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Direito Administrativo

Aula 1
O presente material constitui resumo elaborado por equipe de monitores a partir da aula
ministrada pelo professor em sala. Recomenda-se a complementação do estudo em livros
doutrinários e na jurisprudência dos Tribunais.
Centro: Rua Buenos Aires, 56 - 2º andar – Tel.: (21) 2223-1327 1
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Assuntos tratados:
1º Horário.
 Intervenção do estado no direito de propriedade / Desapropriação / Espécies /
Conceito / Natureza jurídica / Pressupostos / Objeto / Elementos / Momento
consumativo / Competência / Indenização
2º Horário.
 Desapropriação indireta / Desapropriações derivadas / Procedimento da
desapropriação / Direito de extensão
3º Horário.
 Retrocesssão

1º horário

1. Intervenção do estado no direito de propriedade
Os pressupostos genéricos da intervenção do Estado no direito de propriedade
são: a função social e o argumento jurídico.
O direito a propriedade precisa atender a função social. A CRFB traz as
diretrizes básicas nos art. 182, §2º para a propriedade urbana e art. 186, caput para
propriedade rural.
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público
municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o
pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de
seus habitantes. [...]
§ 2º - A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às
exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.

Art. 186. A função social é cumprida quando a propriedade rural atende,
simultaneamente, segundo critérios e graus de exigência estabelecidos em lei, aos
seguintes requisitos:
I - aproveitamento racional e adequado;
II - utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e preservação do meio
ambiente;
III - observância das disposições que regulam as relações de trabalho;
IV - exploração que favoreça o bem-estar dos proprietários e dos trabalhadores.
O argumento jurídico para alguns doutrinadores será o domínio iminente e
para outros o poder de polícia. No primeiro, encontra fundamento na soberania
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estatal, poder exercido pelo Estado abrangendo todos os bens que se encontram
situados em seu território. O segundo a Administração estaria restringindo, limitando
ou, até mesmo, suprimindo o direito individual da propriedade em benefício da
coletividade, nos termos do art. 78 do CTN.
Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que,
limitando ou disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato
ou abstenção de fato, em razão de intêresse público concernente à segurança, à
higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao
exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do
Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos
individuais ou coletivos.
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando
desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com
observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como
discricionária, sem abuso ou desvio de poder.

1.1. Desapropriação
1.1.1 Espécies
Desapropriação
comum ou ordinária
Direta: utilidade pública (Decreto-lei nº 3.365/41),
necessidade pública (Decreto-lei nº 3.365/41) e interesse
social (Lei nº 4.132/62).
Indireta: art. 35 do Decreto-lei nº 3.365/41
Desapropriação
Extraordinária
Urbanizatória sancionatória - art. 182, §4º, III da CRFB.
Reforma agrária: art. 184, caput e §3º da CRFB, Lei nº
8.629/93 e LC 76/93.
Punitiva - art. 243 da CRFB e Lei nº 8.257/91
Desapropriação social: art. 1228, §4º CC

Observação: A desapropriação ordinária envolve a indenização prévia justa e
em dinheiro (art. 5º, XXIV da CRFB), por outro lado a desapropriação urbanizatória
prevê a indenização paga por títulos da dívida pública. Já a punitiva não envolve o
pagamento de indenização.
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Art. 5º, [...] XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por
necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia
indenização em dinheiro, ressalvados os casos previstos nesta Constituição;

Art. 182, [...]§ 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica
para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do
proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que
promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão
previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez
anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da
indenização e os juros legais.

Art. 243. As glebas de qualquer região do País onde forem localizadas culturas
ilegais de plantas psicotrópicas serão imediatamente expropriadas e
especificamente destinadas ao assentamento de colonos, para o cultivo de
produtos alimentícios e medicamentosos, sem qualquer indenização ao
proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em
decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins será confiscado e
reverterá em benefício de instituições e pessoal especializados no tratamento e
recuperação de viciados e no aparelhamento e custeio de atividades de
fiscalização, controle, prevenção e repressão do crime de tráfico dessas
substâncias.

1.1.2. Conceito
O conceito de desapropriação envolve quatro perspectivas: procedimento de
direito público, direito potestativo do Estado, intervenção supressiva do direito de
propriedade, forma de aquisição originária da propriedade.
A desapropriação é o instituto de direito público que se consubstancia em
procedimento administrativo pelo qual o poder público, as autarquias ou as entidades
delegadas, autorizadas por lei ou contrato exercem direito potestativo, adquirindo
para si de forma originária, bens de pessoa física ou jurídica por razão de utilidade
pública ou de interesse social, normalmente mediante o pagamento de indenização.

