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Rev. enferm. UERJ, Rio de Janeiro, 2008 out/dez; 16(4):507-11. • p.

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Ramos EL, Souza NVDO, Caldas CP
RESUMO: RESUMO: RESUMO: RESUMO: RESUMO: Pesquisa bibliográfica, exploratória e descritiva, realizada por meio de levantamento retrospectivo de produ-
ções científicas indexadas nos últimos 10 anos (1997 a 2007). Os objetivos foram identificar o quantitativo de produções
científicas sobre a qualidade de vida do idoso trabalhador; e analisar as contribuições dessas produções para a qualidade
de vida de pessoas idosas que se mantêm no mundo do trabalho. O levantamento foi realizado nas bases de dados:
LILACS, BDENF, SCIELO e MEDLINE. Após a busca nas bases de dados selecionadas, foram encontradas 15 produções
nacionais, das quais apenas nove foram analisadas, considerando os critérios de inclusão e exclusão. Através da análise
das produções científicas selecionadas, verificou-se a grande preocupação com o envelhecimento da população brasi-
leira e a constatação de que o Estado não está devidamente preparado para atender às pessoas idosas que se mantêm no
mundo do trabalho.
Palavras-chave: Palavras-chave: Palavras-chave: Palavras-chave: Palavras-chave: Envelhecimento; trabalho; qualidade de vida; idoso.
ABSTRACT ABSTRACT ABSTRACT ABSTRACT ABSTRACT: : : : : Bibliographic, exploratory, and descriptive research held through a retrospective survey of scientific
production indexed in the last ten years (1997 to 2007). The objectives were to identify the quantity of scientific production
on life quality of elderly workers, and to examine the contributions of those productions to the life quality of senior people
who remain in work. The survey was conducted on the following databases: LILACS, BDENF, SCIELO, and MEDLINE.
Fifteen national productions were found, only nine of which were analyzed, considering the criteria for inclusion and
exclusion. The analysis of the selected scientific productions shows that there is great concern with the aging of the
Brazilian population and that the State is not adequately prepared to meet the needs of the elderly who remain in work.
Keywords: Keywords: Keywords: Keywords: Keywords: Aging; work; life quality; elderly people.
RESUMEN: RESUMEN: RESUMEN: RESUMEN: RESUMEN: Búsqueda bibliográfica, exploratoria y descriptiva, que se realizó a través de encuesta retrospectiva de la
producción científica indexada en los últimos 10 años (1997 a 2007). El objetivo fue determinar la cantidad de producción
científica sobre la calidad de vida de los trabajadores ancianos y examinar las contribuciones de esas producciones para
la calidad de vida de personas ancianas que permanecen en el trabajo. La encuesta se realizó en las bases de datos:
LILACS, BDENF, SciELO y MEDLINE. Después de buscar en las bases de datos seleccionadas, fueron encontradas 15
producciones nacionales, de las cuales sólo nueve fueron analizadas, teniendo en cuenta los criterios de inclusión y
exclusión. Mediante el análisis de esas producciones científicas, se verificó la gran preocupación con el envejecimiento
de la población brasileña y el hecho de que el Estado no está adecuadamente preparado para hacer frente a las personas
ancianas que permanecen en el trabajo.
Palabras Clave: Palabras Clave: Palabras Clave: Palabras Clave: Palabras Clave: Envejecimiento; trabajo; calidad de vida; anciano.
QUALIDADE DE VIDA DO IDOSO TRABALHADOR
LIFE QUALITY OF THE ELDERLY WORKER
CALIDAD DE VIDA DEL ANCIANO TRABAJADOR
Erica Lima Ramos
I
Norma Valéria Dantas de Oliveira Souza
II
Célia Pereira Caldas
III
I
Enfermeira, Mestranda em Enfermagem pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de
Janeiro. Enfermeira do Trabalho do Hospital Barra D’or. Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: somarle@yahoo.com.br.
