MANUAL DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA

5 de Julho de 2010

ISR – UC | EDP Distribuição 1



Manual de
Iluminação Pública
Volume 2 – Componentes de Iluminação


2010
EDP – Distribuição
ISR – UC
05-07-2010
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Índice
Lista de Figuras ................................................................................... 5
Lista de Tabelas ................................................................................... 9
Abreviaturas ...................................................................................... 11
1. Introdução .................................................................................. 13
2. Lâmpadas .................................................................................... 14
2.1. Tecnologias Antigas ................................................................. 15
2.1.1. Incandescentes ................................................................. 16
2.1.2. Vapor de Mercúrio ............................................................. 18
2.2. Tecnologias do Presente ........................................................... 21
2.2.1. Compactas Fluorescentes (CFLs) ......................................... 21
2.2.2. Lâmpadas de Vapor de Sódio .............................................. 24
2.2.3. Iodetos Metálicos .............................................................. 28
2.3. Tecnologias Emergentes ........................................................... 31
2.3.1. Lâmpadas de Indução ........................................................ 31
2.3.2. LEDs ................................................................................ 33
2.4. Tecnologias do Futuro .............................................................. 41
2.4.1. Plasma ............................................................................. 41
2.4.2. Outras tecnologias ............................................................. 44
2.5. Conclusões ............................................................................. 49
3. Luminárias .................................................................................. 55
3.1. Constituição e Características .................................................... 55
3.1.1. Eficiência de uma Luminária ................................................ 58
3.2. Classificação de Luminárias ...................................................... 61
3.2.1. Classificação Antiga ........................................................... 61
3.2.2. Classificação Nova ............................................................. 63
3.2.3. Resumo ........................................................................... 67
3.3. Tipos de Luminárias ................................................................. 69
3.4. Conclusão .............................................................................. 70
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4. Suportes para Luminárias ............................................................ 72
4.1. Postes ou Colunas de Iluminação ............................................... 72
4.2. Cabos de Suspensão ................................................................ 74
4.3. Braços em Fachadas de Edifícios ............................................... 75
5. Balastros e Fontes de Alimentação .............................................. 76
5.1. Introdução e Conceitos ............................................................ 76
5.2. Balastros Electromagnéticos (ferromagnéticos) ............................ 81
5.2.1. Balastro Indutivo ............................................................... 82
5.2.2. Balastro Autotransformador ................................................ 83
5.2.3. Balastro Autoregulador ....................................................... 84
5.2.4. Vantagens e Desvantagens ................................................. 85
5.3. Balastros Electrónicos .............................................................. 86
5.3.1. Introdução ....................................................................... 86
5.3.2. Balastros Electrónicos Convencionais .................................... 87
5.3.3. Balastros Electrónicos Reguláveis (regulação de fluxo) ............ 89
5.3.4. Vantagens e Desvantagens ................................................. 94
5.4. Classes de Eficiência ................................................................ 97
5.5. Fontes de Alimentação para LEDs (Drivers) ................................. 99
5.6. Conclusão ............................................................................ 101
6. Sistemas de Controlo e de Gestão de Energia ............................ 106
6.1. Introdução ........................................................................... 106
6.2. Sensores Crepusculares ......................................................... 106
6.3. Relógio Astronómico .............................................................. 108
6.4. Reguladores de Fluxo a instalar à cabeceira do sistema de IP ...... 110
6.5. Sistemas de Telegestão Avançados .......................................... 117
6.6. Sistemas integrantes dos sistemas de telegestão dinâmicos ........ 119
6.7. Conclusão ............................................................................ 120
7. Conjuntos Funcionais ................................................................ 122
8. Referências ............................................................................... 128
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Lista de Figuras

Figura 1.1 – Diagrama típico de custos, após 25 anos de vida útil, de uma rede
de iluminação pública ............................................................................. 13
Figura 2.1 - Esquema e constituição de uma lâmpada incandescente ........... 17
Figura 2.2 – Espectro de emissão luminoso de uma lâmpada incandescente . 17
Figura 2.3 – Lâmpada de mercúrio e tubo de descarga. ............................. 19
Figura 2.4 – Espectro de emissão luminoso de lâmpadas de vapor de mercúrio
.......................................................................................................... 20
Figura 2.5 – Lâmpada de mercúrio de luz mista. ...................................... 21
Figura 2.6 – Espectro de emissão luminoso de uma lâmpada fluorescente
standard .............................................................................................. 23
Figura 2.7 – Esquema de funcionamento de uma lâmpada de vapor de sódio
de alta pressão ..................................................................................... 24
Figura 2.8 - Detalhes de lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão. ......... 26
Figura 2.9 – Espectro de emissão luminoso de lâmpadas de vapor de sódio de
alta pressão .......................................................................................... 26
Figura 2.10 – Detalhes de uma lâmpada de vapor de sódio de baixa pressão.
.......................................................................................................... 27
Figura 2.11 – Espectro da lâmpada de Vapor de Sódio de baixa pressão ...... 28
Figura 2.12 - Lâmpadas de iodetos metálicos. .......................................... 29
Figura 2.13 - Detalhes construtivos de uma lâmpada de iodetos metálicos. .. 30
Figura 2.14 – Espectro de emissão luminosa das lâmpadas de iodetos
metálicos ............................................................................................. 30
Figura 2.15 – Lâmpada fluorescente de indução. ...................................... 31
Figura 2.16 – Espectro de emissão luminoso da lâmpada de indução ........... 32
Figura 2.17 – Estrutura de um LED montado em circuito impresso (esquerda)
e vista de perfil do LED (direita) .............................................................. 34
Figura 2.18 - Representação interna do princípio de funcionamento de um
LED. .................................................................................................... 34
Figura 2.19 – A energia de um fotão é igual à largura de banda proibida (E
g
)
.......................................................................................................... 36
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Figura 2.20 – Cor branca através da junção de uma camada de fósforo a um
LED azul ou ultra-violeta ........................................................................ 37
Figura 2.21 – Cor branca através da combinação de LEDs de várias cores ... 37
Figura 2.22 – Processo de binning [Fonte: Philips] .................................... 38
Figura 2.23 – Luminária de iluminação pública de LEDs ............................. 38
Figura 2.24 – Espectro de emissão luminoso de um LED de cor branca ........ 40
Figura 2.25 – Lâmpada de Plasma ......................................................... 41
Figura 2.26 – Curvas de evolução da eficiência luminosa (roxo) e do fluxo
luminoso por custo de produção (vermelho) da tecnologia plasma [Fonte: DOE]
.......................................................................................................... 43
Figura 2.27 – Distribuição espectral de potência de duas lâmpadas de plasma
.......................................................................................................... 43
Figura 2.28 – Utilização do laser para aumentar a eficiência da lâmpada
incandescente ....................................................................................... 44
Figura 2.29 - Camadas do OLED de cor branca. ....................................... 46
Figura 2.30 – Timeline do nível de produção de OLEDs pelos diversos
fabricantes ........................................................................................... 47
Figura 2.31 – Estrutura do COLED .......................................................... 48
Figura 2.32 – Diagrama com os tipos de lâmpadas existentes .................... 49
Figura 2.33 – Evolução da eficiência luminosa dos vários tipos de lâmpadas . 50
Figura 2.34 – Aspectos a considerar na escolha de uma lâmpada ................ 50
Figura 3.1 – Luminária Full Cut-Off ......................................................... 62
Figura 3.2 - Luminária Semi Cut-Off ....................................................... 62
Figura 3.3 – Luminária Non Cut-Off ........................................................ 63
Figura 3.4 – Esquematização do ângulo θ [Fonte: Indalux] ........................ 64
Figura 3.5 – Ângulo com o plano vertical ................................................. 64
Figura 3.6 – Esquematização da Dispersão [Fonte: Indalux] ...................... 65
Figura 3.7 – Tipos de luminárias segundo a classificação da CIE (1965) ....... 67
Figura 3.8 – Visualização dos graus possíveis de alcance e dispersão de uma
luminária [Fonte: Indalux] ...................................................................... 68
Figura 3.9 – Comparação gráfica entre os três tipos de luminárias definidas . 71
Figura 4.1 – Vários tipos de postes de iluminação existentes nas redes de IP 72
Figura 4.2 – Embate de um carro a 35 km/h num poste flexível ................. 74
Figura 4.3 – Exemplo de um cabo de suspensão numa rede de iluminação
pública ................................................................................................. 75
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Figura 4.4 – Exemplo de um braço numa fachada de edifício ...................... 75
Figura 5.1 – Esquema do processo de ignição de uma lâmpada de descarga . 78
Figura 5.2 – Esquematização de um condensador ..................................... 80
Figura 5.3 – Esquema do circuito com balastro indutivo ............................ 83
Figura 5.4 – Esquema do circuito com balastro autotransformador .............. 84
Figura 5.5 - Esquema do circuito com balastro autoregulador ..................... 85
Figura 5.6 – Diagrama de blocos genérico de um balastro electrónico .......... 87
Figura 5.7 – Diagrama de blocos de um balastro electrónico com as
respectivas formas de onda .................................................................... 89
Figura 5.8 – Gráfico das bandas CENELEC com potências .......................... 93
Figura 5.9 - Etiqueta típica de um balastro. ............................................. 97
Figura 5.10 – Potência absorvida pelo conjunto Lâmpada (36W) + Balastro
por classe de eficiência energética ........................................................... 98
Figura 5.11 - Esquema de um driver de LEDs .......................................... 99
Figura 5.12 – Topologia BUCK de um conversor ..................................... 100
Figura 5.13 – Topologia BOOST de um conversor ................................... 100
Figura 5.14 – Topologia BUCK-BOOST de um conversor .......................... 100
Figura 5.15 – Ilustração dos dois tipos de balastros ................................ 101
Figura 5.16 – Comparação dos custos relativos dos diversos tipos de
balastros, tendo em conta a sua classe de eficiência energética ................. 102
Figura 5.17 – Esquema de ligação de um balastro magnético para lâmpadas
fluorescentes ...................................................................................... 103
Figura 5.18 – Esquema de ligação de um balastro electrónico para lâmpadas
de Vapor de Mercúrio ........................................................................... 103
Figura 5.19 – Esquema de ligação de um balastro electrónico para lâmpadas
de Iodetos Metálicos e Vapor de Sódio de alta pressão .............................. 103
Figura 5.20 – Esquema de ligação (paralelo) de um balastro electrónico para
lâmpadas de Vapor de Sódio de baixa pressão ......................................... 104
Figura 6.1 – Sensor crepuscular colocado ou no armário da rede de IP, ou na
própria luminária ................................................................................. 107
Figura 6.2 – Variação das estações do ano no hemisfério norte ................ 108
Figura 6.3 – Exemplos de relógios astronómicos ..................................... 108
Figura 6.4 – Exemplo de funcionamento de um Regulador de Fluxo Luminoso
ao longo do período nocturno ................................................................ 110
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Figura 6.5 – Exemplo do horário de funcionamento com e sem regulação de
fluxo, para diferentes áreas, ao longo do ano .......................................... 111
Figura 6.6 – Reguladores de Fluxo ....................................................... 113
Figura 6.7 - Comparação da percentagem de lâmpadas em funcionamento
(esquerda) e da variação do fluxo luminoso (direita) com e sem regulador de
fluxo. ................................................................................................. 114
Figura 6.8 – Vantagens dos reguladores de fluxo .................................... 115
Figura 6.9 – Esquematização de um sistema de telegestão de uma rede de IP
........................................................................................................ 118
Figura 7.1 – Conjuntos funcionais para as lâmpadas de Vapor de Sódio de Alta
Pressão .............................................................................................. 125
Figura 7.2 – Conjuntos funcionais para lâmpadas de Vapor de sódio de Baixa
Pressão .............................................................................................. 126
Figura 7.3 – Conjuntos funcionais para lâmpadas Fluorescentes ............... 126
Figura 7.4 – Conjuntos funcionais para lâmpadas de Iodetos Metálicos ...... 127
Figura 7.5 – Conjuntos funcionais para lâmpadas LED ............................. 127


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Lista de Tabelas

Tabela 2.1 - Características das lâmpadas incandescentes ......................... 18
Tabela 2.2 - Características da lâmpada de vapor de mercúrio .................... 20
Tabela 2.3 - Características típicas das CFL integrais ................................. 22
Tabela 2.4 - Características das CFL modulares ........................................ 23
Tabela 2.5 - Características das lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão 26
Tabela 2.6 - Características típicas da lâmpada de vapor de sódio de baixa
pressão ................................................................................................ 28
Tabela 2.7 - Características típicas das lâmpadas de iodetos metálicos ........ 31
Tabela 2.8 - Características típicas da lâmpada de indução ........................ 32
Tabela 2.9 – Material e diferença de potencial necessários para que o LED
produza uma determinada cor ................................................................. 35
Tabela 2.10 – Legenda dos materiais utilizados nos LEDs .......................... 36
Tabela 2.11 - Características típicas dos LEDs .......................................... 40
Tabela 2.12 – Comparação de alguns aspectos da lâmpada de plasma com
outras tecnologias existentes. ................................................................. 42
Tabela 2.13 – Características das lâmpadas de plasma para IP ................... 43
Tabela 2.14 – Vantagens e Desvantagens dos OLEDs ................................ 47
Tabela 2.15 – Eficiência mínima associada a uma determinada potência [9] . 51
Tabela 2.16 – Depreciação do fluxo luminoso, à vida média, de cada tipo de
lâmpada ............................................................................................... 51
Tabela 2.17 – Tempo de ignição para cada tipo de lâmpada ....................... 52
Tabela 2.18 – Capacidade de regulação de fluxo de cada tipo de lâmpada ... 52
Tabela 2.19 – Análise técnica/económica das diferentes fontes de luz ........... 54
Tabela 3.1 - Distribuição de emissões de CO2 de uma luminária convencional
tipo, ao longo do seu ciclo de vida ........................................................... 59
Tabela 3.2 – Avaliação comparativa de parâmetros de desempenho de duas
luminárias ............................................................................................ 60
Tabela 3.3 – Full Cut-Off, segundo a CIE ................................................. 62
Tabela 3.4 - Semi Cut-Off, segundo a CIE ................................................ 62
Tabela 3.5 - Non Cut-Off, segundo a CIE ................................................. 63
Tabela 3.6 – Alcance da Luminária ........................................................... 64
Tabela 3.7 – Dispersão da Luminária ...................................................... 65
Tabela 3.8 – Controlo da Luminária ........................................................ 66
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Tabela 3.9 – Quadro resumo com a classificação das luminárias, pela CIE
(1965) ................................................................................................. 67
Tabela 3.10 – Quadro resumo da nova classificação de luminárias da CIE .... 67
Tabela 3.11 – Características típicas dos três tipos de luminárias ................ 69
Tabela 3.12 – Valores do LOR para cada um dos tipos de luminária, com
lâmpadas de determinada potência .......................................................... 70
Tabela 4.1 – Tipos de postes de iluminação ............................................. 73
Tabela 5.1 – Características do balastro indutivo ...................................... 82
Tabela 5.2 – Características do balastro autotransformador ....................... 83
Tabela 5.3 - Características do balastro autoregulador ............................... 84
Tabela 5.4 – Tipos de balastros Electrónicos ............................................ 87
Tabela 5.5 – Classificação dos Balastros, para lâmpadas fluorescentes, em
função do índice de eficiência energética ................................................... 97
Tabela 5.6 – Potência absorvida pelos conjuntos balastro+lâmpada
fluorescente .......................................................................................... 98
Tabela 5.7 – Potência de perdas máxima dos balastros ........................... 101
Tabela 5.8 – Principais características típicas dos balastros ...................... 104
Tabela 6.1 – Período de funcionamento de uma rede de IP no hemisfério norte
........................................................................................................ 109
Tabela 6.2 – Características de funcionamento dos reguladores de fluxo .... 113
Tabela 6.3 – Poupança energética com regulação de fluxo para cada tipo de
lâmpada. ............................................................................................ 115
Tabela 6.4 – Características dos Sistemas de Controlo ............................ 121
Tabela 7.1 – Triagem dos conjuntos funcionais possíveis para redes de IP 124


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Abreviaturas

A Ampère
cd Candela
CFL Lâmpada Florescente Compacta
CIE Comissão Internacional de Iluminação
DLOR Rácio de Saída do Fluxo Luminoso para baixo
E Iluminância
FU Factor de Utilização
Hz Hertz
I Corrente
IP Iluminação Pública
IRC Índice de Restituição Cromático
K Kelvin
km Kilómetro
L Luminância
LED Díodo Emissor de Luz
LLMF Factor de Manutenção do Fluxo da lâmpada
lm Lúmen
LMF Factor de Manutenção da Luminária
LOR Rácio de Saída do Fluxo Luminoso
LSF Factor de Sobrevivência da Lâmpada
lx Lux
m metro
P Potência
rad Radiano
s Segundo
SHR Rácio Espaçamento – Altura
sr Esterorradiano
SR Rácio Envolvente
TI Incremento Limite
ULOR Rácio de Saída do Fluxo Luminoso para cima
W Watt
H Hora
AT Alta Tensão
MAT Muito Alta Tensão
SSL Solid State Lighting
EMI Electromagnetic Interference
DC Corrente contínua
AC Corrente alternada
CO
2
Dióxido de carbono
CEN Comissão Europeia de Normalização
TR Technical Report
DSI Digital Serial Interface
DALI Digital Adressable Lighting Interface
PLC Power Line Carrier
RFI Radio Frequency Interference
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EEI Índice de Eficiência Energética
C Capacitância
F Farads
R Resistência
CSM Sistema Central de Manutenção
IGBTs Isolated Gate Bipolar Transistor
PT Posto de Transformação
SC Controlador de Segmento
OLC Controlador de Luminária Exterior
EN Norma Europeia

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1. Introdução

Neste segundo volume do Manual de Iluminação Pública pretende-se
caracterizar técnica e economicamente as diversas tecnologias existentes que
compõem os sistemas de IP, comparando as principais características dos
diferentes elementos constituintes de um conjunto funcional, nomeadamente,
lâmpadas, luminárias, balastros e sistemas de comando e controlo. Além disso,
foram tidos em conta os custos relacionados com o investimento, consumo e
manutenção das diferentes tecnologias.