1.1.3. Natureza jurídica
A natureza jurídica da desapropriação será de procedimento administrativo.

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1.1.4. Pressupostos
Os pressupostos da desapropriação são os conceitos jurídicos indeterminados:
necessidade pública, utilidade pública, interesse social.
Entende-se por necessidade pública a situação de emergência, utilidade pública
envolve a conveniência e oportunidade, e o interesse social visa atender a sociedade.

1.1.5. Objeto
O bem para ser expropriado deve ter valor econômico e ser infungível.
Questão de concurso – 9º Concurso - Tribunal Regional Federal 3ª Região
30. Acerca do instituto da desapropriação é correto afirmar-se que:
a) não pode ser considerada como hipótese de utilidade pública, para fins de
desapropriação, o funcionamento dos meios de transporte coletivo, pois essa
atividade é geralmente objeto de contrato de permissão.
b) na hipótese de falecimento do expropriado, durante a ação expropriatória,
o juiz determinará a suspensão do processo nos termos da lei processual civil.
c) é permitida a desapropriação do espaço aéreo, se dela resultar prejuízo
patrimonial ao proprietário do solo.
d) a desapropriação por interesse social deverá efetivar-se mediante acordo
ou intentar-se judicialmente dentro de 5 (cinco) anos, contados da data da
expedição do decreto, findos os quais este caducará.
Resp.: c
 Comentários
Alternativa “a”: Errada. O art. 5º, j do Decreto–lei nº 3.365/41.
Art. 5
o
Consideram-se casos de utilidade pública: [...]
j) o funcionamento dos meios de transporte coletivo;
Alternativa “b”: Errada. Art. 21 do Decreto-Lei nº 3.365/41.
Art. 21. A instância não se interrompe. No caso de falecimento do réu, ou perda de
sua capacidade civil, o juiz, logo que disso tenha conhecimento, nomeará curador
à lide, ate que se lhe habilite o interessado.
Parágrafo único. Os atos praticados da data do falecimento ou perda da
capacidade à investidura do curador à lide poderão ser ratificados ou impugnados
por ele, ou pelo representante do espólio, ou do incapaz.
Alternativa “c”: Correta. O espaço aéreo e o subsolo são passíveis de
desapropriação, desde que gerem prejuízo patrimonial ao proprietário.
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Alternativa “d”: Errada. O prazo pelo art. 3º do Decreto-Lei nº 3.365/41 por
interesse social.
Art. 3
o
Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de carater
público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover
desapropriações mediante autorização expressa, constante de lei ou contrato.
Observação
1
: Moeda histórica pode ser desapropriada, pois são infungíveis e
detêm valor econômico. A moeda corrente, por sua vez não poderá ser alvo de
desapropriação.
Observação
2
: Pode ser desapropriado somente o aspecto patrimonial dos
direitos personalíssimos.
Observação
3
: O art. 185 da CRFB impede a desapropriação da pequena e média
propriedade rural e a propriedade produtiva.
Art. 185. São insuscetíveis de desapropriação para fins de reforma agrária:
I - a pequena e média propriedade rural, assim definida em lei, desde que seu
proprietário não possua outra;
II - a propriedade produtiva.
Parágrafo único. A lei garantirá tratamento especial à propriedade produtiva e
fixará normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua função social.
Observação
4
: As pessoas jurídicas não podem ser desapropriadas. Todavia, suas
ações, quotas e bens poderão.
Observação
5
: As margens dos rios navegáveis não são desapropriáveis.
Súmula nº 479 / STF - As margens dos rios navegáveis são domínio público,
insuscetíveis de expropriação e, por isso mesmo, excluídas de indenização.

1.1.6. Elementos
Os elementos da desapropriação são: discricionariedade, onerosidade,
compulsoriedade e originariedade.
O art.2º, §2º do Decreto-Lei nº 3365/41 admite a desapropriação de bens
públicos, desde que observada hierarquia por interesse, isto é, o ente federativo que
detém o interesse de maior relevância prevalece sobre os demais. Dessa forma, o
interesse nacional se sobrepõe ao regional e ao local.
Art. 2
o
Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser
desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e
Territórios.
§ 2
o
Os bens do domínio dos Estados, Municípios, Distrito Federal e Territórios
poderão ser desapropriados pela União, e os dos Municípios pelos Estados, mas,
em qualquer caso, ao ato deverá preceder autorização legislativa.
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Questão de concurso – 10º concurso – Tribunal Regional Federal 1ª Região
47. Ao processo pelo qual um bem público de uso comum transforma-se em
bem dominical, chama-se:
a) desafetação.
b) tombamento.
c) tredestinação.
d) desapropriação.
Resp.: a

