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INSTITUTO SUPERIOR DE TRANSPORTES E COMUNICAÇÕES

Departamento de Tecnologias Mecânicas
Licenciatura em Engenharia Mecânica e de Transportes
Profissão e Sociedade
TI1
Manutenção de Equipamentos
M41
Discentes: Hermenegildo Soares
Docente: Prof. Doutor Eng. Charifo Ali
Maputo, Outubro de 2014
Indice
1. Introdução ............................................................................................................................ 1
1.1 Objectivos......................................................................................................................... 1
2. Manutenção de equipamentos.............................................................................................. 2
2.1. Conceitos gerais............................................................................................................ 2
2.2. Objectivos e Função da manutenção ............................................................................ 3
2.3. Tipos de manutenção.................................................................................................... 4
2.3.1. Manutenção correctiva .......................................................................................... 4
2.3.2. Manutenção preventiva ......................................................................................... 4
2.3.3. Manutenção autónoma .......................................................................................... 6
2.3.4. Manutenção produtiva total (TPM- Total Productive Maintenance).................... 6
2.3.5. Manutenção Centrada na Fiabilidade (RCM – Reliability Centred Maintenance)6
2.4. Custos de manutenção .................................................................................................. 7
2.5. Área de intervenção técnica.......................................................................................... 8
2.6. Importância da manutenção.......................................................................................... 9
2.7. Impacto socio-económico da manutenção de equipamentos...................................... 10
3. Papel do engenheiro mecânico na manutenção ................................................................. 11
4. Manutenção e a qualidade.................................................................................................. 11
4.1. Manutenção na redução do impacto ambiental .......................................................... 12
5. Conclusões ......................................................................................................................... 13
6. Referências bibliográficas.................................................................................................. 14
Manutenção de Equipamentos
Elaborado por: Hermenegildo Soares 1
1. Introdução
Actualmente, devido ao alto nível de competitividade que se vive no mercado, o desafio
contínuo de qualquer organização, tem sido, melhorar cada vez mais as suas capacidades de
elaborar processos mais eficientes e inovadores em resposta às necessidades contínuas de
produzir-se mais e melhor, em menos tempo, com custos reduzidos e causando o mínimo
possível de impactos ambientais e com melhor aceitação possível por parte dos consumidores.
(Capetti, 2005)
Essa melhoria só pode ser alcançada se for usada uma “ferramenta” capaz de repôr a
operacionalidade das máquinas e ou equipamentos em níveis correctos e satisfatórios. Sabendo,
que todo equipamento, instalação e sistema, independentemente do tipo e função, esta sujeito a
degradação, com o passar do tempo, das funções para as quais foi fabricado. É nesse contexto
que surge a manutenção, como “conjunto de acções” que visão assegurar o bom funcionamento
dos equipamentos, instalações e sistemas.
Antigamente, a manutenção era vista como sendo “um mal necessário” nas organizações
(Cabral, 2006). Actualmente existem vários tipos de manutenção, cada um com as suas
características, vantagens e desvantagens. O tipo de manutenção a ser usada em cada
organização é determinada pelas características de utilização do equipamento, isto é, condições e
tipo de serviço do equipamento.
As actividades de manutenção não insidem só nas máquinas e equipamentos, mas também os
operários, ferramentas, instalações, edifícios, e etc. Em certos casos a manutenção abrange toda a
organização, desde o técnico mais baixo ate ao administrador chefe (Pereira, 2009).
1.1 Objectivos
O presente trabalho tem como objectivo debruçar-se acerca da manutenção de equipamentos,
apresentando-se de maneira logica os aspectos característicos da manutenção.
Manutenção de Equipamentos
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2. Manutenção de equipamentos
2.1. Conceitos gerais
Para Cabral (2006), a manutenção define-se como sendo “o conjunto das acções destinadas a
assegurar o bom funcionamento das máquinas e das instalações, garantindo que elas são
intervencionadas nas oportunidades e com o alcance certos, por forma a evitar que avariem ou
baixem de rendimento e, no caso de tal acontecer, que sejam repostas em boas condições de
operacionalidade com a maior brevidade, tudo a um custo global optimizado.”.
Segundo a norma EN 13306: (2001), versão portuguesa apud Pereira (2009), a manutenção é
definida da seguinte forma: “Combinação de todas as acções técnicas, administrativas e de
gestão, durante o ciclo de vida de um bem
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, destinadas a mantê-lo ou repô-lo num estado em que
ele pode desempenhar a função requerida”.
