You are on page 1of 10

Retórica e argumentação, do mundo clássico ao nosso quotidiano

por Pedro Paulo A. Funari

Pedro Paulo A Funari[1]
Professor Titular
Universidade Estadual de Campinas
Coordenador Associado
NEE - Núcleo de Estudos Estratégicos




A História é definida por sua forma, antes que por seu conteúdo. O quê é a
História? Para que possamos tratar disso, convém comear por diferenciar dois
sentidos muito diferentes da palavra !História". Com H maiúsculo, é o nome de uma
disciplina, que n#o se confunde com $istória, aquilo que ocorreu no passado. %m
nossa l&n'ua, assim com em diversas outras l&n'uas de ori'em latina, $istória
costuma desi'nar, a um só tempo, aquilo que se passou e o relato so(re o passado.
Os dois termos, contudo, n#o se confundem. %m alem#o, diferencia)se, de forma
clara, o passado, aquilo que se passou *die Geschichte+ e o relato do passado *die
Historie+, usando o alem#o o ver(o !passar, acontecer" *geschehen+ para cun$ar o
termo Geschichte *literalmente, ,o Passado-+.

.otemos que a própria palavra História, $o/e t#o corriqueira, é uma
advent&cia, um termo erudito que n#o possui sentido em nossa l&n'ua portu'uesa
ou em qualquer das outras l&n'uas modernas ocidentais. Historie, history, histoire,
Cortesia: Shutterstoc
!ois temas so"re o mundo antigo
storia, História, nen$uma delas encontra e0plica#o para seu sentido no alem#o,
in'lês, franês, italiano ou portu'uês. Historia é uma palavra do 're'o anti'o,
derivada de histor, ,investi'ar, pesquisar- e si'nificava, em sua l&n'ua de ori'em,
,pesquisa- em 'eral. %ste sentido lato da palavra, de certa forma, ainda persiste
em portu'uês, por e0emplo na e0press#o ,História .atural-.

Heródoto foi o primeiro a usar a e0press#o historia para desi'nar uma
pesquisa so(re as causas dos conflitos entre 're'os e persas, incluindo uma
investi'a#o so(re o passado, mas n#o restrito a ele. Heródoto investi'ou os
costumes dos povos, ouviu seus relatos so(re seu passado e redi'iu um 'rande
apan$ado que trata, ao mesmo, do presente de sua época e do passado. Heródoto,
/1 na anti'2idade foi, por isso, c$amado de pai da História, pois ele inventou uma
nova forma liter1ria, um novo 'ênero3 o relato de pesquisa que inclui o passado. O
termo historia passou, assim, a desi'nar uma forma de e0press#o liter1ria,
preocupada com a aisthesis, com a percep#o e com a impress#o estética que este
relato causa no leitor. História como 'ênero liter1rio, iniciado por Heródoto,
continuar1 no Ocidente até o século 454, quando da introdu#o de novos conceitos,
como veremos adiante.

Tuc&dides ser1 o 'rande consolidador da nova forma liter1ria História, com
seu relato so(re a 6uerra do Peloponeso. 7ua narrativa, assim como para Heródoto,
parte do presente, da (usca das causas *aitiai+ da 6uerra que testemun$ou entre
os próprios 're'os. Tuc&dides, testemun$a ocular de muitos episódios que narra,
recria, em sua o(ra, inúmeros discursos de persona'ens, como no caso not1vel de
Péricles. Os discursos foram escritos por Tuc&dides e s#o verdadeiros e0erc&cios de
retórica e, em certo sentido, podemos di8er que a própria forma liter1ria História é
fil$a direta da 9etórica e esta da Pólis democr1tica.