1.1.7. Momento consumativo
O momento consumativo da desapropriação não é tema pacífico. Há três
correntes que disputam o tema:
a) registro da sentença
b) trânsito em julgado na sentença de desapropriação
c) pagamento da indenização.
Questão de concurso – 5º concurso - Tribunal Regional Federal – 5ª
Região
16. Nos termos da legislação vigente no Brasil, um bem expropriado, uma vez
incorporado à Fazenda Pública:
a) não pode ser objeto de reivindicação, devendo a situação resolver-se em
perdas e danos.
b) pode ser objeto de reivindicação, desde que fundada em título constituído
há mais de vinte anos.
c) pode ser objeto de reivindicação, desde que fundada em nulidade do título
pelo qual o expropriado era considerado proprietário do bem.
d) pode ser objeto de reivindicação, desde que fundada em previsão de
preferência legal para aquisição do bem.
e) pode ser objeto de reivindicação, desde que fundada em nulidade do
processo de desapropriação.
Resp.: a
 Comentário
Vide art. 35 do Decreto-Lei 3.365/41.
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Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não
podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de
desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e
danos.

1.1.8. Competência
A competência para legislar sobre desapropriação será da União, segundo o art.
22, II da CRFB.
Art. 22. Compete privativamente à União legislar sobre: [...]
II - desapropriação;
A competência para emitir ato declaratório de desapropriação será da União,
Estados, Municípios e Distrito Federal, nos termos do art. 2º do Decreto-Lei nº
3.365/41.
Art. 2
o
Mediante declaração de utilidade pública, todos os bens poderão ser
desapropriados pela União, pelos Estados, Municípios, Distrito Federal e
Territórios.
A desapropriação para fins de reforma agrária, somente pode ser realizada pela
União.
A desapropriação urbanizatória sancionatória, por sua vez, somente pode ser
realizada pelo Município, pelo art. 8º, caput do Estatuto da Cidade.
Art. 8
o
Decorridos cinco anos de cobrança do IPTU progressivo sem que o
proprietário tenha cumprido a obrigação de parcelamento, edificação ou
utilização, o Município poderá proceder à desapropriação do imóvel, com
pagamento em títulos da dívida pública.
O DNIT na forma do art. 14 do Decreto-Lei nº 512/69 pode declarar
desapropriação de imóveis para a construção de rodovias.
Art. 14. O Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, por ato de seu
Diretor-Geral, declarará a utilidade pública de bem ou propriedade, para efeito de
desapropriação e afetação a fins rodoviários, e a qualquer tempo, poderá
requisitar o ingresso de agente do Departamento Nacional de Estradas de
Rodagem, em propriedade pública ou privada, para efetivação de estudos que
visem à implantação de estradas ou obras auxiliares, observado o dever de
preservação do bem e de indenizar as perdas e danos decorrentes da requisição.
A ANEEL também pode desapropriar nos termos do art. 10 da Lei nº 9.074/95.
Art. 10. Cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, declarar a utilidade
pública, para fins de desapropriação ou instituição de servidão administrativa, das
áreas necessárias à implantação de instalações de concessionários,
permissionários e autorizados de energia elétrica.
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A execução da desapropriação será da União, Estados, Municípios e Distrito
Federal, acrescidos de outros entes, como empresas públicas, sociedades de
economias mistas, autarquias, fundações, concessionárias e delegatárias de serviços
públicos, nos termos do art. 3º do Decreto-Lei nº 3.365/41.
Art. 3
o
Os concessionários de serviços públicos e os estabelecimentos de carater
público ou que exerçam funções delegadas de poder público poderão promover
desapropriações mediante autorização expressa, constante de lei ou contrato.
Questão de concurso – 15º Concurso – Tribunal Regional Federal – 4ª Região
75. Dadas as assertivas abaixo, assinale a alternativa correta.
I. De acordo com a Constituição Federal, a competência para legislar sobre
desapropriação é concorrente entre os entes federativos.
II. É devida indenização ao expropriado correspondente aos danos
ocasionados aos elementos que compõem o fundo de comércio pela
desapropriação do imóvel.
III. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de
inadmitir a indenizabilidade das matas e revestimentos florestais que
recobrem áreas dominiais privadas, sob o fundamento de que sua
preservação decorre de mera limitação administrativa imposta pelo poder
público.
IV. Não há prazo legal para o município proceder ao adequado
aproveitamento do imóvel desapropriado em razão de não cumprimento de
sua função social.
(a) Está correta apenas a assertiva II.
(b) Estão corretas apenas as assertivas I e II.
(c) Estão corretas apenas as assertivas III e IV.
(d) Estão corretas apenas as assertivas I, III e IV.
(e) Nenhuma assertiva está correta.
Resp.: a
 Comentários
Alternativa I: Errada.
Alternativa II: Correta.
Alternativa III: Errada. Art. 15-A, §3º do Decreto-Lei nº 3.365/41.
Art. 15-A, [...] § 3
o
O disposto no caput deste artigo aplica-se também às ações
ordinárias de indenização por apossamento administrativo ou desapropriação
indireta, bem assim às ações que visem a indenização por restrições decorrentes
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de atos do Poder Público, em especial aqueles destinados à proteção ambiental,
incidindo os juros sobre o valor fixado na sentença.
Alternativa IV: Errada. Art.8º, §4º do Estatuto da Cidade.
Art. 8º, [...] § 4
o
O Município procederá ao adequado aproveitamento do imóvel no
prazo máximo de cinco anos, contado a partir da sua incorporação ao patrimônio
público.