II
Doutora em Enfermagem. Professora Adjunta da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora Permanente
do Programa de Pós-Graduação – Mestrado da Faculdade de Enfermagem da UERJ (FENF/UERJ). Coordenadora do Internato de Enfermagem da
FENF/UERJ, Rio de Janeiro, Brasil.
III
Doutora em Enfermagem, Professora Adjunta da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professora permanente
do programa de Pós-Graduação – Mestrado e Doutorado – da Faculdade de Ciências Médicas. Vice-diretora da Universidade Aberta da Terceira
Idade (UnATI/UERJ), Rio de Janeiro, Brasil.
INTRODUÇÃO
Os objetivos desta pesquisa foram identificar o
quantitativo de produções científicas sobre a qualida-
de de vida do idoso trabalhador e analisar as contri-
buições dessas produções para a qualidade de vida de
pessoas idosas que se mantêm no mundo do trabalho.
Estudos evidenciam que cada vez mais as pessoas ido-
sas precisam ou querem se manter no mundo do tra-
balho, situação que parece se distanciar do previsto
para pessoas nessa faixa etária, pois a sociedade, de
forma geral, espera que elas se encaminhem para a
aposentadoria e para o afastamento do mundo laboral.
O momento demográfico por que passa a popu-
lação brasileira se caracteriza por baixas taxas de
fecundidade, aumento da longevidade e urbanização
acelerada
1
. A proporção de pessoas idosas, no Brasil,
com 60 anos e mais, aumentou de 6,1% (7.204.517
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Qualidade de vida do idoso trabalhador
habitantes), em 1980, para 8,6% (14.536.029 habi-
tantes), em 2000, correspondendo a um aumento
absoluto de 7,3 milhões de indivíduos
2
.
A carência de informações sobre o potencial das
pessoas idosas gerou muitos mitos e preconceitos que
foram disseminados na sociedade e no meio industrial,
transformando o processo de envelhecimento em algo
pejorativo, com reflexos negativos no campo social, no
político e no econômico. Entretanto, essa visão parece
que vem se modificando lentamente, já que atualmen-
te as políticas públicas para os idosos têm investido na
prevenção, reduzindo assim os custos com hospitaliza-
ções e elevando a qualidade de vida do idoso.
Nesse contexto, os resultados deste estudo bus-
cam contribuir para repensar uma organização do
trabalho mais racional, eficiente e adequada às pe-
culiaridades dos trabalhadores, destacando-se o idoso
trabalhador. Além disso, busca-se difundir junto aos
profissionais da saúde, especialmente a da enferma-
gem, temáticas relevantes como saúde do trabalha-
dor, qualidade de vida, articulado ao cuidado à pes-
soa idosa, estimulando também o surgimento de ou-
tros objetos de estudos para a construção de novos
conhecimentos ligados às temáticas aqui apontadas.
REFERENCIAL TEÓRICO
Diante dos desafios trazidos pelo envelhecimen-
to populacional, deve-se considerar a hipótese do
aumento do tempo de vida laboral, onde o trabalho
não é somente um modo de sobreviver, é, também,
uma forma de inserção social, onde os aspectos físi-
cos e psíquicos estão fortemente correlacionados
3
.
Em contraponto ao envelhecimento populacio-
nal, estão as altas taxas de desemprego, levando à apo-
sentadoria precoce. Porém, dialeticamente, os baixos
valores das aposentadorias fazem com que as pessoas
idosas necessitem continuar trabalhando e ao mesmo
tempo buscando condições adequadas para obter uma
qualidade de vida melhor. Muitas vezes a aposenta-
doria submete o aposentado à insuficiência financei-
ra, que por sua vez ocasiona deficiências de ordem
material inviabilizando uma terceira idade com qua-
lidade de vida
4
.
O número de idosos que continua trabalhan-
do com carteira assinada ou no mercado informal
tem dobrado nas últimas décadas. Os idosos, apesar
de já estarem aposentados, continuam trabalhando
por conta própria, fazendo trabalhos temporários,
ajudando a família porque gostam, porque precisam
complementar a renda familiar ou por desejarem fu-
gir do estigma de improdutivos
5
.