:e fato, foi a vida citadina, a disputa em praa pú(lica, por meio do
em(ate de um rhetor *,autor de uma aren'a-+ com outro, que sur'iu a nova forma
de e0press#o. A polis criou o cidad#o *polités+, su/eito aut;nomo em seu poder de
fala em praa pú(lica. A agorá *praa do mercado e local de reuni<es da
assem(léia+ era o local onde se podia falar *legein+, /untar *legein+ conceitos e
ar'umentos, em um discurso *logos+, resultado da ra8#o *logos+. O conceito
mesmo central de logos deriva da import=ncia da arte da persuas#o retórica
*peithein+.

A forma narrativa ,História-, neste conte0to, n#o poderia dei0ar de
representar um tipo espec&fico de persuas#o, de retórica so(re as causas dos
acontecimentos. Heródoto e Tuc&dides n#o queriam apenas narrar ou e0plicar,
defendiam, mirando)se nos logoi da praa pú(lica, um ponto de vista so(re a
sociedade da qual fa8iam parte, Atenas, e seu sistema pol&tico, fundado,
precisamente, na isegoria *,i'ualdade de fala, li(erdade de e0press#o-+. Assim
como os discursos, a narrativa $istórica deve convencer pela (ele8a, forma, palavra
latina que si'nifica, a uma só ve8, a aparência e a formosura e que (em tradu8 os
conceitos 're'os de morphé *forma+, sh!ma *esquema+, tasis *ordem+, pois a
forma implica uma estrutura#o, uma ordena#o dos ar'umentos e dos elementos.


A forma $istórica consolida)se, a partir do século > a.C. e perdura, em
am(iente latino, calcada em recursos narrativos retóricos, em particular nos
discursos reportados em lin'ua'em direta ou indireta. %ssa narrativa $istórica
aparece, tam(ém, na icono'rafia anti'a, como no famoso mosaico da Casa do
?auno, em Pompéia, (aseado em pintura de época $elen&stica, da @atal$a de 5ssus.
O mosaico pompeiano deve ter sido e0ecutado antes de ABB a.C. e reprodu8, com
relativa fidelidade, o ori'inal. O tema do confronto entre Ale0andre, o 6rande, e
:ario, entre a civili8a#o $elênica e o mundo oriental, consu(stanciava)se, de forma
e0traordin1ria, nesta representa#o. A ordem *tasis+ das tropas 're'as op<em)se
C desordem das fileiras persas, assim como a ra8#o *logos+ se contrap<e C
desra"#o oriental. Ale0andre é apresentado com suas fei<es, semel$ante aos seus
compan$eiros, um $omem entre $omens, a comandar pela ra8#o e em nome da
ra8#o. :ario aparece todo paramentado, um so(erano que n#o possui concidad#os,
mas súditos, constituindo n#o uma oinonia *comunidade+ so( re'ras *nomoi,
,re'ras feitas pelos $omens-+, mas um (ando, uma $orda desre'rada que apenas
deve o(edecer ao despotés *,sen$or de escravos-+ :ario.

.a $istorio'rafia contempor=nea, inventou)se, C maneira dos 're'os, um
Oriente em tudo oposto ao Ocidente, irracional, imut1vel, entre'ue ao despotismo e
cu/a li(erta#o dependeria da a#o providencial do discurso ló'ico, da racionalidade
e da retórica ocidentais, fil$as da 6récia cl1ssica. Ao lon'o das décadas de dom&nio
colonial, até a descoloni8a#o dos anos ADEB, fa8ia)se uma analo'ia entre a a#o
civili8adora dos europeus e a vitória $elênica so(re o oriente, como Pierre Fou'uet
dei0ava claro em ADGH a respeito desta vitória de Ale0andre3

,O Helenismo conquistou o Oriente pelas armas da Iaced;nia e por suas
próprias institui<es...n#o $1 dúvida de que a civili8a#o ocidental se apoia na
concep#o 're'a e que ela se/a constitu&da pelo livre /o'o das iniciativas
individuais. Ao tempo de Ale0andre, ela /1 $avia provado sua superioridade-.

