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O Terrível Estado Dos

Não-Convertidos
“Então, o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou precipitadamente e, trêmulo,
prostrou-se diante de Paulo e Silas. Depois, trazendo-os para fora, disse:
Senhores, que devo fazer para que seja salvo?”
– Atos 16:29,30 –




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Algumas Citações deste Sermão

“O horror de sua depravação evidencia-se pelo fato de serem tão insensivelmente cegos e
ignorantes. Deus deu ao homem a faculdade da razão e do entendimento, que é uma nobre
faculdade. Por ela, ele se diferencia de todas as outras criaturas inferiores. É exaltado em sua
natureza acima delas, e é, neste aspecto, semelhante aos anjos, capacitado a conhecer a Deus, e
conhecer as coisas eternas e espirituais. Deus lhe deu entendimento para este fim, para que O
pudesse conhecer, e conhecer as coisas celestiais, e o fez capaz de compreendê-las como
quaisquer outras. Mas o homem degradou a si mesmo, e perdeu sua glória neste respeito.
Tornou-se ignorante da excelência de Deus à maneira das próprias feras. Seu entendimento está
cheio de obscuridade; sua mente está cega; está completamente cego para as coisas espirituais.
Os homens são ignorantes de Deus, e ignorantes de Cristo, ignorantes do caminho da salvação,
ignorantes de sua própria felicidade, cegos em meio a mais brilhante e clara luz, ignorantes sob
todas as formas de instrução. Rm 3:17: “Desconheceram o caminho da paz”. Is 27:11: “Não é
povo de entendimento”. Jr:4:22: “O meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios e
não inteligentes”. Sl 95:10, 11: “É povo de coração transviado, não conhece os meus caminhos.
Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso”:1 Co 15:34: ‘Alguns ainda não têm
conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa’.”

“Há um espírito de ateísmo prevalecendo nos corações dos homens; uma estranha disposição
para duvidar da própria existência de Deus, e do outro mundo, e de qualquer coisa que não possa
ser vista com os olhos físicos. Sl 14.1: “Diz o insensato no seu coração, não há Deus”. Não
percebem que Deus os vê, quando pecam, e os chamará a prestar contas por isso. E, portanto, se
podem esconder os pecados dos olhos dos homens, não se preocupam, e são ousados em
cometê-los. Sl 94:7-9: “E dizem: O SENHOR não o verá; nem para isso atentará o Deus de Jacó.
Atendei, ó brutais dentre o povo; e vós, loucos, quando sereis sábios? Aquele que fez o ouvido,
não ouvirá? E o que formou o olho, não verá? [ARC]” Sl 73:11: “E diz: Como sabe Deus? Acaso,
há conhecimento no Altíssimo?” São tão insensivelmente incrédulos das coisas futuras, do céu e
do inferno, que comumente preferem correr o risco da condenação a ser convencidos. São
estupidamente insensíveis da importância das coisas eternas. Como é difícil levá-los à fé, e dar-
lhes real convicção de que ser feliz por toda a eternidade é melhor que todos os outros bens; e ser
miserável por toda eternidade, debaixo da ira de Deus, é pior que todo mal.”

“Os não-convertidos não têm princípio mais elevado em seus corações do que o amor-próprio. E
nisso não excedem os demônios. Estes amam a si mesmos, e sua própria felicidade, e temem sua
própria miséria.”

“Conquanto, às vezes, possam parecer fazer coisas por respeito a Deus, e vistam o rosto como se
O honrassem, e altamente O estimassem, tudo não passa de hipocrisia. Mesmo que haja um
exterior limpo, são como sepulcros caiados; por dentro não há nada senão putrefação e podridão.
Não têm amor por Cristo, o glorioso Filho de Deus, que é tão digno de seu amor, e que mostrou

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graça tão maravilhosa pelos pecadores ao morrer por eles. Jamais fizeram qualquer coisa por
respeito verdadeiro ao Redentor do mundo, desde que nasceram.”

“E quando pareceram, externamente, concordar com os mandamentos de Deus, em seus
corações não o fizeram. Jamais obedeceram movidos por um espírito de sujeição a Deus, ou por
qualquer disposição em obedecê-lO, mas meramente foram levados a isso pelo medo, ou de
alguma forma influenciados por seus interesses mundanos.”

“Eles jamais agradeceram de coração a Deus por uma simples misericórdia recebida em toda sua
vida, embora Ele os tenha sustentado, e tenham vivido debaixo de Sua liberalidade. Jamais agra-
deceram genuinamente a Cristo por ter vindo ao mundo, e morrido para lhes dar a oportunidade
de serem salvos. Jamais lhe mostrariam alguma gratidão a ponto de recebê-lO, quando bateu em
suas portas; mas sempre lha fecharam, embora tenha batido sem nenhum outro propósito senão
o de oferecer-Se para ser seu Salvador. Jamais tiveram qualquer desejo verdadeiro por Deus ou
Cristo em toda a sua vida. Quando Deus se ofereceu para ser sua porção, e Cristo, para ser o
amigo de suas almas, não os desejaram. Jamais quiseram ter Deus e Cristo como sua porção.
Prefeririam, ao contrário, estar sem eles, se pudessem evitar o inferno sem Sua companhia.”

“O pecado possui uma natureza terrível, e isso se dá porque é cometido contra um Deus
infinitamente grande e santo. Há na natureza do homem inimizade, desprezo e rebelião contra
Deus. O pecado se levanta como um inimigo do Altíssimo.”

“Há um mal infinito no pecado. Se víssemos a centésima parte do mal que há no pecado, isso nos
tornaria sensíveis que aqueles que têm qualquer pecado, ainda que seja mínimo, estão em uma
condição terrível.”

“Os corações dos não-convertidos estão completamente cheios de pecado. Se tivessem apenas
um pecado neles, seria suficiente para tornar suas condições muito terríveis. Mas têm não apenas
um pecado, mas todo tipo de pecado. Há todo tipo de desejo carnal. O coração é um mero poço
de pecado, uma fonte de corrupção, de onde emerge todo tipo de regatos imundos. Mc 7:21, 22:
‘Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os
furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfê-
mia, a soberba, a loucura’.”

“Não há um desejo maligno no coração do diabo, que não esteja no coração do homem. Os
homens naturais são à imagem do diabo. A imagem de Deus é demolida, e a imagem do diabo é
estampada nele.”

“Os corações dos não-convertidos são meras sarjetas de sensualidade. O homem se tornou como
as feras ao colocar sua felicidade nas diversões sensuais. O coração está cheio das paixões mais
repugnantes. Suas almas são mais vis e abomináveis que a de qualquer réptil. Se Deus abrisse
uma janela no coração, de forma que pudéssemos contemplar o seu interior, seria o espetáculo
mais repugnante que já se viu sob nossos olhos.”

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“A grande impiedade dos homens naturais aparece abundantemente nos pecados que cometem,
não obstante todas estas restrições. Todo homem natural, se refletir, pode ver o suficiente para
mostrar-lhe como é excessivamente pecador. O pecado flui do coração com tanta constância
como a água flui de uma fonte. Jer 6:7: “Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela,
a sua malícia”. E esta impiedade, que abunda desta maneira nos corações, tem domínio sobre
eles. São escravos dela: Rom 7:14: “eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do pecado”.
Estão de tal maneira debaixo do pecado, que são conduzidos por suas luxúrias em um curso
contra suas próprias consciências, e contra seu próprio interesse. Apressam-se em direção à
própria ruína, e isso ao mesmo tempo em que suas próprias razões lhes advertem que isto
provavelmente será sua perdição.”

“Eles estão sem Deus no mundo. Não têm interesse ou parte com Deus: Ele não é o Deus deles.
Ele próprio declarou que não o seria (Os 1:9). Deus e os crentes têm uma relação pactual mútua e
direito um ao outro. Eles são seu povo, e Ele é o Deus deles. Mas não é o Deus pactual daqueles
que estão em um estado natural.”

