PROF.

HUMBERTO ARAÚJO
Uma história
da Indústria
Gráfca
Produção Gráfca
ORIGENS DA ESCRITA
PRIMEIROS SISTEMAS DE ESCRITA
ESCRITAS NACIONAIS E A PRODUÇÃO DE LIVROS NA IDADE MÉDIA
OS LIVROS DO RENASCIMENTO E O SURGIMENTO DA IMPRENSA
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL, A EVOLUÇÃO DA TIPOGRAFIA
E O SURGIMENTO DE NOVAS TÉCNICAS
SÉCULOS XX E XXI
Origens
da Escrita
O QUE É A ESCRITA?
É um código de comunicação secundário em relação à linguagem
articulada, código primario que ela pretende representar.

Por isso, sua formação e desenvolvimento não pode ser
independente da língua que pretende representar nem arbitrário,
mas do mesmo modo que existem diversas línguas, também
existem distintos tipos de escrita, as vezes tão diferentes entre si
quanto as línguas que representam.

Contudo, há um elemento em comum a todos os sistemas de
escrita: seu nascimento tem lugar no seio de um povo e de uma
cultura quando este sente a necessidade de gravar em um suporte
espacial duradouro que permita a conservação de uma mensagem
ou informação.
HIPÓTESES SOBRE O NASCIMENTO DA ESCRITA
• Necessidades Religiosas
Nasceu para conservar cantos e hinos rituais que ressoavam
nos templos e procissões, entoados pelo povo durante as
festividades; redigir maldições e conjuros mágicos;
transmitir aos homens a origem, as ações e as qualidades
dos deuses, assim como as normas morais e sociais decretadas
por eles, além de ditar os comportamentos dos homenspara
conseguir sua ajuda e evitar sua irritação (ritos, conjuros, votos,
preces, etc.)
• Necessidades políticas
Monumentos comemorativos das façanhas guerreiras ou da
piedade e boas medidas administrativas de muitos governantes
que desejaram deixar uma lembrança para as gerações posteriores
de seus méritos em um gesto de vaidade, cultivado e favorecido
por súditos e cortesãos complacentes, mas não podemos deixar
de ver a conveniência de consolidar os valores sociais
HIPÓTESES SOBRE O NASCIMENTO DA ESCRITA
• Necessidades Literárias
Os cantos e poemas literários, já não mais religiosos, bem como
os relatos dos contadores de história, surgem com as primeiras
sociedades e muito antes da escrita. Seu caráter popular
e anônimo faz com que não se transcrevam quase nunca
ou apenas de maneira tardia, como podemos observar nas
sociedades históricas.
• Necessidades administrativas
Com a evolução das sociedades humanas de meros coletores
para comunidades agropastoris, os homens passam a acumular
consigo mais comida do que o necessário para consumo
imediato. Surge então a necessidade dos registros contábeis,
contratos de venda e troca, etc.
Primeiros
Sistemas de Escrita
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• O surgimento da linguagem escrita
Durante muito tempo, o homem somente pode
se comunicar através dos sons. A transmissão
direta de suas experiências e conhecimentos não
ia além do tempo de sua vida.

Depois o homem começou a registrar a história
do que o rodeava através de desenhos nas
paredes das cavernas.

Esse tipo primitivo de “escrita” se desenvolveu
entre os anos 32000 e 11000 a.C., durante o
último período glacial.
Austrália Meridional, ± 18000 a.C.
Lascaux, França, ± 13000 a.C.
Altamira, Espanha, ± 13000 a.C.
• As pinturas rupestres
Os maiores achados se encontraram na Europa
ocidental, mas existem em todo o mundo.

A maneira mais rudimentar de aplicar a pintura
nos muros das cavernas era com os dedos,
mas também foram utilizados diversos tipos de
instrumentos que não se conservaram até os
nossos dias.

As investigações apontam para pincéis feitos de
cerdas de animais ou pequenos galhos fexíveis.
Restos de pigmento encontrados no solo podem
ter sido parte de lápis ou de bastões de giz.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
Toca do Boqueirão da Pedra Furada,
Serra da Capivara, PI
Parque das Araras, RN
Serranópolis, GO
• A linguagem pictográfca
As pinturas dos objetos se converteram
em símbolos ou pictogramas.

A linguagem pictográfca era
eminentemente composta de
substantivos, isto é, os desenhos
representavam as coisas (gente, vaca,
animais, etc.). Isso fez com que essa linguagem
fosse muito fácil de ser aprendida.

Mas como a sociedade se desenvolveu e se tornou mais
complexa, fzeram-se necessários símbolos para representar ideias
mais complexas.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• Os ideogramas
Assim as linguagens baseadas em pictogramas
evoluíram para representar pensamentos
abstratos em vez de simplesmente representar
objetos. Com isso eles se tornaram um meio um
pouco mais complicado de escrever, conhecido
como ideogramas.

Um ideograma é a combinação de dois ou mais
pictogramas com a intenção de representar um
conceito.

Assim os ideogramas exigem um maior grau
de abstração do leitor, e requerem tradução e
interpretação.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
BOI
CADEIA DE
MONTANHAS
BOI SELVAGEM
homem
+ =
mão amigo
mulher
+ =
vassoura esposa
homem
+ =
arco & fecha inimigo
• A escrita cuneiforme dos sumérios
Com origem provavelmente suméria,
foi empregada pelos antigos povos da
Mesopotâmia e da Anatólia. São signos em
forma de cunha, desenhados com um estilete
sobre tábuas de argila que depois eram secadas
ao sol ou cosidas em fornos. Na sua origem, os
caracteres cuneiformes eram pictogramas, mas
aos poucos se converteram em um conjunto
de mais de 600 caracteres que representavam
sílabas (fonogramas) ou palavras (logogramas).