A manutenção traduz-se, em termos práticos, na realização de actividades de reparação e
recondicionamento necessários para equilibrar a deterioração e os desgastes normalmente
provocados pelo movimento relativo das peças, pela oxidação ou perda de função dos
equipamentos, materiais ou elementos protectores, e pelas tomadas de decisão quanto a melhor
acção, a reabilitação ou substituição por novo. (Cabral, 2006)
Em todo o processo de gestão é importante e indispensável dispor de uma linguagem uniforme
e precisa, que seja utilizada por todos os intervenientes, desde o técnico oficial até à direcção
financeira da empresa (Cabral, 2006). E para o mesmo autor, os conceitos mais importantes na
actividade de manutenção em qualquer empresa são:
• Departamento de manutenção: área funcional da empresa responsável pela gestão e
execução da manutenção.
• Registo: documento ou formulário concebido para registar eventos ou realizações
relevantes e o respectivo enquadramento.
• Histórico: registo ordenado por ordem cronológica onde constam todas intervenções de
manutenção relevantes realizadas num determinado objecto de manutenção.
• Documentação técnica: acervo documental que constitui a literatura técnica relevante para
que os intervenientes na manutenção desempenhem as suas tarefas de acordo com boas
práticas da arte.
• Instruções de trabalho: são documentos que especificam como e quando uma tarefa é
executada e/ou registada se necessário.
• Procedimento: é um documento que descreve ou especifica a execução, responsabilidade e
o controlo de uma actividade.
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Qualquer elemento, componente, aparelho, subsistema, unidade funcional, equipamento ou sistema que possa ser
considerado individualmente
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• Auditoria: actividade independente, documentada e sistemática efectuada no sentido de
verificar, por meio de evidência objectiva, a adequabilidade e o cumprimento do
estabelecido no sistema de qualidade.
• Conservação: é o conjunto de acções destinadas a manter os bens armazenados em
condições de operacionalidade.
• Avaria: é a cessação da aptidão de um bem para cumprir uma função requerida.
• Manutibilidade: é a aptidão de um bem sob condições de utilização definidas de ser
mantido ou reposto em um estado em que possa cumprir uma função requerida depois de
lhe ser aplicada manutenção em condições determinadas, utilizando procedimentos e meios
prescritos.
• Fiabilidade: é a aptidão de um bem para cumprir uma função requerida sob determinadas
condições durante um dado intervalo de tempo.
• Componente: é um bem tido como não reparável, isto é, um bem que depois de
considerado em estado de avaria passa a resíduo. Se for destinado a uma única utilização
designa-se como consumível.
• Equipamento: conjunto de componentes que operam para executar uma função específica.
Avaria por falha de algum dos seus componentes e para sua análise torna-se importante
separar os diferentes modos de falha e identificar as suas fronteiras com os restantes
equipamentos, componentes ou sistemas.
• Sistema: conjunto mais complexo de equipamentos e componentes.
2.2. Objectivos e Função da manutenção
A manutenção, para Raposo (2004) apresenta os seguintes objectivos gerais:
• Assegurar a segurança das pessoas e bens, tão bem como do meio ambiente;
• Assegurar níveis de qualidade;
• Assegurar o custo do produto ou serviço.
Actualmente, gerir a manutenção significa dominar diversas áreas de acção, como
planeamento, gestão de pessoal, engenharia de máquinas, lubrificação, calibração, gestão de
materiais, técnicas de manutenção, informática, etc. sendo assim, reconhecem-se as seguintes
actividades de gestão (Pereira, 2009):
• Planeamento:
Feito com base no conhecimento técnico dos equipamentos. Presume a existência de elementos
como ferramentaria, codificação dos equipamentos e seu manual técnico. Abrange a elaboração
do plano de manutenção, preparação e programação dos trabalhos a executar.
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• Realização:
Realização das acções delineadas na fase de planeamento, garantindo prazos e qualidade de
execução.
• Controlo de custos:
Registo e apuramento de custos de mão-de-obra, materiais e serviços despendidos nas
intervenções.
• Gestão dos materiais:
Assegurar a logística das pecas e dos materiais necessários para a manutenção.
• Gestão de pessoal:
Possuir boas relações humanas, comunicação flexível, de modo a planear, organizar, dirigir e
controlar as actividades.