A iluminação consome cerca de 20% de toda a electricidade a nível mundial e
assume um papel primordial nas nossas vidas, quer a nível de iluminação de
edifícios do sector dos serviços e das habitações, quer ao nível da Iluminação
Pública (estradas, ruas e espaços públicos). Estimativas feitas apontam para
mais de 4 milhões de pontos de luz associados à iluminação pública em
Portugal, com um consumo energético global a rondar os 1,55 TWh em 2009,
ou seja, cerca de 3% do consumo do País, com uma média de crescimento de
4,3 % desde 2005. Aplicando o tarifário em vigor, este valor corresponde a
cerca de 100 milhões de euros. Em particular, é actualmente estimado que a
iluminação pública seja responsável por cerca de 20 a 40% do custo de
electricidade típico de uma autarquia.


Figura 1.1 – Diagrama típico de custos, após 25 anos de vida útil, de uma rede de
iluminação pública

45%
15%
40%
Manutenção Investimento Consumo
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Os custos associados a um sistema de iluminação, durante a sua vida útil,
podem ser divididos em custos iniciais de investimento e custos operacionais
(manutenção e energia). Ao analisar o diagrama da Figura 1.1, fica bastante
claro onde se deve actuar para reduzir os custos associados à iluminação, ou
seja, é imperativo encontrar sistemas que possibilitem reduzir o consumo de
energia eléctrica (sistemas mais eficientes) garantindo no mínimo a mesma
segurança e conforto, e há que tentar reduzir, com sistemas inteligentes, os
custos associados à manutenção e operação das redes de IP.

Segundo o Engº Odilon Simões Correia (Correia, 1997), duas regras básicas
qualificam os bons sistemas de iluminação:

Iluminar demais não é sinónimo de iluminar bem.
O bom sistema de iluminação é aquele onde não se vê a fonte luminosa,
mas apenas o objecto iluminado.

2. Lâmpadas

A lâmpada é o componente cuja funcionalidade visa a produção de uma
radiação electromagnética no espectro visível. São vários os tipos de lâmpadas
que podem ser utilizadas como fontes luminosas num sistema de iluminação
pública. Estas diferenciam-se mediante as suas características técnicas e
económicas e dos seus parâmetros de desempenho, nomeadamente:

Índice de Restituição de Cor (IRC).
Temperatura de Cor (kelvin).
Fluxo Luminoso (Φ).
Eficiência Luminosa (lm/W).
Gama de Potência (W).
Tempo de Vida (h).
Custo (€).
Factor de Sobrevivência da Lâmpada (LSF - Lamp Survival Factor).
Factor de Manutenção da Luminosidade da Lâmpada (LLMF - Lamp
Lumen Maintenance Factor).
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Podemos classificar as lâmpadas em:

Tecnologias Antigas:

o Incandescentes
o Vapor de Mercúrio

Tecnologias do Presente:

o Fluorescentes
o Vapor de Sódio
o Iodetos Metálicos

Tecnologias Emergentes:

o LEDs
o Indução

Tecnologias do Futuro

o Plasma
o OLEDs
o COLEDs
o Lâmpadas incandescentes mais eficientes
o Lâmpadas de nanofibras

2.1. Tecnologias Antigas

As lâmpadas incandescentes e as de vapor de mercúrio são fontes luminosas
obsoletas, sujeitas neste momento ao “phase-out” nos sistemas de iluminação
pública em Portugal. Se por um lado já não se encontram praticamente
nenhumas lâmpadas incandescentes, por outro, as de vapor de mercúrio ainda
representam uma quota-parte significativa no universo da iluminação pública
nacional, com cerca de 10% do consumo total no final de 2008.


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2.1.1. Incandescentes

Como o próprio nome indica, este tipo de lâmpadas funciona com base no
fenómeno de incandescência, ou seja, pela emissão de luz de um corpo devido
à sua elevada temperatura.

As lâmpadas incandescentes consistem num bolbo de vidro cheio de um gás
inerte, nomeadamente árgon ou nitrogénio, com um filamento de tungsténio no
seu interior. Este filamento fino, enrolado sob a forma de dupla espiral para
assegurar uma eficácia luminosa óptima, é atravessado por uma corrente
eléctrica apropriada, que o irá aquecer a temperaturas extremamente elevadas,
tipicamente de 2000 a 3300 (K), produzindo luz de espectro aproximadamente
contínuo.

O tipo de funcionamento destas lâmpadas faz com que apenas uma pequena
parcela da energia consumida seja convertida em luz visível, sendo a restante,
cerca de 90-95%, perdida sob forma de calor, nomeadamente na forma de
radiação no espectro do infravermelho. O seu rendimento é baixo quando
comparado com outros tipos de lâmpadas mais eficientes tais como as CFLs
(Compact Fluorescent Lamps - lâmpadas fluorescentes compactas).

Uma das principais características deste tipo de lâmpadas é a excelente
reprodução de cores, tendo como principal vantagem o seu baixo custo. No
entanto, trata-se de uma solução energeticamente desaconselhável, quando
comparada com todas as outras fontes luminosas existentes, pois apresenta:

Muito baixa eficiência luminosa.
Menor tempo de vida médio (cerca de 1000 horas).
Uma potência algo elevada de onde resulta um elevado consumo.
Uma maior degradação do fluxo luminoso devido à deposição das
partículas de tungsténio na parede interior da lâmpada.

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Figura 2.1 - Esquema e constituição de uma lâmpada incandescente



Figura 2.2 – Espectro de emissão luminoso de uma lâmpada incandescente


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Tabela 2.1 - Características das lâmpadas incandescentes


2.1.2. Vapor de Mercúrio

A lâmpada de vapor de mercúrio é uma lâmpada que tem como princípio de
funcionamento a descarga entre dois eléctrodos imersos numa atmosfera de
árgon, com uma pequena quantidade de mercúrio. Este tipo de lâmpadas foi
desenvolvido por volta de 1930, e teve grande sucesso graças ao seu
desempenho representar, na altura, um melhoramento substancial em relação
à tecnologia incandescente.

O gás da lâmpada encontra-se a uma pressão da ordem de 10 atm para
lâmpadas de potência mais elevadas (250W, 400W, 700W, e 1000W) e
pressões acima de 10 atm para lâmpadas de menor potência (25W, 50W, 80W,
e 125W). O seu funcionamento difere do funcionamento da lâmpada
fluorescente (ver 2.2.1) pelo facto de não necessitar de nenhum pico de ignição
para se colocar em funcionamento. Este facto deve-se à presença de um
eléctrodo auxiliar no tubo de descarga, que ioniza o gás árgon, dando início à
descarga.

A lâmpada de vapor de mercúrio, é constituída por um bolbo protector
contendo gás nitrogénio e um tubo de descarga com três eléctrodos (dois
eléctrodos principais, e um auxiliar, também conhecido como eléctrodo de
arranque). Ligado ao eléctrodo de arranque existe uma pequena resistência,
cuja finalidade é limitar a corrente eléctrica no eléctrodo auxiliar, para que só
funcione durante o arranque da lâmpada.

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Dada a sua baixa impedância após o arranque, para que a lâmpada de vapor de
mercúrio possa funcionar com segurança deve operar com um balastro, para
limitar a corrente a valores aceitáveis para o seu funcionamento.

A maior dificuldade para a construção das primeiras lâmpadas de vapor de
mercúrio foi a concepção do tubo de descarga, mais especificamente, a
selagem do mesmo, uma vez que, a temperatura do mercúrio sob a forma de
plasma de alta pressão é extremamente elevada. Como solução, recorreu-se à
utilização de quartzo na produção do tubo de descarga, pois tem um coeficiente
de dilatação térmica muito mais baixo quando comparado com o coeficiente de
dilatação térmica dos metais (e.g. tungsténio). Desta forma, o tubo de
descarga não irá fracturar nos pontos de selagem, ou seja, nas suas
extremidades. Adicionalmente utilizam-se finíssimas placas condutoras, que são
ligadas aos eléctrodos e aos terminais do tubo de descarga. Estas placas são
constituídas por nióbio, e quando o tubo aquece, tendem a dilatar um pouco
mais que o tubo. Porém, por serem extremamente delgadas, não forçam o
tubo, eliminando a possibilidade de se fracturarem.


Figura 2.3 – Lâmpada de mercúrio e tubo de descarga.

Existem lâmpadas a vapor de mercúrio construídas com os mais variados tipos
de “bolbo”, e podem ter:

“Bolbos” revestidos com uma camada fluorescente para converter a
radiação ultravioleta em luz visível, melhorando o seu espectro.

“Bolbos” claros, onde o espectro emitido deve-se apenas à descarga no
mercúrio.
Placas de nióbio
Eléctrodos
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Este tipo de lâmpada era considerado na década de 80, uma das mais
importantes em iluminação pública. No entanto, com o aparecimento da
lâmpada de vapor de sódio de alta pressão, a sua utilização tem-se tornado
cada vez menos comum. Assim acontece por dois motivos principais, a sua
eficiência luminosa é muito baixa, raramente consegue atingir os 50
lumens/watt e quantidade de mercúrio existente é bastante prejudicial para o
meio ambiente.


Figura 2.4 – Espectro de emissão luminoso de lâmpadas de vapor de mercúrio

Tabela 2.2 - Características da lâmpada de vapor de mercúrio



Um tipo de lâmpada de vapor de mercúrio relevante, que pode ser citado, é a
chamada lâmpada de luz mista. Esta é uma lâmpada de vapor de mercúrio que
possui, no mesmo “bolbo”, um tubo de descarga contendo mercúrio ligado em
série e um filamento de lâmpada incandescente, que irá melhorar o espectro
luminoso da lâmpada. Este filamento irá desempenhar ao mesmo tempo o
papel de arrancador, ou seja, a lâmpada de luz mista poderá ser ligada
directamente à rede eléctrica, tal como a lâmpada incandescente.
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Figura 2.5 – Lâmpada de mercúrio de luz mista.

2.2. Tecnologias do Presente

Devido às suas características e à relação eficiência/custo de investimento e de
funcionamento que apresentam, os tipos de lâmpadas explicitados neste
capítulo são, actualmente, os mais utilizados no mercado de iluminação pública,
quer para soluções de retrofitting, quer para novas instalações. Fazem parte
deste bloco as lâmpadas:

Fluorescentes (compactas ou tubulares).
Vapor de sódio (alta e baixa pressão).
Iodetos metálicos.

2.2.1. Compactas Fluorescentes (CFLs)

As CFLs, do inglês Compact Fluorescent Lamps, surgiram na década de 80 e
foram projectadas para substituir as incandescentes nos diversos sectores e
aplicações. São uma boa escolha quando se quer uma elevada eficiência, baixo
custo e um valor baixo de lumens à saída, sendo por isso aplicadas em locais
onde níveis modestos de luminosidade são aceitáveis. Daqui se compreende
que a taxa de utilização deste tipo de lâmpadas no mercado da iluminação
pública é baixa, sendo quase exclusivamente utilizadas nos globos dos parques
e jardins (espaços verdes públicos) ou em zonas para efeitos decorativos.


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Este tipo de lâmpadas eram especialmente recomendadas quando se
necessitava de uma utilização contínua, embora actualmente estejam também
já preparadas para elevado número de manobras (acender/apagar) por
utilizarem agora quase sempre balastros electrónicos.

Mais recentemente, com a introdução de novos fosfatos, as características da
cor das CFLs foram substancialmente melhoradas, pelo que actualmente já
existem modelos em que a luz emitida é branca e fria.

Apesar de terem um custo inicial superior ao das lâmpadas de incandescência,
proporcionam poupanças importantes devido ao seu maior rendimento
(consomem apenas 20% da energia) e à sua elevada duração.
As lâmpadas compactas fluorescentes podem ser integrais ou modulares, caso
integrem ou não o balastro, respectivamente.

2.2.1.1. Integradas

Nas lâmpadas fluorescentes compactas integrais, o balastro e a lâmpada
formam uma peça única, estando o equipamento de arranque incorporado na
base da lâmpada. O balastro electrónico, por funcionar a frequências na ordem
dos 30 kHz, elimina a cintilação. Este tipo de lâmpadas dispõe de casquilhos de
rosca do tipo (Edison) E14 e E27, substituindo-se assim facilmente as lâmpadas
incandescentes. O seu preço foi reduzido drasticamente nos últimos anos,
tornando a sua utilização bastante rentável, ainda que mais virada para a
iluminação de interiores.

Tabela 2.3 - Características típicas das CFL integrais

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2.2.1.2. Modulares

Estas lâmpadas fluorescentes compactas são vendidas sem balastro em duas
peças distintas e designam-se por modulares. A vantagem é reduzir os custos
de manutenção, uma vez que, quando se substitui a lâmpada não existe
necessidade de substituir o balastro cuja duração é cerca de cinco a seis vezes
superior à da lâmpada.


Figura 2.6 – Espectro de emissão luminoso de uma lâmpada fluorescente standard

Tabela 2.4 - Características das CFL modulares



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2.2.2. Lâmpadas de Vapor de Sódio

2.2.2.1. Lâmpadas de Vapor de Sódio de Alta Pressão

A lâmpada de sódio de alta pressão foi idealizada por investigadores dos
principais fabricantes de lâmpadas do mundo tendo em vista obter rendimentos
elevados. O maior obstáculo para o fabrico deste tipo de lâmpadas foi a
confecção do tubo de descarga, para que suportasse a agressividade do sódio a
altas temperaturas e pressões. Este obstáculo foi transposto com o
desenvolvimento de um tipo especial de cerâmica translúcida de alumina (óxido
de alumínio).

A lâmpada de vapor de sódio de alta pressão é então uma lâmpada de descarga
de alta intensidade, caracterizada por eficiência e durabilidade elevadas.
A Figura 2.7 ilustra o seu funcionamento. Uma fonte de alimentação e um
balastro (electromagnético ou eléctrico) em série irão fornecer uma corrente
apropriada à lâmpada. No seu interior uma mistura de sódio e mercúrio é
vaporizada provocando um arco entre os eléctrodos, no tubo de alumina,
permitindo a condução. Quanto maior for a potência da lâmpada, maior será a
temperatura no seu interior e quanto maior for a temperatura, maior será a
pressão do vapor e menor a resistência eléctrica da lâmpada.


Figura 2.7 – Esquema de funcionamento de uma lâmpada de vapor de sódio de
alta pressão

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A tensão de arco existente na lâmpada aumenta entre 1 a 2 (V) por cada 1000
horas de funcionamento, devido à diminuição da pressão dos gases que
compõem a mistura dentro do tubo de descarga, resultante da gradual
impregnação de sódio nas paredes do tubo. Este incremento é bastante
relevante, uma vez que, aumentos de cerca de 10% no valor da tensão de arco
implicam aumentos entre 20 a 25 % da potência. As lâmpadas já na segunda
metade do seu tempo de vida podem ter dificuldade em arrancar com tensões
reduzidas.

Este tipo de lâmpadas difere da lâmpada a vapor de sódio de baixa pressão
(ver 0) pelo facto de ter um espectro muito mais rico, podendo ser nalguns
casos até mais rico que o espectro da lâmpada de vapor de mercúrio. Isto
ocorre, uma vez que, sob altas temperaturas e pressões, as linhas
monocromáticas do espectro do sódio começam a sobrepor-se produzindo,
através de interferências construtivas e destrutivas, outras linhas espectrais
que normalmente seriam imperceptíveis.

A eficiência luminosa típica de uma lâmpada de vapor de sódio de alta pressão
é menor que a da lâmpada a vapor de sódio de baixa pressão (cerca de 50
lm/W). Tem, no entanto, a segunda maior eficiência luminosa de todas as
fontes de luz artificiais.

As lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão estão disponíveis, assim como
as lâmpadas de iodetos metálicos, numa enorme gama de formatos, desde a
forma elipsoidal, à forma reflectora parabólica, sendo extremamente úteis em
diversas aplicações, nomeadamente na iluminação pública.

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Figura 2.8 - Detalhes de lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão.