Essa escrita se converteu no meio básico de
comunicação do oriente.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
Mesopotâmia (Irã, Iraque, Síria), ± 3500 a.C.
A pedra foi o suporte mais antigo da escrita.
Posteriormente tábuas de argila foram
utilizadas na Mesopotâmia no terceiro
milênio antes de Cristo.

O cálamo, pedaço de cana ou caniço com
ponta triangular, servia para escrever os
caracteres na argila antes de ela ser cosida para
solidifcar-se. Com esse instrumento os assírios
e os sumérios imprimiam nas tábuas de argila
seus caracteres em forma de cunha (daí o
nome “cuneiforme” dado a essa escrita).
• Primeiros suportes e materiais
Mesopotâmia (Irã, Iraque, Síria), ± 3500 a.C.
No século XIX arqueólogos encontraram
em Kuyunjik, onde fcava Nínive, capital
da Assíria, próximo da atual cidade de
Mossul no Iraque, as ruínas de uma antiga
biblioteca.

Neste sítio arqueológico se encontraram
22000 tábuas de argila do século VII a.C.:
era a biblioteca dos reis da Assíria, que
dispunham de ofcinas de copistas e
lugares próprios para a conservação dos escritos. Isto indica que
havia toda uma organização em torno do livro, estudo sobre sua
conservação, classifcação, etc.
• Primeiros suportes e materiais
Fragmento de uma das sete tábuas do Enuma Elish, poema épico
babilônico que conta a história da criação
Em chinês, o ideograma para livro são imagens
em pedaços de bambu. Na China a seda também
foi usada como suporte para a escrita, com a
ajuda de pincéis. Outros diferentes suportes
também foram usados no decorrer dos anos:
osso, bronze, cerâmica, escamas, etc.

Na Índia, por exemplo, usou-se também
folhas secas de palmeira. Todos os materiais que permitem
conservar e transmitir são, portanto, adequados para coverter-
se em livros. Mas a madeira e seus derivados seria realmente o
principal suporte do livro. As palavras biblos e liber signifcam
originalmente “entrecasca de uma árvore”.
Inscrições em carapaça de tartaruga,
provenientes da China, séculos XIV-XI a.C.
• Primeiros suportes e materiais
• A escrita hieroglífca
Hieroglifos são caracteres de quaisquer
sistemas de escritura no qual os signos
são fguras que apresentam objetos
reconhecíveis. Costuma-se associar o
termo hieroglifo com a escrita com que
se representou a língua do antigo Egito.

Também foi empregado para os sistemas de
escrita fgurativa dos hititas, cretenses e maias,
mas estes sistemas não estão relacionados com
o egípcio, já que o único elemento que têm em
comum é sua condição de fgurativos.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
Egito (África),
± 2000 a.C.
• Hieroglifos maias
• A escrita hierática egípcia
Os hieroglifos não eram práticos para grafar
registros ou para o uso cotidiano, já que eram
muito complexos e não podiam ser escritos
rapidamente com estiletes ou pincéis.

Esta escrita, de estilo mais funcional, foi uma
versão simplifcada dos hieroglifos e foi a escrita
dominante para usos comerciais, legislativos e
científcos. Se escrevia com uma espécie de lápis
de ponta rombuda que se mergulhava em tinta e
era escrita sobre papiro. Os gregos a chamaram
de hierática (em grego, “sacerdotal”) por que no
século VII a.C. esteve limitada aos textos sagrados.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
Egito (África), ± 2000 a.C.
• A escrita demótica, ou popular egípcia
Simplifcação da escrita hierática que permitiu
unir caracteres, o que originou uma escrita mais
rápida e a democratização da escrita.

Último estágio em cursiva da escritura
hieroglífca egípcia, que se empregou para
escrever textos administrativos e literários do
século VII ao V a.C.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
Egito (África), ± 900 a.C.
• Evolução da escrita egípcia
Hieroglifo Hierático Hieroglifo Hierático Hieroglifo Hierático
• Evolução da escrita egípcia
2700-2600 ± 1500 ± 1500 ±1900 ±200 400-100
a.C. a.C. a.C. a.C. a.C. a.C.
Hieroglifo Hieroglifo Hierático Demótico
Cursivo
• Pedra de Roseta, 196 a.C.
A compreensão que hoje temos
dos hieróglifos e de seu signifcado
é possível devido a descoberta da
Pedra de Roseta.

Essa pedra de basalto negro foi
gravada até 196 a.C. com três
inscrições de mesmo conteúdo em
homenagem ao rei Ptolomeu v, mas
com três alfabetos diferentes: o
hieroglífco (14 linhas), o demótico
(32 linhas) e o grego (54 linhas).
• Pedra de Roseta, 196 a.C.
Em 1799, próximo de Roseta, cidade egípcia,
o exército napoleônico encontrou a pedra
de Roseta, que foi a chave para decifrar os
hieroglifos do antigo Egito.

Ao comparar as três versões de escrita da pedra,
os investigadores — em especial Jean François
Champollion, arqueólogo francês — decifraram
a escrita egípcia e desentranharam o signifcado
dos hieroglifos em 1822 e, assim, assentaram as
bases da egiptologia.
Hieroglifo
Demótico
Grego
• O papiro
Com o tempo as tábuas foram substituídas
pelos volumina (plural de volumen), rolos de
papiros, mais fáceis e rápidos de transportar,
que foram os principais suportes de escrita da
antiguidade no Egito, Grécia e Roma.

Diversas partes do papiro foram utilizadas com fns, tanto
ornamentais quanto práticos, como a confecção de toucados,
sandálias, cestos, barcos e cordearia. As raízes secas serviam
como combustível. A medula do talo fervida servia de alimento,
mas a sua aplicação mais importante era a elaboração de um
suporte para a escrita com consistência parecida com a do papel.
Planta do papiro
• O papiro
Depois de retirada, a medula dos talos era
disposta no sentido longitudinal; sobre elas se
colocavam outras no sentido transversal e se
fazia uma série de operações (umidifcação,
prensagem, secagem, colagem, corte)
esfregando-as com marfm ou com uma
concha lisa. Os suportes obtidos tinham
qualidade variável; os melhores eram utilizados
para textos sagrados.
Papiro egípcio
Papiro do Livro dos mortos egípcio
• O papiro
O livro em papiro media normalmente uns 10
metros, resultado da colagem de várias folhas.
Alguns, entretanto, chegavam a superar os 40
metros, como a Crônica do rei Ransés III.

