AORDEM

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"*?ەN- DE BENEDITINO
/
PE. TEOFANES DE BARROS
-
O SUPER
HOMEM
/
EDUARDO BORGERTH
-
LEWIS MUMFORD
E AS CIDADES ( A cidade medieval
-
Conclusã^o)
/
F. A. RI-
BEIRO
-
RUTVIOS DA REFORMA SOCIAL
/
D. MARCOS
BARBOSA
-
DESCIÌENTO DA CRUZ / DOCUMENTOS
PONTIFÍCIOS
-
EXORTAÇÃO DO SANTO PADRE À ASSO-
CIAÇÃO ARTÍSTICO-OPERÁRIA DE ROMA
/
D. MARCOS
BARBOSA
-
SERMÃO DO MANDATO / CRÔNICAS RADIO-
FÔNICAS (A roupa suj a
-
O hóspede
-
í' Jsfs
et semper")
/
REGISTRO (Os bispos e a imigração
-
O 7 de Março em Pira-
cicaba
-
"pspsngus de Natal"
-
Crescimento das cidades brasi-
leiras)
-
LIVROS ("Do Sacramento da Ordem e seu ritual", Miles
Christi
-
"Código Sociale", Unión Internacional de Estudios Socia-
les
-
"El
pensamiento de Pio XII sobre los problemas sociales",
Pablo A. Ramella
--
"Padre
Antônio Vieira", Mons. Arias Cruz
-
"A
capacidade civil da mulher casada", Prof. Dr.
João
da Gama
Cerqueira
-
"Ni
marxismo ni liberalismo: social-cristianistno",
Marcelo Martinez Candia).
1953
VOL. XLü
N. o 4
Av. Marechal Floriano, 205
-
Caixa Postal
-
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-
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0 Super Flornem
Pe. TEOFANES BARROS
Durante os dias do Carnaval, tive ocasiáo de reler o mâgnr-
fico trabalho
de Maritain, no seu livro
"Théonas", sôbre c
Super lIomem. Náo vá ninguém
pensar que
se trata do mito
Nietzscheano
da nova espécie, para
a
qual
evolve a humani-
dade atual. Pobre humanidade! Será
que
evolve, realmente?
Ou,
pelo
contrário, há involuçáo, em vez de evoluçáo?!
-
eue
significa Carnaval? Maritain refere-se a outro tipo de Super
[Iomem,
ao
qual
alude Aristóteles, bem diferente de Nietzsche.
O filósofo
alemão se deixou fascinar
pela
fôrça, não
quis
ver
no homem o
que
nêle existe de especìficamente humano: sua
inteligência, que
vale infinitamente mais
que
a sua "vontade
de
potência".
O filósofo grego já
estudara, na aurora da civilização aquiio
que,
especiÍicando
o ser humano, o eleva acima de todo o mun-
do. O super humanismo
de Nietzsehe
pretendeu
rnudar a espé-
cie humana.
O de Aristóteles se verifica dentro d.a nossa
pró-
pria
natureza
específica.
Para Nietzsche,
o Super Homem é algo a
que
o homem terí
de chegar em vista do determinismo cego das leis naturais.
Para Aristóteles,
é um
programa
traçad.o a cada ser hu-
mano que quiser
viver sua vida em tôda
plenitude.
E'
pela
con-
templação
da verdilde, pela
integração na verdade,
que
o ho-
mem se eleva e engrandece. For isto, diz Maritain:
.,O
Super
Homem, segundo Aristóteles,
é o sábio,
que
especula sôbre as
coisas eternas".
- 2 5
À ORDBI
E explica a doutrina do Filósofo. O
que
há de especifica-
mente humano no homem, o
que
o diferencia do bruto, é a
inteligência. "Aquilo
pelo qual
o homem é mais verdadeira-
mente homem, é a inteligência,
que
é nêle coisa dlvina,
pela
qual
êle
participa
da natureza dos espÍritos. E, entretanto,
viver da vida contemplativa é viver segundo o modo dos espÍ-
ritos
puros,
enquanto
que
viver de vida voluptuosa, é vlver
segundo o modo bestlaÌ, e vlver de vida ativa e social é viver
segundo o modo humano, secundum ttominem".
"Sendo assim, o
programa
de vida mais
perÍeito para
o
homem, será a vida segundo o espírito. E' a
própria
natureza
humana
que
solicita o homem
para
èste super Irumanismo.
Assim, o esfôrço
para
o heroÍsmo, a esperança de exceder as
condições de vida humana, têm sua valz na
própria
natureza
do homem,.e é trair a natureza humana,
persuadir
aos homens
de sòmente. saber as coisas humanas, aos mortais de sÒmente
saber as colsas mortals; é ao imortal e ao divino
que
é
preciso
tender. Assim, o sábio,
permanecendo
verdadelramente huma-
no, vive de
uma
vlda meihor
que
a humana".
Aristóteles, sem as luzes da Revelação Cristá, náo soube
aprofundar o verdadeiro conceito do sábio. Ficou simplesmen-
te extasiado ante a sabedoria da inteligênsia. Só o cristianismo
mostrou
que
há outra espécie de sabedoria, escondida aos olhos
dos homens, ou mesmo considerada loucurâ
pelos
homens, mas
que
brilha aos oÌhos de Deus. E' a sabedoria dos Santos. São
os verdadeiros super homens. Sáo os
que
se elevaram ante a
humanidade inteira.
Rendamos, entretanto, homenagens ao
grande
ÍllósoÍo
grego, que,
nos
primórdios
da civilizaçã"o,
já,
havia estabelecido
a verdadeirâ hierarquia de valores. Já mostrara
qual
o
progra-
ma mais digno de ser seguldo
por
um animal racional.
E'
pena que,
num século
que
se diz civillzado, tão
poucos
sejam os
que
compreendem esta doutrina do Estargirita. O
que
vamos é o mais triste dos infra-humanismos,
principalmente
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nestes dias de
yolúpia
carnavalesca. Será de desejar
que
o
progresso
das ciências da matérÍa,
que
constitui o titulo de
nobreza
'do
nosso século, seja acompanhado de igual avanço
nas ciências do espÍrlto, a Íim de
que possa
o
gênero
humano
compreender melhor a taz.fu de ser da sua
passagem pela
Terra.
(Maceió,
15 de feverelro de 19ã3).
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