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Elemento 1.

A figura pode ser analisada a partir do pensamento de Freud, quando este diz que o ego deseja
e cria a neurose, pois há um ganho proveniente da doença. O ego tolera a neurose, e na
medida em que a neurose traz vantagens o ego aceita-a. Porém a neurose não traz apenas
vantagens. O ego, ao aceitar a neurose e aliviar o conflito e os sofrimentos ligados ao sintoma,
que são um substituto equivalente aos tormentos do conflito, aumenta a sensação de
desprazer. Logo, podemos entender que A inércia que me tira o sossego acaba onde começa
o caos que me acalma – consiste em que não se pode libertar-se do desprazer causado pelos
sintomas, pois isto implica em desistir do ganho que lhe dá a doença . Sujeitos que mais
apresentam lamentações e queixas acerca de sua doença são os que mais apresentam
resistências. Tudo aquilo que contribui para o ganho proveniente da doença haverá de
intensificar a resistência aumentando as dificuldades no processo de tratamento. Na tirinha
apresentada na imagem, a inércia se apresenta como uma grande castradora, e este momento
de “paz”, representado pelo cata-vento, acaba por se transformar em uma angustia por não vir
a ser. No entanto o caos, que impulsiona o sujeito para a vida, e para o movimento,
representado pelo furacão, acaba por trazer prazer. O gozo consiste em manter o sujeito
próximo daquilo que mais lhe desconcerta, daquilo que o faz sofrer.

Elemento 2.
As neuroses traumáticas dão uma indicação precisa de que em sua raiz se situa uma fixação no
momento do acidente traumático. Esses pacientes repetem com regularidade a situação
traumática, em seus sonhos, onde ocorrem ataques histerioformes – completa transportação
do paciente para a situação traumática. É como se esses pacientes não tivessem findado com a
situação traumática, como se ainda estivessem enfrentando-a como tarefa imediata ainda não
executada. Desta forma, essa revivência do momento do trauma aporta à mente um
acréscimo de estímulo excessivamente poderoso para ser manejado ou elaborado de maneira
normal, o que resulta em perturbações permanentes. Logo a neurose traumática aparece em
virtude da incapacidade de lidar com uma experiência cujo tom afetivo é excessivamente
intenso. Freud descreve que neste momento (texto a fixação em traumas), a psicanálise ainda
não consegue investigar e tratar as neuroses traumáticas, sem conseguir harmonizá-las com o
ponto de vista de sua teoria. A nota de rodapé evidencia que mais tarde (1919), Freud
conseguiu elucidar melhor as neuroses traumáticas.
A reportagem trazida pelo site Terra, mostra a luta de crianças atingidas pelo tsunami para
superar o trauma psicológico. É necessário entender como se deu a elaboração do luto nestas
crianças e que houve uma fixação no momento do acidente, uma vez que diante de qualquer
fenômeno da natureza (chuva, vento forte) as crianças apresentam um quadro grande de
inquietação. Este fato também evidencia que as crianças vivem como se ainda estivessem
enfrentando o momento traumático. De acordo com Freud, a recuperação destas crianças não
ocorrerá enquanto a repetição dos perigos, cuja ameaça foi a causa do trauma, ainda pareça
possível, ou enquanto não tenham recebido compensação pelo perigo que foi suportado.