O livro em pariro tinha o formato de um rolo que
se desenrolava no sentido horizontal, com o texto
disposto em colunas escritas em apenas um dos
lados do papiro. O título da obra era indicado por
uma etiqueta atada ao rolo. Os livros em papiros
que se conhecem são provenientes das tumbas,
nas quais se depositavam as orações fúnebres, ou de textos sagrados,
como o Livro dos mortos, do início do 2.ª milênio antes de Cristo.
• A escrita semítica
A origem deste sistema de escrita ainda gera
discussões, não se sabe se foi uma invenção
independente ou a adaptação de algum tipo de
escrita anterior.

Esta chegou a ser um dos instrumentos de expansão da cultura e
do conhecimento, já que a partir deste sistema se desenvolveram
outros na Europa e na Ásia.

Ela é classifcada em duas vertentes principais: a do norte e a do
sul, sendo a do norte a mais importante. Esta se subdivide em
várias, sendo a aramaica e a fenícia as mais importantes.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• A escrita aramaica
A origem dos povos que falavam aramaico é
desconhecida, mas se acredita que chegaram a
Síria e a Mesopotâmia do norte da Arábia, entre
os séculos XII e XI a.C. Durante o século VIII a.C.
foram conquistados pelos assírios, mais ainda assim
a sua cultura sobreviveu à decadência de suas
cidades e por volta do século VII a.C. chegou a ser
a língua e a escrita utilizada no império assírio.

Gradualmente foi se tornando uma escrita de tipo cursivo, com
caracteres mais redondos e mais ligados entre si. Até o século II
a.C. manteve a sua forma e foi desenvolvendo escritas diferentes
que evoluiram independentemente uma das outras, como a
escrita hebraica, a síria e a árabe.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
Século v a.C.
• O nome de Deus em hebraico
• A escrita fenícia
A língua fenícia pertence à subdivisão da
linguagem semítica, que também inclui o
hebraico. Sendo grandes comerciantes, foram os
fenícios que difundiram a escrita semítica pelo
Mediterrâneo.

Por volta de 1800 a.C., desenvolveram um sistema
revolucionário que ligava os sons falados à escrita.
Identifcaram 22 sons chaves em sua língua e
criaram 22 símbolos correspondentes. É o primeiro
registro de uma escrita fonética. O alfabeto fenício,
assim como o alfabeto hebraico antigo, não
continha vogais.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• A escrita fenícia
Do alfabeto fenício derivaram seis ramos diferentes:
• Escrita hebraico-samaritana
• Escrita aramaica primitiva
Da qual surgem outras que originam a árabe, a armênio, a georgiano
• Ramo central
Do qual surge o etrusco, o grego, o latim. O russo derivou do grego.
• Ibérico, turdetano e bástulo-fenício
• Ramo setentrional
Alfabetos rúnicos
• Ramo indoariano
Do qual derivou o sânscrito, o magahi, o devanagari.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• A escrita grega
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
E n t r e o s a n o s 1 0 0 0 e 9 0 0 a . C . o s g r e g o s a d o t a r a m a
variante fenícia do alfabeto semítico e acrescentaram
o u t r o s s i g n o s p a r a a s u a n e c e s s i d a d e , a l é m d e i n c l u i r
signos para as vogais e dar nome às letras. A princípio
a d o t a r a m a f o r m a f e n í c i a d e e s c r e v e r , d a d i r e i t a p a r a
a esquerda, mas depois experimentaram alternar
s e n t i d o d a e s c r i t a , i s t o é , d a d i r e i t a p a r a a e s q u e r d a
na primeira linha, da esquerda para a direita na
s e g u i n t e , e a s s i m p o r d i a n t e . E s s e m o d o d e e s c r e v e r
é conhecido como bustrofédon, que em grego quer
d i z e r “ c o m o o b o i a r a o c a m p o ” . D e p o i s d o a n o 5 0 0
a.C. o grego já se escrevia da esquerda para a direita.
• A escrita grega
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
Entre os anos 1000 e 900 a.C. os gregos adotaram a
variante fenícia do alfabeto semítico e acrescentaram
outros signos para a sua necessidade, além de incluir
signos para as vogais e dar nome às letras. A princípio
adotaram a forma fenícia de escrever, da direita para
a esquerda, mas depois experimentaram alternar
sentido da escrita, isto é, da direita para a esquerda
na primeira linha, da esquerda para a direita na
seguinte, e assim por diante. Esse modo de escrever
é conhecido como bustrofédon, que em grego quer
dizer “como o boi ara o campo”. Depois do ano 500
a.C. o grego já se escrevia da esquerda para a direita.
• A escrita grega
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
Sua escrita se difundiu por todo
o mundo mediterrâneo e dela
surgiram outros alfabetos, como
o etrusco, o osco, o úmbrio e o
romano. Como consequência
das conquistas do Império
Romano, seu alfabeto se
converteu na base de todas as
escritas européias ocidentais. Por
volta do ano 400 a.C. se adotou
a sua versão jônica, em Atenas,
formando assim o alfabeto
clássico grego de 24 letras.
• O pergaminho
Progressivamente o pergaminho foi substituindo
o papiro. Uma lenda atribui sua invenção a
Eumenes III, rei de Pérgamo, daí a origem do
nome pergamineum. Sua produção e consumo foi
amplamente expandida por volta do século III a.C.
Mas sua existência remonta a 1.500 anos a.C. , quer
dizer, muito antes que a cidade de Pérgamo existisse.