Apesar de inúmeras vezes o trabalho ser fonte
de sofrimento, o desaparecimento do meio pelo qual
estava acostumado a manter-se inserido na sociedade
(o trabalho) gera sentimento de confusão existencial
que acaba por criar o ciclo vicioso solidão/angústia
que finaliza em isolamento, trazendo consigo
desajustes, sentimentos destrutivos e desprovido de
perspectivas para a vida, o que pode levar à morte
6,7
.
As condições de trabalho atuais não foram
projetadas para um novo perfil de trabalhador idoso,
que provavelmente já foi submetido há anos a condi-
ções insalubres, perigosas ou não adequadas e já tem
alguma doença ou limitação decorrente das más con-
dições laborais a que esteve e continua sujeito. Em
condições ocupacionais inadequadas, o trabalho pas-
sa a ser patológico
8
, em conseqüência, o trabalhador
reduz o ritmo e o rendimento no trabalho.
O trabalho na terceira idade é uma realidade.
Sendo assim, a pessoa idosa, com sua bagagem cogni-
tiva e estratégias compensatórias de desempenho e
de situações de estresse, poderá ser o trabalhador
adequado à organização do trabalho contemporâ-
nea. Porém, faz-se necessário uma adequação nos
sistemas de produção a essa nova realidade laboral
proporcionando uma melhor qualidade de vida no
trabalho, considerando o ritmo dos que, com mais
de 65 anos, ainda são criativos e eficazes, e precisam
ou desejam continuar a contribuir com o mundo do
trabalho. Morhy

considera que envelhecer é o pro-
cesso de acumular experiências e enriquecer a vida
por meios de conhecimento e habilidades físicas, pro-
porcionando o potencial para tomar decisões razoá-
veis e benéficas a respeito de nós mesmos
9
.
Diante da realidade em que se encontra o Bra-
sil, ou seja, o envelhecimento populacional e a ne-
cessidade de manutenção no mundo laboral, é pre-
ciso garantir uma qualidade de vida melhor a esse
indivíduo. Vale ressaltar que:
a relação que o trabalho estabelece com a cate-
goria qualidade de vida é bastante complexa, pois
ao mesmo tempo que o trabalho pode ser agra-
vante do estado de saúde das pessoas e fonte de
desprazer, pode também gerar satisfação e bem-
estar. Sendo assim, o trabalho tanto pode influir
de forma positiva quanto negativa; para o aumen-
to ou para a diminuição da qualidade de vida
10:15
.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica,
exploratória e descritiva, realizada por meio de le-
vantamento retrospectivo de produções científicas
indexadas nos últimos 10 anos (1997 a 2007). A
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consulta foi efetuada nos meses de novembro e de-
zembro de 2007.
A busca bibliográfica realizou-se em estudos
indexados nas bases de dados internacionais Litera-
tura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da
Saúde (LILACS), National Library of Medicine
(MEDLINE) e na coleção Scientific Electronic
Library Online (SCIELO). Após consulta às termi-
nologias em saúde a serem utilizadas na base de pa-
lavras da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) da
Bireme (Decs) e Pubmed (Mesh), selecionou-se as
seguintes palavras: envelhecimento, trabalho e qua-
lidade de vida.
Os artigos selecionados foram nacionais e os
critérios de inclusão utilizados foram: artigos publi-
cados na íntegra, no período entre 1997 e 2007, no
idioma português; artigos que continham alguma das
palavras selecionadas e artigos disponíveis no Brasil.
Os critérios de exclusão utilizados foram: Re-
sumos de artigos; Artigos não disponíveis no Brasil e
Artigos em outros idiomas que não Português.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Após a busca nas bases de dados selecionadas,
foram encontradas 15 produções nacionais, das quais
apenas nove foram analisadas, considerando os cri-
térios de inclusão e exclusão. Na discussão foram uti-
lizadas outras literaturas para embasar a análise, en-
tretanto estas não se encontravam nos critérios pro-
postos pelo estudo.