2.3. Tipos de manutenção
Actualmente, segundo várias obras, os tipos de manutenção são:
2.3.1. Manutenção correctiva
“É a manutenção efectuada depois da detecção de uma avaria e destinada a repor o bem num
estado em que possa realizar uma função requerida”. (Cabral, 2006)
Embora possa parecer ausência de uma política de manutenção, a manutenção corretiva é uma
alternativa que, levando-se em consideração a importância do equipamento no processo, o seu
custo e as consequências da falha, pode-se chegar à conclusão de que qualquer outra opção que
não a corretiva pode significar custos excessivos. O problema dessa política não está em fazer
intervenções corretivas, mas em que sua aplicação isolada requer enormes estoques de peças para
suportar as sucessivas quebras, tornando o trabalho imprevisível e, portanto, sem um plano capaz
de avaliar os custos. (Wilson e Carlos, 2003)
Em outras palavras, Wilson e Carlos (2003), explicam que “a manutenção corretiva é a melhor
opção quando os custos da indisponibilidade são menores do que os custos necessários para
evitar a falha, condição tipicamente encontrada em equipamentos sem influência no processo
produtivo”.
2.3.2. Manutenção preventiva
“É a manutenção efectuada a intervalos de tempo predeterminados ou de acordo com critérios
prescritos com a finalidade de reduzir a probabilidade de avaria ou de degradação do
funcionamento de um bem”. (Cabral, 2006)
A manutenção preventiva é, sob o ponto de vista da gestão, o objectivo da manutenção.
Assume que as avarias ocorrem segundo o padrão da curva da banheira (Xenos, 2004). Como é
mostrado na Figura 1.
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Figura 1. Curva da banheira. Fonte: (Xenos 2004)
A manutenção preventiva, segundo Cabral (2006), divide-se em:
• Manutenção sistemática: “é a manutenção preventiva executada a intervalos de tempo
preestabelecidos ou segundo um número definido de unidades de funcionamento, sem
controlo prévio do estado do bem”.
A manutenção sistemática é uma manutenção periódica realizada em intervalos constantes. Por
exemplo, tempo de calendário, horas de funcionamento, quilómetros percorridos, etc.. usando
linguagem corrente, pode definir como “manutenção baseada em tempo de funcionamento”. São
exemplos a mudança de óleo e filtro de um automóvel todos os 10000 km, uma revisão e
descarbonização num motor diesel prescrita para as 10000 horas, etc. (Cabral, 2006)
• Manutenção condicionada: “é a manutenção preventiva baseada na vigilância do
funcionamento do bem e/ou dos paramentos significativos desse funcionamento, integrando
as acções dai decorrentes.”
Cuignet (2005) considera a manutenção condicionada a “…manutenção de um equipamento em
função do estado real de certas condições de exploração.”.
A manutenção condicionada é uma manutenção em que a decisão de intervenção preventiva é
tomada quando há evidências de defeito iminente ou quando se verifica a aproximação de um
patamar de desgaste pré-determinado. É conhecida também como “manutenção preditiva”,
“manutenção por diagnóstico” e “manutenção baseada na avaliação da condição”. Um exemplo,
é a mudança de rolamentos em motores eléctricos, decididas com base nos parâmetros
vibratórios medidos. (Cabral, 2006)
O simples fato de a manutenção preventiva reduzir o risco de paragens não programadas
devido a falhas no equipamento já a coloca como uma opção melhor do que a manutenção
corretiva em máquinas ligadas diretamente ao processo. (Cuignet, 2005)
Segundo Raposo (2004), “Além do estoque elevado para cobrir a imprevisibilidade das falhas,
a manutenção preventiva apresenta o inconveniente de intervenções muitas vezes desnecessárias,
que reduzem a produtividade e elevam o custo operacional total”. Entretanto, para o mesmo
autor, este tipo de manutenção pode ser a melhor alternativa para equipamentos e/ou peças que
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apresentam desgaste em ritmo constante e que representam um custo baixo, em comparação com
o custo da falha, podendo-se prever estoques adequados e seguros.
2.3.3. Manutenção autónoma
É aquela em que os operadores são capacitados para supervisionarem e actuarem como
mantenedores em primeiro nível (Pereira, 2009).