A História continua, pois, como uma narrativa impre'nada de retórica.
:esde o século 454, a disciplina adquiriu, contudo, fei<es próprias, a(andonando
sua postura de forma liter1ria, para constituir)se em ciência, uma forma de
con$ecimento, $issenschaft *%issen si'nifica con$ecer+. Para Jeopold von 9anKe,
em ALGM, a História deveria descrever aquilo que efetivamente aconteceu, %ie es
eingentlich ge%esen. Afastava)se, assim, de forma pro'ram1tica, a forma liter1ria,
em (enef&cio da descri#o positiva do passado, tal como reportado nos documentos.
7eria apenas no século 44 que o car1ter narrativo, a forma do discurso
$istorio'r1fico, voltaria C (aila e retornaria a preocupa#o com uma an1lise da
constru#o do ar'umento na $istorio'rafia.

A retórica, na anti'2idade presente, de forma direta, nos discursos dos
persona'ens $istóricos e na icono'rafia, aparece, em nossa época, de forma mais
mediada. A persuas#o d1)se pela uso seletivo das fontes, pelo arran/o dos
ar'umentos, pela sele#o de um repertório de ima'ens e de elementos da cultura
material que se conformam C cadeia e0plicativa posta em marc$a pelo $istoriador.
A forma volta a ser importante, a (ele8a de uma frase ou de t&tulo de livro adquire
import=ncia e retorna)se, de maneira ori'inal, a uma $istória ancorada na forma,
volta)se C forma liter1ria, ainda que em um conte0to muito diverso daquele
anti'oNGO.

A construção dos heróis: do discurso épico à historiografia

A História é uma forma liter1ria sur'ida no século > a.C., mas o relato é
muito anterior. &ythos si'nifica, /ustamente, ,relato-, ,uma narrativa-, uma
,$istória-, sem qualquer conota#o de veracidade ou falsidade. Os mitos s#o
$istórias repetidas, tra8idas de pai para fil$o pela repeti#o. Como di8iam os
latinos, tra8idas e, da&, tornadas tradi'#o. Os relatos m&ticos eram aceitos como
parte da transmiss#o dos anti'os so(re o universo, suas ori'ens e seu
funcionamento. 7e'undo essa tradi#o, $averia os imortais *os deuses+, os mortais
e os $eróis, mortais que podiam se tornar imortais ou deuses. Os $eróis foram os
principais prota'onistas da épica, dos 'randes poemas fundadores da civili8a#o
're'a cl1ssica, a 5l&ada e a Odisséia.

A forma épica corresponde a um per&odo $istórico preciso, a uma sociedade
aristocr1tica de princ&pios do primeiro milênio a.C. Os $eróis representam (em essa
sociedade aristocr1tica, pois s#o os ,mel$ores- *aristoi+, superiores aos outros,
mas, em princ&pio, simples mortais, mesmo se fil$os de deuses ou deusas. .#o se
distin'uem dos outros mortais, n#o s#o invulner1veis ou possuem poderes f&sicos
ou metaf&sicos e0traordin1rios. 9epresentam, contudo, a e0celência $umana,
'randes, (elos, fortes, s#o os no(res reis e poderosos 'uerreiros. 7#o dotados de
cora'em, a quintessência da aristocracia, como mostra um passo qualquer da 5l&ada
*455, MAB)MGG+3

,6lauco, porquê nos d#o tantos privilé'ios na J&cia, lu'ares de $onra,
carnes, taas c$eias? Porquê nos tratam todos ali como se fossemos deuses?
Porquê possu&mos, Cs mar'ens do Psanto, uma imensa propriedade, uma (ela
$erdade apropriada tanto para a cria#o como para o cultivo do tri'o? .osso dever,
ent#o, n#o é, $o/e, por /ustia, estarmos na primeira fila dos Jicianos, para
responder ao c$amado a uma dura (atal$a? Os licianos encouraados poder#o,
assim, se e0pressar3 !.#o s#o sem 'lória, os reis que comandam na nossa J&cia,
comem carneiros pin'ues e (e(em o vin$o doce escol$ido. Possuem tam(ém,
parece, o vi'or dos (ravos, /1 que est#o na primeira fileira dos licianos"-.