A partir do processo de análise dos dados, veri-
ficou-se que a relação envelhecimento e trabalho vem
sendo abordada sob diferentes aspectos. Os dados do
estudo realizado por Silva
11
demonstraram que o enve-
lhecimento é visto como um evento negativo de vida
associado às doenças, contrastando com expectativas
sociais e valores culturais que priorizam beleza e produ-
tividade. Nesta pesquisa, constatou-se também que o
idoso continua inserido no meio do trabalho, o que
leva a uma boa expectativa do seu futuro.
A relação positiva entre trabalho e envelheci-
mento mostra que os idosos trabalhadores tendem a
apresentar melhores condições de saúde que a po-
pulação de idosos em geral, que incluem os desem-
pregados, aposentados e inválidos, o que conduz a
um padrão melhor de qualidade de vida
12
. Os de-
sempregados, por exemplo, apresentam piores con-
dições de saúde, maiores taxas de mortalidade e mai-
ores prevalências de sintomas psiquiátricos, hiper-
tensão arterial e hábitos nocivos de vida, como con-
sumo de bebida alcoólica e cigarro. Diferenciais de
saúde também são identificados entre as pessoas ocu-
padas, de acordo com o nível de inserção no processo
produtivo, com os trabalhadores menos qualificados
apresentando, geralmente, pior situação de saúde
13
.
Conforme os artigos analisados, o trabalho tam-
bém se torna gerador de sofrimento tanto físico quan-
to psíquico, pois deve ser considerado que os traba-
lhadores idosos estão no mundo do trabalho um tem-
po maior que as pessoas mais jovens, o que os expõem
muito mais aos riscos laborais
14
. Para Andrade e
Monteiro
13
, é sugestivo pensar na perda da capacida-
de para o trabalho relacionada às condições laborais
e aos efeitos do processo de envelhecimento da po-
pulação estudada, já que em trabalhos anteriores rea-
lizavam atividades que requeriam demanda física.
Em relação aos idosos que trabalham, verifica-
se o predomínio do trabalho informal, o que pode
estar relacionado ao grande percentual dos idosos
que já são aposentados ou mal qualificados
15
. O tra-
balho informal consiste, na maioria das vezes, na
atividade em ocupações precárias e com baixa re-
muneração. O retorno ou a permanência do idoso
no mercado de trabalho se dá, sobretudo, no merca-
do informal, em atividades mal remuneradas e com
jornadas extensas de trabalho
16
.
Como bem argumentam Mete e Schultz, nos
países desenvolvidos, os fatores mais importantes
para estudar a oferta de trabalho dos idosos estão
relacionados à sua demanda por lazer e renda
17
. Por
isso, questões como os seguros de aposentadoria ou
de incapacidade são levados em conta e exercem
um grande efeito sobre a decisão de retirada da força
de trabalho. Porém, nos países em desenvolvimen-
to, onde as rendas são baixas e as aposentadorias são
escassas, a decisão de se retirar da força de trabalho
relaciona-se a um contexto de oferta de trabalho mais
comum, que inclui renda de não-trabalho, riqueza,
oferta de salários, suporte familiar e estado de saúde
da população idosa
17
.
A permanência no mundo do trabalho parece
estar determinada fortemente pela capacidade físi-
ca. Em estudos feitos na Finlândia demonstrou-se
que a influência das condições de trabalho e de saú-
de, do estilo de vida e do envelhecimento biológico
leva à diminuição dos movimentos das articulações,
perda da força, resistência muscular e elasticidade
dos tecidos, aumento de problemas na coluna e di-
minuição das tomadas de decisões
18
.