1.1.9. Indenização
A indenização é regra na desapropriação, segundo o art. 5º, XXIV da CRFB que
estabelece que ela seja prévia, justa e em dinheiro.
Hely Lopes Meirelles assevera que a indenização deve ser paga antes da
imissão na posse, mas a maioria da doutrina entende que o momento será a
transferência do domínio.
O pagamento em dinheiro sofre mitigação nas hipóteses de desapropriação
urbanizatória, art. 182, §4º, III da CRFB e será paga por títulos da dívida pública.
A indenização justa evita a diminuição patrimonial do proprietário. Calculada
através do valor de mercado determinado por perícia, acrescido de juros moratórios e
compensatórios. Outros valores estão no art. 25, parágrafo único do Decreto-Lei nº
3.365/41.
Art. 25. O principal e os acessórios serão computados em parcelas autônomas.
Parágrafo único. O juiz poderá arbitrar quantia módica para desmonte e
transporte de maquinismos instalados e em funcionamento.

2º horário

Questão de concurso – 12º Concurso – Tribunal Regional Federal – 1ª Região
54. Na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal:
a) não subsiste orientação anterior à Constituição de 1988 de que só a perda
da propriedade, ao final da ação de desapropriação – e, não a imissão
provisória na posse do imóvel – está compreendida na garantia da justa e
prévia indenização;
b) subsiste, no regime da Constituição Federal de 1988, a jurisprudência
firmada sob a égide das Constituições anteriores, assentando que só a perda
da propriedade, no final da ação de desapropriação – e não a imissão
provisória na posse do imóvel – está compreendida na garantia da justa e
prévia indenização;
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c) a primeira alternativa não só é correta, como está revogado o art. 15 do
Dec.lei 3.365/45, que admite, em casos de urgência, a imissão provisória na
posse do bem expropriado sem a necessidade do pagamento prévio e
integral da indenização;
d) a primeira alternativa não só é correta, como está revogado o art. 15 do
Dec.lei 3.365/41 e, tendo-se consumado a imissão provisória na posse sem o
cumprimento do pressuposto da avaliação judicial prévia, deve-se corrigir a
falha mediante laudo pericial e depósito posterior.
Resp.: b
 Comentários
Alternativa “a”: Errado. A justa indenização ocorre quando há perda da
propriedade.
Alternativa “b”: Correto
Alternativa “c”: Errada. O art. 15 não está revogado.
Art. 15. Se o expropriante alegar urgência e depositar quantia arbitrada de
conformidade com o art. 685 do Código de Processo Civil, o juiz mandará imití-lo
provisoriamente na posse dos bens;
§ 1º A imissão provisória poderá ser feita, independente da citação do réu,
mediante o depósito:
a) do preço oferecido, se êste fôr superior a 20 (vinte) vêzes o valor locativo, caso o
imóvel esteja sujeito ao impôsto predial;
b) da quantia correspondente a 20 (vinte) vêzes o valor locativo, estando o imóvel
sujeito ao impôsto predial e sendo menor o preço oferecido;
c) do valor cadastral do imóvel, para fins de lançamento do impôsto territorial,
urbano ou rural, caso o referido valor tenha sido atualizado no ano fiscal
imediatamente anterior;
d) não tendo havido a atualização a que se refere o inciso c, o juiz fixará
independente de avaliação, a importância do depósito, tendo em vista a época em
que houver sido fixado originàlmente o valor cadastral e a valorização ou
desvalorização posterior do imóvel.
Alternativa “d”: Errada.