Possuem 'lória *timé, a (oa fama+, s#o como deuses, possuem a cora'em
dos 'randes $omens, areté. 7#o, tam(ém e de forma sintom1tica, a'raciados com
'randes propriedades, pois os $eróis s#o uma representa#o dos aristoi que
dominavam a sociedade 're'a arcaica.

A $istorio'rafia sur'ida no século > a.C. vir1 a florescer em outro conte0to,
na polis onde /1 n#o dominam os aristocratas, 'uerreiros e propriet1rios rurais. %m
Atenas, man/edoura de Heródoto e Tuc&dides, a politeia *,con/unto de cidad#os,
repú(lica, constitui#o-+ é o con/unto de politai, cidad#os de i'uais direitos
*isonomia, ,su(metidos C mesma lei $umana-+. F1 n#o é a /ustia divina a 'overnar
os $eróis, a themis, mas a ordem /ur&dica feita pelos $omens, por meio de leis
*nomoi+, mut1veis, resultado da a#o de mem(ros livres da comunidade. .este
novo conte0to, sur'e a $istorio'rafia e os $eróis /1 n#o s#o aqueles da épica
aristocr1tica. Tuc&dides *G, EQ+ assim descreve Péricles, ep&tome do novo $erói3

,Péricles, por sua posi#o, $a(ilidade e recon$ecida inte'ridade, era capa8
de controlar, de forma independente, a multid#o, condu8ir os muitos, em ve8 de ser
condu8ido. .unca tentou o(ter o poder de forma imprópria e, por isso, nunca teve
que adul1)los mas, ao contr1rio, era t#o estimado que podia contradi8er seus
dese/os. Ruando os via descontrolados de forma insolente e devido Cs
circunst=ncias, ele os dei0aria alarmados. 7e, ao contr1rio, estivessem em meio ao
p=nico, de imediato l$es faria tornar a confiana. %m resumo, o que era, no nome o
'overno do povo, tornava)se, em suas m#os, o 'overno do primeiro cidad#o-.

As virtudes do $erói /1 n#o s#o aquelas da épica $omérica, pois estava
centrada em suas $a(ilidades oratórias, no logos. .#o se tratava de impor decis<es,
mas de apresentar ar'umentos (em estruturados, ló'icos e racionais, conceitos
encapsulados no próprio termo logos( O $erói n#o passa de um concidad#o, ainda
que, por convencimento pela retórica, se/a considerado como o primeiro cidad#o.
.o mundo das cidades, só e0istem cidad#os e as virtudes n#o est#o apenas na
fora (ruta da (ravura militar, mas no dom&nio da palavra.

Como resultado, na $istorio'rafia anti'a destacam)se os discursos dos
'randes persona'ens, cu/a oratória constitui, de certa forma, a prova da sua
e0celência. O primeiro $istoriador latino, 7alústio, construiu sua narrativa a partir
da recria#o dos 'randes discursos em praa pú(lica. O discurso de I1rio, ao
assumir o consulado pela primeira ve8, $omem sem ori'em no(re e cu/os méritos
eram só seus, na recria#o de 7alústio *6uerra de Fu'urta, LQ+, desafiava3

,Comparai)me, $omem novo, com a arro'=ncia daqueles Nsc. no(resO, ó
concidad#os. 5sto que costumam ouvir di8er ou ler, vi ser feito, ou eu mesmo fi8.
Aprendem)nas pelo estudo e eu no campo de (atal$a. A'ora, estimai o que vale
mais, atos ou palavras? %les condenam min$a condi#o de $omem novoS eu, sua
covardia. O que levantam contra mim é um fruto acasoS o que se reprova neles é a
desonestidade. Ainda que considere a nature8a $umana única e comum a todos,
penso que o mais no(re é o mais cora/oso. % se me fosse dado per'untar, a'ora,
aos pais de Al(ino e de @éstia Nsc. no(resO se prefeririam a mim ou Cqueles como
descendentes, que pensais que reponderiam, sen#o que dese/avam que seus fil$os
fossem os mel$ores?-.