Fabricado a partir da pele dos animais (cordeiro, vaca, jumento,
antílope, etc.), o pergaminho podia ser conservado por mais
tempo e em melhores condições do que o papiro. Mais sólido,
permitia que se raspasse o texto e se escrevesse outro por cima (o
que se chamava palimpsesto).
Pergaminho alemão do século XVI
• O pergaminho
A pele sofria um processo de eliminação dos
pelos, curtição e estiramento, ao fm do qual se
conseguiam as lâminas com as que se elaborava
um livro, um flactério, ou os rolos conhecidos
na antiguidade.

Evidentemente esses eram suportes muito caros,
devido a sua matéria prima e ao tempo de sua
preparação: a pele era inicialmente lavada, depois
submergida em uma solução de cal para retirar os
pelos, raspada e igualada em ambos os lados, e
afnal esfregada por um longo tempo com pó de
pedra-pomes.
Preparação do pergaminho
• A escrita latina
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
A introdução do alfabeto grego na
Itália ocorreu por volta do século VIII
a.C. Os etruscos, dos quais se acredita
que os romanos tomaram o alfabeto,
além da arquitetura, leis e estradas,
se estabeleceram na costa oeste da
península antes da fundação de Roma.
A paleografa latina começa com os
caracteres em maiúsculas, como se
comprovam nos manuscritos mais
antigos que existem. Seus caracteres
também sofreram modifcações de
acordo com o instrumento, o suporte ou
a época em que foram escritos.
• Capitalis Monumentalis
Em fnais do século III a.C. apareceram nas letras
traços terminais, chamados de seriphae, atualmente
conhecidos como serifas. A partir do século II a.C.
os romanos conquistaram toda a região do
Mediterrâneo e suas vitórias foram imortalizadas
em arcos triunfais, monumentos e inscrições
dedicatórias. As formas das letras e suas proporções
correspondiam ao sentimento da época.

Assim surgiu o estilo de escrita romano clássico,
as Capitalis Monumentalis. O exemplo mais
conhecido é o da Coluna de Trajano, em Roma,
que data do ano 114.
• Capitalis Monumentalis
A sua geometria simples resulta da combinação harmoniosa de linhas
adaptadas de formas quadrangulares, circulares e triangulares — que
eram, de resto, as formas elementares da arquitectura romana.

Seu estilo era muito simples para facilitar a incisão nas pedras.
Seus traços
são bastante
econômicos,
a letra mais
simples têm
só um traço, a
mais complexa,
quatro.
Incisão Grega Incisão Romana
I II III IV
1 2 3 4
V VI VII
5 6 7
VIII IX
8 9
X
10
ABEHIKMNOTXYZ I-J
CDGLPRS V-U
FQV VV-W
ALFABETO
ETRUSCO
MODIFICAÇÕES
PARA O ALFABETO
ROMANO
LETRAS FENÍCIAS
RECUPERADAS
SIGNOS INTRUDUZIDOS NA IDADE MÉDIA
• Capitalis Rustica
A Capitalis Rustica foi utilizada como
um meio rápido para difundir notícias
ofciais, temas políticos e formas
primitivas de publicidade. Era traçada
com pincel ou pena chata. Este tipo
de escritura surgiu em 100 a.C. e foi
muito popular até o
século V d.C. quando
perde prestígio como
letra manuscrita, mas
seu uso nos títulos
permaneceu ainda por
muitos séculos.
Acima e ao lado detalhes de uma
edição da Eneida, de Virgílio, do
século iv d.C
• Cursiva Romana
Por volta do ano 300 d.C. surge a
Cursiva Romana, foi o estilo de
escrita que se utilizou para cartas,
notas e trabalhos informais. Seu
nome provém da palavra latina
cursus, que signifca “corrida”.
Seus caracteres são mais
condensados e alongados, e têm
um certo exagero na proporção
das hastes para compensar a
perda de legibilidade causada
pela velocidade de escrita.
• Capitalis Quadrata
A Capitalis Quadrata é uma
versão tardia da Capitalis
Monumentalis (surgiu também
em ± 300 a.C.), chamada assim
porque suas proporções são mais
largas. Foi usada principalmente
para textos literários e religiosos,
pois não era fácil escrevê-las
rapidamente.
Hieroglifos
egípcios
Escrita Sinai
Antigo Semítico
Semítico do
Norte
Semítico do
Sul
Algumas escritas
da África
Algumas escritas
da Ásia Central
Fenício Aramaico
Arábico Escrita Indiana
Escrita das Ilhas
Sonda
Coreano Visigótico Etrusco
Maiúsculas
Romanas
Escritas Alpinas
Rúnico
Búlgaro Croata Cirílico
Glagolítico
Persa Grego
Escrita
Quadrada
Hebráica
ORGANOGRAMA DA ORIGEM DO ALFABETO
Extraído da SínteseHistórica do Livro, de BarbosaMelo
Escritas nacionais e
a produção de livros
na Idade Média
• A escrita Uncial
Aos poucos os antigos rolos de papiro
são substituidos pelos códices de
pergaminho (feitos com folhas dobradas
e encadernadas), além disso a pena de
ave, mais leve, substitui os instrumentos
de escrita feitos de junco.

A partir do século III d.C. começa a
desenvolver-se um novo estilo de escrita
maiúscula, denominada uncial, que foi
usada nos códices tanto pelos romanos,
quanto (e principalmente) pelos cristãos
primitivos.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• A escrita Uncial
Sua difusão se deu pelas mãos
de monges cristãos, e seu nome
vem do latim, uncialis, isto é,
polegada, que era a altura com
que essas letras eram grafadas.

