Desde Gregório de Mattos, as letras nordestinas exibem uma extraordinário vigor.

A
região também consagrou um fenômeno cultural, o cordel, e, com os romances de Jorge
Amado, tornou uma face da identidade brasileira reconecida mundo afora.
!e, como acreditava "aroldo de #am$os, a literatura brasileira não teve inf%ncia, &uer
di'er,(á )nasceu* madura, ex$ressando+se na linguagem mais elaborada do século ,-..
/ o barroco +, isso se deve a um escritor nordestino, o $oeta baiano Gregório de Mattos
01232+425.
6acarel $ela 7niversidade de #oimbra, dono de sólida cultura, Gregório con&uistou
notoriedade gra8as a uma $oesia sat9rica im$lacável, voltada contra os $oderosos, o &ue
le valeu a alcuna de )6oca do .nferno*.
!ua obra, entretanto, não se resumiu a des&ualificar religiosos e $ol9ticos / o &ue le
im$rime sur$reendente atualidade. Gregório $rodu'iu também versos l9ricos e sacros.
A contribui8ão do )6oca do .nferno* seria a$enas a $rimeira de uma série &ue o
:ordeste daria ; istória literária nacional / mesmo &uando se considera, como a&ui,
somente uma sele8ão de $oetas e ficcionistas.
7ma contribui8ão &ue está longe de se restringir aos autores &ue surgiram a $artir do
regionalismo modernista+ como o baiano Jorge Amado 0141<+<===5, o alagoano
Graciliano >amos 01?4<+14@35 e a cearense >acel de Aueiro' 0141=+<==35 , $ara
ficarmos no trio mais célebre.
B romantismo marcou uma $resen8a notável dos escritores nordestinos. B maranense
Gon8alves Dias 01?<3+2C5+ inaugurando uma tradi8ão de for8a do estado nas letras
nacionais / e o baiano #astro Alves 01?CD+D15 se tornaram $raticamente sinônimos de
$oesia no $a9s.
Butro maranense, Joa&uim de !ousa Andrade 01?33+14=<5, o !ous%ndrade, como
$referia ser camado / di'+se, $ara ter no nome o mesmo nEmero de letras de
!aFes$eare +, é um caso rar9ssimo.
#om o $oema B Guesa 01?2D+??5, ele $ôs a literatura brasileira na vanguarda do
continente. :a obra, !ous%ndrade retoma uma lenda &u9cua, &ue trata do sacrif9cio de
um (ovem ao deus !ol.
.magina, então, o $ersonagem esca$ando dos sacerdotes e indo refugiar+se em Gall
!treet.
Do Maranão também era o (ornalista e $ol9tico Manuel Bdorico Mendes 01D44+1?2C5 ,
&ue se im$ôs e venceu / o desafio de tradu'ir "omero e -irg9lio.
#omo um contra$onto a essa erudi8ão, vale lembrar &ue foi ainda na $rimeira metade
do Bitocentos &ue a $oesia $o$ular nordestina come8ou a tomar cor$o, até se consagrar
no formidável fenômeno cultural &ue é a literatura de cordel.
:ascido com as $rimeiras ti$ografias $articulares instaladas no 6rasil e consolidado a
$artir da década de 143=, o cordel firmaria $oetas como os cearenses Aderaldo Herreira
de Arau(o, o #ego Aderaldo 01?D?+142D5, e Antonio Gon8alves !ilva, o Iatativa do
Assaré 014=4+<==<5.
:a fic8ão rom%ntica $raticada no :ordeste, o nome do cearense José de Alencar 01?<4+
DD5 se im$Je.
#omo $oucos autores, Alencar tina um )$ro(eto literário* sistemati'ado, &ue inclu9a a
elabora8ão de uma )l9ngua brasileira* e o levou a escrever romances de temática
variadaK indianistas, regionais, urbanos, istóricos etc.
Alguns são de referLncia obrigatória / entre eles, B Guarani 01?@D5, Muc9ola 01?2<5 e
.racema 01?2@5.
!eu conterr%neo Joa&uim HranFlin da !ilveira Návora 01?C<+??5 acreditava &ue era na
região de ambos &ue se $oderia for(ar uma )autLntica* literatura brasileira, algo &ue o
!ul estaria im$edido de fa'er em ra'ão da grande $resen8a de estrangeiros.
Om B cabeleira 01?D25 $retendeu fa'er um romance mais com$rometido corn os
cenários &ue descrevia.
A $reocu$a8ão com a fidelidade ao real, tratado de forma ob(etiva, seria, como se sabe,
o n1ote do realismo, vertente &ue enterrou o romantismo e consagrou o gLnio do carioca
Macado de Assis. Om sua face naturalista, a nova estética acentuava o determinismo
das )leis naturais*.
