Economia Pública

Economia Pública enquanto ciência - A acção económica do Estado distingue-se, desde logo, pelo
facto de não ter por mecanismo dominante a troca voluntária de bens e serviços regulada por acordo
livremente estabelecido entre os interessados (mercados), mas pelo contrário, trata-se de uma
actividade que envolve o poder de coacção. Enquanto disciplina poder-se-á definir como a ciência
que estuda a actividade económica dos entes públicos e a sua relação com a sociedade.
Elementos comuns e diferenciadores da Economia Pública e Economia Privada
Ambas as vertentes económicas visam a alocação e a utilização de recursos escassos para satisfação
de necessidades. As duas modalidades de economia procuram no fundo, maximizar a utilidade que
resulta da aplicação dos recursos escassos. Existem aliás uma serie de pontos de contacto entre estes
dois ramos embora existam também questões específicas ligadas ao sector público em particular.
A indicação do sistema de preços na economia pública não é um indicador aplicável, bem como a
concorrência dos mercados também não o é. Enquanto na economia privada e empresarial, através
dos mercados, ajusta-se a procura e a oferta dos diversos bens e serviços e se repartem os
rendimentos originados na sua produção através do livre jogo dos preços, a Economia Pública não
dispõe deste mecanismo de ajustamento, pelo menos no núcleo central da sua acção onde
predominam os bens como a Defesa Nacional, a Segurança Pública ou a Justiça. A principal forma de
o sector público se abastecer de recursos é essencialmente através da coacção ou cobrança de
impostos. Esta é uma diferença clara entre a vertente pública e privada, uma vez que na economia
privada é possível através da produção de algo, obter rendimentos na venda desse mesmo resultado.
A alocação dos recursos em Economia Pública dá-se através da cobrança de impostos. Uma outra
diferença reside no facto de só ser possível estabelecer parâmetros económicos públicos através de
medidas políticas. É o sistema eleitoral que faz a substituição do sistema de preços. Através do voto,
delimita-se o fluxo de bens e serviços que o sector público deve aprovisionar. A parametrização da
satisfação de necessidades é estabelecida pela decisão dos representantes do (e) povo. A
participação pública económica depende da matri z ideológica do país (intervenção maior ou menor,
do Estado na economia). As diferenças são claramente marcadas no que diz respeito à actuação da
Economia Pública, uma vez que em alternativa ao mecanismo de preços, estabelecem-se processos
políticos de apuramento da vontade colectiva a fim de calibrar a produção. Recorre-se a medidas
coactivas, de que o Estado detém o monopólio, para regulamentar a actividade económica. Estas
medidas visam assegurar o indispensável financiamento da provisão pública. Ou seja, a economia
deixa de ser controlada por uma “mão invisível de mercado” para ser controlada por uma “mão
invisível de autoridade”. Poder-se-á dizer que, a Economia Pública ocupa-se do principal motivo de
intervenção estadual. Esta influência acontece quando se constata que as satisfações de
determinadas necessidades que não são prosseguidas pelos mercados, ou se o são, são-no de forma
ineficiente, levam a uma actuação do Estado. As áreas de estudo que dizem respeito à Economia
Pública englobam temas como externalidades, imperfeições na concorrência e os fenómenos
ligados aos bens públicos, despesas e receitas públicas, ou ainda as formas de actuação como a
regulação da actividade privada, o estabelecimento de controlos directos sobre determinados
sectores de actividade ou nos casos de exploração de bens e serviços considerados estratégicos.

A Economia Pública enquanto sector institucional
A Economia Pública é considerada como produtora de utilidades desti nadas à satisfação de
necessidades públicas. Estas são necessidades colectivas que se manifestam no seio de uma
comunidade e cuja saciabilidade foi o Estado que assumiu. Esta assunção pública dá-se através da
activação de mecanismos políticos. Mas não basta uma justificação ideológica para todas as
necessidades deixarem de ser privadas e passem a ser públicas. Uma limitação a este fenómeno é o
facto de esse aprovisionamento requerer recursos que são escassos. A satisfação e a prossecução do
bem público são então executadas por um conjunto de instituições que financiadas pelo Estado,
asseguram a satisfação de necessidades que se revelam inalcançáveis aos mercados de forma
eficiente. Assim, enquanto cientificamente a Economia Pública ocupa-se dos pressupostos (como e
porquê) de actuação estadual ou as áreas em que essa actividade é desenvolvida, na vertente
institucional esta é o aparelho funcional (Sector Público), que visa a prossecução através dos meios
disponibilizados por decisão política.
Sector Público
Definição e composição do Sector Público – É uma tarefa difícil, a de definir ao certo o que será
considerado Sector Público, uma vez que este varia na sua dimensão e área de actuação consoante a
vontade política ou o desenvolvimento que o país conhece. Assim para um maior esclarecimento
acerca do que é o sector público, dever-se-á ter sempre em consideração a época e a vontade
política com vista á atribuição de funções na economia, se deve ou não ser considerado sector
público. O Sector Público é genericamente dividido em duas grandes áreas ou componentes. Sector
Público Administrativo e Sector Público Empresarial são estabelecidos consoante atribuição
concedida pelo Sistema Nacional de Contas (entidade que regula a actividade económica do Estado).
O Sistema Nacional de Contas considera uma unidade institucional através da lógica de actuação e o
seu financiamento.
Sector Público Administrativo (SPA) - inclui todas as instituições que tenham por função principal o
aprovisionamento não mercantil de bens e serviços ou a redistribuição do rendimento e da
riqueza, e que a fonte de financiamento seja predominantemente o produto das receitas
tributárias. O bem terá de ser oferecido gratuitamente ou a um preço que não seja
economicamente significativo. O preço é economicamente significativo se cobrir 50% do custo de
produção do bem. O Sector Público Administrativo integra as entidades instituídas por vontade
política que exercem poderes legislativos, judiciais ou executivos sobre outras entidades existentes e
é subdividido da seguinte forma:
Administração Central – diz respeito a organismos que detêm jurisdição (representação) em todo o
território nacional. São financiadas através da tributação de impostos e visam o aprovisionamento de
bens e serviços colectivos. Agrupam o Estado e FSA (Fundos e Serviços Autónomos).
Estado ou Administração Estadual - conjunto de entidades publicas que estão obrigadas a
respeitar a disciplina orçamental. Na acepção técnica este integra a contabilidade nacional.
Correntemente denomina-se Estado por todo o sector Público.
FSA (Fundos e Serviços Autónomos) – autónomos em relação à disciplina orçamental. São
unidades institucionais dotadas de um estatuto legal específico e de contas próprias, não
estão subordinadas à plenitude da disciplina orçamental. Exemplo do INE.

Administração Regional e Local – diz respeito a organismos que possuem jurisdição parcial em
termos de território. Recebem maioritariamente transferências provenientes do Orçamento de
Estado.
Segurança Social - Visa aprovisionar a necessidade de bens e serviços elementares. Grandemente
financiada por descontos efectuados aos vencimentos dos trabalhadores e em parte através de
transferências do Estado. É um subsector economicamente organizado que abrange as unidades
institucionais com competência de gestão dos diferentes regimes de segurança social instituídos e
controlados por qualquer nível da Administração Pública, com vista à cobertura de toda a população
ou largos estratos dela.
Sector Público Empresarial (SPE)
Sector Público Empresarial – composto pelas unidades institucionais detidas ou controladas pelas
administrações públicas e cuja actividade consiste na produção de bens ou serviços destinados à
venda no mercado a preços economicamente significativos. Neste caso deverá existir recurso a
impostos para aprovisionamento de bens mas não deve ser tão frequente como no Sector Público
Administrativo.
Empresas Públicas – sociedades constituídas nos termos da lei comercial, nas quais o Estado
ou outras entidades públicas estaduais possam exercer, isolada ou conjuntamente, de forma
directa ou indirecta, uma influência dominante em virtude de alguma das seguintes
circunstâncias – detenção da maioria de capital ou dos direitos de voto, direito de designar
ou destituir a maioria dos membros dos órgãos de administração ou fiscalização. São no
fundo empresas em que o Estado ou outras entidades públicas estaduais possam exercer,
isolada ou conjuntamente, de forma directa ou indirecta, uma influência dominante
decorrente da detenção da maioria do capital ou dos direitos de voto, ou do direito de
designar ou de destituir a maioria dos membros dos órgãos de administração ou de
fiscalização.
Empresas Participadas – organizações empresariais que têm uma participação permanente
do Estado ou de quaisquer outras entidades públicas estaduais, de carácter administrativo
ou empresarial, por forma directa ou indirecta, sem que essa participação origine uma
influência dominante em virtude de não dar lugar a qualquer das duas circunstâncias que
caracterizam as empresas públicas (direito de voto maioritário ou designação dos membros
do conselho de administração e fiscalização). Empresas participadas são unidades em que,
não se encontrando reunidos os requisitos para serem consideradas empresas públicas,
existe uma participação permanente do Estado.
Sector Empresarial Regional – todas as empresas que estejam caracterizadas como sendo
pertencentes ao Sector Público Empresarial mas detidas pelas regiões autónomas dos Açores ou da
Madeira.
Sector Empresarial Local – integra as empresas municipais, intermunicipais e metropolitanas que
estejam caracterizadas como pertencentes ao Sector Público Empresarial.





