XLII Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola - CONBEA 2013

Fábrica de Negócios - Fortaleza - CE - Brasil
04 a 08 de agosto de 2013


GERMINAÇÃO DE SEMENTES DE PINHÃO MANSO IRRIGADAS COM DIFERENTES
NÍVEIS DE SALINIDADE DE ÁGUA


Francisco C. G. Alvino
1
, Jônatas R. M. de Sousa
2
, Marcos E. B. Brito
3
, Guilherme de F. Furtado
2
, Helton
de S. Silva
4
,

1
Graduando em agronomia, Centro de Ciência e Tecnologia Agroalimentar, CCTA/UFCG, Pombal – PB, Brasil,
cassioalvino@hotmail.com
2
Mestrando em Engenharia Agrícola, Departamento de Engenharia Agrícola/UAEA/UFCG, Campina Grande-PB, Brasil.
3
Prof. Doutor, Centro de Ciência e Tecnologia Agroalimentar, CCTA/UFCG, Pombal – PB, Brasil.
4
Mestrando em Horticultura Tropical, Centro de Ciência e Tecnologia Agroalimentar, CCTA/UFCG, Pombal – PB, Brasil.

Apresentado no
XLII Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola - CONBEA 2013
04 a 08 de agosto de 2013 - Fortaleza - CE, Brasil.

RESUMO: O uso de águas de qualidade inferior pode reduzir a produção das culturas, assim como
nas oleaginosas, a exemplo do Pinhão Manso, todavia, isso pode ser minimizado pelo uso de adubação
nitrogenada. Sendo assim, objetivou-se avaliar a germinação de sementes de pinhão manso (Jatropha
curcas L) submetido a diferentes níveis de salinidade da água e adubação nitrogenada na fase de
produção de mudas. O experimento foi realizado na cidade de Pombal – PB. Usando um delineamento
experimental de bloco casualizados, em esquema fatorial (5x5), estudou cinco níveis de condutividade
elétrica da água de irrigação (0.3; 1; 2; 3 e 4 dS m
-1
) combinados a cinco níveis de nitrogênio (0, 50;
100; 150 e 200%), os quais foram repetidos em 3 blocos, e cada parcela foi constituída por quatro
plantas úteis, sendo avaliado o índice de velocidade de emergência, percentagem de emergência e o
numero de dias para as sementes germinarem, sendo os dados submetidos a análise de variância,
seguindo de análise de regressão para obter as superfícies de respostas com uso do Programa Table
Curve 3D®. A salinidade ocasionou redução nas variáveis analisadas.

PALAVRAS–CHAVE: Jatropha curcas L. emergência, qualidade da água

GERMINATION OF JATROPHA IRRIGATED WITH DIFFERENT LEVELS OF SALINITY
WATER
ABSTRACT: The use of lower quality water can reduce crop production, as well as in oil, such as the
Jatropha, however, this can be minimized by the use of nitrogen fertilizer. Therefore, this study aimed
to evaluate the germination of Jatropha (Jatropha curcas L) under different levels of salinity and
nitrogen fertilization in the production phase of seedlings. The experiment was conducted in the city of
Pombal - PB. Using a randomized complete block randomized in a factorial design (5x5), studied five
levels of electrical conductivity of irrigation water (0.3, 1, 2; 3:04 dS m
-1
) in combination with five
levels of nitrogen (0, 50 , 100, 150 and 200%), which were repeated in 3 blocks, and each plot
consisted of four plants useful being evaluated for emergence rate, emergence percentage and the
number of days for the seeds to germinate, and the data submitted to analysis of variance, following
regression analysis to obtain the response surfaces using the program Table Curve 3D ®. Salinity
caused reduction in variables.