Questão de concurso – 14º Concurso – Tribunal Regional Federal – 4ª Região
80. Assinale a alternativa INCORRETA em matéria de desapropriação.
a) Os juros compensatórios, na desapropriação indireta, incidem a partir da
ocupação, calculados sobre o valor da indenização, corrigido
monetariamente.
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b) Os juros compensatórios, na desapropriação direta, incidem a partir da
imissão na posse, calculados sobre o valor da indenização, corrigido
monetariamente.
c) Nas ações de desapropriação, os juros compensatórios são sempre fixados
em 12% (doze por cento) ao ano a partir da ocupação.
d) A base de cálculo de honorários de advogado em desapropriação é a
diferença entre a oferta e a indenização, corrigidas ambas monetariamente.
e) Nas ações de desapropriação, incluem-se no cálculo da verba advocatícia
as parcelas relativas aos juros compensatórios e moratórios, devidamente
corrigidas.
Resp.: c
 Comentários
Alternativa “a” e “b”: Corretas. Art. 15-A do Decreto-Lei nº 3.365/41.
Art. 15-A No caso de imissão prévia na posse, na desapropriação por necessidade
ou utilidade pública e interesse social, inclusive para fins de reforma agrária,
havendo divergência entre o preço ofertado em juízo e o valor do bem, fixado na
sentença, expressos em termos reais, incidirão juros compensatórios de até seis
por cento ao ano sobre o valor da diferença eventualmente apurada, a contar da
imissão na posse, vedado o cálculo de juros compostos.
§ 1
o
Os juros compensatórios destinam-se, apenas, a compensar a perda de renda
comprovadamente sofrida pelo proprietário.
§ 2
o
Não serão devidos juros compensatórios quando o imóvel possuir graus de
utilização da terra e de eficiência na exploração iguais a zero.
Alternativa “c”: Errada.
Alternativa “d”: Correta. Art. 27, §1º da Lei de Desapropriação.
Art. 27, [...] § 1º A sentença que fixar o valor da indenização quando este for
superior ao preço oferecido condenará o desapropriante a pagar honorários do
advogado, que serão fixados entre meio e cinco por cento do valor da diferença,
observado o disposto no § 4o do art. 20 do Código de Processo Civil, não podendo
os honorários ultrapassar R$ 151.000,00 (cento e cinqüenta e um mil reais).
Alternativa “e”: Correta.

1.1.10. Desapropriação indireta
O art. 35 da Lei de Desapropriação versa sobre o tema.
Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não
podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de
desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e
danos.
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A natureza jurídica da desapropriação indireta é alvo de divergência
doutrinária. Para uma primeira corrente, trata-se de esbulho possessório, uma
segunda corrente tempera a primeira, por entender ser esbulho passível de
reintegração do bem, ainda não afetado (Maria Sylvia Zanella Di Pietro); e para a
corrente dominante seria a desapropriação meramente irregular.

1.1.11. Desapropriações derivadas
A desapropriação poderá abranger a área contígua e por áreas valorizadas
extraordinariamente, nos termos do art. 4º da Lei das Desapropriações. A primeira visa
facilitação da execução da obra e o expropriante não pode revender o bem, contudo a
segunda o expropriante irá revender o bem para amortizar o custo da obra.
Art. 4
o
A desapropriação poderá abranger a área contígua necessária ao
desenvolvimento da obra a que se destina, e as zonas que se valorizarem
extraordinariamente, em consequência da realização do serviço. Em qualquer
caso, a declaração de utilidade pública deverá compreendê-las, mencionando-se
quais as indispensaveis à continuação da obra e as que se destinam à revenda.

1.1.12. Procedimento da desapropriação
O procedimento é bifásico: fase declaratória e fase executória.
A fase declaratória inicia o procedimento expropriatório, individualiza o bem
expropriado e marca o início de caducidade para que a Administração inicie a fase
executória, conforme art. 10 da Lei das Desapropriações.
Art. 10. A desapropriação deverá efetivar-se mediante acordo ou intentar-se
judicialmente, dentro de cinco anos, contados da data da expedição do respectivo
decreto e findos os quais este caducará.
Neste caso, somente decorrido um ano, poderá ser o mesmo bem objeto de nova
declaração.
Parágrafo único. Extingue-se em cinco anos o direito de propor ação que vise a
indenização por restrições decorrentes de atos do Poder Público.
Os efeitos da declaração são: limita o direito de construir (súmula nº 23 do
STF), estabelece regime de benfeitorias (art. 26, §1º da Lei das Desapropriações) e cria
o direito de penetração (art. 7º da Lei das Desapropriações).
Súmula nº 23 / STF - Verificados os pressupostos legais para o licenciamento da
obra, não o impede a declaração de utilidade pública para desapropriação do
imóvel, mas o valor da obra não se incluirá na indenização, quando a
desapropriação for efetivada.