Sector
Público




Sector Público Administrativo
Sector Público Empresarial

Administração Central
Administração Regional e Local

Segurança Social

Administração Estadual


Fundos e Serviços Autónomos



Empresas Públicas
Empresas Participadas
Sector Empresarial Regional
Sector Empresarial Local
Sector
Públ i co
Sector Empresarial do Estado

A Grandeza do Sector Público - Obtenção de valor do financiamento público
Sector Público Administrativo - Conta Consolidada do Estado – este mecanismo existe para emendar o erro de Dupla
Contagem e caracteriza-se por não ser somente uma soma algébrica das receitas e despesas dos seus subsectores (Sector
Público Administrativo). A fim de apurar o valor global das receitas e das despesas do conjunto do SPA (como de uma só
entidade se tratasse), é necessário que à soma dos gastos de cada um dos diversos subsectores seja deduzido o montante
dos fluxos financeiros que foram estabelecidos, designadamente as transferências de valores, isto porque, ao serem
reduzidas as transferências entre os demais subsectores, um valor transaccionado uma vez entre duas áreas não volta a ser
contabilizado numa próxima operação. Ou seja, somente é deduzido o montante dos fluxos financeiros que o SPA
estabelece entre si (Total das Receitas Correntes -Transferências Receitas Correntes). É através deste balanço
contabilístico que é estabelecido o cálculo de quanto se gasta e quanto se obtém no total das contas do Estado. Assim,
anualmente é elaborado o Orçamento de Estado (previsão de gastos e receitas) e a Conta Geral do Estado que
implementam o cálculo real das operações levadas a cabo assim como os gastos e as receitas que essas operações
contabilizaram. A Conta Geral do Estado é o apuramento do Orçamento de Estado através da confirmação, a posteriori, dos
valores envolvidos no documento. Ora, esta contabilização, uma vez mais, é essencial para perceber quais são os sectores
chave de investimento do Governo, (para onde é canalizado o investimento) bem como serve de indicador para o cálculo
dos respectivos Saldos, deixando também perceber que tipo de política económica é desenvolvida pelo executivo.

Tipos de Saldo apurados através da Conta Consolidada Pública
Saldo Corrente
Saldo Global
Saldo Primário

Diferença entre receitas correntes e despesas correntes – Saldo Corrente
Saldo Corrente (SC) = Receita corrente – Despesa corrente
É o levantamento das despesas e das receitas correntes. Abarca os gastos e as receitas obtidas em
determinado ano corrente de contas. Gasto corrente – é o gasto que se esgota no momento, quando
é feito o seu levantamento. Se o consumo efectuado é pago ou se está a ser deixado para as
gerações futuras.

Diferença entre a soma das receitas correntes e de capital e das despesas correntes e de
capital
Saldo Global – SG =(Receita Corrente + Receita kapital) - (Despesa Corrente + Despesa kapital) indica a
política que o Governo está a adoptar.
Assim se:
Saldo Global positivo implica retirar poder de compra da economia (procura reduzida) - (Política
contraccionista – combate à inflação). Receita maior que a despesa. Superavit
Saldo Global negativo – injecção de capital e poder de compra na economia (procura elevada) -
(Política expansionista – combate ao desemprego). Despesa maior que receita – Défice

Cálculo idêntico ao do Saldo Global excluindo das Despesas Correntes o valor dos Juros e
dos Outros Encargos da Dívida Pública.
Saldo Primário – o saldo global sem contabilização de juros provenientes de operações transactas.
Informação da política adoptada sem a influência da herança dos anteriores governos.
Saldo Primário – SP = (Rc + Rk) - [(Dc – J) + Dk] , isto é Saldo Global + Juros

Escolha de sistema de contabilidade

Contabilidade Pública – uma contabilidade de caixa. Reconhece uma operação quando esta se repercute na
tesouraria. É importante para definir quem, como e quando efectuou gastos públicos para futura
responsabilização. A Contabilidade Pública mantém-se como um meio eficaz para a imprescindível função
de acompanhamento e de superintendência da execução orçamental por parte das autoridades
competentes.
Contabilidade Nacional – assenta numa base de exercício. A operação é reconhecida assim que esta é assumida
pelo Estado. Refere informações acerca de onde irá ser gasto o dinheiro público, de forma a orientar os
orçamentos públicos. A Contabilidade Nacional permite estabelecer o controlo económico da despesa
pública ao dar a conhecer, por um lado, a medida em que cada sector institucional contribui para as
grandezas macroeconómicas, e por outro, ao permitir uma gestão precisa de questões decisivas como a
eficiência na afectação dos recursos públicos ou a sustentabilidade económica da política orçamental segui da
pelos governos.
Importa referir que estes dois sistemas são complementares, na medida em que cada um deles privilegia o
indispensável controlo de aspectos diferentes da actividade do Sector Público Administrativo.
Grandeza do Sector Público Administrativo – a grandeza do Sector Público Administrativo poderá ser medida
através da relação percentual do PIB (Produção nacional) gasto no Sector Público Administrativo, ou a
percentagem de Investimento Público em relação ao Total dos Investimentos (Investimento Total).
Indicadores económicos para a obtenção da Grandeza do Sector Público Administrativo
Receita – ex. impostos cobrados
Despesa – ex. transferências para outros subsectores (Segurança Social)
Consumo – gasto instantâneo e entra no momento para as contas públicas.
FBCF – Formação Bruta de Capital Fixo (investimento)
Salários – Respeitante aos trabalhadores da Função Pública
Grandeza do Sector Público Empresarial – o Sector Público Empresarial tem variado na sua dimensão, consoante
as circunstâncias económicas, a matriz ideológica e as acções dos diferentes Governos. Ter-se-á de considerar
sempre as falhas de mercado, os monopólios naturais e os serviços de utilidade pública, que fomentam, como é
natural, esta actividade empresarial e interventiva por parte do Estado. De forma a assegurar a continuidade das
empresas que estejam a actuar em ramos da economia considerados essenciais, o Executivo desenvolverá um
esforço adicional para que estas mesmas não sejam extintas. É certo que estes factores não são os suficientes
para explicar o envolvimento do Estado na actividade económica através das suas empresas, pelo que é coerente
incluir também factores de ordem política, ideológica, social, administrativa e histórica.
Medição de grandeza Sector Público Empresarial através da média aritmética dos indicadores x1, x2, x3
Considerações sobre o Emprego (percentagem de população activa que empresas pertencentes ao Sector Público
Empresarial englobam) x1
Valor Acrescentado Bruto (VAB) – valor que o processo produtivo acrescentou a determinado produto. O
somatório do valor de VAB é equivalente ao valor do PIB (C+I+G). x2
Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) – Quantidade de investimento feito em determinado sector empresarial
(Sector Público Empresarial). x3
Sector Empresarial do Estado – O envolvimento do Estado neste sector vai para além da simples participação no
capital das empresas em causa, podendo assumir outras formas (assunção de passivos, concessão de
empréstimos ou de indemnizações compensatórias). A participação do Estado pode estender-se para além de
accionista, chegando a ditar directrizes de actuação com vista à prossecução do interesse público. O SEE é
constituído pelo conjunto das unidades produtivas do Estado, organizadas e geridas de forma empresarial ,
integrando as empresas públicas e as empresas participadas. O SEE é responsável pela construção e gestão de
infra-estruturas públicas fundamentais e pela prestação de serviços públicos essenciais, para além de um
conjunto diversificado de outras funções de carácter instrumental, nos mais diversos sectores e domínios. O
Estado detém um conjunto assinalável de participações indirectas, maioritariamente integradas em grupos
económicos ou holdings como a Parpública – Participações Públicas, SGPS, SA, AdP – Águas de Portugal, SA. e na
Caixa Geral de Depósitos, S.A.
Empresas que compõem o Sector Empresarial do Estado
Empresas Públicas Não Financeiras, Empresas Públicas que gerem a Comunicação Social , Empresas
que Gerem Infra-estruturas, Administrações Portuárias, Infra-estruturas rodoviárias
Empresas mistas, Empresas Industriais, Requalificação Urbana, xxxx Polis – Programa Polis
Empresas públicas na área da saúde, Serviços de Utilidade Pública – Águas de Portugal e CTT,
Empresas públicas no sector dos transportes – CP, Carris, Metropolitano de Lisboa, PARPUBLICA,
Empresas Públicas Financeiras, Caixa Geral de Depósitos
Origens e Funções do Estado
O Estado tal como hoje é conhecido reflecte uma evolução desde os mais básicos e primórdios conceitos
sociológicos e políticos. O seu reconhecimento é feito através das primeiras civilizações e o seu papel sofre
alterações consoante a sociedade que integra. Desde o Antigo Egipto, passando pela Grécia Antiga, o Império
Romano e o Feudalismo, até ao Mercantilismo, ao Liberalismo e ao século XX, a Economia Pública e os fins do
Estado têm conhecido diferentes ciclos de participação mais ou menos acentuada nas sociedades. Estes ciclos de
intervenção estatal na economia têm sido cada vez mais curtos e mais alternados, consoante a evolução e as
necessidades apresentadas pelas diferentes comunidades.
Por exemplo, no Antigo Egipto todo o Estado pertencia ao soberano, considerando-o propriedade pessoal. Toda a
economia egípcia era gerida e controlada a um enorme nível de pormenor e detalhe. O Estado continha em si a
instrumentalização de produção na agricultura, na indústria e no comércio, assim como incumbia-se da
distribuição de tarefas e produtos. Também em Esparta, por exemplo, o poderio estadual era de tal forma sentido
que os homens eram obrigados a cumprir serviço militar até aos 60 anos e o governo legislava acerca do
penteado das mulheres. Estes são exemplos evidentes de que os homens pertenciam à nação em que nasciam e a
obrigação enquanto cidadãos era de pura devoção ao Estado superior e dominante.
Os Filósofos Gregos
Mais tarde na Grécia Antiga, dois pensadores filosóficos protagonizaram a primeira dualidade de ideias acerca da
participação do Estado na Economia e na vida em sociedade das pessoas que compunham a Nação. Platão e
Aristóteles foram dualistas quanto à sua forma de ver o governo interventivo ou não no âmbito económico e
social de Atenas, sabendo-se que o primeiro defendia uma clara envolvência do Estado na vida activa das pessoas,
e que o segundo contrariava dizendo que a sociedade era desigual pelo que o Estado não deveria contrariar essa
tendência natural da vida.
Platão na essência do seu pensamento defendia que nenhum dos cidadãos deveria estar em situações extremas
de pobreza ou riqueza. A atribuição do legislador era fixar um limite para a pobreza e para a riqueza, e assegurar-
se de que esses limites não eram violados. Segundo o filósofo, cabia ao Estado dirigir a actividade económica dos
cidadãos. Aristóteles, por seu lado, rejeitava o igualitarismo platónico. Entende que a “cidade é plural pela sua
natureza”, composta por indivíduos diferentes que deveriam viver numa esfera privada onde existisse uma
liberdade de acção do indivíduo, sendo que a produção deve também ser objecto de propriedade privada.