Figura 2.9 – Espectro de emissão luminoso de lâmpadas de vapor de sódio de alta
pressão

Tabela 2.5 - Características das lâmpadas de vapor de sódio de alta pressão




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2.2.2.2. Lâmpadas de Vapor de Sódio de Baixa Pressão

A lâmpada de vapor de sódio de baixa pressão (Figura 2.10) foi desenvolvida
por volta de 1930, e com a sua implementação nas redes de IP conseguiu-se
obter um melhor rendimento das instalações. Tem como princípio de
funcionamento a descarga num tubo de vidro especial em forma de U, contendo
uma atmosfera composta de néon e árgon, além do sódio.


Figura 2.10 – Detalhes de uma lâmpada de vapor de sódio de baixa pressão.

Esta lâmpada, extremamente popular na década de 50, começando a cair em
desuso com o aparecimento das modernas lâmpadas a vapor de sódio de alta
pressão, no que concerne às suas características funcionais, possui algumas
particularidades que a tornam semelhante à lâmpada fluorescente, como por
exemplo:

Eléctrodos aquecidos.
Circuito de ligação constituído por um balastro e um arrancador.

A lâmpada a vapor de sódio de baixa pressão é a fonte de luz artificial de maior
rendimento, chegando a apresentar uma eficiência luminosa superior a 180
lumens/Watt. No entanto, tem a desvantagem de possuir um espectro
praticamente monocromático na região do amarelo (Figura 2.11), o que faz
com que se caracterize por ter o pior índice de restituição de cor de todas as
fontes luminosas. Adicionalmente, tem dos tempos de vida útil mais baixos.
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Figura 2.11 – Espectro da lâmpada de Vapor de Sódio de baixa pressão

Tabela 2.6 - Características típicas da lâmpada de vapor de sódio de baixa pressão



2.2.3. Iodetos Metálicos

Após a popularização da lâmpada a vapor de mercúrio, foram realizados vários
aperfeiçoamentos da tecnologia. Um bom exemplo deste facto é a lâmpada de
vapor de mercúrio com iodetos metálicos, ou simplesmente, lâmpada de
iodetos metálicos. Esta é extremamente semelhante à lâmpada de vapor de
mercúrio, à excepção das seguintes características:

Presença de iodetos metálicos.
Desempenho muito superior em termos do IRC.


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Este tipo de lâmpadas contém um revestimento de alumina nas extremidades
do tubo de descarga, cujo objectivo é reflectir o calor produzido pela descarga
para os eléctrodos, impedindo a condensação dos iodetos no interior do tubo de
descarga da lâmpada.

Este tipo de lâmpadas necessita de um arrancador adequado, que produza
picos de tensão até cerca de 5000 (V) para a ignição. Existem versões que
dispõem de um eléctrodo auxiliar, tal como na lâmpada de mercúrio, tornando
desnecessária a geração de pulsos de tensão. Ou então existe a possibilidade
do modelo com arrancador interno, tipo starter, como nas lâmpadas
fluorescentes.

As lâmpadas de iodetos metálicos estão disponíveis nos mais variados
formatos, existindo ainda lâmpadas de elevada potência que têm um reflector
hermeticamente fechado.

Actualmente, a lâmpada de iodetos metálicos, apresenta um grande número de
aplicações, com destaque para a iluminação pública de:

Centros históricos e seus monumentos.
Zonas residenciais.
Estádios de futebol.

Esta lâmpada está disponível numa enorme gama de potências, de 35W até
3500W. A eficiência luminosa deste tipo de lâmpadas encontra-se em torno de
100 lm/W, ou seja, o dobro da tradicional lâmpada de vapor de mercúrio, mas
inferior à lâmpada de vapor de sódio de alta pressão.


Figura 2.12 - Lâmpadas de iodetos metálicos.
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A figura mostra três lâmpadas de descarga, uma com revestimento colorido
(esquerda), uma com eléctrodo auxiliar (centro), e outra com tubo de descarga
cerâmico (direita), que é uma das últimas tecnologias aplicadas a este tipo de
lâmpada.


Figura 2.13 - Detalhes construtivos de uma lâmpada de iodetos metálicos.

Comparadas com as lâmpadas de sódio de alta pressão, oferecem as mesmas
vantagens, mas têm características diferentes. Têm uma maior gama de
potências e uma cor mais branca e fria. São usadas quando se necessita de
uma boa eficiência e uma boa restituição de cores. Contudo a aparência de cor
é afectada pela idade e têm menor vida útil e rendimento.


Figura 2.14 – Espectro de emissão luminosa das lâmpadas de iodetos metálicos
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Tabela 2.7 - Características típicas das lâmpadas de iodetos metálicos


2.3. Tecnologias Emergentes

2.3.1. Lâmpadas de Indução

Uma inovação recente da indústria da iluminação foi a chamada lâmpada
fluorescente de indução, cujo princípio de funcionamento baseia-se na
excitação do mercúrio e dos gases nobres que se encontram no seu interior,
através da aplicação de um campo magnético oscilante de altíssima frequência
que irão produzir radiação ultra-violeta que é convertida em luz visível usando
revestimentos com sais apropriados, tal como acontece nas lâmpadas
fluorescentes.

A lâmpada fluorescente de indução, não tem eléctrodos internos, sendo
constituída ou por uma ampola com mercúrio com uma bobina, que excita o
mercúrio, ou simplesmente por um tubo fechado com duas bobinas enroladas
nas extremidades da lâmpada.


Figura 2.15 – Lâmpada fluorescente de indução.
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As lâmpadas de indução têm uma boa eficiência energética e um índice de
restituição de cores relativamente elevado. A grande vantagem é sem dúvida a
duração destas lâmpadas, pois é muito elevada. Assim, poder-se-á utilizar este
tipo de fonte luminosa, em locais onde a manutenção frequente seja
indesejável, por ser mais cara e perigosa (por exemplo em postes de
iluminação de difícil acesso ou junto a linhas de AT e MAT). Adicionalmente, o
seu fluxo luminoso é muito pouco dependente da temperatura.
Tem a desvantagem de, actualmente, ainda não ser possível efectuar o
dimming desta lâmpada e apenas funcionar com balastros electrónicos
especiais de muito alta frequência.


Figura 2.16 – Espectro de emissão luminoso da lâmpada de indução

Tabela 2.8 - Características típicas da lâmpada de indução





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2.3.2. LEDs

O díodo emissor de luz (LED – Light emitting diode) transforma a energia
eléctrica em luz num cristal de semicondutor. Tal transformação é diferente da
encontrada em lâmpadas convencionais (incandescentes, descarga e indução),
pois nos LEDs a transformação de energia eléctrica em luz é efectuada dentro
da matéria sólida, daí que também seja denominada de iluminação em estado
sólido (SSL – Solid State Lighting).

Com o desenvolvimento de novas tecnologias de fabrico e aparecimento de
novos materiais, os LEDs têm vindo a ser produzidos com custos cada vez
menores, proporcionando uma gama cada vez maior de aplicações, como
sinalização e iluminação de ambientes em geral. Já entraram no mercado de
iluminação de interiores para substituir as lâmpadas incandescentes e de
descarga, estando agora a dar os primeiros passos em aplicações no domínio
da iluminação pública.

Pelas suas características, os LEDs têm adquirido uma grande preferência por
parte dos arquitectos e lighting designers, que assim passaram a dispor de um
novo recurso capaz de proporcionar concepções de iluminação mais eficientes,
funcionais e artísticas.

O LED (Figura 2.17) é constituído por um díodo de semicondutor chamado chip,
que é encapsulado em material plástico, cerâmico ou resina. Esta cápsula
poderá ter formas e tamanhos variados, consoante os quais são estabelecidas
as características ópticas do LED. Geralmente um segundo controlador óptico
(lente ou difusor) é introduzido na cápsula. Desta forma, o rendimento óptico
do sistema será definido quer pela forma e tamanho do LED, quer pela
configuração da lente e da sua distância ao chip.

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Figura 2.17 – Estrutura de um LED montado em circuito impresso (esquerda) e
vista de perfil do LED (direita)

O funcionamento de uma lâmpada de LEDs só é possível através de uma fonte
de alimentação especial, o driver, que irá converter a tensão alternada da rede
em tensão contínua. Dependendo da sua polarização, o LED irá permitir, ou
não, a passagem de corrente eléctrica gerando, ou não, luz.

Os electrões movem-se da região N, através da junção PN do díodo
semicondutor, até atingirem a região P, onde se recombinam com cargas
positivas (lacunas) e vice-versa. Quando duas cargas se recombinam, são
libertados fotões cuja energia é igual à largura da banda proibida E
g
1

.

Figura 2.18 - Representação interna do princípio de funcionamento de um LED.


1
A banda proibida corresponde à energia necessária para que o electrão efectue a
transição da banda de valência (estado em que o semicondutor tem características
de um isolante) para a banda de condução.
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Este fenómeno acontece em qualquer díodo. No entanto, só é visível se o díodo
for composto de um material específico. Por exemplo, num díodo de silício, a
baixa frequência do fotão libertado é invisível ao olho humano (está na região
do infravermelho).

Ao invés das lâmpadas incandescentes, os LEDs mais simples emitem uma luz
monocromática, sendo que a cor da luz irá depender do:

Material utilizado na sua composição.
Largura de banda proibida do semicondutor.

De modo a termos um díodo emissor de luz visível, é necessário escolher
materiais que possuam uma largura de banda proibida maior que a do silício.
Esse valor irá determinar o comprimento de onda do fotão e, desta forma, a cor
da luz emitida.

Tabela 2.9 – Material e diferença de potencial necessários para que o LED produza
uma determinada cor





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Tabela 2.10 – Legenda dos materiais utilizados nos LEDs



Figura 2.19 – A energia de um fotão é igual à largura de banda proibida (E
g
)

A energia do fotão é dada por:


Legenda:
Constante de Plank [ ]
Frequência ( )
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Um dos grandes desafios no domínio dos LEDs foi, sem dúvida, a criação de luz
branca. Vários métodos foram encontrados para tal efeito, sendo os mais
usados:

Juntar a um LED azul ou ultra violeta camadas de fósforo, que são
excitadas produzindo luz vermelha, amarela, verde e azul (RYGB – red,
yellow, green and blue) (Figura 2.20).

Combinar vários LEDs, de modo a que a combinação de cores (RYGB)
por eles emitida produza a cor branca (Figura 2.21).


Figura 2.20 – Cor branca através da junção de uma camada de fósforo a um LED
azul ou ultra-violeta


Figura 2.21 – Cor branca através da combinação de LEDs de várias cores


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A produção de LEDs brancos com uma reprodução de cor idêntica foi também
um problema inicial encontrado e ultrapassado apenas com a implementação
do processo de agrupamento em lotes homogéneos (binning - selecção em
bins, ou seja, lotes). Podemos dizer que cada lote obtido da produção de um
determinado LED tem uma cor uniforme. O binning envolve a caracterização
dos LEDs mediante as medidas das suas características fundamentais: fluxo,
cor e tensão. Neste processo, os LEDs são seleccionados em grupos de
aparência de cores muito similares, sendo que a parecença da cor irá depender
do tamanho do lote. Um tamanho maior é sinónimo de uma maior
probabilidade de existência de tonalidades diferentes, no entanto a redução do
lote para se obter praticamente o mesmo tom irá aumentar o custo de fabrico
do LED.

Figura 2.22 – Processo de binning [Fonte: Philips]

Quando se utilizar uma luminária de LEDs é essencial que eles advenham do
mesmo lote de modo a proporcionar uma aparência consistente.


Figura 2.23 – Luminária de iluminação pública de LEDs
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A diminuição do fluxo luminoso com o aumento de temperatura é mais ou
menos acentuada, consoante a cor do LED. Por exemplo, como o LED de cor
amarela é mais sensível do que o LED verde, o seu fluxo luminoso ao longo do
tempo e a sua vida média irão ser menores.

A eficiência dos LEDs tem aumentado consideravelmente durante os últimos
anos, graças aos avanços tecnológicos. Estando directamente relacionada com
a cor, no início de 2009 já se conseguiu ultrapassar os 130 lm/W para produtos
no mercado e os 150 lm/W em laboratório (branco frio), incrementando ainda
mais a cada ano de evolução que passa. Previsões optimistas prevêem que se
consiga atingir em 2012 os 200 lm/W de eficiência em laboratório.

Os LEDs, devido ao seu fluxo direccionado, conseguem atingir poupanças de
energia entre 50 a 70% quando comparados com as lâmpadas convencionais
de mercúrio e vapor de sódio. Adicionalmente, não requerem um tempo de
espera para atingir o nível de fluxo luminoso máximo. Possuem ainda outras
vantagens tais como:
Direccionalidade.
Menor fragilidade e susceptibilidade a actos de vandalismo.
Tempo de vida bastante superior.
Melhor efeito visual, com disponibilidade de uma grande variedade de
cores.
Não necessita de tempo de aquecimento.
Mais adequado para dimming. Permite reduções muito superiores às das
lâmpadas convencionais.

Assumindo uma durabilidade de 60 000 horas, a operar numa média de 12h
por dia, terá um tempo de vida superior a 13 anos.
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Figura 2.24 – Espectro de emissão luminoso de um LED de cor branca

Tabela 2.11 - Características típicas dos LEDs



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2.4. Tecnologias do Futuro

2.4.1. Plasma

A lâmpada de plasma (Figura 2.25) é uma fonte luminosa de estado-sólido que
utiliza um gerador de altas frequências para ionizar uma ampola carregada com
gás Argon.


Figura 2.25 – Lâmpada de Plasma

Pelo facto de utilizar uma fonte geradora de altas frequências e utilizar o
fenómeno de ionização de um gás, a gestão de emissão de Interferências
Electromagnéticas (EMI) e a temperatura são dois factores muito
problemáticos, que terão que ser equacionados na utilização desta tecnologia.
Neste sentido, as empresas fabricantes destas ampolas providenciam manuais
de desenvolvimento para garantir que as emissões de EMI fiquem contidas
dentro da óptica da luminária e que haja uma correcta dissipação do calor.
Outros problemas que foram endereçados a esta tecnologia foram:

Necessidade de ter o gerador de altas frequências o mais perto possível
da ampola, sob pena de reduzir a eficiência da lâmpada.

Impossibilidade de utilizar sistemas ópticos devido à utilização do
fenómeno de incandescência para gerar energia luminosa.

Redução de fluxo até apenas 20% da sua capacidade máxima, tal como
na lâmpada de indução.

Para baixas potências a eficiência já não se demarca das tecnologias
actuais e emergentes (iodetos metálicos cerâmicos e LEDs).
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Tabela 2.12 – Comparação de alguns aspectos da lâmpada de plasma com outras
tecnologias existentes.


Não obstante as suas vantagens e o facto de ser expectável um evolução rápida
da eficiência desta tecnologia (Figura 2.26) e uma redução do seu custo, os
problemas descritos anteriormente estão a criar entraves na entrada desta
tecnologia de iluminação no mercado.

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Figura 2.26 – Curvas de evolução da eficiência luminosa (roxo) e do fluxo
luminoso por custo de produção (vermelho) da tecnologia plasma [Fonte: DOE]



Figura 2.27 – Distribuição espectral de potência de duas lâmpadas de plasma

Tabela 2.13 – Características das lâmpadas de plasma para IP


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2.4.2. Outras tecnologias

2.4.2.1. Lâmpadas Incandescente Eficientes

Várias experiências têm sido efectuadas no domínio das lâmpadas
incandescentes para combater a sua grande desvantagem, a par do reduzido
tempo de vida útil, ou seja, a sua eficiência extremamente baixa. De seguida
são apresentados três desses desenvolvimentos, ainda em fase de I&D.
Utilizando um laser superpotente com uma duração de 1 femtossegundo
2


durante o processo de fabrico, pode transformar as lâmpadas incandescentes
de vilãs em poupadoras de energia. O processo faz com que uma lâmpada de
100 watts, emitindo a mesma luminosidade, consuma menos electricidade do
que uma lâmpada de 60 watts, e continue sendo muito mais barata e capaz
de emitir uma luz mais agradável de espectro contínuo.
O laser cria uma série de estruturas micro e nanocristalinas na superfície do
filamento de tungsténio alterando a sua capacidade de emissão de fotões na
faixa do visível. Desta forma, recorrendo à mesma corrente de alimentação, o
filamento fica mais brilhante, tornando o tungsténio muito mais eficiente na
emissão de luz.


Figura 2.28 – Utilização do laser para aumentar a eficiência da lâmpada
incandescente

2
1 femtossegundo equivale a 1 quadrilionésimo de segundo, ou 1 femtossegundo
está para um segundo assim como 1 segundo está para 32 milhões de anos.
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Um outro avanço foi conseguido pelos cientistas do Sandia National
Laboratories (Estados Unidos) ao criarem uma rede cristalina de tungsténio,
com um padrão microscópico bem definido, que é capaz de transformar
praticamente toda a energia em luz, evitando o desperdício. O novo filamento
poderá elevar a eficiência destas lâmpadas dos actuais 5%, para até 60%.
O fabrico do novo filamento baseou-se na tecnologia MEMS
3
2.4.2.2. OLEDs (LEDs Orgânicos)
e utilizou pastilhas
de silício de seis polegadas. Isso significa que a sua produção efectiva poderá
ser fácil e barata.
Finalmente, dois engenheiros do Instituto Politécnico Rensselaer (igualmente
nos Estados Unidos) recorreram à nanotecnologia e criaram um filtro fotónico
metálico bidimensional que aumenta a eficiência dessas lâmpadas em cerca de
8 vezes. Isto é conseguido ao "reciclar" a radiação infravermelha desperdiçada
pela lâmpada, reaproveitando-a e transformando-a em luz visível.