Direito Administrativo
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Art. 26, [...] § 1º Serão atendidas as benfeitorias necessárias feitas após a
desapropriação; as úteis, quando feitas com autorização do expropriante.

Art. 7º Declarada a utilidade pública, ficam as autoridades administrativas
autorizadas a penetrar nos prédios compreendidos na declaração, podendo
recorrer, em caso de oposição, ao auxílio de força policial.
Àquele que for molestado por excesso ou abuso de poder, cabe indenização por
perdas e danos, sem prejuizo da ação penal.

Questão de concurso – 13º concurso – Tribunal Regional Federal – 4ª Região
23. Dadas as assertivas abaixo, assinalar a alternativa correta.
I. A declaração de utilidade pública que antecede a desapropriação guarda
por si mesma o condão de transferir a propriedade do futuro expropriado ao
Estado, em razão do que se deve inibir a realização das benfeitorias.
II. O licenciamento para realização de obras na área expropriada não pode
ser negado; todavia, a Administração não será obrigada a indenizá-las
quando efetivada a desapropriação.
III. A declaração de utilidade pública não pode perdurar indefinidamente,
havendo prazo de caducidade a ser respeitado, mesmo que subsista o
interesse público na expropriação do bem.
IV. Caso seja alienado o imóvel à incorporadora imobiliária antes de
concluído o processo expropriatório, tal ato jurídico padecerá de vício
insanável, não guardando sequer existência no universo jurídico.
a) Estão corretas apenas as assertivas I e III.
b) Estão corretas apenas as assertivas II e III.
c) Estão corretas apenas as assertivas II e IV.
d) Estão corretas apenas as assertivas I, III e IV.
Resp.: b
 Comentários
Alternativa “I”: Errada. A desapropriação não transfere a propriedade e é
instituído um sistema especial
Alternativa “II”: Correta.
Alternativa “III”: Correta.
Alternativa “IV”: Errada.
A fase executória pode se esgotar na via administrativa (“desapropriação
amigável”) ou ser ajuizada uma ação de desapropriação.
Direito Administrativo
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A primeira característica é a imissão antecipada na posse, que corresponde a
uma antecipação dos efeitos da tutela pretendida, art. 15, § 1º do Decreto-Lei
3.365/41.
O âmbito de defesa é limitado, nos termos do art. 20 da Lei das
Desapropriações.
Art. 20. A contestação só poderá versar sobre vício do processo judicial ou
impugnação do preço; qualquer outra questão deverá ser decidida por ação
direta.
O expropriado ignorado é tratado no art. 18 da Lei das Desapropriações,
prevendo a prevalência do interesse público.
Art. 18. A citação far-se-á por edital se o citando não for conhecido, ou estiver em
lugar ignorado, incerto ou inacessível, ou, ainda, no estrangeiro, o que dois oficiais
do juizo certificarão.
O poder público pode desistir da desapropriação até o momento primeiro valor
que o expropriado, vide o art. 33, §2º da Lei das Desapropriações.
Art. 33. O depósito do preço fixado por sentença, à disposição do juiz da causa, é
considerado pagamento prévio da indenização.
§ 2º O desapropriado, ainda que discorde do preço oferecido, do arbitrado ou do
fixado pela sentença, poderá levantar até 80% (oitenta por cento) do depósito
feito para o fim previsto neste e no art. 15, observado o processo estabelecido no
art. 34.
Questão de concurso – 8º Concurso – Tribunal Regional Federal – 3ª Região
20) Quanto à desapropriação por utilidade pública, pode-se afirmar que:
a) o poder expropriante não poderá valer-se do procedimento expropriatório
para constituir servidão.
b) os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, somente
poderão ser objeto de reivindicação se fundada esta em nulidade absoluta do
processo de desapropriação.
c) a contestação do expropriado somente poderá versar sobre impugnação
do preço.
d) aquele cujo bem for prejudicado extraordinariamente em sua destinação
econômica pela desapropriação de área contígua terá direito a reclamar
perdas e danos do expropriante.
Resp.: d
 Comentários
Alternativa “a”: Errada.
Alternativa “b”: Errada. Art. 35 da Lei das Desapropriações.
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Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não
podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de
desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e
danos.
Alternativa “c”: Errada.
Alternativa “d”: Correta. Vide art. 37 da lei das desapropriações.
Art. 37. Aquele cujo bem for prejudicado extraordinariamente em sua destinação
econômica pela desapropriação de áreas contíguas terá direito a reclamar perdas
e danos do expropriante.