Este estilo foi rapidamente
adoptado para a escrita e cópia de livros durante toda a Idade
Média, tornando-se a escrita própria dos textos cristãos, em
oposição aos caracteres romanos dos textos pagãos.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• A escrita Uncial
É uma escritura em maiúsculas, mas
já se pode antever o surgimento das
minúsculas. É um alfabeto de uma só
altura, mas alguns traços ascendentes
e descendentes começam a
sobressair. Característica marcante
deste alfabeto são suas letras largas e
redondas.

A partir dela, especialmente na Grã-
Bretanha e Irlanda, se desenvolveram
belíssimos estilos de escrita
conhecidos como meias-unciais.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• Do volumen ao códice
Finalizando a Antiguidade, entre os
séculos II e III os volumina foram
substituídos pelos códices. O livro
já não era um rolo contínuo, mas
um conjunto de folhas costuradas
entre si que deram ao livro o aspecto
retangular que conhecemos hoje.
O códice era muito mais manuseável, podia ser colocado sobre
uma mesa facilitando, desta forma, que o leitor pudesse tomar
notas ou escrever enquanto lia.
• Do volumen ao códice
Com o códice apareceu uma nova
técnica ligada à arte do livro: a
encadernação, reunião de vários
cadernos, mediante costura, para formar
um volume dotado de capas protetoras,
geralmente de um material mais forte.
O códice não trouxe uma mudança nas letras, mas impulsionou
o uso de colunas mais largas, com mais letras, até chegar ao uso
de uma só coluna. As páginas eram numeradas previamente. O
códice de pergaminho ou vitela durou um longo milênio, uma vez
que se adaptava muito bem às características da cultura medieval,
escassamente criadora.
• Do volumen ao códice
O formato dos códices foi melhorando,
com a separação das palavras, as
maiúsculas e a pontuação, coisas que
permitiam uma leitura silenciosa.
Depois se acrescentaram os sumários e
índices, que facilitaram o acesso direto
à informação buscada. Esse foi um
formato tão efcaz que é usado ainda
hoje, depois de mais de 1500 anos de seu
aparecimento.
• A escrita Carolíngia
Durante vários séculos, toda a
Europa viu surgir um sem número
de estilos unciais manuscritos, até
que por volta do ano 800 d. C.,
o imperador Carlos Magno
(742-814) instituiu um extenso
programa de educação e cultura
no intuito de unifcar a Europa
Central e recuperar a aura e a
grandeza do Império Romano.
O mestre Alcuin de York foi então
encarregue de orientar a criação e
implementação de um novo estilo
de escrita.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• A escrita Carolíngia
As letras foram modeladas para formar
um alfabeto uniforme e ordenado,
hoje conhecido como minúscula
carolíngia. Mas, além da reformulação
das letras, também foram reformulados
os sinais de pontuação, a estrutura de
frases e parágrafos com a utilização
de maiúsculas (que não eram mais do
que as mesmas letras desenhadas em
tamanho maior) e capitulares, além do
espaçamento e separação das palavras.
Isto tornou essa escrita mais consistente
para a leitura.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• Os livros dos copistas
O scriptorium era o lugar do trabalho
dos monges copistas: os livros eram
copiados, decorados, encadernados e
conservados.

O trabalho do copista tinha muitas
conseqüências. Por exemplo, graças ao
seu trabalho as obras circulavam de um monastério a outro; as cópias
permitiam que os monges entendessem as obras e aperfeiçoassem
seu aprendizado religioso. Era um trabalho laborioso: ao mesmo
tempo em que se lia um livro, se fazia uma escrita apropriada para
o serviço de Deus. Além de fazer cópias de seus próprios livros, os
monges também faziam cópias por encomenda.
• Os livros dos copistas
Uma cópia tinha diferentes fases: preparação
do manuscrito em forma de cadernos que eram
unidos quando o trabalho estava terminado,
cópia, revisão e correção de erros, decoração
e encadernação. A confecção de um livro
requeria, portanto, diferentes artesãos que
convertiam um manuscrito, por esse método,
em uma obra coletiva.
• A escrita Gótica ou Letra Negra
A escrita carolíngia permaneceu como
a forma de escrita dominante na Europa
até cerca do século XII a.C. Por essa
época iniciou-se uma vaga de estilos
nacionalistas. Na região onde hoje é
a Alemanha, na França e na Inglaterra
começa a aparecer um tipo de escrita
mais condensada e quebrada, que
produzia páginas de texto bastante
densas. A esse tipo de escritura , com
ascendentes e descendentes curtos, se
denominou Textura.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• A escrita Gótica ou Letra Negra
Nela se eliminaram as curvas, poupando
espaço e tempo, mas difcultava a leitura,
pos isso a maioria dos livros desse período
era diagramado em duas colunas, já que
por serem mais estreitas ajudavam a
legibilidade.

Na Itália, Espanha e no
sul da França, preferiram
utilizar uma versão
menos condensada, e
não tão densa, a que
chamaram de Rotunda.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
• Um novo suporte: o papel
Durante o decorrer
do século XII, o
papel foi introduzido
pelos árabes na
Europa. Por ser muito
mais fácil de produzir
que o pergaminho,
sua introdução
gerou um grande
desenvolvimento das
atividades ligadas
à produção de textos, também proporcionando maior facilidade
para a difusão da escrita manual.
• A escrita humanística
Desenvolveu-se na Itália, no
século XV d.C., durante o
período renascentista. Baseado
no antigo alfabeto romano,
com certas características da
minúscula carolíngia.