“Que os não-convertidos estão sem Deus mostra que estão sujeitos a todo tipo de mal. Estão
sujeito ao poder do diabo, ao poder de todo tipo de tentação, pois não têm Deus para protegê-los.
Estão sujeitos a ser seduzidos e enganados pelas opiniões errôneas, e a abraçarem doutrinas
condenadas. Não é possível enganar os santos desta maneira. Mas os não-convertidos podem
ser enganados. Podem tornar-se papistas, ou pagãos ou ateus. Nada que tenham pode livrá-los
disso. Estão sujeitos a ser entregues à dureza judicial de Deus no coração. Eles a merecem, e,
uma vez que Deus não é o seu Deus, não têm certeza se não lhes aplicará esse terrível
julgamento.”

“Um homem natural não tem segurança alguma. Não está seguro de bem nenhum, nem de
escapar de qualquer mal. É, portanto, terrível a condição na qual se encontra o não-convertido. Os
que estão no seu estado natural estão perdidos. Desviaram-se de Deus, e são como ovelhas
perdidas, que se desviaram do seu pastor. São pobres criaturas desamparadas, em um deserto
cheio de uivos, sem pastor para protegê-las ou guiá-las. Estão desolados, e expostos a inúmeros
enganos fatais.”

“Estão não apenas sem Deus, mas a Sua ira permanece sobre eles, João 3.36: “O que, todavia,
se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus”. Não
há paz entre Deus e eles, mas Deus está irado com eles, diariamente. Não está apenas irado,
mas o está num grau terrível. Há um fogo aceso na ira de Deus: ela está em chamas. A ira
permanece sobre eles, que, se fosse ela executada, os lançaria no mais profundo inferno, e os
tornaria miseráveis por toda eternidade.”

“Provocaram a Deus mais do que muitos no inferno, e com maior frequência. Aonde quer que vão,
convivem com a terrível ira de Deus sobre si. Comem, bebem e dormem debaixo de Sua ira.
Como é terrível, portanto, a condição em que estão! É muito triste para a criatura ter a ira do seu
Criador sobre si. Essa ira de Deus é algo infinitamente terrível. A ira de um rei é como o rugido de

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um leão; mas o que é a ira de um rei, que não é senão um verme do pó, comparada à ira do Deus
infinitamente grande e terrível? Como é horrível estar debaixo da ira do Ser Primeiro, o Ser dos
seres, o grande Criador e poderoso dono dos céus e da terra!”

“Os não-convertidos, além de estarem debaixo de ira, estão debaixo de maldição. A ira e a
maldição de Deus estão continuamente sobre eles. Não podem ter um conforto razoável, portanto,
em qualquer de suas diversões, pois nada sabem, senão que elas lhes são dadas em ira, e serão
amaldiçoados por elas, e não abençoados. Como é dito em Jó 18.15: “Espalhar-se-á enxofre
sobre a sua habitação”. Como podem, então, ter algum conforto em suas refeições, ou posses,
quando nada sabem senão que isso lhes é dado para prepará-los para a execução?”

“Os que estão em um estado natural são filhos do diabo. Assim como os santos são filhos de
Deus, os ímpios são filhos do diabo: 1 Jo 3:10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos
do diabo” Mt 13:38, 39: “o campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino; o joio são os
filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o diabo”. Jo 8:44: “Vós sois do diabo, que é vosso
pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos”. São, por assim dizer, descendência do diabo; procedem
dele: 1 Jo 3:8: “Aquele que pratica o pecado procede do diabo”. Assim como Adão gerou um filho
à sua semelhança, os ímpios são à imagem e semelhança do diabo. Eles reconhecem esta
relação, e se consideram filhos do diabo, consentindo que ele seja seu pai. Sujeitam-se a ele,
ouvem os seus conselhos, como os filhos ouvem os conselhos de um pai. Ele os ensina a imitá-lo,
e a fazer como ele faz, assim como as crianças aprendem a imitar seus pais. Jo 8:38: “Eu falo das
coisas que vi junto de meu Pai; vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai”. Como é terrível
este estado! Como é horrível ser um filho do diabo, o espírito das trevas, o príncipe do inferno,
esse ímpio, maligno e cruel espírito! Ter alguma relação com ele é mui terrível. Seria considerado
algo medonho e assustador o mero encontro com o diabo, aparecendo ele em uma forma visível
para alguém. Como é terrível, então, ser seu filho; como é assustador para qualquer pessoa ter o
diabo por seu pai!”

“O diabo é, de todos os senhores, o mais cruel, e trata os seus servos da pior maneira. Coloca-os
na realização dos mais vis serviços, os mais desonrosos no mundo. Nada é mais desonroso que a
prática do pecado. O diabo põe seus servos para realizar obras que os degrada abaixo da
dignidade da natureza humana. Devem tornar-se semelhantes às feras para fazer esse serviço e
servir às suas concupiscências imundas. E, além da vileza do trabalho, é um trabalho árduo. O
diabo os escraviza às custas de sua própria paz de consciência, e, com frequência, às custas de
suas reputações, de suas posses, e encurtando seus dias. O diabo é um senhor cruel, pois o
serviço a que submete seus escravos os destrói. Ele os põe em trabalhos forçados, dia e noite,
para trabalharem em suas próprias ruínas. Jamais pretende lhes recompensar por suas lidas, mas
estas servem para edificar sua destruição eterna. Serve para acumular combustível e chamas de
fogo para eles mesmos serem atormentados por toda a eternidade.”

“A alma de um não-convertido é a habitação do diabo. Ele é não apenas pai deles, e seu chefe,
mas habita neles. É terrível para um homem ter o diabo nas cercanias, visitando-o com
frequência. Mas é ainda mais terrível tê-lo habitando com um homem, e aceitar sua habitação; e é

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ainda terrível tê-lo consigo, habitando no coração. Mas é isto que ocorre com o não-convertido.
Ele tem o diabo habitando no seu coração. Assim como a alma de um justo é a habitação do
Espírito de Deus, a alma de um ímpio é a habitação de espíritos imundos. Assim como a alma de
um justo é o templo de Deus, a alma do ímpio é a sinagoga de Satanás. Ela é chamada na
Escritura de casa de Satanás, e palácio de Satanás, Mt 12:27: “Ou como pode alguém entrar na
casa do valente”, querendo dizer, o diabo. E Lc 11:21: “Quando o valente, bem armado, guarda a
sua própria casa, ficam em segurança todos os seus bens”. Satanás não apenas vive, mas reina,
no coração do ímpio. Não apenas fez sua morada lá, mas estabeleceu seu trono.”













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O Terrível Estado Dos Não-Convertidos
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“Então, o carcereiro, tendo pedido uma luz, entrou precipitadamente e, trêmulo,
prostrou-se diante de Paulo e Silas. Depois, trazendo-os para fora, disse: Senhores,
que devo fazer para que seja salvo?” (Atos 16:29,30)

Temos aqui e no contexto um relato da conversão do carcereiro, que é uma das mais
notáveis nas Escrituras. Ele, anteriormente, parece não apenas ter estado completamente
insensível às coisas da religião, mas ter sido um perseguidor, tendo perseguido estes
mesmos homens, Paulo e Silas, embora agora venha a eles de forma tão urgente, per-
guntando-lhes o que devia fazer para ser salvo. Lemos no contexto que todos os
magistrados e multidões da cidade juntaram-se a uma em um tumulto contra Paulo e
Silas, arrebatando-os, e lançando-os na prisão, encarregando o carcereiro da sua guarda.
Imediatamente ele os lançou na prisão interior, e prendeu seus pés ao tronco. E é
provável que não tenha agido assim meramente como um servo ou instrumento dos
magistrados, mas que tenha se juntado com o resto do povo na sua fúria contra os
apóstolos, e que assim o fez induzido por sua própria vontade, bem como pelas ordens
dos magistrados, o que o fez executar suas ordens com tal rigor.

Mas quando, à meia noite, Paulo e Silas oravam e cantavam louvores, repentinamente
houve um grande terremoto, e Deus abriu de forma tão maravilhosa as portas da prisão, e
todas as cadeias foram afrouxadas, o carcereiro ficou extremamente aterrorizado, e, em
uma espécie de desespero, estava prestes a se matar. Mas Paulo e Silas gritaram para
ele: “Não te faças mal algum, pois estamos todos aqui”. Então, pediu uma luz, e saltou
dentro [ARC], como temos o relato no texto. Podemos observar:

1. O objeto de sua preocupação. Ele está ansioso acerca de sua salvação: está aterrori-
zado por sua culpa, especialmente por sua culpa no maltrato destes ministros de Cristo.
Está preocupado em escapar desse estado de culpa, o estado miserável que se encon-
trava devido ao pecado.