Os doutores da Igreja
A dicotomia estabelecida por Platão e Aristóteles não mais acabaria em todo o mundo ocidental. Santo
Agostinho adapta a filosofia platónica aos seus pensamentos religiosos defendendo uma participação que o
Estado deveria ter na vida das pessoas. Estabelece que cabiam ao poder, três funções da maior importância e
preponderância. O papel de comandar, de prover as necessidades básicas, e de aconselhar os cidadãos. Já S.
Tomás de Aquino integra o pensamento aristotélico onde realça que o homem possui uma dimensão que
transcende a comunidade política sabendo que lhe está reservada uma dignidade e fins próprios que vão para
além da própria força do Estado. Esta liberdade de prossecução de fins pessoais subentende um direito à
propriedade individual além duma consciente preocupação própria.
O mercantilismo e o absolutismo político
A partir do século XV, com o movimento renascentista, assiste-se a uma crescente ideologia de que era essencial
ao Estado o enriquecimento através da acumulação de moeda, facultada na redução de importações e o aumento
das exportações. Esta acumulação de riqueza seria essencial para o poder do Estado, resultando dessa ideologia
fortes e activas intervenções na vida económica dos diferentes países com vista à maximização de acumulação de
metais preciosos. Assim, esta acção era desenvolvida através de políti cas proteccionistas ou de intervenção bem
como um forte fomento das exportações. Dá-se a mudança de uma participação ocasional e isolada para uma
actividade contínua e orientada no que diz respeito à vida económica pública. A acrescentar a esta maior
participação na economia, por parte do Estado, surgem correntes teóricas que sustentam que os papéis da
governação são agora mais amplos e diversos e abarcam preocupações como o desenvolvimento do país e o
aprovisionamento do bem-estar das populações que o compõem. Assim, os fins do Estado incorporam a partir de
agora, a justiça, a paz, a prosperidade, o acautelar da saúde e o crescimento das populações para além da
garantia de sustento e educação na juventude. Esta teoria económica predominou desde 1500 a 1800,
sensivelmente.
Crítica ao mercantilismo e a fisiocracia
Mais tarde, no fim do século XVIII, começam a insurgir algumas críticas ao sistema mercantilista e ao domínio
monopolístico da economia por parte do Estado. Surge a Escola Fisiocrática que defende existir uma ordem
natural que governa a acção dos homens. Através desta doutrina, o papel do Estado deixa de ser o voluntarismo
mercantilista que ia contra as leis naturais, para ser um mero espectador que se limita a constatar a melhoria e a
prosperidade através dos agentes dos diferentes mercados. É o nascimento do conceito Laissez Faire, Laissez
Passez, le monde va de lui-même.
O liberalismo económico
O liberalismo clássico foi teorizado entre os séculos XVII e XVIII pelos filósofos iluministas que s e opunham por
completo ao absolutismo político levado a cabo pelo mercantilismo. John Locke foi um dos pensadores desta
corrente que via no Homem um ser naturalmente virtuoso e possui dor de direitos fundamentais e inalienáveis,
que poder algum deveria violar. Incluem o direito à vida, liberdade e à propriedade. É uma teoria que confina o
Estado à defesa das liberdades individuais e essa a sua razão de existir, segundo os liberais. Quanto à sociedade,
esta é considerada auto-suficiente. Para os principais pensadores desta escola, o Estado era um mau gestor de
recursos e os pensadores iluministas confinam-no a um reduzido núcleo de funções, afirmando que “o melhor
governo é o que menos governa”. Adam Smith, fundador da Escola Clássica, entendia que a economia tem
mecanismos automáticos que a levam ao equilíbrio, fazendo com que as acções globais conduzam a um
equilíbrio. Cada indivíduo aplicando o seu capital, sem saber, está a contribuir para o melhoramento de condições
de um terceiro. A participação no Estado distorcia assim, aqueles que eram os mecanismos automáticos de
regulação, a “mão-invinsivel”. Para Adam Smith, o Estado devia somente proteger a sociedade da violência e das
invasões de outras sociedades independentes, estabelecer uma administração exacta da justiça, e por fim, criar e
preservar certos serviços públicos e certas instituições públicas que visam a prossecução de bens que nunca
poderão ser assegurados pelos mercados uma vez que os lucros não cobririam o valor das despesas.
A Escola Materialista
A escola Materialista surge numa fase da história em que com o desenvolvimento económico e industrial de
diversos países se começa a sentir uma crescente assimetria de condições de vida e de bem-estar. Devido ao
desenvolvimento industrial, começa-se a assistir a enormes vagas de desemprego e a degradações de condições
de vida nos meios urbanos criados para albergar a mão-de-obra industrial. Após a revolução industrial e a
crescente industrialização do trabalho, começam a surgir na sociedade, enormes fossos de rendimentos entre
aqueles que estavam estabelecidos e os que não conseguiam encontrar trabalho ou meios de subsistir. Esta
situação despontou um novo pensamento entre alguns economistas no final do século XIX que consideravam o
Estado o impulsionador da criação condições materiais de produção. Era importante determinar a salvaguarda de
um sistema legal que ordenasse as relações dos sujeitos jurídi cos na sociedade capitalista e regulasse os conflitos
entre trabalhadores e patrões. Deveria o Estado assegurar a segurança e a expansão do conjunto de capital do
mercado capitalista mundial.
A Escola Alemã e a crítica ao Liberalismo Clássico
Com o acumular de situações de degradação de vida nas cidades e meios urbanos, decorrentes do processo de
industrialização, constata-se uma ruptura entre aquilo que era um aprovisionamento particular de situações de
desemprego, doença e velhice corrente nos meios rurais, e a realidade individual e desapoiada nos meios
urbanos. A acrescentar a esse facto, o fenómeno da desregulação estatal da actividade económica proporcionava
ainda mais abusos e assimetrias de realidades. Com Johann – Gottlieb Fitche, a escola alemã afirma que o Estado
tem um papel preponderante na sociedade ao desenvolver as tarefas ligadas à planificação económica. Alguns
pensadores desta frente ideológica acreditam que o homem é fraco e maldoso. Daí, ser inevitável a intervenção
do Estado na actividade económica com vista a combater os abusos e as assimetrias resultantes da desregulação
económica.
O Intervencionismo Keynesiano
A contestação levada a cabo pelos pensadores da escola alemã não foi suficiente para demover os governantes e
os mercados com vista à alteração do rumo que as economias mundiais conduziam até então. Contudo, através
de um crash bolsista em Nova Iorque ocorrido a 24 de Outubro de 1929, esta realidade viria a ser definitivamente
posta em causa através de uma acção encabeçada por um alto funcionário administrativo inglês. John Maynar
Keynes foi um economista que havia colaborado com o governo inglês com vista à aplicação de medidas
económicas que combatessem os dois males da economia (desemprego e inflação), sentidos em Inglaterra. O
modelo por si apresentado consistia numa estabilização económica através da manipulação de instrumentos
económicos que resultavam em última instância num combate ao desemprego ou à inflação. Keynes através da
Teoria Geral Do Emprego, do Juro e da Moeda ataca ferozmente a Doutrina Clássica ao argumentar que as
situações de desemprego poder-se-ão prolongar por longos períodos, o que conduz a uma degradação das
condições de vida e bem-estar das sociedades. Assim cabia ao Estado assegurar um equilíbrio económico entre o
desemprego e a inflação através da manipulação de instrumentos económicos, como por exemplo gerir o nível de
procura global ajustada à oferta disponível no mercado, assegurando que a Economia se mantinha num nível de
pleno Emprego, ao mesmo tempo que evitava o flagelo e a pobreza das populações.
Através do modelo Keynesiano, o Estado para além do poder de influenciar a actividade económica, dispõe de
diversas alternativas para o fazer. Um aumento da actividade económica pode ser promovido através do estímulo
da actividade económica dos agentes privados (redução de impostos, aumento de subsídios e de rendimento
disponível ao consumo) ou mesmo até da própria acção directa do Estado como fomentador da actividade por via
de lançamentos de programas de obras públicas que aumentarão a procura de investimento, isto porque a
injecção de capitais na economia (oferta de moeda) irá levar a uma quebra da taxa de juro e a um consequente
aumento da procura de investimento (incentivo ao investimento). Na Teoria Geral do Emprego, Juro e Moeda
John Maynard Keynes defendia que uma certa socialização do investimento afigura-se o único meio de assegurar
uma aproximação do pleno emprego. De facto, devido à aplicação desta política no pós-guerra, um pouco por
todo o mundo, a economia conheceria um período ininterrupto de crescimento e um claro desenvolvimento
social aumentando as condições de vida das populações.