KEYWORDS: Jatropha curcas L. Emergency, water quality

INTRODUÇÃO:

A espécie Jatropha curcas L. apresenta diversos atributos favoráveis na exploração de óleo, tais
como: rápido crescimento, fácil propagação, planta perene, cultivada em áreas de baixa e alta
precipitação, baixo custo de sementes e elevado teor de óleo (SUJATHA et al., 2008). Segundo
Beltrão et al., (2006) o seu cultivo vem sendo incentivado nos últimos anos como uma alternativa para
o fornecimento de matéria prima para a fabricação de biodiesel. Mais o fato é que a espécie ainda está
em processo de domesticação e ainda requer muita pesquisa. Comum à maioria das espécies
cultivadas, o pinhão manso também sofre com os efeitos causados por estresses abióticos, a exemplo
da salinidade, que segundo Cavalcante et al., (2010) o excesso de sais de sódio, além de trazer
prejuízos às propriedades físicas e químicas do solo, provoca a redução generalizada do crescimento
das plantas cultivadas provocando sérios prejuízos à atividade agrícola.
O efeito da salinidade sobre o desenvolvimento das plantas é um assunto discutido em vários
países, principalmente, nos que apresentam regiões áridas e semiáridas (RIBEIRO et al., 2009).
Conforme Mayer e Poljakoff-Mayber (1989), as plantas apresentam tolerância à salinidade variada,
diferindo nos estádios de desenvolvimento, incluindo a germinação e emergência, são denominadas
glicófitas as menos tolerantes e as mais tolerantes, halófitas. Quando semeadas em soluções salinas,
observa-se inicialmente uma diminuição na absorção de água, redução da porcentagem e velocidade
de emergência devido a efeito toxico no embrião (SIVRITEPE et al., 2003).
Diante do exposto, objetivou-se avaliar o índice de velocidade de emergência, percentagem de
emergência e o numero de dias para as sementes emergirem do pinhão manso submetido a diferentes
níveis de salinidade da água.

MATERIAL E MÉTODOS:

O trabalho foi desenvolvido em condições de ambiente protegido, pertencente ao Centro de
Ciências e Tecnologia Agroalimentar - CCTA da UFCG, localizado no município de Pombal, estado
da Paraíba, nas coordenadas geográficas 6º48‟16” de latitude S e 37º49‟15” de longitude W, a uma
altitude de 194 m.
Em um delineamento experimental de blocos casualizados, estudou-se cinco níveis de
salinidade da água, sendo S1: água com condutividade elétrica (CE
a
) de 0,3 dS m
-1
(testemunha); S2 -
CE
a
de 1,0 dS m
-1
; S3 - CE
a
de 2,0 dS m
-1
; S4 - CE
a
de 3,0 dS m
-1
e S5 - CE
a
4,0 dS m
-1
.
Os tratamentos salinos iniciaram-se a partir da saturação do solo, utilizaram-se sacolas plásticas
com capacidade de 2 litros, preenchidas com 2 (dois) kg de substrato composto por solo e esterco, na
proporção de 1:1. O semeio ocorreu no dia 01/12/2011, sendo semeadas duas sementes por sacola,
com uma profundidade de aproximadamente 5 cm e uma distância de 3 cm entre elas.
Foi avaliado diariamente mediante contagem do número de sementes emergidas, tendo como
critério a emergência do epicótilo na superfície. Sendo avaliada a variável número de dias para as
sementes emergirem (NDE), obtido através da expressão: NDE =Σ nii / Σni, onde ni = número de
sementes emergidas no dia i(i = 1, 2,....n), bem como a percentagem de sementes emergidas (PE) em
relação ao número de sementes plantadas. O índice de velocidade de emergência (IVG) foi calculado,
tendo por base a Eq.(1) apresentada por Vieira e Carvalho (1994).

Eq.(1): IVE = E1/N1 + E2/N2 + ... + En/Nn;

Onde, E1, E2, En = número de plântulas computadas na primeira, na segunda e na última
contagem; N1, N2, Nn = número de dias de semeadura à primeira, segunda e última contagem.
Os dados obtidos foram avaliados mediante análise de variância pelo teste „F‟ até o nível de 5%
de probabilidade e nos casos de significância, realizou-se análise de regressão linear, utilizando do
software estatístico SISVAR-ESAL (Lavras, MG) (FERREIRA, 2003).