2. O senso que tem do horror do seu estado atual. Isto ele manifesta de diversas ma-
neiras:

1. Por sua grande pressa em escapar desse estado. Por seu afã em inquirir o que deve
fazer. Ele parece estar tolhido pela mais premente preocupação, sensível à sua presente
necessidade de libertação, sem qualquer adiamento. Antes, estava quieto e seguro em

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seu estado natural; mas agora seus olhos foram abertos, está na mais urgente pressa. Se
a casa estivesse em chamas sobre sua cabeça, não poderia ter sido mais diligente, ou
estar mais apressado. Se apenas tivesse andado, poderia logo ter chegado a Paulo e
Silas, para perguntar-lhes o que devia fazer. Mas estava em grande pressa para andar
apenas, ou correr, pois saltou; pulou para o lugar em que estavam. Ele fugia da ira. Fugia
do fogo da justiça divina, e por isso apressava-se, como alguém que foge pela sua vida.

2. Pelo seu comportamento e gesto diante de Paulo e Silas. Ele se prostrou. Que tenha
se prostrado diante daqueles a quem havia perseguido, e atirado à prisão interior, e
prendido os pés ao tronco, mostra qual era o estado de sua mente. Mostra alguma grande
perturbação, que o alterou de tal maneira que o levou a isto. Estava, por assim dizer,
despedaçado pela perturbação de sua mente, em um senso do horror de sua condição.

3. Sua maneira urgente de inquiri-los acerca do que devia fazer para escapar desta
condição miserável: “Senhores, que devo fazer para ser salvo?” Estava tão perturbado,
que foi levado a se dispor a qualquer coisa; ter a salvação em qualquer termo, e por
qualquer meio, mesmo que difícil; foi levado, por assim dizer, a escrever uma fórmula, e
entregá-la a Deus, para que Ele prescrevesse seus próprios termos.

DOUTRINA: Os que estão em um estado natural, estão em uma condição terrível.

Isto me esforçarei para provar por uma consideração particular do estado e condição das
pessoas não regeneradas.


I. Quanto a seu estado atual neste mundo.

II. Quanto as suas relações com o mundo futuro.


I. A condição daqueles que não são convertidos é terrível no mundo presente.

Primeiro. Devido ao estado depravado de suas naturezas. Os homens, quando vêm ao
mundo, têm naturezas terrivelmente depravadas. O homem, em seu estado primitivo, era
uma peça nobre de habilidade Divina; mas, pela Queda, está horrivelmente desfigurado.
É triste pensar que uma criatura tão excelente deva estar tão arruinada. O horror desta
condição, na qual se encontram os não-convertidos neste respeito, prova-se pelo seguinte:

1. O horror de sua depravação evidencia-se pelo fato de serem tão insensivelmente cegos

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e ignorantes. Deus deu ao homem a faculdade da razão e do entendimento, que é uma
nobre faculdade. Por ela, ele se diferencia de todas as outras criaturas inferiores. É exal -
tado em sua natureza acima delas, e é, neste aspecto, semelhante aos anjos, capacitado
a conhecer a Deus, e conhecer as coisas eternas e espirituais. Deus lhe deu entendi -
mento para este fim, para que O pudesse conhecer, e conhecer as coisas celestiais, e o
fez capaz de compreendê-las como quaisquer outras. Mas o homem degradou a si mês-
mo, e perdeu sua glória neste respeito. Tornou-se ignorante da excelência de Deus à
maneira das próprias feras. Seu entendimento está cheio de obscuridade; sua mente está
cega; está completamente cego para as coisas espirituais. Os homens são ignorantes de
Deus, e ignorantes de Cristo, ignorantes do caminho da salvação, ignorantes de sua
própria felicidade, cegos em meio a mais brilhante e clara luz, ignorantes sob todas as
formas de instrução. Rm 3:17: “Desconheceram o caminho da paz”. Is 27:11: “Não é povo
de entendimento”. Jr 4:22: “O meu povo está louco, já não me conhece; são filhos néscios
e não inteligentes”. Sl 95:10, 11: “É povo de coração transviado, não conhece os meus
caminhos. Por isso, jurei na minha ira: não entrarão no meu descanso”:1 Co 15:34:
“Alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa”.

Há um espírito de ateísmo prevalecendo nos corações dos homens; uma estranha
disposição para duvidar da própria existência de Deus, e do outro mundo, e de qualquer
coisa que não possa ser vista com os olhos físicos. Sl 14.1: “Diz o insensato no seu
coração, não há Deus”. Não percebem que Deus os vê, quando pecam, e os chamará a
prestar contas por isso. E, portanto, se podem esconder os pecados dos olhos dos
homens, não se preocupam, e são ousados em cometê-los. Sl 94:7-9: “E dizem: O
SENHOR não o verá; nem para isso atentará o Deus de Jacó. Atendei, ó brutais dentre o
povo; e vós, loucos, quando sereis sábios? Aquele que fez o ouvido, não ouvirá? E o que
formou o olho, não verá? [ARC]” Sl 73:11: “E diz: Como sabe Deus? Acaso, há
conhecimento no Altíssimo?” São tão insensivelmente incrédulos das coisas futuras, do
céu e do inferno, que comumente preferem correr o risco da condenação a ser
convencidos. São estupidamente insensíveis da importância das coisas eternas. Como é
difícil levá-los à fé, e dar-lhes real convicção de que ser feliz por toda a eternidade é
melhor que todos os outros bens; e ser miserável por toda eternidade, debaixo da ira de
Deus, é pior que todo mal. Os homens mostram-se insensíveis o suficiente nas coisas
temporais, mas muito mais nas espirituais. Lc 12:56: “Hipócritas, sabeis interpretar o
aspecto da terra e do céu e, entretanto, não sabeis discernir esta época?” São muito
engenhosos para o mal; mas rudes naquelas coisas que mais os importam. Jr 4:22: “São
sábios para o mal e não sabem fazer o bem”. Os ímpios se mostram mais tolos e
insensíveis para o que lhes é melhor, do que os brutos. Is 1:3: “O boi conhece o seu
possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o
meu povo não entende”. Jr 8:7: “Até a cegonha no céu conhece as suas estações; a rola,

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a andorinha e o grou observam o tempo da sua arribação; mas o meu povo não conhece
o juízo do SENHOR”.

