DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS APLICADAS

COLEGIADO DE TECNOLOGIA EM RADIOLOGIA


EVERTON NASCIMENTO DA COSTA PINTO SILVA












SAÚDE MENTAL E TRABALHO
SÍNDROME DE BURNOUT – RELATO DE UM CASO.














SALVADOR
2014.
INTRODUÇÃO
A associação entre condições de trabalho e ocorrência de doenças físicas e transtornos mentais vem
sendo mais estudada a partir da segunda metade do século XX, mas o reconhecimento clínico de tal
relação é pequeno. O burnout, ou síndrome do esgotamento profissional, tem sido alvo de estudos de
identificação de fatores de risco ou de proteção e objeto de matérias na imprensa. Na literatura médica,
tem ocupado espaço fora da psiquiatria, particularmente na medicina ocupacional, psicossomática e
clínica médica.
Estudos de prevalência com profissionais de saúde mostram taxas de burnout variando entre 30 e 47%.
No Brasil, a ocorrência se encontra na faixa de 10%.
Por definição, burnout é uma condição de sofrimento psíquico relacionada ao trabalho. Está associado
com alterações fisiológicas decorrentes do estresse

(maior risco de infecções, alterações
neuroendócrinas, hiperglicemia e aumento do risco cardiovascular), abuso de álcool e substâncias,
risco de suicídio e transtornos ansiosos e depressivos, além de implicações socioeconômicas
(absenteísmo, abandono de especialidade, queda de produtividade). Entretanto, não consta nas
classificações psiquiátricas.
É típica a história pessoal de grande envolvimento no trabalho, visto como prioridade de vida ou uma
missão. Entretanto, os fatores relacionados à organização do trabalho (divisão do trabalho, tempos,
ritmos e duração das jornadas, remuneração e estrutura hierárquica) são considerados preponderantes
na determinação da síndrome.
A síndrome do esgotamento profissional integra a Lista de Doenças Profissionais e Relacionadas ao
Trabalho (Ministério da Saúde, Portaria nº 1339/1999). Está classificada sob o código Z73. 0
(Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão - CID-10), como problema que leva ao contato
com serviços de saúde.
Apresentarei abaixo, o relato de um caso que tive contato diretamente, trata-se de um familiar que
labora na área da saúde há aproximadamente 20 anos e hoje se encontra afastada das suas atividades,
momentaneamente, por impossibilidade psíquica e física de realizar as atividades inerentes à sua
profissional, diagnosticada em Maio/2013 como portadora da Síndrome de Burnout.

RELATO DE CASO
A., 45 anos, casada, instrumentista cirúrgica, funcionária de empresa de saúde há 20 anos. Seus
problemas começaram no final de 2012, com sucessivas mudanças administrativas: foi transferido de
unidade duas vezes e assumiu, sem consulta prévia, posto de chefe de centro cirúrgico de
traumatologia em um hospital de grande movimentação, maior hospital público do município,
aumentando suas atribuições, enquanto reduzia-se o efetivo de pessoal. Suas novas tarefas incluíam
além de auxiliar aos médicos cirurgiões nas cirurgias, gerenciar o controle dos instrumentos
cirúrgicos, desde a sua aquisição até ao seu devido descarte, qualificação de pessoal além de
acompanhar as mudanças sofridas pela Ciência médica. Para poder atender a toda essa demanda de
atividades, passou a trabalhar até mais tarde nos fins de semana. Começou a sentir-se muito cansada
fisicamente, ansiosa, tensa e insone. Após a privatização do setor da empresa em que trabalhava,
instalou-se o processo de reestruturação produtiva, com demissões em massa e expansão dos serviços.
Os novos contratados não estavam suficientemente qualificados para as funções, exigindo maior
esforço na tarefa de supervisão. Havia sucessivas "mudanças de diretriz" ("mandavam a gente fazer
tudo de um jeito, e no dia seguinte não era mais nada daquilo, o trabalho era jogado fora"), além das
ameaças de demissão, da desmoralização dos funcionários e das exigências cada vez maiores de
rendimento ("quando a meta não era alcançada, era porque éramos incompetentes; quando se
conseguia, deveríamos ter nos esforçado mais para superá-la"). Além do cansaço físico, sentia-se
exigida além do seu limite emocional. Pensar em trabalho deixava-a irritada e impaciente, ao contrário
do que sempre foi (considerava-o como prioridade, fonte de satisfação pessoal e orgulho). Passou a
apresentar, além da ansiedade, tristeza profunda, falta de prazer nas atividades, dificuldade em tomar
decisões, perda de apetite e de peso (cerca de 14 kg em 7 meses), "brancos" de memória,
desesperança, sentimento de desvalorização pessoal e vontade de morrer. Foi, então, afastado de suas
atividades laborativas, em Maio/2014, quando durante um procedimento cirúrgico, acabou por
negligenciar esquecendo no interior de um paciente ,gaze e fios cirúrgicos, o que provocou no paciente
uma grave infecção generalizada o que quase o levou a morte, foi então que, um dos médicos da
equipe em que esta fazia parte, alertou a mesma sobre a possibilidade de estar sofrendo de estresse e
conduziu a mesma para o setor de psicologia da Instituição que, após algumas indagações e análises
concluiu que a mesma estava sofrendo da Síndrome de Burnout, conduzindo-a à Previdência Social
para que assim requeresse o seu auxílio doença, o que percebe até a presente data.Hoje faz tratamento
psiquiátrico com a associação de diversas drogas em busca de uma melhora dos quadros associados à
Síndrome.

CONCLUSÃO
Este caso é um exemplo de que o burnout parece estar relacionado não a profissões específicas, e sim
à maneira como se organiza o trabalho, independente da atividade exercida. O determinante
fundamental parece ser a impossibilidade encontrada por pessoas profundamente empenhadas em
atingir um ideal (aqui representado pelo engajamento no trabalho) de realizar tal meta, impossibilidade
esta também determinada pelas características da organização do trabalho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BENEVIDES – PEREIRA, Ana Maria T.(2009) – O que é Síndrome de Bornout?
Site:http://www.sindromedeburnout.com/index.php?option=com_content&view=article&id=48&Itemi
d=37. < Acesso em Agosto de 2014>.