1.1.13. Direito de Extensão
O direito de extensão foi inserido pelo Decreto Federal nº 4.956/1903. O CC/16
também disciplinou o tema. Contudo, o Decreto-lei nº 3.365/41 é silente.
O tema retornou no art. 4º da LC nº 76/93.
Art. 4º Intentada a desapropriação parcial, o proprietário poderá requerer, na
contestação, a desapropriação de todo o imóvel, quando a área remanescente
ficar:
I - reduzida a superfície inferior à da pequena propriedade rural; ou
II - prejudicada substancialmente em suas condições de exploração econômica,
caso seja o seu valor inferior ao da parte desapropriada.
Questão de Concurso – 12º Concurso – Tribunal Regional Federal – 1ª Região
53. O direito de extensão, na desapropriação, refere-se:
a) à possibilidade de a desapropriação abranger a área contígua necessária
ao desenvolvimento da obra;
b) à possibilidade de desapropriação de zonas que se valorizem
extraordinariamente em consequência do serviço implantado, para efeito de
revenda pelo expropriante;
c) à desapropriação para fins de ampliação de distritos industriais e
atividades correlatas;
d) ao prejuízo extraordinário na destinação econômica do bem, em razão da
desapropriação parcial ou de áreas contíguas, ensejando, na desapropriação
por necessidade ou utilidade pública, reclamação de perdas e danos e, na
desapropriação por interesse social para fins de reforma agrária,
requerimento para que a área remanescente também seja desapropriada.
Resp.: d
 Comentários
Alternativa “a”: Errado.
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Alternativa “b”: Errado.
Alternativa “c”: Errado.
Alternativa “d”: Correta.

3º horário

1.1.14. Retrocessão
A retrocessão encontra fundamento no art. 35 da Lei das Desapropriações e
art. 519 do CC.
Art. 35. Os bens expropriados, uma vez incorporados à Fazenda Pública, não
podem ser objeto de reivindicação, ainda que fundada em nulidade do processo de
desapropriação. Qualquer ação, julgada procedente, resolver-se-á em perdas e
danos.