2. Não há bem algum neles. Rm 7:18: “Em mim, isto é, na minha carne, não habita bem
algum”. Não há neles nenhum princípio que os disponha a qualquer coisa boa. Os não-
convertidos não têm princípio mais elevado em seus corações do que o amor-próprio. E
nisso não excedem os demônios. Estes amam a si mesmos, e sua própria felicidade, e te-
mem sua própria miséria. E não vão mais longe. Seriam tão religiosos quanto os melhores
dos não-convertidos, se estivessem nas mesmas circunstâncias. Seriam tão moralistas, e
orariam com o mesmo fervor a Deus, e sofreriam o mesmo tanto pela salvação, se
houvesse oportunidades semelhantes. E, assim como não há bom princípio nos corações
dos não-convertidos, também nunca há quaisquer bons exercícios do coração, nunca um
bom pensamento, ou mover de coração neles. Particularmente, neles não há amor por
Deus. Jamais tiveram o mínimo grau de amor pelo Ser infinitamente glorioso. Jamais
tiveram o mínimo respeito verdadeiro pelo Ser que os criou, e em cujas mãos está sua
respiração, e de quem procedem todas as suas misericórdias. Conquanto, às vezes,
possam parecer fazer coisas por respeito a Deus, e vistam o rosto como se O honrassem,
e altamente O estimassem, tudo não passa de hipocrisia. Mesmo que haja um exterior
limpo, são como sepulcros caiados; por dentro não há nada senão putrefação e podridão.
Não têm amor por Cristo, o glorioso Filho de Deus, que é tão digno de seu amor, e que
mostrou graça tão maravilhosa pelos pecadores ao morrer por eles. Jamais fizeram
qualquer coisa por respeito verdadeiro ao Redentor do mundo, desde que nasceram.
Jamais produziram quaisquer frutos a esse Deus que os criou, e em quem vivem, movem-
se e tem seu ser. Jamais responderam de alguma forma ao fim para o qual foram criados.
Têm, até agora, vivido completamente em vão, e sem nenhum propósito. Jamais obede-
ceram com sinceridade a um mandamento de Deus; nunca moveram um dedo motivados
por um espírito verdadeiro de obediência a Ele, que os fez para servi -lO. E quando
pareceram, externamente, concordar com os mandamentos de Deus, em seus corações
não o fizeram. Jamais obedeceram movidos por um espírito de sujeição a Deus, ou por
qualquer disposição em obedecê-lO, mas meramente foram levados a isso pelo medo, ou
de alguma forma influenciados por seus interesses mundanos. Jamais deram a Deus a
honra de nenhum de Seus atributos. Nunca Lhe deram a honra de Sua autoridade,
obedecendo-Lhe. Jamais Lhe deram a honra por Sua soberania, submetendo-se a Ele.
Jamais Lhe deram a honra de Sua santidade e misericórdia, amando-O. Nunca Lhe
deram a honra por Sua suficiência e fidelidade, confiando nEle; mas olharam para Deus
como Alguém indigno de ser crido e confiado, e o trataram como se fosse um mentiroso: 1
Jo 5:10: “Aquele que não dá crédito a Deus o faz mentiroso”. Eles jamais agradeceram de
coração a Deus por uma simples misericórdia recebida em toda sua vida, embora Ele os
tenha sustentado, e tenham vivido debaixo de Sua liberalidade. Jamais agradeceram

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genuinamente a Cristo por ter vindo ao mundo, e morrido para lhes dar a oportuni dade de
serem salvos. Jamais lhe mostrariam alguma gratidão a ponto de recebê-lO, quando
bateu em suas portas; mas sempre lha fecharam, embora tenha batido sem nenhum outro
propósito senão o de oferecer-Se para ser seu Salvador. Jamais tiveram qualquer desejo
verdadeiro por Deus ou Cristo em toda a sua vida. Quando Deus se ofereceu para ser sua
porção, e Cristo, para ser o amigo de suas almas, não os desejaram. Jamais quiseram ter
Deus e Cristo como sua porção. Prefeririam, ao contrário, estar sem eles, se pudessem
evitar o inferno sem Sua companhia. Jamais tiveram um pensamento honroso sobre
Deus. Sempre estimaram as coisas terrenas antes dEle. E, apesar de tudo o que ouviram
nos mandamentos de Deus e de Cristo, sempre preferiram um pequeno ganho mundano
ou um prazer pecaminoso a eles.

3. Os não-convertidos estão em uma condição terrível devido à horrível impiedade que há
neles.

1. O pecado possui uma natureza terrível, e isso se dá porque é cometido contra um Deus
infinitamente grande e santo. Há na natureza do homem inimizade, desprezo e rebelião
contra Deus. O pecado se levanta como um inimigo do Altíssimo. É terrível para a criatura
ser inimiga do Criador, ou ter no coração algo como uma inimizade, como ficará bem
claro, se considerarmos a diferença que há entre Deus e a criatura, e como as criaturas,
comparadas a Ele, são como o pó da balança, como nada, menos do que nada, um
vácuo. Há um mal infinito no pecado. Se víssemos a centésima parte do mal que há no
pecado, isso nos tornaria sensíveis que aqueles que têm qualquer pecado, ainda que seja
mínimo, estão em uma condição terrível.

2. Os corações dos não-convertidos estão completamente cheios de pecado. Se tivessem
apenas um pecado neles, seria suficiente para tornar suas condições muito terríveis. Mas
têm não apenas um pecado, mas todo tipo de pecado. Há todo tipo de desejo carnal. O
coração é um mero poço de pecado, uma fonte de corrupção, de onde emerge todo tipo
de regatos imundos. Mc 7:21, 22: “Porque de dentro, do coração dos homens, é que
procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a
avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura”. Não
há um desejo maligno no coração do diabo, que não esteja no coração do homem. Os
homens naturais são à imagem do diabo. A imagem de Deus é demolida, e a imagem do
diabo é estampada nele. Deus graciosamente se agrada em restringir a impiedade dos
homens, especialmente pelo temor e respeito que têm pelos seus créditos e reputações, e
pela educação. Não fosse tais restrições, não haveria tipo de impiedade que os homens
não cometeriam, quando lhes viessem ao encontro. A prática daquelas coisas que os
homens agora, à simples menção, prontamente ficam chocados quando ouvem o relato,

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seria comum e geral; e a terra seria um tipo de inferno. Se não temesse, o que o homem
natural não faria? Mt 10:17: “acautelai-vos dos homens”. Os homens têm não apenas todo
tipo de luxúria, e disposições ímpias e perversas em seus corações, mas as têm em um
grau desesperador. Não há apenas o orgulho, mas um grau fantástico dele: orgulho tal
que o dispõe a colocar-se acima até mesmo do trono do próprio Deus. Os corações dos
não-convertidos são meras sarjetas de sensualidade. O homem se tornou como as feras
ao colocar sua felicidade nas diversões sensuais. O coração está cheio das paixões mais
repugnantes. Suas almas são mais vis e abomináveis que a de qualquer réptil. Se Deus
abrisse uma janela no coração, de forma que pudéssemos contemplar o seu interior, seria
o espetáculo mais repugnante que já se viu sob nossos olhos. Não há apenas malícia nos
corações dos homens naturais, mas uma fonte dela. Os homens merecem, portanto, a
linguagem aplicadas a eles por Cristo em Mateus 3.7: “Raça de víboras, quem vos induziu
a fugir da ira vindoura?” e Mt 23:33: “Serpentes, raça de víboras!” Eles, não fosse pelo
medo e outras restrições, não apenas cometeriam toda sorte de pecado, mas a que grau,
a que distância não procederiam! O que impede um homem natural de abertamente blas-
femar contra Deus, como faz qualquer um dos demônios; sim, de destroná-lo, se fosse
possível, e não houvesse o medo e outras restrições no caminho? Sim, não aconteceria
isto com muitos dos que agora aparecem com um rosto justo, falando muito de Deus, e
com muitas pretensões de adorá-lO e servi-lO? A grande impiedade dos homens naturais
aparece abundantemente nos pecados que cometem, não obstante todas estas
restrições. Todo homem natural, se refletir, pode ver o suficiente para mostrar-lhe como é
excessivamente pecador. O pecado flui do coração com tanta constância como a água flui
de uma fonte. Jr 6:7: “Como o poço conserva frescas as suas águas, assim ela, a sua
malícia”. E esta impiedade, que abunda desta maneira nos corações, tem domínio sobre
eles. São escravos dela: Rom 7:14: “eu, todavia, sou carnal, vendido à escravidão do
pecado”. Estão de tal maneira debaixo do pecado, que são conduzidos por suas luxúrias
em um curso contra suas próprias consciências, e contra seu próprio interesse.
Apressam-se em direção à própria ruína, e isso ao mesmo tempo em que suas próprias
razões lhes advertem que isto provavelmente será sua perdição. 2 Pedro 2.14:
“Insaciáveis no pecado”. Devido ao fato dos ímpios estarem de tal maneira sob o poder do
pecado, o coração humano é descrito como desesperadamente corrupto em Jr 17.9 e Ef
2.1 diz: “[estáveis] mortos nos vossos delitos e pecados”.

3. Os corações dos não-convertidos são terrivelmente endurecidos e incorrigíveis. Nada,
a não ser o poder de Deus, os moverá. Apegar-se-ão ao pecado, e continuarão nele,
aconteça o que acontecer. Pv 27:22: “Ainda que pises o insensato com mão de gral entre
grãos pilados de cevada, não se vai dele a sua estultícia”. Não há nada que abale seus
corações, e nada que os leve à obediência: quer sejam misericórdias ou aflições,
ameaças ou chamados e convites da graça, reprovação ou paciência e longanimidade, ou

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conselhos e exortações paternais. Is 26:10: “Ainda que se mostre favor ao perverso, nem
por isso aprende a justiça; até na terra da retidão ele comete a iniquidade e não atenta
para a majestade do SENHOR”.