#om B Mulato 01??15 e $rinci$almente B corti8o 01?4=5, o maranense Alu9sio de
A'evedo iria se destacar como o maior romancista do naturalismo brasileiro, &ue
consagrou ainda entre os nordestinos o cearense Adolfo #amina 01?2D+4D5, autor de A
normalista 014435 e B bom crioulo 01?4@5.
Nambém cearenses eram os naturalistas de ins$ira8ão regional Domingos Bl9m$ia
01?@=+14=25, &ue escreveu Mu'ia+omem 014=35, e Manuel de Bliveira Iaiva 01?21+4<5,
de &uem $ostumamente foi $ublicado Dona Guidina do Io8o 014@<5.
:a $oesia &ue marca a&uele $er9odo, a $arnasiana, o maranense >aimundo #orreia
01?@4+14115 conseguiria um lugar de $roa.
Antes do modernismo camaria a aten8ão o $oeta $araibano Augusto dos An(os 01??C+
141C5, en&uanto o maranense Gra8a Arana 01?2?+14315, outro autor de $eso da&uela
fase, acabaria $assando $ara a istória $rinci$alntente devido ; sua $artici$a8ão na
!emana de <<.
:ão demoraria $ara ter inicio um $er9odo $articularnente bem sucedido da literatura
brasileira, no &ual a fic8ão regionalista, sobretudo a nordestina, alcan8aria um $atamar
de excelLncia.
B $onto de $artida $ara isso foi A bagaceira 014<?5, do $araibano José Américo de
Almeida 01??D+14?=5, seguido $or B &uin'e 0143=5, de >acel de Aueiro', Menino de
engeno 0143<5, do também $araibano José Mins do >ego 014=1+@D5 e #aetés 014335, de
Graciliano >amos.
Literatura de Cordel
A literatura de cordel é uma ex$ressão literária $o$ular caracter9stica do interior do
:ordeste, em es$ecial dos estados de Iernambuco, Iara9ba, >io Grande do :orte e
#eará. #aracteri'a+se essencialmente $or sua estrutura narrativa, a com$osi8ão em
versos, a im$ressão em $e&uenos foletos de $a$el (ornal ilustrados com xilogravuras, e
ob(etivo de ser declamada nas feiras $Eblicas. Osses foletos normalmente são ex$ostos
em cordas, $or isso a denomina8ão Pliteratura de cordelP. Q constru9da de acordo com
um vasto re$ertório de formas $oéticas fixas &ue delimitam a &uantidade de s9labas
$oéticas, de versos e a dis$osi8ão das rimas na estrofe.
As origens do cordel $odem ser tra8adas até as tradi8Jes medievais da literatura
euro$éia. As can8Jes de gesta, as narrativas istóricas, novelescas ou fantásticas, as
istórias b9blicas e os exem$lários 0contos usados $ara ilustrar tratados morais5 são
algumas das fontes &ue contribu9ram $ara o seu surgimento. B libreto euro$eu, tra'ido
$ara o 6rasil $elos $ortugueses, $ode ser a$ontado como uma es$écie de ancestral do
foleto de cordel. #ontudo, sua matri' não é exclusivamente euro$éia, as istórias
ibéricas foram trans$lantadas (á $ossuindo contribui8Jes orientais e africanas, e
receberam a&ui um novo influxo das culturas africanas e ind9genas, em es$ecial através
da influLncia do conto folclórico.
Bs $rimeiros foletos de cordel coletados no 6rasil datam de 1?4=, mas é &uase certo
&ue as manifesta8Jes do cordel (á se fa8am $resentes na metade do século ,.,. Meandro
Gomes de 6arros 01?2@ + 141?5 é reconecido como o $rimeiro cordelista de &ue se tem
not9cia. A forma8ão do $Eblico do cordel no :ordeste está ligada ao nascimento das
feiras de agricultores. A falta de um uso sistemático de meios de comunica8ão im$ressos
deu for8a a uma tradi8ão de comunica8ão oral, e durante muito tem$o foram os
cordelistas &ue forneceram informa8ão e divertimento $ara a $o$ula8ão do meio rural
nordestino.
As Eltimas décadas tLm $resenciado fortes mudan8as no $erfil do $Eblico da literatura
de cordel. B enfra&uecimento das feiras $o$ulares no interior do :ordeste e o
fortalecimento dos meios de comunica8ão de massa fi'eram com &ue a maior $arte do
$Eblico tradicional do cordel se dis$ersasse ou $erdesse o interesse $or ele. On&uanto
isso, a onda de estudos acadLmicos iniciada na década de 14D= des$ertou o interesse da
classe média $or essa literatura. A $ró$ria ex$ressão Pliteratura de cordelP, de origem
ibérica e &ue circulava &uase &ue exclusivamente nos c9rculos eruditos, só foi
$o$ulari'ada nessa é$oca, &uando os $ró$rios $rodutores da literatura de cordel
$assaram a usá+la em lugar de PfoletosP, &ue é como eles tradicionalmente se referiam
a ela.