Este filtro que envolve o filamento da lâmpada é totalmente transparente à luz
e funciona como um reflector perfeito para a luz infravermelha que irá ajudar a
aquecer o filamento, poupando energia e reduzindo a radiação termal, sendo
por isso denominadas lâmpadas incandescentes frias.


Em 1950 definiu-se o conceito de electroluminescência, ou seja, a propriedade
de alguns elementos em emitirem luz como resposta à passagem de corrente
eléctrica ou a um campo eléctrico variável forte. Apenas mais tarde, na década
de 80, é que se descobriu que alguns polímeros plásticos conseguiam de facto
emitir luz, surgindo assim o princípio base dos OLEDs.



3
MicroElectroMechanical Systems.
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O OLED
4
é então uma fonte de iluminação plana, fina, composta por várias
camadas de plástico e outros materiais orgânicos que emite luz de uma área
potencialmente grande. A sua estrutura é similar aos LEDs inorgânicos:

Ânodo.
Cátodo.
Camada emissora entre os dois.
Camada transportadora de electrões (CTE).
Camada transportadora de lacunas (CTL).


Figura 2.29 - Camadas do OLED de cor branca.

O seu princípio de funcionamento é muito simples: electrões e lacunas são
injectados do cátodo e do ânodo e quando as cargas portadoras se combinam
na camada orgânica são emitidos fotões. Para diminuir a dificuldade na injecção
dos portadores dos contactos inorgânicos para a camada orgânica, são
adicionadas as camadas transportadoras de electrões (CTE) e de lacunas (CTL)
à estrutura do OLED.



4
Organic Lighting Emitting Diode
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Tabela 2.14 – Vantagens e Desvantagens dos OLEDs


Embora não seja expectável que a utilização dos OLEDs no domínio da
iluminação se torne muito popular nos próximos anos, também não há dúvidas
de que a sua presença no mercado se tornará marcante pelos seus benefícios
estéticos, económicos e ambientais para a sociedade.


Figura 2.30 – Timeline do nível de produção de OLEDs pelos diversos fabricantes


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2.4.2.3. COLEDs (Cavidades Orgânicas Emissoras de Luz)

Depois dos LEDs e dos LEDs orgânicos (OLEDs) entra agora uma nova
tecnologia em busca de novas formas eficientes de iluminação. Denominados
COLEDs (Cavity Organic Light-Emitting Diode) foram projectados pela equipa
de investigadores do Dr. Yijian Shi, do Instituto SRI
5

.
Estes novos LEDs orgânicos utilizam cavidades ópticas, espelhos paralelos e
espelhos contrapostos que evitam a fuga de fotões para outros pontos que não
a direcção de saída da luz emitida pelo dispositivo.
As cavidades ópticas, usadas em conjunto com os LEDs orgânicos feitos de
polímeros, resultam numa emissão de luz cinco vezes superior à dos melhores
OLEDs demonstrados até agora. Aliás, o COLED consegue já uma eficiência de
30 lm/W ao emitir luz azul, mais do que qualquer outro OLED construído até
hoje. Para a luz verde, os pesquisadores alcançaram 80 lm/W, cerca de três
vezes mais do que um OLED tradicional. Como para produzir a luz branca
necessária à iluminação pública é necessário mesclar as estruturas emissoras
do vermelho, verde e azul, os pesquisadores acreditam que estão no caminho
certo com o seu COLED azul, visto ser a cor mais problemática. Adicionalmente,
não obstante o seu estágio ainda inicial de desenvolvimento, os cálculos dos
pesquisadores mostram que os COLEDs poderão ser duas vezes mais eficientes
do que as actuais lâmpadas fluorescentes compactas.

Figura 2.31 – Estrutura do COLED

5
Entidade de pesquisa sem fins lucrativos, localizada nos Estados Unidos.
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2.5. Conclusões

A escolha do tipo de lâmpada num conjunto funcional reveste-se da máxima
importância, quer ao nível da qualidade de iluminação (IRC, temperatura de
cor), quer ao nível do custo e eficiência da instalação (tempo de vida,
rendimento, preço). Existem várias categorias de lâmpadas que podemos
esquematizar na figura seguinte.

Figura 2.32 – Diagrama com os tipos de lâmpadas existentes

Têm-se verificado, ao longo dos anos, alterações tecnológicas significativas no
domínio das fontes luminosas. O objectivo dos fabricantes é obter lâmpadas
cada vez mais eficientes e com um índice de restituição de cor elevado.

A Figura 2.33 mostra, em termos de eficiência (lm/W) a evolução sofrida pelos
vários tipos de lâmpadas, a partir do ano em que foram criadas, bem como o
potencial que poderão atingir mediante novos desenvolvimentos tecnológicos.

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Figura 2.33 – Evolução da eficiência luminosa dos vários tipos de lâmpadas


Figura 2.34 – Aspectos a considerar na escolha de uma lâmpada

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Em termos de eficiência, e tendo em conta preocupações de sustentabilidade
para Iluminação Pública, deve existir um valor mínimo de eficiência luminosa
associado a um determinado intervalo de potência da lâmpada. Com efeito,
dever-se-ia considerar a Tabela 2.15.

Tabela 2.15 – Eficiência mínima associada a uma determinada potência [9]


O fluxo luminoso de uma lâmpada degradar-se-á ao longo do seu tempo de
vida. A Tabela 2.16 indica-nos qual a percentagem típica do fluxo luminoso
inicial, após a vida média de uma dada lâmpada. Como já foi dito, a vida média
é um parâmetro determinado estatisticamente, que corresponde ao tempo em
que metade das lâmpadas de uma amostra deixa de estar em funcionamento.

Tabela 2.16 – Depreciação do fluxo luminoso, à vida média, de cada tipo de
lâmpada

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Após um comando de controlo de ignição da lâmpada (a frio) ou uma falha na
rede (a quente), cada tipo de lâmpada demorará um certo período de tempo a
voltar a acender (Tabela 2.17), podendo ser na ordem dos segundos
(fluorescentes) ou mesmo minutos no caso das lâmpadas de descarga de alta
intensidade, pois necessitam de arrefecer antes de reacender.

Tabela 2.17 – Tempo de ignição para cada tipo de lâmpada


Nem todas as lâmpadas têm a mesma capacidade de regulação de fluxo
(dimming) (Tabela 2.18), sendo que esta poderá ser um factor com algum peso
na selecção de um tipo de lâmpadas de uma rede de iluminação pública com
sistema de controlo (e.g. telegestão).

Tabela 2.18 – Capacidade de regulação de fluxo de cada tipo de lâmpada

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As lâmpadas de halogéneo não são de uso em iluminação pública, logo a sua
caracterização não tem relevância neste manual. As lâmpadas incandescentes
normais, por motivos de eficiência, foram retiradas do mercado e as lâmpadas
que utilizam mercúrio (Directiva 2005/32/EC de 6 Julho de 2005) têm grandes
restrições ambientais (as lâmpadas de Vapor de Mercúrio estão mesmo em
“phase out”). Todos os outros tipos de lâmpada têm o seu espaço no domínio
da iluminação pública, dependendo das necessidades e do tipo de local a
iluminar.

Para a comparação técnica foram consideradas as lâmpadas de descarga de
Vapor de Sódio tradicionais e de última geração, Iodetos Metálicos e as
soluções emergentes de Indução, Plasma e LEDs. Existem outras tecnologias
nascentes como as lâmpadas Incandescentes Eficientes e tecnologias OLED e
COLED, que não foram consideradas neste estudo, uma vez que se tratam de
desenvolvimentos laboratoriais e não é expectável a sua utilização na
Iluminação Pública num futuro próximo.

Os aspectos técnicos considerados na análise foram:

Tempo de Vida Médio;
Eficiência luminosa da fonte de luz;
Temperatura de Cor;
Índice de Restituição de Cor (IRC);
Adaptabilidade a sistemas dinâmicos e adaptativos de gestão (por
exemplo: Regulação de Fluxo Luminoso);

Além dos aspectos técnicos foi tido em consideração o seguinte:
Maturidade da Tecnologia;
Normalização existente (Existência de Normas, Recomendações
Internacionais ou de Associações de Fabricante);
Adopção da tecnologia de fonte de luz pelos fabricantes de luminárias;
Custo.

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Tabela 2.19 – Análise técnica/económica das diferentes fontes de luz

Observando a Tabela 2.19 poder-se-ão retirar algumas conclusões, no que
concerne à escolha de um tipo de lâmpada. Em zonas cuja percepção das cores
seja fundamental, um muito bom índice de restituição é exigido, assim, as
lâmpadas de indução, os LEDs, iodetos metálicos e plasma são sem dúvida as
mais recomendáveis. No entanto, há zonas (industriais, estradas nacionais e
secundárias, etc.) onde a eficiência é um critério bem mais importante do que o
IRC, logo, LEDs e as lâmpadas de vapor de sódio seriam as escolhas mais
acertadas. Para efeitos de manutenção e da redução dos seus custos é
extremamente importante o tempo de vida útil de uma lâmpada, neste campo,
dois tipos de lâmpadas destacam-se claramente em relação às demais, LEDs e
lâmpadas de indução são as que trazem mais benefícios a este nível, sendo que
ambas apresentam uma desvantagem comum, ou seja, o investimento inicial
(traduzido pelo custo na Tabela 2.19.

Por tudo isto, fazendo uma análise global, verifica-se que o LED é a solução
mais promissora para a iluminação em geral e em particular de IP. No entanto,
por se tratar de uma tecnologia nascente apresenta um investimento inicial
muito elevado.
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3. Luminárias

3.1. Constituição e Características

Uma luminária de iluminação pública é um conjunto óptico, eléctrico e
mecânico com a seguinte constituição:

Sistema óptico que pode incluir os seguintes componentes:

o Reflector.
o Difusor.
o Refractor.
o Óptica primária (LEDs).
o Óptica secundária (LEDs).

Suporte das lâmpadas e do equipamento electrónico auxiliar (e.g.
balastros).

Corpo ou carcaça.

A luminária não é simplesmente uma peça decorativa, visto que, para além de
sustentar a fonte de luz e garantir a alimentação eléctrica, deve:

Dirigir o fluxo luminoso, assegurando conforto visual com uma eficiência
máxima.

Evitar o encandeamento.

Satisfazer as especificações eléctricas e mecânicas que garantem a
segurança e o bom funcionamento.

Proteger os dispositivos eléctricos e ópticos e a fonte luminosa das
possíveis agressões exteriores, nomeadamente as atmosféricas.

Promover a dissipação de calor.

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Deve-se ter sempre em atenção que a luminária é projectada para uma
determinada aplicação e um determinado tipo de fonte luminosa.
Para controlar e distribuir o fluxo luminoso são utilizados os seguintes
dispositivos:

Reflectores.
Difusores.
Refractores.

Os reflectores dirigem a luz para o ângulo sólido desejado, possibilitando a
orientação do fluxo luminoso na direcção pretendida, procurando localizar a
maior percentagem possível da luz emitida, pela fonte luminosa, na zona a
iluminar. Não obstante a escolha de uma lâmpada de elevada eficiência, a
utilização de um reflector pobre e com más prestações poderá arruinar
substancialmente o rendimento do conjunto funcional.

A eficiência do reflector irá variar consoante a sua reflectância e a sua
resistência, peculiares ao material de construção utilizado. Do mais eficiente
para o menos eficiente temos os seguintes materiais:

Alumínio (metalizado, anodizado ou polido).
Vidro espelhado.
Plásticos espelhados.
Chapa de aço esmaltada ou pintada de branco.

Os difusores são dispositivos caracterizados pela sua transmitância e que têm
como função modificar a distribuição espacial do fluxo luminoso emitido por
uma fonte luminosa (directa + reflectida), com o objectivo de melhorar o
conforto visual. Desta forma, as sombras tornam-se menos marcadas e reduz-
se o encandeamento visual. Os materiais normalmente utilizados são:

Plásticos (metacrilato e policarbonato).
Vidro (plano, curvo, temperado, claro, etc.).

A outra função dos difusores é proporcionar a estanquecidade do sistema
óptico.
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Os refractores utilizam o princípio da refracção dos corpos transparentes
servindo também para direccionar o fluxo luminoso, e são normalmente em
vidro ou então em material plástico. Deverão ter resistência suficiente contra
choques mecânicos e térmicos que ocorram ao longo do tempo de vida da
luminária, conservando o seu aspecto estético e funcional.

O corpo da armadura ou carcaça pode ser simples ou formado por vários
elementos dissociáveis. A sua forma, dimensão e disposição construtiva deve
ter em atenção o tipo e a potência das lâmpadas, a estética e as condições de
funcionamento de modo a que se consiga:

Substituir facilmente a fonte de luz.

Proteger convenientemente as fontes luminosas e outros equipamentos
eléctricos auxiliares.

Assegurar uma boa resistência à corrosão, aos choques mecânicos e às
vibrações.

O formato da carcaça varia bastante, de fornecedor para fornecedor, consoante
o propósito funcional/estético da luminária. Adicionalmente, o material de
construção é igualmente diversificado obtendo diferentes pesos, dimensões e
resistência mecânica. Nas carcaças, é comum encontrar os seguintes materiais:

Alumínio (injectado, extrudido).
Aço
Vidro
Materiais plásticos:

o Polipropileno.
o Poliamida.
o Poliéster reforçado a fibra de vidro.

O suporte das lâmpadas deve assegurar permanentemente a posição
correcta da fonte luminosa e possuir um contacto eléctrico eficiente em
diferentes condições de utilização, particularmente quando as luminárias são
sujeitas a vibrações.
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Uma luminária pode ter dispositivos de regulação de modo a adaptar a
distribuição luminosa à área a iluminar. Isto verifica-se principalmente nas
luminárias mais eficientes, onde se consegue também o ajustamento da
posição da própria fonte luminosa (por possuir dimensões e/ou potência
diferente, após “retrofitting” com uma tecnologia melhorada), assegurando um
melhor funcionamento óptico.

A inserção de equipamento electrónico auxiliar para um óptimo
desempenho do conjunto funcional poderá ser feita no corpo da luminária.

O projecto e a construção de uma luminária são fundamentais para o correcto
funcionamento de uma iluminação a LEDs. Um dos maiores problemas que se
levanta, para a construção deste tipo de luminárias, prende-se com a
dissipação do calor que os LEDs produzem. Assim, a temperatura máxima de
funcionamento deverá ser reduzida, pois como os LEDs são muito sensíveis à
temperatura de junção do díodo interno, degradar-se-ão muito rapidamente.

3.1.1. Eficiência de uma Luminária

Ao avaliar uma luminária, a sua eficiência e as suas características de emissão
do fluxo luminoso têm grande importância. A eficiência de uma luminária ( )
pode ser obtida pela relação entre fluxo luminoso emitido por ela ( ) e
o fluxo luminoso emitido pela fonte luminosa ( ).



Parte do fluxo luminoso da lâmpada é absorvido pela luminária, enquanto a
restante é emitida para a área a iluminar. O valor da fracção de emissão da luz
da luminária irá depender dos seguintes factores:

Forma e tipo de construção (aberta ou fechada).
Dispositivos usados para proteger as fontes luminosas.
Estado de conservação.
Materiais utilizados na sua construção e em particular da reflectância das
suas superfícies.
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No caso de uma luminária aberta, o rendimento no início do seu ciclo de vida é
10% superior ao de uma luminária fechada. No entanto, com a acumulação de
poeiras na lâmpada e no sistema óptico a um ritmo bastante mais elevado, o
seu rendimento irá decair, podendo tornar-se inferior ao proporcionado por
uma luminária fechada. Uma armadura fechada justifica-se por razões de
ordem estética e por razões de ordem técnica, pois para além de proteger o
sistema óptico e a fonte de luz, essa parte adicional da luminária irá completar
o próprio sistema óptico (refractores e difusores).

A Análise do Ciclo de Vida (ACV) inclui todos os impactos ambientais,
directos e indirectos, relacionados com a luminária ao longo da sua vida, desde
a produção, a sua utilização e até à sua fase de reciclagem, podendo assim
consultar quanto CO
2
é emitido em cada fase, assim como a energia consumida
nelas. A ACV está dividida em quatro fases:

Produção.
Distribuição.
Uso.
Fim de Vida.

A Tabela 3.1 indica a percentagem típica de emissões de CO
2
associadas a uma
luminária convencional tipo, em cada uma das quatro fases do seu ciclo de
vida.