Em segundo lugar: O estado relativo dos não-convertidos é terrível. Isso será evidente se
considerarmos:

1. Seu estado relativo com respeito a Deus; e isso porque:

1. Eles estão sem Deus no mundo. Não têm interesse ou parte com Deus: Ele não é o
Deus deles. Ele próprio declarou que não o seria (Os 1:9). Deus e os crentes têm uma re-
lação pactual mútua e direito um ao outro. Eles são seu povo, e Ele é o Deus deles. Mas
não é o Deus pactual daqueles que estão em um estado natural. Há uma grande aliena-
ção e estranhamento entre Deus e os ímpios: Ele não é seu pai e porção, não têm nada
com que possam questioná-lo, não têm direito a nenhum de seus atributos. O crente pode
reivindicar um direito no poder de Deus, em Sua sabedoria e santidade, Sua graça e
amor. Tudo é renovado para ele, em seu benefício. Mas o não-convertido não pode reivin-
dicar direito algum a qualquer das perfeições de Deus. Não têm Deus para defendê-los e
protegê-los neste mundo mau: para defendê-los do pecado, de Satanás ou de qualquer
mal. Não têm Deus para guiá-los e orientá-los em quaisquer dúvidas ou dificuldades, para
confortá-los e apoiar suas mentes nas aflições. Estão sem Deus em todos as suas ocupa-
ções, em todos os negócios que realizam, em seus assuntos familiares, e em todas os
seus projetos pessoais, nas suas preocupações exteriores e nas preocupações de suas
almas.

Como poderia uma criatura ser mais miserável do que estando separada de seu Criador,
e não ter um Deus a quem possa chamar de seu? É miserável, de fato, aquele que va-
gueia pelo mundo, sem um Deus para velar por si, e ser seu guia e protetor, e abençoá-lo
nos seus afazeres. A própria luz da natureza ensina que o Deus de um homem é seu
tudo. Jz 18:24: “Os deuses que eu fiz me tomastes; que mais me resta?” Não há senão
um Deus, e não têm direito algum a Ele. Estão sem aquele Deus, cuja vontade deve
determinar sua inteira existência, tanto aqui quanto na eternidade. Que os não-
convertidos estão sem Deus mostra que estão sujeitos a todo tipo de mal. Estão sujeito
ao poder do diabo, ao poder de todo tipo de tentação, pois não têm Deus para protegê-
los. Estão sujeitos a ser seduzidos e enganados pelas opiniões errôneas, e a abraçarem
doutrinas condenadas. Não é possível enganar os santos desta maneira. Mas os não-
convertidos podem ser enganados. Podem tornar-se papistas, ou pagãos ou ateus. Nada
que tenham pode livrá-los disso. Estão sujeitos a ser entregues à dureza judicial de Deus
no coração. Eles a merecem, e, uma vez que Deus não é o seu Deus, não têm certeza se

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não lhes aplicará esse terrível julgamento. Como estão sem Deus no mundo, estão sujei -
tos a cometer todo tipo de pecado, e, até mesmo, o pecado imperdoável. Não podem ter
certeza se não vão cometê-lo. Estão sujeitos a construir uma falsa esperança do céu, e,
com essa esperança, irem ao inferno. Estão sujeitos a morrer insensíveis e estúpidos,
como muitos morrem. Estão sujeitos a morrer da mesma maneira que morreram Judas e
Saul, sem temor do inferno. Não estão seguros disso. Estão sujeitos a todo tipo de en-
gano, uma vez que estão sem Deus. Não podem dizer o que poderá lhes suceder, nem
quando estão seguros de qualquer coisa. Não estão seguros nem por um momento. Dez
mil enganos fatais podem recair sobre eles, e torná-los miseráveis para sempre.

Os que têm Deus por seu Deus estão livres de tais males. Não é possível que recaiam
sobre eles. Deus é seu Deus pactual, e têm sua promessa fiel de ser seu refúgio. Mas
quantos enganos há que não possam recair sobre os não-convertidos? Quaisquer espe-
ranças que tiverem poderão ser desapontadas. Qualquer perspectiva ingênua que possa
aparentemente haver de sua conversão e salvação, pode desvanecer. Podem fazer gran-
des progressos em direção ao reino de Deus, e, ainda assim, falhar no final. Podem
parecer estar em um estado deveras esperançoso de serem convertidos, e, ainda assim,
jamais o serem. Um homem natural não tem segurança alguma. Não está seguro de bem
nenhum, nem de escapar de qualquer mal. É, portanto, terrível a condição na qual se
encontra o não-convertido. Os que estão no seu estado natural estão perdidos. Desvia-
ram-se de Deus, e são como ovelhas perdidas, que se desviaram do seu pastor. São
pobres criaturas desamparadas, em um deserto cheio de uivos, sem pastor para protegê-
las ou guiá-las. Estão desolados, e expostos a inúmeros enganos fatais.

2. Estão não apenas sem Deus, mas a Sua ira permanece sobre eles, João 3.36: “O que,
todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira
de Deus”. Não há paz entre Deus e eles, mas Deus está irado com eles, diariamente. Não
está apenas irado, mas o está num grau terrível. Há um fogo aceso na ira de Deus: ela
está em chamas. A ira permanece sobre eles, que, se fosse ela executada, os lançaria no
mais profundo inferno, e os tornaria miseráveis por toda eternidade. Provocaram o Santo
de Israel à ira. Deus sempre esteve irado com eles, desde que começaram a pecar: tem
sido provocado diariamente, e mais e mais, a cada hora. A chama de sua ira está conti-
nuamente ardendo. Provocaram a Deus mais do que muitos no inferno, e com maior
frequência. Aonde quer que vão, convivem com a terrível ira de Deus sobre si. Comem,
bebem e dormem debaixo de Sua ira. Como é terrível, portanto, a condição em que estão!
É muito triste para a criatura ter a ira do seu Criador sobre si. Essa ira de Deus é algo
infinitamente terrível. A ira de um rei é como o rugido de um leão; mas o que é a ira de um
rei, que não é senão um verme do pó, comparada à ira do Deus infinitamente grande e
terrível? Como é horrível estar debaixo da ira do Ser Primeiro, o Ser dos seres, o grande

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Criador e poderoso dono dos céus e da terra! Como é terrível para uma pessoa estar
debaixo da ira de Deus, que lhe deu o ser, e em quem se move e existe, que é onipre-
sente e sem o qual ela não pode dar um passo, nem um suspiro! Os não-convertidos,
além de estarem debaixo de ira, estão debaixo de maldição. A ira e a maldição de Deus
estão continuamente sobre eles. Não podem ter um conforto razoável, portanto, em
qualquer de suas diversões, pois nada sabem, senão que elas lhes são dadas em ira, e
serão amaldiçoados por elas, e não abençoados. Como é dito em Jó 18.15: “Espalhar-se-
á enxofre sobre a sua habitação”. Como podem, então, ter algum conforto em suas
refeições, ou posses, quando nada sabem senão que isso lhes é dado para prepará-los
para a execução?


II. O estado relativo deles se mostrará terrível, se considerarmos como estão relacionados
ao diabo.

1. Os que estão em um estado natural são filhos do diabo. Assim como os santos são
filhos de Deus, os ímpios são filhos do diabo: 1 Jo 3:10: “Nisto são manifestos os filhos de
Deus e os filhos do diabo” Mt 13:38, 39: “o campo é o mundo; a boa semente são os filhos
do reino; o joio são os filhos do maligno; o inimigo que o semeou é o diabo”. Jo 8:44: “Vós
sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos”. São, por assim dizer,
descendência do diabo; procedem dele: 1 Jo 3:8: “Aquele que pratica o pecado procede
do diabo”. Assim como Adão gerou um filho à sua semelhança, os ímpios são à imagem e
semelhança do diabo. Eles reconhecem esta relação, e se consideram filhos do diabo,
consentindo que ele seja seu pai. Sujeitam-se a ele, ouvem os seus conselhos, como os
filhos ouvem os conselhos de um pai. Ele os ensina a imitá-lo, e a fazer como ele faz,
assim como as crianças aprendem a imitar seus pais. Jo 8:38: “Eu falo das coisas que vi
junto de meu Pai; vós, porém, fazeis o que vistes em vosso pai”. Como é terrível este es-
tado! Como é horrível ser um filho do diabo, o espírito das trevas, o príncipe do inferno,
esse ímpio, maligno e cruel espírito! Ter alguma relação com ele é mui terrível. Seria
considerado algo medonho e assustador o mero encontro com o diabo, aparecendo ele
em uma forma visível para alguém. Como é terrível, então, ser seu filho; como é assus-
tador para qualquer pessoa ter o diabo por seu pai!