Modelo Keynesiano:


As teses Neo-liberais
Como anteriormente tinha acontecido com a Teoria Clássica, também o intervencionismo Keynesiano foi posto
em causa aquando da crise petrolífera de 1973 originada pelo embargo da matéria-prima resultante do conflito
israelo-árabe. Este confronto levou a um enorme aumento do preço dos custos produtivos, originando um novo e
trágico fenómeno, que o keynesianismo não oferecia solução. A estagflação caracterizava -se por representar
enormes períodos de estagnação económica acompanhada de uma enorme inflação dos preços das matérias e
dos produtos, originando desemprego e quebras avultadas no investimento. Perante esta fragilidade do modelo
keynesiano, as teorias liberais voltam a insurgir dos meios académicos através de diferentes autores e com
diversas formas de apresentação.
Preferênci a Pel a Li qui dez

Oferta da Moeda

Taxa de Juro – Variável

+ Moeda, - taxa de juro

Eficácia Marginal do capital é a rentabilidade do capital
(Rendimentos dos projectos ou Produtividades das empresas)

Yd=Yg-T+Sub (rendimentos disponível)
1º Factor de consumo Yd
2º Factor de consumo Propensão marginal ao consumo
Yd x Propensão ao consumo (parte do rendimento disponível para gasto) – Nível
de procura consumo
Nível da Procura para
investimento

Nível de Produção +
Nível de Emprego +
Nível de procura efectiva +

A escola monetarista, protagonizada por M. Friedman, foi uma das que sobressaiu nesta nova vaga liberal.
Defensora do facto de que o que determinava as principais variáveis macroeconómicas (PIB e nível de preços)
eram a massa monetária e não a procura agregada. Segundo Milton Friedman, o Estado somente detinha o dever
de proteger os seus cidadãos da violência externa e de fazer cumprir a lei e a ordem. Por conseguinte, outra
corrente que ficou famosa devido à sua influência positiva na Economia foi a teoria de Economia de Oferta
(Supply-side Economics). Esta escola defende que toda a oferta cria a sua procura de forma a estimular a
produção. Ora sendo a produção o aspecto crucial da actividade económica, enquanto geradora de valores que
sustentam a oferta, esta deverá ser fomentada com vista à venda desses mesmos bens para que se possa criar
riqueza, alocar recursos e diminuir os preços, através dos crescendos de oferta. Ou seja, ao esti mular-se a oferta,
a produção aumenta. Com este aumento de produção/oferta, a venda dos produtos colocados no mercado
originará uma quebra de preços (baixa a inflação) ao mesmo tempo serão fontes de riqueza e de alocação de
recursos uma vez que a venda dos mesmos constitui rendimentos. Ora esta acumulação de valores origina riqueza
e por conseguinte níveis de emprego mais altos (maior procura de investimento e quebra no desemprego) que
reflectirão maior disponibilidade de rendimentos, mais emprego, relançando também a economia em nova
espiral ascendente. Os economistas da escola da Oferta explicam a falha da teoria Keynesiana através do facto de
o aumento da procura fazer com que a economia tivesse inflação permanentemente. Então afirmavam que para
elevar o nível de produção não se deveria aumentar a procura mas sim a oferta. Esta operação ficou conhecida
como “Voodoo Economic”s. Para aumentar a oferta estimulavam-se os produtores a produzir mais. A solução
apresentada para materializar esse estímulo era baixar os impostos que estavam directamente incorporados nos
preços. IRC Seg. Social.

Preços
D S
S1


Quantidade Oferecida








Como solução proposta para o intervencionismo do Estado pela via fiscal, Arthur Laffer propôs para o Governo de
Ronald Reagan uma curva que explicasse a relação entre a tributação imposta pelo Estado e o valor de receitas
fiscais obtidas através dos governos. Esta teoria propunha-se a estabelecer um ponto máximo de tributação onde
fosse possível arrecadar o maior volume de impostos possíveis não criando uma forçosa fuga ao pagamento dos
mesmos, estipulando assim um tecto máximo de tributação imposta pelo executivo.
Com a apresentação deste modelo, foi possível aos economistas combaterem em simultâneo o problema do desemprego e
da inflação. Através do aumento da Oferta os preços baixam, diminuindo a inflação. Maior poder de compra origina mais
investimento, emprego e maior acumulação de riqueza, figurando um aceleramento económico.
num
Y=M(V)=K » Y=f(m) equação de Friedman (monetaristas) – o PIB depende da quantidade de moeda em circulação.
M.V=P.T equação de Fisher
Moeda em circulação * velocidade de circulação = índice de preços * volume de transacções

Arthur Laffer – traça uma curva que relaciona as taxas de impostos e as receitas dos impostos.
Receita Fiscal


Taxas de Tributação


A Síntese de Musgrave
O economista Norte-americano, Richard Musgrave, perante o continuado confronto entre as teses liberais e
as teses intervencionistas começa por afirmar algo inovador. As modernas economias são sistemas mistos, na
medida em que todas combinam em proporções diferentes, num sector público e num sector privado.
Musgrave não estabelece um conjunto específico de atribuições que o Estado deva desempenhar, mas por seu
lado, delimita que existem funções que serão sempre benéficas à actividade económica.
Função Afectação – através da qual os poderes públicos intervêm na afectação de recursos à provisão
de bens e serviços essenciais, designadamente nas situações em que o mercado se revela incapaz de
actuar ou o faz de modo ineficiente
Função Distribuição – através da qual os poderes públicos actuam no sentido de corrigir a distribuição
primária do rendimento e da riqueza que resulta do mercado, a fim de a aproximar da concepção
dominante de justiça social. Esta função será desenvolvida através da proporcionalidade fiscal onde
quem mais ganha mais capacidade terá de suportar tributações, com vista a uma distribuição de riqueza
entre os particulares.
Função Estabilização – através da qual os recursos públicos são utilizados como instrumento de política
macroeconómica de modo a assegurar o pleno emprego, a estabilidade do nível de preços e o
conveniente crescimento económico.
Em qualquer país estas funções são levadas a cabo pelo Estado. As divergências de doutrinas continuam, entre
liberais e Keynesianos, essencialmente na proporção em que o Estado deve intervir através das funções de
Musgrave. A divergência já não está presente na presença ou não do Estado na economia, mas subsiste sim uma
enorme diferenciação entre a quantidade de participação do poder político na economia. Contudo, a análise
económica não se deve cingir na auto-suficiência dos mercados ou na total regulação por parte do Estado. Estado
o Mercado não são contraditórios mas sim complementares e ambos não subsistem em separado. Em conclusão,
ambas as teorias Keynesiana e Clássica, não poderão nunca actuar em exclusivo, mas sim de forma combinada. O
mercado só funciona se houver entidade (Estado) para fazer cumprir contratos e para garantir direito a
propriedades, e o Estado não existe sem pessoas e homem “economicus” (mercado).