Tabela 3.1 - Distribuição de emissões de CO2 de uma luminária convencional
tipo
6

, ao longo do seu ciclo de vida

6
Caracterização de uma luminária convencional na Tabela 3.11.
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A curva de distribuição fotométrica é um elemento informativo muito
importante na escolha de uma determinado tipo de luminária a inserir numa
rede de IP. No entanto, esta curva está mais associada à eficiência do sistema
global com preocupação ao nível da optimização da uniformidade da
iluminação, do que propriamente à eficiência da luminária. Assim, deve-se
tomar também particular atenção aos parâmetros especificados LOR, ULOR e
DLOR.

Tabela 3.2 – Avaliação comparativa de parâmetros de desempenho de duas
luminárias


Podemos observar que a luminária 1 possui um fluxo luminoso total emitido
pelo equipamento (LOR) superior ao da luminária 2. Este facto poder-nos-ia
levar a pensar que, por possuir uma percentagem maior de luz a sair da
luminária, o equipamento seria mais eficiente.

Ao analisarmos as restantes características das luminárias, observamos que a
luminária 2 apresenta um DLOR de 68%, ou seja, a luz emitida pela luminária 2
para baixo, é 3% superior à luz emitida pela luminária 1. Adicionalmente, a
percentagem de luz emitida para cima (ULOR) da luminária 1 é muito superior
à luz emitida pela luminária 2. Assim, mesmo com um LOR inferior, a luminária
2 consegue ter uma maior eficiência e um nível de poluição luminosa menor.
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A percentagem do fluxo luminoso distribuído para baixo da horizontal (DLOR) é,
assim, um parâmetro muito importante na aferição das reais prestações do
conjunto funcional. Quanto maior for essa percentagem maior será o
rendimento útil do sistema. Normalmente, quanto menor for a abertura do
feixe de luz, maior será a quantidade do fluxo dirigida para baixo da horizontal
(90º). A abertura do feixe de luz, por conseguinte, é um factor importante na
distribuição do fluxo luminoso, logo, no rendimento da própria luminária.

3.2. Classificação de Luminárias

Neste capítulo serão abordadas dois sistemas de classificação de luminárias. O
primeiro trata-se do sistema antigo, introduzido pela CIE
7
em 1965, e que
distingue as luminárias em:

Corte Total (Full Cut-off).
Corte Parcial (Semi Cut-off).
Sem Corte (Non Cut-off).

Não obstante a nova classificação (ver 0), este sistema antigo ainda é utilizado
em certas recomendações nacionais e internacionais para a iluminação pública,
o que justifica a pertinência da sua explicação neste manual.

3.2.1. Classificação Antiga

3.2.1.1. Corte Total (Full Cut-Off)

A luminária de corte total (Full Cut-Off) não permite emissão de fluxo
luminoso a um ângulo igual ou superior a 90º, em relação á vertical, sendo
que, para um ângulo igual ou superior a 80º, a iluminação proporcionada é
apenas de 10% à obtida na vertical.

7
CIE – Commission Internationel de L´Eclairage, em português, Comissão Internacional de
Iluminação. É uma organização independente e sem fins lucrativos, criada em 1913, centrada na
arte e na ciência da luz e iluminação, cor e visão, e tecnologia de imagem. É reconhecida pela ISO
como um corpo internacional de normalização nestas matérias.
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Tabela 3.3 – Full Cut-Off, segundo a CIE



Figura 3.1 – Luminária Full Cut-Off
3.2.1.2. Corte Parcial (Semi Cut-Off)

Numa luminária de corte parcial (Semi Cutoff), a distribuição do fluxo luminoso
para um ângulo igual ou superior a 90º é de cerca de 5%, e de cerca de 20%
para um ângulo superior ou igual a 80º.

Tabela 3.4 - Semi Cut-Off, segundo a CIE




Figura 3.2 - Luminária Semi Cut-Off
3.2.1.3. Sem Corte (Non Cut-Off)

Uma luminária sem Corte (Non-Cutoff) é uma luminária onde a distribuição
luminosa não tem qualquer tipo de restrição.

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Tabela 3.5 - Non Cut-Off, segundo a CIE



Figura 3.3 – Luminária Non Cut-Off

O ideal é que as luminárias tenham uma classificação full cut-off (corte
completo), não emitindo luz acima dos 90⁰. Não obstante, as luminárias
utilizadas são normalmente semi cut-off (corte parcial) que permitem criar um
ambiente luminotécnico envolvente e confortável.

3.2.2. Classificação Nova

A classificação mais actual da CIE para as luminárias de iluminação pública
baseia-se em três propriedades básicas:

Alcance – distância até onde a luz que sai da luminária é distribuída ao
longo da estrada, ou seja, é o alcance lateral do fluxo luminoso.

Dispersão – indica a distribuição luminosa no sentido transversal da
estrada.

Controlo – facilidade de controlar o encandeamento produzido pela
luminária.


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3.2.2.1. Alcance da Luminária

O alcance ou projecção é definido por um ângulo θ. Este ângulo situa-se a meio
dos 2 ângulos correspondentes aos pontos onde a curva fotométrica intercepta
a curva de 90% da intensidade máxima (I
max
) (curva a vermelho na Figura
3.4). Por outras palavras, é o ângulo que o eixo do feixe faz com o plano
vertical, ou seja, com o plano transversal à via de circulação (ver Figura 3.5).



Figura 3.4 – Esquematização do ângulo θ
[Fonte: Indalux]
Figura 3.5 – Ângulo com o plano vertical

Consoante o valor do ângulo, o alcance da luminária poderá ser classificado da
seguinte forma:
Tabela 3.6 – Alcance da Luminária



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3.2.2.2. Dispersão da Luminária

A dispersão ou abertura é definida pela posição da linha paralela ao eixo da via,
sendo tangente ao ponto mais afastado do contorno da curva de 90% de I
max
,
ou seja, é a linha mais afastada da luminária (ver Figura 3.6). A posição desta
linha é identificada pelo ângulo β, podendo classificar-se da seguinte maneira:

Tabela 3.7 – Dispersão da
Luminária


Figura 3.6 – Esquematização da Dispersão
[Fonte: Indalux]


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3.2.2.3. Controlo da Luminária

O controlo é definido por um índice específico (SLI). Este índice corresponde ao
índice de encandeamento G, que é determinado unicamente pelas propriedades
da luminária. Assim, temos:



Onde:

– Intensidade luminosa a um ângulo de elevação de 80º, num plano
paralelo ao eixo da via de circulação.

– Relação entre intensidades luminosas para 80º e 88º.

A = Área da emissão de luz pelas luminárias, em m
2
, projectada na
direcção de elevação a 76⁰.

C = Factor de cor varia com o tipo de lâmpada (0,4 para as de sódio de
baixa pressão, 0 para as restantes).

Quanto maior for o SLI, ou seja, o índice de controlo, menor será a poluição
luminosa. O controlo é classificado pelos valores indicados na tabela seguinte:

Tabela 3.8 – Controlo da Luminária



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3.2.3. Resumo

Tabela 3.9 – Quadro resumo com a classificação das luminárias, pela CIE (1965)



Figura 3.7 – Tipos de luminárias segundo a classificação da CIE (1965)

Tabela 3.10 – Quadro resumo da nova classificação de luminárias da CIE


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Figura 3.8 – Visualização dos graus possíveis de alcance e dispersão de uma
luminária [Fonte: Indalux]


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3.3. Tipos de Luminárias

A diversidade de luminárias é uma realidade bem patente no domínio da
iluminação pública, pois são inúmeras as hipóteses de conjugação ao nível da
criatividade estética, com os requisitos funcionais e económicos do sistema em
causa. Neste manual optou-se por caracterizar três tipos de luminárias de
iluminação pública, sendo que, em cada um, existe uma vasta gama de
produtos disponíveis no mercado.

Tabela 3.11 – Características típicas dos três tipos de luminárias

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3.4. Conclusão

Os factores que determinam a escolha de uma luminária são numerosos e
devem satisfazer várias considerações de ordem estética (enquadrada no meio
envolvente), de ordem técnica e de ordem económica.

No plano técnico é necessário ponderar sobre:

Natureza e potência das lâmpadas.
Natureza do dispositivo óptico.
Rendimento luminoso.
Resistência ao aquecimento, à sujidade, à corrosão e às vibrações.
Resistência às condições atmosféricas.
Dispositivo de fixação, peso e dimensões da luminária.

No plano económico dever-se-á ter em atenção:

Custo das luminárias.
Custo da instalação.
Facilidade de substituição das lâmpadas e da aparelhagem auxiliar.
Facilidade de limpeza.

A Tabela 3.12 indica-nos o LOR aconselhado para as categorias R, M e L
8

.
Tabela 3.12 – Valores do LOR para cada um dos tipos de luminária, com lâmpadas
de determinada potência

8
Categorias do tipo de estrada consoante a velocidade de circulação (R – rápido;
M – médio; L – lento). No Volume 3 este assunto é abordado em mais detalhe.
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A Figura 3.9 resume graficamente as características mais importantes a ter em
conta na selecção de uma luminária de iluminação pública.


Figura 3.9 – Comparação gráfica entre os três tipos de luminárias definidas


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4. Suportes para Luminárias

Os suportes para as luminárias podem ser de três tipos:

Postes ou Colunas de Iluminação.
Cabos de Suspensão.
Braços em Fachadas de Edifícios.

4.1. Postes ou Colunas de Iluminação

Os postes para iluminação pública são geralmente em aço, liga de alumínio ou
em betão. É indubitavelmente o tipo de suporte de luminária mais utilizado nas
redes de iluminação pública e deve ter as seguintes características:

Boa resistência aos esforços resultantes da acção do vento e aos
choques mecânicos
Boa resistência à intempérie e à corrosão
Manutenção fácil e barata
Espaço suficiente para a colocação e para o acesso fácil da aparelhagem
de protecção.


Figura 4.1 – Vários tipos de postes de iluminação existentes nas redes de IP


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Tabela 4.1 – Tipos de postes de iluminação


Uma ideia inovadora ao nível dos postes de iluminação pública é o chamado
poste flexível. Este tem a particularidade de se curvar ou então quebrar,
quando um carro bate neles. Os postes flexíveis (Figura 4.2) têm sido a nova
estratégia adoptada pelo governo britânico no sentido de reduzir o número de
mortes nas estradas. A cada ano, acontecem 20 mil acidentes nas estradas
britânicas envolvendo objectos fora da pista, como postes e placas de
sinalização. Em 2003, um quinto de todas as mortes deu-se em acidentes
desse tipo.


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O material de fabrico comummente utilizado é o poliéster e a fibra de vidro.
Este material permite que o poste se curve quando o carro bata nele a uma
velocidade baixa, de 35 km/h, por exemplo. Caso o embate se dê a uma
velocidade alta (e.g. 100 km/h), a base do poste quebra-se no impacto. Assim
evitam-se impactos ao nível do pára-brisas e nos compartimentos do condutor
e do passageiro.

Figura 4.2 – Embate de um carro a 35 km/h num poste flexível

Este produto já vem sendo usado com sucesso na Escandinávia há pelo menos
cinco anos. No entanto, por enquanto esta alternativa é mais dispendiosa, até
cerca de uma vez e meia o preço dos postes comuns. Custo este que tenderá a
diminuir assim que outros modelos sejam desenvolvidos e o seu uso seja mais
recorrente. Uma outra vantagem destes postes é a sua durabilidade. Segundo
os fabricantes, podem durar até cerca de 60 anos, ou seja, o dobro de um
poste comum.

4.2. Cabos de Suspensão

Este tipo de suspensão realiza uma disposição axial das armaduras. É utilizado
apenas em certos casos especiais, como por exemplo em vias muito estreitas,
uma vez que tem as seguintes desvantagens:

Inestético.
Manutenção difícil.
Expões as armaduras à acção do vento, facto este que pode ocasionar
movimentos indesejáveis.
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Figura 4.3 – Exemplo de um cabo de suspensão numa rede de iluminação pública

4.3. Braços em Fachadas de Edifícios

Os postes e a sua colocação são caros e podem até perturbar a circulação dos
peões nos passeios. Assim, convém analisar o compromisso técnico/estético,
em locais onde existam condições para aplicar braços de iluminação nas
fachadas, de modo a escolher a solução ideal. Os requisitos que se devem ter
em conta na opção de instalação de braços em fachadas de edifícios são:

Ausência de árvores de grande porte.

Presença ao longo das vias de edifícios suficientemente altos e de
construção robusta.

A largura de fachada a fachada a iluminar, não deve ultrapassar os 20
metros.

Os braços de iluminação, sendo metálicos, devem ser convenientemente
protegidos contra a corrosão.


Figura 4.4 – Exemplo de um braço numa fachada de edifício
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5. Balastros e Fontes de Alimentação

5.1. Introdução e Conceitos

As lâmpadas de descarga (fluorescentes, vapor de sódio, iodetos metálicos,
etc.) e as lâmpadas de estado sólido (LEDs) não podem ser ligadas
directamente à rede, tendo por vezes um sistema auxiliar de arranque. As
lâmpadas de descarga possuem impedância negativa, ou seja, tendem a
absorver mais corrente do que aquela que é necessária ao seu funcionamento.
Sem um balastro em série com esta impedância negativa, a lâmpada auto-
destruir-se-ia rapidamente. É por isso necessário que haja um equipamento de
controlo associado convencionalmente constituído por:

Arrancador (ou ignitor).
Condensador.
Balastro (convencionalmente uma reactância ou fonte electrónica de alta
frequência).

Frequentemente, este conjunto de equipamentos é simplesmente conhecido
como balastro. No caso dos LEDs o equipamento de controlo é uma fonte de
alimentação controlável denominada driver.

O balastro é então um equipamento que se insere entre a rede de alimentação
e uma ou mais lâmpadas de descarga. Consoante a sua constituição, pode ser
magnético (capítulo 5.2) ou electrónico (capítulo 5.3). Principais funções:

Assegurar o arranque da lâmpada.
Limitar a corrente para valores exigidos a um funcionamento adequado.

Dependendo das suas características, o balastro poderá igualmente:

Transformar a tensão de alimentação
Fazer o dimming da lâmpada
Corrigir o factor de potência
Melhorar o arranque a frio da lâmpada.

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Existem alguns parâmetros associados ao balastro, úteis quer para a sua
caracterização, quer para a sua comparação. Deste modo temos:

Factor de Balastro (BF):

o É necessário para a determinação do fluxo luminoso (ф) de um
sistema lâmpada+balastro e indica o rácio entre o fluxo luminoso
de saída de uma lâmpada quando operada com o balastro, e o
fluxo luminoso emitido quando operado em condições standard
com um balastro de referência sob condições de teste da ANSI (ar
livre com uma temperatura ambiente de 25˚C).



Factor Eficácia do Balastro (BEF):

o Parâmetro usado para comparar diversos sistemas de iluminação,
baseados no fluxo luminoso de saída e na potência de entrada.
Quanto maior o BEF de um balastro melhor.



Factor de Manutenção do Balastro (BMF):

o Parâmetro que tem em conta o envelhecimento do balastro, o que
levará a um aumento das perdas. É dado pelo rácio entre a
mínima eficiência do balastro num determinado momento da sua
vida e a eficiência inicial desse balastro nas condições standard
supra citadas. Para os balastros electrónicos BMF = 1, ao passo
que para os balastros magnéticos temos que BMF < 1.




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Factor de Ganho do Balastro (BGF):

o Parâmetro que tem em conta as poupanças alcançadas através da
função dimming. Este factor de correcção é dado pelo quociente
entre a potência de perdas de um balastro convencional com a
potência de perdas de um balastro com dimming. Para balastros
electrónicos com dimming teremos BGF > 1, para os outros
iremos ter BGF = 1.


O arrancador ou ignitor é um componente que irá gerar impulsos de tensão
de modo a proporcionar o início da descarga da lâmpada, ou seja, para além de
assegurar o pré-aquecimento dos eléctrodos da lâmpada, irá gerar uma
sobretensão para o arranque da mesma. O seu processo é indicado na Figura
5.1.


Figura 5.1 – Esquema do processo de ignição de uma lâmpada de descarga


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Quando se liga o interruptor será provocada uma descarga no interior do ignitor
(etapa 2), esta irá aquecer os seus contactos bimetálicos que, ao dilatar,
fecham o circuito balastro/ignitor/lâmpada da etapa 1.

A passagem de corrente pelo circuito irá aquecer os filamentos da lâmpada de
descarga (etapa 3), esta fase de pré-aquecimento poderá aumentar o tempo de
vida da lâmpada em cerca de 50%. Passado o efeito da descarga no ignitor, os
seus contactos bimetálicos irão arrefecer, o que irá provocar a abertura do
circuito.

É precisamente esta interrupção brusca da passagem da corrente associada à
elevada indutância do balastro, que irá criar um pico (pulso) de tensão
( ), nos terminais da lâmpada, suficientemente elevado para iniciar a
passagem de corrente no seu interior. Desta forma, o gás é ionizado e a
lâmpada irá acender. No entanto, pode-se dar o caso de não ser logo à primeira
tentativa, ou seja, logo no primeiro ciclo de descarga do ignitor.