Neste contexto, a saúde é considerada determi-
nante chave da manutenção da independência e
autonomia das pessoas idosas, sendo fundamental
para a qualidade de vida e para exercer alguma ati-
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Qualidade de vida do idoso trabalhador
vidade. A independência refere-se à capacidade do
indivíduo em realizar algo por seus próprios meios e
a autonomia, à capacidade de decisão. Dessa forma,
uma condição de saúde ruim pode influenciar a per-
da de autonomia e/ou independência e, invariavel-
mente, uma péssima qualidade de vida.
Por se tornar dependente, o idoso acaba fican-
do estigmatizado e é empurrado para a fração da soci-
edade dos decadentes, aquela em que se encontram
os cidadãos marginalizados
19
. Dessa maneira, a velhi-
ce passa a ser vivenciada negativamente devido à in-
tolerância dos mais jovens com relação à lentidão dos
idosos, à perda da memória, aos problemas de saúde,
tornando difícil para a pessoa idosa a sua adaptação.
A relação do idoso com o mundo do trabalho
também perpassa pela questão de gênero. Nos anos
90, a reestruturação econômica, a redução de postos
de trabalho em ocupações tipicamente masculinas,
o crescimento do desemprego, especialmente entre
os jovens, a contínua terceirização da economia e a
deterioração da renda familiar favoreceram a parti-
cipação feminina no trabalho remunerado
20
. Con-
forme dados do IBGE
2
, no Censo de 2000, a popu-
lação idosa era composta em sua maioria de mulhe-
res que atuam no mundo do trabalho para obter o
seu próprio sustento e de sua família. Destaca-se que
homens e mulheres vivem e envelhecem de forma
diferenciada e, segundo Camarano
21
, a mulher bra-
sileira, mesmo idosa, continua desempenhando o seu
papel de cuidadora e assumiu o de provedora. Além
do crescimento contínuo do trabalho feminino, iden-
tifica-se também uma tendência de manutenção do
nível elevado de atividades produtivas até idades
mais avançadas entre mulheres, por apresentarem
uma maior longevidade
22
.
Porém, entre as mulheres idosas trabalhadoras,
foi verificado o predomínio do trabalho informal, as-
sim como com os homens, que corresponde ao traba-
lho com vínculo precário e de baixa remuneração.
Nos artigos levantados também foi verificado
que o nível de escolaridade influencia a permanên-
cia do idoso no mercado de trabalho. Segundo Perez,
a escolaridade correlaciona-se positivamente com a
permanência na força de trabalho e com estratégias
mais erráticas no final da vida ativa
23
.
CONCLUSÃO
O envelhecimento é o fenômeno que deve atin-
gir a todos os seres vivos, e, dependendo das condi-
ções de vida e trabalho, ele poderá ser precoce ou
postergado, poderá ainda trazer repercussões mais ou
menos severas. E através da análise das produções
científicas selecionadas, percebe-se a grande preo-
cupação com o envelhecimento da população bra-
sileira e a constatação de que o Estado não está de-
vidamente preparado para atender às pessoas idosas
que se mantêm no mundo do trabalho. Políticas
públicas devem ser planejadas e implantadas a fim
de suprir a demanda de saúde ocasionada por esse
fenômeno, além de se considerar a necessidade de
adaptar a organização, o processo e as condições de
trabalho às características dos idosos trabalhadores.
A partir do processo de análise, considerou-se
que os idosos vêm se mantendo ou retornam ao mun-
do do trabalho por desejos e necessidades diversas,
porém verificou-se que a forma e os ambientes de tra-
balho dessas pessoas não possibilitam uma qualidade
de vida adequada, pois em sua predominância estão
no mercado informal, o qual não lhes garante direitos
trabalhistas e condições laborais decentes.
Destaca-se que, ao estudar a relação trabalho,
envelhecimento e qualidade de vida, é imprescindí-
vel que se considere a realidade brasileira, ou seja, as
mudanças demográficas, as transformações na legis-
lação previdenciária e no mundo do trabalho.
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Recebido em: 08.05.2008
Aprovado em: 18.08.2008