Para Wilson e Carlos (2003), a manutenção autônoma é aquela realizada pelos próprios
operadores. Constitui uma ferramenta muito eficaz de manutenção preventiva e preditiva, a um
custo menor que o observado em outros instrumentos. É uma forma de reduzir os custos com
pessoal de manutenção e aumentar a vida útil do equipamento, concentrando-se, basicamente,
em limpeza, lubrificação, reapertos e inspecção diária.
Hartmann (1992) apud Wilson e Carlos (2003) coloca a redução de custos e de falhas e a
melhoria do equipamento como os principais benefícios da manutenção autônoma, enfatizando,
que a redução de custos é reflexo da eliminação de pequenas paradas e da redução do tempo de
reparo, devido ao envolvimento constante do operador.
2.3.4. Manutenção produtiva total (TPM- Total Productive Maintenance)
É a manutenção conduzida com a participação de todos, desde os operadores das máquinas e
do pessoal da manutenção, até ao nível superior da gestão, passando pelos quadros superiores.
(Pereira, 2009)
A Manutenção Produtiva Total, é mais do que uma ferramenta de manutenção, é uma filosofia
de trabalho tida como missão da empresa na manutenção da produtividade (Fleming & França
(1997) apud Wilson e Carlos (2003)). A TPM está baseado em alguns pilares, entre os quais
estão melhorias específicas, manutenção autônoma, manutenção planeada, manutenção da
qualidade e treinamento. A TPM reúne outros tipos de manutenção em torno de uma filosofia de
manutenção da produtividade. (Wilson & Carlos, 2003)
Wilson e Carlos (2003), salientam a redução dos custos de manutenção na aplicação do TPM,
na medida em que permite reduzir perdas e dispõe o equipamento em condições óptimas de
operação, em um processo de alta disponibilidade.
A TPM é especialmente um “estado de espirito: todas as funções da empresa devem sentir que
estão a participar nos desempenhos do processo de manutenção”. (Cuignet, 2005)
2.3.5. Manutenção Centrada na Fiabilidade (RCM – Reliability Centred
Maintenance)
Segundo Raposo (2004), a manutencao centrada na fiabilidade “é aquela na qual se estudam e
classificam os modos de falha, suas severidades, seus efeitos e possibilidades de ocorrência e,
com apoio de modelos probabilístico, determina-se o risco de operação sob certas
circunstâncias.”.
Moubray (2000) apud Wilson e Carlos (2003), apresenta a RCM como uma filosofia de
trabalho, como “um processo usado para determinar o que deve ser feito para assegurar que
qualquer ativo físico continue a fazer o que seus usuários querem que ele faça no seu contexto
operacional”. Ou seja, o RCM é uma metodologia que identifica, no contexto de cada operação,
quais as acções mais indicadas para a preservação das funções nela existentes.
Durante esse processo, cabe à manutenção identificar o índice da confiabilidade de cada
equipamento e do processo como um todo e como essa confiabilidade pode ser melhorada. Pela
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sua característica científica, requer uma equipe de manutenção mais especializada para o
desenvolvimento dos estudos de confiabilidade. (Wilson & Carlos, 2003)
As estapas de implementação de programas de RCM, segundo Cuignet (2005) são:
− Definição dos equipamentos críticos,
− Definição dos desempenhos esperados destes equipamentos,
− Definição dos modos de avaria possíveis destes equipamentos,
− Definição dos efeitos possíveis destas avarias,
− Definição e quantificação das consequências destas avarias,
− Probabilidade de ocorrência destas avarias,
− Definição de acções de prevenção que permitam diminuir ou suprimir o risco identificado,
− Implementação destas acções,
− Acompanhamento contínuo do cumprimento das acções implementadas.
Para Moubray (2000) apud Wilson e Carlos (2003), na RCM os resultados compensam os
custos. Um bom estudo de confiabilidade pode dar ao sistema maior racionalidade na aplicação
dos recursos destinados à manutenção e melhor controle do estoque de peças, das ordens de
serviço e das paradas programadas. O RCM vem auxiliar na otimização do nível de
disponibilidade de máquinas e dos custos, na medida em que permite reduzir de 40% a 70% as
intervenções periódicas.