O $erói n#o possui no(re8a de san'ue, n#o possui nome e so(renome, n#o
tem antepassados ilustres, só l$e restam seus próprios méritos. %ste $erói, muito
propositadamente, com este discurso, estava por iniciar o recrutamento de
prolet1rios no e0ército romano, em AAA a.C., até ent#o composto somente por
quem pudesse se armar. I1rio é um $erói por méritos próprios, assim como
aqueles cu/a po(re8a ser#o arrolados na mil&cia. T pela aren'a do $erói que
7alústio descreve uma importante mudana social, econ;mica e, em última
inst=ncia, pol&tica. %ste processo, iniciado por I1rio, ir1 culminar com seu $erdeiro
pol&tico, Caio Fúlio César, outro 'rande $eroi, cu/a fi'ura marcar1 o 'rande
$istoriador moderno T$eodor Iommsen, autor de ,César, 9etrato de uma estadista-
*ALQH+, cu/as palavras conclusivas s#o claras3 ,Assim atuou e a'iu César, como
nen$um mortal, antes ou depois dele-. O uso da palavra ,mortal-, )ter*licher,
relaciona o persona'em do $istoriador aos $eróis ,mortais- da mais alta
anti'2idade 're'a.

.#o apenas a $istorio'rafia e0pressou, plasticamente, a $eroicidade. A
%st1tua de Au'usto como +ontife, &a,imus, encontrada em ADAB na >ia Ja(icana,
em 9oma, e $o/e custodiada no &useo Na"ionale -omano representa a e0press#o
material e ic;nica dessa forma $eróica. Au'usto est1 representado em sua
maturidade, sua ca(ea co(erta com uma to'a, a sacrificar. A face é representada
com grauitas, irradiando um ar ma/est1tico e de dom&nio. Au'usto é, C semel$ana
de Péricles, um princeps, o primeiro cidad#o, nunca rei, um $omem de qualidades
e0cepcionais, C maneira de I1rio, que se for/ou a si mesmo, ainda que patr&cio
*como César+. Au'usto, t&tulo que l$e foi conferido pelo senado, si'nifica
,a(enoado- pelos deuses e, assim como César, após a morte, sua deifica#o
apro0ima, uma ve8 mais, os mortais dos deuses. Au'usto, sintomaticamente, ser1
$omena'eado pelo maior poema épico latino, a %neida, de >ir'&lio e pela mais
ampla o(ra $istorio'r1fica romana, a História de Tito J&vio. :e certa forma, um ciclo
se cumpriaNMO.


NAO Professor Titular, Universidade %stadual de Campinas, Coordenador)Associado
do .úcleo de %studos %straté'icos, ppfunariVuol.com.(r.

NGOJeituras
?ontes3 ?unari, P.P.A. ADDQ . .ntig/idade Clássica0 a Hist1ria e a cultura a partir
dos documentos( Campinas, %ditora da Unicamp.
Jiteratura moderna3
@ernal, I. ADLH 2lac .thena. .ova 5orque, 9ut'ers.
Said, #.$. %&'( Orientalism. )o*a +orque, ,intage -oos.

NMO 9eferências
Auri'emma, 7. ADEM 3he 2aths of 4iocletian and the &useo Na"ionale -omano.
9oma, 5stituto Poli'rafico dello 7tato.
?unari, P.P.A. GBBA Grécia e -oma. 7#o Paulo, Conte0to.
Iommsen, T. ADQE Caesar, 2idniss eines )taastmannes( Iunique, 6oldmann.
9omillW, F. ADLQ Hom5re. Paris, Presses Universitaires de ?rance