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Faculdade Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

Geografia dos Recursos Naturais (FLG0335) / 1º semestre - 2014
Profº Dr
º
Luis Bittar Venturi
Pedro Paulo Teixeira Coelho / nºUSP: 6474678

Capítulo 8

1. Faça uma análise comparativa entre um litro de álcool e um litro e gasolina,
considerando preço, eficiência enquanto combustível e impacto socioambiental.

O etanol e a gasolina, enquanto combustíveis para automóveis, tem seus preços auferidos
nos diversos postos do país segundo vários critérios: custos relacionados ao transporte,
impostos estaduais e oferta e demanda do produto. Vale dizer que os estados que
concentram a produção de cana de açúcar para biocombustíveis, o preço do etanol nas
bombas costuma ser mais barato (como, por exemplo, São Paulo), do que em estados
não-produtores (Rio de Janeiro, por exemplo). Se considerarmos a escala do município,
pode-se dizer que a relação entre o preço de ambos (preço do etanol/preço da gasolina)
oscila entre cerca de 65%-75%, o que corresponde ao intervalo de valores próximos à
eficiência energética média de 70% de um em relação ao outro. Outro dado que pode ser
considerado nesta análise de preço x eficiência é que a eficiência do combustível se altera
de modelo de carro para modelo se carro. Segundo o Inmetro (2013), a única categoria de
carro que apresentou maior eficiência energética do etanol frente à gasolina, dada a
diferença média de preço de 30% a menos em favor do primeiro, foram os carros
chamados subcompactos (Ford Ka, Fiat Uno, etc.).
Do ponto de vista do impacto socioambiental, podemos listar diversas variáveis a serem
analisadas: impacto na paisagem, impacto na disponibilidade futura, emissões de gases
estufa, gasto hídrico envolvido na produção, cadeia produtiva envolvida e ainda muitos
outros. Assim, podemos considerar que, se levarmos em conta a produção de gasolina e
de etanol vigente no território brasileiro, o impacto na paisagem é muito maior em favor
do segundo do que do primeiro, pelo fato do petróleo ser extraído da plataforma
continental enquanto o etanol exige grandes extensões de terra para a produção de cana
de açúcar. No que diz respeito à disponibilidade para as gerações futuras (um dos eixos
preconizados por Gro Bruntland no Relatório Nosso Futuro Comum, 1987), o impacto
maior pende para o lado da gasolina, pelo fato desta ser um derivado do petróleo
(hidrocarboneto não renovável na escala de tempo humano). Do ponto de vista da
emissão de gases estufa, a utilização do etanol como substituto da gasolina tem como
efeito uma redução de emissões líquidas de CO2, embora o valor dessa redução e a
própria redução ainda seja discutível exatamente pelo fato de, na cadeia produtiva do
etanol, se inserirem

A eficiência energética média do etanol na maior parte dos veículos vendidos no país é
ainda inferior a 70% do desempenho da gasolina, nível indicado como referência no
mercado. Na média, essa eficiência é de 68%, sendo que em apenas 10% dos carros esse
desempenho é igual ou superior a 70%. A tendência é de essa relação permanecer
desvantajosa ao biocombustível. No último ano, o ganho de eficiência obtido por veículos
vendidos no país foi maior no uso de gasolina do que de etanol.