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

Verifica-se na tabela 1 que não houve efeito significativo da interação nos níveis de salinidade
da água de irrigação sobre os componentes dos índices de velocidade de emergência (IVE),
percentagem de emergência (PE) e número de plântulas emergidas (NPE), submetidas as 5 doses
diferente de sais.
Trabalho realizado por Souza 2010, com sementes de pinhão-manso submersas em diferentes
soluções de cloreto de sódio (NaCl) apresentaram diferença significativa para os mesmos parâmetros
avaliados.
TABELA 1. Resumos das análises de variâncias para o índice de velocidade de emergência (IVE),
percentagem de emergência (PE) e número de plântulas emergidas (NPE), em função dos
diferentes níveis de salinidade na cultura do pinhão manso (Jatropha curcas L.). Pombal,
PB, 2012.
Fonte de Variação GL
Quadrado Médio
IVE PE NPE
Salinidade (Sal) 4 3,43
ns
5,83
ns
0,57
ns

Bloco 2 1,4
ns
35
ns
0,17
ns

Resíduo 8 1,48 5,83 0,167
CV 13,84 2,46 5,37
Média 8,8 98 7,6
NS
: não significativo (P>0,05);
*
: significativo (P<0,05);
**
: significativo (P<0,01); C.V.: coeficiente de variação.

Na Figura 1 (A e B) são apresentados os resultados do teste de germinação (IVG) e a
percentagem de emergência (PE) das sementes de pinhão manso em diferentes concentrações de sais,
observando que à medida que aumenta a concentração dos níveis de sais ocorre uma redução linear no
processo de desenvolvimento do IVG e PE nas sementes do pinhão manso, podendo ser causado pela
diminuição do potencial osmótico e consequente redução da água disponível aos processos
metabólicos da germinação, afetando também a velocidade em que este processo acontece. As
sementes também sofrem influência significativa da condição de salinidade dos solos, trabalho
realizado por Lima et al., 2005 obsevou – se que alto teor de sais, especialmente de cloreto de sódio
(NaCl), pode inibir a germinação devido a diminuição do potencial osmótico, ocasionando prejuízos
as demais fases do processo de desenvolvimento da cultura.





Os dados de número de plântulas emergidas (NPE), representado na Figura 2, mostra a
interferência com o aumento das concentrações de sais, reduzindo linearmente no processo de
emergência das plântulas. Obtendo resultado semelhante Souza (2010) trabalhando com duas
concentrações de sal (2, 4 e 6 dS/m) observou que ocorreu maior incremento no crescimento do que as
plântulas. A salinidade, tanto dos solos, como das águas, é uma das principais causas da queda de
rendimento da cultura.



Figura 1. Índice de velocidade de germinação (A) e percentagem de emergência (PE) (B) de
plântulas de Pinhão manso em função de diferentes concentrações salina.

Figura 2. Número de plântulas emergidas (NPE)
A B
CONCLUSÕES:

Sementes de pinhão-manso sofrem atraso no processo germinativo, quando submetidas à
condição de estresse salino.


REFERÊNCIAS

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P.; SATURNINO, H. M.; ROSCOE, R.; GAZZON D.; DUARTE, J. O.; DRUMOND, M. A.; ANJOS,
J. B. . Campina Grande: Embrapa Algodão, 2006. 15p. (Documentos, 155)

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Pesquisa Agropecuária; Pertenece a: Infoteca. Informação Tecnológica em Agricultura 16-oct-
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MAYER, A.C.; POLJAKOFF-MAYBER, A. The germination of seeds. London: PergamonPress,
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SIVRITEPE N; SIVRITEPE HO; ERIS A. 2003. The effect of NaCl priming on salt tolerance in
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SOUZA, A, Y; PEREIRA, L, A; SILVA,S, F. F; REIS, R, C, R; EVANGELISTA,V,R, M; CASTRO,
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VIEIRA, R.D.; CARVALHO, N.M de. Testes de vigor em sementes. Jaboticabal- SP:
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