“Se o Estado é forte esmaga-nos se o Estado é fraco nos perecemos (morremos) ” Paul Valery
Os dois teoremas fundamentais da Teoria Económica
O primeiro teorema fundamental da teoria económica diz que respeitadas determinadas condições, o equilíbrio concorrencial
leva a uma maximização da utilidade dos recursos (óptimo de Pareto). Este ponto corresponde a uma situação em que não é
possível operar qualquer mudança no sistema económico sem que a melhoria de um agente não provoque o perjúrio de outro.
Estando a economia num ponto de ineficiência, a sua melhoria segundo a condição paretiana envolveria uma maior afectação dos
recursos (maior eficiência) até à fronteira das possibilidades económicas. Para tal, é necessário que esse objectivo não represente
uma condição pior para qualquer um dos agentes económicos. Assim o óptimo de Pareto não corresponderá a uma solução
única.
O segundo teorema fundamental da economia contradiz esta teoria ao afirmar que esta omite o grau de participação entre
agentes. Se ambos contribuem para a condição, esta parceria pode indicar enormes desequilíbrios entre os agentes sendo
suficiente que um não piore. Ora, se um não piora o outro poderá ter de contribuir em muito maior escala para a obtenção da
eficiência económica. Este teorema encarrega-se assim de afirmar que para a obtenção da eficiência económica através dos
sistemas de preços e mercados, é necessário haver um fomento antecipado/prévio do equilíbrio dos recursos disponíveis, para
que o resultado final seja uma condição equilibrada de bem-estar entre os dois agentes. Este teorema (mecanismo de preços) é
aliás vasto, pois através da função afectação é definido em que quantidade determinado recurso está disponível, assim como é
possível perceber, por via da função distribuição, que quantidade de bens cada agente pode comprar.
Os mercados através de mecanismos económicos são capazes de gerar uma afectação de recursos eficiente, segundo a óptica de
Pareto. Para tal, é necessário que determinadas condições sejam respeitadas, e se não o forem, isso envolverá uma má
distribuição de recursos e a eventual perca de eficiência económica. As condições que permitem uma actuação eficiente e
igualitária do mecanismo de preços são:
Comportamento racional de todos os agentes económicos com vista a alcançar o mais elevado nível possível de bem-estar.
Esta condição requer a maximização de utilização de rendimentos bem como dos lucros e da eficiência produtiva.
A existência de concorrência perfeita em todos os mercados. Esta condição integrará um número elevado de produtores e
consumidores de bens, para que nenhum desses agentes tenha controlo sobre a transacção. (concorrência imperfeita)
Um sistema completo de direitos de propriedade individual que assegure a integração de qualquer actividade económica nos
diferentes mercados, protegendo bens, serviços e factores produtivos. Assim cada agente económico será apenas influenciado
através das suas acções e nunca será alvo da existência de determinada externalidade que o influencie nas suas escolhas.
(externalidades)
O conhecimento do mercado pelos diversos agentes económicos onde existe uma completa disponibilidade de informação
relativamente aos factores produtivos e à sua potencialidade, mas também da utilidade que cada bem ou serviço oferece.
(informação imperfeita)
Cumpridas estas condições, os agentes económicos ao interagirem criam não só eficiência económica (produtores maximizam
lucro e consumidores satisfazem as suas necessidades), bem como uma distribuição equilibrada de bens e factores produtivos.
Quando estas condições não estão reunidas, ou seja, quando o mercado e o sistema de preços não é suficiente para a distribuição
económica equalitária e funcional de forma eficiente, estamos perante as denominadas falhas de mercado. São as falhas de
mercado que impedem o equilíbrio económico através do sistema de preços. Quando tal acontece, é necessária a intervenção de
uma força económica que equilibre os factores com vista a uma maior eficiência, bem como uma maior justiça social. Esse papel
cabe ao Estado, o principal agente de uma economia. A sua intervenção é justificada (só nessas condições) quando não é o
mercado capaz de aprovisionar um bem ou serviço de modo eficiente ou quando este mesmo, actuando de forma eficiente
através dos seus mecanismos, não proporcione uma distribuição de recursos de forma justa e igual entre os que o compõem.
Estudo das falhas de mercado que levam à intervenção estadual na economia
O Estado encontra a justificação da sua intervenção económica quando os mercados através dos seus mecanismos não são
capazes de afectar recursos de forma eficiente levando a economia a funcionar de forma desequilibrada segundo a teoria de
Pareto. As situações que de forma geral levam os mercados a comportarem-se desta forma são a concorrência imperfeita, as
externalidades, a informação imperfeita e os bens públicos.
Quanto à concorrência imperfeita, esta acontece quando não são cumpridas as condições de existência de um largo número de
agentes económicos no mercado, a informação acerca dos processos produtivos não seja global ou ainda, quando a mobilidade é
limitada para qualquer um dos intervenientes. A falta destes requisitos leva ao controlo por parte de um agente
(consumidor/produtor) do preço e das quantidades a produzir. Também a capacidade produtiva diferenciada e a capacidade de
resposta às adversidades por parte de alguns agentes económicos não ser a mesma, levam-nos para o campo da concorrência
imperfeita. Recorrentemente surgem-nos situações de monopólios (mercado dominado por uma só empresa) ou oligopólios
(grupo reduzido de empresas) que dominam as transacções económicas a seu belo preceito. Do lado da procura também existe
um controlo por parte de quem consome. São os casos dos monopsónios e oligopsónios. Ambas as situações descritas resultam
numa afectação de recursos ineficiente e numa distribuição de bens desequilibrada socialmente. Esta realidade leva a uma
intervenção justificada da parte do Estado na economia, através da regulação ou assunção da actividade que assim o requeira.
Nas situações de monopólio, as empresas que dominam o sector económico onde estão inseridas, normalmente controlam o
preço a que vendem os bens que produzem. Aliás em concorrência perfeita o preço é um dado, logo as empresas procuram
produzir até ao ponto em que mais uma unidade produzida trará uma receita igual ao seu custo produtivo. Nos casos de
monopólios, as empresas em virtude do aumento de preços, não se incomodam com uma ligeira quebra nas vendas, uma vez que
o aumento controlado dos preços originará receitas proveitosas. Estas receitas também trarão ainda outro fenómeno subjacente.
Pelo facto de a empresa ter perdido alguns clientes com o aumento dos preços, a venda dos produtos a um preço mais elevado
fará com que o agente económico obtenha as mesmas receitas (em numerário) com uma produção em quantidade mais baixa.
Isto fará aumentar as margens de lucro do produtor uma vez que os produtos são vendidos a preço mais alto e onde foram
afectos menos recursos produtivos.
Esta realidade comprova um dos pressupostos do Óptimo de Pareto, uma vez que através do aumento de preços e acréscimo de
receitas, constata-se que existe margem para a condição de eficiência económica. Mas, pelo facto de este aumento de lucros
resultar em última instância numa quebra de quantidade produzida, este fenómeno gera igualmente uma perca geral de bem-
estar social. Esta será uma das justificações que leva o Estado a intervir na economia, para que através da sua acção possa repor
as condições necessárias à existência de uma concorrência perfeita dos mercados.
Por vezes, as situações de monopólio também são resultado de intervenções estaduais, onde este concede direitos exclusivos de
exploração em determinado mercado. As situações descritas acontecem nos casos em que é concedido um privilégio a uma
empresa, quer por razões fiscais (monopólios fiscais), quer por uma empresa estar disposta a investi r grandemente em
determinada área de rendimentos incertos, ao que o Estado concede direitos exclusivos de exploração. Também nos casos de
existência de patentes ligadas à exploração científica ou tecnológica, o estado confere um papel de exclusividade. Por fim,
quando existem bens que oferecem custos decrescentes ao longo da escala de produção ao qual são denominados de
monopólios naturais.
Monopólios Naturais
O monopólio natural é uma situação económica caracterizada por manter as economias de escala durante toda a extensão
produtiva e onde os custos médios são mais baixos quando somente uma empresa explora o sector. Os mercados onde surgem
estas condições são compostos por avultados investimentos iniciais, por custos marginais baixos ou nulos, levando os custos
médios a serem decrescentes ao longo de toda a extensão produtiva. É o caso comum dos serviços de utilidade pública.
Pelo facto de constituir um investimento avultado, o monopólio deve ser disponibilizado em regime de oferta. Este fenómeno
prende-se com o facto de trazer rendimentos crescentes em toda extensão produtiva e implicar avultados investimentos iniciais.
É importante que uma só empresa tenha a sua concessão, evitando assim as rigorosas condições de iniciação de actividade por
parte de mais empresas (custos fixos iniciais elevados).
Numa comparação entre uma indústria de custos ditos normais e as que caracterizam os monopólios naturais, denota-se que ao
longo do processo produtivo os custos fixos e iniciais vão sendo diluídos à medida que a escala produtiva aumenta ao mesmo
tempo que os custos produtivos ou variáveis aumentam com o acréscimo da produção.
Nos monopólios naturais os custos médios têm um comportamento diferente, uma vez que os custos variáveis são bastante
reduzidos face ao investimento inicial e decrescem constantemente. Ou seja, torna os custos médios totais constantemente
decrescentes. Assim se os custos médios fixos (carregando o fardo do investimento inicial avultado) forem bastante maiores que
os custos variáveis (produtivos), esta situação fará com que qualquer custo marginal seja praticamente nulo, não limitando a
quantidade de produção ou as percas de rendimento marginal. Este fenómeno explica a existência do monopólio natural uma vez
que os requisitos iniciais li mitam todo o processo produtivo pelo que originaria a repetição indesejada do mesmo. Se mais uma
empresa entrar no mercado, o novo investimento inicial criará para a mesma quantidade total, um novo preço mais elevado e a
consequente perca de bem-estar para os utilizadores.
Perante este cenário, o monopólio natural apresenta um problema. O facto de a oferta de produto ser proporcionada pelo custo
que a empresa tem, esta (oferta) será sempre insuficiente para a procura de mercado, com vista a uma maximização de lucro.
Para aumentar o bem-estar social, será necessário que a empresa monopolista reduza as suas margens de lucro ao produzir em
maior quantidade, aumentando em última instância os seus custos variáveis. Ora se a empresa se colocar na perspectiva de
mercado concorrencial ao assumir o preço de venda que é indicado pelos seus custos marginais, esta apresentará
constantemente prejuízo.
Esta condição de mercado leva a que surja o dilema dos monopólios naturais. Ou é eficiente economicamente, mas fica aquém
do bem social desejado, falhando a condição de Pareto, ou apresenta prejuízos constantes ao assumir o preço de mercado
concorrencial, que é ineficiente para os custos produtivos da mesma. Habitualmente apresentam-se as seguintes soluções para o
problema dos monopólios naturais.
Fixação do preço igual ao custo médio – ao fixar o preço de venda igual ao seu custo médio, a empresa fica aquém da
quantidade procurada, mas consegue agora cobrir os custos adjacentes ao seu processo produtivo.
Fixação de um preço igual ao custo marginal + atribuição de subsídio – é exigida a produção suficiente para satisfazer a
necessidade do mercado e é atribuído um subsídio para assegurar que as receitas que ficarão em falta pela disponibilidade do
preço, sejam repostas. Porém esta solução oferece uma problemática. O subsídio poderá ser superior ao benefício económico
que a redução das receitas exige, o que criará uma distorção económica.
Aplicação de uma tarifa bipartida – é exigido à empresa que produza a quantidade procurada no mercado concorrencial,
cujo preço terá duas componentes. A primeira é destinada a cobrir os prejuízos da produção daquela quantidade em causa. A
segunda componente integra uma variabilidade consoante a quantidade que cada consumidor usufrui. Esta condição abarca dois
problemas. O primeiro prende-se com o preço, que é elevado e poderá afastar consumidores. A segunda condição fará com que
quem detém mais poder de compra, terá acesso ao privilégio de ver os preços reduzidos à medida que aumenta o seu consumo.
Qualquer uma destas soluções oferecidas não possibilita a obtenção de Óptimo de Pareto.
Ao longo do tempo, a experiência tem dito que é mais conveniente ao Estado, que a empresa cobre o preço dos custos médios
(acima dos marginais – condição de concorrência perfeita), abarcando a natural perca de utilizadores ou consumidores. Entende-
se que os cidadãos devem ser chamados a pagar impostos segundo os benefícios que usufruem ( Princípio do Benefício).
O que acontece é que algumas indústrias necessári as exigem um investimento muito avultado, o que projecta os custos médios
muito acima do preço que os consumidores estão dispostos a pagar. Nestes casos, como é desejável a existência de empresas que
aprovisionem os serviços, estas produzem a quantidade desejada pela Sociedade e vendem ao preço que os consumidores
suportarem, sem que exista uma lacuna/prejuízo social.
É certo que quando em presença de um monopólio ou de qualquer outra actividade económica não concorrencial, a intervenção
pública é justificada através da necessidade de aprovisionamento suficiente para a quantidade procurada, bem como para que
essa actividade se desenvolva próxima da eficiência dos mercados concorrenciais. Esta intervenção é sentida através da
eliminação de barreiras legais à instalação de empresas concorrentes, abertura de mercado a concorrência estrangeira, regulação
de actividades monopolistas ou a produção de bens e serviços através do sector público.