Um ignitor comum irá repetir esta acção até que a lâmpada acenda, o que
significa que se houver algum problema com a lâmpada ou com o circuito,
impedindo o seu reacendimento, o ignitor continuará a desempenhar a sua
função ciclicamente. Este fenómeno é conhecido como ballast cycling e poderá
ter origem em:

Funcionamento com tipos de lâmpadas impróprias.
Tensão de alimentação incorrecta.
Elevada temperatura envolvente.
Fase inicial de falhas do balastro.

Uma forma de evitar esta condição cíclica de on-off indesejável é a integração,
no balastro, de um sistema de controlo anti-cycling que consegue “perceber” o
fim de vida da lâmpada, interrompendo a acção do ignitor. Normalmente ocorre
após algumas tentativas de reacendimento. No caso das lâmpadas de iodetos
metálicos, este período demorará cerca de 15 minutos, já para as lâmpadas de
vapor de sódio de alta pressão será interrompido após 5 minutos.

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O condensador é normalmente colocado em paralelo no circuito do balastro e
tem a função de aumentar o factor de potência, tipicamente muito baixo (0,4 –
0,5). É constituído por duas placas entre as quais se encontra um material
dieléctrico (não condutor), como por exemplo, o ar, papel, vidro, cerâmica,
mica, etc.

Ao submeter as placas a uma determinada diferença de potencial (V), verifica-
se a acumulação numa das placas de uma carga eléctrica +Q, proporcional à
tensão V, enquanto a outra armadura se carrega com uma carga –Q (Figura
5.2). A equação que relaciona estas grandezas é:



Onde C é o valor da capacidade e tem como unidade SI o Farad (F).


Figura 5.2 – Esquematização de um condensador

A impedância capacitiva do condensador bem dimensionada pode compensar a
energia reactiva absorvida pela indutância do balastro.


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5.2. Balastros Electromagnéticos (ferromagnéticos)

Os balastros electromagnéticos ou simplesmente magnéticos são constituídos,
principalmente, por um grande número de espiras de cobre sobre um núcleo
ferromagnético laminado. As perdas de Joule que ocorrem no cobre e as perdas
de histerese no núcleo ferromagnético proporcionam uma redução entre 5% a
25% da potência de entrada da lâmpada. Este valor irá depender das
dimensões e construção dos circuitos eléctrico e magnético do balastro.

Podem ser considerados três tipos de balastros magnéticos:

Balastros de perdas elevadas:

o Classificados com a classe D de eficiência energética, são
fabricados com materiais de baixa qualidade. Apesar de serem
baratos têm uma performance energética deficiente (perdas
elevadas), pelo que eventualmente serão retirados do mercado.

Balastros convencionais:

o Classificados com a classe C de eficiência energética, são
fabricados com material de melhor qualidade comparado com os
de perdas elevadas, conseguindo assim um melhor rendimento.
Em contrapartida têm um custo mais elevado.

Balastros de perdas reduzidas:

o Estes balastros são também conhecidos por balastros híbridos.
São classificados nas classes B1 (perdas muito reduzidas) e B2 (
o Tabela 5.5). Têm perdas inferiores às dos balastros
convencionais, mas são mais volumosos e muito mais caros,
devido à maior quantidade de cobre e maior volume do circuito
magnético. Nas novas instalações podem ser uma opção mas, em
luminárias já existentes, a sua dimensão pode ser um forte
entrave à sua colocação.


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Os balastros electromagnéticos mais comuns que podem ser encontrados são:

Balastro indutivo.
Balastro autotransformador.
Balastro autoregulador.

5.2.1. Balastro Indutivo

Este tipo de balastro é formado por uma simples bobina e o seu correspondente
núcleo magnético. É o mais simples, pequeno e eficiente de todos os balastros
electromagnéticos e usa a tensão da linha para que o arrancador faça a ignição
da lâmpada. O valor mais alto de corrente é atingido precisamente durante o
arranque. No entanto, o valor dessa corrente de linha poderá ser diminuído
introduzindo um condensador no circuito em paralelo. Este também irá
aumentar o factor de potência para valores acima de 0,9, corrigindo os iniciais
0,4 ou 0,5.

Tabela 5.1 – Características do balastro indutivo


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Figura 5.3 – Esquema do circuito com balastro indutivo

5.2.2. Balastro Autotransformador

Este balastro é utilizado quando a tensão da linha de alimentação não é
suficiente para que se dê a ignição da lâmpada através de um simples balastro
indutivo. O modo de funcionamento é muito parecido com o balastro indutivo,
sendo que apenas é introduzido antes da bobina que irá regular a corrente da
lâmpada, um autotransformador para elevar a tensão.

Tabela 5.2 – Características do balastro autotransformador


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Figura 5.4 – Esquema do circuito com balastro autotransformador

5.2.3. Balastro Autoregulador

Este balastro combina um autotransformador com um circuito regulador. O seu
tamanho é reduzido, uma vez que, parte do enrolamento do primário é comum
ao do secundário.

Tabela 5.3 - Características do balastro autoregulador

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Figura 5.5 - Esquema do circuito com balastro autoregulador

5.2.4. Vantagens e Desvantagens

Em termos gerais podemos atribuir as seguintes vantagens aos balastros
electromagnéticos:

Custo bastante reduzido.
Simplicidade e robustez.

As desvantagens dos balastros electromagnéticos são:

Grandes dimensões e peso.

Eficiência média-baixa devido às perdas electromagnéticas.

Baixa fiabilidade na ignição. Se o pico de tensão não ocorrer no ponto
óptimo, a lâmpada de descarga (nomeadamente fluorescente) poderá
não arrancar.

Dificuldade de regulação do fluxo luminoso, só podendo ser efectuada
através de balastros de duplo nível.


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Factor de potência reduzido. Há a necessidade de recorrer a
condensadores para compensá-lo. No caso de avaria deste não há
indicação, pelo que é difícil detectar a avaria.

Risco de ocorrência de sobreintensidades devido ao efeito de saturação
do balastro.

Uma variação de ± 10% na tensão da linha causa uma variação de ±
20% da potência da lâmpada.

Flicker e efeito estroboscópico, uma vez que a alimentação se efectua a
baixa frequência (50 Hz). Quando se visionam objectos em movimento
nestas condições, parecem mover-se devagar, dando mesmo a sensação
de pararem por pequenos instantes.

Tal como outros dispositivos eléctricos, o balastro gera calor devido à
resistência óhmica e às perdas magnéticas. Cada balastro tem um valor
máximo de temperatura que não pode ser excedido. Normalmente este valor
encontra-se inscrito no balastro. Por exemplo, um valor 10ºC acima do
recomendado pode diminuir o seu tempo de vida útil em 50%.

5.3. Balastros Electrónicos

5.3.1. Introdução

Os balastros electrónicos apareceram no início dos anos 80 e são conversores
de electrónica de potência utilizados no controlo das lâmpadas de descarga,
permitindo reduzir substancialmente as perdas em comparação com os
balastros electromagnéticos. A era moderna dos balastros electrónicos (início
dos anos 90) começou com a introdução dos transístores bipolares de potência
que permitiam fazer a alimentação das lâmpadas a altas frequências, na ordem
das dezenas de kHz. Posteriormente, os balastros electrónicos tornaram-se
mais populares com a introdução dos MOSFETs em detrimento dos transístores
bipolares. As melhorias na performance e o custo cada vez maior da energia
resultaram num aumento da utilização deste tipo de balastro.
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O balastro electrónico tem quatro funções principais:

Estabelecer uma tensão de arranque adequada ao funcionamento da
lâmpada, limitando a corrente de descarga.

Manter os valores nominais de tensão e corrente de lâmpada, quando
esta se encontra em regime normal de funcionamento.

Assegurar uma melhor protecção do circuito, mesmo em caso de avaria.

Limitar a distorção harmónica e a interferência electromagnética.

Obter elevado factor de potência (próximo de 1).

Podemos considerar a seguinte divisão para os balastros electrónicos:

Tabela 5.4 – Tipos de balastros Electrónicos


5.3.2. Balastros Electrónicos Convencionais

Na Figura 5.6 estão representados os andares mais importantes de um balastro
electrónico típico.


Figura 5.6 – Diagrama de blocos genérico de um balastro electrónico
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Cada bloco do diagrama desempenha as seguintes funções:
Filtro de Interferência Electromagnética (EMI):

o Composto normalmente por duas bobinas acopladas e um
condensador, é utilizado para atenuar a EMI gerada pelos andares
de alta frequência e serve também de protecção contra
transitórios de rede.

Conversor AC/DC:

o É utilizado para gerar uma tensão DC a partir da tensão da rede
utilizando uma ponte rectificadora seguida de um condensador.

Conversor DC/AC e Balastro Electrónico de Alta Frequência:

o São os andares responsáveis pela alimentação da lâmpada a altas
frequências. O inversor gera uma onda alternada de alta
frequência e o balastro é utilizado para limitar a corrente de
descarga.

Ignitor:

o Para lâmpadas fluorescentes poderá não ser necessário um
circuito auxiliar de arranque. No entanto, para lâmpadas de
descarga de alta intensidade já há necessidade de incluir circuitos
de ignição isolados, pois as tensões de arranque são muito
elevadas.

Circuito de Controlo e Protecção:

o Este andar irá regular a potência e corrente da lâmpada.
Adicionalmente, contém:

 Circuitos de protecção (simples ou complexos) contra
sobreintensidades e sobretensões.
 Temporizadores (para controlar os tempos de ignição).
 Protecções contra falhas da lâmpada.
 Filtro ressonante.
 Estabilizador de tensão.
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Figura 5.7 – Diagrama de blocos de um balastro electrónico com as respectivas
formas de onda

Os balastros electrónicos podem ser de baixa frequência (entre 50 e 500 Hz) ou
de alta frequência (entre 20 e 60 kHz).

A alimentação por uma tensão de alta frequência permite eliminar totalmente o
fenómeno de cintilação e o efeito estroboscópico. Além disso, o funcionamento
a frequências tão elevadas aumenta a eficiência das lâmpadas em cerca de
10%, bem como o seu tempo de vida.

No entanto, ao trabalharem com esta gama de frequências, podem criar
interferências na banda CENELEC A (Figura 5.8).

5.3.3. Balastros Electrónicos Reguláveis (regulação de
fluxo)

A regulação de fluxo da lâmpada, ou seja, o controlo do nível de iluminação,
pode ser alcançada através de balastros com função dimming ou de
reguladores de fluxo. Existem quatro parâmetros com os quais o dimming se
relaciona, sendo assim justificável a sua utilização nas redes de IP:

Densidade de tráfego:

o Esta relação pode ser justificada quando utilizamos o relatório
técnico CEN/TR 13201-1 como linha orientadora, ou seja, a
densidade de tráfego deve ser interpretada como peculiar a
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determinadas horas do dia, logo os níveis de iluminação deverão
ser adaptados de acordo com a densidade a essa determinada
hora. Por exemplo, no estudo “Public Street Lighting” para a
Comissão Europeia DGTREN unidade D3 de Janeiro de 2007,
assumiram que nas categorias R e M, poder-se-ia fazer o dimming
para 70% (com balastro de duplo nível) ou 60% (com balastro
electrónico) durante o período das 23h às 5h, alcançando
poupanças à volta de 16 e 22% respectivamente.

Condições atmosféricas locais.

Adaptabilidade aos parâmetros locais do projecto de iluminação:

o Fazer o dimming permite ajustar o nível de iluminação das
lâmpadas com potência standard ao nível desejado, quer em
novas instalações, quer também numa fase de manutenção ou de
retrofitting, onde certos parâmetros foram alterados (fluxo
luminoso, posição da luminária, etc.).

Compensação do Factor de Manutenção do Fluxo luminoso da Lâmpada
(LLMF):

o Esta relação apenas se verifica para tipos de lâmpada com LLMF
variável ao longo do seu tempo de vida, como por exemplo para
as de iodetos metálicos.

Existem duas formas de se proporcionar o dimming através de balastros para
lâmpadas de descarga de alta intensidade:

Variação a degrau.
Variação contínua.


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No dimming de duplo-nível (degrau) as lâmpadas estão a 100% da sua
potência quando os níveis máximos de iluminância são necessários. Quando tal
não acontece, o nível de fluxo será reduzido, diminuindo a potência da lâmpada
para um valor inferior (e.g. 25%). Esta variação é feita a degrau, sendo que o
balastro apenas permite internamente fazer a regulação para níveis
previamente estabelecidos.

A outra forma comum de dimming é denominada contínua e, como o próprio
nome indica, a selecção do nível de potência é feita continuamente (até 20, 10
ou mesmo 1,5% do fluxo nominal), o que resulta num controlo do fluxo
luminoso completo e adequado às necessidades, para além de ter um menor
impacto na qualidade de energia eléctrica.

Existem quatro métodos para se efectuar o controlo dos balastros electrónicos
com possibilidade de dimming:

Estático
Analógico.
Digital:
o DSI
o DALI

O método estático utiliza uma programação fixa pré-programada no balastro.

O método analógico utiliza um sinal analógico de tensão contínua entre 1 e 10
(V) como sinal de entrada de controlo do balastro. O fluxo luminoso da lâmpada
será proporcional ao valor dessa tensão de regulação. A grande desvantagem
deste método é a existência de interferências resultantes quer da rede quer do
próprio comprimento do cabo.

No método digital, a regulação é feita por um sinal digital produzido pelo
sistema de controlo. Este método abre novas opções desde a transmissão
isenta de erros até ao endereçamento individual de componentes. Há
actualmente dois modelos standards no mercado que diferem ligeiramente no
que diz respeito ao protocolo de transmissão de dados:

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DSI (Digital Serial Interface) – usa um sinal de controlo de entrada
digital de 8 bits que irá assegurar uma comunicação sem interferências.
Permite igualmente uma comunicação bidireccional sendo possível
“interrogar” a luminária acerca do seu estado operacional, controlando-a
em conformidade.

DALI (Digital Adressable Lighting Interface) – usa um protocolo de
comunicação digital, que funciona como se fosse uma linguagem de
programação para equipamento de controlo de iluminação, permitindo
uma grande flexibilidade no controlo das unidades da rede de
iluminação. Tal como no modelo DSI, permite comunicação bidireccional.

Este modelo apresenta as seguintes vantagens:

o Cablagem simples das linhas de comando (sem polaridade).

o Controlo individual de cada dispositivo ou circuito
(endereçamento).

o Possibilidade de controlo simultâneo de todos os dispositivos.

o Protecção de interferências, por se tratar de um sinal digital.

o Controlo do estado dos equipamentos (avaria de lâmpadas, etc.).

o Procura automática de todos os dispositivos.

o Regulação por curva logarítmica.

o Sistema inteligente (cada dispositivo guarda endereço individual,
circuito, etc.).
o Custo mais baixo e mais funcional quando comparado com
sistemas analógicos 1-10 (V).


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Actualmente existem no mercado balastros electrónicos para controlo de
iluminação por luminária constituído por um balastro electrónico regulável
(capacidade para regulação do fluxo luminoso) e um módulo de comunicação
que são instalados no quadro eléctrico da coluna de iluminação pública ou na
própria luminária.

O sistema preconiza a instalação de um sistema individual em cada coluna de
iluminação pública ou na luminária que, por sua vez, é controlado centralmente
através de um módulo de controlo central. De modo a evitar distorções
externas e compensar a atenuação provocada pelo meio de comunicação, os
módulos de comunicação que estão instalados nas colunas IP ou nas luminárias
têm capacidade de regeneração/repetição de sinal.

O sistema de comunicação tem como base um processo de comunicação de
duplo sentido para comunicar entre o módulo central e com o módulo de
comunicação do balastro. Um dos processos de comunicação utiliza o meio de
comunicação de Correntes Portadoras (PLC – Power Line Carrier) utilizando os
cabos de energia existentes na instalação, de acordo com a Norma EN 50065-1.
No entanto, outros sistemas de comunicação podem ser equacionados, como
por exemplo, Zigbee (tecnologia que está a desenvolver perfis próprios para
serviços de energia).


Figura 5.8 – Gráfico das bandas CENELEC com potências

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A banda dos 95kHz até 148,5kHz deve ser restrita para uso dos consumidores.
A diferença entre B, C e D é a necessidade ou não de utilizar protocolos de
acesso ao meio e o tipo de protocolo. A selecção da banda dependerá de:

Do tipo de contrato de concessão da distribuição da energia eléctrica em
baixa tensão;
Consideração da iluminação pública como parte integrante de uma
plataforma de redes inteligentes;
Interferência com serviços da distribuidora de IP;
Classe de prioridade a atribuir a serviços de IP.

5.3.4. Vantagens e Desvantagens

Os balastros electrónicos têm as seguintes vantagens:

Menor potência de perdas, logo maior rendimento total do circuito. Os
balastros electrónicos têm perdas inferiores ou equivalentes aos
electromagnéticos mais eficientes proporcionando uma poupança de
energia entre 20 a 30%. Adicionalmente, aumentam a eficiência
energética das lâmpadas em cerca de 10%.

Elevado factor de potência (≥ 0,9)
9

.
Estabilidade da potência na lâmpada perante variações da tensão na
rede. Inclusive, permitem um melhor controlo da potência com
possibilidade de regulação do fluxo através do controlador de corrente.

