tec.

nicum
Schmersal Ibérica, S.L.
Pol. Ind. La Masia
Camí de les Cabòries, Nave 4
08798 Sant Cugat Sesgarrigues
Tel.: (+34) 93 897 09 06
Fax.: (+34) 93 396 97 50
eMail: info-es@schmersal.com
Web: www.schmersal.es

em Portugal:
Apartado 30
2626-909 Póvoa de Sta. Iria
Tel.: (+351) 21 9593835
Fax: (+351) 21 9594283
Tlm.: (+351) 91 4284031
eMail: info-pt@schmersal.com
Web: www.schmersal.pt


Divisão de Formação e Consultadoria em Segurança.

Adequação de máquinas segundo DL 50/2005

Empresa: Acessomatic

Data: 23 de janeiro de 2014



No seguimento da vossa solicitação de um parecer sobre a máquina da YKK a
intervencionar, relato abaixo algumas considerações.

Em primeiro lugar faço uma introdução à norma EN 61496-1/2: 2004, que regula a
construção e aplicação de cortinas optoelectrónicas.

Em segundo lugar deixo o meu comentário sobre este caso em concreto, com o
cálculo das distâncias de segurança para as várias opções.

Este documento não é vinculativo, apenas expressa a minha opinião técnica à
intervenção a efectuar. Este documento não é uma análise de riscos. Este documento
não pressupõe conformidade com o DL 50/2005.




Nuno Cruz
Eng. Electromecânico
Functional Safety Engineer
Responsável Comercial Portugal

Tlm (00351) 914284031
Mail ncruz@schmersal.com









Equipamentos de Protecção ElectroSensíveis (“EPES”)
EN 61496-1/2: 2004

Conceitos e requisitos gerais
Um EPES aplica-se a máquinas que apresentam um risco de danos pessoais.
Asseguram a protecção, levando a máquina a uma situação segura (mediante a
detecção de presença) antes que possa encontrar-se alguém em situação de perigo.

(...)

Requisitos funcionais
Normal: O EPES deve responder dando um ou vários sinais de saída apropriados
quando parte do corpo de uma pessoa, maior ou igual à capacidade de detecção
entre ou se encontre na zona de detecção.
Detecção: A função de detecção deve ser efectiva na zona de detecção especificada
pelo fabricante. Não deve ser possível realizar nenhum ajuste da zona de detecção, da
capacidade de detecção ou da função de bloqueio (rearme manual ou automática).

(...)

Um EPES compreende como mínimo:
- Um dispositivo de detecção
- Dispositivos de controlo/supervisão
- Dispositivos de comutação dos sinais de saída

Tipos de EPES:
- EPES Tipo 2: Definido para AOPD’s de categoría 2 (AOPD: Dispositivo de Protecção
Optoelectrónico Activo, sigla em inglés. Coloquialmente optoelectrónica)
- EPES Tipo 3: Definido para AOPDR’s de categoria 3 (AOPDR: Dispositivo de
Protecção Optoelectrónico activo sensível a radiações difusas, sigla em inglés.
Coloquialmente scanner)
- EPES Tipo 4: Definido para AOPD’s de categoria 4

Requisitos para cada tipo de EPES:
- EPES Tipo 2: Equivale a um tipo de categoria 2, segundo a EN 13849-1. Deve dispôr
de um meio de comprovação periódica da função de segurança (perda da
capacidade de detecção, tempo de resposta que supere o especificado). O circuito de
saída de pelo menos um OSSD deve passa a DESLIGADO (quando se accione a
detecção ou se retire a alimentação). Toda a avaria deve conduzir a uma condição de
bloqueio eléctrico como resultado da próxima verificação periódica.
- EPES Tipo 3: Equivale a um tipo de categoria 3, segundo a EN 13849-1. Detecção
de avarias segundo os requisitos do ponto 4.2.2.4. O circuito de saída de pelo menos
dois OSSD deve passar a DESLIGADO (quando se accione o dispositivo ou se retire
a alimentação).
- EPES Tipo 4: Equivale a um tipo de categoria 4, segundo a EN 13849-1. A função de
segurança não será afectada por uma falha ou erro no sistema. Detecção de avarias
segundo os requisitos do ponto 4.2.2.5. O circuito de saída de pelos menos dois
OSSD deve passar a DESLIGADO (quando se accione o dispositivo ou se retire a
alimentação).

(...)



AOPD’s: Dispositivos, cuja função de detecção se realiza por elementos receptores e
emissores optoelectrónicos, que detectam a interrupção das radiações ópticas
geradas no interior do dispositivo por um objecto presente, opaco, na zona de
detecção especificada em duas dimensões.

Condições de uso:
- Que o movimento perigoso possa parar a qualquer momento e que a zona perigosa
não possa ser alcançada antes que o movimento perigoso se tenha detido
completamente
- Que se conheça o tempo de paragem da máquina e de todos os componentes
de segurança
- Que não existam projecções de objectos (peças de trabalho, restos, chispas,
líquidos, etc)
- Que o AOPD cumpra os requisitos de tipo 2 ou tipo 4 (requerido segundo a
avaliação de riscos)
- Que apenas se possa aceder à zona perigosa passando pelo campo protegido do
AOPD
- Que seja impossível passar por cima, lateralmente ou por baixo do campo
protegido.
- Que os dispositivos de comando de inicio ou rearme estejam localizados de tal forma
que toda a zona perigosa seja completamente visível desde fora e não seja possível
activar desde dentro
- E que a distância de segurança e resguardos adicionais se calculem e apliquem
constructivamente de acordo com a norma EN 13855





Distância de Segurança:

S = K x T + C

K é a velocidade de aproximação do corpo ou parte do corpo em mm/s
T é o tempo de reacção total do sistema em s
C é a distância adicional, em mm, relacionada com a resolução
(para cortinas com resolução até 40mm considera-se C = 8 x (D - 14), onde D é a
resolução)
(para grades com resolução maior que 70mm considera-se C = 850mm)








A distância a que estão montadas as cortinas em relação à zona de perigo deve ser
igual ou superior à distância calculada através da fórmula S = K x T + C

Exemplo 1
SLC 440-E/Rxxxx-30
Tempo de reacção da cortina: 15ms
Velocidade aproximação do membro (K) = 2000mm/s

S = 2000 x 0,015 + 8x(30-14) = 158mm

A este valor falta adicionar os restantes tempos de paragem que não conhecemos ou
que não estão calculados (módulo segurança ou autómato, válvulas de corte,
contactores, etc.).


Exemplo 2
SLG 440-E/R0900-04
Tempo de reacção da grade: 15ms
Velocidade aproximação do corpo (K) = 1600mm/s

S = 1600 x 0,015 + 850 = 874mm

A este valor falta adicionar os restantes tempos de paragem que não conhecemos ou
que não estão calculados (módulo segurança ou autómato, válvulas de corte,
contactores, etc.).






Ter em atenção dois pontos:

- quanto mais afastada da máquina a cortina/grade estiver, menor tem de ser o campo
útil de protecção;

- como é uma solução para passagem de corpo, a cortina/grade não deverá ter rearme
automático, mas sim manual, para evitar que alguém fique dentro da zona a proteger e
o sistema rearme sozinho.