigo antecedente.

11) Impossibilidade da prestação alternativa. Prevalece o princípio da conservação do negócio
jurídico. Se uma prestação for inexequível ou nula, restará a outra prestação. Exceção se
houver cláusula que defina o contrário no negócio jurídico
12) Se todas as prestações forem impossíveis
a) Sem culpa do devedor = resolução do negócio
b) Com culpa do devedor
1. Escolha do devedor = pagará o correspondente a última prestação + perdas e danos
2. Escolha do credor = credor poderá exigir o pagamento de qualquer prestação + perda
e danos

Art. 252. Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao devedor, se outra coisa não se estipulou.
§ 1º Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra.
§ 2º Quando a obrigação for de prestações periódicas, a faculdade de opção poderá ser exercida em
cada período.
§ 3º No caso de pluralidade de optantes, não havendo acordo unânime entre eles, decidirá o juiz, findo
o prazo por este assinado para a deliberação.
§ 4º Se o Título deferir a opção a terceiro, e este não quiser, ou não puder exercê-la, caberá ao juiz a
escolha se não houver acordo entre as partes.

Art. 253. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexequível,
subsistirá o débito quanto à outra.

Art. 254. Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo ao
credor a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as
perdas e danos que o caso determinar.

Art. 255. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornarem-se impossível por culpa do
devedor, o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra, com perdas e danos;
se, por culpa do devedor, ambas as prestações se tornarem inexequíveis, poderá o credor reclamar o
valor de qualquer das duas, além da indenização por perdas e danos.

Art. 256. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor, extinguir-se-á a
obrigação.


Obrigações facultativas
1. Um objeto in obligacione e outro in facultate solutionis, que existe para facilitar a
adimplemento.
2. Se o objeto da prestação principal é inválido, por vício, invalida o negócio jurídico; a outra
prestação facultada não a substitui, mesmo sendo válida.
3. O credor só pode exigir a prestação principal
4. Extingue-se pelo perecimento do objeto da prestação principal.

Obrigações divisíveis e indivisíveis
1) Multiplicidade de sujeitos (credores ou devedores)
2) Indivisibilidade do objeto por: natureza do objeto, motivo de ordem econômica, razão
determinante do negócio jurídico e por força de lei.
3) Bem divisível e indivisível
Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição
considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam.
Art. 88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei ou por
vontade das partes.


Art. 257. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível, esta se presume
dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.
Art. 258. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não
suscetíveis de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão
determinante do negócio jurídico.
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela
dívida toda.
Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros
coobrigados.

Art. 260. Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor
ou devedores se desobrigarão, pagando:
I - a todos conjuntamente;
II - a um, dando este caução de ratificação dos outros credores.

Art. 261. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro, a cada um dos outros assistirá o direito
de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total.

Art. 262. Se um dos credores remitir a dívida, a obrigação não ficará extinta para com os outros; mas
estes só a poderão exigir, descontada a quota do credor remitente.
Parágrafo único. O mesmo critério se observará no caso de transação, novação, compensação ou
confusão.

Art. 263. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos.
§ 1
o
Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores, responderão todos
por partes iguais.
§ 2
o
Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e danos.