2.4. Custos de manutenção
Os custos têm de ser considerados no preço final de produção dos bens fabricados ou dos
serviços fornecidos. As margens de lucro são actualmente muito baixas em muitos sectores de
actividade. Assim, compreende-se facilmente o interesse numa organização racional e económica
da manutenção. (Pereira, 2009)
Para o mesmo autor, os custos provenientes da manutenção são:
• Custos directos de Manutenção:
− Custos de mão-de-obra;
− Despesas globais do serviço de Manutenção;
− Custo de posse de stocks, ferramentas e máquinas;
− Consumo de matérias-primas e bens para Manutenção;
− Consumo de peças de substituição;
− Custo dos contratos de Manutenção;
− Custo dos trabalhos subcontratados.
• Custos indirectos de paragem de produção – custos de oportunidade:
− Custos de perda de produção: perdas de produtos não fabricados, perda de qualidade, perda
de produtos desclassificados, perda das matérias-primas em curso de transformação; custos
de mão-de-obra parada; amortização dos equipamentos parados, despesas com arranque do
processo de produção.
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Wilson e Carlos (2003) e Cabral (2006), apresentam os custos da manutencao em forma de
iceberg (Figura 2), onde a ponta visível representa os custos contabilísticos e a parte submersa
( quatro vezes maior) representa todos os outros custos, não facilmente quantificáveis.
Figura 2. Iceberg dos custos de manutenção. Fonte: Wilson e Carlos (2003)
2.5. Área de intervenção técnica
A área de intervenção técnica aborda as várias funções dos intervenientes da realização da
manutenção. A organização da área de intervenção técnica tende a variar de caso para caso, e não
existe, uma organização geral aplicável em toda e qualquer empresa. (Cabral, 2006)
A Figura 3 ilustra um caso típico de estrutura da organização da manutenção.
Figura 3. Estrutura da organização da manutenção. Fonte: Elaboração própria, adaptado de Cabral (2006).
• Produção:
Os operadores desempenham um papel importante, bastando estar devidamente formados e
sensibilizados quanto a importância da manutenção. Executam fundamentalmente as seguintes
tarefas: limpezas, inspecções, rotinas diárias, lubrificações e afinações simples. Formulam
também os pedidos de trabalho: (a) para execução imediata; (b) para execução a medio prazo.
(Cabral, 2006)
• Divisão de manutenção:
Chamada normalmente de “coração da área de intervenção técnica” da empresa. Tem como
funções, segundo Cabral (2006):
− Constituição e actualização de toda informação de manutenção
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− Gestão dos serviços oficinais
− Planeamento e análises técnicas à manutenção
− Gestão das sub-empreitadas e contratos da manutenção
− Aprovisionamento do armazém de manutenção
− Responder por toda a gestao da manutenção.
• Oficinas:
Incluem-se as oficinas propiás de mecânica, electricidade, etc., cujas funções, segundo Cabral
(2006), são:
- Assistência às maquinas- solução de pequenos problemas, afinações, mudanças de
ferramentas, etc.
− Rotinas de inspecção e lubrificação.
− Trabalhos preventivos e outros planeados.
− Trabalhos correctivos.
− Relatórios das suas intervenções.
• Armazém:
Área que assegura a logística das peças e dos materiais necessários a manutenção. Segundo
Cabral (2006), o armazem é responsavel por manter os stocks:
− Limpo e em bom estado de conservação;
− Devidamente arrumada e referenciada;
− Sem repetições;
− Com inventário actualizado.
• Laboratório:
Possui, normalmente, a seu cargo a gestão e a manutenção do equipamento de inspecção,
medição e ensaio (instrumentação e equipamento laboratorial). (Raposo, 2004)
• Fornecedores:
Estes podem ser:
− Prestadores de serviços;
− Fornecedores e peças e materiais.
Em ambos os casos é importante manter actualizados os contactos e localizações, pessoas a
contactar, etc. (Cabral, 2006)
2.6. Importância da manutenção
O departamento de manutenção tem importância vital no funcionamento de uma indústria,
independentemente do tipo. De nada serve o gerente de produção procurar ganho de
produtividade se os equipamentos não dispõem de manutenção adequada. À manutenção cabe
zelar pela conservação da indústria, especialmente de máquinas e equipamentos, devendo
antecipar-se aos problemas através de um contínuo serviço de observação dos bens a serem
mantidos. O planeamento criterioso da manutenção e a execução rigorosa do plano permitem a
fabricação permanente dos produtos ou prestação de serviços graças ao trabalho contínuo das
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máquinas e/ou equipamentos, reduzindo ao mínimo as paradas temporárias da fábrica. (Cuignet,
2005)
A figura 4 mostra um exemplo da relação entre a manutenção e os demais departamentos,
apresentando os seus principais clientes e fornecedores.