Sistemas de protecção incluídos, sendo que o balastro desliga
automaticamente as lâmpadas em caso de anomalia, ligando-a após a
sua correcção.

Pode ser incorporado um delay no reacendimento a quente da lâmpada.
Isto pode ser importante após uma cava de tensão que tenha desligado
a lâmpada, visto que uma lâmpada quente não poderá ser reacendida

9
No caso de balastros com regulação de fluxo, é garantido o factor de potência de
0,8 para uma regulação de fluxo de 50%.
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com a tensão normal de ignição. O que acontece é que um ignitor com
um balastro electromagnético continua a gerar pulsos de tensão
elevados, para tentar ligar a lâmpada durante a sua fase de
arrefecimento, o que é prejudicial para o tempo de vida quer da lâmpada
quer do balastro. Um atraso no reacendimento da lâmpada previne este
dano.
Dimensões e peso reduzidos. Os balastros electrónicos são mais
pequenos do que os magnéticos, principalmente para lâmpadas de
grande potência. Adicionalmente têm menos componentes, uma vez
que, já não são necessários arrancadores nem condensadores.

Estabilidade de cor e do fluxo luminoso com redução do efeito
estroboscópico. Como o balastro electrónico opera a elevadas
frequências consegue-se eliminar este efeito, pois a lâmpada cintila a
mais de 40 000 vezes por segundo (invisível para o olho humano) em
vez de 100 vezes. Este fenómeno é conhecido por causar dores de
cabeça e desconforto, o que poderá levar à ocorrência de acidentes.

Funcionamento silencioso. Não produzem ruído, pois a sua frequência é
superior à faixa de audição humana. Assim, o balastro electrónico
assegura uma ignição e operação da lâmpada silenciosas, eliminando
igualmente o zumbido de fundo, típico dos balastros magnéticos.

Maior vida da lâmpada, pois proporcionam-lhes arranques suaves. Desta
forma consegue-se reduzir os custos de manutenção da lâmpada. Além
disso, alguns balastros electrónicos contêm uma opção de monitorização
do estado da lâmpada (e.g. envelhecimento) e do próprio balastro que
reduz o custo de manutenção da rede de IP.

Capacidade de regulação de fluxo.

Podem operar mais de quatro lâmpadas simultaneamente, enquanto os
electromagnéticos operam um máximo de duas.



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Contudo, este tipo de balastros apresenta as seguintes desvantagens:

Preço mais elevado.

Possíveis interferências eléctricas (RFI e EMI), problema já resolvido nos
equipamentos de melhor qualidade.

Maior poluição das redes dos distribuidores de energia por operarem a
uma frequência igual ou superior a 20 kHz. Esta frequência situa-se na
banda CENELEC A (EN050065-1).

Impossibilidade de instalação de reguladores de fluxo de cabeceira.

Impactos nos processos de manutenção nomeadamente em vistorias do
correcto funcionamento de sistemas de IP. Este constrangimento é
devido à impossibilidade de forçar o balastro a funcionar no seu patamar
de máxima poupança.
10


Os balastros electrónicos que realizam dimming numa configuração
stand-alone (não integrados num sistema central de gestão de
Iluminação Pública) têm problemas de sincronismos horários. Logo, será
necessário garantir a sincronização horária da regulação e do possível
ligar e desligar das luminárias, durante todo o período de vida dos
balastros.

O não sincronismo dos balastros poderá provocar desalinhamento nas
instruções on-off e no timing de regulação do fluxo.



10
Actualmente, já existe fabricantes que incorporam nos seus drivers de LEDs a
capacidade remota (sem utilização de sistemas de comunicação) de funcionalidades
de apoio à manutenção. Estas funcionalidades permitem pedir ao driver o arranque
no seu patamar de máxima poupança.
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5.4. Classes de Eficiência

Em consequência da Directiva Comunitária 2000/55/CE, de 18 de Setembro,
que define os níveis mínimos de eficiência para os balastros, os fabricantes
definiram classes de eficiência para balastros de lâmpadas fluorescentes
(Tabela 5.5) em função do índice de eficiência energética (EEI), que passou a
constar da etiqueta.

Figura 5.9 - Etiqueta típica de um balastro.

Tabela 5.5 – Classificação dos Balastros, para lâmpadas fluorescentes, em função
do índice de eficiência energética


Na Tabela 5.6 são identificados os valores da potência absorvida pelos
conjuntos balastro+lâmpada fluorescente, para 6 potências diferentes da
lâmpada, em cada uma das classes definidas na Tabela 5.5.

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Na classe definida como A1 são apresentados dois valores possíveis de potência
do conjunto, correspondentes a dois níveis de regulação (100% e com dimming
a 25% do fluxo).

Tabela 5.6 – Potência absorvida pelos conjuntos balastro+lâmpada fluorescente


A título de exemplo, no caso de uma lâmpada fluorescente de 36 W, teremos o
seguinte gráfico demonstrativo da diminuição da potência absorvida pelo
conjunto lâmpada/balastro, quando se opta por uma classe de índice mais
eficiente. O valor da classe A1 (19 W) corresponde a uma regulação do fluxo
específica de 25%.


Figura 5.10 – Potência absorvida pelo conjunto Lâmpada (36W) + Balastro por
classe de eficiência energética
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5.5. Fontes de Alimentação para LEDs (Drivers)

Entende-se por Driver de LEDs todo o circuito controlador dos LEDs e tem como
função efectuar a conversão da energia eléctrica da rede, em tensão contínua,
de forma a alimentar todos os componentes electrónicos da luminária de LEDs
e a controlar a corrente fornecida nos vários modos de funcionamento dos
LEDs. Adicionalmente, alguns drivers permitem ainda efectuar o dimming nos
LEDs, controlar as comunicações e implementar inclusive capacidades de
inteligência artificial.

Existem dois tipos de drivers de LEDs:

Corrente constante.
Tensão constante.

A Figura 5.11 representa a configuração mínima de um sistema driver de LEDs.
Temos um conversor AC/DC para converter a tensão sinusoidal da rede em
tensão contínua e de seguida um conversor DC/DC que irá fornecer ao
secundário a tensão necessária para o correcto funcionamento dos LEDs.


Figura 5.11 - Esquema de um driver de LEDs

Existem diversas topologias de conversores DC/DC:

Redutoras (BUCK).
Aumentativas (BOOST).
Aumentativas e Redutoras dos níveis de tensão (BUCK-BOOST).

Em todas elas, o interruptor esquematizado na Figura 5.12, Figura 5.13 e na
Figura 5.14 é um transístor comutador de alta frequência.

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O conversor com topologia BUCK é dos mais utilizados em circuitos de
comando de LEDs, e tem como finalidade baixar o nível da tensão de entrada.

Figura 5.12 – Topologia BUCK de um conversor

Caso seja necessário elevar um nível de tensão para outro, a topologia BOOST
é a mais indicada.

Figura 5.13 – Topologia BOOST de um conversor

Com a topologia BUCK-BOOST é possível aumentar ou diminuir o nível de
tensão de entrada para o valor que for desejável.


Figura 5.14 – Topologia BUCK-BOOST de um conversor

A eficiência dos drivers pode variar desde 74% (driver do tipo corrente
constante) até ao valor máximo possível na prática de 95% (driver do tipo
tensão constante). A maior parte dos drivers apresenta uma eficiência na casa
dos 80%, sendo que a maior parte das suas perdas é do tipo resistivo (P=R*I
2
)
nos semicondutores de potência (transístor do comutador e díodo). Em termos
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de durabilidade, qualquer driver de LEDs actual tem o objectivo de ter um
tempo útil de vida de pelo menos 65 000 horas, de modo a corresponder com o
tempo útil de vida actual de um LED. Embora já existam algumas normas com
indicações de ensaios a realizar a drivers, este é um ponto a ter em
consideração na elaboração de especificações técnicas de sistemas de
iluminação com LEDs.
5.6. Conclusão

Existem dois grupos de balastros, os electrónicos e os magnéticos, sendo que
os electrónicos podem ser ainda distinguidos entre os de saída fixa e os
controláveis, ou seja, com capacidade de dimming.


Figura 5.15 – Ilustração dos dois tipos de balastros

A selecção dos balastros terá de ter obviamente em conta a sua eficiência,
sendo que para cada potência da lâmpada estará uma potência de perdas
máxima associada do balastro (Tabela 5.7).
Tabela 5.7 – Potência de perdas máxima dos balastros
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Os custos dos balastros, tendo em conta a sua classe de eficiência energética,
podem ser caracterizados pelo gráfico da Figura 5.16.


Figura 5.16 – Comparação dos custos relativos dos diversos tipos de balastros,
tendo em conta a sua classe de eficiência energética

As figuras seguintes representam o esquema de ligação dos balastros
electrónicos para as lâmpadas de descarga e dos balastros magnéticos para
lâmpadas fluorescentes. São circuitos genéricos com o intuito de ilustrar o
princípio de funcionamento. Assim temos:

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Figura 5.17 – Esquema de ligação de um balastro magnético para lâmpadas
fluorescentes

Figura 5.18 – Esquema de ligação de um balastro electrónico para lâmpadas de
Vapor de Mercúrio


Figura 5.19 – Esquema de ligação de um balastro electrónico para lâmpadas de
Iodetos Metálicos e Vapor de Sódio de alta pressão

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Figura 5.20 – Esquema de ligação (paralelo) de um balastro electrónico para
lâmpadas de Vapor de Sódio de baixa pressão

As principais características dos tipos de balastros utilizados em iluminação
pública (magnéticos, electrónicos e electrónicos com dimming) estão listadas
na seguinte tabela.

Tabela 5.8 – Principais características típicas dos balastros


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6. Sistemas de Controlo e de Gestão de
Energia

6.1. Introdução

Os sistemas de controlo são dispositivos que regulam a operação do sistema de
iluminação em resposta a um sinal externo. Estes sistemas automáticos
permitem optimizar a utilização das instalações de iluminação pública,
resultando normalmente em economias de energia significativas, sem prejuízo
dos níveis de conforto e segurança visual necessários em cada local e/ou
actividade.

Existem dois tipos de controlo:

“Tudo ou nada”, associados aos seguintes sistemas de comando:

o Sensores crepusculares.
o Relógios astronómicos.

Reguláveis, aqui são considerados:

o Reguladores de fluxo.
o Sistemas de telegestão.

6.2. Sensores Crepusculares

Nos sistemas de iluminação pública é importante saber em que altura o nível de
iluminação está suficientemente escuro, para activar as luzes. Este controlo não
pode ser efectuado de forma eficaz utilizando temporizadores, uma vez que em
dias de chuva ou nevoeiro intenso pode ser necessário activar o sistema de
iluminação por razões de segurança. Além disso o horário do próprio nascer e
pôr-do-sol não é constante, muda todos os dias. Pelas razões apontadas, a
solução que reúne maior consenso é aquela que utiliza sensores de luz
ambiente também conhecidos como crepusculares.

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A célula fotoeléctrica existente no interruptor crepuscular irá reagir à mudança
de luminosidade, ligando ou desligando a iluminação conforme o nível
estipulado, permitindo, desta forma, gerir racionalmente o funcionamento dos
circuitos de iluminação pública. A colocação da fotocélula poderá ser à
cabeceira enviando o sinal a um conjunto de luminárias, ou então poderá ser
parte integrante de cada ponto de iluminação individual.

A utilização da fotocélula à cabeceira dos circuitos poderá trazer
inconvenientes, nomeadamente quando uma determinada rua tem diferentes
circuitos de iluminação controlados por diferentes fotocélulas. Esta situação
poderá causar que o ligar e desligar dos circuitos não se efectue em
sincronismo. O mesmo se poderá passar quando temos uma fotocélula por
luminária. Existe, ainda, a solução de utilizar um sistema misto: utilização de
sistemas à cabeceira para ligar e desligar, e fotocélulas individuais nas
luminárias para regular o fluxo de cada luminária de acordo com as condições
de iluminação ambiente. No entanto os sistemas individuais de controlo de
iluminação por luminária produzem efeitos negativos nos processos de
manutenção, apenas colmatados com sistemas avançados de telegestão.


Figura 6.1 – Sensor crepuscular colocado ou no armário da rede de IP, ou na
própria luminária

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6.3. Relógio Astronómico

O relógio astronómico é uma solução de comando on-off cujo horário de
funcionamento encontra-se enquadrado na variação do ciclo solar ao longo do
ano (Figura 6.2). Apenas em locais das redes de IP onde a localização do
sensor crepuscular não é a ideal ou mais correcta
11

, é que resulta um menor
consumo energético do sistema de iluminação. Adicionalmente também evita o
problema de ruas que são controladas por diferentes células, que podem
provocar um arranque não sincronizado.

Figura 6.2 – Variação das estações do ano no hemisfério norte

Estes equipamentos (Figura 6.3) são programadores electrónico-digitais
utilizados para o controlo automático de ligações e cortes de iluminação pública
em função do pôr e do nascer do sol, respectivamente.


Figura 6.3 – Exemplos de relógios astronómicos

11
Actualmente já existe no mercado relógios astronómicos com entradas digitais
que permitem complementar a sua acção com informação da célula crepuscular
num estado de and/or. Este complemento permite optimizar a eficiência energética.
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A grande vantagem em relação a um sistema interruptor horário antigo é que
adapta o controlo da rede de IP ao horário respeitante à altura do ano. Ou seja,
ao passo que no sistema antigo, caso não se fizesse um ajustamento manual
do relógio, a iluminação pública ligava e desligava sempre à mesma hora
programada, o que acontece com o relógio astronómico é que a acção on-off
será determinada pelas suas coordenadas geográficas. Por exemplo, o sinal
transmitido para acender a iluminação pública será emitido mais cedo no
Inverno do que no Verão, sem qualquer tipo de intervenção humana.

Tabela 6.1 – Período de funcionamento de uma rede de IP no hemisfério norte


O relógio astronómico tem as seguintes características de funcionamento:

Cálculo diário, para as acções ligar / desligar, considerando a latitude e
longitude, em graus e minutos, do local onde se encontra.

Válido para qualquer região geográfica de qualquer hemisfério tendo
apenas que o programar previamente.

Alteração automática do horário de inverno e verão.

Possibilidade de outro tipo de programação que não a programação
astronómica (default).

Possibilidade de inclusão no ciclo de funcionamento astronómico de uma
programação diferente para dias festivos e feriados.

Tal como os sensores crepusculares, o relógio astronómico poderá funcionar
como sistema de controlo da rede de IP isolado, ou então poderá ser um
equipamento auxiliar aos reguladores de fluxo e/ou sistemas de telegestão,
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tendo como função transmitir o sinal de ligação e corte das lâmpadas do
sistema de iluminação.

6.4. Reguladores de Fluxo a instalar à cabeceira do
sistema de IP

Os sistemas de regulação de fluxo luminoso permitem a regulação da
intensidade luminosa em períodos de menor actividade. Em períodos nocturnos
de menor tráfego, estes sistemas permitem diminuir o nível de luminância, não
limitando a abrangência dos dispositivos luminosos.

Um regulador de fluxo pode estar integrado num sistema de telegestão
complexo, estando às ordens do Sistema Central de Gestão (CSM), ou então
inicia o seu ciclo de ignição após um sinal transmitido por um sensor de
luminosidade, ou por um relógio astronómico (tecnologia mais actual e
eficiente), aumentando gradualmente a tensão até atingir o valor pré-
estabelecido de funcionamento. Quando esse nível de tensão não é mais
necessário, o regulador baixa a tensão de alimentação das lâmpadas (Figura
6.4). As transições entre as várias condições de operação devem ser lentas,
para que a alteração do nível de iluminação se torne imperceptível ao utilizador.

Figura 6.4 – Exemplo de funcionamento de um Regulador de Fluxo Luminoso ao
longo do período nocturno


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Aplicando às lâmpadas uma tensão inferior (verde) à nominal de funcionamento
(vermelho), a corrente é reduzida, originando a diminuição da potência
absorvida pela rede de IP. A programação da regulação do fluxo (Figura 6.5)
deverá ser feita consoante a época do ano e a área onde o sistema de
iluminação está instalado.


Figura 6.5 – Exemplo do horário de funcionamento com e sem regulação de fluxo,
para diferentes áreas, ao longo do ano

De maneira a funcionar correctamente e a manter as suas características ao
longo do tempo, as fontes luminosas devem ser alimentadas com uma tensão
que não exceda em 5% o seu valor nominal. Os reguladores de fluxo, para
além de variarem a intensidade luminosa, têm também esta função de
estabilização da tensão, que para além de aumentar o tempo de vida da
lâmpada (reduzindo, assim, os custos de manutenção), asseguram economias
directas no consumo (5 a 7%) ao fazer a regulação da tensão (clipping) que
excede o seu valor nominal.

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Quaisquer que sejam as condições de operação, a tensão de saída deverá ser
mantida num intervalo de +/-1% do valor de funcionamento definido, mesmo
com consideráveis variações do valor da tensão.