Obrigações Solidárias
1) Multiplicidade de sujeitos (credores ou devedores), tendo qualquer credor o direito de exigir a
prestação e todos os devedores o dever de prestá-la integralmente.
2) Características
a) Multiplicidade de sujeitos
b) Unidade da prestação
c) Corresponsabilidade dos responsáveis
3) Inexiste solidariedade presumida: manifestada pela vontade das partes ou em decorrência da
lei art. 265
4) A solidariedade pode ser diferente para os sujeitos art. 266
5) Cada credor pode cobrar, individualmente, a dívida toda art.267.
6) O devedor pode pagar a dívida toda a qualquer credor art. 268. Caso haja demanda judicial só
poderá pagar a quem deu causa pelo princípio da prevenção, que pode ser visto nos art. 106 e
107 C.P.C.
Art. 106. Correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considera-se prevento aquele
que despachou em primeiro lugar.
Art. 107. Se o imóvel se achar situado em mais de um Estado ou comarca, determinar-se-á o foro pela prevenção, estendendo-se a
competência sobre a totalidade do imóvel.
7) Falecimento de um dos credores solidários art. 270. Refração de crédito. Os herdeiros só têm
direito ao quinhão hereditário. A prestação por inteiro só poderá ser exigida no caso de
herdeiro único, ação conjunta dos herdeiros ou se a prestação for indivisível.
8) Conversão em perdas e danos art. 271. Persiste a solidariedade
9) Oposição de exceções pessoais art. 273. Não podem ser impostas aos outros credores pelo
devedor
10) Julgamento contrário a um dos credores art. 271. Não atingem os demais credores. Caso o
julgamento favorável referente às coisas comuns aproveitam os demais credores; na exceção
pessoal de um dos credores não podem os demais se aproveitar.
11) Extinção da obrigação solidária art. 269.
12) Direito de regresso dos cocredores art. 272
13) Solidariedade passiva art. 275. Todos os devedores devem tudo (totum et totaliter)
14) Morte de um dos devedores solidários art. 276. Herdeiro responde só pela quota do quinhão
hereditário, exceto se a obrigação for indivisível (cada um é responsável pela dívida toda).
Os herdeiros serão considerados como um só devedor solidário em relação aos demais
codevedores
15) Pagamento parcial e remissão de um dos devedores. Os demais devedores só são solidários
pelo restante da dívida (total menos dedução ou remissão)
16) Cláusula, condição ou obrigação adicional art. 278. Só podem ser aceitas em comum acordo
por todos os devedores solidários. Exceção à regra art. 204 §1
o

Art. 204. A interrupção da prescrição por um credor não aproveita aos outros; semelhantemente, a
interrupção operada contra o codevedor, ou seu herdeiro, não prejudica aos demais coobrigados.
§ 1o A interrupção por um dos credores solidários aproveita aos outros; assim como a interrupção
efetuada contra o devedor solidário envolve os demais e seus herdeiros.

17) Renúncia da solidariedade pelo credor art. 282. Pode ser absoluta, ou seja, não há mais
solidariedade, ou relativa, um ou outro devedor. Na relativa os demais devedores ficam
responsáveis pela parte da dívida que ficou.
18) Cota do devedor insolvente é dividida por todos os devedores solidários, inclusive o exonerado
da solidariedade art. 283 e 284.
19) Impossibilidade da prestação por culpa de um dos devedores art. 279. Todos respondem pelo
equivalente em dinheiro e o culpado por perdas de danos
20) Juros de mora art. 280. Todos os devedores solidários respondem, mas o culpado deverá o
ressarcimento aos demais codevedores por ação regressiva.
21) Meios de defesa dos devedores art. 281. Pode o devedor demandado opor as suas próprias
defesas e as comuns. Contudo não pode aproveitar a defesa pessoal de outro codevedor.

Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à
dívida toda.
Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes.
Art. 266. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos cocredores ou codevedores, e condicional, ou a prazo, ou pagável em lugar
diferente, para o outro.
Art. 267. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro.
Art. 268. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum, a qualquer daqueles poderá este pagar.
Art. 269. O pagamento feito a um dos credores solidários extingue a dívida até o montante do que foi pago.
Art. 270. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que
corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível.
Art. 271. Convertendo-se a prestação em perdas e danos, subsiste, para todos os efeitos, a solidariedade.
Art. 272. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba.
Art. 273. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros.
Art. 274. O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais; o julgamento favorável aproveita-lhes, a menos que se funde em
exceção pessoal ao credor que o obteve.
Art. 275. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver
sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto.
Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores.

Art. 276. Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão a quota que corresponder ao seu
quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais
devedores.
Art. 277. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores, senão até à
concorrência da quantia paga ou relevada.
Art. 278. Qualquer cláusula, condição ou obrigação adicional, estipulada entre um dos devedores solidários e o credor, não poderá agravar a posição
dos outros sem consentimento destes.
Art. 279. Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente; mas pelas
perdas e danos só responde o culpado.
Art. 280. Todos os devedores respondem pelos juros da mora, ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um; mas o cul pado responde
aos outros pela obrigação acrescida.
Art. 281. O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos; não lhe aproveitando as exceções
pessoais a outro codevedor.
Art. 282. O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores.
Parágrafo único. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores, subsistirá a dos demais.

Art. 283. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos codevedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos
a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as partes de todos os codevedores.
Art. 284. No caso de rateio entre os codevedores, contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor, pela parte que na obrigação
incumbia ao insolvente.
Art. 285. Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores, responderá este por toda ela para com aquele que pagar.