Foi o tipo de escrita precursora
da imprensa, substituindo os
tipos de imprensa das letras
góticas. A princípio se utilizavam
iniciais romanas (retas) para
iniciar as frases e para o resto
utilizavam letras inclinadas.
CRONOLOGIA E EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS DE ESCRITA
La Operina da Imparare di scrivere
littera Cancellarescha, 1522, de
Ludovico Vicentino degli Arrigh
Os livros do
Renascimento e o
surgimento da
Imprensa
• Produção “seriada” de livros
O início da produção “seriada”
de textos no Ocidente foi
totalmente manuscrita,
geralmente executada nos
mosteiros, nos quais monges
copistas reproduziam os textos
quando solicitados por outros
mosteiros, por príncipes ou
imperadores. Além disso
trabalhavam nas iluminuras
dos manuscritos. Posteriormente foram desenvolvidas técnicas de
gravação artística que permitiram a reprodução de um maior de
exemplares, mas nada muito grande.
PRIMEIROS SISTEMAS DE IMPRESSÃO
• Primeiros técnicas de gravura
Antes da invenção dos sistemas de impressão, as técnicas de
gravura conhecidas na Europa eram basicamente a Xilogravura
(com matrizes de madeira) e a calcografa (com matrizes
metálicas).
Ao lado, xilogravuras do século XVI ilustrando a produção da
xilogravura.
No primeiro: ele esboça a gravura. Segundo: ele usa um buril
para cavar o bloco de madeira que receberá a tinta.
PRIMEIROS SISTEMAS DE IMPRESSÃO
• A Biblia Pauperum, Holanda, 1465
• A grande invenção de Guttenberg
Por volta de 1450, um xilogravador e ourives
chamado Johanes Gensfeisch von Guttenberg,
ao gravar uma matriz para xilogravura, se
equivoca e troca uma letra por outra. Para
consertar o erro, abre um pequeno buraco na
matriz e o preenche com um pedaço de madeira
para preparar uma nova base para gravar
corretamente a letra desejada.