Tipos de bens
Existem bens de diferentes tipos e caracterizados de diferentes formas, o que leva a que estes influenciem a economia e os
mercados de diferentes formas, podendo ser considerados por dois elementos importantes.
Rivalidade de consumo – o consumo de um bem diz-se rival quando a utilização final de uma unidade desse bem ou serviço
por uma pessoa impede o consumo dessa mesma unidade por qualquer outra pessoa. Por outro lado, um bem não rival é aquele
que o consumo de uma unidade não impede que mais pessoas o possam fazer. Em regra, estes bens oferecem um custo marginal
nulo. Esta característica fará toda a diferença, uma vez que o seu preço deverá ser zero e a impossibilidade do seu
aprovisionamento pelo mercado.
Este tipo de bem tem a particularidade de originar igualmente uma ineficiência de mercado através do seu aprovisionamento. Se
este for desejável, implica que as empresas não o poderão fazer uma vez que o preço de venda seria igual ao custo marginal
(nulo), não cobrindo o investimento realizado. No caso de haver uma cobrança de preço acima dos custos marginais, existirá uma
retracção do consumo e a consequente perca de bem-estar social. Assim, é o Sector Público que é normalmente encarregue de
fazer o aprovisionamento de bens de consumo não rival. Através de taxas (utilizador pagador), o Estado incorre no mesmo
problema de cobrança de um valor acima do custo marginal, afastando o consumo e diminuindo o bem-estar social. Com os
impostos, o encargo excedente leva a que todos paguem os custos relativos a determinado bem, quando somente algumas
pessoas usufruem do mesmo. Em qualquer das situações, a condição de Pareto não é atingida uma vez que há percas claras de
eficiência económica, bem como de bem-estar social.
A aplicabilidade do princípio da exclusão – definida como: qualquer agente económico que não pague o preço exigido pelo
proprietário de um bem ou pelo prestador de serviço, é excluído. A inaplicabilidade do princípio da exclusão entende que
qualquer pessoa é impossibilitada de ser excluída do usufruto de determinado bem ou serviço. Este tipo de bem oferece uma
enorme dificuldade de princípio de exclusividade, pelo simples facto de se tornar impossível (caso da defesa nacional), ou não é
economicamente aconselhável (emissões de rádio). Não obstante, estão ainda os custos de transacção, que são inerent es ao
aprovisionamento dos mesmos. Quanto à aplicabilidade do princípio da exclusão, importa referir que o Estado ao aprovisionar
um bem com elevados custos de transacção, possibilitará um ganho quanto ao preço a ser praticado. Quanto mais barato este
for, maior será a ineficiência que representará, uma vez que o Sector Público obtém uma redução de preço e o consequente
aumento de consumo, mas criará igualmente ineficiência, uma vez que este terá um preço reduzido que não é compensatório dos
custos que este acarreta. Além deste problema, há o facto de se dar um comportamento frequente, ligado a este fenómeno. O
“Free-Rider” é aquele que usufrui do bem sem pagar a sua quota-parte, consciente de que os custos já são assegurados pelos
restantes utentes. Devido à não aplicabilidade de exclusão, alguns utentes sentem-se no direito de gozar do bem sem contribuir
para o custo do mesmo, estando livres de qualquer encargo sem que isso prejudique o seu consumo.

Cumpre agora fazer um estudo acerca dos tipos de bens existentes, caracterizados pelas duas características abordadas.

Consumo Princípio da Exclusão Aplicável Princípio da Exclusão Não Aplicável
Rival Bens Individuais Puros Bens de Propriedade Comum
Não Rival Bens de Clube Bens Colectivos Puros

Bens Individuais Puros – incluem todos os bens em que é aplicável o princípio da exclusão e onde existe uma rivalidade de
consumo. São desde logo, a maioria dos bens conhecidos e disponibilizados pelos mercados através do sistema de preços. O seu
consumo (acima do custo marginal / lucro) representa um óptimo na condição de Pareto, o que desaconselha claramente a
intervenção do Estado, sendo os mercados suficientes para o seu aprovisionamento.
Bens de Propriedade Comum – este tipo de bem inclui a rivali dade de consumo aliada a uma não aplicabilidade do princípio da
exclusão. É o caso de baldios e algumas jazidas naturais. Neste tipo de bens, é observável ao longo da história que, a sua
preservação ou exploração por parte da sociedade origina o seu desgaste, decréscimo de condições ou a extinção do mesmo.
Ficará entregue ao Estado a missão de assegurar a sua preservação e exploração de forma sustentada, actuado coercivamente
quando se der o atentado ao mesmo por parte dos membros da sociedade.
Bens de Clube – a principal característica dos bens de clube é o facto de estes não representarem uma rivalidade de consumo ao
mesmo tempo que conjugam a aplicabilidade de exclusão. Estes bens têm tendencialmente um custo marginal nulo até à sua
capacidade máxima de satisfação. Uma particularidade que este tipo de bem oferece é quando no máximo da sua capacidade,
estes poderão tornar-se rivais levando o custo marginal a aumentar após atingido esse limiar. Quando esse limiar é atingido, os
consumidores deparam-se com a rivalidade do consumo do bem levando até à impossibilidade do seu uso.
Bens Colectivos Puros – conseguem abarcar a particularidade de não serem rivais quanto ao consumo bem como não é aplicável
o princípio da exclusão. Devido ao custo marginal ser nulo, a sua provisão através dos mecanismos de mercado é
desaconselhável, originando falhas. Dentro desta tipologia é possível encontrar uma subdivisão.

Bens colectivos divisíveis – incluem aqueles bens onde é possível a cada pessoa exercer posse exclusiva sobre parte do
mesmo. Estão submetidos a procura individual e à livre escolha do consumidor. Assim, é possível aplicar o princípio da exclus ão
bem como a rivalidade de consumo nos mesmos.
Bens colectivos indivisíveis – incluem-se neste tipo de bens, aqueles que conjugam um indivisibilidade entre os diversos
membros da sociedade ou consumidores. Assim, todos os envolvidos usufruem em quantidades exactamente idênticas sem que
exista uma possibilidade de rejeição ao mesmo.