Os sintomas só são sintomas porque forçam o caminho até a consciência. De acordo com
Freud, as ideias obsessivas e os impulsos obsessivos não são totalmente inconscientes, pois
para que possam realizar-se, estes atos ou ideias necessitam passar a consciência . O sentido
do sintoma é inconsciente, existindo uma relação inseparável entre este fato e a possibilidade
de sua existência. É necessário que o sentido do sintoma seja inconsciente para que desta
forma possa surgir, jamais se constrói sintomas a partir de processos conscientes, quando os
processos inconscientes se tornam conscientes o sintoma tende a desaparecer. A construção
de um sintoma é o substituto de alguma outra coisa que não aconteceu. É a partir de
processos interrompidos, que de alguma forma foram impelidos a permanecer inconscientes
que o sintoma emergiu. Uma parte da personalidade defende a causa de determinado desejo,
enquanto outra parte se opõe a eles e os rechaça. O conflito surge pela frustração, em
consequência da qual, a libido, impedida de encontrar satisfação, é forçada a procurar outros
objetos e outros caminhos. A precondição necessária do conflito é que esses outros caminhos
e objetos suscitem desaprovação em uma parte da personalidade, de forma que se impõe um
veto que impossibilita o novo método de satisfação, tal como se apresenta. A partir desse
ponto, a formação dos sintomas prossegue seu curso. Para uma frustração externa tornar-se
patogênica, é preciso acrescentar-lhe uma frustração interna. As frustrações externas e
internas referem-se a diferentes vias e objetos. A frustração externa remove uma possibilidade
de satisfação e a frustração interna procura excluir uma outra possibilidade, pois os
impedimentos internos surgem de obstáculos externos reais presentes na cultura (incesto,
proibições, leis , ordens, religião, tabus).
As amnésias dos pacientes neuróticos possuem grande conexão com a origem de seus
sintomas.
Neurose traumática.
As neuroses traumáticas dão uma indicação precisa de que em sua raiz se situa uma fixação no
momento do acidente traumático. Esses pacientes repetem com regularidade a situação
traumática, em seus sonhos, onde ocorrem ataques histerioformes – completa transportação
do paciente para a situação traumática. É como se esses pacientes não tivessem findado com a
situação traumática, como se ainda estivessem enfrentando-a como tarefa imediata ainda não
executada. Desta forma, essa revivência do momento do trauma aporta à mente um
acréscimo de estímulo excessivamente poderoso para ser manejado ou elaborado de maneira
normal, o que resulta em perturbações permanentes. Logo a neurose traumática aparece em
virtude da incapacidade de lidar com uma experiência cujo tom afetivo é excessivamente
intenso.


Com identidade e imagem despedaçadas, o sujeito sente-se ameaçado, arremessado de volta
ao desamparo, donde advém a angústia, frente a qual uma análise se apresenta como uma
possibilidade de alívio desse sentimento mortífero pelo recurso da fala. O tempo de
desmobilização psicológica de militares egressos de uma zona de combate é um tempo
singular para o sujeito. Não se sabe exatamente as possíveis repercussões no psiquismo dos
que viveram o horror e a ameaça de morte de perto.


FREUD, S. (1897/1989) Rascunho N. v.1. In: ESB. Rio de Janeiro: Imago, 2ª Ed.
_______ (1898/1989) A sexualidade na etiologia das neuroses. v.3. In: ESB. Rio de Janeiro:
Imago,
2ª Ed.
_______ (1900/1989) A interpretação dos sonhos. v.4. In: ESB. Rio de Janeiro: Imago, 2ª Ed.
_______ (1901/1989) Psicopatologia da vida cotidiana. v.6. In: ESB. Rio de Janeiro: Imago, 2ª
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_______ (1905/1989) Três ensaios sobre a sexualidade. v.7. In: ESB. Rio de Janeiro: Imago, 2ª
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_______ (1908/1989) Moral sexual civilizada e doença nervosa moderna. v.9. In: ESB. Rio de
Janeiro: Imago, 2ª Ed.
_______ (1910/1989) A concepção psicanalítica da perturbação psicogênica da visão. v.11. In:
ESB. Rio de Janeiro: Imago, 2ª Ed.
_______ (1911/1989) Formulações sobre os dois princípios do funcionamento psíquico. v.12.
In:
ESB. Rio de Janeiro: Imago, 2ª Ed.
_______ (1914/1989) Sobre o narcisismo: uma introdução. v.14 . In: ESB. Rio de Janeiro:
Imago,
2ª Ed.
_______ (1915/1989) As pulsões e suas vicissitudes. v.14. In: ESB. Rio de Janeiro: Imago, 2ª Ed.
_______ (1915/1989) Reflexões sobre os tempos de guerra e morte. v.14. In: ESB. Rio de
Janeiro:
Imago, 2ª Ed.
_______ (1916/1989) Conferência IX: a censura dos sonhos. v.15. In: ESB. Rio de Janeiro:
Imago,
2ª Ed.
_______ (1917/1989). Conferência XVII: fixação em traumas – o inconsciente. v.16. In: ESB. Rio
de Janeiro: Imago, 2ª Ed.
_______ (1917/1989). Conferência XXI: o desenvolvimento da libido e as organizações sexuais.
v.16. In: ESB. Rio de Janeiro: Imago, 2ª Ed.