Observando um dos seus trabalhos com esse tipo de correção, lhe
vem a ideia de separar cada letra em um pequeno bloco de madeira e
também pequenos blocos, um pouco mais baixos, para colocar entre
as palavras. A essa sua invenção chamou de tipos móveis.
O SURGIMENTO DA IMPRENSA
• A grande invenção de Guttenberg
Posteriormente ele aperfeiçoa a
técnica fundindo os tipos em uma
liga de chumbo e outros metais,
o que aumentou a durabilidade
e a qualidade gráfca. Mas não
é a invenção dos tipos móveis
que caracteriza Guttemberg
como o pai da imprensa. Mais de 700 anos antes os chineses já
utilizavam tipos móveis de cerâmica e ao mesmo tempo em que
Guttemberg, outros impressores europeus também tiveram a
mesma ideia. O grande mérito de Guttemberg foi a criação de
todo um sistema funcional de produção de impressos.
O SURGIMENTO DA IMPRENSA
A GRANDE INVENÇÃO DE GUTTENBERG
A GRANDE INVENÇÃO DE GUTTENBERG
A máquina que se utiliza para transferir
a tinta da matriz de impressão ao papel
é denominada prensa. As primeiras
prensas para impressão eram de torno,
projetadas para transmitir pressão da
matriz, colocada sobre uma superfície
plana, sobre o papel.
A GRANDE INVENÇÃO DE GUTTENBERG
• A Bíblia de 42 linhas
• Expansão da tipografa
No período compreendido entre 1450 e
1500 se imprimiram mais de 6000 obras
diferentes. O número de impressores
aumentou rapidamente nestes anos. Na
Itália, por exemplo, a primeira impressora
foi fundada em 1469, em Veneza, e
em 1500 a cidade contava já com 417
impressoras; em 1476 se imprimiu
uma gramática grega, com tipografa
totalmente grega, em Milão; em 1488,
na cidade de Soncino se imprimiu uma
bíblia hebraica. Em 1476, Willian Caxton
levou a imprensa para a Inglaterra.
A GRANDE INVENÇÃO DE GUTTENBERG
• Expansão da tipografa
Os impressores do norte da Europa
fabricavam, sobretudo, livros religiosos,
como Bíblias, saltérios e missais. Os
italianos, por outro lado, imprimiam
sobretudo livros profanos, como os
clássicos gregos e romanos, as histórias
dos escritores leigos italianos e obras
científcas de eruditos renascentistas.
Uma das primeiras aplicações
importantes da imprensa foi a publicação de panfetos: com
as lutas políticas e religiosas dos séc. XVI e XVII, os panfetos
circularam profusamente.
A GRANDE INVENÇÃO DE GUTTENBERG
• O legado dos impressores renascentistas
Os impressores renascentistas italianos
do estabeleceram algumas tradições
que sobreviveram até hoje. Entre
elas se encontram, por exemplo, a
tradição do uso de caracteres romanos
e itálicos, regras de composição,
e as capas de cartão fno, amiúde
forradas de couro. Estabeleceram
também os distintos tamanhos dos
livros: in-folio, in-quarto, in-oitavo,
etc., denominações que se referem
à quantidade de páginas obtidas
dobrando a folha de papel impressa.
O LIVRO NO RENASCIMENTO
Pintura representando uma oficina de impressão de livros
• O legado dos impressores renascentistas
Os livros renascentistas estabeleceram
também a tradição da página de
título (folha de rosto) e do prólogo
ou introdução. Gradualmente se
acrescentaram a essas páginas as do
índice de conteúdos (sumário), lista de
ilustrações, notas, bibliografas e índice
de nomes citados (índice onomástico).
O LIVRO NO RENASCIMENTO
Quatro folhas de rosto nas quais aparece
o nome de Claude Garamond
• Os incunábulos
São chamados de incunábulos os primeiros
livros impressos com tipos móveis. O
termo faz referência ao tempo em que os
livros estavam no berço (cuna, em latim)
da nova técnica. Assim, são incunábulos
os livros impressos entre 1453 e 1500.
Estes, a princípio, não tinham capas, seus
caracteres eram inicialmente góticos e as
palavras apresentavam muitas abreviaturas
imitando os códices. Mas no mesmo
século começou-se a adotar outros tipos
de letras, especialmente a redonda ou
romana e a veneciana ou itálica.
El sinodal de Aquilafuente,
primeiro livro impresso na Espanha em 1452.
• Espelho da vida humana, 1491
Impresso por Pablo Urus em Saragoça,
foi composto em letras góticas e
contém numerosas ilustrações,
capitulares e orlas. Nessa época ainda
não se havia sido inventado o conceito
de capa como conhecemos hoje (com
título, nome do autor, etc), nem o de
folha de rosto. Em conjunto, trata-se de
um livro de grande beleza, no qual as
letras góticas conferem peso às colunas,
que tem, assim, uma aparência quase
arquitetônica.
• Espelho da vida humana, 1491
Comparando-o com os manuscritos do
período, percebemos que os critérios
editoriais próprios dos livros impresssos
ainda lutam por aforar diante dos
velhos usos dos manuscritos.
• Hypnerotomachia Poliphili
Em 1499, Aldo Manunzio edita a
Hypnerotomachia Poliphili, ou O
combate de sonhos de Poliflio, um
dos marcos renascentistas do design
de livros. O inteligente uso de áreas de
textos que adotam formas geométricas
não retangulares se inscreve dentro
do clima experimental do novo
invento, numa tentativa radical de
separar defnitivamente a estética do
livro impresso da do manuscrito, cuja
hierarquia formal ainda predominava na
maioria das edições.
• Hypnerotomachia Poliphili
A Revolução
Industrial, a evolução
da tipografa e o
surgimento de novas
técnicas
• A evolução da tipografa
A evolução das técnicas de impressão deram
entrada ao livro na Era Industrial. Ele já não era
mais um objeto único, escrito e reproduzido
de acordo com a encomenda. A edição de
um livro requer, agora, toda uma empresa,
capital para sua realização e um mercado para
sua difusão. Por conseguinte, o custo de cada
exemplar diminui consideravelmente, o que,
por sua vez, aumenta consideravelmente sua
expansão.
Por volta de 1800 apareceram as prensas de
ferro, e começou-se a substituir os tornos
por alavancas para descer a platina.
Na prensa de ferro
de Stanhope, de 1800,
um sistema de alavancas
aumentava consideravelmente
a força. Imprimiam-se, portanto,
mais folhas e a qualidade de
reprodução foi enriquecida pela
uniformidade da pressão na tiragem .
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
• A evolução da tipografa
Durante o séc. XIX, as
melhorias incluem o
desenvolvimento da
prensa de cilindro, que
utiliza um rolo giratório
para prensar o papel sobre
uma superfície plana; a
rotativa, na qual tanto o
papel quanto a matriz são
colocados em cilindros e a
prensa dupla, que imprime
em ambos os lados do
papel simultaneamente.
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
• A evolução da tipografa
A introdução da
prensa a vapor, pouco
depois de 1820,
assim como os novos
moinhos de papel
também funcionando
a vapor, constituiram
as inovações mais
importantes depois do século XV. Ambas fzeram baixar
consideravelmente o preço dos livros ao mesmo tempo em que
aumentavam a sua tiragem. Muitos elementos bibliográfcos, como
a posição e formulação dos títulos e dos subtítulos também foram
afetados pela nova produção em série.
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
• O surgimento da Litografa
Por volta de 1830 começa a se
popularizar outro processo de
impressão, a Litografa, criada
quarenta anos antes. Esse processo
se baseava na repulsão entre água
e gordura e permitia produzir
peças coloridas de alta qualidade
artística. A litografa foi inventada
em 1798 por Aloysius Senefelder,
quando ele procurava uma maneira
de fazer a impressão de seus textos
e partituras e se deparava com o
desinteresse dos editores.
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
• O surgimento da Litografa
As pessoas usavam essa técnica para criar
artes coloridas para livros, bem como para
coisas mais corriqueiras como etiquetas,
panfetos e pôsteres. A popularidade da
litografa surgiu entre os artistas porque foi
o primeiro meio de impressão a permitir
que o artista “pintasse” ou “desenhasse”
naturalmente em uma pedra plana para
criar uma imagem.
Rêverie — 1897 Litografia — ALPHONSE MUCHA
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
El famoso americano
Mariano Ceballos,
litografia da série “Los
toros de Burdeos”,
Francisco de Goya,
1824–1825.
Bravo Toro, litografia
da série “Los toros de
Burdeos”, Francisco
de Goya, 1824–1825.
Diversión en España,
litografia da série “Los
toros de Burdeos”,
Francisco de Goya,
1824–1825.
Plaza partida,
litografia da série “Los
toros de Burdeos”,
Francisco de Goya,
1824–1825.
• O máquina de Linotipo
Mas a tipografa permaneceria ainda até
meados do século XX como a principal
tecnologia industrial para a edição de
livros e outros materiais impressos. Um
grande incremento para a velocidade e
qualidade da tipografa foi a invenção da
máquina de linotipo, um equipamento
que produzia linhas inteiras de textos com
tipos de metal reaproveitáveis.