Bens Públicos
São considerados bens públicos, todos aqueles que forem colectivos e aprovisionados pelo Estado. No que toca aos que são
divisíveis, é através de decisão política que estes são ou não aprovisionados, uma vez que o mercado o poderá fazer, ainda que
fora das condições óptimas de Pareto. Por sua vez, os bens públicos não divisíveis terão de ser exclusivamente aprovisionados
pelo Estado. Os mercados não serão capazes de o fazer uma vez que os custos marginais são decrescentes, reduzidos ou até
nulos. Assim, cabe ao Sector Público aprovisionar os mesmos em toda a sua extensão ou não faze-lo de todo. É importante
diferenciar os conceitos de produção e de provisão. Produção implicará o processo produtivo, a transformação de bens e criação
de serviços. A provisão por sua vez está relacionada com o abastecimento ou fornecimento de um bem. Cabe agora o estudo de
como e quando devem os bens públicos existir ou deverão ser aprovisionados pelo Estado.
Perspectiva utilitarista – esta perspectiva diz-nos que a provisão de bens públicos deve ser resultado do confronto entre a
utilidade marginal que os utentes retiram de determinado bem público e a correspondente desutilidade marginal causada pelo
pagamento de impostos para aprovi sionamento dos mesmos. Com efeito, quanto maior for a produção de bens públicos, maior
será o custo de oportunidade uma vez que o acréscimo produtivo público levará a um aumento de impostos e redução de
capacidade de consumo de bens privados. Quando o valor de utilidade marginal é superior ao de desutilidade marginal, será
conveniente uma expansão do sector público. Se pelo contrário, existir uma desutilidade marginal maior que a utilidade marginal,
será conveniente uma recondução dos recursos para o sector privado com vista ao crescimento do mesmo e a uma redução da
carga fiscal. Estes conceitos são relativizados uma vez que utilidade e desutilidade marginal não são quantificáveis. Quem
beneficia da utilidade marginal (despesa pública) de determinado bem público, não sofrerá directamente da desutilidade
marginal (impostos) inerente a este.
A tese da troca voluntária – a tese da troca voluntária defende que o bem público deve ser aprovisionado segundo os moldes
em que o bem privado o é. Assim o consumidor acede aos bens públicos através dos impostos que paga. Enquanto num bem
privado, o ponto mais eficiente economicamente é aquele em que o custo marginal total é igual ao benefício marginal de todos
os consumidores. Por sua vez, no bem público o que acontece é que a utilidade do mesmo não corresponde à soma dos
benefícios marginais individuais. A utilidade é mensurada através do preço que cada contribuinte está disposto a pagar para
usufruir desse bem, sendo este público e indivisível (bem público puro). Ou sej a, enquanto em bens privados todos pagam o
mesmo e as quantidades consumidas diferem, no bem público puro a quantidade consumida é necessariamente igual entre
todos, pelo que o preço pago é variável entre cada contribuinte. Para definição de quantidade ópt ima a aprovisionar no mercado
privado, a solução é a igualdade do benefício marginal de cada um dos consumidores, num valor igual ao preço (custo
marginal). Por sua vez, o bem público puro é produzido com eficiência quando a soma dos benefícios marginais de todos os
indivíduos iguala o custo marginal de aprovisionamento do bem.

Externalidades
Sempre que a acção de um agente económico se repercute no bem-estar de outros sem que tal incidência seja considerada pelo
sistema de preços, diz-se que se está perante uma externalidade. As externalidades poderão ser sentidas no processo produtivo
ou até no consumo, pelo que também podem ser positivas ou negativas. Assim, é importante ter em conta que sempre que estas
sejam sentidas num determinado ciclo económico sem que sejam abarcadas pelo sistema de preços, dever-se-á acrescentar o
bem marginal social ou o custo marginal social da externalidade em causa, consoante esta seja positiva ou negativa. Em
conclusão, quando uma externalidade é negativa os níveis de produção e consumo são mais elevados do que seria socialmente
desejável. Quando a externalidade se revela positiva, os níveis de produção e consumo são menores do que o óptimo de Pareto
estabelece (não toca FPP – fronteira de possibilidade de produção). Assim é necessário que na presença de uma externalidade,
exista um agente regulador da mesma (Estado).
Correcção Estadual - A correcção de uma externalidade acontece quando se estabelece uma acção que faz com que os
preços passem a reflectir o total dos custos e dos benefícios marginais associados, para que a actividade se desenvolva
eficientemente. Uma das soluções passa pela atribuição do Estado aos produtores de um imposto ou um subsídio pigouviano,
consoante a natureza da externalidade. Esta actuação fará com que os decisores dos mercados ponderem uma redução produtiva
com externalidades negativas ou aumentem uma actividade produtiva com externalidades positivas, com vista a ser atingido um
óptimo social para ambos os casos.
Existem também outras formas de o Estado actuar no campo das externalidades. Quando estas são sentidas de forma profunda
ou quando a sua dimensão é elevada, o Sector Público chama a si a produção de determinado bem para que este esteja
disponível no ponto social desejado. Esta actuação também pode ser feita em parcela através de participações estaduais em
sectores considerados preponderantes à acção do mesmo. Outra forma de o Governo poder actuar é através do poder coercivo
proibindo actividades que impliquem uma enorme perca de bem-estar social, ou ainda penalizações gravosas a quem as cometa.
Correcção Privada – Teorema de Coase - Nem sempre é necessária uma intervenção estadual para nebulizar o efeito das
externalidades. Por vezes alertas ou acções de instituições não governamentais são suficientes para resolver o problema das
externalidades. O contrato entre dois indivíduos que utilizem um bem essencial pode ser suficiente para que ambos usufruam do
mesmo sem que isso traga um prejuízo para a sociedade. Esta é outra das formas de resolver o problema de uma externalidade,
onde é essencial que exista um contrato que estabeleça qual o papel de cada agente tem no uso de determinado recurso.
O Teorema de Coase estabelece que na ausência de custos de transacção e de impedimentos legais à livre negociação entre
agentes económicos, todos os efeitos externos serão plenamente internalizados no quadro do mercado. Assim o Estado ao
estabelecer os direitos de propriedade de cada um dos agentes de forma clara permite que depois entre si, est es estabeleçam um
acordo com vista à eficiência económica e ao equilíbrio dos custos e dos benefícios marginais, deixando para trás a solução
pigouviana. O Teorema de Coase pressupõe a ausência dos custos de transacção o que levaria a um controlo das condi ções
contratuais. Ora esta condição implicaria que só fossem abarcados um número restrito de pessoas ao regime negocial, pelo que
não se revela muito eficaz quando em situações que exigem a envolvência de inúmeros agentes. Também entende a teoria que,
devem os agentes económicos que possuem os direitos de propriedade sobre a utilização de determinado recurso, conhecer ao
certo qual é o foco da externalidade e em que medida exacta essa atinge o seu processo produtivo, condição que na realidade s e
torna muito difícil de preencher. Também o acréscimo do número de agentes envolvidos no plano negocial fará com que
aumente o comportamento free-rider, onde existirão elementos que se entenderão no direito de violar as regras contratuais,
pondo em causa todo o processo. Em conclusão, pelo facto de o Teorema de Coase dispensar a intervenção estadual para a
resolução de externalidades (somente requer que o Estado estabeleça os contratos de direitos de propriedade), e implicar que
sejam feitas com custos de transacção reduzidos, há medida que o número de agentes económicos à volta do processo cresce,
leva a que os custos de transacção aumentem e se fomente o comportamento do agente parasita. Quando tal se verifica,
somente uma intervenção estadual ampla pode solucionar o problema das externalidades.

Informação imperfeita

Para que os mercados concorrenciais possam atingir equilíbrios e funcionarem de forma eficiente, é necessário que os agentes
que neles participem tenham total conhecimento acerca de todos os elementos necessários ao desenvolvimento económico.
Potencialidade dos meios, processos produtivos diversos, e custos e benefícios do bem, são alguns dos exemplos de pilares
informativos que devem ser do total domínio do agente económico. É possível ainda assim ser desenvolvidas actividades
económicas de forma eficiente, quando o caso da lacuna de informação atinja ambos os agentes económicos de forma simétrica
e equilibrada. Quando a informação se torna assimétrica, a solução produtiva obtida deixa de ser eficiente , e deparamo-nos com
uma situação de falha de mercado.
Selecção adversa – a selecção adversa entende trocas comerciais por agentes económicos com características
desfavoráveis. Esta situação é típica nas seguradoras dando origem ao próprio conceito. Este f enómeno leva à assunção ceteris
paribus que as pessoas que procurarão os serviços de seguros serão aquelas que estão mais sujeitas a sofrer acidentes, desejando
com maior afinco a actuação dos seguros. O desconhecimento por parte das seguradoras em relação ao desejo justificado pela
exposição a maior risco tornaria esta actividade pouco viável na sua prática. Assim os agentes seguradores criam um sistema de
obtenção de informação acerca dos seus segurados, com vista ao estabelecimento das cláusulas contratuais. A acrescentar a esse
mecanismo, as seguradoras criam algumas contrapartidas contratuais que permitam um resguardo ao eventual abuso da situação
do segurado. O valor do seguro cobrado será sempre tido em conta consoante as possibilidades de risco que o segurado pretende
ver protegidas. O Estado por vezes entra nestes mercados com o intuito de os regular e criar um sistema onde seja possível haver
uma afectação dos recursos eficiente segundo a óptica de Pareto. (exemplo: seguros de saúde)
O risco moral e a relação de agência – o risco moral é definido como a situação em que uma parte contratante tem um
incentivo para intentar uma acção encoberta com consequências adversas para outras partes contratantes. É comum citar a
situação de após subscrever-se um seguro anti-roubo, o subscritor tenha uma preocupação menor com actos de vandalismo e
roubo. Para tal, as seguradoras estabelecem condições contratuais que excluem a responsabilidade em determinadas situações
que conduzirão o agente subscritor a manter os mesmos parâmetros de cuidado.
Por outro lado, a relação de agência envolve outro tipo de realidade. Neste fenómeno dá-se um problema básico. O
comportamento de um elemento envolve uma alteração da condição do outro, sendo que o primeiro não é controlado acerca
da acção que desenvolve para com o segundo. É um caso exemplificativo de informação assimétrica (vendedor exterior). Para
atenuar uma actuação pouco esforçada na procura do bem-estar do contratante, este incentiva um acréscimo de produção ao
seu contratado para que este zele pelo seu bem-estar, uma vez que nunca terá acesso directo à informação que o contratado
dispõe.