Art. 519. Se a coisa expropriada para fins de necessidade ou utilidade pública, ou
por interesse social, não tiver o destino para que se desapropriou, ou não for
utilizada em obras ou serviços públicos, caberá ao expropriado direito de
preferência, pelo preço atual da coisa.
O tema é alvo de divergência. Para uma primeira corrente, adotada pelo STF e
STJ a retrocessão é direito real e o antigo proprietário poderá readquirir o bem diante
vício na destinação do bem. Outros entendem tratar de direito pessoal, cabendo
apenas indenização.
Questão de concurso – 5º concurso – Tribunal Regional Federal – 1ª Região
40. A obrigação imposta ao expropriante, de oferecer o bem ao expropriado,
mediante devolução do valor da indenização, caso não utilizado no interesse,
necessidade ou utilidade públicos motivadores da desapropriação,
denomina-se:
a) retrovenda:
b) resgate;
c) retrocessão;
d) investidura.
Resp.: c
A tredestinação é aquela na qual há mudança da finalidade específica daquele
bem, em se de de desapropriação. A tresdestinação não enseja retrocessão.
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A desdestinação é espécie da tredestinação, ou seja, um bem afetado a uso
especial será destinado a particulares.
Questão de concurso – 8º concurso – Tribunal Regional Eleitoral – 1ª Região
32. O Município de Anápolis expropriou o terreno onde seria instalada nova
fábrica da Coca Cola, objetivando construir um novo espaço de lazer aos seus
munícipes. Passados mais de dois anos, com a eleição e posse do novo
prefeito, este resolveu mudar completamente o projeto original e construiu
no local um grande aterro sanitário. Essa alteração de finalidade caracteriza:
a) retrocessão, tendo o expropriado direito à recuperação do bem;
b)simples mudança do objeto específico da desapropriação, incapaz de
ensejar direito a reaquisição do bem;
c) retrocessão, assistindo ao expropriado complementação de pagamento, a
título de perdas e danos;
d) transformação da desapropriação direta em indireta.
Resp.: b
Questão de concurso – 8º concurso –Tribunal Regional Federal – 1ª Região
31. Em matéria de desapropriação por interesse social não é acertado afirmar
que:
a) para fins de reforma agrária, a indenização da terra nua se fará mediante
pagamento em títulos públicos, com cláusula de preservação do valor real,
resgatáveis em no máximo 20 anos;
b) o Ministério Público intervirá, obrigatoriamente, após manifestação das
partes, antes de cada decisão no feito expropriatório, em qualquer instância;
c) havendo dúvida quanto ao domínio, o valor da indenização ficará
depositado à disposição do juízo até que os interessados resolvam seus
conflitos em ações próprias;
d) as benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias serão indenizadas em
dinheiro, somente após o trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Resp.: d
 Comentário
Alternativa “d”: Errada. Vide art. 5º, §1º da Lei nº 8.629/93.
Art. 5º A desapropriação por interesse social, aplicável ao imóvel rural que não
cumpra sua função social, importa prévia e justa indenização em títulos da dívida
agrária.
§ 1º As benfeitorias úteis e necessárias serão indenizadas em dinheiro.
Questão de concurso – 25º concurso – Ministério Público Federal
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11. EM RELAÇÃO À DESAPROPRIAÇÃO, É CORRETO AFIRMAR QUE:
a) toda desapropriação pressupõe, nos termos da Constituição, justa e prévia
indenização, ressalvada a desapropriação urbanística sancionatória, que tem
natureza punitiva e confiscatória;
b) são inexpropriáveis, em qualquer hipótese, ações, cotas ou direitos
representativos do capital de empresas cujo funcionamento esteja sujeito a
autorização do poder público federal;
c) não há direito de retrocessão quando, apesar de recebida uma destinação
diversa daquela indicada no ato declaratório de interesse social, o bem
expropriado é utilizado para realização de outra finalidade pública,
configurando-se, assim, a chamada tredestinação lícita;
d) os juros moratórios, tanto na desapropriação direta como na
desapropriação indireta se contam desde o trânsito em julgado da sentença.
Resp.: c

Questão de concurso – 7º Concurso – Tribunal Regional Federal – 5ª Região
Com relação à situação hipotética apresentada acima, julgue os itens a
seguir.
38 – Em face da tredestinação, é possível a retrocessão do bem aos
herdeiros, uma vez que, segundo o entendimento do Supremo Tribunal
Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a retrocessão tem
natureza de direito real.
Resp.: Errado.

39 – Caso a desapropriação do imóvel tivesse ocorrido em razão do cultivo
ilegal de plantas psicotrópicas, não haveria a necessidade de ato declaratório
de utilidade pública, necessidade pública ou interesse social, podendo a
destinação do imóvel desapropriado para fins de construção de interligação
entre duas rodovias federais ser definida no âmbito da ação judicial própria.
Resp.: Errado.

Questão de concurso – 9º Concurso – Tribunal Regional Federal – 1ª Região
27. Em se tratando de desapropriação para fins de reforma agrária é
incorreto afirmar:
a) são insuscetíveis de desapropriação a pequena e média propriedade rural,
assim definida em lei, desde que seu proprietário não possua outra.
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b) a propriedade produtiva é também insuscetível de expropriação, desde
que sejam cumpridos os requisitos legais relativos a sua função social, salvo
se possuir extensão superior a dez mil hectares, hipótese em que, mesmo
sendo produtiva, se constituirá em latifúndio não excepcionado no texto
constitucional.
c) a indenização relativa à terra nua será prévia, muito embora representada
por títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real,
resgatáveis no prazo de até vinte anos.
d) as benfeitorias necessárias serão sempre indenizadas em dinheiro.
Resp.: b

Questão de concurso – 23º Concurso – Ministério Público Federal
25. ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA:
a) A desapropriação por utilidade pública deverá efetivar-se mediante acordo
ou intentar-se judicialmente dentro de dois anos, contados da data da
expedição do respectivo decreto e findos os quais este caducará;
b) Na hipótese de desapropriação por interesse social o prazo de caducidade
é de cinco anos a partir da decretação da medida, sendo que, decorrido um
ano, poderá ser o mesmo bem objeto de nova declaração;
c) Podem os Estados e Municípios desapropriar imóveis rurais para fins de
utilidade pública não, porém para fins de reforma agrária, privativa da União;
d) Por ser forma de originária de aquisição de propriedade, não ficam sub-
rogados no valor pago a título de indenização, quaisquer ônus ou direitos
reais que recaiam sobre o bem expropriado.
Resp.: c