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Antropologia 3

Aluno: Diego da Silva Tavares


A importância da Mitologia no Kula


“Tomakan pegou uma waga nova. Tocou o búzio
e foi a Koya. Ele disse à mãe: “Minha mãe, tu ficas,
eu vou navegar...”

Uma certa percepção selvagem

O trecho destacado acima foi retirado da Estória de Gumagabu, uma dentre
outras histórias, além de canções e lendas relatadas por Malinowisk no cap XII
referente á mitologia do kula do seu argonautas do Pacífico Ocidental. Tais mitos,
como bem destaca o antropólogo, são documentos importantes para compreender ” a
visão de mundo tal qual ela se acha refletida na mente dos nativos”. Os mitos que nos
são informados pelo autor fazem frequentes referências á paisagem, ao aspecto
geográfico de suas moradas e a de seus vizinhos. Tal fato chama atenção não só à
disposição teórico metodológico de Malinowisk, mas à uma outra questão ligada à
outro antropólogo, Levi- Strauss. O que se revela através do reflexo de suas mentes,
não é apenas um mundo, mas um tipo de pensamento, uma “proliferação conceitual”
que dá mais atenção ás propriedades do real, tal é a lógica das qualidades sensíveis.

Vejamos como podemos fazer (rápida e superficialmente) essa junção entre
Malinowski e Levi- Strauss, entre funcionalismo e estruturalismo, entre os “ reclames
do estômago” e as “coisas boas para pensar”.

Deixemos o “funcionalista” falar: “Vamos tentar reconstruir aqui a influência
dos mitos sobre essa vasta região, mitos esses que lhe emprestam colorido, dão- lhe
significado e a transformam em algo vivo e familiar. O que antes era um simples
rochedo agora assume personalidade; o que antes era apenas um pontinho no
horizonte, transforma-se num ponto de referencia importante...”

Tal trecho mostra bem a adição do interesse humano aos acidentes naturais”
como uma movimento natural do pensamento selvagem que se opera através da lógica
das qualidades sensíveis tal como postulado por Levi Strauss: “Cada coisa sagrada em
seu lugar”. É por isso que os trobiandeses se interessam tanto por trechos da paisagem
repleto de significados míticos; uma pedra que tinha sido atirada contra uma canoa;
uma passagem criada por uma canoa voadora; rochas que são na verdade pessoas
petrificadas, a familiaridade com os caminhos marítimos, atenção apaixonada com o
meio geográfico e natural. Isso dito, me permito parafrasear Levi- Strauss: os aspectos
naturais e geográficos não são interessantes porque são úteis, mas sim porque são
conhecidas.

“...todas essas coisas fazem com que a paisagem represente uma história
continua ou então o incidente dramático culminante de uma lenda conhecida. Esse
poder de transformar a paisagem, o ambiente visível, é apenas uma das muitas
influências que o mito exerce na visão geral dos nativos.” Dessa fala de Malinowisk
concluo o seguinte: os mitos podem ser entendidos como operadores lógicos entre um
objeto natural e um objeto de conhecimento. Como saber para onde navegar sem
conhecer o mito Murua, por exemplo?
Fragmentos de fatos, de espaços, pedras mares e canoas: bricolagem
trobiandesa.

Mito e história.

Situado no seio de uma população, ou de grupos de populações, próximas pelo
habitat, pela história ou pela cultura, Malinowiski analisa esse “folclore particular”,
ou seja a tradição verbal, o acervo de contos, lendas e textos deixados por gerações
anteriores das Ilhas Trobiand. Tais acervos compõem-se das seguintes categorias:

 Libogwo: falar antigo (tradição).
• Kukwanebu: contos de fadas, recitados com o objetivo de divertir, não
verdadeiros.
• Wosi: canções diversas e vinsvina: cançonetes entoadas em circunstâncias
especiais.
• Megwa ou yopa: fórmulas mágicas.

O foco de análise de Malinowiski sera a primeira, o Libogwo, que pode ser
compreendido como um conjunto das velhas tradições ditas como verdadeiras.
Consiste:
• Contos históricos: tais como os que relatam os feitos de chefes anteriores.
• Lili’u: mitos, narrativas que exercem influência ativa no comportamento e na
vida tribal.

Como se pode ver, o conteúdo significativo do libogwo marca uma
distinção clara entre um tempo lendário e um tempo histórico. Cabe dizer, que
os nativos não compreendem o passado como uma série de mudanças
sucessivas: as personagens míticas moram no mesmo tipo de casa, comem o
mesmo tipo de alimento, vivem a mesma vida que se vive no tempo em que
Malinowski fez sua “observação participante.”
Para continuar a falar sobre os mitos, eles são basicamente de três
tipos:
 Mitos mais antigos: se referem á gênese dos seres humanos, o momento em
que a terra passou a ser povoada por humanos.
 Mitos culturais: referents a seres que estabeleceram costumes e características
culturais até hoje seguidas
 Mitos nos quais figuram apenas seres humanos normais porem dotados se
poderes mágicos.