Figura 4. Relação entre a manutenção e os outros departamentos. Fonte: (Sellitto, 2005)
Uma boa manutenção reduz perdas de produção porque visa assegurar a continuidade da
produção, sem paradas, atrasos, perdas e assim entregar o produto em tempo hábil. (Sellitto,
2005)
Em empresas de transporte os serviços prestados são sempre baseados em um certo tempo, e o
atraso desse tempo devido a falhas ou avarias nos veículos acarreta custos muitas vezes
elevadíssimos. A manutenção reduz as possibilidades de ocorrência dessas avarias, permitindo a
empresa prestar os seus serviços com confiabilidade e confiança por parte dos clientes.
2.7. Impacto socio-económico da manutenção de equipamentos
Uma boa manutenção, para Cabral (2006):
− Dá confiança aos produtores;
− Estimula os técnicos a concentrarem-se no que é importante;
− Abre novas oportunidades profissionais;
− Melhora a segurança;
− Contagia as outras funções da empresa.
Segundo explica Capetti (2005), a manutenção de equipamentos apresenta os seguintes
impactos a nível económico:
• Menores custos directos: devido ao maior rendimento do trabalho planeado e ao menor
custo por evitar avarias ao invés de repará-las (reparar custa três vezes mais que prever).
• Específico número de peças de reserva: num ambientte planeado, procura ter-se somente
aquilo que se vai necessitar e encomendar só quando necessario.
• Economia de energia: resultante do melhor rendimento dos equipamentos, evitando gastos
desnecessários de energia.
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• Enriquecimento da empresa: “o know-how da empresa, adquirido ao longo de anos
disperso, fica, finalmente, bem arrumado e pronto a render beneficios”.
• Intangíveis: quebras na produção, na qualidade, nos prazos de entrega, agressões ao
ambiente e “…outros acidentes podem traduzir-se na perda de um contrato…de um
cliente…de um negócio…na extinção da própia empresa.”.
3. Papel do engenheiro mecânico na manutenção
Ser Engenheiro de Manutenção exige actualmente, do que o conhecimento específico sobre
técnicas de manutenção. “É necessário a consciência que esta atividade além de ser uma ciência
é também uma verdadeira arte.”. (Sellitto, 2005)
Dentre as várias actividades do engenheiro mecânico na manutenção, Capetti (2005), apresenta
como principais as seguintes:
• Análise dos problemas diretamente relacionados à instrumentação de equipamentos e
processos;
• Educação e treinamento do pessoal técnico, no cuidado e utilização dos equipamentos;
• Planeamento dos recursos existentes para atendimento das necessidades e alcance dos
objectivos traçados;
• Produção de estudos e elaboração de relatórios para a implantação de novas tecnologias em
manutenção e operação, assim como daquelas já estabelecidas dentro da empresa;
• Gerenciamento de recursos e de equipamentos; e
• Análise da relação custo/benefício.
4. Manutenção e a qualidade
A manutenção é um pilar indispensável da qualidade, cujo controlo se encontra cada vez mais,
a montante do produto final, isto é, ao nível do equipamento que o produz. (Cabral, 2006)
Sem um bom apoio da manutenção não há garantia da qualidade, e a certificação da qualidade
na empresa passa pela auditoria ao seu sistema de manutenção. (Pereira, 2009)
Quando se fala em produção por meio de máquinas e equipamentos, com qualquer nível de
automação, a qualidade do produto final é determinada, entre outros factores, pelo desempenho
do equipamento ou máquina que o fabrica. Tradicionalmente, manutenção e qualidade têm sido
analisadas separadamente, como identifica Sellitto (2005), que discute essa questão relacionando
uma manutenção ineficaz com a necessidade de inspeções mais frequentes, o que eleva em
grande escala o custo do controle de qualidade.
A deterioração das condições óptimas do equipamento leva a desvios no processo e a queda de
qualidade. Conforme Souris (1992) apud Wilson e Carlos (2003), a busca pela “qualidade do
processo e do produto passa pela qualidade da manutenção, sem a qual o montante investido em
sistemas de gestão da qualidade pode ser inteiramente perdido”. A qualidade da função
manutenção pode evitar a deterioração das funções operacionais dos equipamentos,
especialmente aquelas que levam a falhas ocultas, que resultam na incapacidade do processo.