2. Eles são cativos e servos do diabo. O homem, antes da queda, estava em um estado
de liberdade; mas, agora, caiu nas mãos de satanás. O diabo foi vitorioso, e o tomou
cativo. Os homens naturais estão em posse de satanás, e estão sob seu domínio. São
conduzidos por ele em sujeição a sua vontade, para seguirem suas instruções, e fazerem
o que ele ordena, 2 Tm 2:16: “Tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua
vontade”. O diabo governa sobre os ímpios. São todos seus escravos, e o servem com

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trabalhos forçados. Isto mostra que sua condição é terrível. Os homens consideram um
estado de vida infeliz ser um escravo; e, especialmente, ser escravo de um senhor mau,
de alguém que seja duro, implacável e cruel. Quão miseráveis consideramos aqueles que
caíram nas mãos dos turcos, ou outras nações bárbaras semelhantes, sendo destinados
a mais baixa e cruel escravidão, e tratados pior do que o gado! Mas o que é ser tomado
cativo pelo diabo, o príncipe do inferno, e ser escravo dele? Não seria melhor ser escravo
de qualquer um na terra a ser seu escravo? O diabo é, de todos os senhores, o mais
cruel, e trata os seus servos da pior maneira. Coloca-os na realização dos mais vis servi-
ços, os mais desonrosos no mundo. Nada é mais desonroso que a prática do pecado. O
diabo põe seus servos para realizar obras que os degrada abaixo da dignidade da
natureza humana. Devem tornar-se semelhantes às feras para fazer esse serviço e servir
às suas concupiscências imundas. E, além da vileza do trabalho, é um trabalho árduo. O
diabo os escraviza às custas de sua própria paz de consciência, e, com frequência, às
custas de suas reputações, de suas posses, e encurtando seus dias. O diabo é um
senhor cruel, pois o serviço a que submete seus escravos os destrói. Ele os põe em
trabalhos forçados, dia e noite, para trabalharem em suas próprias ruínas. Jamais pre-
tende lhes recompensar por suas lidas, mas estas servem para edificar sua destruição
eterna. Serve para acumular combustível e chamas de fogo para eles mesmos serem
atormentados por toda a eternidade.

3. A alma de um não-convertido é a habitação do diabo. Ele é não apenas pai deles, e
seu chefe, mas habita neles. É terrível para um homem ter o diabo nas cercanias,
visitando-o com frequência. Mas é ainda mais terrível tê-lo habitando com um homem, e
aceitar sua habitação; e é ainda terrível tê-lo consigo, habitando no coração. Mas é isto
que ocorre com o não-convertido. Ele tem o diabo habitando no seu coração. Assim como
a alma de um justo é a habitação do Espírito de Deus, a alma de um ímpio é a habitação
de espíritos imundos. Assim como a alma de um justo é o templo de Deus, a alma do
ímpio é a sinagoga de Satanás. Ela é chamada na Escritura de casa de Satanás, e
palácio de Satanás, Mt 12:27: “Ou como pode alguém entrar na casa do valente”,
querendo dizer, o diabo. E Lc 11:21: “Quando o valente, bem armado, guarda a sua
própria casa, ficam em segurança todos os seus bens”. Satanás não apenas vive, mas
reina, no coração do ímpio. Não apenas fez sua morada lá, mas estabeleceu seu trono. O
coração de um ímpio é lugar de encontro do diabo. As portas do seu coração estão
abertas aos demônios. Têm livre acesso a ele, embora esteja fechado para Deus e Jesus
Cristo. Há muitos demônios, sem dúvidas, que se relacionam com um ímpio, e seu
coração é lugar de encontro deles. A alma de um ímpio é, como se diz da Babilônia, a
habitação dos demônios, e a casa de todo espírito imundo, e um ninho de toda ave
imunda e odiosa. Assim, terrível é a condição de um homem natural por causa da relação
em que ele está com o diabo.

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O texto deste e-book é uma tradução feita pelo Blog JonathanEdwardsSelecionados.blogspot.com.br, que
em parceria com o EC, tivemos a honra de editar e publicar este excelente Sermão de Jonathan Edwards
em formato E-book/PDF, pela graça de Deus para a glória e honra de Deus somente; por, para e em Cristo
Jesus. Amém!

***

Fonte: CCEL.org │ Título Original: Natural Men in a dreadful Condition

As citações bíblicas desta tradução são da versão ARA (Almeida Revista e Atualizada).

Tradução por Tiago Cunha │ Revisão e capa por William Teixeira

***

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Uma Biografia de Jonathan Edwards



Jonathan Edwards (5 de outubro de 1703 - 22 de março de 1758)

Jonathan Edwards nasceu em East Windsor, Connecticut, em 5 de outubro de 1703,
sendo seu pai um piedoso ministro congregacional. Jonathan Edwards, foi uma das
personalidades religiosas mais destacadas da história da igreja nos últimos três séculos.
Os estudiosos de sua vida e obra o tem considerado o maior filósofo e teólogo já
produzido pelos Estados Unidos, e especialmente o mais importante e influente dos
calvinistas americanos
1
.

Benjamin B. Warfield cita o testemunho do filósofo francês Georges Lyon, segundo o qual,
tivesse Edwards permanecido apenas no campo da filosofia e da metafísica, sem
enveredar pela teologia, ele talvez viesse a ocupar “um lugar ao l ado de Leibnitz e Kant
entre os fundadores de sistemas imortais”
2
.

O fato é que, tendo sido inicialmente, durante a sua juventude, atraído pela filosofia,
notadamente sob a influência de grandes empiristas e cientistas ingleses como John
Locke (1632-1704) e Isaac Newton (1642-1717), eventualmente as preocupações de
ordem religiosa tornaram-se poderosamente dominantes em sua vida e pensamento, e
tais preocupações o levaram ao ministério pastoral e à teologia.


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Precoce e religioso desde a sua meninice, aos 12 anos ele escreveu a uma de suas
irmãs:

“Pela maravilhosa bondade e misericórdia de Deus, houve neste lugar uma
extraordinária atuação e derramamento do Espírito de Deus... tenho razões para
pensar que agora diminuiu em certa medida, mas espero que não muito. Cerca de
treze pessoas uniram-se à igreja num estado de plena comunhão
3
”.

Depois de dar os nomes dos convertidos, ele acrescentou: “Acho que muitas vezes mais
de trinta pessoas se reúnem às segundas-feiras para falar com o Pai acerca da condição
das suas almas”.

O lar de Edwards estimulou de maneira poderosa a sua vida espiritual e intelectual. Ele
começou a estudar latim aos seis anos e aos treze também já havia adquirido um
respeitável conhecimento de grego e hebraico. Após quatro anos de estudos no Colégio
de Yale, em New Haven, Edwards obteve o seu grau de bacharel em 1720. Logo em
seguida, encetou seus estudos teológicos na mesma instituição, obtendo o grau de
mestre em 1722. Após pastorear uma igreja presbiteriana em Nova York por oito meses
(1722-23) e atuar como professor assistente em Yale por dois anos, em 1726, aos 23
anos de idade, Edwards passou a trabalhar como pastor-assistente do seu avô, Solomon
Stoddard (1643-1729), o famoso ministro da igreja de Northampton, Massachusetts. Essa
igreja era provavelmente a maior e a mais influente da província, à exceção de Boston.
Houve uma época em que chegou a ter seiscentos e vinte membros, incluindo quase toda
a população adulta da cidade.