Actualmente estão identificados tipos de sistemas de regulação de fluxo
luminoso, para instalação à "cabeceira", dos circuitos de iluminação pública:

Reguladores de fluxo electrónicos que utilizam electrónica de potência.

Reguladores de fluxo que utilizam auto-transformadores, cuja
comutação é efectuada por:

o Circuitos electromecânicos (relés/contactores), que por sua vez
são accionados electronicamente. A regulação dos auto-
transformadores é efectuada por patamares discretos, A resposta
destes auto-transformadores é em escada com patamares fixos
de tensão de saída (ajuste discreto da tensão de saída de acordo
com o número de patamares).

o Circuitos estáticos electrónicos (Triacs, IGBTs
12

, Alternistor e
tirístores), que, por sua vez, são controlados pelo módulo
electrónico de controlo. A resposta destes auto-transformadores é
em escada com patamares fixos de tensão de saída (ajuste
discreto da tensão de saída de acordo com o número de
patamares).
o Auto-transformadores motorizados que regulam a tensão
necessária a injectar no secundário do auto-transformador
principal (booster), de modo a fornecer a tensão necessária para
subtrair ou adicionar à tensão do primário (tensão de saída). A
subtracção da tensão é conseguida com a injecção de uma tensão
em inversão de fase. Tratando-se de um tipo de regulação
dinâmica e não discreta (sem patamares predefinidos), este RFL

12
Isolated Gate Bipolar Transistor
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permite implementar subidas e descidas em rampa programáveis.
Além disso, consegue uma maior compensação da variação da
tensão de entrada.

Figura 6.6 – Reguladores de Fluxo

A Tabela 6.2 sumariza algumas das propriedades que caracterizam o
funcionamento dos reguladores de fluxo.

Tabela 6.2 – Características de funcionamento dos reguladores de fluxo
13



13
Caso a regulação seja efectuada com autotransformadores, verificam-se os dois
primeiros pontos da tabela. Com reguladores electrónicos poderá resultar poluição
harmónica na rede.
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Estudos realizados indicam que o tempo de vida médio da grande maioria das
lâmpadas aumenta com a utilização dos reguladores de fluxo e que a
depreciação do fluxo luminoso, durante esse tempo de vida, é menor (Figura
6.7). No entanto para que isso esteja garantido é necessário um
acompanhamento rigoroso das parametrizações do regulador de fluxo, de modo
a garantir a tensão mínima nas lâmpadas durante todo o tempo de vida do
regulador.


Figura 6.7 - Comparação da percentagem de lâmpadas em funcionamento
(esquerda) e da variação do fluxo luminoso (direita) com e sem regulador de fluxo.

Praticamente todas as lâmpadas de descarga utilizadas em iluminação pública
podem ser reguladas, sem que isso interfira com as suas propriedades e
características. No entanto, consoante o tipo de lâmpada, cuja tensão de
alimentação é regulada, a poupança alcançada irá ser diferente. Na tabela
seguinte estão referenciadas as poupanças típicas atingidas, associadas a cada
tipo de lâmpada.


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Tabela 6.3 – Poupança energética com regulação de fluxo para cada tipo de
lâmpada.


Observa-se que reguladores de fluxo existentes no mercado conseguem
proporcionar poupanças energéticas entre 25 a 50%, sem ter de recorrer ao
método arcaico de desligar alguns pontos de luz da rede de iluminação. Esta
técnica negligencia a necessidade de uniformidade da iluminação, ao provocar
cones de sombra perigosos para os utilizadores. Adicionalmente, consegue-se
com a regulação de fluxo, uma diminuição considerável da poluição luminosa,
bem como as vantagens esquematizadas na Figura 6.8.


Figura 6.8 – Vantagens dos reguladores de fluxo

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Contudo, existem alguns aspectos que deverão ser considerados. Temos que
ter em atenção que a maioria dos sistemas de regulação de fluxo à cabeceira
(junto ao PT) trabalha com o controlo da tensão (redução da tensão). Assim,
em circuitos com mais de um tipo de lâmpadas e com grandes probabilidades
de terem diferentes idades (horas de serviço) o resultado em cada lâmpada,
dessa regulação, pode ser diferente. Adicionalmente, para PTs que controlem
menos do que 50 luminárias, a utilização de reguladores de fluxo torna-se
economicamente pouco atractiva.

Outra questão importante é a extensão da rede de IP. Na Tabela 6.3 está
indicada a tensão mínima para cada tipo de lâmpada. Se a regulação é feita à
cabeceira e não ponto a ponto, a diferença de potencial no início da linha e no
final poderá ser consideravelmente diferente. Ou seja, as lâmpadas que
realmente tiverem a tensão mínima admissível aos seus terminais
permanecerão ligadas, ao passo que as outras apagar-se-ão. Em caso de falha
na rede, algumas lâmpadas poderão não ter, inclusive, um valor de tensão de
ignição suficiente para o seu reacendimento.

Por fim, os reguladores de fluxo são aparelhos electrónicos cujas comutações
para a variação de tensão são efectuadas através de equipamento
electromecânicos e de electrónica de potência. Logo, à redução dos custos de
manutenção, devido ao aumento do tempo de vida da lâmpada, ter-se-á de
contrapor a manutenção destes equipamentos activos no circuito.
Adicionalmente, à semelhança dos balastros electrónicos com capacidade de
regulação de fluxo, terão também de ser considerados sistemas de apoio à
manutenção de modo a permitir colocar no circuito IP o patamar de tensão
mínimo durante os processos de manutenção.


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6.5. Sistemas de Telegestão Avançados

Um recente estudo de três anos elaborado pelo departamento público de
transportes da Holanda, efectuou testes à redução do nível de iluminação em
estradas, durante as horas de tráfego reduzido e com boas condições
climatéricas, implementando um sistema dinâmico adaptativo, às condições
existentes, para controlo da iluminação pública. Concluíram que um sistema
dinâmico de iluminação pública pode ser aplicado, com reduções na
luminosidade até 50%, atingindo poupanças de energia na ordem dos 30% a
40% e aumentando o tempo em serviço dos sistemas de iluminação. Além
disso, permite alavancar a utilização racional de energia melhorando o
balanço entre a segurança e o conforto.

Torna-se assim evidente que se pode dar um grande salto qualitativo na área
da iluminação pública, com a implementação de sistemas de telegestão de
controlo adaptativo e monitorização de IP, evitando, por exemplo, os custos
associados aos processos de manutenção.

Um sistema de telegestão adaptativo com inteligência artificial e integrado
numa rede inteligente permitirá:

Ter uma rede IP mais eficiente capaz de se adaptar à necessidades de
cada momento. Pode-se assim gerir o nível de iluminação em função da
presença a nível rodoviário e de presença humana pedestre.
Adaptar a cor e os restantes parâmetros luminotécnicos em função das
condições ambientais.
Adaptar o fluxo luminoso em função da iluminação ambiente.
Detecção de derrube ou impacto.

Desta forma, adaptar-se-á às reais necessidades de iluminação, tornando-a
energeticamente eficiente, em balanço com a segurança e conforto.

Adicionalmente, é possível com estes sistemas monitorizar a “idade” e o estado
actual das várias lâmpadas, localizando eventuais falhas. Em suma, os sistemas
de telegestão fazem o controlo, a medição e o diagnóstico de um sistema de
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iluminação, comunicando e utilizando essa informação através de meios e
equipamentos (explicados mais à frente). Vão muito para além do envio de
comandos e obtenção de feedback, uma vez que, permitem reduzir o consumo
e os custos de manutenção, aumentando a qualidade de iluminação para os
utilizadores.

A informação actualizada a todo o momento leva a uma previsão e
planeamento bastante preciso, o que proporcionará uma manutenção mais
eficiente e menos dispendiosa.

O sistema de Telegestão (Figura 6.9) é constituído por:

Sistema Central de Gestão (CMS).
Controlador de Segmento (SC).
Controlador da Luminária Exterior (OLC).



Figura 6.9 – Esquematização de um sistema de telegestão de uma rede de IP



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O controlador exterior da Luminária (OLC – Outdoor Luminaire Controler) é
o aparelho que faz o controlo do balastro/driver programável da fonte de luz e
de todos os sensores existentes na luminária, proporcionando um sistema de
iluminação dinâmico. Actualmente este controlador também já é apresentado
como parte integrante da luminária.

As luminárias estão ligadas a uma cabina exterior de alimentação e comunicam
através do controlador de segmento (SC – Segment Controler).

O sistema central de gestão (CMS – Central Management Sistem) é usado
para controlar os vários segmentos do sistema de IP, gerindo a informação
transmitida pelos controladores (da luminária e de segmento).

6.6. Sistemas integrantes dos sistemas de telegestão
dinâmicos

Tirando partido de todos os controladores (de luminária e de segmento) e dos
sistemas de comunicação, a plataforma de telegestão dinâmica deverá permitir
interagir e parametrizar todos os serviços, bem como recolher dados sobre o
estado de funcionamento da própria luminária e dos segmentos. Por exemplo, o
sistema deverá permitir:
Monitorizar e configurar o estado de todos os parâmetros da luminária,
nomeadamente os parâmetros de configuração dos sensores e o seu
estado de actuação;
Configurar as temporizações das variações do fluxo luminoso em funções
do estado dos sensores;
Estabelecer comunidades de luminárias por ruas, concelhos, distritos,
etc. Nestas comunidades as luminárias deverão:
o Ser configuradas por grupo;
o Reagir à informação dos sensores em grupo ou individualmente;
o Gerir as informações dos sensores em grupo ou individualmente;
o Ajustar níveis de fluxo em função dos dados dos sensores em
grupo ou individualmente;
o Recolher toda a informação considerada útil da luminária:
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 Identificação da luminária;
 Potência da luminária;
 Endereço de rede;
 Comunidade a que pertence;
 Configuração actual dos sensores;
 Tipo de gestão (em comunidade ou individual);
 Parametrizações das sensibilidades dos sensores;
 Relações lógicas do estado dos sensores;
 Relações das informações dos sensores com a
parametrização do fluxo luminoso;
 Recolha de alarmes e sua correlação. Deverá existir uma
aplicação para apresentação das listas de alarmes. O nível
dos alarmes deverá ser configurado em quatro níveis de
criticidade (por exemplo: a sinalização de derrube deverá
ter criticidade máxima);
 Configurar o sistema de regulação de fluxo.

6.7. Conclusão

Os sistemas de controlo definidos, na introdução deste capítulo, como “tudo ou
nada” (sensores crepusculares e relógios astronómicos) são utilizados como
interruptores on-off nas redes de IP. Basicamente a sua função é apenas
determinar quando o sistema deve ligar, desligar, ou regular a intensidade
luminosa. São por isso simples e baratos. Podem existir isoladamente ou
integrado na rede, desempenhando a sua função normalmente, ou então
poderão estar associados aos outros tipos de sistemas de controlo (reguladores
de fluxo e sistemas de telegestão). Estes últimos são equipamentos/sistemas
bem mais complexos e dispendiosos. No entanto, são os que conseguem
proporcionar as maiores poupanças em termos de consumo e
consequentemente da facturação, bem como na manutenção das redes de
iluminação pública, permitem ainda a promoção da eficiência energética
compensando a perda de segurança e conforto.


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Relativamente aos sistemas e protocolos de comunicação ainda não existe
nenhuma norma, pelo que actualmente cada fabricante apresenta o seu
sistema proprietário. Por este facto, a implementação massiva encontra-se
condicionada.

Tabela 6.4 – Características dos Sistemas de Controlo
14




14
Relativamente à poupança entre os sensores e o relógio astronómico, a análise
apresentada no gráfico depende da orientação e exposição solar do sensor.
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7. Conjuntos Funcionais

A eficiência e qualidade de um sistema de iluminação são função da
contribuição individual de cada um dos seus componentes, ou seja:

Do rendimento e propriedades da lâmpada;
Das perdas e funcionalidades do balastro;
Do material e características da luminária;
Da existência ou não de sistemas de controlo;

À conjugação de todos estes elementos chamamos conjunto funcional.

Se na formação de um conjunto funcional considerarmos todas as
possibilidades de associação dos vários elementos definidos nos capítulos
anteriores, obtemos 228 combinações passíveis de serem incluídas numa rede
de iluminação pública.

No entanto, a visualização comparativa de todos esses conjuntos funcionais é
tão incomportável quanto desnecessária. Assim, efectuou-se uma triagem de
36 conjuntos para cada uma das classes de iluminação (ME+CE e S)
15
Tabela 7.1
,
especificada na , onde foram tidas em conta as seguintes
considerações:

Devido à sua ineficiência, a utilização de balastros magnéticos foi
negligenciada, antecipando assim, a retirada do mercado desse tipo de
balastros no domínio da iluminação pública.

Não se consideraram igualmente lâmpadas incandescentes e de vapor de
mercúrio, por se tratar de fontes luminosas de baixo rendimento e em
actual política de phase-out.
Não há necessidade de associar um balastro com capacidade de dimming
a um regulador de fluxo, pois essa função já é efectuada.


15
Para informação mais detalhada acerca das classes de iluminação, consultar o
Volume 3 do Manual de Iluminação Pública.
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Como não está completamente provado que os sistemas de regulação de
fluxo são inócuos para o bom funcionamento das lâmpadas de iodetos
metálicos, ao longo do seu tempo de vida (ainda que seja possível a sua
regulação), optou-se por não associar este tipo de lâmpadas a sistemas
onde haja variação intencional da tensão (reguladores de fluxo, sistemas
de telegestão e balastros electrónicos com capacidade de dimming).

Pela diferença de requisitos, tais como, parâmetros de iluminação (e.g.
luminância e iluminância) IRC, potência, etc, concluiu-se ser apropriado
realizar a comparação dos conjuntos funcionais a dois níveis:

o Classes de iluminação ME e CE da norma EN 13201 (2003).
o Classe de iluminação S da norma EN 13201 (2003).

A utilização das lâmpadas fluorescentes apenas é considerada para
iluminar zonas pedonais e jardins (classe S), pois tem uma gama de
potência baixa, e as lâmpadas de vapor de sódio de baixa pressão não
foram incluídas nessas zonas pelo IRC extremamente pobre.

Para apoio à decisão da selecção do melhor conjunto funcional, consentâneo às
necessidades e disponibilidades de aplicação, foi realizado um exercício, neste
capítulo, com base nas informações de diversos fabricantes, com o intuito de
comparar as diversas soluções existentes. Os resultados são apresentados no
final do capítulo.
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Tabela 7.1 – Triagem dos conjuntos funcionais possíveis para redes de IP


O método de análise utilizado, neste manual, para a comparação dos diversos
conjuntos funcionais é baseado em quatro vectores:

Custo.
Rendimento.
Poupança.
Poluição.

O custo corresponde obviamente ao custo total do conjunto funcional somando
o custo de cada um dos seus elementos (lâmpada, luminária, balastro e
sistema de controlo).


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A poupança está também relacionada com o potencial individual de cada um
dos constituintes (lâmpada, luminária, balastro e sistema de controlo) quer na
diminuição do consumo e consequentemente da facturação final do sistema de
iluminação, como também na redução dos custos de manutenção da rede IP.

O rendimento tem em consideração apenas a contribuição do tipo de lâmpada
e do balastro e principalmente do tipo de luminária utilizada no conjunto.

O vector da poluição abarca os três tipos de poluição que ocorre no ciclo de
vida de um conjunto funcional, ou seja:

Poluição luminosa – associada quer ao tipo de lâmpada, quer
principalmente ao tipo de luminária utilizada.
Poluição na rede – devido ao tipo de balastro/driver utilizado.
Poluição ambiental – em termos de emissão de CO
2
e dos resíduos dos
vários elementos, que poderão ou não ser reciclados.

Os gráficos que se seguem têm então a dupla função de, mediante estes quatro
vectores, proporcionar uma interpretação do peso de cada constituinte, dentro
do seu conjunto funcional e de possibilitar, ao projectista, a selecção mais
correcta da genética do conjunto funcional a instalar.


Figura 7.1 – Conjuntos funcionais para as lâmpadas de Vapor de Sódio de Alta
Pressão
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Figura 7.2 – Conjuntos funcionais para lâmpadas de Vapor de sódio de Baixa
Pressão


Figura 7.3 – Conjuntos funcionais para lâmpadas Fluorescentes


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Figura 7.4 – Conjuntos funcionais para lâmpadas de Iodetos Metálicos

Figura 7.5 – Conjuntos funcionais para lâmpadas LED

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8. Referências

[1] NYSERDA. How-to Guide to Effective Energy-Efficient Street Lighting for
Municipal Planners and Engineers, 2002.
[2] Sustainable Public Lighting Toolbox. www.iclei.org [Online].
[3] Melbourne Lighting Strategy. 2002.
[4] NAGA. Sustainable Public Lighting Action Program, June, 2008.
[5] Echelon. Street Light Whitepaper, September 2007.
[6] European Community Directive 2002/96/EC, Waste Electrical and
Electronic Equipment Directive (WEEE Directive) together with the RoHS
Directive 2002/95/EC, became European Law in February 2003, setting
collection, recycling and recovery targets for all types of electrical goods.
[7] Projecto Europeu de Iuminação Pública E-Street. Intelligent Road
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