Apenas uma manutenção adequada pode garantir que o processo não perderá sua capacidade
devido a desvios provocados por problemas no equipamento. A manutenção é encarada como
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essencial também nos sistemas de gestão da qualidade, como a ISO 9000. (Wilson e Carlos,
2003)
4.1. Manutenção na redução do impacto ambiental
Segundo Miguel (2000), a segurança, meio ambiente e saúde, são factores que necessariamente
precisam ser considerados no estabelecimento das estratégias de manutenção, levando-se em
conta não só as exigências legais, mas também a interacção dos equipamentos com os
trabalhadores e com o meio ambiente.
Todas acções de manutenção com o objectivo de se alcançar os objectivos da empresa não
podem deixar de lado o respeito à integridade das pessoas e o meio onde vivemos. Ao eliminar
perdas, como por exemplo, falhas de operação e produtos defeituosos, no mínimo, a instituição
economizará recursos como matéria-prima e energia. Além disso, com a aplicação deste pilar
busca-se a redução de desperdícios de recursos produtivos, o aumento da vida útil das máquinas
e equipamentos, evitando, assim, descartes antecipados, aplicação de ações corretivas para evitar
emissões poluidoras de máquinas equipamentos e, análise do ciclo de vida dos produtos. (Xenos,
2004)
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5. Conclusões
Em conclusão, pode-se dizer que todos os argumentos e citações apresentados têm por
objectivo mostrar que a função manutenção deve ser encarada como estratégica dentro da
organização, e que pode e deve ser usada na redução dos custos totais do processo de produção
como investimento, e não como gasto adicional.
Os benefícios da implementação da manutenção são claramente visíveis: o ambiente de
trabalho se torna mais seguro, há uma melhoria da qualidade nos processos e produtos, pois o
tempo de parada de equipamentos por quebra diminui, etc. Ainda, há um aspecto de extrema
importância, que é a conscientização, de toda equipe envolvida no processo de manutenção,
sobre a importância da sua actividade, manutenção adequada dos seus equipamentos, sua
contribuição no aumento da produtividade e ganhos econômicos.
Toda e qualquer actividade não pode estar apenas focalizada na produção de bens ou serviços,
precisa estar ciente e actuar seguindo as normas estabelecidas quanto ao impacto das suas
actividades no meio ambiente.
Apesar de não referido neste trabalho, propõe-se uma análise entre as opções de fazer a
manutencao (ter uma equipe de manutenção própria) ou terceirizar (contratar outra empresa).
Esta questão deve tambem ser analisada sob um ponto de vista estratégico e de custos.
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6. Referências bibliográficas
• Cabral, J., 2006. ORGANIZAÇÃO e GESTÃO da MANUTENÇÃO: dos conceitos à
prática…. 6º ed. ed. Lisboa: LIDEL- Edições técnicas.
• Capetti, E., 2005. O PAPEL DA GESTÃO DA MANUTENÇÃO NO
DESENVOLVIMENTO DA ESTRATÉGIA DE MANUFATURA. [Online]
Disponível em: http://www.livrosgratis.com.br/arquivos_livros/cp001606.pdf
[Acedido em 29 Setembro 2014].
• Cuignet, R., 2005. Gestão da Manutenção. Lisboa: LIDEL.
• Miguel, A. S., 2000. Manual de Higiene e Segurança do Trabalho. Porto-Portugal: Porto
Editora.
• Pereira, M. J., 2009. Engenharia de Manutenção - Teoria e Prática. Rio de Janeiro:
Editora Ciência Moderna Ltda.
• Raposo, J., 2004. Manutenção Centrada Em Confiabilidade Aplicada A Sistemas
Eléctricos: Uma Proposta Para Uso De Análise De Risco No Diagrama De Decisão.
Bahia- Brasil: Salvador.
• Sellitto, M., 2005. Formulação estratégica da manutenção industrial com base na
confiabilidade dos equipamentos. Revista Produção, Jan/Abr., V. 15(n. 1), pp. p. 44-59.
• Wilson, M. e Carlos, L., 2003. Análise dos Custos de Manutenção e da Não-manutenção
de Equipamentos Produtivos. Revista de Ciência e Tecnologia, Jul/Dez, v. 11(Nº 22), pp.
pág. 35-42.
• Xenos, H., 2004. Gerenciando a Manutenção Produtiva. Brasilia: Editora Falconi.