Jonathan Edwards considerava-se um jovem introvertido, tímido, quieto e de pouco falar.
Iniciou seus estudos na faculdade aos treze anos e formou-se como orador oficial.
Considerava que lhe faltava cordialidade.

Em 1723, aos dezenove anos, Jonathan Edwards formou-se em Yale, e foi pastor em
Nova York, por um ano. Quando terminou seu período de pastorado naquela igreja,
começou a trabalhar como professor em Yale e voltou para New Haven, onde morava
Sarah Pierrepont, que seria sua futura esposa. Em seu retorno, em 1723, Jonathan tinha
vinte anos e Sarah treze.

Enquanto Sarah crescia, Jonathan tornava-se, de certa forma mais gentil, e os dois
começaram a passar mais tempo juntos. Gostavam de caminhar e conversar juntos, e ele
aparentemente encontrou nela uma mente que combinava com sua beleza. De fato, ela

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lhe apresentou um livro de Peter van Mastricht, o qual mais tarde muito influenciaria o
pensamento de Jonathan. Eles ficaram noivos na primavera de 1725.

Em 28 de julho de 1727, Edwards casou-se com Sarah Pierrepont, então com 17 anos,
filha de James Pierrepont, o conhecido pastor da igreja de New Haven, e bisneta do
primeiro prefeito de Nova York. Os historiadores destacam a grande harmonia, amor e
companheirismo que caracterizou a vida do casal
4
. Eles gostavam de andar a cavalo ao
cair da tarde para poderem conversar e antes de se recolherem sempre tinham juntos os
seus momentos devocionais.

Temos apenas vislumbres do grande amor entre os dois. Certa vez, Jonathan usou o
exemplo do amor entre um homem e uma mulher para exemplificar o amor de Deus.
“Quando temos uma ideia do amor de alguém por determinada coisa, se for o amor de um
homem por uma mulher [...] não conhecemos completamente o amor dele; temos apenas
uma ideia de suas ações que são efeitos do amor [...] Temos uma leve e vaga noção de
suas afeições”.

Relata-se sobre a amável influência de Sarah no ministério de Jonathan. Ele era compa-
rado a uma “máquina de pensar”, um pensador que mantinha ideias firmes em sua mente,
ponderando-as, separando-as, juntando-as a outras ideias, testando-as contra outras
partes da verdade de Deus. Tal homem alcança o auge quando as ideias separadas
juntam-se numa verdade maior. Mas, é também o tipo de homem que pode encontrar-se
em covas profundas, no caminho à verdade. Não é fácil viver com um homem assim, mas
Sarah encontrou meios de construir um lar feliz para ele. Ela o assegurou de seu amor
constante e criou uma atmosfera e rotina, nas quais ele gozava de liberdade para pensar.
Ela entendia, por exemplo, que quando ele estava absorto em um pensamento, não gos-
taria de ser interrompido para o jantar. Compreendia que suas sensações de alegria ou
tristeza eram intensas. Edwards escreveu em seu diário: “Frequentemente tenho visões
muito comoventes de minha própria pecaminosidade e perversidade, a ponto de me levar
ao choro alto... que sempre me força a ficar a sós”.

Samuel Hopkins escreveu sobre Sarah: “Enquanto ela tratava seu marido com acatamen-
to e inteiro respeito, não poupava esforços para conformar-se às inclinações dele e tornar
tudo em família agradável e prazeroso, fazendo disso a sua maior glória e o modo como
poderia melhor servir a Deus e à sua geração [e à nossa, podemos acrescentar]; e isso
tornava-se o meio de promover o benefício e a felicidade de seu marido”.

Assim, a vida no lar dos Edwards era moldada, em sua maior parte, pelo chamado de
Jonathan. Uma das notas de seu diário dizia: “Penso que ao ressuscitar de madrugada,

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Cristo nos recomendou levantar bem cedo pela manhã”. Levantar-se cedo era um hábito
de Jonathan. Durante anos, a rotina da família era acordar cedo, junto com ele, ler um
capítulo da Bíblia à luz de velas e orar, pedindo a bênção de Deus para aquele novo dia.
Com frequência, Jonathan estudava treze horas por dia. Isto incluía muita preparação
para os domingos, com o ensino bíblico. Mas também incluía os momentos em que Sarah
ia conversar, ou quando os membros da igreja paravam para uma oração ou aconselha-
mento.

Jonathan e Sarah tiveram 11 filhos, todos os quais chegaram à idade adulta, fato raro
naqueles dias. Em 1900, um repórter identificou 1400 descendentes do casal Edwards.
Entre eles houve 15 dirigentes de escolas superiores, 65 professores, 100 advogados, 66
médicos, 80 ocupantes de cargos públicos, inclusive 3 senadores e 3 governadores de
estados, além de banqueiros, empresários e missionários. Diz-se que a afeição de
Jonathan e Sarah um pelo outro e a rotina devocional regular em família foram alicerces
firmes para os onze filhos; o que também teve doce e piedoso efeito em alguns dos
visitantes da família Edwards, como em George Whitefield, que sobre eles comentou:
“Senti grande satisfação por estar na casa dos Edwards. Ele é um filho de Abraão e tem
uma filha de Abraão como esposa. Que casal agradável! Seus filhos não se vestiam de
cetim e seda, mas de trajes simples, como os filhos daqueles que, em todas as coisas,
devem ser exemplos da simplicidade de Cristo. Ela é uma mulher adornada de um
espírito manso e tranquilo, alguém que fala de maneira firme e franca das coisas de Deus;
parece ser tão auxiliadora para seu marido, que isto me fez renovar aquelas orações, as
quais por muitos meses tenho feito a Deus, para que se agrade em me enviar uma filha
de Abraão para ser minha esposa”. [No ano seguinte, Whitefield casou-se].

Relata-se que quando Jonathan escrevia aos filhos, sempre os alertava – não de maneira
mórbida, mas como um fato – de quão próxima a morte poderia estar. Para Jonathan, a
realidade da morte levava automaticamente à necessidade de vida eterna. Ele escreveu
ao filho de dez anos, Jonathan Jr., a respeito da morte de um coleguinha do menino:
“Este é um chamado altissonante para que você se prepare para a morte [...] Nunca dê a
si mesmo até que haja uma boa evidência de que você é convertido e nascido de novo”.

Em 1729, com a morte do seu avô, Jonathan tornou-se o pastor titular da igreja de
Northampton, na qual, através de sua poderosa pregação, ocorreu um grande avivamento
cinco anos mais tarde (1734-35)
5
. O Grande Despertamento, que tivera os seus primor-
dios alguns anos antes entre os presbiterianos e reformados holandeses na Pensilvânia e
Nova Jersey, cresceu com as pregações de Edwards e atingiu o seu apogeu no ano de
1740, com o trabalho itinerante do grande avivalista inglês George Whitefield (1714-1770)
6
.


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Em 1750, após 23 anos de pastorado, Jonathan Edwards foi despedido pela sua igreja, a
razão principal sendo a sua insistência de que somente pessoas convertidas participas-
sem da Ceia do Senhor, em contraste com a prática anterior do seu avô. No seu sermão
de despedida, depois de advertir a igreja sobre as contendas que nela havia e os perigos
que isso representava, ele concluiu:

“Portanto, quero exortá-los sinceramente, para o seu próprio bem futuro, que
tomem cuidado daqui em diante com o espírito contencioso. Se querem ver
dias felizes, busquem a paz e empenhem-se por alcançá-la (1 Pedro 3:10-11).
Que a recente contenda sobre os termos da comunhão cristã, tendo sido a mai-
or, seja também a última. Agora que lhes prego meu sermão de despedida, eu
gostaria de dizer-lhes como o apóstolo Paulo disse aos coríntios em 2 Coríntios
13:11: “Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do
mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco”
7
.

No ano seguinte, Edwards foi para Stockbridge, uma região remota da colônia de
Massachusetts, onde trabalhou como pastor dos colonos e missionário entre os índios.
Em 1757, a sua excelência como educador e sua fama como teólogo e filósofo fizeram
com que ele fosse convidado para ser o presidente do Colégio de Nova Jersey, a futura
Universidade de Princeton.