Falhas na promoção da justiça social
Para além da busca pela eficiência económica (soluções apresentadas anteriormente), a intervenção do Estado deve atentar aos
fenómenos sociais que este processo entende, procurando efectuar uma maior repartição dos recursos disponíveis bem como
promover uma maior justiça social.
Esta acção de promoção da justiça social pode ser desencadeada através de uma maior distribuição do rendimento e da riqueza.
Ao intervir na economia, o Estado poderá fazer com que exista um equilíbrio entre o bem-estar na sociedade em geral. Através de
impostos tributados e concessão de subsídios é, por vezes, uma das soluções a que os governos recorrem, atendendo que não
deverão constituir uma perca de eficiência económica. Esta intervenção é baseada em critérios de moral e juízos de valor, pel o
que a ciência nunca oferecerá uma solução ideal para qualquer um dos casos.
As concepções de Justiça Social – o nível de bem-estar é proporcionado pela distribuição dos recursos existentes na mesma,
onde não existe um critério científico para a sua solução. Considere-se a função de bem-estar social onde são reflectidas
inúmeras curvas de indiferença social. Esta pretende fazer a mediação dos diferentes níveis de prosperidade de uma sociedade
em função dos diferentes níveis de utilidade de que gozam os diversos agentes que a compõem.
A função Utilitarista – tem por base a definição de que o bem-estar social é obtido através da soma das utilidades de cada
elemento individual da sociedade. Assim ao aumentar-se a utilidade de determinado indivíduo numa sociedade, este benefício
será reportado a toda a sociedade. É óbvio que esta função não tem em consideração qual a distribuição desta utilidade, quando
somente considera os valores totais para uma sociedade, independentemente das assimetrias que esta possa comportar.
A função Contratualista – a função contratualista diz-nos que é possível de facto haver assimetrias entre os agentes que
compõem a sociedade. Acredita-se também que esta é resultado da soma das utilidades dos seus membros. Diferencia-se pelo
facto de considerar que a melhoria de determinado elemento terá de representar uma melhoria também para o menos
favorecido dessa cadeia. Ou seja, sempre que haja uma melhoria de um dos agentes, o que está em piores condições terá de ver
a sua situação melhorada. Só com este acréscimo é que assistiremos a uma melhoria do bem-estar social.
A função média – esta função é conhecida por conjugar os dois exemplos extremos dados anteriormente. Ou seja, sempre que se
verifiquem situações de extrema pobreza ou prejuízo, a função que prevalece será a função contratualista uma vez que está em
causa a preservação dos elementos em mais dificuldades. No caso de as desigualdades não serem significativas, predomina a
função utilitarista onde é importante o total da sociedade (como um todo), logo o âmbito geral é o mais significativo.
A determinação do óptimo social – as funções até agora descritas terão de ser conjugadas com a eficiência económica exigida
pela condição paretiana. Para tal, ao serem encontradas as diferentes funções para as diversas condições que existem na
sociedade, é possível perceber que devido à enorme variedade que existe entre factores produtivos, capacidades produtivas e
individuais, percebe-se que para cada situação se encontraria uma solução diferente, tal como é sugerido nas diferentes
abordagens às funções de distribuição de recursos na sociedade. Para tal, recorrer-se-á uma vez mais a uma orientação ética por
parte do decisor, para determinar qual a mais vantajosa para o momento.
Redistribuição voluntária e redistribuição coerciva – a redistribuição voluntária prende-se com o facto de muitas das vezes
existirem pessoas que vêem com alguma satisfação o facto de distribuir os elevados índices de utilidade por aqueles que mais
carecem dos mesmos. Assim a redistribuição voluntária fará com que um acréscimo de utilidade de um agente que já é
demarcado resulte indirectamente numa melhoria daquele que se encontra mais necessitado de tal utilidade, levando a uma
condição de eficiência paretiana. Tendo o elemento detentor de maior utilidade, chegado a um pique, o outro agente mais
carenciado só poderá obter maior benefício se isso implicar uma quebra do mais favorecido, pelo que este se oporá com
naturalidade. Aí para que a distribuição se dê, terá de o Estado intervir através do seu poder coercivo (distribuição coerciva).
Sendo que um dos elementos perderá utilidade, esta já não engloba os pressupostos paretianos, justificado apenas por critérios
éticos. Esta indefinição quanto ao que é eficiente do ponto de vista económico e ao mesmo tempo j usto faz deste tipo de decisão
um resultado subjectivo de consideração de factores.
A estratégia da redistribuição – para executar uma distribuição de rendimentos e da riqueza entre os cidadãos, o decisor político
dispõe de instrumentos. Ferramentas que vão desde a tributação de impostos e taxas, ao investimento público por via da
atribuição de abonos e obras públicas, ou ainda a regulação dos mercados e do sistema de preços através do estabelecimento de
salários mínimos. Esta escolha de instrumentos interventivos terá de ter sempre em consideração os seus objectivos. Oferecer
oportunidades de desenvolvimento iguais, ou estabelecer um mínimo de rendimento. Ao abordar a primeira premissa, a acção
governamental deverá considerar legislação que defenda direitos dos cidadãos, bem como incluir investimentos em
desenvolvimento de capital humano para que os meios disponibilizados hoje sejam forma de sustento no futuro. Normalmente
quem contribui para o financiamento entende que este deveria ser canalizado para estruturas de ensino e de apoio a esse
objectivo, pelo que quem é alvo desse investimento prefere a transferência de valores efectiva. Porém em situações de carênci a
social acentuada, o papel do Estado não se cinge à atribuição de igualdade de condições, pelo que vai mais longe no apoio aos
mais desfavorecidos. Preferencialmente o Estado e a opção política vão de encontra aquilo que é o investimento nas pessoas e no
capital humano, canalizando o investimento para o desenvolvimento dos elementos que compõem a sociedade. Para tal, o Sector
Político disponibiliza e aprovisiona os ditos bens de mérito.
Bens de mérito – o conjunto de bens que o Estado tem a seu cargo para aprovisionamento, na sua maioria, servem para
colmatar as falhas que os mercados não se mostram disponíveis a combaterem. Contudo, por vezes a intervenção do governo no
aprovisionamento de bens vai contra as preferências dos indivíduos. Para tal é necessário ter claro a seguinte distinção:
Necessidades sociais – aquelas cujo a sua satisfação não pode ser obtida através do mercado, uma vez que exige bens que a
impossibilidade de exclusão impedem o funcionamento do sistema de preços. A solução é a afectação de recursos a estas
necessidades ser determinada com as preferências individuais. (exemplo: def esa nacional)
Necessidades de mérito – embora sejam susceptíveis de ser satisfeitas pelos mercados ao qual são aplicados os princípios de
exclusão, assumem a qualidade de necessidades públicas por serem tão meritórias que o Estado deve assegurar
convenientemente a sua satisfação, independentemente da preferência individual. (exemplo educação, saúde)
Assim bens de mérito consideram-se todos aqueles que sendo aprovisionados pelo Estado, não dependem da vontade individual
dos cidadãos, mas sim da própria natureza do bem e do resultado que este repercute na sociedade. Por sua vez, os bens de
demérito são aqueles que o Estado terá o interesse de ver anulados na sociedade, pelo que actua nesse sentido ao impor
tributação alta. (exemplo: jogo, tabaco e álcool)
A grande particularidade deste tipo de bem prende-se com o facto de não depender da vontade individual do consumidor, para
que seja determinado se deve ou não ser aprovisionado. É sim baseado essencialmente em conceitos políticos e sociais que
determinam a sua aprovação e os parâmetros em que o mesmo deve ser disponibilizado, ignorando o consumidor e a sua
vontade. Este fenómeno abre portas a uma discussão acerca da intervenção do estado a fim de corrigir hábitos de consumo dos
cidadãos (externalidade por vi a da pressão governativa).
Divergência entre o bem-estar e as preferências individuais – por vezes fenómenos de ignorância acontecem nas escolhas
que os consumidores efectuam. Tal acontece pelo facto de muitas das vezes a informação disponível não ser a s uficiente o que
leva a que as pessoas tomem decisões menos boas, ou se dispusessem de mais informação tê-lo-iam feito de outra forma.
Quanto à irracionalidade, por vezes as pessoas com um nível de informação elevada cometem actos que revelam uma enorme
afronta ao racional, pelo que defende-se que o Estado deverá actuar na formação do capital humano com vista a um combate a
este tipo de comportamento não económico.
Os bens sob tutela (bens de mérito) enquanto fontes de externalidade – é a decisão política quem estabelece o que são bens
de mérito, através de um critério moral e enquadramento social da utilidade desse bem. Assim, poder-se-á dizer que pelo facto
de alguns bens terem um estatuto socialmente considerado superior, o Estado ao aprovisioná-los, condicionará a soberania
preferencial do consumidor. Ao apoiar o consumo de saúde e educação e delimitar o consumo de tabaco ou drogas, o Estado
para além de limitar as escolhas de quem consome, está também a demonstrar a sua vontade. Assim, são preferências que os
decisores políticos entendem que trarão um bem geral a todos os cidadãos, não se cingido a escolha de participação estadual
através de um critério meramente técnico ou uma justificação cientifica, alargando-se o papel do estado a situações que
compreendem a moral e os princípios sociais.