Máquina de linotipo.
A primeira máquina de linotipo foi utilizada
industrialmente pela Tribuna de Nova York em 1886.
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
• O máquina de Linotipo
À medida que o operador “digitava”
o texto, as matrizes de bronze
(entre 6 a 12 pontos) eram reunidas
no componedor, no qual formavam
uma linha menor do que a que
seria impressa. A seguir o operador
ajustava o espaço entre as palavras
para justifcar as linhas, produzindo
assim a matriz que seria pressionada
à um lingote de chumbo fundido
que era então depositado no
magazine, para depois ser levado à
prensa tipográfca.
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
• O surgimento da impressão off-set
Na segunda metade do XIX os impressores de litogravuras começam
a substituir as pesadas pedras por chapas de zinco. Isso abre
espaço para a possibilidade e a matriz ser moldada em um rolo que
pressionado por outro rolo transfere a imagem para o papel. No
começo do século XX, Rubel, um impressor de Nova Jersey, descobriu
acidentalmente que quando a matriz imprimia a imagem sobre uma
superfície de borracha (caucho) e o papel entrava em contato com
esta, a imagem que o caucho reproduzia no papel era muito melhor
do que a que a matriz produzia diretamente. A razão desta melhora
é que o caucho, por ser elástico, se adapta melhor ao papel que as
matrizes de outros tipos, e transmite a tinta de forma mais homogênea.
Esse processo também tinha a vantagem de transferir menos umidade
para o papel. Esta foi a origem da impressão off-set.
A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
• A impressora off-set de Ira W. Rubel
Séculos XX e XXI
Com a ajuda da fotolitogravura descoberta em meados do século
XIX e a produção industrial de máquinas de retícula cristal a partir
de 1890, aliada à evolução
das técnicas fotográfcas, o
“acidente” de Rubel começou a
se tornar um processo cada vez
mais utilizado a partir da década
de 20.
Acima uma máquina fotomecânica de 1910, medindo entre 3 e 4
metros. Abaixo uma máquina fotomecânica de 1970
SÉCULOS XX E XXI
• O avanço da impressão off-set
As páginas já não eram montadas
com tipos de metal e clichês de
chumbo, os originais passaram
a ser montados em papel, no
qual eram coladas as colunas de
texto, os títulos eram desenhados
e as imagens, já reticuladas
eram posicionadas. Esta matriz
era então transferida para uma
película fotossensível por meio de uma grande máquina fotográfca,
as conhecidas fotomecânicas. A imagem desta película era gravada na
chapa de impressão. A maior difculdade para o uso desse processo
ainda era conseguir que os textos tivessem grande nitidez e qualidade.
SÉCULOS XX E XXI
• A fotocomposição
No fnal dos anos 60 começaram a surgir
as fotocompositoras. Os “tipos” vasados
eram dispostos em rodas metálicas de 12
polegadas. Cada roda possuía uma fonte,
um corpo e um determinado peso. A
roda com o tipo desejado era montada na
máquina e girada até que o caractere
se alinhasse com a lente do aparelho.
Acionava-se uma chave e a luz
atravessava o caractere incidindo sobre
um papel fotossensível.
SÉCULOS XX E XXI
SÉCULOS XX E XXI
• A revolução da Composer
A máquina de escrever IBM Selectric, depois conhecida como
Composer, lançada nos fnais da década anterior, revoluciona a
indústria gráfca.
• A revolução da Composer
A Selectric podia trabalhar com vários
tipos, cambiáveis por intermédio da
substituição das “esferas de tipos”.
A velocidade da composição dos
textos na composer, aliada às câmeras
fotomecânicas revolucionaram a
indústria gráfca e, consequentemente,
os jornais. A sua limitação era o
tamanho das fontes, geralmente
entre 10 e 14 pontos. Os títulos ainda
deviam ser desenhados ou produzidos
utilizando as películas de Letraset ou o
pantógrafo.
SÉCULOS XX E XXI
• Anos 1980
É a década do computador pessoal. Em 1981 é lançada a
fotocompositora Varityper, que funcionava por meio de gravação em
disquetes magnéticos. O que mais tarde seria conhecido como DtP,
surgiu por volta de 1983, quando as empresas Xyvision, EPICS e Texet
lançaram dois computadores dedicados, e introduziram o conceito de
“automatic page composition”.
Esse sistemas possuíam a
capacidade de compor textos
de forma digital e o operador
via na tela o resultado do
seu trabalho. E tudo isso pela
bagatela de 300 mil dólares ou
mais!
SÉCULOS XX E XXI
• O surgimento do Desktop Publishing
Em 1983, a Canon japonesa desenvolve a tecnologia a laser que
permite a construção de impressoras que utilizam o mesmo pó
das fotocopiadoras Xerox. Com essa tecnologia a HP lança, em
1984, a primeira impressora laser desktop do mundo.
SÉCULOS XX E XXI
• O surgimento do Desktop Publishing
Quase ao mesmo tempo em que a HP lançava a sua Laserjet ao
formidável preço de cerca de 8 mil dólares, a, quase desconhecida
na época, Adobe Systems anunciava ter desenvolvido uma
linguagem de programação que permitia reproduzir no papel
imagens quase sem serrilhas, o PostScript. Com essa linguagem
de programação a qualidade da impressão passa a depender
muito mais da impressora do que da capacidade do computador.
A HP aposta na invenção da Adobe e lança a HP LaserJet II,
o que ofereceu ao mercado uma maquina que poderia fazer
“fotocomposição a seco e de alta qualidade de impressão”.
SÉCULOS XX E XXI
• O surgimento do Desktop Publishing
Em 1984 a Apple lança o seu
Macintosh LE que tinha algo
que nenhuma empresa de
microinformática possuía,
uma interface gráfca. Jobs
e Wozniak adicionaram ao
Macintosh um “mouse”, um
monitor gráfco, uma caixa de
design cool e um bom sistema
operacional que, aliados à
interface gráfca causaram
sensação no mundo da
informática. Mas faltava uma coisa: bons softwares.
SÉCULOS XX E XXI
• O surgimento do Desktop Publishing
Também em 1984, Paul
Brainerd, um jornalista de
profssão que trabalhava na
EPICS, juntou algum dinheiro
e quatro amigos e fundou a
Aldus Corporation, com o
objetivo de criar um programa
de composição digital que
rodasse em PCs. No entanto,
na COMDEX daquele ano ele
conheceu o Mac e se apaixonou. Percebeu que a interface gráfca
do Apple seria ideal para o programa que a sua Aldus estava
desenvolvendo: o Aldus Pagemaker, lançado em 1985.
SÉCULOS XX E XXI
BIBLIOGRAFIA
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CLAIR, Kate; BUSIC-SNYDER, Cíntia. Manual de Tipografa: a história, a técnica e a arte. Tradução de Joaquim
da Fonseca. 2.ª Ed. Porto Alegre: Bookman, 2009.
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www.tipografos.net
www.unostiposduros.com