Logo que Jonathan chegou a Princeton, foi vacinado contra rubéola. Este ainda era um
procedimento experimental. Ele contraiu a doença e morreu, em 22 de março de 1758,
enquanto Sarah ainda estava em Stockbridge, na atividade de fazer as malas da família
para a mudança para Princeton. Menos de três meses se passaram, desde que Jonathan
se despedira dela. Durante os seus últimos minutos de vida, seus pensamentos e
palavras foram para sua amada esposa. Ele sussurrou a uma de suas filhas:

“Parece-me ser a vontade do Senhor que eu vos deixe em breve, por isso,
transmita o meu amor mais sincero à minha querida esposa e diga-lhe que a
união incomum, que tanto tempo houve entre nós, foi de tal natureza, que creio
ser espiritual, e que, portanto, continuará para sempre: espero que ela encontre
suporte sob tão grande tribulação e submeta-se alegremente à vontade de Deus”.

Alguns dias depois, Sarah escreveu à sua filha Esther (cujo marido havia morrido apenas
seis meses antes):

“Minha querida filha, que posso dizer? O Santo e Bom Deus nos cobriu com um
nuvem escura. Que aceitemos a correção e fiquemos em silêncio! O Senhor o

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fez. Deus me faz adorar a Sua bondade, porque tivemos o seu pai por tanto
tempo. Mas o meu Deus vive; e Ele possui meu coração. Oh! Que legado meu
marido, seu pai nos deixou! Estamos todos entregues a Deus; e aí estou, e
gosto de estar”.

Edwards destaca-se por outros fatores, além da sua notável produção filosófica e
teológica. Ele foi também um extraordinário pregador, cujos sermões, proferidos com a
mais sincera convicção, causavam um poderoso impacto
8
. Em virtude disso, ele veio a
ser um dos protagonistas do célebre avivamento religioso americano que ficou conhecido
como o Grande Despertamento (1735-44). Mais ainda, com sua pena habilidosa, Edwards
tornou-se o principal estudioso e intérprete do avivamento, registrando descrições e
análises sobre os seus fenômenos espirituais e psicológicos que até hoje não foram
superadas.

Finalmente, Edwards impressiona por sua grande síntese entre fé e razão, tanto em sua
vida pessoal quanto em sua produção literária. Dotado de uma mente inquiridora e
disciplinada, e acostumado a refletir sobre um tema até as suas últimas implicações, ele
também foi um homem de espiritualidade profunda e transbordante, que teve como a
maior das suas preocupações a celebração da graça e da glória de Deus.

No Brasil, a vida e contribuição de Edwards ainda são essencialmente desconhecidas nos
meios evangélicos, até mesmo nos círculos acadêmicos
9
. A única coisa que muitos asso-
ciam com ele é o célebre sermão “Pecadores nas mãos de um Deus irado”
10
, que, embora
aborde um tema importante da sua teologia, está longe de ser representativo da sua obra
como um todo e certamente não expressa algumas das principais ênfases da sua reflexão.

















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Referências:

[1] Jonathan Edwards passou a despertar enorme interesse entre os estudiosos a partir da início da
década de 1930, graças ao trabalho de pesquisadores como Perry Miller, que o caracterizou como “o
maior filósofo-teólogo que já adornou o cenário americano”. Ver Paul Helm, “Edwards, Jonathan”, em
The New International Dictionary of the Christian Church, gen. ed. J.D. Douglas (Grand Rapids:
Zondervan, 1978).

[2] Benjamin B. Warfield, “Edwards and the New England Theology”, Encyclopedia of Religion and
Ethics, 1912. Também em The Works of B.B. Warfield, Vol. 9 (Studies in Theology), 515-538.

[3] “The Earliest Known Letter of Jonathan Edwards”, Christian History, Vol. IV, nº 4, p. 34. Minha
tradução. A carta também menciona as últimas mortes que ocorreram na cidade e dá informações
sobre a saúde dos membros da família, inclusive a sua própria dor de dente.

[4] Elisabeth S. Dodds, “My Dear Companion”, Church History 4, nº 4, pp. 15-17. George Whitefield
narra em seu diário a profunda impressão que a vida familiar dos Edwards lhe causou e como isso o
levou a renovar suas orações por uma boa esposa para si mesmo. George Whitefield’s Journals
(Londres: Banner of Truth, 1960), 476-77, citado em Edwin S. Gaustad, ed., A Documentary History of
Religion in America: To the Civil War, 2ª ed. (Grand Rapids: Eerdmans, 1993), 196.

[5] O reavivamento ocorreu quando Edwards pregou uma série de sermões sobre a justificação pela fé.

[6] Sobre o avivamento entre os presbiterianos, ver o artigo do Rev. Frans Leonard Schalkwijk,
“Aprendendo da História dos Avivamentos”, em Fides Reformata II:2, 61-68.

[7] Christian History IV, nº 4, p. 4. Minha tradução.

[8] Segundo Warfield, foi em seus sermões que os estudos de Edwards produziram seus frutos mais
ricos. Ibid. Os sermões de Jonathan Edwards constituem o maior conjunto de manuscritos originais
desse autor ainda disponíveis.

[9] Uma exceção é o trabalho de Luiz Roberto França de Mattos, “Jonathan Edwards and the Criteria
for Evaluating the Genuineness of the ‘Brazilian Revival’”, Dissertação de Mestrado, São Paulo, Centro
Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper, 1997.

[10] Jonathan Edwards, Pecadores nas Mãos de um Deus Irado, 3ª ed. (São Paulo: Publicações
Evangélicas Selecionadas, c.1993). Esse sermão foi pregado por Edwards na cidade de Enfield,
Connecticut, em 1741.



______________
♦ Esta Biografia é baseada nas seguintes fontes:

MATOS, Alderi Souza de. Jonathan Edwards: teólogo do coração e do intelecto. Disponível em:
<http://www.mackenzie.com.br/7077.html>. (Acesso em 18 de abril de 2014). Editado e Adaptado.

PIPER, Noël. Sarah Edwards. Fiel em meio ao mundano. In: PIPER, Noël. Mulheres Fiéis e seu Deus
Maravilhoso. História de Cinco Mulheres de Fé. São Paulo: Editora Fiel: São Paulo, p. 17-46.

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Quem Somos

O Estandarte de Cristo é um projeto cujo objetivo é proclamar a Palavra de Deus e o Santo
Evangelho de Cristo Jesus, para a glória do Deus da Escritura Sagrada, através de traduções
inéditas de textos de autores bíblicos fiéis, para o português. A nossa proposta é publicar e
divulgar traduções de escritos de autores como os Puritanos e também de autores posteriores
àqueles como John Gill, Robert Murray McCheyne, Charles Haddon Spurgeon e Arthur
Walkington Pink. Nossas traduções estão concentradas nos escritos dos Puritanos e destes
últimos quatro autores.

O Estandarte é formado por pecadores salvos unicamente pela Graça do Santo e Soberano,
Único e Verdadeiro Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, segundo o testemunho das
Escrituras. Buscamos estudar e viver as Escrituras Sagradas em todas as áreas de suas vidas,
holisticamente; para que assim, e só assim, possamos glorificar nosso Deus e nos deleitar-
mos nEle desde agora e para sempre.
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2 Coríntios 4

1
Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não
desfalecemos;
2
Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando
com astúcia nem falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à
consciência de todo o homem, na presença de Deus, pela manifestação da verdade.
3

Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto.
4

Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não
resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.
5
Porque
não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos
vossos servos por amor de Jesus.
6
Porque Deus, que disse que das trevas
resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do
conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo.
7
Temos, porém, este tesouro
em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós.
8
Em tudo
somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.
9
Persegui-
dos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;
10
Trazendo sempre por toda
a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se
manifeste também nos nossos corpos;
11
E assim nós, que vivemos, estamos sempre
entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na
nossa carne mortal.
12
De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida.
13
E
temos portanto o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos
também, por isso também falamos.
14
Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos
ressuscitará também por Jesus, e nos apresentará convosco.
15
Porque tudo isto é por
amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de
graças para glória de Deus.
16
Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem
exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia.
17
Porque a nossa leve e
momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente;
18
Não
atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se
veem são temporais, e as que se não veem são eternas.